terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sepultura, + 1 entrevista

(NOTA: Uma coisa tem que se admitir: os caras são persistentes!) Enquanto era embalado no colo da mamãe, o Sepultura lançava o álbum “Arise”, que consolidaria de vez a carreira internacional da banda. Mas na próxima sexta, quando o grupo iniciar uma nova turnê pela Europa, na Alemanha, Eloy Casagrande estará lá no fundo, espancando a bateria como faz desde os sete anos. Hoje com 20, o batera prodígio foi convocado para substituir Jean Dolabella, que teve que optar pela proximidade da família à correria das longas turnês de uma banda estabelecida no mercado internacional.

Eloy leva bateria a sério desde os 13 anos, e ganhou notoriedade no grupo de apoio de Andre Matos, além de ter entrado recentemente para o Gloria, com quem se apresentou no Rock In Rio. Quem já o viu tocando sabe que o rapaz é um verdadeiro animal das baquetas. Com uma pegada pesada e agressiva, cai certinho no Sepultura. O site Rock Em Geral, de Marcos Bragatto, conversou rapidamente com ele para saber como aconteceu esse salto na carreira, e também com o guitarrista Andreas Kisser, que fala da saída de Jean e da escolha de Eloy. Primeiro os mais velhos:

Rock em Geral: A saída do Jean pegou o público de surpresa, já que ele parecia bem integrado à banda, depois da gravação desse novo álbum e da turnê. Qual foi o motivo da saída dele? Partiu de quem essa decisão?

Andreas Kisser: Ele estava bem integrado, sim, mas a demanda de shows e longas turnês foi muito para ele. Ele e a família não se adaptaram ao ritmo, e ele nao aguentou, sofria muita pressão de casa e não conseguia mais se concentrar nos shows e na vida profissional. Ele resolveu sair, até mudamos a agenda para o ano de 2011, com mais folgas e tempo para vir ao Brasil, mas isso não mudou a decisão dele. É uma pena que ele tenha saído no meio do ciclo de um álbum, deixou o trabalho incompleto, mas respeito a decisão dele. Desejo muita sorte, ele foi muito importante nestes anos de Sepultura, mas infelizmente o ritmo da banda foi demais para ele.

REG: A saída do Jean tem a ver com a contusão que ele sofreu na turnê europeia?

Andreas: Não tem nada a ver com a contusão, aquilo foi um acidente de percurso e ele se recuperou rápido para que a gente pudesse terminar a turnê na Europa.

REG: Na ocasião, o Jean foi substituído pelo baterista do Torture Squad, Amílcar Christófaro. Vocês cogitaram ele para ser integrante permanente?

Andreas: Não, o Amílcar é baterista do Torture Squad. Aliás, é um dos membros principais da banda, e ele faz isso com muita energia e paixão. Nós tivemos sorte de ele estar na Europa quando o acidente com o Jean aconteceu, e ele fez um trabalho magnífico, poucos músicos teriam a capacidade de pegar um set de musicas em tão pouco tempo. A gente agradece muito o “input” dele, foi fundamental para que a gente nao cancelasse alguns shows na Europa.

REG: Como vocês optaram por chamar o Eloy Casagrande? Vocês fizeram testes com outros bateristas?

Andreas: Sim, fizemos testes e tínhamos algumas opções fora do Brasil também, mas o Eloy mostrou um talento incrível. Apesar da idade ele tem experiência internacional com o Andre Matos, tem a sua própria estrutura, já tem patrocínios de várias marcas e conhece muito o material do Sepultura. Ele tem um estilo explosivo e muita técnica, tocou o material antigo da banda como se estivesse com a gente desde o início. Acho que o Sepultura mantém a tradição de ter uns “monstros” na bateria, mais um “monstro” brasileiro que a gente mostra para o mundo.

REG: Incomoda o fato de o Eloy ter tocado no Gloria, que não é, digamos, uma banda muito querida pelos fãs do Sepultura?

Andreas: Não incomoda em nada, ele já fez parte de algumas outras bandas e tenho certeza que a experiência dele no Gloria foi muito positiva, isso mostra que ele é capaz de tocar qualquer estilo com propriedade.

REG: O Eloy é mais novo que o tempo de existência do Sepultura. Vê alguma dificuldade quanto à diferença de idades entre ele e os demais integrantes?

Andreas: Isso não tem nada a ver. Como disse, apesar da idade, ele é muito experiente. Essa coisa de idade é muito relativa, para mim nao diz muita coisa.

REG: Como você recebeu o convite para entrar no Sepultura?

Eloy Casagrande: Faz um mês mais ou menos que apareceu essa notícia. Quem me ligou foi a Monica Cavalera, que é a empresaria da banda. Ela falou que tinha interesse em me chamar para a banda. Foi uma surpresa realmente, eu não esperava, foi um choque. Não é todo dia que você recebe um telefonema para entrar para o Sepultura. É uma honra receber um convite desses.

REG: Foi feito um teste?

Eloy: A gente marcou um dia para tocar algumas músicas, para ver como a banda sentia, se encaixava. Fizemos um ensaio, eu tirei umas músicas do repertório dessa última turnê e tocamos para ver o que acontecia. E rolou.

REG: Foi difícil aprender a tocar esse repertório?

Eloy: Desde moleque eu ouço falar do Sepultura, já conhecia algumas coisas. Toda vez que saía um disco eu pegava para dar uma escutada. Não tem como não conhecer o Sepultura. Eu tive umas duas semanas para aprender as músicas, algumas eu até já sabia, foi um esquema rápido.

REG: Quando vai ser a sua estreia?

Eloy: Vai ser no dia 25, sexta agora, na Alemanha. Vamos vai fazer uma turnê de 23 shows em 25 dias. Viajamos nessa quarta.

REG: E qual é a expectativa?

Eloy: Eu tô ansioso. O Sepultura tem muitos fãs espalhados pelo mundo, e recebemos muitas mensagens de muita gente, de várias partes, isso é legal pra caramba. Acho que vai ser bom, nós ensaiamos bastante. Vai ser do caralho!

REG: Desde quando você toca bateria?

Eloy: Eu comecei com sete, mas a sério mesmo foi com uns 10, 12 anos. Porque quando você é criança não quer saber de estudar nada. Eu comecei as estudar de verdade quando tinha 12 anos.

REG: Como é entrar para uma banda que tem mais tempo de vida do que você?

Eloy: Ah, é estranho. Quando eu tava nascendo, eles lançaram o “Arise”. Eu com três meses e eles lançando o “Arise”. Chega a dar medo…

por Marcos Bragatto

reg

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

# 206 - 19/11/2011


O diabo é o pai do rock”, já dizia Raul Seixas. Do samba e do jazz também, pelo menos de acordo com o Satanique Samba Trio, combo endiabrado de Brasília. Além deles, o capeta deu as cartas na abertura do programa de rock de sábado, com um Bloco do ouvinte calcado no Black metal: Dackson “deathrow”, criatura das trevas que vaga pelas noites de Aracaju promovendo o caos e a discórdia, nos forneceu uma pequena amostra deste verdadeiro rito profano travestido de musica com Sarcófago, clássica grupo brasileiro pioneiro do estilo, e mais duas bandas da Finlândia: Barathrum e Thy Serpent. Isto me fez lembrar uma observação pertinente feita por Pedro De Luna quando de sua visita aos estúdios da Aperipê FM para ser entrevistado por este que vos tecla: o programa de rock não é nem um pouco “radiofônico”. Não mesmo ...

Depois do Drop Loaded, o rock esporrento de Goiânia foi interrompido por uma boa causa: Isabela Raposo, nossa anja da guarda, fez questão de entrar no ar Ao vivo, driblando uma série de limitações técnicas, direto de São Carlos, São Paulo, para entrevistar Julico e Perninha do The Baggios, que por lá se apresentavam. Foi ótimo. Semana que vem eu toco de novo os goianos, na íntegra. Na sequencia, gravações de bandas mod* lançadas pela legendária gravadora Decca. A Decca é mais conhecida por contratar artistas de jazz e musica clássica, como Luciano Pavarotti, Joan Sutherland, Renata Tebaldi, Renée Fleming, Cecilia Bartoli, Juan Diego Flórez, Andrea Bocelli e Sir Georg Solti, mas ficou célebre mesmo por ter recusado, no início de carreira, ninguém menos que os Beatles! Redimiu-se pouco tempo depois ao assinar com os Rolling Stones, que lançaram por lá todos os seus discos entre 1963 e 1970, com clássicos do porte de “(I can´t get no) satisfaction”.

Temos um novo quadro: “Vale a pena ouvir de novo”, onde tocamos mais uma vez alguns dos lançamentos recentes que valem a pena serem ouvidos de novo. Nesta edição, Karina Buhr e Lou Reed + Metallica. No bloco new wave que veio a seguir, Talking Heads, que dispensa maiores apresentações, e Bow Wow Wow, banda formada em 1980 pelo adorável picareta (já falecido) Malcon McLaren com ex-integrantes do Adam and the Ants. A musica que tocamos, "C30 C60 C90 go", foi seu primeiro single, que a gravadora EMI se recusou a promover alegando que ele promovia as gravações caseiras. Depois do Devo, que também dispensa apresentações, o Trio, grupo alemão mais conhecido por seu hit “da da da”.

Fechando a noite, Penny Mocks, banda sergipana que faz um som bastante original, com generosas doses de prog metal mas sem se apegar aos cânones do gênero, e musica instrumental com os baianos do Retrofoguetes e seu premiado arranjo para “maldito mambo!”, do segundo disco, “cha cha cha”; os gaúchos da Pata de Elefante com uma faixa de seu segundo disco, “Um Olho no Fósforo, Outro na Fagulha”; e os conterrâneos do Ferraro Trio, com a brilhante cover de “Bad”, de Michael Jackson, a novata Casa Forte, que vai tocar na próxima sexta, no Capitão Cook, com a Penny Mocks, e a saudosa Perdeu a Língua, que deveria voltar!

Foi isso. Sábado que vem tem mais.

Tchau.

A.

# # #

* Os jovens do reino unido se preocupavam em associar suas preferências musicais ao modo de se vestir, dividindo-os em tribos urbanas rivais que se odiavam. O mais forte expoente entre todos esses grupos foi apelidado pela imprensa local como Moderns, ou simplesmente Mods. Para se compreender universalmente o surgimento do movimento Mod, é preciso entender várias das transformações ocorridas no início do século XX.

Artigo por Hígor Coutinho. Hígor é produtor do programa Espírito da Música Rádio Universitária - Goiânia (GO) e consome mais música que a maioria dos humanos normais.

Leia mais: http://obviousmag.org/archives/2009/04/were_the_mod_o_movimento_mod.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+OBVIOUS+%28obvious+magazine%29#ixzz1TuVviOz4

O século 20, apelidado pelo pensador alexandrino Eric Hobsbawm como a Era dos Extremos, entre guerras colossais e avanços científicos benéficos e ao mesmo tempo catastróficos, reservou um lugar especialíssimo para a juventude.

Pela primeira vez na história, uma fatia da população mundial se fazia diferenciar não pelas características econômicas, sociais, geográficas, raciais ou políticas, mas sim pela faixa etária. A partir da segunda metade do século, impulsionada por uma novíssima forma de música e comportamento, a juventude tomou o poder!!

Como a História gosta (e precisa) de nomes e datas, quem inaugurou oficialmente essa nova era, em 12 de abril de 1954, foi Bill Halley e seus Cometas, com “Rock around the clock”, música que, posteriormente associada ao filme Blackboard jungle (lançado no Brasil como Sementes da violência), chocou violentamente a conservadora, religiosa e ainda muito racista, sociedade estadunidense.

A industria fonográfica de então, numa tentativa de embranquecer o tal ritmo negro, vê no garoto Elvis Presley sua mais viável oportunidade. Mas, apesar do sucesso branco de Elvis (ou talvez impulsionados por ele), novos meteoros negros riscavam o céu de tio Sam: Little Richards, Chuck Berry, e até James Brown, entre tantos outros, galgavam lugares respeitáveis nas paradas de sucesso.

Contudo, com a ida de Elvis para o exército e a conseqüente “saturação” desse novo gênero que já não dava sinais de longevidade, o rock viveu um grande hiato entre 1959 e 1963. Os grandes ídolos de outrora agora enveredavam pelo caminho mais lucrativo da country music e das baladas açucaradas. A morte do rock era anunciada pela primeira vez.

Se nos EUA o rock havia morrido, o velho mundo, representado pela austera sociedade inglesa, indicava que seria o berço de seu glorioso renascimento.

God Bless The United Kingdom!

Não se sabe ao certo o porquê, mas é certo que os jovens do reino unido se preocupavam em associar suas preferências musicais ao modo de se vestir mais do que em qualquer outra parte do planeta, e isso, somado a uma série de fatores sociais, os dividiu em tribos urbanas rivais que se odiavam.

O mais forte expoente dentre todos esses grupos foi apelidado pela imprensa local como Moderns, ou simplesmente Mods. Para se compreender universalmente o surgimento do movimento Mod, é preciso entender várias das transformações ocorridas no início do século XX.

Less Is More!

O Modernismo, desencadeado por nomes como Pablo Picasso e sua tela Les Demoiselles D’Avignon tida como a inauguração simultânea do cubismo e da arte moderna, influenciado pelas construções do arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright e pelo movimento Art Nouveau, pode ser considerado como ponto de partida do que viria a ser conhecido, mais tarde, como movimento Mod.

A abstração, uma das principais características da arte do século XX, somada a idéia de simplificação formal (‘Less Is More’), moldaram no inconsciente artístico de então a negação do realismo obrigatório a que estavam atreladas todas as escolas anteriores, criando espaços para as mais subjetivas invenções.

Dentro desse contexto, foi declarado o Manifesto Futurista, por Marinetti, que conclamava a uma arte mais móvel, agressiva e urbana; “a beleza da velocidade”.

No pós-guerra, os ideais modernos ganharam muita força, a cultura do jazz fervilhava ao som das big bands, os anos quarenta rebolavam as notas do swing e desfilavam as vistosas ‘zoot suits’, ternos folgados que permitiam grande liberdade de movimentos.

Porém, com esse sopro de mudanças o jazz moderno ganhava terreno, com Miles Davis, Gil Evans e tantos outros, e isso acabou significando o rompimento com a tradição ‘hot’ entretenedora do jazz, acompanhado por uma mudança de visual; ternos mais sóbrios substituíram as largas ‘zoot suits’.

O bebop era bastante consumido na Itália, e o design de moda se inspirava diretamente no visual dos músicos. Surgira ainda a necessidade da criação de um meio de transporte que acompanhasse todas essas mudanças, comportamentais e estéticas; Apareciam as primeiras ‘Scooters’, motonetas produzidas principalmente pelas companhias Piaggio-Vespa e Lambretta.

Nos últimos suspiros da década de 50, os jovens ingleses já absorviam todo esse universo comportamental: eram consumidores ávidos do ‘modern jazz’ estadunidense (além do ska, soul, rocksteady etc.) e se vestiam como seus músicos (conseguiam seus bem cortados ternos, ocasionalmente, nas lixeiras da famosa Carnaby street).

Adoravam filmes Nouvelle Vague (New Wave), pilotavam ‘scooters’ italianas e cortavam os cabelos ao estilo francês. Incrivelmente tudo sustentado com o salário de office-boy!

Eram, em sua maioria, membros da juventude judaica que habitava os bairros da classe média baixa londrina, onde conviviam com os recém chegados imigrantes jamaicanos que ajudavam a lotar os clubes de bebop e os coffee-bars. Não tardou para a imprensa rotulá-los como ‘Moderns’. A partir daí, a oralidade fez o seu papel e o neologismo ‘Mod’ se popularizou.

Aliás o termo ‘Mod’ apareceu pela primeira vez no ensaio Today there are no gentlemen, em 1962 num diário londrino. O livro (e depois filme) Absolute beginners de Colin Maclness, retrata bem essa fase de explosão do movimento, através do estereotípico personagem The Dean.

Complementando o ideário do ‘Less is More’, o fardamento Mod cultuava as camisas Fred Perry, botas Clark Desert, calças Levi’s, além das famosas camisetas com o símbolo da Royal Air Force (círculos concêntricos, vermelhos, brancos e azuis), conseguidas através das novíssimas técnicas de serigrafia.

E para completar o uniforme modelo, era preciso ostentar uma das famosas parkas militares, que nos fins dos anos 50 eram usadas somente para proteger as roupas caras da poeira e chuva. Porém, rapidamente este ítem se transformou em adereço obrigatório.

A trilha sonora oficial de então, era a música soul de selos estadunidenses como a famosa Motown, a Tamla, ou ainda a Stax. A combinação de elementos do soul americano com as melodias calcadas na guitarra rock das redondezas definiria a estética sonora predominante nesse período. The Who, Small Face, Kinks, além de muitos outros nomes Europa afora, abraçaram com potência a nova onda.

Estamos em 1964!

Mas os Mods não estavam sozinhos, os Rockers (seus arquiinimigos) e os Teddy Boys (primeiros jovens trabalhadores ingleses a se vestirem como aristocratas) estavam a espreita! Vários dos encontros entre gangues rivais acabavam em pancadaria generalizada! Tudo isso potencializado a mil, pelo consumo demasiado de anfetaminas (adotada como droga oficial do movimento).

O antagonismo entre Mods e Rockers era óbvio: os Rockers eram o oposto frontal daquilo que era cultuado pelos modernos da época; adoravam jaquetas de couro preto adornadas com broches e correntes, ostentavam vistosos topetes, se devotavam ao rock cinquentista dos EUA (considerado ultrapassado pelos nossos amigos) e seguiam o espírito de liberdade do motoqueiro norte-americano, desprezando as benesses do trabalho duro.

A radicalização histórica dessas diferenças ocorreu no dia 18 de maio de 64, no bairro londrino de Brighton, quando centenas de Mods e Rockers se enfrentaram com selvageria pelas suas ruas e praias. Este evento foi muito bem retratado no filme Quadrophenia de Franc Roddam.

Mod de dizer…

Apesar da proximidade do movimento Mod com o universo negro, (dividiam os mesmos bairros e até então compartilhavam muitas preferências musicais), o aparecimento do reggae e seus lamentos “melanínicos” de retorno à África e exaltação à negritude, fizeram com que essa identificação diminuísse gradualmente, já que os jovens britânicos (por mais boa vontade que tivessem) não conseguiam se ver em tais manifestos musicais.

Assim, perdendo seus principais aliados, e concorrendo com o psicodelismo, a nova linguagem oficial do florescente movimento Hippie, o movimento Mod degringolou-se, e os poucos resistentes foram rebatizados como Hard-Mods, e depois Skinheads (não confundir com movimentos neonazistas que se apropriaram, posteriormente, da alcunha).

O movimento Mod estava enterrado!

Nos anos 70 houve um revival na Inglaterra (logicamente não com a mesma intensidade dos “sixties”), capitaneado por bandas como a legendária The Jam de Paul Weller, ou ainda The Lambrettas, Vapors e Purple Hearts, lançadas por pequenos selos como Castle, Detours (nome da banda de Pete Towshend, antes de ser batizada como The Who), Big Beat e One Way Records.

No Brasil o movimento teve poucos ecos, mas podemos citar – ainda nos anos 60 – a banda Som Beat, que chegou a gravar “My generation” do Who. Outros possíveis pontos de contato foram o “pequeno príncipe” Ronnie Von e a banda The Beatniks.

Porém, o maior representante Mod nacional, despontou mesmo foi na década de 80: a banda paulistana Ira!, que em seu disco de estréia Mudança de Comportamento de 1985, presenteou os brasileiros com o hino Mod tupiniquim “Ninguém entende um mod”.

Nos anos 90 e 00 também temos representantes fortes, como os curitibanos do Relespública, Faichecleres e Tarja Preta, os paulistanos The Charts e Momento 68 (este menos Mod e mais psicodélico), os sul-riograndenses Plato Dvorak (das bandas Père Lachaise e Locecraft) e Cachorro Grande, além do também gaúcho Júpiter Maçã (A Sétima Efervescência), que apesar de afundado na psicodelia mantém certas características Mod.

# # #

A banda ‘Satanique Samba Trio’ lançou o segundo disco da trilogia ‘Bad Trip Simulator’, com o inusitado título de volume #1. Isto mesmo... O segundo volume dessa trilogia não segue a ordem numérica, uma vez que a volume #2 havia sido foi lançado antes que o volume #1, no ano passado. Numa banda com esse nome, a ordem natural não passa de uma convenção ultrapassada.

Como sempre, as músicas do ‘Satanique Samba Trio’ ainda têm títulos sugestivos como ‘Splatter gore finesse’, ‘We have obitum’, ‘Afro-sinistro’ e ‘Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)’. A canção ‘Banzo bonanza’ pode-se dizer que é o mais próximo que a banda pode chegar da música de fácil assimilação, nesse caso um chorinho.

Nos shows, a estranheza continua, assim como também o mau humor característico de Munha, que não permite nenhum tipo de demonstração de alegria durante os espetáculos, nem mesmo durante essa entrevista.

Esse disco – ‘Bad Trip Simulator #1’ - foi lançado como parte de uma trilogia?

Sim, é a segunda parte da trilogia que será finalizada pelo 'Bad Trip Simulator #3', a ser lançado ano que vem ou o mais rápido possível.

Porque é que a numeração não segue uma ordem natural?

Porque deveria?

Mas porque o ‘Bad Trip Simulator #2’ veio antes do ‘Bad Trip Simulator #1’?

Se estamos tentando perverter as coisas, que comecemos pelas fáceis. O que esperariam da gente, de qualquer maneira?

Podemos esperar a conclusão da suíte ‘Badtriptronics’?

Não se trata exatamente de uma suíte, mas se vamos mesmo usar termos técnicos da música erudita, eu prefiro chamar os ‘Badtriptronics’ de "bagatelas", músicas curtas, informais e despretensiosas. No nosso caso não tão despretensiosas assim, obviamente. Eu gostaria, inclusive, de aproveitar esta oportunidade para recomendar as seis bagatelas de Gyorgy Ligeti a todos os maconheiros que estiverem lendo esta entrevista.

Como foram as gravações desse disco? Participações especiais de alguém? Ou você gravaram os três discos juntos?

Gravações turbulentas, como de costume. Acho que é o preço que pagamos por tocar em uma banda chamada ‘Satanique Samba Trio’. E é bem estranho você perguntar sobre as participações especiais, por que acabei de comentar com um amigo meu que os músicos convidados ajudaram a dissipar o clima pesado que eventualmente tomou conta do estúdio. Se não fosse a influência positiva desta juventude de boa índole, algum membro mais frouxo da banda provavelmente teria desistido antes de finalizarmos a porra toda. Dando nome aos bois, eu diria que as participações mais significativas foram do DJ Cochlar e Ivan Bicudo nos teclados, Pedro Vasconcelos no cavaco de ‘Banzo bonanza’, Eduardo Santana e Marcelo Vargues nos trompetes e Flávio Rubens em uma caralhada de instrumentos. Não obstante, o disco foi um parto. Estou certo de que o próximo capítulo da trilogia vai ser também. Não é fácil ser babaca.

Vocês fizeram o lançamento do disco no Sesc em São Paulo... Como foi a recepção na capital paulista?

A mesma de sempre: ninguém sabe quando aplaudir, alguns riem, outros vão embora, poucos realmente se interessam... Mas os shows estão sempre cheios e vendemos bem. Isso deve significar algo. Só não sei exatamente o quê...

Quando é que vocês vão tocar em trio elétrico novamente? Como é que foi essa experiência? Como as pessoas reagiram no dia?

Creio que voltaremos às ruas com o ‘Satanique Samba Trio’ elétrico em 2012. Queremos repetir a dose, já que fomos surpreendemente bem recebidos de uma forma geral, principalmente em frente a igrejas, templos evangélicos e escolas primárias. Sinto que a conclusão deste estudo antropológico é algo que devemos à comunidade.

Só fiquei curioso com o significado da canção ‘E.F.M-M in concert’?

E.F.M-M é a sigla oficial para "Estrada de Ferro Madeira-Mamoré". Os mais superticiosos a conhecem como "A Ferrovia do Diabo" e os mais estudiosos a conhecem como uma tentativa falida de ligação entre duas áreas do território de Rondônia durante o ciclo da borracha. Milhares de trabalhadores morreram durante sua construção e ela nunca chegou a funcionar direito. É um caso fascinante de empreeendedorismo estabanado, morte e fracasso. Me espanta que um tema tão fértil em tragédia e drama tenha sido praticamente ignorado pelos cantores e cantoras ecléticos de nosso país.

Fonte: Eu ovo

2011 Bad Trip Simulator #1

1. Banzo bonanza
2. Badtriptronics #12
3. Vermizelas
4. E.F.M-M in concert
5. Dizem morte
6. Badtriptronics #10
7. Afro-sinistro
8. Piece for throat clearing and some latino drum (peça para pigarro e conga)
9. Splatter gore finesse
10. Badtriptronics #11
11. Diabolyn (original remix)
12. We have obitum
13. Badtriptronics #6
14. Badtriptronics #2
15.

Abaixar

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Sarcófago - The Black vomit (versão laws of scourge)
Barathrun - Dark sorceress (winter siege)
Thy Serpent - Calm Blinking
- por Dackson "Deathrow"

Satanique Samba Trio - Splatter gore finesse

Humanish - the one
Malditas ovelhas - Cidade alerta
Axial - Lele
( Drop loaded )

Entrevista Ao Vivo via telefone com The Baggios
Direto de São Carlos, São Paulo
Por Isabela Raposo

The Quick - Bert´s Apple crumble
Small Faces - Grow your own
Amen Corner - Expressway to your heart
Steve Aldo - Baby what you want me to do
The Habits - Elbow Baby
The Wards of court - How could you say one thing

Karina Buhr - Cara palavra
Metallica & Lou Reed - iced Honey

Talking Heads - Once in a lifetime
Bow Wow Wow - C30 C60 C90 go
Devo - Whip it!
Trio - Broken Hearts for you and me

Penny Mocks - Pirambulança

Retrofoguetes - Maldito mambo!
Pata de Elefante - Até mais ver!
Ferraro Trio - Bad
Casa Forte - Funk Espacial
Perdeu a Língua –
Numa relax,
numa tranquila,
numa boa
.
.
.

sábado, 19 de novembro de 2011

Aperipê FM, Boa noite ...

Quase ninguém liga pro programa de rock. Isto é um fato, e digo isto apenas pra ilustrar o inusitado do relato que vou fazer, não é uma reclamação, nem um pedido, nem nada. Pois bem, há uns 2, 3 anos, ligou um senhor (pela voz imagino que tenha sido um senhor) e travou-se o seguinte diálogo entre mim (Adelvan) e ele:
- Aperipê FM, boa noite.
- Boa. Minha filha, quem é o responsável por esta coisa que ta no ar na “rádja” aí agora?
- É meu filhO. Sou eu mesmo, porque?
- Ah, é você que tem essa voz horrível é ? e é um “hômi”, é, pensei que fosse “muié” ...
- Hum, err, é, fazer o que ...
- Deveriam arranjar alguém melhorzinho pra fazer a locução ...
- Sim, eu sei, é que sou eu mesmo que produzo então é melhor que eu mesmo comente o que foi tocado, mas sei que não sou locutor, não tenho nenhuma formação, nenhum curso, não estudei pra isso. Sou amador, mesmo ...
- Percebe-se. Mas não foi por causa disso que eu liguei não, tou ligando pra protestar contra essas musicas horríveis que vocês tocam aí ...
Nesse momento pensei que o cara estava reclamando especificamente do bloco que estava no ar, que era só com splatter/grind/noise e Death metal produzido por Furia – um inferno sonoro, enfim, aí tentei explicar:
- Senhor, este bloco que está no ar eu sei que é um tipo de musica muito especifica e de difícil assimilação mesmo, mas acho importante tocar este tipo de musica também, e o programa não se resume a isto não, pelo contrário, é o mais variado possível. Hoje mesmo, mais cedo, tocamos U2 ...
- Eu sei, eu tou ouvindo desde o inicio. Achei tudo um lixo ...
- Ah, ta ...
- Isso é musica pra perverter a juventude ...
Longo silencio. Confesso que fui pego de surpresa e fiquei sem saber o que dizer, mas o coroa logo voltou à carga:
- E tem mais, muita musica estrangeira, em “ingrês”, coisa que a gente não entende ...
- o que o senhor sugere, então?
- Sugiro que seu programa acabe. Uma radio publica deveria tocar apenas musica brasileira, e de qualidade, não essa coisa aí que você toca.
Mais silencio ...
- E tem mais, já que a radio é do governo daqui, acho que deveria tocar só musica sergipana.
- Não concordo não. Musica é musica, é arte, e arte não deve ter fronteiras. E a gente já toca bastante musica sergipana, isso que o senhor ta sugerindo é uma espécie de gueto, a musica sergipana tem que estar é misturada à musica do mundo mesmo ...
- que gueto que nada. Eu vou é fazer um abaixo-assinado pra tirar esse programa do ar.
- Ah, ta. Então ta.
- Era só isso que eu queria dizer, boa noite.
- Boa.
Infelizmente, não rolou o tal abaixo-assinado, pelo menos não que eu saiba. Uma pena, teria sido publicidade gratuita.

A.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

# 205 - 12/11/2011

O programa de rock do último sábado foi aberto por uma musica do Unabomber Files, projeto que reune verdadeiras lendas vivas do metal mineiro: Vladimir Korg (Chakal, ex The Mist) nos vocais, Paulo Xisto jr. (Sepultura) no baixo, e dois membros da banda Eminence, Allan Wallace e André Marcio, na guitarra e bateria. Na sequencia, Vicente Coda flertando com as batidas eletronicas em "Bukowski", musica nova que fará parte de seu novo disco, duplo, a ser lançado no mês que vem.

No segundo bloco, aproveitamos o gancho do Festival SWU para tocar mais algumas das favoritas da casa - Alice in Chains com "down in a hole", do disco "Dirt", de 1992, e Sonic Youth com uma faixa de "Dirty", também de 1992. Já com o Faith No More, do qual tocamos o cover de "War Pigs" que eles gravaram para "The Real Thing", de 1989, saudamos também a volta do Black Sabbath com as promessas de um disco novo produzido por Rick Rubin, o primeiro em 33 anos com a formação original, e uma turnê mundial que, todos esperamos, passe também pelo Brasil.

O programa prosseguiu com mais uma edição do Drop loaded e com os Invasores de Cérebro, banda capitaneada por Ariel, notório vocalista e miltante anarquista que participou dos primordios do punk no Brasil fazendo os vocais do Restos de Nada e dos inocentes, e Karne Krua, pioneira do estilo em nosso estado. Tivemos ainda a psicodelia nordestina do Mopho, de Maceió, e do Anjo Gabriel, de Pernambuco, e, para encerrar, uma entrevista Ao Vivo com o niteroiense Pedro De Luna, que estava na cidade para o lançamento de seu livro "Niterói Rock Underground 1990-2010". A festa aconteceu no Capitão Cook e contou também com as apresentações das bandas Maria Scombona e Maquina Blues, numa noite agradável com a casa parcialmente cheia - o cook tem este paradoxo: se lotar, fica desconfortável, pois o lugar é muito pequeno (poderia crescer, bastando para isso que se derrubasse uma parede e se erguesse mais 3, o que incluiria a inutil área externa ao ambiente dos shows, mas o dono não quer - ou não pode - fazer, então fica por isso mesmo), se não der ninguém, prejudica quem está produzindo o evento. Ao que me consta, o publico pagante foi suficiente para pagar os custos e sobrar uma laminha, então todos ficaram relativamente felizes - Até porque os shows foram muito bons.

O livro de Pedro De Luna pode ser encontrado na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151, no Centro de Aracaju. Próximo à Catedral Metropolitana.

Tenho dito.

A.

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Anjo Gabriel alucinado e mergulhado na psicodelia

Bento Araújo – ESPECIAL PARA O ESTADO DE S. PAULO

A primeira informação é misteriosa, levemente duvidosa: “Eles irão tocar numa casa…” Numa casa? “Sim, eles e outras seis bandas…” Depois de uma bela garimpada na rede, foi possível achar pelo menos o endereço da tal casa, mas nada além. E o mistério continuava.

Domingo de chuva, aquela garoa ininterrupta que a São Paulo de outros tempos costumava se orgulhar. No meio da tarde, a casa é encontrada, num bairro tradicional da cidade. O som pode ser ouvido da rua, vindo lá de baixo. O grupo acabou de adentrar ao palco, ou melhor, ao cômodo.

Uma rampa dá acesso ao quintal, onde um conglomerado de freaks toma cerveja em canecas particulares e degusta uma espécie de cachorro-quente preparado num imenso caldeirão. Parece hora do recreio numa creche qualquer – a garotada correndo, conversando, dando risada – comendo e bebendo debaixo de chuva.

Para achar o cômodo onde o grupo se apresenta o único jeito é seguir as ondas sonoras. Passando por sósias animados do Devendra Banhart (de saia e tudo), cocotas com visual emo, e alguns punks, é possível sacar que toda aquela massa sonora vinha de uma porta de alumínio, daquelas típicas de vestiário de clube de futebol de várzea.

É só entrar, sem bater, e lá dentro cerca de 30 pessoas presenciam quatro jovens de Recife em catarse coletiva. Da terra do sol diretamente para a terra da garoa, executando um groove hipnótico, puro Krautrock, a vertente experimental alemã que trouxe ao mundo grupos como Can, Faust, Neu! e tantos outros.

No palco improvisado, o guitarrista abusa de uma Gibson SG de dois braços, um ícone dos anos 70, famosa por ilustrar timbres de hinos do período como Stairway To Heaven, Hotel California e Band On The Run. Entre o som agonizante e agudo do theremin e projeções na parede atrás do grupo, fica claro que o Anjo Gabriel é um combo único dentro do rock brasileiro atual.

Nessa mini turnê dos garotos pelo sudeste, esses 30 minutos na misteriosa casa foram o único gostinho que os paulistanos tiveram do Anjo Gabriel, um agrupamento lunático que certamente não faria feio num Rock In Rio ou em um SWU da vida.

A banda foi formada quando alguns de seus integrantes se encontraram numa comunidade hippie de Recife, chamada Ripohlandya, nome também do selo desenvolvido por eles, por onde surgiu o primeiro, e por enquanto único, registro da banda: O Culto Secreto do Anjo Gabriel.

O vinil, duplo, é quase todo instrumental, um oásis sonoro para aqueles cansados da choradeira indie que assola o mundo. Ecos da nordestina psicodelia “maldita” dos anos 70 é a espinha dorsal do trabalho, que também se alimenta do som pesado do Black Sabbath e do Blue Cheer, do progressivo espacial do Pink Floyd e do hard groove do Zeppelin. Sim, parece um disco perdido de um grupo obscuro da época, daqueles que você baixa hoje em dia e acha que descobriu o universo.

“Optamos por lançar em vinil e usar o processo analógico na produção. Essa prática soa real e coerente,” diz o pessoal, que aproveita a deixa: “Podemos dizer que corremos por fora das soluções modernas de distribuição com a estratégia ‘menos é mais’. Trabalhar dentro dessa prática provoca os antigos apreciadores e faz surgir novos curiosos. Além disso, o fato de colecionar discos nos faz entender um pouco como funciona o comércio e o público que consome música produzida em vinil.”

O elepê foi registrado em um gravador de rolo de 16 canais, num sítio, onde o grupo varou algumas intensas madrugadas realizando longas jams. Dessas lisérgicas sessões surgiram os oito temas do disco. Canções longas, trabalhadas, progressistas e livres.

Depois do impacto no ‘udigrudi’ o Anjo Gabriel já está preparado para encarar a famigerada ‘maldição’ do segundo disco: “Temos uma ideia basicamente definida quanto ao próximo lançamento, que já está composto e arranjado. Será uma trilha para o filme Lucifer Rising, de Kenneth Anger. Como o filme tem somente meia hora, nossa intenção é fazer uma trilha alternativa, e lançá-la num disco de dez polegadas que deve sair até o meio do ano de 2012, antes do mundo acabar…” Literalmente amaldiçoado e apoteótico.

http://blogs.estadao.com.br/combate_rock/anjo-gabriel-alucinado-e-mergulhado-na-psicodelia/

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Mopho, uma entrevista

Como se deu a volta do formato quarteto para gravar esse material novo?

Voltamos a nos encontrarmos a partir de 2008, quando o Bocão conseguiu um show para o Mopho aqui em São Paulo. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Outros shows, inclusive um em Macapá, que era uma cidade que nunca tinhamos tocado. Desde o encontro em 2008 já estávamos querendo gravar um disco novo, porque música era o que mais tinhamos guardado esse tempo todo que estivemos separados. Aliás, muitas músicas lindas ficaram fora desse disco novo e já estamos pensando em começar a trabalhar nessas novas canções.

Como funcionou os processos de produção desse novo disco?

Tivemos a ajuda de muitos amigos, e que agora eles fazem parte do Mopho também, mesmo que seja apenas no Vol.3. Pessoas como Paulo Blob, que fez toda arte do disco; Pedro Ivo Euzébio, o Tup, que foi nosso técnico nas gravações, na mixagem e na produção do disco; Woulthamberg Rodrigues que é um grande fotógrafo que nos acompanha desde que nos reencontramos em 2008. Essas pessoas trabalharam neste disco como se fossem membros da banda desde o início, em 1997.

Como funcionaram os contatos com a gravadora e as distribuidoras para rolar esse terceiro CD?

O Bocão é o cara que faz os contatos com o pessoal das gravadoras. A gente grava e manda uma pré-mix das músicas para eles ouvirem. Para o Mopho, hoje, ficou um pouco mais fácil esse contato por conta da banda ter conseguido uma pequena notoriedade no meio underground.

O que você destacaria como as principais mudanças nesse novo trabalho?

Acho que a maturidade foi algo que fez muita diferença neste disco, tanto na música como na vida, e as vezes as duas se confundem. Mas ainda temos muito para amadurecer.

Como rolaram as participações de outros músicos?

Eu não acompanhei tanto esse processo, pois estou morando em São Paulo enquanto os outros da banda estão em Macéio. Mas posso te dizer que as pessoas que participaram deste trabalho são amigos que conhecemos há um bom tempo. O Marco Túlio é um grande amigo da banda e que temos ele como se fosse um grande irmão e conselheiro. O Wado, nós nos conhecemos desde o tempo da “Ball”. O Billy é nosso maestro; a participação dele no disco, desta vez, foi apenas no piano e no clarinete em uma das faixas. No próximo disco estamos pensando em arranjos de cordas e sopros, e ele é o cara indicado pra escrever esses arranjos. O Carlini é um dos nossos heróis vivos, tivemos a imensa sorte de dividir o palco com ele num show em São Paulo, em meados de 2001.

O que acharam do show do lançamento do disco em Maceió?

O show foi muito bom. Na verdade, superou nossas expectativas. O palco ficou muito bonito e o teatro ficou lotado, levando em consideração que o show aconteceu numa terça-feira e numa cidade que normalmente os shows desse tipo acontecem numa sexta ou sábado.

Faixa a Faixa do álbum “Volume 3″

Dani Rabiscou - É um country rock que fala sobre Dani, uma garota que o Bocão conheceu em São Paulo, uma história muito interessante que rendeu uma música divertida com um link de guitarra bem marcante.

Quanto Valeu um pensamento seu – Uma parceria do João Paulo com a Melina e o Wado, uma balada de ar melancólico de forte poesia. Ainda rola uma participação do Wado cantando junto com o João no refrão.

As Marias – A música é cantada pelo Bocão, de autoria do mesmo e traz memórias do clube da esquina em uma levada que lembra The Beatles no Magical Mystery Tour.

Pessoas são de vidro – A música de levada latina tem um clima psicodélico, colagens e arranjos quase surreais, destaque para os arranjos de guitarra. Música do baterista Hélio Pisca.

Prelúdio – Uma canção inspirada nos saloons, uma desilusão amorosa permeada pelo piano e clarinete do genial Billy Magno. Canção da dupla Pisca e Bocão.

Você sabe muito bem – Quase um tributo ao Pink Floyd, uma canção que tem uma bela interpretação do João Paulo, um passeio pelo progressivo e o folk de autoria do mesmo.

Caleidoscópio - Levada inspirada na banda Love com direito a palmas e solo de teclado. A poesia se refere a visão de um indivíduo sobre um outro. Música composta e cantada por Bocão e ainda conta com a participação de Marco Túlio souza.

A Malvada – Também cantada por Bocão, o blues que tem a participação do mestre Luiz Carllinni (tutti – Frutti). Ele toca Lap Steel Guitar enquanto João Paulo desfila seus fraseados na guitarra. A música tem um trabalho vocal da banda e tem em sua melodia uma parceria entre Júnior Bocão e Paulo pessoa.

Produto Ordinário Popular - Puxada por um riff de teclado e fraseados de guitarra, a música, é um irônico rock sobre o que é pop.

O infinito – Uma decolagem para algo mais pesado, um hard rock que tem em um momento, sua condução apenas executada por caixas sendo tocadas, instiga a reflexão: “olhe para cima, você será o universo”! última frase do disco.

www.sirvase.net perguntou

Hélio Pisca respondeu

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Adolfo Sá - Como começou seu envolvimento com o punk?

Silvio Karne Krua - Começou quando eu conheci Santana, em 73. Foi quando eu comecei a escutar o que se poderia chamar de rock, né? Foi em 79 que eu conheci bandas como Led Zeppelin, Black Sabbath... Porque era difícil ter loja por aqui que vendesse esse tipo de som, e quando vendiam era praticamente só os ícones do rock, The Who, Beatles... Aí na década de 80, junto com Vicente Coda, que participou da Karne Krua como guitarrista, a gente de tanto escutar, chegou um dia que falamos: ‘Cara, não! Não quero só ouvir! EU QUERO FAZER!’ A gente gostava tanto que passou a querer viver isso, né, cara? Daí eu formei com ele a Sem Freio na Língua, que já era uma banda com uma proposta anárquica, não política, tipo: ‘Tarde de domingo/ paranóia no ar/ soco na televisão/ que não tem nada pra mostrar’... [risos] Uma coisa do punk descompromissado, né? A Karne Krua se formou mesmo em 85, com um conteúdo anárquico e libertário, depois que eu comecei a ler os livros de Bakunin, Malatesta, material anarquista mesmo. E daí em diante não parou mais.

AS - O que existia de punk em Aracaju, nessa época?

SKK - Nada! Éramos quatro caras que tocavam numa banda e saíam pela rua com um carro de polícia acompanhando o tempo todo. Márlio usava coturno, eu usava soqueira e arrebite... Não no sentido de guerrear, era mais um visual. A gente sempre ficava perambulando, quando encontrava alguém com uma camisa de banda chamava pra conversar... [risos] Era uma coisa raríssima um cara com uma camisa de rock! Era como quatro pessoas perdidas numa floresta que acharam uma pessoa que tava ligada ao mundo, né? Às vezes não era tão ligada quanto a gente, mas a gente achava que aquela pessoa, por estar usando uma camisa do Led Zeppelin, do Sex Pistols, tinha uma conexão. Porque só existia a banda, mesmo. Naquela época éramos radicais, eu posso te mostrar material onde toda a postura da banda era radical, como é até hoje. Meu posicionamento não mudou, apenas adicionamos muito mais coisas... Hoje ao discursar eu tomo o maior cuidado com o que vou falar no microfone, talvez antes eu não tivesse tanto cuidado. Não me arrependo de nada do que falei, mas hoje quando a gente tá fazendo um show pra uma garotada eu quero passar um negócio bom pra aquelas pessoas, pra que elas passem uma idéia positiva depois, não uma coisa deturpada.

AS - Como você vê o movimento punk hoje em dia?

SKK - Hoje tem o movimento de consciência punk, que na década de 90 funcionou mais até, a gente via muito isso em São Paulo. Havia reuniões de pessoas que gostavam do movimento punk de uma maneira mais abrangente. Aí, cada vez mais a coisa foi fixando segmentada, apareceram revistas, aparecem os anarco-punks, apareceu não-sei-o-que-mais-lá... Ninguém sabe, um monte de siglas que só fazem fragmentar mais a coisa. Hoje você vai numa reunião, é uma coisa fechada, que determina o que você tem que fazer, porque você é punk, ou você não é... Acho que isso não é legal. Se você tem uma verdade, você pode mostrar. Porque não tem mais nenhum sistema militar oprimindo ninguém. Você pode chegar nas praças, fazer suas faixas, fazer seu protesto. Mas, porra, procurar a clausura? Ficar fechado dentro do próprio movimento punk? É só divergências, brigas, fofoquinhas... Já houve eventos em que, ao invés de se debater algum assunto interessante, socialmente, foram fazer lista de bandas a serem boicotadas!

Quer dizer, esses caras que não fazem porra nenhuma, nem estão mais envolvidos com movimento punk, nem com música, nem nada, atrasaram o lado de um monte de bandas. Caras que hoje ficam em casa... Eu também tenho minha casa, eu sou pai de família, mas eu vivo em caminhos alternativos. Eu trabalho desde os 18 anos e até hoje não tenho carteira assinada... Então, como é que um ‘punk’ com carteira assinada pode vir me peitar? EU MANDO TOMAR NO CU! Digo: ‘você tá falando merda’. Porque a minha vida toda eu construí em função das minhas próprias forças. Tem muita contradição no punk. Tem muita gente burra, tem muita gente legal também. A maioria das pessoas que têm algo a dar mesmo, às vezes se afastam exatamente pelo sectarismo que rola, pela coisa fechada que é, e lhe digo mais, pela coisa emergencial que é – e não dura muito. São punks fogo-de-palha, que começam a querer radicalizar, criam inimigos... Isso é mesquinho, cara, isso não existe. Disso aí eu tou fora. Punk de carteirinha, eu tou fora.

AS - Você acha que falta ao brasileiro um espírito ‘guerrilheiro’?

SKK - Em todas as épocas, sempre apareceu alguém, algum grupo, pra levantar a bandeira dos oprimidos e lutar contra o sistema. No Brasil, eu noto um conformismo geral. Não sei se o país por ser tão grande dificulta a organização, mas a gente vê na América Latina as pessoas se manifestando na rua, seja na Colômbia seja na Argentina... A gente, que tem envolvimento com cultura libertária, com outros movimentos, a gente sente isso, no Brasil a gente vê tantas falcatruas... Se botassem uma bomba lá em Brasília e explodisse um gabinete daqueles, num instante nego ia parar de roubar. Mas nada acontece, né? Eu não tou fazendo uma apologia à violência, mas tou me referindo ao conformismo das pessoas e à tranqüilidade das autoridades, que fazem o que querem, roubam, é comprovado que roubaram, e nada acontece. É uma coisa que você vê que realmente é o povo que dá margem pra que façam isso com ele.

VLB - Você vota?

SKK - Sempre votei. Mas desde que comecei a votar, só votei nulo.

http://vivalabrasa.blogspot.com/

# # #

Unabomber Files - Buried in my bunker
Vicente Coda - Bukowski

Alice in chains - Down in a hole
Sonic Youth - Shoot
Faith No More - War Pigs

The pains of being pure at heart - Heart in your heartbreak
Lana Del Rey - Video games
( Drop Loaded )

Mopho - pessoas são de vidro
Anjo Gabriel - Sunshine in outer space

Invasores de Cérebro - 111 escombros
Karne Krua - Suicídio

Entrevista com Pedro De Luna, +
Blocos produzido por Pedro De Luna:

Dead Fish - Molotov

Social Distortion - Prison Bond
The Funk Fuckers - Na testa
Sex Noise - Franzino Costela
Kamundjangos - sopa de jornal

terça-feira, 8 de novembro de 2011

12/nov., no Capitão Cook

Um pub, duas bandas locais e um escritor carioca. Essa receita que mistura blues, rock sergipano e literatura underground acontecerá no próximo dia 12 de novembro, sábado, a partir das 23h, próximo ao farol da Coroa do Meio.

A Maria Scombona, depois de 15 anos de atividades, dois CDs lançados e shows por todo o país, além de projetos como “Mundo Rock Interior” e “Maria Scombona Convida”, deu um tempo para preparar o terceiro disco, que sairá até o fim do ano nos formatos vinil, CD e mp3 e se chamará “unnu”. A banda tem retornado os palcos gradativamente e lança um aperitivo do novo trabalho – um single virtual com as faixas “Mundo Interior” e “Super Zé”. O show trará um mix dos 3 discos do grupo liderado pelo compositor Henrique Teles, além de uma Jam session com os integrantes da Máquina Blues.

A Máquina Blues é a segunda atração da noite, contando com o carisma de seu frontman Silvio Campos (fundador da Karne Krua e um dos precursores do rock em Sergipe) e composições muito bem resolvidas que fundem a música do Nordeste brasileiro com a sonoridade característica do Mississipi. O grupo costuma também resgatar clássicos de John Lee Hooker, Celso Blues Boy, Muddy Waters e outros bluesman, em versões carregadas de lirismo e energia.

O carioca Pedro de Luna é gestor cultural e escritor, e desde que lançou seu primeiro livro, “Niterói Rock Underground (1990-2010)”, tem percorrido o Brasil divulgando e vendendo o trabalho em shows, livrarias e lojas de discos. A obra retrata fielmente duas décadas da cena independente brasileira, suas transformações tecnológicas, sociais e econômicas: da fita-cassete ao mp3, do correio e fax às redes sociais, a análise é feita cronologicamente por quem viveu de perto e intensamente todo esse processo. É a segunda vez que o escritor vem a Sergipe (cobriu o festival Rock-SE em 1998), e o mesmo estará vendendo e autografando o livro pessoalmente no Capitão Cook.

SERVIÇO:

Show com Maria Scombona – Lançamento do single virtual – e Máquina Blues
Lançamento do livro “Niterói Rock Underground (1990-2010)”, de Pedro de Luna (RJ)
12 de Novembro (Sábado), 23h, no Capitão Cook.
R$ 10

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

# 204 - 05/11/2011

Desde que eu comecei a me interessar mais a fundo e a ler sobre musica acompanho um movimento contínuo: os críticos tentando emplacar e os músicos fugir dos rótulos. Ambos com suas justificativas: os primeiros pela necessidade de definir para melhor comunicar, os segundos, buscando escapar das limitações e amarras. Foi assim também com tudo o que veio depois do furacão punk, num movimento renovador a principio denominado genericamente como pos-punk, para logo em seguida se ramificar em infinitas variações como new wave, new romantic, synthpop, industrial, cold wave, gótico, dark wave ou simplesmente “dark”, termo que foi comum por um certo período no Brasil para denominar toda a musica, digamos, “triste”, que fosse ligado ao rock.

Nosso bloco de “rock triste” do programa de rock de sábado começou com “Valsa da lua”, do Silverblood, faixa “espacial” e climática retirada do disco “imperfection”, lançado em 1995 pela Cri Du Chat, selo independente brasileiro especializado em música eletrônica. Silverblood era um duo formado em Juiz de Fora, Minas Gerais, por Paulo Beto (programações) e Ana Claudia Romano (vocais) e seu trabalho sofria forte influencia dos quadrinhos, notadamente do Sandman de Neil Gayman.

Do underground dos anos 90 fizemos um salto regressivo rumo ao “quase mainstrean” dos 80, época em que o rock brasileiro era a musica que tocava nas rádios graças a nomes como RPM, Titãs e Legião Urbana, de Brasília. Foi lá, na capital federal, que surgiu o Arte no Escuro, mais uma daquelas apostas abortadas de majors em grupos que se destacam na cena independente. Tinha nos vocais Marielle, ex Escola de Escândalo e posteriormente vocalista do Volkana, banda de thrash metal feminina. Seu disco foi lançado pela EMI em 1988. Não foi “sucesso”, mas tornou-se “cult”.

Também de 1988 é o segundo LP do Hojerizah, “pele”. A banda foi formada em 1983, no Rio de Janeiro, por Toni Platão, Flávio Murrah , Marcelo Larrosa e Álvaro Albuquerque e alcançou sucesso nacional com a música “pros que estão em casa”. Nunca “estouraram”, mas ocuparam pelo tempo em que existiram o posto de banda mais promissora do chamado “segundo escalão” do rock brasileiro daquela década. Toni Platão segue em carreira solo, tendo cantado recentemente no Tributo ao Legião Urbana realizado no Rock in rio, quando deixou evidente, pelo menos para mim, que se tem alguém com cacife para substituir Renato Russo numa hipotética e altamente improvável volta da banda brasiliense, seria ele. De quebra, ainda fez uma justa e decente homenagem a Redson, do Cólera, então recém- falecido.

Encerrando o bloco, duas faixas de bandas obscuras: Ocaso, de Duque de Caxias, baixada fluminense, e Pompas Fúnebres, de Brasília. Esta última, mesmo com uma técnica sofrível e não tendo gravado nenhum disco, apenas uma demo em k7 de 1990, adquiriu status de “Cult” na cena gótica nacional.

Estes e outros grupos, mais ou menos conhecidos, podem ser ouvidos na impressionante coletânea “under the southern Sun”, compilada pelo produtor musical Raniere Santana, que você encontra clicando aqui - http://musicaindiebr.blogspot.com/2008/06/under-southern-sun-chronology-of-post.html

O programa começou com um passeio pelos Estados Unidos da América através do Hard Core/crossover e terminou com uma imersão no disco “The Dark Side of the moon”, do Pink Floyd, que acaba de ser relançado em diversas versões, dentre elas uma chamada, justamente, “immersion”. Tocamos uma versão demo de “Money” gravada por Roger Waters com apenas um violão, duas faixas inéditas nunca antes lançadas oficialmente pela banda e algumas retiradas de um mix anterior do disco, de 1972, com curiosidades como os primeiros improvisos do saxofonista Dick Parry em “Us and then” e a ausência dos vocais de Clare Torry em “The Great gig in the Sky”.

No recheio, novidades do Autoramas, do Eddie, de Karina Buhr e dos sergipanos da Maria Scombona, que se preparam para lançar seu terceiro disco em vinil prensado na republica checa! “Mundo interior” é uma homenagem aos nomes de povoados da Terra Serigy, como Pé do veado e Cruz da Donzela.

Semana que vem tem mais.

A.

# # #

Minor Threat - Filler
Cryptic Slaughter - Money Talks
DRI - Acid Rain
Agnostic Front - We want the truth
Suicidal Tendencies - How will I laugh tomorrow

EQM - Outros dias

Pez - introducciondeclaracionadivinanza
Pez - Latigazo
( Drop Loaded )

Karina Buhr - Cara palavra
Autoramas - Abstrai
Eddie - Veraneio
Maria Scombona - Mundo interior

Morrissey - People are the same everywhere
Crove Horrorshow - Sem grana

Silverblood - Valsa da lua
Arte no escuro - Beije-me cowboy
Hojerizah - A pele
Ocaso - Somnium
Pompas Fúnebres - Ulalume

Pink Floyd - "The Dark Side of the moom immersion"
# The Hardway (Household objects project)
# The Travel sequence (previously unreleased)
# Money (Roger Waters demo)
# The Great gig in the sky (Early mix 1972)
# Us and then (Early mix 1972)
# Any colour you like (Early mix 1972)
# Brain Damage (Early mix 1972)
# Eclipse (Early mix 1972)

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

# 203 - 29/10/2011

Sublevação é uma das bandas de Hardcore mais antigas de Aracaju. Foi fundada em 1992. Esteve parada por 5 ou 6 anos, aproximadamente, e voltou aos palcos no último sábado, durante o Primeiro Rock Underground de Socorro, realizado no Conjunto João Alves Filho, no municipio de Nossa Senhora do Socorro, que fica na região metropolitana de Aracaju. Periferia, meus caros. É sempre legal ver o rock ocupando espaços ainda não explorados, e o clima da noite me lembrou os tempos heróicos dos anos 80 e inicio da década de 90, quando as coisas eram mais difíceis e, talvez por isso mesmo, as pessoas pareciam menos acomodadas.

Fui lá especialmente para ver o show de retorno dos veteranos - sem querer desmerecer os demais participantes, evidentemente: é que eu estava meio "dopado" por uns remedios que tive de tomar por causa de uma crise de asma pela manhã e por isso indisposto para seguir no rock madugada adentro. Foi bem legal.
Silvio, da Karne krua, que está na nova formação, tem um estilo bem caracteristico de tocar guitarra e deu um um "mojo" diferente ao som dos caras. Gostei muito das musicas novas, com uma estrutura ritmica melhor trabalhada e letras mais "maduras". E a resposta do publico também foi ótima, com a molecada agitando muito ao lado dos veteranos resistentes remanescentes. Destaque para o "camarote" de Cana Brava (o maluco sentou numa cadeira no meio do pogo!) e pra um figura lá que estava dando chineladas na galera que agitava. "Doidjera".

Já o programa de rock foi aberto com a faixa título do mais novo disco do Lock UP e mais algumas extraídas da trilha sonora do já clássco deocumentário "Metal, e Headbangers Joruney", de Sam Dunn. Seguimos comemorando os 10 anos do primeiro EP dos Strokes, "The Modern Age", e mais: Los Porongas, do Acre, em uma edição especial do Drop Loaded, e uma entrevista ao vivo com Alapada, banda local que está lançando seu terceiro disco. Depois de duas novidades vindas diretamente do Recife, rolamos uma faixa de um compacto que o John Spencer Blues Explosion lançou em "split" com o Melvins. O disquinho, lançado pela lendária gravadora Anphetamine reptile, traz dois covers para a mesma musica, "Black Betty", de Leadbelly. Está fora de catálogo, mas você pode fazer o download dele aqui, no Blog "Canço! I Hate rock and roll, de nosso camarada Maicon "Stooge".

Finalizando, mais um "Bloco do ouvinte".

# # #

Lock up - Necropolis Transparent
Arch Enemy - Silent Wars
Cannibal Corpse - Decency Defied
Children of Bodon - Needled
Enslaved - Havenless

The Strokes, 10 anos do EP "The Modern Age"
# The Modern Age
# last nite
# Barely legal

Drop Loaded Edição Especial
# Los Porongas

Alapada - Zidane
+ Entrevista

Mundo Livre S/A - A Fumaça do pajé Miti Subitxxiii
Z-Man.NE - Caminho das cores

The John Spencer Blues Explosion - Black Betty

Porcas Borboletas - Menos
Instiga - Sabiá
Nomads & Skaetera - Kangourou nomade
Stevie Ray Vaughan - Testify
Superchunk - untied
- por
Alan Bidu Silva

"Bonus" Tracks:
# Sublevação
# Logorreia

terça-feira, 25 de outubro de 2011

(*) Leonardo Panço, testemunha ocular da escória

A primeira coisa que eu tenho para falar sobre o novo/velho (porque na verdade foi o primeiro que ele escreveu, apenas demorou “um pouco” – mais de uma década! – para lançar) livro de Leonardo Panço é que ele é cheiroso. Sim, cheiroso! Pra quem gosta de cheiro de tinta impressa em papel, claro. Eu gosto. Muito. Especialmente se o impresso for novo – e este é, está lá, na abertura: 1ª. Edição, outubro de 2011.

Gosto de sentir o cheiro dos livros, sempre gostei. Porque ? Não sei. Só sei que é assim, e na internet não é assim, embora imagine que qualquer dia inventam, também, a internet com cheiro. Deve ser amor, pois sempre cheirei os livros que lia, às vezes em público, para a surpresa dos desavisados, como Adolfo Sá no dia do lançamento do “Esporro” aqui em Aracaju. Dito isto, digo mais: o livro é bonito. Não sei se é gostoso, porque não como livros. Não com a boca, pelo menos. Com os olhos, talvez. A capa é ótima, a encadernação é boa e as páginas, ricamente ilustradas com inúmeras fotos e reproduções de cartazes de shows, fluem com facilidade ao serem manuseadas.

Agora o conteúdo: é divertido. Muito divertido. O que esperar, afinal, de um livro que se propõe a contar historias do underground carioca da primeira metade dos anos 90, principalmente, quando algumas das mais insanas formações do rock brazuca, como Gangrena Gasosa, Zumbi do Mato, Piu Piu e sua banda e chatos e chatolins estavam em plena atividade e com seus membros na fina flor da juventude descompromissada ? Loucura total, claro!

Temos encontros inusitados, por exemplo: você sabia que o Fugazi, uma das mais sérias (sério mesmo) e respeitadas bandas de rock alternativo do mundo, já tocou com a Gangrena Gasosa num pico suburbano tosco da baixada fluminense? E se eu te disser que houve um encontro pra lá de bizarro entre membros das duas “agremiações” no banheiro do local do show? Pois aconteceu, e está lá, contado em detalhes. Assim como estão inúmeros outros episódios curiosos e pitorescos, como a quase prisão dos membros do zumbi do mato por estarem cheirando balas garoto, os bastidores da entrevista da Gangrena (campeões de insanidade) no programa do Jô Soares, as tentativas de estupro e de shows pirotécnicos dos Chatos e Chatolins e as loucuras de Piu Piu, famoso por tocar fogo no próprio corpo e broxar recebendo um boquete em pleno palco – tudo isso e mais os perrengues comuns pelos quais todos, sem exceção, já passaram, e com os quais qualquer pessoa que já tenha se aventurado por um momento que seja no mundo do rock independente e alternativo vai se identificar.

Porque nem tudo é loucura total, claro – há algumas passagens bem ingênuas até. Mas tudo junto forma um impressionante mosaico e acaba ajudando, e muito, a contar uma história: a história de uma cena que fez história, para além dos que se projetaram na mídia, como o Planet Hemp, principalmente. Os que ficaram pelo caminho, como Poindexter, Soutien Xiita, Anarchy Solid Sound e Sex Noise, deixaram também um legado valioso que merece ser resgatado, e este livro o faz com louvor. Isto pra não mencionar os que continuam por aí, existindo e insistindo, como a Gangrena, o Zumbi e o próprio Jason, banda posterior do autor, que segue firme em nova formação preparando um novo disco.

O painel é, inclusive, bem mais amplo do que Panço deixa entender nas entrevistas, com suas compreensíveis ressalvas de que seu relato é incompleto. Está quase tudo lá – o que de mais relevante aconteceu no cenário da época está, senão esmiuçado, pelo menos citado, sempre. E satisfatoriamente retratadas estão as carreiras de inúmeras bandas, produtores, personalidades e casas de espetáculo: além das já citadas, temos pequenas biografias dos Beach Lizards, do Dash, de Simone e do Formigão, do Funk Fuckers, do B. Negão, de Skunk e Marcelo D2, do Cabeça, da coletânea paredão, lançada pela “major” EMI, do Garage, o “templo” de todos, e de Fabio, dono do Garage, de quem são, apropriadamente, algumas das últimas palavras escritas no livro.

Missão cumprida, Leonardo Panço. Pode descansar.

Sei que não ...

por Adelvan

Foto: Mauro Pimentel

* Expressão “ixpierta” cunhada por Adolfo Sá em seu blog, de onde surrupiei também a entrevista abaixo:

VLB - Quando eu te conheci vc tinha uma banda e dois zines. O que veio primeiro, a roqueiragem ou o zinismo?

LP - O rock, sempre. Sempre tive um único sonho, que foi o de ser guitarrista de uma banda de rock. Todas as outras coisas vieram depois, ao acaso, com o passar do tempo eu fui viajando em outras paradas, desenvolvendo novas ideias, e daí vieram os zines, os livros, a gravadora, as turnês de banda e livro, e tudo mais.

VLB - Pra quem não conheceu, poderíamos dizer que se a Soutien Xiita fosse uma pizza seria uma grande 3 sabores: Anthrax, Pantera e Faith No More?

LP - Acho que o Cabelada diria que faltou um Red Hot aí e eu diria que faltou Cólera, Replicantes e Garotos Podres em alguns momentos. Mas principalmente FNM e Pantera total. Anthrax também, mas acho que menos.

VLB - Vc trampava na EMI qdo nos conhecemos, tava no projeto PAREDÃO. Continuou lá depois que a coletânea saiu?

LP - Enquanto o PAREDÃO foi divulgado, eu estava lá sim, inclusive a festa de Curitiba eu ajudei com toques, a do Rio também, eles me consultavam para saber o que seria melhor, etc. Fui estagiário da EMI por pouco mais de um ano e hoje vejo que não deveria ter saído. Eu ficava ouvindo fitas demo o dia todo, de tudo que é estilo, e tentava indicar ao pai do Rafael o que eu gostava. Mas não sei identificar um pagode bom, um axé bom, e achava chato ficar lá fazendo aquilo. Saí da EMI porque me achava meio inútil lá.

VLB - Foi daí que vc e o Rafael começaram a Tamborete?

LP - Comecei a Tamborete com o Rafael nessa época e acho que teria dado para conciliar as duas coisas por um tempo, principalmente por causa do dinheiro que eu recebia e fazia muita falta.

VLB - Falando no Rafael, quando vcs e os 2 do Poindexter montaram o Jason, foi tipo uma superbanda do underground carioca né? Só figura carimbada... Vcs tinham essa idéia qdo começaram a tocar juntos?

LP - A ideia era fazer uma coisa que a gente não vinha conseguindo fazer nas nossas três bandas (apesar de que eu acho que o Soutien já tinha acabado), que era não se aborrecer, não ter pessoas que faltassem aos ensaios, que não fossem aos shows, e acima de tudo, fazer músicas de maneira mais rápida, sem muita firula. Então criamos uma regra de cada um levar as músicas prontas e o Flock levou o caderninho com letras, tanto que 'Marra de Cão' é 100% igual agora a primeira vez em que ela foi tocada. Tudo muito simples e rápido. Mas não tínhamos ideia de ser uma superbanda não. Essa é o Superheavy de Jagger, Marley, Stone...

VLB - O Soutien durou quase 10 anos, mas viajou pouco, tocou em poucos festivais e só lançou 1 disco, depois de muitas demos. Já c/ o Jason foi o contrário, as coisas sempre aconteceram mais rápido: discos, viagens e sei lá, festivais?! Além de vcs estarem mais experientes e espertos, a banda nova tinha um esquema mais redondinho que funcionava melhor?

LP - Se a gente pensar direitinho, o Soutien praticamente só durou 2 anos, que foram 92 e 93. Nesses anos a gente compôs acho que 99% das músicas que entraram no CD, foi quando não mudamos de formação, conseguimos tocar mais, etc. Depois o que eu considero foi o ano que tivemos com Pedro e Melvin na bateria e baixo. Tocamos em SP, interior, PR, SC, na Expo Alternative em 96. Em 99 a gente voltou com a formação das antigas para uns 4 ensaios e a gravação do disco, e encerramos para sempre no show de lançamento. Já realmente com o Jason foi ao contrário, porque as coisas eram mais diretas, cada um tinha uma área de atuação mais clara, Rafael na produção, eu nos shows, Flock com a arte, e toda semana tinha ensaio, a gente criava em casa, levava coisas prontas, era tudo mais interessante e produtivo. Depois coloquei pilha para começarmos a viajar e por aí foi.

VLB - O disco de estréia do Jason, ODEIA EU, é puro hardcore e só tem hit! Depois a banda seguiu numa direção mais... new metal? C/ umas letras mais... abstratas? Se bem que o REGRESSÃO tem uns HC nervosão...
LP - Eu ainda acho que o segundo é parecido com o disco de estreia de certo modo. Ele ainda é bem direto, as letras são mais diretas. Mas o terceiro realmente é bem mais viajante, rolou uma outra época na vida de todo mundo, é normal. E mais viagem ainda é a leva que gerou um CD split lá na Europa, com o Glerm (ex-Boi Mamão) no vocal. Capaz que nestas músicas estão minhas melhores guitarras, que inclusive gravei no nordeste, com a produção de Marcelo Gomão (Vamoz), na minha modesta opinião, um dos três melhores guitarristas do Brasil, sendo que diria o de melhor gosto.

VLB - Vcs fizeram mais alguma tour européia além da que tá no livro JASON 2001?

LP - Fizemos sim. Em 2003 foram 26 shows em 4 países. Tivemos um problema com o Glerm, ele teve que voltar para o Brasil, e perdemos uns 3 ou 4 shows e fizemos 19 como um trio. Em 2006 voltamos para 38 concertos em uns 6 países, eu acho.

VLB - Tocaram pela América do Sul tb?

LP - A gente esteve prestes a ir duas vezes, mas não aconteceu. Hoje eu vejo que foi melhor, seria muito mambembe e traria complicações muito maiores que os êxitos.

VLB - Esse livro que eu citei já tem 10 anos. Qdo vc tocou pela 1ª vez na Europa, uma coisa que te chamou atenção foi o esquema profissa c/ que os squats funcionam lá e a infra que as bandas têm, tipo vans, amps delas mesmas. Vc disse que ainda faltava muito pro Brasil chegar nesse nível. E agora, falta quanto?

LP - Agora a gente está diferente de uma maneira muito melhor, mas acho que nunca vamos ser como eles, porque nós somos nós, não eles. Acho que nunca vamos ter tantos squats como eles, nem tantos centros culturais, nem vans, etc. Seria legal que as bandas tivessem seus próprios amps, isso ainda acho que é viável, e que vamos ter ainda. Mas estamos melhorando.

VLB - Quais foram os shows mais memoráveis da sua vida? Quais as bandas c/ quem vc mais gostou de tocar junto na mesma noite?

LP - Pô, são quase 500 shows, difícil lembrar de tudo. Poderia falar de um monte, mas vou falar do mais emocionante na minha opinião. Provavelmente os outros têm outras opiniões. A gente passou por dificuldades gigantes, muito complexas mesmo, na tour de 2003 na Europa, coisas que o próprio Glerm explicou no blog dele na época. E numa segunda-feira tivemos que viajar uns 600km pra ir levar ele ao aeroporto de Frankfurt para ele voltar ao Brasil, foi tudo muito difícil. Tínhamos show nesse dia na Alemanha e ligamos para o promotor para dizer que a gente tava longe para caralho e não daria para chegar, uma segunda, já era tarde, etc. Isso com a gente já na estrada. Daí o cara falou 'mete bronca, vem para cá, que ninguém vai embora enquanto vocês não chegarem'. Marcelo meteu 190 na van e chegamos lá quase 11 da noite. Tinha umas 50 pessoas esperando, a gente fez o show como trio, sem saber nem quais músicas tocar, o que fazer, e foi fuderoso. As pessoas gritaram, deram muita força, pediram bis, mosh, pogo. Para mim é o meu dia mais emocionante.

VLB - Qdo vcs vieram tocar em Aracaju em 98, numa festa que eu tava ajudando a organizar, tu colecionava credenciais e o Flock cartões telefônicos [!!!]... Continuam as coleções?

LP - Eu não, Flock também não creio. Na verdade não sei se era uma coleção exatamente, mas eu guardava todas as credenciais. Na verdade guardo até hoje, mas agora não tenho mais credenciais. Era uma época em que eu estava muito mais envolvido com o show business, eu acho. Ia nas festas, recebia convites para festivais, ganhava camisetas, discos, as pessoas queriam que eu estivesse por lá por causa de reflexos da EMI, do começo da Tamborete, etc. Em algum momento da minha vida eu fiquei de saco cheio disso e me afastei um pouco, comecei a achar tudo chato, e na real, hoje acho que ainda acho, pouco apareço nos shows, eventos, a não ser que tenha bebida e comida liberada, aí dependendo do que for, eu até vou. Então não ganho mais muitas credenciais, ainda mais agora sem tocar no Jason, né.

VLB - Por que vc saiu do Jason e aposentou a guitarra?

LP - São mil motivos, mil razões, etc, mas acho que dá para resumir no último ensaio que eu fui. Não sei o que toquei, estava achando um saco estar ali, não via a hora de ir embora fazer o que eu tinha marcado para logo depois, não queria estar lá, simples assim. Acho que foi aos poucos, mas fui me enchendo de tocar, de pegar ônibus para ensaiar, uma outra fase na vida mesmo. Mas a guitarra eu sigo tocando em casa todos os dias de brincadeira, como deveria ser na verdade, sem obrigação. Quem sabe sai alguma música ali e eu dou para alguém gravar...

VLB - Vc manteve todas as suas guitarras?

LP - Eu sou, guardadas algumas proporções, como Tony Iommi do Black Sabbath. Um marshall, uma palheta, uma correia, um cabo e uma Gibson SG. Ele tem a vantagem de ter um dedo de metal e tocar mais pesado que eu. :) Mas é o que digo acima, toco todos os dias um pouquinho. Mas só tenho essa guitarra agora. A Finch Les Paul vendi quando estava sem emprego e a Washburn que usei para gravar o ODEIA EU, dei de presente para o filho da minha prima, o Matheus. Ele tinha três anos, agora cinco, e eu vi o talento dele com duas colheres de pau num tamborete, incrível mesmo. Daí minha prima disse que ele ficava brincando de raquete de tênis como se fosse uma guitarra e peguei a minha e dei de presente para ele. Ele surtou: 'Minha guirrata, minha guirrata!'... Acho que foi bem feito e espero que ele aproveite bastante.

VLB - Mesmo assim vc e os caras continuam parceirões né. O Flock fez a arte do livro novo e os cartazes da tour...

LP - Olha, para ser sincero, minha relação com o Marcelo sempre foi 100% ligada ao Jason, é possível contar nos dedos de uma única mão as vezes que nos vimos fora de algo relacionado à banda. Acho que temos uma relação boa, mas distante. Capaz que a gente é meio parecido, de ficar muito em casa, fazendo suas coisas, etc. O Vital não vejo desde janeiro e nem falei mais. Acredito que não haja nenhum problema, mas também a vida acaba levando cada um para lados diferentes. É uma cidade muito grande, temos empregos que já nos colocam muito ocupados e geograficamente distantes. Para ser sincero, acho que vejo poucas pessoas, sem ser as que trabalham comigo no dia-a-dia. Flock realmente eu encontrei agora para as coisas do ESPORRO e nos falamos bastante para resolver tudo da edição do livro, tomar milhões de decisões juntos. As fotos de divulgação foram feitas na minha casa. Aquela parede grafitada é a minha sala, que ele pintou na festa do meu aniversário de 2009. Não pude ir na exposição dele porque saio 22h do trabalho e não era compatível com os horários do café onde ele estava expondo.

VLB - Panço, essa sua tour de lançamento do ESPORRO é um negócio meio inédito no Brasil, mas nem tanto. Vc mesmo já tinha feito coisa parecida em 2009 qdo lançou o CARAS DESSA IDADE NÃO LÊEM MANUAIS...

LP - Tenho para mim que não é inédito porque eu mesmo inventei de fazer uma outra do segundo livro em 2008/2009, isso é mais comum nos EUA, acho que até na Europa não se faz muito, para ser honesto não sei. Sei que na 'América' é comum.

VLB - E agora, já passou por quantas cidades?
LP - Já lancei em Curitiba, Joinville, São José, Florianópolis, Porto Alegre, Campo Bom, Sapiranga, Sapucaia do Sul, Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa e Natal. Agora tenho dois eventos em SP, Bauru, São Carlos, Bragança Paulista e Campinas. Daí volto para casa e estou fechando Rio, Nova Iguaçu, Resende e Volta Redonda, todas cidades no RJ. Espero que novos convites cheguem.

VLB - Quais as noitadas mais legais da tour até agora?

LP - Tenho uma noite preferida, mas não falaria qual é, soaria deselegante com as outras.

VLB - O livro tem vendido bem? Vale a pena esse esquema de pegar a estrada p/ lançar livro?

LP - Se vale a pena ou não, é sempre uma discussão grande. Se você vende 15 livros em uma cidade do outro lado do Brasil, pode achar que não foi grande coisa, e eu particularmente, acho pouco, mas as pessoas com quem eu converso dizem que foi bom. Eu sigo achando que poderia ser melhor, mas já é claramente melhor que a tour anterior.

VLB - Cara, as histórias do Gangrena Gasosa são as mais insanas do ESPORRO, terrorismo total. Ficou alguma coisa de fora, tipo impublicável?

LP - Ficou sim. Eu achei que hoje em dia algumas coisas não valem mais a pena, o povo tem filhos, empregos, casamentos. Não exatamente da Gangrena, mas no geral, espero ter tirado o que não cabia ali. Só se eu tivesse uma editora grande, que assumisse possíveis processos.

VLB - Por que o Fumê, vocalista mais louco do Zumbi do Mato, passa meio batido no livro? Não descolou nenhuma foto dele?

LP - Nunca vi um show do Zumbi com o Fumê, de repente pode ter sido um erro meu, mas não cogitei entrevistar ele, nem nunca falei com ele na verdade. Acho a gravação da demo com ele absolutamente genial, um espetáculo do mundo moderno, mas no final das contas não falei com ele.

VLB - Eu conheci ele em 96, de moicano e jaqueta de couro distribuindo sopa pros mendigos no centro. Só gosto do Zumbi do Mato c/ o Fumê, c/ o Löis é mais cabeça, o cara é músico, universitário, e o Fumê era mais demente, quando ele cantava “vai chupar cocô pra ver disco voador” vc sentia que o negócio era mais ameaçador... e engraçado! A última notícia que eu tive foi de um cartaz anarco-punk que é a foto dele beijando um cara, essa poderia entrar no livro hahah...

LP - Ele beijando um cara? Seria só mais um cara beijando outro cara, não há nada demais nisso.

VLB - Adelvan me falou que uma vez levou o Jason inteiro pra um puteiro aqui de Aracaju depois de um show de vcs...

LP - Já fui em puteiro com Adelvan umas duas vezes, eu acho, e essa noite a que ele se refere foi muito divertida. Um senhor, que era professor de uma Universidade do SE, ficou pelado e brochou. Foram horas divertidas e de cerveja barata, mas nada de conjunção carnal.

VLB - Vc é autêntico carioca suburbano... As zonas norte e oeste são tipo um outro Rio, comparadas à zona sul e Barra né. Como se fosse outra cidade. Eu nunca fui na sua casa, então diz aí: a Vila da Penha é legal de se morar? É sossegada ou rola aquelas fitas de tiroteio e tals?
LP - Eu acho tranquilaço de morar na Vila da Penha, é onde eu nasci e cresci e onde morei a vida inteira. Tem tiroteios de vez em quando, já caiu bala no meu quintal, mas eu sigo lá e gosto no geral. A parte ruim é ser tão longe do trabalho, na Barra da Tijuca. São quatro ônibus por dia, 90km ida e volta, 3h perdidas. Mas para eu sair de lá, numa casa com meus cachorros, árvores, etc, e ir morar mais perto, teria que morar num quitinete apertado, pagar aluguel, jogar meus cachorros nas ruas, de onde eles vieram, não faz muito meu estilo.

VLB - Vc trabalhou um tempo no globoesporte.com e agora tá na globo.com. Qual sua função e como vc começou a trabalhar lá?
LP - Fiquei 7 meses no globoesporte.com como TR, que é o mocambo que narra os jogos de futebol escrevendo, uma tortura chinesa. Além disso era redator quando não tinha jogos. Me demiti e fui para a Europa de bobeira por três meses. Longa história. Depois voltei para um contrato de quatro meses para o amador, ou seja, todos os esportes que não futebol. Era só um apoio para as Olimpíadas. Agora já estou há 3 anos como um dos editores da home, do portal da globo.com. Agora sim eu gosto, acho mais divertido, não precisa ver jogos de futebol o tempo todo. Apesar de entender, mais ou menos gostar, ter um time (Vasco), não gosto de ver jogos de futebol, muito menos por obrigação.

VLB - A Tamborete é um selo que começou como gravadora mas hj tb funciona como editora. Qual o futuro que vc vê pro mercado de música?

LP - Acho que a tendência é cada vez ser tudo mais gratuito do que já é agora, não creio que os CDs resistam por muito mais tempo. Ainda tem amantes do formato físico, pessoas que gostam de vinis também, mas as novas gerações não dão a mínima no geral.

VLB - E a cena do RJ, como tá hoje?

LP - Acho que está como sempre esteve, mas para ser sincero eu mal frequento shows, não conheço as bandas novas, não apareço muito nos lugares. Nova geração, seja bem-vinda.

VLB - A pergunta que não quer calar: O que é o 'meneghetti'?

LP - Essa só o Claudio do Soutien Xiita pode responder, já que ele é o criador.

por Adolfo Sá

Viva la brasa