segunda-feira, 11 de abril de 2011

Derek Riggs, + 1 entrevista

O lendário ilustrador Derek Riggs, responsável pelas capas do Iron Maiden até o álbum “No Praying for The Dying”, concendeu uma grande entrevista ao site Metal Assault. Dentre vários assuntos, a conversa, logicamente, chegou no Maiden, e Riggs soltou: “Eddie é o Mickey Mouse do Rock n’ Roll”.

Confira a entrevista na íntegra, em português, publicada originalmente no site Imprensa Rocker!

Você pode nos contra um pouco sobre o livro de terror que você está escrevendo?
Não muito. É um segredo… Mas tem camponeses que são mortos, macacos infectados que não são legais, um padre que salva o dia e muitas coisas desagradáveis.

Eu ouvi falar que você é um grande chef. Quais tipos de comida você gosta de cozinhar?
Bom, eu apenas meio que invento coisas. Tenho muitos princípios básicos e apenas invento em cima disto. Normalmente acaba saindo um Cajun (Nota do Tradutor: Estilo de gastronomia dos Acadianos que falavam francês e que foram deportados da Acadia, Canadá, para a Louisiana, Estados Unidos, pelo governo britânico), porque é do que eu gosto. Mas normalmente é uma versão vegetariana, porque não posso comer muita carne. Me tornei alérgico aos conservantes que eles colocam na ração dos animais; eles chegam até a carne, ficam lá e então chegam a mim… Não é bom.

De todas as bandas para quais você desenhou, qual foi a que você mais gostou de ter trabalhado?
Eu gostei de trabalhar com Ethan Brosh e Chris Catena, e o Conspirancy Chronicals. O resto foi ok, com exceção de uma ou outra, mas estes que citei foi bem divertido.

E a que menos gostou até agora?
Não gostaria de dizer… Bem, até gostaria, mas vou me conter.

Qual gênero musical você gosta? Sei que você odeia música pesada.
Eu não odeio música pesada. Eu costumava escutar sons pesados quando era bem mais novo, e ainda escuto às vezes. Meu gosto apenas cresceu para englobar outras coisas também. As pessoas ficam dizendo, “eu sei que, de fato, você odeia isto e aquilo”. Isto é besteira! Eu não odeio nada, isto tudo são citações errôneas de outras pessoas. Eu gosto de várias coisas diferentes. Gosto de música pesada, mas não de tudo que seja pesado. Gosto de Jazz, mas não tudo; gosto de música clássica, mas estou longe de gostar de tudo que for música clássica. Ouço todo tipo de coisa. Se você não gosta de algo, não significa que você odeia, apenas não tem interesse naquilo. Então eu apenas ignoro. Eu acho que se alguém passa a vida “amando” algumas coisas e “odiando” todo o resto, ela provavelmente precisa de terapia, porque são doentes mentais. Que maneira horrível de se viver isto deve ser, constantemente balançando de um extremo ao outro num tipo de louco frenesi emocional. Para você ter uma idéia, acabei de compra uns CD’s na “Amazon”. Comprei alguns da Kylie Minogie (Disco), alguns do Groundhogs (Blues Rock Pesado) e alguns do Bob Marley (Reggae), e eu gosto de todos eles, porque todos eles têm algo interessante para eu escutar. Antes disto, comprei alguns CD’s de Jazz instrumental, e antes disto comprei alguns de música eletrônica estranha, sem nenhuma canção neles.

Como está sua saúde? Eu sei que você teve um problema nas costas.
Sim, recentemente eu parti um disco na coluna e tive que ficar deitado por cerca de três meses. Ainda não está bom, mas está chegando lá.

Você se mudou para a Califórnia em busca de sol, ao invés do mal tempo na Inglaterra. Você sente alguma falta da Inglaterra?
Não.

Quais escritores você gosta de ler?
Bem, eu leio todo tipo de coisas estranhas, um pouco de terror, um pouco de ficção científica e coisas sobre conspirações, UFO’s e afins. Eu leio qualquer coisa que possa ter boas idéias ou que pareça se divertido. Neste momento, estou lendo “A Saga dos Sete Sóis”, de Kevin J. Anderson, e a série “Necroscope” de Brian Lumly, e acabei de inciar “Chindi” de Jack McDevitt.

Seus últimos trabalhos para o Iron Maiden foram todos digitais. Você consideraria voltar a pintar ara eles?
Bem, posso fazer um ou outro, mas o lance é que não posso mais pintar, porque os químicos nas tintas acabaram me deixando tão mal, que eu tive que desistir. Se não tivesse descoberto a arte digital, teria parado de fazer isto.

Você ganha royalties por algum merchandise do Iron Maiden, inckuindo CD’s que tenham seu trabalho?
Não, em nada. Eu vendi os direitos há muitos anos.

Até onde sei, a maioria das pinturas do Iron Maiden está com Steve Harris e algumas foram roubadas ou “perdidas” nas gráficas. Você tem alguma pintura relativa ao Iron Maiden com você?
Não tenho nenhuma, nem os desenhos básicos. E não, não as enterrei num armário em nenhum lugar. Eu já me mudei de casa cinco vezes desde que parei de fazer as capas do Maiden. Em três destas cinco vezes, eu joguei tudo que tinha fora e apenas saí com uma mala de roupas – como quando me mudei para os Estados Unidos, cheguei no país com apenas uma mala de roupas e com os discos rígidos contendo meus trabalhos, que eu já havia enviado antes de mim para a casa de um amigo.

Por que você resolveu colocar sua assinatura (o “D” e o “R”) escondida – ou difícil de encontrar – na maioria de suas pinturas? Você estava querendo fazer um lance de “Onde está Wally”?
Eu costumava fazer capas de livros, e minha assinatura era um pouco grande e tirava um pouco da atenção para a capa, então os empresários que tinha na época perguntaram se eu poderia fazer menor, para que não aparecesse tanto. Então fiz a primeira versão (que aparece nos primeiros álbuns), e para ter certeza que ficaria na capa e não seria retirada nas gráficas, eu a escondi na imagem ao invés de colocá-la no canto, onde aparece mais e tem mais chances de ser cortada. A maioria destas pequenas coisas que as pessoas pensam serem tentativas deliberadas de fazer isto ou aquilo, na verdade sou eu sendo pragmático e encontrando soluções para estranhos hábitos de diretores de arte e solicitações de clientes.

Você ainda é considerado o artista para o Metal e é responsável por criar um dos personagens mais icônicos do Heavy Metal. Você ainda consideraria fazer capas de álbuns para outras bandas do gênero?
Sim, se alguém me convidar e tiverem algo com que eu possa trabalhar, estiverem dispostos a ouvir o que tenho a dizer e me pagarem para fazer. Mas as pessoas não me convidam, não escutam e não querem me pagar muito, ou pensam que sou uma fábrica grátis de idéias. Francamente, com as atitudes que tenho presenciado nos dias atuais, não posso ser incomodado. Terei que achar uma outra forma de vender meu trabalho. As capas do Metal já não o faz mais.

Li no seu livro que muitas das pinturas que você fez para o Iron Maiden nunca ficaram boas nos CD’s e LP’s, porque as gráficas não conseguiam fotografá-las corretamente. Você acha que isto afetou de forma global o que você buscava nas pinturas?
Sim, definitivamente. Quando você troca a equalização de cores numa pintura, sempre muda completamente. Pode destruir completamente o impacto de um desenho. Felizmente, com a arte digital isto não é um grande problema nos dias de hoje. Você não acreditaria nas coisas que estavam sendo publicadas, porque as pessoas das gravadoras não achavam que era importante eu não se importavam. Tente você. Pegue o software de edição de imagens, pegue uma imagem e tente mudar as cores só um pouco, e você verá que mesmo uma pequena mudança faz uma grande diferença numa imagem.

Se uma banda desconhecida, que acabou de começar e que conseguiu um contrato de gravação, quiser que você fazer um trabalho para ela, quanto você cobraria para fazer uma capa de um álbum?
Eu trabalharei para qualquer um que me pagar. Eu sou um ilustrador profissional e é isto que eu faço para viver. Eu levo três ou quatro semanas para fazer uma imagem atualmente e eu cobro entre dois mil ou seis mil dólares, às vezes posso fazer por menos, dependendo do que seja. Não farei um desenho por 500 dólares. Você trabalharia três semanas por 500 dólares? Isto não cobre nem a hipoteca e a conta de luz. Parte do problema com bandas novas, e a razão pela qual eles falham na maioria das vezes, é que eles não têm a menor idéia de como se faz negócios. Eles acham que tudo é de graça e então ficam ricos, mas nos negócios você tem que pagar pelo que quer.

Uma das coisas que todos gostavam em Eddie era que havia uma mudança continua acontecendo, e ele tinham partes remanescentes de formas passadas. O Eddie do “Seventh Son…” tinha a cicatriz da lobotomia, o olho robótico artificial… O que você buscava com a capa do “No Prayer For The Dying”? O Iron Maiden decidiu não continuar a saga, por assim dizer?
Sim, um dia eles apareceram com a “grande idéia” de voltar para o começo novamente, o que embaralhou tudo lindamente, e eu perdi o interesse.

De que forma você diria que seu estilo de desenho/pintura mudou desde o fim dos anos 70?
Na verdade, eu acho que muda de álbum para álbum, nem sempre para melhor. Eu nunca tentei criar um estilo fixo de pintura. Parece mudar de um terror total para o estilo quase cômico. E eu também não controlo quando isto acontece, apenas parece mudar sozinho. Talvez eu tenho uma dupla personalidade e apenas uma possa pintar…

Qual software você para trabalhar hoje?
Photoshop,Bryce, Vue studio, Lightwave Modeller, Artmatic and artmatic voyager, 3D coat, Filter Forge, Z-Brush, Poser, Carrara, Quidam e qualquer coisa que eu encontre e que faça algo interessante.

Eu sei que o Hawkwind é uma de suas bandas preferidas. Você já os viu ao vivo?
Duas vezes. A primeira vez eles foram demais, na segunda foram bem, mas não excelente. Quase os vi em “Stonehenge” no fim dos anos 70, mas perdi o show (estava num feriado e cheguei em Salisbury tarde demais). Esta é uma pergunta interessante, não é? Numa pergunta anterior, você disse que “sabia” que eu odeio música pesada, e ainda assim nesta pergunta você diz que “sabe” que eu gosto do Hawkwind – uma das primeiras bandas pesadas. Fico imaginando o que você irá “saber” amanhã (esta é uma frase do filme “Men in Black”).

Você é uma inspiração para muitos artistas hoje. Quais foram os artistas que te inspiraram e ainda inspiram?
Eu gosto de todo tipo de coisa. Gosto de John Martin, Jack Kirby, Salvador Dali, Max Earnst, Roger Dean, Pactrick Woodroffe, bruce Pennington, mas estas pessoas não influenciaram de verdade o que eu pinto ou a forma como eu pinto, apenas são artistas cujos trabalhos eu gosto. Eu sempre procurei seguir minha própria direção, nem sempre obtive sucesso. Às vezes eu ganho dinheiro e às vezes não. Mas (todos juntos agora), eu fiz do meu jeito (N.T.: brincadeira com a canção “My Way”, imortalizada por Frank Sinatra, cujo refrão é “I did it my way”, tradução para “eu fiz do meu jeito”.).

Você tem algum fetiche por pirâmides? Há pirâmides em incontáveis pinturas suas.
Não, de jeito nenhuma. Após o “Powerslave”, as pessoas apenas ficavam me pedindo para pintar pirâmides para elas. Também trabalho no campo da fantasia, e pode ficar legal ter um pouco de civilizações perdidas em algumas imagens, e as pirâmides são bons símbolos para um pouco de mistério. São as outras pessoas que possuem este fetiche, eu sou muito preguiçoso para ter fetiches. Eles demandam muito esforço.

Quais são programas de TV preferidos? Ficção científica?
“Babylon 5”, “Stargate”, “Farscape”, “Warehouse 13”… Também assisto muitos documentários. Você pode ter ótimas idéias com documentários.

O quanto os cartoons da Hanna Barbera, como Pernalonga, Zé Colmeia, etc, te inspiraram?
Adoro o Pernalonga e aquele cara pequeno com a espingarda e chapéu grande, gosto da Betty Boop e gosto dos primeiros cartoons em preto e branco. E qualquer coisa que seja meio louco e engraçado. Eddie é engraçado! Algumas pessoas não entendem isto, ou não querem entender, mas Eddie é muito engraçado; ele não é tão sério. Há muita coisa boba nele, assim como o aspecto de terror. A não ser que outra pessoa pinte as idéias que o Maiden tem, então tudo fica que num clima aterrorizante. Pegue uma imagem do Eddie sorrindo; você pode sobrepor com uma imagem do Mickey Mouse sorrindo. Eddie foi modelado em cima do Mickey Mouse; ele é o Mickey Mouse do Rock n’ Roll. Interessantemente, a Disney agora é dona do Rock n’ Rol… Tudo que vai volta, eu acho…

Responda rápido: “Star Trek” ou “Star Wars”?
Ahhhh, os dois são muito leves. “Star Wars”, acho…

Pintura ou desenho?
Pintura. Não posso colocar tanta coisa só num desenho.

Hawkwind ou Pink Floyd?
Definitivamente, Hawkwind. Grandes ritmos Metal, letras sobre possíveis futuros, protestos pesados, reclamações sobre a infância… Música para crianças infelizes da escola.

“Battlestar Galáctica” ou “Farscape”?
“Farscape” é legal, “Galactica” é uma merda. Eu gostava dos Cylons quando eram máquinas de matar malvadas, não agora que “evoluíram” para uns idiotas de calças apertadas e mal humorados. O trabalho de câmera também é uma merda, sem contar que é muito lento: demora cinco episódios só num diálogo.

“Family Guy” ou “Simpsons”?
Os dois são uma merda.

Onde e como as pessoas podem encomendar seu livro?
O único lugar fora dos Estados Unidos é através do meu site (www.derekriggs.com). Nos Estados Unidos podem encontrar na “Amazon” também.

Fonte: Metal Assault

por Marcela

sábado, 9 de abril de 2011

Ozzy in rio ...

OZZY - Citibank Hall - RIO DE JANEIRO 7/4/2011

Dia foi tenso, mas com noite de uma diversão merecida no Rio de Janeiro

Em menos de quinze dias o Rio de Janeiro e o Brasil assistiram shows memoráveis com músicos que escreveram seus nomes na história do rock e não apenas do heavy metal. Iron Maiden, Slash, Ozzy Osbourne e correndo por fora novatos como Avenged Sevenfold. Estive nos shows do Maiden e do Ozzy e mesmo com esses shows acontecendo num espaço curto de tempo ambos tiveram bons publicos. Um dos motivos foi a boa divulgação antecipada em jornais e banners espalhados pela cidade. Ozzy mais uma vez provou que se o assunto é diversão ele é a opção certa!

Texto por Michael Meneses!

O show começou sem atraso, alias começou minutos antes do previsto, para o azar dos muitos que ainda compravam ingressos ou estavam na fila de entrada. Eu não estava credenciado como jornalista e/ou fotografo e, diferente dos outros dois shows do Ozzy que fui (1995 e 2009), não comprei ingressos com antecedência, por isso também fui um desses muitos. Resultado: ouvia os ruídos do show e lamentava: “Putissssssss! Estou perdendo o vídeo de abertura!”.

Explico: Na intro dos shows do Ozzy é exibido um vídeo introdutório onde ele aparece satirizando filmes, desenhos animados, músicos e personalidades, além de um clip autobiográfico com imagens que vão desde a fase “underground” do Black Sabbath até fatos recentes de sua carreira solo. Para mim é uma das melhores intro de shows que já vi e posso dizer que já vivenciei algumas memoráveis.

Com o ingresso na mão, corro da bilheteria cruzando com uma fila enorme e me questiono: “Que hora esse povo vai consegui entrar?” Outra coisa que se percebe em shows do Iron Maiden, Ozzy, Sabbath é que por mais que digam: “Metal é uma bosta!”, “Iron Maiden já era!”, “Ozzy tá Velho!” todo mundo que gosta de rock vai, ninguém perde, na hora todo mundo lembra que um dia foi iniciado pelo metal no mundo do rock. Eu mesmo comprei ingresso para o Reynaldo vocalista (fura-fila), da banda carioca de HC/Melódico Plastic Fire, que esteve em Aracaju e no nordeste em Jan/2011. Reynaldo, a meu ver, é um “Heavy-Incubado”, pois sempre o encontro em shows metal. (pronto falei! Rsrs...).

I Don’t Know

Embora tivesse certeza que o show tinha começado, existia a esperança que era só um som mecânico mais alto, ou uma banda de abertura, porem chego no exato momento em que Ozzy anuncia “I Don’t Know” e fiquei literalmente “sem saber” até o final do show se tinha perdido os três primeiras sons previstos ou tinha deixado escapar mais alguma. Depois descobri que perdi apenas (como assim apenas?) “Bark at the Moon”, “Let Me Hear You Scream” e “Mr.Crowley”. Também percebi que as lamentações sobre perder a intro do show não eram só minhas, pois na verdade os telões da casa só exibiam as imagens do show e nenhum vídeo extra era exibido, diferente das outras apresentações do Mr. Mad-Man. Também não havia pano de fundo no palco.

Esqueço as perdas e analiso impressionado o fato de Ozzy Osbourne, mesmo sem o pique de outrora e em alguns momentos praticamente se arrastando no palco como um velho manco, ainda exerce grande poder de fascínio no publico. Não pensem que ele está morto. Ainda existe muita energia no Ozzy versão 6.2, diria que ele vai continuar provocando questionamentos de como consegue estar vivo e vou mais longe, diria que sua vida vai durar por muitos anos ainda. No palco ele corre, (mesmo que devagar), pula (mesmo que baixo), ele é louco (mesmo que ao que tudo indica esteja careta). Ozzy comanda as coreografias e coloca as 8 mil pessoas para se exercitar com polichinelos e joga baldes com água no publico, dando um refresco ao povo depois de queimar tantas calorias com essa educação física toda.

Ozzy anuncia a primeira canção do Black Sabbath, “Fairies Wear Boots”. O publico, que já estava mais do que extasiado, inicia um pula-pula geral com a galera cantarolando o riff da música. “Suicide Solution” é a próxima e, embora uma coisa não tenha lá tanta ligação com a outra, o clássico faz lembra o fato ocorrido pela manha em Realengo/RJ. Esse simpático bairro da zona oeste carioca entrou para história do metal nacional por conta da “Brigada Metalica de Realengo”, um grupo que nos anos 80 produziu shows, zines e bandas em prol do metal carioca, sendo reconhecidos nos agradecimentos de varias capas de discos históricos do rock pesado brasileiro. Foi em Realengo que ouvi falar pela primeira vez da Gangrena Gasosa e onde conheci Paulão, ex-Gangrena Gasosa e hoje parceiro do B´Negão. Conheci Paulão num bar de Realengo, curiosamente na última noite do Rock in Rio II, e ele me contou que foi ao show do Ozzy no Rock In Rio I, porem abusou do álcool e perdeu o show.

O set segue com “Road to Nowhere” e em seguida, para delírio de todos, “War Pigs”. A raríssima em shows “Shot in the Dark” é a seguinte e, ao término, Ozzy aproveita para uma pausa enquanto a banda fica livre para solos individuais. Destaque para o guitarrista Gus G que manteve a escrita e provou mais uma vez que ao longo da história Ozzy sempre escolheu bons guitarristas. Gus até incluiu “Brasilerinho” no solo. A banda ainda sem Ozzy tocou a instrumental Sabbathica “Rat Salad”, uma deixa para o fim do repouso de Ozzy que volta com “Iron Man” usando uma pistola de lava jato para jogar espuma no povo. Minutos depois o telão mostrava imagens da turma do gargarejo, felizes como pintos no lixo exibindo rostos cobertos de espuma, lembrando um exercito de bárbaros vitoriosos voltando de uma batalha de tortas!

A essa altura a maioria do publico pedia “No More Tears”, mas o que tivemos foram as matadoras “Don’t Want to Change the World” e “Crazy Train”. Ozzy e banda se retiram do palco e os gritos de “Ole, Ole, Ole Ozzy, Ozzy” ou por “No More Tears” eram ouvidos e sentidos com entusiasmo. Ozzy volta com a balada “Mama, I’m Coming Home” e encerra o set conforme o planejado, executando o eterno hino do heavy metal “Paranoid”. Os gritos por “No More Tears” continuaram eufóricos, porem a música não veio.

Enfim, mais uma vez ficou provado: quando o assunto é diversão não importa a fase em que certas bandas estão ou a idade dos músicos, a certeza de diversão está garantida em seus shows. Porem quando a apresentação em questão é do Ozzy além da diversão garantida, uma série de outros sentimentos se faz presente. É o tipo de espetáculo que te leva positivamente a emoções que lhe fazem sorrir ou cair em lagrimas em segundos. Afinal é incrível como ele consegue fazer todo mundo feliz! Ozzy domina!

Voltando no tempo: Como conheci Ozzy, Black Sabbath e Dio em Aracaju!

Em agosto de 1986 eu morava no bairro Sto. Antônio em Aracaju, Sergipe, e estudava no Arquidiocesano. No inicio de uma noite na volta do colégio pra casa parei na banca de revista do Parque Teófilo Dantas, na praça da Catedral, olhei a hoje extinta Revista Metal e resolvi: “A partir de hoje vou ouvir rock”. Simples Assim! A publicação trazia na capa o Black Sabbath. Comprei a revista e aquilo se tornou o que considero o ponta-pé inicial, na época tinha como melhor amigo um jovem chamado Márcio (Baratinha), que já ouvia rock há algum tempo por influencia do nosso vizinho e amigo que muitos na cena rock Sergipana conhecem por Augusto Cesar. Nesse tempo AC/Cesar (forma como assinava seus quadros na época em homenagem ao AC/DC) era um headbanger de carteirinha e aquáriofilista por hobbie e esse foi o motivo pelo qual começamos a amizade com Cesar. Naqueles tempos tudo era difícil em termos de rock no Brasil, em especial em Aracaju. Contudo logo conheci bandas como Iron Maiden, Slayer, Metallica, Kiss, Queen, Scorpions, AC/DC, além de nacionais como Harppia, Dorsal Atlântica, Taurus, Vulcano, Sepultura e até as sergipanas Karne Krua e Guilhotina.

Entre todas as bandas havia um certo Ozz (num primeiro momento, só ouvia seu nome e não sabia que tinha Y ao final) que me despertava interesse em conhecer, com isso acabei o conhecendo antes que sua ex-banda, o Black Sabbath. Mesmo assim, somente em 1988 fui ouvir um primeiro disco do Ozzy, “Speak of the Devil”, um LP Duplo apenas com sons do Sabbath que o meu amigo Wellington* comprou no Cine Foto Walmir ** e que uns tempos depois minha irmã, com uns 4 anos, arranhou o Lado B/Disco 2 estragando o inicio de “Paranoid”. Com isso nas minhas férias de 1988/89 no Rio de Janeiro comprei um novo LP na Loja Frogs*** pra ele e fique com o arranhado.

Ainda em 1988, já sabendo que Ozzy era o ex - vocal do Black Sabbath, comprei no escuro o álbum Vol: 4, que ainda não conhecia. Comprei, pelo que lembro, no segundo dia de funcionamento da Lojas Pernambucanas (um sábado), onde hoje funciona as Lojas Americanas no calçadão e se estou certo existiu um cinema no lado oposto do calçadão. Naqueles dias as Pernambucanas eram um oásis em LPs de rock, tinha vários do Black Sabbath, porem eram uma prensagem que ficou conhecida por “Série Lixo” por ser o oposto a “Série Luxo”. Os discos da série lixo não tinha capa envernizada, encarte, capa dupla e o papel da capa era muito PODRE!

Assim surgiu a Parayba Records?

Aos poucos fui ouvindo outros discos do Sabbath e conhecendo os discos do Ozzy. Cheguei a comprar dois vinis do Ozzy do Augusto Cesar (The Ultimate Sin, Bark at The Moon), e ao que lembro acabei vendendo-os para o Wellington e também vendi o “Speak of the Devil” para uma garota cujo pai era dono da Casa da Carne Atalaia. No inicio ela era mais ligada em Punk/HC, porem foi se “metalerizando” aos poucos e me comprou alguns discos do Iron Maiden e outros, entre eles o “Speak..l” arranhado. Logicamente me arrependi assim que ela colocou o dinheiro na minha mão, e depois em especial pelo fato que minha ideia era vender os discos um pouco mais barato que a Walmir Foto Som e depois comprar tudo novo, porem a inflação dos anos 80/90 não me permitiu isso - ao chegar em Walmir os valores dos LPs estavam sempre o dobro de dias antes.

Em 1989 foi inaugurado o Shopping Rio-Mar e com ele a loja “A Modinha”. Foi nela que, juntamente com o Wellington, pela primeira vez ouvi ao acaso (o dono da loja passava o LP faixa a faixa) trechos do “Beneath the Remains” do Sepultura. Ficamos fascinados com a qualidade do som para um disco do metal nacional. O fato é que alguns meses depois da inauguração do shopping meu pai, que na época morava aqui no Rio de Janeiro, mandou uma mesada para mim. Não pensei muito e comprei os três primeiros do Sabbath (tenho eles até hoje). Custou um total de 21 Cruzados (acho que era essa a moeda da época). O troco da mesada dei para minha mãe, uns 9 Cruzados (ou algo assim), e mesmo assim não foi o suficiente para evitar os esporros dela - por ela eu não deveria gastar dinheiro com rock, mas com roupa e comida. Ela ligou para o meu pai e me disse que ele me mandou “Comer Discos”! Na época também comprava todos os posters gigantes da Editora Somtrês que chegavam a Aracaju, eles eram realmente muito disputados na cena. Existiam uns do Ozzy que já naquela época eram raríssimo - um deles eu tenho até hoje, é uma foto/desenho promocional do The Ultimate Sin, com o Ozzy “Encapetizado” agarrando uma mulher muito GOSTOSA! Já o outro poster era uma foto do Ozzy batendo palmas, esse não tenho. Outro raro era o poster do Black Sabbath, o Wellington tinha e o Bruxo ao saber trocou com ele por um LP que na época era bem mais caro. Uns tempos depois uma nova edição do pôster chegou às bancas e comprei! Devo muito a esses pôsteres, eles influenciaram a minha carreira de Fotografo.

O Rock in Rio II

Em 29 de dezembro de 1990 voltei ao Rio para o Rock in Rio II, deixando todos meus discos em Aracaju e apenas em 1994 minha mãe os trouxe para mim. Em fevereiro de 1991, acabei por ficar morando no Rio e dei inicio a uma nova coleção de discos. Um dos primeiros foi um pirata do Black Sabbath com Dio, e ao escrever cartas para o Wellington contando o feito de ter um pirata do Sabbath ele respondeu que ninguém em Aracaju acreditou que eu tinha um pirata do Black Sabbath. Como não sou mentiroso xeroquei as capas do vinil e de outro pirata do AC/DC e mandei pra ele. Na época não tinha certeza se ficaria no RJ e considerei esse LP o primeiro pirata do Sabbath de Aracaju. Também foi nessa época que no programa Fúria Metal da MTV vi pela primeira vez clips do Black Sabbath (Iron Man e Paranoid) e fiquei sabendo que o Dio estava retornando ao Sabbath. Fiz questão de escrever para o Wellington avisando da volta do Dio ao Black Sabbath, mas ai já é outra história...

Já que falamos em Dio...

A primeira vez que vi o nome DIO foi no quarto decorado do Augusto Cesar. Ele tinha vários logos de bandas pintados (por ele) na parede, até que uma sobrinha dele chegou à adolescência e ele cedeu o quarto para ela. O quarto foi todo pintado, mas ele pediu que não pintassem a capa do Killers do Iron Maiden com uns 2 metros e com isso o Eddie se salvou. Vi o logo do Dio com aquelas letras góticas e perguntei ao Wellington quem era o Dio ele me falou que era um grande vocal e que tinha sido vocal do Sabbath e colocou o “Mob Rules” pra rolar. Depois ele mandou perguntar ao Cesar se ele tinha o “Heavy and Hell” para vender****. Na lata Cesar respondeu que se o Wellington tivesse era ele quem compraria dele, pois teve, vendeu e se arrependeu. Wellington ainda me emprestou uma fita K7 com o álbum “Holy Diver" gravado. ADOREI!!!.

Ainda em Aracaju a TV Aperipe, cujo o sinal era fraco no Conj. Sta Tereza (ultimo bairro que morei em Aracaju), retransmitia o clássico Som-Pop da TV Cultura, sempre por volta das 20h. Um dia vi um Clip do Dio e um outro do Motorhead, ver clips desses, mesmo que com uma imagem ruim, naquela época em Aracaju era motivo pra ficar feliz a semana inteira.

E o “Holy Diver “?

Em 1988 a Lokaos Records deu inicio as suas atividades em uma garagem no bairro Cirurgia e lá tinha esse tal “Holy Diver “. O disco custava uns 20 Cruzados. Silvio deixava a loja aos cuidados do Zezinho. Pedi ao Zezinho um desconto de 5 Cruzados, ele falou que iria perguntar ao Silvio, porem voltei à loja varias vezes e ele nunca tinha perguntado, até que um dia ele, por conta própria, resolveu fazer o desconto. Resolvi não aceitar com medo do Silvio dar um esporro no Zezinho que estava agindo de coração naquele momento, com isso até hoje não tenho o disco, nem em LP, nem CD, K7 ou mesmo em MP3! Contudo tenho outros vinis, CDs, já fotografei uns 3 shows do Dio, um deles com o Black Sabbath (Heavy and Hell). Também já escrevi matérias sobre ele, mas o grande feito aconteceu em 1992.

Black Sabbath – Canecão, Rio de Janeiro – Dias 1 e 2 de julho de 1992

Fiquei sabendo que o Black Sabbath viria ao Brasil e inicialmente o show do Rio seria na Praça da Apoteose, por alguém que disse que a Blockhead havia divulgado isso no show que a banda tinha feito no Bar do Paulinho em Realengo. Na época trabalhava como entregador de assinaturas do Jornal do Brasil e no deposito de bebidas do meu tio, pegava no batente às 4h da matina saia de um e entrava no outro às 8h, só largando às 18h. Passava em casa e ia para o Colégio, só indo dormir às 23h.

Mas vamos ao show, que acabou acontecendo no Canecão. Com duas datas, garantir com uma semana antes do show o ingresso da primeira noite, com o seguinte pensamento: “Se for bom, compro para segunda noite” (Como assim se for bom??!!). Dito e feito: foi um showzaso e comprei ingresso para segunda noite. Na segunda noite o show ao que lembro repetiu o set e mesmo assim me pareceu ainda melhor que o primeiro, em especial pelo fato do pessoal da zona oeste carioca (Realengo, Bangu, Campo Grande) marcar presença. Em certo momento do show fui jogado para o alto e quando fui ver estava no fosso na beira do palco e logo um segurança me imobilizou, na hora pensei em duas coisas: “Fudeu, vou ser posto prá fora ” e “Vou aproveitar alguns segundos e ver o show aqui da beira do palco”. Olhei para o palco e vi o Dio na minha frente falando algo e gesticulando como quem diz: “Tenha Calma”. Estiquei o braço e ele apertou minha mão! Até o final do show teve gente cheirando e beijando minha mão e até hoje tem gente que acha o fato do Dio ter apertado minha mão o máximo. Vale lembra que por conta da minha rotina de trabalho e por conta desses shows, havia dormido umas 4 horas no máximo em uns dois dias. Estava tão cansado que no caminho para segunda noite fiz questão de ir em pé, em um ônibus vazio no trajeto ao Canecão, pois poderia dormir e passar do ponto. Além disso, ainda perdi duas provas na escola, mas todo o esforço valeu, afinal me renderam emoções que rendem histórias até hoje!

Os anos e o minha vida de fotografo e jornalista me colocaram lado a lado e frente a frente com alguns dos meus ídolos do rock e até o Dio voltou a apertar minha mão outras vezes. Mas o que me aconteceu na noite do dia 2/7/1992 foi algo que me ensinou em não acreditar em tudo o que se lê na mídia, já que em alguma revista dos anos 80 li que o Dio era chato com fãs e imprensa, e isso ele mesmo me provou que não era verdade.

E acreditem: mesmo nesses shows do Black Sabbath ocorridos há quase 20 anos no Rio, tentei de algum modo levar um pouco das minhas raízes sergipanas comigo, acho que pelo fato de me sentir, modéstia a parte, uma espécie de embaixador do rock sergipano na Cidade Maravilhosa!

Michael Meneses É a soma de um pai paraibano de João Pessoa com uma mãe sergipana de Itabaiana. Ele é o cara do Selo Parayba Records! Torcedor do Campo Grande A.C no RJ, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. É fotografo e jornalista, tem fotos e textos publicados em varias revistas, sites e jornais, além de ter um orgulho da PORRA em colaborar sempre que pode com o PROGRAMA DE ROCK!

Contatos: paraybarecords@hotmail.com

NOTAS:

*Wellington: Veio de Brasília, foi responsável por apresentar o Bruxo a cena sergipana. Por volta de 1992/93 voltou para o Distrito Federal e perdi contato.

** Cine Foto Walmir - Importante loja de discos de Aracaju nos anos 80.

***Loja Frogs: Existiu no Meier, zona norte do Rio. Pertencia aos músicos da The Worst. A loja fechou em 1990, eles foram para Alemanha, lá gravaram um LP e fizeram tour com Cro-Mags.

****Augusto Cesar: Naquela época Cesar vendia muitos dos seus discos para comprar material para pintar suas telas.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

# 184 - 08/04/2011

"Don´t believe the hype", já dizia o Public Enemy. Costumo cultivar uma saudável desconfiança com relação às bandas "hypadas", mas desprezá-las por completo seria burrice. O programa de hoje começa em ritmo dançante com duas bandas que foram "hype", The Rapture e Klaxons. Quase ninguém fala mais delas, justamente porque saíram de moda, mas o programa de rock não segue modas. The Rapture foi uma das responsáveis pelo revival do pós-punk do início do ano 2000 e chamou atenção com seu segundo disco, "Echoes", de onde extraímos a faixa de abertura desta edição. Já para o klaxons chegaram a criar até um novo rótulo, "new rave", que não "pegou", evidentemente. Não era pra tanto, claro, mas é uma boa banda, como você pode constatar pelo som que tocaremos hoje, extraido de seu primeiro disco, "Myths of the near future", de 2007. Fechando o bloco, "lemon", um dos singles de "zooropa", um dos mais ousados e criativos álbuns do U2, lançado em 1993 durante uma parada de seis meses entre as etapas da Zoo Tv Tour, que divulgava o disco "Achtung baby". Com os shows que fará no Brasil o U2 está prestes a se tornar a banda com a turnê mais lucrativa da história da música - O recorde anterior, de US$ 558 milhões, foi estabelecido pelos Rolling Stones durante a A "Bigger Bang tour", de 2005-2007.

Para completar a primeira meia-hora do programa, dois pedidos de ouvintes serão atendidos: "Bonfires", do grupo paranaense Rosie And Me (tocaram ano passado no Festival Rock Sertão, em Nossa Senhora da Glória), e "Tears of the Dragon", sucesso da carreira solo de Bruce Dickinson. Depois do Drop Loaded, o "Bloco do ouvinte", produzido por Daniela, da Renegades of punk, trará uma seleção de "riot girrls".

Na segunda parte do programa faremos nosso já tradicional Especial Abril pro rock.

See you later, "alligators".

A.

# # #

O "Bloco do ouvinte":

Sleater-Kinney - A real man - Música do 1º álbum delas, chamado "Sleater-Kinney" de 1995. A banda é uma das mais conhecidas das ligadas ao Riot Grrrl. Foi formada em 1994 em Olympia, Washington, EUA. O nome veio da estrada "Sleater-Kinney Road" em Olympia, perto de um dos locais usados no começo da banda para ensaios.

Team Dresch - Fagetarian and dyke - - Música do álbum "Personal Best" de 1995 - A banda é de Portland, Oregon, mas foi formada em Olympia, Washington. É muito importante por ter uma direção significativa no queercore e do-it-yourself, que deu voz através de zines e música para as paixões e as preocupações tanto aa comunidade LGBT quanto dos universos punk. Todas na banda são abertamente lésbicas. Estiveram tocando (reunidas) no Brasil ano passado no festival Lady Fest.

The Third Sex - Un, deux, trois, cat! - Música do álbum "Card Carryin'" de 1996. Outra banda de Portland, Oregon.

Cadallaca - Two beers later - Música do álbum "Introducing Cadallaca" de 1998. A banda é um projeto paralelo de 3 mulheres envolvidas com o movimento feminista/riot grrrl: Corin Tucker (Sleater-Kinney), Sarah Dougher (The Lookers) e STS, (The Lookers, The Haggard).

Le Tigre - Deceptacon - Música do 1º álbum, "Le Tigre" de 1999. A banda foi formada por Kathleen Hanna (Bikini Kill) e Johanna Fateman em 1998 (New York City, New York, EUA). O Le Tigre é conhecido por manter a linha politizada do Bikini Kill falando de assuntos do feminismo e comunidade GLBT.

por Daniela Rodrigues

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The Rapture - I need your love
Klaxons - Two receivers
U2 - lemon

Rosie and Me - Bonfires
Bruce Dickinson - Tears of the Dragon
(pedidos de ouvintes)

Naked Girls and aeroplanes - All about
Família Palim - Funk do palim
(Drop Loaded)

Sleater-Kinney - A real man
Team Dresch - Fagetariam and Dyke
The Third sex - Un Deux trois cat!
Cadallaca - Two Bears later
Le Tigre - Deceptacon
(por Danihella)

The Skatalites - President Kennedy
Karina Buhr - Ciranda do incentivo
Eddie - Danada

Facada - Onisciente
Musica Diablo - Lifeless
Violator - The Plague never dies

The Misfits - Land of the Dead
The Misfits - Twilight of the dead

D. R. I. :
# Shut up
# Think for yourself
# The Five year plan
# Beneath the wheel
# I´m the liar
# violent pacification

+ slayer

Como surgiu o nome Slayer?

Jeff ou Kerry sugeriram o nome DragonSlayer, após ver o filme de mesmo nome (1981). Mas a banda achou que o nome não soava legal, tiraram o Dragon e ficou só Slayer.

Que equipamentos a banda usa?

Jeff: Guitarras ESP e Jackson, amplificadors Marshall JCM 800, cordas D'Aquisto 0.9 - .42 e palhetas D'andrea.
Kerry: Guitarras ESP e BC Rich, ampli Marshall JCM 800, Equalizador Boss, cordas iguais as de Jeff e palhetas D'andrea.
Tom: Baixo Hill, Cordas D'addario XL.
Dave Lombardo (1990): Bateria Tama, pratos Paiste, Microfones May, peles Remo e baquetas Pro-Mark.

Por que usar maquiagem no início??

KERRY: Pra mim a maquiagem representava a rebelião contra as maquiagens bonitinhas de Los Angeles. Era como: O que posso fazer pra ficar o mais distante possivel de bandas como Motley Crue e Poison?
TOM: Após aquilo, todo mundo e suas mães vagabundas estavam usando aquela merda...

Por que Dave Lombardo deixou a banda?

Havia um conflito constante entre a banda e Dave por causa de sua esposa (ele passava muito tempo com ela), trazia ela para as turnes e isso desagradava os outros membros.

Por que Paul Bostaph deixou a banda?

Para se concentrar em seu projeto "The truth about seafood" ( A verdade sobre a comida do mar), um projeto paralelo do seu tempo de Forbidden.

Por que Kerry raspou o cabelo?

Jeff uma vez mencionou que ele estava ficando careca.

Quem é o Mr. Gein (reparar na voz da menina gritando na musica DEAD SKIN MASK)?

Ed Gein, um serial killer norte americano.

O que há de errado no final do Reign in Blood (metade da musica postmorten esta mixada na musica 10)?

A companhia que prensou o cd cometeu um erro e isto não foi arrumado.

O que é o 213 (título da música 9, do DIVINE INTERVENTION)?

O número do apartamento de um serial killer chamado Jeffrey Dahmer(em Milwaukee). Ele matou 13 pessoas. Tom Araya sempre se interessou muito por mentes de assassinos.

De quem são os braços cortados que pode ser visto no DIVINE INTERVENTION?

Mike Meyer. Esta "cirurgia" também pode ser vista no vídeo LIVE INTRUSION.

Qual é a música mais rápida do SLAYER?

Bem, consultando o metronomo (esta lista não é 100% garantida).

1) Necrophobic, 248 bpm
2) Raining Blood, 247 bpm
3) The Anti-Christ e Postmorten, 240 bpm
4) Angel of Death, 237 bpm
5) Dittohead, 228 bpm

É verdade que o cérebro de Curt Kobain está atrás do encarte de Undisputted Attitude?

Existem rumores que sim, mas não há nada confirmado.

O SLAYER é satanico?

"O rumor, bem, é verdade, é apenas um rumor. Mas se é verdade, eu acho que não. Acho que estaríamos mortos agora, ou teríamos matado alguém de outra banda maior que nós se quiséssemos ser maior que eles." TOM ARAYA.

O SLAYER é nazista ou racista?
"... A America e a Inglaterra fizeram algumas acusaçãos sobre nós sermos facistas. Tudo que posso dizer é que não queremos influenciar ninguém politicamente. Nós deixamos isto claro em BEHIND THE CROOKED CROSS, que não éramos nazistas. Nós não estamos envolvidos com política, mesmo que citemos alguma coisa sobre isto em nossa músicas." TOM ARAYA.

O que causou o conflito entre o Slayer e Sepultura?

O conflito iniciou com o Sepultura não corcordar com o Slayer em relação ao uso de símbolos nazistas e do 3rd Reich, dizendo que isto era irresponsável e teria má influência sobre os jovens. Numa entrevista a revista Rock Brigade Kerry King afirmou que esta briga é coisa da imprensa.

Em que outras bandas os membros do Slayer tocaram?

Paul Bostaph tocou no Testament, Forbidden e The Truth About the Seafood. Jon Dette também esteve no Testament e Evil Dead. Kerry tocou em alguns shows do Megadeth em 1984.


quarta-feira, 6 de abril de 2011

SLAYER !

Confirmados shows do Slayer no Brasil. Um dos mais importantes nomes do thrash metal, o grupo desembarca no país no mês de junho, segundo informações da produtora Mondo Entretenimento.

Com a turnê mundial World Painted Blood, o Slayer passará por Curitiba, no dia 8 de junho, com apresentação no Master Hall, e em São Paulo, no dia 9, na Via Funchal. A venda dos ingressos para as duas datas começa no dia 15 de abril, porém os valores até o momento não foram divulgados.

O mais recente disco da banda, homônimo da turnê, lançado em 2009, deverá compor a maior parte do repertório das apresentações, sendo acompanhado de clássicos da carreira iniciada na primeira metade dos anos 80.

Fonte: Rolling Stone

Slayer no Brasil

Curitiba
8 de junho
Master Hall (Rua João Palomeque, 80)
Ingressos à venda: 15 de abril
Vendas: www.diskingressos.com.br

São Paulo
9 de junho
Via Funchal (R. Funchal, 65)
Ingressos à venda: 15 de abril
Vendas: www.viafunchal.com.br


terça-feira, 5 de abril de 2011

HOJE: 17 Anos sem Kurt Cobain

05/04/1994: Kurt Cobain, líder da banda Nirvana, comete suicídio no auge da fama com um tiro de espingarda na cabeça, sendo encontrado apenas cerca de dois dias depois. O corpo foi achado por um eletricista contratado para instalar equipamentos de segurança que arrombou uma janela após desconfiar que havia algo errado. Ao lado do cadáver foi encontrada uma nota de suicídio escrita com tinta vermelha, endereçada à mulher Courtney Love e à filha Frances. A grande quantidade de heroína encontrada em seu corpo leva um grupo mais desconfiado a supor que Kurt foi assassinado (por não ser possível a alguém tão dopado colocar a arma na cabeça e puxar o gatilho).

Segue abaixo o relato da Wikipedia sobre os últimos dias de Kurt:

O último show do Nirvana aconteceu no Terminal Einz, em Munique, Alemanha, em 1 de março. Um Kurt completamente estafado e com a voz visivelmente desgastada determina férias instantâneas - shows marcados para os dias 2 e 3 são cancelados e, depois, adiados para abril, quando a turnê européia teria sua segunda parte. Cobain é diagnosticado com bronquite e com uma grave laringite. Cobain vai para Roma, Itália, para descansar, se medicar e encontrar com Courtney Love. Courtney chega a Roma no dia 3 e encontra Kurt no Hotel Excelsior. O casal passou várias semanas sem se ver. As expectativas de Kurt pelo reencontro levam um banho de água gelada quando Courtney diz que está exausta e quer dormir. Quando ela acorda na manhãzinha do dia 4, Kurt está no chão, com o nariz sangrando. Ele havia tomado champanhe e cerca de 50 pílulas do tranqüilizante Rohypnol. Kurt deixa uma carta de despedida com três folhas, caracterizando a tentativa de sucídio. Mas, oficialmente, o fato é divulgado como uma dose excessiva e acidental de medicamentos. Na carta, Kurt diz que Courtney não o ama mais, e que ele preferia morrer a passar por mais um divórcio (o primeiro foi o de seus pais). Internado no hospital Umberto I, Kurt sai do coma no dia 5 e é transferido para o American Hospital, também em Roma. Recebe alta no dia 8 e volta para os Estados Unidos no dia 12.

Em 18 de março, Courtney chama a polícia de Seattle porque Kurt se trancou em um quarto da casa com um revólver. Os policiais conversam com ele, que afirma não ser um suicida e querer apenas ficar longe da esposa. Quatro armas que Cobain tem na casa são confiscadas.

Love planeja intervir seriamente nos problemas de Kurt, preocupada com seu vício em heroína. Dez pessoas envolveram-se no trabalho, incluindo colegas, amigos, executivos da gravadora e Dylan Carlson, um dos amigos mais íntimos de Kurt. Danny Goldberg, empresário do Nirvana, descreveu Cobain como sendo "extremamente relutante" e que "ele negava que estava fazendo qualquer coisa auto-destrutiva". Contudo, Cobain concordou em se internar no Exodus, em Los Angeles, Califórnia, que aconteceu em 30 de março. Courtney estava na mesma cidade promovendo o novo disco do Hole, "Live Through This". No dia 1º, por volta das 19:30h, Kurt saiu pelas portas dos fundos da Exodus sob o pretexto de fumar um cigarro e escalou o muro de pouco menos de dois metros de altura. E fugiu. Duas horas depois, Kurt usou seu cartão de crédito para comprar uma passagem de primeira classe para Seattle no vôo 788 da Delta. Antes de embarcar, ligou para a Seattle Limusine e marcou para ser apanhado no aeroporto - pediu explicitamente para que não enviassem uma limusine. Tentou falar com Courtney, mas ela não estava - deixou uma mensagem dizendo que havia ligado. Ela já o estava procurando em Los Angeles assim que soube que Kurt sairia do Exodus. Ficou convencida de que ele irira comprar drogas e provavelmente ter uma overdose. Kurt chegou em casa à 1:45h da manhã do sábado, 2 de abril. Ali, passou um tempo com o casal Cali e Jessica Hooper, colegas que estavam hospedados na casa. Horas depois, Kurt chamou um táxi e tentou comprar munição. Vendo que as lojas ainda estavam fechadas, Kurt desistiu e provavelmente se hospedou no motel Crest ou no Quest - que ficavam próximos de um de seus traficantes. Naquele dia ele também foi até a Seattle Guns e comprou uma caixa de cartuchos de espingarda calibre 20.

Com o intuito de descobrir o paradeiro de Kurt, Courtney cancelou todos os seus cartões de crédito. Nos dois dias que se seguiram, houve notícias dispersas de que Kurt havia sido visto. Na noite de domingo, 3, ele foi visto no restaurante Cactus, jantando com uma mulher magra, provavelmente sua traficante, Caitlin Moore, e um homem não identificado. Naquele domingo, Courtney ligou para detetives particulares das Páginas Amarelas de Los Angeles, até que encontrou um que estava trabalhando naquele fim de semana. Tom Grant e seu assistente Ben Klugman a visitaram naquela tarde. Ela disse que seu marido havia fugido do centro de reabilitação, que estava preocupada com a saúde dele e pediu a Grant que vigiasse o apartamento da traficante Caitlin Moore, onde ela imaginava que Kurt poderia estar. Grant subcontratou um detetive de Seattle, dando-lhe ordens para observar a casa de Dylan Carlson e o apartamento de Caitlin. A vigilância foi montada naquele mesmo domingo. Entretanto, os detetives não montaram guarda imediatamente na casa de Kurt, que ficava no Lake Washington Boulevard.

Na segunda-feira, 4, Courtney pediu que a polícia verificasse a casa em Lake Washington. Os policiais passaram por lá várias vezes, mas não viram nenhum movimento. Naquele dia, à noite, Cali saiu de casa, deixando Jessica sozinha no quarto dele. Por volta da meia-noite, ela ouviu ruídos. "Ouvi passos no andar de cima e no corredor", lembra ela. Gritou um "oi" mas não ouviu resposta. Estima-se que era Kurt chegando naquele começo de madrugada. Cali só voltou depois das três da manhã, e ele e Jessica dormiram até tarde da manhã seguinte.

Na tarde de terça-feira, 5, Courtney mandou Eric Erlandson, seu amigo e guitarrista do Hole, ir até a casa do Lake Washington procurar por Kurt. Ele encontrou-se com Cali e Jessica e os três procuraram por Kurt, armas e drogas. Tentativas todas em vão. Ninguém pensou em procurar na garagem e na estufa, e Erlandson saiu apressado rumo à casa em Carnation, onde a irmã de Kurt morava na ocasião. Na quarta, 6, Jessica e Cali deixaram a casa dos Cobain, mas na tarde de quinta, 7, Courtney conseguiu falar com o casal e ordenou que procurasse por Kurt mais uma vez na casa do Lake Washington. Os dois foram até lá juntos com uma amiga, Bonnie Dillard. Não encontraram nada e deixaram um bilhete com um sermão para Kurt e mandando-o procurar por Courtney. Logo que foram embora, Dillard mencionou que talvez tivesse visto algo perto da garagem, mas, amedontrados, ninguém quis voltar para checar.

Dois dias antes, 5, nas horas que antecediam a alvorada de terça feira, Kurt Cobain havia despertado em sua cama. Os travesserios ainda tinham o cheiro do perfume de Courtney. No quarto, o aroma misturou-se com o cheiro ligeiramente picante da heroína cozida - este também era um cheiro que o despertava.

Kurt havia dormido com suas roupas do corpo. Vestia sua camiseta da banda Half Japanese e suas calças Levi's favoritas. Vestiu e amarrou os cadarços do par de tênis Converse que possuia, caminhou até o aparelho de som e colocou para tocar um disco do R.E.M., "Automatic for the People". Acendeu um Camel Light e caiu de costas na cama com um bloco tamanho ofício apoiado em seu peito e uma caneta vermelha de ponta fina. Ele já havia escrito uma longa carta pessoal à sua esposa e filha, rapidamente rabiscada, enquanto estava no Exodus. Ele havia trazido o papel até Seattle e havia enfiado sob um dos travesseiros impregnados de perfume. "Você sabe, eu amo você. Eu amo Frances. Eu sinto muitíssimo. Por favor, não venha atrás de mim. Eu sinto muito, muito, muito.", eram algumas das palavras que Kurt havia escrito, enchendo uma página inteira com esse pedido de perdão. "Eu estarei lá", continuou ele. "Eu protegerei você. Não sei para onde estou indo. Simplesmente não posso ficar mais aqui."

Tinha sido muito difícil escrever aquele bilhete, mas ele sabia que esta segunda carta seria igualmente importante e ele precisaria ter cuidado com as palavras. Ele endereçava "Para Boddah", o nome de seu amigo de infância imaginário. Quando soltou a caneta, havia enchido a página inteira, exceto por cinco centímetros. Ele fumara três cigarros redigindo o bilhete. As palavras não tinham saído com facilidade e havia erros de grafia e sentenças pela metade. Ele assinou dizendo "paz, amor e empatia. Kurt Cobain". Escreveu ainda mais uma linha - "Frances e Courtney, eu estarei em seu altar" - e enfiou o papel e a caneta no bolso esquerdo do casaco.

Ele se levantou da cama e entrou no closet, onde retirou uma tábua da parede. Neste cubículo secreto havia uma arma dentro de uma capa de náilon bege, uma caixa de cartuchos de espingarda e uma caixa de charutos Tom Moore. Ele repôs a tábua, enfiou os cartuchos no bolso, agarrou a caixa de charutos e aninhou a pesada espingarda sobre seu antebraço esquerdo. Em um closet do corredor, ele apanhou duas toalhas - ele não precisava delas, mas sabia que alguém precisaria. Desceu silenciosamente os dezenove degraus da larga escadaria. Estava a cerca de um metro do quarto de Cali e não queria que ninguém o visse. Ele havia refletido sobre tudo isso, traçado um mapa com a mesma premeditação que dedicava às capas de seus discos e a seus vídeos. Haveria sangue, muito sangue, e uma bagunça que ele não queria em casa. Principalmente, ele não queria assombrar aquele lar, deixar sua filha com o tipo de pesadelos com que ele havia sofrido.

Quando se dirigia para a cozinha, passou pela soleira da porta onde ele e Courtney haviam começado a acompanhar o quanto Frances havia crescido. Apenas uma linha estava ali agora, uma pequena marca de lápis com o nome dela a cerca de 79 centímetros acima do chão. Kurt nunca mais veria outra marcas mais altas naquela parede, mas estava convencido de que a vida de sua filha seria melhor sem ele.

Na cozinha, ele abriu a porta de sua geladeira Traulson de aço inox de 10 mil dólares e apanhou uma lata de cerveja de raizes da Barq, tomando cuidado para não soltar a espingarda. Levando essa carga macabra - cerveja de raízes, toalhas, uma caixa de heroína e uma espingarda, tudo o que mais tarde seria encontrando num arranjo de plantas bizarro -, ele abriu a porta para o quintal e atravessou o pequeno pátio. A aurora estava rompendo e a neblina pairava próximo do chão. A maioria das manhãs em Aberdeen eram exatamente assim: nevoentas, orvalhadas, úmidas. Ele jamais veria Aberdeen novamente; jamais escalaria efetivamente até o topo da caixa d'água no "Morro do Think of Me"; jamais compraria a fazenda que sonhava em Grays Harbor; jamais acordaria novamente numa sala de espera de hospital tendo fingido ser um visitante para só encontrar um lugar quente para dormir; jamais veria novamente sua mãe, irmã, pai, mulher ou filha. Ele trilhou os cerca de vinte passos até a estufa, galgou os degraus de madeira e abriu o conjunto de portas francesas dos fundos. O piso era de linóleo: seria fácil de limpar.

Ele sentou-se no chão da estrutura de cômodo único, olhando para as portas da frente. Ninguém conseguiria vê-lo ali, a menos que estivesse trepado nas árvores atrás de sua propriedade, e isto não era provável. Não queria mais ver o interior de um hospital novamente, não queria um médico de jaleco branco apalpando-o, não queria ter um endoscópio em seu estômago dolorido. Ele estava acabado para aquilo tudo, acabado para o seu estômago, ele não poderia estar mais acabado. Como um grande diretor de filmes, ele havia planejado este momento até os mínimos detalhes, ensaiando esta cena ao mesmo tempo como diretor e como ator. No curso dos anos, tinha havido muitos ensaios finais, passagens de raspão que quase seguiam este caminho, fosse por acidente ou, às vezes, por querer, como em Roma. Talvez fora sempre isto que ele guardava vagamente em sua cabeça, como um ungüento precioso, como a única cura para uma dor que jamais passaria. Ele não se importava com a liberação do desejo, ele desejava a libertação da dor.

Ficou sentado pensando coisas que só ele sabia por vários minutos. Fumou cinco Camel Light e sorveu vários goles de sua cerveja. Tirou o bilhete do bolso, estendeu-o no chão do linóleo e tinha de escrever em letras maiores, que não saíram tão perfeitas, por causa da superfície que ele estava: "Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances, pela vida dela que será muito mais feliz sem mim. Eu te amo. Eu te amo". Essas últimas palavras haviam completado a folha. Depositou o bilhete no alto de um monte de terra para vasos e fincou a caneta no meio, para que, como uma estaca, segurasse o papel no alto, sobre a terra.

Tirou a espingarda da capa de náilon macia. Dobrou cuidadosamente a capa, como um garotinho separando suas melhores roupas de domingo depois da missa. Tirou a jaqueta, estendeu-a sobre a capa e colocou as duas toalhas no alto desse monte. Ele foi até a pia e apanhou uma pequena quantidade de água para o seu fogareiro de droga e sentou-se novamente. Abriu a caixa com 25 cartuchos de espingarda e tirou três, enfiando-os na câmara da arma. Moveu o mecanismo da Remington para qu e um único cartucho estivesse na câmara. Retirou a trava de segurança da arma.

Fumou seu último Camel Light. Tomou mais um gole da Barq. Lá fora, estava começando um dia nublado - era um dia como aquele em que ele chegara a este mundo, 27 anos, um mês e dezesseis dias antes. Ele agarrou a caixa de charutos e tirou um pequeno saco plástico que continha cem dólares de heroína preta mexicana - era um bocado de heroína. Ele pegou cerca de metade, um chumaço do tamanho de uma borracha de lápis e o colocou na colher. Sistemática e habilmente, preparou a heroína e a seringa, injetando-a logo acima do cotovelo, não muito longe de seu "K" tatuado. Devolveu os instrumentos para a caixa e se sentiu uma nuvem, rapidamente flutuando para longe deste lugar. O jainismo pregava que havia trinta céus e sete infernos, todos dispostos em camadas ao longo de nossas vidas; se ele tivesse sorte, este seria seu sétimo e último inferno. Afastou para o lado seus instrumentos, flutuando cada vez mais rápido, sentindo sua respiração se reduzir. Ele tinha de se apressar agora: tudo estava se tornando nebuloso e um matiz verde-água enquadrava cada objeto. Agarrou a pesada espingarda, encostou o cano contra o céu de sua boca. Faria barulho; ele tinha certeza disso. Disparou. E então ele se foi.

O corpo de Kurt Cobain foi encontrado pelo eletricista Gary Smith, que chegou à casa do Lake Washington para instalar um novo sistema de segurança. Às 8:40h da sexta-feira, 8, Smith estava perto da estufa e olhou para dentro dela. "Eu vi um corpo estendido lá no chão. Pensei que fosse um manequim. Depois notei que havia sangue na orelha direita. Vi uma espingarda estendida ao longo de seu peito, apontando para seu queixo", relatou Gary. Ele ligou para a polícia e, em seguida, para sua empresa.

Enquanto isso, em Los Angeles, Courtney havia sido internada no Exodus na quinta-feira, 7, para reabilitação. Na sexta, recebeu a notícia da morte de Kurt através da colega Rosemary Carroll. Courtney deixou a cidade num Learjet com Frances, Rosemary, Eric Erlandson e a babá Jeackie Farry. Quando chegaram à casa do Lake Washington, ela estava cercada por equipes dos telejornais.

Foi possível identificar o cadáver como sendo de Kurt, embora seu aspecto fosse macabro: as centenas de bolinhas de chumbo do cartucho da espingarda haviam espandido sua cabeça e o haviam desfigurado. A polícia retirou as digitais do corpo e as impressões batiam com àquelas já arquivadas no caso da prisão por violência doméstica.

A autópsia encontrou traços de benzodiazepinas (tranquilizantes) e heroína no sangue de Kurt. O nível de heroína era tão alto que mesmo ele - famoso pela enorme quantidade que tomava - não poderia ter sobrevivido por muito mais tempo do que aquele que levou para disparar a arma.

Courtney estava inconsolável. Quando os policiais finalmente deixaram o local, e com apenas um guarda de segurança como testemunha, ela reconstitiu os últimos passos de Kurt, entrou na estufa - que ainda tinha de ser limpa - e mergulhou as mãos em seu sangue. No chão, ajoelhada, ela rezou e gemeu de dor, erguendo as mãos cobertas de sangue para o céu e gritou: "Por quê?!". Ela encontrou um pequeno fragmento do crânio de Kurt com cabelo preso a ele. Ela lavou e passou xampu nesse horripilante suvenir.

No sábado, 9, Courtney foi até a agência funerária para ver o corpo de Kurt antes de ser cremado - ela já tinha solicidado que fossem feito moldes de gesso de suas mãos. Grohl tambem foi convidado e declinou, mas Krist compareceu, chegando antes de Courtney. Ele passou alguns momentos a sós com seu velho amigo e desatou a chorar. Quando ele saía, Courtney foi introduzida na sala de inspeção. Kurt estava sobre uma mesa, vestido com suas roupas mais elegantes, mas seus olhos tinham sido costurados. Era a primeira vez em dez dias que a Courtney viu o marido e foi a última vez que seus corpos físicos ficaram juntos. Ela acariciou seu rosto, falou com ele e cortou uma mecha de seus cabelos. Depois, baixou as calças dele e cortou uma mecha de seus pêlos púbicos. Finalmente, ela subiu em cima de seu corpo, abraçando-o com as pernas e recostou a cabeça em seu peito e lamentou: "Por quê, por quê?".

Diversas cerimônias foram realizadas em memória de Kurt. Umas das mais notáveis aconteceu numa tarde de domingo: uma vigília pública foi realizada no Pavilhão da Bandeira do Seattle Centre e reuniu 7 mil pessoas, que levaram velas, flores, cartazes e algumas camisas de flanela em chamas. Um conselheiro de suicídio discursou e incentivou os jovens em dificuldades a pedirem ajuda, enquanto os DJs lcocais trocavam recordações. Uma mensagem curta de Krist foi divulgada, bem como uma fita de Courtney, que leu também a carta de despedida de Kurt.

O corpo de Kurt Cobain foi cremado e Courtney recebeu a urna com as cinzas uma semana depois. Ela pegou um punhado e o enterrou sob um salgueiro na frente da casa. Em maio, colocou o resto numa mochila de ursinho e viajou até o mosteiro budista Namgyal, perto de Ítaca, estado de Nova York, onde procurou consagração para as cinzas e absolvição pra si mesma. Os monges abençoaram os restos e usaram um punhado para fazer uma escultura comemorativa.

A maior parte dos restos mortais de Kurt ficou depositada em uma urna no endereço do Lake Washington, até 1997, quando Courtney vendeu a casa, mas insistiu num acordo que lhe permite voltar um dia e remover o salgueiro.

Por fim, Frances Bean Cobain, então com seis anos de idade, espalhou as cinzas do pai no riacho McLane, em Olympia, Washington - elas dissolveram e flutuaram na corrente. Em diversos sentidos, este era, também, um local adequado para o descanso.

Fonte: Wikipedia

FUI !

A esta altura do campeonato descrever, pura e simplesmente, um show do Iron maiden é mais do que chover no molhado: é fazer cair uma tempestade num lugar já inundado. Mas não poderia deixar de registrar esta minha experiência pessoal, minha “ida a Meca”, “roquisticamente” falando. Porque eu, assim como a maioria dos apreciadores do rock “pauleira” de minha geração, cheguei a este universo através desta banda, atraído pelas irresistíveis, para os moleques adolescentes, capas com o mascote Eddie estampado. Perdi o show de 2009 (não podia ir aos 2, escolhi o Motorhead), portanto não poderia, sob hipótese alguma, perder esta segunda (e ainda mais inusitada) chance de ver finalmente, ao vivo, uma das bandas que mudaram a minha vida.

Antes de mais nada quero registrar que, na parte que me toca, a produção está de parabéns: Foi tudo muito tranqüilo, limpo e organizado, da compra dos ingressos no Shopping Center Recife ao acesso ao “Front stage”. Tudo bem sinalizado e sem estresse, como a vida deveria ser. Cheguei, infelizmente (ou não, não sei) já no finalzinho do show da banda de abertura, que estava tocando um cover do Metallica, pelo que eu ouvia do lado de fora. Posicionei-me a uns 20 metros do palco e de lá não arredei pé até o início da apresentação, que começou pontualmente às 20:00H, como combinado, ao som de “doctor doctor”, do UFO (antes já havia identificado uma do The Cult e “Machine Head”, do Deep Purple, saindo dos auto-falantes). No telão começam a ser exibidas imagens editadas do clipe de The Final Frontier com “Sattelite 15”, a introdução do último disco, rolando ao fundo. Terminada e exibição, a esperada explosão de luzes acompanhada da catarse do público com a banda executando “The Final Frontier” a todo vapor. Caiu a ficha e algumas lágrimas me vieram aos olhos: eu estava, realmente, num show do Iron Maiden. O adolescente “metaleiro” que ainda existe dentro de mim, provavelmente à espreita habitando meu subconsciente, agradecia.

“Eldorado”, o single, veio a seguir. Bom pique até aqui. Foi aí que aconteceu aquele que foi, provavelmente, o único evento inesperado de toda a noite: um cidadão consegue invadir o palco, se posta ao lado de Steve Harris e posiciona o celular para uma foto ! Steve não se abala e ainda faz uma careta simpática para o flash antes que o indivíduo seja retirado aos solavancos por um segurança. Uma façanha e tanto. Parabéns para o rapaz – espero que não tenha sido agredido nos bastidores nem que tenham apagado o registro de seu feito histórico.

A terceira música da noite foi também a primeira “clássica”, dos primórdios: “two minutes to midnight”, que eu cantarolo compulsivamente toda vez que olho no relógio e os ponteiros estão rodeando o 12 há uns bons 20 e tantos anos. Desnecessário dizer que a “coroada” (haviam muitos) foi ao delírio. A partir dali começaram as “progressivices” que a mim, particularmente, não agradam – até porque não conheço. Nada que me fizesse nem por um segundo me arrepender de estar ali depois de uma longa jornada de suor(calor da porra!), lágrimas e alguns bons reais derramados pelo caminho, mas a turnê ideal, para mim, teria sido a de 2009, onde tocaram “só crássicos”. Isso porque, admito sem a menor vergonha, o último disco do Iron maiden que eu comprei no lançamento e ouvi de cabo a rabo até decorar cada acorde foi o “seventh son of a seventh son”, de 1988 ! E olha que já não tinha curtido tanto – não gosto de álbuns conceituais pois, a meu ver, as músicas costumam ficar engessadas para que possam contar a “historinha”. Há nele, no entanto, alguns excelentes momentos e, felizmente, foi um destes o escolhido para representá-lo na noite: “The evil that man do”. Grande som.

Mas como eu estava dizendo, haviam começados as “progressivices”: “The Talisman”, do disco novo. Enorme, verborrágica e com um refrão que não “pega”. Mas vale o registro do ótimo trabalho do geralmente desvalorizado (e não é pra menos, quem mandou entrar numa banda que tem Adrian Smith e Dave Murray na formação?) Janick Gears ao violão, na introdução. Emendam com “coming home”, outra que eu desconheço. Aproveito para apreciar mais detalhadamente o cenário, excelente, num clima futurista/retrô aparentemente inspirado na Ficção Científica dos anos 50 – o design dos dois “foguetes” postados dos dois lados do palco não me deixam mentir. Além disso, os panos de fundo iam se revezando a cada música, ora com imagens ilustrativas deslumbrantes, ora com um cenário cósmico vazado salpicado de luzes representando estrelas. Conjugados com os telões de excelente definição que ficavam nas laterais do palco, formavam uma excelente combinação de tecnologia com apego à tradição.

Uma bela imagem da morte estendendo a mão para a platéia emoldura a música seguinte, “Dance of death”, faixa-título do álbum de 2003. Meus amigos de viagem, bem mais jovens (eles têm 20, eu 40), gostam muito, mas eu achei chatinha - uma questão de gosto pessoal, provavelmente, já que eles curtem muito mais metal do que eu, pelo que constatei pela viagem regada a Primal Fear, Gamma Ray e Ronnie James Dio. Nunca ouvi absolutamente nada deste disco, “dance of death”, que tem, a meu ver, a pior capa da discografia do Iron Maiden. Mas aí veio “The Trooper” e caralho, puta que pariu ! Sensacional ver finalmente, ao vivo, a clássica imagem de Bruce Dickinson agitando uma bandeira esfarrapada do Reino Unido ao som deste verdadeiro Hino do Heavy Metal. Um grande momento, intenso, sem rodeios. Comparada ao que veio antes, é uma musica minúscula, simples e direta, e é assim que eu gosto.

Sim, senhoras e senhores: eu NÃO SOU um headbanger, mas não me senti, em nenhum momento, um estranho no ninho em meio àquela horda de fanáticos barbados e suados que me rodeava. Só senti falta de uma maior presença feminina para perfumar o ambiente, mas isso são ossos do ofício. “The wicker man”, do Brave new world (2000), veio a seguir e também é muito boa. Tem um excelente refrão “grudento” (your time Will come) e a letra faz referência a um clássico filme britânico dos anos 70 estrelado por Christopher Lee que eu recomendo muito – mas cuidado para não pegar, por engano, a desnecessária refilmagem hollywoodiana que tem Nicholas Cage. A música seguinte, “Blood brothers”, que também é do mesmo disco, foi dedicada por Bruce aos fãs do Japão e de lugares inusitados onde eles também têm fãs, como Irã, Egito, Síria e Libia. Lugares onde, ainda segundo o vocalista, coisas horríveis estão acontecendo naquele exato momento, o que nos deve fazer pensar, a nós, brasileiros, como é bom ter nascido e poder viver neste país sem guerras civis (há controvérsias), terremotos e outras catástrofes naturais. Foi efusivamente aplaudido.

“When the wild wind blows”, a última do novo disco, não me empolgou. Na verdade não ouvi o disco inteiro, já que os caras são osso duro de roer com a pirataria e não consegui encontrar links para download funcionando. No entanto, apesar de, com já disse, ter sido preferível para mim poder ter ido no show “retrospectivo” da tour anterior, também é legal estar num show, digamos, “normal”, da banda, divulgando um novo disco. Nos faz sentir mais “parte do circuito”, integrados a este grande circo do rock and roll mainstrean, coisa que nós, moradores de rincões mais isolados do mundo, estamos acostumados a acompanhar apenas pela imprensa. Este é um grande mérito do Iron Maiden: audaciosamente ir onde nenhuma outra banda de grande porte jamais esteve. O próximo passo, eles dizem, é a China.

Depois de “The Evil that men do” veio outra apoteose: “Fear of the dark”, provavelmente o último grande hit da banda, do disco de 1992. Finalizando a primeira parte do set, “Iron Maiden”, a música, e a entrada do mascote Eddie, desta vez numa versão ainda mais rebuscada, uma mistura de zumbi com andróide futurista com ótimos movimentos mecânicos. Não por acaso, o boneco foi projetado pelo filho de Ray Harryhausen, que fez o primeiro “Furia dos Titãs” e animações clássicas para Hollywood nos anos 50 e 60.

Intervalo, volta, "The Number of the Beast" (que tem um clima “tenebroso” ótimo, lembra “Black Sabbath”, do Sabbath), "Hallowed Be thy Name" (cantada a plenos pulmões, inclusive por mim) e "Running Free", onde Bruce aproveita para apresentar, de forma bem humorada, os integrantes. Fim de festa. Depois de um longo silêncio no palco, eis que somos brindados com a excelente musiquinha de encerramento do clássico “A Vida de Brian”, do Monty Python. Melhor despedida, impossível.

O primeiro disco de Heavy metal que eu ouvi em minha vida, ainda nos anos 80, foi “somewhere in time”, então o último lançamento da maior banda do estilo no mundo. Mas meu maior deslumbramento veio mesmo quando eu tirei o lacre de “Live after death”, abri a capa dupla e me deparei com aquelas sensacionais fotos da “World slavery tour”, a turnê de divulgação do LP “powerslave”. Não comecei a acalentar a possibilidade de estar, um dia, pessoalmente num show do Iron Maiden porque esta era, para a época e para a cidade em que eu vivia (Itabaiana, Sergipe), uma coisa muito remota para se pensar. Na minha cabeça ficaria, para sempre, no mundo dos sonhos. Ainda bem que o mundo dá voltas – e o Iron Maiden acompanha estas voltas, a bordo do “Ed Force One”.

por Adelvan k.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Elvis is Dead


por Adolfo Sá (Viva La Brasa): Elvis Aaron Presley bateu seus blue suede shoes em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos. Em apenas 21 anos de carreira lançou 59 registros, entre EPs e LPs, e até hoje é o artista solo c/ mais hits nas paradas e detém o recorde de vendas c/ 1 bilhão e ½ de discos vendidos em todo mundo. Fez várias turnês pelos EUA e tocou tanto em Las Vegas que tem sua imagem associada à cidade, apesar de ser de Memphis, Tenessee. Rei do Rock e um dos maiores pop stars de todos os tempos, The Pelvis só fez 1 show no exterior – em 1957 no Canadá. Sua única apresentação na Europa foi ao serviço militar obrigatório, que cumpriu na Alemanha de 58 a 60. Nada de rock’n’roll.

Talvez por causa disso, o finado tenha decidido sacudir a poeira das lantejoulas e desabotoar sua 'jumpsuit'. Desde 2004, Dead Elvis trocou Disgraceland por Amsterdamn e voltou a gravar singles em vinil, desta vez como ‘one-man-band’, cantando, tocando guitarra e bateria. Sozinho. Existe toda uma cena de monobandas, como são chamadas as bandas de um-homem-só. A mais conhecida delas é The Legendary Tigerman, de Portugal. Na América latina esse estilo 'faça-você-mesmo' é representado pelo mexicano El Monstro, o uruguaio Amazing One Man Band e os brasileiros Chuck Violence, Lendário Chucrobillyman e The Fabulous Go-Go Boy from Alabama, entre outros.

“Roger Duran não tem mais onde equilibrar os instrumentos”, escreveu Marcelo Naddeo na Trip. “Os braços estão ocupados com a guitarra e o pandeiro meia-lua; os pés com o bumbo, a caixa e o chimbau; a boca com a gaita e a corneta. Ele detona seu garage rock enquanto uma moça de shortinho e top sobe no palco. Sob o som daquela podreira ela tira a blusa, o short, o sutiã e a calcinha.” Duran é o X-Treme Blues Dog, mais um homem-banda: “As meninas entram no fim e dá aquele clima de que elas estão na platéia. Não é um show erótico, mas sim uma intervenção artística. Ela pode soltar a franga e ficar peladona. A galera, em geral, se encontra no show e sai pra dar uma. O pornô imita a realidade.”

A cena é alternativa e o formato é o mais independente possível – os caras não dependem de ninguém p/ tocar. Rola até o Dia Internacional das Monobandas, 29 de abril, homenagem à data de morte do precursor Hasil Adkins. E festivais como o B:O:M:B [Bremem One Man Band] na Holanda, e O Incrível Ataque das Monobandas, que aconteceu na noite de 23 de março em Belo Horizonte, c/ Amazing One Man Band, Fabulous Go-Go Boy e a lenda [morta-]viva Dead Elvis & His One Man Grave. Sim, ele está entre nós. Um artista tão underground que saiu debaixo do solo mesmo. E nem consta na Wikipedia.

No Brasil desde o início de março, Dead Elvis já fez 9 shows em 4 estados e neste fim-de-semana realiza seus últimos 3 shows no país – hoje no Wonka em Curitiba, amanhã no Porão 1007 em Floripa e domingo no Tavern Club em Blumenau – antes de seguir p/ Uruguai, Argentina e Chile na sua tour Rumble In The Jungle. Dia 17 ele retorna p/ o show de despedida em Porto Alegre, no Santander Cultural. Divulgando o disco DIG ‘EM UP, seu primeiro lançamento em formato CD desde 1956, a versão zumbi de Elvis conversou c/ Andye Iore, do blog Zombilly, e garante: “Há rock após a morte!”

ZOMBILLY - Como você teve a idéia de Dead Elvis?
DEAD ELVIS - Depois que eu morri, estava apenas zumbizando por aí sem fazer muitas coisas. Então, em Los Angeles, de repente, eu tive a idéia: fazer um retorno da sepultura! No começo eu pensei em chamar alguns amigos e montar uma banda com o nome ‘Dead Elvis & The Undertakers’ ou ‘Dead Elvis & The Gravediggers’ ou algo assim. Mas depois de refletir, percebi que seria melhor fazer sozinho.

Z - Você teve bandas antes de começar a tocar como one-man-band?
DE - Eu passei algum tempo na sepultura, morto. Antes disso, toquei em várias bandas. Mas hoje eu tenho uma maneira muito obsessiva de trabalhar. Eu sou muito criativo. Trabalhar com outros músicos só iria me atrasar. Sozinho eu sou livre para fazer o que eu quero. Eu faço a minha própria música, capas de discos, sites, cartazes, vídeos e todos os outros trabalhos. Eu gosto de fazer essas coisas e isso me poupa muito tempo.

Z - Como foi o início como one-man-band?
DE - Desde que eu saí do túmulo foi tudo muito rápido. Lancei um monte de discos de vinil pela Squoodge Records e Luna Sounds, da Alemanha, e estou viajando por todo mundo para tocar. Tem sido uma montanha-russa desenfreada que eu nunca sonhei andar e eu adoro cada minuto dela!

Z - Como está sendo a turnê brasileira?
DE - Tudo está sendo incrível! Haverá mais shows no Brasil, Uruguai, Argentina e Chile, e acho que vai ser explosivo! Devo dizer que estou em muito boas mãos aqui. A Mamma Vendetta [que organizou a tour] está cuidando muito bem de mim.

Z - Você tem interesse em algo especial nessa turnê pela América do Sul?
DE - Eu normalmente faço as coisas conforme elas vão acontecendo, sem nenhuma expectativa. Mas seria legal viajar e ver um pouco mais desse belo país que é o Brasil. Também não me importaria de conhecer as belas praias!

Z - Você já tocou na Europa, Japão e até China... Quais são as diferenças entre esses públicos?
DE - A melhor coisa sobre viajar e fazer turismo em todo o mundo é descobrir que todas as pessoas em todos os lugares são iguais. Quando as pessoas vão aos meus shows, geralmente ficam bastante espantadas e chocadas! É isso que o selvagem rock’n’roll faz: você querer dançar!

Z - Qual a sua opinião sobre gravar um disco hoje? Um artista independente pode sobreviver só com a internet ou tem que fazer um registro físico?
DE - A internet é ótima para contatos, promover seu trabalho e vender material. Mas não há nada que supere lançar um disco de vinil, na minha opinião.

Ouça Dead Elvis ainda hoje, no programa de rock.


HOJE: Belém, pela primeira vez ...

O palco da "The Final Frontier World Tour 2011" simula uma estação espacial. O cenário inspirado na capa do disco homônimo é o lugar onde o astronauta da música "Satelite 15... The Final Frontier", primeira faixa do disco, relata o desespero da chegada da morte. No espaço, ele enfrenta a solidão e a angústia de não poder dar o último adeus. O satélite parece não funcionar e o comando da Terra não responde ao seu chamado. Enquanto o fim se aproxima, o homem preso no espaço vê flashes de sua vida. Aguarda a morte que não deixará rastros porque lá é a fronteira final.

Os números referentes ao palco que ambienta a narrativa dão a prévia do espetáculo. Na bagagem do Ed Force One, Boeing 757 pilotado pelo capitão e vocalista da banda Bruce Dickinson, traz parte da estrutura do show. 12 toneladas de equipamento de som, instrumentos musicais, amplificadores e cenário. O palco que está sendo montado desde segunda-feira terá mais de 360 metros quadrados e 12 metros de altura. Terá ainda um prolongamento de mais de dois metros que possibilitará aos músicos chegar mais próximo do público.

A recomendação do avanço frontal é do próprio Iron Maiden que enviou a planta do palco há três meses para Belém. As produtoras que organizam os eventos em cada cidade foram instruídas a montar o palco adequado ao cenário, à banda e ao mascote Eddie. Os ingleses não economizaram no cenário, canhões de luz, telões de LED e efeitos especiais. Flashes de cores quentes e frias dialogam com a pulsação das músicas e simulam o que seria a visão do espaço sideral.

A produção do show envolve mais de 100 pessoas da equipe do Iron Maiden. Em Belém, mais 300 pessoas trabalham na montagem de toda a estrutura. Um trabalho realizado há quase uma semana, cerca de 24 horas por dia. "(O show do Iron Maiden) mostra que Belém pode entrar no cenário internacional dos grandes shows", observa o coordenador de produção do show em Belém, Kleber Martins. Segundo ele, o palco foi construído de forma a atender as exigências das apresentações musicais internacionais. "O público vai assistir o maior show que Belém já viu", promete.

A organização do evento garante um espetáculo seguro. A equipe de segurança será proporcional ao público. Área vip e pista estarão separadas por uma barricada que também separa o público do palco. Segundo a organização, o equipamento suportará a ansiedade dos fãs de chegar mais próximo dos ídolos. Quem comprou ingresso na área vip terá direito a buffet, mas também haverá venda de comida e bebida para pista e camarote. Os ingressos continuarão à venda amanhã. A bilheteria do Cidade Folia será aberta às 9h. Na central Bis da Av. Braz de Aguiar, as vendas se encerrarão às 14 horas.

O show começa às 21h e tem a abertura do veteraníssimo grupo Stress.

Fonte: O Liberal