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O programa de rock de ontem começou exatamente do ponto onde havia parado na sexta-feira anterior: com mais uma edição do Drop Loaded, a contribuição semanal dos paulistanos do Loaded E-zine. Na sequencia, o “Bloco do ouvinte”, bem “farofeiro” desta vez, com novos sons de artistas e bandas do chamado “hair metal”, aquele hard rock glam que teve seu auge nos anos 80. Cortesia de nosso eclético colaborador Leonardo Bandeira. Depois de ouvir uma faixa de cada uma das bandas que se apresentariam em mais uma “Noite Fora do eixo” no Capitão Cook, batemos um papo com eles, os recifenses da Voyeur e do Rock Motor e Julio Dodges, da The Baggios. E tome punk rock clássico: 999, formada em 1977, em Londres; The Adverts, também britânico, de 1976 (acabou em 1979); “Teenage kicks”, dos undertones (grupo da Irlanda do Norte formado em 1975), a música preferida do legendário DJ da BBC John Peel, ao som da qual ele foi sepultado em 2004; X-Ray Spex, com seu punk classudo marcado por um inusitado acompanhamento de saxofone e o vocal potente de Polly Styrene; e The Slits, provavelmente a primeira banda punk feminina de que se tem notícia, com um cover de “I heard it through the grapevine”, clássico da Motown e primeiro sucesso da carreira de Marvin Gaye. Esta última foi nossa homenagem à vocalista Ari up, falecida esta semana. No último bloco, mais uma homenagem – à passagem dos 40 anos da morte de Janis Joplin. Encerrando a noite, The Kinks, uma verdadeira banda-símbolo do rock britânico, eternos ídolos mod e um dos maiores representantes da chamada “invasão inglesa”.
Rock and roll, porra!
A.
* * *
Janis Joplin morreu há 40 anos - Cantora, uma das maiores vozes feminina do rock, sofreu uma overdose em 1970
Do Site da Rolling Stone Brasil.
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Janis Lyn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, em Port Arthur, no Texas, e desde mais nova já mostrava duas características que lhe acompanhariam pelo resto de sua vida: o amor por música e seu engajamento social. Quando adolescente, posicionou-se a favor da integração dos negros na sociedade, no auge da tensão racial vivida nos Estados Unidos, sobretudo no conservador estado sulista. Entre suas paixões musicais estavam o jazz, o folk e o blues - este último seu favorito, tendo ela se inspirado na musa Bessie Smith e no pioneiro Leadbelly. Joplin começou cantando em pequenas cafeterias no Texas.
Em sua trajetória, junto à relação com a música, vinha seu envolvimento com a cultura beat dos anos 50. Janis também integrou o movimento hippie, que, nos anos 60, deu mais cores à contracultura dos beatniks, contestando os padrões instituídos e posicionando-se a favor de mudanças, fossem elas direcionadas ao pensamento da sociedade (visto pela juventude como retrógrado), fossem com relação ao fim da guerra no Vietnã.
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Em fevereiro de 1970, Janis veio ao Brasil a fim de tentar se recuperar de seu vício em drogas e álcool, passando o carnaval no Rio de Janeiro ao lado de amigos - em seu retorno aos Estados Unidos, contudo, ela voltou a abusar de substâncias ilícitas. Com o fim da Kozmic Blues Band, formou outro grupo, o Full Tilt Boogie Band, com o qual passou a fazer suas turnês. Ainda em 1970, gravou Pearl, que teve lançamento póstumo, no ano de 1971, já que a artista morreu de overdose de heroína em outubro, em Los Angeles, pouco tempo depois do início das gravações.
* * *
O Adeus a Janis Joplin
Trecho da reportagem publicada originalmente na edição 69 da revista Rolling Stone EUA (outubro de 1970). Você lê a reportagem completa na Rolling Stone Brasil #49, Edição Especial de 4 anos. Nas Bancas.
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Quando John Cooke chegou lá, eram quase 19h. Ele viu que o carro de Janis estava no estacionamento e que as cortinas do quarto dela, no andar térreo, estavam fechadas. Ela não atendeu a porta quando ele bateu, nem quando ele esmurrou a madeira e berrou. Cooke falou com o gerente, Jack Hagy, que concordou em entrar no quarto. Janis estava estirada entre a cama e a mesa de cabeceira, usando uma camisola curta. Os
lábios dela estavam ensanguentados quando eles a viraram, e seu nariz estava quebrado. Ela segurava US$ 4,50 em uma mão.
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Quando o apresentador do telejornal das 23h tinha terminado seu breve relato, telefonemas espalhavam boatos malucos: Janis tinha sido morta por algum sujeito ciumento, por um traficante, até mesmo pela CIA; ela teria acabado com a própria vida por causa de algum homem, porque achava que estava caindo no ostracismo ou porque sempre tinha sido uma pessoa autodestrutiva. Cada nova teoria tinha alguma pessoa "informada" por trás, e cada uma delas era igualmente sem embasamento.
Thomas Noguchi, legista do condado de Los Angeles, não contribuiu em nada para esclarecer a confusão, muito pelo contrário: seu relatório preliminar, emitido na manhã seguinte, dizia que ela "morreu de overdose de drogas", mas não especificava quais drogas - álcool, soníferos ou algo mais pesado.
Gordon tentou rebater muitos dos boatos bizarros e amenizar as manchetes mais loucas, dizendo acreditar que as alusões a drogas não tinham embasamento e que Janis teria morrido de overdose de soníferos, seguida de uma queda da cama. Na terça-feira, no entanto, Noguchi relatou que Janis, que estava com 27 anos, tinha de fato injetado heroína no braço esquerdo várias horas antes de morrer, e que uma overdose a tinha matado. Disse que um inquérito seria instaurado.
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O advogado Gordon disse que Janis o tinha visitado alguns dias antes "para falar de negócios". Ela parecia feliz. Disse que estava pensando em se casar. "Ela também estava muito contente com o álbum", prosseguiu. "Estava na cidade fazia mais ou menos um mês, gravando, entusiasmada com a banda. Ela disse que 'se sentia como uma mulher de verdade'".
Quando indagado a respeito dos "negócios" que Janis foi tratar com ele, Gordon respondeu: "É melhor eu falar logo. Ela foi assinar o testamento". Ele enfatizou, no entanto, que não achava que o fato de ela o ter assinado significasse alguma coisa.
Paul Rothschild, produtor da Elektra, mas que também estava produzindo as sessões da Columbia, relatou que Janis estava "emocionada e em êxtase". Disse que conhecia a estrela há muito tempo e que ela parecia "mais feliz e mais ligada do que qualquer pessoa pudesse se lembrar". Ele disse que o álbum estava "80%" pronto. Uma fonte da Columbia, no entanto, informou que as gravações "não estavam andando bem", que estavam "devagar" e que, depois de um mês passando entre oito e dez horas no estúdio, 11 faixas tinham sido editadas e apenas quatro tinham sido consideradas "boas o suficiente". Quando confrontado com essa informação, Rothschild ficou furioso. Ele observou que tinha precisado "brigar com todo mundo na Columbia" ao longo de todas as sessões. Disse que o álbum era o primeiro feito por um produtor "de fora" que a Columbia tinha permitido, e que "o disco podia não estar indo assim tão bem para a Columbia, mas estava para Janis Joplin". Uma fonte da Columbia divulgou o nome de algumas faixas, incluindo "Me and Bobby McGhee", "A Woman Left Lonely", "Ain't Nobody's Business", "Trust in Me", "Cry Baby", "Get It While You Can", "Half Moon" e "Got My Baby". [Nota: O disco acabou sendo lançado em fevereiro de 1971 com o nome Pearl].
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Myra Friedman, uma das assessoras de imprensa de Grossman e amiga próxima de Janis, disse que a imagem que ela cultivava, de ser do tipo de pessoa que aproveita tudo enquanto pode, não era exata: "Acho que Janis sabia que ela não era assim. Talvez uma parte dela acreditasse nisso, mas acho que a parte mais honesta não acreditava. Ela não era conservadora - isso é ridículo -, mas tinha muitas necessidades que simplesmente eram iguais às de qualquer outra pessoa. Ela aceitava diferentes tipos de pessoas".
O promotor de shows Bill Graham, falando de São Francisco, negou as "conexões" que inevitavelmente estavam sendo feitas entre a morte de Hendrix e Joplin: "Nenhuma. Hendrix foi um acidente - e Janis, ninguém sabe ainda. Tenho certeza de que alguém deve estar jogando I Ching ou olhando para um mapa ou para as estrelas e dizendo: 'Eu sabia, eu sabia'. Só falo isso porque sei que muita gente vai ficar procurando razão e lógica - não significa que aquele homem tinha que partir, que aquela coisa tinha que acontecer, não estava escrito em lugar nenhum. Se, hipoteticamente a morte de Jimi e Janis for o resultado de heroína, a ironia é que isso pode surtir um efeito positivo. Muitos jovens poderão largar a droga. Eu gostaria de pensar que algumas das pessoas que fizeram sucesso vão começar a avaliar se elas controlam o sucesso ou se são controladas por ele. Quanto a Janis, acho que ela nunca soube lidar com isso".
(...)
* * *
Mitch & Mitch – I´m 30 I´m lonely I´m horny
The Silver shine – Repile new song
(Drop Loaded)
Bloco produzido por Leonardo Bandeira:
Vince Neil – Bitch is back (Elton John cover)
Keel – Push & pull
Ratt – A little too much
Scorpions – rock zone
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Diablo Motor – sem moderação
Voyeur – sexy Love
+ Entrevista Ao Vivo
999 – Homicide
The Adverts – One chord Wonders
The Undertones – Teenage kicks
X-Ray spex – The Day the world turned grey
The Slits – I Heard it through the grapevine
Janis Joplin with Big Brother & The Holding company
# Piece of my hear (live at winterland)
The Kinks
# ´Till the end of the Day
# Sunny afternoon
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