sexta-feira, 6 de maio de 2011

Korzus, uma entrevista

Confirmado no Rock in Rio desse ano, com um disco novo debaixo do braço e depois de uma turnê europeia, Korzus volta a ocupar destaque no heavy metal nacional e celebra bom momento.

por Marcos Bragatto
REG

Depois de voltar da primeira turnê na Europa em quase 20 anos, o grupo recebia amigos e parentes do estúdio Mr. Som, em São Paulo, onde o vocalista Marcello Pompeu e o guitarrista Heros Trench ganham a vida. Eram quase nove da noite quando a TV começou a passar o clipe da música “Truth” em pleno “Jornal Nacional”. Era a confirmação, direto de um evento em Ipanema, no Rio, de que o Korzus vai tocar no Rock in Rio desse ano, junto com convidados especiais que formam o chamado “The Punk Metal Allstars”. Uma notícia que, somada à tal turnê, à boa repercussão do novo álbum, “Discipline Of Hate”, e ao show de abertura para a alma gêmea Slayer, em junho, atesta que o Korzus está mesmo em alta no mercado.

Nada mais justo para o grupo que, formado em 1983, é um dos pioneiros do metal nacional e teve dias de glória no auge do thrash, nas décadas de 80 e 90. Quando o Sepultura dava as cartas, o Korzus vinha logo em seguida. Quem não se lembra do álbum “Mass Illusion”, de 1991, e do clipe para a música “Agony”? Depois de uma sumida, o grupo voltou com força total com o excelente álbum “Ties Of Blood”, lançado em 2004, tendo Pompeu e Heros já como produtores e impulsionadores dessa nova fase. Depois de um tempo para se reestruturar, o projeto de internacionalizar de vez a banda começa a dar frutos: “Discipline Of Hate” sai na Europa pela AFM Records e a turnê pelo Velho Continente agrada de vez a gravadora. E o clipe de “Truth”, a essa altura, já bate as 130 mil visitas.

A formação atual conta, além de Pompeu e Heros, com Antônio Araújo (guitarra, que estreia em disco), Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria). Mas no Rock in Rio, no Palco Sunset, espaço do festival destinado a encontros de mais de uma banda e/ou artistas, o show é com o The Punk Metal Allstars, que tem o guitarrista do Dead Kennedys, East Bay Ray; o ex-vocalista do Misfits, Michale Graves; o guitarrista do Exodus, Gary Holt; e o líder do Destruction, Marcel Schmier. Nessa entrevista exclusiva ao site Rock em geral, Marcelo Pompeu faz um balanço do bom momento, conta alguns detalhes do show do Rock in Rio, avalia criticamente a cena do metal nacional e fala dos próximos projetos, que incluem um novo álbum e mais uma turnê no exterior para este ano. Aproveitem:

Rock em Geral: Como foi a turnê que vocês fizeram uma turnê pela Europa agora no primeiro semestre?

Marcello Pompeu: No total foram 17 shows, em 22 dias. Começamos na Áustria e de lá fomos para a Alemanha, depois Suíça e Bélgica. Foi uma turnê junto com o Ektomorf, uma banda húngara residente na Alemanha, um pouco mais conceituada na Europa. Eram essas duas bandas e tinham outras duas de abertura. Foi ótimo, os shows foram em lugares que já são tradicionais no heavy metal mundial. Gostamos muito dessa turnê porque trouxe uma repercussão muito grande, conseguimos mudar radicalmente a visão da gravadora em relação ao Korzus, assim como acabamos tendo vários contatos ótimos em relação a produtoras de shows para as próximas turnês.

REG: A gravadora não estava acreditando muito em vocês?

Pompeu: É uma banda nova na Europa, e o nosso forte mesmo é o palco. No show de Hamburgo toda a cúpula da gravadora estava lá, foi ótimo, porque eles viram o show e mudaram completamente a concepção em relação à banda.

REG: Qual dos shows foi o melhor?

Pompeu: De público eles eram muito parecidos, tirando o ultimo show, da Bélgica, que eram basicamente os nossos amigos, foi mais uma festa. Todos os outros tiveram uma média de público muito parecida, as casas sempre lotadas. Para mim o que ficou foi o mais importante, o de Hamburgo, por causa da presença da gravadora e das principais agências de show da Europa. E nós fizemos um puta show maravilhoso, acabou tendo uma grande repercussão. Esse foi o show mais importante para nós. Hoje heavy metal na Europa é Alemanha, e a capital do heavy metal na Alemanha é Hamburgo.

REG: Qual foi a ultima turnê na Europa?

Pompeu: Foi em 1992, né? Na verdade sempre tivemos várias propostas nesses anos, mas nenhuma que tivesse a grandiosidade do Korzus. Uma coisa séria, bem dirigida, bem montada. Eu não vou sair daqui pra ficar fazendo acampamento na Europa, tocando em botequinho pra ganhar a cerveja. Temos outro padrão de vida aqui, e, no mínimo, uma turnê na Europa tem que condizer com isso. Sabemos que é um caminho novo, que somos uma banda nova, estamos começando um trabalho, mas também não é por isso que vamos fazer loucura, porque para ir de qualquer forma para a Europa eu prefiro ficar no Brasil.

REG: E o disco novo, “Discipline Of Hate”, tá rolando legal lá?

Pompeu: Tá indo bem. Depois da turnê deu um impulso muito grande, todos os CDs daqui do Brasil e aqueles que a gravadora forneceu foram vendidos. Toda a merchandise foi vendida, e os números, agora, na gravadora, dobraram. Tanto que era para fazermos uma turnê no meio do ano, nos festivais, mas deixamos para o final do ano, porque estamos com uma proposta melhor para o Leste Europeu entre outubro e novembro. A ideia era fazer duas turnês na Europa em 2011, não três. Todos temos outros compromissos na música aqui. Os festivais vão ficar para o meio do ano que vem.

REG: Esses dois álbuns que marcaram a volta do Korzus (“Ties Of Blood” e “Discipline Of Hate”) são bem pesados e parecidos. Como você compararia os dois?

Pompeu: Ah, é a sequência do trabalho, são músicas diferentes, mas no mesmo estilo thrash metal que é a marca do Korzus. Em todos os discos a gente tenta colocar elementos diferentes, algumas músicas malucas com elementos que em geral nós não usaríamos. Temos a tradição de sempre fazer uma homenagem ao punk/hardcore, que nesse caso é “Hypocrisia”, sempre em português (em “Ties Of Blood” é “Correria”). A gente tem uma ligação grande com esse tipo de música. Mas esse disco é uma sequência do “Ties Of Blood”, é rápido, pesado, às vezes com grave, com groove. Colocamos um pouquinho mais de melodia do que nos trabalhos anteriores. Já estamos fazendo novas músicas e queremos fazem um álbum anda melhor que o “Discipline of Hate”.

REG: As músicas desse disco são todas novas ou tem coisa que ficou do anterior?

Pompeu: Tem uma regravação de uma música que só entrou como bônus no disco do “Monsters Of Rock” (“Live At Monsters Of Rock”, de 2000) , “Last Memories”. Todas as outras são inéditas, inclusive tem música que não entrou, umas duas ou três, que guardamos para o novo trabalho.

REG: Houve mudança do guitarrista, entrou o Antônio Araújo no lugar do Silvio Golfetti…

Pompeu: É mais uma cabeça pensante, mas o principal de tudo não é ele trazer influência ou modificar isso ou aquilo. O mais importante era ele se ajustar ao nosso estilo, entrar na nossa família e se ajustar ao nosso estilo, e o Antônio foi perfeito nisso. Quando ele pegou o sentimento musical da banda, ele desenvolveu muito, fez muitas músicas e letras, trouxe muitas ideias. Foi um cara bem atuante na concepção e na composição do “Discipline Of Hate”.

REG: O Silvio tocou numa música…

Pompeu: O Silvio tinha uma ligação muito grande, era a despedida dele da banda, então nada mais justo do que entrar alguma coisa com ele. Nesse disco, inclusive, tem uma composição dele, que é a “Slavery”.

REG: A saída foi tranquila, então…

Pompeu: Foi uma opção dele, nem me compete analisar. Em nenhum momento a banda queria que ele saísse, não foi uma opção da banda, e sim dele.

REG: Você e o Heros têm produzido os discos do Korzus. Não há a necessidade de ter um produtor de fora da banda?

Pompeu: Somos muito abertos para essas coisas, para mim e para o Heros, tanto faz. Mas as pessoas que gostaríamos que produzisse um álbum nosso são pessoas muito caras, é inviável nesse momento. Então, em vista do que eu posso pagar, prefiro fazer que eu me garanto muito mais.

REG: Quem são esses produtores caros a que você se refere?

Pompeu: O Andy Sneap (Arch Enemy , Megadeth) é um cara que eu gostaria muito que fizesse uma produção do Korzus. O Rick Rubin (Slayer, Metallica)… Mas esse é um outro patamar financeiro. A coisa ali é mais difícil. Fora esses nomes, seria só para colocar o nome de um gringo para ver se vai acontecer alguma coisa na carreira. Mas se a música não falar, não adianta. Em questão de qualidade nós nos garantimos muito. A turnê foi boa até nesse sentido, tem banda lá de fora que tá conversando com a gente para produzir álbuns internacionais. Até nisso o disco tá dando retorno.

REG: Com rolou o convite para tocar no Rock in Rio?

Pompeu: Sei lá, eu acho que a banda tá em alta, é um momento muito bom. A carreira da banda cresceu muito com esse disco, e mesmo de uns dois ou três anos pra cá. Ficamos quietos em 2009, sem tocar, só preparando uma estrutura, montado as coisas que nós precisávamos para poder entrar nesse projeto que é a internacionalização do Korzus. É um trabalho que tá dando resultado, estamos recebendo de volta tudo o que foi investido e pensado. Esse é um álbum de sucesso, não é porque é a minha banda e eu produzi, mas ele tá com uma aceitação ótima aqui no Brasil. A nota mínima que tivemos foi 9,5! Lá fora também tivemos grandes resenhas. Enfim, é um momento de alta da banda. Então nada mais justo do que aparecer o Rock in Rio na sua vida. Não foi nada programado, estávamos na Europa em turnê, sabíamos que houve a sondagem, mas não sabíamos no que ia dar. Quando chegamos no Brasil houve uma festa meio surpresa aqui no estúdio, com familiares, amigos. Foi mais ou menos na hora do “Jornal Nacional”, e, de repente a gente vê o nosso videoclipe e a confirmação do nosso nome. Nosso empresário rindo, porque tava guardando a notícia à sete chaves. Acho que é o reconhecimento de tudo que o Korzus já fez pelo metal, do que representa o heavy metal brasileiro e uma coroação desse momento de alta da banda.

REG: É o melhor momento de todos os tempos ou teve outros na fase inicial?

Pompeu: Eu acho que é o melhor momento, com esse time. Essa produção que trabalha com a gente, tanto a equipe brasileira como a equipe alemã, nós estamos muito bem estruturados. A nossa cabeça também é completamente diferente da dos anos 90. Hoje, todo mundo vive do heavy metal, vivemos de música, somos música 24 horas. É uma outra situação completamente diferente. E o momento é melhor porque te proporciona uma situação melhor. E hoje o tamanho do metal no Brasil é outro, você não pode comparar a fase de hoje com vinte, vinte e poucos anos atrás. O público era menor, os espaços eram restritos, a mídia era pequena. Porque nós não precisamos da mídia normal, temos a nossa própria mídia no heavy metal, impressa, virtual, TV e rádio. Hoje é completamente diferente e por isso eu posso dizer que esse é o melhor momento da banda. A tecnologia está do nosso lado. Dois integrantes da banda são produtores, tudo facilita na nossa carreira.

REG: Você preferiria tocar no Palco Mundo (o principal) do Rock in Rio, ou o Palco Sunset tá de bom tamanho?

Pompeu: Eu não me preocupo com isso, vou lá para mostrar meu trabalho, e tenho certeza que naquele momento, na hora da nossa apresentação, todos que estiverem dentro do festival vão para frente do palco, porque não existe coincidência de horários. Tem um lance de eletrônico lá, mas o público headbanger não vai se ligar nisso. Então, se não tem outra atração no mesmo horário, é indiferente se é Palco Mundo, país ou cidade, o importante é fazer parte da história do maior festival de música do mundo. Queremos fazer uma grande apresentação para, quem sabe, no futuro essa parceria com o Rock in Rio possa perdurar por anos. Daqui a dois anos vai ser no Brasil de novo, tem a versão em Lisboa, em Madri. Se fizermos um bom trabalho, e da forma que estamos trabalhando na Europa, temos tudo para tocar em outras edições no festival, no Brasil e no exterior.

REG: E os convidados? Como vai ser o show?

Pompeu: Há pessoas que fazem a direção do trabalho do Korzus – brasileiros e alemães -, estamos muito bem assessorados. Então os convidados foram escolhidos por eles, nós estávamos na Europa e eles estavam aqui e tinham que ter os nomes. Houve o convite, foi passado o formato da apresentação, e eles, para viabilizarem o negócio, já foram atrás dos nomes. O Schmier (Destruction) é grande amigo nosso, o Gary Holt (Exodus), que foi o primeiro nome sugerido, também é um grande amigo do Korzus. Tem o rapaz do Dead Kennedys, o East Bay Ray (guitarrista), que eu vou conhecer agora, assim como o Michael (Graves), do Misfits. Mas tenho certeza que vai dar tudo certo, estamos nos comunicando por e-mail, só falta se conhecer pessoalmente mesmo.

REG: Não vai ser um show normal do Korzus…

Pompeu: Nós temos uma hora de apresentação e vai ser dividido em duas partes: 20 minutos de Korzus, meia hora com o Punk Metal Allstars, e depois o Korzus volta e faz os dez minutos finais para encerrar. É uma coisa muito legal, vai ter várias surpresas, vamos tocas as conhecidas com os nossos convidados para a galera pode se divertir e cantar junto. Como eu disse, a escolha dos nomes foi boa porque nós temos essa ligação muito grande com o punk e o hardcore. Então ter um nome do Dead Kennedys e um nome do Misfits é sensacional.

REG: Já tem mais ou menos o repertório do show?

Pompeu: Ah, vamos fazer umas surpresas, nós vamos chegar antes, temos um esquema armado para os ensaios. Mas todo mundo já vai ter feito a lição de casa antes, e só vamos ver como as coisas vão soar. Estamos bem felizes com isso e os convidados estão honrados com esse convite.

REG: Tinha outros nomes que vocês queriam chamar, mas não conseguiram, por questões de agenda?

Pompeu: Para te falar a verdade eu não sei, porque quando chegaram esses nomes eu já aprovei na hora, porque gosto muito de todas as bandas que estão envolvidas. A única coisa que ficou mais difícil foi esse problema do Gary Holt, que passou a tocar com o Slayer e ninguém sabe o que é direito (Holt está substituindo Jeff Hanneman, que se recupera de um problema no braço). Quem pode entrar no lugar dele é o rapaz do Suicidal Tendencies (Mike Clark), mas não sabemos direito como vai ser, na verdade. Só vamos saber no dia 9 de junho, quando vamos tocar com o Slayer aqui em São Paulo e vamos saber direitinho sobre toda essa situação.

REG: Outro dia o Gary Holt não pode tocar e quem tocou foi o guitarrista do Cannibal Corpse

Pompeu: Vamos analisar isso direitinho, vamos estar com eles no dia 9 de junho e poder ver todo esse tipo de posição. Quem sabe a gente não venha com um nome muito maior, uma surpresa muito maior?

REG: Está animado com a abertura para esse show do Slayer?

Pompeu: É o momento de alta que eu falei, um convite maravilhoso que surgiu pra gente, não temos do que reclamar. Sempre falam que o metal é isso, que as pessoas são aquilo, que ninguém apóia isso ou aquilo outro. Eu sou um hipócrita de marca maior (risos). Acho sensacional a fórmula do Rock in Rio, o valor do ingresso e sem esse negócio de pista vip, pista diabo, pista anjo… isso é ridículo. Há pouco tempo eu estive em Florianópolis para o show do Motörhead, e tinha pista vip numa casa que mal cabiam 1500 pessoas. Então eu tenho que aplaudir a iniciativa do Medina (Roberto Medina, presidente do Rock In Rio) em fazer uma coisa única, de acabar com essa palhaçada. Para o Rock in Rio seria muito fácil colocar a pista diamante, pista prata, pista ouro e a pista pérola e ganhar muito mais dinheiro. Que sirva para outros produtores esse exemplo. Com o maior festival de música do mundo nas mãos, ele já tem a filosofia dele, consegue enxergar um pouco além do que os olhos podem ver. A pessoa que gostaria de ficar próxima do palco, que é o grande fã que chega um dia antes, fica, não aquele que tem mais dinheiro. A iniciativa do Medina de preço único de ingresso é um tapa de luva de pelica em todos os outros produtores. Não vou condená-los, cada um sabe onde a água bate, mas vamos pensar numa forma onde se possa privilegiar a todos.

REG: Como você vê a cena metal no Brasil hoje?

Pompeu: Eu vejo um crescimento muito grande na cena nacional, logo mais vai ter disco novo do Sepultura (“Kairos”), que eu tenho certeza que vai ser um arregaço. Nesse ano de 2010/2011, tudo que saiu de banda brasileira foi muito bom, a cena tá muito forte, muito mais do que meia dúzia falam aí na mídia. Esses que ficam metendo o pau são pessoas que perderam seu espaço por “n mil motivos”. Tanto por qualidade de trabalho como posição pessoal e por caráter. São palavras que entram por um ouvido e sai pelo outro. Porque heavy metal não é isso, heavy metal não tem dia para se comemorar. Heavy metal você ouve todos os dias e comemora todos os dias. Eu não concordo com esse tipo de filosofia, eu não concordo com benefícios próprios, com o nome de um estilo musical, que quando eu comecei as pessoas nem eram nascidas. E não concordo com uma pessoa determinar quais as principais bandas, as maiores bandas do Brasil, e se colocar. Eu não concordo com isso.

REG: Você está se referindo a quem exatamente?

Pompeu: Eu não quero dizer nomes porque não vem ao caso, mas todo mundo sabe. Se você se aprofundar um pouquinho dentro do heavy metal, vai entender o que eu tô falando. Ficar dentro do Facebook buscando votinhos, “apoinhos” e coisinhas… Se é tão grade porque que vai fazer isso? Só diz quer vai fazer um show que tem que encher, essa é a real. Faz como o Sepultura, come quieto. Essa sim é a maior banda do Brasil, da história do heavy metal brasileiro. Max Cavalera e Iggor Cavalera fazem parte de uma outra história do Sepultura. O Sepultura é com o Derrick (Green, vocalista) e com o Jean (Dolabella, baterista), e eles tão fazendo um puta som, tão com uma banda sensacional, uma equipe maravilhosa, de alta qualidade. A gente só tem que aplaudir.

REG: Eles também estão num momento muito bom…

Pompeu: Maravilhoso, por isso que eu digo, o que tá acontecendo hoje é que o heavy metal brasileiro tá sendo medido pela qualidade do artista. Como tem esse Violator, que tá crescendo muito, é sensacional. É verdadeiro, é de qualidade, é para fazer sucesso mesmo. Eu aplaudo. Tem o Torture Squad, que a cada ano cresce mais nesse país. O Angra voltou com força total, com um disco maravilhoso. É uma banda muito importante para o metal brasileiro, porque heavy metal não é só thrash metal, tem o melódico, tem o prog. Eu fui num show do Krisiun no Hangar 110 (casa de shows em São Paulo) há pouco tempo, foi espetacular, tava lotado. Tem pessoas que em vez de dar um tempo, voltar a ter qualidade, fazer um trabalho bombástico e ser honesto consigo próprio e com o estilo que representa, não fazem isso ficam falando um monte de besteira. Correr atrás de verba cultural para beneficio próprio e o caramba… Vai fazer trabalho filantrópico!

REG: Tem alguma coisa do disco novo que você pode adiantar?

Pompeu: Eu sou suspeito, vou dizer que tá ficando maravilhoso. Já temos muitas ideias, estamos selecionando, cada um grava coisas e mostra para todo mundo. Tem músicas do Antônio que encaixa na música do Heros, tem música do Rodrigo que encaixa na música do Dick e por aí vai. Tá ficando sensacional, é a sequência do “Discipline Of Hate”, cada vez mais com uma coisinha para determinar mesmo o nosso estilo, a nossa história e aquilo que nós defendemos no heavy metal. Mas nada para tocar ainda, estamos na fase de divulgação desse novo disco. É que estamos com uma formação maravilhosa, então não tem como ficar sem compor, com medo disso, medo daquilo. A banda tá muito estável, regular, tá tudo rolando muito bem pra gente.



# 187 - 06/05/2011

Opa, para tudo: Acabo de ficar sabendo, via Portal Rock Press, que o Atari Teenage Riot, um dos "favoritos da casa", disponibilizou um single de seu próximo álbum no site oficial do grupo. Chama-se "Blood in my eyes" e na letra Nic Endo, que faz os vocais, fala em nome das mulheres vítimas de tráfico humano. Abrirá o programa de rock de hoje, e virá bem acompanhada com “Legacy Was Yesterday”, faixa nova do Napalm Death.

Na sequencia, 4 faixas de "Sonic Mambo", o primeiro disco do Eddie, na série "Discoteca Básica", seguidas de um cover de "Desequilibrio" gravado por Nasi, ex-Ira!, em seu último trabalho solo. O Eddie tocará amanhã em Aracaju, no Cinemark do Shopping Jardins, na festa "Será que a Notívagos volta?". Haverá também a exibição do filme "Somewhere", de Sofia Coppola, ainda inédito nos cinemas da cidade, e uma apresentação dos Mamutes. Por conta disto veicularemos, também, um bloco com musicas extraídas das trilhas sonoras dos filmes da filha do "poderoso chefão": "As Virgens suicidas" (Air), "Encontros e desencontros" (The jesus & Mary Chain, claro) e "Maria Antonieta" (The Cure, New Order e Aphex Twin). De "Somewhere", a faixa que abre e fecha o disco, dos franceses do Phoenix.

No "Bloco do ouvinte" nossa já habitual colaboradora, Rosi, vai mostar o que é que a Bahia tem. Diz ela que irá aos estudios apresentar ao vivo, é ouvir para conferir. Completando o set, o Drop Loaded nosso de toda semana e alguns punk rocks clássicos: Sham 69, espécia de "banda-mãe" do punk/oi!, skinhead em sua formação porém sem vinculação com a extrema direita; The Undertones, da Irlanda do Norte, com seu rock dançante totalmente inspirado nos Ramones; The Saints, precursores do punk rock australiano (a banda é de 1974!); Penetration, cujo nome foi retirado de uma música de Iggy & The Stooges, e os vocais femininos de Pauline Murray; Vibrators, punk rock com belas melodias que influenciou meio mundo, e The Adverts, que não tinha o menor pudor em ser punk rock e ao mesmo flertar com o sucesso comercial. Gaye Advert , baixista/vocalista, foi definida pela The Virgin Encyclopedia of 70s Music como "the first female punk star".

Até mais !

A.

#

Atari Teenage Riot - Blood in my eyes
Napalm Death - legacy was yesterday

Eddie - " Sonic Mambo "
( Discoteca Básica )
# Videogamesongs
# Pedra
# Eu só poderia
# Buraco de bala

Nasi - Desequilibrio

Redhead Outdoors:
# Ice Cream and libertines
# Car Queen killers
( Drop Loaded )

Sham 69 - Bostal Breakout
The Undertones - smarter than you
The Saints - (I´m) Stranded
Penetration - Don´t dictate
Vibrators - Judy Says
The Adverts - Gary Gilmore´s eyes

Phoenix - Love like a sunset
The Jesus & Mary Chain - just like honey
Air - Playground love
New Order - Ceremony
Aphex Twin - Avril 14th.
The Cure - All cats are grey

Aqueronte - Tears and Blood
Burning Heart - Imaginations
Cruzadas - Idade das trevas
Canto dos Malditos na Terra do nunca - qualquer intenção
( por Rosi Matos )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DRI, uma entrevista

Entrevista concedida no dia 17 de abril, momentos antes do show em São Paulo, pelos membros fundadores remanescentes da banda, Kurt Brecht (vocais) e Spike Cassidy (guitarra). Publicada originalmente no site "whiplash".

Por Fernanda Lira

O D.R.I. é originalmente do Texas, enquanto a maioria das bandas de thrash dos anos oitenta nasceu na Califórnia. Como era a cena no Texas quando vocês começaram?

Kurt Brecht: Bem, quando nós começamos no Texas, curtíamos e vínhamos de uma cena bem hard core e então não sabíamos como era a cena metal por lá, já que as bandas desse estilo não tocavam nos mesmos lugares que tocávamos.

E quais eram suas influências naquela época? Quais bandas vocês costumavam ouvir e então colocar elementos delas em suas músicas?

Kurt: Bandas de hard core da Califórnia, nadas de hard core do Texas, bandas de Washington D.C., como Minor Threat e Misfits de Nova Iorque, Bad Brains.

Falando em Misfits, vocês tocaram com eles no Abril Pro Rock aqui em Recife há alguns dias atrás. Como foi o show?

Kurt: Eu sempre gostei deles e o show foi ótimo. É difícil de descrever, sabe... Vimos o show de graça, tínhamos passes para o backstage. Muito legal!

Nesse mesmo festival você tocou junto a algumas bandas brasileiras. O que você achou delas?

Kurt: Sim, tocamos com o Violator e algumas outras bandas. Eles são bons.

E quanto ao público de lá? Qual sua opinião?

Kurt: Eles tem sido loucos todas as noites, mas acho que em São Paulo será o melhor lugar de todos! (N. da R.: A entrevista foi conduzida minutos antes do show em São Paulo começar). Mas todas as noites têm sido legais.

Voltando um pouco novamente ao passado da banda, por que vocês decidiram sair do Texas e ir para São Francisco?

Kurt: Outras bandas como Verbal Abuse já tinham ido para lá e morado lá por um tempo e nos disseram: “Vocês deviam ir para lá! As pessoas darão mais atenção para a banda lá”. O Texas tinha pouco espaço para a cena, e em algumas semanas já tínhamos tocado em todos os lugares possíveis e então todas as pessoas já tinham visto a banda um milhão de vezes, pois tocávamos a toda hora. Em São Francisco isso não ocorreria durante um bom tempo.

Muitos dizem, e eu concordo, que vocês criaram um estilo de música, o crossover thrash, que influenciou várias bandas. Qual seu sentimento em relação a isso?

Kurt: É maravilhoso! O fato de termos criado um estilo que influenciou bandas como Hatebreed e Anthrax, que também fizeram com que o estilo fosse cada vez mais adiante, é muito gratificante. Se contar que nós fomos influenciados também. Eles mesclaram o metal com uma vertente mais agressiva e rápida e nós viemos do thrash e passamos a misturar com elementos mis característicos do metal. Estamos todos juntos na cena: tocamos juntos em alguns shows e chegamos até a pertencer às mesmas gravadoras por um tempo.

Quando eu ouço os álbuns da banda, eu percebo que há claramente uma evolução nas músicas. No primeiro disco, “Dirty Rotten EP” vocês têm 22 músicas em 18 minutos, e nos próximos, como “Dealing with It” e “Crossover”, vocês já passam a mesclar thrashcore, com crossover e elementos de metal. Como você analisaria essas mudanças?

Kurt: Bom, na época em que aparecemos com o “Crossover” já estávamos fazendo bastante turnês, tínhamos algo como 50 músicas, todas muito pequenas e rápidas, e então começamos a achar que precisávamos acrescentar algo entre aquelas músicas, para torna-las mais interessantes. Em Nova Iorque as bandas começaram a inserir passagens mais lentas, mas pesadas e trabalhadas e mesmo assim as pessoas continuavam agitando as músicas, mesmo que de uma forma mais lenta, e nós passamos a gostar daquilo e de bandas como Slayer e Metallica.

Spike Cassidy: Foi também uma evolução que ocorreu por estarmos ouvindo bandas novas. No começo só escutávamos bandas como Dead Kennedys, Circle Jerks e Black Flag, Minor Threat e por isso tendíamos a tocar sons curtos e rápidos. Mas quando passamos a ouvir Slayer e Metallica, que gostávamos muito, começamos a compor de forma diferente.

Há uma pergunta que sempre direciono às bandas e que eu sei que é bem difícil de ser respondida. Mesmo assim, gostaria de saber de vocês qual álbum vocês acham que melhor descreve a banda?

Kurt: Hum... Acho que “Dealing with It” é o mais clássico, porque nele nós regravamos as músicas antigas, mas também acrescentamos algo de diferente, mais metal, nelas. Com ele, headbangers começaram a aparece em nossos shows dizendo que tocávamos metal, e eu falava “Sério?”. Então eu diria que seria o “Dealing” que melhor nos descreve, pois ele é o álbum que contém maior variedade de estilos.

Spike: É realmente difícil escolher apenas um que melhor descreva a banda, mas eu também fico com o “Dealing with It”, porque é um álbum que mistura bem o punk e o metal. Digamos que ali você encontra 50% de cada um deles.

O que eu acho interessante em seus shows é que vocês atraem diferentes tipos de público. Quando assistimos ao “Live at the Ritz”, por exemplo, podemos ver punks, headbangers...

Kurt: É perfeito para nós, pois podemos tocar em vários lugares diferentes. Por exemplo, só no ano passado fomos headliners de um festival de punk, depois de um de hard core e depois de um de death metal. Então para nós é muito legal que haja essa mistura. Assim atingimos um número maior de pessoas com o nosso trabalho.

Quão diferente vocês acham que a cena é desde quando vocês começaram a tocar até hoje?

Kurt: Eu acho que agora é mais homogênea e não tão segregada. Antes era tudo mais separado. Se você ia a um show de hardcore dificilmente encontraria um headbanger cabeludo, mas hoje em dia isso se tornou mais aceitável.

Spike: Antes era complicado mesmo. O pessoal se preocupava muito com essa coisa das ‘tribos’. Hoje em dia as pessoas se importam mais com a música e com se divertir.

Por que vocês passaram tanto tempo sem lançar um álbum?

Kurt: Nós simplesmente passamos muito tempo em turnê. Quando lançamos o “Full Spead Ahead” passamos três anos viajando sem parar. E é assim que tem sido: você volta da Europa e te querem viajando pelo Japão, então quando você volta pra casa já tem que se preparar para ir à América do Sul... Sem contar que demora muito gravar um disco, esperar ele ser lançado e só depois cair na estrada. Então, depois de passarmos um tempo parados, optamos por aproveitar o máximo de novo o tempo que passamos viajando pelo mundo.

Mas, no momento, vocês têm planos de voltar a compor algo para um futuro trabalho?

Kurt: Sim, mas cada coisa tem seu tempo. Não é simplesmente chegar no estúdio e gravar o álbum.

Em 2004, por que vocês lançaram uma faixa demo online, chamada “Against Me”, que saiu do ar pouco tempo depois?

Kurt: Bem, gravamos aquela música em um dia de folga durante uma turnê na Europa. Nós tínhamos umas quatro músicas novas prontas, mas só tivemos tempo de colocar os vocais em uma e por isso ela foi lançada. Mas o tempo era muito curto para compor, gravar e lançar um álbum novo.

Spike: Sem contar que hoje em dia temos um grande problema acontecendo em relação aos discos. Uma pessoa compra e em segundos milhares tem acesso a ele gratuitamente. Há um custo muito alto em gravar um disco e ninguém compra mais hoje em dia, então você não tem seu dinheiro de volta, não há um retorno financeiro. Não sobreviveríamos apenas com o valor da venda de discos, mas com o dinheiro de uma turnê, isso é possível, e é por isso que fazemos isso. Não é que eu seja contra o download e a Internet. Eu acho que a Internet trouxe muitas coisas boas que não tínhamos antigamente, como uma maior exposição do nosso trabalho, porque mais pessoas acabam ouvindo e também que podemos postar facilmente vídeos e informações sobre a banda. Isso é bom! O que eu quero dizer é que não é possível mais sobreviver apenas de discos, pois você demora muito para receber seu dinheiro de volta. Sem contar que tocamos muito de nosso material antigo e muito pouco de discos mais recentes, porque as mais velhas têm mais impacto sobre o público ao vivo. Às vezes eles nem conhecem os sons recentes que tocamos! (risos) Então damos ao público o que eles querem!

Como vocês, especialmente você, Spike, se sentem voltando aos palcos depois de passar por um período tão difícil, como o que ocorreu há um tempo atrás? (N. da R.: O guitarrista Spike descobriu, tratou e curou um câncer em meados de 2007, o que fez com que a banda desse uma pausa em suas atividades)

Spike: Nossa, eu senti muita falta disso tudo que estou vivendo agora!

Kurt: Sem contar que passamos um tempo exercendo profissões comuns, até que pudéssemos voltar às turnês.

E como tem sido a resposta dos fãs ao retorno de vocês?

Spike: Tem sido maravilhoso! A cena do thrash se renovou bastante e hoje em dia vemos muitos jovens adolescentes que vem e nos falam “Não pude ver vocês antes porque tinha dez anos. Agora sou velho o bastante para vê-los ao vivo e entrar no show!”.

Exatamente sobre isso que eu gostaria de comentar. Eu, por exemplo, nasci em 1989, quando vocês já estavam há muito tempo tocando. Assim como eu, vários fãs de cerca de vinte anos de idade estavam ansiosos para vê-los ao vivo pela primeira vez. Como vocês se sentem em relação a isso?

Kurt: Eu amo! Agora eles podem finalmente ver a gente tocar!

Spike: Sem eles, não sobreviveríamos! Sem nossos fãs novos, talvez não houvesse tantos shows, pois boa parte dos nossos fãs antigos já não podem mais comparecer, pois estão enroscados com seus trabalhos, estão casados, têm filhos...

Vocês tocaram em praticamente todos os continentes, visitando vários países ao redor do mundo. Qual público você acha que é o mais louco?

Spike: Nós recentemente tocamos durante três semanas na Europa, e os fãs mais impressionantes foram os da Grécia, Espanha, Bulgária, Turquia... Todos os lugares são muito legais, pra falar a verdade. Eu, particularmente gosto quando não tem grade separando o público da gente, pois assim eles podem se divertir dando stage dives.

Infelizmente hoje nós teremos grade aqui!

Spike: Mas talvez seja melhor, porque hoje, pelo que eu percebi, vai ter bastante gente. E porque também vocês da América do Sul costumam ser bem ativos! (risos) Ah, o pessoal no México também são bem selvagens!

Já que vocês consideram o público latino tão legal e já que costumam ter bastante gravações ao vivo, porque não lançam alguma registro dos shows nesses países?

Spike: Bem, nós temos medo de lançar e ninguém comprar! (risos) Estou brincando! Mas então, nós estamos há um bom tempo gravando shows ao redor do mundo, mas a maioria das gravações não sai muito legal. Mas, quando eventualmente sai algo legal, guardamos e vamos acumulando para futuramente lançarmos sim um DVD com essa compilação. Na verdade, estamos planejando algo do tipo no momento, para celebrar nosso aniversário de 30 anos de banda.

Uma vez eu entrevistei o Municipal Waste e o vocalista Tony Foresta me disse que em um determinado show, as pessoas fizeram crowd surf com um sofá! Vocês têm alguma historia curiosa ou engraçada relacionada a turnês e seus shows?

Kurt: Houve vezes que começamos a tocar tão rápido e que as pessoas começaram a ficar tão loucas, que os shows tiveram de ser interrompidos lá pela terceira música, ou porque a polícia chegava e fechava tudo, ou porque os equipamentos ficavam danificados por algum motivo, ou porque pessoas começaram a se machucar.

Spike: Em alguns shows já vimos as pessoas fazendo stage dives com portas, com barcos infláveis e todo tipo de coisas estranhas que você possa imaginar. Ou senão pode até acontecer coisas como o que houve quando tocamos a alguns dias em Belo Horizonte. O nosso baixista Harald falou algo como “Esse palco agora também é de vocês” no microfone, e então dezenas de pessoas subiram lá com a gente e começaram a agitar, tocar air guitars, gritar nos nossos ouvidos coisas como “Eu te amo!!”, a tirar fotos conosco enquanto estávamos tocando... Eu tenho gravado, deixa eu te mostrar! (N. da R.: Nesse momento, Spike me mostra um vídeo em seu IPhone do show de Belo Horizonte, onde cerca de trinta pessoas estavam no palco!) Você consegue achar alguém da banda aí no meio da galera? (risos) E te digo que já teve piores! Uma vez tocamos em uma arena onde centenas de pessoas subiram ao palco e tivemos que parar o show.

Ok, pessoal! Eu gostaria de agradecer...

Spike: Ah, a entrevista já acabou? Que pena! (risos) Antes de terminarmos, então, gostaria de mandar um recado especial para os fãs. Eu gostaria de agradecer vocês pelo apoio de quase trinta anos que vocês vêm nos dando. Este ano, graças a isso vamos toca em lugares na Ásia e na Rússia onde nunca tocamos antes, e não vemos a hora de nos apresentar pra essas pessoas que nunca nos viram antes. Prometemos, também, vir à América do Sul e ao Brasil mais vezes daqui em diante! Mais uma vez, muito obrigado pelo apoio de todos vocês!




terça-feira, 3 de maio de 2011

Eu vou, eu já tou aí ...

Uma proposta de pauta a respeito dos pernambucanos da Eddie, mais de dois anos depois dos caras lançarem o festejado Carnaval no Inferno, trabalho mais recente da banda, é quase uma sacanagem. A essa altura do campeonato, os acordes do disco já estão aninhados na experiência da galera mais esperta da cidade, que não fez cheiro mole e atendeu ao convite da Sessão Notívagos de bate pronto, enchendo o hall do Cinemark Jardins com a beleza e a alegria de nossa juventude rebelde, numa edição histórica do projeto.

De lá pra cá, muita água passou por baixo da ponte. O produtor cultural Roberto Nunes foi obrigado a aceitar a inviabilidade do projeto, e a cidade perdeu, além de um palco valioso para as bandas locais, uma das alternativas mais interessantes que já conheceu em matéria de cultura e diversão.

Mas nada como um dia depois do outro. Esta semana, a produtora Cine Vídeo e Educação volta a dar murro em ponta de faca e insiste em investir energia e dinheiro na inteligência dos notívagos locais. Se tudo der certo e a resposta for satisfatória, quem sabe a Sessão Notívagos, responsável por alguns dos melhores shows já realizados aqui na terrinha, não volta?

Para que os desavisados entendam a importância do projeto – que nesta edição, além de apresentação da Eddie e dos malucos da Mamutes ainda conta com exibição do longa metragem Somewhere, de Sofia Copolla – basta resgatar as palavras do blogueiro e apresentador do Programa de Rock (Aperipê FM-104,9), o chapa Adelvan Kenobi, que registrou suas impressões em artigo redigido logo depois da apresentação da Eddie, em março do ano passado.

“Foi antológico – uma noite para ficar na memória de todos os que estavam lá, abrigados da chuva e da programação insossa e fajuta de uma tal “Virada cultural” improvisada pela prefeitura, cujos responsáveis pela inexistente “política cultural” parecem achar que, em Pernambuco, só existe a Nação zumbi”.

Pra qualquer um com um pingo de juízo, não existe outra resposta para um convite como o resgate da Sessão Notívagos. Pode me chamar que eu vou.

Será que a Notívagos volta? – No próximo dia 12 de junho a produtora Cine Vídeo e Educação- Ações Culturais comemora sete anos de obstinação para manter Aracaju minimamente conectada com o que há de mais instigante no mundo da sétima arte.

Nesse período, o Moviecom fechou e o projeto mudou para a Rede Cinemark. Com o apoio do maior exibidor de filmes do Brasil, o projeto se expandiu e hoje ocorre em 25 complexos, distribuídos em 14 cidades de 11 estados do País, alcançando um público estimado em 70 mil pagantes, no ano passado.

A resposta do público permitiu que o Cine Cult gerasse duas novas ações – a Virada Cinematográfica, com a exibição de filmes durante a noite toda; e a Sessão Notívagos, projeto inédito em seu formato, que reúne a exibição de um filme seguida da apresentação de bandas aos vivo no hall do cinema.

A Sessão Notívagos parou de acontecer, a produtora foi acumulando débitos e começou a considerar a inviabilidade de tanto investimento numa cidade onde o terreno para projetos culturais diferenciados é árido, carecendo de apoio tanto na esfera pública, quanto na privada.

Mas como insistir é o lema da Cine Vídeo e Educação, a produtora resolveu aproveitar a oferta da banda Eddie, que propôs uma apresentação entre um show em São Paulo e outro em Salvador, para realizar a Festa: Será que a Notívagos Volta?, que terá todos os ingredientes da Notívagos, com exceção do nome de batismo.

Então, quem estiver afim de comparecer basta comprar seu ingresso por R$ 20,00, preço único, na Casa da Cópia Jardins ou Markus Tattoo House, na Rua Capela 28, esse valor será até sexta. No dia 07 sobe para R$ 25,00.

A festa, que deve se estender para depois da 04 da manhã, ainda oferecerá um mesa de frutas, água, suco e café para quem resistir à maratona de cinema e rock’n roll.

por Rian Santos - Spleen e charutos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Será que a Notívagos volta?

Local: Cinemark Jardins
Data: 07 de maio (sábado)
Hora: 23 horas

"Somewherw", de Sofia Coppola

+ Mamutes

+ Eddie


segunda-feira, 2 de maio de 2011

BICICLETA SEM FREIO

Renato Reno, Douglas de Castro e Victor Rocha são o trio de desenhistas goianos que compõe o coletivo BICICLETA SEM FREIO. Conheceram-se em 2003 no curso de Artes Visuais da UFG e em 2005 montaram um estúdio “de criação focado em animação e ilustração”, diz Reno. “Preferimos aguardar que os clientes nos procurem pela linguagem autoral dos nossos trabalhos ao invés de garimpar o mercado.” Mesmo sendo alternativos e morando em Goiânia, já fecharam contratos c/ gigantes corporativos como Sony, Nike e Converse, garantindo seu modus-operandi em grande estilo. A marca registrada do grupo são os desenhos de pin-ups c/ corpos perfeitos em motivos psicodélicos.

A referência principal dos ilustradores do Bicicleta Sem Freio é o universo rock’n’roll”, diz a amiga Vanessa Cavalcante. “Os desenhos são feitos à mão, tendo o lápis, a caneta nanquim e a mesa de luz como grandes companheiros do processo de criação. Não é difícil encontrar composições que foram desenhadas na íntegra, incluindo a tipografia dos textos. Dessa forma, muitas vezes o computador é usado apenas para tornar o trabalho reproduzível.” Dão seu suporte à cena rock local c/ cartazes de festas e capas de discos que se tornaram lendários – já fizeram as artes dos festivais Bananada e Goiânia Noise e colaboram c/ MQN, Macaco Bong e outras bandas da região Centro-Oeste.
Douglas e Victor fazem parte da Black Drawing Chalks, os “Desenhos Pretos de Giz de Cera”, banda de stoner-rock onde tocam guitarra e bateria ao lado de Renato Cunha e Denis de Castro. Já lançaram 3 discos, abriram p/ Nashville Pussy, excursionaram no Canadá e tocaram no SWU. Victor é o principal vocalista e autor de My Favorite Way, melhor single de 2009 segundo a revista Rolling Stone. P/ esta música o BSF produziu uma animação insana repleta de garotas de sonho num ambiente onírico – uma espécie de Yellow Submarine p/ adultos. O clip foi feito “depois de muita conversa fiada e rabiscos”, diz Reno. “O importante é sair bem-feito e c/ nossa identidade”.

Não é a toa que o lema dos caras é “MUITO FETICHE E BELAS MULHERES”.

Acompanhe o trabalho dos caras aqui.

por Adolfo Sá

vlb

sexta-feira, 29 de abril de 2011

# 186 - 29/04/2011

O programa de rock de hoje NÃO homenageará o casal real da Inglaterra. Homenageará a adorável Poly Styrene, ex-vocalista do seminal X-Ray Spex, banda que, com apenas um disco relevante (a exemplo do Sex Pistols) marcou a história do punk rock. Ela estava prestes a lançar seu segundo álbum solo, o primeiro desde 198o (!!!), descontados 2 EPs e um single, mas sucumbiu a um câncer de mama. A homenagem a Poly foi produzida por Danihella, nossa "riot grrl" favorita. Teremos também novas da Casca Grossa, uma das muitas bandas que contam em suas fileiras com a figura emblemática de Silvio Campos, de Brian Setzer, que acaba de lançar um disco totalmente instrumental, e dos Beastie Boys - a dos rappers novaiorquinos nem é tão nova, já que havia sido lançada anteriormente como single, mas é a faixa mais "rock" do novo disco deles.

Depois de relembrarmos o brit pop dos anos 90, mergulharemos numa "tour-de-force" intimista com uma faixa de Martin Hannet, notório produtor da Factory responsável pelos discos do joy Division, dentre outros, que saiu no primeiro disco do Durutti Column. Seguiremos com How To Destroy Angels, o projeto que Trent Reznor montou com sua mulher depois do fim do Nine Inch Nails (e antes da consagração com o oscar pela trilha sonora de "A Rede Social"); a faixa de abertura de "Dummy", o clássico primeiro disco do Portishead; outra do último fruto da parceria entre Mark Lanegan e Isobel Campbell, "Hawk", e uma pérola um tanto quanto esquecida, o single lançado por Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, nos anos 90 (a história desta gravação está destrinchada logo abaixo).

Fechando o programa, um pequeno apanhado do maravilhoso mundo da musica alternativa brasileira do século XXI: Uma faixa extraída da maior obra-prima do rock nacional da década, na minha humildo opinião, o disco "Uhuuu", do Cidadão Isntigado, mais Viana Moog, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Suíte Super Luxo, de Brasília, Dois em um, de Salvador, e Gigante Animal, de São Paulo, que infelizmente acabou. Babalu, o homem cujo nome virou sinônimo de estilo musical em Aracaju, fazia parte da banda.

Espero que gostem. Mas se não gostarem, é nenhuma, também.

Semana que vem tem mais.

A.

# # #

“Interlude” é um “single” de Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, lançado em agosto de 1994. É a única colaboração de que se tem notícia entre estes dois verdadeiros ícones do rock inglês e foi relacionada pela revista Spin entre as 10 maiores “one-off team-ups” de todos os tempos.

A música foi gravada durante as sessões do disco “Vauxhall & I”, de Morrissey, com produção de Boz Boorer, diretor musical e guitarrista da banda do ex-smiths. É um cover cuja versão original é de 1968 e foi gravada pela cantora Timi Yuro como uma faixa da trilha sonora do filme de mesmo nome. Morrissey havia contactado Sioxsie ainda no inicio da década com a idéia de que os dois gravassem algo juntos. Propôs canções interpretadas por vozes femininas, como Nancy Sinatra e Dionne Warwick. Sioxsie escolheu esta balada e ele concordou.

As sessões ocorreram em clima de descontração – “alegria completa”, segundo o produtor, Boorer. Logo após a gravação, no entanto, os dois intérpretes se desentenderam quanto ao conteúdo do vídeo promocional, o que acabou fazendo com que o clip não fosse produzido e todo o projeto fosse posto “na geladeira”. A EMI ameaçou não lançar a bolachinha sem o suporte em vídeo, mas o fez no verão de 1994, contra todas as expectativas, já que a musica era considerada uma “winter song” (canção de inverno). Apesar disso o disco chegou a posições da parada compatíveis com o que vinha sendo conquistado pelos dois na época: #25 UK. Siouxsie, com suas duas bandas, Creature e os Banshees, nunca havia alcançado nada acima do # 21 e Morrissey havia chegado apenas à 47ª posição com seu single anterior, "Hold on to Your Friends".

"Interlude" também foi lançado na Europa via EMI. Na América do Norte, no entanto, devido à impossibilidade de um acordo entre a Sire (empresa de Morrissey nos EUA) e a Geffen (de Siouxsie), o registro só estava disponível através de importação em quantidades muito limitadas. A música foi posteriormente incluída em uma compilação chamada Suedehead: O Melhor de Morrissey. Uma versão inédita, apresentando apenas os vocais de “bardo de Manchester”, está em "Very Best Of", outra coletânea, de 2001.

Em 2008 a cantora Diamanda Galás também gravou uma versão de “interlude” para seu álbum “ Guilty, Guilty, Guilty “.

Fonte: Wikipedia

por Adelvan

#

Casca Grossa - Força punk
Beastie Boys - Lee Majors come again
Brian Setzer:
# Earl´s Breakdown
# Be-Bop-A-Lula

Bloco produzido por Danihella:
X-Ray Spex:
# Oh! Bondage up yours
# The Day the world turned day-glo
# Art-I-Ficial
Poly Styrene:
# Thrash city
# Black Christmas
# Bicycle song

Affairtype - Take me
Bloodthirsty Bitchers - jack Nicholson
( Drop Loaded )

Suede - Animal Nitrate
Supergrass - Caught by the fuzz
Blur - Badhead
oasis - Morning glory

Martin Hannett/The Durutti Column - First aspect of the same thing
How To Destroy Angels - The space between
Portishead - Mysterons
Mark Lanegan & Isobel Campbell - We die and see beauty reign
Siouxsie & Morrissey - Interlude

Cidadão Instigado - Homem velho
Viana Moog - Chagas adesivas
Suíte Superluxo - Máquinas passionais
Gigante Animal - Compasso
Dois em um - Deixa

Rock Sertão - programação.

Saiu a programação do Rock Sertão, festival que acontece anualmente em Nossa Senhora da Gloria, Sergipe. Este ano duas surpresas: Ladrão, a banda do Formigão (ex-Dash/Planet Hemp), e Jesse Monroe, cantora e compositora inglesa radicada na Bahia. Teremos também o Hatend, banda de thrash metal de Paulo Afonso, Bahia, e alguns dos melhores e mais representativos nomes da cena alternativa sergipana. É a oportunidade para estas bandas, que já estão pra lá de acostumadas a tocar em Aracaju em "points" como o Capitão Cook e a Casa Cultiva, se apresentarem para um publico diferenciado, no interior.

O "Ladrão" faz uma interessante mistura de rock alternativo, eletronica e experimentação que você pode conferir clicando aqui. Já o som de Jesse Monroe está mais para uma mistura de soul, pop e dance music - algo próximo ao que Joss Stone faz, com bastante sucesso. Mesmo que não seja exatamente rock e você, roqueiro "doidão", se ressinta disso, deve valer a pena VER o show, como pode ser conferido nas fotos que ilustram essa matéria. Para saber mais, clique aqui.

Abaixo, uma pequena entrevista que a revista VIP publicou junto a um ensaio sensual com a loira:

Você mora no Brasil ou em Londres?

Moro na península de Maraú, na Bahia, mas vou e volto de Londres todo ano.

As fotos mostram toda a sua flexibilidade. Ela ajuda na hora de subir ao palco?
Não, prefiro usar a escada [risos].

Como faz para manter a forma?

Bebo, como, dou risadas, danço muito e faço amor. Uma vez a cada 15 dias dou uma corrida na praia.

Algum fã já fez loucuras por você?

A não ser depósitos anônimos na minha conta, escalar um prédio para se declarar e entregas de flores, chocolates e joias? Não, nada interessante [risos].

E algum desses que fizeram loucuras te conquistou?

Eu me vejo como uma filósofa solitária, estudando as profundezas do universo. Mas, infelizmente, não resisto a uma bunda bonita.

E o que mais chama sua atenção em um homem?

Além da bunda bonita? A capacidade de seguir minhas instruções.

programação completa

Quarta (11.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)

Quinta (12.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)
Palestras e Mostra Cultural Zambumbambus Local: Colégio Estadual Cícero Bezerra
19:00h – 23:00h
Mostra Audiovisual
Apresentação do grupo de teatro Cobras e Lagartos (Lagarto-SE) – Peça: A Peleja de Valentim contra a Morte pelo amor de Manuela
Apresentação musical de uma banda selecionada por votação online
Local: Praça do Coreto (Praça Filemon Bezerra Lemos)

Sexta (13.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)
20:00h
Local: Praça Antonio Alves Oliveira

- Karranca (Itabaiana) - http://www.myspace.com/flaviokarranca

- Naurêa (Aracaju) - www.myspace.com/naurea

- Elvis Boamorte e os Boavidas (Aracaju) - http://www.myspace.com/elvisboamorteeosboavidas

- Ferraro Trio (Aracaju) - www.myspace.com/ferrarotrio

- The Jezebels (Aracaju) - http://www.myspace.com/jezebelsrock

- Fator RH (Nossa Senhora da Glória) - http://www.myspace.com/fatorrh-gloria

- Banda selecionada por votação online

Sábado (14.05)

14:00h – 18:00h
Fórum de discussão Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
19:00h
Local: Praça Antonio Alves Oliveira

- Lacertae (Lagarto) Gravação do DVD - http://www.myspace.com/lacertae

- Nucleador (Aracaju) - ) http://www.myspace.com/nucleadores-

- The Baggios (São Cristóvão) - ) http://www.myspace.com/baggios

- Alapada (Aracaju) - ) www.myspace.com/bandaalapada

- Jesse Monroe (Inglaterra) - http://www.myspace.com/jessemonroelondon

- Hatend (Paulo Afonso/BA) - http://www.myspace.com/hatend666

- Ladrão (Rio de Janeiro/RJ) - http://www.myspace.com/ladrao

- Banda selecionada por votação online

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ALDEIA ROCK FESTIVAL - Rock Natureba e Ecologia Rolando

ALDEIA ROCK FESTIVAL 2011 – 21,22,23 de Abril - Casimiro de Abreu/RJ

Aldeia Rock Festival é uma espécie de Festival Psicodalia do Rio de Janeiro. O evento acontece em um sitio no meio da Mata Atlântica sempre no feriadão da semana santa e esse ano chegou a décima primeira edição. Aldeia Velha é uma comunidade próxima aos municípios de Casimiro de Abreu e Silva Jardim, distante cerca de 150Km do Rio de Janeiro, localizada não muito distante das principais cidades da região serrana e da região dos lagos. Tradicionalmente o evento acontece na própria Vila de Aldeia Velha como sugere o nome do evento, porém, por motivos burocráticos, nessa edição o evento foi transferido para o não muito distante Sitio Sonho Realizado (o nome do sitio se encaixa perfeitamente aos ideais de um festival de rock que lutou pra acontecer). Ao longo dos anos muita gente bacana passou pelo evento, entre eles Serguei, Azymuth, Blues Etílicos... Este ano entre algumas das principais atrações estavam: O Conto (PR), Goya (PR), Cris Carcara (MG), Wagner Jose e seu Bando (RJ), Protesto Suburbano (RJ), Os Macraios (RJ) e como nome de peso o lendário Celso Blues Boy (RJ)!

Texto e Fotos Por Michael Meneses! paraybarecords@hotmail.com

O lema do Festival diz: “Aldeia Rock Festival - Rock And Roll e Natureza Juntos!” e esse foi o clima do evento que ao longo de 11 anos vem se tornando uma tradição cultural, mesmo que aparentemente não receba um apoio forte das secretarias de cultura, turismo e do meio ambiente das cidades da região. O evento demostrou ter um excelente potencial para o turismo, cultura e meio ambiente, e se as prefeituras locais oferecessem qualquer que seja o incentivo à produção do evento, certamente todos ganhariam e com esse apoio o evento teria uma maior visibilidade por parte da mídia. Aliás, independente desse apoio ou não, o festival merece um maior reconhecimento por parte da mídia. Esse ano o evento foi transferido de local em relação às edições passadas e com isso pousadas e lojas de produtos alimentícios e utensílios de camping sentiram no faturamento.

O festival funcionava de forma simples e objetiva, o público pagava o ingresso e tinha direito a área de camping, estacionamento, assistir todos os shows e a fim de evitar o mínimo de sujeira na natureza o evento ainda disponibilizava banheiros químicos e chuveiros. Vale lembrar que o Aldeia Rock Festival é um evento que mesmo que tenha uma estrutura acima da média, tem o seu lado “Underground” e mesmo com todo clima hipponga no ar, até “é possível” dizer que o festival tem seu lado punk.

Os presentes ainda usufruíam do clima gostoso encontrado no vale localizado no Sitio Sonho Realizado e pela Mata Atlântica que proporcionava noites agradáveis e dias de sol intenso, um convite para um joguinho de futebol ou de vôlei para em seguida um bom banho nas cachoeiras da região para refrescar e curar a ressaca da galera depois de noitadas de rock.

Já a estrutura para os shows funcionava perfeitamente com dois palcos, um palco maior para as principais atrações e ao lado um palco alternativo para músicos e bandas que estavam acampados no festival e desejasse participar de jam sessions, e/ou algumas bandas que não foram selecionadas para o palco principal, mas que tinha potencial para o evento.

Os shows

Quinta-Feira – 21 de Abril

Na primeira noite os shows aconteceram apenas no palco alternativo que foi uma evolução nessa edição, pois embora pela primeira vez esse palco de fato estivesse funcionando, nas edições passadas ele já existia. Porém, sem a mesma estrutura, mas com o mesmo ideal, ou seja: espaço livre para quem quisesse mostra trabalho seja cover ou autoral. A iniciativa deu certo e a evolução de um simples espaço alternativo, para criação de um palco de verdade é algo que só enriquece o evento, pois abre espaço para novos talentos e cria um vinculo de ligação ainda maior entre publico e festival. Contudo o palco poderia convidar mais bandas autorais e menos covers, afinal tem muita gente que é a cara do evento e poderia comer pelas beiradas, ou seja, tocando no palco alternativo. Entre as atrações dessa noite o palco alternativo recebeu os niteroienses do Coalhada Rock Band, que calcou o seu set com clássicos do rock e do Raul Seixas. Coalhada é um dos músicos e parecia ser uma espécie de personalidade local sempre muito aplaudido, e durante o show disse que chegou a gravar com o próprio Raul. Em seguida o MV8 subiu e apresentou alguns sons autorais e covers do rock nacional.

Outra característica do evento é que basicamente o som nunca para de rolar, não importa a hora, seja dia ou noite, fim de tarde ou inicio da madrugada, tem sempre um rock do bom rolando, seja com banda em um dos palcos ou com DJ. E assim chegamos à sexta feira.

Sexta-Feira– 22 de Abril

Os shows da sexta feira santa começaram com um abençoado feito já que os presentes naquele fim de tarde foram agraciados com um show arrasador da banda macaense Protesto Suburbano, que entrou para história do evento como a primeira banda de Hard-Core a tocar no Aldeia Rock Festival, um evento cujo foco são bandas de classic-rock e afins. O Protesto Suburbano é uma banda que tem seu nome escrito na cena de Macaé e foi uma ótima opção para representar a Região dos Lagos e colocar o HC na história do evento. Sabendo do peso de ser a primeira banda de HC ao longo de 11 anos de evento, coube ao Protesto aproveitar o clima natureba do local e fazer uso de todo um potencial discursivo em prol da ecologia e não demorou a levantar o publico. O Protesto Suburbano abriu caminho para os sons pesados no evento e punk´s, straight edge´s e heavys já marcam presença em meio aos hippies, então é só abrir espaço às bandas desses estilos, e nem é preciso perder as características musicais do evento.

Outro destaque da noite foram os já veteranos no evento o Wagner Jose e Seu Bando. A banda tocava pela quarta vez no festival e tornou-se uma ótima cartada da produção para essa edição, pois na falta de bandas oficiais ou jams no palco alternativo era o Wagner e Seu bando que faziam a galera curtir o seu Blues Rock and Roll. Ao longo dos dias a banda fez varias apresentações no palco alternativo e isso não quer dizer que a banda estivesse no evento apenas para tapar buraco, muito pelo contrario, além de potencial dos músicos a banda já tem seus seguidores e é a certeza de diversão.

O primeiro destaque do palco principal foram os paranaenses do Goya que apresentaram um rock setentista com influencias que misturavam rock progressivo, psicodélias instrumentais, fusions e em alguns momentos o peso do hard e do heavy dos anos 70, a banda fez bonito no palco principal.

Ainda no palco principal tivemos outro destaque da noite o blues mineiro de Cris Carcara, o power trio mostrou um show totalmente energético com uma pegada que ia do blues clássico à um garage rock sujo e com pitadas de hard rock. A banda fez talvez o show mais longo de todo o evento e agradou.

A último atração da noite foi a banda carioca Os Macraios, que assim como o Coalhada e o Wagner Jose e Seu Bando são figurinhas carimbadas do festival. O som dos Macraios é uma espécie de Raul Seixas dessa geração, um som pra maluco beleza nenhum colocar defeito. Se você se julga um “porra louca” vale conferir o som da banda. O auge do show para alguns ou a visão do inferno para outros, aconteceu na última música quando o vocalista e guitarrista Andre Macraio tirou a roupa e tocou pelado.

Finalizando a noite a banda Relics apresentou covers do Pink Floyd, o diferencial da banda em comparação a tantas outros covers é que alguns sons obscuros do Floyd marcam presença no set e não apenas os hits.

Sábado – 23 de abril

No ultimo dia de evento a banda Wagner Jose, entre uma banda cover e outra, continuou fazendo bonito no palco alternativo. Já no palco principal o Aumumana apresentou uma mistura de rock com sons regionais. Seu forte é o instrumental, mas mesmo com essa característica a banda peca pela falta de uma guitarra mais potente. A banda Espinha de Peixe foi o primeiro destaque da noite e apresentou um rock rural típico do evento e agradou. Na noite o show mais esperado era logicamente o de Celso Blues Boy, isso era fato! Mas quem viajou 21 horas e fez história no evento foi a banda os paranaenses O Conto que simplesmente fez um dos melhores shows de todo o evento, apresentando um rock progressivo cheio de experimentalismo. Seus músicos são multi-instrumentistas e no decorrer do show vão variando de instrumentos. Um show realmente surpreendente. Ao final do set o público ainda pediu bis, mas talvez por conta do horário infelizmente a banda não pode atender.

No palco alternativo Wagner Jose encerrou as atividades daquele espaço e no palco principal a banda Marcelo Toledo & Dose Dupla esquentou o público para a atração da noite, o Celso Blues Boy. Como era de se esperar Celso fez um set com um público nas mãos, mesmo que os presentes já não fossem um número tão grande como nos shows anteriores, muito provavelmente pelo cansaço da galera. Mas quem ficou à curtir e o aplaudiu bastante. Celso fechou o evento com estilo e o bom gosto característica do festival.

Para o ano que vem a produção pretende retornar a local original do evento. Desejamos boa sorte e que o Aldeia Rock Festival continue evoluindo em busca do seu ideal: Rock And Roll e Natureza Juntos!”

Conheça algumas bandas que estiveram no evento:

Cris Carcara: http://www.myspace.com/criscarcara.br

Goya: http://www.myspace.com/planetagoya

O Conto: http://www.myspace.com/oconto

Os Macraios: www.myspace.com/osmacraios

Protesto Suburbano: http://www.myspace.com/protestosuburbano

Wagner Jose e Seu Bando: www.myspace.com/wagnerjose

Sugestões de bandas para a edição 2012 do Aldeia Rock Fest:

Mamutes/SE: www.myspace.com/mamutesmusic

Maquina Blues/SE: www.myspace.com/maquinablues

Mustang/RJ: www.myspace.com/mustangbandcombr

Mutantes/SP: www.myspace.com/mutantesoficial

Oh Pai/RJ: www.myspace.com/ohpai

Plástico Lunar/SE: www.myspace.com/plasticolunar

Repúdio/RJ: www.myspace.com/repudiohc

Rogerio Skalab: www.myspace.com/rogerioskylab

Statik Majik/RJ: www.myspace.com/statikmajikbrazil

The Baggios/SE: www.myspace.com/baggios

The Renegades of Punk: www.myspace.com/therenegadesofpunk

Urublues/SE: www.myspace.com/urublues

Usina Le Blond/RJ: www.clnetsys.com/usinaleblond/

Violeta de Outono/SP: www.myspace.com/violetadeoutono

Som Nosso de Cada Dia/SP

Mopho/AL: