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por Juliano Mattos, de Praga, Republica Tcheca
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Nao é fácil descrever os 3 dias de festival. A melhor maneira de o compreender é através de imagens, que podem ser vistas aqui mesmo nessa matéria, e em muitos outros lugares nos confins da internet.
Uma das grandes novidades da 11° edicao do OEF foi o local. Depois de Trutnov, foi a vez de Svojšice acomoda-lo. O antigo local era muito melhor, isso é unanimidade para todos aqueles que já haviam ido ao festival noutras edicoes. Mas o que faz um festival sao as pessoas e as bandas, e nao o recinto em si, entao nao me parece que se possa dizer que este ano foi fraco, muito pelo contrário. Eu particularmente nunca vi um festival underground tao bem organizado e tao grandioso. Falhas houveram, mas foram mínimas e estiveram diretamente ligadas ao novo local, que carece dos servicos mais básicos, como transporte público e caixas para tirar dinheiro. E o único local existente para se comprar comida fora do festival era uma pequena mercearia que sem dúvida faturou mais nesses 3 dias do que em todo o ano. Esse é o grande problema da localidade, muito mais grave do que as condicoes específicas do recinto do festival em si, apesar dele também apresentar alguns problemas, como a falta de chuveiros para tomar banho. Fora isso, tudo correu lindamente!
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A seguranca: Nao eram segurancas profissionais. Alguns eram membros de bandas, como o Bilos, guitarrista de Malignant Tumour, e outros eram grinders realmente dedicados a causa. O único ponto mais negativo foi a forma como os segurancas tiravam do palco aqueles que nele subiam para fazer stagediving e ficavam lá por mais de 5 segundos. Nao houve nenhum ato violento nem nada disso, mas acho que eles poderiam ser menos brutos ao empurrarem o pessoal para baixo. No entanto, o OEF estabeleceu regras para stagediving e eles estavam cumprindo. De resto correu tudo bem. No momento mais tenso do festival, quando um gerador de energia incendiou-se bem ao lado da barraca de comida, os segurancas trataram rapidamente de retirar as pessoas de perto e agiram em conformidade com a situacao, sem que houvesse qualquer consequencia grave. Os bombeiros foram chamados e rapidamente apagaram o fogo, que havia atingido proporcoes consideráveis.
O preco: O bilhete para os 3 dias do festival custou 1000,- ČK (40 euros ou 108 reais). A princípio, achei caro. Bastante caro, até. Mas uma vez no local, pude observar todo o enome aparato montado, desde todas as pessoas envolvidas na seguranca, nas bancas de distribuicao de merchandise, no bar, nas barracas de comida, e ainda no custo de locacao do local, na divulgacao e nos gastos para fazer um festival com 60 bandas de 28 países, admiti que o festival valia cada um dos 4000 mil centimos de Euro.
Na entrada do festival, havia um local para trocar dinheiro por cupons. Somente os cupons eram aceites no bar e nas tendas de comida. O dinheiro só era usado nas muitas bancas de distros presentes. E eram realmente muitas. Contei cerca de 40! Um verdadeiro antro do consumismo de material ligado a música extrema underground. Nao sei se havia alguma coisa que nao se encontrasse por lá, desde CDs, Vinils, K7s, patches, camisas, etc...Cada cupom valia 28,-ČK (1 Euro vale atualmente 25,5,-ČK). Comprei 20 cupons por 420,-ČK, ou 17 euros.
Todas as bancas de distribuidoras aceitavam pagamentos em Euro ou Česka Koruna.
Informacao: O site do OEF formecia de forma bem detalhada toda a infomacao necessária. Nota 10 nesse quesito!
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Transporte: Foi fácil. A viagem de Praga a Pardubice, de trem, durou pouco mais de uma hora. Foi uma viagem super agradável, naqueles trens antigos, formados por cabines e com janelas de verdade, daquelas que podemos abrir e sentir o vento batendo no rosto. Infelizmente esse tipo de trem já nao existe em Portugal. Ao chegar em Pardubice, andamos cerca de 10 minutos desde a estacao de trem para encontrarmos o local de onde partiria o onibus especial diretamente para o festival. Aí vem a parte menos confortável e mais engracada. Na Rep. Checa nao há problema em superlotar um onibus intermunicipal. Foi assim no ano passado na ida de Praga para Hradec Kralové, aquando do Play Fast Or Dont, e foi assim este ano, para ir de Pardubice a Svojšice. O onibus era bem velho, vinha com uma placa com o nome do festival, e seu motorista era um cabeludo com toda a pinta de ser da organizacao. O velho onibus tinha a capacidade para cerca de 30 pessoas sentadas. Em Portugal é proibido, creio, transportar pessoas em pé em onibus intermunicipais e interregionais. Eu nunca vi isso acontecer. Na Rep. Checa nao é bem assim, e o onibus transportou mais do dobro de sua capacidade. 70 pessoas estavam ali seguramente. E só de pensar que isso foi feito diversas vezes...
Cuidados médicos: Havia uma ambulancia com enfermeiros logo na entrada do festival. Eu mesmo precisei de assistencia e fui prontamente atendido, com toda a higiene. Meu problema nao foi grave, apenas fiquei com um buraco no joelho ao pular do palco e cair diretamente no chao. Acontece! Vi gente em muito pior estado, com cabecas e bracos enfaixados e olhos esbugalhados.
Ambiente: Perfeito! O pessoal que frequenta esse festival é louco, completamente. Adoram comportamentos obscenos e adoram misturar cerveja com música extrema, mas nao vi uma única briga e os "excessos de alegria" foram muito reduzidos e sem maiores problemas. O ambiente é sem dúvida o melhor que o OEF tem para oferecer. Diverti-me como em nenhum outro festival e no final fiquei deprimido por ter acabado. Todos eram amigos de todos. Todos tiravam fotos com desconhecidos. Membros de bandas se perdiam entre o público. O clima era de festa mesmo! Conheci italianos, polacos, indonesios, mexicanos, canadenses, franceses...havia gente de todos os lugares. Até brasileiros!
Infraestrutura: Muito boa! O palco do OEF é, parafraseando a minha amiga Charlotte, "o-filho-da-puta-do-palco-mais-verdadeiro-de-sempre"! Acho que nem é preciso dizer mais nada. Ele suportou perfeitamente o peso de todas as bandas que nele pisaram. E além disso, do seu lado esquerdo estava montado um grande telao que transmitiu incessantemente todos os shows durante os 3 dias. Quando houve superlotacao, como no caso dos shows de Municipal Waste e Napalm Death, qualquer pessoa poderia acompanhar tudo confortavelmente lá do fundo, sentado na grama.
O som também estava bom, embora em relacao a isso eu tenha gostado mais da qualidade sonora do primeiro dia. Sobretudo na tarde do segundo dia o som esteve fraco, mas depois melhorou novamente. Eu vi o sonoplasta beber muita cerveja. Ele também tem direito!
Este vídeo, feito durante o show de Municipal Waste, mostra bem o que foi o OEF.
HellShow: Isso marca o nome do festival e lhe garante toda a obscenidade possível. Trata-se de um espetáculo para lá de bizarro. Pessoas realmente diabólicas e extremamente obscenas deliciaram as mentes mais pervertidas da plateia, inclusive a minha. Esse show teve uma demonstracao de suspensao feita com ganchos espetados diretamente na pele das costas de um homem e uma mulher, vestidos e fantasiados a rigor. Parecia o diabo em pessoa e a sua esposa. A nudez também estava presente, mas isso já nao choca ninguém. Até porque durante o festival haviam uns malucos totalmente nús, inclusive no meio do mosh e saltando do palco.
Clima: Os dois primeiros dias foram fantásticos. Muito sol e muito calor! Muita gente sem camisa, alguns totalmente pelados. Eu estava de calcoes de nylon e sandálias, parecendo um turista perdido ali dentro. Todos se sentiam a vontade e mesmo durante as duas primeiras noites o calor continuou. No segundo dia até arranjaram uma mangueira de bombeiro para refrescar as pessoas no final de cada show.
No terceiro e último dia é que a situacao mudou. Houve uma verdadeira tempestade durante cerca de 3 ou 4 horas. No final, estava tudo inundado, todo mundo molhado, e além da chuva, também fazia frio. E foi assim até o fim, mas de forma alguma estragou a disposicao das milhares de pessoas que lá estavam empenhadas em fazer festa.
Nota: Numa escala de 0 a 10, dou 20!
No próximo ano tem mais, e eu quero estar lá!
PS: Quero agradecer profundamente ao Banjo, a Charlotte, a Jenny, a Kate e ao Moska (por ordem alfabética) pela agradável companhia que representaram ao longo desses dias. E quero agradecer em particular a Charlotte por passar cerca de 2 meses me chateando na tentativa de me convencer a ir ao festival. Realmente nao me arrependi. Pelo contrário, quero mais!!!!!!!
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hehehehe!
ResponderExcluirMuito obrigado por publicar este meu testemunho aqui no Blog do Programa de Rock.
Será que um dia vai pintar um festival assim aí na nossa terrinha querida?
Valeu mesmo!
Ah! Se voce quiser poderei ser o seu correspondente no Play Fast Or Dont, outr grande festival (nao tao grande quanto o OEF), mas virado para o Crust/Fastcore.
ResponderExcluirAbracao.
Vai lá sacar o álbum de Energetic Krusher que postei para download no meu blog.
Opa, claro que sim, Juliano Mattos, colaborador oficial do programa de rock em solo europeu, tá decretado, hehehehe - Vc me apresentou o Energetic, não conhecia, adorei e vou tocar no programa, com certeza. Um grande abraço.
ResponderExcluirPorra, que massa. É uma honra poder dar uma ajuda ao teu projeto, que considero ser muito precioso!
ResponderExcluirMete pra rolar Energetic Krusher sim, esse álbum é lindo! Aliás, as 3 bandas desse pessoal sao fantásticas: Hellbastard, Hellkrusher e Energetic Krusher. Dá uma olhada nessa música nova de Helbastard:http://www.youtube.com/watch?v=4C1rY1vYVF8
Poe essa música pra tocar no programa e voce fará metaleiros e punks baterem cabeca juntos hahahaha