(**) Em sua opinião, o que mudou no mundo desde que vocês começaram, em finais dos anos 1970, para hoje?
Tudo está pior. A pobreza vai aumentar, as corporações multinacionais,
especialmente a indústria de armamentos, estão indo para onde está o
dinheiro. Estão colocando armas automáticas na mão de gente que não
poderia ter acesso a armas automáticas. Essas armas estão indo para os
lugares errados. Estão indo para os morros do Rio de Janeiro, onde
aqueles caras violentaram a mulher na semana passada. Coisas como essas
vão sempre acontecer eternamente. E tudo que eles querem é pegar os 99%
de todo o dinheiro e ficar com ele. As lideranças continuam
megalomaníacas e as corporações continuam no topo das decisões. Os
países estão destroçando as conquistas sociais, os direitos sociais. A
religião segue enlouquecendo as pessoas. Temos um novo papa que está
sendo retratado como um cara legal, mas cujas posições o desmentem. Ele
não tem mostrado nenhuma visão diferente dos anteriores, não vai
reconhecer que as pessoas têm o direito de decidirem sobre o que fazem
com seus próprios corpos. Então, vai ser um retrocesso, a Igreja
Católica não tem intenção de mudar e as pessoas vão mergulhando em mais
ignorância. Esse papa simplesmente ganhou um belo de um apartamento para
si. O Vaticano é um belo palácio, quantos de nós poderiam viver num
lugar assim? Nada mudou.
O novo papa chegou a ser acusado de ter colaborado com a ditadura argentina.
Não tinha ouvido falar sobre isso,
mas não posso dizer que seja uma surpresa para mim. A Igreja Católica
sempre vendou seus olhos nos lugares onde aconteciam atrocidades. E a
igreja argentina, naquele período, ganhou a reputação de não ser um bom
lugar para se procurar um homem santo. Eu tendo a ficar longe de teorias
conspiratórias, mas sempre que há uma fumaça há fogo.
Jello Biafra disse uma vez que “o punk rock não está morto, mas merece morrer”.
Biafra sempre usou de muito sarcasmo. Acho que ele estava falando… Eu
não falo muito sobre Biafra hoje em dia, não sei o que exatamente ele
pensa. Mas acho que as coisas se mantém em movimento, que uma música
agressiva não é necessariamente punk rock, e certamente a moda, um
casaco preto, um cabelo moicano, nada disso tem nada a ver com punk.
Muita gente vive desse sentimento nostálgico, que não carrega o espírito
da coisa. Tem muita gente por aí vivendo como se fosse um hippie dos
anos 1960. E ficam dizendo besteiras: “Ah, 1966, aquele ano era meu
favorito!”. Ou: “Uh, 1977 foi o melhor ano da vida!”.
Há alguma possibilidade de o Dead Kennedys gravar um novo disco com essa formação atual?
Há sempre uma possibilidade. O único problema é que não é mais tão
orgânico como costumava ser. O cantor vive em Nova York, o baterista
vive em Los Angeles, e eu vivo aqui em São Francisco. Então, ficar
juntos para ensaiar e desenvolver canções é muito difícil de acontecer.
Mas temos colaborado, mandando arquivos musicais um para o outro. Há
algum material novo já produzido.
(*) A última vez que o DK veio ao Brasil
foi em 2001, com Brandon Cruz no vocal, e vocês tiveram uma resposta
bastante positiva. O que mais mudou desde então?
Klaus: Bem, um vocalista e algumas músicas diferentes e no mínimo
uma música nova. Talvez mais, ainda não sabemos. Além disso, desde
então nós temos tocado bastante, feito shows mais regularmente e, por
causa disso, nós estamos tocando bem melhor e somos músicos mais
experientes do que nos anos 1980.
O que vocês esperam desta turnê brasileira?
Klaus: Esperamos atingir um público que nunca teve a chance de
assistir a um show nosso assim como ter a possibilidade de reencontrar
alguns que nos viram em 2001 de um ângulo diferente do Brandon, assim
como Brandon era diferente do Jello.
O que o Público brasileiro pode esperar da turnê?
Klaus: Nós pretendemos tocar nossas músicas e fazer um show mais
forte do que nunca, sendo que fazer quatro shows em quatro dias em um
país bem extenso requer muita concentração para atravessar os limites.
Nós vemos isso como um desafio.
Em uma entrevista para a citizenmag
em 2003, você disse que o DK estava com material novo para gravar e
lançar. Bem, estamos em 2013, quais as chances de vermos um álbum de
inéditas do DK.
Klaus: Acho que não sou o "vidente" que eu achei que era. Nós
todos estivemos trabalhando em projetos diferentes, alguns já vieram à
tona, outros ainda não, e também estivemos trabalhando em novas músicas
p’ro Dead Kennedys, novamente, algumas foram finalizadas (pelo menos uma
estará nos shows) e outras não estão prontas ou mal iniciadas ou
serviam melhor para nossos projetos individuais. Também há o problema de
que não moramos todos dentro de um raio de apenas alguns quilômetros
uns dos outros como nos anos 80. Nós temos que viajar para estarmos
juntos em um lugar. Skip, o vocalista, mora na costa leste, o que é
literalmente do outro lado do país. Adicione a isto o fato de
trabalharmos muito bem quando estamos na mesma sala (alguns dos nossos
melhores materiais saem das passagens de som), mas não trabalhamos nada
bem trocando arquivos de áudio pela internet, cada um adicionando um
pouco aqui depois ali. Nós nunca compusemos assim e provavelmente nunca
iremos. Dito isto, isso não exclui alguns de nós colaborando e então
reunindo a banda em um mesmo espaço para transformar as ideias em
músicas de verdade. Qualquer coisa pode acontecer e eu aprendi a jamais
dizer nunca.
O que é punk?
Klaus: É o que você quiser que seja. Nós não criamos a palavra e
eu não acho que devemos dizer que “o punk é isso ou aquilo”. É uma coisa
diferente para pessoas diferentes, das quais algumas eu concordo e
outras eu discordo. Tentar definir esse tipo de coisa é função de
blogueiros. O que é literatura? O que é a TV ou a internet? Faça as
perguntas e você terá um milhão de respostas. Nossa posição é mais sobre
pensar por você mesmo do que ser alimentado por fatos e se curvar
diante deles. Em nossas músicas, nós falamos sobre assuntos que podem te
fazer pensar e se estes temas te interessarem você pode ir para casa e
pesquisar um pouco mais sobre esses assuntos. Porém, nós não iremos
dizer o que você tem que pensar, apesar de tentarmos te fazer refletir
enquanto você também se diverte.
Alguma banda nova que está entre suas favoritas?
Klaus: Tem algumas bandas que eu realmente gosto de ouvir e ver,
mas não são limitadas apenas a bandas punk. Seria o mesmo que limitar
sua alimentação a “comer apenas milho” porque eu gosto de milho. Eu não
tenho certeza se estaremos falando da mesma coisa se disséssemos “esta
banda é punk”. Então, para não ofender ninguém que eu gosto deixando-os
de lado, eu não vou falar o nome de nenhuma. Portanto, Bieber, você pode
esquecer.
Você está acompanhando o processo
entre o Premier Russo Vladimir Putin e a banda punk Pussy Riot? Qual sua
opinião a respeito do assunto?
Klaus: Eu acho que é um grande absurdo e ao mesmo tempo brilhante
Putin se sentir tão ameaçado por elas, mas as ações dele são
criminosas, não as delas, como pode parecer. O que elas fizeram????
Cantaram suas opiniões? E elas estão na prisão já faz um ano? Mas que...
Mas que bando de... Parece que a antiga lógica da U.R.S.S. está
voltando para ficar, só que usando o velho nome pré 1917. Seria
interessante ver o quanto a população irá permitir até termos, quem
sabe, uma primavera russa.
Como um grupo contra grandes
corporações, eu imagino que o DK não veja a distribuição gratuita de
músicas pela internet necessariamente como uma coisa ruim, mas vocês
acreditam que a internet seja realmente capaz de atingir as massas como o
rádio fez em um passado não muito distante?
Klaus: Como um artista/músico/performer eu discordo da premissa da sua pergunta.
No “passado não muito distante” megacorporações fizeram toneladas de
dinheiro em cima de músicos, mas os músicos também foram pagos (apesar
de ter sido de uma maneira desequilibrada) por seus trabalhos. Contratos
foram feitos e esperançosamente seguidos. O rádio paga pelo uso das
músicas. Museus por arte visual. Cinemas por filmes bem como seus
atores, diretores, cinegrafistas, etc., por seus trabalhos nos filmes.
DVDs foram vendidos e por aí vai. Então, sobre a pirataria. Todos
compramos bootlegs, todos gravamos fitas para os amigos, etc., mas o
percentual era tão mínimo comparado a sites como Megaupload, no qual um
cara comprava um CD e então todos os outros teriam de graça. Seu o site
tinha milhões e milhões de acessos e os publicitários sabiam disso e
estavam dispostos a bem pagar por este espaço. Assim ele ficou
bilionário enquanto os artistas levaram um prejuízo tão grande que isso
realmente tirou seus sustentos e a chance de ter arte como modo de vida.
Se você gosta da comida de um restaurante, é certo você comer e
simplesmente ir embora sem pagar? Fodam-se o cozinheiro, o garçom e o
dono, isso deveria ser GRÁTIS!!!
Se você curte arte, fotografia, música e é grátis (apesar de não ser
necessariamente com a permissão do artista) você deveria apenas
baixá-las?
Uma coisa é o artista dizer “Aqui, pegue uma amostra grátis de um
projeto que está por vir. Pegue e aproveite.” Outra coisa totalmente
diferente é alguém postar , digamos, no youtube, onde eles não tem
praticamente nenhum trabalho e qualquer um pode copiar o que está lá,
sem contar que o Google, entre todos, é o único que ganha dinheiro com
isso. (Toneladas de dinheiro, por sinal, mesmo com canais monetizados)
Então, se alguém tem algum valor pra você, não deveria ser recompensada
pelo prazer que você aproveita a não ser que seja escolha do artista dar
de graça?
Shows grátis? Mas o artista fez uma escolha. Fazer um bootleg na era
pré-napster de compartilhamento, talvez não tão legal, mas ainda é como
comparar um resfriado com câncer. São dois níveis totalmente diferentes.
Portanto, nós aceitamos as corporações, isso se elas se comportarem de
maneira justa, tiverem boas intensões e não tenham apenas o objetivo de
sustentar os caras no topo da lista dos podres de rico em cima do
trabalho de outros. Nós não somos tão anticorporações como somos
anticorporações gananciosas. Parafraseando, “É sobre o seu caráter”. Nós
não gostamos do conceito de que músicos ou artistas de qualquer tipo
presumidamente não deveriam ser recompensados por seus trabalhos, se o
trabalho é valorizado por aqueles que o apreciam.
Você acredita na militância na internet e em mídias sociais?
Klaus: Sim. Eu acho que as ideias podem se espalhar e os
movimentos ganharem ímpeto. Contudo, sou cauteloso com a verdade sobre
qualquer coisa que leio na web, ou em qualquer lugar, se é uma coisa que
quer me convencer. Então, é preciso tempo para verificar os fatos.
Você não acha que a falta de humanidade e contato direto entre as pessoas na internet pode levar isso a nada?
Klaus: Tire a humanidade e o contato direto entre as pessoas e estará sujeito a uma redução na experiência.
Em 2009 e 2011 eu assisti a diversos
shows de bandas tanto famosas quanto independentes e alternativas nos
EUA, e algo que realmente me deixou desconfortável foi a apatia do
público norte-americano. Eles param em frente ao palco e apenas assistem
e batem palmas ao final de cada música. É como se estivessem assistindo
TV. Isso já aconteceu com o DK? Como vocês superam isso?
Klaus: No geral não. Parece ter sempre um pouco de ação, no
mínimo, em frente ao palco. Nós também chegamos a tocar em lugares com
um balcão e cadeiras onde as pessoas assistiam sentadas. Cada um na sua
em questão de participação (se o público quer participar beleza, senão
beleza também), mas algumas vezes parece haver um cansaço que pode vir
com uma superexposição. Se você mora em uma cidade onde toda noite tem
cinco bons shows para ver, algumas pessoas terão uma linguagem corporal
dizendo “Certo, prove que você merece”. Nós os vemos como um tipo
especial de público que precisa ser informado e que nos faz superar
desafio proposto.
Mesmo após diversas críticas positivas sobre Ron Skip Greer estar tocando junto com o DK, o luisville.metromix.com
o classificou como a sexta pior substituição de vocalistas em bandas de
rock (aparentemente apenas por causa do nome). Qual a sua resposta para
isso?
Klaus: Honestamente, eu não tenho uma opinião sobre isso ou
qualquer uma de suas intensões em apenas irritar. É como passar a noite
lendo blogs e vendo que a maioria é escrita por pessoas incomodadas com
as próprias vidas e não têm nada melhor pra fazer do que ficar vomitando
em cima do teclado. Também existem muitos outros (uma boa coisa da
internet) que possuem outros objetivos melhor definidos. Tanto faz.
O público brasileiro parece estar
indeciso sobre ver o DK sem o Jello. Levando em conta que ele saiu da
banda em 1986, e que a maior parte desse público praticamente nunca viu a
formação original mesmo em DVD ou no You Tube, o que você tem a dizer
para essas pessoas?
Klaus: Ninguém é obrigado a comprar o ingresso. Se você está
curioso e tem a mente aberta, venha e veja por si mesmo. Nós somos os
Dead Kennedys com o Jello e nós somos os Dead Kennedys com o Skip. São
apenas temperos diferentes. Se o Jello algum dia pedisse para voltar,
ele seria mais do que bem vindo, a oferta foi feita, mas ele escolheu o
caminho de suas spoken words e com o Guantanamo [School of Medicine].
Esta é a escolha dele e por ele está bem assim. Contudo, eu sei e
entendo que muitos gostariam de ver uma reunião da formação original,
Jello parece não achar que vale a pena pra ele. Mas o que deve ser
lembrado é que será um show musical com ênfase nas músicas e letras. É
isso que levaremos ao Brasil, assim como nós fazemos em todos os outros
lugares que tocamos.
Uma mensagem para todos que mal podem esperar para ver o Dead Kennedys novamente no Brasil.
Klaus: Nós estamos ansiosos para os shows e encontrar todos
depois deles. Todos nós saímos (depois de recuperar o fôlego por uns
cinco minutos) e conversamos com o maior número de pessoas possível. O
Brasil sabe festejar mais do que qualquer um. Então, vamos nos reunir e
celebrar a música.
Serviço:
Data: 18/04/2013 (quinta-feira) - Curitiba/PR
Abertura da casa: 20h
Local: Music Hall
Endereço: Rua Engenheiro Rebouças, 1645 Fone: (41) 3026-5050
Abertura: FANG (USA)
1º lote de ingressos antecipados a R$ 75,00*
2º lote de ingressos antecipados a R$ 90,00*
Camarotes antecipados a R$ 130,00*
*estudantes e doadores de 1kg de alimento
Pontos de Venda:
Túnel do Rock, Let’s Rock, Dr. Rock, Bar Lado B
Vendas Online
https://ticketbrasil.com.br/show/deadkennedys-pr/
Data: 19 de abril de 2013 (sexta-feira) - Americana/SP
Local: Espaço Americana (Av. Bandeirantes, 2345
Centro)
Data: 20 de abril de 2013 (sábado) - Recife/PE
Local: Chevrolet Hall (Abril Pro Rock 2013)
Data: 21 de abril de 2013 (domingo) - São Paulo/SP
Local: Via Marques
Fontes:
(**) Jotabê Medeiros – O Estado de S.Paulo
(*) Guilherme S. Guinski - Bronco rock
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domingo, 7 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
05/04/2013 - 19 Anos sem Kurt Cobain
Era a manhã de 8 de abril de 1994 quando o corpo de Kurt Cobain
foi encontrado em Seattle, após seis dias desaparecido. Naquele
instante, o líder e principal compositor do Nirvana não deixava apenas
uma esposa – Courtney Love –, uma filha – Frances Bean – e milhões de
fãs órfãos ao redor do mundo: ele também entrava para o mítico e seleto
grupo dos gênios da música que se foram cedo demais. Em uma entrevista
longa e assustadoramente premonitória, ocorrida quase seis meses antes
do suicídio (e a última que concedeu para a Rolling Stone EUA), o
cérebro do Nirvana discorre com comovente sinceridade sobre fama,
paternidade e o futuro de sua banda, além de admitir estar em um dos
momentos mais felizes de sua vida.
Era a manhã de 8 de abril de 1994 quando o corpo de Kurt Cobain foi encontrado em Seattle, após seis dias desaparecido. Naquele instante, o líder e principal compositor do Nirvana não deixava apenas uma esposa – Courtney Love –, uma filha – Frances Bean – e milhões de fãs órfãos ao redor do mundo: ele também entrava para o mítico e seleto grupo dos gênios da música que se foram cedo demais. Em uma entrevista longa e assustadoramente premonitória, ocorrida quase seis meses antes do suicídio (e a última que concedeu para a Rolling Stone EUA), o cérebro do Nirvana discorre com comovente sinceridade sobre fama, paternidade e o futuro de sua banda, além de admitir estar em um dos momentos mais felizes de sua vida.
Desarrumado e sem camisa, Kurt Cobain para no meio da escada que leva ao camarim do Nirvana, nos bastidores do Aragon Ballroom, em Chicago. Oferece a um visitante um gole do chá que tem nas mãos e diz, com uma voz sem expressão: “Estou muito grato por você ter vindo ao pior show de toda a turnê”.
E ele está certo. A apresentação dessa noite – a segunda das duas realizadas no local, na primeira semana da primeira turnê da banda nos Estados Unidos em dois anos – foi uma porcaria. A acústica cavernosa do lugar transformou até músicas mais corrosivas como “Breed” e “Territorial Pissings” em massas sonoras indistinguíveis, e Cobain foi atormentado a noite inteira por problemas no retorno do vocal e da guitarra. Mesmo assim, houve momentos de brilhantismo: o uivo rasgado de Cobain cortando o eco abismal no explosivo refrão de “Heart-Shaped Box”; uma versão atordoante de “Sliver”. Mas eles não tocaram “Smells Like Teen Spirit” e, em troca, receberam vaias quando as luzes se acenderam.
De acordo com a imagem de Cobain perpetuada pela imprensa – “irritadiço, reclamão, esquizofrênico descontrolado”, como ele mesmo coloca com precisão –, o cantor e guitarrista de 26 anos deveria ter demitido o técnico de som, cancelado esta entrevista e voltado para o hotel revoltado. Em vez disso, passou o pós-show no backstage paparicando sua filha Frances Bean, uma bela e sorridente garotinha loira de 1 ano. Mais tarde, de volta ao hotel e armado com um maço de cigarros e duas garrafas de água Evian, Cobain aparece pensativo, com dificuldades para explicar que o sucesso não é exatamente uma droga – pelo menos não tanto quanto costumava ser – e que a vida anda muito bem. E melhorando.
“Foi tão rápido e explosivo”, diz, com a voz sonolenta e grave, sobre sua primeira crise de autoconfiança, ocorrida em consequência do sucesso fulminante de Nevermind (1991). “Não sabia como lidar com aquilo. Se houvesse um curso do tipo ‘rock star para principiantes’, teria me inscrito. Poderia ter me ajudado.”
“Ainda vejo descrições de rock stars em algumas revistas – ‘Sting, o cara do meio ambiente’, e ‘Kurt Cobain, o chorão, neurótico que odeia tudo, o estrelato, sua própria vida’. E é engraçado, porque nunca estive tão feliz. Especialmente na última semana, já que os shows têm ido muito bem – tirando o de hoje. Sou um cara muito mais feliz do que as pessoas pensam.”
Cobain percorreu um caminho longo, cheio de obstáculos, para atravessar todo o último ano e chegar até aqui. A produção de In Utero (1993), esperada sequência de estúdio de Nevermind, foi assombrada por mudanças de título e de faixas na última hora, além de uma desavença entre a banda, a gravadora Geffen e o produtor Steve Albini sobre o potencial comercial do álbum – ou a falta dele. O casamento de Kurt com Courtney Love – munição de primeira para os fofoqueiros de plantão desde que o casal trocou votos em fevereiro de 1992 – esteve nas manchetes novamente em junho, quando ele foi preso em Seattle, supostamente por ter atacado Love durante uma briga doméstica. A polícia encontrou três armas na casa, mas nenhuma acusação foi feita e o caso foi arquivado.
No ano passado, Cobain declarou abertamente seu vício em heroína, especulado pelos meios de comunicação já há muito tempo, afirmando utilizar a droga – pelo menos em parte – para aliviar dores crônicas de estômago. Ou como ele coloca nesta entrevista, “para me automedicar”. Hoje, ele diz estar livre do vício e, graças a novos medicamentos e uma dieta melhor, seu aparelho digestivo está a caminho da recuperação.
Depois que o Nirvana teve seu status catapultado de banda novata a superdeuses do grunge, Cobain não conseguia entender se seu talento era uma bênção ou uma maldição. Decidiu que era um pouco de cada. Ele se incomoda com o fato de as pessoas o verem mais como um ícone do que como compositor, mas ao mesmo tempo teme que In Utero marque o fim do som que o Nirvana cristalizou com “Smells Like Teen Spirit”. Desconfia da indústria fonográfica, mas diz ter mudado sua atitude perante o público que acompanha o Nirvana.
“Não os julgo tanto quanto antes”, diz em tom de desculpas. “Consegui entender por que eles estão lá e nós aqui. Não me incomoda mais ver um neanderthal de bigode, bêbado, cantando ‘Sliver’. Agora acho muito legal.”
“Me livrei de tanta pressão no último ano e meio”, conta Cobain, com a sensação na voz. “Ainda estou deslumbrado.” Ele lista as razões de seu contentamento: “Ter lançado o disco. Minha família. Minha filha. Ter encontrado William Burroughs e gravado com ele”.
“São coisas pequenas, que ninguém daria valor ou se importaria”, continua. “E tem muito a ver com a banda. Se não fosse o Nirvana, nada disso teria acontecido. Estou muito grato e a cada mês que passa chego a conclusões ainda mais otimistas.”
“Só espero”, ele sorri, “que o excesso de felicidade não me torne um cara chato. Acho que vou ser sempre neurótico o suficiente para fazer algo esquisito”.
Além de todos os problemas no show de hoje, vocês não tocaram “Teen Spirit”. Por quê?
Seria a cereja do bolo [sorrindo]. Isso tornaria tudo duas vezes pior. Nem me lembro do solo de “Teen Spirit”. Levaria uns cinco minutos para sentar e reaprender. Mas não me interesso mais por esse tipo de coisa. É algo tão largado que não me importo mais. Ainda gosto de tocar a música, mas é quase embaraçoso.
Em que sentido? A enormidade do sucesso ainda te incomoda?
Sim. Todo mundo se focou demais nesta música. Houve tanta repercussão porque as pessoas a viram na MTV milhões de vezes. Foi martelada na cabeça delas. Mas acho que tenho tantas outras canções tão boas, se não melhores. “Drain You”, por exemplo, é definitivamente tão boa quanto “Teen Spirit”. Amo a letra e nunca me canso de tocá-la. Talvez se tivesse feito tanto sucesso quanto “Teen Spirit”, eu não gostasse tanto.
O que acontece é que não suporto, especialmente em uma noite ruim como esta, ter que tocar “Teen Spirit”. Tenho, literalmente, vontade de jogar minha guitarra e sair andando. Não consigo fingir que estou curtindo.
Mas você deve ter gostado de compô-la.
Estávamos ensaiando há três meses, esperando para assinar com a Geffen. Dave e eu vivíamos em Olympia e Krist em Tacoma [ambas em Washington]. Íamos toda noite para Tacoma ensaiar. Queria compor a canção pop definitiva. Basicamente, estava tentando copiar os Pixies, admito. Quando ouvi os caras pela primeira vez, senti uma conexão tão forte que passei a achar que devia fazer parte da banda – ou pelo menos de uma banda cover deles. Usamos o mesmo senso de dinâmica dos Pixies: primeiro baixo e calmo, depois alto e pesado.
O riff de “Teen Spirit” é tão clichê. Tão parecido com um riff do Boston ou com “Louie, Louie”. Quando compus a guitarra, Krist olhou para mim e disse: “Isso é tão ridículo”. Fiz a banda tocar aquilo por uma hora e meia.
Está é a primeira turnê que vocês fazem nos Estados Unidos desde 91, um pouco antes de “Nevermind” explodir. Por que ficaram longe da estrada por tanto tempo?
Precisava de tempo para colocar a cabeça no lugar e me reajustar. Bateu tudo muito forte e fiquei com a impressão de que não precisava mais sair em turnê, porque estava ganhando muito dinheiro. Milhões de dólares. De oito a dez milhões de discos vendidos – para mim parecia muita grana. Assim, achei que o melhor era relaxar e aproveitar.
Não quero usar isso como desculpa, como já pareceu muita vezes, mas meu problema de estômago foi uma das coisas que mais atrapalharam a ideia de uma turnê. Já lidava com isso há muito tempo, mas quando alguém convive com dores crônicas por cinco anos, acaba ficando literalmente louco no fim do processo. Não conseguia lidar com nada. Tinha virado um esquizofrênico completo.
Quanto dessa dor você acha que transferiu para suas músicas?
É uma questão assustadora, porque obviamente uma pessoa que compõe e tem algum tipo de distúrbio irá refletir algo disso em sua música. E muitas vezes isso é benéfico. Acho que deve ter ajudado. Mas eu trocaria tudo por uma boa saúde. Quis dar esta entrevista quando já estivesse na estrada por algum tempo e, até agora, tem sido a melhor turnê de toda a minha carreira. Mesmo.
Não tem nada a ver com os fatos de os locais serem maiores ou por as pessoas puxarem mais o nosso saco. O que conta é que meu estômago não me incomoda mais. Estou comendo. Comi uma pizza enorme ontem à noite. Foi legal poder fazer isso. Mas sempre tive medo de que, se a dor no estômago passasse, minha criatividade acabaria junto. Quem sabe? [Pausa]. Não tenho nenhuma música nova no momento.
Em cada álbum, tínhamos de uma a três músicas que haviam sobrado da gravação do anterior. E geralmente eram boas, músicas de que realmente gostávamos. Sendo assim, tínhamos sempre algo a que recorrer – um hit ou alguma canção acima da média. Por causa disso, o próximo álbum vai ser interessante, porque não sobrou nada. Estou começando do zero pela primeira vez. Ainda não sei o que vou fazer.
Uma das músicas que ficaram de fora de In Utero, “I Hate Myself and I Want to Die” (“Eu me odeio e quero morrer”). O quão literal é esse título?
Tão literal quanto uma piada pode ser. Não é nada mais que isso: uma piada. Tiramos justamente por causa disso. Sabíamos que ninguém ia entender, que levariam a sério. Era algo totalmente satírico, tirando sarro de nós mesmos. O tempo todo me veem como um cara irritadiço, reclamão, esquizofrênico, descontrolado que pensa o tempo todo em se matar. “Ele não se satisfaz com nada.” Por isso achei que seria um título engraçado. Por um bom tempo, queria que fosse o nome do disco. Mas achei que a maioria não entenderia.
Já se sentiu consumido por uma dor ou raiva tão grande que te fez querer realmente se matar?
Por cinco anos, enquanto tive meu problema de estômago, sim. Quis me matar todos os dias. Cheguei muito perto algumas vezes. Me desculpe ser tão direto nesse assunto. Houve um ponto em que estava em turnê, deitado no chão, vomitando ar porque não conseguia manter sequer um copo d’água dentro do estômago. E em 20 minutos precisava estar no palco tocando. Cantava tossindo sangue. Isso não é jeito de se viver. Adoro tocar, mas alguma coisa não estava certa. Por isso decidi por me automedicar.
Mesmo enquanto sátira, uma música como essa pode ter algum tipo de consequência. Há uma boa quantidade de garotos que, por várias razões, tem instintos suicidas.
Isso define muito bem nossa banda. Essas contradições. É satírica e séria ao mesmo tempo.
Que tipo de cartas você recebe dos fãs?
[Longa pausa] Costumava ler muito a correspondência e me envolver bastante. Mas ando tão ocupado com o disco, os vídeos, a turnê, que não tenho me interessado em ler uma carta sequer, o que faz com que me sinta muito mal. Tem me faltado energia suficiente para publicar nosso próprio fanzine, que é uma das coisas que fazemos para combater as coisas ruins que alguns veículos dizem sobre nós, para mostrar um lado mais real da banda.
Mas é bem difícil, tenho que admitir. Me vejo fazendo as mesmas coisas que muitos rock stars fazem ou são forçados a fazer. Como não responder cartas ou não se manter atualizado com o que rola na música. Acabo ficando isolado. O mundo lá fora é bem estranho para mim.
Acho que tenho muita sorte por conseguir sair para uma balada de vez em quando. Tivemos uma noite de folga em Kansas City e eu e Pat [Smear, guitarrista convidado para a turnê] não tínhamos ideia de onde estávamos ou para onde ir. Então ligamos para a rádio da faculdade local e perguntamos o que estava rolando. E nem eles sabiam! Acabamos ligando para um bar e a banda Treepeople, de Seattle, estava tocando. No fim, conheci três garotos muito legais e que também tinham bandas. Me diverti junto com eles a noite toda. Chamei-os para o hotel, pedi serviço de quarto e acho que até acabei me empolgando demais ao tentar ser gentil. Mas foi ótimo saber que ainda consigo fazer isso, que ainda posso fazer amigos. Não achava que fosse possível. Há alguns anos, estávamos em Detroit, tocando em uma casa noturna para cerca de dez pessoas. Ao lado havia um bar e Axl Rose chegou com quinze guarda-costas. Foi um espetáculo; todo mundo idolatrando o cara. Se ele tivesse entrado sozinho, não aconteceria nada de mais. Mas ele queria aquilo. Você gera atenção para atrair atenção.
Atualmente, qual sua posição quanto ao Pearl Jam? Há boatos de que você e Eddie Vedder iriam posar juntos na capa da revista Time.
Não quero entrar nesse assunto. Uma das coisas que acabei aprendendo é que falar mal dos outros não me faz bem nenhum. É uma pena, porque toda essa história entre o Pearl Jam e o Nirvana tem rolado por tanto tempo e esteve tão perto de ser esclarecida.
Nunca ficou claro qual era seu problema com ele.
Nunca houve um problema. Falei mal dele porque não gosto da banda. Ainda não tinha encontrado Eddie na época. Foi minha culpa. Devia ter falado mal da gravadora, e não deles. A banda foi transformada em um produto – provavelmente não contra a vontade – mas sem saber que estava sendo incluída no embalo do grunge.
Você não sente nenhuma empatia por eles? O Pearl Jam sofreu a mesma pressão que vocês, por causa do sucesso.
Até sinto. Exceto que tenho certeza de que eles não se esforçaram para desafiar seu público como estamos fazendo com nosso novo álbum. Eles são o exemplo da banda de rock segura. A banda de rock agradável de que todo mundo gosta [risos]. Por Deus, tinha frases tão boas sobre isso na minha cabeça.
Só fico puto por saber que demos duro para fazer um disco com músicas que valessem a pena, que representassem o nosso melhor. Massageando meu próprio ego, posso dizer que somos melhores do que muitas das bandas que estão por aí. Descobrimos que se você tem duas músicas comerciais e pegajosas o suficiente no seu álbum, o resto pode ser um monte de bobagem. Se eu fosse esperto, teria guardado uma boa parte das músicas de Nevermind e espalhado em discos diferentes pelos próximos quinze anos. Mas não consigo fazer isso. Todos os discos de que gostei na vida tinham uma música ótima atrás da outra: Rocks [Aerosmith], Led Zeppelin II [Led Zeppelin], Never Mind the Bollocks [Sex Pistols], Back in Black [AC/DC].
Você já se declarou fã dos Beatles.
Ah, sim. John Lennon era meu Beatle favorito, sem dúvida. Não sei quem escrevia o que nas músicas, mas Paul McCartney me deixa constrangido. Lennon era obviamente uma pessoa perturbada [risos]. Deve ser por isso que simpatizo com ele. E do que li nos livros – e sou muito cético quanto ao que leio, especialmente em livros sobre rock – senti pena dele. Ficar trancado naquele apartamento. Mesmo apaixonado por Yoko e seu filho, sua vida era uma prisão. Ele estava preso. Não é justo. Esse é o grande ponto do meu problema em ser uma celebridade – o modo como as pessoas lidam com gente famosa. Isso precisa mudar. Precisa mesmo. Não importa o quanto você se esforce, sempre vai parecer que você é um reclamão. Entendo por que o público se sente desse jeito e chega a ficar obcecado por um ídolo. Mas é tão difícil convencê-los a relaxar, pegar leve, ter um mínimo de respeito. No fim das contas, somos todos um monte de merda [risos].
Suas melhores músicas – “Teen Spirit”, “Come as You Are”, “Rape Me”, “Penny Royal Tea” – abrem com um verso mais baixo, em um estilo climático. Então vem o refrão no volume máximo. O que vem primeiro, o verso ou o refrão?
[Faz uma longa pausa e então sorri] Não sei mesmo. Acho que faço o verso primeiro. Mas estou ficando cansado dessa receita. E é realmente uma receita. Não há muito que eu possa fazer a respeito. Dominamos esse processo enquanto banda, mas estamos bem cansados disso. É um estilo de dinâmica, mas só estou usando esses dois tipos. Há muito mais que eu poderia usar. Temos trabalhado nessa fórmula – essa coisa de ir do silêncio ao barulho – por tanto tempo que está, literalmente, se tornando chato. É tipo, “Ok, tenho esse riff. Vou tocar baixinho, com o som limpo, sem distorção, enquanto canto. Depois ligo a distorção e você toca a bateria com mais força”. Quero aprender um meio-termo, ir e voltar, de um jeito quase psicodélico no sentido de haver muito mais estrutura. É algo bem difícil de se fazer e não sei se somos capazes – como músicos.
Faixas como “Dumb” e “All Apologies” demonstram que você está buscando um jeito de atingir as pessoas sem apelar para a receita tradicional.
Absolutamente. Queria ter escrito mais algumas músicas como essas. Colocar “About a Girl” em Bleach [1989] foi um risco. Havia muita pressão dentro do underground – do mesmo tipo que você sofre quando está no colégio. E colocar uma música meio pop, que lembrava um R.E.M. desafinado em um disco de grunge, no meio daquela cena, foi arriscado.
Fracassamos em mostrar o lado mais calmo, mais dinâmico da banda. Os garotos querem ouvir a guitarra barulhenta. Gostamos de tocar essas coisas, mas não sei até quando vou conseguir berrar até me esgoelar todas as noites. Às vezes queria ter seguido o mesmo caminho de Bob Dylan e cantar músicas que não acabassem com a minha voz a cada show, assim poderia ter uma carreira longa se quisesse.
O que isso significa para o futuro do Nirvana?
Para mim é meio impossível olhar para o futuro e dizer que vou conseguir tocar as músicas do Nirvana daqui a dez anos. Não dá. Sem querer desmerecer Eric Clapton, mesmo porque o respeito, não quero ser obrigado a fazer o que ele fez. Não quero ter que mudar minhas músicas para que fiquem condizentes com a minha idade [risos].
Quando você foi preso, acusado de violência doméstica, sua esposa, Courtney Love, admitiu à polícia que há armas de fogo em sua casa. Por que você sente necessidade de estar armado?
Gosto de armas. Gosto de atirar.
Onde? Em quê?
[Risos] Quando vou para o bosque, em uma área de tiro. Não é oficialmente uma área de tiro, mas no nosso país é permitido que seja. Há um desfiladeiro, então não existe chance de atirar de lá e acertar alguém. Mesmo porque não há nada a quilômetros de distância.
Sem querer soar politicamente correto, você não acha perigoso ter armas com sua filha em casa?
Não. É uma proteção. Não tenho guarda-costas. Há pessoas bem menos famosas que eu e Courtney que foram perseguidas e assassinadas. Podia até ser alguém procurando uma casa qualquer para assaltar. Temos um sistema de segurança. Na verdade tenho só uma arma carregada, mas a mantenho em um lugar seguro, onde Frances jamais poderia alcançar. E tenho uma M16, que é muito legal de atirar. É o único esporte de que sempre gostei. Não é algo pelo qual seja obcecado ou incentive. Nem penso muito nisso.
O que Courtney acha sobre ter armas em casa?
Ela estava junto quando comprei. Olha, não sou um cara forte. Não seria capaz de impedir alguém armado com uma faca ou revólver. Mas não vou ficar parado assistindo minha família ser esfaqueada ou estuprada na minha frente. Não pensaria duas vezes antes de estourar a cabeça de alguém que fizesse isso. É por proteção. E às vezes é divertido sair e atirar. [Pausa] Em alvos, que fique bem claro [risos].
Costuma-se achar que alguém que vende milhões de discos está muito bem de vida. O quão rico você é? O quão rico se sente? Contam que quis comprar uma casa e montar um estúdio nela, mas seu contador disse que você não podia pagar.
É, não posso. Acabei de receber um belo cheque referente aos direitos autorais de Nevermind. É bem estranho. Quando estávamos vendendo um monte de discos, pensei: “Deus, vou ter 10 milhões de dólares, 15 milhões”. E não é o caso. Não temos uma vida de rico. Ainda como macarrão com queijo de caixinha – porque gosto, estou acostumado. Não somos extravagantes.
Não culpo os garotos por acharem que alguém que vende 10 milhões de cópias é um milionário e está com a vida ganha. Mas não é o caso. Gastei US$ 1 milhão no ano passado e não sei nem como. Sério. Comprei uma casa de US$ 400 mil. Mais 300 mil em impostos ou algo assim. O que mais? Emprestei uma grana para minha mãe. Comprei um carro. Foi isso.
Não é muita coisa para 1 milhão.
É surpreendente. Uma das maiores razões para que não fizéssemos uma turnê nos Estados Unidos justamente quando Nevermind fazia mais sucesso foi porque pensei: “Foda-se, por que eu sairia em turnê? Tenho essa dor de estômago, posso morrer na estrada, estou vendendo um monte de discos, posso viver o resto da minha vida com US$ 1 milhão”. Mas não tem como explicar isso para um moleque de 15 anos. Se me contassem, jamais acreditaria.
Você se preocupa com o impacto que seu trabalho, estilo de vida e guerra contra a vida de celebridade possa ter em Frances? Deve ser um mundo estranho para uma criança.
Me preocupo muito. Ela se sente atraída por todo mundo. Ama todo mundo. É triste que a gente tenha que ficar levando-a de lá para cá o tempo todo. Temos duas babás, uma em período integral e outra mais velha, que cuida dela aos fins de semana. Mas quando trazemos Frances para a estrada há sempre gente por perto. Não conseguimos levá-la ao parque com frequência. Fazemos o melhor possível, mas é um mundo totalmente diferente.
Em “Serve the Servants” você canta, “I tried hard to have a father/But instead I had a dad” (“Me esforcei para ter um pai/Mas só consegui um papai”). Você teme cometer os mesmos erros que seu pai cometeu na sua criação?
Não. Nem um pouco. Sou completamente diferente do meu pai. Sei que sou capaz de demonstrar muito mais afeição do que ele. Mesmo se me separasse de Courtney, jamais permitiria que Frances presenciasse qualquer desavença entre nós. Esse tipo de coisa pode acabar com uma criança, mas isso só acontece quando os pais não são muito espertos. Não acho que somos irresponsáveis. Passamos a vida toda precisando de carinho. E, por saber da necessidade que passamos, temos como único objetivo dar a ela todo o amor e apoio possível. Essa é a única coisa que, tenho certeza, jamais dará errado.
Como tem sido o relacionamento dentro do Nirvana desde o ano passado?
Quando ainda usava drogas, era muito ruim. Não havia comunicação. Krist e Dave não entendiam o problema da droga. Eles nunca se envolveram com isso. Encaravam a heroína do mesmo jeito que eu encarava antes de usar. Era muito triste. Quase não nos falávamos. Eles pensavam o pior, como a maioria faz, e não os culpo. Mas nada é tão ruim quanto parece. Desde que fiquei limpo, tudo voltou ao normal. Exceto por Dave. Ainda fico meio preocupado porque ele ainda acha que pode ser substituído a qualquer momento. Ele ainda se sente como se...
...Como se ainda não tivesse passado na audição?
É. Não entendo. Tento elogiá-lo tanto quanto posso. Não sou do tipo que elogia o tempo inteiro, principalmente nos ensaios. “Vamos tocar essa, aquela, de novo.” É assim. Acho que Dave é o tipo de pessoa que precisa sentir que tem um voto de confiança às vezes. Percebi que era assim e por isso faço elogios com mais frequência.
Então é você quem manda?
Sim. Peço a opinião deles, mas a decisão final é minha. É sempre estranho dizer isso; soa egoísta. Mas nós nunca discutimos. Dave, Krist e eu nunca gritamos um com o outro. Nunca. Não que eles tenham medo de tocar em algum assunto ou dizer algo. Sempre peço a opinião deles e conversamos a respeito. Eventualmente chegamos às mesmas conclusões.
Não houve nem uma discussão mais acalorada?
No caso dos direitos autorais. Ganho sobre todas as letras. Nas músicas, ganho 75% e eles ficam com o resto. Acho que é justo. Mas naquela época estava usando drogas. E eles acharam que eu ia acabar fazendo outras exigências, transformando os dois em empregados com salário e coisas do tipo. Mesmo nesse dia ninguém gritou um com o outro. E dividimos todo o resto em partes iguais.
É possível imaginar uma época em que não haverá mais Nirvana? Você tentaria uma carreira solo?
Acho que não. Creio que não seria capaz de embarcar em um “Kurt Cobain Project”.
O nome também não soa muito bem.
Não [risos]. Mas, sim, gostaria de trabalhar com pessoas que fazem o oposto do que faço hoje. Algo diferente.
Não me parece um bom sinal para o Nirvana e para o tipo de música que vocês fazem juntos.
É meio o que tenho tentado dizer durante toda a entrevista. Que estamos quase exaustos. Chegamos a um ponto em que as coisas estão se tornando repetitivas. Não há para onde progredir, nada que queiramos alcançar.
Odeio dizer isso, mas não vejo a banda durando mais que alguns álbuns, a menos que comecemos a trabalhar duro e experimentar mais. Quero dizer, vamos encarar a realidade: quando as mesmas pessoas se juntam para fazer o mesmo tipo de trabalho, sempre haverá uma limitação. Estou realmente interessado em estudar coisas diferentes e sei que Dave e Krist também estão. Mas não sei se seremos capazes de fazer juntos. Não quero lançar um novo álbum que se pareça com os três anteriores. Sei que vamos lançar pelo menos mais um, e já tenho uma boa ideia de como vai soar: bem etéreo, acústico, como o último álbum do R.E.M. Se eu pudesse compor tão bem quanto eles...
Não sei como conseguem fazer o que fazem. Por Deus, eles são os maiores. Lidaram com o sucesso como santos e lançam músicas incríveis. Isso é o que eu realmente queria que o Nirvana fizesse. Porque estamos encalhados. Fomos rotulados. O R.E.M. é o quê? “College rock”? É um rótulo que nem pegou. “Grunge” é um termo tão potente quanto “new wave”. Não dá para cair fora. E uma hora vai se tornar ultrapassado. Você tem que se arriscar e esperar que um público totalmente diferente te aceite ou que seus fãs cresçam junto com você.
E se os fãs disserem: “Não curtimos, caiam fora”?
Bom, aí [risos] eles que se fodam.
por David Fricke
rs
Desarrumado e sem camisa, Kurt Cobain para no meio da escada que leva ao camarim do Nirvana, nos bastidores do Aragon Ballroom, em Chicago. Oferece a um visitante um gole do chá que tem nas mãos e diz, com uma voz sem expressão: “Estou muito grato por você ter vindo ao pior show de toda a turnê”.
E ele está certo. A apresentação dessa noite – a segunda das duas realizadas no local, na primeira semana da primeira turnê da banda nos Estados Unidos em dois anos – foi uma porcaria. A acústica cavernosa do lugar transformou até músicas mais corrosivas como “Breed” e “Territorial Pissings” em massas sonoras indistinguíveis, e Cobain foi atormentado a noite inteira por problemas no retorno do vocal e da guitarra. Mesmo assim, houve momentos de brilhantismo: o uivo rasgado de Cobain cortando o eco abismal no explosivo refrão de “Heart-Shaped Box”; uma versão atordoante de “Sliver”. Mas eles não tocaram “Smells Like Teen Spirit” e, em troca, receberam vaias quando as luzes se acenderam.De acordo com a imagem de Cobain perpetuada pela imprensa – “irritadiço, reclamão, esquizofrênico descontrolado”, como ele mesmo coloca com precisão –, o cantor e guitarrista de 26 anos deveria ter demitido o técnico de som, cancelado esta entrevista e voltado para o hotel revoltado. Em vez disso, passou o pós-show no backstage paparicando sua filha Frances Bean, uma bela e sorridente garotinha loira de 1 ano. Mais tarde, de volta ao hotel e armado com um maço de cigarros e duas garrafas de água Evian, Cobain aparece pensativo, com dificuldades para explicar que o sucesso não é exatamente uma droga – pelo menos não tanto quanto costumava ser – e que a vida anda muito bem. E melhorando.
“Foi tão rápido e explosivo”, diz, com a voz sonolenta e grave, sobre sua primeira crise de autoconfiança, ocorrida em consequência do sucesso fulminante de Nevermind (1991). “Não sabia como lidar com aquilo. Se houvesse um curso do tipo ‘rock star para principiantes’, teria me inscrito. Poderia ter me ajudado.”“Ainda vejo descrições de rock stars em algumas revistas – ‘Sting, o cara do meio ambiente’, e ‘Kurt Cobain, o chorão, neurótico que odeia tudo, o estrelato, sua própria vida’. E é engraçado, porque nunca estive tão feliz. Especialmente na última semana, já que os shows têm ido muito bem – tirando o de hoje. Sou um cara muito mais feliz do que as pessoas pensam.”
Cobain percorreu um caminho longo, cheio de obstáculos, para atravessar todo o último ano e chegar até aqui. A produção de In Utero (1993), esperada sequência de estúdio de Nevermind, foi assombrada por mudanças de título e de faixas na última hora, além de uma desavença entre a banda, a gravadora Geffen e o produtor Steve Albini sobre o potencial comercial do álbum – ou a falta dele. O casamento de Kurt com Courtney Love – munição de primeira para os fofoqueiros de plantão desde que o casal trocou votos em fevereiro de 1992 – esteve nas manchetes novamente em junho, quando ele foi preso em Seattle, supostamente por ter atacado Love durante uma briga doméstica. A polícia encontrou três armas na casa, mas nenhuma acusação foi feita e o caso foi arquivado.
No ano passado, Cobain declarou abertamente seu vício em heroína, especulado pelos meios de comunicação já há muito tempo, afirmando utilizar a droga – pelo menos em parte – para aliviar dores crônicas de estômago. Ou como ele coloca nesta entrevista, “para me automedicar”. Hoje, ele diz estar livre do vício e, graças a novos medicamentos e uma dieta melhor, seu aparelho digestivo está a caminho da recuperação.
Depois que o Nirvana teve seu status catapultado de banda novata a superdeuses do grunge, Cobain não conseguia entender se seu talento era uma bênção ou uma maldição. Decidiu que era um pouco de cada. Ele se incomoda com o fato de as pessoas o verem mais como um ícone do que como compositor, mas ao mesmo tempo teme que In Utero marque o fim do som que o Nirvana cristalizou com “Smells Like Teen Spirit”. Desconfia da indústria fonográfica, mas diz ter mudado sua atitude perante o público que acompanha o Nirvana.
“Não os julgo tanto quanto antes”, diz em tom de desculpas. “Consegui entender por que eles estão lá e nós aqui. Não me incomoda mais ver um neanderthal de bigode, bêbado, cantando ‘Sliver’. Agora acho muito legal.”
“Me livrei de tanta pressão no último ano e meio”, conta Cobain, com a sensação na voz. “Ainda estou deslumbrado.” Ele lista as razões de seu contentamento: “Ter lançado o disco. Minha família. Minha filha. Ter encontrado William Burroughs e gravado com ele”.
“São coisas pequenas, que ninguém daria valor ou se importaria”, continua. “E tem muito a ver com a banda. Se não fosse o Nirvana, nada disso teria acontecido. Estou muito grato e a cada mês que passa chego a conclusões ainda mais otimistas.”
“Só espero”, ele sorri, “que o excesso de felicidade não me torne um cara chato. Acho que vou ser sempre neurótico o suficiente para fazer algo esquisito”.
Além de todos os problemas no show de hoje, vocês não tocaram “Teen Spirit”. Por quê?
Seria a cereja do bolo [sorrindo]. Isso tornaria tudo duas vezes pior. Nem me lembro do solo de “Teen Spirit”. Levaria uns cinco minutos para sentar e reaprender. Mas não me interesso mais por esse tipo de coisa. É algo tão largado que não me importo mais. Ainda gosto de tocar a música, mas é quase embaraçoso.
Em que sentido? A enormidade do sucesso ainda te incomoda?
Sim. Todo mundo se focou demais nesta música. Houve tanta repercussão porque as pessoas a viram na MTV milhões de vezes. Foi martelada na cabeça delas. Mas acho que tenho tantas outras canções tão boas, se não melhores. “Drain You”, por exemplo, é definitivamente tão boa quanto “Teen Spirit”. Amo a letra e nunca me canso de tocá-la. Talvez se tivesse feito tanto sucesso quanto “Teen Spirit”, eu não gostasse tanto.
O que acontece é que não suporto, especialmente em uma noite ruim como esta, ter que tocar “Teen Spirit”. Tenho, literalmente, vontade de jogar minha guitarra e sair andando. Não consigo fingir que estou curtindo.
Mas você deve ter gostado de compô-la.
Estávamos ensaiando há três meses, esperando para assinar com a Geffen. Dave e eu vivíamos em Olympia e Krist em Tacoma [ambas em Washington]. Íamos toda noite para Tacoma ensaiar. Queria compor a canção pop definitiva. Basicamente, estava tentando copiar os Pixies, admito. Quando ouvi os caras pela primeira vez, senti uma conexão tão forte que passei a achar que devia fazer parte da banda – ou pelo menos de uma banda cover deles. Usamos o mesmo senso de dinâmica dos Pixies: primeiro baixo e calmo, depois alto e pesado.
O riff de “Teen Spirit” é tão clichê. Tão parecido com um riff do Boston ou com “Louie, Louie”. Quando compus a guitarra, Krist olhou para mim e disse: “Isso é tão ridículo”. Fiz a banda tocar aquilo por uma hora e meia.
Está é a primeira turnê que vocês fazem nos Estados Unidos desde 91, um pouco antes de “Nevermind” explodir. Por que ficaram longe da estrada por tanto tempo?
Precisava de tempo para colocar a cabeça no lugar e me reajustar. Bateu tudo muito forte e fiquei com a impressão de que não precisava mais sair em turnê, porque estava ganhando muito dinheiro. Milhões de dólares. De oito a dez milhões de discos vendidos – para mim parecia muita grana. Assim, achei que o melhor era relaxar e aproveitar.
Não quero usar isso como desculpa, como já pareceu muita vezes, mas meu problema de estômago foi uma das coisas que mais atrapalharam a ideia de uma turnê. Já lidava com isso há muito tempo, mas quando alguém convive com dores crônicas por cinco anos, acaba ficando literalmente louco no fim do processo. Não conseguia lidar com nada. Tinha virado um esquizofrênico completo.
Quanto dessa dor você acha que transferiu para suas músicas?
É uma questão assustadora, porque obviamente uma pessoa que compõe e tem algum tipo de distúrbio irá refletir algo disso em sua música. E muitas vezes isso é benéfico. Acho que deve ter ajudado. Mas eu trocaria tudo por uma boa saúde. Quis dar esta entrevista quando já estivesse na estrada por algum tempo e, até agora, tem sido a melhor turnê de toda a minha carreira. Mesmo.
Não tem nada a ver com os fatos de os locais serem maiores ou por as pessoas puxarem mais o nosso saco. O que conta é que meu estômago não me incomoda mais. Estou comendo. Comi uma pizza enorme ontem à noite. Foi legal poder fazer isso. Mas sempre tive medo de que, se a dor no estômago passasse, minha criatividade acabaria junto. Quem sabe? [Pausa]. Não tenho nenhuma música nova no momento.
Em cada álbum, tínhamos de uma a três músicas que haviam sobrado da gravação do anterior. E geralmente eram boas, músicas de que realmente gostávamos. Sendo assim, tínhamos sempre algo a que recorrer – um hit ou alguma canção acima da média. Por causa disso, o próximo álbum vai ser interessante, porque não sobrou nada. Estou começando do zero pela primeira vez. Ainda não sei o que vou fazer.
Uma das músicas que ficaram de fora de In Utero, “I Hate Myself and I Want to Die” (“Eu me odeio e quero morrer”). O quão literal é esse título?
Tão literal quanto uma piada pode ser. Não é nada mais que isso: uma piada. Tiramos justamente por causa disso. Sabíamos que ninguém ia entender, que levariam a sério. Era algo totalmente satírico, tirando sarro de nós mesmos. O tempo todo me veem como um cara irritadiço, reclamão, esquizofrênico, descontrolado que pensa o tempo todo em se matar. “Ele não se satisfaz com nada.” Por isso achei que seria um título engraçado. Por um bom tempo, queria que fosse o nome do disco. Mas achei que a maioria não entenderia.
Já se sentiu consumido por uma dor ou raiva tão grande que te fez querer realmente se matar?
Por cinco anos, enquanto tive meu problema de estômago, sim. Quis me matar todos os dias. Cheguei muito perto algumas vezes. Me desculpe ser tão direto nesse assunto. Houve um ponto em que estava em turnê, deitado no chão, vomitando ar porque não conseguia manter sequer um copo d’água dentro do estômago. E em 20 minutos precisava estar no palco tocando. Cantava tossindo sangue. Isso não é jeito de se viver. Adoro tocar, mas alguma coisa não estava certa. Por isso decidi por me automedicar.
Mesmo enquanto sátira, uma música como essa pode ter algum tipo de consequência. Há uma boa quantidade de garotos que, por várias razões, tem instintos suicidas.
Isso define muito bem nossa banda. Essas contradições. É satírica e séria ao mesmo tempo.
Que tipo de cartas você recebe dos fãs?
[Longa pausa] Costumava ler muito a correspondência e me envolver bastante. Mas ando tão ocupado com o disco, os vídeos, a turnê, que não tenho me interessado em ler uma carta sequer, o que faz com que me sinta muito mal. Tem me faltado energia suficiente para publicar nosso próprio fanzine, que é uma das coisas que fazemos para combater as coisas ruins que alguns veículos dizem sobre nós, para mostrar um lado mais real da banda.
Mas é bem difícil, tenho que admitir. Me vejo fazendo as mesmas coisas que muitos rock stars fazem ou são forçados a fazer. Como não responder cartas ou não se manter atualizado com o que rola na música. Acabo ficando isolado. O mundo lá fora é bem estranho para mim.
Acho que tenho muita sorte por conseguir sair para uma balada de vez em quando. Tivemos uma noite de folga em Kansas City e eu e Pat [Smear, guitarrista convidado para a turnê] não tínhamos ideia de onde estávamos ou para onde ir. Então ligamos para a rádio da faculdade local e perguntamos o que estava rolando. E nem eles sabiam! Acabamos ligando para um bar e a banda Treepeople, de Seattle, estava tocando. No fim, conheci três garotos muito legais e que também tinham bandas. Me diverti junto com eles a noite toda. Chamei-os para o hotel, pedi serviço de quarto e acho que até acabei me empolgando demais ao tentar ser gentil. Mas foi ótimo saber que ainda consigo fazer isso, que ainda posso fazer amigos. Não achava que fosse possível. Há alguns anos, estávamos em Detroit, tocando em uma casa noturna para cerca de dez pessoas. Ao lado havia um bar e Axl Rose chegou com quinze guarda-costas. Foi um espetáculo; todo mundo idolatrando o cara. Se ele tivesse entrado sozinho, não aconteceria nada de mais. Mas ele queria aquilo. Você gera atenção para atrair atenção.
Atualmente, qual sua posição quanto ao Pearl Jam? Há boatos de que você e Eddie Vedder iriam posar juntos na capa da revista Time.
Não quero entrar nesse assunto. Uma das coisas que acabei aprendendo é que falar mal dos outros não me faz bem nenhum. É uma pena, porque toda essa história entre o Pearl Jam e o Nirvana tem rolado por tanto tempo e esteve tão perto de ser esclarecida.
Nunca ficou claro qual era seu problema com ele.
Nunca houve um problema. Falei mal dele porque não gosto da banda. Ainda não tinha encontrado Eddie na época. Foi minha culpa. Devia ter falado mal da gravadora, e não deles. A banda foi transformada em um produto – provavelmente não contra a vontade – mas sem saber que estava sendo incluída no embalo do grunge.
Você não sente nenhuma empatia por eles? O Pearl Jam sofreu a mesma pressão que vocês, por causa do sucesso.
Até sinto. Exceto que tenho certeza de que eles não se esforçaram para desafiar seu público como estamos fazendo com nosso novo álbum. Eles são o exemplo da banda de rock segura. A banda de rock agradável de que todo mundo gosta [risos]. Por Deus, tinha frases tão boas sobre isso na minha cabeça.
Só fico puto por saber que demos duro para fazer um disco com músicas que valessem a pena, que representassem o nosso melhor. Massageando meu próprio ego, posso dizer que somos melhores do que muitas das bandas que estão por aí. Descobrimos que se você tem duas músicas comerciais e pegajosas o suficiente no seu álbum, o resto pode ser um monte de bobagem. Se eu fosse esperto, teria guardado uma boa parte das músicas de Nevermind e espalhado em discos diferentes pelos próximos quinze anos. Mas não consigo fazer isso. Todos os discos de que gostei na vida tinham uma música ótima atrás da outra: Rocks [Aerosmith], Led Zeppelin II [Led Zeppelin], Never Mind the Bollocks [Sex Pistols], Back in Black [AC/DC].
Você já se declarou fã dos Beatles.
Ah, sim. John Lennon era meu Beatle favorito, sem dúvida. Não sei quem escrevia o que nas músicas, mas Paul McCartney me deixa constrangido. Lennon era obviamente uma pessoa perturbada [risos]. Deve ser por isso que simpatizo com ele. E do que li nos livros – e sou muito cético quanto ao que leio, especialmente em livros sobre rock – senti pena dele. Ficar trancado naquele apartamento. Mesmo apaixonado por Yoko e seu filho, sua vida era uma prisão. Ele estava preso. Não é justo. Esse é o grande ponto do meu problema em ser uma celebridade – o modo como as pessoas lidam com gente famosa. Isso precisa mudar. Precisa mesmo. Não importa o quanto você se esforce, sempre vai parecer que você é um reclamão. Entendo por que o público se sente desse jeito e chega a ficar obcecado por um ídolo. Mas é tão difícil convencê-los a relaxar, pegar leve, ter um mínimo de respeito. No fim das contas, somos todos um monte de merda [risos].
Suas melhores músicas – “Teen Spirit”, “Come as You Are”, “Rape Me”, “Penny Royal Tea” – abrem com um verso mais baixo, em um estilo climático. Então vem o refrão no volume máximo. O que vem primeiro, o verso ou o refrão?
[Faz uma longa pausa e então sorri] Não sei mesmo. Acho que faço o verso primeiro. Mas estou ficando cansado dessa receita. E é realmente uma receita. Não há muito que eu possa fazer a respeito. Dominamos esse processo enquanto banda, mas estamos bem cansados disso. É um estilo de dinâmica, mas só estou usando esses dois tipos. Há muito mais que eu poderia usar. Temos trabalhado nessa fórmula – essa coisa de ir do silêncio ao barulho – por tanto tempo que está, literalmente, se tornando chato. É tipo, “Ok, tenho esse riff. Vou tocar baixinho, com o som limpo, sem distorção, enquanto canto. Depois ligo a distorção e você toca a bateria com mais força”. Quero aprender um meio-termo, ir e voltar, de um jeito quase psicodélico no sentido de haver muito mais estrutura. É algo bem difícil de se fazer e não sei se somos capazes – como músicos.
Faixas como “Dumb” e “All Apologies” demonstram que você está buscando um jeito de atingir as pessoas sem apelar para a receita tradicional.
Absolutamente. Queria ter escrito mais algumas músicas como essas. Colocar “About a Girl” em Bleach [1989] foi um risco. Havia muita pressão dentro do underground – do mesmo tipo que você sofre quando está no colégio. E colocar uma música meio pop, que lembrava um R.E.M. desafinado em um disco de grunge, no meio daquela cena, foi arriscado.
Fracassamos em mostrar o lado mais calmo, mais dinâmico da banda. Os garotos querem ouvir a guitarra barulhenta. Gostamos de tocar essas coisas, mas não sei até quando vou conseguir berrar até me esgoelar todas as noites. Às vezes queria ter seguido o mesmo caminho de Bob Dylan e cantar músicas que não acabassem com a minha voz a cada show, assim poderia ter uma carreira longa se quisesse.
O que isso significa para o futuro do Nirvana?
Para mim é meio impossível olhar para o futuro e dizer que vou conseguir tocar as músicas do Nirvana daqui a dez anos. Não dá. Sem querer desmerecer Eric Clapton, mesmo porque o respeito, não quero ser obrigado a fazer o que ele fez. Não quero ter que mudar minhas músicas para que fiquem condizentes com a minha idade [risos].
Quando você foi preso, acusado de violência doméstica, sua esposa, Courtney Love, admitiu à polícia que há armas de fogo em sua casa. Por que você sente necessidade de estar armado?
Gosto de armas. Gosto de atirar.
Onde? Em quê?
[Risos] Quando vou para o bosque, em uma área de tiro. Não é oficialmente uma área de tiro, mas no nosso país é permitido que seja. Há um desfiladeiro, então não existe chance de atirar de lá e acertar alguém. Mesmo porque não há nada a quilômetros de distância.
Sem querer soar politicamente correto, você não acha perigoso ter armas com sua filha em casa?
Não. É uma proteção. Não tenho guarda-costas. Há pessoas bem menos famosas que eu e Courtney que foram perseguidas e assassinadas. Podia até ser alguém procurando uma casa qualquer para assaltar. Temos um sistema de segurança. Na verdade tenho só uma arma carregada, mas a mantenho em um lugar seguro, onde Frances jamais poderia alcançar. E tenho uma M16, que é muito legal de atirar. É o único esporte de que sempre gostei. Não é algo pelo qual seja obcecado ou incentive. Nem penso muito nisso.
O que Courtney acha sobre ter armas em casa?
Ela estava junto quando comprei. Olha, não sou um cara forte. Não seria capaz de impedir alguém armado com uma faca ou revólver. Mas não vou ficar parado assistindo minha família ser esfaqueada ou estuprada na minha frente. Não pensaria duas vezes antes de estourar a cabeça de alguém que fizesse isso. É por proteção. E às vezes é divertido sair e atirar. [Pausa] Em alvos, que fique bem claro [risos].
Costuma-se achar que alguém que vende milhões de discos está muito bem de vida. O quão rico você é? O quão rico se sente? Contam que quis comprar uma casa e montar um estúdio nela, mas seu contador disse que você não podia pagar.
É, não posso. Acabei de receber um belo cheque referente aos direitos autorais de Nevermind. É bem estranho. Quando estávamos vendendo um monte de discos, pensei: “Deus, vou ter 10 milhões de dólares, 15 milhões”. E não é o caso. Não temos uma vida de rico. Ainda como macarrão com queijo de caixinha – porque gosto, estou acostumado. Não somos extravagantes.
Não culpo os garotos por acharem que alguém que vende 10 milhões de cópias é um milionário e está com a vida ganha. Mas não é o caso. Gastei US$ 1 milhão no ano passado e não sei nem como. Sério. Comprei uma casa de US$ 400 mil. Mais 300 mil em impostos ou algo assim. O que mais? Emprestei uma grana para minha mãe. Comprei um carro. Foi isso.
Não é muita coisa para 1 milhão.
É surpreendente. Uma das maiores razões para que não fizéssemos uma turnê nos Estados Unidos justamente quando Nevermind fazia mais sucesso foi porque pensei: “Foda-se, por que eu sairia em turnê? Tenho essa dor de estômago, posso morrer na estrada, estou vendendo um monte de discos, posso viver o resto da minha vida com US$ 1 milhão”. Mas não tem como explicar isso para um moleque de 15 anos. Se me contassem, jamais acreditaria.
Você se preocupa com o impacto que seu trabalho, estilo de vida e guerra contra a vida de celebridade possa ter em Frances? Deve ser um mundo estranho para uma criança.
Me preocupo muito. Ela se sente atraída por todo mundo. Ama todo mundo. É triste que a gente tenha que ficar levando-a de lá para cá o tempo todo. Temos duas babás, uma em período integral e outra mais velha, que cuida dela aos fins de semana. Mas quando trazemos Frances para a estrada há sempre gente por perto. Não conseguimos levá-la ao parque com frequência. Fazemos o melhor possível, mas é um mundo totalmente diferente.
Em “Serve the Servants” você canta, “I tried hard to have a father/But instead I had a dad” (“Me esforcei para ter um pai/Mas só consegui um papai”). Você teme cometer os mesmos erros que seu pai cometeu na sua criação?
Não. Nem um pouco. Sou completamente diferente do meu pai. Sei que sou capaz de demonstrar muito mais afeição do que ele. Mesmo se me separasse de Courtney, jamais permitiria que Frances presenciasse qualquer desavença entre nós. Esse tipo de coisa pode acabar com uma criança, mas isso só acontece quando os pais não são muito espertos. Não acho que somos irresponsáveis. Passamos a vida toda precisando de carinho. E, por saber da necessidade que passamos, temos como único objetivo dar a ela todo o amor e apoio possível. Essa é a única coisa que, tenho certeza, jamais dará errado.
Como tem sido o relacionamento dentro do Nirvana desde o ano passado?
Quando ainda usava drogas, era muito ruim. Não havia comunicação. Krist e Dave não entendiam o problema da droga. Eles nunca se envolveram com isso. Encaravam a heroína do mesmo jeito que eu encarava antes de usar. Era muito triste. Quase não nos falávamos. Eles pensavam o pior, como a maioria faz, e não os culpo. Mas nada é tão ruim quanto parece. Desde que fiquei limpo, tudo voltou ao normal. Exceto por Dave. Ainda fico meio preocupado porque ele ainda acha que pode ser substituído a qualquer momento. Ele ainda se sente como se...
...Como se ainda não tivesse passado na audição?
É. Não entendo. Tento elogiá-lo tanto quanto posso. Não sou do tipo que elogia o tempo inteiro, principalmente nos ensaios. “Vamos tocar essa, aquela, de novo.” É assim. Acho que Dave é o tipo de pessoa que precisa sentir que tem um voto de confiança às vezes. Percebi que era assim e por isso faço elogios com mais frequência.
Então é você quem manda?
Sim. Peço a opinião deles, mas a decisão final é minha. É sempre estranho dizer isso; soa egoísta. Mas nós nunca discutimos. Dave, Krist e eu nunca gritamos um com o outro. Nunca. Não que eles tenham medo de tocar em algum assunto ou dizer algo. Sempre peço a opinião deles e conversamos a respeito. Eventualmente chegamos às mesmas conclusões.
Não houve nem uma discussão mais acalorada?
No caso dos direitos autorais. Ganho sobre todas as letras. Nas músicas, ganho 75% e eles ficam com o resto. Acho que é justo. Mas naquela época estava usando drogas. E eles acharam que eu ia acabar fazendo outras exigências, transformando os dois em empregados com salário e coisas do tipo. Mesmo nesse dia ninguém gritou um com o outro. E dividimos todo o resto em partes iguais.
É possível imaginar uma época em que não haverá mais Nirvana? Você tentaria uma carreira solo?
Acho que não. Creio que não seria capaz de embarcar em um “Kurt Cobain Project”.
O nome também não soa muito bem.
Não [risos]. Mas, sim, gostaria de trabalhar com pessoas que fazem o oposto do que faço hoje. Algo diferente.
Não me parece um bom sinal para o Nirvana e para o tipo de música que vocês fazem juntos.
É meio o que tenho tentado dizer durante toda a entrevista. Que estamos quase exaustos. Chegamos a um ponto em que as coisas estão se tornando repetitivas. Não há para onde progredir, nada que queiramos alcançar.
Odeio dizer isso, mas não vejo a banda durando mais que alguns álbuns, a menos que comecemos a trabalhar duro e experimentar mais. Quero dizer, vamos encarar a realidade: quando as mesmas pessoas se juntam para fazer o mesmo tipo de trabalho, sempre haverá uma limitação. Estou realmente interessado em estudar coisas diferentes e sei que Dave e Krist também estão. Mas não sei se seremos capazes de fazer juntos. Não quero lançar um novo álbum que se pareça com os três anteriores. Sei que vamos lançar pelo menos mais um, e já tenho uma boa ideia de como vai soar: bem etéreo, acústico, como o último álbum do R.E.M. Se eu pudesse compor tão bem quanto eles...
Não sei como conseguem fazer o que fazem. Por Deus, eles são os maiores. Lidaram com o sucesso como santos e lançam músicas incríveis. Isso é o que eu realmente queria que o Nirvana fizesse. Porque estamos encalhados. Fomos rotulados. O R.E.M. é o quê? “College rock”? É um rótulo que nem pegou. “Grunge” é um termo tão potente quanto “new wave”. Não dá para cair fora. E uma hora vai se tornar ultrapassado. Você tem que se arriscar e esperar que um público totalmente diferente te aceite ou que seus fãs cresçam junto com você.
E se os fãs disserem: “Não curtimos, caiam fora”?
Bom, aí [risos] eles que se fodam.
por David Fricke
rs
# 267 - 30/03/2013 - 6 Anos de programa de rock
Sorteei uma cópia em vinil original importado de "Smell of female", EP Ao Vivo do The Cramps, na edição de aniversário de 6 anos do programa de rock, sábado passado. Também reprisei um debate sobre o punk em Sergipe promovido em 2010 e tocamos, pela primeira vez, na íntegra, a gravação da aprsentação que a Karne Krua fez ao vivo durante o programa, no final do ano passado.
Até amanhã, na edição de 6 anos 1 semana do programa de rock.
###############################
The Cramps - Faster pussycat (Ao Vivo)
Melvins - Warhead (Venom cover)
Suicidal Tendencies - Shake it out
Nightwish - Storytime
The Doors - Love me two times
The Doors - Light my fite (Live, The Spectrum, Philadelphia, Pensylvania. 1 May 1970)
Pata de Elefante - Tudo vai ficar bem
Reprise do Debate: O Movimento Punk em Sergipe
com:
Silvio Campos (Karne Krua/Words Guerrilla/A Casca Grossa/Logorreia)
Vicente Coda (Ex-Karne Krua)
Marcelo Prata (Olho por Olho)
Dani (The Jezebels/The Renegades of punk)
Ivo (The Renegades of punk)
Cicero "Mago" (PH/Logorréia)
Nininho (Logorréia)
Luiz (Cessar Fogo)
Casca Grossa - Destrói
Cessar Fogo - Suicídio mundial
The Renegades of punk - Coração Metrônomo
Robot Wars - Coração contra o tempo
Logorréia - Homem monstro
Manikomio - Carecas do Brasil
Karne Krua Ao Vivo no programa de rock
# Rumors of war
# Justiça
# Mensões do futuro
# Inconformismo
# O guerreiro
# Cobaias/Animais
# Lixeiras da cidade
# Grandes Corporações
# Terrorismo XXI
# A pequena Sofia
# Quando o homem vira um animal
# Hienas na carcaça
# O anti-herói
# Horrores Humanos
# Inferno cinzento
#
Até amanhã, na edição de 6 anos 1 semana do programa de rock.
###############################
Melvins - Warhead (Venom cover)
Suicidal Tendencies - Shake it out
Nightwish - Storytime
The Doors - Love me two times
The Doors - Light my fite (Live, The Spectrum, Philadelphia, Pensylvania. 1 May 1970)
Pata de Elefante - Tudo vai ficar bem
Reprise do Debate: O Movimento Punk em Sergipe
com:
Silvio Campos (Karne Krua/Words Guerrilla/A Casca Grossa/Logorreia)
Vicente Coda (Ex-Karne Krua)
Marcelo Prata (Olho por Olho)
Dani (The Jezebels/The Renegades of punk)
Ivo (The Renegades of punk)
Cicero "Mago" (PH/Logorréia)
Nininho (Logorréia)
Luiz (Cessar Fogo)
Casca Grossa - Destrói
Cessar Fogo - Suicídio mundial
The Renegades of punk - Coração Metrônomo
Robot Wars - Coração contra o tempo
Logorréia - Homem monstro
Manikomio - Carecas do Brasil
Karne Krua Ao Vivo no programa de rock
# Rumors of war
# Justiça
# Mensões do futuro
# Inconformismo
# O guerreiro
# Cobaias/Animais
# Lixeiras da cidade
# Grandes Corporações
# Terrorismo XXI
# A pequena Sofia
# Quando o homem vira um animal
# Hienas na carcaça
# O anti-herói
# Horrores Humanos
# Inferno cinzento
#
Ele está no meio de nós ...
Já faltava tinta na caneta para anotar o nome das músicas quando Robert
Smith começou a mostrar sinais de cansaço, numa versão mais lenta de
“Boys Don’t Cry”. Mas ele estava lá liderando o The Cure
e cumprindo a promessa - e como Bob falou à imprensa brasileira - de
tocar um set longo e cheio de músicas: redondas 40 canções em três horas
e 20 minutos. E olha que foi pouco, se consideramos a lista original
fornecida pela produção, com sete músicas a mais, e a compreensível
tolerância com o terrível trânsito do Rio para a HSBC Arena, que atrasou
o início em meia hora. Definitivamente um show para iniciados, mas que
os não acostumados com os 37 anos dessa lenda viva do rock também podem
curtir, embora muitos tenham saído antes do fim.
Isso porque logo na primeira parte já aparecem hits do naipe de “In Between Days”, do bombado álbum “The Head Om The Door”, obrigatório na época em que o rock dava as cartas por aqui, na mídia e nas pistas. Mas o quesito rock pra dançar, Bob Smith, que não é bobo, deixaria para o último bis, avaliando a resistência dois fãs e a sua própria. Pode até não parecer, mas há conceitos fornecidos numa noite como essa, aqui e acolá. Por mais que os músicos pareçam combinar quase tudo ali no palco, não é por acaso que a noite começa com “Open” e termina com “End”, muito menos a alternância entre momentos alegrinhos, do tipo “Friday, I’m In Love”, que todo mundo adora, com outros soturnos ao extremo, como em “One Hundred Years”, cujas imagens no telão só ampliavam a mais profunda tristeza. A música do Cure - se você não se deu conta - é para tocar as profundezas da alma. E o grupo ainda teve a ousadia de tocar quase a íntegra do álbum “Disintegration” (sete de 10 músicas, num bis só para ele, com três), um dos discos mais tristes e sombrios de que se tem notícia.
A banda passa a maior parte do tempo paradona no palco, e são as dancinhas do desengonçado Robert Smith que chamam a atenção em algumas músicas. Ele reclama de ter demorado 17 anos para voltar ao Brasil e de não ter aprendido português, mas sabe que carisma é muito mais do que ler frases feitas em um pedaço de papel ou ficar dizendo “oi, tudo bem” com sotaque carregado. No caso do Cure, a música é hipnótica e prende o público por si só, sem pataquadas afins. E quem está no palco é Robert Smith, um dos nossos super heróis mais emblemáticos, do tempo em que, para se subir em um palco, não podia ser com qualquer roupa do cotidiano, era preciso um personagem. Tanto que Bob encarna seu alter ego, há 37 anos, dentro e fora do palco. Um personagem que atravessa gerações incólume, jamais envelhece e ainda faz dos quilinhos a mais que carrega desde a juventude um plus inerente ao conjunto da obra. Robert Smith permanece sendo o ursinho de pelúcia em carne, osso e vida própria que o mundo do rock eterniza dia após dia.
Há muitas maneiras de se encarar um show como esse do Cure - pense bem -, são 40 músicas! Em “Trust”, por exemplo, lá pela metade, a sequência das músicas sugere um reinício, e “Want”, logo nem seguida, com um crescente instrumental que beira o dramático, só não representa o ápice da melancolia porque Bob Smith sempre se supera nos extremos e coloca a cabeça do público em parafuso. “Shake Dog Shake”, por sua vez, é tão espessa e arrastada, até explodir no refrão, que desfaz o mito e converte bandas de doom, black, gothic e o caralho a quatro metal em anjinhos que desceram do céu. Bob Smith e o Cure chegam muito mais perto e mais profundamente aos males do ser humano do que todos eles reunidos num palco de festival nos cafundós da Alemanha. Na inesperada “From the Edge of the Deep Green Sea”, o clima profundo é enfatizado por efeitos que reproduzem a imagem da banda no telão ao infinito, num tom azulado de arrepiar, que traria ainda mais melancolia ao set. Toda a produção de palco, com canhões de luz laterais e no fundo, são de um simplicidade atroz e funcionam que é uma beleza.
Bem misturado, com direito a celebrities de plantão, o púbico é unânime e vibra até nas músicas com longas passagens instrumentais, como a de “Push”, em que a primeira parte da letra é antecipada no gogó. A banda é ok, tem bons baterista e baixista, com destaque para o guitarrista Reeves Gabrels, cedido por David Bowie. Ele investe mais em texturas e climas, como pede o som do Cure, mas tem performances arrojadas em músicas como “End”, do martelante verso/refrão “Stop loving me”, e especialmente no final destrambelhado de “Wrong Number”, num show à parte. Mas é no bisão final, com 10 músicas que o bicho pega, numa pista de dança gigante só com hits, desde a fase pós punk clássica (”The Caterpilar”, Let’s Go to Bed”) até o flerte com o funk rock de “Why Can’t I Be You?”. Um show de proporções bíblicas para ser recordado e repassado pelos séculos e séculos. Amém, Robert Smith. Amém.
por Marcos Bragatto
rock em geral
Set list completo
1- Open
2- High
3- The End of the World
4- Lovesong
5- Push
6- In Between Days
7- Just Like Heaven
8- From the Edge of the Deep Green Sea
9- Pictures of You
10- Lullaby
11- Fascination Street
12- Sleep When I’m Dead
13- Play for Today
14- A Forest
15- Bananafishbones
16- Shake Dog Shake
17- Charlotte Sometimes
18- The Walk
19- Mint Car
20- Friday I’m in Love
21- Doing the Unstuck
22- Trust
23- Want
24- The Hungry Ghost
25- Wrong Number
26- One Hundred Years
27- End
Bis
28- Plainsong
29- Prayers for Rain
30- Disintegration
Bis
31- Dressing Up
32- The Lovecats
33- The Caterpillar
34- Close to Me
35- Hot Hot Hot!!!
36- Let’s Go to Bed
37- Why Can’t I Be You?
38- Boys Don’t Cry
39- 10:15 Saturday Night
40- Killing an Arab
Isso porque logo na primeira parte já aparecem hits do naipe de “In Between Days”, do bombado álbum “The Head Om The Door”, obrigatório na época em que o rock dava as cartas por aqui, na mídia e nas pistas. Mas o quesito rock pra dançar, Bob Smith, que não é bobo, deixaria para o último bis, avaliando a resistência dois fãs e a sua própria. Pode até não parecer, mas há conceitos fornecidos numa noite como essa, aqui e acolá. Por mais que os músicos pareçam combinar quase tudo ali no palco, não é por acaso que a noite começa com “Open” e termina com “End”, muito menos a alternância entre momentos alegrinhos, do tipo “Friday, I’m In Love”, que todo mundo adora, com outros soturnos ao extremo, como em “One Hundred Years”, cujas imagens no telão só ampliavam a mais profunda tristeza. A música do Cure - se você não se deu conta - é para tocar as profundezas da alma. E o grupo ainda teve a ousadia de tocar quase a íntegra do álbum “Disintegration” (sete de 10 músicas, num bis só para ele, com três), um dos discos mais tristes e sombrios de que se tem notícia.
A banda passa a maior parte do tempo paradona no palco, e são as dancinhas do desengonçado Robert Smith que chamam a atenção em algumas músicas. Ele reclama de ter demorado 17 anos para voltar ao Brasil e de não ter aprendido português, mas sabe que carisma é muito mais do que ler frases feitas em um pedaço de papel ou ficar dizendo “oi, tudo bem” com sotaque carregado. No caso do Cure, a música é hipnótica e prende o público por si só, sem pataquadas afins. E quem está no palco é Robert Smith, um dos nossos super heróis mais emblemáticos, do tempo em que, para se subir em um palco, não podia ser com qualquer roupa do cotidiano, era preciso um personagem. Tanto que Bob encarna seu alter ego, há 37 anos, dentro e fora do palco. Um personagem que atravessa gerações incólume, jamais envelhece e ainda faz dos quilinhos a mais que carrega desde a juventude um plus inerente ao conjunto da obra. Robert Smith permanece sendo o ursinho de pelúcia em carne, osso e vida própria que o mundo do rock eterniza dia após dia.
Há muitas maneiras de se encarar um show como esse do Cure - pense bem -, são 40 músicas! Em “Trust”, por exemplo, lá pela metade, a sequência das músicas sugere um reinício, e “Want”, logo nem seguida, com um crescente instrumental que beira o dramático, só não representa o ápice da melancolia porque Bob Smith sempre se supera nos extremos e coloca a cabeça do público em parafuso. “Shake Dog Shake”, por sua vez, é tão espessa e arrastada, até explodir no refrão, que desfaz o mito e converte bandas de doom, black, gothic e o caralho a quatro metal em anjinhos que desceram do céu. Bob Smith e o Cure chegam muito mais perto e mais profundamente aos males do ser humano do que todos eles reunidos num palco de festival nos cafundós da Alemanha. Na inesperada “From the Edge of the Deep Green Sea”, o clima profundo é enfatizado por efeitos que reproduzem a imagem da banda no telão ao infinito, num tom azulado de arrepiar, que traria ainda mais melancolia ao set. Toda a produção de palco, com canhões de luz laterais e no fundo, são de um simplicidade atroz e funcionam que é uma beleza.
Bem misturado, com direito a celebrities de plantão, o púbico é unânime e vibra até nas músicas com longas passagens instrumentais, como a de “Push”, em que a primeira parte da letra é antecipada no gogó. A banda é ok, tem bons baterista e baixista, com destaque para o guitarrista Reeves Gabrels, cedido por David Bowie. Ele investe mais em texturas e climas, como pede o som do Cure, mas tem performances arrojadas em músicas como “End”, do martelante verso/refrão “Stop loving me”, e especialmente no final destrambelhado de “Wrong Number”, num show à parte. Mas é no bisão final, com 10 músicas que o bicho pega, numa pista de dança gigante só com hits, desde a fase pós punk clássica (”The Caterpilar”, Let’s Go to Bed”) até o flerte com o funk rock de “Why Can’t I Be You?”. Um show de proporções bíblicas para ser recordado e repassado pelos séculos e séculos. Amém, Robert Smith. Amém.
por Marcos Bragatto
rock em geral
Set list completo
1- Open
2- High
3- The End of the World
4- Lovesong
5- Push
6- In Between Days
7- Just Like Heaven
8- From the Edge of the Deep Green Sea
9- Pictures of You
10- Lullaby
11- Fascination Street
12- Sleep When I’m Dead
13- Play for Today
14- A Forest
15- Bananafishbones
16- Shake Dog Shake
17- Charlotte Sometimes
18- The Walk
19- Mint Car
20- Friday I’m in Love
21- Doing the Unstuck
22- Trust
23- Want
24- The Hungry Ghost
25- Wrong Number
26- One Hundred Years
27- End
Bis
28- Plainsong
29- Prayers for Rain
30- Disintegration
Bis
31- Dressing Up
32- The Lovecats
33- The Caterpillar
34- Close to Me
35- Hot Hot Hot!!!
36- Let’s Go to Bed
37- Why Can’t I Be You?
38- Boys Don’t Cry
39- 10:15 Saturday Night
40- Killing an Arab
quinta-feira, 4 de abril de 2013
Robert Smith, uma entrevista
Terra - Nos últimos anos vocês têm feito shows
longos, com mais de 3 horas e 30 músicas. O que leva a fazer
apresentações tão grandes?
Robert Smith - Nós
gostamos. Para nós é como uma jornada tocar por tanto tempo. Fizemos
alguns shows em festivais nos últimos cinco anos em que tivemos que
tocar por 2 horas ou menos e, quando saímos do palco, estávamos
frustrados. Gosto de me sentir esgotado quando saio do palco, de deitar
no chão como se eu pudesse dormir ali. Quando sentamos para definir o
setlist, chegamos a 30, 50 canções sem nem pensar direito. Já não
fazemos tantos shows, e especialmente quando vamos a lugares que não
costumamos, como a América do Sul, tocaríamos até as pessoas saírem, se
fosse possível. São muito anos de carreira, então sempre foi mais fácil
nos primeiros dez anos pra definir o setlist.
Terra - Foram 17 anos sem vir ao Brasil. Por que tanto tempo longe do País?
RS - Não há razão para termos ficado tanto tempo sem ir. Mas, por exemplo, não tínhamos tocado na Rússia até o ano passado, nem na China até 2007. E há lugares que são garantias, como os Estados Unidos. Tocamos em Nova York, Los Angeles, Chicago, conseguimos fazer uma turnê de 25 shows lotados por lá facilmente. Após seis semanas de turnê você está feliz e exausto, e ai você pensa em tocar na Europa e são mais 15 cidades, mais seis semanas. Infelizmente, às vezes você acaba ficando nesse círculo seguro. Em 2007 eu quis dar um novo rumo aos shows, para irmos a lugares que nunca tínhamos ido ou que não voltávamos há muito tempo. De certa forma, meio tarde na carreira, estamos tentando ser mais aventureiros. Me desculpem por ter ficado 17 anos longe. Espero não ficar mais 17.
RS - Não há razão para termos ficado tanto tempo sem ir. Mas, por exemplo, não tínhamos tocado na Rússia até o ano passado, nem na China até 2007. E há lugares que são garantias, como os Estados Unidos. Tocamos em Nova York, Los Angeles, Chicago, conseguimos fazer uma turnê de 25 shows lotados por lá facilmente. Após seis semanas de turnê você está feliz e exausto, e ai você pensa em tocar na Europa e são mais 15 cidades, mais seis semanas. Infelizmente, às vezes você acaba ficando nesse círculo seguro. Em 2007 eu quis dar um novo rumo aos shows, para irmos a lugares que nunca tínhamos ido ou que não voltávamos há muito tempo. De certa forma, meio tarde na carreira, estamos tentando ser mais aventureiros. Me desculpem por ter ficado 17 anos longe. Espero não ficar mais 17.
Terra - Vocês passaram pelo Brasil duas vezes, em 1987 e 1996. O que lembra do País?
RS - Da primeira vez, em 1987, foi muito intenso. A turnê no Brasil e na Argentina me fez perceber o quão popular o Cure estava ficando, por que em qualquer lugar que íamos estava lotado de pessoas. Foi a primeira grande sensação de que estávamos nos tornando uma banda gigante. Foi muito divetido, e éramos muito jovens, aproveitamos tudo porque não sabíamos quando iríamos voltar. E voltamos em 1996 para o Hollywood Rock, tocando com o Smashing Pumpkins. Eu estava doente, então quando cheguei no Brasil me lembro de pensar que precisava ficar muito bêbado para melhorar. Passei boa parte da semana doente, então acho que o show foi bom, mas apenas ok.
RS - Da primeira vez, em 1987, foi muito intenso. A turnê no Brasil e na Argentina me fez perceber o quão popular o Cure estava ficando, por que em qualquer lugar que íamos estava lotado de pessoas. Foi a primeira grande sensação de que estávamos nos tornando uma banda gigante. Foi muito divetido, e éramos muito jovens, aproveitamos tudo porque não sabíamos quando iríamos voltar. E voltamos em 1996 para o Hollywood Rock, tocando com o Smashing Pumpkins. Eu estava doente, então quando cheguei no Brasil me lembro de pensar que precisava ficar muito bêbado para melhorar. Passei boa parte da semana doente, então acho que o show foi bom, mas apenas ok.
Terra - Como escolheram as bandas de abertura
para os shows (a paulista Herod Layne toca no Rio e São Paulo, enquanto
os gaúchos do Laut Music se apresentam apenas na capital paulista)?
Ouviram todas as sugestões enviadas?
RS - Sempre gosto de escolher a banda local. Pedi ajuda do pessoal da banda, mas à noite eu colocava os fones de ouvido e ficava curtindo. É bom, porque agora conheço muito mais sobre rock latino do que conhecia há três semanas. É triste que no final eu só pudesse escolher duas bandas, gostei de umas cinco ou seis. Queríamos uma banda que tocasse alto. Ouvi uma chamada Medialunas que também é boa. Fizemos a seleção baseados em dois pontos principais. O primeiro era tentar dar espaço para novas bandas. O segundo é que as bandas criassem uma boa atmosfera para subirmos ao palco. Mesmo nos festivais, estou sempre preocupado com quem toca antes da gente, porque queremos criar uma experiência para o público: a partir do momento em que você entra no local do show, você verá e ouvirá música boa.
RS - Sempre gosto de escolher a banda local. Pedi ajuda do pessoal da banda, mas à noite eu colocava os fones de ouvido e ficava curtindo. É bom, porque agora conheço muito mais sobre rock latino do que conhecia há três semanas. É triste que no final eu só pudesse escolher duas bandas, gostei de umas cinco ou seis. Queríamos uma banda que tocasse alto. Ouvi uma chamada Medialunas que também é boa. Fizemos a seleção baseados em dois pontos principais. O primeiro era tentar dar espaço para novas bandas. O segundo é que as bandas criassem uma boa atmosfera para subirmos ao palco. Mesmo nos festivais, estou sempre preocupado com quem toca antes da gente, porque queremos criar uma experiência para o público: a partir do momento em que você entra no local do show, você verá e ouvirá música boa.
Terra - Vocês têm muitas músicas que sobraram do último disco, 4:13 Dream. O que pretendem fazer com elas?
RS - São várias, valem um disco. Vamos lançá-las no verão (do Hemisfério Norte), mas quero achar uma forma diferente de lançar. Porque nao é algo que iremos fazer uma turnê. Para o resto do mundo é um disco do The Cure, mas para mim nao é, até porque gravamos com um guitarrista (Porl Thompson) e agora temos outro na banda (Reeves Gabrels). Para mim é estranho, Reese está super adaptado com a banda, e quando sai um disco novo ele não está nele. Ao mesmo tempo, quanto mais demorar a sair, mais estranho ficará. Então terei que descobrir uma maneira de lançar as músicas, sejam separadas ou em disco. Talvez a gente solte algo para que os fãs ouçam antes, para ver a reação deles. Mas, tendo dito tudo isso, o álbum é muito bom.
RS - São várias, valem um disco. Vamos lançá-las no verão (do Hemisfério Norte), mas quero achar uma forma diferente de lançar. Porque nao é algo que iremos fazer uma turnê. Para o resto do mundo é um disco do The Cure, mas para mim nao é, até porque gravamos com um guitarrista (Porl Thompson) e agora temos outro na banda (Reeves Gabrels). Para mim é estranho, Reese está super adaptado com a banda, e quando sai um disco novo ele não está nele. Ao mesmo tempo, quanto mais demorar a sair, mais estranho ficará. Então terei que descobrir uma maneira de lançar as músicas, sejam separadas ou em disco. Talvez a gente solte algo para que os fãs ouçam antes, para ver a reação deles. Mas, tendo dito tudo isso, o álbum é muito bom.
Terra - Vocês se mantêm sem contrato com gravadoras?
RS - Não temos e não temos vontade de ter. Com a independência podemos fazer tudo que queremos sem ter que perguntar a ninguém. Vamos gravar um filme na turnê da América do Sul, e quando acabar poderemos fazer o que quisermos com ele, seja lançar na internet, nos cinemas, o que for. No atual ponto de nossa carreira, não precisamos de uma gravadora, seria um grande desperdício de tempo.
RS - Não temos e não temos vontade de ter. Com a independência podemos fazer tudo que queremos sem ter que perguntar a ninguém. Vamos gravar um filme na turnê da América do Sul, e quando acabar poderemos fazer o que quisermos com ele, seja lançar na internet, nos cinemas, o que for. No atual ponto de nossa carreira, não precisamos de uma gravadora, seria um grande desperdício de tempo.
Terra - Vocês tocaram seus três primeiros álbuns na íntegra em 2011. Pensam em fazer mais desses shows?
RS - Os shows de Sydney foram comemoração, e foram muito bons, então sentimos que havia clima para Londres, Nova York e Los Angeles. Mas não é algo que faríamos uma turnê. Filmamos e ficou bom, mas nunca lançamos, não sei o que aconteceu. Mas também, por que lançar algo que nos remete ao primeiro disco? Se fizéssemos de novo seria com outros albuns, coisas como o Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me e o The Head On The Door, os álbuns do meio dos anos 1980. Talvez façamos no próximo ano.
RS - Os shows de Sydney foram comemoração, e foram muito bons, então sentimos que havia clima para Londres, Nova York e Los Angeles. Mas não é algo que faríamos uma turnê. Filmamos e ficou bom, mas nunca lançamos, não sei o que aconteceu. Mas também, por que lançar algo que nos remete ao primeiro disco? Se fizéssemos de novo seria com outros albuns, coisas como o Kiss Me, Kiss Me, Kiss Me e o The Head On The Door, os álbuns do meio dos anos 1980. Talvez façamos no próximo ano.
Terra - E este filme que vocês pretendem gravar na América do Sul, como será?
RS - Já estamos gravando várias coisas, como os ensaios. Vamos gravar todos os shows e o filme deve ser baseado no melhor deles. Mas deve ter coisas de todos os shows, um filme sobre a turnê. Vai depender do material que tivermos. Só então vamos pensar em quão ambiciosos seremos com o filme. Adoraria que ele fosse lançado no cinema, que as pessoas assistissem na tela grande. Tomara que seja fantástico assim.
RS - Já estamos gravando várias coisas, como os ensaios. Vamos gravar todos os shows e o filme deve ser baseado no melhor deles. Mas deve ter coisas de todos os shows, um filme sobre a turnê. Vai depender do material que tivermos. Só então vamos pensar em quão ambiciosos seremos com o filme. Adoraria que ele fosse lançado no cinema, que as pessoas assistissem na tela grande. Tomara que seja fantástico assim.
Terra - Após mais de 30 anos de carreira, como é compor hoje?
RS - Muito mais difícil, principalmente compor algo que eu ache realmente que é melhor do que tudo que fiz antes. Ainda componho muito, mas quando ouço algumas coisas não consigo não pensar que já fiz aquilo melhor antes. Mas fico feliz que eu tenha a honestidade e integridade de olhar para essas canções e saber que elas não são tão boas quanto as que eu gravei antes. É por isso que não lançamos tanto material. Mas não é algo que me incomode (se eu não compor mais), porque eu já fiz muito. Talvez um dia eu acorde durante uma turnê e tenha uma grande ideia. Mas acredito que, se entrássemos em estudio como as bandas de antigamente, para compor sairia algo bom.
RS - Muito mais difícil, principalmente compor algo que eu ache realmente que é melhor do que tudo que fiz antes. Ainda componho muito, mas quando ouço algumas coisas não consigo não pensar que já fiz aquilo melhor antes. Mas fico feliz que eu tenha a honestidade e integridade de olhar para essas canções e saber que elas não são tão boas quanto as que eu gravei antes. É por isso que não lançamos tanto material. Mas não é algo que me incomode (se eu não compor mais), porque eu já fiz muito. Talvez um dia eu acorde durante uma turnê e tenha uma grande ideia. Mas acredito que, se entrássemos em estudio como as bandas de antigamente, para compor sairia algo bom.
Terra - E vocês cogitam um novo álbum?
RS - Provavelmente, mas não quero falar muito, porque não quero decepcionar as pessoas. Quando gravamos os shows dos primeiros discos, todo mundo ficava cobrando. Se fosse antigamente, ninguém saberia nem que gravamos os shows até que eles fossem lançados. Então espero que façamos um novo álbum, mas eu não tenho controle sobre isso. Adoraria que o Cure fizesse outro disco antes de pararmos.
RS - Provavelmente, mas não quero falar muito, porque não quero decepcionar as pessoas. Quando gravamos os shows dos primeiros discos, todo mundo ficava cobrando. Se fosse antigamente, ninguém saberia nem que gravamos os shows até que eles fossem lançados. Então espero que façamos um novo álbum, mas eu não tenho controle sobre isso. Adoraria que o Cure fizesse outro disco antes de pararmos.
Terra - Você tem uma data para se aposentar?
RS - Sempre pensei que ia me aposentar aos 55 anos, então ainda tenho um ano e um mês. Dia 21 de abril de 2014 é minha data oficial de aposentadoria, mas até lá, quem sabe o que pode acontecer?
RS - Sempre pensei que ia me aposentar aos 55 anos, então ainda tenho um ano e um mês. Dia 21 de abril de 2014 é minha data oficial de aposentadoria, mas até lá, quem sabe o que pode acontecer?
SERVIÇO
The Cure no Rio de Janeiro
04 de abril - 21h30
HSBC Arena (Av. Embaixador Abelardo Bueno, 3401)
Ingressos: de R$ 200 (nível 3) a R$ 600 (pista premier e camarote)
Venda: Livepass
The Cure em São Paulo
06 de abril - 20h
Arena Anhembi
Ingressos: R$ 275 (pista) - pista premium está esgotada
Venda: Livepass
Terra
06 de abril - 20h
Arena Anhembi
Ingressos: R$ 275 (pista) - pista premium está esgotada
Venda: Livepass
Terra
quarta-feira, 3 de abril de 2013
Black Sabbath, confirmado ...
Está confirmado. O Black Sabbath
vai mesmo se apresentar no Brasil. Os shows acontecem em São Paulo, Rio
de Janeiro e Porto Alegre, em datas e locais a serem anunciados, assim
como os detalhes de venda dos ingressos. Esta será a primeira vez do
grupo no Brasil com os integrantes fundadores Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler.O Megadeth vem junto com o grupo, como convidado especial. A informação da vinda do Black Sabbath ao Brasil foi antecipada em março pelo jornal “Destak”, no mês passado, que aponta a realização dos shows para outubro.
Nos Estados Unidos, o giro começa final de julho e vai até setembro, com uma data no Canadá, no dia 14 de agosto. Fora isso, até agora, nove apresentações foram confirmadas. O BS vai tocar na Austrália (Brisbane, dia 25/4; Sydney, 27/4; Melbourne, 29/4 e 1/5; Perth, 4/5; e Adelaide, 7/5); Nova Zelândia (dias 20 e 22/4, em Auckland); e é a atração principal do Ozzfest, que acontece no Japão, nos dias 11 e 12 de maio, na noite de encerramento.
Os shows fazem parte da turnê de lançamento do álbum “13″, o primeiro
álbum com Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarra) e Geezer Butler
(baixo) em 35 anos, e o 19o no geral. O lançamento acontece no dia 10 de
junho, em quatro formatos diferentes; veja quais aqui.O baterista da formação original, Bill Ward, não chegou a um acordo com os outros três integrantes (saiba mais), e por isso o CD foi gravado por Brad Wilk, do Rage Against The Machine.Ao todo, foram gravadas 16 músicas, incluindo títulos como “God Is Dead”, “End of the Beginning”, “Epic”, “Age of Reason”, “Dead Father” (que trata de pedofilia na Igreja) e “Methademic”, sobre vício em metanfetamina. Duas das faixas têm mais de oito minutos de duração (saiba mais).
Fonte: Rock Em Geral
#
Mudhoney´s "vanishing pont"
“Vanishing Point” é o nono disco de estúdio do Mudhoney e, ouso dizer, o melhor desde
“My Brother the Cow”, de 1995. Fora que tem a música mais legal do ano e
com o clipe mais divertido que vi em muito tempo: “I Like it Small”. Se eu fosse CEO de alguma empresa de tecnologia e estivesse lançando um
tocador de MP3 micro-mini-nano, pagaria um milhão de dólares ao Mudhoney
para usar essa música no comercial. E o clipe? Não sei quem teve a idéia, mas parabéns, você é um gênio:
filmado em apenas um “take”, é cinema de guerrilha, lo-fi, divertido
demais e com um espírito festeiro que me alegrou todas as vezes que o
assisti.
Sempre achei Mark Arm um letrista subestimado. O cara tem um humor seco como o deserto, e “I Like It Small” é seu magnum opus: uma declaração de intenções, bem humorada e sem um pingo de ressentimento, sobre a alegria de ser “pequeno” em um mundo onde todos querem ser grandes e poderosos. “Produção mínima / ações baratas / ambientações simples / apelo limitado / porões enfumaçados / temporadas curtas / baixas expectativas / O que foi que eu fiz? (…) Eu não preciso de uma Magnum / um cano curto me satisfaz / E a qualquer hora, prefiro G.G. Allin / a Long Dong Silver”.
A letra me parece uma piada com a suposta “falta de ambição” do Mudhoney, uma banda que sempre ficou feliz com o que conquistou. Os caras têm 50 anos, famílias e empregos fora da banda: o baixista Guy Maddison é enfermeiro, o guitarrista Steve Turner vende discos raros no Ebay, e Mark Arm trabalha no setor de vendas pelo correio da sub Pop – se você pedir um disco, tenha certeza de que foi Mark que embalou.
Já escrevi isso antes: se fossem “espertos”, eles teriam dado um tempo depois da morte de Kurt Cobain e voltado uns cinco ou seis anos depois, ganhando fortunas para tocar nos Coachellas da vida. Mas não é a deles. Outro dia, a Sub Pop calculou que, em 25 anos de carreira, o Mudhoney vendeu um total de 500 mil discos. Só para comparar, “Nevermind” vendeu entre 30 e 35 milhões. E está tudo bem.
E agora, com um documentário na praça (“I’m Now”, com várias cenas filmadas no Brasil), uma biografia a caminho, escrita pelo jornalista inglês Keith Cameron, e um disco que está sendo considerado um dos melhores da carreira da banda, será que o Mudhoney finalmente vai parar de ser chamado de “sobrevivente do grunge”, como se fosse um pecado continuar fazendo o que gosta?
por André Barcinsky
Blog
Sempre achei Mark Arm um letrista subestimado. O cara tem um humor seco como o deserto, e “I Like It Small” é seu magnum opus: uma declaração de intenções, bem humorada e sem um pingo de ressentimento, sobre a alegria de ser “pequeno” em um mundo onde todos querem ser grandes e poderosos. “Produção mínima / ações baratas / ambientações simples / apelo limitado / porões enfumaçados / temporadas curtas / baixas expectativas / O que foi que eu fiz? (…) Eu não preciso de uma Magnum / um cano curto me satisfaz / E a qualquer hora, prefiro G.G. Allin / a Long Dong Silver”.
A letra me parece uma piada com a suposta “falta de ambição” do Mudhoney, uma banda que sempre ficou feliz com o que conquistou. Os caras têm 50 anos, famílias e empregos fora da banda: o baixista Guy Maddison é enfermeiro, o guitarrista Steve Turner vende discos raros no Ebay, e Mark Arm trabalha no setor de vendas pelo correio da sub Pop – se você pedir um disco, tenha certeza de que foi Mark que embalou.
Já escrevi isso antes: se fossem “espertos”, eles teriam dado um tempo depois da morte de Kurt Cobain e voltado uns cinco ou seis anos depois, ganhando fortunas para tocar nos Coachellas da vida. Mas não é a deles. Outro dia, a Sub Pop calculou que, em 25 anos de carreira, o Mudhoney vendeu um total de 500 mil discos. Só para comparar, “Nevermind” vendeu entre 30 e 35 milhões. E está tudo bem.
E agora, com um documentário na praça (“I’m Now”, com várias cenas filmadas no Brasil), uma biografia a caminho, escrita pelo jornalista inglês Keith Cameron, e um disco que está sendo considerado um dos melhores da carreira da banda, será que o Mudhoney finalmente vai parar de ser chamado de “sobrevivente do grunge”, como se fosse um pecado continuar fazendo o que gosta?
por André Barcinsky
Blog
sábado, 30 de março de 2013
True to you ...
Morrissey
is scheduled to play shows in seven cities in Mexico in June,
rounding-off at the National Auditorium in Mexico City. Morrissey will
also appear on two national television shows. The dates in Mexico will
be followed by concerts in Brazil, Argentina, Peru and Chile. Details
will be announced shortly.
Morrissey has declined to take part in two upcoming British television documentaries on the Smiths.
http://true-to-you.net/ morrissey_news_130330_01
30 March 2013
terça-feira, 26 de março de 2013
# 266 - 23/03/2013
Reza a lenda que todos os poucos sortudos que compraram um disco do Velvet Underground na época de seu lançamento montaram uma banda. E a lenda se mantém com os Pixies. É enorme a lista de fãs do grupo, começando por Kurt Cobain, que disse certa vez que sonhava em escrever canções no "estilo Pixies". Coisa que jamais conseguiu, diga-se de passagem.
"Surfer Rosa", o primeiro álbum da banda, serviu para selar o "estilo Pixies", com seus vocais urrados, sussurados e cantados, suas letras em inglês e espanhol e o casamento de violões acústicos com guitarras ácidas e os vocais doce da baixista Kim Deal.
Entusiasmada com a banda, a gravadora 4AD pediu que Steve Albini os produzisse. Albini era uma espécie de guru do underground norte-americano e havia sido contratado por Ivo Watts-Russell, dono do selo, por intermédio de um amigo. Ele levou o grupo ao Q Division, em Boston, em dezembro de 1987. O estúdio havia sido recomendado por Paul Kolderie, assistente de Gary Smith quando esse produziu o EP "Come on Pilgrim". O orçamento era apenas de US$10 mil e Steve ganharia US$ 1.500 pela empreitada. Ele se recusou a receber royalties, pois considerava isso um "insulto ao grupo".
Os Pixies mantinham os mesmos temas do primeiro trabalho anterior: mutilações, voyeurismo, tudo com uma produção bem lo-fi, bem discreta, mas dando muita ênfase à bateria. Albini deixou os músicos desconcertados com suas idéias: para gravar os vocais de Kim em "Where Is My Mind?" e "Gigantic", levou todo o equipamento para o banheiro com a intenção de conseguir um som mais cru, real. Em "Something Against You", filtrou a voz de Francis por um amplificador de guitarra.
O disco foi gravado rapidamente e quando lançado causou comoção entre os críticos, especialmente os ingleses da New Musical Express e da Record Mirror, que o consideraram o disco do ano.
Surfer Rosa foi lançado há 25 anos, no dia 21 de março de 1988 , primeiro na Inglaterra, e apenas em agosto na América, quando começou a ser distribuído pela Rough Trade, antigo selo dos Smiths. Apesar de tanta badalação, o disco escorregou nas paradas e um único compacto foi extraído, "Gigantic", parceria de Francis com Kim Deal (no disco ela se auto-intitulou Mrs. John Murphy). Apesar disso, Watts-Russell afirma que vendeu cinco vezes mais que "Come on Pilgrim".
O álbum trazia faixa desconcertantes, casos de "Oh My Golly!", "berrada em espanhol, e "Tony's Theme", sobre um suposto super-herói. Em "Cactus", um prisioneiro pede que sua namorada manche um vestido dela com sangue e que o envie a ele na cadeia.
O álbum é também lembrado pelas lindas fotografias da capa e da contra-capa, que mostravam uma prostituta italiana nua, posando como dançarina flamenca e mostrando belos seios. Ao fundo, um crucifixo e um braço de guitarra saindo da parede. As duas imagens foram feitas pelo inglês Simon Larbalestier, que já havia trabalhado na capa de Come on Piligrim. A nudez foi sugestão do Francis, embora não fosse a idéia original para a embalagem, e o nome do disco veio da letra de "Oh My Golly", "Besando chichando con surfer rosa".
Os Pixies deixaram uma multidão de fãs, entre eles David Bowie, que gravou "Cactus" em Heathen, de 2002. Além disso, convidou Frank Black para tocar com ele em sua festa de 50 anos, em 1997, no Madison Square Garden.
Fonte: Mofo
############################
Pixies - Break my body
The Beatles - I saw her standing there
Mudhoney - slipping away
The Strokes - Slow Animals
Jimi Hendrix - somewhere
The Doors - The end
Pink Floyd - Time
Emily Browning - Sweet Dreams (are made of this)
Marilyn Manson - I put a spell on you
Manic Street preachers - Been a son
Colin Meloy - Pregnant for the last time
Iggy Pop - Everybody´s talkin´
The Cure - Pictures of you
Karne Krua - Mensões do futuro (Ao Vivo no pdrock)
Rephugos - Brasil (Desordem e regresso)
Ratos de Porão - Agressão/repressão
Lixomania - O punk rock não morreu
Fogo Cruzado - Desemprego
Restos de Nada - Restos de nada
Condutores de Cadáver - Bem vindos ao novo mundo
AI-5 - John Travolta
Hino Mortal - Câncer
#
"Surfer Rosa", o primeiro álbum da banda, serviu para selar o "estilo Pixies", com seus vocais urrados, sussurados e cantados, suas letras em inglês e espanhol e o casamento de violões acústicos com guitarras ácidas e os vocais doce da baixista Kim Deal.
Entusiasmada com a banda, a gravadora 4AD pediu que Steve Albini os produzisse. Albini era uma espécie de guru do underground norte-americano e havia sido contratado por Ivo Watts-Russell, dono do selo, por intermédio de um amigo. Ele levou o grupo ao Q Division, em Boston, em dezembro de 1987. O estúdio havia sido recomendado por Paul Kolderie, assistente de Gary Smith quando esse produziu o EP "Come on Pilgrim". O orçamento era apenas de US$10 mil e Steve ganharia US$ 1.500 pela empreitada. Ele se recusou a receber royalties, pois considerava isso um "insulto ao grupo".
Os Pixies mantinham os mesmos temas do primeiro trabalho anterior: mutilações, voyeurismo, tudo com uma produção bem lo-fi, bem discreta, mas dando muita ênfase à bateria. Albini deixou os músicos desconcertados com suas idéias: para gravar os vocais de Kim em "Where Is My Mind?" e "Gigantic", levou todo o equipamento para o banheiro com a intenção de conseguir um som mais cru, real. Em "Something Against You", filtrou a voz de Francis por um amplificador de guitarra.
O disco foi gravado rapidamente e quando lançado causou comoção entre os críticos, especialmente os ingleses da New Musical Express e da Record Mirror, que o consideraram o disco do ano.
Surfer Rosa foi lançado há 25 anos, no dia 21 de março de 1988 , primeiro na Inglaterra, e apenas em agosto na América, quando começou a ser distribuído pela Rough Trade, antigo selo dos Smiths. Apesar de tanta badalação, o disco escorregou nas paradas e um único compacto foi extraído, "Gigantic", parceria de Francis com Kim Deal (no disco ela se auto-intitulou Mrs. John Murphy). Apesar disso, Watts-Russell afirma que vendeu cinco vezes mais que "Come on Pilgrim".
O álbum trazia faixa desconcertantes, casos de "Oh My Golly!", "berrada em espanhol, e "Tony's Theme", sobre um suposto super-herói. Em "Cactus", um prisioneiro pede que sua namorada manche um vestido dela com sangue e que o envie a ele na cadeia.
O álbum é também lembrado pelas lindas fotografias da capa e da contra-capa, que mostravam uma prostituta italiana nua, posando como dançarina flamenca e mostrando belos seios. Ao fundo, um crucifixo e um braço de guitarra saindo da parede. As duas imagens foram feitas pelo inglês Simon Larbalestier, que já havia trabalhado na capa de Come on Piligrim. A nudez foi sugestão do Francis, embora não fosse a idéia original para a embalagem, e o nome do disco veio da letra de "Oh My Golly", "Besando chichando con surfer rosa".
Os Pixies deixaram uma multidão de fãs, entre eles David Bowie, que gravou "Cactus" em Heathen, de 2002. Além disso, convidou Frank Black para tocar com ele em sua festa de 50 anos, em 1997, no Madison Square Garden.
Fonte: Mofo
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Pixies - Break my body
The Beatles - I saw her standing there
Mudhoney - slipping away
The Strokes - Slow Animals
Jimi Hendrix - somewhere
The Doors - The end
Pink Floyd - Time
Emily Browning - Sweet Dreams (are made of this)
Marilyn Manson - I put a spell on you
Manic Street preachers - Been a son
Colin Meloy - Pregnant for the last time
Iggy Pop - Everybody´s talkin´
The Cure - Pictures of you
Karne Krua - Mensões do futuro (Ao Vivo no pdrock)
Rephugos - Brasil (Desordem e regresso)
Ratos de Porão - Agressão/repressão
Lixomania - O punk rock não morreu
Fogo Cruzado - Desemprego
Restos de Nada - Restos de nada
Condutores de Cadáver - Bem vindos ao novo mundo
AI-5 - John Travolta
Hino Mortal - Câncer
#
sexta-feira, 22 de março de 2013
40 Anos de " Dark Side of the moon "
Ainda
que 1973 também tenha registrado a irrupção de obras-primas do porte de
'Lark’s tongues in a spic' (King Crimson), 'Berlin', (Lou Reed),
'Tubular bells', (Mike Oldfield) 'Selling england by the pound'
(Genesis) e 'Raw power' (Iggy & The Stooges), nenhum outro disco
lançado ao longo daquele ano foi capaz de conquistar seu lugar nos anais
do rock – e lá permanecer, incólume, como o intrigante e resoluto
monólito sônico que ainda é – com a mesma força impactante de 'The dark
side of the moon'. Autêntico divisor de águas na trajetória do Pink
Floyd, o disco se apropriaria da ideia do “álbum conceitual”
embrionariamente aventada pelos Beatles em seu 'Sergeant Pepper’s Lonely
Hearts Band' para forjar uma fantástica criatura jamais vista ou ouvida
até então.
Para
além do icônico prisma e do feixe de luz branca a se refratar nas
múltiplas cores que os designers visionários da Hipgnosis cravariam em
sua capa, 'The dark side of the moon' permaneceu no imaginário de
seguidas gerações graças ao seu poder de síntese; a combinação idílica
da experimentação avant-garde, arrojada instrumentação de ins(piração)
lisérgica, pretensão sinfônica, inovação eletrônica e acessibilidade pop
perseguida por Roger Waters, David Gilmour, Richard Wright, Nick Mason e
o espectro louco de Syd Barrett desde quando irromperam pelo
underground londrino, no início de 1966.
Ex-estudantes
de artes plásticas e de arquitetura um dia tocados pelo desejo de criar
“música em cores”, em 'Dark side... 'seus criadores finalmente
conseguiriam dar plena vazão ao seu intento. Integrado a ponto de ser
praticamente impossível imaginar qualquer uma de suas 10 faixas fora da
sequência ou do contexto originais, o álbum literalmente incandesce
enquanto justapõe temas de isolamento, estresse, medos cotidianos,
ambição, envelhecimento, loucura e morte. Tudo
imantado por inauditas técnicas de gravação e mixagem quadrafônicas,
hipnóticos loops, rajadas de sintetizadores VCS3, reverberações
espaciais, iridescentes solos de guitarra, arroubos de virtuosismo
vocal, suntuosas passagens instrumentais ao gosto progressivo, efeitos
delay e toda sorte de ruídos supostamente aleatórios.
No próximo domingo, 24/03/2013, "Dark Side of the moon" completa 40 anos de lançamento.
Arthur G. Couto Duarte
#
segunda-feira, 18 de março de 2013
# 265 - 16/03/2013
The Yardbirds - "Happenings Ten Years Time Ago" [UK] outubro/1966 - Não há muito o que falar sobre os caras, pois já fazem parte do ABC do rock
há muito tempo. Esta banda londrina foi uma influencia decisiva na
propagação do british blues e tambem no surgimento do psych rock inglês, além
de sedimentar as bases do que seria o hard rock/heavy metal logo depois. Contaram em suas fileiras com alguns dos mais badalados guitarristas da história do rock (Anthony
Topham, Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page) e, de suas cinzas, em meados de
1968, surgiram grupos como Renaissance, Illusion e, principalmente, o Led
Zeppelin. Bandas seminais como Cream e The Jimi Hendrix Experience foram
inspiradas em muitas de suas idéias. Quase tudo o que se entende por guitarra
pesada na virada dos 60/70 foi utilizado antes por Beck (tipos de distorção,
efeitos e técnicas de estúdio) em sua curta passagem pelo grupo, do começo de 1965
até o final de 1966. Este é o primeiro single lançado pela dobradinha de
guitarras Beck/Page e conta com a participação de John Paul Jones, então
músico de estudio e futuro Led Zepellin, no baixo. Os dois guitarristas gravaram mais duas músicas como membros da banda e participaram do lendário filme "Blow Up", do diretor Michelangelo Antonioni, também de 1966. Este período final do Yardbirds foi eternizado nos álbuns "Roger, The Engineer"(1966) e "Little Games" (1967). Discos irregulares,
em muito por causa de problemas com a gravadora, mas que contém algumas faixas
geniais que causaram um impacto nefasto em bandas como Black Sabbath, Blue
Oyster Cult e Aerosmith, só pra citar uma pequena mostra do que foram capazes de produzir em tão
pouco tempo.
The Move "Walk Upon The Water" [UK] fevereiro/1968 - Quinteto formado em Birmingham/UK (importante cidade inglesa que também deu ao mundo o Black Sabbath e o Judas Priest) no final de 1965. Era liderado pelo genial guitarrista Roy Wood e foi bastante influenciado pela cena mod, especialmente o The Who. Fizeram a ponte entre o mod (Small Faces, Kinks, Creation, Easybeats, Merseys) e o psychedelic rock britânico. Lançaram vários singles de sucesso por lá entre 1967 e 1968. Dividiram o palco com ninguém menos que Jimi Hendrix Experience, Pink Floyd, Soft Machine, The Nice e Cream, dentre muitos outros, e foram influência assumida das bandas Cheap Trick, Sex Pistols e The Fall. Costumavam usar bastante as "power chords" e criar riffs em cima de alguns temas eruditos famosos. O Jeff Lynne entrou depois e, juntamente com o Roy, fundaram a mais famosa Electric Light Orchestra (ELO), da qual todo mundo já deve ter ouvido falar. Esta faixa dividia o single com a também maravilhosa "Fire Brigade", notoria influência no estilo de cantar de Bryan Ferry (futuro Roxy Music e carreira solo).
Country Joe & The Fish - "Not So Sweet Martha Lorraine" [US] abril/1967 - Embora eles tenham ficado mais famosos pelas letras satíricas contra a Guerra do Vietnã e por ter uma forte influência folk e blues, se tornaram uma das instituições mais aclamadas do acid rock californiano. Criado em fins de 1965, em Berkeley/CA, foi um dos primeiros grupos a serem boicotados por rádios e lojas de discos por causa do teor de suas letras (críticas ao governo da época, citações a drogas alucinógenas e insinuações bem sacadas de caráter sexual). Lançaram alguns EPs entre 65/66, mas foi com este seminal álbum de estréia, "Electric Music For The Mind And Body" pela Vanguard Records em abr/67 (selo que tbm tinha a colega Joan Baez) que se estabeleceram como uma banda - no sentido literal do termo - e serviram de trilha para o chamado "Verão do Amor", naquele mesmo ano. Repleto de canções inspiradadíssimas, o disco apresentou vários temas longos e chapados (com solos de guitarras enfezados, vocais contemplativos e o maravilhoso orgão Farfisa) e faixas mais curtas variando entre o blues e folk. Politica, amor livre, experiências místicas e homenagens a Grace Slick e Janis Joplin (ex-girlfriend do líder Country Joe McDonald) fazem parte da temática nas letras deste clássico do rock - que inclusive já foi citado em inumeras publicações como o álbum que melhor reflete o espírito daquele marcante ano para a música. Tanto respaldo fez com que tocassem em quase todos os grandes festivais daquele época - Monterey, Atlanta Pop, Woodstock e alguns outros.
por Jailson Marinho de Assis
##################################
Iron Maiden - Hallowed be thy name
Motorhead - Brotherhood of man
Judas Priest - Riding on the wind
AC/DC - Rock´n´roll Damnation
Ozzy Osbourne - Mama, I´m coming home
Soundgarden - Worse Dreams (demo)
The Yardbirds - Happenings ten years time ago
The Move - Walk upon the water
Country Joe & The Fish - Not so sweet Martha Lorraine
- por Jailson Marinho de Assis
Urublues - Andarilho
::::PANE:::::
Fora do ar.
#
The Move "Walk Upon The Water" [UK] fevereiro/1968 - Quinteto formado em Birmingham/UK (importante cidade inglesa que também deu ao mundo o Black Sabbath e o Judas Priest) no final de 1965. Era liderado pelo genial guitarrista Roy Wood e foi bastante influenciado pela cena mod, especialmente o The Who. Fizeram a ponte entre o mod (Small Faces, Kinks, Creation, Easybeats, Merseys) e o psychedelic rock britânico. Lançaram vários singles de sucesso por lá entre 1967 e 1968. Dividiram o palco com ninguém menos que Jimi Hendrix Experience, Pink Floyd, Soft Machine, The Nice e Cream, dentre muitos outros, e foram influência assumida das bandas Cheap Trick, Sex Pistols e The Fall. Costumavam usar bastante as "power chords" e criar riffs em cima de alguns temas eruditos famosos. O Jeff Lynne entrou depois e, juntamente com o Roy, fundaram a mais famosa Electric Light Orchestra (ELO), da qual todo mundo já deve ter ouvido falar. Esta faixa dividia o single com a também maravilhosa "Fire Brigade", notoria influência no estilo de cantar de Bryan Ferry (futuro Roxy Music e carreira solo).
Country Joe & The Fish - "Not So Sweet Martha Lorraine" [US] abril/1967 - Embora eles tenham ficado mais famosos pelas letras satíricas contra a Guerra do Vietnã e por ter uma forte influência folk e blues, se tornaram uma das instituições mais aclamadas do acid rock californiano. Criado em fins de 1965, em Berkeley/CA, foi um dos primeiros grupos a serem boicotados por rádios e lojas de discos por causa do teor de suas letras (críticas ao governo da época, citações a drogas alucinógenas e insinuações bem sacadas de caráter sexual). Lançaram alguns EPs entre 65/66, mas foi com este seminal álbum de estréia, "Electric Music For The Mind And Body" pela Vanguard Records em abr/67 (selo que tbm tinha a colega Joan Baez) que se estabeleceram como uma banda - no sentido literal do termo - e serviram de trilha para o chamado "Verão do Amor", naquele mesmo ano. Repleto de canções inspiradadíssimas, o disco apresentou vários temas longos e chapados (com solos de guitarras enfezados, vocais contemplativos e o maravilhoso orgão Farfisa) e faixas mais curtas variando entre o blues e folk. Politica, amor livre, experiências místicas e homenagens a Grace Slick e Janis Joplin (ex-girlfriend do líder Country Joe McDonald) fazem parte da temática nas letras deste clássico do rock - que inclusive já foi citado em inumeras publicações como o álbum que melhor reflete o espírito daquele marcante ano para a música. Tanto respaldo fez com que tocassem em quase todos os grandes festivais daquele época - Monterey, Atlanta Pop, Woodstock e alguns outros.
por Jailson Marinho de Assis
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Iron Maiden - Hallowed be thy name
Motorhead - Brotherhood of man
Judas Priest - Riding on the wind
AC/DC - Rock´n´roll Damnation
Ozzy Osbourne - Mama, I´m coming home
Soundgarden - Worse Dreams (demo)
The Yardbirds - Happenings ten years time ago
The Move - Walk upon the water
Country Joe & The Fish - Not so sweet Martha Lorraine
- por Jailson Marinho de Assis
Urublues - Andarilho
::::PANE:::::
Fora do ar.
#
domingo, 10 de março de 2013
me testa ...
É possível que chegue o dia em que as pessoas nem se lembrarão
mais da sensação de pegar um disco nas mãos e poder apreciar a arte, sentir a textura
do material em que a capa e o encarte foi impresso. Acabo de passar, mais uma
vez, por esta experiência, antes tão corriqueira, e só posso lamentar pelas
gerações futuras que não a conhecerão.
Tenho aqui ao meu lado um disquinho charmoso, com uma capa
primorosa muito bem impressa num papel de boa qualidade. Não é vinil, o que
seria o ideal, mas o desenho parece ter sido feito para o formato CD, pois está
perfeitamente encaixado nas proporções reduzidas do digipack que embala a
bolachinha. Abrindo-o, temos uma bela foto da banda de um lado e todas as
informações técnicas – que tanto fazem falta nos downloads da internet – do outro.
Atrás, o nome das músicas, grafados em letras estilosas que reproduzem a linguagem
visual das ruas, e as marcas do coletivo de selos responsável pelo lançamento.
Ao meter a mão dentro do pacote, no lado esquerdo,
encontraremos um belo encarte desdobrável que ostenta, de um lado, um lindo
pôster da banda, e do outro as letras. Porque você não vai, a princípio,
colocar o disco para tocar enquanto faz milhares de outras coisas. Pelo menos
uma vez, ou duas, ou três, ou sabe-se lá quantas, você vai pegar o encarte e
acompanhar as letras junto com as músicas. Experimente, é uma experiência
reveladora.
Parece papo de “tiozão” saudosista. Não descarto a
possibilidade de que seja. Concordo que o que importa, no final das contas, é a
musica, muito mais do que a plataforma na qual ela é acondicionada. Mas acho
também que você deveria, pelo menos uma vez, sentar-se confortavelmente em
frente a um aparelho de som decente e apreciar este disquinho com calma, sem
pressa. Não precisa pular as faixas, elas são curtinhas! E não demora – 21 minutos
depois de apertar o play você estará livre para voltar ao computador e conferir
as atualizações dos amigos no facebook. Sem problema, acontece comigo também.
Adoro facebook.
Então supomos que você tem um aparelho de som decente
e não ouve musica apenas nas diminutas caixinhas acústicas do seu computador. Você
será pego de surpresa por um esporro matador já na faixa de abertura, a que dá
título ao disco. Nervosa, urgente, como o punk rock deve ser – esqueci de
dizer, é um disco de punk rock. A segunda vem colada à primeira, sem
intervalos, e é igualmente nervosa e urgente (todas são), mas já um pouco mais
trabalhada. E assim elas vão se sucedendo, sem pausa para respirar, num misto
de simplicidade e intensidade, com letras confessionais - escritas em português,
inglês e francês - que discorrem sobre o dia-a-dia de pessoas batalhadoras. Tudo
emoldurado em arranjos criativos executados com precisão por uma banda afiada e,
acima de tudo, empolgada.
A mixagem é “na cara”, com os vocais ligeiramente “soterrados”
pela massaroca sonora. Mas ouvem-se perfeitamente todos os instrumentos,
inclusive o contrabaixo, este eterno injustiçado. E todos estão em pé de
igualdade no que se refere à habilidade dos músicos – nenhum deles é virtuoso,
mas são extremamente competentes no que se propõem a fazer. O disco desce
redondo da primeira à ultima faixa, e acaba de forma diametralmente oposta ao início,
aos poucos, como se eles não quisessem nos deixar, ir embora. Hora de apertar
de novo o play e começar tudo de novo. A internet pode esperar.
Esta experiência é ainda mais intensa porque se trata, no
meu caso, de uma banda próxima, de amigos. Pessoas que eu conheço de perto e
cujo trabalho já admiro há bastante tempo. Vou aos shows que eles produzem,
almoço no restaurante que eles administram. Converso com eles sempre que posso
e é sempre um papo muito agradável e cheio de conteúdo. O que mais me deixa
feliz, no entanto, é que o disco está sendo muito bem recebido, com resenhas
sempre favoráveis. Freqüentou boa parte das listas de melhores do ano em que
foi lançado e foi recomendado publicamente por alguns ícones do punk rock e do Hard
Core nacional. Se você ainda não o conhece, corra atrás. Vale muito a pena.
È o “Coração metrônomo” da Renegades of punk.
Ouça AQUI.
a.
#
sábado, 9 de março de 2013
# 264 - 09/03/2013
Muita gente achava que David Bowie estava nas últimas. Desde que sentiu os
sintomas de um infarto no palco de um festival de música, em 2004, o cantor
tornou-se cada vez mais recluso. Ninguém sabia ao certo onde Bowie morava –
Nova York? Londres? – ou o motivo do sumiço – estaria ele com algum tipo de
câncer terminal ou tinha se aposentado de vez? Que nada. No dia 8 de janeiro,
seu aniversário de 66 anos, Bowie ressurgiu com o lançamento de Where Are
We Now?, sua primeira música em dez anos, e o anúncio de que lançaria um
disco de inéditas em março, o incrível The Next Day.
O anúncio pegou todo mundo de surpresa. Bowie conseguiu manter a gravação do álbum em segredo por mais de dois anos. Para isso, montou um esquema com poucas pessoas envolvidas e todas elas sob acordo de confidencialidade. Primeiro, o músico trabalhou sozinho nas faixas. Quando começou a gravar, em um estúdio em Nova York (provavelmente, sua atual cidade), convocou alguns colaboradores de longa data: o baterista Sterling Campbell, o guitarrista Gerry Leonard e o produtor Tony Visconti -- o último trabalha com ele desde Space Oddity, de 1969. Aos poucos, mais músicos se juntaram a eles. “Bowie disse para não contarmos nem mesmo a nossos melhores amigos”, disse Visconti à revista Rolling Stone. Ele afirma que só compartilhou a história com a namorada sob a condição de que não falasse para mais ninguém. Deve ter sido duro para ela.
Mesmo que tenha construído uma das carreiras mais prolíficas da história da
música, influenciando nomes de várias gerações, desde Joy Division até Lady
Gaga, passando pelo punk rock e o britpop, e mesmo que tenha experimentado e
reinventado a sua sonoridade ao longo de quatro décadas em que foi do folk ao
glam rock, provando ainda de gêneros como o krautrock, o rock industrial e a
música eletrônica, nem sempre o chamado "camaleão" do
rock foi sinônimo de unanimidade. Ainda assim não havia, entre os
críticos, dúvidas de que, em seu novo álbum, Bowie seguiria tão surpreendente e
enigmático quanto sempre foi.
Apesar do legado impressionante que carrega, com algumas das canções mais lembradas de todos os tempos, caso de Heroes, The Man Who Sold the World, Ziggy Stardust, Let’s Dance, Rebel Rebel, China Girl e Under Pressure (com o Queen), Bowie atravessou praticamente toda a década de 1990 levando pancada atrás de pancada da crítica. Daí o disco liberado para streaming -- também de forma inesperada, uma semana antes do lançamento oficial -- na última sexta-feira, no iTunes, ter sido uma grata, muito grata, surpresa. The Next Day é não apenas o 24º disco de estúdio que o inglês gravou na carreira ou o primeiro a romper um hiato de dez anos. Ele é, também, uma das melhores coisas que Bowie já fez na vida.
No disco, ele faz uma merecida e memorável retrospectiva da carreira, especialmente
da década de 1970 e dos anos que passou em Berlim, durante uma temporada que
rendeu três discos, entre 1976 e 1979, inclusive Heroes. Mas não só
isso. Nele, Bowie consegue recuperar toda a sua trajetória por meio de melodias
que passeiam pela carreira e de letras profundas que recontam fragmentos da sua
história. Mas sem o menor saudosismo: o disco é mais uma celebração da
versatilidade de Bowie. E também uma demonstração de que a música, assim como
ele, não está morrendo. A música precisa de boas músicas. E, disso, The
Next Day está cheio.
The Next Day: "Aqui estou eu, não exatamente moribundo ainda", canta Bowie, com total controle e segurança em sua voz poderosa sobre uma guitarra pulsante que muito lembra sua fase como o alienígena Ziggy Stardust. É a perfeita autoafirmação do cantor sobre os boatos a respeito de sua suposta saúde frágil.
Dirty Boys: Com climão de cabaré e saxofone tocado por Steve Elson, lembra Tom Waits, mas a referência é o compositor alemão Kurt Weill (Alabama Song), de quem Bowie é fã. É uma das melhores faixas do disco.
The Stars (Are Out Tonight): A letra dessa também soa como provocação aos anos de sumiço. "As estrelas nunca dormem, mortas ou vivas", canta Bowie.
Love Is Lost: Com órgão e batidas em tons de suspense, Bowie fala sobre o envelhecimento. "Diga adeus às alegrias da vida, acene para a vida sem sentir dor", canta, talvez, para ele mesmo, que um dia já aproveitou ao máximo de sua juventude, mas hoje sofre com as limitações da idade.
Where Are We Now?: Foi a primeira música de The Next Day a
ser lançada como single, e não tem nada a ver com o resto do disco. Com melodia
mais calma, Bowie fala com nostalgia sobre os anos em Berlim, mas em tom
otimista.
Valentine's Day: Tem guitarra acústica distorcida, um coro de vozes femininas e é bastante melódica. Também é uma das melhores do disco, embora a letra não seja tão profunda quanto as outras que compõem o álbum.
If You Can See Me: A faixa é uma das que mais lembram a fase de Bowie em Berlim, quando trabalhava com o produtor Brian Eno. Também ecoa sua época experimental com o rock industrial.
I'd Rather Be High: Bastante psicodélica, mas bastante similar com a música anterior melodicamente.
Boss of Me: Bowie retoma o som cool de Dirty Boys, com um baixo bem jazz e sax dando o tom da melodia.
Dancing Out in Space: Espacial em forma e tema, é uma das músicas mais "felizes" do disco.
How Does the Grass Grow?: Seria um remake de Boys Keep Swinging? É a menos inspirada do disco.
(You Will) Set the World On Fire: Com pegada hard rock, é a música mais dissonante do disco, e incrível justamente por isso.
You Feel So Lonely You Could Die: É a baladinha do disco, com piano e coro feminino. Bowie canta sobre a morte, um dos temas recorrentes do álbum.
Heat: A faixa que fecha o disco não poderia ter sido melhor escolhida. Em clima soturno de violinos fúnebres, Bowie canta "Eu não sei quem eu sou". E convence.
Veja
#########################
John Lennon & Plastic Ono Band - Woman is the nigger of the world
The Beatles - I´ve got a feeling (naked version)
Alisson Mosshart and Carla Azar - Tomorrow never knows
New Order - Blue Monday
Ten Years After - Love untill I die (live at the BBC)
David Bowie - Love is lost
Snooze - Nickdrakiana
Wry - Cancer
Grenade - Free
Stellar - Stellaroid
The Flaming lips + Tame Impala - Children od the moon
Pixies - Bone Machine
The Jesus & Mary Chain - April skies
The Birthday party - release the bats
The Lords of the New Church - Li´l boys play with dolls
Ramonetures - The KKK took my baby away
Ramones - "It´s Alive" - Grandes álbuns Ao Vivo
# Rockaway Beach
# Teenage Lobotomy
# Blitzkrieg bop
# I wanna be well
# Glad to see you go
# Gimme Gimme shock treatment
# You´re gonna kill that girl
# I don´t care
# Sheena is a punk rocker
# Havana Affair
# Commando
# Here today, gone tomorrow
#
O anúncio pegou todo mundo de surpresa. Bowie conseguiu manter a gravação do álbum em segredo por mais de dois anos. Para isso, montou um esquema com poucas pessoas envolvidas e todas elas sob acordo de confidencialidade. Primeiro, o músico trabalhou sozinho nas faixas. Quando começou a gravar, em um estúdio em Nova York (provavelmente, sua atual cidade), convocou alguns colaboradores de longa data: o baterista Sterling Campbell, o guitarrista Gerry Leonard e o produtor Tony Visconti -- o último trabalha com ele desde Space Oddity, de 1969. Aos poucos, mais músicos se juntaram a eles. “Bowie disse para não contarmos nem mesmo a nossos melhores amigos”, disse Visconti à revista Rolling Stone. Ele afirma que só compartilhou a história com a namorada sob a condição de que não falasse para mais ninguém. Deve ter sido duro para ela.
Mesmo que tenha construído uma das carreiras mais prolíficas da história da
música, influenciando nomes de várias gerações, desde Joy Division até Lady
Gaga, passando pelo punk rock e o britpop, e mesmo que tenha experimentado e
reinventado a sua sonoridade ao longo de quatro décadas em que foi do folk ao
glam rock, provando ainda de gêneros como o krautrock, o rock industrial e a
música eletrônica, nem sempre o chamado "camaleão" do
rock foi sinônimo de unanimidade. Ainda assim não havia, entre os
críticos, dúvidas de que, em seu novo álbum, Bowie seguiria tão surpreendente e
enigmático quanto sempre foi.Apesar do legado impressionante que carrega, com algumas das canções mais lembradas de todos os tempos, caso de Heroes, The Man Who Sold the World, Ziggy Stardust, Let’s Dance, Rebel Rebel, China Girl e Under Pressure (com o Queen), Bowie atravessou praticamente toda a década de 1990 levando pancada atrás de pancada da crítica. Daí o disco liberado para streaming -- também de forma inesperada, uma semana antes do lançamento oficial -- na última sexta-feira, no iTunes, ter sido uma grata, muito grata, surpresa. The Next Day é não apenas o 24º disco de estúdio que o inglês gravou na carreira ou o primeiro a romper um hiato de dez anos. Ele é, também, uma das melhores coisas que Bowie já fez na vida.
No disco, ele faz uma merecida e memorável retrospectiva da carreira, especialmente
da década de 1970 e dos anos que passou em Berlim, durante uma temporada que
rendeu três discos, entre 1976 e 1979, inclusive Heroes. Mas não só
isso. Nele, Bowie consegue recuperar toda a sua trajetória por meio de melodias
que passeiam pela carreira e de letras profundas que recontam fragmentos da sua
história. Mas sem o menor saudosismo: o disco é mais uma celebração da
versatilidade de Bowie. E também uma demonstração de que a música, assim como
ele, não está morrendo. A música precisa de boas músicas. E, disso, The
Next Day está cheio.The Next Day: "Aqui estou eu, não exatamente moribundo ainda", canta Bowie, com total controle e segurança em sua voz poderosa sobre uma guitarra pulsante que muito lembra sua fase como o alienígena Ziggy Stardust. É a perfeita autoafirmação do cantor sobre os boatos a respeito de sua suposta saúde frágil.
Dirty Boys: Com climão de cabaré e saxofone tocado por Steve Elson, lembra Tom Waits, mas a referência é o compositor alemão Kurt Weill (Alabama Song), de quem Bowie é fã. É uma das melhores faixas do disco.
The Stars (Are Out Tonight): A letra dessa também soa como provocação aos anos de sumiço. "As estrelas nunca dormem, mortas ou vivas", canta Bowie.
Love Is Lost: Com órgão e batidas em tons de suspense, Bowie fala sobre o envelhecimento. "Diga adeus às alegrias da vida, acene para a vida sem sentir dor", canta, talvez, para ele mesmo, que um dia já aproveitou ao máximo de sua juventude, mas hoje sofre com as limitações da idade.
Where Are We Now?: Foi a primeira música de The Next Day a
ser lançada como single, e não tem nada a ver com o resto do disco. Com melodia
mais calma, Bowie fala com nostalgia sobre os anos em Berlim, mas em tom
otimista. Valentine's Day: Tem guitarra acústica distorcida, um coro de vozes femininas e é bastante melódica. Também é uma das melhores do disco, embora a letra não seja tão profunda quanto as outras que compõem o álbum.
If You Can See Me: A faixa é uma das que mais lembram a fase de Bowie em Berlim, quando trabalhava com o produtor Brian Eno. Também ecoa sua época experimental com o rock industrial.
I'd Rather Be High: Bastante psicodélica, mas bastante similar com a música anterior melodicamente.
Boss of Me: Bowie retoma o som cool de Dirty Boys, com um baixo bem jazz e sax dando o tom da melodia.
Dancing Out in Space: Espacial em forma e tema, é uma das músicas mais "felizes" do disco.
How Does the Grass Grow?: Seria um remake de Boys Keep Swinging? É a menos inspirada do disco.
(You Will) Set the World On Fire: Com pegada hard rock, é a música mais dissonante do disco, e incrível justamente por isso.
You Feel So Lonely You Could Die: É a baladinha do disco, com piano e coro feminino. Bowie canta sobre a morte, um dos temas recorrentes do álbum.
Heat: A faixa que fecha o disco não poderia ter sido melhor escolhida. Em clima soturno de violinos fúnebres, Bowie canta "Eu não sei quem eu sou". E convence.
Carol Nogueira
#########################
John Lennon & Plastic Ono Band - Woman is the nigger of the world
The Beatles - I´ve got a feeling (naked version)
Alisson Mosshart and Carla Azar - Tomorrow never knows
New Order - Blue Monday
Ten Years After - Love untill I die (live at the BBC)
David Bowie - Love is lost
Snooze - Nickdrakiana
Wry - Cancer
Grenade - Free
Stellar - Stellaroid
The Flaming lips + Tame Impala - Children od the moon
Pixies - Bone Machine
The Jesus & Mary Chain - April skies
The Birthday party - release the bats
The Lords of the New Church - Li´l boys play with dolls
Ramonetures - The KKK took my baby away
Ramones - "It´s Alive" - Grandes álbuns Ao Vivo
# Rockaway Beach
# Teenage Lobotomy
# Blitzkrieg bop
# I wanna be well
# Glad to see you go
# Gimme Gimme shock treatment
# You´re gonna kill that girl
# I don´t care
# Sheena is a punk rocker
# Havana Affair
# Commando
# Here today, gone tomorrow
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A "Monalisa do pop”
O personagem Aladdin Sane pode não ser o mais famoso de David Bowie. O
disco, lançado em 1973 (e que, comemorando 40 anos, será relançado em
abril), também não é considerado o melhor da extensa discografia do
músico britânico. Mas o ensaio para a imagem de capa do álbum, realizado
em um domingo de abril, em Londres, resultou no que é provavelmente a
mais icônica imagem dele. Fotógrafo e filho do famoso Brian Duffy,
responsável pelas fotos, Chris Duffy vai ainda mais longe. “É a Monalisa
do pop”, define.
Brian Duffy (1933 - 2010) tinha 39 anos quando foi chamado para produzir o material fotográfico do calendário Pirelli pela segunda vez. A parceria com o artista britânico Allen Jones, utilizando uma trabalhosa técnica chamada dye-transfer, que consistia em colorir artificialmente os negativos das fotos, uma cor de cada vez, chamou a atenção do empresário de Bowie na época, Tony Defries.
Como conta Chris, Defries queria que a gravadora, a RCA, investisse o máximo possível na divulgação do próximo álbum de Bowie, o sucessor do estrondoso The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972). Para isso, ele seguiu a seguinte lógica: quando mais se gastasse na arte da capa de Aladdin Sane, mais a companhia se sentiria pressionada a divulgar o álbum. Com essa missão, ele viu em Brian Duffy e no processo de dye-transfer uma chance perfeita.
Era um domingo de primavera, em abril, em Londres, quando o estúdio de Duffy foi visitado por Bowie e sua banda, a Spiders From Mars. Eles chegaram na hora do almoço e lá vararam a noite. “Bowie queria que fosse possível incluir um raio na capa do disco”, relembra Chris. O músico inglês estava inspirado pelo símbolo da banda de Elvis Presley, TCB Band. Foi quando o fotógrafo começou a desenhar no próprio rosto de Bowie, com uma versão do raio cortando a sua face, passando sobre o olho direito dele.
“Quando se está criando algo, você não sabe qual será a grandeza disso”, afirma Chris. “Ele não sabia que seria a imagem mais icônica do pop de todos os tempos. Para ele, era só mais uma sessão de fotos.”
Chris, que toma conta do legado e do arquivo do pai com Bowie, colaborou com o acervo reunido para a exposição David Bowie Is, cuja inauguração no museu londrino Victoria & Albert está marcada para o dia 23 de março – a mostra virá ao Brasil em 2014. "A exposição vai para o Brasil? Isso eu não sabia. É incrível", completa, ao ser informado da vinda de David Bowie Is ao país, para o MIS (Museu da Imagem e do Som). “Emprestamos algumas imagens, três ou quatro. Mas o mais importante é o frame original da arte de Aladdin Sane”, explica ele sobre a colaboração com a mostra.
Além da imagem com Bowie cabisbaixo, de olhos fechados, ele também irá cedeu o quadro que deu origem à capa da edição 77 da Rolling Stone Brasil, na qual Bowie encara o fotógrafo com intensidade – e evidencia um problema na pupila esquerda, que ficou paralisada após uma briga. “Acho que todos ficaram tão acostumados com a versão de olhos fechados que, quando veem Bowie de olhos abertos, ficam fissurados”, opina ele.
Também fotógrafo, Chris fez uma sessão de fotos com Bowie em 1979. “Ele já estava na fase do Scary Monsters (and Super Creeps)”, relembra, citando o disco lançado no ano seguinte. “Ele era sempre o mesmo cara. Até que entrava no personagem. Essa sempre foi a mágica da música dele. Ele é o que é, sempre criando uma coisa nova. Pense no Kiss. Eles inventaram um visual e vão com ele até o fim. Assim como a sonoridade. Bowie, não. Ele é criativo ao extremo. Como outros bons artistas, ele tem muita coisa genial, mas também muita coisa ruim. A gente nunca vai saber como uma cabeça criativa funciona.”
por Pedro Antunes
rs Brasil
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Brian Duffy (1933 - 2010) tinha 39 anos quando foi chamado para produzir o material fotográfico do calendário Pirelli pela segunda vez. A parceria com o artista britânico Allen Jones, utilizando uma trabalhosa técnica chamada dye-transfer, que consistia em colorir artificialmente os negativos das fotos, uma cor de cada vez, chamou a atenção do empresário de Bowie na época, Tony Defries.
Como conta Chris, Defries queria que a gravadora, a RCA, investisse o máximo possível na divulgação do próximo álbum de Bowie, o sucessor do estrondoso The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders From Mars (1972). Para isso, ele seguiu a seguinte lógica: quando mais se gastasse na arte da capa de Aladdin Sane, mais a companhia se sentiria pressionada a divulgar o álbum. Com essa missão, ele viu em Brian Duffy e no processo de dye-transfer uma chance perfeita.
Era um domingo de primavera, em abril, em Londres, quando o estúdio de Duffy foi visitado por Bowie e sua banda, a Spiders From Mars. Eles chegaram na hora do almoço e lá vararam a noite. “Bowie queria que fosse possível incluir um raio na capa do disco”, relembra Chris. O músico inglês estava inspirado pelo símbolo da banda de Elvis Presley, TCB Band. Foi quando o fotógrafo começou a desenhar no próprio rosto de Bowie, com uma versão do raio cortando a sua face, passando sobre o olho direito dele.
“Quando se está criando algo, você não sabe qual será a grandeza disso”, afirma Chris. “Ele não sabia que seria a imagem mais icônica do pop de todos os tempos. Para ele, era só mais uma sessão de fotos.”
Chris, que toma conta do legado e do arquivo do pai com Bowie, colaborou com o acervo reunido para a exposição David Bowie Is, cuja inauguração no museu londrino Victoria & Albert está marcada para o dia 23 de março – a mostra virá ao Brasil em 2014. "A exposição vai para o Brasil? Isso eu não sabia. É incrível", completa, ao ser informado da vinda de David Bowie Is ao país, para o MIS (Museu da Imagem e do Som). “Emprestamos algumas imagens, três ou quatro. Mas o mais importante é o frame original da arte de Aladdin Sane”, explica ele sobre a colaboração com a mostra.
Além da imagem com Bowie cabisbaixo, de olhos fechados, ele também irá cedeu o quadro que deu origem à capa da edição 77 da Rolling Stone Brasil, na qual Bowie encara o fotógrafo com intensidade – e evidencia um problema na pupila esquerda, que ficou paralisada após uma briga. “Acho que todos ficaram tão acostumados com a versão de olhos fechados que, quando veem Bowie de olhos abertos, ficam fissurados”, opina ele.
Também fotógrafo, Chris fez uma sessão de fotos com Bowie em 1979. “Ele já estava na fase do Scary Monsters (and Super Creeps)”, relembra, citando o disco lançado no ano seguinte. “Ele era sempre o mesmo cara. Até que entrava no personagem. Essa sempre foi a mágica da música dele. Ele é o que é, sempre criando uma coisa nova. Pense no Kiss. Eles inventaram um visual e vão com ele até o fim. Assim como a sonoridade. Bowie, não. Ele é criativo ao extremo. Como outros bons artistas, ele tem muita coisa genial, mas também muita coisa ruim. A gente nunca vai saber como uma cabeça criativa funciona.”
por Pedro Antunes
rs Brasil
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