sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Eu vou ficar em casa

A cada novo clip "promocional" aumenta minha vontade de NÃO IR para o Rock In Rio. O último, então, o tal "Eu vou sem droga nenhuma", é daqueles de fazer até o maior dos abstêmios (eu sou) ficar na fissura de fumar uma pedrinha ou dar um teco numa carreira (crianças, não façam isso!). Bizarro. Vou, portanto, ficar em casa, no aconchego do meu lar, de preferencia vendo pela TV os shows do Metallica e do Motorhead (Mike Patton´s Mondo Cane seria pedir demais, né?). Mas é inegável a importancia do evento em si, então toma aí uma pequena retrospectiva publicada no site Rock Online. Mais uma cortesia da Escarro Napalm unauthorized reproductions inc.

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O Rock in Rio é um festival de musica idealizado pelo empresário brasileiro Roberto Medina. Sua primeira edição foi no ano de 1985, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, numa área construída especialmente para o Rock in Rio. O festival se tornou um evento de repercussão mundial e, em 2004, teve sua primeira edição internacional em Lisboa, Portugal.

Saiba um pouco mais sobre cada edição do Rock in Rio:

Rock in Rio 1ª edição

Rio de Janeiro - Jacarepagua, 28 Bandas Público: 1.380.000 pessoas, evento realizado entre 11 a 21 de Janeiro de 1985.

Apesar de ser um festival da conveniência entre todas as culturas, um evento de rock não é fácil agradar a todos os gostos. Em meio a tantas bandas de rock alguns dos grandes nomes da música brasileira sofreram vaias vindas de um publico de diferentes “tribos” que estavam surgindo na época.

“Estávamos todos com nossas carreiras, junto aos nossos fãs e achando que todo mundo nos amava. Mas o metaleiro não queria ouvir o Tremendão cantando Sexo Frágil”, conta Erasmo Carlos, que foi alvo de vaias de fãs de Heavy Metal, assim como Ney Matogrosso. É difícil evitar que tribos com diferentes gostos musicais e expectativas convivam em perfeita harmonia.

Artistas Internacionais
AC-DC, All Jarreau, B’52, George Benson, Go Go’s, Iron Maiden, James Taylor, Nina Hagen, Ozzy Osbourne, Queen, Rod Stewart, Scorpions, Whitesnake e Yes.

Artistas Brasileiros
Alceu Valença, Barão Vermelho, Blitz, Eduardo Dusek, Elba Ramalho, Erasmo Carlos, Gilberto Gil, Ivan Lins, Kid Abelha, Lulu Santos, Moraes Moreira, Ney Matogrosso, Paralamas do Sucesso, Pepeu Gomes e Rita Lee.

Rock in Rio 2ª Edição

Rio de Janeiro - Maracanã, 44 Bandas
Público: 700.000 pessoas, evento realizado entre 18 e 27 de Janeiro de 1991.

Devido à grande repercussão e sucesso da primeira edição, no ano de 1991 Medina promoveu o Rock in Rio II. A segunda edição foi realizada no estádio do Maracanã, que se adaptou para receber 700 mil pessoas em nove dias de evento.

A banda mais aguardada foi ‘Guns N’ Roses, que trazia músicas inéditas e estreava o baterista Matt Sorum e o tecladista Dizzy Reed, "Foi uma de suas melhores apresentações em todos os tempos" declarou o vocalista e líder Axl Rose.

Artistas Internacionais
A-HA, Billy Idol, Colin Hay, Debbie Gibson, Dee-Lite, Faith No More, George Michael, Guns N’Roses, Happy Monday, Information Society, INXS, Joe Cocker, Judas Priest, Lisa Stansfield, Megadeth, New Kids on the Block, Prince, Queensryche, RUN DMC, Santana e SNAP.

Artistas Brasileiros
Alceu Valença, Capital Inicial, Ed Motta, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawaii, Gal Costa, Gilberto Gil, Hanói Hanói, Inimigos do Rei, Laura Finokiaro, Leo Jaime, Lobão, Moraes & Pepeu, Nenhum de Nós, Orquestra Sinfônica, Paulo Ricardo, Roupa Nova, Sepultura, Serguei, Supla, Titãs, Vid e Sangue Azul.

Rock in Rio 3ª Edição

Rio de Janeiro - Jacarepaguá (Cidade do Rock), 160 Bandas
Público: 1.235.000 pessoas, evento realizado entre 12 e 21 de janeiro de 2001.

O Rock in Rio III ocorreu após longo intervalo de uma década, em Jacarepagua (Rio de Janeiro). Os organizadores decidiram construir novamente a Cidade do Rock com “tendas” alternativas e a capacidade de 250 mil pessoas por dia. Nessa edição foi empregada a legenda ‘Por Um Mundo Melhor’ e antes do início das apresentações fizeram um ato simbólico de três minutos de silencio representado a paz mundial.

Além dos atos pacíficos, o que também marcou a 3ª edição foram atrações um pouco diferentes das edições passadas, como Britney Spears, N´Sync, Sandy & Junior e Carlinhos Brown que foi recebido pelo público com garrafas de água.

Destacados como estrela máxima do evento, o Iron Maiden fechou a antepenúltima noite do evento, que ficou conhecida como "noite do metal", devido à participação exclusiva de representantes do estilo Heavy Metal.

Artistas Internacionais Aaron Carter, Beck, Britney Spears (Por que?), Dave Mathews Band, Deftones, Five, Foo Fighters, Guns N’ Roses, Iron Maiden, James Taylor, Neil Young, N´Sync (Por que?), Oasis, Papa Roach, Queens of The Stone Age, Red Hot Chili Pepers, REM, Halford, Sting, Sheryl Crow e Silver Chair.

Artistas Brasileiros Barão Vermelho, Capital Inicial, Carlinhos Brown, Cássia Eller, Daniela Mercury, Elba Ramalho, Engenheiros do Hawai, Fernanda Abreu, Funk ´N Lata, Gilberto Gil, Ira, Ultraje a Rigor, Kid Abelha, Milton Nascimento, Moraes Moreira, O Surto, Pato Fu, Pavilhão 9, Sandy & Junior (Por que?), Sepultura e Zé Ramalho.

Rock in Rio fora do Brasil

Para internacionalizar a marca Rock in Rio, Roberto Medina atravessou o atlântico levando o festival para a Europa em Lisboa, no ano de 2004, onde ocorreu a primeira edição do evento no Parque da Bela Vista com mais de 70 bandas em 5 dias de evento (entre 28 de maio e 6 de junho).

O festival contou com a presença de artistas como Alejandro Sanz, Alicia Keys, Sepultura, Gilberto Gil, Gaiteiros de Lisboa, Pedro Abrunhosa, entre muitos outros.

Tamanho foi o sucesso que no ano de 2006 foi realizada a segunda edição do Rock in Rio Lisboa entre os dias 26 e 27 de maio e 02,03 e 04 de junho. No ano de 2008, pela terceira vez, aconteceu o Rock in Rio Lisboa no Parque da Bela Vista entre os dias 30 e 31 de maio e 01, 05 e 06 de junho.

Nesse mesmo ano entre 27 de Junho e 06 de Julho de 2008 o Rock in Rio estreou em Arganda Del Rey (Madrid, Espanha) como o Rock in Rio Madrid, com o objetivo de expandir para mais países. Alguns dos artistas que participaram foram Alanis Morissette, Amy Winehouse, Bob Dylan, Shakira, Tiesto, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo, Alejandro Sanz, e Manolo Garcia.

De volta a Lisboa, entre 21 e 30 de maio de 2010, com mais de 80 bandas, realizou-se a quarta edição do Rock in Rio Lisboa contendo jam sessions e novos encontros da música. Alguns dos artistas a participarem foram John Mayer, Elton John, Megadeth, Miley Cyrus, Martinho da Vila, Maria Rita, Leona Lewis e Soulbizness & Zoey Jones.

No mesmo ano aconteceu também o Rock in Rio Madrid, entre 04 e 14 de junho, com mais de 60 bandas e um publico de 250 mil pessoas. Nele tocaram Bon Jovi, David Guetta, Rage Against The Machine, Metallica, Florian Hereno e Albertucho.

E neste ano de 2011 o Rock in Rio volta com tudo ao País de origem, no Parque Olímpico Cidade do Rock, na Barra da Tijuca, no Rio de janeiro, entre os dias 23 e 30 de setembro e 01 e 02 de outubro.

por Deborah Duré
Redação TDM

Confira abaixo a programação completa do festival, que conta com 3 palcos (os horários podem sofrer alterações). Destacamos em negrito vermelho os nomes "aprovados" pelo programa de rock.

Dia 23/9, sexta
Palco Mundo
: Rihanna, Elton John, Katy Perry, Claudia Leitte e Paralamas do Sucesso + Titãs, com participações de Milton Nascimento, Maria Gadú e da Orquestra Sinfônica Brasileira
Palco Sunset: Móveis Coloniais de Acaju + Orkestra Rumpilezz + Mariana Aydar; Ed Motta + Rui Veloso + Andreas Kisser; Bebel Gilberto + Sandra de Sá; e The Asteroids Galaxy Tour + The Gift
Eletrônica: Ferry Corsten (Holanda), Above & Beyond (Inglaterra), Life is a Loop (Brasil), Leo Janeiro (Brasil) e DJ DRIK (Brasil)
Rockstreet: Seeley & Baldori, Guto Goffi e Banda, Cecelo Frony, Orleans Street Jazz Band e Go East Orkestar

Dia 24/9, sábado
Palco Mundo
: Red Hot Chilli Peppers, Snow Patrol, Capital Inicial, Stone Sour e NX Zero
Palco Sunset: Marcelo Yuka + Cibelle + Karina Buhr + Amora Pêra; Tulipa Ruiz + Nação Zumbi; Milton Nascimento + Esperanza Spalding; e Mike Patton/Mondo Cane + Orquestra de Heliópolis
Eletrônica: Danny Tenaglia (Estados Unidos), DJ Vibe (Portugal), Nicole Moudaber (Londres E Oibiza), Mary Zander (Brasil) e Flow & Zeo (Brasil)
Rockstreet: Seeley & Baldori, The Fabulous TAB (com Evandro Mesquita), Reverendo Franklin, Orleans Street Jazz Band e Steven Harper

Dia 25/9, domingo
Palco Mundo
: Metallica, Slipknot, Motörhead, Coheed and Cambria e Gloria
Palco Sunset: Matanza + BNegão; Korzus + The Punk Metal Allstars; Angra + Tarja Turunen; e Sepultura + Tambours du Bronx
Eletrônica: Boyz Noise (Alemanha), Steve Aoki (Estados Unidos), The Twelves (Brasil), Killer On The Dancefloor (Brasil) e vencedor PT Burn
Rockstreet: Seeley & Baldori, Victor Biglione, Go East Orkestar, Orleans Street Jazz Band e Steven Harper

Dia 29/9, quinta
Palco Mundo: Stevie Wonder, Jamiroquai, Ke$ha, Janelle Monáe e Concerto Sinfônico Legião Urbana
Palco Sunset: Joss Stone; Afrika Bambaataa + Paula Lima + Boys AC; Diogo Nogueira + Davi Moraes e o Baile do Simonal, com Max de Castro e Wilson Simoninha; e Curumin + Marcelo Jeneci
Eletrônica: Masters at Work, Mário Fischetti, DJ Zegon e Mary Olivetti
Rockstreet: Scott Feiner & Pandeiro Jazz, Mark Lambert, Arnaldo Brandão, Saxophonia e Stephen Harper

Dia 30/9, sexta
Palco Mundo: Shakira, Lenny Kravitz, Ivete Sangalo, Jota Quest e Marcelo D2
Palco Sunset: Buraka Som Sistema + Mixhell; João Donato + Céu; Cidade Negra + Martinho da Vila + Emicida; e Monobloco + Pepeu Gomes + Macaco
Eletrônica: Luciano (Chile), Guy Gerber (Israel), Guy Boratto (Brasil), Renato Rathier (Brasil) e DJ Ingrid (Brasil)
Rockstreet: Roncadores (George Israel), Bruce Henri Quarteto, Rodrigo Santos, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack

Dia 1/10, sábado
Palco Mundo: Coldplay, Maroon 5, Maná, Skank e Frejat
Palco Sunset: Cidadão Instigado + Júpiter Maçã; Tiê + Jorge Drexler; Zeca Baleiro + Lokua Kanza; Vencedor do Prêmio Musique; e Erasmo Carlos + Arnaldo Antunes
Eletrônica: Body and Soul NYC USA (François K, Danny Krivit e Joe Claussel) e DJ Harvey (Londres e Los Angeles)
Rockstreet: Leo Gandelman, Paraphernalia, Baia, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack

Dia 2/10, domingo
Palco Mundo: Guns N’Roses, System Of A Down, Evanescence, Pitty e Detonautas
Palco Sunset: The Monomes + David Fonseca; Mutantes + Tom Zé; Titãs + Xutos & Pontapés; e Marcelo Camelo + The Growlers
Eletrônica:Dimitri From Paris (Turquia), Hercules & Love Affair (EUA), Meme (Brasil), Rodrigo Penna (Brasil), Boss In Drama (Brasil) e Nalaya Brown (Tenerife)
Rockstreet: All Star Blues Band, Taryn Szpilman, Rock Street Jazz Jam, Saxophonia e Paul Carlon e Max Pollack


domingo, 11 de setembro de 2011

# 197 - 10/09/2011

Dois lançamentos abriram o programa de rock de ontem: o novo single do Megadeth, que fará parte de seu próximo disco, "thirteen", e a faixa título do novo EP da banda brasileira de "rock alternativo e indie pop" (segundo a wikipedia) Ludov. Não é o tipo de som que costumo tocar no programa (mais pop do que rock), mas sempre há excessões. Gosto deles.

Colado ao ecletíssimo bloquinho de abertura, música instrumental de primeira: rolaram as 4 bandas que se apresentarão no Oceanário de Aracaju na próxima sexta-feira, na abertura do Festival Mangaba de música instrumental. Dentre elas a Vendo 147, de Salvador, uma das "favoritas da casa", que estará lançando por aqui, finalmente, seu sensacional primeiro CD, "Godofredo" (God of Freedom).

Depois do Drop Loaded, a madeira voltou a comer com um Bloco do ouvinte pra lá de "metálico" enviado por nossa queridíssima ouvinte e colaboradora Jo(elane). Pausa pra respirar com Judas Priest Ao Vivo (abençoados os que viram este show ontem em São Paulo) e mais madeira: rock industrial. Abrindo com um dos pioneiros do estilo, o KMFDM, de Sascha Konietzko, alemão radicado em Chicago, Illinois (USA), onde participou ativamente da efervescente cena eletronica que circulava em torno da gravadora Wax Trax. Desta cena, além dos fundadores da EBM (Eletronic Body Music) Front 242, se destacava o Ministry, de Al Jourgensen, que também comparece com um cover do T-Rex. Completando o "time", os britânicos do Pitschifter e Nine Inch Nails com "piggy", faixa do seu melhor disco, "The downward spiral", que eu considero um dos melhores lançados nos anos 90 do século passado.

Finalizando e dando passagem ao Lado C de Marcelo Larrosa, ex-Hojerizah, um bloco Dark/pos-punk brasileiro safra anos 80 com, dentre outros, Hojerizah.

See you later, alligators !

A.

PS1: Uma curiosidade: onde vocês estavam no dia 11 de setembro de 2001 quando as torres gêmeas desabaram ?
Eu estava trabalhando. Um amigo me avisou pelo telefone: bateu um avião no World Trade Center, em Nova Iorque. Desci para acompanhar pela televisão numa lanchonete em frente. Quando o segundo avião bateu e as torres desabaram, ficando claro que foi um atentado, desisti de trabalhar e fui pra casa acompanhar a possivel transmissão ao vivo do começo do fim do mundo. De noite Bilal me ligou dizendo que a galera estava bebemorando o fato lá na catedral, mas eu achei de mau gosto e preferi ficar em casa conferindo se o mundo ia mesmo acabar ou não.

PS2: Jo, sobre seu bloco: "A banda Charred Walls Of The Damned reúne grandes nomes como Richard Christy na bateria e Steve DiGiorgio! É um achado! A Finitude uma banda Sergipana primorosa! Iced Earth com o vocal que arranca sua alma do corpo e para encerrar o Carcariass, uma banda francesa, que vence tudo com o instrumental!"

# # #

Megadeth - Public Enemy Number one
Ludov - Minha economia

Coutto e orquestra - routine
Casa Forte - o rock ensina algo
Ferraro Trio - Ponta dos mangues
Vendo 147 - Aurora

Mordida - Cosmopolita
Mordida - Workaholic
(Drop Loaded)

Charred Walls of the Damned - From the abyss
Finitude - never see my fall
Iced Earth - I died for you
Carcariass - Theresold Madness
- por Joelane

Judas Priest - (Ao vivo) Electric eye

KMFDM - A drug against war (Hookah mix)
Ministry - Bang a gong (T-Rex cover)
Pitschifter - Microwaved
Nine Inch Nails - piggy

Violeta de outono - Dia eterno
Picassos Falsos - Wolverine
Hojerizah - passos
Muzak - onde estou
Varsóvia - Viagens ´97
Cabine C - Fósforos de Oxford

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Tody´s Trouble Band

Que fique registrado: sábado passado eu fui ao Capitão Cook ver, finalmente, a Tody´s Trouble Band, e foi ótimo. Têm uma proposta diferente para o cenário local: tocar rockabilly – "de forma simples, safada e divertida e com muita influência de blues e outros ritmos" mas, em essência, rockabilly. Com direito a baixão acústico e as porras. Sempre lamentei o fato de que a "cena" rock sergipana nunca gerou nenhuma banda do tipo, portanto saúdo com todo o entusiasmo possível esta iniciativa.

Tendo em vista que eles não seguem rigorosamente as regras do estilo e tiram covers inusitados, como “Bicho de Sete Cabeças”, de Zé Ramalho e Geraldo Azevedo, poderia-se pensar que trata-se de uma “porralouquice” – termo local que geralmente designa projetos mal acabados e sem referência – ou mesmo uma “forçação de barra”, mas longe disso: a falta de compromissos estéticos rígidos faz com que sua musica soe mais original, descontraída e, acima de tudo, divertida. O tal cover mencionado é um bom exemplo: acredite, ficou ótimo. Assim como muito bons ficaram também os outros, alguns mais óbvios, como “surfin´ BIRD”, clássico dos Trashmen imortalizado pelos Ramones, outros nem tanto, como a versão para “16 toneladas”, do Funk como Le gusta (“se todo mundo toca samba rock hoje em dia, a gente pode tocar também”, falou e disse o Senhor Tody).

Mais importante: as músicas próprias, autorais, são excelentes, o que constatei logo de cara, pois cheguei com o couro já comendo (primeira musica ainda, felizmente) em um som com uma levada “psycho” insana e uma letra divertida que tira onda, dentre outras coisas, com a guitarra com estampas de oncinha cor de rosa de seu próprio guitarrista – que manda bem, por sinal. Os músicos são todos bons e Todynho arrasa na pegada e no visual, o que contribui para que nível de adrenalina atinja alguns picos bastante altos ao longo da apresentação, com os caras exibindo habilidade e desenvoltura. Excelente. Precisa tocar mais e em eventos mais concorridos, com bandas já conhecidas que atraiam uma maior visibilidade para esta grande promessa do cenário alternativo de Sergipe Del Rey.

Completando a noite, a estréia da Casa Forte, outra banda nova na city. Desta vez a proposta é rock instrumental, e a tarefa cumprida com louvor, com boa resposta do público. Outra boa promessa.

Fotos: : Gabriel Barretto

texto: Adelvan


quinta-feira, 8 de setembro de 2011

História velha ...

E eis que a velha e, ao que tudo indica, eterna rixa entre punks/anarquistas e skinheads/fascistas volta às manchetes da grande imprensa. A confusão, que resultou na morte de um e na internação em estado grave de outro, aconteceu durante o show da banda britânica Cock Sparrer no Carioca Club, em São Paulo. É tudo tão sem sentido que nem tenho muito a falar, só a lamentar. Deixo a tarefa inglória de tentar explicar este comportamento primata/territorialista para os especialistas de plantão (leia mais sobre o assunto aqui).

Agora suspeita-se que os punks procuram vingança, o que me lembra uma época em que uma garota de São Paulo, ligada ao movimento anarquista, apareceu por aqui. Ela dizia que estava dando um tempo até as coisas se acalmarem por lá, justamente por conta de uma outra confusão em que, desta vez, um "careca" havia sido morto por um punk. Pensei que fosse exagero, mas pouco tempo depois estive em São Paulo e, numa ida à galeria do rock num sábado pela manhã, me espantei com a quantidade seres com a cabeça raspada e trajados "no rigor da moda" (coturno, camiseta branca e calça com suspensórios). Fiquei até meio cabreiro de circular pela área e, sem querer, denunciar minha ascendencia nordestina ...

O fato me fez recordar também que aqui mesmo, em Aracaju, já houveram algumas movimentações embrionárias do tipo. Não prosperaram, felizmente. Lembro que nos anos 8o alguns indivíduos (4, 5 no máximo) costumavam circular com livros como "Holocausto, judeu ou alemão?", de S. E. Castam, debaixo do braço. Sumiram. Depois, só mais recentemente, há uns 3, 4 anos, me deparei novamente com seres do tipo. Foi num festival Hard Core na extinta boite Live: alguns carecas (2, se não me falha a memoria) estavam distibuindo o panfleto involuntariamente humorístico que reproduzo abaixo. Chegaram a fazer algum barulho, mas nada demais. sumiram de novo. Eu, pelo menos, nunca mais ouvi falar. Restou, como legado, apenas esta curiosa reportagem publicada no Jornal da Cidade da época:

Lutar pela pátria, conservar a família e amar a Deus. Conceitos que à primeira vista são importantes e inocentes, mas que por trás podem esconder uma ideologia baseada em preconceito e discriminação. A filosofia é de um grupo chamado Carecas do Brasil, uma facção menos radical da tribo skinhead, que já foi acusada de alguns crimes bárbaros contra homossexuais, negros, punks e judeus. O preocupante é que os Carecas do Brasil estão difundindo suas idéias em Aracaju, através de panfletos distribuídos em shows de rock e pela internet.

No panfleto assinado pela Frente Nacionalista de Sergipe, o grupo assume a identidade de Carecas do Brasil e diz também que é uma das diferentes facções dos skinheads. Argumentam que “nem todo skinhead é nazista” e que defendem o nacionalismo. “Temos orgulho do nosso país, do nosso povo e da nossa terra. Somos contra o racismo, o anarquismo, o comunismo e as drogas”. O informativo diz ainda que a imprensa é mentirosa e que a televisão criou uma imagem distorcida do grupo.

Mas para Tânia Magno, doutora em Ciências Sociais e professora da Universidade Federal de Sergipe, o movimento esconde outras facetas. “Eles não divulgaram no panfleto conceitos ruins. O problema é a maneira como agem diante deles, excluindo quem não pensa assim”, analisou. Ela lembra ainda que a ideologia dos skinheads é perigosa porque tem cunho nazifacista. “Claro que não vão assumir. Mas a agressividade, os gostos, as músicas e o jeito de se vestirem demonstram isso”, acrescentou. No desenho do panfleto o “careca” está de botas, acessório que compõe a indumentária dos skinheads. E o pior é que, geralmente, as botas têm uma ponteira de aço.

Através do e-mail divulgado no panfleto, que tem em sua composição as palavras odiados e orgulhosos, a reportagem do JORNAL DA CIDADE chegou ao perfil de um jovem no Orkut. O rapaz não se identifica diretamente como skinhead ou Carecas do Brasil, no entanto deixa algumas pistas. Tem outros amigos com fotos parecidas, mostrando uma tarja preta nos olhos e bandeiras do Brasil e dos respectivos estados, além de comunidades de bandas skinheads e recados como “seja bem vindo a mais forte família brasileira, oi!”. O oi! a que eles se referem não é um simples cumprimento e sim um estilo musical usado para difundir os conceitos do grupo. Mandamos e-mail solicitando uma entrevista, mas não houve resposta.

Jovens

Para a professora Tânia Magno, os jovens são alvo fácil de grupos como os skinheads. “É mais fácil influenciá-los porque o jovem precisa de uma identidade e, nesses grupos, eles são alguém, são valorizados. O jovem precisa disso numa sociedade onde o anonimato prevalece. No grupo eles têm força e chamam atenção”, opinou a professora. Ela acredita que isso também acontece por conta dos vácuos deixados pela sociedade, família e Estado, que não oferecem outras formas de ocupação do tempo do jovem. “É preciso que se pense nos motivos dessa atração. O que eles vêem nesses movimentos? Onde estão os pais que não sabem o que os filhos fazem?”, alertou.

Outra análise feita pela professora refere-se a falta de motivos para movimentos como o dos skinheads no Brasil. “A sociedade brasileira tem conseguido digerir as diferenças razoavelmente bem. O movimento não tem nada a ver com nossa realidade. É a importação de algo que não cabe aqui”, defendeu Tânia Magno. A boa notícia é que muitos jovens têm a consciência do que está nas entrelinhas das idéias difundidas pelos Carecas do Brasil. Um universitário de apenas 21 anos, que se intitula como ex-punk, disse que o movimento skinhead é “coisa de adolescente se firmando”. Para preservar a imagem dele o chamaremos de Marcelo.

“Eles não são muito fortes. É um modismo que chega e depois desaparece. Mas o grande problema é a falta de informação. Assumem um estereótipo sem estudar, sem saber o que estão defendendo”, criticou Marcelo. Ele começou a gostar e conhecer a cultura punk quando tinha 12 anos. Foi atraído pela música, pelas letras de protesto e pela filosofia do movimento. “A cultura punk me deu uma educação que pai, mãe e a escola não deram tão a fundo. Se hoje tenho um senso crítico mais aguçado, irreverente e desprovido de preconceitos, é graças ao movimento punk. Claro que existem os punks mais violentos, mas não podemos generalizar”, afirmou Marcelo.

Tânia lembra que cabe à própria sociedade aderir ou não à difusão de movimentos sociais como o dos skinheads. E que é necessário, também, dar aos jovens mais alternativas de lazer, cultura e esporte. “Cada um deve procurar uma forma de se firmar, mas não difundindo a violência e o preconceito. Fico triste quando um cara chega e diz que é neonazista. Deveria pensar em um mundo sem fronteiras, pensar em coisas mais saudáveis”, sugeriu Marcelo.

Músicas identificam tribos skinhead

Originalmente, o movimento skinhead surgiu na Inglaterra, em meados da década de 60, composto por brancos e negros imigrantes jamaicanos, que juntos freqüentavam clubes para ouvir música soul e ska (estilo de reggae), andavam em gangues e promoviam confrontos nos estádios de futebol. O movimento passou por diversas divisões no final dos anos 70 e surgiram outros estilos musicais, como o Oi!, ou street punk, que tem como característica abdicar da mídia e do sucesso. O fato é que hoje o estilo Oi! é usado por facções skinheads para disseminar a filosofia do grupo.

Uma das bandas que se autodenominam no Orkut como skinhead é a Bandeira de Combate. Criada em 1988, a banda assume que se identifica com o movimento nacionalista e a insatisfação com o cenário político brasileiro. “Desde sempre todos os integrantes participaram ativamente da cena skin e essa atitude colaborava ainda mais para obterem o respeito dos skinheads”, divulgaram os integrantes na apresentação do Orkut. No entanto, as letras contradizem as idéias aparentemente inocentes do movimento skinhead e das bandas que o divulgam.

Na internet é possível encontrar várias letras da banda Bandeira de Combate. Na música que leva o mesmo nome da banda, eles dizem: “vim do subúrbio para agitar / amar meu país e por ele lutar / eu gosto de sexo, cerveja e brigas / lutar já faz parte do meu dia-a-dia / já não temo o inimigo / já não temo a mais nada / temos poder / somos a carecada”. Na letra de “Atitude” eles confirmam mais uma vez a participação no movimento skin. “Fale-me dos skinheads da Europa que eu lhe mostrarei que somos tão fortes quanto eles / temos um movimento cheio de vitórias / que somos unidos, fortes e conscientes”. Será?

Skinheads ressurgem

Não é a primeira vez que o movimento skinhead age em Aracaju. Na década de 90, quando houve um boom de bandas de heavy metal, havia também as tribos dos punks e skinheads, que freqüentemente entravam em conflito por conta das diferentes ideologias. Voltando um pouco mais no tempo, no final da década de 70 surgiu na capital o movimento Tradição, Família e Propriedade (TFP), organização de cunho católico que exaltava o conservadorismo, era anticomunista e destacava a figura de Nossa Senhora.

O jornalista e vocalista da banda Warlord, George Washington, conta que entre 1990 e 1995 havia um movimento forte de skinheads no bairro Industrial, que perseguia os metaleiros e punks. “Naquela época houve uma efervescência grande de novas bandas de heavy metal, principalmente no bairro Grageru. No Santo Antônio e bairro Industrial eram mais fortes os movimentos punks e skinheads. O ponto de encontro das turmas era na praça Tobias Barreto.

Cada grupo ocupava um parte do quadrante. Só os skinheads que não apareciam. Chegavam de supetão, também nos shows de rock, já baixando a bota”, lembrou George.

Os skinheads daquela época, segundo George, tinham tendências à agressividade e concepções nazifacistas. “E nós éramos veementemente contra. Apesar de se considerarem nacionalistas, sempre foram fascistas. Eram contra os nordestinos, diziam que eram a desgraça do Brasil. Mas foram os nordestinos que construíram São Paulo. Isso nos motivava a cair mesmo no braço com eles”, revelou o jornalista. Para George, movimentos como o dos Carecas do Brasil chegam a ter adeptos, mas “não vingam” em Sergipe.

A professora Tânia Magno lembra que o movimento TFP chegou a fazer passeatas em Aracaju, no entanto foi banido da capital pela própria sociedade.

Texto: Janaína Cruz

Fonte: Jornal da Cidade

14/09/2008

domingo, 4 de setembro de 2011

# 196 - 03/09/2011

O programa de rock “chegou chegando” às noites de sábado do rádio sergipano: sem concessões, metendo o pé na porta ao som de 4 das melhores bandas da cena crust/grind Hard Core britânica. Os berros primais do escocês Wattie Buchan, do The Exploited, abriram a noite com a já clássica “fuck the system”, faixa-título do último disco do grupo, lançado no já distante ano de 2003. A sequencia, com Varukers, Doom e Extreme Noise Terror, foi pra não deixar pedra sobre pedra. O recado ficou ainda mais claro com ramones – “do you remember rock and roll radio?”. Yes, we do.

No segundo bloco, surf music instrumental. Já na segunda parte do programa, mais pancada no pé do ouvido: musica nova do Chakal, célebre banda capitaneada por Vladimir Korg (ex-The Mist) oriunda da cena belohorizontina, a mesma que legou ao mundo o Sepultura – que também deu o ar da graça com “Arise”, precedida de “Discipline of hate”, do Korzus. Completando a sequencia de clássicos do thrash, Slayer com “Disciple” (GOD HATE US ALL!) e Metallica coverizando “Am I evil”, do Diamond Head (NWOBHM).

Ouvidos sensíveis devidamente castigados, eis que chega algum alívio: o Drop Loaded, que não costuma pegar pesado, e o Bloco do ouvinte, com rock clássico e stoner rock classudo: Mutantes, que dispensa apresentações, The Animals, “lado B” da invasão britânica dos anos 60 (o lado A vocês sabem, Beatles, Rolling Stones ...), e Bacamarte, banda de rock progressivo fundada em 1974 cuja vocalista era ninguém menos que Jane Duboc (aquela mesma, da MPB). O Atomic Bitchwax, de Nova Jersey, Estados Unidos, dá uma apimentada no tempero com seu stoner regado a psicodelia.

Encerrando a noite, um bate-papo com os caras do Holidays, banda que mantém erguida por aqui a bandeira do Hard Core melódico ao estilo californiano. Um estilo, hoje em dia, “fora de moda”, não é? Acho ótimo. Odeio modismos.

Até o próximo sábado.

A.

# # #

The Exploited - Fuck the system
The Varukers - How do you sleep ?
Doom - Relief pt. II
Extreme Noise Terror - Bullshit propaganda

Ramonmes - Do you remember rock and roll radio ?

Drakula - Kowalsky generation
Retrofoguetes - leve-me ao seu líder
Southern Culture on the skids - Bop Bop Bop
Brian Setzer - Go go Godzilla
Dick Dale (with Stevie Ray Vaughan) - Pipeline

Chakal - possessed landcape

Korzus - Discipline of hate
Sepultura - Arise
Slayer - Disciple
Metallica - Am I evil?

Astro - Maestro Distorcion
La Mano Ajena - Declaracion de principios
- Drop Loaded

Os Mutantes - Ave Lucifer
The Animals - House of the rising sun
Bacamarte - Smog alado
The Atomic Bitchwax - Hope you die
- por Lucas

Holidays - Go Back to my house

+ Enrevista

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Amanhã, no programa de rock ...


Inaugurando as noites de sábado ...

Brian Setzer
Dick Dale And his Del-Tones
Southern culture on the Skids
Extreme Noise Terror
Retrofoguetes
Drakula
Metallica
Sepultura
Os Mutantes
The Animals
Korzus
Chakal
Slayer
.
.
.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

1991, 20 anos

"Nevermind", do Nirvana, está fazendo 20 anos e todo mundo que tem um mínimo de interesse e/ou discernimento sobre a história do rock está comemorando - inclusive nós, evidentemente. Aproveitando a pauta, o jornalista Silvio Essinger elencou, no jornal O Globo, 20 discos pra lá de interessantes lançados no mesmo ano. A Escarro Napalm Unauthorized reproductions inc. traz o texto na íntegra aqui pra você.

Ai que saudades de anos como este ...

RIO - O disco certo na hora certa, "Nevermind" é lembrado hoje pelo impacto de asteroide desgovernado que provocou no planeta rock naquele ano de 1991 . Mas, olhando em retrospecto, ele não foi o único disco memorável do período. Longe disso. Sendo assim, para fazer justiça a um ano em que as guitarras impuseram respeito num cenário que parecia dominado pelo pop de gravadora, lembramos aqui de outros 20 álbuns de responsa que completam 20 anos em 2011. Americanos ou britânicos, estreantes ou veteranos, mainstream ou underground, os grupos a seguir fizeram um 1991 muito feliz para os roqueiros do planeta.

1) R.E.M. - "Out of time" (11/03): transformou os patronos do indie rock em estrelas mundiais, graças à força de canções como "Shiny happy people" e " Losing my religion " - cujos videoclipes, aliás, marcaram uma época.

2) Metallica - "Álbum preto" (13/08): Igualmente adorado e detestado, foi o disco em que os reis do thrash metal baixaram a velocidade, simplificaram as músicas e venceram. " Enter Sandman ", "The unforgiven"..., hits não faltaram.

3) Blur -" Leisure" (26/08): Disco de estreia da banda inglesa que, em poucos anos, disputaria com o Oasis o trono do Britpop. Trouxe um bocado de psicodelia ("She's so high") e pop dançante com guitarra (" There's no other way ").

4) Pearl Jam - "Ten" (27/08): Da mesma cena grunge que o Nirvana, o grupo chegou ao primeiro disco igual a um fio desencapado de emoção. " Alive " e "Jeremy" abriram caminho - e eles foram em frente. Tocam no Brasil este ano.

5) Pixies - "Trompe le monde" (07/10): em seu quarto (e último) disco, a banda que influenciou "Smells like teen spirit" ainda mostrava ter bastante gás em canções como " Planet of sound " e "Head on" (do Jesus & Mary Chain).

6) Red Hot Chili Peppers - "Blood sugar sex magik" (24/09): Ainda funk, mas bem relaxado, o grupo californiano cometeu seu maior disco. Tem pedradas como " Suck my kiss " e belezas melódicas como as de "Breaking the girl".

7) Sepultura - "Arise" (02/04): Graças a esse CD, a banda brasileira entrou para o primeiro time do heavy metal mundial. Com peso absurdo e muita precisão na execução, destacaram-se a faixa-título e " Dead embryonic cells ".

8) Guns N' Roses - "Use your illusion I & II" (17/09): Dois LPs duplos, lançados no mesmo dia - a banda de Axl Rose não estava mesmo para brincadeira. Emplacou "Don't cry", " November rain "... Seria o seu último suspiro de grandeza.

9) Primal Scream - "Screamadelica" (23/09): A banda indie escosesa se entupiu de drogas e foi experimentar com música eletrônica. Fez uma obra-prima da psicodelia anos 1990, com faixas como " Movin' on up ". Em breve, vem ao Brasil com show de 20 anos do disco.

10) Soundgarden - "Badmotorfinger" (08/10): Álbum do estouro dessa banda do grunge com um grande vocalista e um instrumental desafiador. "Outshined" e " Jesus Christ Pose " fazem muita gente ter arrepios de saudade de 1991.

11) Teenage Fanclub - "Bandwagonesque" (04/11): Escoceses com melodias românticas, guitarras pesadas & melódicas e grandes canções (como " The concept "), tinham tudo pra chegar lá com esse disco. Mas aí veio o Nirvana... e o resto todos sabem.

12) My Bloody Valentine - "Loveless" (04/11): Os irlandeses quase faliram a gravadora Creation com esse álbum, que demoraram dois anos para gravar. Kevin Shields pintou paisagens de guitarra jamais vistas. Ouça: " Only shallow ".

13) U2 - "Achtung baby" (19/11): Enjoado de estar no topo do mundo, o U2 abandonou a imagem messiânica e se reinventou com ritmos dançantes e autoironia. Mas não descuidou das canções. Estão lá "One" e " Mysterious ways ".

14) Dinosaur Jr. - "Green mind" (19/02): Ícone do rock underground americano, o trio de J Mascis estreou numa grande gravadora juntando guitarras cáusticas e boas canções, como sua faixa-título . Mais ou menos como faria o Nirvana logo depois.

15) Primus - "Sailing the seas of cheese" (14/05): Liderada pelo virtuoso baixista (e bizarro vocalista) Les Claypool, o grupo chegou ao sucesso com esse disco de funk com guitarras pesadas, ritmos quebrados e melodias atonais. Ouça " Jerry was a race car driver ".

16) Mudhoney - "Every good boy deserves fudge" (23/07): Banda de Seattle que menos tinha a ver com o grunge. Fez desse disco um clássico do descompromisso de garagem. " Good enough " e "Into the drink" já garantem a festa.

17) Skid Row --"Slave to the grind" (11/06): Álbum surpreendentemente vigoroso da banda de pop-metal. "Monkey business" e a faixa-título promoveram o bate-cabeça. E " Wasted time " foi a balada para marcar posição nas rádios.

18) Ozzy Osbourne - "No more tears" (08/12): Ao lado do guitarrista Zakk Wylde, o velho homem do heavy metal renovou seu som com bons resultados. Os sucessos foram a faixa-título e a emocionada "Mama, I'm coming home".

19) Infectious Grooves - "The plague that makes your booty move" (9/10): Projeto paralelo de integrantes dos grupos Suicidal Tendencies e Jane's Addiction, o volátil coletivo estreou em álbum com uma pérola do estilo funk-metal. Ouça " Punk it up ".

20) EMF - "Schubert Dip" (06/05): Com jeitão de boy band, balanços irresistíveis e guitarras robustas, os ingleses confundiram os críticos quando apareceram com esse disco. Mas a faixa " Unbelievable " não deixou ninguém parado.

postagem original: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2011/08/26/listamos-20-discos-incriveis-que-foram-lancados-ha-20-anos-925226044.asp#ixzz1WiBXWpSb

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por Silvio Essinger (silvio.essinger@oglobo.com.br)


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

# 195 - 26/08/2011


Hoje o programa de rock se despede das noites de sexta-feira: a partir do dia 03 de setembro passamos a ir ao ar aos sábados, sempre às 18:00. Desta vez, esperamos todos, sem muitas interrupções - a mudança foi motivada pela necessidade de evitar os choques de horário com as constantes transmissões de eventos o vivo pela Aperipê FM.

Na programação musical de hoje à noite seguimos com o hábito de não esquecer os bons discos lançados recentemente: colocaremos no ar mais uma de "Vol. 3", do Mopho, e mais uma das 3 músicas novas que Morrissey lançou recentemnte no programa de Janice Long, da BBC de Londres. Representando o front local, a faixa de abertura de "nature", excelente EP lançado há pouco pela Road to joy, e "O retorno de Saturno", da Nantes. "Alvorada", o disco de onde foi retirado este "quase hit", é um dos que estão disponíveis para download gratuito nos links que você encontra na coluna ao lado, aqui mesmo, neste blog.

Fechando a noite, dois especiais: Hasil Adkins, pioneiro das "one man bands", tem sua carreira radiografada via Maringá, Paraná, através de nosso colaborador Andhye Iore. Já o Camisa de Vênus marca presença em homenagem aos 60 anos recém completos de seu ex-lider e vocalista, Marcelo Nova.

See you later, alligators !!!!

Até sábado, dia 03.

###########

Morrissey – People are the same everywhere
The Smiths – Some girls are bigger than others

Melvins – The kicking Machine
Motorhead – English rose
Wolfmother – pyramid
Black Mountain – wucan

Guachass – Dirty Harry
Motosierra – Life in Hell
-> Drop Loaded

Mopho – Dani Rabiscou
The Dead Lover´s Twisted Heart – All Night long
Suíte Super Luxo – Ad Hoc
Plástico Lunar – Sua casa é o seu paletó
Continental Combo – Homem retalho

Nantes - O retorno de Saturno
Road to joy - wildflower

Especial Hasil Adkins:
por Andhye Iore

" Chicken walk "
" No more hot dogs "
" Ugly woman "
" You´re gonna miss me "
" She Said "
" Truly Ruly "

Camisa de Vênus:
“ Farinha do desprezo ”
“ Bete morreu ”
“ Lena ”
“ Hoje ”
“ O Adventista ”



Werden, esse ilustre conhecido

Werden Tavares, 30, é um publicitário “do rock”. Mas ao invés de ficar só nos headphones, em solitárias andanças atrás de discos novos pela internet, o Werden resolveu convergir seus interesses e virar documentarista de música. Amante do audiovisual e músico, o Werden já gravou quatro documentários, sendo um deles intitulado “Rock Sergipano: esse ilustre desconhecido” – produto do seu trabalho de conclusão de curso. Em entrevista, esse estudioso da música sergipana fala da qualidade do som feito aqui na terrinha, e do cenário musical que vem se configurando com a ousadia da ‘nova geração’.

e-Sergipe – Como você começou a fazer documentário? E de que forma surgiu o desejo de falar do rock sergipano?

Werden – As coisas foram acontecendo naturalmente. Na verdade, eu sempre tive banda (ex-‘Os Verdes’, e atual carreira solo) e andei com os caras do rock daqui. Nessa época eu estava prestes a me formar em Publicidade e, como gostava muito do audiovisual, acabei unindo o útil ao agradável: vídeo-documentário, rock e o gosto pela música. A partir disso eu não parei mais. Sempre que surgia algo referente ao rock sergipano para fazer, nós criávamos algo especial lá na *Aperipê: assim surgiu o ‘Especial Aperipê Rock Sergipano’. Logo depois, eu acompanhei a banda ‘Plástico Lunar’ numa mini-turnê pelo Nordeste. Na ocasião, eu preparei o documentário ‘Coleção de Viagens Espaciais’, este que é o nome de um dos CD’s da Banda. Já o último que eu fiz foi o ‘Music From Sergipe’, que tratava de algo de música sergipana de uma forma mais geral, buscando falar de outros estilos fora do rock.

*O publicitário compôs a equipe da emissora de TV sergipana por quatro anos.

e- Sob o seu ponto de vista de documentarista, quais os elementos do rock sergipano que contam a história da identidade local?

W- Existe identidade no rock sergipano, e explico o motivo. O rock daqui é mais abrangente do que em outros lugares. Lá fora você tem uma cena dividida em nichos, tipo o reggae, o rock, o punk rock, o que não acontece aqui. Nós juntamos tudo e criamos um som singular. Exemplos disso são as composições de bandas como ‘Reação’, ‘Plástico Lunar’ e ‘Naurêa’. São estilos diferentes, mas com a pitada do rock. E além da identidade das bandas, tem o fato de os músicos tocarem em várias bandas diferentes. O Léo, tecladista da ‘Plástico Lunar’, por exemplo, toca comigo, com a Naurêa, na ‘Banda dos Corações Partidos’ e até na Orquestra Sanfônica. São cinco coisas totalmente diferentes e que, a princípio, não tem nada a ver, mas que no fundo compartilham em essência sergipana. Como Sergipe é um estado pequeno, onde todos se conhecem, acaba tendo uma confluência de produção entre as bandas.

e - … e a que se deve essa confluência?

W- Talvez por não terem tanto poder econômico, essas bandas se ajudam. Vou citar um exemplo de união: No Manguebeat, o DJ Dolores*, que também é designer, combinou de fazer a capa do disco da galera. O produtor Paulo André produzia os shows do pessoal. Ou seja, independente dos estilos, esse espírito de cooperativismo também funciona por aqui. Há alguns dias, houve um show da banda sergipana Cabedal para a despedida do baixista deles, onde o vocalista da Naurêa Alex Sant’anna e o da Maria Scombona, Henrique Telles, fizeram participações para ajudar a atrair público. Outra explicação para essa interação é o fato de termos poucos lugares para tocar. E quando tem, precisa-se de vários tipos de públicos. Nós trabalhamos juntos, numa sinergia só. A necessidade faz a união, e acaba criando uma identidade.

*Helder Aragão – o DJ Dolores – além de ser DJ, é designer.

e- Depois do lançamento do primeiro CD, vimos a grande aceitação que a banda sergipana ‘The Baggios’ está tendo no cenário nacional e internacional, emplacando boas resenhas em vários blogs. Pra você, em que nível a The Baggios carrega essa identidade sergipana?

W- Pra mim a The Baggios é uma das bandas mais completas da cena independente nacional, por isso há tanta repercussão com o lançamento do álbum. Os traços de sergipanidade da banda estão no sotaque de *Julico e em alguns elementos instrumentais que eles incluem de forma sutil. Regionalismos à parte, existe uma assinatura característica no som da ‘Baggios’, o que dá a eles uma cara cosmopolita. São influencias do grunge, do blues, do rock inglês…talvez essa mistura de coisas universalize o som da banda e o tempero regional seja a assinatura.

*Júlio Andrade é o vocalista da The Baggios, e é natural do município de São Cristóvão – cidade histórica, localizada na Grande Aracaju.

e- Com relação ao lançamento de trabalhos novos e autorais, que também estão sendo elogiados, a o que você atribui esse movimento?

W- Manter uma banda em Aracaju requer um grande esforço. A ‘Road to Joy’, por exemplo, é formada por músicos que não utilizam o som como fonte principal de renda. Eles tocam por prazer, essencialmente, e estavam há muito tempo gravando, tiveram tempo para apurar o som e fazer uma música com muita qualidade. Com a ‘Nantes’ foi o mesmo processo. Tocaram, participaram de shows e turnês até chegar o momento de gravar o disco. Gravaram com calma, semelhante a Road to Joy, e o resultado também foi muito bom. Se você toca e tem um material de qualidade, a tendência é o sucesso.

e- Você citou qualidade. Fora a música em si, as pessoas que trabalham na criação, produção e divulgação da música são mais especializadas hoje em dia? Isso favorece o crescimento da música sergipana?

W- Com certeza. Obviamente que não há ninguém que foque apenas na produção. Muitos também são músicos e que trabalham de forma múltipla e diversificada. As capas de CD das bandas sergipanas atualmente são muito boas, e esse é um aspecto importante, pois a capa, o encarte e todo o material visual são o caminho para levar alguém a ouvir um som. O *Paulo André me disse uma vez que ele recebe muitos CDs e materiais de bandas do Brasil inteiro. Para selecionar, a primeira triagem se dá no material visual. Se for feio, ele já descarta. Com exceções, logicamente. O seu material artístico é um produto para o público. E o primeiro passo é ser bonito. Hoje, o nosso produto é de qualidade, as músicas são boas e o material é bem planejado.

*Paulo André é produtor do festival Abril Pro Rock, que acontece anualmente em Recife (PE).

e- Com essa ‘profissionalização’, em que nível as melhores bandas daqui já se consolidaram nacionalmente?

W- A ‘Plástico Lunar’, hoje, é uma das maiores bandas do país. Ela foi uma das bandas mais desejadas em festivais pelo Brasil inteiro, a exemplo do Goiânia Noise e Bananada, ambos em Goiânia, e do Psicodália, que acontece sempre na região sul. A The Baggios é a mesma coisa, e a prova disso é que ela será lançada pela gravadora Deckdisc, do Rafael Ramos, o cara que lançou Raimundos e Mamonas Assassinas. O Rafael pirou quando escutou The Baggios.

e- Conta pra nós um pouco da experiência de ter acompanhado o Plástico Lunar ao festival Psicodália para a gravação do documentário ‘Coleção de Viagens Espaciais’. Como é o processo de conceber um documentário sobre música?

W- A ideia do ‘Coleção de Viagens Espaciais’ nasceu, na verdade, durante a viagem com a Plástico Lunar ao Psicodália. Lá eu confirmei o que eu já supunha, que eles são uma das bandas mais cultuadas no meio independente nacional e que precisavam de uma divulgação maior e um material mais consistente. Quando eles me disseram que iam fazer uma tour pelo NE e que incluía o Abril Pro Rock (maior festival independente do Brasil) eu pensei que era a hora certa para esse registro. O vídeo mostra uma banda de rock viajando pelo Nordeste até a “meca do Rock nacional”: o ABP. Acabou sendo mais que um registro simples de rock tour.

Além dos elementos comuns de roteiro, as coisas que foram surgindo na viagem foram dando o tom do documentário. Impossível viajar com o pessoal da Plástico Lunar, que são meus amigos há mais de 10 anos, e não colocar as piadas e as coisas engraçadas que acontecem nas viagens.

e- A internet ajuda muito a divulgação das bandas menores, que estão começando agora, mas quem faz música quer tocar ao vivo. Na sua opinião, o que falta para as bandas menores quebrarem a barreira territorial de Sergipe e fazerem mais shows pelo Brasil?

W- Primeiramente, falta um circuito de shows aqui mesmo. Tirando o *Coverama, o último grande festival que houve aqui foi o “Nada pode parar o Rock”, realizado por mim em 2006, que trouxe bandas de fora e também contou com as bandas daqui de Sergipe. Apesar do ótimo trabalho do Rock Sertão, em Glória, nós precisamos de algo no eixo da capital, Aracaju, e pra isso precisamos de iniciativo e união. Além disso, os circuitos e festivais proporcionariam às bandas maior rentabilidade para gravar CD e se projetarem pra fora. Eles poderiam viver disso. Nós precisamos também de mais lugares pra tocar, mais casas de show.

*Festival sergipano que premia a melhor banda cover.

Fonte: e-sergipe

Esporro


Em um carnaval sem dinheiro, nem nada pra fazer, coloquei o 486 na penteadeira da minha mãe, tostei sem ar condicionado com os 40 graus do verão carioca e durante quatro dias praticamente escrevi um livro. Saí colocando na telinha as histórias que vi e vivi intensamente no começo dos anos 90 no rock underground do Rio de Janeiro como guitarrista do Soutien Xiita. Tempos de guitarras altas, pessoas peladas, loucuras e muito barulho. 'Esporro', meu terceiro livro, é sobre as esperanças da juventude, cair na estrada, tocar, compor e viver o sonho do rock com alguns amigos.

As fotos foram surgindo das gavetas de várias casas, os flyers e cartazes perderam a poeira e os ácaros e foi todo mundo para o vidro do scanner. De lá para as páginas do livro sob a diagramação e capa de Flávio Flock, que viveu com a mesma intensidade os palcos toscos da cidade como baixista do Poindexter. Ansiedades simples como ver que o cabelo cresceu mais um pouco, que a primeira nota do seu conjunto saiu num fanzine ou, pasmem, no Globo ou na Bizz (ou seria Showbizz?).

Quem viveu o sonho do rock vai se ver nas roubadas do livro, outros vão se lembrar de shows que foram. Você pode estar em qualquer cidade do mundo, mas o rock, os palcos imundos, o equipamento ruim, a cerveja e sentar na calçada de madrugada para esperar o primeiro ônibus, serão sempre iguais.

Quem é Leonardo Panço?

E por que não responder em primeira pessoa? Comecei a tocar em 88, tive algumas bandas até 91, mas acho que começou mais pra valer em 92 com o Soutien Xiita. Foi quando eu comecei a ter alguma vaga noção do que estava fazendo. Gravamos demos e um disco. Depois com o Jason de 97 a 2011, durante 14 anos fiz quase 100 shows no nordeste, mais de 100 na Europa em três turnês gringas, gravei quatro discos, vários lados b, faixas saíram em coletâneas, lancei três discos no exterior, sendo um em LP (uau). Foram vários clipes, centenas de outros shows pelo Brasil até minha saída em janeiro passado.

Fiz fanzines desde 91, colaborei em revistas, jornais, isso mesmo antes de entrar para a faculdade. Oficialmente sou jornalista desde 98, mas já o era muito antes disso. Fundei a Tamborete Entertainment em 97, lancei CDs de muitos artistas, meus três livros, o DVD do Verbase e por aí vai.

Em 2008/2009 passei por um monte de cidades com o lançamento do segundo livro 'Caras dessa idade já não leem manuais'. Nessa época o lêem ainda usava chapéuzinho. É muito comum nos Estados Unidos os escritores fazerem turnês promocionais. Mestres do punk rock como Jello Biafra, Henry Rollins e Michael Board fazem. Resolvi fazer também. E agora no final de 2011 inicio minha segunda gira de lançamento, agora do 'Esporro'. E desta vez não lanço o livro sozinho. Comigo o selo Subfolk de João Pessoa e o selo Bons Costumes da Editora Jovens Escribas, de Natal. Lindo demais. Parcerias, energias conjuntas, muitas datas, esforços concomitantes.

Nos vemos em alguma cidade ainda este ano ou em 2012, afinal o Brasil é bem grande e a viagem não termina agora.

por Leonardo Panço

Foto: Mauro Pimentel

facebook/esporro

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Barely legal

Sim, meus amigos: o tempo não para. Frances Bean Cobain, a filha do mais famoso suicida e da mais polêmica esposa da história do rock, está fazendo 19 anos hoje. Ela nasceu em Los Angeles, Califórnia, no dia 18 de agosto de 1992. Michael Stipe, do REM, e a atriz Drew Barrymore, são seus padrinhos de batismo. Viu o pai pela última vez no dia 01 de abril de 1994, ao visitá-lo no Exodus Recovery Center, uma clínica para reabilitação de dependentes químicos.

De lá pra cá, tem se estranhado com a mãe, que não é mesmo flor que se cheire - em 2008 ela bancou uma festa de dezesseis anos para Frances na célebre casa de espetáculos “House of Blues”, de Los Angeles, com o tema “suicídio” - RIP Childhood, infância, descanse em paz. Foi um escândalo, como quase tudo que tem o dedo de Courtney. Por estas e outras, nos últimos anos como menor sua filha viveu com a tia e a avó.

Frances Bean aparece pouco na media. Deu ao todo, até hoje, apenas 5 entrevistas, além de ter feito alguns ensaios fotográficos. O mais célebre deles, clicado pelo estilista Hedi Slimane, veio à luz há pouco e a mostrou ainda herdeira da beleza de seus pais, embora bem mais magra e tatuada, ao estilo “heroin chic” – com uma silhueta espectral, punk e esquálida. Numa das fotos, lembra muito Amy Winehouse. Um mal presságio? Espero que não.

Frances tem se arriscado também pelas artes plásticas: expôs na galeria La Luz de Jesus, templo da arte experimental-proletária da Califórnia, uma mostra de desenhos doentios singelamente intitulada “Scumfuck”. Seu traço minimalista lembra o do pai, que também desenhava – é dele a capa do disco “incesticide”, do Nirvana.

por Adelvan

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

TECLAS PRETAS

Esta é pra quem sempre se pergunta o que anda fazendo o ex-vocalista dos Dead Billies ...

A exemplo de tantos outros, mais um dos grandes talentos do rock baiano bateu asas e voou para morar em São Paulo. Desde julho, o cantor Glauber Guimarães (ex-Dead Billies), está residindo em uma casa no bairro de Moema.

Antes de ir embora, porém, compilou todas as gravações do seu projeto Teclas Pretas, que toca com o guitarrista e produtor Jorge Solovera, intitulou 2005-2011 e lançou na internet para download gratuito – tanto para fechar um ciclo, como para servir de cartão de visitas em São Paulo.

“Procurei compilar as músicas que fiz com Solovera e mais uma da primeira formação, O Ataque das Pessoas Marionetes, por que gosto muito dela e queria incluir algo dessa fase, que tinha Heitor Dantas, Tadeu Mascarenhas e Ricardo The Flash Alves”, detalha.

“Mas é basicamente uma compilação da minha parceria com Solovera, de 2009 para cá, mais alguma coisa inédita, como Ópera Sabonete”, diz.

Elogiado publicamente por Caetano Veloso em sua coluna no jornal O Globo (republicada por A TARDE aos domingos), Glauber diz que a Teclas Pretas continua: “Vamos continuar produzindo. Ele grava as partes dele aí em Salvador e eu aqui”, garante.

“Temos repertório para mais um disco inteiro, coisas bem legais que vamos fazendo no mesmo esquema, aos poucos, agora através da net”.

Glauber não diz exatamente o que motivou sua partida da cidade natal, mas justifica: “Foi uma decisão de vida, mesmo. Chega em um ponto que a gente tem que vir pra cá. Uma hora ia acontecer. Pra mim foi bem natural, até pela minha relação com a cidade, não digo nem com a cena rock. Mas é uma pena que a gente tenha que sair daí”, lamenta o músico.

No que botou o pé no chão em SP, Glauber já saiu correndo, fazendo contatos e firmando uma parceria com outro músico baiano, Murilo Goodgroves.

“Temos as mesmas referências e fizemos duas músicas falando de São Paulo e de ser forasteiro por aqui. Devemos lançar até o fim do ano”, promete.

Um outro projeto que deve rolar em breve é “um show de covers dos anos 1960, com violão, acordeom, violino, uma coisa meio beatnik, de café mesmo”, planeja. Enquanto isso, vale baixar o álbum 2005-2011 e se comunicar com o cara. “Meu QG é o Facebook. Podem procurar Glauber Guimarães”, convida.

www.teclaspretas.blogspot.com

por Franchico

rock loco

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Marcelo Nova, 60 Anos

Houve um breve período, no final da década de 80, em que os meios de comunicação pareciam estar testando os limites da liberdade de expressão recém conquistada com o fim da censura imposta pelo golpe militar de 1964. Por conta disto, havia uma verdadeira proliferação de músicas e imagens com teor explícito, algumas de evidente mau gosto, tanto no rádio quanto na televisão. Foi nesta época que “Silvia”, um libelo machista/sexista composto “nas coxas” pelo grupo baiano Camisa de Vênus num ensaio e incluído em seu disco “Viva! Ao Vivo”, registro de um show no Caiçara Music Hall de Santos, São Paulo, virou “hit”. Não esqueço da imagem de minha mãe limpando a casa enquanto a voz poderosa de Marcelo Nova bradava no rádio “pois eu vi você com a mão no pau do vizinho! Ô Silvia, piranha! Ô Sua puta!”. “E pode?” – era só isso que vinha à minha cabeça.

Fiquei sabendo que podia. Na verdade não podia, mas haviam pessoas “abusadas” que gostavam de ir de encontro às convenções e fazer as coisas sem se importar se seus atos se encaixavam nos padrãos aceitáveis pela sociedade. O pessoal do Camisa de Vênus fazia parte desta turma, e eu resolvi que queria ser um deles.

Virei um “roqueiro”, um rebelde – o que foi uma mudança e tanto, já que até pouco tempo antes era um moleque carola que tirava 10 nas aulas de catecismo e ficava pegando no pé de minha irmã porque ela chegava tarde demais em casa. “Viva!”, o disco Ao Vivo do Camisa de Vênus, se tornou a aquisição número um de uma coleção que, de lá pra cá, nunca parou de crescer. Me espelhava, especialmente, no vocalista, Marcelo Nova, sempre polêmico e sem papas na língua, mesmo que, por pura ignorância e ingenuidade, não conseguisse reconhecer suas contradições, como o fato de viver criticando o então emergente rock nacional por copiar descaradamente o que era feito “na gringa”, sendo que ele mesmo praticamente xerocou “that´s entertainment”, do The Jam, em “passatempo”, e o refrão de “gimme shelter”, dos Stones, em “Só o fim”. O pessoal da Bizz tentou me alertar, mas não teve jeito: na minha cabecinha de fã era tudo intriga daqueles críticos frustrados. Meu ídolo era foda, deveria estar certo.

Não estava. Como todo mundo que fala demais, Marcelo Nova fala (e faz) muita besteira. Mas não deixa de continuar sendo um cara importante não só para minha formação musical, como para a própria história do rock brasileiro. Como não respeitar, afinal, um cara que emprestou sua guitarra para Chuck Berry tocar na primeira vez em que ele esteve no Brasil, em 1993? Que mandou a toda-poderosa Som Livre, braço radiofônico da Rede Globo, literalmente tomar no cu, quando eles insistiram para que mudassem o nome da banda ? “Vamos mudar para “capa de pica”, foi sua resposta. Um cara cuja banda lançou o primeiro álbum duplo do rock nacional, praticando um evidente e proposital suicídio comercial, justamente quando estava no auge de sua carreira, fazendo sucesso em todo o Brasil com “Simca Chambord”, “Deus me dê grana” e a já citada “só o fim”, a mais tocada nas rádios daquele ano de 1986. Depois lançou-se em carreira solo e antecipou a moda dos discos acústicos com “blackout”. Antes, ajudou a dar um último suspiro de vida artística ao ídolo-mor Raul Seixas, então em total ostracismo, gravando com ele o disco “A Panela do Diabo”. Foi acusado, injustamente, de oportunista, mas oportunistas foram os que gravaram musicas e discos em tributo a Raul depois de sua morte quando não davam a mínima para ele enquanto era vivo.

Sim, eu ainda admiro Marcelo Nova, mesmo depois de episódios como a “pataquada” que foi sua única passagem por Aracaju em carreira solo. Foi num projeto chamado “Acorde”, ao lado da Karne Krua, no Mercado Central, há aproximadamente 6, 7 anos. Veio sem guitarrista. Improvisou com Fabio, conhecido na cena local e fã de longa data do Camisa de Vênus, um arremedo de show que só não foi um fracasso total porque o cara é, no final das contas, um frontman do caralho! Já tinha tido a oportunidade de conferir este fato “in loco” nos anos 90, quando ele passou por aqui com uma turnê que reunia o Camisa em formação “quase” original, com Karl, Robério e Gustavo tocando juntos com Marcelo pela primeira vez desde 1987.

Hoje, 16 de agosto de 2011, Marcelo Nova faz 60 anos. Para comemorar, está lançando “Hoje no Bolshoi”, DVD gravado Ao vivo em Goiânia que será também o primeiro lançamento em formato Blu-ray do rock nacional.

Meus parabéns.

Por Adelvan

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(Wikipédia) Marcelo Drummond Nova (Salvador, 16 de agosto de 1951) é um cantor e compositor brasileiro. Foi vocalista da banda baiana Camisa de Vênus, desde o início dos anos 1980 até o seu primeiro final em 1987. Em 1988 iniciou sua carreira solo tendo gravado, no ano seguinte, um LP ao lado de Raul Seixas, intitulado A Panela do Diabo. Em 1995, reuniu-se com o Camisa de Vênus e lançou mais dois álbuns, sendo um ao vivo e outro de estúdio. Em 1998 retomou a sua carreira solo.

Reúne-se esporadicamente com o Camisa de Vênus e seu último trabalho de estúdio é o álbum O Galope do Tempo de 2005. É conhecido, principalmente, pelas músicas Bete Morreu, Eu não Matei Joana D'Arc, Simca Chambord e Só o Fim, com o Camisa de Vênus, e Pastor João e a Igreja Invisível e Carpinteiro do Universo, com Raul Seixas.

Marcelo Nova nasceu e cresceu em Salvador. Na infância era muito tímido e concentrava todas as suas horas livres em ouvir música. Ficava tardes e tardes inteiras apenas ouvindo música e prestando atenção aos detalhes, aos instrumentos e ao modo pelo qual eles eram tocados nos vários discos.[1] Foi nessa época que teve o primeiro contato com o rock and roll, quando pediu que seu pai lhe comprasse um disco de Little Richard, chamado Here's Little Richard.[1] Aos 14 anos viu Raulzito e os Panteras tocarem ao vivo, o que o fez perceber que era possível fazer o estilo de música que ele gostava aqui no Brasil.

Na adolescência e início da fase adulta trabalhou com seu pai, que tinha uma clínica de fisioterapia, fazendo pedigrafia.[1] Trabalhou também vendendo seguros antes de montar uma loja de discos chamada Néctar, em meados dos anos 70.[1] Com a loja, Marcelo consegue um emprego em uma rádio de Salvador, a Aratu FM, passando a ser responsável por um programa, chamado Rock Special, e pela programação da rádio.

Com o programa, Marcelo Nova torna-se conhecido fora da Bahia por pessoas do Rio e de São Paulo ligadas a gravadoras que lhe chamavam para dar opinião sobre vários discos que eles recebiam das matrizes e não tinham a menor ideia do que se tratava e de como comercializar.

No início dos anos 80, Marcelo Nova vende o ponto da loja e, com o dinheiro, faz uma viagem para Nova Iorque onde toma contato com o movimento punk. Percebe que, com o conhecimento musical que ele tinha adquirido - aliado à filosofia punk do "faça você mesmo", poderia montar uma banda e fazer música mesmo sem grandes virtuosismos.

Ao voltar de viagem, chama um amigo que tinha conhecido na TV Aratu, Robério Santana, para formar uma banda que tocasse rock and roll e punk rock. A banda foi formada ainda em 1980 e, após o lançamento de um compacto, ficam famosos na Bahia, o que lhes abre as portas para que gravem um álbum A banda duraria sete anos e lançaria, nesse primeiro período, quatro álbuns de estúdio e um ao vivo, ficando conhecida no Brasil inteiro e chegando a vender mais de 300 mil cópias do disco "Correndo o Risco".

O Camisa de Vênus voltaria a se reunir em 1995, lançando mais dois álbuns, um ao vivo e outro de estúdio. Após novo fim, em 1997, se reuniriam esporadicamente nos próximos anos. Atualmente encontra-se em atividade com Eduardo Scott (ex-Gonorréia) substituindo Marcelo Nova nos vocais.

Após o último álbum da primeira formação do Camisa de Vênus, Marcelo Nova juntou músicos para formar uma banda de apoio para a sua carreira solo. A primeira formação da Envergadura Moral, como foi chamada, contava com Gustavo Mullem nas guitarras, João Chaves (o Johnny Boy) nos teclados, Carlos Alberto Calasans no baixo e o veterano Franklin Paolilo na bateria.

Após ensaios e apresentações, a banda entra em estúdio e grava o primeiro disco, Marcelo Nova e a Envergadura Moral, lançado em 1988. O álbum é composto de baladas, sendo mais intimista do que os trabalhos anteriores com o Camisa de Vênus.[4] Conta, ainda, com um cover de E Nós aqui Forrumbando, que foi renomeada para A Gente é sem Vergonha, tendo a participação de Genival Lacerda.

Em 1984, durante um show do Camisa de Vênus no Circo Voador, o grupo foi avisado que Raul Seixas viria para assisti-los e queria conhecê-los. O que acabou acontecendo foi uma festa com o Camisa de Vênus, mais Raul Seixas, tocando covers de clássicos do rock para quem compareceu ao show.

A partir daí, Marcelo Nova e Raul Seixas tornam-se grandes amigos. Em 1989 decidem gravar um disco juntos e saem em turnê, realizando 50 shows.[3] Mais tarde naquele ano seria lançado o segundo álbum da carreira solo de Marcelo Nova, A Panela do Diabo, que viria a ser o último disco gravado por Raul Seixas, lançado dois dias antes da sua morte.[6] Depois deste disco, Marcelo Nova foi tido por muitos como o sucessor de Raul Seixas,[7] título do qual ele nunca gostou e que sempre contestou.

No início dos anos 90, Marcelo Nova estava em turnê quando o presidente Fernando Collor confiscou as cadernetas de poupança de todo mundo. Os shows que ele tinha marcado foram cancelados.[3] Ele resolveu, então, pegar um violão e sair com mais um músico, sem nenhum instrumento elétrico, fazendo uma turnê acústica, o que trouxe a ideia de fazer um álbum inteiro com essa sonoridade.[3] Em 1991, saía o disco Blackout, primeiro disco integralmente acústico da história do rock nacional, que marca a entrada de André Christovam, substituindo Gustavo Mullem, nos violões da banda Envergadura Moral.

No álbum seguinte, em 1994, Marcelo pegou a sonoridade acústica e inverteu-a completamente, produzindo um disco com muita guitarra e muito peso.[3] O álbum recebeu o nome de A Sessão sem Fim e traz na guitarra o veterano Luis Sérgio Carlini, que ganhou fama como guitarrista da banda de Rita Lee dos anos 70, o Tutti Frutti.

Após a volta do Camisa de Vênus, em 1998, Marcelo Nova resolve gravar um disco só com releituras de músicas de sua carreira, experimentando novos arranjos. A ideia surgiu quando ele viu uma ultra-sonografia de um feto e ocorreu-lhe que ele pulsava num ritmo exato, não tinha futuro, nem passado, era um ponto de luz.[11] Assim, gravou o disco Eu Vi o Futuro, Baby. Ele É Passado com apenas um músico (o multi-instrumentista Johnny Boy) que, com a exceção do próprio Marcelo Nova em uma das faixas, tocou todos os instrumentos. Este é o último álbum de Marcelo a sair por uma grande gravadora, a extinta Abril Music.

No ano seguinte, Marcelo Nova lança dois álbuns ao vivo a partir de dois shows selecionados por um fã, Luís Augusto Conde.[12] São eles o Grampeado em Público - Volume I e Grampeado em Público - Volume II que saíram pelo selo independente Baratos Afins e foram distribuídos apenas nos shows que Marcelo Nova realizou pelo país, tendo vendido cerca de 6 mil cópias.

Em 2001 sai a caixa tripla Tijolo na Vidraça, na qual o artista faz um apanhado da sua carreira contando com músicas antigas remasterizadas, releituras e inéditas. Depois de um tempo excursionando pelo país, Marcelo solta, em 2003, uma coletânea com grandes sucessos de sua carreira, tanto solo como com o Camisa de Vênus, chamada Em Ponto de Bala.

No ano de 2005, após 13 anos compondo e criando o conceito, sai seu último álbum de inéditas, O Galope do Tempo. O álbum possui características existencialistas, indo do nascimento à morte.

CAMISA DE VÊNUS

Revista Bizz, Ed. 03 – outubro de 1985

"Cheguei, painho." Quem avisa é o guitarrista Karl Franz Hummel. Apesar do nome, ele é baiano - assim como os outros quatro integrantes do Camisade Vênus.
A banda foi parida há três anos no sítio Birita, km 7 de uma estrada qualquer do interior da Bahia. Robério era desenhista-publicitário; Marcelo, radialista; e Gustavo, bancário. Aldo tocava bateria numa igreja e "Karl vendia pulseiras, levantava ao meio-dia... um vagabundo", completa Marcelo.
Com uma formação musical vinda da pilha de discos que tinham em casa e dos superoito de shows gravados por Marcelo - quando ele "esbarrou" em Nova York - acharam por bem fazer um rock temperado com azeite-de-dendê. Alguma coisa com punch suficiente para tirar as pessoas "da letargia de verão". Marcelo ainda acrescenta: "De janeiro a março aquela terra parece Malibu".
Da Bahia, o último estouro musical que vem à cabeça é o Tropicalismo. Depois disso, só Novos Baianos e Raul Seixas - década de 70 -, num momento em que, conta Marcelo, "Elis Regina e Chico Buarque faziam passeata contra a guitarra elétrica". E agora o Camisa de Vênus.
Obstáculos no início de carreira? Obviamente. Primeiro pelo nome, depois por estarem afastados do eixo São Paulo-Rio. Fora o fato da mídia ter armado uma reputação punk para a banda.
E punks eles não são. Isso porque no último disco, além da formação-base de palco (duas guitarras, baixo, bateria e vocal), incluíram teclados, percussão, violino e saxofone. E Marcelo completa: "Temos 365 influências. Camisa de Vênus não tem paralelo lá fora. Não se parece com nenhuma banda".
Não mesmo. Lembra tudo. Basta ouvir o disco para perceber que passam pelo heavy - mas como tradição do solo de guitarra -, bebem do punk inglês da década de 70 e chegam até o reggae. Desatrelados de qualquer movimento, aceitam apenas um: "O da maré, que enche e vaza", diz Marcelo.
O punk fica por conta de uma iniciativa musical que dispensa virtuosismos, nas letras carrregadas de urbanismo e pornografia, e num vocal narrativo, pontuado a gargarejos.
Apesar dos anos de estrada, foram ignorados todo esse tempo pela imprensa. Hoje eles lotam qualquer espaço. Quem garante o sucesso é o público, que este ano jogou para primeiro escalão do Ibope a música "Eu não matei Joana D´Arc".
A glória não assusta. Novamente Marcelo: "Não seguimos nenhuma estratégica. Se uma dona-de-casa gosta do nosso som é porque se identifica com ele".

Nem panos quentes, nem papas na língua

BIZZ - Que tal começar por um balanço de carreira? Vocês surgiram numa época(82) em que o cenário estava tomando pela Blitz. Como foi chegar nesse cenário com uma proposta como a do Camisa de Vênus?
Gustavo -Não mudou muita coisa não, viu. Tem muita Blitz e Rádio Taxi por aí.
Karl - Não estamos muito preocupados com o Cenário, e Sim com o Camisa e com o que a gente faz.
Marcelo - Não foi difícil, foi fácil. Se é que foi realmente difícil. se a gente observa por esse ângulo de cenário, o que acontecia na Bahia em 82 era uma reciclagem do tropicalismo, e Moraes Moreira. Pepeu Gomes. Baby Consuelo. Caetano, Gil, Bethânia, Gal. E. tanto sonoramente como no texto, o Camisa é diferente de todos estes exemplos. O fato de a gente ter vindo para São Paulo e Rio de Janeiro foi mais uma conseqüencia do que a gente já tinha feito em Salvador. Quando a Blitz gravou ´batata frita, eu sei que vou me amar, essas coisas o Camisa já era sucesso cm Salvador com ´´Meu Primo Zé´´. que tocava em tudo quanto era rádio FM. Só que a veiculação era limitada a uma cidade. Não tinha o poder de penetração que há em São Paulo e Rio de Janeiro.

BIZZ - Façam um balanço do que vocês pretendiam e o que vocês conquistaram.
Marcelo - Gravamos um compacto em Salvador num estúdio pequenininho de oito canais. Aí a música começou a tocar e começamos a nos apresentar para casas cheias, tocamos para vinte mil pessoas no Farol da Barra. E aí pintou o lance de gravar um LP. que a princípio seria pela Fermata. Viemos para São Paulo para isso e. quando estávamos no estúdio, uma pessoa entrou. ouviu e propôs para o Toninho (o contato da gravadora) que o disco poderia sair pela Som Livre. Como realmente acabou acontecendo. Só que depois de três meses que o disco saiu houve um problema interno lá deles.. Queriam que o nome da banda fosse mudado por razões que sei lá... Era imoral, indecente, ia dificultar a penetração na mídia etc. ... E se fossemos bons cordeiros, bons cabritos, em compensação eles dariam para a gente o sistema de mídia da Globo inteira. Não aceitamos essas pressões e pedimos as contas. Na época foi duro pra caramba. Custou vários almoços de hamhúrgueres. vários jantares de cheese-salada.
Karl - Morada na Boca do Lixo.
Marcelo - Só que hoje. quatro anos depois. a gente olha para trás e vê que foi a decisão mais acertada que poderíamos ter tomado. Porque durante este tempo aprendemos que nossa decisão é mais importante até que a vontade de qualquer pessoa. Ficamos um ano e meio sem conseguir gravar, e o segundo LP veio pela RGE que. por mais paradoxal que pareça é do mesmo dono da Som Livre. E. quando ´´Joana D´Arc" virou hit de rádio e invadiu a tal da mídia e a banda vendeu lO0 mil LPs. fomos convidados para fazer Chacrinha... E com o mesmo nome. Porque aí a falsa moral caiu por terra. O que era indecente passou a ser sarcástico. Sabe, aquela mentalidade: ´´Esse nome é bom, é sarcástico, vende 100 mil cópias e a gente vai ganhar dinheiro".
Karl - E a coisa mais engraçada é que quando a RGE resolveu relançar o primeiro LP. que tinha sido encostado pela Som Livre, o disco veio com um selinho dizendo: "Incluindo ´Bete Morreu´". E essa música escandalizava todo mundo da gravadora por causa da letra violentaram Bete, espancaram Bete, ela nem se mexeu, Bete morreu".

BIZZ - Quais foram os indicadores que fizeram vocês sentir que a coisa ia acontecer, que vocês iam ser uma banda de sucesso?
Marcelo - Acho que foi quando "Joana D´Arc" se tomou um hit. Este foi o ponto, porque veiculou o Camisa nacionalmente.

BIZZ - E depois de "Joana D´Arc"?
Karl - Depois disso a gente resolveu adotar São Paulo.
Marcelo - Inclusive porque a gente sentiu que a linguagem do Camisa tinha muito mais a ver com uma cidade urbana. O drive de São Paulo contribuiu e o público também.

BIZZ - E por que São Paulo?
Karl - A gente saía de madrugada na av. São João, via aqueles anúncios de neon, aquela fumaça. Já estava todo mundo de saco cheio de menina com cabelo de Elba Ramalho, biquíni fio-dental de Ipanema, entende"? Uma coisa vulgar pra caramba. Chega a se tomar desagradável de tão vulgar que é. E hoje, um ano depois que estamos morando aqui, ninguém está pensando em sair para canto algum.
Marcelo - Somos baialistas agora.

BIZZ - Como?
Marcelo - Baianos que moram em São Paulo.

BIZZ - Falem um pouco do novo disco.
Marcelo - Viva ainda é o novo disco. Viva foi uma decisão da gente de gravar um disco para os fãs, talvez até como uma maneira de reconhecimento por eles terem colocado a gente onde estamos hoje. E ele é a cara do Camisa no palco, que é o nosso habitat natural, é onde o Camisa é. Adoramos estúdios, procuramos esmerilhar aqui dentro. Mas o Camisa é, indiscutivelmente, uma banda de palco, até pela participação do público, que é tão importante quanto a nossa. E isso está registrado nesse LP.

BIZZ - Mas tinha o fato de vocês estarem devendo, por contrato, um LP para a RGE.
Karl - Mas poderia ter sido um disco de estúdio!
Marcelo - E tinha chegado o momento de fazer um disco ao vivo Aliás, parece que depois que a gente fez um disco ao vivo estão saindo outros discos ao vivo também (risos).

BIZZ - Como por exemplo?
Marcelo - Eu tenho ouvido... Saiu RPM, Caetano...

BIZZ - E do novo, novo disco, este que vocês estão gravando aqui.
Marcelo - Estamos começando ainda. Inaugurando este estúdio.

BIZZ - Então falem das diferenças entre este e os outros LPs.
Karl - Está ligado à própria evolução dentro do nosso trabalho. Somos cinco, seis com o Petê (empresário). Trabalhamos há quase cinco anos juntos. E a integração da banda, a sonoridade das guitarras, as idéias... está tudo melhor. Não moramos mais na Boca do Lixo, não dividimos apartamento. Acho que as mudanças têm a ver muito com nossa mudança de vida.
Marcelo - Se você observar o primeiro LP, ele é um pau só do começo ao fim.
Karl - O segundo já vem com um melhor tratamento de estúdio.
Marcelo - Além da diversificação rítmica. Tem reggae, rap, balada... O terceiro já é ao vivo. E esse novo disco é como eu falei: estamos começando agora e só temos as bases prontas.

BIZZ - Na época em que formaram a banda, vocês fizeram uma versão de "Negue", além de outras músicas que têm elementos da MPB. Como a MPB entrou no trabalho de vocês?
Karl - O objetivo de ´Negue" era dilacerar... O Marcelo queria conseguir ser mais dramático que Maria Bethânia cantando. E acho que ele conseguiu.
Marcelo - Se o Camisa tem um texto, vamos dizer, sério, como é o caso de "Metástase", ele também tem um lado super sacana. que é o lado de "Silvia", "Negue"... do deboche... Não somos cinco intelectuais tentando fazer som dos Smiths, Cure, U2, enfim, que tenha similar lá fora. O Camisa pode ser uma banda ótima ou uma porcaria de banda, mas ela tem características próprias. Não parece com absolutamente ninguém. Tem identidade. E, também, o Camisa sempre foi misturado. Aldo, por exemplo, gosta do U2. Gustavo de heavy metal, do Rush. -. Karl gosta de Pete Townshend, Lou Reed. . - Quer dizer, essa coisa de mesclar sonoridade sempre acompanhou a gente. E o fato de a MPB ter vindo misturado também está incluído nisso. E da admiração que todos nós temos por Raul Seixas. Tanto que nesse LP vamos fazer uma regravação de uma música dele.

BIZZ - Qual?
Karl - Não sabemos ainda. Tem duas ou três. Não decidimos.
Marcelo - Inclusive quando a gente leu na BIZZ, onde Raul dizia que ele não gostava de ninguém. só do Camisa de Vênus, porque era a única banda que não se permitia fazer esse joguinho das Globos da vida, ficamos super orgulhosos. O velho ídolo dizendo que nós somos os melhores.

BIZZ - Vocês disseram uma vez que o único rock brasileiro que prestava era o que vinha de Brasília e da Bahia.
Marcelo - Na verdade o lance era chamar atenção para o fato de que não só no Rio e São Paulo as coisas aconteciam. Essa linguagem que parece estar concentrada especificamente no Rio - linguagem para criança de 10 anos de idade. E uma brincadeira. Grupo de faixa etária entre 20 e 30 anos, às vezes até mais de 30. cantando musiquinha com letra de Menudo para garotinho de 10, 12 anos curtir. Mas. por outro lado, como o Camisa está sozinho, não estamos integrados a nenhum movimento de rock. nosso lance sempre foi à parte, cada um faça o que quiser. Já rasgamos nosso contracheque faz tempo! Raríssimas bandas eu paro para ouvir e dizer: gostei. Gosto de Replicantes. Acho que eles têm uma coisa de desenho animado do rock que eles passam e acho isso super legal. E do Capital Inicial. Os textos do Renato Russo eu gosto muito. Acho que o Legião não encontrou ainda a sonoridade deles. Mas acho que têm competência para encontrar. No primeiro disco a coisa ficou meio U2 agora está meio Smiths...
Gustavo - Gosto também do Clemente, dos Inocentes.
Marcelo - E do Lobão. Se o Raul é um gênio, Lobão é febril - 42" de febre o tempo todo. Nesse ponto acho até que a gente se identifica um pouco - no lance de não ser sócio de clube nenhum. Outro dia uma revista veio me convidar para fazer uma entrevista. Chamava HV. Éramos eu, Arnaldo, Renato Russo. Paulo Ricardo. Herbert Vianna... Liguei para lá. agradeci a lembrança do meu nome e disse: Primeiro. querida, eu não tenho saco para discutir constituinte do rock com ninguém!". Sim, porque juntar esse pessoal. você acha que é para o quê? "E. segundo", disse ainda. "eu já passei dos 30. Não faço parte da jovem-guarda!"

BIZZ - Em que ponto vocês acham que o público se identifica com vocês para que fizesse o Camisa estourar?
Marcelo - Acho que a honestidade que a gente passa na expressão, na postura. Acho que isso foi importante no Camisa e as pessoas ouviram, assimilaram e acreditaram. E pensaram: "Não importa que eles não apareçam toda semana no Chacrinha. Não importa que eles não apareçam no Fantástico toda hora. A gente acredita". É por aí.

BIZZ - Mas há bandas que têm essa característica de honestidade e não conseguiram tanto sucesso como vocês?
Marcelo - É talento!

BIZZ - Mas vocês atingem uma faixa que ainda está contaminada por deficiência educacional típica de um país subdesenvolvido, expressa, principalmente, em letras como "Silvia " e Bete Morreu - estupro, homem que pega no pau para bater na mulher e coisas do tipo?
Marcelo - Durante o show, que dura em média duas horas, rola praticamente o repertório inteiro do Camisa, sem distinção do sério, sacana.,. Mas existe um outro aspecto: as músicas do Camisa que atingiram maior execução de rádio não são as que têm unia conotação política, social etc... Agora, isso cabe aos programadores de rádio. Existe essa tendência da mídia em tocar o que parece ser mais engraçado ou o que tenha uma assimilação maior. Ninguém quer tocar no rádio, por exemplo. "Batalhões de Estranhos", que diz: "Observe e informe aos homens de uniforme. Eles chegam por via aérea, sentinelas de nossa miséria". Porque essa música fizemos na época da ditadura militar. Era muito mais interessante para a rádio, para não correr o risco de ficar visada por sei lá quem eles imaginam que possa estar observando... Então tocavam Joana D´Arc´´. Essa distinção é feita pela mídia. Para a gente tem os dois lados da coisa. E nunca nos preocupamos em dar ênfase àquele lado ou não.

BIZZ - O que vem a mente quando vocês ouvem a palavra política?
Gustavo -Cachorrada! Troca de interesses! Qual o político sério neste país? Não conheço nenhum. Vai nascer ainda.
Marcelo - O problema é que a face política do país é a mesma há décadas! Hoje o nosso presidente José Sarney se diz porta-voz de uma Nova República. Se nós não tivermos a memória muito curta, a gente vai ver que há dois anos este mesmo personagem era presidente do partido do governo, dos militares! E está muito engraçado. Um outdoor de Paulo Maluf metendo paranóia na cabeça da população: que precisa de segurança, que assassino tem de ir para campo de concentração. Quer dizer: isso é o quê´? É a paranóia de um povo subdesenvolvido culturalmente também. Então parece que a solução é a repressão, é a paranóia. é a porrada. Vai ter Rota rodando 24 horas por dia, todo mundo de metralhadora na mão. E essa é a base de uma campanha eleitoral para governador do maior Estado do país. E isso é tenebroso! Todo mundo sabe. O que aconteceu com o Abi-Ackel, pelo amor de Deus´? Contrabandista, provado. Ele está em cana? Está na detenção´?
Gustavo - E o próprio Figueiredo! Ele foi exilado´?
Marcelo - A saída de Figueiredo do poder foi dando uma banana para o povo. Esse é o nível político que se vê no país. E eu acho até que Maluf vai ganhar! Então, de repente. a gente tem de parar e dizer: "Cada povo tem o presidente. governo que merece". Mas, também. acho que a gente (povo) é muito ingênuo. Ingênuo demais.

Cabra cega

"Bad Life", PiL
Robério - É Madonna.
Marcelo - Banda do Exército... (depois que entra o vocal) Esse é bom pra caramba. Mr, John Lydon. E PiL é uma das melhores coisas que rolam por aí. Trocou a coroa de rei dos punks para se tornar um artista sem compromisso com ninguém a não ser com si próprio. É um karma da porra ser rei dos punks. É o melhor! Faço coleção de camisetas do PiL.

"Malandragem Dá um Tempo", Bezerra da Silva
Aldo - Bezerra da Silva.
Marcelo - Matou ,porque era batuqueiro de afoxé. E aquela história da coerência - ele é coerente com o que faz. Se existissem dois Bezerra da Silva não existiria Lulu Santos. Mora no morro e faz o que é de lá.
Gustavo - Seja o que for, nem pagando eu ouço. Não suporto.
Marcelo - Não vou comprar para levar para casa e ouvir. Saco é ter 30 anos e dizer que "lá em casa continua o mesmo problema", como fazem muitas bandas por ai... "Vou apertar mas não vou acender" é genial. Se só tivesse rock ia ser tão chato! A gente ia fazer samba, pagode.

"Windswept", Bryan Ferry
Marcelo - Isso é profundo (irônico).
Gustavo - Aí eu gosto. Não sei nem quem está cantando, mas gosto da música.
Karl - Não gosto disso.
Aldo - Lembra Bryan Ferry.
Marcelo – É Bryan Ferry mesmo. Não é um cara que me bata. Manolo Otero demais. Nota 1 .5 para ele.
Karl - Topete era com Elvis Presley.
Marcelo - Ele deveria trabalhar na Fiorucci em vez de ficar empatando o tempo com a gente.
Robério - Parece musiquinha erótica do La Licorne.
Marcelo - Pelo menos ele tem uma certa história do Roxy Music.

"Flores Astrais", RPM
Marcelo - É ao vivo, mas não é o Camisa.
Karl - Para mim é de estúdio, com palmas.
Robério - "Isso é uma gravação.
Marcelo - O RPM é uma boa banda tecno-pop. E a única no gênero no Brasil que tem um texto decente. Essa música era dos Secos e Molhados, se não me engano.
Karl - Era do João Ricardo.
Marcelo - Eles fazem bem o que se propõem a fazer. Esse disco não parece ao vivo.
Karl - Disco ao vivo gravado em Los Angeles!

"The Antichrist", Slayer
Gustavo - Gosto de rock progressivo
Marcelo - Pode ser Black Sabbath, Metallica, Quiet Riot... É heavy. Não tem muito o que falar disso - é heavy.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Murillo, da Nucleador: Depoimento de um "thrasher".

Ganhei meu primeiro violão de meu pai aos 13 anos, um kashima daqueles que eram vendidos no Gbarbosa (super mercado). Nunca fiz aula de guitarra nem teoria musical. Comecei a tentar aprender os primeiros acordes graças a uma revistinha de cifras do Raimundos, daquelas que se compra em banca de revista. Sonhava em poder tocar músicas do Titãs. Ouvia aqueles acordes lindos do Acústico MTV deles e achava o máximo. Almejava aquilo. Chegava do colégio e já ia treinar violão, umas 5 horas ou mais ao dia, dormia com o violão do lado.

Enfim, aprendi a tocar. Comprei uma camisa do Nirvana e uma guitarra fuleira e montei uma banda aos catorze anos. Na época tava fissurado pelo hardcore melódico. Bandas como NOFX, Pennywise, Dead Fish mostradas pelo meu amigo Luigi e por Paulo Baiano me fizeram querer ter uma banda nessa linha. Montei a NO EAT FISH com os amiguinhos do colégio. Ousava a compor, ousava a escrever letras. Toquei no Espaço Emes aos 15 anos, aquilo pra mim foi muito radical, mas mais radical ainda foi tocar no antigo Espaço Moquifo junto com o Dead Fish, quando eles tocaram aqui em Aracaju pela segunda vez. Toquei com as duas bandas que tinha na época, NO EAT FISH e PARANÓICOS (que posteriormente viraria a PRO-X). Foi um dos grandes momentos de minha adolescência. Você sabe quando o momento é marcante quando você sente uns arrepios na nuca e os pelinhos dos seus braços se eriçam.

Gravei meu primeiro material quando tocava com a PARANÓICOS. Gravamos na casa de um cara chamado Rafael Findans, que tocava baixo na banda de hardcore melódico, Shifty. Gravação caseira, home studio, e ficou até legal. Não me lembro de nenhuma outra banda de hardcore melódico que lançou um material aqui em Aracaju, fora a Fluster. Fizemos muitos shows, me diverti a beça! Mais tarde a banda mudou o nome para PRO-X, sugestão minha, e chamanos Paulo Baiano pra cantar na banda. Aquele mesmo Paulo de antes, o cara mais velho de minha infância que me mostrava sons, foda! Nessa fase eu compus muito, escrevi muito. Devia parecer um maluco na escola, pois sempre estava escrevendo algo, a todo o momento. Escrever se tornou vício.

Saindo da adolescência ousei tocar death metal e grind core. Som de macho. Reconheço que não fazia idéia do que estava fazendo. Compus músicas com os olhos fechados. Cuspi palavras pesadas no papel e pra minha surpresa, ficou do caralho. Nasceu a INRIsório. Montei essa banda com aquele cara que outrora tinha gravado meu primeiro cd, Rafael Findans. A gente evoluiu musicalmente pra caralho, pois o som que faziamos sempre estava a um passo a frente de nós, nos impulsionando a ficarmos mais e mais técnicos até que finalmente tudo fez sentido, o som fez todo o sentido. Gravamos com Alex, meu ex companheiro de guitarra, um EP e um Split com uma banda carioca, e esse Split foi prensado e lançado internacionalmente. Deve ter até no Japão, sério. Pra um músico, mesmo amador, isso é uma puta conquista.

Já macaco velho do hardcore e do metal, ousei a montar minha primeira banda na qual sabia perfeitamente o que estava fazendo, a NUCLEADOR. Thrash Metal da pesada. Hardcore Crossover. Coisa de roqueiro doido! Com essa eu compus com facilidade e velocidade a mil, pra sair fumaça das cordas mesmo. Nas letras deixei de ser ingênuo e lírico. Fui pro lado da ficção alá Stephen King. Falei sobre filmes de terror, sobre aliens, sobre cerveja, sobre junkie friendship, sobre boceta! Em menos de oito meses de banda formada, gravamos outra vez um EP com Alex. Ficou fudido, fudido pra caralho! Sou muito autocrítico nas coisas que faço, mas esse material eu paguei muito pau, fiquei orgulhoso de mim mesmo e de meus companheiros de banda. Até hoje escuto e xingo um “puta que pariu”. Depois de lançado o EP, fomos chamados pra fazer uma turnê no sudeste, um dos meus sonhos mais juvenis. Fomos! Foi do caralho e Rafael Findans estava lá com a gente fazendo papel de roadie.

Eis que agora, agosto de 2011, acabo de chegar da casa de Rafael Findans. Aquele mesmo cara que eu gravei meu primeiro material com a Paranóicos e que depois de quase, sei lá, oito anos, tava lá novamente sentado no mesmo quarto gravando as guitarras do segundo material da Nucleador. Gravei, fiquei exausto e ficou do caralho. Jaja vamos lançar o EP que deverá se chamar Toxic United. Vai ter em sua maior essência aquela pitada salgada de amizade e boas risadas que uma cidade pequena como Aracaju me oferece.

por Murillo Viana

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