sexta-feira, 8 de março de 2013

# 263 - 02/03/2013

OS CAFONAS - Lenda viva do rock Desterrense, Os Cafonas surgiram em 1992 com Sad Calvin nos Vocais e Bateria, [neo]Sid na guitarra e Fabian Rock no baixo, substituído em 1995 por Léo[O Polvo]. A banda iniciou tocando uma mistura de blues, rockabilly e punk rock com letras falando de terror, bebedeira e mulheres. O som foi tomando forma até virar um psychobilly deformado, batizado como TRUNKABILLY. Da formação original só restou Sad Calvin, acompanhado por Léo[O Polvo] no baixo e Fidêncio Bronson na guitarra.

* Essa foi a primeira banda nacional do gênero que eu escutei, nunca encontrei nenhum álbum deles, só musicas no tramavirtual e no myspace, juntei as musicas e podem ser baixadas no link http://arquivorockabilly.blogspot.com.br/2012/12/os-cafonas-garimpo-nao-oficial.html

Fonte: http://tramavirtual.uol.com.br/oscafonas

OVOS PRESLEY - O Ovos Presley foi formado em Curitiba (PR) em 1993 e seu punkbilly é respeitado no cenário brasileiro, sendo que na capital paranaense a banda é como uma lenda que tem em sua história a responsabilidade de manter viva a maldição psychobilly em uma em época que as principais bandas da cidade haviam encerrado suas atividades. A banda foi o elo e o alimento de um novo cenário psycho em Curitiba, que acabou levando o nome da cidade para o exterior anos depois. As letras irônicas misturam temas tradicionais do psychobilly com cenas do cotidiano, festas e bebedeiras e um som porrada que leva ao pogo instantaneamente, os shows são animados e garantia de diversão. 

http://zombilly.blogspot.com.br/2008/01/quem-so-os-ovos-presley.html

Ovos Presley está na ativa desde 1993, sempre fazendo shows agitados por sua elétrica presença de palco (principalmente por parte do vocal Ademir, que costuma pirar legal nas apresentações da banda), ótimas letras regadas a histórias engraçadas contadas sobre elementos essenciais ao mundo rockeiro, como mulheres e carros, e outros mais psycho. O andamento acelerado das músicas faz o som da banda abrir roda de pogo até em cemitério. Basicamente o som é Psychobilly, mas cheio de influências punk 77, Rockabilly e cultura de garagem. O "Ovos"Já gravou quatro demos e fez participações em inúmeras coletâneas e festivais por todo o Brasil, estando sempre presentes também nos festivais locais, prontos pra qualquer bronca.


OS CATALÉPTICOS - Catalepsia= rigidez muscular decorrente de diversas formas possíveis de doença(tais como hipnose profunda ou demência precoce) indicando aparência similar àquela decorrente da morte. Consequëncia: Sepultamento prematuro. Normalmente os catalépticos acabam ainda com vida embaixo da terra.

Início: Julho de 1996.

Formação:

Vlad - Guitarra e voz: Longa experiência dentro da cena psycho curitibana, tocando desde 1990 em bandas como Os Escroques e os Cervejas. Pela primeira vez assume os vocais.
Gustavo - Slap Bass: Em 1987 ingressou em uma das maiores bandas psychobilly do Brasil, o Missionários, permanecendo em sua formação até 1994. A partir desta época trocou o baixo elétrico pelo acústico.
Coxinha - Bateria e backing vocals: O mais novo da banda. Conseguiu em tempo record participar de quase todas as bandas psychobilly de Curitiba (Los Bandidos, Ovos Presley e Cervejas). Tem formação exclusivamente voltada ao cenário psycho.

A banda é a primeira brasileira a adotar uma das vertentes mais agressivas do psycho denominada "Power Psychobilly", distanciando-se assim da rigidez do psycho levado exclusivamente na base do rockabilly. A diferênça básica percebe-se no fato de tocar no limite da rapidez utilizando-se de elementos simples como a formação em power trio, o uso de bateria simplificada (caixa, bumbo e pratos) e do contabaixo acústico. Disso resulta uma postura extremamente violenta, assumida pela banda em suas mísicas e shows, constrastando com a presença de efeitos únicos dados pela simplicidade instrumental.

No cenário mundial, seu estilo encontra-se próximo ao de grupos como Nekromantix (Dinamarca), Mad Sin (Alemanha), Klingonz (UK), Mad Mongols(Japão), Mental Hospital(Finlândia), Banane Metalic (França), etc...

História:

Em 1996 velhos amigos decidiram tocar juntos. Gustavo vinha do Missionários, e Vlad dos Cervejas. Uniram-se e após alguns ensaios, então com o primeiro baterista Márcio Tadeu, viram que a coisa poderia dar certo. Levaram a sério e no início de 1997 houve a única substituição da formação da banda saindo MT e entrando Coxinha na bateria. Nesta mesma época após alguns contatos com representantes de gravadoras na Inglaterra (Nervous Records e Fury Records), asseguraram sua participaçào noo maior festival psychobilly do planeta. o Big Humble, em sua 10a(décima) edição.
De contrato assinado, em outúbro de 97, enviaram para a Inglaterra o material pedido pelos organizadores do evento, que precisavam de uma música para integrar a coletânea "Rumble Party vol.6 ". Entraram em estúdio e gravaram 3 músicas: Atomic Zombie, Gambling with a Demon e Death Train, que foram mandadas. Para a surpresa da banda Dell Richardson, dono da gravadora Fury Records, decidiu ficar com as três músicas, preparando o lançamento de duas delas na coletânea já citada, que foi lançada em fevereiro de 1998, sendo que a outra música em breve seria lançada em outra nova compilação, denominada "Fury Psychobilly. Para situar a importância dessa gravadora no cenário mundial, basta dizer que é a responsável pelo lançamento de bandas como Klingons e Demented are Go.
Durante a preparação para a viagem, enfrentaram uma maratona de shows, tocando em um pequeno espaço de tempo em todos os locais de Curitiba aberto para bandas alternativas. Neste mesmo período fundaram a Psychobilly Corporation, organização responsável pela editoração do zine "O Monstro", e um programa semanal na Rádio Educativa chamado Transsylvannian Express, além de produção de shows e eventos direcionados exclusivamente ao psychobilly, procurando assim divulgar o psycho tanto no Brasil, de bandas e fanzines estrangeiros, como levar para o exterior toda a produção de bandas brasileiras.
Em 16 de novembro de 1997, Os Catalépticos participaram do 10o (décimo) Big Rumble, festival anual que reune em três dias, próximo a Londres(Inglaterra), 23 bandas psycho de todos os lugares do mundo. Nesta edição participaram do festival, dentre outras bandas, os consagrados Meteors, Guana Batz, Frenzy, Long Tall Texans, Restless, Los Gatos Locos, Tedio Boys, entre outras de paises como finlândia, Alemanha, França, Portugal, Estados Unidos, e pela primeira vez do Brasil.
A experiência de tocar fora do Brasil, serviu muito para o amadurecimento forçado da banda, que em pouco tempo de formação teve a responsabilidade de montar repertório, e deixa-lo pronto para levar para o núcleo da cena psychobilly mundial o resultado de seu trabalho. A receptividade não poderia ser melhor.


Conquistando a América

Status de banda do primeiro escalão do psychobilly mundial e tratamento vip foram as maiores conquistas da quarta experiência internacional d'Os Catalépticos. Em junho, o trio curitibano desembarcou nos Estados Unidos para iniciar por Los Angeles, no festival Wreckers Ball, a conquista de um novo território. Abonico R. Smith foi ao QG da banda, que promete alçar vôos ainda maiores no exterior. Será que estamos diante de um novo Sepultura?

Os Catalépticos saíram de Curitiba para se transformar em referência máxima entre os fãs do psychobilly em todo o mundo

Top priority. Foi com este status, de prioridade máxima, que Vlad (guitarra/voz), Gus Tomb (baixo acústico) e Coxinha (bateria) desembarcaram no final de maio nos Estados Unidos. Depois de três anos consecutivos tocando na Europa durante o verão do Hemisfério Norte, Os Catalépticos desta vez não cruzaram o oceano. O destino era agora Los Angeles, festival Wreckers Ball 2002, o pontapé inicial para a deflagração do psychobilly como gênero em ascensão no país. A banda curitibana, pela primeira vez, experimentava o gostinho de ser atração principal, ao lado de outros grandes nomes do gênero, como Demented Are Go, Klingonz e Nekromantix. Depois do festival, a banda ainda engatou outros cinco shows na região. 
Em pleno fervor inicial da Copa do Mundo, a última coisa que passava na cabeça do trio era o desempenho dos comandados de Felipão na Coréia. O foco estava no Galaxie Theater, onde 800 pessoas (além de americanos, holandeses, dinamarqueses, britânicos e até mesmo alguns poucos brasileiros) pagaram 45 dólares por noite. "Tinha pogo do começo ao fim. Nos sentimos em casa. Era como estar tocando no 92", conta Gus. "Casa cheia, camarim (dividido com outro grupo, o Mad Sin), respeito, visto de trabalho pago pela produção. Sabemos que ainda tem muita chão pela frente, mas lá nos sentimos no topo de tudo", complementa. 
"Também vimos nossos discos para vender em todas as lojas, inclusive algumas grandes. E três pessoas nos mostraram tattoos com o logo da banda", emenda Vlad. Um dos motivos da grande identificação do público americano com Os Catalépticos está na grande concentração de latinos e descendentes nos arredores de Los Angeles. "Era a chicanada em peso", explica o guitarrista, ressaltando que a latinidade não é muito comum entre as origens dos principais formações do psycho. 

Sem bandeira: Tal qual o Sepultura fez no terreno do metal, Os Catalépticos estão fazendo entre os neobillies: conquistando novos territórios e horizontes sem precisar usar elementos "tipicamente brasileiros" como o samba e a bossa (as aspas são apenas para ressaltar a visão curta que o exterior tem da música deste país). "A gente nunca se colocou como uma banda do Brasil, com bandeira. O rock'n'roll não tem fronteira. Somos aceitos não porque somos 'brasileiros', mas porque temos boas composições, ensaiamos três vezes por semana e temos muita dedicação", justifica Gus. 
"Nossa garra é brasileira", emenda Vlad. "Nossa vida é muito difícil no dia a dia, temos muito mais gana. Aliás tem um monte de banda européia que nunca faria o que nós já fizemos". Gravar de graça, abrir mão dos direitos nos três primeiros lançamentos para que a música pudesse chegar o mais longe possível e tocar na Europa pagando do próprio bolso foram algumas das decisões tomadas pelos Catalépticos para que a ascensão pudesse vir a se concretizar um dia. O que não tardou, por sinal. 
"A gente investiu e teve este retorno de público e gravadoras em vários países", conta Gus. Vale lembrar ainda que hoje o trio pode se dar ao luxo de não precisar mais bancar suas próprias gravações. Selos da Inglaterra, Alemanha e Japão pagam para Vlad, Gus e Coxinha gravarem os álbuns, singles e faixas de coletâneas. 
E estúdio é o que não vai faltar até o fim do ano. Até setembro, na agenda da banda estão gravações de dois compactos, voltados para japoneses e americanos. Antes do final do ano os três voltam ao estúdio para conceber o terceiro álbum da carreira, ainda sem previsão de data de lançamento tanto no exterior quanto no país. 
"A cena mundial do psychobilly está favorável para a gente", conta Vlad. "Na Europa, antes torciam o nariz para a gente porque gostavam mais de bandas de psycho clássico. Mas o povo agora está largando esta neura de rótulos. Principalmente porque o Big Rumble [maior festival do mundo do gênero até então, que era realizado anualmente na Inglaterra] acabou por escassez de público". E o trunfo d'Os Catalépticos é justamente a pegada punk que garante shows enlouquecedores do grupo na capital paranaense. "Esta é justamente a aposta da Hellcat [selo do guitarrista do Rancid, Lars Frederiksen, e distribuído pela Epitaph] nos Estados Unidos", adiciona. 
Resta ficar aqui torcendo para que o grupo prossiga em sua espiral ascendente e - quem sabe - seja um novo Sepultura lá fora, para "voltar" ao país com número de fãs e admiradores elevados à enésima potência.


* Encontrei esse artigo acima publicado em uma data posterior ao fim da banda (29 de Abril de 2008, um dia depois do meu aniversário)

FIM DOS CATALEPTICOS

Último show no Psycho Carnival

          Saber a hora de parar talvez seja a decisão mais difícil e importante a ser tomada por uma banda. E nós, Os Catalépticos, achamos que a hora é essa. Depois de quase dez anos na estrada percebemos que é hora de parar. E para fechar o ciclo da existência da banda, nada mais oportuno do que realizar um grande show em um bom lugar, com muita cerveja boa, para a maior parte possível do público que tanto nos deu suporte durante estes anos. Por isso, neste próximo Psycho Carnival (2006) além de todas as atrações será realizado o último show d’ Os Catalépticos. Será o momento de agradecer a todos, porque sabemos que a banda não viveria por tanto tempo sem esse suporte. Hoje, encerrando nossas atividades, podemos ver com clareza todo o apoio que tivemos e amizades reais que fizemos por todo o mundo.

          Estamos parando sabendo que a nossa parte foi feita. E que nosso som ainda vai tocar muito por aí. Trabalhamos demais nesses anos todos e hoje nos orgulha ver que deixamos um bom material para quem, no futuro, ainda venha a se interessar pelo psychobilly honesto, pesado e sincero que sempre procuramos fazer.

          Se existe uma razão real para esta decisão ela está no respeito. Nosso último ano foi bastante desgastante. Já cansados deixamos de lado o que é mais importante para uma banda autoral, que é compor. Passamos por um momento em que não houve nenhuma condição de trabalhar em material novo e não nos parece honesto manter uma banda repetindo repertório antigo somente para nossa satisfação.

          Neste show estaremos nos despedindo e ao mesmo tempo agradecendo. E ainda é oportuno esclarecer que esta é uma banda que acaba tranqüilamente, pois sabemos que fizemos o melhor ao nosso alcance e conquistamos tudo que sonhamos sempre com muito respeito e honestidade com todos aqueles que trabalharam com a gente e com todos que gostam de nosso som.

          Valeu, pessoal. 

OS CATALÉPTICOS

SICK SICK SINNERS - O Sick Sick Sinners foi criado no fim de 2005 em Curitiba, Brasil, com Vlad (Guitarra e Vocal), Cox (Baixo Acústico e Vocal), e Duma (Bateria). Vlad e Cox estavam terminando sua antiga banda, Os Catalépticos, um Psychobilly muito rápido e pesado, com fortes influências do Punk, Hardcore e Metal. Eles queriam de alguma forma continuar tocando o mesmo estilo, porém explorando um pouco mais o som, mesclando ritmos. Gravaram a primeira demo, chamada "We are the Sick Sick Sinners", e lançaram logo antes do primeiro show da banda no Psycho Carnival de 2006 em Curitiba. 

Depois de quase um ano com Duma, houve uma mudança no line-up. Magrão (Bateria e Backing Vocals) entra para a banda para ir aos EUA tocar em dois shows, onde também foram convidados a vender seu merchandise na loja americana www.atlantacrashandburn.com.

Na volta gravaram mais uma demo e saíram em uma pequena turnê no Uruguai e Argentina, e tocaram em um dos mais importantes festivais da cena Rock 'n' Roll da América Latina, o BA Stomp, em Buenos Aires. Com a ajuda do myspace e da Internet, divulgaram a banda pelo mundo inteiro, sendo convidados a gravar um álbum pelo selo Alemão Crazy Love Records. O CD foi lançado em maio na Alemanha, com distribuição mundial, e em outubro de 2007 no Brasil pela Monstro Discos.

O álbum "Road of Sin" em um ano vendeu mais de 1.000 cópias no exterior. Ainda em 2007 gravaram o vídeo clipe "Beer and Flesh Meat", que está incluso na versão brasileira do primeiro CD. O vídeo alcançou mais de 10.000 exibições em 4 meses.

Em junho de 2008 a banda fez uma turnê pelos EUA e México e teve uma ótima resposta do público. No começo de 2009 voltam aos palcos internacionais e chegam a bater recorde de shows fora do país, tocando no Chile em Março, fazendo uma turnê de 20 datas pela Europa em Abril e em Maio, logo em seguida, um tour como headliner na Califórnia.

Na volta da turnê dos Estados Unidos da América, Magrão deixa a banda sendo substituído por Emiliano Ramirez na bateria, para já tocar em Minas Gerais e no 14º Psychobilly Fest em Curitiba, e mais uma pequena turnê de 4 shows pelo Nordeste, algo que era ainda inédito para os músicos que há tantos anos já percorrem o mundo tocando seu Psychobilly Maldito!


OS BARATAS TONTAS - Os Baratas Tontas surgiram em meados de 92, em Belo Horizonte, com a proposta de tocar Psychobilly, uma mistura de Rockabilly dos anos 50, Surf Music, Punk Rock, Hardcore, Filmes B, Terror, Quadrinhos, entre outras coisas.

          Luiz Fireball, que já andava há algum tempo com a idéia da banda na cabeça, um dia se encontrou com Igor Rockford em um show do De Falla em BH e lhe fez a proposta indecente de montar os Baratas. Logo os dois marcaram um ensaio na casa de Igor com um amplificador Mikassim velho de guerra, e com baixo e guitarra ligados no mesmo e a presença de um amigo de Igor, Vander Big Tongue, tocando uma bateria "imaginária" em cima de livros, nascia a banda Os Baratas Tontas.

          O nome, que antes seria apenas Os Baratas, foi mudado com a sugestão do amigo Julinho da Avalon Discos, mostrando assim, além do lado trash, também a irreverência da banda. Ensaios feitos, músicas prontas, a primeira formação era a seguinte: Luiz Fireball (Baixo e vocal), Igor Rockford (Guitarra e corinho) e Vander Big tongue (Bateria). Logo deram seu primeiro show, em uma festa denominada "Rock Poeira", sendo que logo depois disso Vander deixaria a banda para se dedicar ao Square Balls, em que tocava paralelamente. 

          Para o lugar de Big Tongue foi recrutado Fred Blaster, e com Fred a banda deu vários shows e teve as primeiras reportagens publicadas. Os Baratas foram pioneiros no estilo Psychobilly em Minas Gerais, e começaram a chamar a atenção da mídia.

          Fred também ficou pouco tempo na banda, e Vander foi chamado a voltar, o que aceitou prontamente. Com a volta de Big tongue, em 93 os Baratas gravaram sua primeira demo-tape, "Nervos à Flor da Pele !" (com produção de Magoo), um video-clipe, "A Terrível Vingança" (de sávio Leite), tocaram no Bhrif, várias vezes no Squat (com recorde de público), na Broaday, no Superdemo de BH e no BIG de Curitiba, entre outros shows.

          Big Tongue depois deixaria os Baratas, e o convite que Luiz e Igor fizeram desta vez foi para Betão, ex-baterista dos Insolentes. Com a entrada de Betão, que viraria depois Beto Beer, a banda adicionou mais peso e velocidade às músicas, e o estilo que antes bebia mais na fonte do rockabilly, agora voltava-se para o Hardcore e o Punk Rock.

          Em 95, depois de quase dois anos sem registro e já com a consagração da imprensa especializada como uma das melhores bandas de Psychobilly do país, lançam sua segunda demo-tape, "Engula sua Motosserra!" (também com a produção de Magoo). Com essa demo os Baratas tocaram em Salvador com os baianos The Dead Billies, deram vários shows em BH e conseguiram um contrato de gravação de um CD com a gravadora Cogumelo Records.

          Em 96 gravaram seu primeiro (e único) CD, que levava o mesmo nome de sua primeira demo-tape, "Nervos à Flor da Pele !" (também produzido por Maggo). Deste CD saiu o video-clipe "Três Baratas e um destino" (dirigido por Rodrigo Minelli), convites para tocar em diversos lugares, entre eles Goiânia, Curitiba (pela segunda vez), e para participar da coletânea "Urbanoise", da gravadora Rotten records, ao lado de Kães Vadius, Garotos Podres, Billy Brothers, entre outros. Os Baratas foram até São Paulo para o show de lançamento da coletânea, para tocar com Kães Vadius e Billy Brothers.

          Em 97 a banda foi convidada para participar do festival Abril Pro Rock, em Recife, um dos mais importantes festivais de música alternativa do país. Ainda em 97 deram diversos shows, sendo que o último foi no bar A Obra, e logo depois, por divergências internas, a banda acabou.

          Em 98 nada aconteceu, os caras pouco se falaram, mas em 99 a banda foi convidada para participar do show "A volta dos Mortos Vivos", no Butecário, apenas com bandas que já tinham acabado, do festival "Psycho Attack Over BH", na Obra, com bandas psycho de várias partes do país, e para abrir o show da banda americana "Man or Astro Man?", no Lapa Multshow. A partir daí, os integrantes da banda tiveram a idéia de fazer um show por ano, e foi o que aconteceu a partir do ano seguinte. Em junho de 2000 deram um show no Matriz, em novembro de 2001 um show na Obra e novamente em novembro, mas de 2002, outro show na Obra. A partir de 2002 e até 2007 fizeram uma pausa de 5 anos (!), para então tocar no Psycho Carnival 2007, em Curitiba, mas desta vez com Fred Blaster, baterista da segunda formação.

          E assim Os Baratas Tontas vão seguindo, com shows que podem acontecer a cada 1, 2, 3, 4, ou 5 anos, vai saber, mas com os mesmos ideais de quando formaram a banda: Música, topetes, tatuagens, cadillacs, cerveja gelada e mulher pelada...

http://www.bytech.com.br/baratas/historia.htm#top

* Comentários por Wagner "Billy"

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Drakula - O inferno com I maiúsculo
Camarones Orquestra guitarrística - A trama
Pata de elefante - Cidade invisível
Vendo 147 - Mar revolto

Darkthrone - Leave no cross unturned

Japandroids - Evil´s sway
My Bloody Valentine - Cupid come

Os Catalépticos - Like a gasoline tank
Sick Sick Sinners - Pot Belly Bill
Ovos Presley - Garota anfetaminada
Os Cafonas - Psycho funeral (alegria de coveiro)
Os Baratas tontas - três baratas e um destino
- por Wagner "Billy"

Austrian Death Machine - I Am a cybernetic organism living tissue over
Fear Factory - Replica
Asesino - Y Tu Mamá también
John 5 - Blues Balls
Rage Against the Machine - Killing in the name

PIL - I must be dreaming
Iggy Pop - Spanish Coast
Mike Patton - Deep down
The Modern Lovers - Hospital

Magic Slim - Goin´ to Mississipi

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terça-feira, 5 de março de 2013

Napalm, O Som da Cidade Industrial

"As pessoas iam ao Napalm para conhecer coisas novas, não simplesmente para referendar o que já conheciam. Essa era a grande diferença. A pessoa que ia ao Napalm ia aberta para uma experiência numa noite. A noite era uma aventura." Ricardo Lobo em Napalm, O Som da Cidade Industrial.

O rock brasileiro dos anos 80 nasceu no Napalm. O rock que importa - o rock com DNA punk, fosse o som qual fosse. O Napalm tinha vídeos, discotecagem, cerveja e principalmente shows, mas era antes de tudo um posto avançado - um pé na porta do futuro.

O Napalm era ideológico e idealista. Foi inspirado nos inferninhos onde nasceu a melhor música nova-iorquina da época, o CBGB e o Max´s Kansas City, que seu criador Ricardo Lobo frequentava. E o rock que cristalizou no Napalm era outra coisa também. Não tinha nada que ver com a Blitz, que tinha acabado de estourar. Nem com vários outros grupos engraçadinhos que começavam a pintar no Chacrinha. O Napalm era eclético em seus gostos (tocava Clash e Blondie e Grandmaster Flash), mas ortodoxo em sua postura radicalmente underground.

Era embaixo do Minhocão, tão longe conceitualmente dos Jardins quanto fisicamente da periferia. Convidativo para punks, e a grande São Paulo era o único lugar onde existiam punks de verdade. E também para universitários entediados e excitados - a maioria da USP e da ECA. Boa parte eram trotskistas, garotos que rejeitavam igualmente a chatice da ditadura militar vigente, e a oposição oficial, stalinista. Meus amigos. Mas isso veio depois.

O Napalm era aglutinador. Foi criado para juntar pavio com dinamite. Nenhum dos lugares que o sucederam teve o mesmo espírito. E é claro que nada parecido com o Napalm seria possível hoje. Não só porque a informação corre muito mais solta no século 21. É que o espírito do Napalm amalgamava nova política, nova música, novo comportamento. Era espírito de aventura. De escárnio à caretice, da percepção de inimigos claros, e de possibilidades muito além do Brasil e do mundo.

Era punk. De espírito, não de jaqueta preta, moicano e alfinete. Espírito que vive pra muita gente, e pelo jeito também para Ricardo Lobo e para Ricardo Alexandre, que dirige seu primeiro documentário. Gostaria de rever o primeiro Ricardo, cara muito inteligente, bem-informado e intencionado, que não vejo há muitos anos. Seguiu carreira como homem de vídeo, sua vocação desde os tempos do Napalm, trabalhando pra ONU e se metendo em boas.

Sou amigo há duas décadas do segundo Ricardo, cujo currículo como jornalista e escritor dispensa meu confete. Basta dizer que o documentário entrevista todos os principais personagens da história, e revela preciosas imagens em vídeo do Napalm. O doc não explica a época, nem se propõe a isso. Mas é informativo, engraçado e... terno.

É muita forçação chamar qualquer um dos dois de punk. Mas Ricardo Alexandre sempre entendeu que jornalismo e paixão são indissociáveis, e criou e cria seu caminho. O Napalm não era um plano de negócios para Ricardo Lobo, era um projeto de vida. Seu sonho não era ficar rico - embaixo do Minhocão? Programando uma banda desconhecida por noite? Com um staff de punks? Claro que não queria ter fechado em seis meses. Mas seu objetivo era bem maior que grana.

Ser punk é querer ser livre, querer ser diferente, querer importar - contra todos os obstáculos e probabilidades. Ricardo Lobo resume na entrevista para o documentário: "O Napalm era uma casa onde as pessoas eram livres. Era uma Zona Franca. E você precisa de coragem para ir a uma Zona Franca. Porque não é um lugar em que as regras estão estabelecidas."

É preciso mais coragem ainda para fazer você mesmo uma Zona Franca. Ou mesmo para revisitá-la... assista e inspire fundo. É o cheiro da cidade grande, safra 1983. É perfume da aventura.

NOTA DO EDITOR (Adelvan): Meu primeiro fanzine, xerocado e publicado em Itabaiana, interior de Sergipe, no final da década de 80, se chamava Napalm em homenagem à casa noturna, que eu conhecia de ler sobre na saudosa e extinta revista Bizz. Copiei inclusive a marca, com o A circulado de anarquia, que eu conhecia de uma foto de um show da Legião Urbana, publicada na mesma revista.

por André Forastieri

do Blog


SERVIÇO:

Napalm: O som da cidade industrial
Direção: Ricardo Alexandre
Produção: David Barkan e Ricardo Alexandre
Direção de fotografia: David Barkan
Montagem: Fabiana Freitas
Estreia: segunda-feira 04 de março, às 19h30, no Canal BIS
Reprises:
quarta, 06/03 às 16h30
quinta 07/03 às 09h00
sexta 09/03 às 19h30
sábado 10/03 às 03h30
domingo 11/03 às 15h30.

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domingo, 3 de março de 2013

COMMANDO

Apesar do idolatrado som pesado de sua guitarra, Johnny Ramone, líder da banda punk Ramones, mais do que a música, gostava de beisebol. O rock ocupa o segundo lugar na lista de preferências do instrumentista. O roqueiro também se afirmava um patriota conservador, com orientação política assumidamente à direita.

Esses e outros detalhes sobre o influente guitarrista norte-americano estão em "Commando – A autobiografia de Johnny Ramone", que acaba de chegar às livrarias brasileiras (editora Leya), quase uma década após a morte do músico, em 2004. Com 176 páginas, recorte de almanaque e acabamento de luxo, é uma obra para fãs.

O livro foi produzido a partir de entrevistas concedidas durante o período em que o músico descobriu que tinha um câncer na próstata, que o levou à morte poucos anos depois. A edição é de John Cafiero, empresário da banda Black Flag, auxiliado pelo vocalista do grupo, Henri Rollins, com colaboração do escritor Steve Miller.

Em "Commando", bem ao seu estilo – direto e rude – John Cummings, o Johnny Ramone, passa em revista sua vida, e disseca sem piedade a própria história e a da banda que ajudou a moldar e que transformou os rumos da música.

O primeiro disco, gravado em apenas dois dias no ano de 1976 e que levou o nome do grupo ("Ramones"), já mostrava que os baderneiros de Forest Hills não estavam para brincadeira. "É o manifesto definitivo do punk", escreveu o crítico musical Theunis Bates em "100 Discos Para Ouvir Antes de Morrer" (editora Sextante). Com um orçamento pífio de US$ 6.000, "Ramones" despiu o rock, então cheio de penduricalhos, até sobrarem apenas seus elementos básicos, acrescentou o jornalista. "Não há solos de guitarra e enormes fantasias épicas".

Johnny Ramone concorda com a análise do crítico. "O que fizemos foi tirar tudo o que não gostávamos e usar o resto", afirmou em "Commando". O que sobrou foram os quatro acordes da guitarra de Johnny e a bateria do parceiro Tommy, junto das performances de Joey (vocal) e Dee Dee (baixo), que davam conta do recado.

Vale citar que Johnny Ramone, com sua guitarra Mosrite barata, comprada por 50 dólares, lançou um estilo novo de tocar, que ficou conhecido depois como "serra circular". O músico entrou para a lista da revista "Rolling Stone", dos 100 Maiores Guitarristas de Todos os Tempos, onde ocupa a 28° posição.

Diário punk

Escultura no túmulo de Johnny
Em seu "diário punk", o guitarrista esmiúça a história de uma das mais importantes bandas de rock do planeta, da origem entrelaçada à sua própria infância proletária em Nova York, época em que se revezava entre jogos de beisebol e as muitas brigas de rua, até os primeiros shows no CBGB, templo do punk rock.

Completam o livro anotações sobre as músicas preferidas,  fotos de arquivo pessoal, além de prefácio do companheiro de banda, Tommy, o epílogo escrito por Lisa Marie Presley, e um posfácio amoroso de Linda Ramone, última esposa de Johnny e ex-namorada do vocalista Joey – pivô de uma das crises do grupo.

De bônus, o leitor ainda leva algumas listinhas excêntricas que o músico adorava fazer acerca de suas preferências. Elvis Presley, Frank Sinatra, Disney e filmes de terror aparecem no topo de algumas delas.

Punk de Cadillac

Calça jeans surrada, jaqueta de couro, camisetas com a Minnie estampada e até as caretas com boca torta, rosnando para as fotos. Johnny admite que, tudo nos Ramones foi minimamente pensado por ele.  De forma um tanto tosca, é bom dizer. Mas ele tinha um projeto.

De certa forma, os detalhes desse plano comercial, de lucro, por trás dos Ramones desmistificam a ideologia que impregnou o imaginário e a cultura punk, que começava a ganhar contornos naquela época, sobretudo pelos subúrbios londrinos, e com inclinação, supostamente, anticapitalista e anárquica.

Distante a quilômetros dessas ideias, Johnny sabia bem o que queria. E quanto queria. Sua meta era ganhar um milhão de dólares para, enfim, se aposentar e se mandar de uma vez por todas para a Califórnia. Apesar da dureza dos primeiros anos de carreira, ele conseguiu mais do que queria e deu de ombros pra todo o resto.

Tommy e Linda no lançamento do livro
Em sua autobiografia, ele fala do dia em que passeava dirigindo um Cadillac, cinco anos após o final da banda, e foi surpreendido por um fã, indignado com aquela suposta ostentação. "Como é que pode um punk dirigir um carro luxuoso desse?", questionou o jovem. "Eu escrevi o livro sobre ser punk", respondeu rapidamente. "Eu decido o que é punk. Se estou dirigindo um Cadillac, isso é punk", disparou o guitarrista aposentado.

Apesar de ressaltar que, no começo, era tudo "pura diversão e rock and roll", Johnny afirma em sua autobiografia que "era o cara do dinheiro". Líder assumido, ele conta em detalhes como conduziu a banda até seu último e derradeiro show, em 6 de agosto de 1996, no Hollywood Palace. Um final planejado, embora nostálgico, após 2.263 apresentações, de acordo com as contas do organizado e metódico músico.

Foi ele também quem optou pela padronização dos nomes. Todos então adotaram o Ramone que, aliás, foi inspirado em um dos ídolos de Johnny, o beatle Paul McCartney. A ideia veio, segundo ele, quando descobriu que o cantor inglês se registrava em hotéis como Paul Ramon.

A difícil relação com celebridades, concorrência e fãs

A relação, nem sempre fácil, com outras celebridades, bandas concorrentes e com os fãs, é tema de trechos saborosos da autobiografia de Johnny Ramone. Não faltam socos, chutes, spray de pimenta e até golpes de guitarras na cabeça de um admirador. Segundo a versão de Johnny, sobrou até para Malcom Maclaren, empresário do Sex Pistols, que apanhou por conversar com a namorada do guitarrista punk. "Resolvi que não queria que ela falasse mais com ele", argumenta .

Desde o começo da carreira meteórica, não faltavam famosos nos shows. Músicos como Elton John e Bruce Springsteen foram conferir o som dos Ramones. Outro nome conhecido que costumava aparecer, segundo Johnny, era Andy Warhol. "Ele (Warhol) e todo aquele pessoal era para mim apenas um bando de doidões".

A banda Talking Heads não chegou a apanhar. Mas ficou bem perto disso, levando em consideração o relato sobre o período de sete semanas que passaram juntos durante uma turnê na Europa. "Eram gente de educação universitária e nós, garotos de rua". Para quem também detestava sair do país, a viagem piorou em alguns graus, segundo ele, pela combinação infernal: Talking Heads e Europa. "Queria me matar, foi uma desgraça", desabafa.

Houve exceções, claro. É o caso da amiga, Lisa Marie Presley, filha de Elvis Presley, outro ídolo de Johnny. Mas ele admite que nem tudo foi um mar de rosas com a moça. No casamento dela com o ator Nicholas Cage, ele foi convidado por ela a acompanhá-la até o altar, o que não ocorreu porque Cage o chamou para ser padrinho. "Fiquei bastante decepcionado, preferia fazer o papel do Elvis", arremata.

Quanto aos fãs, na maioria homens, diz que costumava atender bem, dava autógrafos. Mas tinham alguns que, segundo Johnny, topavam qualquer coisa para interagir com a banda. Foi o que aconteceu no dia em que um garoto mais abusado mandou uma cusparada na banda.

"Quem de vocês, seus viados, está cuspindo?", perguntou o músico. Um rapaz levantou o braço gritando: "Eu, Johnny, fui eu, me pegue!". O guitarrista não perdeu tempo. Tacou a guitarra na cabeça do cara. Para o músico, pouco importava se tinha sido ele de fato. "Era um voluntário, queria participar, e deve ter uma boa história pra contar sobre isso até hoje".

O músico punk destaca ainda a histeria dos fãs durante as turnês pela América do Sul. Mas, provavelmente por não considerar relevante, nenhum país é citado. Em seu lugar, o artista optou por usar "lá" e "naquele lugar". "Chegamos a tocar em estádios para 50 mil pessoas lá, em maio de 1994". O "lá" se refere à Argentina. No mesmo ano, e em outras várias ocasiões, o grupo esteve também no Brasil.

A cartilha punk de Johnny Ramone

Johnny era contra as drogas, nem álcool usava. Diferentemente dos outros integrantes da banda, que se acabavam na bebida e nas drogas. Porém, de acordo com as regras da cartilha punk de Johnny Ramone, antes dos shows, as "biritas" eram absolutamente proibidas.

Em seu relato, Johnny defende também, de maneira contundente, a pena de morte. "Sou totalmente a favor", afirmou. Para ele, deveria ser em transmitida pela TV, em estilo reality show, ao vivo, em pay-per-view, com o dinheiro revertido para a família da vítima.

A revolta do músico tem explicação. Ele foi vítima de uma agressão na rua, que resultou numa hemorragia cerebral. "O cara que me atacou foi acusado de agressão em primeiro grau e só pegou uns poucos meses de cadeia", conta.

Mas, por ironia, a via crucis de Johnny Ramone é que ganhou ares de reality show. Vitimado por um câncer fulminante, teve seus piores momentos transmitidos, à sua revelia, pela MTV.

por Carlos Minuano

UOL

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

# 262 - 23/02/2013

Ai, que preguiça ...

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Os Fritz da puta - Psycho surfer
The Flaming Lips - Sun blows up today
Johnny Marr - The right thing right
My Bloody Valentine - Only tomorrow

Bad Brains - Into the future
Ação Direta - O pacto
Demented Are go - Welcome back to insanity hall
Soundgarden - Rowing
Jack White - Blunderbuss
Nick Cave & The Bad Seeds - We No Who U R

Tchandala - One Billion lights
Midas Fate - Hold the fire

Ingrowing - Soul guide
Lycantrophy - Born with debts
Pigsty - Demon alcohol
Gride - Lobotomie virou
Lahar - Atomová HrozbA
- por Juliano Mattos

Don Straud - Sneaky Schultz an the demise of sharp
Riziero Ortolani - I Giorni Dell'ira

Pastel de Miolos - Depois do silêncio
RiiVa - Perhe-tregedia
Thrunda - Eu não entendo
Jato Invisível - Debaixo do tapete
Evandro Lisboa - Corações imperfeitos

Módulo 1000 - Espelho
Funziona Senza Vapore - Shakespeare
Pindorália - As longarinas
Dois em um - Eu sempre avisei

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

13

É um dia ensolarado de janeiro em Los Angeles, mas, como é de se esperar, o mundo do Black Sabbath parece bastante sombrio. O guitarrista Tony Iommi está na Inglaterra passando por tratamento contra um linfoma diagnosticado no ano passado. Ozzy Osbourne, zanzando pelo estúdio Shangri-La, em Malibu, com um chapéu preto e terno, tem seus próprios problemas médicos: o braço está apoiado na tipoia depois de uma cirurgia na mão e, quatro dias antes, ele se transformou por um breve momento em tocha humana: “A minha mulher [Sharon] deixou uma vela acesa no andar de baixo e a mesinha de centro pegou fogo”, balbucia, afastando o cabelo da testa e revelando uma marca vermelha de queimadura. “Ela jogou água na madeira e foi como se napalm tivesse explodido.” Encolhe os ombros. “Um dia normal no lar Osbourne."

Pelo menos uma coisa está saindo do jeito do Sabbath: a banda está quase terminando 13, o primeiro álbum de estúdio com Osbourne em 35 anos. Gravado no final do ano passado no famoso estúdio de Los Angeles com o produtor Rick Rubin, 13 conta com Osbourne, Iommi, o baixista Geezer Butler e o baterista convidado Brad Wilk (do Rage Against the Machine) ressuscitando o som lamacento e ultrapesado dos primeiros discos do Sabbath. Em outra menção a suas raízes, faixas matadoras como "End of the Beginning" e "Age of Reason" duram até oito minutos. "Não sei o que está acontecendo no mundo da música”, diz Osbourne. "Minha mulher me fala sobre bandas e não faço ideia do que está dizendo. Só fazemos o que sempre fizemos."

Osbourne saiu em algumas turnês com o Sabbath nos últimos 15 anos, mas o caminho para uma reunião no estúdio foi particularmente longo e árduo. Eles se encontraram com Rubin pela primeira vez há mais de 10 anos, só que, segundo o produtor, “não deu liga na época”. Iommi afirma que o lançamento do reality show The Osbournes na MTV logo em seguida complicou as coisas: "Aquilo afastou o Ozzy. Quando ele estava para fazer o programa, pensei ‘Hmmm, não sei no que vai dar'. Deu no que deu, e agora é tarde demais".

Mesmo quando o projeto foi retomado em 2011, quase saiu dos trilhos. O baterista original Bill Ward, que havia participado dos primeiros ensaios para um novo disco, anunciou em fevereiro do ano passado que não participaria devido ao que chama de “dificuldades contratuais” (ele não quis dar declarações para esta matéria). Iommi diz que as exigências de Ward vieram do nada. "Não sabia que Bill estava tendo esses problemas quando nos reunimos – ele não falou nada para nós”, afirma. “Foi bastante confuso. Queríamos que estivesse envolvido, mas ficou difícil demais.” Osbourne acrescenta: "Você não pode dizer 'Bom, não gosto disso’. Você se levanta e dá um jeito nas coisas. A vida de um astro de rock boêmio acabou há muito tempo".

O diagnóstico do câncer de Iommi foi outro empecilho. “Não conseguia acreditar naquilo”, conta Osbourne. "Depois daquele tempo todo, estamos no mesmo barco e bang." As sessões foram adiadas por pouco tempo quando o guitarrista iniciou a quimioterapia no ano passado. Então, quando finalmente chegou a hora de gravar o álbum, Rubin deu sua contribuição aos problemas. Com a banda reunida em sua casa, em Los Angeles, ele tocou o primeiro álbum deles, o brutalmente primitivo Black Sabbath, de 1970. "Queria fazer um disco que pudesse ser comparado àqueles quatro primeiros”, conta Rubin. "O primeiro não era um álbum de heavy metal puro. Dava para ouvir a influência do jazz, então a meta era essa, e capturar aquela interação ao vivo."

Para a banda, o desafio de Rubin de fazer jus ao som de antigamente foi desconcertante, no começo.
“Foi confuso", diz Butler. "Tivemos de desaprender tudo o que tínhamos aprendido.” O Sabbath recusou um dos pedidos de Rubin: que o constantemente volátil Ginger Baker ocupasse o posto de baterista. "Pensei: 'Mas que diabos?'", lembra Iommi. "Não conseguia imaginar aquilo." Rubin, então, sugeriu Wilk, que visitou a casa de Osbourne e tocou com ele, Iommi e Butler clássicos do Sabbath como "War Pigs". "Nunca ouvi instrumentos tão altos em toda a minha vida”, afirma o baterista do Rage, que acabou tocando em todo o álbum. "E já toquei em algumas bandas bem barulhentas."

Depois de ser chamado, Wilk foi sujeito ao equivalente do Sabbath ao trote. "Tony ficava constantemente implicando comigo”, conta. "Eu chegava e ele perguntava: ‘Você recebeu meu e-mail ontem à noite com aquela nova música?' Sou tremendamente ingênuo, então respondia 'Não, não recebi' e ele começava a tocar um riff que eu nunca tinha ouvido, daí comentava: 'Ahn, não – uau!' Ele ficava fazendo isso até eu perceber que era só uma brincadeira."

Quando as gravações começaram, Iommi só conseguiu trabalhar algumas semanas por vez antes de tirar uma semana de folga para tratamentos adicionais contra o câncer – um cronograma que irá adotar nos próximos dois anos. Até agora, a banda só anunciou uma turnê rápida no segundo trimestre no Japão, Austrália e na Nova Zelândia, com shows nos Estados Unidos acontecendo após o descanso de Iommi. "Eu me atreveria a dizer que as coisas estão bem boas no momento”, Iommi ri modestamente. "Ainda estou aqui, e está tudo ok. Tínhamos de fazer este álbum agora. Meu Deus, se acontecesse daqui a 10 anos, não sei se estaríamos vivos."

Embora Osbourne descreva o novo disco como "blues satânico", a doença de Iommi não é a única coisa que mudou no Sabbath. Ozzy admite que não é mais o “alcoólatra e drogado louco e furioso” que era durante a gravação de seu último álbum com o Sabbath, Never Say Die, de 1978 ("Deveria ter se chamado I Wish I Was Dead" [“Queria estar morto”], murmura), e até uma música nova do Sabbath como a provocantemente intitulada "God Is Dead" [Deus está morto] faz uma virada inesperada. "Ela começa com 'God is Dead'", conta Osbourne, antes de acrescentar um tanto melancolicamente “mas, no final, diz 'I don't believe that God is dead' [Não acredito que Deus está morto]."

por David Browne/ Tradução: Ligia Fonseca

Fonte: Rolling Stone

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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ói! TNT Rock & programa de rock

O mundinho “underground” sergipano nos trouxe duas surpresas nos últimos tempos: a primeira foi o surgimento da loja TNT Rock em Itabaiana, a primeira e, pelo menos que eu saiba, atualmente, única especializada em rock e “quitutes” alternativos do interior do estado – existe a Roots Rock & Cia. do camarada China, mas ela fica no Conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro, e Socorro não conta, é região metropolitana de Aracaju. A segunda foi o lançamento da “Ói”, primeira revista em quadrinhos produzida em Sergipe com uma proposta consistente e um planejamento de continuidade a médio e, quiçá, longo prazo. As duas apostas se cruzaram e se uniram no dia 02/02/2013, quando a Ói! foi lançada em Itabaiana. Lá mesmo, na TNT Rock.

A TNT, de cara, já impressiona pela fachada, bem cuidada e com um letreiro que chama a atenção. Por dentro, é um ambiente aconchegante, limpo e bem organizado, com um visual sóbrio e elegante, e as mercadorias são acondicionadas em prateleiras bem acabadas. Dá pra perceber que tudo ali foi feito no capricho, sem resquícios da improvisação que costuma reinar neste tipo de empreendimento. Mas o que salta aos olhos e faz coçar os bolsos, realmente, é o acervo posto à venda. Além de itens mais recomendados a colecionadores fanáticos dispostos a vender a alma para tê-los em seu acervo, como a caixa com a coleção completa do Pink Floyd em CD´s remasterizados acondicionados em digipack e a de LP´s dos Beatles em vinil, é possível encontrar CD´s e LP´s (isso mesmo, em vinil. E novos! Alguns ainda lacrados!) nacionais e importados a preços camaradas. Meu brother Andye Iore, por exemplo, comprou um CD duplo, edição comemorativa, do primeiro dos Dead Kennedys, “Fresh fruit for rotting vegettables”, no mesmo dia em que eu adquiri uma edição gringa de “kaleidoscope”, do Siouxsie and The Banshees, que, que eu saiba, nunca saiu no Brasil. Deixei por lá, porque dinheiro não é capim, outra edição especial comemorativa, do primeiro do Napalm Death, “Scum”, com um DVD de bônus. Isso pra não falar dos CD´s e DVD´s de bandas independentes do cenário local, livros, quadrinhos e memorabilia, e do quadro com o desenho original do mascote que o Marcatti fez para a loja – que não está a venda, evidentemente.

Um bom público compareceu ao lançamento da “Ói”, que foi um sucesso. Estive presente e adquiri lá o meu exemplar. Trata-se de uma edição caprichada, em formatinho, com capa colorida e miolo em papel couchê. No recheio, uma história longa e algumas curtas. Abre com “Roboy”, de Rodrigo Costa, uma divertida aventura ambientada em Aracaju que brinca com conceitos tradicionais dos animes e mangás japoneses adicionados a inusitadas pitadas de crítica social! Segue com “O cara do terno”, de Alan Clécio, e “The Noir Samurai Tango”, de Rodrigo Seixas, que estampa também a capa da revista. Nesta última, a narrativa é fluida e ágil, com uma boa noção de espaço e continuidade em cenas de luta muito bem desenhadas. Segundo o próprio autor, o argumento surgiu de uma “batida no liquidificador” de suas influencias – notadamente Frank Miller – com alguns elementos com os quais ele estava tendo contato na época, convalescendo de uma catapora: tango argentino, filmes “noir” e pornochanchada nacional. O resultado, portanto, não poderia deixar de ser, no mínimo,  original …

Depois de mais uma historinha curta, “cuidado com ele”, de Rodrigo Costa – nitidamente inspirada no horror clássico de títulos como “Calafrio” e “Mestres do Terror” – temos, para encerrar, “Destroços”, de Neco. É uma brincadeira com o mito do Super-Homem – não o de Nietsche, o de Jerry Siegel e Joe Schuster, (des)apropriado pela DC. Periga ser a que tem o melhor argumento e os melhores diálogos, de todo o material apresentado nesta promissora primeira edição.

Numa entrevista feita lá mesmo na TNT e que você confere abaixo, em vídeo, e em outra que foi ao ar sábado passado no programa de rock – cujo set list, excepcionalmente, não disponibilizarei, porque foi feito de forma improvisada, usando os arquivos do servidor da radio, já que eu, estupidamente, esqueci o pendrive com a programação inédita – eles nos contaram, passo a passo, os percalços pelos quais passaram para ver seu sonho tornado realidade. Começando pela boa recepção do número zero, que teve duas tiragens de 100 exemplares cada vendidas rapidamente, e passando pela peregrinação às gráficas da cidade, totalmente despreparadas e desinformadas do que seria o produto a ser contratado – numa delas foi-lhes perguntado, acreditem, o que era uma revista em quadrinhos! Em outra, foi-lhes proposto que o material fosse impresso em papel plastificado, o que resultaria num calhamaço que certamente teria que ser grampeado em regime de impacto industrial!

Se disseram também bastante satisfeitos com o resultado final, impresso na Gráfica e Editora J. Andrade (não é mechandising, é informação), e com a recepção do público. A revistinha está vendendo bem, apesar da distribuição naturalmente precária. Para tentar solucionar o problema, procuraram parcerias nas livrarias da cidade. Numa delas, local, foram solenemente ignorados. Noutra, filial de uma grande rede nacional, tiveram boa acolhida, ficando quase certa a distribuição da segunda edição – dependendo da tiragem, nacionalmente! A conferir …

A “Ói” pode ser encontrada, em Aracaju, na “Coxinharia”, que fica na Avenida Pedro Paes de Azevedo, 809. Já a TNT Rock fica na Rua Professor Hilário de Melo Rezende, nos fundos do Colégio Murilo Braga, em Itabaiana. Via internet, entre em contato através do site da editora dos caras, a Darcel comic - http://darcelcomics.blogspot.com.br/. O programa de rock, você sabe, vai ao ar todo sábado às 19H pela freqüência 104,9 FM em Aracaju e região. Pode ser ouvido ao vivo via internet em www.ideastek.net/aperipefm

por Adelvan










quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

# 261 - 02/02/2013

Foto por Marcelinho Hora
Sábado, dia 02 de fevereiro de 2013, a Plástico Lunar se apresentou no palco do Verão Sergipe, na Barra dos Coqueiros. Finalmente os vi em nova formação, pela primeira vez sem um guitarrista solo. Leo Airplane, o tecladista, agora assume a guitarra em algumas músicas. E manda muito bem! Mas a banda ainda precisa se encontrar neste novo formato. Ainda dá pra sentir uns vazios incômodos aqui e ali - pudera, a perda de um guitarrista do porte de Julio "Dodges", da Baggios, não é algo fácil de se equacionar de uma hora pra outra. Mas dada a competencia dos caras, na minha modesta opinião a melhor banda de rock do estado e uma das melhores do Brasil (e do mundo, porque não?), tudo vai se ajustar, com o tempo.

Quem se dispôs a cruzar a Ponte Construtor João Alvez ZÉ PEIXE - passou da hora de mudar o nome dessa porra, heim - e adentrar á "ilha paradisíaca" (nas palavras do Exmo. Sr. Governador Marcelo Déda) da Barra dos Coqueiros para se dirigir ao amontoado de casas evidentemente construídas sem o menor planejamento urbano da Atalaia Nova perdeu, no mínimo, uma cena antológica: já no final do show o baterista Marcos Odara, lend(j)a viva do rock sergipano e fã incondicional de Gilberto Gil, que tocaria logo depois, anuncia um cover de "punk da periferia" e dá uma "intimada": "Gil, se estiver por aí e quiser dar uma canja, sinta-se à vontade". E não é que o coroa apareceu mesmo? Lá pelo meio da musica ele surge do nada do fundo do palco e, dançando, vai até o microfone e dá um help no refrão, com direito a dedo em riste na hora do "aqui pra você" e as porras. Foi massa.

Preciso destacar, também, a incrível perfomance de Odara no show daquela noite. Que ele há tempos é um dos melhores e mais inventivos musicos do estado todos já sabem, mas parece que o filhadaputa (com o perdão da expressão) está ainda melhor! Alguns arranjos e viradas usadas como passagem de uma musica para a outra, no show, são coisas de mestre! Deixo aqui toda a minha reverência por este monstro das baquetas que é, além de tudo, uma grande figura humana! E também canta! E bem!

Difícil é voltar pra casa sem antes se perder entre ruas sem pavimentação e vielas caóticas. Essa tal de Atalaia Nova é um caos, cruz credo ...

por Adelvan

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Queens of the Stone Age - Regular John
Eagles of Death Metal - Only want you
Desert Sessions - The Gosso King of Crater Lake
Kyuss - Green Machine

Plástico Solar - Nada estranho

The Exploited - Army life
The Varukers - Soldier Boy
Napalm Death - Instinct of survival (demo)
Extreme Noise Terror - Deceived
Amebix - Arise

The Dreadnoughts - Polka never dies
The Mahones - Drunken Lazy Bastard
Barleyjuice - Skulduggery street
The Pogues - Sitting on the top of the world
- por Edson Luís de Souza

Blue Cheer - Summertime blues
Judas Priest - Exciter
Black Sabbath - Iron man
Dust - From a dry camel

Laibach - Life is life (peel session)
Melt Banana - Stimulus for revolting virus (peel session)
Echo & The Bunnymen - The Back of love (peel session)
New Order - Dreams Never end (peel session)
Joy Division - 24 Hours (peel session)

Concreteness - The Blood in the death time
Devotos do Ódio - Formando opiniões
Sex Noise - Adeus!
Snooze - My gramophone
Boi Mamão - I´m the snot in your nose
Os Catalépticos - Death Train
Os Cervejas - Anjo da morte

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Parabéns, Silvio Campos ...

No exato momento em que a Karne Krua começou a ligar os equipamentos para começar seu show, com cerca de uma hora e meia de atraso, já na madrugada da primeira noite da 19ª edição do Palco do Rock, em Salvador, começou a chover. Temi pelo pior: que nossos heróis do underground sergipano tocassem para ninguém, já que tinha havido uma verdadeira debandada de camisas pretas depois da apresentação mais esperada da noite, do Headhunter DC. Ledo engano! Podem dizer o que quiser do publico “roqueiro” baiano, mas de timidez, apatia e falta de ânimo, eles não sofrem não. Foi só soarem os primeiros acordes que uma revoada de seres vestidos de preto, a maioria ainda naquela flor da idade em que a empolgação é a tônica, embalada pelo frescor dos hormônios em ebulição, surgiu meio que do nada – dos arredores, do camping, das dunas, de todos os lados, enfim – e se posicionou em frente ao palco para mais alguns bons minutos de rock tocado no talo! Não foi nenhuma multidão, evidentemente, pelo avançado da hora e pela revoada pós-culto da morte supracitada. Mas os relativamente poucos que estavam lá, resistentes, parecem ter curtido o que viram e ouviram. E muito.

Curtiram muito porque foi um show muito bom, sem firulas nem frescuras, com um ritmo perfeito, som no talo, excelentes composições novas seguidas de verdadeiros clássicos praticamente emendadas uma à outra. Muito provavelmente por respeito à banda que ainda iria se apresentar, num horário pra lá de ingrato – consideração que alguns que tocaram antes não tiveram o bom senso de demonstrar – Silvio falou pouco, o que, se por um lado privou a garotada soteropolitana de alguns esclarecimentos sobre o que estava por trás do rolo compressor que comprimia seus ouvidos, por outro deixou a apresentação mais enxuta, o que, em se tratando de Hard Core, é perfeito. Curto e grosso, pero sin perder La ternura jamás - o velho “sub” fez questão de agradecer, enfaticamente, os que permaneceram até ali e iriam ficar até o final. Fecharam a parte que lhes cabia com chave de ouro: “inanição”. Perfeito!

Praticamente ninguém sabia, e ele não disse nada, mas passadas as 12 badaladas “notúrnicas”, como diria Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro, Silvio Campos, para mim o eterno Sylvio “suburbano”, pioneiro do rock independente subterrâneo nas terras do cacique Serigy, estava completando, oficialmente, 49 aninhos de vida. Muito bem vividos. E comemorou da melhor maneira possível: cometendo mais um show de Hard Core matador, do alto de sua mais do que comprovada competência e entrega à frente de uma banda precisa e devastadora, referencia do estilo no Brasil e, porque não dizer, no mundo! Eu também não sabia. Chegando agora em casa, ao ser avisado pelo Facebook, o maior dedo-duro da face da terra, espantei o cansaço da viagem e resolvi fazer hoje mesmo este texto, para que o mesmo servisse como um pequeno porém sincero presente de aniversário para este grande amigo, grande figura, grande ser humano. Parabéns pra você, Silvio Campos. Muitas felicidades, muitos anos de vida.

A primeira noite da edição de 2013 do Palco do Rock, que acontece todo ano no Coqueiral de Piatã, na Orla de Salvador, em pleno Carnaval, se encerrou com o thrash metal “modernoso” com forte presença feminina da banda Autopse, de Maceió. Apesar da perceptível influencia do malfadado “nu metal”, esta excrescência estilística nascida no final da década de 1990, quando o rock dava seus últimos suspiros de criatividade, eles têm algumas boas composições, e melhor: cantadas em bom português. A vocalista, Daniela Serafim, tem um vocal gutural poderoso, mas ainda parece um tanto quanto insegura quanto à sua posição de “Frontwoman”. Já a banda é precisa e muito competente e tocou com os instrumentos bem equalizados e com as guitarras no talo, como deve ser. Destaque para Janaína Melo, a baterista, que teve direito, inclusive, a um pequeno solo – e arrasou!

Antes da Karne tocou a Estamos em Eso, punk rock/Hard Core da Argentina. Bons riffs de guitarra. Boa presença de palco. Antes deles, a Headhunter DC, certamente uma das melhores bandas de Death Metal do Brasil. Foi o ponto alto da noite, um verdadeiro culto executado com impressionante competência e profissionalismo pelo 4 cavaleiros do apocalipse comandados por um quinto elemento materializado na figura magnética de Sergio Balloff. Na platéia, um verdadeiro mar de “camisas pretas” saudando-os com os braços erguidos. Bonito.

Em ordem inversa, se apresentaram ainda o Desgraciado, de São Paulo – Hard Core “grosso” exalando “atitude” e testosterona por todos os poros – Irmão Carlos e o Catado, local – espécie de mangue beat do criolo doido cheio de percussão, passos de dança robóticos desengonçados, músicas próprias sem brilho e covers oportunistas – Blessed in fire, também local – Heavy metal “tradicional”, daqueles bem gritados, solados e dedilhados – Pâncreas – uma espécie de Camisa de Vênus do Século XXI. Desnecessário – e Cidadão Dissidente, de Feira de Santana – que eu não vi.

Vale notar que o Palco do Rock aparentemente deixou de ser o que eu chamava de “o maior festival de porralouquice da face da terra”. Isto porque antes era, litralmente, uma loucura: por todos os lados gente fantasiada de morte, de Eddie do Iron Maiden e todo tipo de bizarrice possível e imaginável. Se a banda que estivesse no palco fosse punk, era obrigada a tocar um cover do Nirvana. Se fosse mais puxada para o metal, tinha que tocar – adivinha! - Iron Maiden. Se não tocasse, recebia uma chuva de areia e cascalho e tinha que, frequentemente, interromper sua apresentação pelo palco ter sido invadido. Presenciei isso uma vez com a Pólux, do Rio de Janeiro – antiga banda de Bianca Jordão, do Leela: elas só conseguiram continuar sua apresentação depois de improvisar uma versão tosca de alguma musica do Nirvana.

Agora, tirando uma ou outra máscara de gás aqui ou ali – que eu imagino que tenha algum misterioso efeito decorativo, já que nunca ouvi falar de nenhuma explosão de bombas de gás lacrimogênico em nenhuma das edições do evento que justificassem tamanha precaução – estava tudo relativamente normal, como já tinha sido na última vez em que compareci, em 2010, para ver o Korzus.

Valeu a viagem. Foi uma boa noite de carnaval. E de quebra conheci a mais nova obra faraônica do Governo de Sergipe, a Ponte Gilberto Amado, que supostamente aumentará vertiginosamente o fluxo turístico no litoral do estado ao diminuir em meros 30 km a distancia entre Salvador e Aracaju ...

por Adelvan

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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Salvador, palco do rock

Autopse, de Alagoas
Quem não abre mão de curtir o carnaval no melhor estilo rock’n’roll, em Salvador, terá este ano a opção de ir ao Palco do Rock, no coqueiral de Piatã, na orla da cidade. O espaço vai reunir 36 bandas e um público estimado em mais de 30 mil pessoas em quatro dias de festa.

O palco do Rock vai funcionar de sábado (9) a terça (12), com programação a partir das 17h. “Este ano nós estamos garantindo uma infraestrutura de primeira qualidade no que diz respeito a palco, som, camarores, iluminação e todo o aparato necessário para que o público possa curtir todos os momentos da festa”, afirmou o secretário municipal de Desenvolvimento, Turismo e Cultura, Guilherme Bellintani.

Além dos shows, com atrações locais e vindas de outros estados e até mesmo de fora do país, haverá também um espaço destinado exclusivamente para a garotada, com atrações infantis.

Atrações

Karne Krua, de Sergipe
Serão 36 bandas no palco principal, divididas em quatro dias. As atrações vão do pop rock ao death metal, passando pelo punk rock e pelo hardcore, além de bandas de metalcore e experimentais. As duas bandas internacionais são a americana de metal experimental Unconscious Disturbance e a argentina de hardcore Estamos En Eso. Brasileiros, mas de outros estados, destacam-se os sergipanos da Karne Krua, os alagoanos do Autopse, Drowned, de Minas Gerais, Krisiun, do Rio Grande do Sul e o Andralls, de São Paulo.

Entre os nomes baianos de maior projeção no cenário nacional, o palco receberá Pastel de Miolos, de Lauro de Freitas, Irmão Carlos e O Catado, Blessed in fire e Headhunter DC, de Salvador. Do interior virão as bandas Metal War, Cidadão Dissidente e Nebuloza (Feira de Santana) e Natural Hate (Caetité). Houve também seleção para bandas novas, através do Oficina Palco do Rock, realizada no final do ano passado e que revela promessas dentro do cenário do rock baiano.

Fonte: iBahia

Confira a programação

Hora                           SÁBADO 09/02


18:00H                       CIDADÃO DISSIDENTE (FEIRA)
19:00H                       PÂNCREAS
20:00H                       BLESSED IN FIRE
21:00H                       IRMÃO CARLOS E O CATADO
22:00H                       DESGRACIADO (SP)
23:00H                       HEADHUNTER DC
00:00H                       ESTAMOS EN ESO (ARGENTINA)
01:00H                       KARNE KRUA (SE)
02:00H                       AUTOPSE (AL)

Hora                           DOMINGO 10/02

18:00H                       BOICOTE
19:00H                       VITOR PEDREIRA
20:00H                       AGRESSIVOS
21:00H                       BEHAVIOR
22:00H                       UNCONSCIOUS DISTURBANCE (SP/EUA)
23:00H                       ANDRALLS (SP)
00:00H                       ANDRANJOS (PE)
01:00H                       MAIEUTTICA (RJ)
02:00H                       BATRÁKIA

Hora                           SEGUNDA 11/02
18:00H                       MOTHER FUCKER
19:00H                       CIRCO DE MARVIN
20:00H                       METALWAR (FEIRA)
21:00H                       MADRENEGRA (DF)
22:00H                       MOTOROCKER (PR)
23:00H                       KRISIUN (RS)
00:00H                       TRASSAS (SP)
01:00H                       CANGAÇO (PE)
02:00H                       MINUS BLINDNESS

Hora                           TERÇA 12/02
18:00H                       INSTINTO SECRETO
19:00H                       NEBULOZA (FEIRA DE SANTANA)
20:00H                       ACANON
21:00H                       PASTEL DE MIOLOS (LAURO DE FREITAS)
22:00H                       KATTAH (PR)
23:00H                       DROWNED (MG)
00:00H                       NORFIST (LAURO DE FREITAS)
01:00H                       RATTLE
02:00H                       NATURAL HATE (CAETITÉ)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Banda Lúgubre - Canto triste - por Silvio Campos

Que boa surpresa tive ao colocar esta siples demo da Banda Lúgubre para tocar! São 5 sons gravados em estudio e mais 3 retirados de uma apresentação ao vivo que entram como bonus e que completam toda a linda melancolia aqui apresentada. A banda já existe a um tempo ensaiando e produzindo seu trabalho. Já se apresentaram algumas vezes, mas ainda não os vi ao vivo. Nesta demo, no entanto, pude comprovar e conhecer, finalmente, a sonoridade da mesma. 

A primeira faixa, “como se.”, é uma beleza! Que melodia incrivel! É algo triste mas que te levanta e anima, e foi justamente este sentimento que me fez levantar e tentar escrever algo. Pois me perguntava: o que é isso? Que bela musica é essa? Que bacana a interpretação do junior(guitarra e voz)! Uma musica cheia de sentimentos, total feeling. Aí vem a faixa seguinte, que nomeia a demo, “canto triste”, e vem com o mesmo fundamento, mas diferenciando a pegada, que é direcionada a um andamento blues com um tempero gotico/doom. Ótima!                                                                                                                                                                                                                                    
Da terceira faixa eu destaca o baixo, que quebra um pouco o andamento da demo e tem umas sobras que não ficaram legais, mas isso não compromete nada e serve de intro para a faixa de numero quatro, também carregada de emoção, só que não tão aveludada. A banda mantem a qualidade e é uma excelente faixa, musica e letra. “De cinzas, fumaça, lendas, florestas...desesperança.” é a quinta faixa e se inicia com uma declamação. Há uma sonoridade blues/gotica que toma conta de toda atmosfera da musica - sim, é uma letra bem blues! E uma musica cheia de tristeza. Há algo na costrução da letra e da musica desta faixa que assim como nos leva a o elemento blues nos leva também a algo extremo, talvés pelas influencias de todos os integrantes da banda, suas origens como musicos oriundos de bandas pesadas. É, na verdade, um outro som otimo da banda. Complementando a demo temos 3 bonus ao vivo, os mesmos não mostram a total qualidade da banda devido a gravação, mas a intenção é muito boa e valida. 

Ao final de tudo a Lúgubre nos deixa a lembrança do velho rock pesado brasileiro e com boas lembrança e referenciais ao gotico antigo, ao velho blues e ao doom metal. Isso tudo da um toque muito original e sincero com toda a emoção e sentimento que uma boa musica autoral pode nos proporcionar, isto é: usar os neuronios para criar e não copiar somente! Parabéns a todos da Lúgubre por essa atitude e por este trabalho.

http://www.facebook.com/lugubreband
http://palcomp3.com/bandalugubre/

por Silvio Campos
Microfonia zine

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Desagradável ...

               Tem gente que parece ter vindo ao mundo pra confundir, incomodar, nadar contra a maré, ser “do contra”. É o caso dos caras da Gangrena Gasosa, a primeira e única banda de Saravá Metal do universo. Confundiram, por exemplo, Jello Biafra, dos Dead Kennedys, que não entendeu a ironia dos caras na contracapa de seu segundo disco, “smells like a tenda espírita” – havia uma brincadeira com marcas famosas e o punk-mor achou que fosse apoio comercial. Confundiram também as entidades do terreiro que ficava próximo ao Garage, onde sempre faziam shows nos anos 1990. Ou os telespectadores do Programa do Jô, para o qual deram uma entrevista antológica numa época em que era impensável uma banda vinda do underground pré-internet, movido a fanzines xerocados e demos em fita cassete, ter tamanha atenção de um baluarte da grande mídia.

               O mesmo Jello Biafra comentou uma vez que a proposta da banda era interessante, mas que seria perfeita caso eles conseguissem conciliar no próprio som, e não em vinhetas, o metal com as influências dos ritmos africanos. Ele se referia às fitas demo e ao primeiro disco, o ainda tosco, musicalmente falando – porque conceitualmente eles sempre foram e sempre serão toscos – “Welcome to terreiro”. Pois bem: aconteceu! Depois de um grande salto evolutivo no segundo disco, o já citado “smells”, e no EP subseqüente, 666 – lançado no dia 06/06/2006, “El dia de la bestia” – a fusão se materializou de forma perfeita no novo “artefato” (para usar uma denominação comum entre as hostes do metal negro), “se Deus é 10, Satanás é 666”. Trata-se de uma sessão de culto ao esporro gravada por Tuta e Diogo Macedo no EmeStudios, com mixagem e masterização a cargo de Rodrigão Duarte no estúdio DuBrou’. Nas percussões, Elijan Rodrigues e Anjo Caldas, percussionista de Elba Ramalho e da banda Catapulta. A incorporação definitiva da percussão ao som da banda, por sinal, foi decisiva para que o ebó ficasse, finalmente, completo.

               Para comemorar o feito e divulgar o disco eles têm feito shows memoráveis, como o que aconteceu no festival Goiânia Noise, o do Domination Rio Extreme Festival e o do Circo Voador, com o Ratos de Porão. Em junho de 2010 ficaram em primeiro lugar na seletiva do festival "candango" Porão do Rock, também no Circo Voador, com uma unanimidade pouco vista entre jurados e público, após uma disputa com bandas de peso do cenário carioca. Por conta disso, em setembro de 2010 a Gangrena se apresentou no palco principal do festival, em Brasília, e foi reconhecida como uma das melhores apresentações da noite. O mesmo aconteceu pouco tempo depois, em Minas Gerais, no Festival Roça N’ Roll de julho de 2011, no qual fizeram uma apresentação furiosa e foram apontados pelo público e pela crítica como a maior surpresa do evento.

               A consagração desta nova fase, depois de inúmeras turbulências e trocas de formação, acontecerá em breve com o lançamento do DVD “Desagradável”. O disquinho virá com um documentário que passará a limpo toda a trajetória dos malditos e com a íntegra de uma apresentação gravada em São Paulo, no “Inferno” (onde mais?), na noite do dia 03 de dezembro de 2011. O show foi captado com câmeras full HD e iluminação profissional que, unidas à cenografia do palco, resultou numa sucessão de imagens macabras que englobam todo o universo sombrio da Macumba, criando assim um ambiente perfeito para o registro de uma performance única onde as entidades da Gangrena interagiram ao vivo com efeitos especiais do mestre André Kapel Furman, conhecido por sua participação na produção do último filme de Zé do Caixão, “A encarnação do Demônio”. Rolou também uma participação especialíssima do Jão, guitarrista do Ratos de Porão, relembrando seus tempos de “crooner” e caracterizado como pai de Santo para fazer os vocais em "Benzer até Morrer/Kurimba Ruim", versão gangrenada de dois clássicos dos mestres do Hard Core tupiniquim. Nada mais justo, já que é público e notório que a Gangrena nasceu única e exclusivamente, a principio, com o intuito de, um dia, abrir um show do Ratos de Porão.

               Já o documentário, produzido pelos mesmos (ir)responsáveis pelo já clássico "GUIDABLE - A Verdadeira História do Ratos de Porão", a Black Vomit, abrangerá todos os 22 anos de trajetória da banda. Será uma seleta reunião do povo que agitou a cena underground da década de 90 do século passado pra cá. Estarão presentes todas as lendas, destrinchadas e expostas num despacho que vai revelar as passagens mais "vergonha alheia" da história do rock nacional. Jello Biafra, Jão & João Gordo, BNegão, Marcelo D2, Anjo Caldas, Dado Villa Lobos, Rafael Ramos, Fábio do Garage, Marcos Bragatto, Tom Leão, Pedro Só, Adílson Pereira, Larry Antha e os ex-integrantes (mais de 15 !), dentre outros, recordarão os lamentáveis momentos pelos quais os macumbeiros do Sarava Metal passaram em suas vidas. Além disso, Imagens de arquivo, fotos e vídeos comprovarão, de uma vez por todas e para todo o sempre, que santo se casa também faz milagre.

               Quem viver, verá!

               Saravá!

               A.