quinta-feira, 10 de maio de 2012

Ralf Hütter, uma entrevista

Em entrevista ao jornal O GLOBO, único integrante da formação original do mitológico grupo alemão comenta substituição a Björk

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/ralf-hutter-do-kraftwerk-fala-sobre-participacao-de-ultima-hora-no-festival-sonar-4824915#ixzz1uVsZNrU8
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RIO - A relação não é de homem/máquina e sim de entrevistador/entrevistado. Mesmo assim, Ralf Hütter, do Krafwerk — que se apresenta no Sónar São Paulo, no próximo dia 11 —, parece disposto a inverter os circuitos e faz a primeira pergunta ao repórter, assim que a assessora de imprensa do grupo faz a conexão Rio-Berlim por telefone.— Olá. Nós nos conhecemos? Já conversamos antes? — quer saber ele.

Negativo. Afinal, entrevistas com o Kraftwerk — principalmente com o único integrante da formação original do mitológico grupo alemão — são eventos raros.

— E você já viu algum show do Kraftwerk? — emenda.

Positivo. Dois shows no Brasil — no TIM Festival de 2004, no Rio, e na Praça da Apoteose, em 2009, abrindo para o Radiohead — e um na Inglaterra, em 1997, no festival Tribal Gathering.

— Ah, foi ótimo tocar naquela praça desenhada por Oscar Niemeyer. Cheguei a estudar arquitetura, e ele foi uma grande inspiração — diz ele. — E aquele show no Tribal Gathering foi especial, marcou nossa volta aos palcos britânicos depois de uma longa ausência.

Sem telefone no estúdio

Cinco anos de ausência, mais precisamente. Antes disso, o Kraftwerk — que se apresentou recentemente, por oito dias, no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), dentro da instalação "Retrospective 12345678" — vivia uma relação conflituosa com os palcos, sumindo deles com razoável frequência, por $sempre conseguir traduzir ao vivo, em alto nível, o som dos discos e a estética visual pensada pelo grupo. Só a partir do fim dos anos 1990, com o avanço da tecnologia, é que os shows do Kraftwerk passaram a ser menos esparsos.

— Nossa relação com a tecnologia sempre foi intensa, e sofríamos muito quando não conseguíamos levar as ideias para o palco do modo como queríamos. Era frustrante não ter o equipamento adequado — conta Hütter. — Mas hoje a tecnologia está no padrão que sempre pensávamos. É quase um sonho.

Um sonho que inclui, diz ele, o formato 3D que marcou os concorridos shows em NY.

— Os shows em 3D são um marco na nossa evolução. É perfeito para a nossa linguagem visual e deu um toque especial nas apresentações no MoMA. A exposição e aqueles shows representaram uma espécie de ciclo que se completou para a banda, que nasceu num ambiente de arte em conexão com a música. Diferentemente de outras bandas, museus não são habitats estranhos para nós.

Mas como o Sónar São Paulo não é o MoMA e o Parque do Anhembi não é o seu átrio, o show do Kraftwerk no Brasil vai ser um pouco diferente daquele apresentado em NY.

— Vamos fazer um resumo daquela retrospectiva, tocando músicas de diversos álbuns. Mas o 3D está garantido. Vamos levar todo o equipamento, inclusive os óculos.

Ironicamente para uma banda tão ligada em tecnologia, seu estúdio, o famoso Kling Klang, não possui telefones. Ao menos é o que diz a lenda em torno do robótico grupo, que evita esses aparelhos para não quebrar o estado de imersão completa quando seus integrantes estão trabalhando.

— Não há mesmo telefones no estúdio. Telefones eram muito intrusivos, você nunca sabia quem estava ligando. Isso mudou hoje, claro, mas mantivemos essa postura. Precisamos de concentração total para trabalhar. Depois que saímos dali, tudo volta ao normal.

Essa reclusão não parece significar uma produção intensa. Afinal, disco novo, o Kraftwerk não lança um desde "Tour de France soundtracks", de 2003.

— Mas estamos sempre trabalhando em novas ideias, inclusive para o próximo disco. É um processo contínuo, não há pressa — garante.

Parte desse processo contínuo gerou, pelo menos, o recém-lançado aplicativo Kling Klang Machine (para iPhone e iPad), que permite que o usuário produza sons sequenciados como se estivesse dentro do estúdio da banda.

— Ele gera sons que vão se modificando à medida que a pessoa vai interagindo com eles. É um trabalho mais atmosférico do que explosivo — conta ele, que diz ter um iPad "apenas para funções tradicionais". — Não o uso para fazer música. Seria excessivo. É bom ficar um pouco desconectado.

Paixão por bicicleta

Para se desconectar ainda mais, Hütter gosta de andar de bicicleta, uma notória paixão dele e da banda, que inspirou o hit "Tour de France", de 1983.

— Sou o único da banda que ainda leva essa atividade a sério. Ando sempre que posso. É um prazer incrível e um ótimo exercício — conta ele, que teve um sério acidente nos anos 1980, sofrendo traumatismo craniano após cair da bicicleta. — Mas aquilo foi há muito tempo, numa época em que íamos de bicicleta atrás do ônibus da turnê quando nos aproximávamos de uma cidade. Hoje, não consigo mais fazer isso. Não consegui nem andar no Central Park durante nossa temporada em Nova York. Em São Paulo também não vai dar tempo, já que vamos viajar de volta no dia seguinte ao show.

Antes de a entrevista ser encerrada pela atenta assessora do grupo, Hütter faz mais uma pergunta:

— Você é do Rio, não?

Positivo.

— Adoro a energia e o ritmo da cidade. Apesar de estarmos distantes e virmos de outro contexto, sinto uma afinidade do Rio com o Kraftwerk. O som do baile funk é um exemplo disso. É uma combinação de ritmos muito interessante.


por Carlos Albuquerque

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NOVA YORK - Kraftwerk é música de museu, e a afirmativa não é anacronismo gratuito. A banda que melhor soube prever o futuro do pop apresentou, por uma semana, seu repertório completo no átrio do Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA). Criadores do synth-pop e avôs da eletrônica, eles se tornaram o primeiro grupo de música popular a receber de uma instituição artística de prestígio planetário o tratamento dado a medalhões das artes plásticas em mostras definitivas. "Retrospectiva 12345678" se tornou o evento da primavera, com os ingressos mais disputados da atual temporada cultural da cidade.

Para a derradeira apresentação, na noite de terça-feira, cambistas vendiam por US$ 500 entradas que, em fevereiro, a US$ 25, esgotaram-se em menos de uma semana. Além da possibilidade de revisitar clássicos como "Autobahn" e "Trans-Europe Express", o curador Klaus Biesenbach, diretor do PS1, espaço de arte contemporânea do MoMA, providenciou um luxuoso acompanhamento visual em 3-D. O público, 450 felizardos por noite, foi convidado a se imaginar no mitológico estúdio Kling Klang — localizado na parte industrial de Düsseldorf, na Alemanha, onde a banda gravou seus oito trabalhos principais, entre 1974 e 2003 — enquanto se deliciava com uma pequena rave em um dos mais nobres endereços de Manhattan.

"A ideia é que você esteja no MoMA, junto com o artista, fazendo arte", afirmou Biesenbach ao anunciar a retrospectiva. Se não chegou a tanto, o público de terça-feira dançou por duas horas, ensaiou coreografias, brincou com os datados óculos 3D de cartolina branca e ocupou, para desespero dos seguranças, as passarelas do terceiro e do quarto andares, com vista privilegiada para o átrio. Uma das principais novidades da expansão do museu, idealizada pelo japonês Yoshio Ta$. O espaço, com pé-direito de 33,5 metros, nunca foi ocupado de maneira tão plena. Um DJ do Brooklyn definiu a noite como "uma grande instalação artístico-musical":

— Vi o espetáculo da boca do palco, depois fui para a lateral, na esquina da lojinha do segundo andar, e, por fim, observei tudo de cima, nas passarelas. A única coisa que não fiz foi deixar o gravador de meu celular desligado. Esta música, quero guardar para sempre — contou, imaginando usar um dia um sample dos alemães, como já fizeram, com mais ou menos sucesso, gente como Afrika Bambaataa, Big Audio Dynamite, Devo, Depeche Mode, Fatboy Slim, Chemical Brothers, DJ Shadow, Jay-Z, LCD Soundsystem e Fergie, entre muitos outros.

A primeira parte da instalação musical de terça-feira foi dedicada a "Tour de France", as 12 faixas do disco apresentadas na íntegra sob a batuta do ciclista Ralf Hütter, 65 anos, o único remanescente da formação original do Kraftwerk. Ele dividiu o palco com o careca Henning Schmitz, 59, o grisalho Fritz Hilpert, 55, e o louro Stefan Pfaffe, 32. Desde o primeiro som os quatro foram acompanhados por sombras em tamanho gigante de si mesmos, projetadas na tela.

Os efeitos gráficos as transformavam em fantasmas sacolejantes, contrapostas aos corpos robóticos e quase mudos dos músicos de carne e osso. Além dos poucos efeitos vocais e de imagem criados pelos quatro "operadores" (como preferem ser chamados) a partir dos enormes consoles localizados à frente dos artistas, o público recebeu um "até breve" de Hütter ao fim da maratona eletrônica. E só. O resto foi música.

Na expressão cunhada por Biesenbach, compatriota de Hütter e fundador do Instituto de Arte Contemporânea de Berlim, o som do Kraftwerk é uma "pintura musical" criada a partir de sugestões melódicas, vocábulos oriundos de diversas raízes linguísticas, ritmos robóticos e o uso originalíssimo de sintetizadores vocais. No MoMA, tal pintura se traduziu em trilha sonora de um indisfarçado saudosismo pela modernidade. Faixas dos outros discos do Kraftwerk — "Autobahn" (1974), "Radio-Activity" (1975), "Trans-Europe Express" (1977), "The Man-Machine" (1978), "Computer world" (1981), "Electric Café/Techno pop" (1986) e "The mix" (1991) — foram apresentadas na ordem e levaram o público a expressões de êxtase que contrastavam com a fleuma dos músicos. Um Fusca cinza apareceu na tela que tomou forma de um gigantesco videogame a guiar o público por uma estrada em "Autobahn". À viagem por campos e parques industriais seguiram-se o trem de "Trans-Europe Express", em que as únicas luzes estão nas cabines dos vagões, o sol negro do gerador nuclear de "Radio-Activity" e as notas musicais em tamanho gigante que voavam sobre a plateia em "Techno pop".

KGB, Hiroshima, robôs, o bate-estaca industrial, arcaicos computadores pessoais. O mundo ocidental do século passado atravessou a passarela no museu das grandes novidades da "Retrospectiva 12345678". A vanguarda que ele um dia representou é hoje o lugar-comum da música popular. Enquanto o novo disco, prometido para este ano, não sai do alto-forno de Kling Klang, quem passar por Nova York até maio ainda pode aproveitar os oito vídeos selecionados por Biesenbach em exposição no PS1, no Queens. É música de museu, no melhor dos sentidos.

por Eduardo Graça


para O Globo


segunda-feira, 7 de maio de 2012

# 224 - 05/05/2012

Maureen Tucker é uma daquelas figuras secundárias frequentemente esquecidas do rock. Baterista do Velvet Underground nos três primeiros álbuns, numa época em que era bem raro (ainda é) uma banda ter uma mulher como baterista, ela lançou vários e pouco conhecidos discos solo. Gostamos de personagens "periféricos" e/ou "outsiders", então abrimos o programa de sábado com uma pequena homenagem a Mo - via "I´m sticking with you", faixa do Velvet cantada por ela em dueto com Lou Reed, e uma versão de "pale blue eyes" (que já foi regravada até por Marisa Monte!) retirada de seu álbum solo de 1989, "Life in exile after abdication".

No segundo bloco, Hardcore brasileiro, incluindo o Ação Direta, que estará comemorando 25 anos de banda no próximo dia 11 com um show intitulado "Fora do Eixo ao extremo" na simpática casa de shows "Cidadão do mundo", em São Caetano, São Paulo. Encerrando a primeira parte do programa, a faixa título do novo disco do Garbage.

Voltamos do intervalo abrindo as portas do inferno pro capeta reinar via 3 nomes do Black metal nacional: Enterro, banda que tem, em sua formação, o guitarrista Donida, mentor do bem mais popular(esco) Matanza; Litania Ater, daqui de Aracaju; e Mystifier, de Salvador, com uma faixa extraída de seu disco de estréia "Wicca" - um clássico da musica extrema obscura e underground. Com direiro, inclusive, a uma oração para o demônio declamada em português!

Mundando de pau pra cacete, como de costume, continuamos com rock feito no Brasil, mas com uma matriz sonora totalmente diferente: Crove Horrorshow com um "hit" do underground sergipano dos anos 80; um lado A da banda do cara do Lado C, Marcelo Larrosa; e mais uma faixa épica extraída do sensacional disco "Uhuuu", do Cidadão Instigado.

Depois do Kraftwerk, que se apresentará com seu show 3D pela primeira vez fora de Nova Iorque em São Paulo no próximo dia 11, uma sequencia de covers e, fechando tudo, gothic rock clássico safra anos 80 seguido de uma hilária edição sobre o tema cometida pelos caras que faziam o e-zine Loaded em seu podcast A Gente em 86.

Fui!

A.

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The Velvet Underground - I´m sticking with you
Maureen Tucker - Pale Blue eyes

Lobotomia - Faces da morte
Karne Krua - Dois cumes
Ação Direta - Amém
I Shot Cyrus - use su rabia

Garbage - Not your kind of people

Enterro - Nunc Scio Tenebris lux
Litania Ater - último suspiro
Mystifier - (invocatione) The Almighty Sathanas

Crove Horrorshow - Sem grana
Hojerizah - Pros que estão em casa
Cidadão Instigado - O Cabeção

Kraftwerk - Music Non Stop (single edit)

Nei Lisboa - Ruby tuesday
Patti Smith - Within you without you
Joe Cocker - Don´t Let me be misunderstood

Siouxsie & The Banshees - Dazzle
The Cure - Shake dog shake
The Sisters of Mercy - Something fast

A Gente em 86 - Góticos

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sexta-feira, 4 de maio de 2012

RIP Adam Yauch, do Beastie Boys

MCA, como também era conhecido, se tratava desde 2009 de um câncer em uma glândula salivar e de um linfoma. Ao lado de Mike "Mike D" Diamond e Adam "Ad-Rock" Horowitz, co-fundou o Beastie Boys, primeiro grupo de rap feito por brancos a ter destaque na media, em 1981. Antes disso, em 1979, D e Ad-Rock formaram a banda de punk-rock The Young Aborigines. Vencedor de três Grammys, o grupo chamou a atenção na música norte-americana por misturar o ritmo com elementos do hardcore, diferenciando-se das batidas sampleadas de outros artistas do gênero.

Com a descoberta da doença e tratamento de Yauch, o trio não faz apresentações desde 2009. Porém, no ano passado, o Beastie Boys lançou o disco Hot Sauce Committee Part Two, depois de dois anos de atraso. O projeto previa dois discos, mas com o hiato do grupo, e agora, como a morte de MCA, não se sabe se haverá sequência. O rapper também não estava presente na introdução do Beastie Boys ao Hall da Fama do Rock, em abril.

O trio alcançou a fama logo no primeiro álbum, Licensed to Ill (1986), com faixas como (You Gotta) Fight for Your Right (To Party), No Sleep Till Brooklyn, Hold It Now, Hit It. Os três trabalhos seguintes, Paul's Boutique (1989),Check Your Head (1992) e Ill Communication (1994) mantiveram o Beastie Boys como um dos atores mais importantes da música norte-americana.

Ao todo, o grupo gravou oito discos de estúdio, e também venceu três MTV Video Music Awards e um MTV Europe Music Awards.

Paralelamente a tudo isto, Adam tornou-se um devoto budista e defensor da causa tibetana, o que fez com que lhe dessem a alcunha de "O Beastie Boy tranquilo". Criou o Fundo Milarepa, uma organização centrada na luta pela independência do Tibete que organizou, em 1996, o Festival Tibetan Freedom Concert, que contou com a participação de bandas como Red Hot Chili Peppers, Smashing Pumpkins e Rage Against the Machine.

Já na década passada, Adam Yauch inaugurou um estúdio de gravações e criou uma companhia de produção de cinema em Nova Iorque sob a designação de Oscilloscope. Através da companhia, deu vazão à sua veia de realizador e assinou o filme concerto dos Beasties  Awesome; I Fuckin' Shot That!  Através do seu estúdio, teve ainda envolvimento direto no regresso dos históricos do hardcore americano Bad Brains, em 2007.

O músico e cineasta deixa uma mulher, Dechen Wangdu, e uma filha, Tensin Losel, nascida em 1998. Deixa igualmente uma irrepreensível carreira e alguns dos mais entusiasmantes discos do último quarto de século

Descanse em paz.


quarta-feira, 2 de maio de 2012

# 223 - 28/04/2012

A imprensa abutre, como sempre, se focou tanto no lado negativo (que realmente predominou) do malfadado festival Metal Open Air do Maranhão que a gente até esquece que, no final das contas, algumas bandas clássicas acabaram se apresentando por lá, e com uma qualidade de som aceitável (pelo menos para o público, segundo relatos. Parece que haviam problemas maiores com o retorno no palco). Foi o caso do Korzus, Destruction, Exciter e Anvil – os reis da roubada, estes últimos. Abrimos o pdrock do último sábado focando três nomes que ajudaram a salvar pelo menos parte da viagem de quem se aventurou nesta barca furada – O Korzus, seminal banda thrash brasileira na ativa desde os anos 80, com uma faixa de seu último e excelente disco, “Discipline of hate”, os Deuses do metal alemão oitentista do Destructio (faixa de “The Antichrist”) e o Orphaned Land, interessante grupo israelense que mescla metal com ritmos folclóricos locais.

Na sequencia, punk britânico safra 1976/77 (a original). Com exceção do Undertones, que é irlandês, todos os outros foram formados em Londres. Depois, novidades: novas do Fear Factory e do Demented are GO, além de uma nova banda sergipana de Hard rock/heavy metal, o Stucks – eles mandaram uma musica pra gente via e-mail, e você pode fazer o mesmo. programaderock@hotmail.com – mas é bom, ao enviar qualquer coisa para este e-mail, me avisar através da conta do programa no facebook: www.facebook.com/programaderock
 
No Bloco do ouvinte, mais um produzido pelo camarada Hansenharryebm, de Santos, São Paulo. Por fim, indie rock e, fechando a noite, psicodelia brasileira com as melhores bandas do estilo, ontem e hoje.

Fui – mas volto. Próximo sábado, às 19:00H. 104,9 FM em Aracaju e região. No mundo, www.aperipe.se.gov.br
 
A.

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o festival de rock mais fracassado de todos os tempos


Quem quase entrou em pânico por não conseguir ir embora por 3 intermináveis horas devido ao caos e à desorganização da primeira edição do SWU pode achar que foi péssimo. Mas nem dá para comparar com o perrengue enfrentado pelos leais seguidores do Deus Metal do Maranhão no festival que polemizou semana passada. Os caras comeram o pão que o Dio amassou.  Foi difícil encontrar um evento tão fracassado. Até mesmo aquele seu aniversário de 13 anos, todo inspirado em Fear of the Dark, sem nenhuma presença feminina, foi mais agitado.

Mas temos um forte concorrente: o Erie Canal Soda Pop Festival, que aconteceu em Bull Island, nos Estados Unidos, em 1972. Várias bandas sequer apareceram para tocar. E, entre elas, não estavam Fiuk ou Jota Quest. Estavam Black Sabbath e Joe Cocker. Só para contextualizar as mentes não amaldiçoadas por Tony Iommi: naquele ano da graça de 1972 – eu sei porque estava lá – o Sabbath vinha na sequência dos lançamentos dos seus 4 primeiros discos (a saber: Black Sabbath, Paranoid, Master of Reality e Vol. 4. Apenas isso). E o Joe Cocker era um dos cantores mais maneiros da época, emendando sucessos como Cry me a River e Feelin’ Alright. Agora, imagine a expectativa da molecada de nuca vermelha no meio dos EUA para ver esses malucos ingleses ao vivo?

E o Black Sabbath e o Joe Cocker não apareceram. A banda Giant até marcou presença, mas deu o show por encerrado após as primeiras músicas em virtude da má qualidade do som. Podia piorar? Podia.

Em meio aos 32km de congestionamento nas duas únicas vias de acesso ao festival, ficaram presos não só os quase 300 mil espectadores (bem mais que os 55 mil comportados pela estrutura), mas também músicos e fornecedores de comida e bebida. Um caminhão de mantimentos foi sequestrado e incendiado no caminho, fazendo os preços subirem estratosfericamente dentro do complexo do festival.

E choveu. O leito do rio Wabash, vizinho à festa, encheu e levou consigo a vida de pelo menos um fã (pelo menos!). Um segundo foi atropelado enquanto descansava em seu saco de dormir. Os poucos remanescentes, ao final dos 3 dias de desastre, puseram o palco em chamas antes de sair. A justiça foi feita, afinal.

Por tudo isso, o evento acabou sendo chamado de “o pior festival de música de todos os tempos”. E quem deu o nada nobre título foi Gibson, não aquele ator estranho e maníaco, mas a famosa fabricante de guitarras.

Lembre-se, sempre pode ficar pior.

por Fernando Antunes

Superinteressante
 
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Korzus - Truth
Destruction - Thrash ´till death
Orphaned Land - Mabool (the fool)

Undertones - The emergency cases
Wire - 1 2 X U
The Boys - First time
The Motors - Dancing the night away
Alternative TV - Action time vision

Demented Are go - Intro/Welcome back to insanity hall
Fear Factory - Recharger
Stucks - Dragged down

The Records - Girl in gonden disc
Shoes - Get my message
Icehouse - We can get together
The Photos - Barbarellas
Big Country - Chance
- por Hansenharryebm

Jack White - Blunderbuss

PJ Harvey - A place called home
Peter, Bjorn and John featuring Victoria Bergsman - Young folks
The Flaming Lips - Pompeii Am Gotterdammerung
Air - la Femme Dargent

Os Mutantes - Dia 36
Arnaldo Baptista - Sitting on the road side
Casa Flutuante - Olha o tempo
Mopho - A música que fiz pra você
Supercordas - mofo

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quarta-feira, 25 de abril de 2012

20 Anos depois ...

Paradoxo: enquanto o sonho ruía para os headbangers que fizeram a infeliz escolha de ir ao megalomaníaco e malfadado Metal Open Air em São Luiz do Maranhão, Paulo André, em Olinda, comemorava o recorde de público da noite de sexta, dia 20 de abril de 2012, no Abril pro rock: 15.000 pessoas lotaram o Chevrolet Hall para ver, principalmente, a volta do Los Hermanos.  Para o dia seguinte ele nos disse, resignado, em um encontro informal na porta da pousada em que estávamos hospedados, que esperava 5.000 almas no máximo – era a média de público na chamada “noite das camisas pretas”. Estava enganado. Cerca de 7.000 “rockeros locos” (como diria o pessoal do Brujeria) compareceram para conferir aquela que foi, provavelmente, a noite mais pesada e ensandecida de toda a história do evento, que completava 20 anos.

Cheguei cedo porque não queria perder Leptospirose nem Test. Não perdi, e não me arrependi: o Test, uma dupla jazzy/grind de São Paulo que ficou célebre por tocar na rua na porta de shows de bandas como DRI e Slayer, tocou no chão. Ficou difícil de ver, mas deu pra curtir – e muito! Excelente perfomance de João “Kombi” e, principalmente, do baterista, Thiago Barata. Entre caras (feias) e bocas (escancaradas) e descidas de madeira na pele dos bumbos e caixas, um som híbrido, pesado, rápido e alucinante porém com passagens lentas e climáticas, beirando o experimentalismo. O publico reagiu muito bem, agitando ao ponto de quase impossibilitar a apresentação.

Já o Leptospirose tocou bem mais tarde, num dos palcos – na verdade um dividido em dois. Antes deles, Hellbenders, de Goiânia. Fazem aquele “stoner” rock garageiro já característico da capital de Goiás, com bons riffs, ritmo cadenciado (às vezes lembrava o Helmet) e vocais gritados vociferando letras em inglês. Mas mesmo assim ficaram deslocadas naquela noite quase que inteiramente dedicada aos extremos do rock. Não colaborou, também, o visível nervosismo dos caras, que parecem não estar acostumados a encarar públicos daquele tamanho. Se tivesse que dar uma nota de zero a dez, tascava-lhes um 6,5.

Nota 9,9689 (a la Igor Matheus) para o Leptospirose. Hardcore rápido, curto e grosso, muito original e bem humorado. Quique Brown é uma figura impar, com seus cabelos encaracolados emoldurados por um boné colorido e engraçado e seu bigodinho de cafajeste que só não o deixa com cara de cafajeste porque ele não é um cafajeste. Muito pelo contrário, é um cara muitíssimo gente boa, e você não precisa conviver com ele pra saber disso, basta observar sua postura no palco, sempre muito vibrante e comunicativa. Interviu de forma bem humorada até quando chamou a atenção de um dos seguranças que, segundo ele, estava agredindo o público. “Amigo, sossega aí, deixa a molecada se divertir. Os caras trabalharam a semana inteira, isso aqui é a novelinha deles. Aliás, deixa eu apresentar a banda: eu sou a Eva Wilma, aquela é a Gloria Meneses e lá atrás, o Tarcisio Meira. Nós somos o Leptospirose” – ele disse (isso ou algo muito parecido). Antológico.

Mas veja bem: comunicação, no caso, é figura de linguagem. Na verdade Quique parece ter um um olhar bastante próprio e diferenciado sobre o mundo e por isso seu discurso (assim como suas letras) é carregado de nonsense. Ele geralmente fala umas coisas meio sem sentido, aumenta o volume da guitarra para produzir microfonia e, por cima do ruído, anuncia o nome da próxima música, que geralmente não faz sentido também. Foi assim com “Aqua Mad Max”, em que ele lembrou que quando chove em Recife tudo fica alagado (ok, isso faz sentido), "Em maio todo mundo janta pipoca na minha cidade" (essa tem um clipe fantástico, veja aqui), "mula poney" (what?), "Um dia realmente feliz em nossas vidas será aquele em que receberemos uma notificação de nossa empresa favorita nos convidando para ir a um hotel ( com a gente pagando é claro)"  e “O instrumental dessa musica vai para o I Shot Cyrus e a letra que se foda pra quem é, nem vale a pena tocar nesse assunto”, dedicada a um cara lá que eu não sei quem é nem entendi a explicação que ele deu, mas segundo relatos de pessoas com o ouvido menos danificdo, foi para o Boka, do Ratos de Porão - e do I Shot Cyrus.

Muito bom o show da Lepto. Mas a verdadeira destruição sonora da noite viria a seguir, num clima totalmente oposto: sério, pesado e compenetrado. O olhar do vocalista da Cripple Bastards, Giulio The Bastard, é assustador, e sua postura de palco, sempre erguendo o microfone com as duas mãos acima da cabeça, ajuda a criar a impressão de que o mundo está prestes a desabar a qualquer momento. E desaba, várias vezes. E quando desaba ele apenas estica um dos braços, torce a cabeça para o lado e vocifera no microfone. O publico acompanhou de perto a insanidade produzida no palco, o que eu pude comprovar pessoalmente ao cismar de chegar o mais próximo possível da grade de proteção e, para isso, ter que atravessar uma roda de pogo bem mais violenta qua a tradicional “ciranda cirandinha vamos todos cirandar” que costuma vigorar por lá e ser esmagado contra uma parede humana. Foram os cinco minutos mais intensos da noite pra mim, que logo em seguida bati em retirada, quase sem ar – sou asmático.

Me chamou a atenção no show da Cripple Bastards que Giulio apresentou a banda em inglês. Não entendi. Mas entendi quando ele avisou que a próxima seria Ratos de Porão. Eles estavam lá para comemorar os 30 anos da banda e 20 do LP “Anarkophobia” – também não entendi, é de 1990! Mas FODA-SE, vamos nessa! Por conta deste enfoque em seu disco mais “metaleiro”, foi uma apresentação diferente, com musicas que eles não costumam tocar em shows, a exemplo de “Morte ao rei” e “sofrer”, que na época foi “hit” mas hoje em dia está meio esquecida. O Gordo estava, como sempre, com o capeta no corpo, e já foi logo disparando impropérios contra a produção do Metal Open Air do Maranhão, falando que eles “têm que ir pra cadeia, devem ter embolsado a grana e ainda fuderam com a história de 30 anos que nós fizemos com os gringos”. No meio do show, ele reclama por várias vezes de um suposto excesso de reverb que persistia apesar de seus apelos. Quando foi informado que era por conta da acústica da casa falou “que se foda então” e tome mais cacete no pé do ouvido, agora já com músicas mais conhecidas como “Aids, Pop, Repressão”, “Beber Até Morrer” e “Crucificados pelo Sistema”.

Num dado momento, o Gordo pergunta ao público o que eles queriam ouvir. Não deu pra entender a resposta, mas nem precisava: “Commando”, do Ramones. Deduzi (e acertei) que a seguinte seria outra que eles tocam sempre, “Work for never”, do Extreme Noise Terror, mas fui surpreendido com outra igualmente clássica d“os mais punks do mundo”, segundo o gordo: “Bullshit propaganda”. Dobradinha do ENT num show do RDP, nada mal. Excelente, eu diria. Quase tão bom quanto o que eu tinha visto deles dois anos antes, no mesmo Abril pro rock, que eu considero o melhor show do Ratos que eu já vi na vida – e olha que vi muitos!

Duas bandas gringas fechariam a noite, mas as cortinas demoravam a se abrir. Uma voz anuncia nos alto-falantes que, por conta de um atraso no vôo, Exodus e Brujeria teriam que passar o som lá mesmo, no meio do evento. E aí foram os chatíssimos sons de baquetas martelando peles de bateria e irritantes testes de guitarra e microfone. Não demorou muito, no entanto: sem nenhum aviso (as bandas normalmente eram apresentadas no telão, entre anúncios dos patrocinadores), as cortinas se abriram e lá estavam eles, os “pendejos cabrones marijuanos locos de México”, com os braços direitos cruzados acima do peito e em posição de sentido. Esperava ver a cabeleira de Bozo de Shane Embury, do Napalm Death, no baixo, mas ele não estava lá. Em seu lugar, um cara torto, sem camisa, empunhando o instumento numa alça de cinto de balas - ouvi dizer que era Jeff Walker, do Carcass. Na guitarra, um novato desconhecido – soube disso depois das apresentações, já que estavam todos usando máscaras, com exceção de Pinche Peache, o gnomo chicano que é “a cara publica” do Brujeria, segundo o próprio Brujo, um dos vocalistas – que estavam mais pra MCs do capeta. Completando o trio, “Fantasma”.

O show começa um tanto quanto caótico, com o áudio embolado e quase inaudível, conseqüência óbvia da falta de tempo para a passagem de som, mas aos poucos as coisas vão se ajustando e logo já dava pra ouvir melhor, apesar de ainda um tanto quanto abafada, o som da guitarra, que soava numa afinação parecida com a dos discos, mas com uma pegada diferente, mais solta – normal esta diferença, já que nas gravações as seis cordas eram comandadas por Dino Cazares, do Fear Factory, um mestre na precisão monolítica dos riffs. No mais, quem esperava alguma explosão de violência e agressividade deve ter se decepcionado, pois o clima era mais para uma celebração “chapada” regada a musicas pesadas mas em sua maioria lentas e cadenciadas. “Colas de rata”, uma das exceções, embalou a parte do publico mais “apressadinha”. Destaque para as expressões corporais e faciais de Pinche Peache, sempre inquieto. Foi ele quem trouxe lá de trás do palco o mascote da banda, uma cabeça decepada que foi devidamente fincada num pedestal ao lado da bateria e lá ficou, impassível.

“Como vão ustedes cabrones locos de Brasil?”, pergunta Brujo em portunhol impecável. Mesma “língua” usada por Peache para apresentar seus camaradas, notadamente Fantasma, “compañero de muchas maconhadas, y otras cositas mas”, e o literalmente pesado Nicholas Barker, considerado um dos bateristas mais rápidos da cena e que,  além do Brujeria, já tocou com Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Old Man's Child, Lock Up, Monolith e Driven By Suffering.

O show prossegue e em “La migra” chamam o Gordo do Ratos ao palco. Antológico. A ideologia (se é que ela existe) por trás dos temas das musicas da banda é, no entanto, meio confusa: ao mesmo tempo em que enaltecem traficantes sanguinários como o colombiano Pablo Escobar (este, quero crer, por ironia) e o revolucionário mexicano Emiliano Zapata (aqui falando sério, eu acho), têm uma musica chamada “Anti Castro”, que defenesta o líder da revolução cubana. Se dizem, também, anticomunistas, chegando a sentenciar que “comunismo/satanismo/PRI es lo mismo” – o PRI é o Partido Revolucionário Institucional, “cria” da mesma revolução mexicana liderada por Zapata e que esteve no poder por décadas no México. Vai entender ... 


Aliás, não, não precisa entender: é porralouquice assumida mesmo, “duela a quiem duela”. Os caras são malucos. Num dado momento, ensaiam uma dancinha escrota que beira o ridículo, com um atrás do outro segurando os microfones como se fossem seus membros genitais; durante a execução de “División del Norte”, enquanto um mar de sete mil braços se ergue no ar, o pequerrucho Pinche Peache, sempre inquieto, desce à grade para agitar com o público, assustando os seguranças; e já perto do final da apresentação, com a banda executando “Matando Güeros” (quase um hino para eles), Brujo espanca as caixas de retorno com um facão enquanto Pinche exibe o tal mascote da cabeça decepada. Daí pra frente, o show vira uma rave ao som de uma versão pervertida de “Macarena” com o refrão modificado para um enstusiasmado “êêê, Marijuana, hay!”. Gostei. Foi divertido, e diversão é solução, sim. É solução pra mim.

Por fim, os “headliners” da noite: Exodus! Um dos fundadores do thrash metal na “Bay Área” de San Francisco dos anos 80. Há quem diga, inclusive, que eles, e não o Anthrax, deveriam estar na turnê Big 4. Concordo. São de 1980, os novaiorquinos começaram no ano seguinte. Vai ver não queriam deixar tudo 100% californiano ...

Mas vamos ao show: Começou muito bem e seguiu num bom ritmo até o final – que demorou pra cacete! Quase duas horas de porrada no pé do ouvido! Eu, particularmente, não sou um grande fã da banda, da qual conheço muito pouca coisa, mas reconheço, evidentemente, seu talento. É uma verdadeira locomotiva thrash comandada pelo guitarrista Gary Holt e muito bem encarnada no energético, apesar de fora de forma, vocalista, Rob Dukes, que terminou a apresentação com a camisa literalmente ensopada de suor – ele a espremia e o caldo escorria abundante. Não sem antes, ainda no comecinho do show, dar um senhor esporro em um dos seguranças, que estava, em suas palavras, “beating the guys” da platéia. Na verdade o cara não sossegou enquanto o espancador não foi retirado, sob vaias do público e irônicos “bye byes” proferidos por ele ao microfone. Bela atitude – demonstra respeito pelos fãs.

De minha parte, a festa já estava quase encerrada. Meus ouvidos, devo confessar, já estavam saturadas de tanta guitarra distorcido. Ta bom, ok, valeu, Exodus, missão cumprida ... mas que nada, os caras simplesmente se recusavam a parar de tocar. Os fãs devem ter saído completamente saciados, o que é justo, pois com isso eles compensaram sua primeira e tumultuada passagem pelo Recife há algum tempo, num show curtíssimo feito às pressas.

A cereja do bolo foi mais uma apresentação do Test na porta do Chevrolet Hall no final da noite. Eu havia sido avisado que aconteceria, mas acabei esquecendo e perdi por ter ficado batendo papo com uns amigos. Nada demais, especialmente se comparado ao drama de dois "brothers" que haviam viajado de Aracaju pra lá quase que exclusivamente para ver o Cripple Bastards mas se atrasaram e perderam o som dos italianos malditos. Era de dar pena a desolação expressa em suas faces ...

Saldo final pra lá de positivo. De fraco, mesmo, só as duas bandas pernambucanas que abriram a noite – não são ruins, mas são pouco criativas. Sinceramente, não dá mais pra agüentar musicas formulaicas recheadas de clichês, como a pra lá de batida sequencia guitarra numa só caixa, depois noutra e, por fim, nos demais canais. Isso pra não falar da pose de headbanger milimetricamente desleixado dos vocalistas, com seus cabelos esvoaçantes e bem cuidados do tipo que deixa as caçadoras de escalpo com as calcinhas em brasa. Um deles, acho que do Pandemmy, parecia o vocalista do Capim Cubano, uma banda brega de pseudocalipso que fez (não sei se ainda faz, espero que não) sucesso por aqui ...

E foi isso. Ano que vem tem mais, se Deus quiser e o capeta permitir.

Fotos: Snapic e Marcelinho Hora.

Texto: Adelvan Kenobi

A relevância do Abril Pro Rock

Se deixasse de existir hoje, o festival já teria feito bastante para a música brasileira. Mas, como persiste, ainda vai se mostrar muito útil, divertido e interessante.

 

Meus amigos, o tempo, passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus continua numa boa. Mentira. Não continua, não. Nos últimos 20 anos, muita coisa que existia, de repente, deixou de existir. Não sei se vocês se lembram onde estavam há 20 anos, mas era o que eu pensava quando me divertia ao ver, num telão, entre um show e outro do Abril Pro Rock desse ano, cenas da primeira edição, que acontecia há exatos 20 anos. Para o ser humano é engraçado rir de si próprio, ao se deparar com os costumes de outros tempos: roupas, corte de cabelo, trejeitos. E repito. Muita coisa mudou e muita coisa deixou de existir nesses 20 anos.

Não o Abril Pro Rock. O festival teve lá seus dias de glória, e não foram poucos. Primeiro, revelou aquela que é última grande revolução na música brasileira: o mangue beat. Depois, teve a vocação de apontar artistas novos para o mercadão. Numa época em que olheiros de gravadoras perseguiam novos artistas, era para o Abril Pro Rock que eles eram mandados. E foi de lá que saíram, de contrato assinado, Penélope Charmosa e Los Hermanos, dois nomes que me lembro de cabeça, mas sabemos que são muito mais. Ok, a Penélope primeiro perdeu o charme e depois acabou. O Los Hermanos, aliás, também acabou. E o Abril Pro Rock continua, sempre no mês de abril, há 20 anos. Pode parecer pouco, mas já reparam como tem festival que não consegue se fixar numa data? E que, em 20 anos, bandas e festivais começaram e acabaram e o APR continua lá?

Outro dia ouvimos, ao vivo, em rede nacional da internet, gente que, há 20 anos talvez ainda usasse calças curtas, questionando a relevância do Abril Pro Rock. É bom o questionamento. Faz parte do processo. Eu próprio já fui a outras edições do festival e de lá saí com a pulga atrás da orelha. Achava que estava faltando alguma coisa (e estava mesmo), que o festival estava sem rumo, que era preciso se reinventar, que a falta de um “novo mangue beat” estava matando o Abril Pro Rock e blábláblá. Questionamentos de quem foi e viu o evento acontecer em fases e lugares diferentes, e de quem há 20 anos já andava por aí em porta de show com os olhos bem abertos. E o Abril Pro Rock, acontecendo, ano após anos, todo mês de abril.
Não, não sou um especialista em Abril Pro Rock. Tive a oportunidade de ir ao Recife cobrir algumas edições e sou grato à produção pelo interesse da cobertura de todos os veículos em que trabalhei e foram escolhidos para tal. Este velho homem da imprensa ainda não completou 20 anos de jornalismo, mas tem, sim, mais de 30 de rock. Na parte desses 20 anos do APR que pude acompanhar, aprendi muita coisa. A admirar uma roda de pogo que não tem igual por onde passei; a ver o mesmo sujeito pular com Ratos de Porão e com Lia de Itamaracá; a ver de perto uma cultura que a gente aqui de baixo chama de folclore, saltitar vivinha da Silva. E a respeitar tudo isso.

Há, sim, baixas nesses 20 anos. Outro dia, o baixista do Megadeth me disse que, numa banda que dura tanto tempo como a dele, é natural mudanças de formação e idas e vindas de integrantes. Pois, em 20 anos, é melhor ser senóide do que curva de Gauss. Imaginem se, em 20 primaveras, surgissem exatos 20 Chicos Science? E 20 Marcelos Camelos então? Repito que já escrevi, aqui e acolá, que o festival andou perdido, em meio ao passar do tempo, e que precisava se reinventar. De certa forma, é o que tem acontecido. De uma hora para outra, vi a equipe do festival, sempre liderada por Paulo André, renovada. Repórteres de veículos locais surgiram, com rádios e microfones colados nos ouvidos e com a mão na massa, na equipe da produção. Até gente de festivais vizinhos contribuíram nessa reinvenção. Demora, mas as coisas se ajeitam, quando se dá o tempo para os resultados aparecerem, como se diz no futebol. E está aí o festival, firme e forte, com 20 anos de história.

Digo isso para atestar que a edição desse ano do Abril Pro Rock – por assim dizer – foi como uma das antigas. O início da turnê de retorno do Los Hermanos, na sexta (veja como foi), grande sacada, fez o Brasil inteiro voltar os olhos para o festival, como nos velhos tempos. Jornalões que há tempos não se interessavam pelo festival, como “O Globo” e “Folha”, lá estavam com representantes maiorais. Sites líderes de acessos tinham lá figuras da maior importância para a crônica musical. E o show dos Hermanos teve ingressos esgotados e o recorde de público em 20 anos de festival. No sábado, os camisas pretas deram de ombros para Paul McCartney, que lotou o Mundão do Arruda na mesma data, e colocaram 7 mil cabeças – 2 mil a mais que em 2011 – no Chevrolet Hall. E o domingo só não repetiu o feito porque ousou numa programação com pratas da casa que sempre tocam no Recife (às vezes em eventos gratuitos) e não conseguiu um nome internacional de peso para encabeçar a programação. Nada que tenha tirado o brilho da edição de 20 anos.

Dito isso, dou-me o direito de responder o sujeito que, há 20 anos, devia usar calças curtas. A relevância do Abril Pro Rock está em existir, perseverar, não deixar um abril sequer, em 20 anos, passar em branco. Se deixasse de existir hoje, o festival já teria feito bastante para a música brasileira. Mas, como persiste, ainda vai se mostrar muito útil, divertido e interessante. Dois mil e treze certamente será apenas um novo marco para Paulo André e sua renovada equipe. O ano em que irá marcar o recomeço e, ao mesmo tempo, a manutenção de uma ideia que jamais deixou de existir. Eis aí a relevância do Abril Pro Rock. Parabéns aos envolvidos.

Fotos: Snapic e Rafael Passos
Texto: Marcos Bragatto
reg

sábado, 21 de abril de 2012

Hoje não tem programa de rock

Pessoas, hoje não farei o programa de rock. Como sabem (ou não), faço Ao Vivo, e hoje estou em Recife - Olinda, mais precisamente - para onde vim para mais uma edição do Abril pro rock. Mas se você ligar seu radio na frequencia 104,9 FM em Aracaju e região ou acessar via net o portal www.aperipe.gov.br, provavelmente, ouvirá rock - a direção de programação da rádio ficou encarregada disso.

Até próximo sábado, às 19H.

Adelvan

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ABRIL PRO ROCK CHEGA A VIGÉSIMA EDIÇÃO


As vezes não precisa ser santo para operar milagres. Paulo André, idealizador / produtor do festival recifense Abril Pro Rock,  que o diga. Ontem, o evento chegou à sua (inacreditável) vigésima edição, com Los Hermanos fechando a primeira noite (de três), que ainda terá bandas como as norte-americanas Antibalas, Nada Surf, e Exodus.


O line up globalizado ainda conta com a revelação paranaense A Banda Mais Bonita da Cidade, os mexicanos do Brujeria, os portugueses do Buraka Som Sistema, os italianos do Cripple Bastards e, fechando um ciclo, dois artíficies do manguebeat que estiveram na primeira edição, em 1993: Mundo Livre SA e Otto.

“Tudo isso, lutando contra dois grandes gargalos que, aliás, são os mesmos de 20 anos atrás”, ressalva Paulo André. “Primeiro, as rádios. As privadas, que são bem apelativas, para pegar leve. Isso  quando não são de uma rede e já vem com a programação fechada do Sudeste”, observa.

“Já as rádios públicas estão mofadas e atrasadas. Um exemplo: em 2010, a BBC3 de Londres veio pela terceira vez cobrir o festival. Gravaram alguns shows e depois veicularam o áudio por lá”, relata PA.

“Já a rádio da UFPE age como se estivéssemos em 1982. Só toca frevo ancestral pra ninguém, dá traço no Ibope. Ou seja,  é mais fácil fazer uma parceria com a rádio pública britânica do que com a pernambucana”, dispara.

"É uma rádio inoperante e ineficente. Se Mundo Livre e Chico Science já não tocavam na primeira edição, agora com o disco novo continuam não tocando. E novos nomes, como Tibério Azul e Ska Maria Pastora, esses também não tem oportunidade de tocar em lugar nenhum em Recife. Mas se você pegar qualquer novo nome brasileiro, é um problema gerneralizado. Acho que é mais agravado aqui em Recife por que temos uma produção cultural intensa e produtiva, que encontra essa barreira na própria casa. Ai deles se não fosse o exterior. Ou seja, nada mudou", resigna-se.

O segundo gargalo é a falta de espaços em Recife para as bandas tocarem. “Isso não é ser pessimista, é ser realista, e essa realidade, essa falta de estrutura atrasa muito a ascensão de novos artistas, até por que  falta um filtro na internet. Por que a juventude alienada do axé e o caralho não está na rede para descobrir novas bandas, só para ouvir mais do mesmo”, constata.

"Os bares da moda não contam,  já que nem todo mundo vai nele atrás de uma coias nova, né? Vai atrás de banda cover e tal", observa.



"Na verdade, o poder público ainda é o grande contratante, com cinco grandes ciclos de shows gratuitos pela cidade (Carnaval, São João, Virada, Natal e mais uma que esqueci agora). No entanto, ainda não tem uma rádio para tocar essas bandas”, contemporiza.


“Mas foi mesmo uma estrada árdua”, admite Paulo Andre. “Lá atrás não existia um calendário de festivais independentes. Com essa situação das rádios e das gravadoras inexistindo, os festivais são a principal plataforma para artistas novos. Tanto para o conhecimento do publico, quanto para a critica”, vê.

“Essa evolução se deu por que houve  uma interação com cenas musicais de lugares do país que não dialogavam antes. Valeu a pena. E eu acredito muito numa nova geração”, encerra.

Enquanto isso, em Salvador... 

NOTA: E Aracaju ...

por Franchico

Rock loco






quinta-feira, 19 de abril de 2012

# 222 - 14/04/2012

Liverpool - Por Favor Sucesso (1969).- Um modesto grupo nascido do mais tosco rythm'n'blues à la Rolling Stones, que flertava com o tropicalismo "mutante", mas que tinha mais pinta daquelas bandas psicodélicas californianas, gravou um dos grandes e esquecidos discos dos anos sessenta. Autor do feito: o quinteto gaúcho oriundo do bairro operário do IAPI, na Zona Norte de Porto Alegre, que atende pelo nome de Liverpool - um dos tripés da origem do rock gaúcho, ao lado dos Brasas e dos Cleans.


Misturando influências do rock clássico inglês/americano e da tropicália, Mimi Lessa (guitarra), Fughetti Luz (cantor), Marcos Lessa (guitarra-base), Edinho Espíndola (bateria) e Pekos (baixo) produziram uma obra que aproximou-se da genialidade dos Mutantes. O lp "Por Favor Sucesso" resultou da classificação do grupo na fase regional no II Festival Universitário da Música Popular, em que o grupo defendeu a música que deu nome ao álbum, de autoria de Carlinhos Hartlieb.

Abrindo com a faixa título, o disco reúne um conjunto de ótimas composições, com instrumental acima da média e letras inteligentes e expressivas do cotidiano da juventude da época. Destacam-se no disco as ultra-psicodélicas "Olhai os Lírios do Campo", "Impressões Digitais" e "Voando", todas com um impressionante trabalho de guitarra - com distorção no talo e harmonias rebuscadas. A quase bossa-rock "Planador", a tropicalista "Paz e Amor", o folk-rock "Tão Longe de Mim" e o boogie stoniano "Que Pena" mostram a diversidade das composições assinadas por integrantes do grupo, pelo já citado Hartlieb e, ainda, pela dupla Hermes Aquino e Lais Marques.

Da estirpe de Lanny Gordin e Sérgio Dias, Mimi Lessa é um dos mais importantes e menos valorizados guitarristas do rock nacional - brilhante no disco e mais ainda nos memoráveis e, digamos, coloridos, shows que banda promoveu no Sul e no Rio de Janeiro, para onde foi no início dos anos setenta. Espécie de Kim Fowley dos pampas (pelo apoio às bandas novatas), também o cantor e compositor Fughetti Luz é figura lendária do rock gaúcho, com suas memórias registradas em livro do jornalista Gilmar Eitelvain.

Com o fim do grupo, Mimi, Marcos, Edinho e Fughetti somam-se ao ex-A Bolha, Renato Ladeira, para formar o também lendário Bixo da Seda, que gravou um lp em 1976. Extinto o "Bixo", Mimi, Marcos e Edinho passaram a acompanhar artistas como As Frenéticas e Robertinho de Recife, e desenvolver trabalhos individuais. Fuguetti Luz retornou ao Sul, onde permanece na ativa - depois de compôr, produzir e tocar com bandas como Bandaliera, Guerrilheiros Anti-Nucleares e Barata Oriental.

Passados mais de trinta anos, a música de "Por Favor Sucesso" não soa datada, cobrando com suas elaboradas composições e refino instrumental o reconhecimento que faltou no seu devido tempo. Editado pelo selo Equipe, o álbum perdeu-se na burocracia das fusões e extinções da indústria fonográfica.

Texto de Fernando Rosa, originalmente publicado na revista ShowBizz.

Liverpool foi uma das bandas focadas no primeiro bloco do programa de rock da semana passada, todo dedicado ao bom e velho e sempre presente rock gaúcho - desta vez em sua versão "nuggets". Além deles, tocamos dois outros grupos derivados do legendário combo gaúcho: Bixo da seda e Mimi Lessa e Orquestra de guitarras. E também a banda "Byzarro", espécie de Blue Cheer dos pampas, com "Betelgeus star", canção hard-progressiva gravada ao vivo numa das célebres sessões "Vivendo a vida Lee", que praticamente inauguraram as gravações ao vivo de rock no estado e eram veiculadas pela rádio Continental AM - em dois canais! Mais uma cortesia da sensacional coletânea "Gauleses irredutíveis merecem aplauso", que você pode baixar gratuitamente aqui.

Mais rock gaúcho no segundo bloco: valeu a pena ouvir de novo a faixa título do novo disco do Cachorro Grande, "Baixo Augusta", assim como a pedrada que Julico compôs para a Plástico e uma das mais bonitas baladas que o Mopho gravou em seu "vol.3".

Não costumamos ficar parados no tempo e por isso demos um salto para a primeira década do século XXI, de onde extraímos algumas pérolas dos discos "favourite worst nightmare", de 2007, do Arctic Monkeys; "¿Cómo Te Llama?", lançado em junho/julho de 2008 pelo guitarrista dos Strokes, Albert Hammong jr. (na época a banda estava parada); "Neon Bible", dos canadenses (de Quebec) do Arcade Fire, e "Sunlight makes me feel paranoid", de 2003, da banda novaiorquina Elefant.

No Block do ouvinte, Hard rock setentista mezzo obscuro por Idalício. Encerrando a parte musical do programa, nosso já tradicional bloco anual dedicado a bandas que se apresentarão no festival Abril pro rock, em Recife. Fechando tudo, uma entrevista com Victor Balde e Marcelinho Hora sobre o lançamento do livro "Mùsica pra ouvir", da Snapic - primeiro registro pictórico da cena musical sergipana no formato.

Sábado que vem não farei o programa - estarei no abril pro rock.

Até dia 28.

A.

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Bixo da seda - Trem
Byzarro - Betelgeus star (1976, Ao vivo no Mr. Lee)
Liverpool - àgua branca
Mimi Lessa e Orquestra de guitarras - Led Boots

Cachorro Grande - Baixo Augusta
Plástico Lunar - quase desisto
Mopho - quanto vale um pensamento seu

Arctic Monkeys - Fluorescent Adolescent
Albert Hammond jr. - Lisa
Elefant - make up
Arcade Fire - Keep the car running

Jeronimo - To be alone
Killing Floor - Acid Bean
Hawkwind - Assault & Battery
> por Idalício

Mundo Livre S/A - O velho James Browse já dizia

Brujeria - Marijuana (Escobar remix)
Exodus - Bonded by blood
Ratos de porão - Tô tenso (Patife band cover)
Cripple Bastards - Mondo plastico
Test - Na pele de Deus
Leptospirose - O instrumental desse som vai pro I shot cyrus e a letra que se foda pra quem é, nem vale a pena tocar no assunto
Leptospirose - Drasticamente barrado no baile
Leptospirose - Casa própria
Leptospirose - Chá é o que há

Marcelino Hora e Victor Balde
>Entrevista

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terça-feira, 17 de abril de 2012

The Baggios por Regis Tadeu

Gente, os Baggios conseguiram impressionar Regis Tadeu, um dos críticos musicais mais "ranzinza" do país! Neste post ele os cita de forma entusiasmada (e não exagerada) entre as novidades que valem a pena na nova música indpendente feita no Brasil. Abaixo, reproduzo o trecho que nos interessa:

Confesso que eu e o pessoal aqui do Yahoo ficamos agradavelmente surpresos com a boa receptividade que um de meus artigos — "A música brasileira vai mal? Você que pensa...", que você pode ler aqui — obteve por parte dos leitores. A maneira como grande parte das pessoas se mostrou quase espantada ao tomar contato pela primeira vez com artistas que fazem trabalhos maravilhosos nos dias de hoje foi o estímulo perfeito para que, de tempos em tempos, eu prove aqui que a música brasileira está sim em um ótimo momento.

Abaixo estão mais alguns artistas e grupos que merecem MUITO a sua atenção...

THE BAGGIOS - Se você é preconceituoso e pensa que do Nordeste só vem estas porcarias de bandas de forró de plástico, saiba que do interior de Sergipe surge um dos grupos mais interessantes do novo rock brasileiro. Este duo — formado pelo guitarrista e vocalista Julio Andrade e o baterista Gabriel Carvalho — faz um som sensacional, pesado e muito bem sacado em termos de letras e arranjos, capaz de deixar o Jack White e o pessoal do Black Keys mordendo seus próprios cotovelos de inveja. O disco que lançaram no ano passado e que leva o nome da banda é um dos grandes álbuns de rock brasileiro dos últimos tempos...

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Snapic, uma entrevista

Nunca é demais lembrar: a exposição ‘Música Pra Ver’, que marca o lançamento do livro de mesmo nome lançado pela "Snapic", será aberta hoje, terça feira, 17 de abril de 2012. O Blog Trotamundos bateu um papo com a dupla Arthur Soares e Victor Balde. A entrevista foi conduzida por Marcelinho Hora, que também é curador do projeto e autor da foto ao lado, que mostra um flash da monatagem da exposição.

Para ler a entrevista em sua postagem original, clique aqui.

1. Trotamundos Coletivo: Queria que vocês falassem da trajetória de vocês?

Victor Balde: Meu envolvimento com a cena musical local começou em 2003, quando comecei a organizar pequenos shows com bandas independentes que formavam a cena naquela época. Conheci o Arthur nesse mesmo ano e foi ele, que em 2005, começou a registrar esses eventos. A gente sempre trocava idéia, ele me mandava o material produzido, mantivemos por um tempo essa relação, eu dando continuidade aos eventos e ele sempre registrando. Em 2007, após a visita de um amigo meu de São Paulo, resolvi investir na minha primeira máquina fotográfica e neste mesmo ano fiz o meu primeiro trabalho, registrando o show das bandas Inrisorio, Karne Krua e Ratos de Porão. Em 2008 acabei encontrando com Arthur no terceiro período da faculdade de Jornalismo. A convivência acadêmica evoluiu também para a fotografia, onde começamos a freqüentar e registrar os mesmos shows. Pesquisando sobre o universo da Fotografia de Música, descobrimos o livro ‘Fodido e Xerocado’ dos fotógrafos paulistas Daigo Oliva e Mateus Mondini. Esse trabalho virou nossa grande referência, pois mostrou a força de dois olhares sobre uma mesma cena musical.

Arthur Soares: Motivou a fazermos nossa primeira cobertura juntos, que foi o Projeto Dueto Cultural, com os shows da Maria Scombona e do Arnaldo Antunes, no Emes. A qualidade dos artistas e a boa estrutura de palco e luz ajudaram bastante para o bom resultado das fotos. Publicamos na internet e a aceitação foi muito bacana, gerando comentários positivos, a partir dai o trabalho ficou mais sério mesmo e criamos a Snapic!

2. Trotamundos Coletivo: O foco da Snapic sempre foi a música, mas acompanhando o trabalho de vocês, já vi coberturas de eventos como o CURTA-SE, desfiles de moda, etc. Isso não é sair do conceito?

Victor Balde: A idéia inicial sem dúvida era a de trabalhar com a música, pelo envolvimento mesmo, por já trabalhar na área, produzindo shows, por conhecer os músicos, as bandas que fazem a cena, facilitou demais e mostrou que o caminho era esse mesmo. Nosso foco foi e sempre será a música, porém, não vejo problema nenhum em aceitar outros trabalhos. Vejo inclusive como um reconhecimento ser convidado para atuar em outras áreas da fotografia, que não a de música. A própria cobertura do CURTA-SE, como você citou, do FICI (Festival Internacional de Cinema Infantil), fizemos dois anos consecutivos. Convites de editorial de moda (Serafina), coquetéis de lançamento (Samarra e Ponto Eletro), etc. São trabalhos que curtimos fazer e dão retorno financeiro. O que tenho certeza que nunca faremos é foto de formatura, porque eu acho que é o mais chato de se fazer. (risos)

3. Trotamundos Coletivo: A internet é, sem dúvida, uma ferramenta poderosa de divulgação do trabalho de qualquer fotógrafo. Mas vocês não acham que falta um pensamento, uma ação mais crítica sobre o que é produzido e exposto na rede? Como vocês percebem esse fato em relação ao trabalho desenvolvido?

Victor Balde: A internet limita demais isso! Os comentários são sempre positivos e simples. Ninguém acha defeito, dá sugestões. Vejo o trabalho de vocês do Trotamundos Coletivo muito importante nesse sentido de levantar a discussão, analisar o que é produzido, sugerir recortes, caminhos. E do livro a gente espera que atraia outro tipo de comentário e crítica, até porque ele vai chegar às mãos da crítica especializada, sejam revistas, jornais, sites. Porque são veículos que estão consumindo arte o tempo todo, sabem diferenciar o que é bom ou ruim. E agente quer saber, ter esse retorno, receber uma crítica construtiva.

4. Trotamundos Coletivo: E vocês fazem uma análise crítica do que produzem? Como funciona?

Victor Balde: Uma coisa que agente sabe que tem que evoluir é no processo de curadoria do que produzimos. Às vezes por causa de prazo a gente acaba não tendo a possibilidade de se encontrar e analisar o que foi produzido e o que vai ser separado e enviado ao cliente. Perdemos muito com isso, deixa de aprender, deixa de enviar o que realmente fizemos de melhor. Quando começamos a trabalhar com Marcelinho Hora, a coisa mudou muito. Nós paramos pra discutir mais, estabelecer parâmetros de escolha, edição e finalização do material. Mas há muito ainda que melhorar. Precisamos buscar esse tempo, de ver, discutir, refletir sobre o que é produzido, aprender com o olhar do outro.

5. Trotamundos Coletivo: Vocês já pensaram em criar um portfólio e colocar à análise de alguém que trabalhe com fotografia de música? Ter um contato mais direto?

Victor Balde: Seria uma boa…

Arthur Soares: Sim, sim…

Victor Balde: Eu tenho uma grande dificuldade, seja com curadoria, seja em analisar o trabalho. Arthur, pela prática do dia a dia, por ser fotojornalista, conseguiu se desenvolver bem mais nesse aspecto. Eu sempre acabo separando muito material, tenho uma dificuldade em estabelecer critérios. Espero trabalhar mais, desenvolver essa habilidade.

6. Trotamundos Coletivo: Será que não está faltando planejamento?

Arthur Soares: Conseguimos fazer isso quando o show é mais produzido. Um lançamento de CD, ou quando viajamos juntos com alguma banda que vai tocar fora. Sempre há mais tempo de discutir e estabelecer critérios, tanto entre conosco, como com a banda. E realmente o resultado é bem melhor. Mas acho que isso também pode ser provocado por terceiros. Esses encontros, o planejamento, por pessoas que não são da fotografia, que pertencem a outras áreas e que também estão envolvidos na produção de algum show ou espetáculo. Quando existe uma equipe centrada para conversar sobre esse planejamento, consegue-se desenvolver um trabalho melhor. Sejam estes produtores, diretores, iluminadores…

7. Trotamundos Coletivo: Mas essa conversa não pode ser provocada por vocês? Não deveria?

Victor Balde: Sim, sim. Precisamos cobrar que isso aconteça com mais regularidade…

8. Trotamundos Coletivo: Como vocês sentem hoje o mercado da Fotografia de música no nosso estado? Vocês se sentem valorizados?

Victor Balde: Todo começo é sempre difícil, com o desenvolvimento do trabalho, a gente vem conseguindo passo a passo mudar a realidade. Um trabalho que era feito praticamente de graça há três anos, que não cobria nem os custos de transporte (risos), hoje, já é bem mais valorizado. Conseguimos fechar boas parcerias com as bandas. Mas ainda há muito que mudar…

Arthur Soares: No começo íamos fotografar porque achava a banda interessante, produzia um material, colocava na net, que tinha uma boa repercussão e ai, de repente, uma banda chamava a gente para um outro show. Com o passar do tempo, tudo vem se tornando mais sério. Mas porque agente também começou a mostrar mais seriedade. A gente prefere fechar shows que sejam mais produzidos, que tenham uma boa condição de luz, palco. Mostramos a importância disso às bandas para o próprio resultado fotográfico. Se uma banda entra em contato, sempre mostramos a importância da busca de referências visuais para a realização do trabalho. Eles precisam ter referências, buscar essa identidade visual, informações que vão ajudar a criarmos o recorte visual ideal. Quanto à parte financeira, hoje nós temos bandas que vão tocar e já solicitam orçamento antes, já pensam no nosso trabalho como investimento e isso é uma conquista!

Victor Balde: Temos tido muito cuidado com essa parte de orçamento. Inclusive criamos um ‘pré-orçamento’, em PDF, com um questionário base, que a banda preenche algumas informações, que vão servir de base pra gente, a partir dai, agente manda um orçamento via email. Mas é difícil. O meio é muito mal acostumado a fazer as coisas de qualquer jeito, mas agente tem feito a nossa parte. A Snapic tem dado a sua parcela de contribuição para que as coisas mudem. Mas a mudança vem aos poucos mesmo, agente sabe disso…

9. Trotamundos Coletivo: Como foi que surgiu a idéia de transformar essa documentação fotográfica da cena musical sergipana em livro?

Victor Balde: Foi conseqüência. Começamos a fotografar como ‘Snapic’ em 2008, enquanto fazíamos o curso de Jornalismo. Nesse período, nosso acervo, a partir das constantes coberturas, só crescia. Produzíamos muito e o reconhecimento desse trabalho também. E na faculdade, a gente estava num momento de começar a pensar no TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), o que íamos fazer.

Arthur Soares: Eram as duas coisas que estavam acontecendo naquele momento. Fotografia e conclusão do curso de Jornalismo…

Victor Balde: Foi uma coisa natural. Aí veio a idéia de pegar esse acervo, esse trabalho e conseguir formatá-lo dentro de um projeto de TCC. O recorte, focando na música sergipana, veio da possibilidade de fazer com que esse trabalho pudesse também gerar e dar um retorno cultural, incentivo, visibilidade mesmo, tanto pra cena musical, quanto pro estado. E a partir daí produzimos esse primeiro trabalho. No tamanho 20 cm x 25 cm, 40 páginas, foi aprovado na nossa graduação e a partir disso agente pensou na possibilidade.

Arthur Soares: De levar mundo à fora, de sair da academia e de certa forma pagar essa dívida que tínhamos com a sociedade…dar um retorno mesmo!

Victor Balde: Feedback mesmo. O que agente pode trazer para o nosso estado? Mostrar o que está sendo produzido aqui. Já rola uma discriminação com o Nordeste, imagina com Sergipe, menor estado da federação. Então quisemos mostrar que existe música bem feita sendo produzida aqui e vamos fazer isso a partir do nosso olhar, do que registramos…

Arthur Soares: E dá mais seriedade também, né? Sair daquele formato da internet, onde você só comenta, curte. Deixar o projeto mais tátil mesmo. No princípio agente não tinha pensando em fazer um livro, por conta do custo, da falta de recurso financeiro mesmo, agente tinha a idéia de fazer apenas uma exposição;

Victor Balde: Havia uma distância muito grande entre realizar uma exposição e publicar um livro. Eram sonhos muito distantes! (risos)

Arthur Soares: Mas a intenção era fazer uma exposição…

10. Trotamundos Coletivo: Quem deu o ‘start’? Quem mostrou que a publicação do livro seria possível?

Victor Balde: A Diretora de Cultura e Arte da Sociedade Semear, Cita Domingos.

Arthur Soares: Agendamos a exposição lá na Semear e o material que foi do TCC seria o catálogo. Faríamos poucas cópias, tudo dentro do orçamento que a gente tinha. Quando nós nos reunimos com a Cita, pra ajustar as datas, confirmar o período e todo o planejamento da exposição, fomos informados que a Petrobras tinha um recurso separado para a nossa exposição!

Victor Balde: Foi a nossa Megasena! (risos)

Arthur Soares: Com esse recurso começamos a sonhar mais alto. Vimos que algo maior poderia ser feito. Tínhamos cerca de 70% do valor do projeto em caixa, restava viabilizar o restante…

Victor Balde: Foi uma virada de mesa. Pensamos então em viabilizar o restante do projeto via ‘Financiamento Colaborativo’, onde conseguimos vender antecipadamente 80 livros. Com esse dinheiro finalmente viabilizamos a impressão do livro e só nos restava agora conseguir novos parceiros, empresas menores, que entrariam como apoiadores culturais para financiar a exposição. A captação de novos recursos deixou a exposição muito mais rica conceitualmente e também mais produzida. Conseguimos viabilizar várias idéias e contar com uma equipe muito profissional ao nosso lado. Para a curadoria do livro e da exposição tivemos Marcelinho Hora junto conosco; a ambientação ficou com o Daniel Almeida; a direção de arte do livro foi do João Henrique; produção executiva de Alex Rocha e a produção artística da Nah Donato. Teremos ainda como mestre de cerimônia Diane Veloso. Show da The Baggios, com participação da Karne Krua, Maria Scombona, Patrícia Polayne, Plástico Lunar, Elvis Boamorte o os Boas Vidas e Oganjah. A captação de áudio será do Luiz Oliva, a de imagens pela Snapic, Pronto Filmes e Raphael Borges (Mingau). O técnico de som será o Dudu Prudente, o roadie será o Raul Matos e assistentes Fernanda Vieira, Vivian Madureira, Ingrid Baracho, além das intervenções dos artistas plásticos Duardo, Fábio Sampaio e Cachorrão.

11. Trotamundos Coletivo: Quais os próximos passos da Snapic? Quais os projetos futuros?

Victor Balde: Após o lançamento do livro, nós estamos planejando levar a exposição para outros lugares. Levar nosso projeto para o maior número de capitais possíveis. Após essas excursões com a exposição, lançaremos um DVD que vai contar toda a história, fechando um ciclo. Esse DVD, a princípio, terá três etapas, sendo a primeira com o slide show de todas as fotos do livro, a segunda o show gravado na íntegra no dia do lançamento do livro/exposição e a finalizando com um documentário sobre todo o processo de criação. Começo, meio e fim do que foi o projeto ‘Música pra Ver’.

12. Trotamundos Coletivo: Uma mensagem final…

Arthur Soares: Só queria finalizar, falando sobre a lição que estamos tirando nesse momento, que a fotografia não se faz apenas com fotos, mas com diálogo, conversa. Estamos à disposição de todo mundo que queira interagir e somar com agente em nossos projetos e idéias…

Victor Balde: É isso, a vida está passando, agente tem que produzir, sempre em prol da arte e da cultura e acreditar sempre! A partir do momento em que agente acredita em nosso trabalho, um dia vão começar a acreditar no trabalho da gente…

segunda-feira, 16 de abril de 2012

" Música pra ver " - o livro.

Em outubro de 2008 os estudantes de jornalismo Victor Balde e Arthur Soares se reuniram para, juntos (já o faziam em separado), registrar em fotos o Festival “Dueto Cultural”, que aconteceu no Espaço Emes e contou com a presença das bandas Maria Scombona e Capitão Parafina, além de Arnaldo Antunes. Era o nascimento da Snapic, assinatura pela qual os dois passaram a acompanhar e fotografar a efervescente cena musical sergipana em suas mais diversas manifestações, do Hard Core da veterana Karne Krua ao forró estilizado da Naurêa, passando pelo metal, MPB, rock, samba rock, blues e reggae de nomes como [maua], Patricia Polayne, Plástico Lunar, Mamutes, The Baggios, Elvis Boamorte e os Boavidas, Máquina Blues, Reação e Oganjah. Isto para ficar apenas no âmbito local, já que registraram também, através de suas lentes sempre espertas, bem posicionadas e com um olho no clique e outro na qualidade do acabamento, atrações de porte nacional e internacional, como Iron Maiden, Criolo, Vivendo do ócio, Jessie Evans, Roberta Sá, Kaki King, Racionais MC´s, Afrika Bambaata, Leonardo (ele mesmo, o ídolo sertanejo) e Fiuk (sim, o fenômeno teen), dentre muitos outros. Com a repercussão merecidamente obtida, foram publicados por periódicos como a Revista Rolling Stone e os jornais O Globo, A Tarde, Cinform, Jornal da Cidade, Jornal do Dia e Correio de Sergipe. Faltava-lhes apenas, para “eternizar” seu trabalho, um registro definitivo em papel de boa qualidade encadernado na forma de um livro – porque os livros ficam!

Não falta mais. Amanhã, na Galeria Jenner Augusto da sociedade Semear, em Aracaju, a dupla Snapic vai lançar, finalmente, seu livro, “Música pra ver”. Além de uma exposição de fotos ampliadas e da venda do livro, o evento contará com a participação de outra dupla, The Baggios, comandando o som com o auxilio luxuoso de convidados especiais da cena musical local.

The Baggios é a banda mais fotografada pela Snapic, portanto não é de surpreender que sejam eles a emoldurar capa e contracapa do belíssimo volume que é “Música pra ver” – impresso em papel couchê de altíssima qualidade (fator imprescindível para a valorização das imagens) e encadernado em capa dura. O trabalho foi realizado pela Gráfica Santa Marta, da Paraíba, empresa escolhida por eles devido ao trabalho realizado com o livro “Sergipe: Do litoral ao sertão”, de dos fotógrafos Lucio Teles, Marcio Dantas e Marcio Garcez.

Ao abrir o volume você se deparará, primeiramente, com mais uma foto dos Baggios – preto e banca, tirada no Morro do Cristo de São Cristóvão. Ao lado do belíssimo e sucinto texto de apresentação assinado pelo também fotógrafo (e guru) Marcelinho Hora (que também fez a curadoria da obra), Daniela, da Renegades of punk, aparece empunhando uma guitarra e vestida numa camiseta da banda Besta Fera em meio à penumbra da saudosa “Casa do rock”. Também em preto e branco.

Depois temos a ficha técnica e um pequeno texto informativo sobre o nascimento da dupla ilustrado por uma foto de Marcelinho Hora – agora colorida. Cores que explodem, finalmente, nas páginas seguintes, com fotos da Maria Scombona no Espaço Emes em 2008. Azul e vermelho se sobressaem. Nada mais justo que começar o livro propriamente dito com o primeiro grupo fotografado por eles, assim como é igualmente justo dar prosseguimento com a banda de rock mais antiga em atividade no estado, a Karne Krua. Nas duas páginas dedicadas aos veteranos, uma pose pra lá de expressiva do guitarrista Alexandre Gandhi e, logo abaixo, a que eu considero a melhor foto que já vi de Silvio – ele de costas, com o punho erguido.

Nas páginas seguintes, Jezebels e Alapada no Rock Sertão, e então uma deslumbrante fotografia promocional da Plástico Lunar apresentada em página dupla. Costumo preferir fotos de apresentações ao vivo, mas as fotos promocionais produzidas pela Snapic são igualmente excelentes. A Plástico aparece também no palco ao longo das 8 páginas dedicadas a eles – destaque para uma de Plástico jr. com o contrabaixo em primeiro plano.

Depois de uma Patricia Polayne estilosa em poses teatrais, mais uma excelente foto promocional em página dupla, desta vez com os “thrashers” da Nucleador – que também são clicados em ação durante sua excelente e energética apresentação no Rock Sertão do ano passado.

Aí você vira mais uma página e fica frente a frente com a imagem de Jimi Hendrix projetada num telão logo acima da cabeça de Rafael Jr., em sua encarnação como baterista do Ferraro Trio. Mais duas páginas com o Ferraro envolto em penumbra (gostei muito da que mostra Robson de costas, com o braço do contrabaixo se sobressaindo na escuridão) e então outra foto promocional, da banda Rótulo – que também é focada ao lado se apresentando ao vivo acompanhada com o que imagino que seja um garoto de rua “peralta” dando cambalhotas e tocando uma guitarra imaginária. Muito bom!

As seis páginas dedicadas à Naurêa incluem uma impressionante fotografia em página dupla tirada do alto que os mostra de frente para uma multidão. Destaque também para outra que flagra um abraço carinhoso entre os vocalistas Alex Santanna e Marcio de Dona Litinha - carinho também presente entre Karl Dy Lion e Rick Maia, da mamutes, registrado em preto e branco. Na foto seguinte, já colorida e em página dupla, uma figura não identificada com a cabeça baixa escondida por um boné e uma vasta cabeleira. Segundo Balde, é o “Coringa” do livro – ele me desafiou a descobrir quem é, mas eu só acertei depois de uma dica.

Seguimos em frente: Diane Veloso tomando vinho numa apresentação ao vivo da Banda dos Corações partidos; os vastos dreadlocks dos caras da Reação; um set list riscado, detalhes da decoração de palco e dos instrumentos dos Boavidas que acompanham Elvis Boamorte – 10 páginas para eles, com direito a um close nos pés do vocalista/guitarrista/ex-baterista; duas páginas para um oganjah ora reflexivo, ora descontraído; mais duas para um Alex Santanna que parece ser só felicidade em cima do palco; maua no rockaju e em Euclides da Cunha, Bahia, com destaque para uma sensacional foto de página dupla em preto e branco e para as caretas sempre engraçadas de Ericão, e depois um Renegades of punk em registro meio gótico, expressionista e sombrio, na Casa do rock.

Uma página preta – preta mesmo, sem nenhuma imagem – nos remete à parte final do livro, que traz uma bela sequencia de fotos da Máquina Blues, com o “velho guerreiro” (ele vai rir ao ler isto) num estiloso chapéu de “cowboy” erguendo os braças, saltando e dando socos no ar e, finalmente – e novamente – The Baggios. As 13 últimas páginas (18, se contarmos a foto de apresentação, a do encerramento, a capa e a contracapa) são merecidamente deles. O aparecimento de Julico no cenário musical local, que eu acompanho desde 1987/88, foi, para mim, uma das mais gratas surpresas. O cara veio meio que do nada (desculpe aí, São Cristóvão, mas vocês – e estou falando não do povo da cidade, mas do apodrecido e corrupto poder público - merecem, depois de não tê-los convidado nem para a comemoração da elevação da Praça São Francisco à condição de Patrimônio da Humanidade) e arrebatou a todos com seu vocal característico, suas composições bluseiras simples e certeiras e suas guitarras matadoras, o que os faz conquistar, aos poucos, a atenção e admiração dos amantes da boa música no Brasil e no mundo (foram recomendados pelo jornal inglês “The Guardian”!). Ou, pelo menos, dos que conseguem enxergar para além das comparações óbvias com suas influencias confessas, a saber o White Stripes, o Led Zeppelin, Raul Seixas e tudo mais de bom que o bom e velho rock and roll (e o blues) produziu nestas várias décadas de vida. The Baggios não inventou a roda, mas a faz girar ao seu estilo, com personalidade e competência acima da média. E são também, apesar de se resumirem a uma dupla – ou por isso mesmo – extremamente fotogênicos, como atestam as sempre belíssimas fotos da Snapic tiradas deles. Para o livro, foram selecionadas uma que mostra a dupla tentando tocar a lente do fotógrafo, outra que flagra Julico reverente num ambiente religioso, mais uma (muito usada por aí) com os dois “de role” pelas ruas da cidade histórica, uma com Julico abraçado ao violão, outra só com os instrumentos em repouso no estúdio, uma sequencia da gravação do primeiro disco e outra, matadora, com momentos de suas apresentações ao vivo.

E é isso. Espero, sinceramente, que meu (não tão) pequeno porém singelo (ui!) texto tenha feito justiça a esta belíssima obra, que será ainda melhor degustada com o passar do tempo, quando poderemos, literalmente, ver em perspectiva este momento único pelo qual vivemos. Espero também que, daqui a alguns anos - ou décadas - as coisas evoluam e este livro seja encarado como o registro do princípio de algo ainda maior, ao invés de trazer à mente o tristemente célebre bordão “a gente era feliz e não sabia”. Em todo caso, não se contente com a leitura de minhas palavras. Vá e veja com seus próprios olhos. Amanhã, terça feira, 17 de abril de 2012, às 19:30, na Sociedade Semear. Entrada grátis. Já o livro custa 50 pilas – não considere como um gasto, é investimento.

por Adelvan

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Música pra ver - o lançamento ...

Na próxima terça-feira, dia 17 de abril, na Galeria de Artes Jenner Augusto, haverá o lançamento do livro de fotografias “Snapic – Música pra ver” dos fotógrafos sergipanos Arthur Soares e Victor Balde. Será a partir das 19 h, com uma exposição de fotos contidas no livro em formato ampliado. O lançamento ainda contará com um show acústico da banda The Baggios acompanhada de convidados.

O livro reúne apenas imagens de artistas sergipanos. São 20 ao todo: The Baggios, Patrícia Polayne, Alapada, Reação, Máquina Blues, Plástico Lunar, Maria Scombona, Ferraro Trio, Karne Krua, NaurÊa, Rótulo, Elvis Boamorte e os Boavidas, [maua], Mamutes, Nucleador, Banda dos Corações Partidos, Oganjah, The Jezebels, Renegades of Punk e Alex Sant’anna.

A Galeria de Artes Jenner Augusto fica na sede da Sociedade Semear - Rua Vila Cristina 148 - Aracaju - Sergipe - Tel: (79) 3302-6323 / 3214-5800

Os dois responsáveis pelo projeto, Victor Balde e Arthur Soares, estarão ao vivo nos estúdios da Aperipê FM na próxima edição do programa de rock.

Mais Informações: http://www.snapic.com.br/