segunda-feira, 29 de junho de 2009

A Invasão Sergipana

Do Blog Invasão Sergipana

Mais do que uma aventura pelo seco sertão brasileiro, uma oportunidade de mostrar a cara, de provar do que é capaz, de dar aquele que pode ser o primeiro passo para uma sólida e longa carreira de sucesso. É com esse sentimento na alma, alguns instrumentos e muita ansiedade na mochila que os meninos da Daysleepers, do The Baggios e da Elisa saem em turnê pelo Nordeste. Ao todo, sete cidades serão percorridas, em cinco estados, durante quase 15 dias de viagem.

Apesar do pouco tempo de estrada das três bandas, cada uma delas guarda em seu currículo importantes experiências. A The Baggios, a mais caduca, uma senhorinha de cinco anos, tem apenas dois integrantes, Júlio Andrade e Gabriel Carvalho. Logo à primeira vista, eles provam que quanto menos, melhor. O duo, que apresenta riffs fortes e bateria idem, traz o soul e o blues nas veias, por onde corre, também e principalmente, muito rock and roll.

Participações em festivais como o Projeto Verão, o Rock Sertão e o Nada pode parar o rock, realizados em Sergipe, o Música pra todos os ouvidos, de Salvador, e o Perro Loco, em Goiânia, são alguns dos memoráveis momentos da dupla, que busca inspiração em fontes como Black Keys, Jimi Hendrix e Led Zeppelin. Os EPs The Baggios e Hard Times, que fizeram o som dos caras caírem no gosto da galera, devem estar presentes no repertório dos shows.

Arthur Matos (vocal, violão e percussão), Rafael Eugênio (teclados, trompete, bandolim e vocal), Fabrício Rossini (guitarra, bandolim e vocal), Ravy Bezerra (bateria, percussão, glockenspiel e vocal) e Wesley Soares (baixo), da Daysleepers, apesar de estarem juntos há menos tempo, também têm muita história pra contar.
Diversos shows na capital sergipana - entre eles a participação no 13º aniversário da Rádio Aperipê, que contou com a presença dos Mutantes -, um EP lançado, o Tempo, e um disco prometido para este ano estão no diário de bordo da banda. A Daysleepers, que soma apenas dois anos de formação, tem forte influência sessentista, seguindo lendas como Beach Boys e The Turtles e bebendo na fonte dos recentes Coldplay e Belle and Sebastian, para citar apenas dois.

A caçula dos três grupos sergipanos é a Elisa, da qual fazem parte Pedro Yuri (vocal, violão e banjo), Saulo Nascimento (teclados, programações e vocais), Matheus Nascimento (baixo e vocais) e Fabinho Espinhaço (bateria). Sem guitarras, mas com elementos de noise compondo uma sonoridade moderna, a banda bebe do indie pop, abusando do experimentalismo e do new-rave.

Jeff Buckley, Radiohead, Guillemots, Mew e Damien Rice indicam alguns dos caminhos trilhados por Elisa, que acaba de lançar seu primeiro EP, intitulado O quarto dos fantasmas. Nos shows, o estilo dançante, as pitadas psicodélicas, a cara blasé típica do indie rock e um quê de agressividade fazem toda a diferença.

Depois de ler e saber um pouco sobre as três bandas, o leitor já viu tudo e pode imaginar o que esperar dos shows? Não, ainda não. Existem algumas pequenas surpresas que o igualmente pequeno estado de Sergipe reserva aos amantes do rock. E os meninos do The Baggios, da Daysleepers e da Elisa vão adorar mostrar quais são. Pelo sim, pelo não, vale a pena pagar pra ver.


Agenda:
02/07 - Recife (PE)
03/07 - João Pessoa (PB)
04/07 - Natal (RN)
05/07 - Maceió (AL)
10/07 - Camaçari (BA)
11/07 - Poções (BA)
12/07 - Lauro de Freitas (BA)

Saiba mais em:
www.myspace.com/baggios
www.myspace.com/daysleepersbr
www.myspace.com/bandaelisabr



sexta-feira, 26 de junho de 2009

DEP - Véio, ex-baixista do Concreteness



por Adelvan Kenobi

De vez em quando apareciam, no underground, algumas bandas que se destacavam por fazer um som original, fugindo dos estereótipos recorrentes do meio, quase sempre preso a fórmulas - muitas vezes de forma absolutamente competente e por isso mesmo relevantes, mas mesmo assim presas a fórmulas. Me lembro especialmente de dois grupos REALMENTE diferentes, dos anos 90: Pato Fu e Concreteness. Ambos surgiram de repente, meio que do nada, com um som inovador e empolgante. O Pato Fu via Cogumelo Records de BH com seu clássico primeiro disco, "rotomusic de liquidificapum", um verdadeiro OVNI no catálogo de metal underground da gravadora do Sepultura. Galgaram alguns degraus rumo ao mainstrean - não chegaram lá, mas se mantêm até hoje como um nome respeitado no universo do pop rock nacional. Para isso, no entanto, tiveram que fazer concessões ou, pelo menos, privilegiar a veia mais acessivel da banda representada por Fernanda Takai em detrimento dos experimentalismos alucinados de John. O Concreteness até fez uma concessão, trocaram o inglês da primeira fita-demo pelo português do primeiro disco, mas não foi o suficiente. Seu electro-rock (lembremos que não havia ocorrido ainda o "boom" da fusão do rock com a eletronica do final dos anos 90) era um pouco demais para o anêmico mundinho limitado da musica brasileira que tocava/toca no radio. Morreram na praia, no sentido de alcançar projeção nacional (não sei se eles tinha esse objetivo, acho que sim, mas tenho certeza de que mereciam), mas não sem antes deixar uma marca profunda no cenário alternativo da época. Era uma banda que, literalmente, "corria atrás", fazia acontecer. Tanto que tocaram, inclusive, aqui em Aracaju, algo bem dificil para uma banda independente baseada no sul/sudeste mesmo hoje, muitissimo mais no já longínquo 1995. E foi um evento memorável, inesquecivel, no Mahalo, saudosa casa de shows, em sua fase já próxima à orla. Por conta mesmo dessa energia da banda em querer tocar para o máximo possivel de pessoas consegui ver 3 shows deles, o já citado, mais um no Abril pro rock, em Recife, e um no BHRIF, em Belo Horizonte, ainda divulgando a primeira demo.

Pois bem, este mês morreu um dos componentes, o único não-Maluf (ao que consta, sem relação de parentesco com aquele outro tristemente célebre homônimo), da banda. O Baixista, Véio. Não conheci pessoalmente nem via carta nenhum dos membros do Concreteness, por isso não tenho nenhuma experiencia pessoal para contar, mas clicando aqui você lê um texto de Alexandre Mathias, do Trabalho Sujo, falando do Véio e do Concreteness, num relato emocionante de alguém igualmente muito talentoso que o conheceu e que chegou até mim através de um e-mail enviado por Panço, do Jason.

Abaixo, imagens da Fita-demo e do primeiro CD do Concreteness.
As fotos são dos shows deles no BHRIF e no Abril pror rock.













sexta-feira, 19 de junho de 2009

Recesso junino

Entraremos em recesso devido ao choque do horário do programa com as transmissões dos Festejos juninos do estado pela Fundação Aperipê. Voltamos em julho.

See you latter, alligator.




quinta-feira, 18 de junho de 2009

Rock Sergipano, esse ilustre desconhecido

O Documentário "Rock Sergipano, esse ilustre desconhecido", de Werden Tavares, está participando de um importante festival de filmes e documentários sobre rock em Porto Alegre, ao lado de verdadeiros clássicos do estilo e de filmes atuais de grande destaque, como "Guidable", a cinebiografia do Ratos de Porão. Confira abaixo a programação completa:

Microfonia: Filmes e Documentários de rock
Porto Alegre - RS

Entre os dias 16 e 21 de Junho acontecerá na Sala PF Gastal a mostra Microfonia. A mostra reúne diversos filmes que abordam o rock e suas mais variadas vertentes como tema principal. A curadoria fica por conta de Daniel Villaverde e a arte do cartaz é assinada por Gabriel Renner, do Estúdio Pinel (http://www.estudiopinel.com/). Vale lembrar que Gabriel Renner também assumiu a arte da capa do documentário GUIDABLE- A verdadeira história do RATOS DE PORÃO. A mostra ainda conta com o apoio do coletivo B.I.L .

No sábado, dia 20, será exibido o documentário GUIDABLE- A VERDADEIRA HISTÓRIA DO RATOS DE PORÃO. A sessão ainda contará com mesa de debate com a presença do diretor do documentário FERNANDO RICK, da BLACK VOMIT FILMES.

Com 121 minutos de duração, GUIDABLE é o registro oficial — e sem censura — de quase três décadas de drogas, loucuras e muito barulho, documentadas em entrevistas com os precursores do movimento punk no Brasil, como Rédson, Clemente e Fabião; centenas de arquivos em foto, áudio e vídeo de shows e apresentações em emissoras de TV, filmes nacionais sobre o assunto, arquivos pessoais raros e inéditos dos integrantes atuais e antigos da banda, além de parceiros como Andreas Kisser e Iggor Cavalera. Além de todas as pessoas que, de alguma forma, fizeram parte desta instituição do rock pesado.

As gravações ocorreram entre janeiro de 2007 e novembro de 2008, nos municípios de São Paulo e Santos. No total, foram dois anos de produção, mais de 200 horas de entrevistas captadas, centenas de fotos digitalizadas e incontáveis horas de edição para que este projeto se tornasse realidade.

GUIDABLE – A Verdadeira História do Ratos de Porão não só une e resgata diversas gerações de uma das bandas de hardcore mais importantes do cenário mundial que ainda se encontra em atividade, como serve de importante registro audiovisual sobre o movimento punk no país. O documentário marca, ainda, a estréia de Fernando Rick e Marcelo Appezzato na direção de longa-metragem.

MICROFONIA: FILMES E DOCUMENTÁRIOS DE ROCK
DE 16 A 21 DE JUNHO
SALA PF GASTAL (USINA DO GASÔMETRO 3º ANDAR)
Porto Alegre - RS

GRADE DE HORÁRIOS
Dia 16 de junho terça feira
15hs- O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido + Montevideo Unde
17hs- Psycho Carnival- Insane History
19hs- Psych-Out

Dia 17 de junho quarta feira
15hs- Wild Zero
17hs- Curupira: Onde o Pai cura e o filho pira + 1/2 Mensch
19hs- Eu Sou Um Pequeno Panda + Hated:GG Allin and The Murder Junkies

Dia 18 de junho quinta feira
15hs- Psycho Carnival- Insane History
17hs- Vivendo de Rock no Espirito Santo + The Ruttles: All you need is cash
19hs -Sons de uma noite de verão: a retomada do ska no brasil + 13°Goiânia Noise.

Dia 19 de junho sexta feira
15hs- Repolho - Música sem Parar+13°Goiânia Noise.
17hs- Psych-Out
19hs- Faster, Pussycat! Kill! Kill!

Dia 20 de junho sábado
15hs- Eu Sou Um Pequeno Panda + Hated:GG Allin and The Murder Junkies
17hs- Wild Zero
19hs- Guidable:A Verdadeira História do Ratos de Porão

Dia 21 de junho domingo
15hs- Montevideo Unde + Curupira: Onde o Pai cura e o filho pira
17hs- Guidable:A Verdadeira História do Ratos de Porão
19hs- The Decline of Western Civilization:Juventude Decadente

PROGRAMAÇÃO

Guidable:A Verdadeira História do Ratos de Porão(Fernando Rick e Marcelo Appezzato,2008, 121’)
Registro oficial, e sem censura, de quase três décadas do Ratos de Porão,uma bandas mais antigas e importantes da cena hardcore mundial.O filme também é um importante registro audiovisual do início do movimento punk no Brasil,com muitas cenas raras e inéditas.

Psych-Out (Richard Rush,1968,101’)
Um dos vários drug movies produzidos nos anos 60, psych-out, ao lado de outros como “the trip” e “Hallucination Generation”, exploram o recém chagado movimento hippie diretamente das ruas de Haight-Ashbury na San Franscisco da segunda metade dos anos 60. Trilha sonora dos The Seeds e Strawberry Alarm Clock.

Wild Zero (Tetsuro Takeuchi,2002,98’)
Imagine uma mistura de Rock’N’Roll High School, Plan 9 from Outer Space e Night of the Living Dead, filmado no Japão com os membros da banda Guitar Wolf! Uma viagem cinematográfica que mistura alienígenas e zumbis, cerveja, e rock nipônico, nesta aventura bem humorada.

Faster, Pussycat, Kill! Kill!(Russ Meyer, 1965,83’)
Filme mais popular de Russ Meyer, o papa do gênero sexplotation, faster pussycat kill kill foi um sucesso de bilheteria nos drive ins americanos nos anos 60.Três sedutoras e furiosas gogo girls andam pelo deserto americano com seus carros velozes causando a discórdia por onde passam.

Einsturzende Neubauten-1/2 Mensch (Sogo Ishii ,1986,48’)
Uma das bandas pioneiras do chamado som industrial toca em seu cenário perfeito: uma fábrica abandonada. O experimentalismo e minimalismo musical da banda somado as imagens do diretor fazem deste documentário uma obra primitiva e ainda atual.

Curupira: Onde o Pai cura e o filho pira (Kaly, Ramiro e Deborah, 2007, 40')
O documentário conta a história do lendário Curupira Rock Club. Localizado em Guaramirim, interior de Santa Catarina, o Curupira é um dos bares independentes mais antigos do Brasil em atividade. Fundado em 1992, pelo lendário Ivair, o local reuniu ao longo de sua história as principais bandas independentes do Brasil.

Eu Sou Um Pequeno Panda (Gurcius Gewdner, 10', 2008)
Aprenda a lutar contra o preconceito e vencer na vida através do Industrial Noise nesta tocante fábula familiar, recheada de amor não correspondido, solidão e intolerância. Estrelando Mulamba, Mini Mulamba, Lurdes Etezilda Etezinho, Isis Elefantisis Felitisis, Zimmmer, Suzuki Bata e Cinzinha Cinzão, que fugiu de casa logo após as gravações, com overdose de remédios, jurando voltar um dia e matar o diretor e a roteirista devido as enormes pressões psicológicas de seu personagem reacionário fascista.

Hated:GG Allin and The Murder Junkies (Todd Philips, 1993, 60 min)
Um pouco da vida e obra de GG Allin. Entrevistas com ex-colegas de escola, professores, amigos e inimigos intercaladas com cenas de shows, spoken words e a absurda aparição no programa de auditório Geraldo. Um registro essencial de um lado da música e da vida que muitos querem esquecer.

The Ruttles: All you need is cash - (Eric Idle e Gary Weis, 1978, 76')
Falso documentário fazendo sátira aos Beatles, realizado por quem realmente entende de sátira: Eric Idle, ex-integrante do seminal grupo inglês Monty Phyton. O filme contou com aprovação de George Harrison, que já havia sido produtor executivo do Phyton em “A Vida de Brian”, além de grande fã do grupo. Destaque para as paródias de clássicos dos fab-four como "Get Up and Go" (Get Back) e "Yellow
Submarine Sandwich" (Yellow Submarine).

Vivendo de Rock no Espirito Santo (Mila Neri, 2007, 20')
Depoimentos dos personagens mais atuantes da cena musical underground no estado do ES, a partir do questionamento: "É possível viver de rock no Espírito Santo?”.

Psycho Carnival- Insane History - (Cleiner Micceno, 2007, 98')
Documentário que retrata porque Curitiba é a Meca do psychobilly nacional, mostrando desde bandas dos primórdios como Missionários e Cervejas até chegar aos dias de hoje, com a cena atual.

Repolho - Música sem Parar (Silvia Biehl, 2004, 26')
Partindo de depoimentos de membros da banda Repolho, produtores, parceiros, críticos musicais e de pessoas que escutam a banda pela primeira vez, esse documentário tenta apresentar e manter o imaginário constituído em torno do grupo em seus vários anos de estrada.

Sons de uma Noite de Verão: A Retomada do Ska no Brasil (Daniel Pereira e Felipe Machado, 2007, 70')
Sons de Uma Noite de Verão A Retomada do Ska no Brasil é um caprichado documentário que compila os melhores momentos, entrevistas e depoimentos do projeto Sons de Uma Noite de Verão, promovido pelo SESC Pompéia e Radiola Records em janeiro/2006. Participam grupos como Slackers, Desorden Público, Chris Murray, Victor Rice, Firebug, Kongo, Djangos, Móveis Coloniais de Acaju e Trenchtown Rockers.

The Decline of Western Civilization:Juventude Decadente (Penelope Spheeris, 1981, 100')
Documentário da cineasta Penelope Spheeris sobre o surgimento do punk rock na costa oeste americana. Diferente do que acontecia na costa leste, mais especificamente em Nova York, o punk californiano era mais agressivo e rápido, dando origem ao hardcore.O filme conta com apresentações de bandas pioneiras no estilo como X,Black Flag,Circle Jerks, Fear,Catholic Dicipline,Germs e Alice Bag Band.

Montevideo Unde(Martín Recto,2008,50')
A recente cena uruguaia de musica independente é retratada neste documentário, que conta com as bandas Dante Infierno, Motosierra, Hablan Por La Espalda, Santa Cruz e La Hermana Menor. Uma excelente oportunidade para conhecer um pouco mais sobre a cena latino-americana.

O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido (Werden Tavares, 2008, 27')
Vídeo-documentário que traz um recorte do cenário rock de Sergipe. É uma rápida leitura do movimento cultural local a partir dos anos 80 até meados de 2004.

13 Goiania noise (Sérgio Valério,2008,23’)
Cria da Monstro Discos, A ultima edição do maior festival de rock independente nacional é retratada neste documentário, com depoimento de bandas participantes e dos produtores.

Fonte: Wender Zanon

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O Rock Sergipano: Esse Ilustre Desconhecido

Fonte : http://www.curtagora.com

Sinopse:

Vídeo feito a partir do Projeto Experimental de conclusão de Curso de Comunicação Social dos alunos Werden Tavares e Hans Hagenbeck. O vídeo tem influencias de documentaristas como Eduardo Coutinho e do Cinema Novo, e tenta ser uma nota introdutória a quem quer saber um pouco mais sobre o cenário de rock and roll nacional e em especial o sergipano. Como o próprio nome já diz, o ´ilustre desconhecido´ traz o rock sergipano contado por quem mais entende dele, seus músicos, fãs entre outros amantes dos eternos clássicos do estilo. Há um acervo de imagens inéditas ao público, assim como entrevistas gravadas com excelente qualidade de som e imagem.

Assista AQUI

.::FICHA TÉCNICA::.

Direção: Werden Tavares
Tipo: Documentário
Formato: Vídeo (DV)
Ano Produção: 2004
Origem: Brasil (SE)
Cor / PB: cor/pb
Duração: 19 min.
Elenco: Rafael Jr., Adelvan Knowbi, Plastico Jr., Tiago ´Babaloo´, Sylvio, Alexandre Chacal, Cicero, Daniel Torres, Deon Lacertae
Roteiro: Werden Tavares
Fotografia: Werden Tavares
Assistência de Fotografia: Moijan Vinícius, Hans Hagenbeck
Operador de Câmera: José Sérgio, Werden Tavares
Direção de Arte: Renata Voss
Montagem/Edição: Márcio Venâncio
Música: Snooze, Maria Scombona, Karne Krua
Som:Márcio Venâncio, Werden Tavares
Edição de Som:Márcio Venâncio
Continuidade: Werden Tavares
Produção Executiva: Hans Hagenbeck
Produção: Werden Tavares, Hans Hagenbeck

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Agrotóxico lança documentário sobre sua trajetória

Com 15 anos de estrada, a banda paulistana Agrotóxico – uma das mais ativas da cena punk brasileira na atualidade - resolveu contar a trajetória e para isso conta com a parceria entre a 13 Produções e a Red Star Recordings. "Pelos Escombros" é o primeiro registro em DVD desta banda que foi formada em garagens do subúrbio paulistano e será lançado no dia 04 de julho, mas quem quiser garantir a sua cópia pode entrar no site da Red Star e fazer sua pré-compra.

O DVD traz imagens inéditas de shows e turnês européias, mescladas a depoimentos de nomes importantes do punk nacional – Fábio (Olho Seco), Jão (Ratos de Porão), Ariel (Invasores de Cérebro), Markon (Lobotomia) e outros – assim como dos próprios integrantes do Agrotóxico. O documentário é uma rara oportunidade de conhecer a fundo uma banda que leva o punk realmente a sério. Em 138 minutos é possível saber como tudo começou, os primeiros shows, as diversas formações, o surgimento da Red Star, a experiência com o Olho Seco, detalhes das quatro turnês Européias, além de um show na íntegra filmado em alta definição no Hangar 110 e um CD com 19 sons do mesmo show, mixado e masterizado por Heros Trench.

Nos extras show no Black Jack Bar, seções de fotos e posteres, além de discografia comentada e cenas que não entraram na edição final do filme.

Clique AQUI para assitir ao treiler.

terça-feira, 16 de junho de 2009

préliminaires - "Another James Osterberg production"



Eu fui um dos muitos a ficar (relativamente) com o pé atrás com as declarações que precederam o lançamento do ultimo disco de Iggy Pop – de que ele estaria farto de barulheira e de musicos que não sabem tocar e coisa do tipo. Relativamente porque, no final das contas, é perfeitamente compreensível – chega uma hora que a gente enche o saco de tudo mesmo, até mesmo do rock and roll – vide o Ira! com a sua “farto do rock and roll”. Tranqüilo, Mr. Pop, evidentemente, não deve nada a ninguém e pode falar o que quiser na hora em que quiser e da maneira que bem entender. Lançado o petardo, eis que me deparo com uma agradabilíssima surpresa: é sensacional ! E já abre mostrando a que veio, com uma típica “chanson” francesa. A verdade é que muito por conta de seus arroubos de demência e insanidade no palco, as pessoas esquecem que o velho Iggy é, antes de tudo, um excelente cantor e intérprete, e esse disco parece que veio para provar isso de uma vez por todas. Minha principal pulga atrás da orelha inicialmente foi o receio de que viesse nele algo de caricato, ou de pastiche, afinal a senilidade uma hora ou outra chega para todas e não é o pai dos punks que vai fugir dessa sina. Fico muito feliz em constatar que não é, definitivamente, o caso. Os arranjos são de muito bom gosto e mesmo escolhas que, a principio, pareciam um tanto quanto arriscadas demais, como “insensatez”, de Tom Jobim (“How insensitive”, no disco), ficaram excelentes na voz do louco – voz essa, por sinal, de dar inveja a velhos navegantes destas searas, como Leonard Cohen e Nick Cave. Tudo muito valorizado pela excelência dos arranjos, e no final das contas a guinada nem foi assim tão radical quanto o prometido, já que as guitarras aparecem em alto e bom som em pelo menos uma faixa, “Nice to be dead”. Há ainda flertes com a musica eletrônica, notadamente em “party time”. Não deixe de ouvir este disco – e ouça-o por inteiro, como um álbum, uma coleção de canções. Como nos velhos tempos, enfim. E de forma alguma caia na tentação de julgá-lo apenas a partir do primeiro single, “king of the dogs”, que a meu ver foi mal escolhido, já que está longe de ser a melhor composição, muito embora compreenda a escolha no sentido de “dizer a que veio” já que seus arranjos jazzísticos, realmente, diferem em muito de tudo o que o iguana fez ou experimentou até hoje – e ele já experimentou, em outras ocasiões, vide “Avenue B” e “Blah Blah Blah”, notadamente este ultimo, que mais parece um álbum da fase mais “pop” radiofônica de David Bowie – que o produziu, não por acaso.

Resumindo: Iggy pop continua foda – “alive and kicking”

por Adelvan



o que andam falando por aí sobre "préliminaires":

http://musica.ig.com.br/lancamentos/2009/06/09/iggy+pop+++preliminaires+6635948.html

Por Augusto Gomes

O senso comum diz que Iggy Pop é igual a punk rock. Por um bom motivo: o cantor praticamente inventou o gênero, na época em que liderou os Stooges. E, no palco, o homem é a mais pura tradução do punk: violento, irreverente, intenso. Por tudo isso, um disco como Preliminaires tem tudo para surpreender muita gente. Nele, James Osterberg (nome verdadeiro de Iggy) aparece mais calmo e introspectivo. Há espaço até para versões de "Les Feuilles Mortes", clássico da música francesa, e "How Insenstive" - ela mesma, a "Insensatez" de Tom Jobim. Nas duas, a voz grave de Iggy se sai muito bem. O resto do disco também é bem interessante - parece uma versão melhorada de Avenue B, outro disco mais tranquilo que Iggy gravou no final dos anos 1990.

01. Les Feuilles Mortes
02. I Want to Go to the Beach
03. King of the Dogs
04. Je Sais que Tu Sais
05. Spanish Coast
06. Nice to Be Dead
07. How Insensitive
08. Party Time
09. He's Dead / She's Alive
10. A Machine for Loving
11. She's a Business
12. Les Feuilles Mortes (Marc's Theme)




Iggy Pop: “Préliminaires” - publicado em 12/06/2009 em http://territorio.terra.com.br/canais/rockonline/lancamentos/materia.asp?materiaID=2858

Por Lizandra Pronin

Iggy Pop fazendo baladas jazz em francês e com efeitos eletrônicos? Sim, é estranho. Mas imperdível. Com mais de 60 anos, Iggy Pop não pára de surpreender. Quando todos achavam que o veterano estava acomodado ao punk rock que o projetou na cena musical, eis que ele anuncia um álbum com sonoridade jazz.

Estranho num primeiro momento, o anúncio foi fazendo sentido aos poucos. Os fãs foram assimilando a idéia. E quando o álbum chegou - antes disso algumas canções já podiam ser ouvidas na internet - parecia que Iggy Pop já fazia aquilo há muito tempo.

“Préliminaires” ficou assim: o músico parece tão à vontade cantando canções como “I Want To Go To The Beach” e “How Insensitive”, que é fácil imaginá-lo fazendo isso novamente. “How Insensitive”, aliás, é uma versão para “Insensatez”, de Antônio Carlos Jobim, que ficou bem mais lúgubre que a original, acompanhando o clima do álbum.

É claro que há momentos agressivos e com ‘riffs’ sujos. “Nice To Be Dead” é um rock que remete às raízes de Iggy Pop. Outra canção que tem jeitão punk é o ‘single’ “King Of The Dogs”. Mesmo não sendo um rock, tem uma aura totalmente sarcástica e sua letra inclui versos como “I have a piece of meat in between my teeth” - mais punk, impossível.

Mas “Préliminaires” não surgiu do nada. O álbum foi inspirado no livro “A Possibilidade de uma Ilha”, do escritor francês Michel Houellebecq. O estilo provocador e ofensivo do escritor combinou perfeitamente com a loucura agressiva de Iggy Pop. A morte é o tema central do álbum.

O teor melancólico do repertório toma como base a concretude da morte, como revela a letra falada de “A Machine For Loving”, que narra a morte de um cão. Não é aquela beleza gótica da morte, sensível e sensual. É a morte mais crua, direta, que marca um vazio, a finitude. A poesia, se podemos chamar assim as letras de “Préliminaires”, segue essa linha conceitual.

Como se pudesse segurar toda a intensidade das faixas, “Les Feuilles Mortes”, canção francesa com poemas de Jacques Prévert, abre e fecha o álbum com o vozeirão grave do norte-americano cantando a morte que separa os amantes. Iggy Pop conseguiu com “Préliminaires” aquilo que muitos artistas tentam sem muito sucesso: se aventurou por terras desconhecidas sem perder a personalidade.



http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1168443-7085,00-IGGY+POP+MOSTRA+VERSATILIDADE+EM+PRELIMINAIRES+VEJA+MAIS+LANCAMENTOS.html

"Preliminaires", novo disco de Iggy Pop, é o que menos se espera do líder da lendária banda protopunk The Stooges. Inspirado no romance "A possibilidade de uma ilha", de Michel Houellebecq, o roqueiro decidiu fazer um disco "francês". Assim, o cantor que gritava "I wanna be your dog" agora canta "Les feuilles mortes" com um vozeirão que não deixa nada a dever a Leonard Cohen. A exemplo da faixa de abertura, o álbum não decepciona. Ao mergulhar fundo em composições mais climáticas, como "I want to go to the beach" ou "Spanish coast", a Iguana mostra toda a sua versatilidade vocal. O repertório do disco inclui até Tom Jobim e, mais uma vez, Pop não faz feio em sua versão de "How insensitive". (LÍGIA NOGUEIRA)

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http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n04062009_06.cfm

Rock e quadrinhos: Marjane Satrapi em novo CD de Iggy Pop

Por Marcus Ramone (04/06/09)

Iggy Pop A iraniana Marjane Satrapi, premiada autora da série autobiográfica em quadrinhos Persépolis, ilustrou a capa e o encarte de Préliminaires, novo CD do veterano Iggy Pop, o "avô" do punk rock.

O kit opcional de luxo também inclui um jurássico compacto de vinil e um livreto temático, todos ilustrados por Satrapi.

Com músicas conceituais inspiradas no livro A possibilidade de uma ilha, do francês Michel Houellebecq, Préliminaires marca a segunda parceria entre o cantor e a quadrinhista. A primeira foi na animação de Persépolis, cuja versão em inglês teve a participação de Iggy Pop na dublagem de um dos personagens.

Segundo a agência AFP, a terceira parceria poderá ser vista em um filme com atores de carne e osso, com lançamento previsto para o próximo mês de julho.

Uma curiosidade: Préliminaires traz a canção How Insensitive, versão em inglês de Insensatez, do cantor, compositor e maestro brasileiro Tom Jobim.

O disco já está à venda no Brasil.




http://sparkuberalles.blogspot.com/2009/06/iggy-pop-preliminaires.html

Iggy Pop é um dos maiores influentes do rock e do punk e onde osseus discos retratam bem a sua energia. De “Préliminaires” não se pode dizer o mesmo, já que foge descaradamente ao que fez anteriormente. Ao ouvir Iggy Pop dizer que tinha ficado um pouco farto do rock que se fazia actualmente, e que ia seguir caminhos mais para o jazz, foi algo que me deixou completamente surpreso. Não via Iggy Pop a fazer um disco com influências jazz, que até se podia achar algo estranho, ou talvez não.

Aquilo que pensei que iria ser o maior fiasco da carreira de Iggy, tornou-se numa agradável surpresa. Acho que construiu um bom disco, de momentos e de texturas muito calmas.

Iggy Pop começa o disco com o clássico “Les Feuilles Mortes” de Edith Piaf, que traz uma versão interessante pela sua voz mais melancólica.
“How Insensitive” foi outra versão interessante e de grande qualidade que Iggy fez de “Insensatez” de Tom Jobim.
O primeiro single “King of the Dogs” refere “como é bom ser um cão, de que forma é melhor que a vida humana” e traz traços de jazz ao estilo Nova Orleães.
Outros momentos como “Je Sais Que Tu Sais”, Spanish Coast” e “He's Dead/She's Alive” fazem de “Préliminaires” um disco muito agradável.

Não esquecer também a capa do disco, que foi desenhada pela iraniana Marjane Satrapi, a autora da animação “Persepolis”.

Renasce um disco com alma

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IGGY POP - O PRIMEIRO DOS MOICANOS

Publicado na Revista Bizz, Ed. 036, julho de 1988

É muito raro a gente ter por aqui um talento raro e tão influenciador como lggy Pop. Raro, ainda, é conseguir uma entrevista com este roqueiro seminal que vai aportar por aqui no final de julho. Mas nosso homem em L.A., José Emilio Rondeau, batalhou e conseguiu. Iggy deita falação sobre anos 60, os Stooges, David Bowie, influências, perigos do sucesso e desanca solenemente o que considera o lixo do rock atual. Com vocês, a fera que fez meia história do rock

Iggy Pop voltou às raízes. Depois de ter feito, em 1986, o disco mais comercial de sua carreira - Blah, Blah, Blah, produzido pelo fiel aliado David Bowie e cujas vendas superaram as de toda a discografia anterior de Mr. Iguana, com e sem os Stooges, a banda protopunk que liderara nos anos 60 e 70-, Iggy retoma à carga com Instinct, um álbum cru, básico, recheado de batalhões de guitarras (cortesia de outro amigo de longa data, o ex-Sex Pistols Steve Jones) e canções com o mesmo apelo provocativo do passado: "Easy Rider", "Power and Freedom", "Strong Girl" e "Cold Metal" caberiam perfeitamente em discos semanais dos Stooges, como Funhouse, de 1970. A produção de Bill Laswell foi uma sugestão de Bowie, e a presença de Steve Jones - que ajudou a compor metade do disco - era quase inevitável. "Ele é o melhor guitarrista-ritmo que eu conheço", diz Iggy, antes de emendar: "A não ser que o novo disco de Keith Richards seja realmente muito bom". Instinct chega num momento em que a carreira de Iggy - há 20 anos na estrada - está numa encruzilhada. O sucesso comercial de Blah, Blah, Blah fora correspondente à decepção de quem esperava menos concessão aos ditames do padrão FM e mais culhão. Iggy tinha duas escolhas: navegar a maré do sucesso - e arriscar perder a credibilidade - ou tomar as rédeas de seu destino criativo. Preferiu correr o risco. De novo.

O Iggy Pop de 1988 é basicamente o mesmo de 1967. "O objetivo é o mesmo: escrever rock and roll music poderosa e cristalina. A diferença é que agora eu tenho uma sabedoria articulada a respeito do mundo ao meu redor, mais do que tinha, nos anos 60 e 70. E agora tenho os poderes da disciplina e do autocontrole. E uma força de vontade que hoje em dia é bem mais forte do que já foi antes." As semelhanças (e as diferenças) entre o ex-líder kamikaze dos Stooges - um personagem que parecia flertar eternamente com o perigo, fosse sob a forma de mergulhos cegos no meio da platéia, fosse sob a forma de um romance quase fatal com Madame Heroína - e a atual encarnação de Jim Osterberg - sadio física (ele não fuma nem bebe, preferindo fazer jogging) e afetivamente (desde 1983 ele vive com a mesma mulher, a japonesa Suchi) - são refletidas no visual dele: esguio, os olhos azuis acesos, atentos, o cabelo castanho-avermelhado recém-lavado, camiseta sem manga (preta), blue jeans pintado a mão com pinceladas aleatórias de vermelho, verde, amarelo e abóbora, tênis branco, anéis gigantescos, em forma de aves de rapina esculpidas no metal, adornando os dedos médio e indicador de ambas as mãos e, apesar do calorão que se abate sobre L.A., uma jaqueta de couro. Preta.

Iggy fala alto, animadamente, interpretando com gestos (levantando-se da cadeira, se necessário) passagens de histórias que gostaria de enfatizar. Não foge a pergunta alguma e muitas vezes sua eletricidade apaga momentaneamente as rugas que se abrigaram no rosto de 41 anos. A um brasileiro ele lembraria muito Ezequiel Neves, o eterno menino-mem rock.

Durante 45 minutos Iggy disparou máximas de seu pensamento, trazendo à tona o material inédito gravado pelos Stooges e traçando seus planos futuros. Entre eles está uma turnê brasileira, sendo estruturada pelo veterano promoter multinacional Felipe Rodriguez. "Sempre quis conhecer o Brasil. E soube que existe muita gente lá que conhece e entende meu trabalho. Tomara que dê certo." Tomara.

Os anos 60: As primeiras influências
Sei de pessoas de todos os tipos, de diferentes bandas, que vem e dizem "aí, eu ouvia muito suas coisas antigas". Barney Albrecht, do New Order, foi a um de meus shows no Palace, no ano passado, e disse "jamais poderíamos ter formado o New Order se você não tivesse existido". E eu pra ele: "Interessante.., eu não ouvi isso no seu som, mas entendo, porque esse tipo de coisa também acontece comigo".
Muitas das pessoas que me influenciaram nem eram músicos. Eram pessoas corno políticos, escritores, pintores, estilistas, ditadores, que influenciaram minha música tremendamente, sacou? Eu pego uma idéia e depois que eu termino de mexer com ela você é incapaz de descobrir como tudo começou. Uma das minhas maiores influências foi John Lee Hooker, mas eu não marco o ritmo com o pé batendo numa tábua de madeira, nem toco folk blues, porque eu tentei fazer isso durante um ano que passei em Chicago, no meio da velha geração do blues, mas descobri que não tenho 50 anos, não sou preto, não sou alcoólatra e não sou iletrado. Sou um moleque de subúrbio, com formação de segundo grau, que abandonou a universidade pelo meio musical, então tenho que criar o meu próprio barato, entende? Então, depois que John Lee Hooker foi filtrado através de lggy Pop, ele fica irreconhecível, mas que está lá, está.
A idéia original dos Stooges, quando eu formei a banda, era tocar blues suburbano. "No Fun", "1969", até "I Wanna Be Your Dog" são todas blues songs. "I Wanna Be Your Dog" era uma entortada que eu havia dado numa frase de uma música de Big Joe Williams, onde ele cantava "I Won´t be your dog, baby please don´t go" ("Baby Please Don´t Go", regravada nos anos 60 por Van Morrison). Aí eu pensei: "E se ele dissesse: ´Eu quero ser seu cachorro´? Ia ser do cacete!" Entendeu? Então eu vou e escrevo uma música, e quando a termino ela se parece mais com um avião do que com um blues, mesmo assim é de lá que ela veio.
O formato das coisas que os Stooges faziam jamais poderia ter acontecido se não houvesse meu envolvimento com blues e com jazz. Nunca toquei jazz, mas sempre apreciei. E havia uma terceira coisa - que você talvez nunca fosse adivinhar: política. Eu odiava as pessoas que estavam metidas com a exploração do revolucionarismo, ou extremismo, nos anos 60, mas, por causa daquele clima, pela primeira vez as pessoas estavam se questionando: "Para que serve a música?", "o que espero que ela me proporcione?", "quais e que bandeiras uma banda deve levantar?", "os shows deveriam ser gratuitos?", entendeu? Todas essas coisas foram trazidas para discussão, e isso, filosoficamente, teve grande influência sobre mim. Se não tivesse havido o Black Panthers eu não teria entrado numa de fazer todo o tipo de coisas que fiz.
Eu procurava outros campos de conhecimento, além do rock and roll. Muito das minhas letras vinha de Jagger/Richards, de Morrison/Manzarek, de blues, mas também tinham muita coisa de Dylan Thomas, Shakespeare, T.S. Elliot e coisas assim, sacou?
Nos tempos do flower power, eu me sentia pessoalmente atacado toda vez que "California Dreamin´ " tocava no rádio! Sentia aquilo como um ataque pessoal a meus ouvidos e a minha vida. E esse é um tipo de coisa que rolou a minha vida inteira e nunca mudou. Odeio ouvir Kenny Rogers. Ninguém deveria ser obrigado a escutar aquilo! Odeio ouvir (cantarolando, com cara de desdém) "Ventura Highway"... e quando eu costumava viver aqui (em Los Angeles) era impossível se livrar deste tipo de música. Eu tinha acabado de gravar Kill City (78), que era um grande disco, e ninguém me dava bola! Eu sabia que era ótimo, e sabia que o que estava rolando era literalmente merda! (Gesticula como se estivesse pegando a propriamente dita.) Tipo cocô, mesmo, pedaços de merda. E eu ficava muito chateado.

No tempo dos Stooges
Sabe por que fui fazer música? Porque eu queria ficar de bobeira no meio de músicos. Algumas pessoas dizem que foram fazer música pra poderem trepar... faz parte da coisa, mas se eu tivesse que escolher entre ficar perto de meu guitarrista favorito ou passar duas horas na cama com alguma garota, eu iria ficar com o guitarrista, sacou? (Gargalhando). A garota pode esperar, sacou? (Gargalhando). Ela espera. (Ficando sério repentinamente). Pelo menos é assim que me sinto.
Na época em que os Stooges faziam aquele tipo de som e tinham aquela atitude... aquilo era um statement, porque ninguém mais estava fazendo aquele tipo de coisa. E era perigoso, verdadeiramente perigoso fazer parte dos Stooges! Dois baixistas dos Stooges morreram (embora não haja registro da morte deles em enciclopédias de rock, os Stooges tiveram dois baixistas diferentes: o primeiro foi Dave Alexander, substituído em 1972 por Scott Thurston). Hoje em dia, você vê um bocado de bandas pegando muitos elementos do que costumávamos fazer... Pode até ser que essas bandas tenham algum valor, mas não é a mesma coisa, porque agora as pessoas são quase encorajadas a fazerem o que nós fazíamos antigamente. E mais uma maneira de ganhar dinheiro, ah, ah, ah!
Nosso barato é que éramos tão "o contrário", uns caras teimosos. Não éramos uns almofadinhas da cidade grande que sabiam transitar pelos escritórios das gravadoras, ou que sabiam que garfo usar no jantar. Não sabíamos que era preciso ter aliados na mídia para chegar lá no alto, e blá, blá, blá... O que é que a gente sabia? Que realmente amávamos os Stones, Hendrix, John Coltrane, Archie Shep. Só sabíamos de música. E, se não fosse por minha causa, nem disco teríamos feito. Eu era o Stooges articulado, porque meu pai era professor de inglês e minha mãe era executiva de médio escalão, então eu conseguia falar num linguajar que o mundo exterior conseguia compreender, sacou?
Tenho um imenso orgulho de ter sido um Stooge, man. Tenho orgulho até das piores coisas que fizemos. Tenho orgulho de ter passado com um caminhão de quatro metros de altura debaixo de uma ponte de três metros, ah, ah, ah, e cortado a parte de cima do caminhão (arregalando os olhos) como se fosse uma lata de atum! Foi lindo! E tenho orgulho das vezes em que desmaiei na frente de pessoas importantes, tenho muito orgulho disso.
Na época tinha também um bocado de dor, no meio da história toda. Mas hoje não lembro tanto da dor. Lembro mais de como era divertido (com olhar perdido, meio nostálgico, talvez). Era uma boa banda. Na época eu sentia também uma afinidade com grupos como The Doors e o Velvet Underground, embora eles fossem uns tipos mais sofisticados, e músicos mais sofisticados. Os Stooges... nós éramos outra história, éramos garotos de subúrbio, uns branquelas que não sabiam distinguir merda de graxa de sapato. Nossa vantagem é que tínhamos instinto para fazer as coisas acontecerem. E, de alguma forma, por alguma razão, nós tínhamos a coragem de ser diferentes. Sem ficarmos blasé por causa disso, como o Doors ou o Velvet. Ao vivo eles pareciam se achar sempre o máximo (fingindo que está tocando, Iggy fecha os olhos e começa a afetar um sussurro cool). "Tô c* pra vocês, seus babacas, se vocês não estiverem gostando do meu som cool - e além do mais eu vou pra casa hoje à noite com uma socialite -, então foda-se", sacou? Enquanto isso os Stooges iam atrás da platéia, durante o show. Eu ia atrás da platéia. Eu dizia: "Se você não gostar disso (que eu estou tocando) eu vou pular no meio da platéia, vou puxar seu cabelo, vou cuspir em você e, se bobear, acabof* você". E até f*, às vezes! Literalmente! Uma vez agarrei uma dona na platéia e comi a dona. Quando os Stooges subiam no palco, você sabia que alguma coisa ia acontecer. E aquilo era muito importante para mim, naquela época. Não que eu desejasse ser daquele jeito, mas era a única maneira possível de ser. Você faz o que pode, entende? Se você é um cara rude, você acaba usando meios rudes.
Daquela época ainda existe muito material inédito dos Stooges (além do que foi incluído em Metallic K.O., álbum duplo com a íntegra do último show do grupo, lançado há pouco na Europa). Tem os mixes antigos de Raw Power, que eu fiz antes de David Bowie ter sido chamado para refazê-las. Aliás, é um bom disco, esse. Mas, pessoalmente, não tenho em minhas mãos coisas antigas dos Stooges. James Williamson (ex-guitarrista do Stooges) tem um bocado delas. Ron Asheton (outro ex-guitarrista da banda) também deve ter algo. Mas eu sou muito neutro em relação a isso tudo. Ouço as coisas, quando elas são lançadas, de algumas eu gosto, de outras gosto menos, porque são feitas de ensaio. "Jesus Loves the Stooges" era eu tentando cantar gospel às quatro da manhã! Mas se esse material for de interesse para alguém... Algumas são ótimas: "Scene of the Crime", "Tight Panters", "Gimme Some Skin", "I´m Sicka You", todas são faixas ótimas que você não acha num disco normal.

O novo álbum: Sai Bowie, entra Bill Laswell
Bom, em primeiro lugar foi David Bowie quem me deu a idéia de telefonar para Bill. Ele achava que nós dois conseguiríamos trabalhar bem juntos. Mesmo assim, eu não estava pensando em trabalhar de novo com Bowie, estava querendo alguém como Michael Wagner, ou Mike Clink (este último produziu o novo álbum do Metallica), ou um desses produtores de rock da Costa Oeste (dos Estados Unidos), mas tinha minhas reservas em relação a eles porque os discos deles, por um lado, têm algum punch, mas, por outro, têm uma grande falta de textura e de emoção. Falta imaginação na maioria do rock feito hoje em dia na Costa Oeste. E metade da razão pela qual me meti com música foi para usar minha imaginação. Não quero ser um cantor de rock do tipo genérico, sacou? Do tipo (cantarolando com pose de malandro) "tá aqui meu couro, tá aqui meu p*", sacou? (Bem entendiado) "Um, dois, três, quatro." Nada disso me interessa.
O resultado de minha relação com Bowie, quando ele me produz, tende a ser uma mistura de metade do que ele quer fazer e metade do que eu quero fazer. As intenções dele são, geralmente, bem distantes das minhas, e isso não me aborrece, porque embora os gostos dele sejam vastamente diferentes dos meus, acho que ele é um artista incrível. Enquanto que Bill e eu entramos no estúdio com uma só coisa em mente: eu precisava de alguém que fosse um bom instrumento, capaz de alcançar exatamente a porra da coisa que a porra do Iggy Porra Pop quer na porra do álbum, que é simplesmente botar pra quebrar e f* com todo mundo.
Eu não queria cantar com aquela voz falsamente rock´n´roll, esganiçada, e não queria cantar coisas do tipo "whoaa, baby, eu sou tão do cacete, sou o maior garanhão, entre aí no meu carro, whoaa, vamos ver um strip-tease", porque acho tudo isso um saco, entendeu? Isso não é rock. Rock é quando você corre um risco. É quando você arrisca falar o que passa pela sua cabeça. Então, meus vocais em algumas faixas são cantarolados, quase como em "Power and Freedom". ´Tem a maior pauleira lá, mas eu estou cantando assim (cantarola a melodia da música): "Laralarala..." e só no fim eu solto tudo.
Descobri um grande amigo em Bill. Mesmo antes de começarmos a gravar, antes mesmo até de eu pensar no que ia gravar, a gente costumava sair - nós dois moramos no downtown de Nova York. E aí, depois, eu ia mostrando a ele minhas demos e a gente fazia umas loucuras com elas. Fiz uma faixa para o disco de Ryuichi Sakamoto a pedido de Bill - "Risky" -, que não tem coisa alguma de rock´n´roll, é uma balada de amor. E foi muito divertido. Bill é muito criativo, e é extremamente sério. E por causa disso as pessoas meio que se grilam de trabalhar com ele, porque todo mundo, no geral, só quer saber de farra. Como eu já tenho 200% de farra em mim mesmo, de qualquer maneira (gargalhando)... acabamos nos misturando bem. E ele não assumia pose alguma de produtor, daqueles tipos (fazendo uma voz empostada) "bem, agora vamos escolher as canções do disco. Vamos ouvir o material. Vamos decidir se esta ou aquela faixa é para as rádios e darei a você minha estimativa do potencial de marketing" e blablablá... Bill não tem nada disso. Ele é um carinha, e só. E ele é músico. E esse era o mesmo barato de Bowie: ele não é como aqueles caras produtores. Se alguém for me produzir, tem que ser músico.
Perigoso hoje seria tentar ser diferente, de alguma forma. E, especialmente, criticar a ordem estabelecida. (Pausa) Em primeiro lugar, estou aí há 20 anos e não posso ficar apontando o que seria considerado hip ou rebelde. Seria a maior babaquice minha. Mas, quando eu ouço bandas dizendo "fuck" nos discos só para impressionarem todo mundo, para mostrarem como eles são "rebeldes", acho que são a mesma coisa que os flower children falsos dos anos 60! E a mesma merda de volta, sacou? Um babaquara sem tutano, que nem tem cérebro próprio, faz uma porrada de tatuagens no corpo inteiro, compõe uma canção de rock formulaica e coloca a palavra "fuck" quatro vezes e é chamado de rebelde. Dá um tempo.

Os perigos do sucesso
Perigoso, hoje, seria se opor a esse tipo de coisa. Mas... sei lá, perigosa é uma coisa que acontece com você, de repente. E basicamente perigo experimentar coisas novas, porque você pode acabar se machucando, sua cara pode cair no chão. Estou sempre enfiando meu nariz em alguma coisa que não conheço - ou que não sei fazer - e muitas vezes me ferro por causa disso. Estou mais velho agora, não tenho o mínimo desejo de tentar fazer as mesmas coisas que fazia no passado. Você faz uma vez, e é o bastante.
Em 1983 comecei a viver com uma garota (Suchi, que ele conhecera numa turnê japonesa). Ainda estamos juntos. Termos formado um relacionamento foi perigoso, porque se tivéssemos rompido nos machucaríamos. É perigoso ter relacionamentos no mundo de hoje, porque tudo é tão rápido e facilitado. Todo mundo está vendendo os peitos, as bandas, os músculos, os p*". É ridículo e está fugindo de controle rapidamente. Ficar solo é perigoso, para mim. Porque de uma certa forma eu preferia estar numa banda, porque aí seria mais caloroso. E frio, aqui onde estou.
Senti perigo em relação a esse novo álbum porque poderia ter saído uma merda. A única coisa que sabia era que, seja lá qual fosse o resultado final, eu iria compor sozinho as músicas, ia criar sozinho as partes de guitarra, ia fazer tudo do meu jeito. E, fosse bom ou ruim, ia lançar do mesmo jeito. Isso era um perigo para mim, porque tinha feito um álbum antes (Blah, Blah, BIah, lançado em 86), e, por causa dele, pela primeira vez na vida tinha vendido discos e tocado no rádio. Eu não podia destruir isso tudo. E muita gente temia que eu fizesse isso.
E queria que as pessoas soubessem da minha existência. Eu queria ser um artista vigente, não queria me tornar um Fats Domino, ou algo assim, entende? E era muito importante fazer alguma coisa diferente. Se eu tivesse feito (naquela época) um troço do tipo Stooges-revisitados, teria sido a coisa errada. Desde que fosse diferente... Desta vez não estou preocupado com o sucesso... mas sei que vou ter sucesso (gargalha).
Para compor este novo disco, fui para o Havaí, porque fica muito difícil alguém pegar um avião para ir lá, só para pentelhar você. Trabalhando sozinho eu fiquei com medo. Tocando todo dia, meus dedos começaram a sangrar, mas fui melhorando, e melhorando, até conseguir compor fluentemente. Parei de fumar no dia seguinte ao fim de minha última turnê e minha voz ficou mais forte, mais poderosa. Não parei de fumar para poder cantar mais bonitinho. Parei de fumar para poder cantar mais forte.
E daí por diante. E aquilo era um tipo de perigo, porque ninguém quer ficar velho e sem dinheiro. Porque hoje em dia ninguém toma conta de você (gargalhadas). Acho que essa é uma forma de perigo: tentar ser apenas você, o que acho bastante difícil.

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http://revistatrip.uol.com.br/141/iggypop/home.htm

trecho de entrevista concedida a Jonathan Shaw e publicada na Revista Trip # 141
Como é voltar ao Brasil depois de tanto tempo?
Eu fiquei bem puto por anos porque os brasileiros nunca me convidaram para o Rock in Rio... Eu ficava pensando: “Seus filhos-da-puta artificiais e superficiais, vão se foder!”. Fiquei bem ressentido com isso... Eu já havia tocado aqui antes, showzinho esquisito, com pouquíssimas pessoas na platéia.
Quando foi isso?
1989, em São Paulo, num ginásio de universidade, algo assim, com umas mil pessoas assistindo, na sua maioria estudantes [nota do editor: foi na antiga casa de shows Projeto SP, e em 88]. E depois aqui no Rio, onde foi bom para caralho — um clubinho sujo, não sei o nome, Copa alguma coisa... Lembro que tinha um gato e um rato nos camarins e adorei.
Como foi tocar aqui desta vez?
Senti um astral muito bom, acho que as pessoas realmente gostaram. Não tinha a menor idéia se elas nos conheciam ou não, ou se só gostavam de rock’n’roll tipo Billy Idol, que é só vestir jaqueta de couro, ser bonitinho e ter uma megaprodução. Sabia que vinha o Sonic Youth, que tem um som mais cabeça, e sei que aqui existe o “intelectual latino-americano superprotegido” [risos] — em todo país tem sempre um grupinho de gente com grau universitário que nunca é ameaçado... Pensei: “Bem, se eles gostam de Sonic Youth, o que vai ser de nós?”. Subitamente o público foi tão receptivo, as pessoas estavam com uma mente aberta. Não sei e não me interessa qual era a expectativa que elas tinham, mas era visível, enquanto tocávamos, que elas estavam com os olhos e ouvidos abertos e, aí, o público começa a entrar no ritmo. Essas coisas são bem básicas, mas são as mais importantes, sabe?
Quando o vejo no palco, me pergunto se em algum momento você se sente como se uma entidade o possuísse.
[Rindo] Uau, já me fizeram essa mesma pergunta... É isso o que você vê?
É como se eu o conhecesse como Jim, e o Jim é um carinha bacana... Aí ele sobe ao palco e se transforma no absurdo Iggy...
Bem, não sei bem o que acontece. Geralmente não me expresso muito. Mas quando estou no palco, fazendo um disco ou qualquer coisa que tenha a ver com música, aí digo “o.k., é aqui que eu preciso”. Sei lá, complete com o clichê de sua preferência: “expressar meu lado humano”; “fazer a diferença”; “passar para outra dimensão”, blablablá, qualquer merda, ser um palhaço, virar um chimpanzé, o que der na telha...
Sente como se estivesse servindo a um poder superior?
Isso eu já não sei... Poderia ser um poder inferior.
O que você costumava fazer nos anos 60?
Eu fazia coisas... Exemplo, depois que consegui montar uma casa para tentar fazer nossa música, eu tomava ácido, ligava um órgão elétrico que eu tinha no porão, colocava o amplificador no 10 e ficava com os pés no teclado por umas oito horas direto. Os pés em cima da porra das teclas, sem mexê-los, nem precisava, porque estava tudo se mexendo, saca? Então passei por toda essa merda idiota… Lembro de outra vez que tínhamos todos fumado DMT e eu vi um Buda enorme, rico em detalhes, no teto dessa casa. Me dei conta de que ele não estava lá de verdade, mas percebi que era detalhado demais, muito mais do que minha mente teria a capacidade de imaginar. Pensei que aquela devia ser minha mente superior, ou inferior, e disse: “Tenho que tirar as roupas”. Estava morando com três caras jovens, minha banda, e eles não ligavam: “Ele tem que tirar a roupa”. Então eu fiquei pelado por um ano [risos]…
E as pessoas da pequena Muskegon, onde você nasceu, que achavam disso?
Sentiam pena de mim. Toquei pelado em uma festa no Halloween de 1967 e todo mundo ficou constrangido. Mas não desistimos. Depois, um jornal universitário publicou um artigo a nosso respeito e só sabiam que meu nome era Pop graças a uma banda chamada Iguanas em que eu tinha sido baterista anos antes. Odiei aquilo. Quem é que quer ser chamado de Pop? Tente paquerar alguém, em 1968, dizendo: “Oi, meu nome é Pop”. As pessoas fazem careta, querem te bater, entende? Hoje funciona, algumas coisas mudaram.
Sabe que às vezes penso em “Search and Destroy” como a trilha sonora do apocalipse... Assim que voltamos a tocar juntos, eu e o The Stooges, alguém me disse: “Isso é maravilhoso, porque houve o Vietnã, agora a guerra no Iraque e vocês voltaram. É o momento perfeito para o The Stooges!”. Então tá, talvez tenha algo a ver: banda de guerra, de repente.

Acredita em Deus?
Gosto de um monte de deuses, o deus da xícara de café, o deus da mulher gostosa, deus de todas as coisas. Tem uma palavra para isso... politeísta, é isso, sou politeísta.
E como é que você voltou a trabalhar com os seus antigos comparsas?
É um astral totalmente diferente, porque o tipo de profissional que você consegue quando contrata nunca é tão bom quanto aqueles com quem você está em pé de igualdade.
Então é um lance de lealdade?
Yeeaahh... Mas detesto admitir isso [risos]. Quando aparecem esses sentimentos, penso [voz mecânica]: “Perigo! Este é um sentimento babaca e destrutivo. Pare por aqui. Se liga...”.
Qual é sua impressão a respeito do Brasil depois desses anos todos?
[Sorrindo como uma criança] Grande. Aberto. Descontraído. Legal. Aqui as pessoas não esqueceram como sorrir, elas sorriem até nos encontros normais do dia-a-dia. Sei que existe uma realidade por trás disso, um monte de outras coisas, mas as pessoas são calorosas. Quando cheguei na imigração, no aeroporto, já dava para perceber um mundo totalmente diferente. Eu meio que invejo você, morando aqui. Na verdade não gosto de morar nos Estados Unidos, continuo lá só porque não desisto, esse é o único motivo. Eles não vão se livrar de mim tão facilmente, hã hã. As ruas têm um astral bem bacana e as pessoas em geral são mais magras que as norte-americanas. Dá a sensação também de que elas têm mais tempo, e me identifico com isso porque sou do Meio Oeste americano, onde temos muito tempo livre porque não há porra nenhuma para fazer.
Você vê potencial pra ter esse mesmo nível de popularidade aqui?
Não diria que não. Estava falando à minha namorada, Nina: “Ei, talvez a gente conseguisse trabalhar de verdade aqui, tipo vir de novo e tocar um pouco mais...”. Mas não sei qual é a força da MTV aqui, porque eles tendem a distorcer tudo e a TV é uma potência.
Fico me perguntando, são as pessoas que assistem à TV ou a TV que assiste a elas?
É bem sinistro. Tem um bairro aqui que é inteirinho uma TV, passamos por ele indo para o show [Projac, da Rede Globo]... E tem a Barra, 30 quilômetros de lixo pré-fabricado e aquela horrível merda moderna, um lugar chamado New York City Center e um Hard Rock Cafe totalmente horroroso.
Bem-vindo ao McGlobo, posso tirar seu pedido para uma nova ordem mundial?
[Risos] Com queijo… Mas, cara, eles têm uns 150 quilômetros de praia lá, e eu queria ter aquela praia.
Por falar em Brasil, ouvi uns sons “secretos” que você fez há alguns anos e nunca mostrou pra ninguém, antigas canções da bossa nova que você tocou de brincadeira com sua outra banda, lembra disso?
Cara, merda... Sim, aquela história de bossa nova que eu estava fazendo, uau, você ouviu aquilo?
Vocês estavam tocando João Gilberto, Tom Jobim, alguma coisa da Elis Regina...
Agora me lembro. Realmente gosto dessas canções. Na época eu estava vendo se sabia alguma coisa de música tradicional que pudesse usar para gravar um álbum. Gosto de toda bossa nova, e também da tradição da música popular brasileira. Não sou tão versado nela quanto gostaria, não sei a história do tropicalismo e tudo mais, mas já ouvi muita música brasileira. Conheço o Caetano Veloso, já fui a shows dele, e fui com você ao show da Astrud Gilberto em Nova York, lembra? Sempre penso em fazer alguma palhaçada dessas. Quem sabe um disco de Natal? Mas tenho que esperar o Rod Stewart parar de fazer os seus [risos].
O que te diverte mais no rock’n’roll?
Dos 18 até uns 40 anos de idade, meu ideal de diversão era basicamente fumar um grande baseado durante um dia lindo, fazer sexo e... só, entende? Os únicos outros momentos em que me sentia bem eram quando eu criava algo novo musicalmente, como a primeira vez em que ouvi o playback de “Search and Destroy” no estúdio e me dei conta: “Caramba, isso aqui tem mesmo qualidade, tem um pouco de imortalidade aqui”. Houve um momento específico que foi um daqueles momentos clássicos, que definem a sua vida. Era primavera, aula de álgebra, primeiro colegial. A professora era uma velha, falando sem parar, o dia lá fora estava lindo e eu me senti mal. Fiquei com dor de estômago, a pele ficou mal, engordurada. Fiquei com falta de ar, não conseguia mais ouvir a voz dela e só queria pular aquela janela. Pensei: “Se fosse um músico, não estaria aqui agora mas fazendo qualquer bosta que me desse na telha”. Para mim, sempre foi sobre liberdade.

sábado, 13 de junho de 2009

# 111 - 12/06/2009



Força, energia, intensidade. Desde o início, em 2001, a banda Shadowside pode ser definida pela sua atitude e paixão ao Rock e ao Metal, unindo as melodias marcantes de Hard Rock a um som atual, com guitarras pesadas, musicalidade sólida e um dos mais poderosos, porém melódicos, vocais femininos já ouvidos até hoje. Combinado a isso, estão as histórias distintas dos quatro membros da banda. Vindos de passados musicais de Punk Rock, Thrash e Glam Metal, e tendo personalidades únicas, eles descobriram dois pontos em comum quando se juntaram pela primeira vez: o amor por fazer música e coragem de assumir riscos e buscar objetivos e realizar seus sonhos.

Saiba mais em http://www.shadowside.ws

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(Da Wikipedia) Mark Lanegan é um cantor e compositor estadunidense. Conhecido por seu vocal único (rouco e soturno), começou uma carreira de sucesso ao lado da banda Screaming Trees, que fez parte da cena grunge de Seattle. Nessa mesma época, chegou a participar do mega projeto Mad Season (que continha membros do Alice in Chains, Pearl Jam e The Walkabouts). Além de dedicar-se a sua produtiva carreira solo, participou de diversos álbuns do Queens of the Stone Age, liderado por Josh Homme. Também já participou de vários discos de bandas como Mondo Generator e Masters of Reality além de artistas como PJ Harvey e Melissa Auf der Maur, entre outros. Em 2005 juntou-se a Isobel Campbell, ex-vocalista da banda Belle & Sebastian, para um projeto, e em 2006 lançam juntos o álbum Ballad of the Broken Seas, elogiadíssimo pela imprensa especializada. Também em 2005 junta-se a Greg Dulli (The Afghan Whigs) e forma o Gutter Twins.



Metalmorphose – maldição
Shadowside – Dare to dream
Shadowside – Nation Hollow mind

Sweet Fanny Adams – The last sunny Day of the year
Marcelo Birck – em amplitude modulada
Radiotape – pra sempre em mim
Móveis Coloniais de Acaju – tempo

Mark Lanegan & Isobel Campbell – Who built the Road
Mark Lanegan – Hit the city
Screaming trees – Black Sun morning
The Gutter twins – all misey flowers
qotsa – this lullaby

Drop Loaded :

Juanna Barbêra – Fake Folk
Lestics – plano de fuga

Bloco produzido por chorão 3, do Rio de Janeiro:

Anal Cunt – american woman
Lenny Kravitz – are you gonna go my way
Placebo – Special K
Bjork – Isobel (the Carcass remix)

J. Mascis and the fog – Freedom
The Subways – rock and roll Queen
Guided by voices – Bulldog skin
The Dandy Warhols – Bohemian like you
Fountains of Wayne – sink to the botton
Weezer – Holiday

segunda-feira, 8 de junho de 2009

patrick Tor4

Deu no Diário de Pernambuco:

Tor4 critica modelo da Universitária FM, da UFPE, e diz que sonha com a Frei Caneca no ar.

Foto: Edezio Aragao/Divulgacao

A discussão sobre rádio pública e seu papel na potencialização e democratização da cultura musical já esteve mais acirrada no Recife. Quando a cidade experimentou o boom de bandas musicais, a partir dos anos 90, o tema foi exaustivamente tratado em discussão que envolvia músicos, produtores, gestores públicos e mídia. Nada aconteceu. A cena musical do Recife sobrevive sem as rádios até hoje. A questão, no entanto, permanece sendo o grande gargalo da cadeia produtiva deste segmento. Por esse motivo, deve ser de grande audiência o debate que acontecerá no Recife durante a programação da conferência internacional sobre negócios da música, o Porto Musical. Patrick Torquato, também conhecido como DJ Patrick Tor4, é um dos principais nomes na gestão de rádios públicas no Brasil. Atualmente é coordenador artístico da rádio Cultura FM, do Pará. Sua palestra é sobre O papel da rádio pública na promoção das cenas culturais locais.

O convite para atuar no Pará surgiu depois que Tor4 deixou sua marca como diretor da Aperipê FM, em Sergipe. O exemplo da atuação da rádio dentro do estado é considerado como o novo panorama do radialismo público no Brasil. Aquele que comunga com a diversidade estética, com os talentos locais, com os sucessos do passado, do presente, bem como o anônimo que merece espaço, de hoje e também da antiga geração. Com a preferência pelo artista que não encontra espaço nas emissoras comerciais, apesar de produzir um trabalho de qualidade, independente do segmento. O radialista, que também faz as vezes de DJ, chegou a criar a "teoria do bloco musical", para orientar os programadores para na construção de uma grade musical plural mas ao mesmo tempo esteticamente coesa.

Patrick é graduado em Rádio e TV, mas não foi na universidade, e sim a partir de um vasto conhecimento musical, aplicado depois nos estúdios, que passou a revolucionar o conceito de rádio pública. Trabalhou com produção de eventos em Aracaju, morou em Salvador no auge da axé music, passou pelo Recife e outras capitais. Formou seu caldeirão sonoro nas andanças pelo país e no gosto desde moleque pela música que, ironicamente, não tocava nas rádios. Uma vez empregado, os artistas do chamado mercado "independente" passaram a ser seu principal arsenal. No programa da Aperipê FM, que o consagrou como radialista diferenciado, ele tocava de Gorillaz a Cordel do Fogo Encantado. As notas elogiosas na crítica especializada deram uma projeção bacana ao trabalho de Tor4.

"Quando eu assumi a programação tentei estruturar essa lógica. A concessão de uma emissora pública tem que ter trabalho amplo, cultural, uma programação que reflita a sociedade, o que está acontecendo. Não é a coisa chata da MPB dos anos 80, instrumental, música clássica. Isso remonta a outro momento da rádio pública", critica Patrick, citando inclusive a Universitária FM, da UFPE, como uma emissora que ainda não acompanha o novo modelo. "A única coisa que é certa na programação dessa rádio é tocar só frevo no carnaval", coloca. A FM pública pernambucana também não faz parte da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), da qual Tor4 é o presidente.

"No final do ano passado começamos a nos organizar para cobrir o Fórum Social Mundial, que ocorreu em Belém. Eles (direção da Universitária FM) responderam nossos e-mails dizendo que tinham interesse em participar do nosso pool de emissoras. Foi o primeiro esboço de tentar se envolver com alguma coisa, mas eles têm problemas técnicos", diz o radialista e DJ, que confessa tocar em sua programação todos os lançamentos da música pernambucana. Patrick toca ainda em outro "calo" deste tema, em Pernambuco. "Eu tenho sonho muito grande que entre no ar a Frei Caneca. Estão perdendo a população e a comunidade artística", reflete.

Além da palestra, no dia 19 de junho, Tor4 faz discotecagem no praça Arsenal da Marinha (local dos showcases do Porto Musical), na noite do dia 18. Junto com o pool de emissoras da Arpub, ele também produzirá conteúdo coletivo para transmissão do Porto Musicalpara todas as emissoras associadas, através do mesmo satélite que transmite a Voz do Brasil.

sábado, 6 de junho de 2009

# 110 - 05/06/2009 - 50 Anos de Morrissey

Maior inglês vivo comemora 50 anos com reverência e uma grande festa em Manchester

Veterano e único remanescente da banda “fixa” de apoio adotada desde o álbum Your Arsenal (1992), Boz Boorer puxa a melodia mais famosa do mundo antes da música “Girlfriend In A Comma”. Os 3,5 mil espectadores, em estado de graça, acompanham, enquanto um fã do gargarejo tem sorte maior do que a mega-sena: é puxado para o palco pelo próprio ídolo para abraçá-lo. Logo depois, com toda a ironia que lhe é peculiar, ele se vira para o músico e solta: “você ensaiou tudo isso, não foi?”. Na primeira fileira, bem no centro do teatro, familiares como a mãe, a irmã e o sobrinho. Assim foi ápice do histórico show de 22 de maio último no Apollo, teatro da cidade de Manchester. A data poderia ser apenas mais uma na extensa passagem de Morrissey pelo Reino Unido, que ocupou boa parte das noites do mês e abre a perna européia da nova turnê (a América do Norte ficou com as datas de fevereiro a abril, marcadas para coincidir com o lançamento imediato do novo disco). Contudo, significou muito mais do que uma volta triunfal à cidade onde o artista nasceu e exportou-o ao mundo através dos Smiths. Repetindo o que fizera cinco anos atrás para o concerto que deu origem ao DVD Who Put The M In Manchester, Moz comemorou mais um aniversário em cima do palco, fazendo o que mais gosta e sabe fazer de melhor. Só que desta vez foi “o” aniversário.

por Abonico R. Smith

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O programa de rock da última sexta foi dedicado aos 50 Anos de Morrissey. Abriu, no entanto, com uma faixa inédita do mais novo disco da banda Placebo, “Battle for the Sun”. Contou ainda com os quadros fixos, Drop Loaded e “Bloco do ouvinte”, além de um bloco com musicas de Morrissey, um bloco com artistas e bandas (dentre eles David Bowie) coverizando musicas de Morrissey e dos Smiths, e dois blocos com faixas escolhidas pelo bardo de Manchester para a coletânea “under the influence”. Abaixo, um breve histórico das mais obscuras por aqui:

Ludus - Foi uma banda pós-punk britânica formada em 1978 em Manchester pelo violonista Arthur Kadmon, baterista Felipe Toby Tolman, baixista Willie Trotter, e vocalista Linder Sterling (Linda Mulvey). Kadmon sair da banda em 1979 após uma curta turnê britânica de suporte aos Buzzcocks. Ian Devine o substituiu, porém a banda se dissolveu em 1983. MORRISSEY permanece um de seus maiores fãs.

Diana Dors (23 de Outubro de 1931 - 4 de maio de 1984) foi um atriz e símbolo sexual, considerada a “Marilyn Monroe inglesa”. Teve também uma breve carreira como cantora. Em 1964, ela gravou um single pela Fontana com as faixas It's Too Late / so little time.

The Cats - Banda de rock de Volendam, cidade pesqueira dos Países Baixos. Juntamente com BZN, eram figuras-chave do que veio a ser chamado de “Palingsound” (enguia-som), um guarda-chuva para os artistas residentes em Volendam.

Sparks é uma banda norte-americana de rock e pop formada em Los Angeles em 1970 pelos irmãos Ron Mael (tecladista) e Russell Mael (vocalista). Sua historia se estende por cinco décadas, do final dos anos anos 60 à experimentação eletrônica no final da década de 70, atingindo o topo das paradas no começo dos anos 80 nos E.U.A e retornando nos anos 90. Os irmãos Ron e Russell Mael cresceram em Pacific Palisades, Los Angeles, e escreveram alguns hits, cujo maior destaque é "This Town Ain't Big Enough for Both of Us" que foi regravado pelas bandas British Whale e Siouxsie and the Banshees.


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Placebo – Battle for the Sun

Morrissey – I´m trowing my arms around Paris
Morrissey – First of the gang to die
Morrissey – the more you ignore me, the closer I get
Morrissey – Everyday is like Sunday

Drop Loaded:

Jumbo eletro – she has a penis
Cérebro Eletrônico – Os Astronautas

Diana Dors – so little time
Ludus – Breaking the rules
Nico – All that is my own
Patty Smith – Hey Joe

Bloco produzido por Dillner Gustavo Silva:

O peso – Boca louca
Montrose – Rock the nation
Foghat – Slow ride (Ao Vivo)

David Bowie – I know it´s gonna happen someday
Reel Big Fish – We hate it when our friends become sucessfull
Stars – this charrming man
Colin Meloy – Jack the ripper
Everything But The Girl – Back to the old house ( Ao Vivo )

The Ramones – Judy is a punk
The Cats – Swam Lake
Sparks – Arts and craftes spectacular
T-Rex – Great Horse

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Alto-Falante



Terence Machado, jornalista, apresentador e criador do Programa Alto Falante, produzido pela Rede Minas, contou ao PROGRAMA LOADED, em entrevista por email, como foi o processo de saída da grade da TV Cultura após uma década de parceria, e aponta como a propagação de bandas independentes e música de qualidade irá continuar a ultrapassar os limites territoriais pela Web.

por Suzanna F.

pequena introdução geral...
Até o final dos anos 70, a produção de música no Brasil dependia muito das majores fonográficas, apesar de sua efervescência de criatividade na época. Os mais queridos (ou rentáveis) da grande indústria tinham o destaque da vez, mas ainda assim, eram produzidos alguns tímidos festivais que revelavam vez ou outra rara oportunidade para que grupos ou músicos desconhecidos chegassem a circuito público. Entretanto, eram poucos que tinham interesse ou conhecimento para mudar de fato aquele mercado, e assim que vislumbravam um contrato, assinavam sem (ou pouco) pestanejar. Com a crise da década de 80, ocorreu uma necessidade de aumento nas criações autônomas, e de baixo custo. Aos poucos se estabelecia uma cultura independente, e os primeiros selos da cena underground, por exemplo, foram surgindo e tecendo um conglomerado de bandas e artistas que já sabiam muito bem como funcionava esse ninho de interesses para jamais se infiltrarem por ali.

Com essa alternativa mais consolidada, a década de 90 revelou várias dessas iniciativas, e com isso a imprensa começou a, ao menos, entender e buscar um pouco mais tais transformações. Foi nesse contexto que um dos programas que buscavam mapear bandas e garimpar tendências surgiu, em Belo Horizonte, no ano de 1997. Depois de uma década em parceria com a TV Cultura, hoje eles voltam para uma propagação e veiculação independentes, mas nem de longe esse retorno dá ares de situação retrógrada.



A TV é coisa do passado...
...e a internet vai enterrar

O presente é tão próximo que às vezes nos impede de enxergar a distância que percorreu, e que já está ficando para trás...

Para quem acompanha ou é envolvido de alguma forma no circuito nacional (ou mundial) independente, está cansado de ouvir ou falar que a internet abriga os principais canais de comunicação dessa via. Afora comunidades de apoio automáticas para auxiliar diretamente essa rede como twitter e pontos.com ou www alguma coisa, essa nova realidade firmou parcerias sólidas, já independentes de sistemas ou recursos tecnológicos que no caminho foram agregando mais facilidades.

Se no inicio eram vislumbradas como apenas parcerias sonhadoras, românticas, ou meramente de camaradagem ou amizade, agora já é fato para o mundo inteiro que a cena independente de fato cresceu em proporções inenarráveis. O profissionalismo e organização atingidos deixaram muitas “grandes” empresas do mercado da música boquiabertos, e claro, sedentas por mais um contratinho ali, e um lucro aqui.
Como não estamos falando de uma década de espaços limítrofes, parcerias justas para ambas as partes são bem vindas, assim como serão desfeitas sem culpa. Um desses casos é o programa Alto Falante, que deixou nos últimos meses a parceria que tinha com a TV Cultura.

Loaded – Como vocês enxergam as grandes redes de TV pública e seus gestores?
Terence Machado-O que menos interessa na cabeça dos gestores de TVs públicas e educativas espalhadas pelo Brasil é o telespectador. Até hoje eles não aprenderam nem o beabá com as grandes emissoras. Nas grades das emissoras públicas o telespectador é que se vire pra saber o que aconteceu com aquele programa que saiu da grade ou se mudou de horário pela enésima vez, sem que se informe sobre essas mudanças.

Loaded – Quais os principais motivos que atribui a esse fim de parceria de 1 década, de exibição do Programa Alto Falante em rede nacional?
Terence-Foi um boicote bairrista da atual gestão da emissora. Não são os gestores atuais que decidirão qual a abrangência de cobertura do Alto-falante. Talvez, estejam mais interessados agora na briga “TV do Serra” (a própria TV Cultura) versos “TV do Aécio” (Rede Minas) e, enquanto isso, a cultura propriamente dita que espere a indicação do PSDB para o próximo candidato à Presidência pra voltar a vigorar na grade da emissora, em São Paulo. Enquanto isso, equipes de vários programas da Rede Minas estão fazendo coberturas em outros estados, pensando em gerar conteúdo televisivo de qualidade. A nossa direção não está olhando para o próprio umbigo e sem falsa modéstia, com a produção que tem hoje a Rede Minas tem que se impor mais. Sem essa de “pedir benção” à TV Cultura ou qualquer outra emissora.

Loaded-O que mais incomodou e interferiu no processo do trabalho da Equipe Alto Falante, na ocasião de tais “boicotes”?
Terence-O programa não possuía chamada específica, com os destaques da semana, reforçando o horário de exibição. Durante um período também andaram empurrando o programa madrugada adentro. Um dia atrasava a exibição em quase uma hora, encerrava a grade, entrava a reprise da reprise de outro programa, antes da edição inédita.

Loaded- Quais foram os últimos feitos da produção do Alto Falante, em contrapartida a forma de tratamento da rede?
Terence- Sempre lutamos por um quadro onde bandas tocassem, ao vivo, e agora temos a Sessão Alto-falante, produzida num estúdio com qualidade de áudio e vídeos excelentes,com artistas independentes como a grande atração. Muitos que participaram da sessão mal tinham clipes e ganharam 3 registros em vídeo de qualidade. Sempre perseguimos a idéia de cobrir os principais festivais europeus e conseguimos isso, no ano passado, e mais uma vez a Cultura não deu à série o destaque merecido. Trouxemos entrevistas inéditas como a do Digitalism, antecipando a vinda do duo alemão ao Brasil. Mostramos um pouco do show do Radiohead, no Roskilde. O mesmo que acabou sendo apresentado aqui este ano. Agora colocamos no ar uma entrevista com o editor da Uncut, Alan Jones, uma lenda do jornalismo musical. Mapeamos a cena independente e o rock argentino, além de apresentarmos novas e velhas bandas de lá que nunca foram conhecidas pra valer, no Brasil.

Loaded- Quais foram as principais idéias após o fim dessa parceria ser consolidada, em relação a atingir os públicos de todas as regiões?
Terence- Unimos a longevidade, aceitação e respeitos conquistados a pulverização do nosso trabalho em comunidades no MySpace, Orkut, entre outras. Tudo isso passou a ser um filtro de nosso trabalho. Para se ter idéia, quando o horário de exibição atrasou em meia hora, só tivemos conhecimento por causa dos posts na nossa comunidade.

Loaded- E o que o público pode notar de diferença, ou pode esperar, tanto na net quanto no programa exibido pela Rede Minas ?
Terence- O programa nem bem saiu da rede e já foi à Virada Cultural, em São Paulo. Alguns pontos de nosso planejamento à médio prazo é substituir certos clipes fartamente divulgados em outros meios como o You Tube, por boas matérias de arquivo ou versões mais completas das matérias que exibimos na TV.

Loaded- A TV Cultura lançou o programa Ao Ponto, que entre outros quadros específicos para o mundo adolescente, trouxe apresentações de Armandinho, NX Zero... O segmento é totalmente diferente, mas é indubitável afirmar que a mídia brasileira atual dá muito espaço para jovens descerebrados. Quais motivos você atribui a essa intensidade de espaço para coisas do tipo?
Terence- Burrice e desconhecimento de causa. Esses gestores quase sempre não entendem nada de TV, mas gostariam de estar na direção. Eles brincam de diretores e programadores de TV, com uma diferença preocupante: fazem isso com o dinheiro público. E quando vêem a presença de bandas como NX Zero, no Caldeirão do Huck, podem pensar que isso será algo glamuroso também na TV educativa. Se a educação no Brasil é a eterna propaganda política não cumprida, o que esperar da TV, dita educativa, que é comandada por gente que só está ali por indicação política? Se o papel de um conselho curador, que as TVs públicas/educativas adoram criar e propagandear como pseudo controladores de conteúdo e termômetro para suas respectivas programações, fosse verdadeiro, o Alto-falante não sairia da grade da TV Cultura tão cedo. Que conselho derrubaria um programa que criou um público fiel e não custava nada à emissora, que ganhou prêmios seguidos e puxou toda uma leva de novos programas do gênero e ainda tem uma audiência significativa? Só fica difícil marcar algum ponto em pesquisas de audiência quando tratam o programa, na grade, como se ele não existisse, mesmo sendo exibido no final da tarde de sexta-feira. O problema de horário de exibição ser bom ou ruim fica menor perto de todos outros que já citei.

Loaded- Acredita que essa relação entre maior espaço para programações vazias é contraditoriamente proporcional ao espaço que os veículos independentes e/ou de grande qualidade cultural conquistaram nos últimos tempos?
Terence- Se você balançar uma árvore, em qualquer cidade, vai despencar um bocado de bandas novas.Só que mesmo em lugares onde foi criada a tal da cena, com festivais, produção e lançamentos de discos dos artistas locais e um pequeno mercado independente funcionando, como é o caso de Goiânia, por exemplo, a renovação quantitativa nem sempre acompanha a qualitativa. Não surge um MQN ou Mechanics todo ano. Um Vanguart ou um Los Porongas. Talento é talento. Pode ser descoberto e aparecer mais rapidamente, numa cena em ebulição ou distante de tudo isso. O Kurt Cobain poderia ter surgido em Nashville, com todos os problemas que teve, influenciado praticamente pelas mesmas bandas, já que muitas delas nem eram de Seattle. Resumindo, durante certo período a MTV deixou a musica de lado, as pessoas que se preocupavam em mostrar a boa musica produzida de forma independente, no Brasil, estiveram fora do ar por diferentes motivos. E, coincidentemente, várias bandas incríveis surgiram. Agora temos a ABRAFIN, o movimento Fora do Eixo, com vários novos espaços, programas, sites, blogs dedicados a esse segmento, mas às vezes faltam artistas que realmente mereçam ocupar esses espaços.

Loaded- O programa Radiola, com João Marcelo Boscoli surgiu em 2008, quando a exibição do Alto Falante completava quase 10 anos na TV Cultura. Acredita que essa implementação foi uma forma estratégica da emissora, já para possuir uma produção de um segmento próximo ao de vocês na grade do canal?
Terence- Não foi totalmente de caso pensado mas, certamente, quando o Trama Virtual se transformou em Radiola pra fazer basicamente o mesmo que o Alto-falante, na TV Cultura, a atual gestão deve ter soltado foguete! Daí pra frente foi só gelar o Alto-falante, anunciar um novo horário e, em seguida, atrasa-lo em meia hora para desnortear o público e esperar mais uma mudança na grade como desculpa. Ficou fácil, afinal, quer algo mais perfeito pra “TV Serra”, no momento em que vivemos, do que ter uma espécie de “Alto-falante made in SP”. O Trama Virtual ganhou sua versão na TV pública e nós a versão virtual, parece ironia! Digo isso, mas temos bom relacionamento com as pessoas que fazem o Radiola. A má fé, no caso, não foi deles. Toda a sorte do pra eles e outros que surgirem com essa missão que é a de apresentar na TV boa musica. O que é desnecessário e ruim para o mercado independente é criar um canal de divulgação, anulando outro de forma tão arbitrária e desrespeitosa como fez a Cultura.

Loaded- Saldo final: há coisas na política ou na mentalidade geral limitada que não mudam facilmente...
Terence- Temos bandas de ótima qualidade no cenário independente, e associações idem, como a Abrafin, mas se mesmo assim, outra fatia ainda maior de público insiste em só absorver o que passa (e é “ruminado”) no Faustão e toca nas rádios, fazer o que? Essa mudança de mentalidade não acontece de uma hora pra outra também. Sempre teremos público para troços como NX (abaixo de)Zero e similares.