quarta-feira, 3 de agosto de 2011

+ 1 com Derek Riggs

“O ARTISTA E O DEMÔNIO” - Seu rosto diabólico e seu olhar de maníaco estão em todas as capas do Iron Maiden desde que eles lançaram seu primeiro LP, em 1980. Edward T. Head, mais conhecido como Eddie, é uma ex-máscara de teatro que há mais de 30 anos ganhou um corpo e se transformou no membro mais conhecido da banda.

Nos anos 70, ele era uma caveira que ficava acima do baterista. “Tinha olhos vermelhos que piscavam e cuspia sangue falso em cima dele,” relembra o baterista Nicko McBrain. Quando o Iron Maiden lançou seu primeiro álbum em 1980, não havia dúvida de quem estaria na capa – Eddie, desenhado pelo artista britânico Derek Riggs. Aqui, ele fala ao Revealed sobre o demônio que fez dele famoso.

Quando você começou a desenhar o Eddie, nos anos 70, você imaginou que ele iria se tornar um personagem tão famoso e amado pelos fãs do Maiden?

Derek Riggs: Assim que terminei a primeira figura do Eddie, eu encostei na cadeira e pensei “esse desenho vai me fazer rico e famoso”... e então eu pensei “não seja idiota”, e fui pegar um café.

Mostrei-o ao meu empresário, que me devolveu com uma careta, dizendo “não achamos que esse desenho seja muito comercial.”

Comecei a mostrar meu portfólio aos diretores de arte de gravadoras, que normalmente se escondiam de medo, quando o viam. Uma vez, um diretor de arte me expulsou de seu escritório porque ele não achava que era uma capa apropriada para um álbum de rock. Ele apontou para um desenho na parede, que para ele, era uma capa de rock ideal: era uma pintura de uma garçonete usando mini-saia, se curvando de modo que você conseguia ver sua calcinha.

Um outro sugeriu que eu fosse cortar meu cabelo e desenhasse coisas mais normais, porque eu “parecia um esquisitão, ou deficiente mental”, e que eu deveria parar de desenhar aquelas coisas e ir fazer terapia.

O desenho não despertou interesse de ninguém por um ano e meio, antes do Maiden pedir para ver meu portfólio. Eu juntei as coisas e pensei se deveria levar aquele desenho também, porque ele só tinha me prejudicado até ali. Eu meio que pensei “bom, e daí?” e o coloquei junto com o resto das coisas. Então agora eu sou um pouco famoso, mas ainda não sou rico...

Essa história e muitas outras são contadas com mais detalhes no meu livro “Run for Cover, the Art of Derek Riggs”, que está disponível exclusivamente através do meu site: www.derekriggs.com. O livro também traz um monte de desenhos legais e horríveis.

Você sente alguma conexão pessoal com Eddie, como se ele fosse sua criação, quase seu filho? Ás vezes você se sente como um pai orgulhoso?

Derek Riggs: Eu não sou pai do Eddie, ele é apenas um desenho que eu fiz um dia e que acabou dando certo. Nunca tive intenção de ficar desenhando aquela coisa por vinte anos. Eu nem mesmo queria fazer desenhos de horror, sempre fui mais interessado em ficção científica, mas não podia pintar aquelas naves espaciais idiotas. Eu costumava desenhar naves bem bizarras (elas são feitas por aliens, certo?), e então os diretores de arte mostravam algo feito por outra pessoa e diziam “naves espaciais não são desse jeito... elas são assim”. Então eu percebi que ilustração de ficção científica não era tão criativa ou original, como parecia. Aí eu caí fora e fui tentar fazer capas de discos.

De onde veio a inspiração para as mais variadas formas do Eddie?

Derek Riggs: As várias formas do Eddie eram normalmente originadas da direção em que a banda gostaria de ir naquele momento. Um ano o tema foi egípcio, depois ficção científica, e assim por diante. Normalmente os detalhes do que vinha depois eram meus. Eles só me davam a direção e me deixavam livre para criar. Na maioria das vezes, o resto do conteúdo era idéia minha, apesar de que às vezes eles tinham idéias mais detalhadas do conteúdo do desenho, como a capa do Piece Of Mind, que foi idéia do Steve. Muitas das outras coisas, detalhes e tal, eu costumava criar enquanto desenhava. Ás vezes eu simplesmente enjoava e mudava ele, só pra ter o que fazer.

Qual é o seu Eddie favorito, e por que?

Derek Riggs: Gosto do Eddie Clairvoyant, porque é complemente maníaco. Eu não o planejei daquele jeito. A música era sobre clarividência (ver o futuro), e eu comecei com uma idéia de algo como o deus romano Jano, que eu acho que tinha duas faces, e então eu dei a Eddie três faces (passado, presente e futuro), mas eu não conseguia ajustar o rosto quando a boca estava aberta, então no desespero, eu apaguei as partes entre suas mandíbulas (as bochechas) e ficou tão maluco que eu deixei daquele jeito.

Há citações de você dizendo que a idéia para o Eddie foi baseada em uma imagem de uma cabeça decapitada que você viu em um documentário na televisão sobre a Batalha de Guadalcanal, na Segunda Guerra. Isso é correto?

Derek Riggs: Não, isso é uma asneira total. Não há citações minhas dizendo isso porque eu nunca disse nada parecido com isso. É uma citação completamente errada. E também, do ponto de vista dos fatos, é completamente errado.

Eu queria fazer um desenho de uma figura em decomposição, semi-esquelética, nas ruas de Londres, mas eu precisava de algum material como fonte, porque eu realmente não sabia como uma cabeça humana se decompõe.

Então me lembrei de uma montagem de fotos que eu tinha feito nos anos 70, quando estava na escola. Parte dessa montagem era uma fotografia de uma cabeça em decomposição que tinha ficado presa em um tanque. Essa foto estava na revista Time e a legenda dizia que era a cabeça de um soldado americano que ficou presa em um tanque vietnamita. Muitos anos depois, encontrei a mesma foto em uma coleção da Time Photos. A legenda dizia que era a cabeça de um soldado inglês em um tanque Nazista. Então agora eu acho que a foto não era nada mais do que um pouco de propaganda política de guerra. De qualquer forma, eu usei essa foto como referência para desenhar a cabeça do monstro.

Eddie não foi inspirado pela foto; usei a foto como referência para o desenho. O desenho foi inspirado pelo movimento punk rock inglês no final dos anos 70. Eles tinham meio que essa filosofia da rua, sobre como a juventude da época estava sendo desperdiçada e jogada no lixo. Foi uma tentativa de representar essa idéia visualmente. Mas eu não conseguia vendê-la aos punks, eles ficavam com muito medo.

Você acha que ele envelheceu bem? O Eddie de hoje é tão poderoso e atrativo como os antigos?

Derek Riggs: Apenas os que eu desenhei. Os Eddies de outras pessoas são meio toscos. Todos falam como se pudessem desenhá-lo, mas quando chega a hora, falham. E isso é porque eles falam demais, mas eu sou o único que vai lá e faz.

Minhas ilustrações venderam mais produtos do que Walt Disney. Eddie vendeu mais do que Mickey Mouse. Eu já vendi mais pôsteres do que o presidente dos EUA em ano de eleição. Muitas das idéias “originais” de fantasia que você vê nos filmes e na televisão foram roubadas diretamente do meu site e de trabalhos publicados meus. Tenho a idéia e alguém simplesmente vai lá e rouba. Fico um pouco cansado de ver minhas idéias sendo usadas por outras pessoas que não têm criatividade própria, mas apenas um grande orçamento para um filme. Ei, dê a MIM o grande orçamento para um filme e veja o que acontece. E parem de roubar do meu site. Ladrões.

Sendo um demônio, como é Eddie? Você deu uma personalidade a ele?

Derek Riggs: Olha, Eddie é um desenho. Ele não tem uma personalidade, ele não come, não dorme, não rosna e não morde. Ele não acredita em nada, não é a favor de nada e não é contra nada. Ele é um desenho.... certo?

Quais são algumas das maiores idéias erradas que as pessoas têm sobre o Eddie?

Derek Riggs: Que ele é uma pessoa real, com personalidade. Que de alguma forma, eu seja daquele jeito, que ele seja meu alter ego. Bom, ele não é. Ele é só um desenho que eu fiz um dia e meio que ficou “grudado” em mim. Ele meio que me segue, como o monstro de Frankenstein. E você acha que tem problemas com perseguidores.

Você parou de trabalhar para o Iron Maiden há algum tempo. Foi difícil se separar da sua criação?

Derek Riggs: Não, na época em que parei de trabalhar pra eles, eu já estava mesmo com o saco cheio de desenhar o Eddie. Eu realmente queria fazer outra coisa. Eu poderia ter feito um grande estardalhaço por causa dos direitos sobre o personagem, mas eu não queria mais desenhá-lo e não o utilizaria pra mais nada mesmo. Além disso, ele era parte da essência nos negócios do Maiden, e não é da minha natureza prejudicar as pessoas desse jeito. Então eu simplesmente saí andando. Eu faço muita caminhada. Eu fiz alguns desenhos para eles recentemente, e parece que eles foram bem recebidos pelos fãs, então vamos ver como as coisas acontecem. Mais caminhada, eu suponho.

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por Hilary Whiteman

Matéria original: CNN Revealed:

Tradução: Cris McBrain

Fonte: IMB

Judas Priest, uma entrevista

Renovado - Com a entrada de novo integrante, Judas Priest desiste de aposentadoria, segue em turnê que passa pelo Brasil em setembro e se prepara para gravar novo álbum.

por Marcos Bragatto, para o Rock Em Geral

Parecia que, depois de 40 anos bem curtidos no heavy metal, o Judas Priest iria pendurar as guitarras. O grupo chegou até de batizar a turnê anterior de “Turnê de Despedida”, mas voltou atrás e segue em frente. Agora, o Judas volta ao Brasil, em setembro, para shows junto com o Whitesnake (detalhes aqui), repetindo a dobradinha dede 2005, que passam por quatro capitais, dentro da “Epitaph Tour”, na qual o grupo inclui músicas nem sempre presentes no repertório de palco. Entre uma turnê e outra, uma baixa: o guitarrista KK Downing, integrante fundador, decidiu se aposentar. Para o lugar dele, rapidamente Richie Faulkner, quase 30 anos mais novo, foi chamado.

Faulkner já havia tocado em bandas britânicas de menor projeção como o Dirty Deeds e no grupo de Lauren Harris, a filha do baixista e líder do Iron Maiden, Steve Harris. E parece que a entrada dele resultou naquele típico caso de banda veterana que ganha um gás novo a partir da entrada de um integrante. Elogiado por todos na banda, sobretudo o parceiro das seis cordas Glenn Tipton, Faulkner assume o protagonismo dos solos em várias músicas da atual turnê. A coisa deu tão certo que, além de o Judas não acabar, já vai entrar em estúdio para gravar um álbum de inéditas com essa formação – Além de Faulkner e Tipton, estão na banda o “Metal God” Rob Halford (vocais), Scott Travis (bateria) e Ian Hill (baixo).

Foi este último que conversou conosco sobre tudo isso, via celular, diretamente do “meio do nada”, na Espanha, num domingão em que o grupo saía de Madri e ia para Bilbao. Hill, outro integrante da formação original, explicou essa história da despedida que não aconteceu, do cansaço das longas turnês, de como devem ser os shows no Brasil, da gravação do novo álbum e da inusitada participação do Judas num programa de TV popularesco nos Estados Unidos. Aproveite!

Rock em Geral: Vocês estão no meio da turnê européia agora, como está indo?

Ian Hill: Está tudo indo bem, a turnê está muito boa. Ontem mesmo fizemos um grande show, em Madri, para um público muito bom, um lugar bem grande e ficou lotado.

REG: Vocês não costumam mudar o repertório dos shows durante a turnê (veja aqui), mas há a chance de termos novidades nos shows do Brasil?

Ian: De repente, sim, podemos mudar. Mas o certo é que nessa turnê estamos tocando músicas de todos os discos. Montamos o repertório de modo a atender o interesse dos fãs por cada fase de nossa carreira, por isso mudamos pouco, porque em geral essas músicas já satisfazem aos fãs. O show tem em torno de duas horas.

REG: Em 2005 vocês estiveram no Brasil, numa turnê foi junto com o Whitesnake, que é o que vai acontecer de novo este ano…

Ian: É verdade, nós nos damos muito bem, seja qual for a formação deles. Nos conhecemos já há bastante tempo, já fizemos muitas turnês juntos. São bandas diferentes, e há pessoas que vão ao show para ver o Judas Priest e outras que só querem ver o Whitesnake. Mas, basicamente, é o mesmo público. Podemos até dizer que no público do Whitesnake tem gente que - sei lá - goste de música mais comercial, mas eles tiveram várias fases na carreira, assim como nós, e em muitas delas as duas bandas são bem parecidas.

REG: Como estão as coisas com o novo guitarrista, Richie Faulkner?

Ian: O Richie está muito, muito bem entrosado. Ele se encaixou bem na banda, é como se estivesse conosco há anos, foi a melhor escolha que podíamos fazer, ele parece ter o “sotaque” da banda. Ele está trabalhando muito bem e deu tudo certo.

REG: Quando o KK Downing decidiu parar, vocês anunciaram o substituto muito rapidamente. Vocês já conheciam/tinham contato com Richie?

Ian: Nós não tínhamos o Richie à disposição. Ficamos na nossa por alguns meses, até porque talvez o Kenn pudesse mudar de idéia. Quando perguntamos a Richie se ele poderia entrar para a banda, ele logo disse que sim, e graças a Deus conseguimos resolver rápido. O Kenn queria parar, mas precisávamos seguir em frente. E o Richie já conhecia boa parte das músicas, e por causa do empenho dele em se adaptar, foi tudo realmente muito rápido. Quando vimos, não precisávamos procurar mais, já tínhamos um substituto.

REG: Por que você acha que o KK Downing decidiu deixar a banda agora?

Ian: Acho que simplesmente, no final do dia, ele não estava satisfeito com o que estava fazendo e decidiu parar. Foi simples assim, na verdade.

REG: Vocês chamaram a turnê anterior de turnê de despedida (“Farewell Tour”), isso teria a ver com a decisão de KK Downing? Em algum momento vocês todos pensaram em parar, a banda toda, antes de optar pela troca de um integrante?

Ian: Não, não, isso foi bem antes. E depois decidimos continuar a despedida. Quando demos o nome a essa turnê não quisemos anunciar a nossa aposentadoria, porque vamos continuar a gravar discos, não vamos acabar com a banda. Só não vamos fazer turnês tão grandes, passando por tantos lugares como temos feito em todos esses anos, turnês que duram dois anos ou mais. Então, nesse sentido, é a última. Mas estamos abertos a tocar, ainda mais agora que estamos com um novo guitarrista e curtindo o momento. Depois desses shows da América do Sul, vem México, Estados Unidos, Japão e Austrália. É muito tempo longe de casa, não somos tão jovens quanto antes, então essa é certamente a última grande turnê mundial. Mas não é o fim da banda.

REG: Então esses serão os últimos shows no Brasil?

Ian: Não necessariamente, quem sabe não voltamos? Mas não seria dentro de uma turnê tão grande. Faríamos América do Sul e voltaríamos para casa. O problema é a duração das grandes turnês.

REG: Como está a gravação do novo álbum? Muito material novo?

Ian: Sim, já temos algumas músicas, algumas idéias para novas músicas em que temos trabalhado no meio da turnê, mas ainda não tivemos a chance de organizar tudo. Na medida em que a turnê for terminando, vamos fechando isso.

REG: Já há um produtor definido e data para o início das gravações?

Ian: Ainda não, mas provavelmente vamos produzir nós mesmos, como costumamos fazer. Na verdade só vamos pensar em datas, prazos e esquemas de trabalho desse novo disco quando a turnê estiver perto de acabar.

REG: É verdade que vocês pretendem fazer um disco mais “old school”, em vez de algo conceitual como aconteceu no “Nostradamus”?

Ian: Pode ficar seguro que vai ser um disco clássico do Judas Priest. Depois do “Nostradamus”, que eu gosto bastante, temos voltar a algo parecido com o “Angel of Retribution”.

REG: Você acha que a troca de guitarristas pode alterar a forma de vocês gravarem esse disco?

Ian: Ah, deve ser diferente sim, o Ken tem uma personalidade forte, e o Richie também tem o jeito dele de fazer as coisas. É algo que não sabemos ainda como será, mas vamos descobrir assim que entrarmos em estúdio. Temos uma nova dupla de guitarristas e precisamos ver como ela funciona na hora de compor. O Richie tem assumido partes principais nos shows, ele sugere muitas coisas ao Glenn, o que é ótimo.

REG: E você, como baixista, tem grande participação na feitura de um disco?

Ian: Sim, faço as bases para as músicas e muitas vezes modificamos a idéia inicial a partir de uma linha de baixo. Eu e o Scott trabalhamos muito juntos, acho que influenciamos bastante no arranjo final das músicas, sim.

REG: E aquela participação no “American Idol”?

Ian: Nos divertimos muito, tocamos ao vivo, foi muito estranho. Mas levamos o heavy metal a uma audiência que nem sempre ele tem. Foi divertido. Em princípio não sabia o que esperar, não achei que fosse uma coisa boa para nós, mas sempre é bom ter a chance de aparecer na TV para uma banda cuja música não é feita para tocar em programas populares. Era uma chance de chegar a vários países, a muitas pessoas, e é sempre uma boa fazer algo assim, ainda mais tocando heavy metal.

REG: Falando desses 40 anos, qual é a imagem da carreira do Judas que vem à sua cabeça agora?

Ian: Tanta coisa boa já aconteceu em 40 anos, muita coisa nem lembro mais… Mas a sensação de ver o primeiro disco pronto, e de lançar o disco num show, isso é inesquecível. Coisas como tocar em grandes festivais, a primeira vez nos Estados Unidos, a primeira vez no Brasil, a primeira vez em cada país diferente é sempre algo excitante. É muita coisa em 40 anos!


terça-feira, 2 de agosto de 2011

# 193 - 29/07/2011

Sábado chuvoso em Aracaju. Sergipano parece que é feito de açúcar e isso talvez explique o fato de o Auditório do Centro de Interesse Comunitário não estar lotado, como merecido, para o show de lançamento do EP “retrobyte”, do Ferraro Trio. Não estava lotado, mas também não estava vazio – um público razoável viu as cerca de 1 hora e meia de música de primeiríssima qualidade executada por Rafael jr., Saulinho Moraes, Robson Souza e convidados – muitos e ilustríssimos convidados.

Apesar de ter uma sonoridade mais voltada para o jazz com influencias de funk e soul music, foi com prazer que destacamos a faixa título do novo trabalho da Ferraro no Programa de rock da última sexta-feira. Este é, aliás, um dos dilemas que vez ou outra me deparo no processo de produção do programa: como definir o que é rock? Afinal, o gênero sofreu os mais variados tipos de influência e se metamorfoseou a ponto de ficar praticamente irreconhecível em muitas ocasiões desde que Chuck Berry empunhava sua guitarra no auge da juventude. No final das contas, vale o que mais importa: a qualidade e a relevância, dois quesitos nos quais o grupo se encaixa com perfeição.

Acompanhando o trio sergipano no bloco de abertura, tradicionalmente dedicado às novidades, novas do Toxic Holocaust, thrash crossover norte-americano (de Portland, Oregon); Djangos, banda sobrevivente do cenário independente carioca dos anos 90; e o novo single do The Rapture, banda baseada em Nova Iorque que faz um som dançante bastante influenciado pelo pós punk.

No segundo bloco, punk rock britânico clássico: Buzzcocks, a banda que deu o pontapé inicial na efervescente cena de Manchester, UK Subs, The Lurkers e Angelic Upstarts – esta última bastante associada à subcultura skinhead mas que, segundo a wikipédia, "era uma banda anti-fascista, antipolicial, pró-IRA, socialista e proletária. Os Angelic´s nunca foram filiados a nenhum partido ou organização de esquerda, mas nunca abriram mão de letras Esquerdistas e Comunistas, tanto que ganharam a antipatia de grupos skinheads nazistas de extrema-direita - seus shows eram constantemente interrompidos pelos tais grupos e pela polícia. Os Angelic´s também ficaram conhecidos por participar de iniciativas para a realização da primeira edição do "Rock Contra o Racismo" (em inglês Rock Against Racism), em 1978, em oposição ao movimento "Rock Contra o Comunismo" (em inglês, Rock Against Communism).

Depois de uma edição em dose dupla do Drop Loaded, com direito a uma excelente entrevista com os potiguares do Camarones Orquestra Guitarrística, enfocamos a cena alternativa dos anos 90 com músicas extraídas de demo-tapes do Disk Putas, Little Quail, Gangrena Gasosa e Raimundos. Abrindo a segunda metade da programação, Peter, Bjorn & John interpretando a faixa-título de “is this it”, disco do Strokes lançado há exatos 10 anos que se tornou o primeiro grande clássico do rock deste novo século escasso de grandes clássicos.

No bloco do ouvinte, classic rock por Lucas . Encerrando a noite, uma homenagem aos malucos do Guitar Wolf, banda de rock garageiro do Japão que veio pela primeira vez ao Brasil para tocar em Cuiabá – apenas lá! E isso antes da cidade entrar no mapa do cenário alternativo nacional via circuito Fora do Eixo! Tive a honra de ver um show deles na única edição à qual compareci do Festival Goiânia Noise e só digo uma coisa: foi insano. Digo mais: nem tocaram, praticamente. O guitarrista, na maior parte do tempo, apenas entregou a guitarra ao público e se limitou a ficar urrando no microfone e se contorcendo no palco.

Foi isso. Até a próxima sexta, às 20:00, nos mesmos bat-canais: 104,9 FM em Aracaju, www.aperipe.com.br no mundo.

Adelvan

# # #

Toxic Holocaust - Bitch
Djangos - imigrante ilegal (feat. Lazão)
Ferraro Trio - Retrobyte
The Rapture - How Deep is your love

Buzzcocks - What do I get
The Lurkers - I´m on heat
Angelic Upstarts - Never again
UK Subs - Warhead

Drivin Music - Unimpressed
Drivin Music - Settle
Camarones Orquestra Guitarrística - 2 sons + Entrevista
# perdidos no Bronx
# Festa dos gatos
(Drop Loaded)

Disk Putas - Morte aos Titãs
Little Quail & The Mad Birds - 1,2,3,4
Gangrena Gasosa - Protesto Concreto
Raimundos - Carro Bomba

Peter, Bjorn & John - Is this it

Jimi Hendrix - Ain´t no telling
Motorhead - Shoot you in the back
Coven - Blood on the snow
Black Sabbath - Back street kids
Led Zeppelin - We´re gonna groove
The Doors - Break on through
-> por Lucas

Guitar Wolf - Summertime blues

Cato Salsa Experience - planet heart
The d4 - Invader Ace
Jim O´Rourke - Kaminari one
The John Spencer Blues Explosion - kawasaki zii750 rock and roll
Autoramas - Energy Joe
Puffy Amiyummi - Can-nana fever
J. Mascis + The Fog - Cyborg Kids

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nature

Parece mesmo que as bandas alternativas sergipanas estavam apenas esperando passar a época dos festejos juninos para colocar nas ruas (e na rede) uma impressionante nova safra de excelentes gravações. Agora foi a vez da Road to joy que, meio como quem não quer nada, me aparece no Facebook com um link para seu esperadíssimo primeiro EP. Folk rock de primeiríssima, bem gravado, com belas melodias e arranjos muito bem elaborados. Com direito, inclusive, a doses generosas de experimentação: a segunda faixa, “Summer sonnet”, com sua linha de baixo sinuosa, tem uma estrutura bastante diferente do que parece ser, a princípio, a proposta inicial do grupo – aquele folk “doce” a la Rosie and Me.

Este tipo de expectativa quanto à sonoridade deles advém do fato de se tratar de uma banda baseada nos violões e com backing vocals feminino, mas pode ser, no entanto, enganosa. Pelo menos neste trabalho, as melodias são menos doces e “fáceis” – menos “assobiáveis”. É preciso, inclusive, mais do que uma ouvida para se absorver melhor a proposta do disco. Em “Senõr Aniza”, por exemplo, a voz suave de Sabrina Porto aparece em perfeita harmonia com arranjos que beiram a psicodelia. Ela é a penúltima faixa. A “saideira”, “the other size of the river”, é bem mais pop e melódica, na linha do que eles vinham apresentando em seus primeiros trabalhos. Belíssima! Uma de minhas preferidas, junto com a que abre o disco, “wildflower”.

Fica evidente que se trata, ainda, de uma das mais promissoras formações do cenário alternativo sergipano. Espero que consigam superar o marasmo no qual estamos mergulhados em termos de produção de shows por aqui e toquem mais ao vivo. Mas se não der, tranqüilo também. Afinal, de acordo com o excelente release escrito por Flávia Sofia no site oficial da banda, “o som da Road to Joy é pra ouvir descalço, admirando o horizonte do fim da estrada, sentindo o vento nos cabelos.” Portanto, baixe o disco e faça isso. “Just do it”.

Onde? Aqui: http://www.roadtojoy.com.br

Foto por Carlos Filho

texto, Adelvan

sexta-feira, 29 de julho de 2011

BANANADA 2011

Mugo, Black Drawing Chalks, Hellbenders, Johnny Suxxx, Space Monkeys, Bang Bang Babies, Dom Casamata, Kamura, Ultra Vespa, Girlie Hell, Grupo Sincrosone, Banda Uó, Gloom, Diego e O Sindicato, Barfly, Folk Heart, Solicitude, River Breeze, Trivoltz, Black Queen e mais um cartaz sensacional com a impressionante arte do Coletivo Bicicleta Sem Freio (veja ao lado).

28 de agosto
Martim Cererê
Goiânia

sábado, 23 de julho de 2011

Falha nossa ...

Como meus 4 (ou seriam 5?) ouvintes devem ter notado, o programa de ontem não teve nada a ver com o que foi divulgado previamente nas redes sociais. Tivemos problemas internos que me impediram de acessar o servidor da rádio. Nem a banda que foi entrevistada, One Last Sunset, rolou - mas aí foram eles que não levaram o Cd, tiveram problemas também. A bruxa estava solta! Por conta disso, tive que chafurdar no pantanal dos arquivos do programa de rock. Tudo improvisado, na hora, na tora! Foi divertido de fazer, em todo o caso, e o rock não deixou de ir ao ar, como é nosso compromisso desde a primeira edição, há cerca de 4 anos e meio. Não anotei o que tocou, mas que eu me lembre, rolou MC5, Slayer, Tricky, Procol Harum, Nuclear Assault, Karne Krua, Ira!, Camisa de Vênus, Titãs, The Cult, Queens of the Stone Age, Câmbio Negro HC, Chuck Berry, Dusty Springfield, Nine Inch Nails, SOH, Inrisório, Nucleador, Camboja, Dead Kennedys, Ramones ...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

loudQUIETloud

"Kim vive num mundinho em separado. É o mundo da Kim e da Kelley", fala Charles (Black Francis/Frank Black) numa determinada altura do filme. Não dá pra saber se em tom de crítica ou apenas a título de informação, já que havia sido perguntado a respeito do relacionamento entre ele e a baixista numa entrevista. E é assim durante toda a projeção: longos silêncios intercalados por alguma conversa jogada fora entre uma brincadeira e outra. Os eventuais problemas (e eles devem existir, já que a banda se separou no auge criativo e, mesmo com esta volta, não conseguiu produzir nada inédito até agora) são, claramente, varridos para baixo do tapete. Não espere obter alguma resposta definitiva para a grande pergunta. Há versões, no entanto: uma resposta vaga, dada por Black Francis em outra entrevista (apenas ele responde às entrevistas, ao que parece), e uma mais direta, saída da boca de alguém que também estava lá. Para Joey Santiago, foi uma resposta do ego do líder ao fato de que a popularidade de Kim aumentava a cada dia. Há ainda a versão dos fãs quando, num dos momentos mais divertidos, Kelley sai pela fila da entrada de um show perguntando ao público por que, na opinião deles, a banda acabou, e por que voltou. A resposta mais recorrente é "porque eles são bons demais", para ambas as perguntas. Explicando a presença de Kelley: a irmã gêmea de Kim acompanhou a banda durante a turnê. É dela, aliás, a sentença que define tudo: “Vocês são os piores comunicadores do mundo”. Os quatro parecem concordar, resignados.

A resposta mais provável, no entanto, é mesmo a financeira. Frank Black nunca se esquivou dela, muito pelo contrário: declarou, certa vez, que eles já tinham feito música suficiente com os Pixies, agora era a hora de fazer dinheiro. E fizeram, pelo que se vê no filme: shows totalmente "sold out" por onde passaram - claro que num nível infinitamente distante de um U2 ou de um Guns and Roses, mas provavelmente suficiente para aliviar a situação de David, que conseguia trocados fazendo mágica e vivia de favor na casa de amigos; de Joey, que sustentava a família fazendo trilhas e tocando para meia dúzia de pessoas ao lado da mulher; de Kim, cujo Breders fez relativo sucesso mas que entrou numa roda-viva de abuso de álcool e drogas e estava em recuperação durante a tour; e do próprio Frank Black, cuja carreira solo, convenhamos, seguia (e segue) ladeira abaixo, em termos de popularidade.

No palco há a música, e a música, todos sabemos, é a forma de comunicação mais perfeita que existe, porque dispensa a palavra, esta maravilhosa porém limitada invenção humana. Mas o foco é mesmo nos bastidores, o que leva à pergunta: vale a pena assitir a este filme? A resposta é sim, caso você seja fã da banda. Eu sou. Mas para mim, particularmente, valeria a pena apenas pelo prazer de passar 1 hora e alguns minutos vendo o sorriso de Kim Deal, o mais bonito do universo. Por isso e pela sucessão de momentos antológicos, como quando eles recebem uma homenagem por ter feito o show com os ingressos esgotados mais rapidamente da história da Bixton Academy, lendária casa de shows inglesa. Ou pelo registro da ida do pai do baterista David Lovering, então doente terminal, com câncer, a Londres, para ver o filho se apresentar (como baterista E mágico/ilusionista). Por Kelley ajudando Kim na composição do então novo disco das Breeders ("Montain Battles", imagino). Ou pelo emocionante registro da presença de uma fã cuja vida foi mudada depois dela encontrar, por acaso, um livro no qual a personagem principal era fanática pelos Pixies. Há um rápido encontro dela com Kim no final do show em que a moça, visivelmente emocionada, lhe dá o livro de presente. Na sequencia seguinte é registrada a reação de Kim ao folheá-lo. Sem palavras (literalmente). No final do filme, entre os créditos, imagens de um ensaio da banda cover da fã são intercalados com uma execução de "Monkey gone to heaven" pelos Pixies.

A banda também tocou pela primeira vez no Brasil neste ano de 2004, mas o documentário, infelizmente, não registra isso. A única referência ao nosso país é uma touca usada pelo guitarrista Joey Santiago durante uma conversa via internet com sua família. Uma pena: pelo visto o "Bananão" continua sendo encarado por muitos, lá fora, como uma terra inóspita e distante, indigna de um enfoque mais detalhado.

O Filme foi lançado em edição nacional recentemente, pela Coqueiro Verde. Você pode adquirir uma cópia aqui.

Ou BAIXE AQUI, em AVI c/ legendas.

por Adelvan

Não sei se já aconteceu com você, mas comigo, várias vezes: você passa um tempo danado sem falar com uma pessoa (as coisas talvez não tenham terminado bem da última vez ou algo assim), e acha que tudo bem, a vida segue, mas chega um determinado momento em que você a reencontra, e todas as coisas se encaixam – como se o tempo não tivesse passado.

Acredite, acontece. Particularmente, sou um cara super estranho com as amizades. O motivo, olhando para mim mesmo, talvez seja porque eu necessite muito da solidão (ou eu necessito, ou eu acho que necessito), e as amizades existem exatamente para impedir que você fique sozinho. Lógico, para muitas outras coisas, mas fazemos amigos essencialmente para termos alguém com quem conversar e trocar idéias.

Risos. Engraçado como falar de uma banda que a gente ama pode entregar mais do que aquilo que a gente imagina. Ok, tenho meus amigos, mais até que do mereço, e eles são uma parte especial da vida. Existem aqueles que estão vivendo o aqui agora, aqueles que já viveram e vira e mexe aparecem para uma cerveja ou para um email carinhoso bissexto, e, alguns, que por algum motivo ficaram pelo caminho.

Existem também os amigos invisíveis, como diria Edgard Scandurra. As bandas, as músicas que sempre nos acompanharam, mas que por algum motivo desaparecem de nossas vidas. Não me lembro o motivo, mas eu tinha brigado com o Pixies. Eles continuaram na minha vida, não tinha como esquecê-los (imagina: toda vez que não ouço algo lembro que fiquei quase surdo por causa de “Doolittle”), mas algo nos distanciava.

Tentei ir vê-los quando eles tocaram em Curitiba, mas não rolou. Quando o Danilo e o Ricardo, da Mojo Books, me pediram uma história sobre um disco, não pensei duas vezes: Pixies (acho que o livro ainda está esgotado aqui). As músicas iam e vinham, mas a volta da banda me deixou com um pé atrás, não sei o motivo. Os vi, depois, no Primavera Sound, e também no SWU, e algo em mim esperava mais, não sei o que.

Hoje assisti “loudQUIETloud: a film about the Pixies”, e parece que tudo se encaixou. As estranhezas das letras do Frank Black, os sorrisos chapados de cerveja sem álcool da Kim Deal, o olhar suspeito de Joey Santiago, a alegria nonsense de David Lovering, quatro pessoas que por algum motivo estiveram na mesma banda, fizeram grandes discos, brigaram e não tinham percebido o valor do que fizeram.

“loudQUIETloud: a film about the Pixies” mostra por a+b que ter uma banda é praticamente como viver em família, você cercado por pessoas estranhas cuja união é o sobrenome e o sangue – e muitos gens que fazem você reproduzir gestos e parecer com seus familiares. Tire os gens e você tem uma banda: pessoas estranhas que se juntam para fazer música.

A juventude preenche as lacunas dos espaços vazios quando você é jovem, mas quando se passa dos 30 e acumula tristezas (lembre-se: viver é acumular tristezas), as pessoas tendem a ficarem mais frias, cínicas e receosas sobre o mundo. Daí o silêncio. “loudQUIETloud: a film about the Pixies” é lotado de SILÊNCIOS, mas abre importantes clareiras para se entender uma banda tão estranha e genial como o Pixies.

E, por que não, nós mesmos?

por Marcelo Costa

Scream & Yeall

segunda-feira, 18 de julho de 2011

No Fio da navalha.

Uma aula de rock and roll - Tudo já começa "na cara", de sopetão: são os Mamutes e sua "Dama de branco" dizendo sem rodeios ou firulas a que vieram, "no fio da navalha". Grande som, velha conhecida, já lançada no single do ano passado. A segunda faixa, "Eu e minha guitarra", começa apenas com um riff cru e cadenciado - uma cadência que acompanha a música até o final, quando ela engata um ritmo mais rápido e culmina num "Foda-se" gritado por Kal em Alto e Bom som. "Cabeça de Mamute" já é mais forte, com um refrão marcante. "Vinha eu pela 13 a mais de 100", declama Kal na letra de "Eletrokarma". A "13", imagino, é a praia 13 de julho, bairro de Aracaju. É bom ver nossas bandas de rock cantando nossas coisas, o dia-a-dia na cidade. Assim como precisamos nos ver mais nos cinemas, precisamos também nos reconhecer nas letras de nossas canções. O riff da música, pra variar, é ótimo, sinuoso e marcante. A marcação de Odara e Morcego segue precisa. Chamo aqui a atenção para a mixagem do disco, que nesta faixa em especial se mostra perfeita. "Noturna", a faixa seguinte, é outra velha conhecida do single lançado ano passado, e é perfeita em sua melodia poderosa conduzida pelo vocal a cada dia melhor lapidado de Kal Di Leon. Brilhante trabalho de guitarra de Rick Maia, com harmonias nitidamente influenciadas por mestres como o Thin Lizzy. A musica já seria perfeita assim mesmo, seca, mas não: os caras tiveram a manha de incluir sopros e castanholas no arranjo, o que deixou tudo ainda mais exuberante. Contrariando um das máximas do rock and roll, neste caso, menos não foi mais.

"Olho azul" tem, em sua introdução, um daqueles gritos rasgados típicos do hard rock "glam" dos anos 80 - estariam os mamutes "farofando" o som ? Nada disso, o "rasgo" ficou ok, sem afetação, eu estava apenas brincando. A musica segue numa cadencia legal e tem uma ótima melodia que culmina em um excelente refrão. Redondinha, perfeita, e com mais guitarras dobradas a la Thin Lizzy/NWOBHM. Os ecos do Heavy metal se tornam explícitos na faixa seguinte, "olhos de cobra", que começa num clima meio opressivo e segue com a guitarra acompanhando o vocal numa melodia que lembra os bons tempos do Black Sabbath com Ozzy. A (ótima) influência do Sabbath segue até o final, com a musica mudando de andamento e passando por um trecho instumental "viajante" para então voltar ao ritmo inicial, numa dinâmica típica do supergrupo de Toni Iommy. Tudo sem sinal de plágio, já que a musica em si não lembra nenhuma do Sabbath em especial. É apenas a boa, velha e sadia fonte de inspiração da qual, afinal, todos bebem - e ela nunca se esgota.

Aí vem o que se anunciava, pelo menos para mim, como o momento mais perigoso do disco: "Fora de controle", um verdadeiro hino dos Mamutes, em novo andamento. Ficou boa e, como eles bem disseram numa entrevista no programa de rock, perfeitamente integrada ao clima do disco. Nada traumático, claro, os caras não estragaram, como eu cheguei a temer, uma de suas melhores composições, nem de longe. Mas mesmo assim, na primeira ouvida, ainda prefiro a versão do EP. Velhos hábitos são difíceis de mudar.

Na reta final do percurso, "te deixando o meu bye bye", um "rockão", também previamente lançado via single. Poderia inclusive ter finalizado o disco com aquele eco no fim, mas tem mais: gemidos e mais sopros introduzem "tudo no seu tempo", a "saideira". Letra lasciva, Vocal malicioso de Kal, uma bela levada de baixo e um andamento mais suingado. Fechou com chave de ouro.

Certamente um dos melhores petardos já lançados por estas plagas. Um atestado de maturidade e, ao mesmo tempo, fidelidade às origens da cena rock sergipana.

ROCK AND ROLL ! Na veia e na artéria!

Baixe o disco aqui.

por Adelvan

sábado, 16 de julho de 2011

# 192 - 15/07/2011

Jello Biafra & The Guantanamo School of Medicine - The Cells that will not die
Plástico Lunar - Mar de leite azedo
Eskimo - Bipolar

This Mortal Coil - Song to the siren
Air - Space Maker
Portishead - Biscuit
Massive Attack - Angel

Los Mentas - Sopa Seco Jugo
Rock Rocket - Pérola da noite
(Drop Loaded)

Da Boca Ao Reto - Martírio político
Gee-O-Die - Motoqueiro véio de guerra
Rótulo - produto da soma
Holidays - Are you free?

Joan Jett And the Blackhearts - I love rock and roll
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Yes - Roundabout
Rush - Circunstances
Pink Floyd - What do you want from me ?
(porJoelâne Silveira Alves

Entrevista com Karne Krua
Karne Krua:
# Do sol latente ao cinza das ruas
# No cinza da cidade eu morrerei
# Navalha no pescoço

quinta-feira, 14 de julho de 2011

LANÇAMENTO ABORTADO

Silvio Campos, via Facebook: Não é por nada não, mas tenho que admitir somos um pouco da versão do ANVIL no hardcore, no nordeste. Nossos discos (NOTA: "inanição", da Karne Krua) vieram todos com defeito de prensagem, inacreditavel, mas é real, já falamos com a gravadora e vão prensar o cd de novo, MAS TÁ VALENDO A FORÇA DE TODOS AI, NOS VOLTAREMOS EM BREVE.

É isso aí, a novela continua ...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

LONG LIVE ROCK!

Aumente o som, saia pulando, fale palavrões: o rock’n’roll tem mais de 50 anos, mas ainda faz a cabeça dos jovens e chacoalha a sociedade.

Super Interessante # 205, outubro de 2004

por André Barcinski

Foram mais de cinco décadas bem vividas. 50 e poucos anos regados a sexo, a drogas e a ele próprio. Não pensem que foi uma vida fácil: entre tapas e beijos, o rock viveu um romance conturbado com a sociedade. Numa hora, era o queridinho de todos, para logo depois ser chutado e escorraçado como um cão sem dono.

Nesse meio século, o rock’n’roll foi celebrado por multidões, massacrado pela Igreja, explorado por publicitários, dissecado por historiadores, cooptado pela moda, malhado por puristas, dignificado pelos Beatles e maltratado por Bon Jovi e Simply Red. Passou por bons e maus bocados, e chegou a ser dado por morto algumas vezes. Mas, como fênix, sempre deu um jeito de reaparecer, resgatado das trevas por algum adolescente talentoso e entediado. É uma história e tanto.

Segundo historiadores, o marco zero do rock teria acontecido em julho de 1954, quando um caminhoneiro chamado Elvis Presley entrou no Sun Studios, em Memphis, e gravou “That’s Allright Mamma”.

Vamos deixar uma coisa bem clara: Elvis não inventou o rock. Antes dele, gente como Chuck Berry e Bill Halley já tocavam rock. Desde o fim dos anos 40, “rock’n’roll” era usado em letras de música como sinônimo de “dançar” ou “fazer amor”. Em 1952, o radialista Alan Freed – que depois viria a reivindicar a criação do termo – batizou seu programa de Moondog’s Rock and Roll Party.

Se não criou o rock’n’roll, Elvis ao menos pode ser considerado o mensageiro que apresentou o rock ao mundo. Era o homem certo no momento certo: bonito, talentoso e carismático. Mais importante: era branco e, por isso, aceitável para a América dos anos 50. “Eu agradeço a Deus por Elvis Presley”, disse o negro Little Richard, um dos grandes pioneiros do rock. “Ele abriu as portas para muitos de nós.”

A tarefa de Elvis não foi fácil: a sociedade norte-americana demorou bastante para aceitar aquele branco que cantava e dançava como um negro. Em uma de suas primeiras apresentações na TV, as câmeras o filmaram apenas da cintura para cima, sem mostrar aquele quadril que teimava em rebolar. Elvis, ao contrário de vários outros ídolos da época (como Pat Boone, por exemplo), nunca renegou a origem de sua música. “O que eu faço não é novidade”, disse. “Os negros vêm cantando e dançando dessa forma há muito tempo.”

Se a vida nos anos 50 não era moleza para um roqueiro branco como ele, o que dizer de artistas negros como Little Richard, Chuck Berry, Bo Diddley e Fats Domino? Num país de escolas segregadas, que ainda via negros serem linchados, o simples fato de um artista negro viajar para mostrar sua música assumia proporções épicas de heroísmo e bravura.

Uma história emblemática do período é a de Shelley “The Playboy” Stewart, um radialista negro que apresentava um programa de rock na estação WEDR, no Alabama. O programa de Stewart atraía um público predominantemente branco, que aprendera a gostar dos artistas “de cor” que o DJ tocava.

No dia 14 de julho de 1960, Stewart estava apresentando um show na cidade de Bessemer, quando recebeu um aviso do dono do clube: a Ku Klux Klan, temida organização racista, havia mandado 80 homens para atacá-lo. Os encapuzados cercavam o clube e ameaçavam invadir o local. Sem perder a calma, Stewart avisou à platéia – formada por 800 brancos – que teria de parar o show. Foi aí que o inesperado aconteceu. “Os jovens que estavam no clube se rebelaram”, disse Stewart, anos depois. “Eles saíram correndo do local e atacaram a Klan, lutando por mim.” A simbologia do fato é forte demais: brancos lutando contra brancos, pelo direito de ouvir música negra.

Sim, o rock’n’roll é música negra. Como o blues, o samba e o hip hop, o rock nasceu da escravidão e tem suas origens na migração forçada de milhões de africanos, que foram tirados de suas aldeias e jogados em terras estranhas. Todos esses gêneros musicais têm duas características comuns, herdadas da África: a primeira é a predominância de uma base rítmica constante e repetitiva; a segunda é a utilização da música de uma forma emocional e espiritual. Nas colheitas de algodão dos Estados Unidos, os escravos cantavam para celebrar sua espiritualidade e seus ancestrais. Também cantavam sobre as mazelas da escravidão, estabelecendo assim uma relação direta entre sua música e a realidade social. O rock herdou essa capacidade de radiografar o presente.

Na época, a sociedade americana começava a abandonar preconceitos seculares. De uma certa forma, a explosão do rock simbolizou uma América nova, mais liberal, próspera e livre das dificuldades econômicas do pós-guerra. Adolescentes brancos começaram a curtir uma música antes relegada a salões de baile nos bairros negros e pobres.

Em 1956, “Blue Suede Shoes”, de Carl Perkins, tornou-se a primeira música a chegar ao topo das paradas de pop, rhythm’n’blues e country. O fato representou um marco não só para a música, mas para toda a sociedade americana. Pela primeira vez, brancos e negros estavam gostando da mesma coisa. Em 1959, outra canção, “The Twist”, de Chubby Checker, também uniu o país. O ativista e autor Eldridge Cleaver, fundador do grupo radical Panteras Negras, escreveu: “A canção conseguiu, de uma forma que a política, a religião e a lei nunca haviam sido capazes, escrever na alma e no coração o que a Suprema Corte só havia conseguido escrever em livros”.

O rock’n’roll não mudou a sociedade, mas serviu como espelho de mudanças e tendências. Claro que ninguém deixou de ser racista ao ouvir Elvis Presley cantando música “de negros”, mas o simples fato de Elvis aparecer em cadeia nacional, rebolando os quadris e celebrando uma cultura marginal, mostrava que o país estava mudando.

Paralelamente ao surgimento do rock, a sociedade norte-americana via o aparecimento de outro fenômeno, que se tornaria vital para a explosão do rock’n’roll: o adolescente.

Até meados do século 20, adolescentes tiveram uma vida dura nos Estados Unidos. O país havia passado por duas guerras mundiais e pela Grande Depressão; ser jovem por lá significava trabalhar duro e ajudar os pais a sustentar a casa.

Para a sociedade de consumo, o adolescente não existia. Não havia música ou filmes feitos especialmente para eles. Pais e filhos eram obrigados a gostar das mesmas coisas: as big bands de Tommy Dorsey e Benny Goodman, as baladas de Nat King Cole e Frank Sinatra, a cafonice de Pat Boone e Perry Como.

Depois da Segunda Guerra, tudo mudou: os Estados Unidos entraram numa fase de prosperidade, a economia cresceu e os adolescentes, que antes davam duro ajudando os pais, passaram a receber mesada. Isso criou um novo mercado, voltado unicamente para o jovem.

Hollywood logo entrou na onda, lançando filmes direcionados aos adolescentes. Dois deles, O Selvagem (1954) e Rebelde sem Causa (1955), revelaram Marlon Brando e James Dean interpretando jovens em conflito com a geração de seus pais. A rebeldia estava na moda. Daí surgiu Elvis Presley, dando voz a uma geração cansada da caretice dos pais.

A sociedade de consumo não demorou para perceber o potencial do filão jovem. Foi só aí que o rock explodiu na América. E tome filmes, revistas, livros, badulaques, calendários e todo tipo de bugiganga direcionada aos novos consumidores. Elvis, o rebelde, tornou-se uma figura tão familiar aos lares americanos quanto o presidente Eisenhower.

As gravadoras, que nunca gostaram de arriscar, trataram de diluir o rock em fórmulas açucaradas, bem ao gosto do público branco médio. O canastrão Pat Boone, por exemplo, gravou Tutti Frutti, mudando a letra (escrita por Little Richard, negro, homossexual e orgulhoso), para não chocar as boas moças da América. Foi um estouro. Era a tal coisa: “rock sim, mas limpinho, por favor”.

Apesar do sucesso, muita gente previa um fim rápido para o rock. O gênero era visto como uma moda passageira, a exemplo do calipso ou de tantas outras que tiveram seus 15 minutos de fama na América.

Para piorar, os roqueiros passavam por maus bocados no fim dos anos 50: Elvis Presley foi para o Exército, Chuck Berry ficou preso dois anos por ter atravessado uma fronteira estadual com uma prostituta menor de idade, Little Richard abandonou o rock e virou pastor depois de “ouvir o chamado de Deus” durante um vôo turbulento, Jerry Lee Lewis arruinou a carreira ao casar com uma prima de 13 anos, Buddy Holly morreu em um acidente de avião, que matou também Ritchie Valens (La Bamba) e Big Bopper (Chantilly Lace), e Eddie Cochran morreu em um acidente de carro. Quando o futuro do rock’n’roll parecia negro, surgiram os Beatles.

A influência dos Beatles é incalculável. Musicalmente, eles elevaram o rock a um nível até hoje inigualado, estabelecendo parâmetros e modelos para toda a música pop. Suas experimentações abriram novas possibilidades sonoras e ampliaram os horizontes musicais das gerações posteriores. Culturalmente, eles foram igualmente importantes: carismáticos, irreverentes e cheios de sex-appeal, eles surgiram no mundo como um sopro renovador, obliterando a caretice da década de 50 e inaugurando uma era mais livre e esperançosa – os anos 60.

O surgimento do rock e de seus primeiros ídolos – Elvis, Beatles, Rolling Stones – mudou a relação entre a música e o público. Até o rock aparecer, o “músico” – fosse produtor, instrumentista ou compositor – era visto como um profissional muito qualificado. Compositores de “música popular” eram sofisticados como Cole Porter e Irving Berlin; cantores eram Frank Sinatra e Bing Crosby.

O rock democratizou a música pop. Subitamente, qualquer um podia subir em um palco e cantar. Elvis, um caipira ignorante, passou a freqüentar as paradas de sucesso ao lado de Sinatra e Nat King Cole (dá até para entender por que Sinatra, acostumado a trabalhar com músicos experientes, não aceitou o novo estilo: “rock’n’roll é a coisa mais brutal, feia e degenerada que eu já tive o desprazer de ouvir”, disse o “olhos azuis”).

Essa “democracia” do rock teve um efeito imediato: os artistas ficaram cada vez mais parecidos com seu público, tanto em idade quanto em classe social. Os jovens passaram a se identificar mais com seus ídolos, estabelecendo uma relação mais próxima com a música. O rock também passou a buscar na sociedade – especialmente nos jovens – os temas de suas canções. Essa troca fez do rock a música mais popular e culturalmente impactante do século 20.

Para muitos, esse estreitamento entre artista e público também causa um declínio gradual na qualidade da música. A cada ano, um número maior de pessoas sem treinamento musical tem acesso a tecnologias de composição e gravação. Hoje, aparelhos como samplers e placas de som permitem a qualquer um gravar um disco em casa. E popularização raramente é sinônimo de qualidade.

O fato é que nenhuma outra música esteve tão sintonizada com a realidade de seu tempo quanto o rock. Desde os anos 50, ele passou a ser um espelho da sociedade, refletindo a moda, o comportamento e as atitudes dos jovens. Isso fez do rock uma música com prazo de validade, ou seja, tão ligada no “hoje” que corre o risco de sair de moda rapidamente, junto com os temas abordados (para confirmar, basta assistir a qualquer videoclipe de dez anos atrás).

Isso cria situações interessantes: o que é “bacana” e “moderno” para uma geração torna-se ultrapassado para a próxima. Sendo um gênero que se alimenta sempre do novo, o rock’n’roll gera conflito entre seus fãs. Um movimento surge como resposta ao anterior e assim por diante, numa renovação incansável.

Esses conflitos, mais que interessantes, são necessários: sem eles, estaríamos condenados à eterna repetição. Foi a partir desses “rachas” que nasceram alguns dos movimentos mais influentes do rock, como o punk, basicamente uma reação ao comercialismo e à pompa do rock dos anos 70, que havia perdido a identificação com as gerações mais novas. Ao contrário do que ocorria antes do rock’n’roll, agora ficou fora de moda curtir a mesma música que os pais. Mas isso é cíclico, claro: com o passar dos anos, a indústria descobriu o potencial do saudosismo. Hoje, temos canais de televisão que vivem de reembalar artistas velhos como se fossem a última novidade. E veteranos – como o Aerosmith, por exemplo – que, graças a seus clipes na MTV, reinventam-se para um público que nem era nascido quando eles faziam sua melhor música.

Os Beatles são um bom exemplo da capacidade do rock de se adaptar a cada época. Para entender as mudanças ocorridas nos anos 60, basta olhar as fotos do grupo durante o período. Nos primeiros anos, vestidos com terninhos idênticos e cabelos bem penteados, os quatro eram a imagem perfeita do otimismo da era Kennedy. Depois, como todos, abandonaram a inocência: os cabelos cresceram e os sorrisos deram lugar ao cinismo, enquanto Kennedy era morto e a guerra começava no Vietnã. No fim da década, quando jovens faziam passeatas na Europa, Martin Luther King era assassinado e o conflito do Vietnã piorava, os Beatles buscaram consolo espiritual na Índia, renegando o comercialismo ocidental. A banda acabou melancolicamente, junto com uma década que começara cheia de promessas e que terminava em guerra e decepção.

Não foram os únicos roqueiros que se tornaram símbolos de uma era: Bob Dylan, Jimi Hendrix e Jim Morrison também viraram ícones dos anos 60, tanto quanto o símbolo da paz ou o rosto de Che Guevara. Sid Vicious é, até hoje, a imagem mais reconhecível da rebeldia punk. E basta um passeio por qualquer grande cidade para ver, a qualquer hora, jovens usando camisetas com o semblante triste de Kurt Cobain.

Esses rostos passaram a representar mais que a simples paixão por uma banda ou artista: tornaram-se símbolos de um estado de espírito e de um jeito de ser. A iconografia, claro, reduz tudo a seu nível mais rasteiro – e um artista como Kurt Cobain, autor de dezenas de músicas, acabou reduzido a garoto-propaganda do suicídio e da alienação adolescente. John Lennon foi assassinado e virou “marca”, transformado, como Gandhi, em símbolo de paz e amor. Logo ele, que nunca escondeu ter sido um pai ausente e que tratou Paul McCartney como um cachorro sarnento depois do fim dos Beatles. O rock simplifica tudo.

Talvez seja essa a razão de seu sucesso. Como bem disse Gene Simmons, do Kiss: “Eu não sou Shakespeare. Mas ganhei muita grana e transei com mais de 4 mil mulheres. Tenho certeza de que Shakespeare trocaria de lugar comigo a qualquer hora”. Quem duvida?

Os 50 discos que fizeram o rock·n·roll

Quer você goste, quer não, essas sãoas obras que romperam barreiras, criaram estilos e marcaram a história do rock

1. The King of Rock and Roll – The Complete 50s Masters - Elvis Presley, 1992

Elvis em sua melhor fase, antes de entrar para o Exército e voltar mansinho

2. Chuck Berry – Anthology - Chuck Berry, 2000

O verdadeiro criador do rock’n’roll e melhor compositor entre os pioneiros do gênero

3. The Essential Little Richard - Little Richard, 1985

O intérprete mais explosivo do início do rock revolucionou a música com seus gritos e sua vibração

4. The Classic Years - Motown, 2000

Uma das gravadoras mais influentes dos anos 60, meca da soul music norte-americana

5. Please Please Me - Beatles, 1963

Eles chegaram como um sopro renovador e fizeram a trilha sonora perfeita para o otimismo do início dos anos 60

6. The Freewheelin’ Bob Dylan - Bob Dylan, 1963

O rock amadurece: pela primeira vez, as letras valem tanto quanto a música

7. Live at the Apollo - James Brown, 1963

O grito primal do funk, por seu maior intérprete

8. The Who Sings My Generation - The Who, 1965

Até então, ninguém havia feito um rock tão radical e barulhento; para muitos, o nascimento do punk

9. Blonde on Blonde - Bob Dylan, 1966

O atestado de maioridade de Dylan; depois disso, o rock não tinha mais desculpa para a ingenuidade

10. Pet Sounds - Beach Boys, 1966

Um sonho adolescente, embalado pelo pop mais perfeito e cristalino. “O maior disco da história”, segundo Paul McCartney

11. Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band - Beatles, 1967

Auge do experimentalismo do rock. Definiu sua geração e criou novos horizontes para o pop

12. Between the Buttons - Rolling Stones, 1967

Os rebeldes mostram que também têm coração

13. Are You Experienced? - Jimi Hendrix, 1967

Hendrix desfila todo seu arsenal: microfonia, psicodelia, distorção e um pé fincado na tradição do blues

14. The Velvet Underground and Nico - Velvet Underground, 1967

Inaugurou a melancolia no pop. Fez contraponto ao otimismo hippie

15. The Doors - The Doors, 1967

Pessimista e dark, embalado pela angústia existencial de Jim Morrison, na contramão do sonho hippie

16. We’re Only In It For the Money - Frank Zappa and the Mothers of Invention, 1968

Satiriza o hippismo e antecipa o fim do sonho

17. The Village Green Preservation Society - The Kinks, 1969

Os Kinks enxergam além de guitarras barulhentas e fazem o seu Sargent Pepper’s

18. Kick out the Jams - MC5, 1969

Que paz e amor nada! Neste explosivo disco ao vivo, o MC5 pregava revolução, guitarras e amor livre

19. Live Dead - Grateful Dead, 1970

Longas explorações psicodélicas, no melhor momento de uma verdadeira instituição californiana

20. Black Sabbath - Black Sabbath, 1970

Para muitos, uma brincadeira de mau gosto. Para os fãs, um disco que sepultou a inocência dos anos 60 e inaugurou o heavy metal

21. Funhouse - Iggy Pop and the Stooges, 1970

Blues, John Coltrane e punk: a fórmula de Iggy Pop neste verdadeiro clássico do niilismo

22. Greatest Hits - Sly and the Family Stone, 1970

A música negra como arma de guerra: segundo Sly Stone, a revolução só se daria com o povo dançando nas ruas

23. Led ZepPelin IV - Led Zeppelin, 1971

Jimmy Page e sua gangue se escondem por trás do ocultismo e fazem um clássico do hard rock

24. Exile on Main Street - Rolling Stones, 1972

Os Stones esquecem a pose de maus e concentram-se no que sabem fazer melhor: música sublime

25. Ziggy Stardust - David Bowie, 1972

Uma ópera-rock sobre androginia e extraterrestres. Bowie cria um mundo de fantasia e sonho, que inspirou o punk e a new wave

26. Harvest - Neil Young, 1972

Obra-prima do country rock em uma época de cantores “sensíveis”, como James Taylor e Carole King

27. Transformer - Lou Reed , 1972

O subterrâneo nova-iorquino, com prostitutas, traficantes e bêbados, pela imaginação mórbida de Lou Reed

28. New York Dolls - New York Dolls, 1973

Guitarras altas, batom e roupas de mulher: os New York Dolls confrontavam com bom humor a macheza do rock da época

29. The Dark Side of The Moon - Pink Floyd, 1973

Questionamentos sobre loucura e solidão, embalados pela música mais triste a chegar ao topo das paradas

30. Ramones - Ramones, 1976

Em contraponto ao rock “sério”, quatro desajustados cometem este pecado sonoro, sem solos nem pretensão. Nascia o punk

31. Never Mind the Bollocks - Sex Pistols, 1977

O conflito de gerações em forma de disco: “Somos feios, sujos e não gostamos do que está acontecendo”

32. Talking Heads: 77 - Talking Heads, 1977

O punk cresce e amadurece; o funk de branco do Talking Heads prova que há cabeças pensantes na geração 77

33. Parallel Lines - Blondie, 1978

O dia em que o punk e a new wave fizeram as pazes com o pop. Som comercial sem abdicar de seus ideais

34. Unknown Pleasures - Joy Division, 1979

Velvet Underground para as novas gerações: sombrio e mórbido, vê um mundo mais sem futuro que o do Sex Pistols

35. The Specials - The Specials, 1979

O punk inglês se mistura ao ska jamaicano, que havia anos habitava os bairros mais pobres da Inglaterra

36. Double Fantasy - John Lennon e Yoko Ono, 1980

Depois de passar anos fazendo discos políticos, Lennon e Yoko assumem a maturidade e gravam pelo simples prazer de criar

37. London Calling - The Clash, 1980

Está tudo aqui: rockabilly, reggae, ska, jazz. O grande disco que define o fim da adolescência no punk

38. Heaven Up Here - Echo and the Bunnymen, 1981

Grandioso demais para se encaixar em algum movimento musical, marca o amadurecimento do pós-punk

39. Power, Corruption and Lies - New Order, 1983

O rock abraça a música eletrônica e prova que música “de computador” também pode ter coração

40. The Head on the Door - The Cure, 1985

O Cure embala a morbidez no pop mais acessível e leva a melancolia às massas

41. The Queen is Dead - The Smiths, 1986

O rock esquece os vencedores, celebrando os desajustados, tímidos e fracassados

42. Licensed to Ill - Beastie Boys, 1986

Três espertalhões juntam rap e heavy metal e criam música negra para jovens brancos

43. The Joshua Tree - U2, 1987

O U2 ressuscita o rock político – e os fãs, apolíticos, compram sem perceber a intenção

44. Daydream Nation - Sonic Youth, 1988

Os intelectuais da guitarra fazem uma perfeita radiografia de uma geração sonada pela MTV e pelo rock comercial

45. It Takes a Nation of Millions to Hold Us Back - Public Enemy, 1988

Um libelo contra a manipulação da mídia, o “embranquecimento” da América de Reagan e o racismo

46. Out of Time - R.E.M., 1991

Rock de gente grande, com ambição e propósito, apesar do lustro pop e do imenso sucesso comercial

47. Metallica - Metallica, 1991

Representou, para a geração MTV, o que Black Sabbath foi para os jovens em 1970: a celebração da negação

48. Nevermind - Nirvana, 1991

O dia em que o punk encontrou a MTV: um disco que destruiu barreiras e que tornou obsoleto todo o rock vagabundo do fim dos anos 80

49. BloodSugarSexMagik - Red Hot Chili Peppers, 1991

Fãs de Korn e Limp Bizkit vão chiar, mas a verdade é que todo o funk metal e o nu metal começaram aqui

50. OK Computer - Radiohead, 1997

Um disco gélido, cerebral e triste, sobre a dificuldade de comunicação no fim do século. Paradoxalmente, foi um sucesso

Frases

"Por que jovens gostam de rock? Ora, porque os pais não gostam, é claro!"

Chuck Berry

"Se você se lembra dos anos 60, é porque não estava lá."

Robin Willians

"Eu odeio o Pink Floyd."

Frase escrita na camisa de Johnny Rotten, dos Sex Pistols

"Eu sou uma garota material, vivendo num mundo material."

Madonna

"Meu sonho e viver num mundo onde Lenny Kavitz nõ seja chamado de ·rock·"

Mark Arm, Mudhoney

O berço do rock

O rock’n’roll nasceu da misturade cinco gêneros distintos da música americana. São eles

Northern Band Rock’n’Roll

Espécie de versão com guitarra e baixo do som das big bands de Kansas City. O maior nome do estilo era Bill Halley (Rock Around the Clock)

New Orleans Dance Blues

Gênero em que predominavam baladas, tendo o piano como instrumento principal. Little Richard e Fats Domino se destacavam

Memphis Country Rock

Também chamado de rockabilly, era basicamente música caipira branca, tocada com guitarra elétrica. A gravadora Sun, descobridora de Elvis, era a meca desse ritmo

Chicago Rhythm and Blues

Versão negra do rockabilly, que teve em Chuck Berry e Bo Diddley seus mestres

Grupos Vocais

Sem instrumentos, usavam somente o gogó, em arranjos lindos. Frankie Lymon and the Teenagers era o grande sucesso

Fonte: The Sound of the City, de Charlie Gillett (Souvenir Press, EUA, 1971)

Os revolucionários

Dez nomes que mudaram o rock·n·roll

Chuck Berry

O primeiro grande compositor do rock criou riffs copiados até hoje (“Roll Over Beethoven”, “Maybellene”). Compôs rocks, blues e baladas e foi também o primeiro grande “fora-da-lei” do rock’n’roll, tendo sido preso várias vezes quando adolescente (e outras várias vezes depois)

Beatles

Lançaram, entre 1965 e 67, três álbuns – Rubber Soul, Revolver e Sargent Pepper’s Lonely Hearts Club Band – que elevaram o rock a um nível artístico nunca visto. Daí experimentaram de tudo: música indiana, fitas rodadas de trás para a frente, sons de pássaros, LSD... E o rock nunca mais foi o mesmo

Bob Dylan

O primeiro grande letrista do rock. Cantor folk, chocou a platéia ao subir no palco com uma banda de rock, em 1965. Muitos previram um fracasso quando lançou Like a Rolling Stone: a música tinha seis minutos de duração, o triplo da média das canções do rádio. Foi seu primeiro grande sucesso

Brian Wilson

Mesmo surdo de um ouvido e abalado para sempre por causa dos socos que levava do pai, o líder dos Beach Boys compôs alguns dos momentos mais sublimes da música pop. Queria superar os Beatles, que considerava os únicos capazes de rivalizar com seu talento

Rolling Stones

Eram o contraponto mal comportado à simpatia dos Beatles. Foram os primeiros a subir no palco com as roupas que usavam no dia-a-dia, sem os “uniformes” usados pelas bandas – um choque na época. Resgataram o blues de Muddy Waters e Willie Dixon e exploraram a psicodelia e a música soul

Phil Spector

O mais influente produtor musical dos EUA nos anos 60. Aos 18 anos já tinha uma música no Top 10. Revolucionou as gravações com sua técnica de gravar vários instrumentos na mesma faixa, para criar uma sonoridade densa e poderosa

Jimi Hendrix

Revolucionou a guitarra e tornou-se o músico mais influente e inovador de sua geração. Seu estilo único unia o blues a distorção e microfonia. Quão bom ele era? Eric Clapton responde: “Uma vez, Jimi subiu conosco no palco e tocou Killing Floor, de Howlin’ Wolf, que eu nunca consegui tocar direito. Todo mundo ficou de boca aberta”

David Bowie

O “camaleão” do rock fez de tudo: foi menestrel hippie (anos 60), inventou o glam rock, influenciou o punk e a new wave e embrenhou-se por sons eletrônicos (anos 70). Fez dance music e trilhas para o cinema (80). Sua capacidade de se reinventar não tem paralelo no pop

Sex Pistols

Em 1976, o rock vivia uma fase tediosa, com artistas milionários tocando em estádios. Em oposição a eles, grupos como Sex Pistols, Ramones e The Clash criaram o punk, uma música crua e direta. Estouraram na Inglaterra e provaram que não era preciso ser bonito e comportado para chegar ao topo das paradas

Kurt Cobain

Conseguiu, como ninguém, capturar em música o espírito da geração MTV, marcada pelo tédio e pela paralisia em face do domínio corporativo. O Nirvana foi um caso raro de banda alternativa que fez imenso sucesso comercial e abriu caminho para dezenas de outras

10 grandes momentos do rock

Benjamin Franklin “descobre” a eletricidade (junho de 1752)

O velho Ben soltou uma pipa no meio de uma tempestade e mudou o mundo

Elvis grava um disco para a mãe (4 de janeiro de 1954)

Um caminhoneiro pobre entra nos estúdios da gravadora Sun, em Memphis, e grava um acetato para dar de presente à mãe. Meses depois, quando precisou de um cantor para gravar um compacto, o dono da Sun, Sam Phillips, lembrou-se do rapaz, Elvis. Nascia o rock’n’roll

Morte de Buddy Holly (3 de fevereiro de 1959)

Buddy Holly, Ritchie Valens e Big Bopper morrem num desastre de avião, depois de um show. Foi a primeira grande tragédia do rock, um evento que ficou marcado como “o dia em que a música morreu”

Beatles aparecem no programa de Ed Sullivan (9 de fevereiro de 1964)

Mais de 50 mil fãs brigaram pelos 703 ingressos disponíveis no estúdio da CBS. Os Beatles cantaram cinco músicas e foram vistos por 73 milhões de americanos. Nascia a Beatlemania

Beatles encontram Bob Dylan (28 de agosto de 1964)

Num hotel de Nova York, o quarteto de Liverpool foi apresentado ao maior bardo do rock e, pela primeira vez, fumaram maconha. O encontro motivou o grupo a abandonar as canções adolescentes. Ali começou a fase psicodélica dos Beatles

Woodstock: lama e paz (15 a 17 de agosto de 1969)

O auge do sonho hippie: meio milhão de pessoas se reuniram para celebrar a paz e o amor, sem policiais ou chuveiros para atrapalhar. Foram três dias de lama, drogas e muito rock’n’roll, ao som de The Who, Jimi Hendrix, Santana, Joe Cocker, Creedence Clearwater Revival, Janis Joplin, Grateful Dead e muitos outros

Altamont: violência e morte (6 de dezembro de 1969)

O fim do sonho hippie: concebido pelos Rolling Stones, o festival de Altamont terminou em tragédia quando uma gangue de motoqueiros da facção Hell’s Angels, contratada para fazer a segurança do evento, matou a pauladas um jovem negro. Outras três pessoas morreram na noite: duas atropeladas enquanto dormiam e uma terceira afogada

Sex Pistols xingam a Rainha DA INGLATERRA (maio de 1977)

Em uma esperta jogada de marketing, os Pistols lançaram o compacto “God Save the Queen” a tempo de esculhambar as comemorações do Jubileu da Rainha. O disco foi banido das rádios do país, mas tornou-se o segundo mais vendido

Estréia da MTV (1 de agosto de 1981)

Antes da MTV, o principal meio de divulgação para artistas era o rádio. Logo as gravadoras perceberam o potencial do novo canal e passaram a investir mais em clipes. A imagem de uma banda passou a ser tão importante quanto sua música. Surge a “geração MTV” com estrelas como Madonna, Duran Duran, Prince e Michael Jackson

Michael Jackson compra o catálogo dos Beatles e Elvis Presley (setembro de 1985)

Hoje, ninguém pode usar uma música dos Beatles ou de Elvis sem pedir licença a um homem que pendura o próprio filho de uma janela e que admite ter feito vodu contra Steven Spielberg