sábado, 31 de dezembro de 2011

Canções de exílio

Como última atividade do Blog do pdrock deste ano, quero deixar registradas aqui minhas impressões sobre a belíssima noite de ontem no nosso humilde pub no cantinho do mundo, problemático mas já com um histórico respeitável de noitadas memoráveis, o Capitão Cook. Foi a Festa da Antevéspera, evento organizado anualmente na penúltima noite do ano por aracajuanos que não moram mais aqui mas que aqui estão para passar a festas de fim de ano com a família e tiveram a brilhante idéia de inventar algo que os reunisse para celebrar os bons tempos das descobertas da juventude, sempre com a presença da banda que embalou suas vidas, a Snooze.

A banda convidada da noite foi a Tody´s Trouble Band. Excelente pedida! O combo rockabilly maluco do Senhor Tody é uma das melhores revelações do cenário local nos últimos anos. Pena que pouca gente entrou pra ver, o que me fez ficar preocupado: seria aquela mais uma noite de lotação esgotada na porta do bar e ótimas bandas tocando pra quase ninguém? Felizmente não foi, como veremos adiante ...

Este segundo show que eu vi da Tody´s não foi tão bom quanto o primeiro: o som estava ruim, mal equalizado, e a banda parecia pouco entrosada – nada que um pouco mais de dedicação aos ensaios não resolva, quero crer. Mas o repertório e a entrega dos músicos à sua execução continua contagiante – que o diga a mais nova fã deles, Isabela Raposo, com sua presença radiante ao meu lado soltando seus já célebres “uhuuu”. Além das ótimas músicas próprias – uma delas dedicada ao cachorro de Tody - destaque para a excelente recriação de “Beber até morrer”, do Ratos de Porão, que se soma a “Bicho de 7 cabeças”, de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, como um dos covers mais “experrtos” que eu vi uma banda cometer em tempos recentes. Quem não viu perdeu um grande show, que poderia ter agradado até aos amantes das bandas que “gozam com o pau alheio”, desde que não seja retardado o suficiente para entender que uma versão não precisa repetir nota por nota os arranjos originais, claro.

Embalados pela excelente discotecagem de Dani “Cachinhos” (“Do you realise” do Flaming Lips foi de chorar – de felicidade. Maíra Ezequiel, em estado de graça, que o diga), publico e snooze (que iria fazer seu primeiro e último show do ano!) se preparavam para o que viria a seguir. Num arroubo non sense, pergunto a Fabinho sobre sua expectativa para a noite e ele responde: “acho que vai dar rock”. E deu. E foi lindo.

O som, como que por milagre, ficou ótimo! Equalização perfeita, guitarras no talo, baixão espocando, e um desfile de boas músicas novas entrecortadas por pérolas do cancioneiro indie não diria que sergipano, mas nacional. Foi lindo de ver – e de ouvir, evidentemnte. Lindo de ver, especialmente, a participação do publico, que a esta altura já lotava o recinto. A galera foi literalmente à loucura ao som de "A song to prepare" e seu célebre refrão que clama por Jesus Cristo na língua de Shakespeare (e da snooze, com muito orgulho), e seguiu assim até o fim do show – que, por sinal, teimava em não acabar. Encerrou com a segunda participação do ex-membro Mauro “Spaceboy”, desta vez também na guitarra (ele tinha feito backing vocals numa musica antes), cantando e tocando, dentre outras, a clássica faixa título do segundo disco, “let my head blow up”. Isso depois de um cover matador de “The KKK took my baby away” dos Ramones, que antes de tocar Fabinho perguntou ao público se “poderia ser”. Porra Fabinho, como assim ? Quem não gostar que se foda! Não confio em nenhum roqueiro (seja indie, índio ou o que for) que não tenha, pelo menos, a mais leve simpatia pelo quarteto que inventou o punk rock e era diretamente responsável por tudo o que estava acontecendo ali naquela noite.

Repito: foi lindo. Músicas de todas as épocas e discos, inclusive da clássica primeira demo-tape. Destaque para o som potente e cristalino da guitarra de Luiz e para a que eu considero a melhor musica deles, "I feel you" - simples e "viajandona", com uma belissima melodia entrecortada por dissonancias guitarristicas a la Sonic Youth. Fechou com chave de ouro este ano tão fraco de bons shows de rock em nossa cidade.

Feliz ano novo a todos. O programa de rock volta ao ar dia 7, às 7 da noite – novo horário, portanto. Por mim melhor, mais tempo para a velha morgação dos sábados à tarde. Ajude a espalhar a novidade, por favor.

por Adelvan

▬▬▬▬▬▬▬▬▬ஜ۩۞۩ஜ▬▬▬▬▬▬▬▬▬

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Cinemerne, uma entrevista

Mudanças na vida: isso é um ciclo constante, intenso e justo na existência do homem. Algumas amargas, outras doces, mas experiências marcantes que nos formam. Que nos diga o compositor e músico sergipano Paulo Henrique, que passou momentos desfavoráveis e agora retorna – o lado bom – para a música com o projeto chamado Cinemerne.

Paulinho é de Lagarto, interior sergipano, e nos idos dos anos 90 foi membro-fundador do promissor trio rock Lacertae, combo avant-garde que aliava um rock denso com experimentalismos. Depois de decepções pessoais, misturadas com drogas e álcool, ocasionando perturbações mentais, afastou-se para tratamento. Hoje, totalmente “limpo”, retorna ao meio com uma investida musical, que é espécie de confessionário da sua vida até o momento.

Cinemerne resume-se numa catarse musical que lhe deu direção e sustentação depois da tenebrosa fase. Esse resultado ele dá o nome de “anti-pop”, mas ainda é nítida a poesia idiossincrática que exerce desde o tempo de sua antiga banda. A sonoridade é monocromática, constituídas de melodias retas, parcimônia de refrões e harmonias simples. Não poderia ser diferente. Seu trabalho é sincero e bastante direto, sem muito apelo. Entende-se melhor quando se entende a história do homem.


Gravado recentemente, “Coisa belas e sujas” dá titulo ao EP com cinco músicas produzidas por Leo Airplane (Plástico Lunar), que trabalhou bem com a proposta de Paulinho, além de ter tocado baixo, teclados e programação de bateria. Em fase de divulgação, Jesuíno André, do Blog "MeuSons", fez uma entrevista exclusiva com o Cinemerne (NOTA: O texto de apresentação também é de autoria de Jesuíno André e foi copiado do mesmo blog):

Após longo tempo distante da música como tem sido seu retorno?

Estou achando agradável. A música pra mim é o meu norte. Passei 15 anos longe, devido a minha loucura (mania depressiva bipolar) e o uso e abuso de drogas e álcool. Estou limpo a mais de uma década e a psicose está controlada. Padeci, cai, levantei, sonhei e agora estou livre. A produção desse EP veio como um bálsamo. Estou compondo mais algumas canções, para no meio do ano gravar e fechar um CD. Vou continuar a batalha e insistir, o meu retorno está sendo de uma magia serena. Vou aproveitar.


Sua antiga banda, Lacertae, tinha uma pegada experimental e inovadora lá nos idos dos anos 90. Seu projeto Cinemerne tem a mesma tendência? Fale um pouco disso.
Não tem a mesma tendência. O projeto CINEMERNE é completamente diferente, é uma pegada anti-pop. Utilizo sim elementos primitivos como flautas artesanais, pedaços de metais velhos mais sem ser experimental. Estou tocando guitarra (sou um músico medíocre, toco com as tripas), gosto de colocar violão com acordes naturais e econômicos. Quero fazer um som que transporte a mente para lugares multicoloridos e agradáveis, através de letras calcadas na poesia do Séc.XVI e Séc.XVIII.Utilizando as palavras como imagens. No EP “Coisas belas e sujas” uso sem economia os artigos definidos e verbos. É pura contemplação. Por isso CINEMERNE está muito distante do Lacertae da minha época.

Como você avalia o cenário independente atual?

Hoje em dia as coisas estão mais fáceis (produção, divulgação, equipamentos),muitos espaços para tocar apesar das panelinhas.Tem muita gente boa fazendo som com atitude e boa vontade. A rapaziada de Recife faz um som muito bom, Salvador, Aracaju. Enfim o nordeste continua parindo bandas muito boas (apesar do brega e do forró do mal). Eu avalio positivamente a cena independente.

O que de novo tens escutado e lhe agradado?

Cara, lá nos idos dos 90 eu ficava viajando no Séc. XXI na virada do milênio, pensava eu que as artes iam se mistificar, um transbordar de almas e pensamentos novos e únicos, que decepção. A arte do Séc. XXI é a pior coisa que aconteceu na história humana. Música, literatura, cinema e artes plásticas são de uma decadência, uma falta de inspiração e vazio imensuráveis. Deprimente. Tenho os pés e os ouvidos fincados nos anos 60 e 70. Desses sons novos gosto de The Dead Weather, Cage the Elephant, The Mars Volta e At the Drive In. É o que deu para citar.

O que significa Cinemerne e porque esse o nome de seu novo projeto.

CINEMERNE foi extraído do livro “A Utopia” de Thomas More. Os utopianos celebram uma festa nos primeiros e últimos dias do mês e do ano. Esses primeiros dias se chamam CINEMERNE que significa festa inicial. Achei o nome sugestivo para o projeto que eu tinha em mente. Que é me afastar e me transportar para longe daqui,desta realidade funesta e nada melhor do que uma festa como veículo de fuga.


Você passou por um longo período de turbulência pessoal. Poderia dizer como isso afetou na sua vida e como saiu dessa?
Passei por uma longa “tempestade cerebral” foi terrível. Fui ao inferno várias vezes, sorvi o cálice da estupidez humana. Cai,levantei, enlouqueci. Mas não há mal que não traga um bem nas suas asas sujas. Aprendi muita coisa, hoje estou mais forte do que nunca. Tudo agora é proveitoso, tem cor, tem som, tem gosto. Para eu sair dessa deixei bem para trás o álcool e as drogas. Não tenho religião (religião é um terreno muito perigoso), mas Deus soprou no meu ouvido lições edificadoras. Minha ótica agora é serena e limpa.

Como surgiu essa parceria com o talentoso Leo Airplane?

Conheci o Léo através do Fabio Snoozer (mantenho contato com os irmãos Snooze). Estava a procura de um lugar para gravar um EP e Fabinho me deu o toque de Léo. Nos encontramos, apresentei os sons e ele fez os overdubs de bateria,tocou baixo e teclados. Foi proveitoso.

Ainda tem alguma ligação com o pessoal da Lacertae, banda que você foi um dos fundadores?
Não. Os caras não têm nada a ver comigo. Aliás, desde os primórdios do Lacertae (que não é nenhuma homenagem a cidade de Lagarto) não me dava muito bem com as idéias fracas dos caras e hoje em dia não me interessa nenhum contato.O passado é pobre.

Qual sua pretensão depois de ter feito esse EP?

A minha idéia é ficar divulgando pela internet o EP. Tenho a pretensão de formar uma banda, mas isso é uma mera conseqüência, hoje em dia as coisas estão mais fáceis. No meio do ano vou gravar mais umas canções para fechar um CD vai se chamar “A noite do Sol”. Vou batalhar para colocar este EP nas mãos de pessoas certas,estou aliviado. Tirei um fardo enorme da cabeça.

Para escutar CINEMERNE

Contatos:
e-mail: vitelloni@bol.com.br
twitter: @Paulovitelloni

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Wallpaper pdrock

Clique na imagem abaixo para ampliar, salve em seu computador, defina como plano de fundo em sua área de trabalho e nunca mais esqueça que o programa de rock agora vai ao ar em novo dia e horário.

Ninguém entende um mod.


Amadurecer é doloroso. Para um artista, deixar a zona de conforto das fórmulas estabelecidas é um salto no vazio e um processo nem sempre acompanhado pelos fãs, que se veem forçados a alargar horizontes musicais e narrativos. O consolo para trabalhos subestimados pela crítica ou incompreendidos pelo público é o reconhecimento tardio.

Quadrophenia é um exemplo. O sexto álbum de estúdio da banda inglesa The Who, lançado originalmente em 1973, foi remasterizado e finalmente ganha versões decentes em CD. No Brasil, só aporta a Deluxe Edition, com dois discos trazendo a obra original mais algumas demos, mas no exterior, há a opção de uma caixa – The Director’s Cut –, com cinco discos, livreto e uma série de itens de colecionador.

O nome da caixa – A Versão do Diretor – é mais do que uma brincadeira com o revisionismo. É a tradução da visão dramatúrgica do autor. O compositor e guitarrista Pete Townshend, líder do Who, era um multimídia avant la lettre. Assim como a primeira ópera rock do grupo, Tommy (1969), Quadrophenia foi concebido como uma peça (gerou um elogiado filme em 1979), algo que extrapolava o vinil.

Isso aparece também na concepção de arte do álbum. A capa, em preto e branco, evoca o passado, a juventude de Townshend e de sua geração. Dentro, as letras e um encarte com uma espécie de fotonovela (a trajetória do anti-herói Jimmy, um arruaceiro londrino dos anos 1960). A versão relançada aqui reproduz esse encarte e traz notas explicativas de Townshend sobre 11 demos. Na versão Director’s Cut são 25, mas há dezenas de fotos, documentos e músicas disponíveis no site quadropheniaofficial.com.

Pretensioso e chato? Townshend sempre afirmou sua predileção pelas óperas rock, em geral, e por este disco, em especial. “Uma canção de três minutos é suficiente pra contar uma história, mas não é grande o bastante pra mais de uma ou duas vozes. Eu gosto de reunir mais personagens. Quadrophenia é minha maior realização.” Uma visão não compartilhada por todos.

Quando do lançamento, muitos tacharam o álbum de pretensioso e chato. Uma prova do descompasso entre as enormes expectativas do público e o objetivo artístico de Townshend. A banda vinha do estrondoso sucesso de seus dois álbuns anteriores: Tommy e Who’s Next (1971), este o maior sucesso comercial do Who, apesar de nascido das sobras da abortada ópera rock Lifehouse (em 2001, o guitarrista lançou, por seu selo, quatro CDs retomando a ideia original desse projeto).

Em 1972, Townshend já tinha seu argumento. Abordaria a rivalidade entre duas gangues de jovens ingleses dos anos 1960: os Mods e os Rockers, cujos conflitos chegaram ao ápice na cidade litorânea de Brighton, em 1964, um incidente real. O protagonista seria um jovem com tendências esquizofrênicas e que se espelharia nas quatro personalidades dos integrantes do Who, ídolos do movimento Mod.

Essa multiplicação de personalidades convinha ao objetivo de Townshend de gravar o disco e apresentá-lo no sistema quadrafônico, coisa que o Pink Floyd já vinha fazendo (os shows de Roger Waters no Brasil, em 2002, utilizaram esse sistema). A gravação do disco levou menos de dois meses e o resultado mostra uma banda madura.

As composições de Townshend são mais sofisticadas, há todo o peso que se espera do Who, mas sutileza também. A interpretação do vocalista Roger Daltrey em Love Reign O’er Me é insuperável. O criativo baixo de John Entwistle nunca foi tão marcante como em The Real Me e o caos ordenado do baterista Keith Moon compete o tempo todo com os enérgicos acordes da guitarra de Townshend.

O disco é incensado por muitos fãs, mas as ambientações de Quadrophenia, com sons do mar e da chuva, não caíram no gosto geral. Ainda que tenha estreado em segundo lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra, no palco, as canções não decolaram. Além do uso massivo de sintetizadores, as partes pré-gravadas com fitas não funcionaram a contento. Townshend cancelou a turnê com menos de seis meses, em junho de 1974.

O fiasco dos shows relegou o trabalho a um tipo de limbo. Somente em 1996, o grupo – sem Moon, morto em 1978 –, retomaria os shows completos de Quadrophenia, com o relançamento de uma versão sofrível do álbum em CD.

Em 2010, uma apresentação beneficente da obra no Royal Albert Hall recebeu boas críticas e reacendeu em Townshend o projeto de uma nova turnê do disco, prometida para 2012.

Quadrophenia merece. Depois do niilismo da canção My Generation (I hope I die before I get old) e da falsa epifania do disco Tommy, Townshend fez um retrato musical fiel de uma realidade comum a todos: sobreviver à juventude. Crescer é saltar no vazio.

Curiosidades

1. O guitarrista Eric Clapton era figura constante no estúdio durante a gravação do álbum. Townshend foi o mentor do show de retorno de Clapton, em janeiro de 1973, ajudando o amigo, que ficara recluso quase dois anos, na luta contra o vício das drogas e do álcool.

2. Durante a abertura da turnê de Quadrophenia nos EUA, em 1973, o baterista Keith Moon apagou no palco. Um fã, Scott Halpin, assumiu a bateria e terminou o show. A famosa cena aparece no documentário Amazing Journey: The Story of The Who.

3. Prometida há anos, a autobiografia de Pete Townshend, Who He?, deve ser lançada em 2012. O guitarrista prepara também um musical para o teatro, Floss, sobre um roqueiro entrando na velhice.

4. Sistema quadrafônico – A multiplicação de personalidades, tema do álbum, convinha ao objetivo de Townshend de gravar o disco e apresentá-lo no sistema quadrafônico, coisa que o Pink Floyd já fazia. A gravação levou menos de dois meses.

por Douglas Portari

Combate rock

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

# 210 - 17/12/2011

A Alexkid foi formada no primeiro semestre de 2010 por integrantes de bandas que já estiveram em atividade na cena sergipana. Inicialmente, a banda era apenas uma brincadeira de estúdio que reunia amigos como Alex (Pró-x, Triste Fim de Rosilene, XREVERX) no baixo e voz, Kleber "mingau" (Clamor) na guitarra e Anderson "Kabula" (Shifty) na bateria. Posteriormente, visando dar mais versatilidade ao som, Anderson sai da bateria para assumir uma das guitarras e em seu lugar é convidado Kleber Gavião. A Alexkid passa a ensaiar com nova formação e em julho de 2011 entra em estúdio para a gravação de seu primeiro EP, "um longo adeus", lançado em 22 de outubro de 2011, data de seu show de estréia em Aracaju, ironicamente, no show de despedida da Reffer. A banda mistura as influências do hardcore melódico e post hardcore, a exemplo de Hot Water Music, Noção de Nada, Garage FUzz, etc.

www.myspace.com/officialalexkid

formação

Alex - baixo e vocal
Anderson - Guitarra
Kleber "Mingau"- Guitarra
Kleber Gavião - Bateria

Além do Alexkid, o último programa de rock do ano (voltamos dia 07 de janeiro de 2012) tocou também uma nova de Mark Lannegan, single de seu último disco, "Blues funeral", mais uma do EP "Beyond Magnetic", com 4 sobras de estudio de "Death Magnetic" que o Metallica lançou recentemente em comemoração aos 30 anos da banda.

No "Bloco do ouvinte", clássicos do gothic rock. Depois um bloco com pioneiros do punk rock: bandas fundadas "circa 1977" na California, no Canadá e na Irlanda do Norte. Na sequencia, musicas de bandas "underground" dos anos 90, com faixas lançadas apenas nas boas e velhas fitas "demo". Fechando tudo, um pequeno especial com a sensacional banda de rock industrial eslovena Laibach.

PS: Michael Meneses, da parayba records, como de praxe, está de férias por aqui e deu uma passada nos estudios da Aperipê FM. Ele é representante da polyson, a única fábrica de vinis do Brasil, e está com um belo acervo à venda a preços camaradas - "A tábua de esmeraldas" de Jorge Benjor, "cinema", do Cachorro grande, "Afrociberdélia", da Nação Zumbi e o último do Matanza, dentre outros. Se tiver interesse, contate-o via celular em (79)9846-6209 ou em seu perfil no facebook. Os discos também estarão á venda na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151 - centro de Aracaju - próximo à catedral metropolitana.

# # #

LAIBACH - DO OUTRO LADO DO MURO

Havia uma época que a gente achava que o rock inglês seria o eterno modelo para nortear o nosso gosto musical. Não sei se devo dizer que feliz ou infelizmente, isso é passado. Várias bandas do continente europeu estão demonstrando isso, inclusive uma que chegou ao Brasil há pouco tempo, já no seu quarto LP, Opus Dei: o Laibach. Original da Iugoslávia, o conjunto trouxe consigo todo um clima de mistério que lhe é peculiar. Começa porque, até hoje, não se sabem os nomes dos componentes nem seus hábitos, porque eles não concedem entrevistas nem para remédio.

O pouco que se conhece a respeito do Laibach é que teve origem em 1980, em Trbovige, no norte da Iugoslávia. O nome do grupo é a versão alemã para Ljubljana (lê-se liub-liana). Uma cidade iugoslava que foi invadida pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Conheço o Laibach desde seu terceiro LP, Nova Akropola, de 1985. Ali já estavam as evidências de que eles queriam projetar-se como uma orquestra bélica de sintetizadores, com um som cuja característica principal é a austeridade. O vocalista cantava como um Peter Hammill enfurecido enquanto os "koleghas" forneciam o tapete sonoro tecnotrágico.

Curiosamente, as faixas eram cantadas em alemão (assim como são algumas de Opus Dei). Sendo que uma delas levava o nome paradoxal de "Die Liebe" (O Amor). Foi a maneira mais odienta pela qual alguém se manifestou a respeito do amor até hoje. Fica muito fácil de se compreender isso se levarmos em conta que os alemães não devem ter sido muito carinhosos com o povo de Ljubljana.

Em Opus Dei, a voz principal é completamente diferente, e soa como se o tirano cantador tivesse usado um tubo de PVC para guia de onda, com a mixagem feita em rotação mais lenta. O alemão que me enviou a fita do terceiro LP classificou-o como pós-industrial, um rótulo que pode abrigar bandas tão díspares como Test Department e Cassiber.

O Laibach chegou ao Brasil graças ao contrato que a WEA firmou com a etiqueta inglesa Mute. Ela pertence ao Daniel Muller, um cara que adora ambigüidades. Por exemplo: o carro-chefe da Mute é o Depeche Mode, um grupo que namora com a esquerda inglesa mas esbanja um visual neoromântico decadente. A ambigüidade no Laibach reside no fato de ele trazer a Nova Arte Eslava (seguramente realista -socialista) embalada para presente com adesivos nazi-fascistas. E não estranhe o fato de haver no LP uma versão de ´One Vision´, do Queen, pois acho que é uma crítica a determinadas posturas do Fredy Mercury - ou você nunca reparou quando ele usa nos shows um quepe de policial e sente-se todo feliz por dominar a massa? Em resumo: o Laibach é um verdadeiro coquetel Molotoy especialmente preparado no leste europeu.

Fonte: Revista Bizz # 27 – outubro de 1987

OPUS DEI - Laibach (WEA)

Apesar das apologias a ideais de força e poder nas letras - cantadas em alemão - e da farta utilização de símbolos fascistas, seria um erro chamar este grupo iugoslavo de neo-nazista. Toda esta apropriação não tem sentido propagandístico e muito menos irônico. Serve apenas para firmar a música deles no pop industrial (dançante), onde o inconformismo e a força de vontade são tão grandes que não se expressam mais por meio de instrumentos e padrões convencionais. Com seus samplers, sintetizadores e vozes cavernosas, o Laibach é a primeira banda da geração do rock industrial a chegar aqui. Isto sim é música da nova era.

T.P.

LET IT BE - Laibach (Mute/Warner)

Por uma dessas coincidências estranhas este disco do quarteto esloveno saiu no Brasil (com um ano de atraso) exatamente quando o pau comia na Iugoslávia. Não existe trilha mais adequada para o que acontece por lá: Laibach mistura nazismo wagneriano, sadomasoquismo, viadagem, satanismo e Beatles. Este Let It Be é o Let It Be mesmo. Inteiro. Só não tem a faixa-título. E tem gente que ainda leva os caras a sério e se assusta com a violência com que perverteram os clássicos beatlenianos.

"I Me Mine" virou uma coisa tenebrosa, "I´ve Got A Feeling" foi miscigenada a Kiss e Queen, "One After 909" pesou e agora é rockão dos bons, e "Maggie Mae" um disco á la Giorgio Moroder de cara cheia numa choperia nazista.

C.E.M.

# # #

“A música pop é para cordeiros, e nós somos os pastores disfarçados de lobos...”

http://ahoradosassassinos.blogspot.com/2010/03/laibach.html

O que é o LAIBACH ?

Uma banda cujos integrantes usam uniformes militares com músicas de forte conotação política, formalmente acusados de fazer apologia ao fascismo, ser de extrema direita ou extrema esquerda, com influências de Richard Wagner, porém fazendo covers de Beatles, Rolling Stones e Queen!! Esta é a grande e assustadora contradição chamada LAIBACH. Aliás, o nome já é uma provocação: tendo surgido na Eslovênia, a banda adotou o nome dado pelos alemães a capital Ljubljana quando Hitler ocupou o país. LAIBACH é guerrilha artística, uma afronta ao poder.

Subverter elementos da cultura pop a uma estética fascista, transformar conceitos da música clássica em experimentações tecnopop, questionar a democracia ocidental com a vulgarização de seus símbolos patrióticos. Esta parece ser a máquina de criar ambiguidades usada pela banda, o que gera interpretações equivocadas. De fato, o LAIBACH é a banda mais polêmica e difícil dos últimos anos. Na Polônia foram chamados de comunistas, nos Estados Unidos foram proibidos de entrar, considerados comunistas radicais, e em outras partes da Europa, considerados nazistas. Eles criaram um Estado que não tem fronteiras e pode coexistir pacificamente dentro de qualquer país, o NSK, que tem cidadãos por todo mundo.

O LAIBACH é uma instituição, um grupo de guerrilha artística, um Estado, e uma grande ironia, um chamado ao despertar do homem moderno para a mentira de nossas democracias e sistemas liberais, suas ambiguidades tem por objetivo mostrar que em meio aos Estados democráticos existem ditaduras totalitárias disfarçadas e ocultas, cujos símbolos a linguagem pop utiliza como armas para nos escravizar. Suas músicas marciais nos chamam para a guerra. Uma guerra talvez mental.

História:

A banda LAIBACH foi formada em 1980 em Trbovlje, uma cidade industrial de mineração de carvão no centro da Eslovênia (YU).

Após sua fundação o grupo preparou seu primeiro projeto multimídia "Red Districts" concebido para desafiar as marcantes contradições políticas que haviam em Trbovlje naquela época. O projeto foi suspenso antes da abertura, o que impediu a primeira aparição pública do grupo, mesmo assim houve uma furiosa crítica da mídia. O LAIBACH ressurgiu em 1982 com seu primeiro show em Ljubljana e depois em shows pela Iugoslávia (Zagreb, Belgrado) e uma participação no festival New Rock no centro de Ljubljana. Em 23 de junho de 1983 a banda fez sua primeira aparição na televisão em entrevista ao noticiário político "TV Tednik". A entrevista provocou inúmeras críticas e foi seguida de uma proibição político/administrativa de aparições públicas da banda e do uso do nome LAIBACH.

Em Novembro e Dezembro de 1983 ocorreu a primeira turnê europeia do grupo, a "Occupied Europe Tour" (com a banda inglesa Last Few Days). Em 17 dias eles percorreram 16 cidades em 8 países na Europa ocidental e oriental. A banda fez uma bem sucedida aparição anônima no Malci Belic Hall, em Ljubljana, em Dezembro de 1984. Em abril de 1985 saiu o primeiro album do LAIBACH, pelo selo Esloveno Ropot. Por causa da proibição, o disco foi lançado sem o nome da banda - em vez disso a capa trazia um símbolo, que se tornaria sua marca.

O album de 1985 "Rekapitulacija 1980-1984", pelo selo independente de Hamburgo Walter Ulbricht Schallfolien foi o primeiro disco da banda a ter lançamento internacional. Depois veio "Nova akropola", album de 1986 que saiu pelo selo Britânico independente Cherry Red, em seguida o grupo foi contratado pela Mute Records, de Londres. "Opus Dei", lançado na primavera de 1987, foi o primeiro album pela gravadora. A reprodução de uma suástica feita com machados na capa do disco causou escândalo nos círculos politicamente corretos, até que os mais atentos divulgaram a informação de que este símbolo foi retirado do trabalho de um artista dadaísta, ativista anti-nazi, chamado John Heartfield.

Em fevereiro de 1987 eles fizeram o primeiro show na Eslovênia desde 1984, o primeiro show oficial desde a proibição de 1983. O lançamento de "Sympathy For The Devil", em 1989, foi seguido por uma turnê pela Europa e Estados Unidos. Em 26 de dezembro de 1990 a banda se apresentou na estação termo-elétrica de Trbovlje, sua primeira apresentação em sua cidade natal desde o (abortado) projeto de 1980. O show comemorou o décimo aniversário do LAIBACH e a fundação do Estado NSK.

Em 1984 o LAIBACH criou (em parceria com o grupo de pintores Irwin e a companhia teatral Scipion Nasice Sisters) um amplo e informal movimento estético chamado NSK (Neue Slowenische Kunst, Nova Arte Eslava). Hoje os principais grupos do NSK são: LAIBACH, Irwin, Noordung, New Collectivism Studio, o Department of Pure and Applied Philosophy, e uma numerosa quantidade de subdivisões que surgem e desaparecem de acordo com a necessidade. O NSK teve uma grande importância nos anos oitenta, pelo menos na ex-Iugoslávia e na Eslovênia, e cresceu nos anos noventa com o estabelecimento do Estado NSK, com seus próprios passaportes, proclamações, embaixadas, consulados, bandeira, selos, etc. O LAIBACH reside e atua em Ljubljana.

Formação:

Em 1978 Dejan Knez formou sua primeira banda: Salte Morale. Basicamente, a Salte Morale foi a primeira formação do LAIBACH. Nas férias de verão de 1980 o pai de Knez, o famoso pintor Sloveno Janez Knez, sugeriu que a banda mudasse o nome para LAIBACH. Esta formação incluía Dejan Knez, Srečko Bajda, Andrej Lupinc, Tomaž Hostnik e Bine Zerko. Logo após isso, o primo de Knez Ivan (Jani) Novak e Milan Fras ingressaram na banda. Nesta primeira fase LAIBACH era um quinteto, mas logo depois foi declarado que a banda tinha apenas quatro membros. Ás vezes esses quatro integrantes eram designados pelos seus pseudônimos: Dachauer, Keller, Saliger e Eber. Dos anos 80 até os 90 os quatro integrantes eram: Dejan Knez, Milan Fras, Ervin Markošek e Ivan (Jani) Novak. De tempos em tempos, algumas outras pessoas, como Oto Rimele (da banda Lačni Franc), Nikola Sekulović, famoso baixista do grupo Demolition, e vários outros músicos, como a cantora eslovena Anja Rupel, participaram do LAIBACH.

Discografia:

LAIBACH
Ropot, 1985 (1995), Ljubljana
REKAPITULACIJA 1980-1984
Walter Ulbricht Schallfolien, 1985 (1987), Hamburg
NEUE KONSERVATIW (Live)
Semi legal, 1985, Hamburg
NOVA AKROPOLA
Cherry Red, 1985 (1987), London
THE OCCUPIED EUROPE TOUR 83-85 (Live)
Side Effects Rec., 1986 (1990), London
OPUS DEI
Mute Rec., 1987, London
SLOVENSKA AKROPOLA
Ropot, 1987 (1995), Ljubljana
KRST POD TRIGLAVOM - BAPTISM/Klangniederschrift Einer Taufe
Walter Ulbricht Schallfolien, 1987, Hamburg (Sub Rosa, 1988, Brussels)
LET IT BE
Mute Rec., 1988, London
MACBETH
Mute Rec., 1990, London
SYMPATHY FOR THE DEVIL
Mute Rec., 1990, London
KAPITAL
Mute Rec., 1992, London
LJUBLJANA - ZAGREB - BEOGRAD
The Grey Area/Mute Rec., 1993, London
NATO
Mute Rec., 1994, London
OCCUPIED EUROPE NATO TOUR 1994-95
The Grey Area/Mute Rec., 1996, London
JESUS CHRIST SUPERSTARS
Mute Rec.,1996, London
LAIBACH
NSK Recordings,1999, London
THE JOHN PEEL SESSIONS
Strange Fruit, 2002, London
NEUE KONSERVATIW (reissue)
Cold Spring Records, 2003
WAT
Mute Rec., 2003, London
ANTHEMS (double CD release with booklet)
Mute Rec., 2004, London
VOLK
Mute Rec., 2006, London
LAIBACHKUNSTDERFUGE
Mute Rec., 2008, London

# # #

Mark Lanegan - The Gravedigger´s song
Metallica - Just a Bullet away (shine)

The Sisters of Mercy - Possession
Nick Cave & The Bad Seeds - Sunday´s slave
The Cure - last dance
Tiamat - Gaya
- por Ismael jr.

The Dickies - You drive me ape (you big gorilla)
The Germs - Lexicon Devil
The Weirdos - We got the neutrom bomb
D.O.A - Smash the state
Stiff Little fingers - law and order

Sunburst - speed racer
Carnal Desire - profissão peão
Apocalixo - Gilberto Salomão
Pinheads - Oh! Ja
Cabeça - Tutupa

Trimorfia - Running in circles
Jason - A incrível arte de errar em tudo

Darge - Insanity
Alexkid - um longo adeus
Érika Martins - sacarina
Doidivinas - paredes frias

Laibach:
# God is God
# Opus Dei (life is life)
# In the Army now
# Tranz Mit laibach
# America

HOW TO DESTROY ANGELS

Aproveitando o sucesso da trilha sonora de Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Trent Reznor anunciou o lançamento do primeiro disco de How to Destroy Angels para o início de 2012. O projeto de Reznor ao lado da esposa, Mariqueen Maandig, e de Atticus Ross, com quem colaborou também na trilha de A Rede Social, está atualmente em estágio de mixagem.

Este é o primeiro disco completo do grupo, depois de lançar uma EP de seis faixas no ano passado. Mas, segundo Reznor, a sonoridade do disco será um pouco diferente. "Nós estamos terminando nosso primeiro álbum, que amadureceu muito o nosso som para algo que é muito único. Mal posso esperar para esse disco sair (...). Quando lançamos a primeira EP, foi resultado de seis semanas em estúdio, apenas vendo o que acontecia. Não tivemos muito tempo para explorar isso e entender como é o nosso som. Parecia estar muito próximo de outros projetos em que eu estive envolvido, ou de influências diretas. Agora, o som é do How to Destroy Angels, ao invés de se parecer com outras coisas. Então estou orgulhoso disso e empolgado para lançá-lo para o mundo", declarou Reznor, em entrevista à Rolling Stone estadunidense.

O novo filme de David Fincher exerceu sua influência sobre o disco, mas de forma contrária. Segundo Reznor, ele e Atticus Ross sentiam a necessidade de distanciar-se da temática sombria e negativa de Millennium.

"Fazíamos três semanas de Millennium e precisávamos de uma pausa daquele peso, então trocávamos para How to Destroy Angels. [O som da banda] se tornou muito mais ritmico - e não ficou feliz -, mas realmente começou a ganhar sua própria identidade. Fomos influenciados pelos primeiros discos do Cabaret Voltaire - é muito desconstruído ritmicamente e usa mais texturas. Mariqueen encontrou seu lugar. Nós a usamos de um jeito muito interessante, eu acho", explicou.

Por enquanto, a banda não tem planos de sair em turnê, já que Reznor e Maandiq estão prester a ter seu segundo filho. "Estamos discutindo a ideia de fazer alguns shows. Não vou dizer que estou morrendo de vontade de entrar em uma turnê de um ano agora, mas estou sentindo a coceira de me apresentar ao vivo, de alguma maneira", declarou.

Para os fãs que continuam esperando novidades do Nine Inch Nails, o plano de Reznor, segundo entrevistas anteriores, é dedicar-se à banda a partie de março. "Na verdade, parei o Nine Inch Nails porque, como qualquer ser vivo, comecei a sentir que estava me repetindo. Comecei a sentir que precisava de uma reinvenção e precisava me forçar a fazer isso. O How to Destroy Angels tem sido um escape criativo muito interessante. Acho que quando as pessoas ouvirem o que estivemos fazendo, vai validar isso. [Mas] dá medo e a possibilidade de fracasso existe, então isso é empolgante pra mim", finalizou.

Ainda sem título divulgado, o primeiro disco do How to Destroy Angels está previsto para o primeiro trimestre de 2012. O lançamento será feito pelo selo de Reznor, Null Corporation.

Fonte: Omelete

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

# 209 - 10/12/2011

"God Save the queen" dos Sex Pistols em ritmo de bossa nova, "closer" do Nine Inch Nails numa versão, no mínimo, inusitada - e debochada. Foi assim que começamos o programa de rock do último sábado: quebrando expectativas. "Everything is possible", já dizia ... alguém aí. Seguimos nesse clima, digamos, provocador, com "nazi rock", faixa do disco "rock around the bunker", de Serge Gainsbourg*, que brinca com coisa séria - o nazismo e a perseguição aos judeus durante a segunda guerra mundial. Fechando o bloco de abertura, o genial Rogerio Skylab com uma ode à matança de animais (ver letra abaixo).

Depois do Drop Loaded, uma entrevista ao vivo com Vicente Coda, que acaba de lançar seu primeiro disco solo, nada menos que um CD Duplo e conceitual chamado "A viagem de Christine ao universo da Beat Generation". A venda em Aracaju na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151, centro, próximo à catedral. Ou pelo e-mail vicentecoda@hotmail.com.

Robot Wars, nova banda "crust" Hard Core de Aracaju, estréia no radio na mesma noite em que vai a Salvador lançar seu primeiro CD Demo. Tem na sua formação Silvio Gomes (guitarra/voz) e Ivo Delmondes (bateria/voz). Ivo que, junto com Daniela Rodrigues, forma também a Renegades of punk. Juntos, os dois estiveram à frente de vários projetos na cidade, e foram os responsáveis pela vinda à terra do cacique amaldiçoador das bandas que se seguiram no mesmo bloco, a saber a Warcry, de Portland, Oregon (USA), Mahatma Gangue, de Mossoró, RN, e o Velho de Câncer, do Rio Grande do Sul.

Perto do fim, passamos mais uma vez pelo Hellcife, minha cidade preferida do nordeste - ok, depois de Aracaju, talvez. Coisas novas de nomes já calejados e consagrados e a Andaluza, uma banda pernambucana que existe desde 1990 e faz um som híbrido entre elementos do folk progressivo, hard-70 e trovadorismo. Para o fim, reservamos um passeio regressivo pela história do punk rock, começando com o neo-mod do The Jam e passando pelo lixo e a Furia do Sex Pistols, o ecletismo bem dosado do Clash, o pioneirosmo do The Damned (o compacto de "New rose" foi o primeiro disco de punk rock lançado por uma banda britânica) e dos Ramones (que deram o pontapé inicial no marasmo em que estava imerso o rock nos anos 70), até chegar nos precursores: New York Dolls, uma espécie de Rolling Stone sujo, mal vestido e mal tocado, e Iggy and the Stooges.

Até semana que vem, no mesmo bat horário.

A.

# # #

* Gainsbourg – O Homem que amava as mulheres, de Joann Sfar – Brilhante cinebiografia do cantor e compositor francês contada em clima de conto de fadas, com a utilização na medida certa de alegorias representadas por imagens e personagens fantasiosos. Uma vida que há tempos pedia para ser contada, aliás: seu protagonista namorou algumas das mulheres mais lindas de seu tempo, especialmente Brigitte Bardot, A diva do cinema europeu, e Jane Birkin, com quem teve dois filhos e gravou vários discos. É dela a voz que geme na antológica “Je t'aime moi non plus”, muito embora não tenha sido ela a musa inspiradora da canção. Foi Bardot, que chegou a gravar, mas se recusou a lançar. A presença da musa, muito bem vivida por Laetitia Casta (não consigo imaginar um elogio maior à beleza de uma mulher do que convidá-la para interpretar Brigitte Bardot), é fonte de alguns dos momentos mais engraçados do filme, cuja narrativa fluente visita os principais episódios da conturbada trajetória do compositor, sempre polêmico: seu primeiro enfarto, ao qual reagiu declarando à imprensa que iria tratar bebendo e fumando ainda mais; a “musica do pirulito” de teor obviamente dúbio que ele convenceu a cantora adolescente France Gall a cantar; “nazi rock”, canção que conta a história de soldados da SS vestidos como drag queens dançando durante a “Noite das Facas Longas” e é a faixa de abertura “Rock Around the Bunker", um álbum com um conceito otimista sobre a Alemanha nazista; e sua versão “reggae” para “A Marselhesa”, o hino da França. Surpreendente estréia do diretor Joann Sfar, autor consagrado de Histórias em quadrinhos, com brilhante interpretação de Eric Elmonsino no papel principal.

Excelente.

# # #

Matadouro das Almas

Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.
Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.
Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais. Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!

# # #

Nouvelle Vague - God save the queen
Richard Cheese - Closer
Serge Gainsbourg - nazi rock
Rogerio Skylab - Matadouro das almas

Hangovers - Cheiro de lentilha queimada
Hangovers - Porra, Marcia
((( Drop Loaded )))

Vicente Coda e a Paraphernalia - Abismo
Vicente Coda e a Paraphernalia - Mais nada
+ Entrevista

Robot Wars - Intro/me deixe perder
The Renegades of punk - same old shit
Warcry - When comes the end
Mahatma Gangue - Nana! Nana!
Velho de Câncer - raiva de espírito

Mundo Livre s/a - Se eu tivesse fé (fucking shit)
Karina Buhr - A pessoa morre
Eddie - Gloria dub
Andaluza - Saudação à Nação Porto Rico

The jam - All Mod Cons
The Clash - White riot
Sex Pistols - Anarchy in the UK
The Damned - New rose
Ramones - Commando
New York Dolls - Trash
Iggy & The Stooges - Raw power

#

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

VAI SE FODER NO INFERNO !!!!

A última vez que a Gangrena Gasosa tocou em São Paulo, foi no Aeroanta, espaço demolido para dar espaço à estação Faria Lima do Metrô. Depois de mais de 15 anos sem tocar na terra da garoa, os macumbeiros da Gangrena Gasosa vieram para cidade gravar o seu primeiro DVD. E nada mais apropriado do que gravar no Inferno.

O Inferno fica no que chamam de Baixo Augusta, o lado mais podre de uma das ruas mais conhecidas de São Paulo, conhecido por suas boates de prostituição e as casas de shows alternativos. Foi lá que o pessoal da Black Vomit Filmes (que produziu Guidable – A verdadeira história do Ratos de Porão) escolheu para gravar “Desagradável”. A decoração ficou com a pegada de filmes de terror B, com direito a muitas cabeças de cera, crânios, pedaços de braços, pernas e víceras penduradas e, claro, as cuias de despachos, imagens de diabo e a farofa características da Gangrena.

A ansiedade da banda para essa gravação já se arrastava por algumas semanas e estava mais latente momentos antes do show, principalmente por conta do público que foi chegando timidamente. Havia um show de uma banda gringa no mesmo dia. Mas eles provaram, mais uma vez, que santo de casa também faz milagre.

Para deixar o inferno (sim, no sentido literal) no ponto, tocaram as bandas Hutt, Faccion de Sangre e Atroz. Todas com canções que seguiram na linha “trilha sonora para o fim do mundo”, com sets curtos, cheio de energia e pancadas na moleira.

Após acertar os últimos retoques, organizar os despacho, acender as velas, a Gangrena sobe ao palco e o rec das 5 filmadoras foram acionados. Pomba Gira na percussão (linda, por sinal), Exú Caveira na guitarra, Exú Lúcifer no baixo e Exú Morcego na bateria, começam com uma versão upgrade de “Troops of Olodum”, seguido de “Surf Iemanjá”, com os vocalistas Zé Pelintra e Omulú já incorporados. A partir daí, o ponto já estava marcado e todos os espíritos do mal já rodeavam o espaço. Mesclaram sons de todas as fases da banda, com ênfase em “Se deus é 10, satanás é 666” e “Smells like a tenda spírita”, mas também clássicos das demo-tapes como “Pegue o santo or die”. Todas as canções cantadas em coro pelo público que encheu o espaço.

No meio de “Benzer até Morrer/Kurimba Ruim”, aparece o Pai Jão, cumprimentando o todos os integrantes da maneira tracional dos umbandistas. Não entendeu? O Pai Jão é o guitarrista do Ratos de Porão, que incorporou muito bem o personagem, com seu charuto, guias e roupas brancas. Foi muito engraçada essa participação, para delírio do público e, claro, da banda, que nasceu com o sonho de tocar ao lado do RDP no Circo Voador.

A introdução de “Despacho from hell”, foi a senha para os mais velhos (obrigado pela dica, Panço!) ficarem espertos para não tomar a chuva de farinha. Porém, geral estava a fim de ser abençoado (ou amaldiçoados) pela oferenda que teve ajuda de Pai Jão na distribuição.Ao final de “Artimanhas do catiço”, duas fãs invadiram o palco e foram possuídas pelas entidades presentes: uma amarrada e com o pescoço cortado e outra que realizou um parto forçado pelo diabo (sim, ele em pessoa, modelo da capa do último disco), que comeu e jogou pedaços do feto para o público.

E, pra fechar, num clima bem Slayer, Exu Morcego cuspiu sangue para cima. Uma apoteose de dar medo! Muita gente ali deve ter se revirado na cama relembrando aquelas cenas!

E assim foi a derradeira canção da banda. Não foi possível nenhum bis, pois tinham horário para entregar o espaço e os seguranças estavam botando todo mundo pra fora, com uma delicadeza semelhante aos sons tocados no dia.

Foi uma apresentação magistral de uma das bandas mais originais do rock brasileiro. Quem perdeu, agora espere até lançar o DVD, que está sendo produzido no esquema de “vaquinha virtual”, onde cada um pode ajudar de alguma forma.

Caso queira mandar sua oferenda, clique aqui.

Fonte: Revoluta

por Marcio Sno

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

# 208 - 03/12/2011

Eu faço o programa de rock de forma voluntária, sem remuneração, e pra mim é tranquilo. Me divirto fazendo. Só é chato mesmo quando tenho que abdicar de algo, como assistir ao lançamento do documentário dos Baggios, que aconteceu no último sábado no Centro de Criatividade. Foi às 17:00H, ou seja: quase na hora do programa. Sem condições. Poderia não ter feito, não há nenhum contrato que me obrigue a estar lá para colocar estas 2 horas de rock and roll no ar, mas eu fui. Só não vou em último caso. Assumi este compromisso e pretendo levá-lo até o fim, o que significa dizer até quando eu esteja me divertindo fazendo e os meus poucos porém valorosos ouvintes estejam dispostos a seguir acompannhando no aconchego de seus lares. Em todo caso, clicando aqui você assiste o documentário, que retrata a última (e maior) turnê do duo "bluesy" sergipano pelo nordeste.

Abrimos a noite com "Baixo augusta", faixa título do novo álbum do Cachorro Grande. Na sequencia, alguns clássicos do rock em versões Ao Vivo. Depois do Drop Loaded, uma geral no rock independente brasileiro com os Baggios, o Radar Tantã, de Minas Gerais - banda capitaneada pelo ex-Virna Lisi César maurício - uma musica nova do Suíte Super Luxo, de Brasília, mais uma do disco "international Brazilian Surfs", de 2005, do Dead rocks, de São Carlos, São Paulo, e uma do já clássico "seres verdes ao redor", dos cariocas do Supercordas.

No quadro "Vale a pena ouvir de novo" tivemos O NO Sense, de Santos, que viajou recentemente para Brasilia para fazer sua primeira apresentação por lá (ver foto), Napalm Death e a unica faixa de seu ultimo disco lançado, um flexi disc que veio encartado numa das últimas edições da revista Decibel Magazine, e Morbid Angel com uma de seu último (e polêmico) álbum, Illud Divinum Insanus. Aproveitamos pra emendar uma climática faixa de "The solitude of prime numbers", disco que Mike Patton lançou recentemente e que serve como extensão para a trilha sonora, também composta por ele, de um filme italiano de mesmo nome.

Encerrando a noite, um passeio pelo mundo do metal e suas inúmeras subdivisões: o Heavy Metal "classudo" dos alemães do Accept, o glam metal do Motley Crue, com um clássico dos anos 80, o new metal do Slipknot, que fez um show impressionante na última edição do Rock in Rio, o Black metal dos finlandeses do Impaled Nazarene com uma faixa de seu último disco, "road to octagon", do ano passado, e o Death metal, representado pelo Cannibal Corpse, que tocou em São Paulo naquela mesma noite. Deles, executamos o EP "Hammer Smashed Face", de 1993, na íntegra.

É lindo poder tocar Cannibal Corpse no radio. É por estas e outras que eu vou continuar produzindo o programa de rock indefinidamente, enquanto o espaço estiver disponível. Ou até, pelo menos, a edição # 666.

Obrigado a todos que ouviram e especialmente aos que se manifestaram via SMS, telefone e redes sociais: o pessoal da banda Holidays, Aquino, Maíra, Danihella, Joelane (valeu o entusiasmo, sempre!), Augusto Andrade Santos, Ismael Júnior, Tadew Dakade e Marlio Oliveira.

A.

# # #

Cachorro Grande - Baixo Augusta

Bob Dylan (Ao Vivo) - Lay Lady lay
The Big Brother & Holding Company (Ao Vivo) - I Need a man to love
Elvis Presley (Ao Vivo) - Suspicious mind

((( Drop Loaded )))
com Anacrônica, de Curitiba
Entrevista +
# Em mim
# Delorean

The Baggios - Uma bem beleza
Radar Tantã - Naftalina
Suíte super luxo - Mambo
The Dead Rocks - Theme for rock is dead
Supercordas - sobre o frio

No Sense - Vendetta
Napalm Death - legacy was yesterday
Morbid Angel - Existo Vulgore
Mike Patton - Radius of convergence

Accept - Balls to the wall
Motley Crue - girls girls girls
Slipknot - sic
Impaled Nazarene - corpses
Cannibal Corpse:
# Hammer Smashed face
# The Exorcist (possessed cover)
# Zero The Hero (Black Sabbath cover)

EM OUTRAS

Blues é som de estrada, e foi numa dessas encruzilhadas que nasceu o rock. The Baggios são 2 moleques que sabem das coisas e fazem música da pesada. Júlio Andrade, o Julico, é um guitarrista de mão cheia, e Gabriel Carvalho, o Perninha, pisa fundo e bate forte na bateria. C/ idade média de 21 anos, o duo blues-rock é a banda sergipana que mais toca, dentro e fora do estado.

Nos últimos meses foram 10 shows no Nordeste e mais 6 em São Paulo, incluindo 2 festivais no interior e uma apresentação na TV Trama, divulgando o disco de estréia. Lançado pelo selo Vigilante, THE BAGGIOS já tem mais de 2.000 downloads feitos diretamente pelo site oficial dos caras, “sem contar os números dos links que circulam por outros blogs”, observa Julico.

“Energético, ruidoso e rápido”, definiu Jéssica Figueiredo do Rock In Press. A revista Rolling Stone disse que “o duo sergipano poderia facilmente ser classificado como mais uma das bandas que bebem na fonte inesgotável do rock setentista, mas o que o diferencia é saber usar a estética musical daquela época a seu favor sem cair na obviedade.” O show de lançamento em Aracaju garantiu aos que compraram o ingresso um CD c/ capa lindona em formato digipack.

São 14 faixas que vão do esporro de O Azar Me Consome e Em Outras – canção vencedora dos festivais da Aperipê e da Arpub em 2010 – passando por influências de soul music – os metais de Candango’s Bar e Quanto Mais Eu Rezo – até flamenco – em Oh Cigana. O álbum foi produzido por eles mesmos e mixado por Léo Airplane, que cria o clima psicodélico c/ seus teclados em Não Estou Aqui e You Never Walk Alone.

“Quem dá as cartas aqui é a guitarra, por vezes bem suja, em outras mais inteligente e harmônica, mas sempre presente e colocada em primeiro plano”, avalia o site Zona Punk. “Para o desespero dos indies, a dupla está mais próxima de Raul Seixas e do ié-ié-ié da Jovem Guarda do que do White Stripes, apesar de sua energia roqueira por vezes não fazer nem um pouco feio ao lado de um Jon Spencer, por exemplo.”

“Descobri que fomos citados por um dos principais jornais da Inglaterra, The Guardian, pela nossa participação na coletânea mensal e mundial chamada MUSIC ALLIANCE PACT”, Julico comenta sem perder a humildade. O bluesman de São Cristóvão também é guitarrista solo da Plástico Lunar, a banda do Léo em que tem participação cada vez maior, segurando os vocais de América e Onde Deus Está, composições dele.

“Somos amigos desde 2009, quando gravamos o clip de Gargantas do Deserto. Hoje vou lá no Centro de Criatividade, onde rola no fim de tarde a premiére do documentário The Baggios - Turnê Nordeste 2011. “Quem for, poderá comprar o DVD que vem com alguns extras: Acústico Aperipê, trecho do show que fizemos no Office Pub e também uma série de fotos do Snapic.”

Conversei c/ o ‘slider’ mais endiabrado – e sorridente – do mundo, p/ descobrir por que o estradeiro Júlio diz que seu caminho é “o mais lá dentro e o mais feliz”.

Clique AQUI para ler a entrevista.

por Adolfo Sá

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Goiânia Noise

No próximo fim de semana acontece mais uma edição do Goiânia Noise Festival. Aproveito para narrar aqui minhas impressões sobre a única vez em que estive por lá, em 2003, e para publicar uma entrevista que o guitarrista Castor Daudt, do Defalla, concedeu ao site www.aredacao.com.br - mais uma cortesia da Escarro Napalm unautorized reproductions inc.

(recordar é viver) Sempre tive bons contatos e ainda melhores amigos em Goiânia e, muito por conta disso, nutria desde tempos imemoriais uma vontade de, um dia, aparecer por lá. Aconteceu, finalmente, em novembro de 2003, aproveitando a data para conferir, “in loco”, mais uma edição do Goiânia Noise Festival – minha primeira e, pelo menos por enquanto, última vez.

Era bem mais barato ir daqui (Aracaju) pra São Paulo e de lá para Goiânia, então foi o que fiz, me programando para, já que teria que passar por lá mesmo, ficar uma semana (das duas que tinha disponíveis) na terra da garoa. Não sem antes fazer uma volta absurda, parando primeiro em Maceió e depois em Petrolina, Pernambuco (o aeroporto de Petrolina parecia um sítio, apenas uma casinha no meio de um descampado)! Coisas da finada BRA ...

Não conhecia absolutamente nada de Goiânia, por isso entrei na net para pesquisar pontos turísticos e coisa e tal. Encontrei apenas uma estátua do bandeirante Ananhguera que parece ser, realmente, um ponto de referência. Bom, pelo menos eu senti que estava finalmente na capital de Goiás ao me ver em frente ao referido monumento.

O centro da cidade é interessante, lembra um pouco Aracaju no sentido de haver uma curiosa mistura de cidade grande com aquele clima de interior: num momento você está numa avenida enorme e movimentadíssima cercade de prédios, mas então vira uma esquina e se depara com uma rua só de casas onde as pessoas ainda se sentam na porta para conversar. É legal isso. É aconchegante, como aconchegante foi o hotelzinho 5 cruzes onde eu me hospedei até conseguir finalmente entrar em contato com meu camarada de longa data Marcio jr., na casa de quem ficaria.

Aproveitei para freqüentar dois cinemas de rua que ainda existiam por lá – sempre aproveito essas viagens para ver filmes em cinemas de rua nas cidades que porventura ainda os tenha. Vi a parte final de “Matrix” em um e o filme d’Os Normais” em outro. Nada de muito marcante, nem os filmes, nem os cinemas, mas tava valendo. O que mais me impressionou, no entanto, foi a incrível quantidade de sebos, de livros e de discos, que havia na cidade. Até me arrependi de ter gastado quase toda a minha grana em Sampa, já que vi coisas bem mais interessantes e, mais importante, mais baratas, por lá.

Mas vamos ao festival: Lá vi, pela primeira vez, o Matanza, ainda não tão famoso. Grande show. Grandes shows também fizeram o Relespública, de Curitiba; Os Astronautas, de Recife; o Mukeka di rato, do Espírito Santo (este com direito à presença de uma vaca cenográfica que eles capturaram de um depósito ao lado no palco); Walverdes, de Porto Alegre, e Autoramas, do Rio. Das bandas locais destacaria O Mechanics, que são sempre bons, especialmente ao vivo, Hang The Superstars e MQN. O MQN foi mais que bom, foi ótimo – Fabrício Nobre é um ótimo performer e tem o público na mão. Me lembro da preocupação dele com um gordinho (maneira de dizer, o cara era OBESO, MUITO GORDO) do publico que, me parece, teve um ataque cardíaco durante o festival ...

Já excelentes foram os shows do Ratos de Porão, dos Retrofoguetes, de Salvador – estes são sempre ótimos, é até covardia comparar – e, principalmente, do Guitar Wolf, legendária formação de garage rock do Japão. Merecem, inclusive, um parágrafo à parte ...

Não foi bem um show, foi uma perfomence regada e muito barulho e insanidade. Os caras, pelo que lembro, praticamente não tocaram nenhuma musica inteira - apenas começavam algum riff e partiam pra ignorância, para a microfonia pura e simples, se contorcendo e se jogando no palco e/ou oferecendo os instrumentos para que o publico tocasse, no que foram atendidos diversas vezes. Musicalmente caótico, mas valeu pela catarse coletiva. Foi divertido. Aliás, os caras são muito divertidos: São rock and roll até a medula! Saí com eles e uma galera pra bater um rango num boteco depois do show e ficava impressionado com o cuidado que eles tinham com os topetes e com a quantidade de fotos que os pessoas que os acompanhavam tiravam. Era foto de tudo: do cardápio do bar, dos copos, das mesas, dos pés, do cachorro que passava pela rua ...

Um registro: vi também o Mundo Livre S/A, e foi estranho ver o Mundo Livre S/A fora do Recife, ou do nordeste. Mas de repente não foi nem isso, já que o Mundo Livre é meio estranho mesmo: às vezes fazem shows sensacionais, outras vezes nem tanto. Foi lá também, no Jóquei Clube de Goiás, uma das ultimas vezes em que eu caí no pogo, ao som do crustcore preciso dos candangos da Terror Revolucionário, banda capitaneada pelo herói da resistência Fellipe CDC, meu amigo de longa data. Foi muito bom revê-lo, assim como foi rever Renzo (com o qual esbarrei em plena roda de pogo) e Phu, ex-DFC. Perguntei pelo Túlio e Phu respondeu que “Túlio é playboy, não vem pra esses rocks não”.

Foi muito bom também rever, mesmo que brevemente, meu amigo de fé, irmão e camarada Oscar F., hoje Fortunato, artista plástico conceituado na cidade. E conhecer pessoalmente, finalmente, alguns grandes correspondentes dos tempos das cartas e zines, como o (então) casal Eduardo e Lorena D’Allara, dos Resistentes – que também tocaram no festival. Eduardo era impressionante, uma verdadeira enciclopédia viva de punk rock nacional. Era também meio esquisito, tinha uns tiques nervosos com sanduíches com maionese, por exemplo, mas normal. “De perto, ninguém é normal”, já dizia Caê.

Bem legal também participar dos bastidores do evento – Almoçar arroz de pequi com pimenta com os Retrofoguetes, relembrar o Punka com Gabriel do Autoramas, os tempos do rock alagoano com Wado (que eu não lembrava que já conhecia da época em que andava por lá com os caras da Living In the Shit), ouvir as merdas do Finatti e as reclamações do Gordo do Ratos - especialmente quanto à viagem de avião, que também foi pela BRA. De “quebra”, me batí com Pompeu, do Korzus, que era técnico de som do Ratos, e com Juninho, o baixista, que me reconheceu e foi logo cantando algumas singelas composições da minha banda de grindcore pornográfico, a 120 Dias de Sodoma, que ele havia conhecido algum tempo antes quando havia tocado aqui em Aracaju com a Discarga.

Tempo bom. Qualquer dia apareço por lá de novo ...

por Adelvan

# # #

DeFalla, uma entrevista

Já se passaram 25 anos desde que o DeFalla decidiu estragar tudo e trilhar o caminho oposto ao do rock brasileiro de sua geração. Entre a vanguarda e o escracho total, o grupo gaúcho foi amado e odiado, passou por intermináveis formações, transitou por vários estilos e, na medida do possível, saiu vivo de todos eles. Tudo sob o comando do frontman Edu K, espécie de mistura de Mike Patton com Iggy Pop, só que canastrão desde sempre e hoje meio gordinho.

Logo no primeiro disco, o cultuado Papapaparty (1987), angústia pós-punk e groove dividem o mesmo espaço, algo intragável para os guetos da época. O disco seguinte, It's Fuckin' Borin' to Death, abre com duas desconstruções de clássicos de Beatles e Raul Seixas. Neste registro de 1988, estava escancarada a porta do funk/metal/rap - em sincronia com o que Red Hot Chilli Peppers e Faith No More faziam lá fora - e de toda a esquizofrenia que viria nos seis discos seguintes. Tanta anarquia foi descambar até à "fase Miami", uma das reencarnações da banda, sob forte influência do pancadão carioca e com o - vá lá... - curioso hit Popozuda Rock'n'Roll, em 2000. Dois anos depois, foi lançado Superstar, último álbum de estúdio até aqui.

Em 2011, o convite para um único show bastou para que os quatro integrantes originais, hoje morando em quatro estados diferentes do país, se reunissem em Porto Alegre. Novos convites surgiram desde então e Goiânia foi incluída na rota. O DeFalla está na programação de 17º Goiania Noise e toca no próximo sábado (3/12). A Redação conversou com Castor Daudt, guitarrista da banda, eufórico na ocasião em função do show que fariam naquela noite no Ocidente, bar portoalegrense berço do DeFalla e de quase todo o rock da cidade.

Como é que foi acontecer esta nova reunião da banda?
Tem um projeto em Porto Alegre, chamado Discografia Rock Gaúcho, que tenta reunir as bandas para executarem um disco inteiro com a formação original. Eles nos convidaram - eu, Biba, Flu e Edu K - pra tocar o nosso primeiro disco. Neste evento, tivemos que fazer duas sessões na mesma noite. Lotamos duas vezes a casa. Aí a gente pensou: 'De repente, se aparecer outras oportunidades de shows, podemos fazer'. Daí começaram a nos propor novos shows. Pintou um em São Paulo, depois outro em Porto Alegre, no Porão do Rock em Brasília, na festa SeRasgum em Belém. Foi uma recepção totalmente inesperada.

No show, são só as músicas antigas ou tem coisas novas surgindo? Existe alguma possibilidade de disco de inéditas?
Nós nos reunimos pra tirar o Papaparty, basicamente, e depois o segundo. Neste show em Goiânia, 80% do show vai ser composto por estes dois discos, que são aqueles gravados com essa formação, e algumas dos outros também. E estamos pensando em disco novo sim. Temos trocado bases e riffs pela internet. A Biba faz vários ritmos, loops, sequências, manda para nós e botamos guitarra e baixo em cima. Neste processo, duas ou três músicas estão em andamento. Já tivemos até propostas de gravadora, mas não há material o suficiente ainda. Em 2012, rola algo com certeza.

Com tantas idas e vindas, é possível dizer que o DeFalla está voltando de fato? Ou ele nunca foi embora?

Bom, eu saí faz uns 15 anos. A partir de 1996, virou basicamente uma coisa do Edu. Depois do disco de 92 (Kingzobullshitbackinfulleffect92, lançado pela Cogumelo Records), não era mais uma banda. O show no Hollywood Rock simbolizou este último momento. O Edu saiu e lançou um disco solo, Meu nome é Edu K. Nós outros tínhamos um monte de músicas e reunimos um outro time. Usamos o nome D-Phala, não era bem o DeFalla. Depois o Edu retomou o nome e fez outros discos. Aconteceram outras voltas meio curtas, mas agora foi a hora exata. Teve tempo da gente amadurecer e foi a coisa certa no momento certo.

Olhando para trás agora, onde o DeFalla se situa no rock brasileiro dos anos 80?
A gente foi aquele outro lado que devia existir. Nos anos 80, era todo mundo muito bundinha. Meio xarope mesmo eram só o Renato Russo e o Cazuza, mas o som também era muito bundinha. Todos queriam fazer sucesso e dinheiro, enquanto nós não estávamos nem aí: escrevíamos letra em inglês, juntava com português, fazíamos o que queríamos. A gente rescindiu contrato com uma multinacional, por exemplo, o que ninguém faria. Fizemos o caminho inverso, saindo do mainstream e indo para o independente. Entendo que nossa banda foi necessária para contrabalancear essa bundice. Tem que ter sempre um lado. Nós éramos o outro lado da moeda do rock nacional.

E o tal do rock gaúcho, ou o que se convencionou chamar de "rock gaúcho", isso existe?
Andei pensando nisso e acho que o rock gaúcho não existe. Pra mim, Kleiton e Kledir foram os únicos que misturaram o estilo gauchesco com rock e MPB. O Nenhum de Nós também tenta fazer, tem sanfoneiro e tal, mas ficam em um meio-termo. Não é gauchesco, nem é pop rock. Podemos dizer que, embora excelentes, as outras bandas - Replicantes, Cascavelletes, TNT, Garotos da Rua, etc. - eram uma cópia do rock inglês com sotaque gaúcho. Tinha letras, atitude, mas em termos musicais vai muito pelo rock inglês e americano. Nós temos aquele espírito separatista, o rock gaúcho sempre tentava ser diferente, mas nunca foi bem assim.

Como foi assistir de longe aquela guinada para o funk carioca feita pelo Edu K?

De fora, foi muito estranho (risos). Na época, eu ri muito, já que o DeFalla sempre foi mais vanguarda e, de repente, ele fez uma coisa bem do povão. Eu acho que ele usou o nome do DeFalla, mas era muito mais uma coisa dele. Considero que era "Edu K e DeFalla". O Edu não fez de propósito, pra ganhar dinheiro. Ele faz o que ele quer e, se as pessoas até pedem nos shows, como vou ser contra? Não sou contra algo que ele faz para pagar as contas dele. Até tocamos a música da popozuda em São Paulo, com participação do Beijo AA Força, e estamos pensando em ensaiar uma versão mais pesada dela.

É fácil voltar a conviver e fazer música com um sujeito hiperativo como ele?

O Edu K é uma figura muito forte. Ele tende a ficar sempre nos puxando pra um lado e depois para o outro. Eu e o Flu, que somos mais velhos e o conhecemos há muito tempo, sempre contrabalanceávamos. Ou às vezes a gente ia com ele mesmo (risos). Mas existe essa química, que é o legal hoje. Os quatro tem 25% de valor e opinião. Acho até que o Edu tava com saudade dessa colaboração. Ele ficou fazendo tudo sozinho durante muito tempo. Ninguém faz tudo só.

Em seu blog, você fez uma pergunta retórica sobre "o que faz um coroa caretão como eu pegar a guitarra empoeirada e sair por aí fazendo rock". Qual é a resposta para essa pergunta?
É o amor pelo rock, cara, pela música. É maior que tudo. Conheço muito cara que larga mulher, emprego, o que tiver. É um apelo irresistível. Tenho 49 anos, filha, emprego, mas quando tem show eu me arranco. Digo: "Ah, eu vou, não sei quando vai ter outro". Tenho duas guitarras aqui, tô cheio de mala, bagagem, vou para o aeroporto e foda-se. Olha o Paul McCartney, cara. Vai fazer 70 anos e vai lá, faz show de duas horas e meia. Já tem dinheiro e fama, mas ainda faz isso. Isso é afudê!

por Jairo Macedo

de Goiânia


LADO B. A HISTÓRIA DAS FITAS CASSETE

Anos 80, uma das épocas mais marcantes do século XX. O fim da idade industrial e o início da idade da informação. Também chamada de “Década Perdida” na América Latina, por conta da estagnação econômica, em que os países dessa região tiveram um menor desenvolvimento na economia como um todo.

Foi um período marcado pelas roupas exageradamente coloridas e excêntricas, do “new wave”, da geração saúde, pelo surgimento da MTV, das primeiras raves, de bandas como The Smiths, U2, A-Ha e também pela consolidação do gênero Heavy Metal, entre outras vertentes. No Brasil, bandas que também fizeram muito sucesso nos anos 80 foram Legião Urbana, RPM, Barão Vermelho e Ira!. Nessa década também aconteceu o primeiro Rock In Rio, em 1985. Consolidava-se a MPB, surgida nos anos 60. Michael Jackson fazia um enorme sucesso com seu álbum Thriller. David Bowie, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, entre outros artistas de peso, são referências dessa época.

Nesse emaranhado de coisas que aconteciam nos anos 80 não podemos deixar de lado as hoje nostálgicas fitas cassetes, ou K7 para muitos. A produção em massa dos cassetes compactos começou em 1964, na Alemanha. Os primeiros com músicas pré-gravadas foram lançados na Inglaterra, em 1965. Nos Estados Unidos, em 1966, teve uma oferta inicial de 49 títulos, lançados pela Mercury Record Company. A primeira gravação musical nessas pequenas caixas plásticas foi na Inglaterra, em 1978, pela banda The Tights, e continha um único hit: “Howard Hughes”. Mas foi na década de 80 que seu uso foi de fato consolidado, afinal, qualquer banda independente que se prezasse deveria ter uma demo gravada em uma fita K7 para levar as gravadoras e jornalistas. Entre a década de 70 e 90 o cassete era um dos formatos mais comuns para gravação, junto aos LP’s e posteriormente aos CD’s.

Apesar da baixa qualidade sonora, geralmente com 60 minutos de duração (já existiram versões de 45 e 90 minutos), o lançamento das fitas cassetes foi uma grande revolução, por difundir a possibilidade de gravar e reproduzir som. O vinil era mais caro, além de mais dificil de transportar e tocar e principalmente para gravar. Por isso mesmo, as fitas cassetes nos deram mais liberdade para sair por aí e ouvir nossas canções favoritas onde bem entendêssemos. E apesar dos primeiros gravadores com áudio da Phillips já serem portáteis, foi a Sony, com sua invenção do “Walkman”, no final dos anos 70, que mais contribuiu para essa explosão do som individual.

Seu declínio aconteceu já no final da década de 80 e as vendas acabaram sendo superadas pelos CD’s nos anos 90. Mas em 2001 os cassetes virgens ainda eram produzidos. Extintas do mercado tradicional, hoje as fitas cassetes saíram de cena e ganharam um ar retrô, virando inclusive item de colecionador. E apesar de serem mais difícieis de encontrar na versão virgem, as velhas fitas cassetes tem se tornado um item cultuado e conquistado novas bandas independentes. Nos Eua, esse movimento foi nomeado de “Cassete Culture” e em um artigo para o site Rizhome, a escritora Ceci Moss diz ter identificado em torno de 101 selos que lançam fitas cassetes atualmente. Bandas conhecidas como Pearl Jam, Foo Fighters e Goldfrapp já aderiram ao movimento e recentemente lançaram trabalhos em cassete. No livro “Mix Tape: The Art of Cassete Culture” de Thurston Moore, o cantor do Sonic Youth reúne artigos e obras de arte sobre fitas cassetes.

Outro fato muito interessante, é que muitas pessoas tem reciclado as fitas K7 e utilizado para a produção de adereços e obras de arte e http://www.blogger.com/img/blank.gifas utilizando com inspiração para criação de outros. Exemplo disso, é a artista Erika Iris Simmons. No seu projeto, intitulado Ghost in the Machine ela faz uma nova leitura de um material que estaria destinado ao descarte. Simmons faz verdadeiros desenhos com os rolinhos que ficam dentro dos K7’s e dá-se a impressão que stão saindo verdadeiros fantasmas de dentro das fitas e adquirisse uma nova dimensão, uma visão completamente impactante para quem observa.

© obviousmag 2003, SP/BR. Todos os direitos reservados

por petit gabi