segunda-feira, 8 de novembro de 2010

# 168 - 05/11/2010


Mais que um “movimento” com ramificações políticas e/ou comportamentais em torno de uma “tribo” específica, o termo “grunge” é uma denominação genérica para as bandas de rock baseadas em Seattle que tinham forte influencia de Metal, do punk rock e do rock alternativo. Seu maior expoente foi o Nirvana, que já chegou a ser descrito como um meio termo entre os Beatles e o Black Sabbath e era identificado, principalmente antes do surgimento do “rótulo” em questão, com a cena independente das então chamadas “guitar bands”, especialmente o Sonic Youth, de quem eram amigos e que obteve uma maior projeção internacional na esteira do sucesso do trio liderado por Kurt Cobain, e o Pixies, que eles confessadamente tentaram emular em seu maior hit, “smells like teen spirit”. O Nirvana foi precedido pelo Green River, que pode ser considerado o útero onde foi gestado o “grunge”, já que de sua formação faziam parte Mark Arm, Jeff Ament e Stone Gossard. Os dois últimos fizeram parte posteriormente do Mother Love Bone, cujo som se caracterizava por ser uma mistura do peso e da levada do heavy metal e hard rock dos anos 1970 (de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Aerosmith) com a melodia e a energia punk de Stooges e MC5. Dessa matriz sonora surgiria o estilo musical que dominou as paradas de sucesso de todo o mundo na primeira metade dos anos 90 com nomes como o Soundgarden, Alice In Chains e Pearl Jam, este último fundado por Gossard e Ament. Correndo por fora, havia o Screaming Trees, composto pelos amigos Mark Lanegan, Van Conner e Gary Lee Conner e vindos de Ellensburg, cidade próxima de Seattle, e o Mudhoney, de Mark Arm, em atividade até hoje.

Toda esta impressionante movimentação que levou o chamado “rock alternativo” ao mainstrean foi capitaneada pela gravadora Sub Pop, fundada en 1979 em Olympia, estado de Washington, por Bruce Pavitt, como um fanzine local especializado em rock alternativo batizado inicialmente como “subterranean pop”. Já na segunda edição a publicação passou a usar o nome que a tornaria célebre. Alternou edições de sua revista com fitas K-7 que continham compilações de bandas diversas da cena independente local. Foram publicadas nove edições ao todo: seis revistas e três fitas. Com o tempo, o fanzine parou de ser produzido e a empresa se concentrou na distribuição das fitas. Como não houve retorno financeiro, a publicação da Sub Pop passou a se resumir a uma coluna na The Rocket, revista de Seattle. Em 1986, Pavitt se mudou para a capital do estado e lançou o EP-compilação “Sub Pop 100” (onde há uma faixa do Sonic Youth). No ano seguinte grava o primeiro trabalho com uma banda exclusiva, o EP “Dry as a Bone”, do Green River. Também em 1987 Kim Thayil, do Soundgarden, o apresenta a Jonathan Poneman e os dois criam, enfim, o selo Sub Pop Records, cujo primeiro lançamento foi o EP “Screaming Life”, do Soundgarden. Seu maior sucesso comercial, no entanto, seria “Bleach”, primeiro álbum do Nirvana. O prestígio da grife era tamanho que o grupo exigiu que a marca da gravadora underground que os descobriu fosse impressa em seus discos posteriores, lançados pela gigante do mercado fononográfico Geffen. Com o fim da “era grunge” o selo de Pavitt (que deixou a gravadora em 1996) e Ponneman foi perdendo projeção, mas existe até hoje – e não sem antes lançar, em 1994, o primeiro disco do Sunny Day Real State, também de Seattle, um dos pilares a partir do qual se formou o que hoje se conhece como “emocore”.

A revolução provocada no dial das rádios e na programação da MTV pelo grunge foi tamanha que por um momento chegou-se a crer que o “mainstrean” havia se rendido, finalmente, ao “underground”, e passaria a ser povoado, dali pra frente, por musicas de qualidade e com conteúdo e não pastiche feito apenas para vender discos. Ledo engano. Como costuma acontecer em qualquer processo “revolucionário”, com o tempo a essência foi se diluindo e começaram a aparecer versões mais palatáveis às grandes massas, com nomes como Silverchair, Stone Temple Pilots (estes melhoraram com o passar do tempo, mas começaram como uma emulação diluída de clichês do grunge), Bush e Creed. Um processo de degradação que foi se acentuando à medida que os maiores ídolos da época iam sucumbindo à falta de estímulo e a problemas pessoais potencializados pelo uso excessivo de drogas. O suicídio de Kurt Cobain e a morte de Layne Stanley, vocalista do Alice In Chains, foram revezes difíceis de ser superados. A pá de cal foi colocada, no entanto, quando da dissolução do Soundgarden, em 1997. O Pearl Jam seguiu em frente, mas já como uma entidade à parte, enquanto as paradas de sucesso, na segunda metade da década, eram tomadas pelo “brit pop” de Oasis e Blur, pelo “punk pop” de Green Day e Offspring e pelo “New Metal” de Korn e “associados”.

O programa de rock da última sexta-feira prestou tributo a este último grande “movimento” do rock em sua abertura, com alguns dos maiores “hits” do Mudhoney, Soundgarden, Alice in Chains e Screaming Trees. Na sequencia, um novo “hype”alternativo, cortesia dos comparsas do Loaded E-zine em mais uma colaboração semanal exclusiva, e sons das três bandas que protagonizarão, logo mais à noite, mais uma “Noite Fora do Eixo”, na Rua da Cultura, os sergipanos da Mamutes, os pernambucanos d´A Banda de Joseph Tourton e os argentinos do Falsos Conejos.

A segunda metade do programa foi inteiramente dedicada à coletânea “Brazilian Guitar Fuzz Bananas”, um sensacional resgate de gravações obscuras de bandas psicodélicas brasileiras dos anos 60 e 70 que veiculamos na íntegra, em todo o esplendor e vigor criativo de suas 16 faixas.

See you later, alligators.

por Adelvan

* * *

Coletânea reúne faixas raras dos primórdios lisérgicos do rock brasileiro

MARCUS PRETO
DE SÃO PAULO

Illustrada

A bateria é quase sempre acelerada. Os vocais variam entre o etéreo e o esganiçado. O som das guitarras é distorcido. As letras, escritas sob puro delírio surrealista.

Primeiro lançamento do selo americano Tropicalia in Furs, a coletânea "Brazilian Guitar Fuzz Bananas" recolhe, em CD simples ou vinil duplo, 16 faixas da fase mais psicodélica do rock nacional. Raríssimo, o material é uma espécie de elo perdido da nossa história musical. Jamais foi reeditado por aqui. E, ironicamente, volta à tona em edição estrangeira.

As gravações foram feitas entre 1967 e 1976 e editadas originalmente em compactos. Já pelos nomes das bandas selecionadas --Loyce e os Gnomos e Tony e o Som Colorido, por exemplo-- pode-se ter ideia do teor lisérgico do som que faziam. Os títulos das músicas dão mais pistas: "LSD - Lindo Sonho Delirante", "As Turbinas Estão Ligadas", "Som Imaginário de Jimi Hendrix" etc.

A garimpagem de todo esse material foi feita pelo brasileiro Joel Stone, 38. Paulista, ele se mudou para Nova York há 12 anos e hoje é dono da loja de discos Tropicalia in Furs, no East Village. Joel conta que passou cerca de 4 anos para conseguir todos esses compactos. Em barganhas, chegou a trocar um único disco por 300 LPs americanos de funk e soul.

"Depois que consegui todos, fiz uma pesquisa sobre cada um e descobri que quase ninguém conhecia o que eu tinha, incluindo colecionadores", diz. "A partir daí, o que eu estava fazendo começou a fazer sentido." Como não conseguiu localizar todos os envolvidos nas gravações, Joel fez um esquema de "caderneta de poupança", em que reserva direitos autorais dos artistas que não foram encontrados.

LSD - "Lindo sonho delirante, hoje eu quero viajar, yeah, yeah/ Onde está o meu castelo?/ Meu tapete voador?" Parceira do cantor Fábio e do produtor musical Carlos Imperial, a faixa "Lindo Sonho Delirante" simboliza o que Joel quis reunir no disco. A música rouba a ideia de "Lucy in the Sky with Diamonds", dos Beatles, em que as iniciais do título resultam no termo LSD, o ácido mais famoso daquela geração.

"O pessoal do rock gostava dos alucinógenos", diz o cantor Tony Bizarro, 62, que está no disco com a faixa "O Carona". "A gente, do soul, preferia um 'baurets' [maconha], só queria fumar unzinho." "Tomava LSD quem queria se libertar", emenda o roqueiro Serguei, 76, intérprete da malucona "Ouriço". "Hoje em dia, as bandas de rock não estão atendendo nesse sentido. Os beatniks de agora são os emos", diz. "A revolução que a gente fez, da qual sou um dos únicos que restam, era outra coisa."

Músico ligado ao jazz, Célio Balona caiu na bacia dos psicodélicos por acaso. Seu "Tema de Batman" era uma brincadeira para os filhos. Disse aos meninos que era amigo do personagem dos quadrinhos e, para provar, criou sua própria versão para a música que tocava na série de TV --que soa um tanto lisérgica aos ouvidos adultos. "Fiz as vozes todas, os arranjos, interpretei o Batman e os marcianos", lembra.

Intérprete de "Cinturão de Fogo", Marisa Rossi, 60, afirma que foi a chegada de Roberto Carlos que modificou a relação dos músicos com a psicodelia. "Quando ele veio com a jovem guarda, a coisa amenizou. Era bom menino e não queria falar de drogas."

* * *

Mudhoney – Suck you dry
Soundgarden – Fell on Black days
Alice In Chains – Heaven Beside you
Screaming Trees – Dollar Bill

Homemade Blockbuster – Sweet boys sweet girls
Homemade Blockbuster – Dance Moves
(Drop Loaded)

Mamutes – Te deixando o meu bye bye
Falsos Conejos – Estrobos
A Banda de Joseph Tourton – 16 minutos

Célio Balona – Tema do Batman
Loyce e os Gnomes – Era uma nota de
The Youngsters – I wanna be your man
Serguei – Ouriço

Fabio – Lindo sonho delirante
Tony e o som colorido – o carona
14 Bis – God save the Queen
Banda de 7 léguas – Dia de chuva

Ton & Sergio – Vou sair do cativeiro
Ely – As turbinas estão ligadas
Com os Falcões Reais – Ele século xx
Marisa Rossi – Cinturão de fogo

Piry – Herói moderno
Marc Rybell – the lantern
The pops – som imaginário
Loyce e os gnomes – que é isso?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE


o maior ícone do punk americano volta ao Brasil em novembro

A história de Eric Boucher, ou simplesmente Jello Biafra, se confunde com a própria história da música punk e dos princípios do faça você mesmo. E em novembro de 2010 a América do Sul receberá sua visita pela 2a vez.
Biafra ficou mundialmente conhecido no cenário underground do fim da década de 70 e início dos 80 por integrar a lendária e ultra política banda punk Dead Kennedys. No grupo, o vocalista compôs pérolas como “Holliday In Cambodia”, “California Uber Alles” e “Kill The Poor”, iniciando a era das bandas punk que passaram a incluir temas políticos e sarcásticos em suas letras. Muitos o acusam de ser um dos precursores do hardcore e inúmeras bandas que vão do punk ao thrash metal, passando por estilos mais inusitados, já prestaram reverências à sua obra junto ao quarteto Dead Kennedys. Entre eles estão Sepultura, No Means No, Pearl Jam, Melvins, Agent Orange, Boysetsfire, Earth Crisis, Richard Cheese, Foo Fighters, Faith No More, L7, Les Thugs, Napalm Death, Final Conflict, Darkest Hour, The Didjits, Nailbomb, Neurosis e Spazz, entre muitos outros...
Com o fim dos Kennedys, Jello Biafra passou a se dedicar ativamente ao seu selo Alternative Tentacles e novamente, estipulou novos padrões de como uma gravadora independente deveria se portar frente aos padrões impostos pelas rádios, MTV americana e revistas corporativas. O selo se mantém ativo até os dias de hoje e detém o posto de gravadora underground mais antiga do mundo, tendo iniciado suas atividades em 1979 para lançar os álbuns do Dead Kennedys. A Alternative Tentacles possui extrema relevância na história do underground americano e mundial por ter revelado e divulgado nomes como Alice Donut, The Butthole Surfers, D.O.A., 7 Seconds, No Means No e Neurosis, entre outros.
Apesar do status de “dono de gravadora”, Jello Biafra não baixou a guarda e continuou compondo ao lado de amigos e grupos diretamente influenciados por sua música e postura política. Os maiores exemplos foram o LARD [junto a Al Jourgensen do Ministry], Tumor Circus [com membros do Steelpole Bathtub], No WTO Combo [junto a Kris Novoselic do Nirvana] e participações em álbuns do Offspring, Sepultura, Pansy Division, Brujeria, Pitchshifter, Body Count e Motorpsycho, sem contar os projetos que levaram seu nome: Jello Biafra & DOA, Jello Biafra & No Means No, Jello Biafra & Melvins e Jello Biafra & Mojo Nixon. Tudo isso sem contar os inúmeros CDs de spoken word que o músico lançou entre 1987 e 2006.

Como se não fosse o suficiente, Biafra ainda arranjou tempo entre suas atividades musicais para se candidatar a cargos políticos nas ocasiões da eleição a prefeito de São Francisco em 1979 e mais tarde, para presidente dos Estados Unidos no ano de 2000 pelo Partido Verde.

Em 1992, o vocalista participou de uma jam session no extinto Aeroanta junto aos músicos João Gordo e Jão [Ratos de Porão], Igor Cavalera e Andreas Kisser [Sepultura] no lançamento do livro Barulho de André Barcinsky. E em novembro de 2010, Jello visitará o Brasil novamente, desta vez com seu novo projeto JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE que inclui ex-músicos de grupos da Rollins Band, Butthole Surfers e Victims Family.

A turnê passa pela Argentina e no Brasil, estão confirmadas duas apresentações no Hangar 110 [uma junto ao Ratos de Porão e outra com o Flicts] e outra no Rio de Janeiro no Teatro Odisséia, totalizando 5 apresentações na América do Sul.

Datas:

03/ Nov./ 4a-Feira – El Sotano – Rosário – Argentina
04/ Nov./ 5a-Feira – Teatro Colegiales – Buenos Aires – Argentina
05/ Nov./ 6a-Feira – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Ratos de Porão
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-hangar.html
06/ Nov./ Sábado – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Flicts
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-no-hangar-110-em-sp-06-09.html
09/ Nov./ Domingo – Teatro Odisséia - Rio de Janeiro – Brasil
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-teatro-odisseia.html


Realização:
Hangar 110 e Highlight Sounds




Apoio: Revista Tribo Skate, Funtime e Sick Mind

www.myspace.com/jellobiafraandthegsm

BIOGRAFIA

Lá se vão 20 e poucos anos desde que o Dead Kennedys - o maior fruto da mente do lendário vocalista Jello Biafra - se debandou oficialmente. Desde então, Biafra tem se mantido ativo e construiu uma carreira baseada em palestras intercaladas com diversas colaborações junto aos mais comprometidos e respeitados nomes da música underground. Gravar álbuns com projetos e sair em turnê junto a nomes como Melvins, No Means No, DOA, Mojo Nixon e LARD [junto a Al Jorgensen do Ministry], entre outros, o ajudou a manter seu hardcore como uma verdadeira arma política e sua mensagem afiada. Mas com a falta de uma banda à qual ele pudesse chamar de sua, estas colaborações geralmente acabavam durando pouco e deixavam Biafra com toneladas de músicas que dificilmente veriam a luz do dia.

Inspirado pelo show de aniversário de 60 anos de Iggy Pop no Warfield em São Francisco, Biafra passou a planejar algo para o sua festa de aniversário de 50 anos e finalmente decidiu que era hora de começar sua própria banda. Dez anos antes, ele já havia tentado a mesma coisa com o guitarrista Ralph Spight [Victims Family, Freak Accident, Hellworms] e o baterista Jon Weiss [Sharkbait, Horsey]. Eles também já haviam trabalhado junto ao baixista Billy Gould [Faith No More, Brujeria], que estava cotado para se unir ao grupo. Após ensaiar por um mês, o quarteto conhecido como Jello Biafra and The Axis Of Merry Evildoers subiu ao palco em dois shows com ingressos esgotados no Great American Music Hall em São Francisco e logo em seguida, passou os próximos 9 meses ensaiando para a gravação de um álbum.

Antes de entrar no estúdio, o guitarrista Kimo Ball [Freak Accident, Carneyball Johnson, Mol Triffid, Griddle] foi recrutado, resultando em um ataque de guitarras duplas, o que acabou levando a sonoridade do grupo a novos e barulhentos patamares. O quinteto, agora conhecido como JELLO BIAFRA AND THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE, começou a gravar as faixas do álbum The Audacity of Hype [Alternative Tentacles] lançado na 2a metade de 2009. Para a produção e trabalhos de engenharia de som, Biafra se juntou ao velho amigo, sócio-conspirador e lendário produtor de hip hop Matt Kelley [Hieroglyphics, Tupac, Digital Underground, Victims Family], para comandar as gravações nos estúdios Prairie Sun Recording em Cotati, Califórnia e no Hyde Street Studios em São Francisco.

O projeto mantém parte da sonoridade caótica do Dead Kennedys adicionada a uma dose saudável do proto-punk característico de Detroit misturado com camadas de guitarras sônicas e barulhentas e o estilo industrial que o baterista Weiss possui de realizar percussões com incursões de metal. Os assuntos abordados no álbum vão desde a lavagem cerebral anti-Iraque que os poderosos de Washington enfiam guela abaixo dos americanos comuns, passando pela crítica a uma polícia que foge de seu legítimo compromisso de proteger o cidadão e a guerra de classes contra os menos favorecidos. Biafra também propõe à geração Barack Obama, ao seu próprio estilo ácido e crítico, que as mudanças reais acontecem quando a agitação vem de baixo e não de ações glamourosas vindas de cima.

Mesmo após tanto tempo, Jello Biafra lança um álbum que solidifica e expande sua visão livre de concessões e atualizada com os dias atuais, junto a um grupo poderoso que promete ser uma máquina viva e aterrorizante em qualquer palco que venha a atuar e que agora, traz o baixista Andrew Weiss [Rollins Band, Ween, Butthole Surfers] ocupando o posto de baixista, já que Billy Gould teve de retornar recentemente ao Faith No More

Entrevista para o Portal Rock Press

Após mais de três décadas em que o punk resgatou a simplicidade do rock’n’roll, reinventou a rebeldia e subdividiu-se em diversas correntes, poucos são os protagonistas originais que permanecem relevantes.

Jello Biafra, 52 anos de idade, é o maior deles. Inteligente, ácido, politizado. Liderou uma das mais influentes bandas do gênero, fundou um selo que lançou mais de 400 álbuns, proferiu palestras, militou na política, gravou discos de “spoken word” e assinou discos com gente do naipe de Al Jourgensen, D.O.A., Nomeansno, The Melvins e até o country freak Mojo Nixon.

A integridade de Jello e sua obra de alto impacto dão um significado adulto ao que se denomina punk. A capacidade de se reinventar, sendo o cronista ácido de sempre, esmaece o revisionismo dos punks da primeira geração e passa a limpo a apropriação indébita do termo pelos oportunistas de hoje.

Após 18 anos, Jello Biafra volta ao Brasil. A primeira visita deu-se por conta do lançamento do livro Barulho, de André Barcinski, e rendeu duas performances tão rápidas quanto históricas. A primeira em São Paulo, no extinto Aeroanta, ao lado de RDP e Sepultura. A segunda no Rio, onde realizou uma jam com o power combo francês Mano Negra, liderado pelo futuro trovador global Manu Chao.

Nesse fim de semana, Jello desembarca por aqui com sua primeira banda fixa desde o fim dos Dead Kennedys – no já longíquo ano de 1986. A Guantanamo School of Medicine é uma banda de alto calibre e com a qual o vocalista gravou o exuberante e poderoso The Audicity of Hype.

Dentro do devido contexto, os shows que nos aguardam têm a carga de importância para serem lembrados por muitos anos.

A Rock Press, por intermédio da Highlight Sounds e Alternative Tentacles, conversou com exclusividade com Jello Biafra alguns dias antes de sua viagem para o Brasil.

De sua casa, em San Francisco, Biafra conversou com nossa reportagem por aproximadamente 40 minutos. A qualidade da ligação oscilou entre o ruim e o péssimo, ainda que, com a boa vontade de Jello, tenhamos feito nada menos que três telefonemas para tentar sanar o problema.

O que você lê a seguir é a transcrição da espinha dorsal dessa conversa com um artista e pensador que possui, de fato, o dom da palavra.

Mas nossa equipe já está providenciando uma correção digital no áudio original da entrevista para que possamos, em breve, publicar o papo na íntegra e com a transcrição ipsis litteris como exige, e merece, o entrevistado.

Abaixo, alguns trechos da entrevista:

Você tem alguma observação sobre o crescimento da esquerda na América do Sul?

Tudo que eu sei é que parece estar melhor do que estava antes. A expectativa pelo trabalho do Lula foi mais ou menos o que aconteceu com o Obama. Não vou dizer que sei tanto assim sobre os resultados, porque estou distante do dia-a-dia, mas vejo que o Brasil se alinhou comercialmente com um grupo de países, como China, Índia e outros. E agora pode tomar certas decisões por si mesmo sem tanta interferência da OMC. Dane-se isso! E eu gosto dessa postura.


Ouvi dizer que quando você esteve aqui em 1992, não estava imaginando que iria ter que se apresentar ao vivo. Estive presente e me recordo de ver Paul Barker, baixista do Lard e Ministry, vendo o show encostado no amplificador. Mas você cantou 3 músicas. O que, de fato, aconteceu?

O autor de um livro, que veio aos EUA e entrevistou o Ministry e o Cramps, me convidou para ir ao Brasil no lançamento para autografar alguns exemplares. E que me levaria na Amazônia e outras coisas mais. Mas não foi nada disso que aconteceu e…


…e você foi pego de surpresa descobrindo que todos estavam esperando que você se apresentasse?

Totalmente! Mas ainda acabei indo ao Rio de Janeiro, pois justamente naquela época estava acontecendo aquele evento ambiental, Rio Summit, não se como se chama no Brasil…


Foi a ECO92.

Certo, ECO92. E lá estavam todas aquelas autoridades importantes. Achei que eu deveria participar. Me lembro que voei no mesmo avião de vários deles. As coisas que ouvi na época, sobre as corporações pegarem o gene de um animal e usarem para que o quisessem me levou a escrever “Biotech is Godzilla” que o Sepultura acabou gravando.

CLIQUE AQUI PARA LER A ENTREVISTA COMPLETA

por Eduardo Abreu

* * *

Entrevista para a revista playboy

Jello Biafra, ex-líder do Dead Kennedys, vem ao Brasil mostrar The Audicity of Hype, disco de sua nova banda, The Guantanamo School of Medicine, e fala sobre idade, política e um curioso encontro no Rio de Janeiro, em 1992

Por Jardel Sebba

1 - O que acha que soa diferente nesse primeiro álbum com a The Guantanamo Schhol of medicine dos demais trabalhos que você já fez ?

Eu não analiso as coisas dessa forma, eu simplesmente as faço. Se algumas pessoas pensam que canções desse novo disco soam como Dead Kennedys, não vou fugir da comparação, escrevi boa parte das canções da banda. Acho que tenho um estilo de compor que acrescenta psicodelia ao som, o que resulta em algo que não é tão comum em bandas punk.

2 - Depois de tantos anos na estrada, você se sente diferente quando senta para escrever uma canção hoje?

Sou um animal político a qualquer tempo. Escrevo sobre o que acredito que é interessante e importante. Claro, há algo pessoal na música, mas não quero desperdiçar boas canções com coisas que não gosto de ouvir em outros artistas. Eu tento atacar o sistema por ângulos diferentes das outras pessoas. Quando produzo um álbum estou mais interessado em sentimento, impacto, vibração do que ter todas as notas de um instrumento perfeitamente bem tocadas.

3 - Aos 52 anos, você se sente velho no meio do punk rock?

Às vezes acho engraçado quando olho para trás e penso o número de shows no underground nos quais eu era a pessoa mais velha na plateia. Algumas vezes 15, 20 anos mais velho! Mas isso é uma coisa boa. Nunca deixei de ser um fá de música, gosto do lado selvagem do rock’n’roll, o que me leva, claro, ao punk rock. Acho que a questão principal sobre idade é que hoje preciso me exercitar mais entre os shows, para que possa fazer o que faço no palco.

4 - Incomoda ser tratado com reverência no meio do punk rock, um lugar não muito apropriado para culto a ícones?

Acho que trabalhei duro o bastante e arrisquei bastante o meu pescoço para esperar que hoje seja tratado com algum respeito. Essa coisa de ícone vai e volta, nos primeiros anos isso não era comum, qualquer pessoa que tinha um papel importante no palco não podia agir como uma estrela fora dele. Começou a mudar mais tarde, com o punk mais comercial, quando todo mundo queria que seus amigos curtissem sua música logo nos primeiros shows e media sua popularidade pelo apoio de companhias de skate, de tênis ou de cervejas. Era a maneira deles acharem que estavam sendo bem sucedidos como artistas, o que eu sempre achei que cheirava muito mal.

5 - Você se candidatou a prefeito de São Francisco no fim dos anos 1970. Já pensou de verdade em se candidatar a presidente, e qual seria sua primeira medida, uma vez eleito?

Eu fui candidato a presidente, um pouco pelo menos, em 2000, quando o pessoal da convenção de Nova York do Partido Verde me chamou para ser candidato ao lado de Ralph Nader, e eles nem perguntaram se era filiado o partido. Eu era, por sorte. Mas não concorri de verdade, primeiro porque não tive tempo, depois porque não queria competir com Nader, eu era eleitor dele. Mas achei que era uma boa ideia deixar meu nome nas primárias de alguns estados, as pessoas que me conheciam mas não conheciam o Nader nem o Partido Verde poderiam ter um estímulo a mais para sair de casa, se registrar e votar. Acho que a primeira coisa que faria seria chamar os militares no Iraque e no Afeganistão imediatamente de volta. Outro ato imediato seria usar o poder presidencial para reduzir ou tirar da cadeia todos os que estão condenados por uso de drogas. O problema é que o presidente só pode fazer isso com prisioneiros federais, e a maioria das pessoas presas com maconha e afins são prisioneiros estaduais, logo eu teria de convencer os governadores a fazer o mesmo. Também seria bastante tentador virar as costas para a Nafta e mandar um “foda-se” para a Organização Mundial do Comércio de uma vez por todas.

6 - Você consegue se manter distante da grande música comercial que domina o mercado americano? Sabe, por exemplo, quem são e o que fazem Lady Gaga e Justin Bieber?

Não se esqueça que eu sou um grande fã de música, é meu único vício, especialmente os vinis. Quem me viu na minha viagem ao Brasil lembra como fiquei louco nas lojas de discos do Rio e de São Paulo. Ao mesmo tempo, não vejo muito sentido em perder meu tempo com a cultura pop comercial quando posso prestar atenção em algo interessante, ou fazer música ou arte por minha conta. Sempre fui assim, há dúzias de programas famosos de TV daqui que eu nunca vi. Na minha adolescência, por que eu ficaria vendo “As Panteras” se podia ir ao meu quarto ouvir os Stooges? Eu me divorciei da música mainstream e do rádio comercial quando tinha 13 anos de idade. Foi quando comecei a comprar meus discos e me encher de rádios que tocava muito Eagles e pouco Black Sabbath.

7 - Reza a lenda que a primeira vez que você e o ex-governador da Califórnia Jerry Brown, pintado como um fascista por você em um dos clássicos do Dead Kennedys, “California Über Alles”, se encontraram foi durante a Rio-92, aqui no Brasil. Todo mundo teria ficado em pànico quando percebeu que vocês estavam no mesmo lugar, ma no fim vocês se cumprimentaram e foi tudo bem. Foi isso mesmo que aconteceu?

A gente não se cumprimentou, mas de fato a primeira vez que estivemos num mesmo ambiente foi num restaurante no Rio de Janeiro, mas cada um na sua mesa. Mas estive com Brown algumas vezes depois disso. Ele passou por fases bem diferentes. Virou um radical de esquerda na época da eleição de Bill Clinton, envolvido com questões ambientais, com as quais eu também estava envolvido, e nessa época nos encontramos algumas vezes. Uma pelo menos foi engraçada, houve um jantar na casa dele para o qual eu fui arrastado pelo Michael Moore, e uma das pessoas da equipe dele falou: “Eu toquei um disco seu para o Jerry hoje de manhã“, no que eu pensei: “Ai, que merda…” (risos)

8 - Ele não deve ter curtido ouvir “California Über Alles“…

Mas lembre-se que todas aquelas teorias dessa música, do Brown ser um novo fascista, caíram por terra quando Ronald Reagan foi eleito. Foi quando percebi que Reagan e sua turma eram uma ameaça muito maior que Brown. Acredite ou não, Brown vai concorrer para governador da Califórnia novamente.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite Fora do Eixo na Rua da Cultura

A banda Argentina Falsos Conejos se apresentará na próxima edição do projeto Rua da Cultura, que acontece toda segunda-feira à noite no espaço entre os Mercados Antonio Franco e Thales Ferraz, no centro de Aracaju. Na ocasião se apresentarão também os Mamutes, combo hard-rock setentista local, e A Banda de Joseph Tourton, de Recife.

É gratis. Compareça.



* * *

O Compacto.Rec tem orgulho de apresentar seu primeiro lançamento internacional do projeto - o CD “YYY” do trio Falsos Conejos (Argentina), primeiro LP do grupo, também o primeiro nesse formato lançado pelo Compacto. O trio entrará em turnê pelo Brasil em outubro, passando por regiões como Sul e Nordeste.

O grupo instrumental experimental nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 2006. Pós-rock, math rock e outros termos semelhantes (que os seus integrantes não estavam conscientes no momento de delinear as suas músicas) são muitas vezes utilizados para descrever o som do grupo. É um som forte e intenso, aproximado do rock e o ritmo às vezes se parece com Jazz, Dub e própria música regional de Buenos Aires.


COMPACTO.REC

Esse ano o Compacto.Rec trouxe diversos lançamentos que derão enfâse ao projeto, como a paranaense Nevilton, a mineira Uganga, deu destaque a Coletânea Grito Rock América do Sul 2010, lançou o primeiro material solo do Jair Naves, ex-Ludovic e recentemente foi contemplada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet. Já em Outubro do 2010 o projeto realiza sua primeira edição internacional, Falsos Conejos da Argentina, o lançamento acontece simultâneamente com a turnê da banda na América Lativa.

Com a liberação dos fonogramas para downloads, o projeto alinha uma iniciativa de trocas para remunerar o autor do trabalho em um sistema de economia solidária, pautado na oferta de serviços e produtos integrados ao Circuito Fora do Eixo.


O DISCO


YYY pode ser interpretado como uma letra do alfabeto repetido três vezes, ou simplesmente como três grupos de três linhas que se encontram em três pontos. Assim, o Falsos Conejos o escolheu para batizar seu novo álbum, que foi concebido a partir do conceito de "três vezes três" (três grupos de três faixas, o número de três discos do trio, gravado durante o terceiro ano de vida a banda, um processo que demorou três dias para gravar e que foi assistido por apenas três músicos). O CD traz um som orgânico, onde a reverberação natural de diferentes ambientes é muito presente, em oposição à neutralidade que é pedida no estúdio de gravação. Concebido como um álbum inteiro para ouvir direto, as nove faixas são ligadas por pontes de músicas ou sons que moravam na casa no momento: passos, portas que abrem e fecham, carros e caminhões que passavam pela via, grilos, pássaros e morcegos no jardim. Como uma montanha-russa, YYY, é fiel ao conceito de dinâmica de condução do grupo, onde o silêncio é usado como um recurso para enriquecer a música.


Fonte: Portal Fora do Eixo

SERVIÇO:

Dia: 08/11/2010

Local: Rua da Cultura - Centro - Aracaju

Noite Fora do Eixo

FALSOS CONEJOS (ARG)
A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
MAMUTES

0800

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

# 167 - 29/10/2010

Satanique Samba Trio – Cancro Molly
Killing Joke – Absolute Dissent
The Smashing Pumpkins – Astral Planes
The Fall – O.F.Y.C. Showcase

The Black Crowes – Tick ´n thin
Eagles of Death Metal – Stuck in the metal
Soundgarden – Spoonman
Kings of Leon – Sex on fire

Robertinho do Recife – Fantasia preto e prata
Stress – Sodoma e Gomorra
Salário Mínimo – Beijo fatal
Centúrias – Última noite
A Chave do Sol – Um minuto além
(Bloco co-produzido por Vladimir)

Vespas Mandarinas – Cobra de vidro
Vespas Mandarinas - Retroceder
(Drop Loaded)

Entrevista com Snapic

Bloco produzido pela Snapic:

Beastie Boys - Time for livin (instrumental)
Black Drawing Chalks - I´m a Beast I´m a gun
Vendo 147 - Hell
Pata de Elefante - Funkadelic