quinta-feira, 31 de março de 2011

# 183 - 01/04/2011


O lado "auto-ajuda" de "Sucker Punch", filme de Zack Snider (Watchmen, 300, Madrugada dos mortos) que está em cartaz nos cinemas, é uma "derrapada" desnecessária, mas não ofusca o fato de que o filme tem ritmo, os cenários e figurinos são estilosos e as cenas de ação são bem coreografadas e dirigidas. Eu, particularmente, me diverti bastante, já que não fui ao cinema esperando uma obra cerebral ao estilo jean Luc Godard - fui para me divertir em 2 horas de cinema escapista como só a boa (nem sempre) e velha Hollywood é capaz de proporcionar. Missão cumprida. A trilha sonora é um caso à parte, com excelentes versões adaptadas para o cinema de clássicos do pop e do rock, por isso merece um bloquinho especial do programa de rock. Para saber mais sobre o que eu achei do filme, clique aqui. Abaixo, a crítica de Pablo Vilaça, sempre muito boa, extraída do site Cinema em cena.

O programa será aberto com os novos singles de Ben harper e do Arch Enemy, a banda de "power metal" fundada por Mike Ammot, do Carcass, e emoldurada pela bela Angela Gossow. Na segunda meia-hora viajaremos aos primórdios do rock and roll brasileiro com Os Baobás, cujo nome foi uma sugestão de Ronnie Von, inspirado pelo livro que lhe deu seu célebre apelido, "o pequeno príncipe"; Os Brasas, maior nome da jovem guarda em sua versão gaúcha, com um inusitado cover de "Mulher rendeira", tema popular que muitos creditam, erroneamente, como tendo sido composto por lampião; Os Minos, que abrigava em sua formação dois ícones da guitarra brasileira: Luciano Souza e Pepeu Gomes, na época contrabaixista; e Os Canibais.

Abrindo a segunda metade do programa, uma pequena homenagem ao falecido músico pernambucano Lula Côrtes, que comparece com "satwa", faixa-título de seu disco de 1973 onde predomina um folk nordestino/oriental, resultado da mistura da cítara popular tocada por Lula e da viola de 12 cordas de seu "parceiro de crime" Lailson. o Bloco do ouvinte, que vem na sequencia, foi produzido por Lucas, do Augusto Franco, e abre com uma faixa antiga regravada no mais novo disco do RDP, um split com o "Looking for an answer"; Epithanatios Roghos, crust core da Grécia; Triste Fim de Rosilene, Hard Core sergipano "safra 2000"; Electric Waizzard, banda stoner metal formada em Dorset, Inglaterra, em 1993; e o Old Grandad, Psychedelic Stoner/Death Metal de San Francisco, Califórnia.

Encerrando o programa, Ozzy - que, evidentemente, dispensa apresentações.

Fui para o Iron Maiden no Hellcife

Volto na segunda-feira.

A.

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Sucker Punch: Dirigido por Zack Snyder. Com: Emily Browning, Abbie Cornish, Jena Malone, Vanessa Hudgens, Jamie Chung, Carla Gugino, Oscar Isaac, Scott Glenn, Gerard Plunkett, Malcolm Scott, Richard Cetrone e Jon Hamm.

Madrugada dos Mortos, 300, Watchmen e A Lenda dos Guardiões: com apenas estes quatro filmes, o cineasta Zack Snyder conseguiu se estabelecer com segurança entre os realizadores mais bem-sucedidos da atualidade – e merecidamente, já que realmente é um diretor com um belíssimo olhar para composições e com dom para o espetáculo. Infelizmente, porém, ele parece ter comprado a idéia dos marketeiros da Warner, estúdio responsável por distribuir seus trabalhos, de que é uma espécie de “visionário”, o que está longe de ser verdade – e, possivelmente movido por esta convicção, entregou-se em Sucker Punch a um exercício masturbatório (em vários sentidos, como verão) no qual parece apostar na força de suas imagens em detrimento da história, dos temas ou mesmo do puro entretenimento, criando um longa indiscutivelmente belo, mas inegavelmente vazio.

Representando (não por coincidência) a primeira vez em que trabalha com um material original (todos os seus demais projetos eram adaptações ou refilmagens), Snyder e o co-roteirista estreante Steve Shibuya investem numa narrativa que não tem espaço para sutilezas - e já nos primeiros segundos de projeção, o padrasto da heroína surge sorrindo no enterro da esposa diante da expectativa dos abusos aos quais submeterá as enteadas mais tarde. Quando seus avanços despertam a fúria protetora da protagonista, porém, uma tragédia acaba levando a moça a uma prisão-hospício e uma lobotomia é marcada para dali a cinco dias, restando a ela este curto espaço de tempo para planejar sua fuga – o que ela faz enquanto cria um universo fantasioso para tornar sua situação mais suportável e no qual se imagina vivendo em uma espécie de cabaré-prisão no qual as detentas devem participar de shows burlescos montados para uma clientela selecionada. E este é apenas o primeiro nível de seus esforços imaginativos, já que ocasionalmente ela escapa para um segundo universo no qual é uma super-heroína (de videogames, provavelmente) que deve cumprir missões específicas planejadas por um sujeito misterioso (Glenn).

Parte A Origem, parte Moulin Rouge, parte Um Estranho no Ninho e parte Showgirls, Sucker Punch – Mundo Surreal já tem início assumindo sua condição de fantasia over ao abrir a narrativa com uma cortina que literalmente revela o palco no qual a protagonista se encontra – e, desta maneira, é razoável perdoar certos exageros operescos de Snyder (como o padrasto unidimensional), que, afinal, não se preocupa nem mesmo em disfarçar o fato de ter concebido uma superprodução para externar todo tipo de fantasia masculina ao trazer um elenco de beldades vestindo roupas mínimas enquanto são obrigadas a dançar sensualmente para o deleite dos poderosos homens que as controlam. Além disso, mesmo objetificando suas atrizes, Snyder simultaneamente as endeusa, jamais negando o poder que, afinal, exercem sobre o sexo oposto – algo similar à abordagem de Robert Rodriguez em Sin City e o oposto do que o demente Eli Roth faz em seus filmes ao punir suas personagens femininas por serem quem são.

Adotando uma lógica visual interessante ao lado do diretor de fotografia Larry Fong, o cineasta é hábil ao estabelecer o universo “real” (que já é estilizado, diga-se de passagem) como um mundo no qual o cinza drenou todas as demais cores e no qual os humanos surgem como criaturas sempre pálidas – algo que se contrapõe diretamente à paleta mais forte do “cabaré” imaginado por Baby Doll (Browning) e cuja natureza teatral é realçada pelo excesso de maquiagem que cobre até mesmo os personagens masculinos (o vilão interpretado por Oscar Isaac, por exemplo, surge sempre com delineador). Ao mesmo tempo, o design de produção concebe esta fantasia como um espaço que combina de forma curiosa o glamour do showbusiness (como nos camarins, no palco e na platéia) e a opressão oferecida pela prisão (como nos dormitórios, no espaço para ensaios e na cozinha, com suas paredes descascadas e de cores chapadas). Mas é no nível mais profundo da fantasia de Baby Doll que a produção realmente se liberta, criando um mundo imaginativo que, mesmo calcado em cores tristes, oferece visões espetaculares como a da catedral semidestruída cuja escadaria termina em trincheiras da Primeira Guerra, os aviões de madeira e por aí afora (e é preciso aplaudir também a coerência de detalhes como os elementos cor-de-rosa que acompanham a personagem Amber em todas as suas aparições, por exemplo).

Porém, Sucker Punch não é apenas a satisfação dos fetiches de seu diretor, mas também uma oportunidade para que possa brincar com diferentes estilos narrativos – e cada “missão” executada por Baby Doll e suas parceiras assume as características de um gênero em particular, do wuxia pian chinês (com suas lutas que desafiam a gravidade) à ficção-científica (com seus robôs e cidades futuristas), passando pelo filme de guerra (com a câmera inquieta, grão mais grosso e cortes freqüentes) e pela fantasia ao estilo O Senhor dos Anéis (com direito a orcs e tudo mais). Aliás, Snyder se permite até mesmo brincar com os zumbis que marcaram sua estréia no comando de longas enquanto homenageia (suga?) obras que vão de O Resgate do Soldado Ryan a Matrix, passando por praticamente todos os longas anteriores do próprio diretor.

O problema é que a mesma estrutura que torna Sucker Punch interessante (e é bacana acompanhar a fluidez entre os vários universos) também o condena ao fracasso, já que, em última análise, sabemos que nenhuma das aventuras protagonizadas pelas mocinhas representa risco real, existindo apenas em suas fantasias – e, com isso, somos obrigados a acompanhar os desvarios visuais de Snyder sem que estes tragam qualquer benefício à narrativa, funcionando como um fim em si mesmos. E é neste sentido que o cineasta expõe seu narcisismo ao parecer acreditar que a beleza de seus quadros seria o bastante para sustentar o projeto – e não é, resultando num clímax emocionalmente vazio e, portanto, decepcionante.

Mas até mesmo enquanto exercício estético Sucker Punch desaponta. Sim, os planos criados pelo cineasta são belos, elegantes e muitas vezes surpreendentes, mas seu apego patológico à câmera lenta, já presente em grande escala em seus trabalhos anteriores, aqui assume características de transtorno obsessivo-compulsivo - e há uma seqüência em um trem em movimento no qual Snyder parece diminuir a velocidade dos planos de dois em dois segundos, como se dissesse: “Viram isso? Viram isso? Vejam este cartucho saindo da arma! E que tal este salto da protagonista? Hein? Hein? Hein? Não sou genial?”. Como se não bastasse, ainda que invencionismos como o travelling que traz três garotas conversando diante de um espelho e que magicamente parece atravessá-lo sejam interessantes, não contribuem de fato para a narrativa, soando como exibicionismo do diretor – e o mesmo se aplica a planos como aquele que mostra as cinzas de um cigarro se partindo sobre os sapatos de um vilão e que, mesmo bonito, é totalmente descartável para o desenrolar do filme.

Com um elenco feminino tentador (além das belas Abbie Cornish e Vanessa Hudgens, Emily Browning, com sua fantasia de colegial, surge como uma Mini-me de Cameron Diaz), o longa mostra-se obviamente apaixonado por suas atrizes ao mesmo tempo em que estabelece os personagens masculinos como criaturas gordas, suadas, violentas e repulsivas, o que não é necessariamente ruim.

Aliás, se tivesse o bom senso de se reconhecer como uma bobagem-fetiche, Sucker Punch seria uma besteira divertida, mas ao levar-se a sério – como comprova a filosofada besta que encerra a projeção – acaba obrigando o espectador a reconhecê-lo como o que é: um templo dedicado aos exercícios estéticos de seu diretor que, embora talentoso, parece ter se esquecido de criar uma história que explorasse melhor suas imagens.

por Pablo Vilaça

# # #

Ben harper - Rock and roll is free
Arch Enemy - Yesterday is dead and gone

Bjork - Army of me (feat. Skunk Anansie)
Skunk Anansie - Search and destroy
Emiliana Torrini - White Rabbit
Yoav - Where´s my mind (feat. Emily Browning)

Vergaser - Euforia
The Cleaners - Love yourself
(Drop Loaded)

os Baobas - Down down
Os Brasas - Mulher rendeira
Os Canibais - sou canibal
Os Minos - Febre de Minos

Lula Côrtes e Lailson - Satwa

RDP - Políticos em nome do povo
Epithanatios Roghos - Aoratos polemos
Triste Fim de Rosilene - Castelo de areia
Electric Wizzard - Satanic Rites of Drugula
Old Grandad - You know how it goes
(por Lucas)

Dead Elvis & His One man grave - Get outta my grave

Ozzy Osbourne:
# Dee (by Randhy Roads)
# Revelations (Mother Earth)
# All the young dudes
# Killer of giants
# I just want you

Iron Maiden no Brasil, até agora ...

BRASÍLIA: Cerca de 15 mil fãs acompanharam os principais sucessos do Iron Maiden. O show começou às 21h10, no estacionamento do estádio Mané Garrincha. Brasília é a terceira cidade a receber os britânicos, que já passaram por São Paulo e Rio de janeiro.

Bruce Dickinson, vocalista do grupo, lembrou dos percauços durante a turnê. "Tivemos uma turnê interessante até aqui. Passamos por um tremor na Nova Zelândia e não pudemos tocar no Japão. Os fãs não nos viram, mas o pior foi a tragédia", lamentou Dickinson, que foi ovacionado pelos presentes.

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Adrian Smith diz que a ampliação dos fãs em todo mundo motiva Iron Maiden
Por Pedro Brandt / Correio Braziliense

No Iron Maiden, Dave Murray é o guitarrista mais intuitivo, com solos mais improvisados e espontâneos. Adrian Smith é mais cerebral, seus solos são simples e programados. Combinadas, as duas guitarras se tornaram uma das marcas sonoras do Iron Maiden. A tranquilidade segura com que Adrian toca seu instrumento é a mesma com que ele conversou com o Correio Braziliense, minutos antes de subir ao palco para uma apresentação da banda na Cidade do México (no último dia 18). Casado com Nathalie Dufresne, pai de Dylan e das gêmeas Natasha e Brittany, este de pesca não pensa em aposentadoria. Ele tem 54 anos: “Estamos sempre conseguindo mais fãs. Achamos isso muito inspirador, é parte da motivação para continuarmos”, garante o músico que se apresenta hoje em Brasília. “É uma cidade moderna, não é? Achei os prédios fantásticos, estou ansioso para voltar.”

O que você acha das bandas cover de Iron? Uma delas, de Los Angeles (EUA), é formada só por mulheres, The Iron Maidens…
Eu acho ótimo, sabe. É lisonjeiro. Eu ouvi falar das Iron Maidens, claro. Eu já toquei com uma banda cover do Iron na Inglaterra. Acho que toquei 2 minutes do midnight com eles. Foi um pouco bizarro… mas foi legal.

E por falar em cover, vocês já pensaram em lançar um disco de covers, com músicas de bandas que os influenciaram?
Um tempo atrás na nossa história discográfica, toda vez que lançávamos um single colocávamos no lado b uma gravação nossa tocando alguma banda que nos influenciou… Free, Montrose, Jethro Tull… Imagino que deva existir um disco compilando esses lados b. Dez ou 15 covers que gravamos.

Muitos fãs reclamam dos discos mais recentes da banda. Como isso afeta você?
Eu realmente não sei. Não ouvi reclamações. Claro que cada fã tem o seu disco favorito. Somos humanos, fazemos o que fazemos e tentamos fazer o melhor. Cometemos erros algumas vezes.

O que faz o Iron Maiden continuar na estrada?
Estamos sempre conseguindo mais fãs, especialmente jovens fãs. Achamos isso muito inspirador, é parte da motivação para continuarmos. Isso e o fato de irmos para lugares muito diferentes e lotarmos estádios. Enquanto isso acontecer, continuaremos tocando.

Como nasce um disco da banda?
Marcamos umas datas para a gravação do disco e uns dois meses antes começamos a escrever, ensaiar as músicas. Nos reunimos na casa de alguém para fazer isso. Depois, ensaiamos durante umas duas semanas para deixar a maioria das coisas preparada. Finalizamos algumas músicas no estúdio, é o caso de When the wild wind blows (faixa que encerra o disco The final frontier). Mas a maioria das coisas já está está pronta na hora da gravação.

Qual o principal desafio para você na hora de fazer um novo disco?
Tento escrever boas canções, riffs interessantes, músicas inspiradas. Algumas vezes, você consegue, outras não. Tento fazer algo que as pessoas se lembrem, entende? Quando faço um solo, gosto de botar muita melodia nele, nada tão complicado. Não sou de nenhuma forma um virtuoso.

O disco The final frontier é a fronteira final para o Iron Maiden? Pensam em aposentadoria?
Muitas pessoas perguntam isso por conta da palavra final no título do disco. Mas a ideia não é essa. Não é nossa intenção que esse seja o nosso último álbum. Lançaremos um disco no futuro, mas no momento estamos concentrados nesta turnê. Não, não é o último disco.

Como vocês escolhem as músicas dos shows?
Algumas músicas nós tocamos em todos os shows. Fear of the dark, por exemplo, uma canção que tocamos sempre nos últimos 15 anos… Mas é difícil selecionar o repertório a partir do momento em que você tem cada vez mais músicas para escolher. É impossível agradar a todos. Então tentamos fazer o que achamos que é certo. Temos um set list desta turnê, as pessoas já sabem o que vamos tocar, não há surpresa. Tocaremos cinco músicas do disco novo, coisas antigas… Hallowed be thy name, The trooper… e algumas coisas dos anos 2000 também.

Vocês pretendem sair em turnê para divulgar a recém-lançada coletânea From fear to eternity?
Eu acho que não. Esse álbum é só para as pessoas começarem a conhecer a banda.

Você se lembra da passagem da banda por Brasília, em 2009?
É uma cidade moderna, não é? Passamos apenas um dia aí, então eu não vi muita coisa. Mas achei os prédios fantásticos, estou ansioso para voltar.

O terremoto no Japão forçou o cancelamento dos shows que vocês fariam no país. Como foi estar lá nesse momento?
Foi aterrorizante. Nosso avião pousou e ficamos duas horas no solo antes de sabermos o que fazer. Quando chegamos ao hotel e assistimos ao noticiário é que entendemos o que estava acontecendo. Infelizmente, tivemos que cancelar o nosso show e sair no dia seguinte. O prédio onde deveríamos tocar não estava seguro. Mas vamos voltar lá, é sempre um lugar muito bom para tocar.

Paul D’iano, ex-vocalista do Iron, foi preso recentemente sob a acusação de fraudar a Previdência Social na Inglaterra.Você ainda tem contato com ele?
Eu não vejo Paul há uns 20 anos, não tenho muito contato com ele. Acho uma pena o que aconteceu. Provavelmente há pessoas fazendo coisas piores do que o Paul fez. Acho que estão tentando usá-lo como um exemplo, já que ele é conhecido. Desejo o melhor para Paul

Fonte: Correio Braziliense

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O guitarrista Adrian Smith falou com Filipe Faraon do jornal paraense O LIBERAL, com exclusividade. Confira a entrevista na íntegra!

A expectativa pela chegada da turnê The Final Frontier a Belém domina não só o público, mas também os integrantes do Iron Maiden. Em entrevista pelo telefone, o guitarrista Adrian Smith, 54 anos, demonstrou que a ansiedade pelo show não é exclusiva dos fãs. Ele se disse animado para conhecer o público da cidade, uma das poucas dessa turnê ainda nunca visitada pela banda, em 36 anos de estrada.

Quando o assunto é Brasil, integrantes da banda logo lembram as memoráveis apresentações nas edições brasileiras do Rock In Rio, tema citado com nostalgia por Adrian. Não é à toa que o país é um dos mais privilegiados nesta tour, com seis apresentações da banda. Só perde para Alemanha e Austrália, ambos com sete.

Um dos três guitarristas do Iron Maiden, Adrian é inseparável do vocalista, Bruce Dickinson. Entraram na banda na mesma época, no início da década de 1980, pouco antes de o grupo estourar mundialmente com o álbum The Number of The Beast. No início da década de 1990, saíram para lançar dois álbuns solo, e voltaram em 1999. Adrian participou da gravação dos últimos quatro CDs da banda, inclusive o aclamado The Final Frontier, lançado ano passado e base do repertório da atual tour.

Com linguagem coloquial e simpatia, diretamente do México, Adrian falou em entrevista exclusiva por telefone, ao repórter Felipe Faraon, sobre Grammy, o sucesso do novo álbum e lembrou seus tempos de fã da banda Deep Purple.

Você sabia que um grupo de fãs esperou uma fila de 15 horas até que os ingressos começassem a ser vendidos, em novembro?
Sério? Isso é espetacular.

Eles queriam ser os primeiros a comprar ingressos...
Isso é ótimo! Nunca tocamos em Belém antes, então estamos curiosos para ver. No resto do Brasil as reações, desde que tocamos no Rock In Rio, há 20 anos, têm sido fantásticas. Então, parece que vai ser um bom show, sabe?

Iron Maiden deve ser a maior banda a tocar em Belém. Isso faz o show ficar ainda mais especial para vocês?
Sim, é sempre excitante ir aonde você ainda não tinha tocado. Então, é claro que estamos animados. Estamos tocando em muitos lugares nessa turnê e pouquíssimos deles ainda não conhecíamos, e Belém é um deles. Estamos animados com isso.

Porque a banda toca em lugares fora do grande circuito, onde outras grandes bandas não costumam ir, como Indonésia, Cingapura e agora Belém?
Eu acho que as coisas estão muito diferentes e mudando rapidamente com a internet. As pessoas têm mais acesso a músicas e bandas. Acho que por isso Iron Maiden se torna mais conhecido. Nós estamos em um avião enorme, o Ed Force One, então somos capazes de chegar a esses lugares. E a gente sempre toca onde a gente sente que deve tocar. Quando surge uma possibilidade de tocar em um lugar diferente, a gente sempre leva em consideração a hipótese. Nós temos meios para ir até lá, nos divertir, então, você sabe, porque não tocar lá?

Em uma entrevista para a revista Roling Stone da Indonésia, Bruce Dickinson não pareceu muito empolgado por ter ganhado o Grammy este ano. Isso não significou nada para a banda?
Bem, para ser honesto, eu não sei bem... assistindo a cerimônia do Grammy a gente percebe que é tudo muito 'showbusiness', muito 'Hollywood', enquanto que Iron Maiden está a milhões de quilômetros de distância disso. Preferimos parecer uma banda real, cometemos erros, não somos perfeitos. Eu acho que as pessoas apreciam...(silêncio)... eu quero dizer, nada contra o Grammy, é legal ser reconhecido. Então, é, eu quero dizer, você sabe... por outro lado, muita gente vai dar importância ao Grammy e eu não vejo nada de errado nisso. Se, se, se...se isso faz as pessoas ficarem curiosas sobre a gente, então está ótimo.

Em uma mão vocês têm o Grammy, mas na outra, vocês estão no topo das paradas em 28 países. Imagino que isso signifique mais...
Sim, exato. É incrível.

E é o último álbum, e não uma coletânea de músicas antigas, que as pessoas estão ouvindo e adorando. O que isso significa para você?
Bem, a gente acha que é importante criar e tocar novas músicas. Pessoalmente, eu acho muito satisfatório escrever algo e ser criativo. Eu imagino que nós poderíamos sair em turnê e tocar nossas músicas antigas, o público provavelmente ficaria bastante feliz. Não queremos isso; queremos criar novas músicas, fazer novos shows e realmente continuar a nos desafiar.

Qual é a principal diferença entre os seus primeiros fãs, dó início da década de 1980, para os atuais, que vão para os shows hoje em dia? Há muitos jovens hoje; eles são diferentes dos jovens que iam aos shows de 30 anos atrás?
Bem, os jovens da década de 1980 ficaram mais velhos (risos). É verdade, temos muitos fãs jovens, o que é maravilhoso. Quem me dera que eu soubesse o segredo; eu iria engarrafá-lo e vendê-lo. Eu acho que parte do motivo é porque não há muitas outras bandas fazendo isso.

Por que será?
É muito incomum uma banda estar na ativa por tanto tempo quanto Iron Maiden, sabe, e continuar em turnês e manter o ritmo... E, eu acho que um monte de jovenzinhos que vêm aos nossos shows nunca estiveram em uma apresentação de rock antes, nunca viram alguém tocando solos de guitarra e nunca ouviram as melodias. Em muitas bandas que você ouve há uma atitude heavy metal e têm o som pesado, mas se você parar para ouvir nosso som, vai perceber que há muito de melódico.

Mas os fãs de hoje são, em algum aspecto, diferentes daqueles de muitos anos atrás?
Não. Eu lembro quando eu era criança e fui ver Deep Purple. Foi muito emocionante ver uma banda de rock e os caras tocando os instrumentos, muito legal. É isso que a juventude quer ver, ao menos é a única coisa que eu posso imaginar que eles possam querer. Com certeza não é pelas nossas aparências.

Vocês foram influenciados por Deep Purple, mas também influenciaram muitas grandes bandas como Dream Theater e Metallica. Como você se sente em relação ao fato de que o primeiro show que eles assistiram, quando jovens, talvez tenha sido o seu e agora eles contam histórias semelhantes à que você contou agora?
Pois é, estamos na estrada por um bom tempo, fazendo muitos shows em muitos países, para muita gente, o que acaba influenciando muita gente. Você nunca esquece o primeiro show que viu. Acho que as pessoas pegam essa inspiração para alimentar sua própria criatividade. Isso é ótimo.

Os fãs brasileiros devem estar curiosos de por que o país não vai aparecer no próximo DVD, enquanto que Argentina e Chile foram escolhidos. O que você diria a esses fãs, já que eles podem ter ficado com um pouco de ciúme? [Nota: no show de São Paulo Bruce Dickinson anunciou que o show no Brasil também estava sendo gravado para o DVD]
Bem, você sabe, nós já fizemos o Rock In Rio e não se pode fazer algo maior do que aquilo.

Fonte: O Liberal

quarta-feira, 30 de março de 2011

4 anos de programa de rock

Hoje o pdrock faz 4 anos no ar. Parabéns para nós: para você que ouve e acompanha pelo rádio e pela net, para mim que produzo e apresento e para Aperipê FM que viabiliza a bagaça. Um obrigado especial para Isabela Raposo, que tem sido minha "anja da guarda" na rádio.

+ sobre o programa aqui.













terça-feira, 29 de março de 2011

vol. 04 - Ao Vivo no Sala Especial Loaded

Disponível no (novo) site do Programa Loaded, a compilação "Um dia Tudo isso Vai Fazer Sentido - vol.4". Ao vivo e sem cores, gravada na Sala Especial Loaded - o projeto mensal na Saraiva Megastore.

A coletânea consiste em 12 faixas de 12 significativas bandas brasileiras que deram suas caras a bater em um espaço diferente dos tradicionais, para um público novo e ávido por novidade, e em um formato recheado de roquenrou, "mini-churros", descontração e a tradicional canalhice dos apresentadores do programa.

Adentraram a "Sala": CONTINENTAL COMBO, CHARME CHULO, PÚBLICA, ECOS FALSOS, THE DEAD LOVERS TWISTED HEART, TERMINAL GUADALUPE, THE NAME, AEROCIRCO, ZEBRA ZEBRA, O GARFO, QUARTO NEGRO e VENUS VOLTS. Vieram e fizeram o que de melhor sabem: ROCK! Várias vertentes, vários estilos, várias línguas e linguagens e um objetivo: Fazer com que tudo isso faça sentido!

A baixa está exclusiva e mole-mole no novo site do Loaded (programaloaded.com.br) que alías, tem muito mais coisas novas por revelar. Após mais de cinco anos apresentando, falando e vomitando semanalmente e de forma initerrupta o rock independente brasileiro, o Loaded decidiu por ajustar algumas coisas e continuar a fazer mais do mesmo. Confira!

Visite o novo site, ouça o novo programa e pegue a nova coletânea de graça.

www.programaloaded.com.br - um dia tudo isso...

Fonte: Divulgação

RIO

Transcorreu em clima de tranquilidade e euforia o show que o Iron Maiden fez ontem, na HSBC Arena, no Rio. Durante quase duas horas o grupo tocou o repertório padrão do trecho latino americano da “Final Frontier Tour”, para um público estimado em 12 mil pessoas. De acordo com a assessoria de imprensa da produção, cerca de mil pagantes não atenderam ao chamado da banda para voltar ao local ontem, já que o show havia sido transferido de domingo para segunda por causa da queda da grade que separa o público do palco. Trauma praticamente superado depois de um show renovado que realça a competência dos músicos e a vocação para o entretenimento que é marca registrada do grupo.

Depois de uma turnê retrospectiva que rodou o mundo, a renovação veio com o álbum “The Final Frontiers”, lançado no ano passado. Pela primeira vez na história do grupo um disco não começa com um típico single, curto e veloz. Ao contrário, “Satellite 5… The Final Frontier” tem uma longa introdução percussiva, escolhida também para abrir o show, e com um longo trecho pré-gravado, o que não deixa de ser uma ousadia dentro do heavy metal. Também é a primeira vez quer os músicos entram no palco caminhando até suas posições para iniciar o show - lembram dos sarcófagos se abrindo e todos correndo em direção ao público? E pense bem: qual é a banda com mais de trinta anos de estrada que abre um show com quatro músicas novas entre as cinco primeiras sem escutar um pio de reclamação por parte do público?

O palco tem a tradicional passarela em forma de ‘U’ no perímetro, que leva o agitado Bruce Dickinson a desafiar a atenção do público. O visual futurista inclui uma torre de controle de cada lado, e, ao fundo, o cenário que muda a cada música, com nada menos que 13 estampas diferentes, de acordo com cada tema. Das bandas consagradas, o Iron Maiden é a única que resiste ao telão de alta definição no fundo do palco, e quase ninguém percebe isso – para o bem ou para o mal. A iluminação, embora avançada, tem arranjo vintage, fazendo lembrar os holofotes emprestados do Queen no Rock in Rio de 1985. São três triângulos que se deslocam em todas as direções, dando o clima de cada música. Na abertura, por exemplo, os faróis vermelhos surgem no escuro como se fossem as naves espaciais, tema do último disco e da turnê.

A reação às músicas novas não é tão fervorosa, mas é de impressionar a cantoria do público, que já tem as letras na ponta da língua. A primeira grande explosão de alegria vem no riff clássico de “2 minutes to Midnight”, um dos mais potentes da história do metal e que quase leva a casa abaixo. A essa altura a arquibancada tem o público de pé com os braços erguidos em coreografia ensaiada junto com a pista, praticamente lotada. Entre as novas, “The Talisman” tem um desempenho apenas razoável no qual realça a voz “em dia” de Bruce, que aponta para um inevitável cantarolar; e “Coming Home” cuja ponte para o refrão evidencia a perícia e o bom gosto de Dave Murray, que ainda tira solos da caixola como nos velhos tempos.

É antes de “Coming Home” que Bruce cita pela primeira vez o acidente que causou o adiamento do show e queimou o filme da banda. “Como vocês podem ver, temos uma nova grade e vocês não vão pagar por isso, muito menos nós”, disse em tom de brincadeira. “Queríamos agradecer por todos terem ido para casa ontem numa boa e terem voltado hoje”, completou, mostrando alívio. Nem parecia que, 24 horas antes, ele tinha cortado um dobrado para comunicar o cancelamento do show de domingo. Em “Blood Brothers”, em geral dedicada às vítimas dos desastres naturais no Japão e aos envolvidos nos conflitos na Líbia, Bruce inclui a queda da grade em outra fala. “Vocês não podem esquecer a sorte que é viver num país como o Brasil. No Japão os shows foram cancelados e lá também há fãs do Iron Maiden como vocês. Não importa a cor, a religião, o lugar, são todos fãs do Maiden”, diz Bruce, num tom messiânico emprestado de Bono Vox.

Se Dave Murray era coadjuvante na melhor fase do grupo, hoje divide com Adrian Smith o papel principal. Em “Coming Home” eles deixam claro que são a evolução das twins guitars criadas pelo Wishbone Ash, assim como no excepcional duelo de “The Wicker Man”, música que funciona muito bem ao vivo. Em “When The Wild Wind Blows”, outra das novas, Murray mais uma vez se destaca num solo de arrepiar. É dele também o final emocionante de “Blood Brothers”, seguindo a deixa de Smith. A duplinha condena de vez o presepeiro Janick Gers (o sujeito que tem o melhor emprego do mundo) ao definitivo papel de figurante.

A novidade do Eddie que estreou no show de São Paulo é que o bonecão aparece bem mais ágil e ganha uma guitarra de um dos roadies, durante “The Evil That Man Do”. Não será surpresa se, no futuro, ele der um mosh sobre o público. Uma segunda versão do mascote surge gigante, atrás da bateria no estilo “moita”, e, em “The Number Of The Beast”, já no bis, uma capeta chifrudo e resignado surge em cima da passarela, do lado direito do palco, entre várias erupções de enxofre cenográfico. Vale o registro que não há nenhum efeito pirotécnico em todo o show, marca registrada de outras turnês do Iron Maiden.

Em “Hallowed Be Thy Name” é que se vê que Bruce Dickinson, mesmo sem a voz de sirene de outras épocas, continua segurando a onda muito bem. Não é qualquer que aguenta cantar numa música que tanto exige do vocal, depois de quase duas horas de intensa movimentação e cantoria. Murray e Smith voltam a esbanjar entrosamento e bom gosto, nas evoluções de guitarras e solos que praticamente pedem o cantarolar do público, já completamente entregue. A quase punk “Running Free” encerra o show com Bruce apresentando cada integrante – o aeróbico baixista Steve Harris é o mais aplaudido. A expectativa de que um segundo bis seria incluído para compensar os transtornos causados pela grade quebrada é reforçada pelos pedidos de “Run to the Hills” em côro, mas a banda não volta. Apesar de tudo, não dá pra reclamar, né?

OBS: A foto é do show de São Paulo
por Marcos Bragatto
REG

Set list completo

1- Satellite 15… The Final Frontier
2- El Dorado
3- 2 Minutes to Midnight
4- The Talisman
5- Coming Home
6- Dance of Death
7- The Trooper
8- The Wicker Man
9- Blood Brothers
10- When the Wild Wind Blows
11- The Evil That Men Do
12- Fear of the Dark
13- Iron Maiden
Bis
14- The Number of the Beast
15- Hallowed Be Thy Name
16- Running Free

segunda-feira, 28 de março de 2011

# 182 - 25/03/2011

O programa de rock sorteou, na última sexta-feira, 4 ingressos para as duas sessões da Sessão Cine Cult do Cinemark em Aracaju. Numa delas está em cartaz o filme "Scott Pilgrim contra o mundo", de cuja trilha sonora extraímos o bloco de abertura. Seguimos com uma nova faixa do trabalho solo de Rafael Costello, ex-guitarrista do Rockassetes e da Plástico Lunar, e de "Teargarden by Kaleydoscope", o eternamente inacabado novo "disco" do Smashing Pumpkins. Novas também do Raveonettes e de Thurston Moore, guitarrista do Sonic Youth.

Depois de uma pequena intervenção de nossa ouvinte e colaboradora Rosi, prosseguimos com um bloco de punk rock/hardcore brasileiro clássico para finalizar com a faixa título do novo disco e 4 faixas do clássico "Killers", do Iron maiden, na série "Discoteca Básica".

Próxima sexta tem mais.

Sex Bob-omb - Thereshold
The Rolling Stones - Under my thumb
Beachwood Sparks - Sleazy Bed track
The Bluetones - By your side
Beck - Ramona

The Sounds - Dorchester Hotel
Good Shoes - The Way my heart beats
(Drop Loaded)

Rafael Costello - Capa de abril
The Smashing Pumpkins - Ligthning strikes
The Raveonettes - War in heaven
Thurston Moore - Benediction

PJ Harvey - Big Exit
Andralls - Dynamite
(por Rosi)

Olho Seco - Nada
Lixomania - Massacre inocente
Inocentes - Apenas conto o que eu vi (o que senti)
rdp - Descanse em paz
Lobotomia - Só os mortos não reclamam
Cólera - Em você

Iron Maiden - Sattelite 15/The Final frontier

Discoteca Básica: Iron Maiden - "killers"
# The Ides of march
# Wratchild
# Killers
# Purgatory
# Prodigal son

domingo, 27 de março de 2011

Hellcife, 03 de abril

Considerada um dos maiores expoentes do heavy metal mundial, a banda inglesa Iron Maiden apresentará, em show único no Nordeste, sua turnê mundial 2011, “The Final Frontier”. No dia 3 de abril, a área externa do Centro de Convenções será o palco da megaprodução. Na turnê anterior, em 2009, a banda foi recebida por uma legião de fãs, vinda em inúmeras caravanas da região. Foi a primeira vez que o grupo se apresentou no Nordeste, trazido pela produtora Raio Lazer, responsável pela passagem de grandes nomes da música na capital pernambucana, como Black Eyed Peas, Amy Winehouse, Alanis Morissette, dentre outros.

Com capacidade para um público de até 16 mil pessoas, a pista do Centro de Convenções de Pernambuco será remodelada para o espetáculo. Serão mais de 200 toneladas de equipamentos, entre palco gigante, som, luz, divisórias, banheiros, bares, fast food, lojas e ambulatórios, além de transmissão do show em telões de LED de alta definição. A área será dividida em dois espaços: front stage e pista, e cada um terá uma entrada individual.

Os ingressos estão à venda no stand oficial montado no 1º piso do Shopping Recife, próximo aos cinemas, e pelo site www.ingressorapido.com.br. No stand, não há cobrança de taxa de conveniência. Para a área do Front Stage, foram disponiblizados 5 mil ingressos, que estão pelo preço único de R$ 300,00 (trezentos Reais). Já para a pista, os ingressos custam R$ 200,00 (duzentos Reais) e a meia-entrada R$ 100,00 (cem Reais).

Iron Maiden - O Iron Maiden é um fenômeno internacional no mundo do rock e do metal, com mais de 85 milhões de álbuns vendidos em sua carreira de 30 anos. Para a The Final Frontier 2011 Tour, os fãs podem esperar os mesmos níveis de paixão, comprometimento e virtuosismo musical que sempre foram as marcas do grupo. A banda tocará canções do novo álbum e, claro, clássicos de sua história.

A atual turnê se baseia no último disco de estúdio da banda, ‘The Final Frontier’, lançado em agosto pela EMI Records (UME nos EUA) e que se tornou um dos mais bem sucedidos trabalhos da banda, alcançando o primeiro lugar em vendas em 28 países. Aqui no Brasil, foi o álbum mais vendido na Saraiva, Livraria Cultura e FNAC durante as duas primeiras semanas do lançamento. O disco rendeu ao grupo o Grammy de Melhor Performance Metal de 2010.

Raio Lazer - A Raio Lazer é uma empresa de produções culturais de grande prestígio, com mais de 20 anos de estrada. O primeiro grande projeto da Raio foi o Circo Voador (Estação Recife), em parceria com o Circo Voador Rio de Janeiro. Foi responsável, também, pela passagem de nomes ilustres pela capital pernambucana, como a própria banda Iron Maiden, em 2009, o fenômeno Black Eyed Peas, Ray Coniff, Stanley Jordan, Billy Paul, Megadeth, Alanis Morissette, além de produzir os últimos shows da vida de Cazuza e Raul Seixas e realizar projetos como o tradicional Seis e Meia e a Festa de Pré-Carnaval mais badalada da cidade, o ENQUANTO ISSO NA SALA DA JUSTIÇA. A empresa também trouxe para o Recife, em 2011, o 1º RECIFE SUMMER SOUL FESTIVAL com a presença dos maiores nomes da soul music mundial como Amy Winehouse, Janelle Monae e Mayer Hawthorne, e o show único de Jason Mraz, no Cabanga Iate Clube.

Serviço:

O que: Iron Maiden – The Final Frontier World Tour 2011
Onde: Área externa do Centro de Convenções (Av. Agamenon Magalhães – Salgadinho- Olinda - PE)
Quando: 3 de abril de 2011 (Domingo), 20h (abertura dos portões às 16h)
Vendas – (serão aceitos todos os cartões de crédito e débito) – Stand no 1º piso do Shopping Recife, próximo aos cinemas.

Iron Maiden no Brasil, até agora ...


Do site Wiplash: Segue uma transcrição aproximada do diálogo de Bruce Dickinson com o público após o colapso da grade que separava a pista vip do palco no show do Rio de Janeiro, no domingo à noite.

Iron Maiden: vídeo mostra queda da grade de proteção

De início, ele disse: "Hey caras, por favor, acalmem-se. Todos, dêem um passo para trás. A grade quebrou, e é perigoso. Não queremos ninguém ferido."

A banda então parou de tocar e Dickinson explicou que continuariam o show em 10 minutos depois que a grade fosse reparada. Depois de 20 minutos as vaias se tornaram mais audíveis enquanto o público começava a perder a paciência.

Bruce retornou ao palco para dar as más notícias. "A grade quebrou completamente. Não queremos ninguém ferido. Não podemos tocar hoje, mas amanhã, no mesmo horário, estaremos aqui. Todos que tenham um ingresso ou uma pulseira poderão entrar. Todos que não conseguirem vir ao show de amanhã terão seu dinheiro devolvido."

O público respondeu com vaias enquanto o vocalista fez uma última tentativa de acalmar os ânimos. "Ficamos sabendo que não há como a grade ser consertada hoje. Eu sei que isso é uma lástima. Mas, por favor, não quebrem nada quando saírem. Aqueles que não puderem vir ao show de amanhã, postaremos no site oficial como devem proceder para serem reparados. Mas eu garanto que amanhã teremos a melhor grade do mundo."

Da Rolling Stone: Em show de duas horas e sem inovações, a banda misturou faixas do último disco a clássicos como "The Trooper" e "Fear of the Dark"; Bruce Dickinson disse que apresentação foi gravada para um disco ao vivo.

Shows de metal fazem parte dos raros casos em que o clichê é bem-vindo. E o Iron Maiden é um dos melhores exemplos do que é uma apresentação do gênero: por mais previsível (e por vezes cafona) que possa ser, tudo dentro de um espetáculo como esse é, sem dúvida, verdadeiro. As 50 mil pessoas que assistiram à banda neste sábado, 26, no estádio do Morumbi, em São Paulo, viram o que o grupo vem fazendo há 30 anos - e esse é justamente o motivo pelo qual ele segue adorado por uma legião de fãs, cujas vidas parecem girar em torno do sexteto britânico.

O show começou pontualmente às 21h, com um vídeo de "Satellite 15... The Final Frontier" nos telões. Foi a primeira das cinco faixas do disco The Final Frontier, lançado em 2010: "El Dorado" (a segunda da noite), "The Talisman", "Coming Home" e "When the Wild Wind Blows" também fazem parte do set list da The Final Frontier World Tour, que seguiu intocado na apresentação do Morumbi.

Nesta nona passagem da banda pelo Brasil (a primeira aconteceu no Rock in Rio, em 1985, e a última foi em 2009), o palco ora é adornado por panos de fundo com a imagem de Eddie, trocados diversas vezes, ora com pequenas luzes que imitam um céu, logo atrás do baterista Nicko McBrain. Uma passarela acima de McBrain permite que Bruce Dickinson corra, em diversos momentos do show, de uma ponta a outra do palco. Aos 52 anos - Dickinson é o mais jovem da banda -, o vocalista não mostra sinais do tempo: a performance ainda é energética, e os agudos continuam intactos. Em mais de três décadas de carreira, Bruce Dickinson se mantém como um dos mais poderosos vocalistas do metal.

Antes de "El Dorado" ele chamou o público pela primeira vez, com seu indefectível grito de "Scream for me, São Paulo". Carismático, conversou diversas vezes com a plateia paulistana. "Sei que vocês têm que ir à igreja amanhã, mas não damos a mínima. Vamos manter vocês acordados a noite inteira", disse antes de "Coming Home".

O primeiro ponto alto do show veio com o clássico "The Trooper", de 1983, durante a qual, como de costume, Dickinson segurou uma bandeira da Inglaterra. Depois de "The Wicker Man", o cantor voltou a falar, contando que a banda estava prestes a chegar ao Japão para dois shows quando aconteceu o terremoto, seguido de tsunami, que devastou o país no último dia 11. "Vamos dedicar essa música a todos que passaram por essas merdas [catástrofes naturais]. Temos fãs no mundo todo. E não ligamos para sua religião ou sexo. Se você é um fã do Maiden, faz parte da família", falou, para alegria daqueles que têm no metal um estilo de vida, antes de "Blood Brothers".

Enquanto Dickinson manteve o contato com o público, Janick Gers divertiu-se em solos rápidos, dançando e fazendo pose com a guitarra. Steve Harris, fundador da banda, aproveitou para apontar o baixo em direção à plateia, como se segurasse uma arma. Em certos momentos, os dois, ao lado de Adrian Smith e Dave Murray, se uniram no centro do palco, formando um quarteto infalível de peso e virtuose.

Eddie, o mascote, surgiu durante "The Evil That Men Do", antecedendo o maior coro da noite, em "Fear of the Dark". Por mais manjado que um show do Iron Maiden possa parecer, é impossível tirar a beleza de momentos como esse, em que cada um dos 50 mil espectadores cantou, com as mãos para o alto, de forma devotada e incondicional.

A sequência que se seguiu foi a melhor do show: "Iron Maiden", "The Number of the Beast", "Hallowed by thy Name" e "Running Free" (as três últimas no bis) encerraram a apresentação, que durou cerca de duas horas.

Ao final, Dickinson avisou que o show foi gravado para um possível disco ao vivo, e afirmou que se algum dia "o Iron Maiden fizer uma turnê de despedida, passará por São Paulo". Diferente do que Steve Harris indicou meses antes do lançamento de The Final Frontier (ele deu entrevistas dizendo que seria o último álbum da banda), o Iron Maiden não parece interessado em parar. Os fãs do metal agradecem.

O grupo ainda passará por cinco cidades brasileiras nesta turnê: Rio de Janeiro (27/3), Brasília (30/3), Belém (1/4), Recife (3/4) e Curitiba (5/4).

por Bruno Veloso

sábado, 26 de março de 2011

D. E. P. Lula Côrtes

O cantor, compositor e poeta Lula Côrtes, um dos pioneiros em fundir o ritmo regional nordestino ao rock and roll, morreu na madrugada deste sábado aos 61 anos de idade. Ele sofria de um câncer na garganta e, segundo amigos, estava na praia de Maracaípe quando passou mal, sendo trazido por uma ambulância para o Hospital Barão de Lucena, onde já chegou sem vida. Ele exercia a função de assessor cultural da Prefeitura de Jaboatão. Sua última apresentação como músico aconteceu no Pátio de São Pedro, no domingo de Carnaval.

Lula Côrtes sofria de um câncer que começou na garganta há cinco anos, mas se espalhou por outros lugares do corpo. Ele tinha feito quiomio e radioterapia, mas de acordo com amigos próximos, continuava bebendo e fumava quase três carteiras de cigarro por dia. No mês de janeiro ele teve Hepatite C e, em seguida, erisipela, o que o deixou ainda mais fragilizado.

Ainda assim, o músico continuava trabalhando. Os últimos shows dos quais participou foram na semana passada - quinta, sexta e sábado - no Sesc Belenzinho, em São Paulo. Ele e Zé da Flauta fizeram participações especiais no show de Alceu Valença, relembrando a década de 1970.

Na madrugada da terça para a quarta-feira, Côrtes passou mal e foi socorrida para uma UPA em Jaboatão, sendo liberado em seguida. Decidiu então, a convite de uma amiga, continuar o tratamento numa pousada em Maracaípe. "Na última quinta-feira ele teve uma melhora surpreendente, mas na sexta de manhã já amanheceu muito pior. Foi quando entrei em contato com amigos para trazê-lo ao Recife", contou o produtor e amigo, Lulinha. Lula Côrtes deixa seis filhos. O primeiro casamento foi com a cineasta Kátia Mesel.

Nascido Luiz Augusto Martins Côrtes, Lula tem seu nome marcado na música popular brasileira por dois discos lançados na primeira metade da década de 1970, hoje lendas na internet pelo alto preço cobrado pelos vinis. Em 1972, ele gravou com o hoje cartunista Laílson o LP Satwa, pela Rozemblit. Em 1974, com Zé Ramalho, finalizou o álbum duplo Paêbiru - O Caminho da Montanha do Sol, mas a gravadora pernambucana, atingida por uma grande enchente, só conseguiu salvar poucas cópias, que se tornaram raridades. Ele ainda produziu e fez o desenho da capa de No Sub Reino dos Metazoários (de Marconi Notaro).

Os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music quando foram lançados em 2008 nos Estados Unidos por uma gravadora independente, a Time-Lag Records. O relançamento em CD de Paêbiru no Brasil fazia parte dos planos de Lula Côrtes, que destacou ao Diario de Pernambuco: “Na verdade, o disco não é só meu e de Zé Ramalho, é de toda a galera do movimento underground nordestino da época. Na ficha do Paêbirú, aparecem muitos nomes, como Alceu Valença e Geraldo Azevedo”, afirmou.

Côrtes ainda lançou os discos O Gosto Novo da Vida, Rosa de Sangue, A Mística do Dinheiro, O Pirata, Nordeste, Repente e Canção e Lula Cortes & Má Companhia. Somente este último teve distribuição direta em CD. Além de músico, Lula Côrtes lançou obras de prosa e poesia, como o audiobook O lobo e a lagoa e livros como Hábito ao vício, Rarucorp, Bom era meu irmão, ele morreu, eu não e Amor em preto e branco e se dedicava atualmente às artes plásticas. Em reconhecimento ao seu trabalho literário, a União Brasileira dos Escritores de Pernambuco (UBE/PE) deu-lhe a carteira de sócio efetivo, retroagindo a ano de admissão a 1972, quando o multiartista lançou o Livro das Transformações.

Da sua experiência como assessor de Cultura da Prefeitura de Jaboatão, Lula extraiu matéria para pintar aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes do município, seus aspectos ecológicos, o patrimônio material e imaterial da cidade. Sua meta era chegar a 365 peças. A primeira exposição, com 35 aquarelas, intitulada Fragmentos, foi aberta em setembro do ano passado.

Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR

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A trilha em busca das origens de Paêbirú, o disco maldito de Lula Côrtes e Zé Ramalho, hoje o vinil mais caro do Brasil.

Por Cristiano Bastos

Rolling Stone

No dia 29 de dezembro de 1598, os soldados liderados pelo capitão-mor da Paraíba, Feliciano Coelho de Carvalho, encalçavam índios potiguares quando, em meio à caatinga, nas fraldas da Serra da Copaoba (Planalto de Borborema), um imponente registro de ancestralidade pré-histórica se impôs à tropa. Às margens do leito seco do rio Araçoajipe, um enorme monólito revelava, aos estupefatos recrutas, estranhos desenhos esculpidos na rocha cristalina.

O painel rupestre se encontrava nas paredes internas de uma furna (formada pela sobreposição de três rochas), e exibia, em baixo-relevo, caracteres deixados por uma cultura há muito extinta. Os sinais agrupavam-se às representações de espirais, cruzes e círculos talhados, também, na plataforma inferior do abrigo rochoso.

Inquietado com a descoberta, Feliciano ordenou minuciosa medição, mandando copiar todos os caracteres. A ocorrência está descrita em Diálogos das Grandezas do Brasil, obra editada em 1618. O autor, Ambrósio Fernandes Brandão (para quem Feliciano Coelho confiou seu relato), interpretou os símbolos como "figurativos de coisas vindouras". Não se enganara. O padre francês Teodoro de Lucé descobriu, em 1678, no território paraibano, um segundo monólito, ao se dirigir em missão jesuítica para o arraial de Carnoió. Seus relatos foram registrados em Relação de uma Missão do rio São Francisco, escrito pelo frei Martinho de Nantes, em 1706.

Em 1974, quase 400 anos depois da descoberta do capitão-mor da Paraíba, os tais "símbolos de coisas vindouras" regressariam. Dessa vez, no formato e silhueta arredondada de um disco de vinil. A mais ambiciosa e fantástica incursão psicodélica da música brasileira - o LP Paêbirú: Caminho da Montanha do Sol, gravado de outubro a dezembro daquele ano por Lula Côrtes e Zé Ramalho, nos estúdios da gravadora recifense Rozemblit.

Contar a história do álbum, longe da amálgama das pessoas, vertentes sonoras e, especialmente, da chamada Pedra do Ingá que o inspirou, é impossível. Irônico é que o LP original de Paêbirú também tenha se convertido em "achado arqueológico", assim como a pedra, 33 anos depois de seu lançamento. As histórias sobre a produção do disco, como naufragou na enchente que submergiu Recife, em 1975 e, por fim, se salvara, são fascinantes.

A prensagem de Paêbirú foi única: 1.300 cópias. Mil delas, literalmente, foram por água abaixo. A calamidade levou junto a fita master do disco para que a tragédia ficasse quase completa. Milagrosamente a salvos ficaram somente 300 exemplares. Bem conservado, o vinil original de Paêbirú (o selo inglês Mr Bongo o relançou em vinil este ano) está atualmente avaliado em mais de R$ 4 mil. É o álbum mais caro da música brasileira. Desbanca, em parâmetros monetários (e sonoros: é discutível), o "inatingível" Roberto Carlos. O Rei amarga segundo lugar com Louco por Você, primeiro de sua carreira, avaliado na metade do preço do "excêntrico" Paêbirú.

A expedição no rastro dos mistérios e fábulas de Paêbirú se inicia em Olinda (Pernambuco). O artista plástico paraibano Raul Córdula me recebe em seu ateliêr. Na parede do sobrado histórico, uma cobra pictográfica serpenteia no quadro pintado por ele. A insígnia foi decalcada da mesma inscrição que, há milênios, permanece entalhada na Pedra do Ingá.

No mesmo ano de Louco por Você, 1961, o professor de geografia Leon Clerot apresentou o monumento a Córdula. O professor fizera o convite: "Me acompanhe, e verás algo que jamais se esquecerá". Uma década depois, 1972, Raul Córdula se tornou amigo de José Ramalho Neto, o jovem Zé Ramalho da Paraíba. Os conterrâneos se conheceram no bar Asa Branca, que Córdula tinha na capital, João Pessoa: "O único boteco que ficava aberto na Paraíba inteira depois das oito horas da noite, à base de 'mensalão' pago à polícia". O Zé Ramalho compositor, atesta, nascera no Asa Branca.

Córdula quis mostrar a Ramalho "algo que conhecera", e organizou uma ida ao município de Ingá do Bacamarte, localidade conhecida antigamente como Vila do Imperador, por causa da passagem de Dom Pedro II por lá. A localização de Ingá do Bacamarte é a 85 km de João Pessoa, caatinga litorânea, na zona de transição do Agreste para o Sertão. Para "fazer a viagem", Córdula também convidou o artista recifense Lula Côrtes - jovem homem que já vivera muitas aventuras. Mas aquela, proposta por Raul, ainda não.

Nenhuma surpresa foi para o guia o fato de Côrtes e Ramalho ficarem tão maravilhados com a rocha lavrada quanto os expedicionários do capitão-mor da Paraíba. A charada talhada na parede de pedra lançava-lhes o provocante desafio: como decifrariam tais arcanos - nunca compreendidos e tão majestosos - numa música que, se não codificasse, ao menos devesse tributar à remota ancestralidade brasileira? Fora essa a centelha que incendiara as idéias. Acampados na caatinga sertaneja, frente a frente com a Pedra do Ingá, Ramalho e Côrtes se decidiram pela produção de um "álbum conceitual".

O único jeito de conhecer lula Côrtes é ir visitá-lo no seu habitat: o ateliêr em Jaboatão dos Guararapes. "A Pátria Nasceu Aqui", divulga a enorme placa na divisa com a capital, Recife. O apartamento onde mora, pinta e compõe com a atual banda, Má Companhia, tem vista frontal para o Oceano Atlântico.

É no primeiro apertar de mão que Côrtes deixa patente quem é: "espírito indômito". Solta a frase para se pensar: "O mar e eu somos uma coisa só desde menino". Aos 60 anos, sua voz é profunda e roufenha. A cabeça alva, um dia revestida de pretos cabelos mouriscos. E a magra, porém resistente, compleição física remete ao obstinado homem de O Velho e o Mar. Lula tem o velho de Ernst Hemingway, entretanto, como "altruísta demais". Mais impressionado ficou com o nietzscheniano capitão Lobo Harsen, de O Lobo do Mar, romance de Jack London. Os arquétipos marítimos de London, de fato, combinam mais com ele: "Nasci à beira do mar. Ele me despertou para o cumprimento das fantasias. Nele, um dia, cacei baleias", conta, jubiloso.

É esse homem que segue narrando a mais homérica jornada de sua vida, até agora: a concepção do álbum Paêbirú. Guiados pelo parceiro mais velho, Raul Córdula, Zé Ramalho e Lula Côrtes, recém-amigos, logo de cara perceberam a fantástica mística que as inscrições da Pedra do Ingá exerciam sobre a população às cercanias do sítio arqueológico.

Foi por intermédio da arquiteta, hoje cineasta, Kátia Mesel, sua companheira na época, que Lula Côrtes veio a conhecer Zé Ramalho. Junto, o casal abriu o selo Abrakadabra, pioneiro na produção de música independente no Brasil. A "sede" do selo ficava nas dependências de um prédio pertencente ao pai de Kátia, que, nos tempos da escravatura, fora uma senzala de escravos.

Para se mergulhar na saga de produção que foi Paêbirú, é obrigatório antes se falar da simplicidade do instrumental Satwa - o álbum gerido, um ano antes, por Côrtes e o violonista Lailson de Holanda.

É o début do selo Abrakadabra. Lula faz a estréia fonográfica da sua cítara popular marroquina, o tricórdio, instrumento que trouxera da recente viagem ao Marrocos com Kátia. Em Satwa, o violão nordestino de 12 cordas de Lailson dialoga em perfeita legibilidade com o linguajar oriental do tricórdio de Lula. É, provavelmente, o encontro mais fino entre o folk e a psicodelia do qual se tem registro gravado na música brasileira.

Lailson, premiado cartunista, traduz: "Satwa é expressão do sânscrito: quer dizer 'interface e equilíbrio'". Em 2005, a norte-americana gravadora Time-Lag Records reeditou Satwa, a partir da master original. Só o nome, na realidade, foi remodelado: Satwa World Edition. Como previsto, a edição esgotou como mágica.

Após Satwa, Lula tinha aprimorado suas concepções musicais. Achava-se apto para o grande projeto que andara tramando com o parceiro Zé Ramalho desde a visita à "pedra encantada". Não perderam tempo e investiram em sérias pesquisas nas imediações. Eles caçavam a interpretação local, folclórica, mitológica sobre o admirável monólito escrito.

Nas adjacências vivia um grupo de índios cariris. Os músicos foram até eles, atrás da peculiaridade do seu tipo de música. Ouvindo, descobriram que os traços de uma cultura africana tinham se fundido à sonoridade dos indígenas.

Se fundamentado em registros arqueológicos, Zé Ramalho e Lula Côrtes concordaram que, a partir daquele ponto, haveria um caminho, que partia de São Tomé das Letras (onde existem registros da mesma escrita rupestre traçada na Pedra do Ingá) e conduzia até Machu Picchu, no Peru. A trilha que os Cariris chamavam de "Peabirú".

Chegar à mística Pedra do Ingá, hoje em dia, é fácil. Seguindo pela BR 101, no trecho Recife - Paraíba, as condições de tráfego são admissíveis, mesmo sem via duplicada. Pela estrada federal, as pequenas localidades vão se cruzando: Abreu e Lima, Goiana, Itambé, Jupiranga, Itabaiana, Mojeiro. Tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), a Pedra do Ingá (Pedra Lavrada, ou Itaticoara) é um dos sítios arqueológicos mais soberbos do mundo. O arqueólogo Vanderley de Britto, da Sociedade Paraibana de Arqueologia, já aguarda, no local, minha chegada.

Segundo ele, as inscrições são originárias de sociedades pré-históricas, nativos anteriores aos encontrados no Brasil pelos europeus. "Certamente, essas gravuras" , diz, apontando o imenso painel de rocha, "são obra de sacerdotes ou pajés. Visavam ritos mágico-religiosos que visavam sortilégios para tribo", Brito explica, com sua proficiência.

Próximo à pedra, sem ter de tocá-la, o arqueólogo continua sua explanação: "As representações registram o canto mágico solfejado pelos sacerdotes nas cerimônias", prega. A pedra, na opinião do arqueólogo, seria, para os nativos, um "meio de comunicação" com os deuses (ou deusas) da natureza. A estimativa da ciência é a de que as gravações já estejam ali por volta de três a seis mil anos. "Datação exata não é possível, porque o monólito está em meio ao riacho", esclarece o professor. Vestígios, por ventura, deixados pelos gravadores, ao cinzelar a pedra, foram arrastados no trespassar das águas do ancião Araçoajipe.

Dinossauros, o arqueólogo também confirma, habitaram a região. A probabilidade - nada prosaica - de me banhar no regato que, num dia qualquer da pré-história um tiranossauro rex sorvera metros cúbicos de água, passa agora de jornalismo a uma aventura que, com prazer, obrigo-me pôr em prática.

A água é morna. A sensação, arrepiante. "Animais de grande porte, como a preguiça e o tatu-gigante, no período mezosóico, habitaram a região: mastodontes, cavalos nativos e outros mega-animais também circulavam por aqui", ele lembra. Submerso na tepidez do plácido regato pré-histórico, um túnel do tempo dentro de minha cabeça fazia a imaginação vagar por mundos arcaicos desaparecidos na vastidão temporal.

De frente para o mar, lula Côrtes gosta de acreditar na epopéia interplanetária narrada em "Trilha de Sumé", a abertura de Paêbirú. "As gravações na Pedra do Ingá foram feitas com raio laser mesmo", afiança o artista, que cantarola a introdução da música, o alinhamento dos planetas: "Mercúrio/Vênus/Terra/Marte/Júpiter/Saturno/Urano/Netuno e Plutão". Os versos seguintes cantam a saga de Sumé, "viajante lunar que desceu num raio laser e, com a barba vermelha, desenhou no peito a Pedra do Ingá".

A cada descoberta que faziam com suas explorações, Côrtes e Ramalho notavam, na variedade de lendas, que todas eram sobre Sumé - entidade mitológica que teria transmitido conhecimentos aos índios antes da chegada dos colonizadores. "Todos os indícios levavam a Sumé. Até as palmeiras da região, por lá, são chamadas de 'sumalenses'", observa Lula.

Para "libertar" os indígenas da crença pagã, os jesuítas pontificaram Sumé como "santidade": virou São Tomé. O que explica, no Nordeste, o fato de muitos lugarejos terem sido batizados de São Tomé. "Aqui é o lugar de São Tomé!", os padres costumavam anunciar, ao chegar numa região nova.

Na Paraíba, resta uma cidade chamada Sumé. "Seja lá quem tenha sido Sumé, o que mais se sabe, no entanto, é que muito andou por essas bandas", brinca Raul Córdula. A despeito da evangelização católica, a memória do Sumé indígena segue viva em todo o Nordeste.

A crença indígena diz que, quando o pacifista Sumé se foi embora, expulso pelos guerreiros tupinambás daquelas terras, deixou uma série de rastros talhados em pedras no meio do caminho. Os índios acreditam que Sumé teria ido de norte a sul, mata adentro, descerrando a milenar trilha "Peabirú" - em tupi-guarani, "O Caminho da Montanha do Sol".

O historiador Eduardo Bueno, que passou anos de sua vida "veraneando" na praia de Naufragados, no sul da ilha de Santa Catarina, conta que tomou conhecimento da trilha lendo a aventura de Aleixo Garcia, o qual, após um tempo vivendo naquela praia, fora informado da existência de uma "estrada indígena" que conduzia até o Peru.

Após muitos verões chuvosos contemplando o lugar de onde o bravo Garcia havia partido em sua jornada épica, Bueno decidiu acompanhá-lo - mas na mente: "Mergulhei em todas as fontes que traziam relatos de sua viagem. Ficção não era. Tais fontes, embora, eventualmente, contraditórias entre si, eram da melhor qualidade". O resumo mais interessante da história, diz, é o que define Peabirú como "um ramal da majestosa Trilha Inca, que ligava Cuzco a Quito e, por sua vez, outra corruptela - de 'Apé Biru'". Em tupi-guarani, Apé significa "caminho", ou "trilha", e Biru é o nome original do Peru. Portanto, Peabirú significaria "Caminho para o Peru".

Havia três inícios principais desse caminho: um, partindo de Cananéia (litoral sul de São Paulo) e, outro, da foz do rio Itapucu, nas proximidades da ilha de São Francisco do Sul (litoral norte de Santa Catarina). Um terceiro saia da Praça da Sé, em São Paulo, seguia pela rua Direita, dava na Praça da República, subia a Consolação, descia a Rebouças, cruzava o Rio Pinheiros e... chegava no Peru. "Fico pensando porque nos roubaram o prazer de desfrutar essa história no colégio", brinca Bueno. "Pensando bem, não foi esse o único prazer que nos roubaram, foi?"

Muitas vezes procurado, Zé Ramalho declarou que "não quer mais falar sobre o assunto Paêbirú" - para ele, encerrado. Em algumas entrevistas, no entanto, coteja Paêbirú à Tropicália. Um dos comentários é sobre o jeito artesanal, "como se costurado à mão", que o álbum foi feito.

Agendo uma "audição comentada" de Paêbirú no ateliêr de Lula Côrtes. Enquanto, pacientemente, pinta o quadro de um farol, vai me explicando como tornaram possível (e viável) a engenhosa gravação do disco. O álbum - duplo - é dividido em quatro lados, de acordo com os elementos Terra, Ar, Fogo e Água.

Em "Terra", o resultado "telúrico" foi conseguido com tambores, flautas em sol e dó, congas e sax alto. "Simulamos, com onomatopéias, 'aves do céu', 'pássaros em vôo' e adicionamos o berimbau, além do tricórdio", ele conta. Contrariando a prática dos "encartes vazios", a gama de instrumentos utilizados está descrita na ficha técnica de Paêbirú.

Efeitos de estúdio, nem pensar: "Só havia as pessoas, vozes e instrumentos", comenta o artista. Certos efeitos, como o rasgar da folha de um coqueiro, por exemplo, muitos pensaram serem eletrônicos.

No lado "Ar", além de "conversas", "risadas" e "suspiros", selecionaram-se harpas e violas sopros para músicas como "Harpa dos Hares", "Não Existe Molhado Igual ao Pranto" e "Omm". Em "Água", as músicas têm fundo sonoro de água corrente. No mesmo lado, cantos africanos, louvações à Iemanjá e a outras entidades representativas do elemento. Na mais dançante, o baião lisérgico "Pedra Templo Animal", Lula Côrtes toca "trompas marinhas". Zé Ramalho pilota o okulelê.

"Fogo", como adverte o nome, é a faceta incendiária de Paêbirú. A mais roqueira também. Entram sons trovejantes: o wha-wha distorcido do tricórdio e a psicopatia do órgão Farfisa em "Nas Paredes da Pedra Encantada". "Raga dos Raios" conserva-se, mais de 30 anos depois, como a melhor peça de guitarra fuzz gravada no rock nacional: "Guitarreira elétrica & nervosa de Dom Tronxo", diz a ficha técnica. Onde andará Dom Tronxo?

O encarte sofisticado de Paêbirú é obra de Kátia Mesel. Além de designer, ela fez a produção executiva do álbum. "São mais de 20 pessoas tocando no disco - basicamente, toda a cena pernambucana e boa parte da paraibana", a cineasta enumera.

O disco só deu certo, na opinião de Kátia, porque foi feito com a alma e a criatividade soltas. "Num estúdio de dois canais, baby? Era o playback do playback do playback! A gente se consolava: 'Se os Stones gravaram na Jamaica em dois canais, por que a gente não?' Em 'Trilha de Sumé', Alceu Valença toca pente com papel celofane. [O disco] tem desses requintes", graceja.

Foi o zelo de Kátia, na realidade, que garantiu o salvamento de 300 cópias de Paêbirú da enchente de 1975. Ela guardara parte da tiragem na Casa de Beberibe, onde o casal morava - o ambiente em que muitas canções foram, gradualmente, tomando forma. "A sorte é que eu tinha deixado os discos no andar de cima. São esses que, atualmente, valem uma fortuna mundo afora", pontua Kátia.

Naquele tempo, Ramalho praticamente morava com o casal na Casa de Beberibe. A concepção gráfica do álbum foi obtida após muitas idas do trio à Pedra do Ingá. Na verdade, um quarteto, já que o irmão de Kátia, o fotógrafo Fred Mesel, seguia junto em algumas viagens. "Eu filmava em Super 8 e Fred tirava fotos da pedra com filme infravermelho", ela conta. A técnica fotográfica explica a tonalidade azul-cítrica da capa e da parte interior de Paêbirú.

Especial atenção foi dada à ficha técnica. No encarte central, fotos de todas as pessoas que participaram das gravações. Um detalhe é que todos os títulos foram montados à mão, um a um, em letra set. A diferença é que, a essa altura, Kátia era mais experiente: além de Satwa, também produzira a arte do único álbum de Marconi Notaro, No Sub Reino dos Metazoá-rios (1973). "Para lançar Paêbirú, criamos o selo Solar", acrescenta.

As substâncias psicodélicas, obviamente, foram muito importantes durante o processo de composição. Para Lula Côrtes, no entanto, só de estar perto da Pedra do Ingá, é possível sentir o xamanismo emanando do monumento rochoso: "Comíamos cogumelos mais como 'licença poé-tica mental'", justifica o artista.

Crosby, Stills and Nash, T-Rex, Captain Beefheart, Grand Funk Railroad e The Byrds eram as bandas mais ouvidas pelo grupo na época. Em meados da década de 1970, a maquiagem do glitter rock já estava borrada e, nos Estados Unidos, a semente punk aflorava nos buracos sujos de Nova York. A disco music ensaiava os primeiros passos de dança. Psicodelia, no mundo, era coisa ultrapassada: encapsulara-se nos remotos anos 60.

Zé da Flauta tinha 18 anos quando conheceu Lula e Kátia. No auge da repressão, a Casa de Beberibe era o templo da liberdade e da contracultura. "Aprendi muito sobre arte. Lá se conversava sobre tudo, inclusive se fumava muita maconha", confirma Zé. Ele tocou sax na vigorosa "Nas Paredes da Pedra Encantada". "Jamais me esquecerei, aliás: foi a primeira vez que entrei num estúdio e gravei profissionalmente como músico."

Outro que teve "participação relâmpago" foi o paraibano Hugo Leão, o Huguinho. Ele vinha das bandas The Gentlemen e os Quatro Loucos, nas quais Zé Ramalho tocava guitarra. Ramalho o chamou para participar como tecladista do "ousado projeto". Sua atuação ficou imortalizada no disco. São dele os riffs de órgão Farfisa em "Nas Paredes..."

Para assumir a bateria, Ramalho recrutou Carmelo Guedes, outro parceiro seu nos Gentlemen. A mágica, lembra Huguinho, começou logo que entraram no estúdio. As bases foram criadas na hora, como num susto: "Cravei um tom maior: Mi! O sonho começara. Os segredos da Pedra do Ingá, finalmente, pareciam que seriam desvendados. A guinada sonora ainda ecoa pelo espaço", acredita.

Em minha jornada, sigo para a capital paraibana. Em João Pessoa, Telma Ramalho, a prima mais jovem de Zé Ramalho, diz não esquecer uma passagem da pré-adolescência: a mãe, Teresinha de Jesus Ramalho Pordeus, professora de História, conversava com o sobrinho em seu escritório: "Zé contava a ela como se desenrolavam as gravações de Paêbirú".Uma lembrança viva é ter ouvido o disco aos 12 anos: "Não entendi nada. Só lembro de 'Pedra Templo Animal' e 'Trilha de Sumé', as mais pop", diverte-se.

Outra memória é ter apresentado uma réplica da Pedra do Ingá na feira de ciências do colégio. A trilha sonora foi Paêbirú. "Levei a vitrolinha e botei para rodar." Telma faz a contundente revelação: "Tive caixas de Paêbirú em casa. Uma verdadeira fortuna cultural e financeira".

Para Cristhian Ramalho, filho de Zé Ramalho e afilhado de Lula Côrtes, Paêbirú também tem significação especial: "Meu pai me levava à Pedra do Ingá quando criança. Ele ia para achar inspiração". Sem dúvida, diz Cristhian, Paêbirú e a Pedra ainda exercem influência sobre a sua obra. "Em 1975, ele escreveu uma poesia muito bonita, que diz: 'Venho de uma dessas pedras rolantes'. Houve, por parte dele, grande misticismo envolvido na minha chegada", conta, orgulhoso, o filho.

Uma das pessoas que, na época do lançamento, compraram o álbum foi a arquiteta Terêsa Pimentel. Aos 14 anos, em 1974, ela não sabia ao certo o que procurava na sua vida. Apesar disso, sabia "o que não queria". "Ouvíamos os locais: Ave Sangria, Marconi Notaro, Flaviola & O Bando do Sol, Aristides Guimarães, o 'udigrudi' nordestino. Vendi minha bicicleta Caloi verde-água para comprar Paêbirú. Hoje, sou feliz por ter vendido a bicicleta e ter adolescido naquela atmosfera", conta. Terêsa é irmã do músico Lenine, ao qual Lula Côrtes presenteou com sua última cópia de Paêbirú, há alguns anos. "Para tirar uns samplers", diz Lula.

De Jaboatão dos Guararapes, eu e Lula seguimos para a casa de Alceu Valença, no centro histórico de Olinda. Lula bate à porta do casarão. Festa quando Valença cruza o amplo saguão para saudar Lula, velho parceiro em Molhado de Suor, um dos seus primeiros discos.

"A gente tocou em 'Danado para Catende', que depois virou 'Trem de Catende'", Alceu conta. "Até então Lula só compunha, mas não cantava. Fiz a cabeça do pessoal da Ariola: 'O cara é o máximo!' Na gravadora, ninguém tinha a menor idéia de quem era o cara, muito menos que fizera algo como Paêbirú."

Souberam, no entanto, quando o álbum Gosto Novo da Vida, de Lula Côrtes, foi premiado como "a melhor venda do ano da gravadora Ariola", em 1981. Em três meses, vendeu 32 mil cópias. Depois, teve sua reedição emperrada por causa de um processo movido pela Rozemblit, que alegava plágio em uma música.

"Foi o primeiro artista que vi fumar no palco, no Teatro João Alcântara", diz Alceu. Ambos riem. Lula acende um cigarro. "Participei de Paêbirú. Dei uns gritos lá", resume Alceu. "Foi na reza de 'Não Existe Molhado Igual ao Pranto'", Lula emenda. "O estúdio da Rozemblit tinha acústica maravilhosa. Era o ambiente mais natural possível: cheguei e fui me deitando num canto. A banda tocava. Sonolento, me espreguicei: 'Ommmmmmmm...'."

"Foi como num mantra. Quando Alceu começou, todo mundo veio atrás e não parou mais", conclui Lula.

É nessa tradição do "livre espírito" que Paêbirú foi realizado. No texto homônimo - uma raridade datilografada só encontrada no interior dos LPs sobreviventes da cheia e escrito depois da ingestão de cogumelos colhidos no meio do caminho -, Lula Côrtes nos dá uma última idéia da grande aventura que foi Paêbirú: "Nós caçávamos o passado, e os corações se encheram de esperança com aquela visão. O caminho que havíamos abandonado mais atrás era o das Pedra de Fogo, outro pequeno aglomerado quase sem nenhuma chance de vida. A água é muito escassa. Conversávamos sobre as pedras. E ao longo, no horizonte, o lombo prateado da Borborema desenha curvas leves, demonstrativas de sua imensa idade. Os nativos tinham mapas nos rostos, o sol lhes rachou os lábios como racha a terra, as pedras duras e afiadas que dificultavam a caminhada lhes endureceu o riso. A informação parecia estar correta. Achamos o regato e acompanhamos o sentido. A água era clara e bastante salgada. A irrealidade se apossava cada vez mais dos nossos corpos e mentes, e toda a lenda que nos havia enchido os ouvidos, até aquele dia, parecia florar de tudo."

quinta-feira, 24 de março de 2011

SCREAM FOR ME BRAZIL !!!!

Iron Maiden inicia sua nona turnê pelo Brasil neste sábado
Por Augusto Gomes, iG São Paulo

Neste sábado, começa mais uma turnê do Iron Maiden pelo Brasil. A banda britânica, formada em 1975, detém o título de atração internacional de grande porte que mais vezes tocou por aqui. A atual série de shows marca a nona passagem do grupo pelo país. O caso de amor com o Brasil começou em 1985, quando o Iron tocou no primeiro Rock in Rio. A frequência das visitas aumentou nos últimos anos, com turnês em 2008, 2009 e agora em 2011.

"Eu sempre tenho vontade de voltar ao Brasil. É um dos meus lugares favoritos no mundo inteiro, e não apenas para tocar", elogia Bruce Dickinson, vocalista do grupo. De todas as passagens da banda pelo Brasil, a que ele lembra com mais carinho é a de 2009, quando eles tocaram no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. É o recorde de público do quinteto para shows fora de festivais: 63 mil pessoas.

"Foi muito divertido. Não apenas o show, mas depois de tocarmos também. Após a apresentação, nós nos sentamos em cima da linha de chegada do autódromo. E, no dia seguinte, corremos lá com um motorista profissional dirigindo bem rápido", recorda o cantor. "Eu sempre lembrarei desse show em Interlagos".

Dessa vez, o Iron Maiden tocará em seis cidades. A turnê começa no sábado (26) no estádio do Morumbi, em São Paulo. Depois, segue para o Rio de Janeiro (27/03, Arena HSBC), Brasília (30/03, estádio Mané Garrincha), Belém (01/04, Parque de Exposições), Recife (03/04, Centro de convenções) e Curitiba (05/04, Expotrade). Na capital paulista, o show terá abertura do Cavalera Conspiracy, na que será apenas sua segunda performance no Brasil.

Os shows promovem o disco "The Final Frontier", lançado em agosto de 2010. O álbum foi número um na parada britânica e número quatro nos Estados Unidos. A turnê começou no ano passado e, entre junho e agosto, passou pela América do Norte e Europa. Em fevereiro deste ano, ela recomeçou. Antes de chegar ao Brasil, já passou por países como Rússia, Indonésia, Austrália e México. Havia ainda dois shows programados no Japão, cancelados devido ao terremoto no início deste mês.

Segundo Bruce Dickinson, o repertório está um pouco diferente dos shows do ano passado. "Obviamente, podemos tocar mais músicas do disco novo, já que todos sabem do que se trata agora", explica. Mas quem quer ouvir antigos sucessos não terá o que reclamar. "Ao mesmo tempo, decidimos colocar algumas das 'velhas favoritas' de volta. Então vocês podem esperar uma boa mistura de antigas e novas".

Nas três performances que a banda fez até agora na América Latina, o repertório foi o mesmo. Portanto, é pouco provável que ele mude no Brasil. Veja abaixo:

01. "Satellite 15... The Final Frontier"
02. "El Dorado"
03. "2 Minutes do Midnight"
04. "The Talisman"
05. "Coming Home"
06. "Dance of Death"
07. "The Trooper"
08. "The Wicker Man"
09. "Blood Brothers"
10. "When the Wind Blows"
11. "The Evil That Men Do"
12. "Fear of the Dark"
13. "Iron Maiden"

Bis

14. "The Number of the Beast"
15. "Hallowed Be thy Name"
16. "Running Free"

Bruce Dickinson, vírgula

"Comecei tudo isso porque adoro tocar em público e contar histórias e criar imagens na cabeça das pessoas", explica Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden. "É por isso que gosto de fazer música. Leio artigos de bandas que dizem que começaram a tocar para pegar mulher, mas para mim isso é besteira. Claro, quando apareceram as mulheres eu falei, opa, legal, mas foi consequência, não o fator principal."

São 36 anos de carreira e muitos discos e turnês nas costas. Mas certas coisas não mudam para o Iron Maiden. "O importante é o show, a música. O resto é totalmente periférico. Para o Iron o principal sempre foi a música. Se isso soa sério demais, bom, é porque é."

O Iron Maiden está de volta ao Brasil esta semana para a turnê do álbum The Final Frontier, o 15º de sua carreira. Serão seis shows, começando em São Paulo no sábado (26), no Estádio do Morumbi. Depois vem Rio de Janeiro (HSBC Arena, 27/3); Brasília (Ginásio Nilson Nelson, 30/3); Belém (Parque de Exposições, 1/4); Recife (Parque de Exposições, 3/4) e Curitiba (Expotrade, 5/4).

Dickinson respondeu perguntas via email.

O que mudou nesta parte da turnê em relação aos shows feitos no segundo semestre do ano passado?

Decidimos mudar as coisas um pouco. Obviamente, podemos tocar mais músicas do novo álbum, já que todo mundo sabe como ele é agora. Tocamos cinco músicas do novo disco e recolocamos algumas antigas favoritas de volta no repertório. Então mudamos três ou quatro novas "velhas músicas", além das do album novo, quer dizer, metade do show está diferente. E tem o novo Eddie, é claro.

Fale mais sobre esse novo Eddie [gigantesco boneco de morto-vivo que é o "mascote" do Iron Maiden].

Acho que o principal é que a nova versão é bem mais realista que a anterior. O cara que o projetou é, na verdade, filho de Ray Harryhausen, que fez o primeiro Furia dos Titãs e animações clássicas para Hollywood nos anos 50 e 60. Então, estamos continuando essa tradição, mas de uma maneira moderna.

E já que o novo Eddie é mais alienígena e malvado, queríamos fazê-lo mais móvel, mas também bem realista. Ele é muito bom com as mãos, toca uma bela guitarra. Também tem sua própria câmera, a Eddiecam, conectada ao telão. Então você pode estar com o Eddie no palco, assistindo ao show atavés dos olhos dele.

Falando em efeitos especiais, quando o heavy metal apareceu nos anos 70, ele era considerado assustador e ousado para muita gente. E hoje? Virou apenas entretenimento?

Suponho que o heavy metal, quando apareceu nos anos 70, podia parecer assustador e ousado, e o Kiss tinha um pouco de culpa nisso. Mas depois o Kiss parou completamente de ser assustador. Viraram personagens de HQ.

Depende do que você quer fazer na música. Se você tem um monte de garotos correndo por aí, ficando bêbados, com um monte de garotas, e, vamos ser sinceros, com o monte de drogas que tem por aí, a bagunça vai rolar com certeza. E você não precisa estar numa banda de heavy metal para isso ocorrer.

Como você definiria a fase atual do Iron Maiden, dentro da longa história do grupo?

Agora, conseguimos atingir muitos tipos de pessoas. Não importa sua religião ou país de origem, parece existir uma corrente de pessoas que simpatiza com nossa música. Você não precisa ser branco, caucasiano e homem para curitr a música do Iron. Não precisa ser da América do Norte ou da Europa para curtir o Iron. Vejo isso agora que tocamos pela Ásia e desconfio que será o mesmo quando formos para a China. Não sei o que as autoridades da China vão achar disso, mas ei, é bom se acostumar.

Fonte: Virgula

quarta-feira, 23 de março de 2011

+ Iron Maiden

O Iron Maiden abre no próximo sábado, no Morumbi, sua nona visita ao Brasil. Vem para divulgar o álbum "The Final Frontier" e para continuar um "namoro" que já dura 26 anos.

Quando encerrar o show em Curitiba, no dia 5 de abril, completará 29 apresentações para os brasileiros desde o Rock in Rio, de 1985. Apenas Estados Unidos, Reino Unido, Inglaterra e Japão receberam mais shows da banda.

Em entrevista à Folha por telefone, da Cidade do México, o baixista, fundador e líder do Iron Maiden, o inglês Steve Harris, 55, elogia os brasileiros ("eles entendem de rock") e credita o sucesso a sua fidelidade à estrada.

Um dos maiores nomes do metal, realmente o Iron Maiden não para de excursionar. Feliz com a formação atual, com três guitarristas (Adrian Smith, Dave Murray e Janick Gers), Harris acha que, aos 36 anos de carreira, ainda quer "conquistar o mundo".

Folha - Por que Brasil e Iron Maiden se amam tanto?
Steve Harris - Não sei ao certo. Uma razão é que nós estamos sempre em turnê. É uma questão de fidelidade, a gente se dedica. Todo mundo na banda faz isso, gravamos os álbuns e saímos em turnê, sem projetos paralelos. Quando vejo tantos jovens nos nossos shows, muitos pais e filhos juntos, é realmente difícil de acreditar.

A banda vem ao Brasil pela nona vez.
É um namoro fiel. Nós não excursionamos tanto porque nosso público é fiel. É o contrário. Nós temos um público fiel justamente porque não paramos de viajar e tocar.

A banda tem fama de passar pouco tempo no estúdio...
"The Final Frontier" foi rápido, levou uns dois meses.

"The Final Frontier" é o disco mais longo que a banda gravou até hoje, com músicas de até 11 minutos. É para que os três guitarristas tenham espaço para os solos?
[Gargalhadas] Não, embora ajude. Quando gravamos, ninguém liga para a duração das músicas. Chegamos a pensar neste como um álbum duplo, mas não rolou.

"Eldorado" saiu antes do álbum. Os singles ainda são importantes para a banda?
Não. Na verdade, soltamos a faixa só para satisfazer a curiosidade das pessoas, não para vender como um single. Nunca fomos uma banda de singles. Nós nunca tocamos no rádio mesmo, por que se preocupar em lançar um música fora do álbum?

É verdade que a banda não tem sobras de estúdio para lançar no futuro?
Sim. É o nosso jeito de trabalhar, não gravamos 20 canções para escolher o que entra. Ali no estúdio já pensamos no que vai entrar no álbum, só gravamos essas.

Vocês querem terminar logo o disco e cair na estrada?
Sim, eu prefiro excursionar a gravar. Nos shows, tenho o mesmo prazer depois desses anos todos.

Há alguma banda com a qual gostaria de dividir turnê mas isso ainda não aconteceu?
AC/DC, sem dúvida, mas será difícil. Cada um é sempre a atração principal. Não vai ser fácil convencê-los a tocar antes de nós [risos].

O que o Iron Maiden ainda não fez? Resta alguma meta?
Tocar em lugares diferentes é o que move o grupo. Nesta turnê tocamos na Coreia do Sul pela primeira vez. Vamos tocar na China um dia. Enfim, a conquista do mundo, mais ou menos isso.

THALES DE MENEZES
Fonte: Folha de São Paulo