segunda-feira, 27 de julho de 2009

Inspiração e Transpiração



VENDO 147, THE BAGGIOS & THEE SWAMP BEAT BROTHERS
Capitão Cook, 18/07/2009

por Adelvan

Aracaju, sábado à noite, Capitão cook. Rock. Vendo 147 é uma banda instrumental baiana que retorna à cidade, desta vez como banda de verdade (na primeira vez em que tocaram aqui eram um projeto), para lançar seu primeiro EP. As bandas convidadas foram a Swamp Beat Brothers, Daysleepers e The Baggios.

Os Irmãos da batida do pântano de Itabaiana abriram a noite com o tradicional atraso de uma hora e lá vai cacetada e o já também tristemente tradicional recinto vazio apesar da multidão lá fora. Mas não se deixaram abater e prenunciaram o que viria a ser uma noite inspirada com um show vigoroso e energético. O som deles é garage rock, aquele mesmo, influenciado por aquelas mesmas bandas que nós, roqueiros sem vergonha, tanto amamos. Distorção seca e abafada na guitarra de Maicon, do meio para o final acrescentada de uma outra guitarra, do “Feio”, e eis que os Beat Brothes se transformam no Dr. Garage Experience. Grande show. Gritado, suado, riffado e espancado. Algumas músicas foram executadas numa cadencia diferente da que se ouve em sua primeira demo-tape, e ficaram melhores assim, o que demonstra que a banda está sabendo experimentar para evoluir e lapidar seu som. De petisco, alguns covers garageiros daqueles velhos e clássicos bandos de roqueiros vagabundos, alguns inclusive já partidos dessa para melhor, com destaque para o The Cramps. Um presente para os ouvidos calejados de quem se dignou a entrar no recinto para prestigiar esta pequena grande banda em sua primeira apresentação em Aracaju.

Daysleepers não pôde tocar, por problemas pessoais com um de seus integrantes, então tivemos o magnífico duo-maravilha The Baggios na sequencia. E foi, provavelmente, o melhor show deles que eu já vi até hoje. Não saberia explicar exatamente o que aconteceu, mas a banda estava especialmente inspirada, com Julico improvisando novos e espertos arranjos para velhas canções e acertando na mosca, levantando a galera e fazendo a festa sob o martelar certeiro da bateria de Perninha. Teria sido já esta maravilhosa apresentação uma conseqüência de um novo gás adquirido com a mini-turnê “Invasão sergipana” ? Não saberia dizer, mas espero que sim, e espero que eles continuem nesta trilha, procurando levar seu maravilhoso som para além das fronteiras de nosso pequeno estado e voltando sempre com as energias renovadas. Mas o destaque da noite foi mesmo a participação da “roqueira-mirim”, a mais jovem roqueira de Aracaju, uma garotinha de seus 7, 8 anos, que está sempre lá, no Cook. Fã do The Baggios, cantou com eles algumas canções, dentre elas uma nova que eles não faziam idéia de como ela conhecia a ponto de saber acompanhar a letra. Cantou e encantou. Na verdade arrasou, com uma perfomance cheia de trejeitos e caras e bocas devidamente registrada pelas lentes da Snapic e cujas fotos eu aguardo ansiosamente que venham a publico (opa, tá na mão, tá postada a foto, aí do lado. Agradecimentos à Snapic).

Mais uma memorável noite de rock em solo sergipano parecia já estar garantida, mas nosso cantinho do mundo ainda veria uma apresentação bombástica dos pioneiros da “clone drum” (dois bateristas dividindo o mesmo bumbo) no Brasil. Nem demorou tanto para que eles montassem a parafernália, ou era eu que estava tão embriagado pelo show da The Baggios que nem vi o tempo passar. Logo logo o rock já estava mais uma vez rolando em alto e bom som. Muito alto e muito bom som. Repito: Muito alto e muito bom. É até meio difícil descrever o som deles ... é pesado, em algumas passagens os riffs lembram Slayer. Ao mesmo tempo têm uma pegada de rockabilly e de surf music, sem ser nem uma coisa nem outra. Só ouvindo mesmo pra saber, e é bem fácil ouvir, é só clicar AQUI ou AQUI e voilá. Mas periga você, que não foi ao show, ficar se martirizando pelo resto da vida por ter perdido esta grande noite de rock and roll na veia, na artéria e no talo . Uma noite em que o publico sergipano, mais uma vez, não decepcionou, acolhendo calorosamente os baianos. Gatinhas da linha de frente assediaram sem dó nem piedade os músicos, especialmente o baixista e o guitarrista solo (o outro guitarrista é velho conhecido da galera, Duardo, ex Snooze e Vitais). E que baixista, e que guitarrista solo ! Mandaram MUITO, aproveitando com maestria as camadas sonoras fornecidas pela guitarra de Duardo e o massacre vindo das baterias. Momento pitoresco: num dado momento a “roqueira mirim” (preciso guardar o nome dela, é uma estrela) me perguntou porque eles tocavam de máscara, eu respondi que era porque eles eram feios, no que ela, espertamente, replicou: “mas as máscaras também são feias”. “é que eles são mais feios ainda”, eu insisti. Devo ter passado por mentiroso, pois quando eles finalmente tiraram as máscaras, no bis (assim como no show do Retrofoguetes o público não os deixava ir embora, nem mesmo depois de uma “megajam” recheada de riffs pra lá de clássicos do rock, de “Back in Black” do AC/DC a “purple haze” de Hendrix), ela pode conferir que não era bem assim. Um dos bateristas lá, um tal de Dimmy, por exemplo, é um gatinho.

Resumindo: Foi um rock do capeta.

Queremos mais.





4 comentários:

  1. Foi foda! Achoque isso resume bem que ocorreu nesse csanto do mundo, hehe.

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  2. Por graças a Deus uma banda de Itabaiana tocando em Aracaju, aqui tem Rock e de muita qualidade, por que não abrir espaço para as bandas de todas asa regioes, as vezes parece que ha certo "preconceito" ou conhecimentop de outras bandas, aqui tem Blues de muita qualidade Urublues, Dr garagem, Cleptones, Karranca dentre outras que estão começando, Por galera da uma força ao rock interio valeu abraço.

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  3. Antônio Carlos - Cuca7 de agosto de 2009 14:31

    Nossa!!! Quanta desinformação da parte deste sujeito chamado "Chapeu de Palha", às vezes fico a pensar se é pura ignorância ou burrice mesmo que faz pessoas desse tipo perder tempo com comentários infames e confusos como este.
    Meu querido, você precisa se informar melhor e se possível, se alfabetizar também.
    Em primeiro lugar, SEMPRE houve espaço em Aracaju para as bandas de Itabaiana ou qualquer outra cidade do interior, o que falta, é contato por parte das bandas que desejam tocar, divulgar o seu trabalho e não ficar choramingando ou reclamando um espaço que deve ser conquistado por mérito e não pela pressão de simplesmente existir.
    Em Itabaiana, assim como em outras cidades há bandas, que começando ou não, tem lá sua qualidade e seu valor. No caso de Itabaiana, vi o Karranca dar seus primeiros passos, vi também como entrou no marasmo de ficar quase 6 ou 7 ANOS com o mesmo repertório, salvo poucas variações de covers, vi várias outras bandas começar e terminar sem ao menos fazer mais de 3 shows e cada uma com seu valor, algumas até com uma qualidade muito além desta "volta" Karranqueira que até agora fez apenas um show e que pelo visto não teve grande repercussão, afinal de contas Itabaiana é relativamente pequena e se ninguém "do meio" comenta, é porque a coisa foi realmente de pouca importância ou pouco empolgante. Jogar confete em si mesmo nunca foi atitude desta banda até agora, fora esse "reclame" confuso do baixista da mesma.
    A Urublues é uma das mais importantes bandas sergipanas, É INCLUSIVE A PROVA CABAL DE QUE HÁ ESPAÇO PARA BANDAS DO INTERIOR TOCAR NA CAPITAL, pois tocaram muitas vezes em Aracaju, e prova também que há bandas de muita qualidade. Verdade também que há muita merda espalhada por aí, principalmente as repetitivas e cansativas bandas que seguem a cartilha de outras formulas de sucesso.
    O "preconceito" existe, mas é na cabeça de quem não se movimenta ou acha que por ter alguma qualidade, automaticamente deve receber os "louros da glória" rsrsrsrs
    Sem falar que é uma pena que a ignorância cegue estas pessoas ao ponto de não conseguir ao menos formular frases com algum sentido, ou formular uma crítica com o mínimo de eloquência.

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  4. Flavio Viana (chapeu de Palha baixista do karranca)
    Opa! Adorei o comentário Antônio Carlos, com toda certeza você estar coberto de razão em cada palavra, em cada vírgula e ponto de sua colocação verbal e nominal e de todas as informações estabelecidas nela.
    Nunca pensei que um comentário com tanta ignorância ou burrice incomodasse a pessoa desse tipo, a perder tempo com comentário infames e confuso como este de minha auditoria, autoria, não sei! Você entende?
    ‘’Por graças a Deus uma banda de Itabaiana tocando em Aracaju, aqui em Itabaiana tem Rock e de muita qualidade, por que não abrir espaço para as bandas de todas as regiões, às vezes parece que ha certo "preconceito" ou conhecimento de outras bandas, aqui tem Blues de muita qualidade Urublues, Dr. garagem, Claptones, Karranca dentre outras que estão começando, Por galera da uma força ao rock interior valeu abraço.’’ Engraçado heheheheheheheheheheh, como pequenos detalhes incomodam....

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