sexta-feira, 12 de outubro de 2012

por onde anda ...

Cláudio César Dias Baptista (também conhecido pela abreviatura CCDB, São Paulo, 6 de maio de 1945) é escritor, produtor de equipamentos de som e músico brasileiro. Foi um dos fundadores do grupo musical "The Thunders" (depois rebatizado "Os Seis") que viria a se tornar mais tarde Os Mutantes. Depois da entrada de Rita Lee, que com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias (irmãos de Cláudio) integravam a formação considerada clássica da banda, CCDB atuava nos bastidores como "o quarto mutante" (chamado por alguns "O Primeiro Mutante", "The First Mutante", "O Quarto Integrante da Banda" ou ainda "O Mutante Oculto", uma referência a seu estudo místico), fazendo as vezes de técnico de som e construtor de todo o equipamento dos Mutantes, como a Guitarra de Ouro, as mesas de som e os equipamentos CCDB. Cláudio começou a mostrar seus dotes ainda criança, construindo telescópios. Em 1963 fabricou suas primeiras guitarras. Uma delas, a partir de um violino.

A pedido de um amigo, empenhou-se em fazer “a melhor guitarra do mundo”, com peças banhadas a ouro. Ao cabo de oito meses, entregou a encomenda. Na parte de trás, a inscrição de uma “maldição”: se alguém roubasse a guitarra, espíritos perseguiriam o gatuno para sempre.

Em 1964, os irmãos Arnaldo Baptista e Cláudio César Dias Baptista, juntamente com Raphael Vilardi e Roberto Loyola, fundaram o grupo The Wooden Faces. Um ano depois, conheceram e convidaram Rita Lee - então no Teenage Singers - a integrar a banda. Ainda entraria no grupo Sérgio, o caçula na família Baptista. A nova banda passou a se chamar Six Sided Rockers, depois O Conjunto e O´Seis.

Em 1966, eles gravaram compacto simples pela Continental com as composições "Suicida" (de Raphael e Roberto) e "Apocalipse" (de Raphael e Rita), que vendeu menos de duzentas cópias. Ainda naquele ano, Cláudio César, Raphael e Roberto deixariam o grupo. Com o aparecimento dos Mutantes em 1966, Cláudio fica responsável pela construção dos instrumentos: guitarras, baixos e amplificadores. Seus inventos proporcionam possibilidades ímpares de sonoridade, marca registrada da banda. Arnaldo, Rita e Sérgio mantiveram o grupo, que foi rebatizado com o nome definitivo de Os Mutantes - por sugestão de Ronnie Von, que, naquela ocasião, lia O Império dos Mutantes, ficção científica de Stefan Wul. Von, uma das estrelas da Jovem Guarda, comandava então o programa dominical O Pequeno Mundo de Ronnie Von, transmitido pela TV Record, e não havia gostado do nome anterior. Em 15 de outubro de 1966, Os Mutantes estrearam no programa. Impressionaram tanto que o grupo foi convidado a fazer parte do elenco fixo do programa. Eles também participaram das gravações do LP Ronnie Von - nº 3

Fonte: http://www.contrabaixobr.com/t17260-luthier-historia-claudio-cesar-dias-baptista-ccdb

--------------------------------------------------------------------------------------------------

Ardo é um músico inquieto e inventivo. É o motor criativo de Os Atlantes, banda que ele integra ao lado do irmão, Sérias, e da mulher, Ree. Apreciado por sua originalidade, o conjunto acabou precocemente depois que os músicos começaram a tomar uma droga lisérgica chamada KSE. Após a dissolução do grupo e um salto suicida no vazio, Ardo acabou internado numa clínica psiquiátrica, por “abuso na ingestão de alucinógenos e conflito afetivo irresoluto”.

A semelhança com a trajetória de Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee, que formaram Os Mutantes nos anos 60 e 70, não é fortuita. Os Atlantes são um grupo fictício criado por Cláudio César Dias Baptista, irmão mais velho de Arnaldo e Sérgio e cofundador do grupo que deu origem aos Mutantes. Luthier autodidata, construiu vários instrumentos usados pela banda e foi em parte o responsável pela sonoridade única de faixas como Dia 36, Bat Macumba e 2001.

A história dos Atlantes aparece no Livro Sexto de Géa, saga em doze volumes escrita por Baptista, que o público desconhece. Géa é uma obra de números superlativos: são 1 267 personagens apresentados em 3 712 páginas. O autor gosta de chamar a atenção para sua diversidade lexical: ele estima ter usado 30 mil palavras diferentes (“Mais do que em Os Lusíadas”). Muitas são neologismos e termos de idiomas extraterrestres – por isso o autor fez também o Livro Treze, um glossário mais extenso que os outros doze volumes juntos.

O livro conta a jornada espiritual de Clausar, alienígena do planeta Géa e alter egodo autor, como o nome sugere.  Na galáxia ficcional criada por ele, não são poucos os personagens, lugares e situações que têm paralelo com os da Terra. Nem poderia ser diferente: “Existe, sim, uma ligação com a minha vida, porque Géa contém uma mensagem e ela só pode ser passada a partir do que aprendi nesta existência”, disse Baptista.

Os personagens de Géa se deslocam em 78 tipos diferentes de naves. A obra apresenta ainda uma profusão de engenhocas imaginadas pelo autor, como o psicoaudiossintetizador alfa, instrumento musical operado pela mente, e o ionomag, sistema propulsor de naves “que poderá quiçá funcionar, se testado em laboratório e com o devido investimento de capital”. Apesar desses elementos, o autor fica pouco à vontade ao ver sua obra rotulada. “Meus livros são bem mais que ficção científica”, afirmou. “Géa não cabe em estilo algum conhecido.”

 fisionomia de Cláudio César Dias Baptista lembra a de seus irmãos maisconhecidos. Mas ele se indispõe com a forma como a semelhança costuma ser apontada. Sendo o primogênito, raciocina, seria mais adequado dizer que Arnaldo e Sérgio é que se parecem com ele. Baptista gosta de se identificar com as iniciais CCDB, que ele registrou como marca. Mora com a mulher e o filho num sobrado branco de dois andares nos arredores de Rio das Ostras, no litoral norte-fluminense. Mudou-se para lá no fim dos anos 90 e ali concluiu a redação de Géa. Leva uma vida austera, rodeado de poucos livros, filmes em DVD e VHS e aparelhos de som.

O luthier não produz mais instrumentos musicais e equipamentos de áudio. Dedica-se hoje ao trabalho virtualmente sem fim de revisão de sua obra e atualização da versão online do Livro Treze, que lançou no fim de 2011 e já está na sexta revisão. Passa boa parte do tempo em seu Q.G., no 2º andar da casa, um espaço amplo que lhe serve de quarto e ambiente de trabalho, sem paredes internas para delimitar os ambientes.

CCDB tem sua obra no mais alto juízo. “É um trabalho perene e um passo brilhante para a literatura do Brasil, para o nosso povo e para o nosso idioma”, afirmou. “O tempo dirá se exagero.” Não obstante, ele ainda não conseguiu convencer nenhuma editora a publicá-lo. De acordo com suas contas, já sondou cerca de “600 editoras brasileiras e 400 portuguesas”, conforme disse numa entrevista apiauíem sua casa, numa tarde de março. Ele não abre mão de publicar a obra na íntegra, com os doze volumes e o glossário, se possível com as capas e ilustrações também feitas por ele. As tentativas fracassadas não chegam a ser motivo de frustração. “Escritores como Cervantes e Monteiro Lobato tiveram dificuldades imensas para ser publicados”, disse CCDB. “Minhas dificuldades são mínimas.”

Enquanto o autor não as supera, Géa segue disponível apenas numa plataforma de leitura desenvolvida pelo próprio CCDB em seu site. Os interessados não podem ter uma cópia impressa ou eletrônica dos livros: é possível apenas comprar tempo de acesso às obras. Por 15 reais, ganha-se o direito a trinta dias de acesso ao ambiente de leitura, que oferece também outros livros escritos por Baptista, inclusive os doze volumes de Geínha, aventura para o público infantil ambientada no universo ficcional.

Pouquíssimos leitores encararam Géa na íntegra. Baptista sabe quantos são, mas prefere não revelar (o número “mal dá para manter o site no ar”). Como os livros só estão disponíveis no site, as estatísticas de acesso permitem ao autor monitorar o andamento da leitura dos usuários – eventualmente, ele manda e-mails para comentar a fruição de seus escritos.

A plataforma fechada é sintomática do verdadeiro pavor que CCDB tem da perspectiva de ter seus livros e inventos pirateados. Ele nem cogita disponibilizar sua obra na internet para que alcance um público maior e, quem sabe, acabe convencendo algum editor a publicá-la em papel. “O fato de ser lançada de graça significaria que não tem valor”, avaliou. “Seria um desdouro para a obra. Prefiro esperar mais.”

Os usuários dispostos a enfrentar os doze volumes têm ainda um obstáculo adicional: a organização do site é anárquica – um emaranhado de páginas de navegação confusa, desprovido de ordem aparente. CCDB vê isso como uma barreira iniciática para selecionar seus leitores. “O caos força a pessoa desinteressada a fugir do site.”

Ficção para poucos

 

Por que ninguém lê a monumental obra de Cláudio César Dias Baptista

por Bernardo Esteves


---------------------------------------------------------------------------------------------------

Primeiro Mutante, Cláudio César Dias Baptista trabalha duro como escritor e luta para ver seus livros publicados

Célebre pela fabricação de instrumentos, irmão mais velho de Sérgio e Arnaldo passou por experiência mística que o levou a escrever compulsivamente. Íntegra da entrevista feita para a matéria publicada no site da Revista Bizz em agosto de 2007.

por Marcos Bragatto

Quem se aproxima do palco durante um show d’Os Mutantes pode ver de perto Sérgio Dias tocando uma guitarra aparentemente anacrônica, com botões grandes, corpo pesado e acabamento, digamos, retrô. Trata-se de uma das três guitarras de ouro fabricadas pelo irmão de Sérgio, Cláudio, nos tempos em que o Mutantes não passava de uma aventura. Cláudio César Dias Baptista é o irmão mais velho e fundador do grupo que se converteria no Mutantes, o The Thunders. Não a toa é conhecido mundialmente como “the first Mutante”.

CCDB, como assina suas criações, deixou de lado a fabricação de instrumentos e equipamentos eletrônicos há dez anos, mas por uma boa causa. Por conta de uma experiência mística, na qual diz ter encontrado Deus, partiu para escrever compulsivamente numa casa feita por ele e pela família no interior da pacata cidade litorânea de Rio das Ostras, no norte fluminense. Lá, concluiu sua principal obra, “Géa”, com 12 volumes mais um dicionário explicativo, e “Geínha”, obra infanto-juvenil; refez com o filho o “CCDB Gravação Profissional”, publicação com tudo que se pode pensar sobre gravações; e finaliza agora o “livro chamado que”, ou “) que (“, assim mesmo, com os parênteses invertidos.

Numa atmosfera em que o branco predomina, desde as roupas até a mobília da casa, CCDB trabalha incansavelmente o dia todo, todos os dias, e luta para que suas obras, “para o bem do Brasil”, como costuma dizer, sejam enfim publicadas. Cláudio recebeu a equipe da Editora Abril com uma doçura que manteve durante toda a entrevista e sessão de fotos. Contou toda a experiência mística pela qual passou, citou trechos de seus livros, e ainda deu uns pitacos na volta do Mutantes, ou “pseudo Mutantes”, como prefere chamar o novo grupo que hoje conta apenas com Sérgio Dias da formação clássica. Veja como foi a conversa:

Rock em Geral: Como você decidiu morar aqui?
Cláudio César Dias Baptista: Eu morava em Laranjeiras, onde eu, minha mulher e alguns familiares dela trabalhávamos construindo amplificadores, mesas de som e equipamento de áudio. Nós ocupávamos cinco quitinetes do tamanho de 3 x 6 (metros), até 1997, quando nos mudamos pra cá. Eu tinha escrito os meus arquivos para a revista Nova Eletrônica, quase 700 páginas. Eram artigos de áudio, mas eu coloquei personagens que depois se transformaram nos personagens da minha obra principal, chamada “Géa”. Eu tinha idéia de escrever um livro desde aquele tempo, prolongando a estréia desses personagens, mas não estava decidido a escrever. Nesse tempo todo trabalhando eu vinha fazendo umas práticas místicas, exercícios de busca daquilo que eu já tinha encontrado de certa forma numa vigem que eu fiz com LSD, que era a vivência emocional daquilo que eu havia descoberto com o meu raciocínio, mas não tinha ainda toda essa experiência do caminhar até esse ponto. Essa coisa que eu obtive na viagem lisérgica foi encontrar Deus. No sentido figurado eu poderia dizer que vi Deus, mas quando eu estava trabalhando numa dessas quitinetes, em Laranjeiras, fazendo uma experiência mística, eu encontrei, apareceu-me um ser incorpóreo, de uma maneira inesperada. Normalmente quem pratica misticismo procura alcançar o cósmico por meio de práticas que se repetem e se repetem, na dificuldade em conseguir. No entanto dessa vez foi como se eu estivesse num carro de uma montanha russa que despencasse e me levasse e me segurasse para não cair.
REG: Você planejou uma experiência desse tipo?
CCDB: Não, eu fazia experiências constantes, e dentro de certas normas, pra poder palmilhar aquele caminho ou subir aquela montanha a qual o LSD tinha me levado. Ele me levou ao topo, sem que eu percorresse o caminho intermediário. Eu não tive essas experiências que místicos orientais costumam ter, em qualquer lugar, e percorrendo toda o caminho até chegar e alcançar aquela luz máxima que eu consegui na experiência lisérgica. Eu tinha chegado a essa luz pela filosofia, por pensar muito a minha vida toda, mesmo naquele tempo da juventude, que foi quando eu tomei ácido. Mas o ácido fez com que se concretizasse a experiência mística em si, que não é apenas de razão, de filosofia, ela transcende isso.
REG: E você quis fazer sem usar ácido dessa vez…
CCDB: Eu quis fazer sem usar ácido e consegui, não dessa vez, outras vezes eu consegui essa experiência. Mas a experiência de encontro com Deus é indizível, eu posso contar muitas e muitas vezes, em “Géa” tá contado como se fosse uma das minhas personagens, mas é indizível, ela não basta, por incrível que pareça. Ela é tão óbvia… É como se você ou qualquer pessoa me olhasse e conseguisse sentir que a existência de qualquer coisa é o maior milagre que pode existir. Muito mais fácil seria que nada existisse. Então é mais uma intensa emoção, de intensa vivência, que o palmilhar de uma trilha numa montanha, uma experiência que pode ser descrita como foi essa que eu tive no tal carro de montanha russa, que não foi bem um carro, mas a sensação de estar nesse carro.
REG: Mas como é que você viveu essa experiência?
CCDB: Eu estava sentado diante do meu Sanctum, que é o lugar sagrado, na frente de um espelho, com velas acesas, praticando todas as quintas-feiras como eu costumava praticar e ainda pratico meditação. De repente, ao invés de acontecer aquilo que eu esperava, que tivesse a dificuldade de sempre, aconteceu essa experiência diferente que não foi a do topo da montanha, não foi a de alcançar Deus, coisa que eu já tinha conseguido sem o uso do LSD. Dessa vez era uma das minhas tentativas de percorrer o caminho e uma das minhas perguntas é se havia entidades incorpóreas, independente da matéria - como os espíritas diriam que são os espíritos, né? – e eu não estava nesse dia procurando isso, estava em busca de contato com outras pessoas, com outros místicos que eu já tinha tido experiências assim, pelo mundo todo, e tive esse contato. A experiência começou nesse mergulho, e eu fui parar num terreno muito amplo, com um jardim, à noite, no centro do qual havia uma fogueira. Ao redor da fogueira éramos muitas pessoas que também estavam chegando ali pelo mesmo caminho que eu, ou similar, e todos estávamos de braços dados sentados num grande círculo da fogueira.
REG: Isso tudo você via?
CCDB: Presenciava como estou vendo você, de olhos fechados e num estado de relaxamento profundo, mas não numa auto-hipnose. Eu digo a mim mesmo que eu tenho cem por cento de certeza de que isso aconteceu, mas eu não testemunho a ninguém que isso seja cem por cento de verdade. Eu testemunho que seja verdadeira a experiência com Deus, tanto o ácido quanto fora dela. Alguns místicos dizem que a experiência com as drogas, que incluem o LSD, não é uma experiência verdadeira, mas quem diz isso não viveu a experiência com o LSD. Eu digo que é a mesma coisa porque também consegui, por meio de práticas místicas, de técnicas que existem e que você pode aprender em ordens místicas, existem várias que são autenticas. Eu pertenço a uma delas, mas prefiro não dizer qual é, inclusive porque não quero que meus livros tenham, e ao escrever os livros fiz questão de que não tivesse conotação de fruto de trabalho como ordem mística ou portador da palavra de alguém que não seja eu. Meus livros chegam até - “Géa” principalmente - a negar muito dos ensinamentos, não bem ensinamentos, orientações, mas que essa ordem dá, caso a caso.
REG: “Géa” tem quantos volumes?
CCDB: São 12 volumes de texto e um que é o décimo terceiro que é o dicionário. O dicionário tem o glossário dos termos alienígenas, porque parte da história se passa em outros planetas.
REG: Podemos chamar de um livro de ficção?
CCDB: Não, eu não quero rotular. O livro começa, na página 2, logo atrás da capa, onde é a página primeira do texto, com um pedido. “Leia isto, por favor, ou, por favor, não leia ‘Géa’”. O primeiro item fala em rótulo. “Géa” não pode ser rotulada, ela não é misticismo, não é romance, não é filosofia, não é ficção, não é qualquer gênero que você possa imaginar, e é todos eles porque contém todos eles. É muito grande para rotular, e o maior perigo é o rótulo. Ele já põe a pessoa na suposição de que a obra é isso e acabou, então ela já se sente conhecedora do que tá ali dentro, baseada nas experiências que teve antes, e não é bem assim. A mesma coisa o autor. “Esse autor é o novo não sei quem”, se for na minha obra infantil, digamos que fosse no “novo Monteiro Lobato”, se for na obra mística seria o “novo Paulo Coelho”, e o que eu escrevo não tem nenhuma ligação com um ou com outro.
REG: Essa obra está finalizada?
CCDB: Já faz muito tempo que tá finalizada, terminei em 1994.
REG: Já foi editada?
CCDB: Levei dez anos escrevendo, sete dos quais eu escrevi os textos dos doze livros de texto, cada um com 250 páginas, no tipo de caractere que eu usei. O tamanho é 16 x 23, o tamanho convencional, tamanho dez, times new roman, e o texto é escrito de maneira que o desenho do texto, em algumas partes, condiz com a narrativa, com o conteúdo. E sem ilustrações. Eu tenho a mesma obra já ilustrada, com 62 ilustrações cada volume, todas são minhas. Eu tô finalizando uma agora para a obra infanto-juvenil, organizando o livro infanto-juvenil que também tem 62 ilustrações, que é a “Geínha”. Não é um resumo de “Géa” ou uma “Géa facilitada”, é outra história, em outros lugares.
REG: Por que tem o mesmo nome?
CCDB: Porque tem personagens que se prestam, dos 1300 personagens aproximadamente da obra “Géa”, tem personagens que se prestam à literatura infantil. Tem a Tália, que é uma menina… Vários personagens que são protagonistas, mas tem mais mil e tantas personagens na obra infanto-juvenil. E tem outro livro, já que estamos falando direto dos livros, que é o “livro chamado que”. É q, u, e, sem acento e com inicial minúscula, entre parênteses invertidos (N.E.: “)que(“ ). Isso significa – alguém um dia vai perguntar – aquilo que está fora de todo o universo. O universo seria o que está dentro dos parênteses, para o lado de fora. E o que tá dentro, que seria na realidade fora dos parênteses, o além do Universo. Isso simboliza a pessoalidade de Deus, que é justamente aquilo que eu discuto que essa ordem nega, e o que eu discuto na obra dizendo que existe. Assim como nossa consciência, sendo nós mesmos, se destaca de nós e nos vê de fora, o Universo, ele existindo consciência, existindo vida. Essa consciência também se destaca e isso se torna pessoal quando enfoca o Universo. Então, separando-se do Universo assim como o “que”, a consciência seria a pessoalidade de Deus vendo o Universo, que seria seu corpo. A palavra “que” quer dizer tudo isso.
REG: Esse também está concluído?
CCDB: Isso já tá tudo escrito. Eu fiz primeiro “Géa”, que eu fui levado a ter a vontade final de escrever, tomar a iniciativa de escrever por causa dessa experiência que eu interrompi na narrativa. “Géa” tem 12 volumes, com 250 páginas cada volume, na versão só com texto. Tem o dicionário que conta os termos alienígenas e os bons neologismos, nenhum é vicioso. Por exemplo, ao invés de “varridamente” louco eu digo “enceradeiramente” louco. O dicionário tem os termos alienígenas que dá para o leitor entender lendo o livro sem a explicação, mas ele explica para quem não conseguir entender. E depois tem uma parte maior que é o “rarefeito dicionário de palavras raras”, que mostra as palavras da nossa língua, explica essas palavras da maneira que foram usadas no texto, com que acepção e de que maneira eu as empreguei. Esse dicionário tem mais caracteres do que os doze volumes de texto juntos, tem 1000 páginas e os caracteres são pequenos, a margem é menor, é um volume pesado que poderia ser lançado como um CD, junto com o livro, porque quem comprasse o livro, primeiro deveria comprar o dicionário.
REG: Por que esses livros não foram publicados ainda?
CCDB: Por causa do tamanho da obra, e porque eu não tenho agente literário e nem me pus atrás dos editores da maneira convencional, que é mandar impresso para os editores um excerto do livro. Eu me confesso incapaz de fazer um excerto. O site inteiro eu criei pra isso, pra mostrar aos editores o que os livros são. Eu faço sozinho e a partir de uma certa época com o meu filho Rafael, que é co-autor de um dos meus livros, o livro técnico sobre gravação profissional. Ele tem 24 anos, mora comigo e me ajuda nas botoeiras do site, estudou informática, deu aulas, ele entende mais que eu do assunto. Então os livros são “Géa”, com 12 volumes de texto e um dicionário que poderia ser um CD, assim como o “Aurélio” eletrônico. Nesse caso os livros seriam na forma também de livro eletrônico. Mas eles poderiam estar contidos num CD ou DVD junto com o dicionário, ou então a pessoa que lê o livro, mesmo impresso, teria também o dicionário, se quisesse, ou o dicionário poderia ser impresso convencionalmente, para quem quiser comprar. É possível ler os livros sem o dicionário. Mas por que o dicionário de palavras raras tão extenso? Porque “Géa” – não os meus outros livros – só a obra “Géa” tem 30 mil vocábulos aproximadamente. Esse léxicon é o dobro do que o William Shakespeare tem em toda a sua obra, é seis vezes o que Camões colocou em “Os Lusíadas”, é um quarto de todos os vocábulos da língua portuguesa, como estariam na primeira versão do “Aurélio” eletrônico.
REG: Deve ser difícil de entender…
CCDB: Pode ser difícil, e a escrita foi programada em dificuldade crescente até o final. Mas não absolutamente de um jeito preciosista, e sim, e esta é a palavra que deve ficar marcante, usando palavras melhores. Você pode escrever um texto com palavras melhores e a demonstração disso está numa das páginas do site chamada justamente “Géa é difícil?”. Nessa página tem um exemplo e um texto de uma instância de uma poesia da “Eneida”, de Virgílio, e um texto, um parágrafo meu, com a tradução para palavras mais simples. Lendo de um e outro jeito o leigo percebe a vantagem de escrever com as palavras que eu escrevi. E também porque eu gosto de trabalhar nos livros como eu trabalhei nas minhas guitarras. Então, abordando os instrumentos aqui, eu gosto de fazer um trabalho factível, onde cada parte contém o todo, o detalhe seja o mais perfeito possível. Um instrumento meu musical novo, uma guitarra, se você olhar com uma lente, não acha um defeito na pintura, na emenda, nos traços, na emenda da escala com o cabo, nenhum. É um trabalho muito bem feito, e foi com esse cuidado que eu escrevi “Géa”. Eu escrevia para a Nova Eletrônica umas 40 páginas por dia. Ainda posso escrever assim, mas depois dos sete anos da escrita dos livros de texto eu passei três anos fazendo o dicionário e aprimorando o texto de “Géa”, criando essa escala crescente de dificuldade programada para ele ser didático também, vir a ser útil nas faculdades e nas escolas.
REG: Isso não cria uma dificuldade para o leitor, na medida em que o texto vai ficando cada vez mais difícil?
CCDB: Cria, sim, para muitos leitores cria, eu não escrevi “Géa” para a massa, escrevi para mim, eu acho que é o jeito mais honesto de se escrever um livro. Escrevi “Géa” do jeito que eu gostaria de ler. Eu li “Eneida”, li “Odisséia”, “Ilíada”, esses livros que na primeira vez foram muito difíceis de ler, justamente quando eu terminei de escrever os sete volumes que ainda não estavam escritos num português tão bom, mas já era um bom português. Quando eu escrevi o dicionário é que eu resolvi ler os clássicos. A Lourdes, mulher do meu irmão Sérgio, que é professora, se formou em literatura, me ofereceu um livro, sabendo que eu ia escrever “Géa”, que é uma receita de bolo. Este é o que todos os escritores vêm lendo antes de escrever, era escrito por alguém da FGV, onde eu estudei administração. Eu abri a primeira página do livro e vi uma frase que dizia que esse livro ensinava o leitor a pensar. Eu fechei o livro e disse: “se ele escreve uma bobagem dessa, não é um bom escritor e não vai me ensinar a escrever, é isso que eu não preciso”. Devolvi educadamente o livro para ela e resolvi escrever um livro bem feito. “Géa” é um livro só, não são livros para serem vendidos separadamente porque a obra e muito grande, tem que ser lançada de uma vez só nem que seja seriada. Eu quero lançar a obra inteira porque é um livro só.
REG: Como fazer pra lançar isso tudo de uma vez só? Não tem sido difícil convencer os editores?
CCDB: É difícil, eu criei o site pra isso. Assim como “Dom Quixote”, é uma obra grande e volumosa, a “Divina Comédia” também. Um amigo meu me disse: “Géa” vai ser tão difícil de publicar quanto “Dom Quixote”. E eu respondi a ele: E se “Dom Quixote” fosse escrito hoje, você pode imaginar que ele não viesse a ser publicado? Então eu tenho a mais absoluta certeza que “Géa” vai, sim, ser publicada, apesar das dificuldades. Então eu tô oferecendo facilidades como a publicação em fascículos, em páginas de jornal. Muitas grandes obras foram publicadas primeiro em páginas de jornal, uma a uma, capítulo a capítulo, até a publicação ficar pronta. E depois, como houve sucesso, se transformaram em livros, e existem muitas outras mídias que estão identificadas no site para que ela seja publicada. Eu aperfeiçoei esses sete volumes, e os dois primeiros capítulos de “Géa” eram a tradução, onde dois capítulos que eu escrevi para abrir um livro que o meu pai deixou. Esse livro falava sobre a vida de um político com quem ele trabalhou. Não foi publicado, está com o filho desse político, que me pediu – a história é muito longa e nós iríamos fazer uma volta muito grande -, que eu escrevesse o livro do meu pai como estava escrito até o fim, mas foi parar nas mãos desse filho do político quando meu pai morreu. Depois voltou aos pedaços pra mim. Eu recompus o livro, não assinei como co-autor, fiz uma abertura e um fecho porque tinham sumido e nessa abertura, já que o livro não saiu, e eu imagino que por motivos pessoais o filho do político não queria que saísse. Era o Ademar de Barros, governador de São Paulo três vezes, a primeira interventor nomeado por Getúlio. Meu pai era o secretário particular dele, foi dedicadíssimo a ele e poderia estar muito rico, porque teve muito poder nas mãos, e o que a gente tem é fruto do nosso próprio trabalho, quase nada nos deixou a não ser a honestidade que ele tinha e muitas coisas boas, mas não capital. Eu tinha escrito esses dois capítulos, e como a história era muito boa, e era uma - aí, sim, ficção científica -, eu disse: não vou escrever uma palavra exatamente igual, porque senão seria plágio. Mas nesse caso vou exclusivamente fazer a coisa que eu mais odeio, que é plagiar, mas eu vou me autoplagiar. Eu reescrevi esses dois capítulos e coloquei no começo de “Géa” como se fosse dois capítulos escritos, recuperados pelo filho Clausar de Rasec. Rasec é o nome do meu pai ao contrário, e Clausar é um anagrama do meu nome. Esse Clausar é um dos protagonistas do livro, e Rasec é outro. Ele escreve esses livros e ao reescrever o português, eu me tomei de um entusiasmo muito grande pela língua portuguesa, porque eu acho que é muito mais difícil reescrever um texto em português, traduzir o português para um português fácil de entender, com boas palavras, palavras melhores, do que traduzir em outra língua qualquer. Aí começou o interesse e eu comecei a escrever nesse nível. Quando fiz o dicionário, até lá eu tinha resolvido não ler os clássicos, porque eu não queria plagiar nem sem querer as obras alheias. E eu nunca fui um grande leitor, não sou um literato de jeito algum. Eu resolvi ler os clássicos depois. Quando eu estava fazendo o dicionário, quando terminei de escrever o livro, achei que era a hora de ler os clássicos e li tudo, vários deles estão expostos na página “Se não acredita?”. Tenho a lista dos clássicos em várias classificações, para que sejam comparados com o meu livro, em ficção, romance, nas diversas formas da literatura.
REG: Isso é que te dá a certeza de que seu trabalho vai ser publicado…
CCDB: Dois dos capítulos do meu livro se passam num planeta chamado Umalfa, onde há heróis – imagine Arnold Schwarzenegger ou Rocky, como um habitante normal desse mundo, só que mais forte que eles fisicamente, e eles voam com quadrigas que são puxadas por turbinas e se digladiam com chicotes procurando arrancar as penas um do outro, que eles levam na cabeça. O capítulo se chama “Longas Plumas Azuis” – eles arrancam as penas e quem arrancar fica proprietário do outro. E tem mais um monte de história interessante nessa corrida. E nesse mundo as pessoas se parecem muito com os heróis da Grécia antiga, narrados nos livros de Homero. Eu peguei, sem plágio nenhum, lendo a “Ilíada” e “Odisséia”, e também “Eneida”, de Virgílio, fiz uma lista de todas as palavras interessantes, algumas das quais nem dicionarizadas estão. Eu dicionarizei como aristologismos. Essas palavras todas, sem exceção – e são muitas – eu coloquei no texto desses dois capítulos: “Longas Plumas Azuis” e “As Cavaleiras da Távola Reta”. Por que essas palavras? Porque para quem lê esses dois capítulos que já são adiantados no texto, a dificuldade não é tão grande, a pessoa vai aprendendo ao longo do texto, vai se ambientar com o mesmo espaço onde vivem os heróis gregos, e com os livros escritos por Homero e Virgílio. E assim eu faço com a obra de Monteiro Lobato, quando o personagem Arqueu, que é um homem agérato, que não envelhece e não morre se não for morto ou sofrer acidente, tem 40 mil anos de idade e mantinha-se vivo tentando fazer viver novamente a sua mulher. Esse homem conversa com uma terráquea, que é professora de literatura, e brinca com o idioma usando as palavras de Monteiro Lobato, o clássico, que é completamente diferente daquele da série infanto-juvenil. Não é preciosismo, mas é de um português muito nobre. E assim vai. Escrevendo o dicionário eu aperfeiçoei “Géa”, que alcançou um nível muito alto e mereceria um lançamento todo especial, como uma obra nobre, perene, que vai perdurar, justamente por causa do estilo e do vernáculo, e não por causa da filosofia, ciência, ficção, história, dentro da narrativa que está ali, porque isso pode se obsoletar. Mas o estilo não vai e é por isso que tantas obras, como essas que eu citei duram até hoje e ainda há quem as leia apesar de não ler tanto quanto outras que explodem nas bancas, como “Shogun”, por exemplo. Mas “Géa” vai levar vantagem, ali não tem nenhuma palavra que não precisa ser escrita, como nas músicas de Mozart - desculpe o auto-elogio, só eu posso fazer porque quase ninguém leu.
REG: Quem já leu?
CCDB: Eu, minha família e alguns amigos, a quem eu ofereci cópias. E as opiniões deles estão na página do meu site, chamada “Opiniões Sobre Géa”, e agora também sobre “Geínha”. O site é www.ccdb.gea.nom.br. Voltando àquelas pessoas abraçadas ao redor do círculo naquela noite, ao redor da fogueira, ali, ao lado esquerdo havia uma floresta, as estrelas estavam esmaiadas pela luz semi-ofuscante da fogueira e à direita um templo egípcio na sombra. Ali, essa turma do círculo, e eu junto, subimos com esse círculo ao espaço, aos céus, e lá tivemos aventuras muito bonitas de se descrever, mas eu não vou fazer isso agora. Findas essas aventuras - e nós passamos por muitos lugares, até teatros de reuniões de místicos -, estávamos de volta ao redor da fogueira e a minha sensação era, talvez a de todos ali, de que a experiência tinha terminado, e que já tinha sido uma experiência mais que satisfatória. Súbito, à direita da fogueira, e não no centro, onde seria esperado, uma manifestação: aparece uma luz dourada, incorpórea, que se manteve assim dali em diante, e na fogueira apareceu uma voz “pax.profundis”. Não é paz profunda, que é o cumprimento de uma ordem mística, é “pax” e “profundis”, é o nome de alguém, da entidade que estava aparecendo. Essa voz disse: este não tem corpo. Na hora eu não entendi bem o que isso significava, mas poderia dizer só o seguinte: não tem corpo porque nunca teve ou nasceu, quer dizer, morre e continua vivo. Essa é uma das minhas grandes perguntas a qual eu obtive a resposta. Essa entidade andou mais ainda para a minha direita, e tocou uma das pessoas do círculo e eu senti o choque como se fosse elétrico. Eu não sou espírita, já estive em sessões espíritas com o meu pai, que as freqüentava por causa desse político, que era espírita ou acreditava em espíritas, e era assediado por espíritas. Essa entidade tocou esse primeiro companheiro de experiência e eu senti esse choque. Nós todos, o tempo todo - eu esqueci de contar - estávamos com nossos corpos translúcidos como cristais, e dentro havia uma luz branca e no centro dela, uma luz dourada, e o tamanho variava um pouco, então tinha algo de lisérgico nessa experiência. Depois desse toque essa entidade veio ser de pessoa em pessoa, até chegar próximo a mim, quando chegou mais próximo de mim eu já estava antecipando o que seria quando a encontrasse, mas assim mesmo foi mesmo indescritível. Quando estava diante de mim me interpenetrou com aquilo que eu só posso chamar de uma imensa bondade, uma vontade de ajudar enorme. De jeito nenhum uma ordem, uma convocação ou uma sugestão. Eu senti que havia algo a fazer, apenas a apresentação de uma grande lacuna a ser preenchida e nisso é que veio a vontade final e forte e definitiva de escrever. Essa entidade saiu e passou ao membro seguinte do círculo, e aí sim essa experiência terminou. Eu pensei que havia levado muito tempo, mas passaram-se uns 5 minutos. Daí pra frente comecei a trabalhar com “Géa”, contei para mim mulher e meu filho o que tinha acontecido. Uma semana depois um amigo meu apareceu, chamado Marconi Ricciardi, ele hoje mora na Austrália, desistiu do Brasil, é uma cara ótimo, incrível, músico brasileiro, ele tá citado até tem uma foto dele no site. Tem um artigo dele sobre mim, chama-se “The First Mutante”. Ele se espantou quando me viu e perguntou o que aconteceu. Eu tava transfigurado com a experiência. Eu tive outras, mas essa foi a mais importante, que gerou a decisão final de começar a escrever, que era uma decisão difícil de tomar porque eu não ia escrever porcaria, eu nunca me dediquei a mais de uma coisa ao mesmo tempo, tinha que parar o que fazia.
REG: Você fabricava os equipamentos nessa época?
CCDB: Eu estava no apogeu da produção de equipamentos, eu e minha família. Conversando com eles, resolvemos parar, sabendo o que nós iríamos enfrentar. Nós interrompemos, antes de eu ter esse problema na mão, essa contratura, nos pés a mesma coisa, isso me impede de trabalhar com eletrônica. Hoje não poderia trabalhar, isso é causado por pré-diabetes, muito trabalho. Os médicos não sabem, mas tem ligação com diabetes. Isso me impediria de trabalhar em eletrônica, e também umas hemorragias pequenas que eu tive nos olhos que me atrapalham muito no trabalho minucioso de componentes eletrônicos. Mas isso só aconteceu depois de vir pra cá. Eu pararia, mas felizmente parei a tempo. Só que ganhávamos muito bem, talvez tanto quanto o tempo da revisa Nova Eletrônica.
REG: Quem comprava seus equipamentos?
CCDB: Eu fornecia a quem me procurava, eu não anunciava, eram clientes avulsos. Vendemos todo o estoque, nós tínhamos comprado cinco quitinetes desse mesmo tamanho, que estavam cheias de equipamento de fabricação. Eu, minha mulher e algumas pessoas da família dela montávamos esse equipamento, tudo feito legalmente. Não éramos ainda uma empresa, mas cada um foi indenizado, todos pararam, nós vendemos o resto do estoque (que era grande) e com esse estoque minha mulher, em 80 viagens, construiu num mutirão com a família dela esta casa aqui. Gastamos aqui bem mais do que ela vale. Viemos pra cá e estamos aqui há dez anos. As cinco quitinetes nós alugamos a R$ 300 cada uma, dá pouco por mês, e nem sempre estão todas alugadas. Há pouco tempo tivemos que vender uma pra continuar na luta, porque não dava para resistir com isso que recebíamos. Com isso compramos mais um computador e um carrinho pra fazer as compras de Rio das Ostras pra cá. Nós nos atiramos de cabeça mesmo nessa missão.
REG: Qual o papel dela e do seu filho?
CCDB: Ter se atirado na missão, porque ela poderia ter discordado e até me mostrar que não era por aí, e eu teria atendido. Meu filho se distanciou do centro onde poderia estudar melhor, teria mais oportunidade de trabalho, e veio pra cá comigo também. Ele não conseguiu cursar faculdade porque o estudo aqui é muito precário, é feito à noite, ele ia de ônibus a Macaé ou Rio das Ostras para estudar, e não conseguiu ainda passar nos vestibulares. Enquanto isso ele acabou lecionando informática numa escola, e agora trabalha na criação de uma loja eletrônica para o caso de nenhuma editora publicar meus livros. Talvez a gente mesmo venha a publicar, naquela categoria dos livros virtuais. Ele também é co-autor de um livro meu, que é “CCDB Gravação Profissional”, era uma série de artigos que eu escrevi pra Nova Eletrônica e ia ser publicado, tem matéria pra publicar durante quatro anos. Esse tem 1135 páginas, como matéria técnica de gravação profissional, cursos de áudio, kits de montagem de equipamentos de áudio, todo tipo de informação sobre áudio. Em parte ali que começaram os personagens de “Géa”. Às vezes, pra quebrar aquele ritmo maçante de artigo técnico, eu introduzi as personagens para melhorar a leitura.
REG: E agora, você se ocupa com o que?
CCDB: Tô fazendo as ilustrações, já tenho o próximo livro pronto para escrever, comecei anotando idéias. Terminei de escrever “Géa” aqui, a maior parte dela foi escrita aqui, e à tarde eu trabalhava nos terrenos, esses terrenos eram um mato pior do que aqueles que o circundam. Eu carreguei, eu mesmo, à mão, cortando com enxada, picareta, pás e carrinho, 1000 metros cúbicos de terra, dá 1500 toneladas de terra durante seis anos. Aterrei os terrenos todos e minha mulher plantou esses terrenos todos, ela me ajuda. É uma vida também gostosa, nós não trocamos aquela nossa vida boa por um inferno, temos mais liberdade, apesar de certos problemas típicos, como gente invadindo terrenos com vaca, etc. Eu escrevi “Géa” e o “livro chamado que”, que foi feito de um jacto, sem nenhuma preocupação com a escrita, com o vernáculo, mas aí eu já sabia escrever. Ele não teve correção, saiu pronto, como as músicas de Mozart. Ele sim seria um best seller, porque não é preciso ler “Géa” para ler o “livro chamado que”, ele alterna capítulos que são a narrativa de fatos reais que aconteceram aqui comigo, como se fossem acontecidos com essa personagem, com os nomes das pessoas da vida real trocados. Problema com vizinho, cachorro e gato, a origem dessa imobiliária querendo vender e comprar e te expulsar, a coisa é séria. Esses capítulos se alternam com experiências do Clestes do espelho do banheiro, um espelho místico, onde ele se projeta em outros mundos e descobre muitas coisas, inclusive que ele é “que”, mas o que é “que“ é preciso ler o livro pra saber. Ele se liga a “Géa” porque tem histórias complementares de “Géa”, porque conta o começo de certas coisas que apareceram em “Géa” a partir de certo ponto, e conta o que aconteceu depois também, mas ele pode ser lido sozinho, sem ler “Géa”. É a sugestão para a editora menor, ou que não queira investir tanto, mesmo sendo uma grande editora, lançar primeiro esse livro como teste do autor. Depois veio “Geínha”, que tá pronta, sendo ilustrada, é o que eu tô fazendo agora, direto, e veio a reescrita de “CCDB Gravação Profissional”. Durante um ano nós trabalhamos reescrevendo o livro, ele re-digitou tudo porque eu não tinha mais os arquivos de computador, e nós atualizamos tudo. Fizemos um livro que é sobre áudio analógico, sobre áudio em geral, não só sobre gravação, e dá todas as dicas. A abertura para quem queira começar com gravação digital, não só em estúdios, mas sonorizações externas, gravação de maneira ampla e abrange o resto do áudio. Tudo isso de experiências trabalhando com áudio, com os instrumentos, nos estúdios de gravação com os meus irmãos e em festivais, e tocando também, porque eu tocava. Eu sou o irmão mais velho, quem começou tocando fui eu, tenho experiência muito gostosa de ter tocado o instrumento, criado o instrumento, projetado e criado o equipamento, instalado e operado o equipamento no show do conjunto que ajudei a formar, e tocando e fazendo sucesso, é muito gostoso isso.
REG: Como você vê essa volta d’Os Mutantes?
CCDB: Eu não chamo de Mutantes, eu chamo esses que voltaram de “Pseudo Mutantes”. Não há Mutantes sem Rita Lee e Cláudio César Dias Baptista. Quando o Sérgio me convidou para fazer a excursão no exterior, assim como convidou a Rita, eu me neguei. Quando ele se reuniu ao Arnaldo e me convidou para excursionar com o conjunto, eu fiz certas exigências. Exigi aquilo que eu vinha pedindo há muito tempo, sugerindo, e não por minha causa, mas para ajudar o conjunto, como sempre fiz. A minha postura é que instrumento musical tem o mesmo valor que a música. Se não houvesse a evolução tecnológica dos instrumentos musicais, hoje nos estaríamos como aqueles antropóides dos livros, tocando com tacape num montículo de terra. Não existiria o Paganini sem o Stradivarius. É uma pergunta interessante: quem é mais importante, o Les Paul ou a Gibson Les Paul? Ficaria muito estranho Os Mutantes no palco dos festivais e na capa dos CDs naquela imagem do Sérgio vestido de toureiro segurando uma guitarra simples, e não aquela de ouro que ele usa até hoje, a guitarra de ouro número 2 que eu fiz para ele. Eu fiz três guitarras de ouro pra ele. O ouro era garantido “life time”, naquela época, pela empresa que fazia o banho de ouro. É ouro sobre peças de bronze, e por dentro toda folheada a ouro, o que me permitia fazer no tempo dos circuitos de mais alta impedância, me permitia não usar fio blindado num circuito complexíssimo da guitarra, e deu um som agudo muito mais nítido, uma resposta extrema de alta freqüência. O ouro servia de blindagem e é uma blindagem perene porque não corrói e também protege a madeira contra intempéries, micróbios, fungos, etc, sem perturbar as vibrações. Isso é uma explicação muito por alto da guitarra de ouro que ele usa até hoje.
REG: E as exigências…
CCDB: Foram as seguintes. A primeira é que fizesse aquilo que eu sugeri numa carta profética que eu tenho a seu dispor. Eu chamo de carta profética porque eu escrevi em 2004 pra ele, e nessa carta eu dizia que se Os Mutantes voltassem a se reunir… “Géa” fala da volta do grupo Os Atlantes, que são Os Mutantes daquela história, e conta como eles voltaram. “Géa” foi terminada em 2004 – eu escrevi essa carta e antevia que a banda voltaria. Eu exigi que o Sérgio compusesse, já que ele não quis ler “Géa”, pelo menos uma canção baseada em “Géa”, ou se não quisesse compor, que ele tocasse e dissesse nos espetáculos que aquela canção é relacionada ou criada a partir da obra “Géa”. Essa canção já existe, tá no site, foi feita por Bruno Tavares, que é uma das pessoas que adquiriu uma mesa CCDB 44, igual aquela que o Sérgio tem no estúdio dele e usa até hoje. Ele compôs uma música com a letra de minha autoria, e eu não esperava criar uma letra quando compus uma poesia, que era a poesia de Ars, que na obra “Géa” é o maior poeta do universo. Ars morava num planeta onde o povo vivia na idade dos gregos, só que não valorizava a arte como ele, Ars, valorizava. Quando ele cantou seus versos, escrito em folhas de papiros, ao povo, o povo não compreendeu, e ele, muito triste, de cima de um rochedo, dobrou essas folhas de papel e lançou no mar como se fossem pequenos aviões de papel. Ao lançar a última ele se atirou, morreu nas pedras e foi levado pelas ondas. E o povo então o aclamou, mas não como o maior poeta do universo, como ele veio ser assim reconhecido por seres superiores de outros planetas, mas sim como o inventor do avião. Uma das poesias de Ars aparece colhida por um povo de outro planeta, e essa poesia eu compus com esse amigo meu, que leu “Géa”, gostou da poesia e criou a composição, que se chama “Uma Canção Para Ars”, a letra é minha. De repente, sem pretender, eu virei compositor de letra de canção. Eu pedi ao Sérgio que pusesse uma canção, porque eu não acredito em revival de grupo nenhum que apenas apresente música velha. É óbvio que eu não tô dizendo a grande besteira que seria a seguinte: só toquem músicas novas. Devem tocar as velhas, pedi a ele que tocassem, sim, as velhas, mas que tocassem algo de novo, senão o surgimento dos novos Mutantes ou dos pseudo Mutantes seria comentário, sem música nova a coisa não vai, e parece que ele entendeu, e tá fazendo música nova, só que não com as composições minhas. Eu não via isso como uma tábua de salvação para os meus livros, uma grande ajuda, eu sempre pensei e continuo pensando que é o contrário, eu acho que a minha vida atual, como escritor, é mais importante que a minha vida como luthier, técnico e tudo o mais. Se o meu nome tá gravado e vai perdurar como aquele Mutante oculto e tudo o mais, a minha obra escrita vai durar muito mais do que isso, porque tem uma importância muito maior.
REG: Tinha outras exigências?
CCDB: Uma era essa, no intuito de beneficiar, e não de me aproveitar de coisa nenhuma. A outra foi, como eu suspeitava, e que realmente aconteceu, que ele ia levar a mulher e a filha na excursão. Eu disse que eu queria levar minha mulher e meu filho, senão não iria. Outra era que eu fosse tratado sempre no mesmo status dos outros Mutantes, independente de eu estar tocando ou não no palco, embora eu já tivesse tocado com Os Mutantes e o resto d’Os Mutantes, e até ter sido acompanhado por eles em alguns espetáculos. Ele não aceitou nenhuma das exigências. Tudo bem, continua ele lá e eu aqui, eu escrevendo e ele com as músicas.
REG: Você chegou a ver um show dessa nova fase?
CCDB: Não, eu não fui aos shows, eu vi na televisão. Eu me lembro muito bem o que eram Os Mutantes antigos nos espetáculos onde eu sonorizei, ensaiei junto, participei das gravações… Embora a substituta da Rita (Zélia Duncan, que já saiu) seja uma grande cantora, talvez maior que ela como cantora, ela não é a Rita, nunca ninguém vai ser a Rita, a não ser se a Rita passar pela transição, poderia haver uma substituição que justificasse que Mutantes atuais ou pseudo Mutantes se chamasse Mutantes. E a minha presença não tem que ser no palco, tem que ser “estar com”, participando da criação como eu participava antigamente, não só da criação dos instrumentos mas também de muitas músicas. Isso não foi aceito e ficou assim, e a minha opinião sobre aquilo que eu ouvi, é que não chega a ser o que era. O Arnaldo não é mais aquele Arnaldo antigo que eu sempre pedia aos jornalistas e repórteres que vinham me procurar, para descobrir onde estava o Arnaldo, isso há algum tempo, quando ele não estava tão falado assim. Pedia que por favor não reconstituíssem o Arnaldo antigo, que isso o fazia sofrer, e sim procurassem o que ele estivesse fazendo de novo. Eu não sabia muito bem o que ele estava fazendo porque nas minhas tentativas de reaproximação - eu fiz várias -, ele passou a ter uma idéia fixa depois que se atirou daquela janela de hospital quanto a mim, achando que eu me tornara uma pessoa maligna por passar a fazer equipamento transistorizado e não mais valvulado. Não fui eu que escolhi; foi o mercado. Eu comecei fazendo amplificadores valvulados, passei uma semana em cima de um esquema de um amplificador simples, para conseguir entender o que era uma válvula inversora de fase. Hoje todo esse sistema de som eu enxergo inteiro, assim como enxergava uma guitarra antes de projetá-la no papel, com todo o circuito, todas as medidas prontas porque tava muito envolvido com aquilo, não por genialidade nenhuma, é um trabalho profundamente dedicado que leva a essa visão. Essas foram as exigências que não foram atendidas.
REG: E essa oficina?
CCDB: Não tem mais oficina, aquela mesa é a mesa onde eu montava as mesas de som e hoje ela faz parte, como fazia antes, do sistema de som com painel acústico, se você abrir as gavetas ainda vai ver as ferramentas do tempo em que eu usava, algum aparelho eletrônico… Esse equipamento eu fiz em 1972 e como tá escrito ali no painel do equalizador gráfico, mas vale para o equipamento todo, nunca deu defeito desde aquela época, e hoje funciona com o mp3 do computador.
REG: E a história da maldição da guitarra?
CCDB: Foi a primeira guitarra de ouro. A história dos meus instrumentos é a seguinte. Eu fazia aeromodelismo com o Rafael Vilardi, foi quem comigo começou o conjunto que mais tarde se tornou os mutantes, o The Thunders. Isso começou quando nós, na garagem dele, assistimos a dois amigos tocando guitarra, foi a primeira vez que eu ouvi guitarra, assim, de perto, com um amplificadorzinho muito ruim. A gente gostou muito, e como eu fazia aeromodelos, fazia telescópios ópticos no porão do planetário do Ibirapuera, ali havia cursos dados pela Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, que era quem operava o planetário, eu tinha desenvolvido uma boa habilidade manual. Eu não gostei das guitarras daquele tempo, então resolvi fazer eu mesmo as guitarras. Um amigo meu que trabalha num canal de televisão, o canal 5 naquele tempo, fotografava, fazia slide de todas as páginas do catálogo da Fender e eu projetava na parede, no escuro, no porão da casa dos meus pais. Com um erro de não mais que 3 mm de cima a baixo eu fiz guitarras idênticas. Depois de aprender a fazer guitarras sólidas, copiando essas guitarras, que eu distribuí aos amigos por preço de banana, eu passei a fazer meus próprios modelos, cheguei a fazer mais 150 guitarras sólidas e umas 30 guitarras acústicas, essas de ouro. A guitarra de ouro eu concebi inteira na minha cabeça, o circuito inclusive já era dotado de circuito memória. A primeira chave em cima era liga/desliga mecanicamente, não com circuito eletrônico, partes diferentes do circuito. São varias operações, com uma chave só na guitarra de ouro ele faz tudo isso e pode fazer muito mais porque essa chave abre-se para dois circuitos separados e cada circuito tem sua programação, então você pode deixar ligado num deles aquilo que faz o som de base e no outro aquilo que faz o som de solo, e de um para o outro você vai com uma chave só. E assim cada chave com seus subcircuitos vão fazendo a mesma coisa, com uma hierarquia, a guitarra de ouro é assim. Essa segunda guitarra de outro tem o captador hexafônico, além do distorcedor convencional, ela tem mais seis, um para cada corda. E mais um montão de outros recursos. O Rafael Vilardi me pagou o material quando ele me disse: eu quero a melhor guitarra do mundo. Eu disse: eu posso fazer, mas não tenho dinheiro, você financia? Eu fiz duas guitarras e tenho foto delas sendo feitas, tudo que eu experimentava num exemplar e dava certo, e foi dando tudo certo, eu reproduzia no outro. Uma ia ficando pronta mais à frente que a outra. Essa que ficou pronta, onde eu fiz uns testes, só teve um defeitinho de colagem, e é a guitarra de ouro número 1 do Sergio, essa guitarra ficou pronta e também a do Rafael, sem defeito nenhum. A do Rafael é preta, e essa que eu dei ao Sérgio é branca, cor de marfim, básica.
REG: E a maldição da guitarra?
CCDB: Eu já me interessava por misticismo naquele tempo e lia alguma coisa de livros místicos que encontrava na biblioteca do meu pai, do Ademar de Barros. Um dos livros que eu tinha em casa era de magia telúrica – isso não significa que eu concorde com o que está escrito no livro. Eu, por brincadeira mesmo, tinha a consciência que serviria de publicidade, e colei ali uma maldição pronta e acabada que não é de minha autoria, uma invocação a espíritos, e transcrevi para uma parte da placa de ouro que fecha a guitarra, por de trás. Não é uma placa muito grande, é sobre um buraco por onde apenas passa a minha mão pra montar os circuitos lá dentro. E na outra face da placa eu coloquei a maldição. Ela foi transcrita numa reportagem do jornal A Folha de São Paulo, página inteira e mais alguma coisa sobre as minhas guitarras. O texto dizia que a guitarra retornaria a seu legítimo possuidor, caso fosse furtada, designado por aquele que a construiu. A guitarra foi furtada, e tal como previa essa parte da maldição, nesse sentido foi uma profecia, porque tinha a maldição para quem copiasse a guitarra. Porque muita gente naquele tempo vivia especulando sobre o que eu fazia, e eu patenteando tudo. Essa reportagem que saiu na Folha São Paulo porque eu estava a fim de produzir em quantidade com um amigo, ele era um grande artesão em mecânica, fazia moldes para injeção de plástico e atendia a grandes empresas, todos as peças plásticas de carros que estavam sendo lançados pela Volkswagen eram feitas nas indústrias dele. Ele se apaixonou pelas guitarras e resolveu fabricar comigo em quantidade pra vender no mundo todo. Estávamos fazendo estudos muito bonitos dentro da fábrica dele para fazer a guitarra em madeira tradicional, e outra em plástico nobre. Muito antes de fazerem violão ovation com fibra de vidro, a gente ia fazer uma guitarra inteira de plástico. Nós fizemos pedais e vendemos no Brasil todo, formalmente, com nota fiscal e tudo, tudo injetado em plástico e o molde feito por ele. Essa reportagem foi promovida pela Cassex, o órgão que regulava importação e exportação. A Cassex contatou um representante europeu na Alemanha, que queria 1900 exemplares para colocar em todas as lojas do império dele. A gente se preparado para grandes investimentos, quando esse amigo sofreu um acidente terrível. Ele tava ensinando um funcionário novo a trabalhar na máquina de plástico, enfiou a mão na abertura de um molde de injeção e alguém acionou a máquina e ela esmagou os quatro dedos da mão, não teve reconstituição possível e ele foi obrigado a parar. Mas foi um sujeito exemplar, comprou tudo que eu tinha levado pra fábrica dele, pagou tudo. Eu parei com os instrumentos musicais nessa época e continuei com os eletrônicos, que era muito mais fácil de fazer.
REG: Voltando à guitarra roubada…
CCDB: A guitarra foi furtada, e a pessoa que furtou vendeu para uma guitarrista que não sabia de quem era, comprou por comprar. Quando ele viu a maldição e ouviu dizer da história, correu e devolveu em perfeito estado ao Sérgio, fechando o ciclo previsto na placa de ouro.


#

 

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

# 244 - 06/10/2012

As vendas do primeiro disco do Velvet Underground foram pífias, mas existe uma lenda segundo a qual quem o comprou montou uma banda após ouvi-lo. Com efeito, segue sendo uma das mais influentes formações da história do rock, com uma sonoridade que ainda hoje, 45 anos depois, soa moderna. Absolutamente essencial! Se você nunca ouviu, trate de ouvir. Agora! Tenho orgulho de ter tocado este disco no rádio, na íntegra (as músicas que não toquei neste bloco especial já haviam ido ao ar em edições passadas). /// Kraftwerk e Public Enemy estão entre os nomes dos indicados para o Rock And Roll Hall of Fame deste ano, portanto, nunca mais me perguntem porque eu toco Kraftwerk, já que o programa é de rock. Aliás, é outra banda incrivelmente influente – uma espécie de Velvet Underground da música eletrônica. Já o Public Enemy é a banda de rap com atitude mais “roqueira” que existe. /// Respondendo a mais uma onda de boatos sobre uma suposta volta dos Smiths, Morrissey mandou um recado por seu acessor de imprensa: “The Smiths nunca, nunca, nunca, nunca, nunca, nunca, nunca, nunca vai voltar – para sempre”. /// Suede vai tocar pela primeira vez no Brasil, no Festival Planeta Terra. Confesso que não entendi porque não são eles os "headliners" ... /// Mais uma banda sergipana lançando disco (e não demo) este ano: Tchandala, com “Fear of time”, que havia sido precedido pelo ótimo single “one billion lights”. “Power metal” classudo e muito bem gravado, com refrões grudentos e guitarras absolutamente matadoras – aliás, as guitarras são o grande ponto forte do disco! Parabéns ao piloto das 6 cordas, Thamise Ducci. “Fear of Time” foi lançado no mercado brasileiro através da MS Metal Records no mês de setembro de 2012. O trabalho foi registrado no Elite Studio em Aracaju (Sergipe), contou com o trabalho do engenheiro de som André Franzon e sua mixagem e masterização foram conduzidas por Marcos Franco e Victor Mattos, no Revolusom Studios, em Salvador (Bahia). Para adquirir uma cópia, basta entrar em contato com o grupo através do e-mail dbenjamim@gmail.com. Em Aracaju o disco está à venda na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151, centro – próximo à Catedral Metropolitana. /// Abaixo, reproduzo 3 resenhas sensacionais publicadas originalmente no site WWW.rocksergipe.com. Assino embaixo de cada uma das palavras, usadas para descrever os discos da Mamutes, The Baggios e Plástico Lunar:  

ELETRORGASMO

A última vez que eu vi o Mamutes em ação foi no Rock Sertão de dois mil e dez. A princípio o impulso de afastar algumas teias de aranha dos meus bolsos, e rachar a gasolina com os comparsas, nasceu do tesão de ver a apresentação do Mopho, a única banda – excetuando os Smiths, claro – que já me fez chorar de emoção. É, mas a manada literalmente roubou aquela noite; inclusive colocando uma derradeira pá de cal na morna impressão que eu tive de um antigo cd demo deles. Senhora banda de palco. Durante o ataque sonoro dos caras eu devo ter destruído umas três guitarras imaginárias. E todas importadas! Caralho, dez reais de gasolina e três Telecaster imaginárias. Porém tudo vale a pena quando o assunto é dar uma bela enxaguada na alma... 

Quatro estações depois e eis que esse glorioso comboio de desajustados me aparece com uma granada de mão batizada com o estupendo título de “Eletrokarma”, desde já considerado como mais um capítulo vital na história da música feita em Sergipe. Capítulo escrito com sêmen, sangue e bílis, esfregados apropriadamente nas fuças desse moleque mimado que virou o tal rock nacional.

Isto não quer dizer que no stoned–rock matador que a banda nos presenteia em dez faixas rigorosamente brilhantes não haja espaço para filigranas de sofisticação, como a que encontramos na atmosfera soturna de “Os olhos da cobra”; ou na deliciosa levada disco retrô – com direito a sopros! – da espetacular “Tudo no seu tempo”. Ou mesmo em elementos pouco usuais para uma banda de hard–rock, como o uso de castanholas na emocionante “Noturna”. Casca–grossa pode até ser, baby, mas com estilo! E quando nos deparamos com a minha canção Mamutes preferida, “Te deixando meu bye bye”, não é de perguntar se não estamos frente a frente com a rock song do ano? Quanto às letras, o teor obsessivo de alguns temas faz com que exista um tom quase conceitual no disco. Constantemente os versos desfilam uma peculiar fauna de olhos que seduzem e/ou hostilizam; paraísos artificiais; a Noite, com o que há nela de alento e perigo; garotas que trazem o que há nelas de alento... e perigo. Tudo isso numa embalagem que, por si só, mereceria um texto a parte, pois a arte gráfica do banquete é coisa de gênio.

Nada disso faria muito sentido não fosse a coesão desconcertante dos músicos envolvidos, que vai desde o alcance interpretativo saborosamente canalha do vocalista Karl dy Leon, seguro tanto nos timbres mais rasgados quanto nas notas guturalizadas. Passando pelos riffs e solos econômicos do não menos inflamado guitarrista Rick Maia; pela condução superlativa das quatro cordas de Tiago Sandez, até chegarmos à já folclórica maestria do drummer–hero número um: mestre Odara – que chegou a concluir as gravações antes de, infelizmente, desfalcar a banda. 

E o que antes era “apenas” uma senhora banda de palco agora também celebra a honra de ser uma puta banda de estúdio. Se depender de registros como este “Eletrokarma”, não há era glacial que consiga extinguir esses mamutes... 

por Nathanael Zuckerman.

DANDO MUITO CERTO

Como os fãs do Coverama (acredite, eles existem) já devem estar cansados de NÃO saber, há um bom tempo o rock sergipano vem demonstrando, em seus variados estilos, uma gradativa e palpável consistência. Seria a chegada da tão sonhada Era de Ouro do rock local? Ignoro. Talvez seja muito cedo para este tipo de especulação. Além do mais, já foram vistos tantos náufragos nessa tormenta eterna... 

Bom, fato mesmo é que o termo “evolução” se encaixa com mais pertinência entre as viúvas de Charles Darwin e os jurados dos desfiles da Sapucaí. Mesmo assim não me abstenho de testemunhar que o hard-blues enfurecido desta dupla sancristovense atingiu em seu debut oficial níveis próximos aos de grande arte.

Como as linhas que seguem serão preenchidas com a mais mal dissimulada babação de ovo, nem vale a pena comentar a capa canhestra no melhor estilo samba do chá de cogumelo doido. Muito menos reparar nos caras vestidos para algum evento Cosplay, num modelito do tipo Luke Skywalker-fazendo-cara-de-paisagem-sob-o-sol-inclemente-de-Tatooine. Tolice. O que realmente interessa é que, sob uma cozinha extremamente sólida e fluente – cortesia do baterista Gabriel -, “The Baggios”, o disco, desfila aquela que é, provavelmente, a mais fodida coleção de riffs de guitarra em um mesmo trabalho desde o “Stop talking about music”, última (será?) obra-prima do imortal Thee Butchers’ Orchestra. Não bastasse este atordoante detalhe, temos um vocalista no auge de seu carisma interpretativo; mostrando um delicioso despojamento que não deve ser confundido com desleixo. Não se engane, por trás de uma voz aparentemente limitada, esconde-se um cantor incisivo e bastante peculiar. Coisa que não se encontra em qualquer esquina.
Espertos como só eles, a dupla cuidou pessoalmente da produção da obra com invulgar esmero (reparem, por exemplo, na beleza que ficou “Oh cigana”, minha faixa preferida), bem como recrutou um time de primeira para os afiados arranjos de sopro que iluminam algumas faixas; além de contar com as honrosas presenças do maior arroz-de-festa do rock sergipano, mr. Leo Airplane, em suas costumeiramente brilhantes intervenções de teclado – e uma mão na mixagem – e de Hélio Flanders, frontman da banda Vanguart, dividindo com Júlio os vocais na dylanesca “Morro da saudade”. O resultado de tudo isso é o que aconteceria se Robert Johnson sobrevivesse tempo suficiente para fazer uma Jam no também saudoso CBGB’s. Pensando bem, é mais que isto: é The Baggios tocando música The Baggios.

No mais, é curioso notar que Júlio abre este bálsamo sonoro cuspindo o seguinte verso: “As coisas não estão dando certo pra mim.” Parafraseando o nosso Dirty Harry tupiniquim, eu diria que o senhor é um fanfarrão, seu Júlio! Um fanfarrão!! Se as coisas não estão dando certo pra você, que desde já pode se ufanar de ter em seu currículo um clássico instantâneo como este, pra quem estará?!? 

por Carlos Lee Hooker.

COLEÇÃO DE VIAGENS ESPACIAIS

A viabilidade da boa música alternativa sempre encontrou árduos obstáculos. Principalmente em locais considerados "periféricos", como é o caso da terra do tal papagaio das asas douradas. Ainda mais agora que, não bastasse o obtuso comodismo do consumidor de rock, a própria maneira de se usufruir música passa por um momento muito complexo de transição.

Toco neste incômodo assunto porque, não obstante estas e outras não mencionadas pedras no caminho, é com a empolgação de um nerd virgem no meio de um baile funk que testemunho que a banda aracajuana Plástico Lunar continua se negando a fazer concessões e nos presenteia com o implacável "Coleção de viagens espaciais".

Para quem já tem lugar cativo no tapete mágico da Plástico desde os cds demo, sacou que neste aguardíssimo disco de estreia temos uma banda mais insana, chapada, brutal e, por que não dizer experimental - aliás, ponto positivo para o produtor, e também tecladista da banda, Leo Airplane, que conseguiu com muita maestria dar densidade e coesão à vasta gama de informações sonoras que o disco possui.

Desde a nova roupagem jazística para a espertíssima faixa de abertura "Moderna", até a colagem lisérgica, não creditada, que encerra o trabalho, ficamos convencidos de que estamos diante de uma perene obra-prima.

Mesmo consciente da tarefa ingrata que é apontar os destaques de toda grande obra, vale mencionar o baixo matador de mestre Bicho Grilo, e o puta vocal rasgado do drummer hero Odara no clássico instantâneo "O banquete dos Gafanhotos". Lamento apenas o projeto gráfico pouco inspirado, além da injustificável e criminosa ausência da minha Plástico song preferida: "Fungos" (levemente "citada" na já mencionada colagem que encerra o petardo...).

Mas nada disso ofusca a excelência musical desta que é, tranquilamente, uma das melhores bandas brasileiras em atividade. Aproveite um dos poucos motivos pra se orgulhar de ser sergipano, esqueça de apertar o cinto, e boa viagem...

por Carlos Lee Hooker

###################

Tchandala - Fear of time
Mamutes - A dama de branco
The Baggios - Candango´s Bar
Plástico Lunar - Tudo do seu jeito (versão demo)
Road to joy - Little old town
Nantes - Bem vinda chuva

Placebo - B3
Coheed And Cambria - The Afterman

Liverpool - Por favor, sucesso
Conjunto Melódico Norberto Baudalf - Stupid cupid
Os Brasas - Ao partir encontrei meu amor (versão dois)
Os Cleans - Estarei com você

Public Enemy (with Anthrax) - Bring tha noize
Kraftwerk - Computerwelt (edit)

The Smiths - Last Night I Dreamt that sombody loved me
Arctic Monkeys - She´s Thunderstorms
The Jesus & Mary Chain - You trip me up (acoustic)
Suede - Everything will flow

45 Anos de "The Velvet Underground & Nico":
# All tomorrow´s parties (single version)
# I´ll be your mirror (single version)
# There she goes again
# Run Run Run
# Venus in furs
# European son



 
 
 
 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Celebration day

A rede Cinemark confirmou que exibirá no Brasil o aguardadíssimo Celebration Day, filme que mostra o show realizado pelo Led Zeppelin em 2007 na O2 Arena em Londres. A apresentação será exibida em 27 salas diferentes em todo o país.

Anote na agenda: o show será exibido nos dias 30/10 (terça-feira) às 21 horas, e no dia 03/11 (sábado) às 23:55h. O preço dos ingressos para cada sessão será de R$ 40, com meia-entrada a R$ 20.

Confira abaixo as cidades e as salas brasileiras que exibirão Celebration Day:

Aracaju (SE)
Shopping Jardins

Belo Horizonte (MG)
Shopping Pátio Savassi

Brasília (DF)
Pier 21

Campinas (SP)
Shopping Iguatemi Campinas

Campo Grande (MS)
Shopping Campo Grande

Cotia (SP)
Shopping Granja Viana

Curitiba (PR)
Shopping Muller 

Florianópolis (SC)
Floripa Shopping

Goiânia (GO)
Flamboyant Shopping

Guarulhos (SP)
Internacional Shopping de Guarulhos

Manaus (SM)
Studio 5 Festival Mall 

Natal (RN)
Midway Mall

Palmas (TO)
Shopping Capim Dourado

Porto Alegre (RS)
Barra Shopping Sul

Ribeirão Preto (SP)
Novo Shopping

Rio de Janeiro (RJ)
Shopping Downtown
Botafogo Praia Shopping

Salvador (BA)
Shopping Salvador 

Santos (SP)
Praiamar Shopping

São José dos Campos (SP)
Shopping Colinas

São Paulo (SP)
Shopping Metrô Santa Cruz
Shopping Market Place
Shopping Iguatemi
Shopping Eldorado
Shopping Pátio Higienópolis

Uberlândia (MG)
Shopping Uberlândia

Vitória (ES)
Shopping Vitória

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

# 243 - 29/09/2012 - Edição Especial - Karne Krua Ao Vivo na Sessão programa de rock

Incitar possibilidades em conjunto e convertê-las em ação é sempre gratificante. Uma banda tocou ao vivo, dentro de uma estrutura disposta a absorver sua linguagem e transpor esses elementos para atender às expectativas de um determinado público alvo. Não é a invenção da roda - mas que faz giros, faz. Começou tenso, acabou muito bem e ainda vai render um vídeo bacana e inédito da música "Horrores Humanos". Obrigado firme pra todo mundo que chegou junto e contribuiu pra que tudo desse certo, mesmo no incerto!

Rock pra frente.

Luiz Oliva 

#######################

Só boto realmente fé que uma pessoa conhece o punk rock brasileiro quando ela cita nomes como Dever de Classe (BA), Discarga Violenta (RN), Rotten Flies (PB), Câmbio Negro HC (PE), HC-137 (GO), Delinquentes (PA) ou a nossa Karne Krua (SE). Fora isso, é gente com opinião formada pela mídia, sempre centrada no que acontece no eixo Rio-São Paulo – com eventuais destaques para uma ou outra região menos periférica, no sentido econômico e cultural, mais do que geográfico, do país, que não se aprofundou, realmente, no assunto.

A Karne Krua existe desde 1985 e é, provavelmente, a banda de punk rock e Hard Core mais antiga em atividade contínua na região nordeste. Nunca pararam! Autora de verdadeiros hinos da musica de protesto “underground” como “Cenas de òdio e revolta”, "Sangue operário", “política da seca” e “Brasil Heróico”, caso não tivessem surgido e se desenvolvido “fora do eixo” seriam colocados no mesmo "pedestal" ao lado dos maiores ícones do estilo em nosso país, como Olho Seco, Inocentes ou Cólera. 

Este ano eles conseguiram finalmente, depois de uma via crucis que incluiu uma prensagem defeituosa abortada de uma empresa picareta (CD+, do Ceará), lançar seu terceiro disco “oficial”, o já clássico “inanição”. Nada mais justo, portanto, que a banda tenha sido a escolhida para inaugurar a série “Sessões programa de rock”, idealizada pelo guitarrista Luiz Oliva (Snooze, Triste Fim de Rosilene, Perdeu a Língua) e por este que vos escreve ...

A sessão é obviamente inspirada nas clássicas “peel sessions” da BBC Radio 1 de Londres e pretende trazer aos estúdios da Aperipê FM os principais nomes da cena local e, quiçá, nacional, que porventura estejam de passagem pelas terras do Cacique Serigy. Esta primeira transcorreu bem, apesar de alguns percalços técnicos – eu, particularmente, não tive como monitorar a transmissão ao vivo, mas relatos de quem ouviu me fazem acreditar que o som estava ok. Em todo caso, tudo foi gravado e será lançado em breve para download gratuito via internet.

Obrigado à banda, a Luiz, a Victor Balde (Snapic), Amarilio carvalho e a todos que contribuíram, direta ou indiretamente, para o sucesso da empreitada.

Obrigado, especialmente, ao grande John Peel, pela inspiração.

Até a segunda edição, se ELE quiser as circunstâncias permitirem ...

Adelvan.

#################

Danko Jones - Just a Beautiful day
Muse - Supremacy

Black Sabbath - 40 Anos de "Vol. 4"
# Wheels of confusion
# Tomorrows dream
# Changes
# FX
# Supernaut

Karne Krua Ao Vivo lançando o disco "inanição"

produção Adelvan Barbosa e Daniela Rodrigues
(Na hora, "na tora"):

Cólera - Em você
Ramones - Commando
Mercenárias - Lembranças
The Smiths - These things take time
Joy Division - Shadowplay
The Cure - Charlotte sometimes
The Rolling Stones - Can´t you hear me knocking
The Sonics - Have love will travel
Babes in Toyland - Bruise Violet
Mutantes - Ando meio desligado
Patife Band - Corredor polonês 
The Renegades of punk 
Bikini Kill
Sonic Youth
Nirvana
Blondie 

.
.
.



quarta-feira, 26 de setembro de 2012

1 Ano sem Redson

Redson, o filho vermelho, foi uma águia que em sua vida sempre enxergou além da paisagem e do horizonte visíveis a olhos leigos. Sempre voando alto, acima das nuvens, ele enxergou a essência das coisas e das pessoas. Com audição aguçada, ouviu o grito dentro de cada um, inclusive do planeta terra. E fez com que esse grito ecoasse, em letras que mudaram muitas vidas, que fez uma geração refletir sobre suas vidas, suas ideias e sua contribuição para o mundo.

Caiu e se levantou algumas vezes. Fez da guitarra sua arma, da voz seu gatilho e das ideias e observações do mundo sua munição. Declarou guerra ao sistema. Sistema de classes, sistema financeiro, sistema terrestre. Uniu diferentes seres, mostrou que se queremos algo realmente, podemos construir, podemos criar e podemos gerir.

Ele falou dos subúrbios, do mar, da praça da paz. O faça você mesmo foi sua religião. A fé no outro e na ânsia de realizar, não deixaram que ele parasse, nunca. Um show do Cólera, não era um show com banda no palco e público no chão, era um show de troca e de sintonia. Impossível sair indiferente depois de uma, duas ou três horas de show do Cólera. Impossível não usar uma frase escrita por ele ao menos uma vez na vida, para dar exemplo sobre algo que te indignou ou para dar uma palavra de apoio a um amigo numa situação difícil.

Forte e grande somos nós, porque acreditamos nisso, porque um dia, um cara junto com seu irmão, resolveu montar uma banda de punk rock pra protestar sem ser panfletário, mas sim pacifista. Num mundo onde o caos mental é geral, um cara gritou: Hey Urgente! Me falta oxigênio, deixe a terra em paz!!

E assim a águia filhote se foi. Acredito que ele tenha alcançado o que tanto procurou durante sua trajetória e por ter encontrado, se superou e precisou partir.

Voa, águia filhote!

por Deise Santos

revoluta

sábado, 22 de setembro de 2012

# 242 - 22/09/2012

O que restou do Titãs estará hoje em Aracaju participando de uma daquelas festas saudosistas dos anos oitenta que tanto sucesso fazem Brasil afora. Até iria, se fosse mais barato e soubesse que eles iriam tocar a íntegra do "Cabeça Dinossauro" - a divulgação do evento não informa. Vai que vou e rola aquele show burocrático com os sucessos melosos mais recentes ...

Em todo caso, tocarei hoje, (quase) na íntegra, a versão demo do citado disco, obra-prima do rock nacional. Lembro bem do impacto deste álbum na época. Lembro, por exemplo, que um cara lá onde eu morava, Itabaiana, riscou a faixa "igreja" da sua cópia em vinil, para que ninguém ouvisse. Pra muita gente, eles foram longe demais - "eu não gosto de bispo", normal, muita gente que se diz "crente" não gosta, mas "eu não gosto de Cristo" foi realmente ousado. Terão meu eterno respeito por isso.

Que mais? Rock instrumental nordestino, nova do Down (a banda de Phil Anselmo), Midas Fate, que é prog rock brasileiro tentando a vida na europa - pedido de meu amigo Juliano, direto de Praga, República Checa; mais metal no bloco do ouvinte, Wander Wildner, Holidays (que abrirá o show do Dead Fish em Aracaju dia 13 próximo), Beck - pedido de Isabela Raposo - e Ramones, para lembrar os oito anos do falecimento do guitarrista Johnny. Era pra ter rolado sábado passado, mas me passei ...

A.

############################

Camarones Orquestra Guitarrística - Espionagem industrial
Perdeu a Língua - Sem sair do lugar
Vendo 147 - Godofredo

Down - Levitation

Midas Fate - What Dreams may come

After Forever - The key
Mago de Oz - El Señor de los gramillos
Kamelot - III Ways to Epica
Sinergy - Written in stone
- por Deborah Fernandes

Beck - Bad Blood
Ramones - Something to believe in

The Smashing Pumpkins - Tonite reprise
Weezer - Holiday
Placebo - Every you every me
Teenage Fanclub - Metal Baby

Holidays - Breaking rules
Wander Wildner - Punk-Rajneesh

Titãs - "Demo" Cabeça Dinossauro

# Cabeça Dinossauro
# AAUU
# Igreja
# Polícia
# A Face do destruidor
# Tô cansado
# Bichos escrotos
# Homem primata
# O que

#

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Oito anos sem Johnny Ramone

"Pai da guitarra punk e uma enorme influência sobre o metal moderno orientado por riffs, Johnny Ramone é um dos grandes anti-heróis do instrumento. John Cummings fez seu nome com uma guitarra Mosrite barata, sobre a qual ele martelou power chords em alta velocidade em um estilo devastador e minimalista que se tornou apropriadamente conhecido como “serra circular”. Um motor de ritmo puro, Johnny quase nunca tocava solos, mas seu estilo tinha o impulso de um trem que vem chegando à estação em alta velocidade. Em uma era na qual “pesado” era sinônimo de “lento”, o suingue primitivo e metronômico de seus riffs em “Blitzkrieg Bop” e “Judy Is a Punk” e os grilhões do trampolim pop de “Rockaway Beach” mostraram que dava para acelerar as coisas sem perder um centímetro de potência – um tanto surpreendentemente, já que seu herói na guitarra era Jimmy Page."

Sábado passado, dia 15, fez 8 anos de sua morte. Por um lapso imperdoável, esqueci de homenageá-lo no programa de rock. Faço-o agora, farei-o amanhã - e sempre. Apesar dele ter sido republicano e admirador de Ronald Reagan e George W. Bush. Ninguém é perfeito.

O texto do primeiro parágrafo é da revista Rolling Stone.

A.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

# 241 - 15/09/2012

Sandie Shaw (pseudônimo da cantora britânica Sandra Goodrich) é uma das "heroínas musicais" de Morrissey e Johnny Marr, dos Smiths. Tornou-se famosa em toda a Europa ao cantar descalça no Festival Eurovisão da Canção de 1967, em Viena - que ela venceu com a canção Puppet on a string. Teve uma carreira cheia de sucessos, alcançando três primeiros lugares no top britânico, e em abril de 1984 lançou um single com "Hand in glove", canção de seus auto-intitulados "fãs incuráveis" - seu marido era muito amigo de Geoff Travis, do Rough Trade, selo que lançava os discos da banda de Manchester. /// "New Rose", do Damned, foi o primeiro single lançado por uma banda punk britânica, em 22 de outubre de 1976. Aqui ela aparece numa versão ao vivo extraída do álbum duplo que registra a turnê comemorativa de 35 anos do grupo, que tocou pela primeira vez no Brasil (somente em São Paulo) em abril deste ano de 2012. /// O rock paulista costuma dar umas escorregadas fascistóides quando o tema é a migração nordestina. Além do célebre caso de "pobre paulista", do Ira!, temos também a música "Nada", do Olho Seco, que diz em sua letra "você deveria proibir a migração do povão". Porra nenhuma! São Paulo é Brasil, e o Brasil é nosso! Credito este tipo de pensamento equivocado à imaturidade da época em que estas músicas foram feitas, mas parece que nossos "astros do rock" são arrogantes demais para admitir seus erros e vivem inventado desculpas esfarrapadas para justificar o injustificável ...

A.

############

The Damned - New rose (Ao Vivo)
The John Spencer Blues Explosion - Black Mold
Skunk Anansie - I Believe in you

Syd Barret - Baby Lemonade (Take 1)
Pink Floyd - Shine on you crazy diamond (Live at Wembley 1974)

Casca Grossa - Destrói
Cessar Fogo - Carrascos do poder

Ratos de porão - Pobreza
Olho Seco - Nada
Inocentes - Aprendi a odiar
Cólera - Duas Ogivas
Lixomania - Os punks também amam

Wander Wildner - Fora da lei
Autoramas - A 300km/h

Brian Setzer - When the bells don´t chime
Stray Cats - Dig Dirty Doggie
Jerry Lee Lewis with Eric Clapton and James Burton - You can have her
Chuck Berry - Maybellene
Buddy Holly - Rave on

Sweet - Sweet F. A.
Mott The Hoople - Jerkin´crocus
David Bowie - Velvet Goldmine

Sandie Shaw & The Smiths - Hand in glove
Siouxsie And The Banshees - The Passenger
Mazzy Star - Wild Horses

#



sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Edson Luís, gente que faz ...

Edson Luís de Souza, ex-fanzineiro, Sócio Numero 001 do lendário Curipira Rock Clube e vocalista das bandas The Power of The Bira e Camisa de Força, está fazendo um admirável trabalho de resgate ao digitalizar fitas demo de bandas independentes brasileiras dos anos 80 e 90 do século passado. Na minha modesta opinião, foi um dos períodos mais ricos da cena - especialmente na primeira metade da década de 90, que foi quando o rock brasileiro parecia ter encontrado, finalmente, uma identidade própria, com o Hardcore temperado a ritmos nordestinos do Raimundos, o som pesado e suingado de Planet Hemp e dos Funk Fuckers, o "saravá metal" da Gangrena Gasosa e, especialmente, com o Mangue Beat. Isso para não falar de grandes bandas que não tinham nada de "brasileiro" em seu som mas estavam entre as melhores do mundo em seus segmentos, como os baianos do brincando de deus, Dead Billies, Headhunter DC e Mystifier (indie rock, psychobilly, Death e Black Metal), Snooze(também "indie"), Karne Krua, Devotos e Câmbio Negro HC (Hard Core); Lacertae, Safari Hamburges, No Sense, Concreteness, Pinheads, Cervejas, Second Come, Killing Chainsaw e muitos, muitos outros, que merecem muito ser redescobertos.

Conheça aqui o magnífico trabalho do Edson Luís - um verdedeiro serviço de utilidade pública, e voluntário! Abaixo, seu depoimento sobre a gênese do projeto ...

Um pouco de história.

Minha coleção de demo-tapes começou em 1987, mas realmente ganhou volume nos anos 90 quando comecei a editar um fanzine (Abrigo Nuclear – 1991 a 1995) e tocar em bandas (Camisa-de-Força e The Power of the Bira). O esquema acontecia via correios, principalmente com trocas e doações. Também copiava as demos legais dos amigos, comprava em lojas e por aí. Aos poucos, com o advento do CD e do mp3, essa coleção ficou abandonada dentro de um baú de uma estante na minha sala.

Em 2010 comecei a me preocupar com a memória do Rock em minha cidade, Joinville e região (Jaraguá do Sul, Guaramirim, etc). As novas gerações não conheciam (ou não tiveram oportunidade de conhecer) as bandas do passado. Comecei a resgatar no baú algumas fitas de bandas legais da cidade e converter em mp3. Tensão Superficial, Elemento Suspeito, Hephrem, Necrópsia, Leis e Ordens e por aí. Juntei todos esses materiais e montei um blog chamado Joinroll, que viria a ser o embrião do Demo-Tapes Brasil. A mesma sensação de abandono que tive para com as bandas da minha cidade, mais tarde eu tive para com o “Rock Brasil”. Não sei se é descaso das pessoas que tinham as bandas, se é falta de equipamento, se é falta de conhecimento de como fazer uma conversão ou sei lá. Só acho muito estranho quando alguém que tinha uma banda não tem nada dela guardado. Vivi algumas situações como essa nesse ano. Pessoas agradecendo por eu ter convertido uma demo-tape em que elas tocavam e esse material se perdeu ao longo do tempo. Raríssimas exceções eu pude ver nesse ano de 2012 de pessoas resgatando seu passado. Acho que um ótimo exemplo a ser citado é o blog da banda curitibana Pinheads, com toda a sua trajetória do início ao fim da banda. Confesso que me inspirei nele para fazer o blog de minha banda The Power of the Bira. Para organizar todo esse enrosco, os blogs que tenho hoje são:

·         The Power of the Bira (Minha banda que durou de 1992 a 1996).
·         Joinroll (Rock de Joinville e região – principalmente anos 80 e 90).
·         Demo-Tapes Brasil (O mais “famoso” e acessado).
·         Os Fritz da Puta (Minha nova banda em que toco bateria. Não vivo só no passado não viu!! O blog ainda não tem nada, mas o domínio já está registrado. Devemos estar lançando a 1ª demo ainda em 2012. Quem quiser conhecer tem um vídeo de um ensaio aqui!!).

O blog Demo-Tapes Brasil estreou em 17 de novembro 2011. Ficou praticamente parado no 1º semestre de 2012 porque foi o período em que eu estava fazendo o blog da The Power of the Bira (juntando material, pesquisando datas, digitalizando cartazes, fotos e flyers, convertendo todas as demos-tapes e shows em cassetes). Voltamos com gás total em julho desse ano e estamos desde então postando demo-tapes quase todos os dias.

Método de trabalho.

·         Não fazemos milagres!!

Para quem não conhece o processo de conversão, parece fácil ir até o blog baixar o arquivo. Essa realmente é a parte fácil. Mas muitas vezes o público não está familiarizado em relação às etapas por trás de cada post. Tenho fitas com mais de 25 anos e é praticamente impossível não existir degradação do som com uma fita dessa idade. São fatores como umidade (bolor), frio, calor, campos magnéticos, poeira, fumaça (tudo o que tem na nossa casa!) são prejudiciais a vida útil das fitas. Então caro amigo, NUNCA uma conversão terá a qualidade de uma gravação das que podem ser obtidas na atualidade. Sempre haverá perdas.
Como a maioria das bandas eram “duras” de $$, essas demo-tapes eram gravadas em fitas da pior qualidade possível (type I – normal - baseadas em óxido férrico - Fe2O3). A primeira impressão de “estranheza” é com relação aos sons agudos (chimbal, pratos de bateria, etc). Ele não é nítido e muitas vezes é distorcido. Em fitas cromo (type II) e metal (type IV) esse efeito é bem reduzido.
É preciso estar ciente das limitações existentes na época. Estúdios eram caríssimos, os computadores eram limitados, CDs não existiam (para os mortais) e o mp3 menos ainda. Hoje qualquer músico grava em casa, em multipista e 100% digital. Som analógico hoje é opção e não imposição.

·         Como são escolhidas as demos?

Não temos metodologia! É puro instinto! Vai do meu gosto a pedidos dos frequentadores do Blog. O único cuidado que tenho é ser o mais eclético possível, lançando demos dos mais variados estilos possíveis. Metal, Hardcore, Rock Pop, Eletrônico, Industrial e por aí.

·         Antes de iniciar as conversões.

Primeiramente após escolher o que quero converter, tento ver se a demo já está disponível em algum lugar na internet. Procuro em blogs, torrents, 4shares e Mediafires da vida. Se achar eu baixo e analiso a qualidade. Se estiver boa eu faço a digitalização da capa e faço a postagem. Se não estiver do meu agrado, faço a conversão e lanço o post. Normalmente eu mesmo faço mais de 90% das conversões do blog e o requisito principal é qualidade. A fita cassete já tem suas deficiências então o mais importante no meu trabalho é não deixar a gravação pior do que está. Não acredite em que certos “técnicos” falam tipo que o “software pode melhorar tudo em uma conversão”. Se a fonte (no caso a fita em si) não for boa, o resultado final também não o será.

·         Equipamentos e acessórios?

Hoje uso um tape-deck Akai (modelo CS-702D) para reproduzir as fitas. O mesmo já está com sinais de cansaço. É o segundo. Um Polyvox modelo CP850D já foi aposentado. Evite usar walkman, pois eles tem motores fracos para tracionar fitas velhas e com bolor. Cabo Y para interligar o tape-deck a placa de som do computador e um bom fone de ouvido. Não é obrigatório, mas uso ainda um receiver e um par de caixas de som para ouvir o resultado final. Tenho também uma multifuncional HP para fazer a digitalização das capas.
 Acessórios indispensáveis: cotonetes, álcool isopropílico (com quase ausência de água) e chave Philips (para regulagem do Azimuth da fita).

·         Softwares?
Audacity (É um software livre e sem custo de licença. Recebe o sinal vindo da placa de som e permite a edição da música a ser digitalizada. Pode ser utilizado para realizar funções de gravação, edição, corte, volume, tempo, etc. Possui filtros de normalização, equalização, fade in, fade out, etc).

Lame para Audacity (é um plugin que permite ao Audacity exportar para o formato mp3. Devido ao formato da licença do Audacity ele não exporta para .mp3 nativamente. Fácil de instalar e de usar).

Tagscanner (Usado para escrever as “Tags” dos arquivos mp3. Nessas “Tags” é escrito o nome da música, nome da demo, ano do lançamento, inclusão da capa dentro do arquivo mp3, etc. Meu e-mail está presente em todos os arquivos que converto também).

7zip (Para compressão dos arquivos. Criação dos arquivos .zip).

Media Fire (Serviço de armazenamento online. Gosto dele porque não tem limitação de tamanho e quantidade de arquivos, é possível fazer mais de um download ao mesmo tempo, e não tem tempo de espera para iniciar o download).

E você? Quer ajudar?
Entre em contato: velhoedi@gmail.com

#

terça-feira, 11 de setembro de 2012

# 240 - 08/09/2012

Revolting Cocks - ou Revco. - é mais conhecida como um projeto paralelo de Al Jourgensen, do Ministry. Mas a banda, na verdade, foi fundada por Richard 23, do Front 242 (banda pioneira da EBM - Electronic Body Music) e pelo musico belga Luc Van Acker. Jourgensen, a princípio, apenas produzia os discos, tendo sido incorporado posteriormente. A musica que tocamos é um cover de um conhecido hit de Rod Stewart - pelo qual ele foi acusado de plágio por nosso Jorge Benjor. Rod culpou o autor da música, o baterista Carmine Appice, e cedeu os lucros de “Do ya think i’m sexy” ao Unicef em um show beneficente na sede da ONU, em Nova York /// Toque Joy Division e Creedence Clearwater Revival atendendo pedidos feitos via facebook. 

 Japoneses são malucos. Lembrem-se que eles são o único povo que já sofreu um ataque nuclear. Aquilo deve tê-los deixado pirados - só isto explicaria coisas como Godzilla, Dr. Gori (o inimigo do Spectremen) e o Melt Banana. São de Tokyo e fazem um som que mescla Hardcore, grindcore e experimentalismos sonoros. Me amarro nos vocais anasaldos da magricela Yasuko Onuki e nos efeitos que o inventivo Ichirou Agata tira de sua guitarra. As perfomances ao vivo são matadoras - procure no youtube e confira. Sou fã dessa porra, vou tocar sempre no programa de rock. /// "Tinderbox" é meu disco preferido do Siouxsie and the Banshees. Talvez seja porque foi o primeiro deles que ouvi, ainda na década de oitenta, na época do lançamento. O mesmo acontece com relação ao Iron Maiden - tenho um carinho especial por "Somewhere in time", o primeiro disco de "rock pauleira" que ouvi inteiro, de cabo a rabo.

"Caroço de Manga" fez parte da trilha sonora da novela "A Volta de Beto Rockfeller", exibida pela TV Tupi em 1973. Bons tempos em que as trilhas sonoras de novela tinham músicas de gente como Raul Seixas ... /// "Lonely boy" é uma música do Sex Pistols. Foi lançada no disco "póstumo" (e picareta) "The great rock and roll swindle" e é cantada pelo guitarrista Steve Jones. /// Júlio Reny morava em uma casa em Porto Alegre cuja garagem tornou-se legendária. Ele a alugava para ensaios e por ali passaram bandas como Engenheiros do Hawaii e DeFalla - pilares do que há de pior e melhor no rock gaúcho. "Cine Marabá" foi sucesso no sul e chegou a tocar em rádios do Rio de Janeiro e São Paulo. /// Eu odeio o Engenheiros do Hawaii. Só não são a pior banda de rock brasileira de todos os tempos porque criaram uma coisa abjeta chamada Charlie Brown jr. /// Os Estados Unidos nunca se desculparam pelo bombareio atômico de Hiroshima e Nagasaki. Até entendo o argumento deles, de que foi uma medida extrema porém necessária para por fim à guerra e, assim, salvar mais vidas do que as que foram perdidas nas duas cidades. Só fico pensando se não daria para eles terem feito pelo menos um ou dois alertas, bombardeando lugares mais remotos e avisando que atacariam locais habitados caso os japas não se rendessem ...

Por falar em Estados Unidos, hoje, 11 de setembro de 2012, faz 39 anos que o presidente Chileno Salvador Allende morreu num golpe de estado comandado pelo general Augusto Pinochet com o apoio dos ianques.

Foda-se os Estados Unidos e seu imperialismo.

A.

####################

The Raveonettes - She owns the streets
Lacrimosa -  Irgendein Arsch Ist Immer Unterwegs
The Vaccines - Teenage icon (demo)
Macaco Bong - Otro

Melt Banana - Blank page of the blind
Converge - No light escapes
Naked City - You will be shot
Revolting Cocks - Do ya think i´m sexy

Creedence Clearwater Revival - Fortunate son

Damn Laser Vampires - Morte por tesão
Viana Moog - Santo estéreo
Wander Wildner - Lonely Boy
Julio Reny - Cine Marabá

The Fall - Latch key kid
Make up - I Am pentagon
Gallon Drunk - Jewess Tattooess

Plastique Noir - Shadowrun (versão urban requiems)

Joy Division - Isolation
Siouxsie & The Banshees - Cities in dust
The Sisters of Mercy - Blood Money
Clan of Xymox - No words

Discoteca Básica - Raul Seixas, "Krig Hah Bandolo"

# (Introduçao)Good rockin´tonight
# Dentadora postiça
# Caroço de manga (bonus track)
# Rockixe
# As minas do rei Salomão
# Cachorro-urubu
# A hora do trem passar
# How Could I know

#








segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cheias de charme...

... e de insolência. Por trás da banda Pussy Riot, o rosto de uma juventude russa irrequieta com o país da era Putin.



por DORRIT HARAZIM, na revista piauí

Da antiga União Soviética elas só conheceram o período de implosão e desmantelamento. Nasceram na virada dos anos 90, numa Rússia já em transição do comunismo para um regime mais assemelhado às democracias ocidentais. Cresceram dentro das fronteiras de uma nova classe média emergente, urbana e de sotaque europeu.

Nadezhda Tolokonnikova, de 22 anos,estuda filosofia e é mãe de uma menina de 4 anos. Maria Alyokhina, de 24, cursa jornalismo e letras e atua em causas ambientais. Tem um filho de 5 anos. A mais velha do grupo, Yekaterina Samutsevich, de 30, além de formada em fotografia, é programadora de computação. Trabalhou durante dois anos no desenvolvimento de um software para o submarino nuclear K-152 Nerpa.

A identidade individual das três integrantes da banda feminista de nome atrevido, Pussy Riot, era tão obscura quanto a de outros coletivos artísticos contestatórios de voz estridente e presença na internet. Permaneceram anônimas por trás de suas simpáticas bataclavas coloridas até se tornarem cause célèbre no Ocidente, muito além das expectativas mais desvairadas da banda. Tudo por um erro de calibragem política de Vladimir Putin, que avaliou mal o quanto a sua Rússia já estava conectada ao resto do mundo e contagiada pela internet. Erro elementar para um ex-coronel da KGB.

O crime-relâmpago das garotas foi cometido no altar da Catedral de Cristo Salvador, em Moscou. Durou menos de quarenta segundos, abortado às pressaspelos seguranças. Mas foi tempo suficiente para entoarem uma insolente prece profana à Virgem Maria, que pedia à Santa Mãe para abraçar a causa feminista e destronar Putin.

O fato ocorreu numa terça-feira, 21 de fevereiro passado. No sábado 3 de março, véspera de reeleição de Putin para presidente-czar da Federação Russa, o clipe editado da transgressão, com 1min53 de duração, foi postado na internet. Tornou-se viral, com mais de 1 milhão de acessos. Na noite do mesmo dia, três das cinco punketes profanas foram presas (as outras duas conseguiram escapulir da Rússia), acusadas de vandalismo e ódio religioso. No julgamento encerrado no mês passado, de reverberação mundial, foram condenadas a dois anos de prisão. Fizeram, assim, mais barulho político do que sucesso musical. Era esse o propósito.

“As pussy rioters mexeram literalmente com fogo em várias áreas”, diz Angelo Segrillo, professor de história contemporânea da usp, autor de Os Russos. “Criticaram o líder [Putin] em um momento em que ele está acuado pela crise econômica e pelo temor de que ocorra uma ‘primavera russa’ do tipo da Primavera Árabe. Mais que isso, mexeram com um tradicionalismo patriarcal que ainda é forte no país, não só entre os homens; boa parte das mulheres russas também não aceitam o feminismo contestador ocidental. E ainda mexeram com os fortes sentimentos religiosos [da população].”

uando a sentença foi proferida, oardiloso Putin, que retornara de Londres após ver seu país ficar em 3º lugar nas Olimpíadas, pode ter se surpreendido com a simpatia mundial derramada sobre as jovens. Mas calibrou corretamente a reação doméstica. Segundo dados do Centro Levada, conceituado instituto de pesquisa russo, a grande maioria da população manifestou simpatia escassa por essas jovens com atitude – mesmo entre os que consideraram excessiva a pena criminal. Apenas 5% se declararam abertamente simpáticos a elas.

“A saga da Pussy Riot pode ter sido um desastre para a imagem de Putin no Ocidente, mas fez pouco para diminuir seu apoio doméstico. Mesmo quando o país parece estar embicando para uma direção errada, Putin continua sendo extremamente popular”, avalia o autor e pesquisador de assuntos russos Vadim Nikitin, formado por Harvard e pela London School of Economics.Ele acredita ser provável que a própria oposição ao líder tenha se cindido com o episódio, umavez que a atual resistência ao Krem-linnão contém o componente de cultura liberal comum a outros países. “A vitória da Pussy Riot se deu em outro plano: desnudou a extensão do poder político da Igreja Ortodoxa”, conclui Nikitin.

De fato, se até agora Putin soube dosar o grau de liberdade privada e de consumo concedido sem precisar afrouxar demais o controle sobre as outras liberdades, sempre pôde contar com o colossal peso do Patriarcado ortodoxo, confiável sustentáculo da ordem conservadora.

leitura dos autos da sentença contra a Pussy Riot parece saída de uma peça de Dario Fo. As acusadas, “vestidas com indumentárias impróprias para uma igreja”, teriam violado “regras concebíveis e inconcebíveis”. Citando exames psiquiátricos e psicológicos das jovens, a juíza Marina Syrova arrolou alguns dos desvios de personalidade que teriam sido constatados: “propensão a protestos”, “autoestima inflada”, “abordagem proativa da vida”, entre outros.

As peças de acusação são ainda mais delirantes. Uma dúzia de seguranças da catedral, um sacristão e um coroinha representavam a parte ofendida. Mikhail Kuznetsov, o advogado de um deles, acusou a Pussy Riot de ser uma conspiração criminosa e qualificou o episódio de “ato capaz de se transformar rapidamente em algo da dimensão do ataque de 11 de Setembro contra as Torres Gêmeas”. Instado a se explicar um pouco melhor, não hesitou: “O atentado russo foi obra de um grupo satânico. O [ataque] americano teve autoria de forças acima do governo dos Estados Unidos. Foi obra de um governo global.”

Para uma parte da classe média da Rússia emergente, que aspira a não mais viver num estado pária e em dissintonia com as democracias ocidentais, o recurso a “anomalias psicológicas” desenterradas do passado bolchevique e sandices como as do advogado incomodam. A fusão de Igreja e Estado em torno da perpetuação de uma “civilização ortodoxa russa”, também. Só que a fatia em desconforto com a velha ordem ainda é pequena.

"Liberdade é quando você es-que-ce o nome do tirano”, escre-veu o poeta e ensaísta Joseph Brodsky, expulso da União Soviética quinze anos antes de ganhar o Nobel de Literatura, em 1987. A citação consta de uma carta endereçada ao governo pelas ativistas da Pussy Riot enquanto aguardavam julgamento. Por essa medida, as jovens ainda terão de rezar muito até a nação deixar de ter o nome de Vladimir Putin na ponta da língua.
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

# 239 - 01/09/2012

De vez em quando recebo ligações no estudio na hora do programa de rock de senhores que pensam que o numero do telefone é da AM. Sábado passado foi foda: o figura queria porque queria ouvir uma musica que ele curtia muito quando era jovem e morava em Curitiba. Achava que era de Orlando Silva, mas não tinha certeza, e também não sabia o nome da mesma, então ficava cantarolando a melodia pra ver se eu identificava. Falou que não iria sossegar enquanto não ouvisse aquela música no radio, e cumpriu a promessa: ligou umas 3 vezes, sempre com a mesma história - não adiantava eu falar que ali era a FM, e ele estava ouvindo a AM. Foi um teste de paciência para não ser ignorante com o tiozinho ...

Die Mensch-Maschine: Segundo uma entrevista recente do Kraftwerk eles tinham o costume de parar o ônibus da turnê alguns quilômetros antes de chegarem à cidade onde iriam se apresentar e completar o percurso de bicicleta. Devem ter feito isso ao chegar em Utrecht, Holanda, em 1981, para o show registrado ao vivo do qual extraímos a segunda música tocada no programa de rock do último sábado /// "Cult of the goat" é uma faixa extraída do último disco de estúdio da banda finlandesa Impaled Nazarene, "Road to the octagon", lançado em 2010 /// No bloco do ouvinte tivemos 4 bandas cujo som faz uma mescla de punk rock com música celta tradicional. Flatfoot 56 é de Chicago, Illinois, Estados Unidos; The Real McKenzies é do Canadá; Flogging Molly é de Los Angeles, California, e o Fidlers Green é alemão. O bloco foi produzido por Edson Luis, de Santa Catarina. Ele cantava (ou não) na banda punk experimental The Power of the Bira, nos anos 90 do século passado, e atualmente administra um excelente blog que se dedica a resgatar as fitas demo daquele período: http://demo-tapes-brasil.blogspot.com.br/ /// Mark Bolan (nome artístico do britanico Mark Feld, nascido em Londres em 1947), do T-Rex, morreu em 16 de setembro de 1977, vítima de um acidente de carro. "Electric Warrior", seu disco mais bem sucedido, foi o álbum mais vendido de 1971 (o ano em que eu nasci) no Reino Unido. "Metal guru", a música que tocamos, é a faixa de abertura de "The Slider", lançado no ano seguinte. /// Já "Don´t pretend you didn´t know" abre o mais novo álbum do Dinosaur jr, "I Bet on sky". /// Wander Wildner, o trovador "comanchero" gaúcho, estará de volta a Aracaju dia 28 para um show acústico no Tio Maneco Botequices. Imperdível.

#####################

Gary Numan - (Ao Vivo)Cars
Kraftwerk - (Ao Vivo)Autobahn

Dinosaur jr. - Don´t pretend you didn´t know

Impaled Nazarene - Cult of the goat
Lamb of God - Laid to rest
Iron Maiden - Run to the hills
Metallica - Enter Sandman

Fiddlers Green - Empty pokets empty fridge
Flogging Molly - Requien for a dying song
The Real McKenzies - My Mangy Hound
Flatfoot 56 - Way of the sun
- por Edson Luis

T-Rex - Metal guru
David Bowie - Diamond dogs
The Modern Lovers - Girl friend
Television - little Johnny Jewel, pts 1 & 2

Wander Wildner - quase um alcoólatra

Cinemerne - Chovendo querosene
Trimorfia - Running in circles
The Jezebels - Je suis cceur
Penny Moks - Make the end