A ideia de ingressar no Hall da Fama do Rock and Roll pelo trabalho
realizado no Nirvana mal havia passado pela cabeça de Dave Grohl quando
ele deixou o palco da cerimônia do ano passado, em Los Angeles, depois
de anunciar a entrada do Rush e ter tocado com eles em uma versão de
“2112”. “Eu fiz uma entrevista rápida e alguém disse: ‘Está animado por
ser elegível no ano que vem?’”, diz Grohl. “Eu simplesmente não tinha
feito as contas. E então aquilo me pegou. Mas eu não poderia imaginar
que entraríamos no nosso primeiro ano como elegíveis.”
Artistas e bandas podem entrar no Hall da Fama 25 anos depois de
lançarem o primeiro disco ou single. E o primeiro lançamento do Nirvana,
uma cover de “Love Buzz”, do Shocking Blue, chegou às prateleiras nas
últimas semanas de 1988. “Eu descobri que estávamos disputando na mesma
época que fomos indicados ao Grammy [por “Cut Me Some Slack” colaboração com Paul McCartney]”,
diz Krist Novoselic, baixista do Nirvana. “Eu só fiquei: ‘wow!’ Mas era
um sentimento agridoce porque a cerimônia estava agendada justamente na
semana marcada pelos 20 anos da morte de Kurt. Fiquei angustiado com
isso, mas então pensei: ‘Bom, por que não fazemos um grande tributo a
ele?”
A maioria dos grupos que entram no Hall da Fama fazem uma
performance, mas os integrantes do grupo não tocavam uma música do
Nirvana em público desde a morte de Cobain. “Nós não falamos sobre nos
apresentar até oito semanas atrás”, disse Grohl. “Parecia praticamente
impossível. Era muito difícil de imaginar nós subindo ao palco para
tocar aquelas músicas. Precisa de um pouco de preparação musical e muita
preparação emocional."
Uma vez decidido que iriam tentar, o óbvio problema seguinte era
encontrar os cantores convidados. “Tinha o problema de achar pessoas que
respeitávamos e que dividiam a mesma estética que o Nirvana”, diz
Grohl. “Seja musical ou outra forma.” O grupo chegou a uma lista de
vocalistas de rock de primeiro nível, mas nenhum quis aceitar o desafio.
“Alguns deles ficaram apreensivos”, diz Grohl. “Acho que alguns deles
ficaram mais preocupados em quão pesada era a coisa toda.”
A primeira pessoa que aceitou foi Joan Jett. “Ela aceitou como se
fosse uma escolha dela”, diz o baterista. “Ela realmente ficou animada e
me mandou vários e-mails. Aprendeu todas as músicas de Nevermind.
Ela é tudo o que o Nirvana defendeu. Ela é poderosa, rebelde, uma força
musical da natureza. Não conseguiríamos pensar em ninguém melhor para
se juntar a nós."
Depois que Joan embarcou na ideia, eles chegaram a PJ Harvey. “Kurt
amava PJ Harvey”, diz Grohl. “Nós sempre imaginamos tocar ‘Milk It’, do In Utero, com ela. É uma canção quase parecida com algo que estaria no disco dela Rid of Me, também produzido pelo Steve Albini. Parecia se alinhar muito bem. Infelizmente, ela não pode ir.”
Mas a conversa deu a Grohl uma ideia incrível. “Pensamos: ‘Espere aí,
e se todas fossem mulheres?’”, diz ele. “Nem pergunte a mais ninguém.
Se nós conseguirmos preencher a performance do Hall da Fama com essas
mulheres incríveis cantando músicas do Nirvana, então teremos cumprido a
nossa própria revolução’. Isso também acrescentou uma nova dimensão
para a apresentação. Deu substância e profundidade, para que não se
tornasse uma louvação ao passado. Era mais sobre o futuro.”
As coisas seguiram rapidamente a partir disso. “Dave começou a
selecionar nomes”, diz Novoselic. “Ele falava: ‘Nós deveríamos chamar a
Kim Gordon! Então alguém que estava em ascensão... Annie Clark, do St.
Vincent!’ Eu não sabia quem ela era, mas agora sou o maior fã. Então,
chamamos a Lorde.”
A meta era apresentar as cantoras convidadas em ordem cronológica.
“Joan Jett, que formou o Runaways e mudou o rock and roll para as
mulheres”, explica Grohl. “Kim Gordon, do Sonic Youth, que foi luz no
escuridão de uma cena de punk undergound predominantemente machista. St.
Vincent, que é esta artista que atravessa as barreiras. E Lorde tem um
futuro incrível pela frente, uma compositora, performer e vocalista.”
O grupo se juntou ao antigo guitarrista de turnê (e atual integrante
do Foo Fighteres) Pat Smear no espaço de ensaio da marca de guitarras
Gibson, na cidade de Nova York, alguns dias antes da cerimônia de
indução. “Nós dissemos ‘oi’ para todo mundo e começamos a tocar
‘Lithium’”, conta Novoselic. “Peguei um livro de tablaturas do Nirvana
para reaprender as minhas partes, mas não queríamos ir rápido no começo.
Então as coisas começaram a fluir e ficamos cada vez melhores. E então
isso me atingiu e eu fiquei melancólico. ‘Meu Deus, estou tocando essas
músicas de novo’.”
Foi igualmente intenso para Grohl. “A primeira vez que tocamos juntos
foi como ver um fantasma”, disse ele. “A segunda vez foi um pouco mais
tranquila. E a última foi como aquela merda de cena da Demi Moore e do
Patrick Swayze fazendo cerâmica em Ghost. Normalmente nós
chegávamos no ponto na terceira vez. Começou a soar como o Nirvana.
Nossa equipe e alguns amigos estavam na sala quando tocamos ‘Scentless
Apprentice’ pela primeira vez. E eles ficaram com os queixos caídos."
“Eu não tocava com a banda em 20 anos”, continua o baterista. “Ouvir
como soamos quando tocamos ‘Scentless Apprentice’ legitimou tudo para
mim. Tinha quase esquecido como era estar em uma sala repleta de
Nirvana. O primeiro dia realmente legitimou tudo. Era como: ‘Isso está
certo! Nós soamos assim, e é por isso que as pessoas prestaram atenção
na gente. E não era um livro, um filme ou um programa de TV mostrando
isso. Era o som dentro daquele lugar, fazendo as pessoas pensarem: ‘Que
porra é essa?’ Foi muito foda. Nós começamos com Krist e Pat. Fui
acertando as coisas. Então, vieram Kim e Joan.”
As coisas ficaram melhores quando Novoselic percebeu que havia um
barril cheio de cerveja para o grupo. “Aquela cerveja era tão boa”, diz
ele. “Nós realmente fomos nos soltando depois de algumas horas, como uma
máquina azeitada.”
Os ensaios duraram dois dias bem longos. “Não tocava esses trechos de
bateria desde que tinha 25 anos”, brinca Grohl. “Tenho 45 agora. Nós
tocamos 10 horas por dia. Depois da primeira noite de ensaio, eu fui pra
casa mancando, tomei duas taças de vinho, três comprimidos de Advil,
tomei um banho quente e dormi por 10 horas seguidas. Era como um coma
para mim, porque eu nunca durmo.”
Em um momento durante os ensaios, o grupo teve a ideia de tocar em
algum lugar de surpresa no Brooklyn depois da cerimônia. “Dave ficou tão
animado com a música”, diz Novoselic. “Nós quase precisamos acalmá-lo.
Ele ficava: ‘Nós deveríamos fazer um show!’ Eu respondia: ‘Vamos fazer
depois da cerimônia!’ Ele queria trazer J Mascis, do Dinosaur Jr., e
John McCauley, do Deer Tick. Ele é tão fã que tem uma banda de tributo
ao Nirvana chamada Deervana.”
Não era segredo que Grohl e Courtney Love não mantinham um bom
relacionamento ao longo dos últimos 20 anos e a cerimônia de indução
marcou a primeira vez que eles estiveram no mesmo lugar em muito tempo.
“No começo da noite, eu toquei o ombro dela”, disse Grohl. “Ela virou e
eu disse ‘hey’. Ela respondeu: ‘Hey’. Então nos demos um grande abraço.
Disse: ‘Como você está?’ E ela respondeu: ‘Bem, e você?’. Eu digo: ‘Tudo
bem’. E então, ela fala: ‘Vamos fazer isso. Vamos arrasar esta noite’. E
eu disse: ‘Sim’. Foi assim.”
Quando chegou a hora dela fazer o discurso no lugar de Kurt, Courtney
abandonou as notas já preparadas e falou rapidamente sobre o fato de
que todos no palco formavam uma grande família. Ela deu mais um grande
abraço em Grohl. “Ela está certa”, diz ele. “Nós somos uma família, não
importa o que aconteça. E nós nos amamos, também não importa o que
aconteça. Tudo é muito maior do que um parágrafo ou do que uma foto. É
real. Então, foi uma reunião, e estávamos lá por Kurt. Foi uma noite
linda. Foi bom.”
A apresentação de quatro músicas do grupo, que contou com “Smells
Like Teen Spirit”, com Joan Jett, “Aneurysm”, com Kim Gordon, “Lithium”,
com St. Vincent, e “All Apologies”, com Lorde, foi claramente o momento
mais importante da noite. “Toda a minha apreensão era infundada”, diz
Novoselic. “Eu só tentava tocar o meu baixo o mais forte que conseguia.”
Grohl diz que a lembrança da performance para ele ainda é um borrão.
“Eu fiz o meu discurso emocionado”, diz ele. “E então corri para o
backstage para colocar uma bermuda porque não consigo tocar vestindo
calça. Estou lá mexendo no troféu e tentando chegar ao banquinho da
bateria. Sabia que todos estavam esperando por mim. Eu não lembro muito
daquilo, mas eu lembro de ter espancado aquela bateria. Tudo foi como eu
esperava que fosse. Quero dizer, foi mais do que uma apresentação em
uma cerimônia de premiação e um troféu. Era algo grande para a gente,
pessoal e emocionalmente.”
O plano original era terminar a noite com uma jam de “Highway To
Hell”, do AC/DC, mas os integrantes da E Street Band tomaram muito tempo
com seus discursos e o toque de recolher da noite começou a soar. “Eles
esperavam que o Nirvana aprendesse aquela música”, diz Grohl. “Mas já é
difícil o bastante para o Nirvana aprender a porra de uma música do
Nirvana”.
Para Novoselic, não ter que tocar “Highway To Hell” depois do set do
Nirvana foi um grande alívio. “Eu não queria”, diz ele. “Eu amo AC/DC e
amo Bruce Springsteen. Cresci ouvindo eles. Mas nós ficávamos falando:
‘Nós temos o grande final. Nós temos o nosso final!’”
A noite acabou com uma maravilhosa versão de “All Apologies”, com a
Lorde, mas para o Nirvana tudo estava apenas começando. Assim que a
cerimônia chegou ao fim, eles dirigiram oito quilômetros até o Saint
Vitus Bar, no Brooklyn, para uma das mais incríveis after-parties da
história da cidade de Nova York. Alguns poucos sortudos que estiveram no
bar assistiram ao Nirvana tocando 19 músicas com Joan Jett, J Mascis,
St. Vincent, John McCauley e Kim Gordon – Lorde não pôde ir, porque
pegou um voo para Califórnia por causa da apresentação no Coachella.
O show foi exatamente aquilo que os fãs do Nirvana sempre sonharam,
trazendo desde “Smells Like Teen Spirit” a “Very Ape” ou “Moist Vagina”,
a faixa de In Utero nunca tocada ao vivo. “Antes de abrirem a
área do show, a parte do bar estava tão cheia que você não conseguia
pegar uma bebida”, contou John McCauley, do Deer Tick, à Rolling Stone EUA.
“Eu não conseguia ir ao banheiro. E o show começou e a área do bar
ficou completamente deserta. Todos estavam lá assistindo. Isso foi
legal.”
Eles tocaram quase até o amanhecer. “Eu me senti quando se é uma
criança e você vai dormir na casa de um amigo. Você se torna parte da
família dele naquela noite”, diz McCauley. “Mesmo que eles não tenham
sido uma banda em 20 anos, eles pareciam uma banda para mim.”
Câmeras filmaram tudo o tempo tudo, mas o grupo se recusa a revelar o
que será feito daquelas imagens. “Eu sequer vi as câmeras”, diz
Novoselic. “Eu não sei o que o Dave irá fazer com isso. Mas ele é um
cara do cinema. Ele vai pensarem algo e transformar em uma coisa boa.”
Então, aquilo foi algo de uma noite, ou o Nirvana pode ressurgir em
algum momento do futuro? “Essa é uma boa pergunta”, diz Novoselic.
“Quero dizer, ainda tem o Foo Fighters e Dave tem outros projetos
acontecendo. Eu tenho alguns compromissos. Mas nunca se deve dizer
nunca. Nós fizemos. Eu não negaria. Talvez, um dia, a gente possa fazer
alguma música nova.”
Grohl não tem certeza. “Nós sequer falamos sobre isso”, diz ele. “Nós
encaramos aquela noite como se ela pudesse nunca mais acontecer. Foi
isso que a deixou tão poderosa, bonita e significativa. E pode nunca
acontecer de novo, então aproveitamos o máximo. E foi incrível.”
por Andy Green
rs Brasil
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domingo, 20 de abril de 2014
sexta-feira, 11 de abril de 2014
jesus is coming ...
Liderado pelos irmãos Jim e William Reid, o Jesus and Mary Chain é considerado uma das bandas fundamentais do indie rock de todos os tempos, disseminadora das mais sublimes abstrações de guitarras. O grupo surgiu em Glasgow, em 1984, numa formação que tinha o baixista Douglas Hart e o baterista Murray Dalglish (trocado depois por Bobby Gillespie, que sairia mais tarde para fundar o Primal Scream).
Sua influência é como um bumerangue: sempre retorna para alimentar o som de grupos como Black Rebel Motorcycle Club, The Horrors, The Foals, The Kills, Warlocks, entre inúmeros outros. O seu disco Psychocandy é referência de gerações - está sendo relançado em uma caixa com mais dois discos e lados B de suas gravações. "Ouvíamos muito Velvet Underground, Dusty Springfield e 13th Floor Elevators. Assim nasceu Psychocandy", contou Jim Reid da última vez que veio ao País.
O culto é realimentado continuamente - a história mais recente foi quando a cineasta Sofia Coppola pôs uma música deles, Just Like Honey, no encerramento do seu cult movie Encontros e Desencontros.
Em 1º de julho de 1990, eles tocaram pela primeira vez em São Paulo. O ingresso custava Cr$ 1 mil e Collor tinha acabado de confiscar a poupança da plateia, tava duro até de comprar cerveja. Os irmãos Reid tocaram de costas para a platéia, erravam barbaramente os riffs e as entradas e terminaram com uma versão de 12 minutos de Sidewalking, segundo contou um leitor de qualidade que esteve lá.
por Jotabê Medeiros
Estadão
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quarta-feira, 9 de abril de 2014
#EUNOLOLLABR2014
“Uma sequência de canções como Ceremony, Bizarre Love Triangle, True Faith, The Perfect Kiss e Blue Monday, para quem aprecia o artesanato pop, traz um sentimento de se estar diante de uma obra clássica, algo como apreciar o Davi de Michelangelo.” Esta frase de Jotabê Medeiros, no Estadão, ilustra bem o meu sentimento por ter estado diante do palco da clássica e lendária banda de Manchester na noite de encerramento do Festival Lollapalooza Brasil 2014, ocorrido no último final de semana no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Foi uma celebração.
Que começou em clima de expectativa entre os que escolheram ignorar o “hypado” Arcade Fire, se apresentando num palco ao lado – o maior - no mesmo horário. Eu havia desistido de tentar ver de perto o Soundgarden, que tocou antes, ao ver a impressionante multidão que se direcionava ao palco ônix depois do show do Pixies. Tracei, então, uma nova estratégia: vi os heróis do grunge de Seattle sossegadamente, de longe, sentado na grama do alto de uma das colinas que circundavam o local da apresentação, aproveitando para descansar e ver, finalmente, um show completo, de perto, de forma decente. Do New Order.
Infelizmente o tempo entre o fim de um e o começo do outro era de apenas cinco minutos, o que tornaria impossível ver os dois na íntegra, já que a distancia entre os palcos era muito grande. Tive que sair, portanto, antes do fim do show do Soundgarden, pois estava decidido a ver a apresentação do New Order por inteiro. Cheguei a tempo: os técnicos ainda davam os últimos retoques na estrutura, com uma tela preta ao fundo onde o nome da banda aparecia ocasionalmente ...
E então eles entraram, foram ovacionados pelo público e começaram com “Crystal”, uma boa faixa mais recente, do álbum “get ready”, de 2001 – note: “mais recente”, no caso, já significa 13 anos de lançada! Pra “compensar”, mandaram uma nova mesmo, inédita, chamada “singlularity” – anunciada com uma verdadeira obsessão por Bernard Summer, o vocalista. Que parecia estar um pouco “alto” – não por acaso disse que amava as “caipirinhas”.
“Singularity” é muito boa e cumpriu com louvor a função de provar que eles ainda podem ter balas guardadas na agulha, mas vamos ao que realmente interessa: os hits! Show de banda clássica em megafestival não é lugar para novidades, já que muita gente – eu, por exemplo – tem ali uma rara oportunidade de ver pela primeira vez ao vivo as músicas que embalaram sua vida. O “bailão” começa pra valer com “Transmission”, do Joy Division, e a partir daí foi só alegria, com os grandes sucessos se sucedendo enquanto o telão mostrava imagens artísticas sofisticadas, algumas extraídas dos clipes, outras que parecem ter sido feitas especialmente para serem exibidas ao vivo, como o belíssimo filme que ilustra “your silent face”, de “Power, corruption and lies”. A platéia ia à loucura assim que reconhecia as introduções dos clássicos, como “The perfect Kiss” e “Bizarre Love triangle”. Em “Blue Monday” Bernard toma o lugar de Gillian Gilbert e improvisa um solo nos teclados, conseguindo, ao final, extrair um sorriso da sempre séria e compenetrada tecladista/programadora. Entre uma musica e outra o “frontman” fala muito com o público - algumas besteiras, inclusive, e pelo menos uma "gafe": agradeceu com um "Muchas gracias" - e, quando não está empunhando a guitarra, arrisca alguns passos de dança desengonçados. A banda, como um todo, parecia animada e estava bem afiada, com destaque para Stephen Morris, já "coroa" – todos eles estão, com excessão do baixista – competente – que substituiu Peter Hook e do outro guitarrista – destruindo lá atrás, na bateria “turbinada” com instrumentos de percussão eletrônica.
O Bis foi magistral: começa com o telão mostrando as imagens dos encapuzados carregando os quadros do Joy Division na praia enquanto a banda toca “Atmosphere” e termina, como não poderia deixar de ser, com “Love Will tear us apart”, enquanto uma apresentação de fogos de artifícios anunciava o fim daquela edição do festival. No telão, a sentença: JOY DIVISION FOREVER. Fui às lágrimas. Foi bem mais fácil encarar a maratona da volta – uma longa caminhada até a estação de trem para viajar em pé em vagões lotados – assim, de alma lavada.
Uma maratona insana que começou na noite anterior. Como só o Nine Inch Nails, praticamente, me interessava, cheguei tarde, depois de uma verdadeira via crucis para conseguir trocar meus ingressos comprados pela internet. Tudo era muito organizado e bem sinalizado, mas também muito, MUITO longe - e grande. Uma falha aqui e ali, passagens estreitas para o fluxo de pessoas que causavam aglomeração, mas nada de muito sério. Por conta das distâncias, principalmente, já cheguei acabado e fui logo aproveitando uma tenda montada para que as pessoas descansassem em frente ao palco em que Lorde cantava “Royal”.
O tempo vai passando e eu de repente me toco que não sabia exatamente quando nem onde o Nine Inch Nails iria tocar. Vou à loja de merchandising e peço pelo folheto com o roteiro dos shows, que eles não tinham. Mas uma moça simpática tinha e me mostra que já estava na hora do show. Onde? No palco ônix, lá atrás, depois da roda gigante. “QUE RODA GIGANTE????!!!”. “Pois é, daqui não dá nem pra ver a roda gigante, mas se você for por ali – e me mostra uma passarela interminável lotada de gente – depois da curva você vê, lá longe. É lá.”
PÂNICO! Disparei pelo local indicado até ver, finalmente, a tal roda gigante – que ficava MUITO longe. E, no caminho, havia um tumulto, muita gente indo e vindo, tava tudo parado, com os monitores desesperados tentando organizar a circulação das pessoas. Eu não estava só: um carioca e dois pernambucanos, desconhecidos, me acompanharam na tarefa de vencer a multidão e a enorme distancia até finalmente ouvir, ao longe, “March of the pigs”, uma de minhas favoritas. Chegamos, finalmente, a tempo de ver, ainda, cerca de 45 minutos de show. Bom, pesado e com uma iluminação criativa, apesar de um tanto quanto anticlimático no meio, com algumas canções hipnóticas e experimentais não muito apropriadas para um festival. Os fãs ficaram em transe, o resto foi se posicionar para ver o Muse. Ao final, no bis, uma emocionante interpretação de “Hurt”, uma das melhores músicas “pop” (ênfase nas aspas) já feitas. Um daqueles momentos que fazem você perceber que valeu a pena o sacrifício – e olha que o saldo daquela noite, numa análise fria, foi pra lá de negativo: tanto esforço pra ver tão pouco tempo de uma banda que eu já tinha visto ao vivo antes, no Claro que é rock de 2005! Bom, pelo menos eu já sabia me localizar e tratei de me preparar melhor para a noite seguinte. Aproveitei o resto do sábado para explorar as atrações paralelas, como uma simpática loja de discos de vinil montada num espaço da Skol onde encontrei algumas pérolas: além dos discos das bandas que se apresentariam no festival haviam bolachas do Fugazi, Bikini Kill, Eddie – “original Olinda Style” – e até um raro exemplar da coletânea “Cult” “Another kind of noise”. Só biscoito fino, tudo estalando de novo, lacrado – menos a coletânea, que saiu nos anos 1990 e, que eu saiba, nunca foi relançada.
No domingo cheguei cedo porque queria ver Johnny Marr. Mas não tão cedo ao ponto de não pegar o show começado: era no distante palco ônix, também. Frustrado, já começava a considerar aquele um verdadeiro “festival de coitos interrompidos”, mas tratei de relaxar e curtir a apresentação. Que foi muito boa, mesmo acontecendo sob um sol escaldante. E surpreendente: num dado momento ele chama ao palco ninguém menos que Andy Rourke, o baixista dos Smiths, e juntos eles tocam “How Soon is now”. Lágrimas. E mais lágrimas na sequencia, com “There´s a light that never goes out” cantada a plenos pulmões pela platéia emocionada. Além dessas, dos Smiths, ele tocou também "Bigmouth Strikes again" e “Stop Me If You Think You’ve Heard This One Before”, num set recheado de boas canções extaídas do primeiro álbum solo, recém-lançado.
De lá fui para o primeiro palco, “Interlagos”, para ver o Savages. No caminho, uma inglesinha bonitinha mas ordinária da qual eu nunca tinha ouvido falar cantava umas musiquinhas pop sem vergonha no gigantesco palco “Skol”. Cheguei exausto, claro – as distancias eram inacreditáveis, não se contavam em metros não, é coisa de quilômetros rodados mesmo – então vi a primeira parte do show de longe, da tenda “relax”. Savages é uma banda inglesa relativamente nova, formada só por mulheres, que faz um som bastante derivativo do chamado “post punk” dos anos 80, com forte influencia de Siouxsie and the Banshees, especialmente nos vocais – o que está muito longe de ser um demérito, muito pelo contrário. Muito bom show. Já mais descansado, me aproximei e cheguei quase à beira do palco, pois a área estava semivazia – para os padrões de um grande festival, que fique claro. E pude, finalmente, ver um show do Lollapalooza completo e, pelo menos em parte, de perto, quase sentindo o suor da vocalista – estilosíssima, toda de preto com um sapato de salto alto vermelho.
E então rumo ao palco maior, “Skol”, para esperar pelos Pixies. Já cansado de novo – ah, meus vinte e poucos anos e vários quilinhos a menos que não voltam mais – por isso vi de longe. Mas foi um show foda, muito bom. Entraram todos juntos, saudaram a platéia e sentaram o pau numa saraivada de canções pop ácidas e barulhentas, já tão conhecidas que nem soam mais tão deliciosamente estranhas como quando ouvi pela primeira vez, em vinil, na extinta loja “akydiscos” – a primeira vez que seus ouvidos tomam contato com “Debaser” você nunca esquece.
Assim como no New order, faltava alguém no comando das 4 cordas, mas a baixista que cumpria a ingrata tarefa de substituir Kim Deal, a argentina - criada nos Estados Unidos - Paz Lenchantin, se saiu muito bem. Não falou nada, e poderia ter se comunicado bem, já que é fluente no espanhol, mas exibiu o tempo inteiro um belo sorriso, o que era, também, uma das marcas da musa. Era não, é: Kim seguem em frente, preparando uma carreira solo.
Comunicação zero com a platéia – sério, nem uma palavra. A não ser pelo que realmente importa: a música. Algumas novas, e boas, inclusive. Comunicação não é exatamente o forte dos Pixies, como pode ser comprovado no documentário "loudQUIETloud", e é provavelmente isso que dá às suas apresentações um clima estranho, meio distante, que só não é "frio" porque a entrega na execução das canções é palpável, visível e audível, especialmente quando Frank Black - ou seria Black Francis? - se esgoela no microfone.
5 minutos para o Soudgarden e me parece que vacilaram, pois tinha mais gente para ver Cornell e Cia. que os pixies, num palco menor e distante. Desisti: ia pegar começado mesmo e jamais conseguiria chegar perto do palco, a julgar pela multidão inacreditável se dirigia ao “Ônix”. Fiz mais um pit stop estratégico em outra tenda “relax” e aproveitei pra comer um sanduíche ruim e caro, claro. Não fosse assim, não seria um “mega” festival. Só então fui lá, ver uma das bandas mais aguardadas de todo o evento - primeira vez deles no Brasil! Vi, mas de longe, de MUITO longe. De cima de uma das várias colinas que circundavam o palco ônix. Até que o visual era bonito, parecia Woodstock. Mas o som, dali, estava sofrível. No entanto, não tinha jeito: era muita gente e muito cansaço, de minha parte. Foi aí que tomei a decisão de repensar a estratégia final, bem sucedida, como vocês puderam ver no início deste relato.
Saldo pra lá de positivo, apesar dos pesares. Cheguei no hotel em que estava hospedado, no centro de São Paulo, destruído. Mas feliz. Que venha a próxima edição.
Ou não. Nâo sei se tenho pique pra outra não ...
A
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Que começou em clima de expectativa entre os que escolheram ignorar o “hypado” Arcade Fire, se apresentando num palco ao lado – o maior - no mesmo horário. Eu havia desistido de tentar ver de perto o Soundgarden, que tocou antes, ao ver a impressionante multidão que se direcionava ao palco ônix depois do show do Pixies. Tracei, então, uma nova estratégia: vi os heróis do grunge de Seattle sossegadamente, de longe, sentado na grama do alto de uma das colinas que circundavam o local da apresentação, aproveitando para descansar e ver, finalmente, um show completo, de perto, de forma decente. Do New Order.
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| pixies |
E então eles entraram, foram ovacionados pelo público e começaram com “Crystal”, uma boa faixa mais recente, do álbum “get ready”, de 2001 – note: “mais recente”, no caso, já significa 13 anos de lançada! Pra “compensar”, mandaram uma nova mesmo, inédita, chamada “singlularity” – anunciada com uma verdadeira obsessão por Bernard Summer, o vocalista. Que parecia estar um pouco “alto” – não por acaso disse que amava as “caipirinhas”.
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| SAVAGES! |
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| NIN |
Uma maratona insana que começou na noite anterior. Como só o Nine Inch Nails, praticamente, me interessava, cheguei tarde, depois de uma verdadeira via crucis para conseguir trocar meus ingressos comprados pela internet. Tudo era muito organizado e bem sinalizado, mas também muito, MUITO longe - e grande. Uma falha aqui e ali, passagens estreitas para o fluxo de pessoas que causavam aglomeração, mas nada de muito sério. Por conta das distâncias, principalmente, já cheguei acabado e fui logo aproveitando uma tenda montada para que as pessoas descansassem em frente ao palco em que Lorde cantava “Royal”.
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| pixies |
PÂNICO! Disparei pelo local indicado até ver, finalmente, a tal roda gigante – que ficava MUITO longe. E, no caminho, havia um tumulto, muita gente indo e vindo, tava tudo parado, com os monitores desesperados tentando organizar a circulação das pessoas. Eu não estava só: um carioca e dois pernambucanos, desconhecidos, me acompanharam na tarefa de vencer a multidão e a enorme distancia até finalmente ouvir, ao longe, “March of the pigs”, uma de minhas favoritas. Chegamos, finalmente, a tempo de ver, ainda, cerca de 45 minutos de show. Bom, pesado e com uma iluminação criativa, apesar de um tanto quanto anticlimático no meio, com algumas canções hipnóticas e experimentais não muito apropriadas para um festival. Os fãs ficaram em transe, o resto foi se posicionar para ver o Muse. Ao final, no bis, uma emocionante interpretação de “Hurt”, uma das melhores músicas “pop” (ênfase nas aspas) já feitas. Um daqueles momentos que fazem você perceber que valeu a pena o sacrifício – e olha que o saldo daquela noite, numa análise fria, foi pra lá de negativo: tanto esforço pra ver tão pouco tempo de uma banda que eu já tinha visto ao vivo antes, no Claro que é rock de 2005! Bom, pelo menos eu já sabia me localizar e tratei de me preparar melhor para a noite seguinte. Aproveitei o resto do sábado para explorar as atrações paralelas, como uma simpática loja de discos de vinil montada num espaço da Skol onde encontrei algumas pérolas: além dos discos das bandas que se apresentariam no festival haviam bolachas do Fugazi, Bikini Kill, Eddie – “original Olinda Style” – e até um raro exemplar da coletânea “Cult” “Another kind of noise”. Só biscoito fino, tudo estalando de novo, lacrado – menos a coletânea, que saiu nos anos 1990 e, que eu saiba, nunca foi relançada.
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| Johnny Marr |
De lá fui para o primeiro palco, “Interlagos”, para ver o Savages. No caminho, uma inglesinha bonitinha mas ordinária da qual eu nunca tinha ouvido falar cantava umas musiquinhas pop sem vergonha no gigantesco palco “Skol”. Cheguei exausto, claro – as distancias eram inacreditáveis, não se contavam em metros não, é coisa de quilômetros rodados mesmo – então vi a primeira parte do show de longe, da tenda “relax”. Savages é uma banda inglesa relativamente nova, formada só por mulheres, que faz um som bastante derivativo do chamado “post punk” dos anos 80, com forte influencia de Siouxsie and the Banshees, especialmente nos vocais – o que está muito longe de ser um demérito, muito pelo contrário. Muito bom show. Já mais descansado, me aproximei e cheguei quase à beira do palco, pois a área estava semivazia – para os padrões de um grande festival, que fique claro. E pude, finalmente, ver um show do Lollapalooza completo e, pelo menos em parte, de perto, quase sentindo o suor da vocalista – estilosíssima, toda de preto com um sapato de salto alto vermelho.
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| Johnny Marr |
Assim como no New order, faltava alguém no comando das 4 cordas, mas a baixista que cumpria a ingrata tarefa de substituir Kim Deal, a argentina - criada nos Estados Unidos - Paz Lenchantin, se saiu muito bem. Não falou nada, e poderia ter se comunicado bem, já que é fluente no espanhol, mas exibiu o tempo inteiro um belo sorriso, o que era, também, uma das marcas da musa. Era não, é: Kim seguem em frente, preparando uma carreira solo.
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| New Order |
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| pixies |
Ou não. Nâo sei se tenho pique pra outra não ...
A
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sexta-feira, 28 de março de 2014
CONEXÃO CAVERNA
Zibabu é um grupo de rock da Holanda que está em turnê pelo Brasil e se apresenta hoje no centro da cidade, na Caverna do Jimi Lennon.
Anarquistas de Amsterdã, o guitarrista Berk Uhm, o baterista Kris e o baixista Daan estudaram rotas marítimas, arrumaram um barco emprestado, navegaram pelo litoral africano e atravessaram o Atlântico para aportar no Brasil.
O power trio tem dois álbuns independentes, "Unplug Your Brain" de 2009 e "Monetary Cemetery", lançado ano passado. "Nós estamos em tour desde novembro, primeiro pela Europa - Holanda, Bélgica, França, Espanha, Portugal - e depois fomos para as Ilhas Canárias, próximas à costa do Marrocos. Lá, conseguimos com um casal russo um veleiro de 13 metros, bastante espaço pra nós três", conta Berk.
Passaram mais de um mês em alto-mar. "Partimos via Cabo Verde com destino a Belém, numa viagem que durou 36 dias. Chegamos em 03 de fevereiro e já passamos por Bacabal, São Luís, Fortaleza, Teresina, Mossoró, Natal, Recife, Delmiro Gouveia, Arapiraca e Maceió. Tá demais, o povo é amigável, a cena é forte e nós adoramos arroz com feijão."
Agora é a vez de Sergipe conhecer o "freak punk", rótulo que inventaram para definir seu som experimental, que vai do jazz fusion ao ska suingado e hardcore gritado. São dos países baixos, mas gostam de tocar alto.
Daqui, descem pela costa brasileira até Uruguai, Argentina e Chile. O objetivo final é chegar aos EUA percorrendo toda América Latina. Sem nenhuma gravadora por trás, ganhando apenas o suficiente para cobrir os custos.
"É um processo inverso das antigas colonizações, uma descolonização, estabelecendo relações de ruptura, laços apertados de fraternidade, simplicidade em oposição às instituições", dizem os integrantes do Zibabu.
A Caverna do Jimmy Lennon fica na Rua de Lagarto, 1140, entre as ruas Boquim e Estancia, ao lado do prédio da Oi, no centro de Aracaju. A banda baiana The Honkers abre a noite, a partir das 22 horas.
por Adolfo Sá
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Anarquistas de Amsterdã, o guitarrista Berk Uhm, o baterista Kris e o baixista Daan estudaram rotas marítimas, arrumaram um barco emprestado, navegaram pelo litoral africano e atravessaram o Atlântico para aportar no Brasil.
O power trio tem dois álbuns independentes, "Unplug Your Brain" de 2009 e "Monetary Cemetery", lançado ano passado. "Nós estamos em tour desde novembro, primeiro pela Europa - Holanda, Bélgica, França, Espanha, Portugal - e depois fomos para as Ilhas Canárias, próximas à costa do Marrocos. Lá, conseguimos com um casal russo um veleiro de 13 metros, bastante espaço pra nós três", conta Berk.
Passaram mais de um mês em alto-mar. "Partimos via Cabo Verde com destino a Belém, numa viagem que durou 36 dias. Chegamos em 03 de fevereiro e já passamos por Bacabal, São Luís, Fortaleza, Teresina, Mossoró, Natal, Recife, Delmiro Gouveia, Arapiraca e Maceió. Tá demais, o povo é amigável, a cena é forte e nós adoramos arroz com feijão."
Agora é a vez de Sergipe conhecer o "freak punk", rótulo que inventaram para definir seu som experimental, que vai do jazz fusion ao ska suingado e hardcore gritado. São dos países baixos, mas gostam de tocar alto.
Daqui, descem pela costa brasileira até Uruguai, Argentina e Chile. O objetivo final é chegar aos EUA percorrendo toda América Latina. Sem nenhuma gravadora por trás, ganhando apenas o suficiente para cobrir os custos.
"É um processo inverso das antigas colonizações, uma descolonização, estabelecendo relações de ruptura, laços apertados de fraternidade, simplicidade em oposição às instituições", dizem os integrantes do Zibabu.
A Caverna do Jimmy Lennon fica na Rua de Lagarto, 1140, entre as ruas Boquim e Estancia, ao lado do prédio da Oi, no centro de Aracaju. A banda baiana The Honkers abre a noite, a partir das 22 horas.
por Adolfo Sá
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segunda-feira, 24 de março de 2014
Metallica em sp
Estava na dúvida se depois de dois dias eu já tinha perdido o timing pra falar do show do Metallica, aí lembrei que a porra do blog é meu e eu faço o que quiser (libertador, gente, recomendo).
Antes que a gente se estresse peço para que os jornalistões ranzinzas e gente que se acha muito mais cool e indie por odiar o Metallica parem de ler o texto aqui pra gente não desgastar a amizade e vocês não terem (mais uma) crise de gastrite.
As fotos estão uma porqueira, mas paciência, da próxima vez vocês que organizem um abaixo assinado pra me arranjarem uma credencial decente. Mas vamos lá.
Não sei se vocês lembram, mas na cobertura do show do Rock in Rio eu estava morta arrasada sem dormir e acabei indo embora no meio do show prometendo nos encontrar outra vez, pois tínhamos unfinished business.
Pois então, a hora era agora. Claro que comprei ingresso de última hora e acabei tendo que ir na arquibancada superior, que deveria ser chamada Arquibancada Paz de Cristo. Ela é coberta, tem assentos confortáveis, banheiros limpos e próximos, atrai tiozões, famílias com crianças menores, rockeiros que buscam conforto e boa visão. O lado ruim é que a porra da caixa de som fica bem na frente do telão, o som -que na pista é um arregaço- chega mais ~suave~ e se você se mexer demais acaba incomodando os outros (que deviam ter assistido de casa).
Chegar no Morumbi foi aquele inferno na terra de sempre, mas deu tempo de pegar o show inteiro do Raven, banda de abertura que não só foi influência pro Metallica, como botou eles pra abrirem seus shows em 83, época do Kill ‘Em All. A banda chegou esforçada,fazendo um balé performática, porém foi super prejudicada pelo som desregulado e oscilante. A impressão que dava é que James largou as filhas brincando na mesa de som, ou que a equipe técnica toda tava de ressaca. Eles até tentaram emendar uns riffs de Black Sabbath pra ganhar a galera, mas o que chamou a atenção mesmo foi o guitarrista no chão solando enquanto a câmera do telão tava no baterista, de boa. Mas a banda seguiu inabalável até o final, terminando o show quebrando tudo, jogando os tripé pra cima, dando umas voadora loca uns nos outros.
Ah, sim, a chuva. Não tinha percebido a garoa até reparar que a pista premium estava parecendo o episódio do pica-pau nas cataratas (até capa de chuva na área vip é ostentação).
Tá, o show. Vocês já devem saber melhor que eu como funcionava o lance da votação, e os fãs no palco do meet & greet e como eles foram fofos, e faladeiros etc. Vamos pular essa parte.
O Metallica entrou no palco com uma hora de atraso, refletindo o atraso do Raven (e não por frescura como é o caso do Axl). Bem quando inventei de ir ao banheiro começou um filme no telão explicando como rolava o lance de votação da turnê By Request e eu voltei louca correndo atropelando todo mundo nos assentos. Deu tempo de pegar aquele filminho do faroeste de abertura (desculpa, gente, não entendo um caralho de faroeste, não sei de qual filme era), e eles entrando pelo fundo do palco, mas preferi gritar ao invés de tirar foto.
Eles abriram com a cacetada de Battery, mas o estádio veio abaixo em seguida com Master of Puppets. Como já era sabido, eles tocaram todos, repito todos os sucessos da ~ geração MTV~ com direito a isqueiro aceso em Nothing Else Matters (desculpa gente, todo mundo aqui já teve 15 anos), bis com a inédita nos palcos brasileiros Whiskey in the Jar (o mais próximo que a gente vai conseguir chegar de um show do Thin Lizzy), e bola preta na platéia com o final esperado, porém incrível de Seek and Destroy.
Ah sim, teve as músicas novas que são ótimas para ir ao banheiro correndo (e comprovar que a acústica do banheiro do Morumbi tava melhor que a do Setor 2), ou sentar um pouquinho.
Vocês já devem ter lido por aí, mas corroboro. Por causa da chuvarada, os efeitos, fogos, e firulas não rolaram e, o que seria um problema de ter que segurar um show só com a banda e seu som debaixo de uma chuva do cacete, acabou sendo a melhor coisa que poderia ter acontecido para a banda e pro público. O perrengue, de fato, tirou os caras da zona de conforto, e fizeram eles tocar com mais força e entrega. Aliás, alguém me tira uma dúvida.
A bateria do Lars ficou no cantinho do palco pra:
( ) não molhar tanto a bateria
( ) não molhar a farinha
( ) ficar mais perto das groupies
Aquele baixista caranguejo do Ozzy pode ser excelente, pode dançar capoeira enquanto toca, mas eu continuo achando o FIM DO MUNDO ele fazer parte da banda #voltajason.
Não falo nada do James ou do Kirk porque em perfeição a gente não dá pitaco.
O show acabou, os roadies já estavam desmontando os equipamentos, e a banda, que não fazia um show cru assim há tempos, não queria sair do palco de jeito nenhum. Eu, inclusive, saí antes deles pra disputar um táxi no tapa.
Acordei no dia seguinte com dor no pescoço achando que tava com meningite, mas era só o day after de um show de headbang intenso. E sim, um roxo imenso na perna de lembrança de uma das minhas tentativas frustradas de pular a fileira da arquibancada. E apesar do som não ter me deixado surda como eu queria, fiquei na certeza que em matéria de consistência, presença de palco, fãs, tempo de banda, e legado, o Metallica é o próximo Rolling Stones.
Por @debbiehell. Mais projetos sobre música em: deboracassolatto.tumblr.com
NOTA DO BLOG: Um fato curioso: muitos fãs do Metallica foram hostilizados por membros da Marchinha do retrocesso sem Deus pela puta que os pariu - com o perdão à nobre classe das prostitutas pela ofensa - porque foram confundidos com Black Blocks! Fim da Nota. Nos comentários, leia as já meio manjadas mas sempre cômicas mensagens enfurecidas do "patriotinha", nosso leitor mais fiel ...
p.s. sabia que tava esquecendo alguma coisa. Lá vai o setlist:
"Battery"
"Master of Puppets"
"Welcome Home (Sanitarium)"
"Fuel"
"The Unforgiven"
"Lords of Summer"
"Wherever I May Roam"
"Sad But True"
"Fade to Black"
"…And Justice for All"
"One"
"For Whom the Bell Tolls"
"Creeping Death"
"Nothing Else Matters"
"Enter Sandman"
bis
"Whiskey in the Jar"
"The Day that Never Comes"
"Seek & Destroy"
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Antes que a gente se estresse peço para que os jornalistões ranzinzas e gente que se acha muito mais cool e indie por odiar o Metallica parem de ler o texto aqui pra gente não desgastar a amizade e vocês não terem (mais uma) crise de gastrite.
As fotos estão uma porqueira, mas paciência, da próxima vez vocês que organizem um abaixo assinado pra me arranjarem uma credencial decente. Mas vamos lá.
Não sei se vocês lembram, mas na cobertura do show do Rock in Rio eu estava morta arrasada sem dormir e acabei indo embora no meio do show prometendo nos encontrar outra vez, pois tínhamos unfinished business.
Chegar no Morumbi foi aquele inferno na terra de sempre, mas deu tempo de pegar o show inteiro do Raven, banda de abertura que não só foi influência pro Metallica, como botou eles pra abrirem seus shows em 83, época do Kill ‘Em All. A banda chegou esforçada,
Ah, sim, a chuva. Não tinha percebido a garoa até reparar que a pista premium estava parecendo o episódio do pica-pau nas cataratas (até capa de chuva na área vip é ostentação).
Tá, o show. Vocês já devem saber melhor que eu como funcionava o lance da votação, e os fãs no palco do meet & greet e como eles foram fofos, e faladeiros etc. Vamos pular essa parte.
O Metallica entrou no palco com uma hora de atraso, refletindo o atraso do Raven (e não por frescura como é o caso do Axl). Bem quando inventei de ir ao banheiro começou um filme no telão explicando como rolava o lance de votação da turnê By Request e eu voltei louca correndo atropelando todo mundo nos assentos. Deu tempo de pegar aquele filminho do faroeste de abertura (desculpa, gente, não entendo um caralho de faroeste, não sei de qual filme era), e eles entrando pelo fundo do palco, mas preferi gritar ao invés de tirar foto.
Eles abriram com a cacetada de Battery, mas o estádio veio abaixo em seguida com Master of Puppets. Como já era sabido, eles tocaram todos, repito todos os sucessos da ~ geração MTV~ com direito a isqueiro aceso em Nothing Else Matters (desculpa gente, todo mundo aqui já teve 15 anos), bis com a inédita nos palcos brasileiros Whiskey in the Jar (o mais próximo que a gente vai conseguir chegar de um show do Thin Lizzy), e bola preta na platéia com o final esperado, porém incrível de Seek and Destroy.
Ah sim, teve as músicas novas que são ótimas para ir ao banheiro correndo (e comprovar que a acústica do banheiro do Morumbi tava melhor que a do Setor 2), ou sentar um pouquinho.
Vocês já devem ter lido por aí, mas corroboro. Por causa da chuvarada, os efeitos, fogos, e firulas não rolaram e, o que seria um problema de ter que segurar um show só com a banda e seu som debaixo de uma chuva do cacete, acabou sendo a melhor coisa que poderia ter acontecido para a banda e pro público. O perrengue, de fato, tirou os caras da zona de conforto, e fizeram eles tocar com mais força e entrega. Aliás, alguém me tira uma dúvida.
A bateria do Lars ficou no cantinho do palco pra:
( ) não molhar tanto a bateria
( ) não molhar a farinha
( ) ficar mais perto das groupies
Aquele baixista caranguejo do Ozzy pode ser excelente, pode dançar capoeira enquanto toca, mas eu continuo achando o FIM DO MUNDO ele fazer parte da banda #voltajason.
Não falo nada do James ou do Kirk porque em perfeição a gente não dá pitaco.
O show acabou, os roadies já estavam desmontando os equipamentos, e a banda, que não fazia um show cru assim há tempos, não queria sair do palco de jeito nenhum. Eu, inclusive, saí antes deles pra disputar um táxi no tapa.
Acordei no dia seguinte com dor no pescoço achando que tava com meningite, mas era só o day after de um show de headbang intenso. E sim, um roxo imenso na perna de lembrança de uma das minhas tentativas frustradas de pular a fileira da arquibancada. E apesar do som não ter me deixado surda como eu queria, fiquei na certeza que em matéria de consistência, presença de palco, fãs, tempo de banda, e legado, o Metallica é o próximo Rolling Stones.
Por @debbiehell. Mais projetos sobre música em: deboracassolatto.tumblr.com
NOTA DO BLOG: Um fato curioso: muitos fãs do Metallica foram hostilizados por membros da Marchinha do retrocesso sem Deus pela puta que os pariu - com o perdão à nobre classe das prostitutas pela ofensa - porque foram confundidos com Black Blocks! Fim da Nota. Nos comentários, leia as já meio manjadas mas sempre cômicas mensagens enfurecidas do "patriotinha", nosso leitor mais fiel ...
p.s. sabia que tava esquecendo alguma coisa. Lá vai o setlist:
"Battery"
"Master of Puppets"
"Welcome Home (Sanitarium)"
"Fuel"
"The Unforgiven"
"Lords of Summer"
"Wherever I May Roam"
"Sad But True"
"Fade to Black"
"…And Justice for All"
"One"
"For Whom the Bell Tolls"
"Creeping Death"
"Nothing Else Matters"
"Enter Sandman"
bis
"Whiskey in the Jar"
"The Day that Never Comes"
"Seek & Destroy"
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domingo, 23 de março de 2014
KARNE KRUA
Karne Krua, de Aracaju, Sergipe, é, muito provavelmente, uma das bandas
punk mais antigas em atividade ininterrupta no norte e nordeste do
Brasil. Nunca pararam! Posso atestar
isso, já que os acompanho desde 1987, quando fui ao meu primeiro show de
rock “underground”. Sobrevive às idas e vindas de componentes graças à
persistência de Silvio, o vocalista e único membro original
remanescente.
Idas e vindas que, felizmente, já cessaram há um bom tempo: a formação mais recente, com Adriano na bateria, Alexandre na guitarra, Ivo Delmondes no baixo e Silvio nos vocais, é uma das mais estáveis e duradouras. E, provavelmente, também a melhor, conseguindo o feito de superar a “clássica”, com Silvio, Marlio, Marcelo e Almada - aquela que definiu a sonoridade da banda e compôs verdadeiros hinos do Hard Core undergound nacional.
A Karne Krua existe desde 1985. Havia na época um cenário “roqueiro” pulsando nos submundos da cidade, herdeiro direto da nova onda do rock nacional que tomava conta do país. Vieram, no entanto, com uma proposta ousada para a provinciana capital do menor estado do país: radicalizar na postura e na sonoridade. Fazer punk rock e Hard Core cru, bruto e engajado. Fizeram barulho e chamaram a atenção, aglutinando ao seu redor toda uma nova cena com nomes como Manicômio, Condenados, Cleptomania, Logorreia, Forcas Armadas e Sublevação. Dessas, algumas tiveram vida curta e sumiram na poeira do tempo, deixando pouco ou nada para trás. Outras sobrevivem até hoje. Mas nenhuma com a força e a capacidade de se renovar e renovar seu público, de geração a geração, que a Karne Krua tem.
Como toda banda que dura tanto, passaram por várias fases e diferentes variações de sonoridade. Tudo devidamente registrado na farta discografia e “demografia”, que começou com a tosca “As Merdas do sistema”, alcançou uma certa maturidade com a clássica – embora ainda tosca – “labor Operário”, experimentou o primeiro gosto do profissionalismo com “Suicídio”, a primeira gravada em estúdio, no Recife, e se “consagrou” – na medida do possível para uma banda totalmente independente – com o primeiro registro em vinil, o LP auto-intitulado, de 1994.
O primeiro disco da Karne Krua está fazendo 20 anos de lançado e, apesar de seus defeitos gritantes – de gravação e mixagem, principalmente – é um clássico. Principalmente porque foi gravado ainda com a formação mais célebre - que logo depois se dissolveu definitivamente – e tem um repertório impecável, fruto da excelente fase pela qual passavam na época e que rendeu pérolas do quilate de “O vinho da História” e “A Noite do Deus morto”. Além disso, havia a bagagem que já vinham acumulando em quase 10 anos de atuação nos porões do punk rock nordestino, período no qual compuseram alguns clássicos que até hoje são cantados em coro nos shows: “America latina now”, “cenas de ódio e revolta” e “Sindicato”, dentre outras. Músicas que, para além da simplicidade dos acordes primários típicos do estilo, carregavam uma poesia improvável em suas letras, como na de “política da seca” - um lamento que, a meu ver, poderia constar tranquilamento ao lado de grandes canções icônicas sobre a tragédia do sofrimento do povo do nordeste, como “Asa Branca” e “A Triste partida”. Seus versos são um verdadeiro soco no estômago do conformismo e não me deixam mentir: falam de “pessoas castigadas pelo sol e pela fome” que “lamentam a dor de mais um ano que passou”. Porque “os miseráveis são fonte de renda, mão de obra barata. Voto Comprado. Essa é a grande armadilha, e deverá ser cultivada”.
O disco foi lançado tardiamente, numa época de transição para a industria da musica, do analógico para o digital. Não teve versão em CD e, muito por conta disso, teve uma repercussão reduzida. Hoje, no entanto, a situação se inverteu: é cultuado justamente por ser, além do primeiro registro “oficial” de uma banda clássica do cenário local e nacional, um dos poucos discos sergipanos a ter tido uma edição em vinil.
Seguiram em frente: ao longo das décadas de 1990 e 2000 foram absorvendo novos membros e novas influências, notadamente do Hard Core novaiorquino - Biohazard, Agnostic Front - e da música regional – o repente e o “aboio”, principalmente. Novas fitas demo foram lançadas – “Máscaras para o caos”, de 1997, e “Instantes Irreversíveis”, de 1999 – e finalmente, em 2002, o segundo disco, agora em CD: “Em Carne viva”. O lançamento aconteceu numa noite inesquecível daquele início de século, quando conseguiram o feito de lotar o Espaço Emes, maior arena de shows local, que já serviu de palco para nomes consagrados da música popular e do rock, como Roberto Carlos, Sepultura e Ana Carolina. Tudo registrado em vídeo e disponível em DVD.
O maior triunfo da banda, no entanto, ainda estava por vir: o álbum “Inanição”, uma verdadeira obra-prima do gênero em terras brasilis. Gravado num momento de transição, ainda com o grande baterista Thiago “Babalu”, que se mudou para São Paulo e hoje toca com Siba, ex-Mestre Ambrosio, e Alexandre, o guitarrista, fazendo também o papel de baixista, demorou uma eternidade para ser lançado. Só veio ao mundo em 2012, exatos dez anos depois do segundo. Mas valeu a pena a espera: trata-se de uma impecável coleção de canções que, alinhadas, traçam um impressionante painel de angustia e revolta diante das injustiças do mundo, do drama dos retirantes ao sofrimento dos animais usados em testes de laboratório. E tem, pelo menos, um novo clássico: a música título, “inanição”. Nele a banda consegue finalmente registrar todo o potencial que, até então, só se revelava em toda a sua plenitude em cima do palco. É um registro que não pode faltar na coleção de ninguém que se diga apreciador do combativo e altivo punk rock nacional.
Hoje, prestes a completar 30 anos de carreira ininterrupta, continuam tocando principalmente em sua cidade e regiões circunvizinhas, porque não têm estrutura nem suporte financeiro para vôos mais altos. Mas seguem vivo e ativos. Acabam de lançar um EP 7 polegadas - formato outrora popularmente conhecido no Brasil como "compacto" - em parceria com o "Besthoven", de Brasília. Trata-se de um verdadeiro soco sonoro em forma de 4 músicas emendadas, uma espécie de "suíte" Hard Core versando sobre os horrores da guerra. A edição é caprichada, com prensagem de qualidade a cargo da renascida polyson, única fábrica de discos de vinil ainda em atividade no país, e uma excelente arte de capa de autoria de Thiago Neumman, o popular "Cachorrão".
Às vezes eu tenho a impressão que a Karne Krua nunca vai acabar. Sei que sim – porque tudo, um dia, acaba. Mas torço para que não.
Que seja eterna enquanto dure, como dizia o poeta.
por Adelvan
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Idas e vindas que, felizmente, já cessaram há um bom tempo: a formação mais recente, com Adriano na bateria, Alexandre na guitarra, Ivo Delmondes no baixo e Silvio nos vocais, é uma das mais estáveis e duradouras. E, provavelmente, também a melhor, conseguindo o feito de superar a “clássica”, com Silvio, Marlio, Marcelo e Almada - aquela que definiu a sonoridade da banda e compôs verdadeiros hinos do Hard Core undergound nacional.
A Karne Krua existe desde 1985. Havia na época um cenário “roqueiro” pulsando nos submundos da cidade, herdeiro direto da nova onda do rock nacional que tomava conta do país. Vieram, no entanto, com uma proposta ousada para a provinciana capital do menor estado do país: radicalizar na postura e na sonoridade. Fazer punk rock e Hard Core cru, bruto e engajado. Fizeram barulho e chamaram a atenção, aglutinando ao seu redor toda uma nova cena com nomes como Manicômio, Condenados, Cleptomania, Logorreia, Forcas Armadas e Sublevação. Dessas, algumas tiveram vida curta e sumiram na poeira do tempo, deixando pouco ou nada para trás. Outras sobrevivem até hoje. Mas nenhuma com a força e a capacidade de se renovar e renovar seu público, de geração a geração, que a Karne Krua tem.
Como toda banda que dura tanto, passaram por várias fases e diferentes variações de sonoridade. Tudo devidamente registrado na farta discografia e “demografia”, que começou com a tosca “As Merdas do sistema”, alcançou uma certa maturidade com a clássica – embora ainda tosca – “labor Operário”, experimentou o primeiro gosto do profissionalismo com “Suicídio”, a primeira gravada em estúdio, no Recife, e se “consagrou” – na medida do possível para uma banda totalmente independente – com o primeiro registro em vinil, o LP auto-intitulado, de 1994.
O primeiro disco da Karne Krua está fazendo 20 anos de lançado e, apesar de seus defeitos gritantes – de gravação e mixagem, principalmente – é um clássico. Principalmente porque foi gravado ainda com a formação mais célebre - que logo depois se dissolveu definitivamente – e tem um repertório impecável, fruto da excelente fase pela qual passavam na época e que rendeu pérolas do quilate de “O vinho da História” e “A Noite do Deus morto”. Além disso, havia a bagagem que já vinham acumulando em quase 10 anos de atuação nos porões do punk rock nordestino, período no qual compuseram alguns clássicos que até hoje são cantados em coro nos shows: “America latina now”, “cenas de ódio e revolta” e “Sindicato”, dentre outras. Músicas que, para além da simplicidade dos acordes primários típicos do estilo, carregavam uma poesia improvável em suas letras, como na de “política da seca” - um lamento que, a meu ver, poderia constar tranquilamento ao lado de grandes canções icônicas sobre a tragédia do sofrimento do povo do nordeste, como “Asa Branca” e “A Triste partida”. Seus versos são um verdadeiro soco no estômago do conformismo e não me deixam mentir: falam de “pessoas castigadas pelo sol e pela fome” que “lamentam a dor de mais um ano que passou”. Porque “os miseráveis são fonte de renda, mão de obra barata. Voto Comprado. Essa é a grande armadilha, e deverá ser cultivada”.
O disco foi lançado tardiamente, numa época de transição para a industria da musica, do analógico para o digital. Não teve versão em CD e, muito por conta disso, teve uma repercussão reduzida. Hoje, no entanto, a situação se inverteu: é cultuado justamente por ser, além do primeiro registro “oficial” de uma banda clássica do cenário local e nacional, um dos poucos discos sergipanos a ter tido uma edição em vinil.
Seguiram em frente: ao longo das décadas de 1990 e 2000 foram absorvendo novos membros e novas influências, notadamente do Hard Core novaiorquino - Biohazard, Agnostic Front - e da música regional – o repente e o “aboio”, principalmente. Novas fitas demo foram lançadas – “Máscaras para o caos”, de 1997, e “Instantes Irreversíveis”, de 1999 – e finalmente, em 2002, o segundo disco, agora em CD: “Em Carne viva”. O lançamento aconteceu numa noite inesquecível daquele início de século, quando conseguiram o feito de lotar o Espaço Emes, maior arena de shows local, que já serviu de palco para nomes consagrados da música popular e do rock, como Roberto Carlos, Sepultura e Ana Carolina. Tudo registrado em vídeo e disponível em DVD.
O maior triunfo da banda, no entanto, ainda estava por vir: o álbum “Inanição”, uma verdadeira obra-prima do gênero em terras brasilis. Gravado num momento de transição, ainda com o grande baterista Thiago “Babalu”, que se mudou para São Paulo e hoje toca com Siba, ex-Mestre Ambrosio, e Alexandre, o guitarrista, fazendo também o papel de baixista, demorou uma eternidade para ser lançado. Só veio ao mundo em 2012, exatos dez anos depois do segundo. Mas valeu a pena a espera: trata-se de uma impecável coleção de canções que, alinhadas, traçam um impressionante painel de angustia e revolta diante das injustiças do mundo, do drama dos retirantes ao sofrimento dos animais usados em testes de laboratório. E tem, pelo menos, um novo clássico: a música título, “inanição”. Nele a banda consegue finalmente registrar todo o potencial que, até então, só se revelava em toda a sua plenitude em cima do palco. É um registro que não pode faltar na coleção de ninguém que se diga apreciador do combativo e altivo punk rock nacional.
Hoje, prestes a completar 30 anos de carreira ininterrupta, continuam tocando principalmente em sua cidade e regiões circunvizinhas, porque não têm estrutura nem suporte financeiro para vôos mais altos. Mas seguem vivo e ativos. Acabam de lançar um EP 7 polegadas - formato outrora popularmente conhecido no Brasil como "compacto" - em parceria com o "Besthoven", de Brasília. Trata-se de um verdadeiro soco sonoro em forma de 4 músicas emendadas, uma espécie de "suíte" Hard Core versando sobre os horrores da guerra. A edição é caprichada, com prensagem de qualidade a cargo da renascida polyson, única fábrica de discos de vinil ainda em atividade no país, e uma excelente arte de capa de autoria de Thiago Neumman, o popular "Cachorrão".
Às vezes eu tenho a impressão que a Karne Krua nunca vai acabar. Sei que sim – porque tudo, um dia, acaba. Mas torço para que não.
Que seja eterna enquanto dure, como dizia o poeta.
por Adelvan
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quarta-feira, 19 de março de 2014
Venho me apegando ao passado ...
LOKI? 40 Anos este ano ...
![]() |
| Arnaldo nos mutantes |
O final dos Mutantes marca um período extremamente doloroso
para Arnaldo Baptista. Ele rompia um casamento com Rita Lee e mergulhava em uma
viagem de depressões, paranóia e incertezas. E Arnaldo era ainda muito jovem
para poder lidar com tantas coisas. Nascido no dia 6 de julho de 1948, o músico
tinha pouco mais de 25 anos quando deu adeus a sua banda, trio (e depois
quinteto) que havia sido a extensão de sua personalidade.
Após ter gravado o disco O A E O Z, em 1973 - que só foi
lançado quase 20 anos depois - Arnaldo
vivia amargurado. O álbum registrava uma guinada ao rock progressivo e os
Mutantes já eram um quarteto (além de Arnaldo, estavam seu irmão Sérgio, o
baixista Liminha e o baterista Dinho), mas já sem Rita Lee. Rita e Arnaldo,
aliás, já estavam se separando, o que serviu para aumentar ainda mais seu
desespero. Ele já era um mito do rock brasileiro, e um mito com enormes
problemas, incluindo falta de dinheiro, drogas e várias brigas.
Foi esse Arnaldo que resolveu romper com tudo e quis
registrar um dos discos mais emblemáticos não apenas do rock nacional, como
também de toda a história da música. Ele havia feito algumas canções e resolveu
que era hora de registrá-las. Primeiro, tentou falar com o presidente da
Philips, André Midani, mas acabou mesmo convencendo o produtor da casa, Roberto
Menescal, que junto com Mazola, topou a empreitada, intrigados com o que tinham
ouvido. Arnaldo resolveu então chamar seus velhos companheiros - o baixista
Liminha, o baterista Dinho, a própria Rita Lee e o maestro Rogério Duprat. O
que ninguém podeira imaginar era o resultado final...
Gravado no estúdio Eldorado e registrado em 16 canais, Loki?
marca, dentre outras coisas, pela ausência de guitarra (exceção feita à faixa
final, "É Fácil", com um violão de 12 cordas, tocado pelo próprio
Arnaldo), a exuberância do piano e por letras extremamente pessoais e, em
certos momentos, embaraçosas.
Arnaldo queria gravar o disco com uma grande urgência,
urgência essa que só encontrou paralelo no álbum Plastic Ono Band, de John
Lennon, de 1971. Com a "cozinha" dos Mutantes, ele ia gravando
rapidamente, com grande sofreguidão e arranjando confusão com os dois músicos, que
se recusaram a refazer algumas faixas.
Arnaldo mostrava um eclestimo impressionante, mesclando o
glam rock, o boogie-woogie, o rock and roll e o progressivo, com os arranjos de
Duprat, resultando numa mistura até hoje inigualável. O disco abre com
"Será Que Eu Vou Virar Bolor?", tocada no melhor estilo dos anos 50 -
Jerry Lee Lewis, Little Richard - e misturando Alice Cooper, Nasa e o medo de
ser esquecido em um texto permeado de humor e medo. A segunda faixa, "Uma
Pessoa Só", traz um belo arranjo de cordas de Duprat e um dos versos mais
bonitos já escritos na música: "Estamos numa boa pescando pessoas no
mar/Aqui/Numa pessoa Só".
O disco continua com "Não Estou Nem Aí", que tem
Rita Lee nos vocais de apoio e é um tantinho auto-biográfica - "Ontem me
disseram que um dia eu vou morrer/Mas até lá eu não vou me esconder/Porque eu
não estou nem aí pra morte/Não estou nem aí pra sorte/Eu quero mais é decolar
toda manhã." A quarta faixa, "Vou Me Afundar Na Lingerie", é um
dos grandes momentos de sua carreira, com uma letra muito bem humorada, com
gírias da época. "Honky Tonky" é uma faixa instrumental, onde Arnaldo
passeia por vários estilos no piano.
"Ce Tá Pensando Que Sou Loki?" abre com um arranjo
que remete ao disco de Tom Jobim com Frank Sinatra (Francis Albert Sinatra
& Antonio Carlos Jobim, com orquestrações de Claus Ogerman) - meio
bossa-nova, meio samba, e com várias referências na letra sobre suas viagens
com as drogas, seu passado e, claro, Rita Lee, especialmente quando se refere à
cilibrina. Isso porque Rita Lee havia montado com Lúcia Turnbull o duo
Cilibrinas do Éden.
"Desculpe" é uma das baladas mais corta-pulsos da
história, de assustar um Iggy Pop ou Ian Curtis: "Desculpe/Se eu fiz você
chorar/Te esqueça/Olhe, o sol chegou/Diga-me o meu nome/Diga-me que você me
quer/Sinta o pulso de todos os tempos/Comigo/Até quando, eu não sei/Mas
desculpe/Mas eu vou me fechar/Não sou perfeito/Nem mesmo você é/Me abrace,
diga-me o meu nome/Diga-me que você me quer/Sinta o pulso de todos os
tempos/Comigo, até quando não sei/Sinta o barato de ser ser humano/Comigo/Até
quando Deus quiser." Recado para Rita? Provavelmente...
"Navegar de Novo" é um dos primeiros ataques à
sociedade de consumo que se criava no Brasil, criticando a superficialidade das
pessoas e lançando um olhar esperançoso ao Brasil do futuro. Já "Te Amo
Podes Crer" mais parece um outro recado para a ex-parceira. O disco fecha
com "É Fácil", a única com violão e com a letra "Eu me amo/Como
eu amo você/É fácil", em rápidos 1 minuto e 55 segundos.
O disco mostra um Arnaldo Baptista tentando erradicar e
entender seus demônios. Logo após o lançamento, ele sofreria uma de suas
primeiras internações, por causa da violência, potencializada pelas drogas. Sérgio
Dias, guitarrista dos Mutantes, conta que o irmão odiou o título do disco,
então imposto pela gravadora, assim como a capa, totalmente distante do que ele
havia imaginado (NOTA DO BLOG: Também não gosto da capa. O título eu acho legal, mas dá pra entender os motivos de Arnaldo não ter gostado). O trabalho teve uma vendagem pífia, aumentando ainda mais sua
dor.
Em uma entrevista histórica concedida à jornalista Ana Maria
Bahiana e publicada no jornal O Globo, no dia 28/04/1978, Arnaldo faz um grande
desabafo. Confira alguns momentos: Sobre música: "Rock eu gosto porque é
meu sangue. É minha vida, desde que nasci." Sobre Rita Lee: "Quando
eu ouvia a Rita, gostava. Não ouço nem vejo a Rita há muito tempo. Me faz muito
mal. Más vibrações. Para baixo. Marta não deixa porque me faz mal. Os Mutantes
do Sérgio eu operei som para eles, uma vez. O Sérgio vem tocar aqui com a gente
no domingo, dar uma força." Sobre os Mutantes: "Era bom. Não, não
tenho saudades. A agressividade, naquele tempo, era quase nula."
Sobre os anos pós-Loki até o então atual momento, como Arnaldo
& Patrulha do Espaço: "Passei quatro anos num ostracismo. Não tinha
ninguém, mulher nenhuma. Ninguém me queria. Não tinha amor. Aí me internaram,
porque parece que fiquei uma pessoa violenta. E eu não quero ser uma pessoa
violenta. Diziam que eu era. Me internaram. Agora estou bem. Cortei as drogas.
Tenho um psiquiatra. Tomo uns remédios. Estou bem. Logo que saí de ser
internado eu comecei a fazer esse grupo, a Space Patrol. Ia chamar assim, mas
por razões de... evolução... não... Chama Patrulha do Espaço. Estamos
trabalhando há um ano. É um bom trabalho. Eu trabalho muito. Não sou violento.
A bateria é. O piano não consegue, por causa da amplificação."
Em um dos momentos mais lindos do texto, Ana Maria relata:
"Subitamente pede licença, vai correndo ao palco cuidar, pessoalmente, das
ligações elétricas de seu teclado Hohner. Se é possível ter certeza de algo, de
uma coisa eu sei: ele não está brincando de pirado. Todo seu corpo, todo seu
rosto está empenhado numa batalha surda e intensa, digna, que não tem nada a
ver com as possíveis fantasias de sua ex ou atual platéia. Agachado atrás dos
amplificadores, metodicamente checando fios e plugs, sobrancelhas cerradas, ele
não parece um herói: está lutando por sua vida. Com todas as forças."
É por tudo isso, que Loki? é (em minha modesta opinião), o
mais belo registro feito no Brasil. Passados 40 anos (foi lançado em 1974), ele
se mostra assustadoramente atual, apesar de alguns erros técnicos. Talvez
Arnaldo quisesse mostrar nos erros técnicos os erros pessoais, ou talvez não
tivesse mais cabeça para mexer em algo que lhe tinha sido tão caro. Sua vida
seguiria num limbo, até o mal explicado acidente do hospital psiquiátrico, em
1981, quando se jogou do terceiro andar e ficou um tempo em coma. Para alguns,
uma tentativa de suicídio. Para Arnaldo, apenas uma maneira de tentar fugir
daquele lugar horrível.
por Rubens Leme da Costa
mofo
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por Rubens Leme da Costa
mofo
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segunda-feira, 10 de março de 2014
Woman is the nigger of the world ...
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| renegades |
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| Útero Kaos |
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| Old Scratch |
BRINCADEIRINHA ...
A
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sexta-feira, 7 de março de 2014
Laibach - The Whistleblowers
O Laibach nasceu em 1980 na pequena cidade mineira de Trbovlje, da Eslovénia, então uma república da Jugoslávia, algo que desde logo não agradava ao colectivo. Desde cedo provocaram o Estado com as suas aspirações de independência, o que originou a proibição do uso do seu nome e a expulsão do país. Esta interdição do uso do nome Laibach obrigou a que a capa do primeiro álbum do grupo não ostentasse nenhuma inscrição mas apenas uma cruz negra, símbolo que se tornou na imagem de marca da banda.
A sua primeira turnê europeia, “Occupied Europe Tour”, surgiu em 1983 acompanhada pela banda britânica Last Few Days e foi um autêntico sucesso, abrangendo 16 cidades em 8 países. Em 1984 fundaram a Neue Slowenische Kunst (Nova Arte Eslovena), um colectivo de guerrilha artística que mais tarde (1994) se viria a transformar num novo Estado mundial, reconhecido e anunciado, através de celebrações oficiais em Moscovo e Berlim. O Estado NSK emite passaportes, selos, e tem moeda e bandeira próprias, apesar de não ser um Estado físico com as tradicionais fronteiras em termos geográficos, mas sim um Estado extraterritorial que coexiste pacificamente dentro e fora de qualquer outro país.
Esta vontade de agitar as águas e de contestação não tem tornado a vida mais fácil à banda. Na Polónia eram apelidados de comunistas, nos Estados Unidos da América (onde também estavam proibidos de entrar) de comunistas radicais, e noutras partes da Europa, de fascistas. Parecia não haver consenso na catalogação da banda. Em "Volk", seu disco de 2006, composto por versões dos Hinos nacionais de vários países, há um conceito dúbio: em alemão, "volk" significa "povo", ao passo que em esloveno e russo quer dizer "lobo". Em 1987, a reprodução de uma suástica feita com machados no álbum “Opus Dei”, causou escândalo nos círculos politicamente corretos, até que os mais atentos divulgaram a informação de que este símbolo impresso no disco foi retirado do trabalho de um artista dadaísta, ativista anti-nazi, chamado John Heartfield. Foram estas e outras polémicas que levaram a banda a regressar apenas à sua terra natal a 26 de Dezembro de 1990, data em que atuaram numa estação de energia termoeléctrica.
Há quase 20 anos que o LAIBACH edita pela britânica Mute Records, editora de artistas como Depeche Mode, Nick Cave And The Bad Seeds, Einstürzende Neubauten, Moby ou Diamanda Galás. O espólio musical dos LAIBACH é muito extenso, contando-se mais de três dezenas de álbuns e EP’s, para não falar das inúmeras edições não oficiais que circulam por esse mundo fora.
O Laibach também é conhecido por se apropriar e de subverter a música pop-rock contemporânea. Um dos seus álbuns mais famosos é precisamente “Let It Be”, inteiramente composto por versões de Beatles. Dentre as outras versões que "cometeram" estão ou as versões industriais, ou épicas, ou electrónicas, ou heavy, ou militaristas, de “Life Is Life (Opus), “In The Army Now” (Status Quo), “The Final Countdown” (Europe), “Jesus Christ Superstar” (Adrew Lloyd Weber), “Alle Gegen Alle” (DAF), “Under One Nation” (Queen), ou “Sympathy For The Devil” (Rolling Stones).
Acabam de lançar um novo disco, Spectre, cuja faixa de abertura é a do belíssimo clip acima.
“A música pop é para cordeiros, e nós somos os pastores disfarçados de lobos…
Ouça no rádio amanhã, no programa de rock.
19H, 104,9FM em Aracaju e região
The Whistleblowers
We rise, we grow.
We walk and we stand tall,
we never fall,
as big as the sky,
as high as the dawn.
We walk and we stand tall,
we never fall,
as big as the sky,
as high as the dawn.
We walk and we do not fall.
We sleep, we dream,
with no time in between.
We never stop,
listening our chant in the heat of the nights.
with no time in between.
We never stop,
listening our chant in the heat of the nights.
We see, the spirit is clean.
From north and south,
we come from east and west.
Breathing as one,
living in fame or dying in flame.
we come from east and west.
Breathing as one,
living in fame or dying in flame.
We love, our mission is blessed.
We fight for you,
for freedom and for sin.
Thinking as one,
rolling along to the beat of the drum,
for freedom and for sin.
Thinking as one,
rolling along to the beat of the drum,
We watch,
to red cross machine
to red cross machine
We rise, we grow,
we walk and we stand tall.
We never fall,
as big as the sky, as strong as the dawn.
we walk and we stand tall.
We never fall,
as big as the sky, as strong as the dawn.
We walk and we never fall.
We stand alone,
but soon the day will come ,
When freedom reach,
we meet again and we take the lead.
but soon the day will come ,
When freedom reach,
we meet again and we take the lead.
And walk, once more as one.
terça-feira, 4 de março de 2014
Motorhead, uma biografia ...
Sem muito alarde, um livro sobre a história do Motorhead está abarrotando as prateleiras da seção de músicas das principais megalivrarias. E ainda assim está vendendo bastante, mesmo que seja da série “não entrega totalmente o que promete''. “A História Não Contada do Motorhead'' (Edições Ideal), do experiente jornalista inglês Joel McIver, escritor de livros importantes sobre Black Sabbath e Slayer, entre outros, foi escrito em 2011, mas só agora ganhou uma tradução em português. Já adianto que é uma leitura interessante, que vale a pena, mas não espere grandes revelações ou segredos desvendados, como sugere o título.
A história da banda e de seu líder, Lemmy Kilmister já vale a pena, de qualquer forma, mas o livro deixa no ar uma certa desconfiança de “malandragem'', já que se baseia em três entrevistas com Lemmy e mais algumas com meia dúzia de personagens, enquanto o resto das informações é retirada de reportagens de jornal, revistas e sites. Não se trata de mero detalhe, já que, por se tratar de McIver, esperava-se algo com mais pesquisa, como ótimo “Sabbath Bloody Sabbath'', já lançado no Brasil sobre a história do Black Sabbath. No entanto, é um livro de verdade, não uma grande reportagem, como no caso de “Bruce Dickinson'', de Joe Shooman, que não traz uma única entrevista feita pelo autor com o cantor do Iron Maiden ou outros integrantes da banda.
Justamente por não ter tantas opções de fontes próprias ou mais entrevistas pessoais, o livro seja tão fino – confinar 40 anos de história de uma das bandas mais interessantes e importantes do rock pesado em 253 páginas é algo complicado e, de certa forma, frustrante. No entanto, é um a obra honesta e informativa, enfatizando muito mais as declarações de Lemmy e alguns de seus “pensamentos'' do que os fatos históricos em si e a análise dos álbuns, o que é uma pena. McIver dá espaço demais para as declarações do baixista e vocalista, às vezes desnecessárias e redundantes sobre assuntos que talvez desviem o foco, que nada têm a ver com a música.
O autor do livro se esforça por mostrar Lemmy como um artista inteligente, engajado, muito bem informado e com sólida formação intelectual que o permite discorrer sobre muitos assuntos, mesmo com a fuga da escola ainda na adolescência. McIver demonstra tais coisas com muita propriedade, mas torna o texto cansativo ao insistir demais na questão, como se não fosse suficiente demonstrar que Lemmy é realmente versátil e articulado, com opiniões comuns e nem um pouco complexas sobre a política norte-americana, a decadência econômica da Inglaterra ou de como os seres humanos fazem questão de destruir o planeta.
Quando McIver decide falar sobre o Motorhead, o livro melhora bastante, mostrando a infância, a adolescência e a juventude de Lemmy, com boas histórias e detalhes de passagens importantes, como a fase em que foi roadie de Jimi Hendrix, seu começo na arte de usar drogas ou de como teve de aguentar as esquisitices dos membros do Hawkwind, no início dos anos 70. E ainda narra como o cantor e guitarrista ganhou muito dinheiro mesmo em uma banda desconhecida do interior da Inglaterra entre 1964 e 1966. Entretanto, frustra os leitores ao desmistificar a origem do apelido Lemmy (o nome verdadeiro é Ian Kilmister, nascido em Stoke-On-Trent em 1945).
A lenda é que na segunda metade dos anos 60 Ian Kilmister vivia tão duro que sempre que se aproximava de um amigo, antes de cumprimentar, sempre disparava um “lend me a five'' (“me empresta cinquinho aí'') ou “lend me a money'' (“me empresta alguma grana''). Isso seria tão recorrente que os amigos começaram a chamá-lo de Lemmy, uma corruptela das duas expressões. No livro o vocalista e baixista desmistifica a questão, dizendo que foi ele quem inventou essa história. A origem na verdade nem o próprio Lemmy sabe, segundo McIver. Começou a ser chamado assim quando estava na escola, quando tinha dez anos, em uma cidade do interior do País de Gales, para onde se mudou depois que o pai abandonou a família. Só que Lemmy encerra o assunto dizendo não saber ao certo quando surgiu a alcunha e o motivo…
De qualquer forma, o livro acerta bastante quando traz declarações de ex-membros do Motorhead, como Eddie Clarke (guitarra) e Phil “Philty Animal'' Taylor (bateria), que formaram a banda clássica entre 1976 e 1982. Francos e honestos, deram informações interessantes sobre suas passagens pelo grupo e os motivos da saída, além de opiniões não muito boas a respeito do líder do grupo. Há também algumas poucas declarações de Wurzel, o guitarrista que abandonou a banda em 1994, e que morreu em 2012.
O prato cheio para os fãs e curiosos, entretanto, são as declarações a respeito do “estilo de vida saudável'' na estrada, repleto de bebida, drogas, mulheres e histórias bizarras, tudo temperado com uma bem humorada visão sobre a crônica falta de dinheiro que acompanha o Motorhead até hoje – segundo Lemmy, possui atualmente o imóvel onde mora e uma famosa coleção de memorabilia nazista (capacetes, uniformes, medalhas, mapas, etc) que vale perto de US$ 300 mil em valores atualizados. “Sempre fomos roubados pelas gravadoras e nunca tivemos sorte com empresários. Não ficaríamos multimilionários, mas com certeza eu, Phil (Campbell, guitarrista) e Mikkey (Dee, baterista) estaríamos um pouco mais confortáveis se não tivéssemos sido tão roubados.''
Mesmo com algumas lacunas e com um material que poderia ser melhor explorado, “A História Não Contada do Motorhead'' é um entretenimento interessante a respeito de uma das bandas mais cultuadas e originais do rock, com seu líder insano, engraçado e extremamente carismático.
por Marcelo Moreira
Combate rock
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A história da banda e de seu líder, Lemmy Kilmister já vale a pena, de qualquer forma, mas o livro deixa no ar uma certa desconfiança de “malandragem'', já que se baseia em três entrevistas com Lemmy e mais algumas com meia dúzia de personagens, enquanto o resto das informações é retirada de reportagens de jornal, revistas e sites. Não se trata de mero detalhe, já que, por se tratar de McIver, esperava-se algo com mais pesquisa, como ótimo “Sabbath Bloody Sabbath'', já lançado no Brasil sobre a história do Black Sabbath. No entanto, é um livro de verdade, não uma grande reportagem, como no caso de “Bruce Dickinson'', de Joe Shooman, que não traz uma única entrevista feita pelo autor com o cantor do Iron Maiden ou outros integrantes da banda.
O autor do livro se esforça por mostrar Lemmy como um artista inteligente, engajado, muito bem informado e com sólida formação intelectual que o permite discorrer sobre muitos assuntos, mesmo com a fuga da escola ainda na adolescência. McIver demonstra tais coisas com muita propriedade, mas torna o texto cansativo ao insistir demais na questão, como se não fosse suficiente demonstrar que Lemmy é realmente versátil e articulado, com opiniões comuns e nem um pouco complexas sobre a política norte-americana, a decadência econômica da Inglaterra ou de como os seres humanos fazem questão de destruir o planeta.
Quando McIver decide falar sobre o Motorhead, o livro melhora bastante, mostrando a infância, a adolescência e a juventude de Lemmy, com boas histórias e detalhes de passagens importantes, como a fase em que foi roadie de Jimi Hendrix, seu começo na arte de usar drogas ou de como teve de aguentar as esquisitices dos membros do Hawkwind, no início dos anos 70. E ainda narra como o cantor e guitarrista ganhou muito dinheiro mesmo em uma banda desconhecida do interior da Inglaterra entre 1964 e 1966. Entretanto, frustra os leitores ao desmistificar a origem do apelido Lemmy (o nome verdadeiro é Ian Kilmister, nascido em Stoke-On-Trent em 1945).
A lenda é que na segunda metade dos anos 60 Ian Kilmister vivia tão duro que sempre que se aproximava de um amigo, antes de cumprimentar, sempre disparava um “lend me a five'' (“me empresta cinquinho aí'') ou “lend me a money'' (“me empresta alguma grana''). Isso seria tão recorrente que os amigos começaram a chamá-lo de Lemmy, uma corruptela das duas expressões. No livro o vocalista e baixista desmistifica a questão, dizendo que foi ele quem inventou essa história. A origem na verdade nem o próprio Lemmy sabe, segundo McIver. Começou a ser chamado assim quando estava na escola, quando tinha dez anos, em uma cidade do interior do País de Gales, para onde se mudou depois que o pai abandonou a família. Só que Lemmy encerra o assunto dizendo não saber ao certo quando surgiu a alcunha e o motivo…
De qualquer forma, o livro acerta bastante quando traz declarações de ex-membros do Motorhead, como Eddie Clarke (guitarra) e Phil “Philty Animal'' Taylor (bateria), que formaram a banda clássica entre 1976 e 1982. Francos e honestos, deram informações interessantes sobre suas passagens pelo grupo e os motivos da saída, além de opiniões não muito boas a respeito do líder do grupo. Há também algumas poucas declarações de Wurzel, o guitarrista que abandonou a banda em 1994, e que morreu em 2012.
O prato cheio para os fãs e curiosos, entretanto, são as declarações a respeito do “estilo de vida saudável'' na estrada, repleto de bebida, drogas, mulheres e histórias bizarras, tudo temperado com uma bem humorada visão sobre a crônica falta de dinheiro que acompanha o Motorhead até hoje – segundo Lemmy, possui atualmente o imóvel onde mora e uma famosa coleção de memorabilia nazista (capacetes, uniformes, medalhas, mapas, etc) que vale perto de US$ 300 mil em valores atualizados. “Sempre fomos roubados pelas gravadoras e nunca tivemos sorte com empresários. Não ficaríamos multimilionários, mas com certeza eu, Phil (Campbell, guitarrista) e Mikkey (Dee, baterista) estaríamos um pouco mais confortáveis se não tivéssemos sido tão roubados.''
Mesmo com algumas lacunas e com um material que poderia ser melhor explorado, “A História Não Contada do Motorhead'' é um entretenimento interessante a respeito de uma das bandas mais cultuadas e originais do rock, com seu líder insano, engraçado e extremamente carismático.
por Marcelo Moreira
Combate rock
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
O Suriname ficou pra trás
Pra muita gente, a Plástico Lunar é a maior banda de rock em atividade por essas bandas. Antes de voltar à ativa, no entanto, com a apresentação memorável realizada no Verão Sergipe, ano passado, os caras corriam o risco de uma cova rasa, sem os sete palmos de terra devidos a qualquer cristão. Agora, que os dias difíceis no Suriname (nome cogitado para o segundo disco da banda) ficaram pra trás, o vocalista Daniel Torres espera recompensar o ostracismo com a maturidade fecundada nesse meio tempo. Barba de molho e dedos cruzados, portanto.
Em nossa última conversa, há alguns meses, Daniel era puro entusiasmo. Quase tudo o que então foi dito, reproduzido abaixo, segue valendo. Pra tocar a firma conforme o planejado, contudo, falta o vil metal. Sem grana não tem amor, como naquele hino dos 80. "Sou suspeito pra falar, mas o disco está fantástico, muito melhor que o Coleção de Viagens Espaciais, em vários aspectos. Primeiro o técnico. A qualidade desse segundo registro é muito superior. Além disso, conseguimos manter o nível de nossas composições. Colocamos os pés no chão, nossas letras estão menos viajandonas. A banda ganhou um certo frescor".
Daniel adiantou que o disco contou com a colaboração de muita gente boa da cena local. Julico (ex-guitarrista da banda), Arthur Matos e Littlel Mel (Máquina Blues) meteram as fuças no bagulho. "O disco está fechado. Já gravamos quase todas as guitarras. Julico participou de quatro faixas. Little Mel fez uma participação stoniante, e Artur "Gigantinho" Matos vai tocar violão numa das poucas faixas que nunca foram executadas em público".
Esta semana, a Plástico volta a pisar no palco, exorcizando os próprios fantasmas na base de muito rock. "Quando esse projeto começou a ganhar forma, há cerca de dois anos, havia certo pessimismo no ar. Estamos em outra fase da vida, e as canções novas devem refletir isso".
Plástico Lunar no Pub:
Local: Oakhill Irish Pub (Av. Gonçalo Prado Rollemberg, 459)
Data: 27 de fevereiro
Hora: 21 horas
Plástico Lunar no Pub:
Local: Oakhill Irish Pub (Av. Gonçalo Prado Rollemberg, 459)
Data: 27 de fevereiro
Hora: 21 horas
por Rian Santos
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Pussy riot: protesto em Sochi reprimido a chicotadas pelos cossacos ...
SOCHI, Rússia — Membros da milícia cossaca agrediram nesta quarta-feira com chicotadas, socos e empurrões seis integrantes da banda punk de protesto Pussy Riot. As manifestantes foram abordadas quando iniciavam uma performance no centro da cidade Sochi, na Rússia, a cerca de 30 quilômetros da área onde são disputados os Jogos Olímpicos de Inverno. A ação, que durou menos de cinco minutos, foi registrada em vídeo.
Acompanhados desde o início por curiosos e jornalistas, cinco mulheres e um homem que integram a Pussy Riot se reuniram ao lado de uma grade vestindo roupas coloridas e máscaras, indumentária característica da banda, e começaram a dançar. Um deles empunhava uma guitarra. Imediatamente após o início do protesto, membros da milícia cossaca - que está ajudando a polícia no patrulhamento dos Jogos - chegaram ao local agredindo a banda.
Nadejda Tolokonnikova, recém libertada da prisão por um decreto de anistia, chegou a ser jogada no chão pelos agentes. Eles também puxaram o cabelo de outra integrante e socaram um fotógrafo. Outro integrante da banda ficou com o rosto sangrando após também ser lançado ao chão pelos cossacos. A polícia chegou minutos depois em busca de testemunhas, mas ninguém foi preso.
Duas integrantes da Pussy Riot, Maria Alyokhina e Nadejda Tolokonnikova, já haviam sido presas e liberadas por autoridades na terça-feira em Sochi. No Twitter, Nadejda afirmou que elas foram detidas por suspeita de roubo e levadas para as instalações do Serviço de Segurança Federal na província da Abkházia, junto à fronteira com a Geórgia.
As duas estavam na cidade para apresentar uma nova música intitulada "Putin irá ensiná-los a amar a Pátria". Elas foram liberadas mais tarde, sem que acusações fossem apresentadas. No total, cerca de 15 pessoas foram detidas, dentre elas o fotógrafo Yevgeny Feldman e ativistas de uma organização ambiental.
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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
ME TIRA DAQUI!
Como surgiu a ideia da turnê?
Quem está dando total apoio e nos ajudando com o lance de marcar os shows e vão acabar dirigindo pra gente lá são o pessoal da No Gods No Masters, Josimas e Andreza. A gente tem alguns amigos que moram lá e alguns contatos que foram feitos através dos anos. Temos um 7'' lançado pelo selo alemão Thrashbastard e alguns lançamentos que estão pra sair por selos franceses. Daí o assunto de irmos pra lá tocar sempre vinha à tona. Com a ajuda e incentivo do pessoal da No Gods No Masters isso se tornou mais real. Desde então começamos a planejar nossa ida pra lá
Também vão rolar eventos pra arrecadar grana pra turnê. Conta mais sobre isso.
Os eventos pra arrecadar grana que estamos pretendendo fazer serão acontecimentos mensais, ao menos, aqui na nossa cidade. Nossa intenção é contar com a colaboração dos amigos e tentar fazer shows a custo mínimo (zero é o ideal) para tudo que entrar na bilheteria ir para a "caixinha" da banda. O que levantarmos de grana até o início de junho será usado para diminuir os custos da viagem, que são significativos. Os eventos provavelmente vão se dividir entre shows, eventos com rango vegan e venda de merchandise da banda.
A turnê vai passar por quais lugares?
A ideia é que ela comece em Barcelona e termine no Punk Illegal, na Suécia, passando por França, Itália, Suíça, Alemanha, Rep. Tcheca, etc.
Deu pra sacar que o esquema DIY permeia toda a parada da turnê; Quais as vantagens e ificuldades dessa autonomia?
Diy é nosso modus operandi. É a forma que a gente faz as coisas. Existem outras, claro, mas é assim que aprendemos a fazer as coisas funcionarem e é a forma que mais nos agrada. As vantagens são a autonomia e experiência que você troca com as pessoas que vivem coisas bem parecidas com você, independente da localização geográfica. A desvantagem é que tudo necessita de um pouco mais de trampo e suor pra acontecer. Mas isso é, ao mesmo tempo, parte da beleza do processo.NOTA: O primeiro evento destinado a arrecadar fundo acontece próximo sábado, no Capitão Cook, conforme mostrado no cartaz ao lado.
Sábado o programa de rock toca o disco "Coração Metrônomo" na íntegra.
19H, 104,9FM em Aracaju e região metropolitana
www.ideastek.net/aperipefm
Entrevista extraída do Blog Music For the People
por Eduardo Yukio
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