
Fonte: CEBOLADA
Sábado, 27/02/2010. Em uma noite de lua clara e ventos cortantes, de pura musica e rock and roll, o Capitão Cook se rendeu ao gosto de uma CEBOLADA. Organizamos um show para o lançamento do segundo cd do URUBLUES, “ANDARILHO”. Ficamos responsáveis pelas vendas dos ingressos e cds da banda, entregando panfletos e divulgando o nosso movimento aqui em Itabaiana. Pessoas sempre perguntando o que é CEBOLADA? Qual a finalidades desse movimento? E muitas perguntas sugiram durante a madrugada, sobre nossa terra, nossa cultura, nossa gente. Uma ligadura de pensamentos, que uniu as pessoas em uma sintonia que se reflete na musica à procura do vicio que nos torna reféns de nossa alma.
Chegamos cedo com nosso equipamento, arrumamos o som, afinamos os instrumentos, alinhamos nossas gargantas com muita cerveja, algumas discussões e muita vontade, para que não houvesse falhas.

“Enquanto isso eu e Ricler estávamos curtindo a festa, vendendo os ingressos e os cd ...

Alguns já conheciam o trabalho da URUBLUES, outros passaram a conhecer neste show. A banda é composta por Fabio, Ferdinando, Igor e o recém contratado Davi (baterista da Karranca). O URUBLUES fez um show de pura emoção e sentimentos confusos ente a razão e a ficção, entre amor e ódio, “Essa é a minha visão”, apesar de alguns contratempos da banda por falta de tempo de ensaio com o novo batera, foi um show do caralho, de improviso, de criatividade, espontaneidade entre os músicos que se encontrava extremamente à vontade com publico e com os amigos presentes na casa.

Ferdinando era movido pela dor, pela morte, com amor, sem amor, sem coragem, sem razão ou com razão. Fez um show à parte, de solos vibrantes, palavras confusas em meios aos fios debruçados ao chão, plugs que não encontram o caminho da microfonia de sua personalidade, cabelos enroscados de fúria, e nas veias um bom e velho blues, junto a Gaita, par perfeito de pura sincronia. Igor, o gaitista, não ficou de fora dessa tempestade de sentimentos e junto com seu parceiro viajaram a marte com passagem de ida e não de volta, brilhante atuação de ambos. Fabio, com uma marcação cerrada de suas cordas soltas e presas aos dentes de sua alma que respira blues, é sem duvida o responsável por essa harmonia, dando uma concepção ampla para os músicos presentes, abrindo trilha em campo minado em notas acentuadas, sejam ela agudas ou graves, com pedais que qualificam seu trabalho e sua dinâmica na execução dos trastes que compõem o braço, e nas tarraxas estão seus dedos calejados sangrando por Blues e jazz, formando certa aderência ao batera Davi que exemplifica sua postura com baquetas em mãos, executando movimentos repetitivos de sua musicalidade, (existe algo nesse moleque que admiro muito, é sua bondade, e sua precisão no que realmente gosta de fazer - tocar). Nota-se sua paixão, sua reciprocidade verdadeira, algo hoje esquecida pelos músicos. Falta alma, liberdade e amor.
“O instrumento faz de você refém de sua alma não oposto” Flavio Viana.
O show acabou e o dia raiou na beira do mar, e assim nos despedimos com algumas cervejas e algumas gargalhadas, de alma lavada dever cumprido. Até a próxima CEBOLADA.
Amplifie
A noite chega nervosa
A dor exprime na alma
Um coração sangrento implode
O olho aflige meus dedos
E não paro de solar a minha dor
Não quero abrir meus olhos
Para não sentir sua presença
Quero apenas solar meus olhos
Em minha guitarra nervosa
Só ela percebe o quanto existe amor em mim
O pior é que eu não consigo
Parar de solar
Talvez se eu chorasse
Minha dor consolasse
Talvez se eu morresse
Minha alma delirasse
Talvez eu soubesse a sua resposta
Mas o futuro nada sei
Apenas estou Solando a minha memória
Flavio viana
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