quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Mastodon, uma entrevista


Depois de mais de dez anos inovando dentro da música pesada, o Mastodon decidiu mudar. Apontado com uma das bandas mais inventivas dentro do que é conhecido como new wave of american heavy metal, o grupo cansou dos temas complexos, álbuns conceituais e melodias intrincadas que encantaram o mundo em discos como “Leviathan” (2004) e “Blood Mountain” (2006). A ficha caiu na turnê do último álbum, “Crack The Skye”, cuja íntegra foi tocada durante os shows, o que acabou apontando para a gravação do DVD “Live At Aragon”, em 2009, que foi lançado em março desse ano.

Isso, ao menos, é a história que nos contou o guitarrista Bill Kelliher, por telefone, direto dos States. Segundo ele, o novo álbum, “The Hunter”, é uma espécie de “reset” na banda, “um renascimento, com novo modo de trabalhar e um produtor diferente”. Ele se refere a Mike Elizondo, oriundo do hip hop e que assinou o elogiado “Nightmare”, do Avenged Sevenfold. Mas calma que Bill, Brent Hinds (guitarra e vocal), Troy Sanders (baixo e vocal) e Brann Dailor (bateria) não arregaram nas gravações, o que resultou num álbum pesado, mas melodioso, com um repertório variado de músicas propositalmente mais enxutas.

A capa de “The Hunter”, de certa forma, também reflete essa mudança. No lugar de desenhos enigmáticos, dessa vez o quarteto encomendou uma escultura ao artista plástico AJ Fosik, que fabricou a cabeça de uma criatura em madeira. A feitura da escultura foi registrada em vídeo (clique aqui para assistir). Bill Kelliher falou das músicas disponíveis quando a entrevista foi feita, há uma semana, citando outras bandas sem fazer cerimônia, da participação no álbum tributo a ZZ Top e do interesse em tocar no Brasil. Será? Vejas abaixo a íntegra da entrevista:

Rock em geral: O que você pode nos dizer do novo álbum, “The Hunter”?

Bill Kelliher: São 13 músicas no total, e 15 na versão deluxe. Não é um disco conceitual, foi um disco feito com liberdade para todos se divertirem. Nenhuma música passa dos cinco minutos (na verdade duas passam). Compusemos o disco entre março e abril e gravamos em maio. Fizemos todas as músicas, exceto uma, que era das gravações do “Crack The Skye”, que nunca havia sido lançada, e que é um pouco mais pesada. Esse disco é o tipo de disco que fizemos sem parar muito. Quando fizemos o “Crack The Skye”, tínhamos um grande conceito, músicas com 15 minutos e tudo o mais no jeito que fizemos no disco. Não havia espaço para uma música comum e divertida. Com “The Hunter” já escrevemos músicas de um tamanho menor, tem músicas mais pesadas, mais leves, compusemos tudo o que queríamos.

REG: A música “Curl Of The Burl”, que você já soltaram, soa como um stoner rock. Esse seria um bom retrato do disco?

Bill: Pensamos isso quando escrevemos essa música, mas não é um disco stoner. Essa música em particular é meio stoner, meio Queens of the Stone Age. Mas o ponto é que nos desenvolvemos sob vários aspectos. Essa música é apenas uma no disco, a maioria das músicas é rápida, urgente. Nos concentramos nas harmonias vocais, nas melodias, em compor mais melodias do que já fizemos antes.

REG: Você acha, então, que esse disco é mais digerível, mais fácil de ouvir, para alguém que nunca tenha se interessado pelo Mastodon?

Bill: Sim, é definitivamente mais acessível. No passado, no nosso primeiro disco, “Remission”, há muitos gritos, guitarras super altas… Não sabíamos cantar na época, colocávamos os vocais muito atrás dos instrumentos, não ficava muito claro. Agora, olhando para trás, vimos que queríamos usar vocais mais melódicos. E, pela primeira vez, acho que fizemos algo mais acessível, porque há um pouco de cada um de nós no disco.

REG: Você acha que com esse álbum vocês serão mais entendidos pelo público, e por um público maior?

Bill: Não. Fizemos o disco assim porque era o jeito que as músicas foram aparecendo, eu acho. Não nos importamos muito se vamos ser aceitos pelo público, nunca agimos assim. Posso falar por todos na banda que não nos importamos com isso. Se quiséssemos ser uma banda pop, para sermos aceitos pela massa, faríamos um tipo de música completamente diferente. Fazemos música para nós mesmos, um para o outro, para agradar uns aos outros, com riffs de guitarra, bateria pesada e tudo o mais. Tentamos nos desafiar uns aos outros, nós não estamos nem aí se muitas pessoas vão gostar. Ficamos satisfeitos quando isso acontece, mas não é por aí, nosso ponto é a gente se divertir em primeiro lugar.

REG: Há um vídeo lançado por vocês, com a música “Black Tongue”, que mostra a feitura da escultura que aparece na capa do disco. Que ideia veio antes? A da escultura ou a da imagem da capa? Essa escultura tem algum significado no disco, embora ele não seja conceitual, como você disse?

Bill: A escultura foi feita por nossa encomenda. O vídeo mostra como ela foi feita, depois fizemos uma foto dela e colocamos na capa. Queríamos usar algo diferente. Aliás, tudo é diferente nesse disco. O engenheiro de som é diferente, o produtor é diferente, não é um disco conceitual. Queríamos uma abordagem não adotada antes, como tudo nesse trabalho, então achamos esse cara e pedimos para ele fazer alguma coisa para nós. Enquanto ele fazia a escultura, rodamos o vídeo, para mostrar depois.

REG: Vocês disseram para ele o que queriam ou ele saiu fazendo o que ele tinha na cabeça?

Bill: Nós não ficamos dando sugestões para ele, mas o trabalho dele é quase sempre esculturas de cabeças de animais. Sabíamos que sairia algo sinistro, uma cabeça de uma criatura. Só dissemos: “Hey, faça alguma criatura maluca”. Por isso há um monte de bocas e tal. Nós confiamos nele para fazer algo para nós e ficou bem legal.

REG: Falando sobre outra música que já foi lançada, “Spectrelight”, é a mais pesada das três. Como você vê essa música dentro do álbum?

Bill: Essa música foi feita por mim e pelo Brent (Hinds, guitarrista/vocalista), nós tínhamos partes dela guardadas por um tempão. Então começamos a trabalhar mais nessas partes e soou legal. Ela ia ficando cada vez mais pesada, na medida em que ensaiávamos. Mudamos muitas coisas, a pegada, o andamento, para ficar mais cadenciada e malvada. É nela que o Scott Kelly, no Neurosis, canta, era perfeitamente o estilo dele, porque é uma música bem pesada. Eu coloquei umas harmonias no estilo Iron Maiden nas guitarras. É uma musica mutante, que não para, do início ao fim. É boa para se tocar ao vivo.

REG: Vocês lançaram o DVD “Live At Aragon” no início do ano…

Bill: Queríamos ter gravado o show com o “Crack The Skye” tocado na íntegra, ao vivo, antes que parássemos de tocá-lo. Fizemos isso em toda a turnê e reservamos essa data para fazer a gravação. Não tínhamos nada lançado gravado ao vivo, então achamos que era a oportunidade perfeita para gravar o “Crack The Skye” e outros 45 minutos de música, e foi o que fizemos.

REG: Esse DVD fecha um ciclo na banda, para agora, com o “The Hunter”, começar um novo período?

Bill: Para mim é como se tivéssemos dado um “reset” na banda, é um renascimento. Buscamos um novo modo de trabalhar, com um produtor diferente, e acho que fizemos um disco maravilhoso. Não quero falar a mesma coisa de sempre, que fizemos isto ou aquilo, mas demos uma quebrada na nossa carreira com esse disco. Eu quero ver a reação das pessoas - o disco sai em duas semanas - e depois sair em turnê, que começa no final de outubro, e ver o que acontece. É muito legal ter um disco novo e mostrar pela primeira vez.

REG: A intenção, então, é tocar muitas musicas do “The Hunter” na turnê…

Bill: Ah, vamos tocar umas cinco ou seis, não vai ser como o “Crack The Skye”, no qual tocamos todas as músicas. Não é hora de fazer isso.

REG: E essa turnê? Passa ou não pelo Brasil?

Bill: Eu adoraria, nunca estive aí. Quem sabe no ano que vem? Vamos fazer muitas turnês em 2012, mas o mundo é muito grande, há muitos lugares para se tocar. O Brasil é um dos lugares favoritos para ir, todos falam muito do público daí.

REG: O Mastodon é considerado um dos pontas de lança da new wave of american heavy metal. Vocês se consideram parte desse, digamos, movimento?

Bill: Acho que é uma honra participar disso. Bem, não somos verdadeiramente heavy metal, somos um pouco diferente, mas é legal ser reconhecido como isso, como uma nova onda do heavy metal. Eu lembro quando o Metallica apareceu, nos anos 80, eles citavam a new wave of british heavy metal, de Motörhead, Iron Maiden, Judas Priest. É bom fazer parte de algo, daqui a 20 anos vão citar a new wave of american heavy metal e vão citar o Mastodon. Isso me faz bem.

REG: Vocês gravaram uma música para o tributo ao ZZ Top (”Just Got Paid”). Eles são realmente uma influencia no som de vocês?

Bill: ZZ Top é uma dessas grandes bandas americanas que todos nós escutamos desde pequenos e continuamos ouvindo. Eles são perfeitos tocando rock e blues, têm ótimas músicas. Queríamos tocar uma música de alguém, e rolou esse convite do disco de covers em homenagem ao ZZ Top e foi muito legal.

Clique aqui para ouvir a íntegra do álbum “The Hunter”

por Marcos Brrgatto

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Roger Daltrey, uma entrevista

Tommy caiu na estrada novamente. Mas dessa vez Pete Townshend ficou em casa, deixando para ROGER DALTREY a tarefa de encarar sozinho sua primeira turnê solo no Reino Unido. Que melhor momento então para Daltrey dar sua própria e descompromissada versão da atribulada história do Who? Depois de todas as lutas por poder, brigas de socos e afastamentos, o que ele acha de Townshend atualmente? "Eu não poderia", disse Daltrey, "me importar menos com o que ele pensa sobre mim".

Assim como a maioria dos roqueiros, Roger Daltrey desaprova programas de televisão como The X Factor e American Idol. Nem tanto por desgostar do dramalhão ou por ressentir o fato de que carreiras são criadas da noite para o dia enquanto a geração dele ainda precisa batalhar pra sobreviver. Com Daltrey, você vai ver, as coisas geralmente giram em torno de um tema central: cantar — como fazê-lo e como não fazê-lo.

"Esses programas sempre acabam escolhendo o tipo errado de cantor", ele protesta, dando um gole em seu café na cozinha ensolarada do escritório de seu empresário. "Eles são chamados de 'astros', mas pra mim soam como vocalistas de apoio. Você ouve Rod Stewart, ouve a mim, ouve Jagger, ouve Bowie — e reconhece nossas vozes com as primeiras três ou quatro notas. Não dá pra diferenciar esses garotos do American Idol um do outro. Um ótimo cantor, pra mim, é aquele que afeta fisicamente a pessoa. No Who, Pete tocava pra primeira fila, e impulsionávamos a música através deles".

Do lado de fora, na recepção, décadas de discos de ouro e capas de álbuns e de revistas emolduradas enfeitam as paredes. Há até mesmo um velho pôster de um show da banda Ox, de John Entwistle. Uma placa no banheiro pede que as pessoas tratem o cômodo com "respeito", como se houvesse a preocupação de que alguém pudesse aniquilá-lo com uma bomba explosiva à la Keith Moon. Daltrey, 67 anos, veio dirigindo de sua casa em Sussex para Londres. Um Harry Redknapp pé-no-chão para o atormentado Arsène Wenger de Townshend, ele descreve a si mesmo como "incrivelmente em forma" para sua idade, mas admite ainda estar sentindo os efeitos colaterais de uma cirurgia recente. "Estou um pouco esgotado hoje. Com um pouco de refluxo. Não é E.coli, espero. Não aqueles pepinos assassinos!".

Neste verão, Daltrey excursiona apresentando Tommy, pela primeira vez como artista solo. Ele e Townshend planejavam levar Quadrophenia para os palcos este ano, o que acabou não acontecendo. No lugar disso, Townshend preferiu se dedicar a um boxset de Quadrophenia, enquanto Daltrey retornará ao garoto cego, surdo e mudo, o messias incompreendido cuja cabeleira ondulada e braços estendidos se transformaram em ícone para ele, além de uma das imagens mais conhecidas do rock. Atualmente, contudo, seu cabelo é curto e grisalho, e quando ele estica os braços é apenas para apalpar os bolsos inconsolavelmente por não se lembrar onde deixou as chaves do carro.

Por que voltar a apresentar Tommy?
Isso começou por acidente, resultado de uma noite vaga no Teenage Cancer Trust desse ano. Eu não consegui encontrar ninguém pra tocar na terça-feira. Sugeri ao promoter, em desespero, "O que acha de nós tocarmos, de apresentarmos Tommy?". Eu nunca fiz um show solo na Inglaterra. Mesmo quando eu costumava gravar discos solo nos anos 70, nunca fazia shows. Mas os ingressos se esgotaram muito rapidamente. Veja você, estou numa situação difícil, porque o Who não toca o suficiente. Se eu parar de cantar por um determinado período de tempo, minha voz vai embora. Vou perdê-la completamente.

Você passou por uma cirurgia na garganta recentemente. O caso foi sério?
É, algumas semanas atrás. É uma coisa a laser, que eu precisei ir aos Estados Unidos pra fazer. Passei por um problema na garganta e agora preciso ficar de olho nisso. É uma coisa pré-cancerosa e eles precisam continuar desgastando-a.

Tommy não vai exigir esforço demais da sua voz?
Não, não. Eu não estou tentando ser o The Who. É muito mais tranquilo. Não me preocupo tanto agora. Porra, o que eu preciso provar? Simplesmente curta o momento, Rog, porque isso pode chegar ao fim amanhã. Quando eu leio os obituários e vejo que algum astro do rock morreu aos 64 ou 62... bem, que diabos, já sou mais velho do que isso.

Você e Townshend têm planos para 2012?
Estamos conversando. Temos muitos problemas pra resolver. A audição de Pete está ruim, e isso é um grande problema. Não consigo mais trabalhar com os antigos sistemas de retorno no palco, são barulhentos demais. São questões que surgem com a idade. Mas não são intransponíveis.

Apresentar Tommy leva você de volta aos anos 60? Te faz lembrar de uma época mais idealística?
Não, vou te dizer pra onde me leva. Pra uma época onde a música era inventiva e desafiadora. Foi preciso colhões pra fazer aquele disco. Era uma peça musical extraordinária. Ouvindo agora é incrivelmente ingênua, mas também tem essa qualidade mágica que a torna muito especial.

Costumam mencionar que Tommy salvou o The Who. O que isso fez por você?
Me deu uma voz no The Who daquele dia em diante. Eu era um cantor bastante confiante até My Generation, mas então eu fui expulso da banda [por algumas semanas em 1965]. Dá pra perceber a mudança em minha voz. Pete começou a compor canções como "I'm A Boy" e "Pictures of Lily", e eu batalhei para encontrar uma voz pra elas. Tommy foi o elemento que me trouxe de volta.

Você também descobriu seu visual clássico — o cabelo comprido, a jaqueta de franjas...
Eu simplesmente fiquei de saco cheio com o Dippity-do [gel de cabelo]. Era uma maldição ser Mod com cabelo encaracolado. Eu costumava alisá-lo. E usava laquês com pó metálico, como tinta dourada ou prateada, para dar a ele um visual legal. O cabelo ficava parecendo esculpido. Mas me cansei daquilo. Consegui encontrar uma mulher em minha vida, com quem eu acordei certa manhã, e que me disse, "Seu cabelo é encaracolado. É maravilhoso!". Foi um estalo.

Você nasceu durante a II Guerra. Quando a Luftwaffe bombardeou sua rua em Shepherd's Bush, é verdade que a única casa a ficar de pé foi a da sua família?
Não, não foi a única casa. Havia aproximadamente seis. A rua não era muito comprida, tinha em torno de 1 quilômetro. Havia um quarteirão de quatro casas que foi derrubado por bombardeiros Stuka, e bem no final da estrada, o conjunto todo se foi. Os alemães estavam atrás da Evershed & Vignoles, a fábrica [de equipamento elétrico] ao sul de Acton, mas eles nunca conseguiam encontrá-la. É por isso que os primeiros V-2 caíram em Chiswick. Eles estavam tentando derrubar aquela fábrica. E por estarmos na margem sul dela, recebemos todas as bombas que erraram o alvo.

Suas lembranças de infância são todas relacionadas à guerra?
Acho que meu pai esteve em Dunquerque. Ele nunca falou sobre isso. A família inteira só falava de toda a diversão que eles tiveram na guerra, mas pequenos sinais davam a entender que não foi nem um pouco assim. Meu avô também participou da Primeira Guerra Mundial. Eu li uma carta dele. Ele esteve em uma das grandes batalhas — acho que foi em Somme — e escreveu pra casa. Não dá pra acreditar no que ele diz: "É maravilhoso aqui. O sol está brilhando. Os pássaros, cantando". E você sabe muito bem que era exatamente o contrário. Ele estava no inferno. Mas tentando mandar alguma esperança de volta a seus entes queridos. Eu chorei quando li aquilo.

Por crescer nos anos 50, você foi um daqueles garotos que se ressentiam pela Inglaterra ser tão conservadora e maçante?
Eu não me ressentia de nada. Tive uma infância muito boa. Tive vários colegas. Fiz parte da Boys' Brigade. Mas daí me envolvi com música. Bill Halley. Elvis Presley. Lonnie Donegan. Elvis me fez querer ser cantor, e é claro que eu queria uma guitarra, mas então eu vi Lonnie Donegan na TV, ele foi um dos que fizeram parecer que aquilo era possível. A maneira como ele cantava me inspirou desde o primeiro dia. Ele cantava do coração. Era tudo ou nada. Pra mim, é isso que cantar quer dizer. Você está lá em cima, nu, e cada fragilidade sua está exposta, e tudo transparece a partir de sua voz.

Você disse certa vez que um jovem com seu histórico tinha quatro opções na vida: tornar-se jogador de futebol, boxeador, pop star ou criminoso.
Ou estar num emprego entediante de nove as cinco, o que jamais aconteceria comigo. Eu sempre acreditei no sonho, por mais engraçado que possa parecer. Eu meio que sabia que conseguiria.

A prisão de Wormwood Scrubs ficava nas vizinhanças. Isso era um sinal do que poderia acontecer caso você não tivesse sucesso?
A maioria dos meus colegas foi naquela direção. Estão todos mortos hoje. Não dava pra mudá-los, se eu for parar pra pensar. Eles eram vilões desde os 10 anos. A família deles era estranha... antigas famílias londrinas. Costumava me dar bem demais com aqueles garotos. Eu poderia muito facilmente ter ido pelo caminho errado, porque eu tinha um temperamento terrível. Eu tinha bastante energia, e quando ficava com raiva, explodia. Isso me envergonha hoje em dia. Quando comecei um grupo de skiffle, arranjei uns malucos e marginais locais pra tocar a tábua de lavar roupa e o contrabaixo. Era uma boa turma, aquela. Tenho certeza que fizeram coisas terríveis, mas não os julgo.

Em certo ponto de sua adolescência, você parou de crescer. Isso te incomodava? Você gostaria de ser mais alto?
Eu gostaria, sim, quando estava sendo zoado e provocado. Mas encontrei uma maneira de contornar isso: dar uma cadeirada na pessoa. Era um susto tão grande que todo mundo me deixava em paz. A surpresa é tudo quando você vai fazer algo desse tipo. Eu provavelmente comecei mais brigas do que deveria.

Você tinha uma banda na escola, o The Detours. Pete Townshend, um ano mais novo que você, te achava uma figura glamorosa. Ele se lembra de você ter várias namoradas...
Ha ha ha! Eu gostava mesmo de uma foda. Isso é que era o melhor de se ter uma guitarra. Não posso negar, era um maravilhoso ímã de garotas. O Detours começou antes de Pete entrar, começou por volta de 61. Todos os integrantes foram saindo, um por um. Então John Entwistle apareceu num ensaio e começou a tocar baixo. Algumas semanas depois ele perguntou, "Posso trazer meu colega pra guitarra rítmica?". Ele apareceu com Pete. Já os havia visto na escola, porque eles se destacavam na multidão. Aquele foi o começo do que se tornou o The Who.

Houve algo de auspicioso em seus primeiros encontros com Townshend? Afinal este se tornaria o principal relacionamento criativo de sua vida.
Não, fazíamos coisas normais, simples, que quaisquer rapazes fariam. Costumávamos rir um bocado. Quando começamos no circuito semi profissional, quantos anos eu tinha mesmo? Dezenove, então isso foi em 63. Costumávamos jogar golfe. Pescar. E depois tocávamos nos pubs. Quando você vê as fotos da época, estavam todos rindo. Mas quando você lê Pete falando sobre aquilo, fica parecendo que era tudo completamente miserável.

Ele está escrevendo uma autobiografia. Obviamente haverá bastante coisa sobre você. Como você pretende lidar com isso? Vai exigir ler uma prévia e fazer alterações?
Não. Pra quê isso? Como posso exigir que ele mude a maneira como se sente a meu respeito? Eu não poderia me importar menos com o que ele pensa sobre mim.

Mas você pode discordar de algumas coisas.
Bom, daí eu escreverei meu próprio livro, não? Muito daquilo tinha a ver com eu ser o mais velho. Eu fui o primeiro a dirigir, e era o único trabalhando [numa oficina de chapas metálicas], então eu não saía tanto assim com eles. Foi três-contra-um várias vezes.

Todos dizem que você foi o líder original da banda.
O que é ser líder? Não existe isso de líder de uma banda. Há líderes no íntimo de uma banda. Naquela época, alguém precisava tomar decisões. Eu era o agente, o empresário, eu carregava a van, eu recebia o pagamento. Nesse sentido, sim, eu era o líder. Mas qualquer um tinha o poder de montar uma banda ou separá-la. Não ligue pra essa coisa de líderes. Ótimas bandas são ótimas bandas devido à química entre os integrantes.

Quando você percebeu que o Who poderia ser uma ótima banda?
Assim que Moon entrou. Ele trouxe um novo ingrediente. Estávamos apenas tocando blues, quase o mesmo blues convencional que os Stones faziam, e Moon era fã do Beach Boys — uma idéia totalmente absurda, especialmente pra um cara de Wembley — e ele tinha uma atitude maravilhosamente desrespeitosa em relação ao blues. Isso tornou nosso blues perigoso. Suas baquetas eram as agulhas que costuravam Townshend e Entwistle juntos. Ele era um gênio.

Com Townshend e seus moinhos-de-vento na guitarra à sua esquerda e Moon provocando caos na bateria atrás de você, era difícil fazer a platéia notar o vocalista?
Eu não fazia nada conscientemente. Comecei a girar o apoio do microfone, mas então Rod Stewart passou a fazer o mesmo. Finalmente, certa noite, comecei a jogar o microfone pra todos os lados. Parecia uma coisa interessante de se fazer. Se você vê de perto, parece um balé. É um complemento ao que Pete faz, não uma distração. Mas é preciso ter cuidado, pois você pode acabar matando alguém. Eu nunca acertei ninguém. Mas acertava bastante a mim mesmo, normalmente nas pernas, e puta merda, como doía. Eles pesam um quilo e meio, e quando estão girando então...

Quando o Who começou a destruir os instrumentos no palco, que papel você representou naquilo?
Nenhum, inicialmente. Fiquei profundamente ofendido. Mas acabei percebendo o valor daquilo. Kit Lambert e Chris Stamp, nossos empresários, estavam muito empolgados em inovar, e perceberam que a música estava se tornando formalista. Eles eram aqueles dizendo, "Essa destruição é maravilhosa!". Eu simplesmente enxergava as guitarras indo pelos ares e tinha vontade de chorar. Era ridículo, uma guitarra sendo destruída a cada noite. Dava pra colar uma Gibson novamente, e ela duraria mais uns dois shows, mas não uma Rickenbacker. E Rickenbackers custam uma fortuna.

Você tinha medo de parar e as pessoas se cansarem de vocês?
Mal podíamos esperar pra parar. Essa é uma das razões pelo qual Tommy nos salvou. Nos permitiu parar com a destruição.

Você era um homem de frente de aparência bastante agressiva e desafiadora nas filmagens do Who de meados dos anos 60. Por vezes você aparece à parte, como se estivesse prestes a dar um soco em alguém.
Nunca subi ao palco com uma atitude de "olhe pra mim". Não vinha daí. Vinha do que estava dentro de mim, e o que estava lá eram as canções. Eu nunca tive a capacidade de jogar com uma platéia como Jagger. Mas tínhamos uma boa relação com nosso público devido às canções de Pete. Ele sempre quis escrever pros caras, e Kit Lambert o encorajava. Kit costumava dizer, "Música pop não é apenas singles de três minutos para garotas, é mais importante que isso".

Quão importante Kit foi para você?
Ele foi maravilhoso pra mim, muito apoiador. Quando fui expulso [em 1965], foram Kit e Chris Stamp que me trouxeram de volta. Os outros fizeram uns seis shows sem mim. Fui expulso por bater em Keith Moon, mas vamos esclarecer as coisas, ele me acertou primeiro — com um pandeiro. Coisa perigosa de se fazer. Veja você, eu joguei todas as drogas deles na privada, porque eles estavam tocando terrivelmente mal. Eu podia suportar a maioria das coisas — bebida, tudo aquilo — mas não aceitaria eles tocando feito merda no palco. Eu detestava. Se fosse pra continuar daquele jeito poderíamos muito bem abandonar tudo e virarmos pedreiros.

Você chegou a se envolver com drogas?
Me envolvi com remédios controlados nos anos 80, pílulas pra dormir. Seu padrão de sono vai pelo ralo quando se está em turnê. Fumei um bocado de maconha nos anos 60. Mas meu grande amigo Owsley Stanley [do Grateful Dead], que popularizou o ácido em São Francisco, disse pra mim em 67, "O que quer que você faça, Roger, não toque nos químicos. Fique na maconha". Ele reconheceu algo em minha energia; sabia que seria ruim pra mim. Só tomei ácido uma vez, em Woodstock, porque batizaram a água e fomos todos contaminados. Mas nunca usei coca. Nunca, nem uma vez. Não me interessa. Já vi gente demais se tornar babaca com ela.

Quando o Who tocava Tommy ao vivo, você se via como um cantor, ou como um ator interpretando um personagem?
Comecei a personificá-lo. Eu precisava passar pela emoção daquilo, a jornada. Narrativamente, não é uma história que vai de A a B. Não é: "Era uma vez... e eles viveram felizes para sempre". Tommy é algo dentro de todos nós. É uma jornada interior. No final, "ouvindo você" significa ouvir quem você é. Somos todos parte da humanidade e estamos todos fodidos, procurando por alguém para "me sentir, me tocar, me curar".

Houve vezes nos anos 70 em que você falou em querer se afastar do "estigma" de Tommy.
Aquilo se tornou um problema quando passaram a esperar que tocássemos a mesma coisa todas as noites. Às vezes, Tommy parecia um estorvo, pois sentíamos que o restante de nosso material estava sendo ignorado.

Tommy foi um trabalho impossível de ser superado? O projeto Lifehouse, de Townshend, soou como uma tentativa obsessiva de sobrepujar Tommy, e eventualmente provou ser ambicioso demais para sair do chão.
Era uma idéia maravilhosa — quando encontrarem a essência da vida, será uma nota musical. Mas tente escrever um roteiro pra isso. [Risos] Ele estava falando sobre uma dimensão espiritual que era impossível de capturar visualmente. Ele sentia que Kit não o estava apoiando. Naquela época as coisas haviam se tornado bastante políticas no Who. Era óbvio que Lifehouse nunca poderia virar um filme. Nenhum de nós conseguia entender, ele mudava a história toda vez que a contava. Mas dava pra perceber que, no fundo de seu cérebro complexo, havia a fagulha de algo verdadeiramente maravilhoso. E é claro que ele tinha todas aquelas músicas incríveis, que acabamos gravando em Who's Next.

Quando Pete encontrou o guru Meher Baba, você se mudou para o campo. Foi lá que você encontrou sua paz?
Eu sempre amei o campo. Me mudei no momento em que tive condições financeiras pra isso. E fui bastante sortudo, pois encontrei uma pequena vila em Berkshire chamada Hurst, onde morei de 68 a 71. Eu costumava sair com pessoas adoráveis, todos aqueles negociantes de ferro-velho e ciganos romenos, que me contavam histórias do passado. Era um mundo totalmente diferente de qualquer coisa que eu tinha conhecido. Eles mantiveram meus pés no chão, bem na época em que Tommy estourou, quando eu poderia ter ficado completamente deslumbrado pela fama. O que me segurou foram todas aquelas pessoas circenses vivendo em trailers.

Foi aí que você se tornou fazendeiro?
Ainda não. Depois daquilo, me mudei para Sussex, mas só comecei a cultivar em 77 ou 78. A economia estava ficando bastante fragilizada e todos os meus camaradas na região estavam batalhando pra conseguir emprego. Você percebe de repente que a zona rural não é um dormitório, é um ambiente de trabalho. O melhor que você pode fazer é dar um emprego a alguém. Então eu me tornei fazendeiro para dar emprego aos outros. Depois me envolvi com pesque-e-pague nos anos 80. Eu havia construído uma área de pesca — cavei todos aqueles lagos, em torno de 20 acres de água — porque meu sonho era ter um lugar pra pescar à noite. Todo garoto tem uma fantasia, e a minha era aquela. Mas então meus conselheiros financeiros de Londres vieram e disseram, "Você não pode manter isso tudo pra si mesmo". Eles estavam certos. Então eu decidi abrir um pesque-e-pague de trutas por volta de 82, e foi quando me interessei por aquicultura. A criação de trutas estava nos primórdios na época. Eu aprendi sobre água, genética, cruzamento. Mas um dia acordei e percebi, "Tenho quatro fazendas com quatro administradores. O que eu faria se eles se demitissem?". Então eu vendi tudo a meus empregados pelo preço de custo. Eu ainda amo pescar. É uma coisa muito Zen de se fazer, especialmente com uma boa taça de vinho. Não tem a ver com pegar o peixe, tem a ver com a água, com o movimento. Se você tem um problema — vá pescar. Você vai resolvê-lo.

Nos anos 70, você via como seu papel manter o Who unido?
Sempre foi meu trabalho manter o Who unido. Na minha cabeça, o Who era minha banda. O que mais eu poderia fazer?

Quadrophenia soa como uma época tensa. Foi quando você brigou com Pete...
Não foi uma briga! Foi só uma discussão estúpida que saiu fora de mão. Ele estava bêbado. Havíamos acabado de gravar Quadrophenia e estávamos ensaiando em Shepperton para nos prepararmos pra cair na estrada. Na época, dois amigos de Pete costumavam nos filmar para uma biografia — o que aconteceu com o filme eu não sei — e deveriam estar gravando a gente tocar Quadrophenia. Bom, no final eu toquei aquela porra toda enquanto eles sentavam em seus traseiros assistindo! Será que eles pensavam que eu ia cantar duas vezes seguidas!? Então eu disse, "Vocês não vão começar a filmar, caralho?". Já então, Pete havia terminado sua primeira garrafa de conhaque do dia. Ele chegou perto e começou a me cutucar: "Não fale assim com eles. Você vai cantar quando eu mandar". Os roadies pularam em cima de mim, porque eles sabiam como eu era. Eles estavam me segurando. Pete começou a cuspir em mim. Ele estava horrivelmente bêbado. Ele disse aos roadies, "Soltem ele que eu vou matá-lo, porra". Então os roadies me soltaram, Pete deu uns socos que nem chegaram a me acertar — muito palerma, praticamente um Gordo e o Magro — e então me golpeou com uma guitarra, e foi quando eu saí de mim. Só acertei ele uma vez. Mas não foi uma briga. Foi só um daqueles momentos estúpidos.

É possível que isso pudesse ter acabado com a banda?
Não. Só se eu o tivesse matado.

O Who parecia como uma família em guerra às vezes. Em entrevistas daquele período, você e Pete realmente esculhambavam um ao outro.
Bom, precisávamos manter as pessoas interessadas, não é? [Risos] Acho que um de nossos problemas é que éramos honestos demais uns com os outros. Mas, sabe, não foram tempos fáceis. Estávamos no palco com um alcoólatra como guitarrista, que depois se envolveu com heroína. Que merda era aquela? Do nada nosso guitarrista saiu e não voltou. Viramos um exército sem general. Ficamos completamente perdidos.

E enquanto isso, você devia estar bastante preocupado com Keith Moon...
O tempo inteiro. No final dos anos 70, todo dia pensávamos que o perderíamos. Ele deu algumas vaciladas, e começamos a ficar de saco cheio. Uma vez que você se compromete com uma turnê e tem shows esgotados, você precisa estar ali. Começamos a discutir a possibilidade de arranjar outro baterista. Era um pesadelo.

Hoje em dia existem as intervenções. Naquela época não havia nada do tipo?
Não, a única intervenção foi quando visitei Pete em 81, quando ele estava viciado em heroína. Eu fui ao estúdio dele e disse, "Você precisa procurar ajuda, amigo", e ele concordou com a cabeça. Para crédito dele, no dia seguinte ele começou tratamento. Eu fiz aquilo porque me importava com ele. Eu não queria perdê-lo. Ele era meu amigo e estava se matando.

Quando você é careta, é difícil simpatizar com alguém próximo que está viciado?
É muito doloroso de se assistir. Mas não, acho que eu fui incrivelmente paciente. Perdemos Moon em 78, aquele tolo. Foi horroroso. Mesmo sendo uma coisa que todos esperavam, ainda assim foi um choque. Só porque você sabe que ele já havia gasto suas oito vidas não torna isso mais fácil.

O The Who deveria ter parado na época?
Não. Acho que não. A música não é pra parar. Você continua até cair. Se a química ainda está ali, você segue em frente. Qual o sentido em ser um músico que fica em casa sentado fazendo nada?

Do jeito que as coisas vão, você acha que Endless Wire será o último álbum do Who?
Eu não sei. Pete é o tipo de compositor que, quando as canções fluem, e se ele quer fazer isso como o Who, vamos e fazemos. Eu ainda acho que o melhor trabalho dele está por vir. Eu não gostei de tudo em Endless Wire, mas há coisas maravilhosas ali.

Que tipo de conversas você tem com Pete hoje em dia?
Muito poucas. A maioria por e-mail, coisa que eu detesto. Eu me recuso a conversar com os outros por e-mail. Isso não é conversar. E nem escutar, a propósito.

Você e Pete já discutiram sobre como o Who deve acabar?
Todo mundo fala sobre terminar com um final maravilhoso. Mas eu não olho pra isso dessa forma. Pra mim, termina quando terminar. Johnny Cash fez seu melhor trabalho nos últimos dois anos de sua vida. É nisso que os músicos devem mirar. A música deve refletir uma vida. É esquisito dizer, "Vamos terminar tudo com um final maravilhoso". O que isso quer dizer — uma turnê caça-níqueis?

Bom, os fãs dos Stones estão se perguntando se eles farão uma turnê de despedida no 50° aniversário da banda, ou se irão simplesmente... esvaecer.
E essa não é a melhor forma de pensar? Quer dizer, a vida se esvai. Você não acha que a música, como uma forma de arte, deve refletir isso?

O que você costuma ouvir atualmente?
Silêncio. Eu descanso meus ouvidos. Todos chegamos num ponto em que entramos num cômodo cheio de gente e precisamos começar a ler lábios. É muito frustrante. A maioria das pessoas na minha idade neste negócio não ouve mais música. Elas adoram a quietude.

É verdade que você foi entrevistado para ser jurado do American Idol, mesmo após dizer que detestava o programa?
Não, o que aconteceu foi que meu agente em Hollywood me levou pra vê-los. Eu não percebi o que era — não a princípio. Quando comecei a conversar com eles foi que tive o estalo. Eu virei pro meu agente e disse, "Eu não quero fazer essa porra, Harry". Mas ele é um agente, então ele tenta vender você, porque ele quer seus 10 por cento. É isso que acontece em Hollywood. Você é levado a encontros com todo tipo de gente.

Caso o Who não tenha mais futuro, você pelo menos vai se sentir como tendo sido o vocalista da melhor banda de rock do mundo?
Foi a melhor banda pra mim. Tive sorte em poder cantar algumas das músicas populares mais importantes do século 20. Era um tipo de música diferente de qualquer outra coisa por aí. Não era pra todo mundo. Apenas para gostos apurados. Muita gente não gosta do The Who. Mas também não há muita gente que tenha nos visto "ao vivo" e que não goste de nós, e eu me orgulho disso. Se acabar, não me importo. Se tiver mais — ótimo. Mas não vamos falar sobre como vai terminar. É hipotético demais pra mim.

Uncut, setembro de 2011
por David Cavanagh | tradução de Vinícius Mattoso

Fonte: The Who Brasil

Mangaba verde.

A noite de abertura do Festival "Mangaba Instrumental", que aconteceu semana passada na Concha Acústica do Oceanário de Aracaju, na Orla da Praia de Atalaia, tinha tudo para ser memorável, mas foi apenas “mais ou menos”. Principalmente porque a atração “de fora”, a sensacional Vendo 147, uma das melhores bandas de rock em atividade no Brasil atualmente, tocou pouco (acho que foi menos de uma hora de show) e com, praticamente, o som do palco, apenas. Quem já os viu em ação ao vivo pode imaginar o quanto a apresentação dos caras perde com o som assim, baixinho ...

Só comecei a curtir pra valer o show quando resolvi ir pra frente do palco: aí sim, o couro estava comendo. Eles perderam um pouco do peso, mas ganharam MUITO em qualidade desde a última apresentação que eu vi - e olha que já eram bons pra cacete!. Impressionante a riqueza de detalhes dos arranjos das músicas que fazem parte do impecável “Godofredo”, primeiro disco dos caras, à venda na barraquinha do incansável André Teixeira a módicos 15 reais. Vale ressaltar que o disquinho vem embalado num formato diferenciado, lembrando um compacto de vinil, o que enriquece as artes da capa e do encarte, de autoria do sergipano Duardo Costa – guitarrista da banda, aliás.

Voltando ao palco: descontando-se os percalços, foi uma ótima apresentação, com os músicos afiadíssimos e “viajando” em longos trechos de músicas com cara de Jam sessions que beiram a psicodelia. Com direito, inclusive, a uma estilosa bateria transparente com luzes coloridas que, me falaram, eles trouxeram de Salvador especialmente para o show. Quanto ao fato de o volume do som estar estupidamente baixo e a banda ter sido aparentemente pressionada pela produção (intimada, ouvi dizer, pela Polícia Ambiental) a acabar logo sua apresentação, o que não dá pra entender é porque este tipo de coisa acontece num evento devidamente autorizado pela prefeitura e com a impressionante lista de apoiadores/patrocinadores presente no cartaz de divulgação - especialmente por constar nele a marca do governo do estado, o que dá a entender que há algum respaldo "oficial". Ressalto que não sei se foi realmente este o motivo, mas caso tenha sido, não se justifica, já que há poucos dias a também baiana Ivete Sangalo havia aportado ali pertinho com seu megaespetáculo de gosto pra lá de duvidoso “Ao Vivo No Madison Square Garden”. Deve ser porque ela é Ivete, ela pode. Coisas de (Bu)racaju ...

As outras atrações da noite, pelo menos, não parecem ter tido o mesmo problema: tocaram em alto e bom som. E foram grandes atrações. Tudo começou com o som climático da Coutto e Orquestra de Cabeça. Primeiro show dos caras. Do que consegui assimilar, gostei. Na sequencia, Casa Forte e seu rock instrumental vigoroso e consistente. Antes da Vendo, o Ferraro Trio, que navega com classe e desenvoltura naquela frágil linha divisória que separa os estilos musicais, ora soando rock, ora jazz, ora soul, mas sempre com muita propriedade e personalidade. É uma das melhores bandas em atividade na cidade atualmente, sem sombra de dúvidas.

por Adelvan

terça-feira, 20 de setembro de 2011

# 198 - 17/09/2011

O pdrock de sábado passado foi aberto em grande estilo com a batida dançante de "velociraptor!", faixa-título do novo disco do Kasabian. Kasabian é uma das (poucas) boas bandas de rock que se destacaram na primeira década do século XXI. São ingleses e seu nome faz referência a Linda Kasabian, uma integrante da "Familia Manson", responsável pelo assassinato de Sharon Tate, mulher do cineasta Roaman Polanski, dentre outros crimes. Na sequencia, o peso do No Sense, banda de Santos, São Paulo, pioneira do grindcore no Brasil, e do SenandiomA, uma das novas promessas do metal sergipano.

Já que começamos com o rock do século XXI, é com ele que demos sequencia: Musicas do Franz Ferdinand e dos discos "it´s Blitz!", do Yeah Yeah Yeah´s, e "Music for men", do The Gossip - ambos de 2009. Fechando o bloco, um clássico "funky" "made in" Manchester safra 1977: "the fox", do A Certain Ratio.

Abrindo a segunda parte do programa tivemos o Bigelf, banda formada em 1991 em Los Angeles, California, com influencias de rock progressivo, Heavy metal e psicodelia. Depois uma faixa de "Deth Red Sabaoth", último disco do Danzig - que chegou a anunciar shows para julho, no Brasil, mas as datas foram canceladas. Fechando mais este bloco, um petardo extraído do último disco do Black Sabbath com Dio nos vocais, "Dehumanizer", de 1992 - se descontarmos, claro, o Heaven And Hell, que nada mais era que o Black Sabbath usando outro nome.

No quarto bloco, gaúchos: O Hard rock glan do Rosa Tattoada, na ativa desde 1988, o rock "regressivo" dos Irmãos Rocha!, que foi fundado 10 anos depois, em 1998, a irreverência escrachada da Comunidade Nin Jitsu, infames seguidores da anarquia sonora e estética do Defalla, e "Nicotina", faixa de "Histórias de Sexo & Violência", de 1987, segundo disco dos pioneiros Replicantes.

A segunda metade do programa foi totalmente produzida por colaboradores: Além da dupla "loaded" com seu quadro fixo, o Drop Loaded, tivemos um bloco montado por Levi Marques, vocalista de um dos mais promissores nomes do "novo" rock sergipano, o Trimorfia, e outro por Nina Oliviera, minha musa inspiradora. Esquizofrenia sonora no primeiro caso, pós-punk clássico e classudo no segundo.

Seguimos em frente! Até sábado que vem.

A.

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Kasabian - Velociraptor!
No Sense - Obey
SenandiomA - Be stupid and die

Yeah Yeah Yeahs - zero
Franz Ferdinand - You´re the reason I´m living
The Gossip - Love and let love
A Certain Ratio - The Fox

Bigelf - Madhatter
Danzig - The Revengeful
Black Sabbath - Computer God

Rosa Tattooada - Novo estilo
Comunidade Nin Jitsu - Sou blasé
Os Irmãos Rocha! - Anestesia
Replicantes - Nicotina

The News at the newspaper - About the time
Fire Drivin - The Coffin
(Drop Loaded)

Mr. Bungle - Stubb (a dub)
Naked City - Latin Quarter
Glossolalia - O cuco e a traça
Cardiacs - Dive
-> por Levi Marques

Bauhaus - In the flat field
Rosetta Stone - The witch
Siouxsie & The Banshees - The Double life
The Wake - Audrey
The Sisters of Mercy - Detonation Boulevard
The Cure - A Forest
-> por Nina

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

The Fall no Festival "No Ar: Coquetel Molotov"

Conexão Vivo, Ministério da Cultura e Petrobras apre­sen­tam a edi­ção 2011 do No Ar Coquetel Molotov, que chega ao seu oitavo ano com atra­ções inter­na­ci­o­nais, nomes da nova cena musi­cal bra­si­leira, além de semi­ná­rios, ofi­ci­nas e a Mostra Play The Movie, que neste ano home­na­geia o cine­asta Marcelo Gomes. Entre os nomes que subi­rão ao palco do Teatro da UFPE estão o grupo inglês The Fall, que se apre­senta no Brasil após 22 anos desde sua pri­meira pas­sa­gem no país e a banda mais impor­tante do Rap bra­si­leiro, os Racionais MCs.

As atra­ções se apre­sen­tam no Centro de Convenções de Convenções da UFPE nos dias 14 e 15 de outu­bro. No Recife, os ingres­sos para o pri­meiro lote pro­mo­ci­o­nal cus­tam R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia) e R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) no segundo lote. Os ingres­sos esta­rão à venda na Levi’s (Shopping Recife), Café Castigliani (Derby) e Delta Expresso (Recife Antigo).

O No Ar chega tam­bém a Salvador pelo segundo ano con­se­cu­tivo, com shows na Concha Acústica do Teatro Castro Alves, nos dias 11 e 12 de outu­bro. Em Salvador, o fes­ti­val, apro­vado pelo FazCultura do Governo da Bahia, acon­tece em par­ce­ria com a Caderno 2 Produções Artísticas, apre­sen­tando shows com Tom Zé, Retrofoguetes, Mombojó, O Círculo, Mundo Livre S/A e mais três atra­ções inter­na­ci­o­nais: HEALTH (EUA), Guillemots (UK) e The Fall (UK). Ao todo serão mais de trinta shows com ban­das naci­o­nais e inter­na­ci­o­nais no Recife e em Salvador.

Saiba mais aqui.

PROGRAMAÇÃO:

Recife:

Prévias — Coquetel Molotov no Pátio
Pátio de São Pedro
16/9, 20h – AMP (PE) e Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
23/9, 20h - Tagore (PE) e Plástico Lunar (SE)
30/9, 20h - Radiola Serra Alta (PE) e Sacal (PB)
7/10, 20h - Bê Formiga (PE), Fusile (MG) e Graveola (MG)

Mostra Play The Movie
Cinema São Luiz
3/10, 17h - Homenagem a Marcelo Gomes e cine-concerto com Porto
4/10, 17h - Debate sobre produção de cinema e cine-concerto com Dark Side, com o filme “O mágico de Oz”
8/10, 17h - Filmes: “Gretchen Filme Estrada” e “Explosão Brega”
9/10, 17h - Filmes: “Daquele Instante em Diante” e “Nas Paredes da Pedra Encantada”

Oficinas e Debates
Centro Tecnológico de Cultura Digital - Nascedouro de Peixinhos
3/10, 14h - Orientações e cuidados na carreira musical
4/10, 14h - Press-Kits e divulgação artística
5/10, 14h - Criação musical e sampler em estúdio
6/10, 14h - Novas tecnologias para utilização musical Teatro Hermilo Borba Filho
10/10, 17h - Laboratório Cultura e Crítica Livraria Cultura
11/10, 17h - Seminário: Jornalismo Cultural - Novos Rumos e Linguagens
12/10, 17h - Oficina: Reciclagem Criativa de Eletrônicos Descartados
13/10, 17h - Oficina: Identidade Musical em Cartazes para Shows Faculdade Barros Melo/AESO
13/10, 10h – Fotografia musical ao vivo
13/10, 15h - O Hip-hop e os novos processos criativos

Shows
14/10, 17h - Sala Cine UFPE
Nuda (PE)
King Size (PE)
Rodrigo Brandão e M.Takara (SP)
Beans (EUA)

14/10, 21h - Teatro da UFPE
Maquinado (PE)
HEALTH (EUA)
Guillemots (UK)
The Fall (UK)

15/10, 17h - Sala Cine UFPE
Rua (PE)
Trio Eterno (PE)
Copacabana Club (PR)
Hindi Zahra (França)

15/10, 21h - Teatro da UFPE
Romulo Fróes (SP)
The Sea and Cake (EUA)
China (PE)
Racionais MCs (SP)

Salvador:

Terça, 11/10, 18h
Concha Acústica do TCA
Retrofoguetes (BA)
Mombojó (PE)
Guillemots (UK)
Tom Zé (BA)

Quarta, 12/10, 18h
Concha Acústica do TCA
Círculo (BA)
HEALTH (EUA)
The Fall (UK)
Mundo Livre S/A (PE)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Belphegor no Rio de Janeiro

Não é sempre que um evento desse tipo acontece no Rio de Janeiro, mas a ocasião pedia. Era a comemoração de três anos da festa “From Hell”, que agita a cena metal na cidade e levou para o clube Mackenzie, no Méier, um festival de som extremo sem precedentes, na última sexta, dia 9. Pena que o público tratou o evento como apenas mais um show de metal, e a bilheteria registrou cerca de 300 pagantes. Desses, não eram muitos os que aproveitavam o tratamento de choque dado aos ouvidos, com duas atrações internacionais de peso e três locais.

Da Áustria, o Belphegor mostrou o porquê de espalhar por aí que o grupo é adepto da “arte suprema do death/black metal”. Com dois guitarristas, mostrou estar num patamar acima dos demais (sobretudo o Ragnarok, parceiro da turnê brasileira e de quem se esperava mais), com um repertório de boas composições que superam o peso cru e propositalmente sujo do gênero. Mesmo no show é possível perceber que eles se preocupam com os arranjos e com a canção em si, não só com a roupagem extrema. Em “Veneratio Diaboli - I Am Sin”, por exemplo, só a longa introdução, tensa, já mostra do que são capazes. As mudanças de andamento revelam uma dramaticidade inerente ao black metal, mas nem sempre tão bem explorada.

O show também agrada pela presença de palco do líder do grupo, Helmuth, que, carismático, impulsiona o público a participar. Em “Impaled Upon the Tongue of Sathan”, ele se junta à banda na beirada do palco e empunha a guitarra para o alto agitando a plateia; e dizem que Helmuth estava debilitado por conta dos excessos da turnê… A pesadíssima “Lucifer Incestus”, de letra simplória, faz o público berrar o refrão e cantar como se fosse canção de ninar, e “Justine: Soaked in Blood” arranca os gritos com braços erguidos, apesar do cansaço geral na alta madrugada. Em cerca de uma hora de show, o Belphegor mostrou estar num patamar acima, e que é um dos destaques da renovação do black metal mundial, sem apelar – ainda bem - para dispositivos “sinfônicos”.

Quem por pouco não rouba a cena é o Enterro, que, assim como o Belphegor, se preocupa com as composições. O grupo é uma espécie se filial “from hell” do Matanza, tendo na formação o guitarrista Donida (aqui Doneedah), o baixista China, que toca guitarra e é chamado de Ozorium, e ainda o cascudo Kafer, no baixo, que também já tocou em shows do grupo. O destaque, porém, logo no início do show, vai para o vocalista Nihil, que entra no palco vestido de morte, carregando um sino na ponta de uma atadura, com a cabeça customizada por uma máscara de látex que parece real. Nihil é um velho decrépito que saiu de um mausoléu desses filmes de terror americano e veio parar no Méier.

A banda também prima por fazer arranjos bem sacados que fogem do lugar comum da música extrema, valorizando as mudanças de andamento e peso das músicas em si. Se Doneedah é o guitarrista sem face que investe nas bases e andamentos tensos, Ozorium sola muito em algumas músicas, muitas vezes numa velocidade descomunal. Por essas e outras, o Enterro, embora não seja dado a turnês, obteve boa resposta do público. O que também aconteceu com o Lacerated And Carbonized, este já mais familiarizado com a plateia. O grupo aposta no riff e tem o som mais identificado com bandas de death metal como o Cannibal Corpse, por exemplo. Além de proporcionar rodas de pogo típicas do grindcore, a banda não é só esporro, tem ótimas músicas, que cativam o ouvinte de primeira, executadas por músicos que entendem do riscado. Ótima promessa da música pesada carioca.

A decepção da noite ficou por conta do Ragnarok. O grupo é esquisito já na paisagem de palco. Um baixista grandão, tipo abominável homem das neves; um vocalista matusquela, de cabelo escorrido e calvície precoce; e um guitarrista baixinho e gordinho, emburrado com o monitor de retorno durante todo o show. Não é isso que faz a apresentação ruim, mas a imobilidade no palco, a falta de carisma, e, aparentemente, de boas músicas; poucas pegaram o público de jeito. O Ragnarok está muito distante da tradição do black metal norueguês. Já a local Impacto Profano, que teve a tarefa árdua de abrir a noite, com um tempo exíguo para tocar, mostrou que ainda tem muito a evoluir. O grupo leva vantagem por ter duas guitarras, mas precisa achar um jeito de fazê-las funcionar com mais eficácia. O destaque é o bom vocalista Marduk, mas o processo é lento.

por Marcos Bragatto
REG

Set list completo Belphegor

1- In Blood - Devour This Sanctity
2- Belphegor - Hell’s Ambassador
3- Angeli Mortis De Profundis
4- Veneratio Diaboli - I Am Sin
5- Impaled Upon the Tongue of Sathan
6- Blood Magick Necromance
7- Lucifer Incestus
8- Justine: Soaked in Blood
9- Rise to Fall and Fall to Rise
10- Bondage Goat Zombie

Eu vou ficar em casa

A cada novo clip "promocional" aumenta minha vontade de NÃO IR para o Rock In Rio. O último, então, o tal "Eu vou sem droga nenhuma", é daqueles de fazer até o maior dos abstêmios (eu sou) ficar na fissura de fumar uma pedrinha ou dar um teco numa carreira (crianças, não façam isso!). Bizarro. Vou, portanto, ficar em casa, no aconchego do meu lar, de preferencia vendo pela TV os shows do Metallica e do Motorhead (Mike Patton´s Mondo Cane seria pedir demais, né?). Mas é inegável a importancia do evento em si, então toma aí uma pequena retrospectiva publicada no site Rock Online. Mais uma cortesia da Escarro Napalm unauthorized reproductions inc.

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O Rock in Rio é um festival de musica idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina. Sua primeira edição foi no ano de 1985, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, numa área construída especialmente para o Rock in Rio. O festival se tornou um evento de repercussão mundial e, em 2004, teve sua primeira edição internacional em Lisboa, Portugal.

Saiba um pouco mais sobre cada edição do Rock in Rio:

Rock in Rio 1ª edição

Rio de Janeiro - Jacarepagua, 28 Bandas Público: 1.380.000 pessoas, evento realizado entre 11 a 21 de Janeiro de 1985.

Apesar de ser um festival da conveniência entre todas as culturas, um evento de rock não é fácil agradar a todos os gostos. Em meio a tantas bandas de rock alguns dos grandes nomes da música brasileira sofreram vaias vindas de um publico de diferentes “tribos” que estavam surgindo na época.

“Estávamos todos com nossas carreiras, junto aos nossos fãs e achando que todo mundo nos amava. Mas o metaleiro não queria ouvir o Tremendão cantando Sexo Frágil”, conta Erasmo Carlos, que foi alvo de vaias de fãs de Heavy Metal, assim como Ney Matogrosso. É difícil evitar que tribos com diferentes gostos musicais e expectativas convivam em perfeita harmonia.

Artistas Internacionais
AC-DC, All Jarreau, B’52, George Benson, Go Go’s, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne, Queen, Rod Stewart, Scorpions, Whitesnake e Yes.

Artistas Brasileiros
Alceu Valença, Barão Vermelho, Blitz, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, Kid Abelha, Lulu Santos, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Pepeu Gomes e Rita Lee.

Rock in Rio 2ª Edição

Rio de Janeiro - Maracanã, 44 Bandas
Público: 700.000 pessoas, evento realizado entre 18 e 27 de Janeiro de 1991.

Devido à grande repercussão e sucesso da primeira edição, no ano de 1991 Medina promoveu o Rock in Rio II. A segunda edição foi realizada no estádio do Maracanã, que se adaptou para receber 700 mil pessoas em nove dias de evento.

A banda mais aguardada foi ‘Guns N’ Roses, que trazia músicas inéditas e estreava o baterista Matt Sorum e o tecladista Dizzy Reed, "Foi uma de suas melhores apresentações em todos os tempos" declarou o vocalista e líder Axl Rose.

Artistas Internacionais
A-HA, Billy Idol, Colin Hay, Debbie Gibson, Dee-Lite, Faith No More, George Michael, Guns N’Roses, Happy Monday, Information Society, INXS, Joe Cocker, Judas Priest, Lisa Stansfield, Megadeth, New Kids on the Block, Prince, Queensryche, RUN DMC, Santana e SNAP.

Artistas Brasileiros
Alceu Valença, Capital Inicial, Ed Motta, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawaii, Gal Costa, Gilberto Gil, Hanói Hanói, Inimigos do Rei, Laura Finokiaro, Leo Jaime, Lobão, Moraes & Pepeu, Nenhum de Nós, Orquestra Sinfônica, Paulo Ricardo, Roupa Nova, Sepultura, Serguei, Supla, Titãs, Vid e Sangue Azul.

Rock in Rio 3ª Edição

Rio de Janeiro - Jacarepaguá (Cidade do Rock), 160 Bandas
Público: 1.235.000 pessoas, evento realizado entre 12 e 21 de janeiro de 2001.

O Rock in Rio III ocorreu após longo intervalo de uma década, em Jacarepagua (Rio de Janeiro). Os organizadores decidiram construir novamente a Cidade do Rock com “tendas” alternativas e a capacidade de 250 mil pessoas por dia. Nessa edição foi empregada a legenda ‘Por Um Mundo Melhor’ e antes do início das apresentações fizeram um ato simbólico de três minutos de silencio representado a paz mundial.

Além dos atos pacíficos, o que também marcou a 3ª edição foram atrações um pouco diferentes das edições passadas, como Britney Spears, N´Sync, Sandy & Junior e Carlinhos Brown que foi recebido pelo público com garrafas de água.

Destacados como estrela máxima do evento, o Iron Maiden fechou a antepenúltima noite do evento, que ficou conhecida como "noite do metal", devido à participação exclusiva de representantes do estilo Heavy Metal.

Artistas Internacionais Aaron Carter, Beck, Britney Spears (Por que?), Dave Mathews Band, Deftones, Five, Foo Fighters, Guns N’ Roses, Iron Maiden, James Taylor, Neil Young, N´Sync (Por que?), Oasis, Papa Roach, Queens of The Stone Age, Red Hot Chili Pepers, REM, Halford, Sting, Sheryl Crow e Silver Chair.

Artistas Brasileiros Barão Vermelho, Capital Inicial, Carlinhos Brown, Cássia Eller, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawai, Fernanda Abreu, Funk ´N Lata, Gilberto Gil, Ira, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Milton Nascimento, Moraes Moreira, O Surto, Pato Fu, Pavilhão 9, Sandy & Junior (Por que?), Sepultura e Zé Ramalho.

Rock in Rio fora do Brasil

Para internacionalizar a marca Rock in Rio, Roberto Medina atravessou o atlântico levando o festival para a Europa em Lisboa, no ano de 2004, onde ocorreu a primeira edição do evento no Parque da Bela Vista com mais de 70 bandas em 5 dias de evento (entre 28 de maio e 6 de junho).

O festival contou com a presença de artistas como Alejandro Sanz, Alicia Keys, Sepultura, Gilberto Gil, Gaiteiros de Lisboa, Pedro Abrunhosa, entre muitos outros.

Tamanho foi o sucesso que no ano de 2006 foi realizada a segunda edição do Rock in Rio Lisboa entre os dias 26 e 27 de maio e 02,03 e 04 de junho. No ano de 2008, pela terceira vez, aconteceu o Rock in Rio Lisboa no Parque da Bela Vista entre os dias 30 e 31 de maio e 01, 05 e 06 de junho.

Nesse mesmo ano entre 27 de Junho e 06 de Julho de 2008 o Rock in Rio estreou em Arganda Del Rey (Madrid, Espanha) como o Rock in Rio Madrid, com o objetivo de expandir para mais países. Alguns dos artistas que participaram foram Alanis Morissette, Amy Winehouse, Bob Dylan, Shakira, Tiesto, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Alejandro Sanz, e Manolo Garcia.

De volta a Lisboa, entre 21 e 30 de maio de 2010, com mais de 80 bandas, realizou-se a quarta edição do Rock in Rio Lisboa contendo jam sessions e novos encontros da música. Alguns dos artistas a participarem foram John Mayer, Elton John, Megadeth, Miley Cyrus, Martinho da Vila, Maria Rita, Leona Lewis e Soulbizness & Zoey Jones.

No mesmo ano aconteceu também o Rock in Rio Madrid, entre 04 e 14 de junho, com mais de 60 bandas e um publico de 250 mil pessoas. Nele tocaram Bon Jovi, David Guetta, Rage Against The Machine, Metallica, Florian Hereno e Albertucho.

E neste ano de 2011 o Rock in Rio volta com tudo ao País de origem, no Parque Olímpico Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, no Rio de janeiro, entre os dias 23 e 30 de setembro e 01 e 02 de outubro.

por Deborah Duré
Redação TDM

Confira abaixo a programação completa do festival, que conta com 3 palcos (os horários podem sofrer alterações). Destacamos em negrito vermelho os nomes "aprovados" pelo programa de rock.

Dia 23/9, sexta
Palco Mundo
: Rihanna, Elton John, Katy Perry, Claudia Leitte e Paralamas do Sucesso + Titãs, com participações de Milton Nascimento, Maria Gadú e da Orquestra Sinfônica Brasileira
Palco Sunset: Móveis Coloniais de Acaju + Orkestra Rumpilezz + Mariana Aydar; Ed Motta + Rui Veloso + Andreas Kisser; Bebel Gilberto + Sandra de Sá; e The Asteroids Galaxy Tour + The Gift
Eletrônica: Ferry Corsten (Holanda), Above & Beyond (Inglaterra), Life is a Loop (Brasil), Leo Janeiro (Brasil) e DJ DRIK (Brasil)
Rockstreet: Seeley & Baldori, Guto Goffi e Banda, Cecelo Frony, Orleans Street Jazz Band e Go East Orkestar

Dia 24/9, sábado
Palco Mundo
: Red Hot Chilli Peppers, Snow Patrol, Capital Inicial, Stone Sour e NX Zero
Palco Sunset: Marcelo Yuka + Cibelle + Karina Buhr + Amora Pêra; Tulipa Ruiz + Nação Zumbi; Milton Nascimento + Esperanza Spalding; e Mike Patton/Mondo Cane + Orquestra de Heliópolis
Eletrônica: Danny Tenaglia (Estados Unidos), DJ Vibe (Portugal), Nicole Moudaber (Londres E Oibiza), Mary Zander (Brasil) e Flow & Zeo (Brasil)
Rockstreet: Seeley & Baldori, The Fabulous TAB (com Evandro Mesquita), Reverendo Franklin, Orleans Street Jazz Band e Steven Harper

Dia 25/9, domingo
Palco Mundo
: Metallica, Slipknot, Motörhead, Coheed and Cambria e Gloria
Palco Sunset: Matanza + BNegão; Korzus + The Punk Metal Allstars; Angra + Tarja Turunen; e Sepultura + Tambours du Bronx
Eletrônica: Boyz Noise (Alemanha), Steve Aoki (Estados Unidos), The Twelves (Brasil), Killer On The Dancefloor (Brasil) e vencedor PT Burn
Rockstreet: Seeley & Baldori, Victor Biglione, Go East Orkestar, Orleans Street Jazz Band e Steven Harper

Dia 29/9, quinta
Palco Mundo: Stevie Wonder, Jamiroquai, Ke$ha, Janelle Monáe e Concerto Sinfônico Legião Urbana
Palco Sunset: Joss Stone; Afrika Bambaataa + Paula Lima + Boys AC; Diogo Nogueira + Davi Moraes e o Baile do Simonal, com Max de Castro e Wilson Simoninha; e Curumin + Marcelo Jeneci
Eletrônica: Masters at Work, Mário Fischetti, DJ Zegon e Mary Olivetti
Rockstreet: Scott Feiner & Pandeiro Jazz, Mark Lambert, Arnaldo Brandão, Saxophonia e Stephen Harper

Dia 30/9, sexta
Palco Mundo: Shakira, Lenny Kravitz, Ivete Sangalo, Jota Quest e Marcelo D2
Palco Sunset: Buraka Som Sistema + Mixhell; João Donato + Céu; Cidade Negra + Martinho da Vila + Emicida; e Monobloco + Pepeu Gomes + Macaco
Eletrônica: Luciano (Chile), Guy Gerber (Israel), Guy Boratto (Brasil), Renato Rathier (Brasil) e DJ Ingrid (Brasil)
Rockstreet: Roncadores (George Israel), Bruce Henri Quarteto, Rodrigo Santos, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack

Dia 1/10, sábado
Palco Mundo: Coldplay, Maroon 5, Maná, Skank e Frejat
Palco Sunset: Cidadão Instigado + Júpiter Maçã; Tiê + Jorge Drexler; Zeca Baleiro + Lokua Kanza; Vencedor do Prêmio Musique; e Erasmo Carlos + Arnaldo Antunes
Eletrônica: Body and Soul NYC USA (François K, Danny Krivit e Joe Claussel) e DJ Harvey (Londres e Los Angeles)
Rockstreet: Leo Gandelman, Paraphernalia, Baia, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack

Dia 2/10, domingo
Palco Mundo: Guns N’Roses, System Of A Down, Evanescence, Pitty e Detonautas
Palco Sunset: The Monomes + David Fonseca; Mutantes + Tom Zé; Titãs + Xutos & Pontapés; e Marcelo Camelo + The Growlers
Eletrônica:Dimitri From Paris (Turquia), Hercules & Love Affair (EUA), Meme (Brasil), Rodrigo Penna (Brasil), Boss In Drama (Brasil) e Nalaya Brown (Tenerife)
Rockstreet: All Star Blues Band, Taryn Szpilman, Rock Street Jazz Jam, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack


domingo, 11 de setembro de 2011

# 197 - 10/09/2011

Dois lançamentos abriram o programa de rock de ontem: o novo single do Megadeth, que fará parte de seu próximo disco, "thirteen", e a faixa título do novo EP da banda brasileira de "rock alternativo e indie pop" (segundo a wikipedia) Ludov. Não é o tipo de som que costumo tocar no programa (mais pop do que rock), mas sempre há excessões. Gosto deles.

Colado ao ecletíssimo bloquinho de abertura, música instrumental de primeira: rolaram as 4 bandas que se apresentarão no Oceanário de Aracaju na próxima sexta-feira, na abertura do Festival Mangaba de música instrumental. Dentre elas a Vendo 147, de Salvador, uma das "favoritas da casa", que estará lançando por aqui, finalmente, seu sensacional primeiro CD, "Godofredo" (God of Freedom).

Depois do Drop Loaded, a madeira voltou a comer com um Bloco do ouvinte pra lá de "metálico" enviado por nossa queridíssima ouvinte e colaboradora Jo(elane). Pausa pra respirar com Judas Priest Ao Vivo (abençoados os que viram este show ontem em São Paulo) e mais madeira: rock industrial. Abrindo com um dos pioneiros do estilo, o KMFDM, de Sascha Konietzko, alemão radicado em Chicago, Illinois (USA), onde participou ativamente da efervescente cena eletronica que circulava em torno da gravadora Wax Trax. Desta cena, além dos fundadores da EBM (Eletronic Body Music) Front 242, se destacava o Ministry, de Al Jourgensen, que também comparece com um cover do T-Rex. Completando o "time", os britânicos do Pitschifter e Nine Inch Nails com "piggy", faixa do seu melhor disco, "The downward spiral", que eu considero um dos melhores lançados nos anos 90 do século passado.

Finalizando e dando passagem ao Lado C de Marcelo Larrosa, ex-Hojerizah, um bloco Dark/pos-punk brasileiro safra anos 80 com, dentre outros, Hojerizah.

See you later, alligators !

A.

PS1: Uma curiosidade: onde vocês estavam no dia 11 de setembro de 2001 quando as torres gêmeas desabaram ?
Eu estava trabalhando. Um amigo me avisou pelo telefone: bateu um avião no World Trade Center, em Nova Iorque. Desci para acompanhar pela televisão numa lanchonete em frente. Quando o segundo avião bateu e as torres desabaram, ficando claro que foi um atentado, desisti de trabalhar e fui pra casa acompanhar a possivel transmissão ao vivo do começo do fim do mundo. De noite Bilal me ligou dizendo que a galera estava bebemorando o fato lá na catedral, mas eu achei de mau gosto e preferi ficar em casa conferindo se o mundo ia mesmo acabar ou não.

PS2: Jo, sobre seu bloco: "A banda Charred Walls Of The Damned reúne grandes nomes como Richard Christy na bateria e Steve DiGiorgio! É um achado! A Finitude uma banda Sergipana primorosa! Iced Earth com o vocal que arranca sua alma do corpo e para encerrar o Carcariass, uma banda francesa, que vence tudo com o instrumental!"

# # #

Megadeth - Public Enemy Number one
Ludov - Minha economia

Coutto e orquestra - routine
Casa Forte - o rock ensina algo
Ferraro Trio - Ponta dos mangues
Vendo 147 - Aurora

Mordida - Cosmopolita
Mordida - Workaholic
(Drop Loaded)

Charred Walls of the Damned - From the abyss
Finitude - never see my fall
Iced Earth - I died for you
Carcariass - Theresold Madness
- por Joelane

Judas Priest - (Ao vivo) Electric eye

KMFDM - A drug against war (Hookah mix)
Ministry - Bang a gong (T-Rex cover)
Pitschifter - Microwaved
Nine Inch Nails - piggy

Violeta de outono - Dia eterno
Picassos Falsos - Wolverine
Hojerizah - passos
Muzak - onde estou
Varsóvia - Viagens ´97
Cabine C - Fósforos de Oxford

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tody´s Trouble Band

Que fique registrado: sábado passado eu fui ao Capitão Cook ver, finalmente, a Tody´s Trouble Band, e foi ótimo. Têm uma proposta diferente para o cenário local: tocar rockabilly – "de forma simples, safada e divertida e com muita influência de blues e outros ritmos" mas, em essência, rockabilly. Com direito a baixão acústico e as porras. Sempre lamentei o fato de que a "cena" rock sergipana nunca gerou nenhuma banda do tipo, portanto saúdo com todo o entusiasmo possível esta iniciativa.

Tendo em vista que eles não seguem rigorosamente as regras do estilo e tiram covers inusitados, como “Bicho de Sete Cabeças”, de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, poderia-se pensar que trata-se de uma “porralouquice” – termo local que geralmente designa projetos mal acabados e sem referência – ou mesmo uma “forçação de barra”, mas longe disso: a falta de compromissos estéticos rígidos faz com que sua musica soe mais original, descontraída e, acima de tudo, divertida. O tal cover mencionado é um bom exemplo: acredite, ficou ótimo. Assim como muito bons ficaram também os outros, alguns mais óbvios, como “surfin´ BIRD”, clássico dos Trashmen imortalizado pelos Ramones, outros nem tanto, como a versão para “16 toneladas”, do Funk como Le gusta (“se todo mundo toca samba rock hoje em dia, a gente pode tocar também”, falou e disse o Senhor Tody).

Mais importante: as músicas próprias, autorais, são excelentes, o que constatei logo de cara, pois cheguei com o couro já comendo (primeira musica ainda, felizmente) em um som com uma levada “psycho” insana e uma letra divertida que tira onda, dentre outras coisas, com a guitarra com estampas de oncinha cor de rosa de seu próprio guitarrista – que manda bem, por sinal. Os músicos são todos bons e Todynho arrasa na pegada e no visual, o que contribui para que nível de adrenalina atinja alguns picos bastante altos ao longo da apresentação, com os caras exibindo habilidade e desenvoltura. Excelente. Precisa tocar mais e em eventos mais concorridos, com bandas já conhecidas que atraiam uma maior visibilidade para esta grande promessa do cenário alternativo de Sergipe Del Rey.

Completando a noite, a estréia da Casa Forte, outra banda nova na city. Desta vez a proposta é rock instrumental, e a tarefa cumprida com louvor, com boa resposta do público. Outra boa promessa.

Fotos: : Gabriel Barretto

texto: Adelvan


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

História velha ...

E eis que a velha e, ao que tudo indica, eterna rixa entre punks/anarquistas e skinheads/fascistas volta às manchetes da grande imprensa. A confusão, que resultou na morte de um e na internação em estado grave de outro, aconteceu durante o show da banda britânica Cock Sparrer no Carioca Club, em São Paulo. É tudo tão sem sentido que nem tenho muito a falar, só a lamentar. Deixo a tarefa inglória de tentar explicar este comportamento primata/territorialista para os especialistas de plantão (leia mais sobre o assunto aqui).

Agora suspeita-se que os punks procuram vingança, o que me lembra uma época em que uma garota de São Paulo, ligada ao movimento anarquista, apareceu por aqui. Ela dizia que estava dando um tempo até as coisas se acalmarem por lá, justamente por conta de uma outra confusão em que, desta vez, um "careca" havia sido morto por um punk. Pensei que fosse exagero, mas pouco tempo depois estive em São Paulo e, numa ida à galeria do rock num sábado pela manhã, me espantei com a quantidade seres com a cabeça raspada e trajados "no rigor da moda" (coturno, camiseta branca e calça com suspensórios). Fiquei até meio cabreiro de circular pela área e, sem querer, denunciar minha ascendencia nordestina ...

O fato me fez recordar também que aqui mesmo, em Aracaju, já houveram algumas movimentações embrionárias do tipo. Não prosperaram, felizmente. Lembro que nos anos 8o alguns indivíduos (4, 5 no máximo) costumavam circular com livros como "Holocausto, judeu ou alemão?", de S. E. Castam, debaixo do braço. Sumiram. Depois, só mais recentemente, há uns 3, 4 anos, me deparei novamente com seres do tipo. Foi num festival Hard Core na extinta boite Live: alguns carecas (2, se não me falha a memoria) estavam distibuindo o panfleto involuntariamente humorístico que reproduzo abaixo. Chegaram a fazer algum barulho, mas nada demais. sumiram de novo. Eu, pelo menos, nunca mais ouvi falar. Restou, como legado, apenas esta curiosa reportagem publicada no Jornal da Cidade da época:

Lutar pela pátria, conservar a família e amar a Deus. Conceitos que à primeira vista são importantes e inocentes, mas que por trás podem esconder uma ideologia baseada em preconceito e discriminação. A filosofia é de um grupo chamado Carecas do Brasil, uma facção menos radical da tribo skinhead, que já foi acusada de alguns crimes bárbaros contra homossexuais, negros, punks e judeus. O preocupante é que os Carecas do Brasil estão difundindo suas idéias em Aracaju, através de panfletos distribuídos em shows de rock e pela internet.

No panfleto assinado pela Frente Nacionalista de Sergipe, o grupo assume a identidade de Carecas do Brasil e diz também que é uma das diferentes facções dos skinheads. Argumentam que “nem todo skinhead é nazista” e que defendem o nacionalismo. “Temos orgulho do nosso país, do nosso povo e da nossa terra. Somos contra o racismo, o anarquismo, o comunismo e as drogas”. O informativo diz ainda que a imprensa é mentirosa e que a televisão criou uma imagem distorcida do grupo.

Mas para Tânia Magno, doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de Sergipe, o movimento esconde outras facetas. “Eles não divulgaram no panfleto conceitos ruins. O problema é a maneira como agem diante deles, excluindo quem não pensa assim”, analisou. Ela lembra ainda que a ideologia dos skinheads é perigosa porque tem cunho nazifacista. “Claro que não vão assumir. Mas a agressividade, os gostos, as músicas e o jeito de se vestirem demonstram isso”, acrescentou. No desenho do panfleto o “careca” está de botas, acessório que compõe a indumentária dos skinheads. E o pior é que, geralmente, as botas têm uma ponteira de aço.

Através do e-mail divulgado no panfleto, que tem em sua composição as palavras odiados e orgulhosos, a reportagem do JORNAL DA CIDADE chegou ao perfil de um jovem no Orkut. O rapaz não se identifica diretamente como skinhead ou Carecas do Brasil, no entanto deixa algumas pistas. Tem outros amigos com fotos parecidas, mostrando uma tarja preta nos olhos e bandeiras do Brasil e dos respectivos estados, além de comunidades de bandas skinheads e recados como “seja bem vindo a mais forte família brasileira, oi!”. O oi! a que eles se referem não é um simples cumprimento e sim um estilo musical usado para difundir os conceitos do grupo. Mandamos e-mail solicitando uma entrevista, mas não houve resposta.

Jovens

Para a professora Tânia Magno, os jovens são alvo fácil de grupos como os skinheads. “É mais fácil influenciá-los porque o jovem precisa de uma identidade e, nesses grupos, eles são alguém, são valorizados. O jovem precisa disso numa sociedade onde o anonimato prevalece. No grupo eles têm força e chamam atenção”, opinou a professora. Ela acredita que isso também acontece por conta dos vácuos deixados pela sociedade, família e Estado, que não oferecem outras formas de ocupação do tempo do jovem. “É preciso que se pense nos motivos dessa atração. O que eles vêem nesses movimentos? Onde estão os pais que não sabem o que os filhos fazem?”, alertou.

Outra análise feita pela professora refere-se a falta de motivos para movimentos como o dos skinheads no Brasil. “A sociedade brasileira tem conseguido digerir as diferenças razoavelmente bem. O movimento não tem nada a ver com nossa realidade. É a importação de algo que não cabe aqui”, defendeu Tânia Magno. A boa notícia é que muitos jovens têm a consciência do que está nas entrelinhas das idéias difundidas pelos Carecas do Brasil. Um universitário de apenas 21 anos, que se intitula como ex-punk, disse que o movimento skinhead é “coisa de adolescente se firmando”. Para preservar a imagem dele o chamaremos de Marcelo.

“Eles não são muito fortes. É um modismo que chega e depois desaparece. Mas o grande problema é a falta de informação. Assumem um estereótipo sem estudar, sem saber o que estão defendendo”, criticou Marcelo. Ele começou a gostar e conhecer a cultura punk quando tinha 12 anos. Foi atraído pela música, pelas letras de protesto e pela filosofia do movimento. “A cultura punk me deu uma educação que pai, mãe e a escola não deram tão a fundo. Se hoje tenho um senso crítico mais aguçado, irreverente e desprovido de preconceitos, é graças ao movimento punk. Claro que existem os punks mais violentos, mas não podemos generalizar”, afirmou Marcelo.

Tânia lembra que cabe à própria sociedade aderir ou não à difusão de movimentos sociais como o dos skinheads. E que é necessário, também, dar aos jovens mais alternativas de lazer, cultura e esporte. “Cada um deve procurar uma forma de se firmar, mas não difundindo a violência e o preconceito. Fico triste quando um cara chega e diz que é neonazista. Deveria pensar em um mundo sem fronteiras, pensar em coisas mais saudáveis”, sugeriu Marcelo.

Músicas identificam tribos skinhead

Originalmente, o movimento skinhead surgiu na Inglaterra, em meados da década de 60, composto por brancos e negros imigrantes jamaicanos, que juntos freqüentavam clubes para ouvir música soul e ska (estilo de reggae), andavam em gangues e promoviam confrontos nos estádios de futebol. O movimento passou por diversas divisões no final dos anos 70 e surgiram outros estilos musicais, como o Oi!, ou street punk, que tem como característica abdicar da mídia e do sucesso. O fato é que hoje o estilo Oi! é usado por facções skinheads para disseminar a filosofia do grupo.

Uma das bandas que se autodenominam no Orkut como skinhead é a Bandeira de Combate. Criada em 1988, a banda assume que se identifica com o movimento nacionalista e a insatisfação com o cenário político brasileiro. “Desde sempre todos os integrantes participaram ativamente da cena skin e essa atitude colaborava ainda mais para obterem o respeito dos skinheads”, divulgaram os integrantes na apresentação do Orkut. No entanto, as letras contradizem as idéias aparentemente inocentes do movimento skinhead e das bandas que o divulgam.

Na internet é possível encontrar várias letras da banda Bandeira de Combate. Na música que leva o mesmo nome da banda, eles dizem: “vim do subúrbio para agitar / amar meu país e por ele lutar / eu gosto de sexo, cerveja e brigas / lutar já faz parte do meu dia-a-dia / já não temo o inimigo / já não temo a mais nada / temos poder / somos a carecada”. Na letra de “Atitude” eles confirmam mais uma vez a participação no movimento skin. “Fale-me dos skinheads da Europa que eu lhe mostrarei que somos tão fortes quanto eles / temos um movimento cheio de vitórias / que somos unidos, fortes e conscientes”. Será?

Skinheads ressurgem

Não é a primeira vez que o movimento skinhead age em Aracaju. Na década de 90, quando houve um boom de bandas de heavy metal, havia também as tribos dos punks e skinheads, que freqüentemente entravam em conflito por conta das diferentes ideologias. Voltando um pouco mais no tempo, no final da década de 70 surgiu na capital o movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP), organização de cunho católico que exaltava o conservadorismo, era anticomunista e destacava a figura de Nossa Senhora.

O jornalista e vocalista da banda Warlord, George Washington, conta que entre 1990 e 1995 havia um movimento forte de skinheads no bairro Industrial, que perseguia os metaleiros e punks. “Naquela época houve uma efervescência grande de novas bandas de heavy metal, principalmente no bairro Grageru. No Santo Antônio e bairro Industrial eram mais fortes os movimentos punks e skinheads. O ponto de encontro das turmas era na praça Tobias Barreto.

Cada grupo ocupava um parte do quadrante. Só os skinheads que não apareciam. Chegavam de supetão, também nos shows de rock, já baixando a bota”, lembrou George.

Os skinheads daquela época, segundo George, tinham tendências à agressividade e concepções nazifacistas. “E nós éramos veementemente contra. Apesar de se considerarem nacionalistas, sempre foram fascistas. Eram contra os nordestinos, diziam que eram a desgraça do Brasil. Mas foram os nordestinos que construíram São Paulo. Isso nos motivava a cair mesmo no braço com eles”, revelou o jornalista. Para George, movimentos como o dos Carecas do Brasil chegam a ter adeptos, mas “não vingam” em Sergipe.

A professora Tânia Magno lembra que o movimento TFP chegou a fazer passeatas em Aracaju, no entanto foi banido da capital pela própria sociedade.

Texto: Janaína Cruz

Fonte: Jornal da Cidade

14/09/2008

domingo, 4 de setembro de 2011

# 196 - 03/09/2011

O programa de rock “chegou chegando” às noites de sábado do rádio sergipano: sem concessões, metendo o pé na porta ao som de 4 das melhores bandas da cena crust/grind Hard Core britânica. Os berros primais do escocês Wattie Buchan, do The Exploited, abriram a noite com a já clássica “fuck the system”, faixa-título do último disco do grupo, lançado no já distante ano de 2003. A sequencia, com Varukers, Doom e Extreme Noise Terror, foi pra não deixar pedra sobre pedra. O recado ficou ainda mais claro com ramones – “do you remember rock and roll radio?”. Yes, we do.

No segundo bloco, surf music instrumental. Já na segunda parte do programa, mais pancada no pé do ouvido: musica nova do Chakal, célebre banda capitaneada por Vladimir Korg (ex-The Mist) oriunda da cena belohorizontina, a mesma que legou ao mundo o Sepultura – que também deu o ar da graça com “Arise”, precedida de “Discipline of hate”, do Korzus. Completando a sequencia de clássicos do thrash, Slayer com “Disciple” (GOD HATE US ALL!) e Metallica coverizando “Am I evil”, do Diamond Head (NWOBHM).

Ouvidos sensíveis devidamente castigados, eis que chega algum alívio: o Drop Loaded, que não costuma pegar pesado, e o Bloco do ouvinte, com rock clássico e stoner rock classudo: Mutantes, que dispensa apresentações, The Animals, “lado B” da invasão britânica dos anos 60 (o lado A vocês sabem, Beatles, Rolling Stones ...), e Bacamarte, banda de rock progressivo fundada em 1974 cuja vocalista era ninguém menos que Jane Duboc (aquela mesma, da MPB). O Atomic Bitchwax, de Nova Jersey, Estados Unidos, dá uma apimentada no tempero com seu stoner regado a psicodelia.

Encerrando a noite, um bate-papo com os caras do Holidays, banda que mantém erguida por aqui a bandeira do Hard Core melódico ao estilo californiano. Um estilo, hoje em dia, “fora de moda”, não é? Acho ótimo. Odeio modismos.

Até o próximo sábado.

A.

# # #

The Exploited - Fuck the system
The Varukers - How do you sleep ?
Doom - Relief pt. II
Extreme Noise Terror - Bullshit propaganda

Ramonmes - Do you remember rock and roll radio ?

Drakula - Kowalsky generation
Retrofoguetes - leve-me ao seu líder
Southern Culture on the skids - Bop Bop Bop
Brian Setzer - Go go Godzilla
Dick Dale (with Stevie Ray Vaughan) - Pipeline

Chakal - possessed landcape

Korzus - Discipline of hate
Sepultura - Arise
Slayer - Disciple
Metallica - Am I evil?

Astro - Maestro Distorcion
La Mano Ajena - Declaracion de principios
- Drop Loaded

Os Mutantes - Ave Lucifer
The Animals - House of the rising sun
Bacamarte - Smog alado
The Atomic Bitchwax - Hope you die
- por Lucas

Holidays - Go Back to my house

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