sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Eletrokarma"

Após uma longa espera iniciada em fevereiro de 2010, quando começaram as sessões de gravação, finalmente será lançado o primeiro disco da Mamutes.

A banda surgiu em meados de 2006 e nesses cinco anos de existência coleciona algumas histórias e façanhas que valem a pena ser relatadas: foi, por exemplo, a primeira banda de rock de Sergipe a se reunir para morar numa mesma casa, a lendária Mamutes House. O lugar serviu para ensaios e composições, intercambio entre artistas, hospedagem solidária de inúmeros músicos nacionais, além de local de reuniões do Virote Coletivo e do circuito Fora do Eixo em Sergipe. O grupo já se apresentou nos principais festivais sergipanos, lançou um EP, um single, gravou um especial acústico para a Fundação Aperipê e no próximo dia 13 de Julho lançará o seu primeiro disco através do site www.mamutesmusic.com

O grupo adotará uma estratégia parecida com a do lançamento do EP em 2008, onde quase mil cópias foram distribuídas gratuitamente. Dessa vez, a diferença é que o disco estará inteiramente disponível para baixar na internet.

No atual cenário da música independente é mais importante a divulgação da banda do que a venda de CDs. A Mamutes veio do underground e se tornou mais conhecida principalmente pela estratégia de promoção: distribuía os EPs gratuitamente e passava as músicas pelo celular ou pela internet. Com o disco, a banda objetiva a consolidação local e uma repercussão maior fora das fronteiras sergipanas. O novo trabalho será o cartão de visitas e a aposta para uma divulgação mais abrangente. Os colecionadores mais fervorosos que não abrem mão da versão palpável do disco, no entanto, não precisam se preocupar, pois ainda no segundo semestre ele será lançado no formato digipack.

"Eletrokarma", a faixa-título, será executada hoje, pela primeira vez, no programa de rock.

Para o futuro a banda promete o lançamento de vídeo clipes e muitos shows em Sergipe e no Brasil.

Informações técnicas:

O disco é composto por 10 faixas , 7 inéditas e 3 regravações do EP, levou em torno de um ano juntando as gravações e mixagens. Foi gravado no Estúdio Caranguejo Records e teve a produção de Rick Maia, co-produção da Mamutes, mixagem de Leo Airplane e o técnico de gravação foi Anselmo. A concepção visual é de Thiago Neumann. Foi gravado por Karl Dy Lion (vozes, castanholas em Noturna), Rick Maia (guitarra, violão em Noturna), Thiago Sandez (baixo), Marcos Odara, (bateria , gobel em Tudo No Seu Tempo), Aroldo Sax (sax em Tudo No Seu Tempo), Alexandre Abraham (trompete em Noturna e Tudo No Seu Tempo), Leo Airplane (teclados em Te Deixando o Meu Bye Bye) e Dog (vocal gultural em Cabeça de Mamute).

Mamutes hoje é:

Karl di Lyon (voz)
Rick Maia (guitarra)
Thiago Sandez (Baixo)
Danuza Corumba (bateria)

Redes sociais:

http://www.facebook.com/mamutesmusic

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=9542562594153526387

https://twitter.com/#!/mamutesmusic

http://www.youtube.com/watch?v=LFTZGG8y-ts

http://www.myspace.com/mamutesmusic


quinta-feira, 7 de julho de 2011

# 191 - 08/07/2011


Television de volta ao Brasil varonil - boa oportunidade pra tocar mais uma vez a clássica "Marquee Moon", desta vez em uma versão alternativa que saiu como bonus numa edição comemorativa do disco. Na sequencia, Second Come e 4 bandas "indie" brasileiras tocando Second Come. Dentre elas uma sergipana, a Snooze - gente, Luiz Oliva ar-ra-sou nas distorções! Iradíssimo.

Segunda meia hora, Drop loaded com outra banda indie brasileira clássica, o Grenade, e então madeira: novas do Vader, Death metal da Polônia, e Lock up, projeto paralelo originalmente composto por Shane Embury (Napalm Death, Venomous Concept), Nicholas Barker (ex-Cradle Of Filth, Dimmu Borgir) e Jesse Pintado (Napalm Death, Terrorizer), com a ajuda de Peter Tägtgren (Hypocrisy) no primeiro álbum. Jesse Pintado, como se sabe, morreu. Completa a banda, atualmente, Tomas Lindberg, nos vocais, e Anton Reisenegger na guitarra. O novo disco, Necropolis Transparent, teve ainda as participações especiais de Peter Tägtgren e Jeff Walker (Carcass, Brujeria).

O rock sergipano, vivo e ativo, dominará a primeira meia-hora da segunda parte do programa: tocaremos mais duas do primeiro disco da The Baggios e "Eletrokarma", faixa-título do CD que os Mamutes lançarão virtualmente no dia 13 de julho, Dia Mundial do rock. Reza a lenda que vai rolar também o novo single da plástico lunar, mas eu não sei, ninguém me mandou nada ainda ...

Fechando a noite, mais rock, porra !!! ROCK, CARALHO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Bloco do ouvinte especial com Nashville Pussy!

Fui !

PS: Curioso, programa # 191, e hoje Sergipe faz 191 anos de emancipação política ...
* * *

Television: "Não somos uma banda punk"

Foram dois discos nos anos 70. Mais um duas décadas depois. Duas separações, duas voltas. Um baixista que pulou fora em 75. Um guitarrista que saiu em 2007. Desde o começo da banda, são 38 anos entre tantas idas e vindas – e poucas passagens pelo estúdio, diga-se.

Mas nem o próprio líder, vocalista e guitarrista do Television, Tom Verlaine, sabe explicar o motivo da legião de fãs que ainda se reúnem para assistir aos seus shows. “Eu não sei como é isso. Mas fico muito grato. E é também muito divertido”, diz Verlaine, hoje um senhor de 61 anos.

A banda é considerada, na cronologia do rock, uma precursora de todo o movimento punk que invadiu Nova York e Inglaterra no começo dos anos 70. Mas o Television é tão precursor, tão precursor, que qualquer desavisado que ouça alguma faixa dos três discos – Marquee Moon (1977), Adventure (1978) e Television (1992) – nunca o colocaria num mesmo grupo que os Ramones, só para citar uma banda contemporânea a Verlaine e companhia. “Exato. Nunca fomos punk!”, exclama o vocalista ao JT, por telefone.

“Os Ramones tinham praticamente um uniforme, usavam todos as mesmas roupas. Todos são diferentes, sabe? As pessoas são muito superficiais e dizem um monte de m…”, continua. “O que acontece é que, independentemente da década, anos 70, 80 ou 90, o Televison sempre soou diferente”.

A banda que se apresenta amanhã no Beco 203, na Rua Augusta, pontualmente às 22h30 (como eles fizeram questão de frisar), perdeu um dos seus principais alicerces com a saída, em 2007, do guitarrista Richard Lloyd. Ele, ao lado de Verlaine, criou uma sonoridade muito baseada em duas camadas de boas linhas de guitarra – algo que, em certos momentos, pode ser encontrado em bandas como o Strokes, no terceiro disco, First Impressions of Earth, de 2006.

É totalmente oposto ao minimalismo musical do punk. Verlaine desconversa quando o assunto é Lloyd. “Hoje, tocamos com o Jimmy Ripp. E, sinceramente, eu toquei mais em shows com ele, de 1981 até agora”. E sobre Lloyd ter dito, à revista inglesa News Music Express, que teve de ficar invisível para que Verlaine brilhasse? “Esqueça isso”.

Um ano após lançar Adventure, em 77, o Televison se separou pela primeira vez. Verlaine seguiu em carreira solo. E, sem a companhia dos outros parceiros de banda, ele produziu muito mais: foram dez discos, sendo o último, Songs and Other Things, lançado em 2006. Desde 1981, o novo guitarrista do Television, Jimmy Ribb, já estava ao seu lado, inclusive na regravação da música Cold Irons Bound, de Bob Dylan, para o filme I’m Not There, de 2007.

A pequena discografia do Television pode ganhar mais um capítulo – o quarto – ainda este ano. Segundo contou Verlaine, o quarteto tem um punhado de músicas prontas. O que falta para o lançamento? “As gravadoras estão todas quebradas. Estamos pensando ainda no que fazer com nosso material. Até o fim deste ano, daremos um jeito”, diz. É quase como uma volta ao sonho do garoto de Nova Jersey, que se mudou para Nova York em 1968, aos 19 anos, sonhando em lançar um disco.

Fonte: Combate rock

por Pedro Antunes

#

Television - Marquee Moon (Alternative version)

Second Come - My cancer
Loomer - I Feel like I don´t know what I´m doing
Snooze - 704
Luiza Mandou Um Beijo - Cinco e vinte e seis
Leela - Defeanig sounds in my mind

Grenade - Simple life, simple days
Grenade - Good day
(Drop Loaded)

Vader - Come and see my sacrifice
Lock Up:
# Accelarated Mutation
# Tartarus

The Baggios:
# Oh! Cigana
# Quanto mais eu rezo

Entrevista com os Mamutes
Mamutes - Eletrokarma

Bloco produzido por Max "Diatribe":
Nashville Pussy:
# Pussy Time
# She´s got the drugs
# Snake eyes
# Go motherfucker go
# I´m the man


Anderson "Foca" só queria ser músico ...

Eu só queria ser músico. Tocar rock por aí, ser uma estrela da música e viver como num clip do Van Halen nos anos 80. Em 95 ser como os Raimundos já me bastava, vida na estrada, rock todo dia e coisas do tipo. Tentava sem sucesso ter uma banda que tinha como equipamentos uma caixa onde ligávamos todos os instrumentos e uma bateria surrada. Não havia escritório de familiares que não ocupássemos nos fins de semana com nossa “equipe”.

Em 97 dei um salto qualitativo. Passei a estar numa banda em que cada integrante tinha o seu equipamento. Quase não acreditei quando nos primeiros ensaios consegui finalmente ouvir minha voz minimamente depois de dois longos anos “cantando”. Formávamos um grupo chamado Jam97. Nome horroroso por sinal, mas que nos orgulhava muito na época. A tentativa de seguir carreira era uma só para quem estava no Nordeste. Tínhamos que ir ao Abril Pro Rock, ficar na porta do backstage, esperar Paulo André – produtor do festival – sair, dar uma fita cassete para ele e pronto, todo um sonho se realizaria: tocaríamos no evento, uma gravadora nos contrataria e no ano seguinte voltaríamos lá de novo com um disco e uma tour.

Eu só queria ser músico. Só que logo percebi que meu sonho morreria se eu esperasse a sorte bater na minha porta. O engraçado é que o universo conspira durante nossas elocubrações e acabei encontrando muita gente que vivia realidades (e sonhos) parecidas com a minha. Eram zineiros, roqueiros, indies, jovens jornalistas numa fauna imensa de desacreditados, totalmente à parte do universo das gravadoras, mas que acreditavam na música como condutora de suas vidas. Começamos a trocar cartazes, zines, fitas e nos conhecemos presencialmente em alguns festivais como o SuperDemo, Abril Pro rock, Porão do Rock, RecBeat, MADA, entre outros.

Eu só queria ser músico, mas em Natal tocar rock era impossível. Na angústia dos ensaios sem show, já fora da faculdade e com a carreira voltada só para a música, comecei a perder a esperança de ser contratado. Mais que isso, comecei a ter nojo da ideia de ter que entregar minha criação para outras pessoas editarem, gravarem e afins. Queria ser dono do meu nariz e responsável direto pelo sucesso ou fracasso da minha empreitada. Não me restava nenhuma alternativa a não ser seguir o caminho alternativo, onde shows autorais eram raros e tours de bandas de fora da cidade eram mais raras ainda. Começamos do zero produzindo shows para o Jam97, nessa época já com um nome um pouco melhor, o Ravengar. Lembro de comemorar como um gol uma nota de cinco frases publicada na Tribuna do Norte sobre o primeiro show. Era garantia de sucesso porque sem internet e redes sociais, o único jeito de informar as pessoas sobre uma atividade artística era via TV ou jornal. Assim comecei a me tornar um produtor cultural.

Como eu, centenas de jovens no Brasil inteiro passaram a ter as mesmas ideias, produzir os próprios shows, criar os próprios cartazes, seguir o lema punk do eterno “do it yourself” e empreender em atividades inéditas dentro de suas cidades, muitas delas inclusive ridicularizadas pelo poder público. Em Brasília, capital dos playboys, em Goiânia, capital da música sertaneja ou em Natal, capital do forró e em várias cidades Brasil afora a chama do rock independente permaneceu acesa, e mesmo nas mais toscas produções e nos piores espaços que nos abriram portas permanecemos ativos, mantendo a tradição dos nossos antecessores do punk, do começo do rock 80 e de muitos outros que vieram antes de nós.

No final dos anos 90 já fazíamos coisas bem relevantes. Começamos a lançar nossos primeiros discos, e a minha geração foi a que popularizou o CD como mídia. Ficamos mais perto de registrar nossos trabalhos, já que lançar vinil por conta própria era algo fora da nossa realidade pelos custos de estúdio e prensagem. Começamos a nos digitalizar e a internet apareceu. Lembro de tentar gravar meu primeiro cd com o Ravengar, mas era tão caro que a banda acabou antes de terminarmos o disco completo (a dívida do estúdio só foi paga quase três anos depois com os mesmos caras que mixamos hoje, o Megafone). Continuei em bandas e continuei produzindo shows e bandas. Meus companheiros fora daqui começaram a ter vitórias parecidas, alguns foram absorvidos pelo mercado mainstream, outros foram protagonizando cenas em suas cidades como a Monstro em Goiânia, Tamborete no Rio de Janeiro e uma infinidade de labels em São Paulo, só para servir de exemplo.

Com a internet, a troca de informações entre a minha geração ficou mais dinâmica. Fomos capazes de utilizar isso ao nosso favor enquanto assistíamos “de camarote” a derrocada das grandes gravadoras como conhecemos, engolidas pelo período digital. Nossas atividades foram ganhando alguma visibilidade, já não éramos os patinhos feios da sociedade, muito de nós estavam começando nas redações de jornais e revistas, aos poucos fomos começando a produzir artistas que eram nossos contemporâneos e que tinham atingido o grande público e fomos aprendendo a atuar mais profissionalmente.

Eu só queria ser músico, mas já fazia mais de dez atividades ligadas à música que não tinham a ver com ensaiar, compor e se apresentar. Meus trinta minutos em cima do palco eram um prêmio pelo meu esforço de fazer o rock acontecer diariamente na minha vida, na minha cidade e no meu país. Sabia que o que eu fazia era parte de algo muito maior e que tinha alguém bem longe de mim que estava fazendo o mesmo. Pela internet trocamos tecnologia e encurtamos caminhos uns dos outros. Nossa geração sabia que precisávamos de força conjunta, meu grupo nunca iria para São Paulo se eu não fosse capaz de receber um grupo de São Paulo por aqui. Criamos intercâmbio mínimo, médio e máximo.

Não queríamos mais espaços ruins pros nossos shows e resolvemos abrir nossos próprios espaços, adequados à nossa realidade. Não queríamos mais estúdios que não entendiam nossa linguagem e compramos nossos próprios computadores. Não queríamos mais festivais com bandas que não nos agradavam e criamos nossos próprios festivais. Sou capaz de contar nos dedos das mãos quantos festivais de música independente existentes até hoje no Brasil que são geridos por caras que não são músicos ou não vieram de alguma banda. Perdemos editais e projetos por mais de dez anos para corporações culturais instaladas nas grandes cidades e aprendemos sozinhos a competir por melhorias para as nossas atividades. Ninguém nos ensinou, ninguém deu dica, não havia palestras. Atiramos no escuro até começar a acertar e replicamos as coordenadas para que mais de nós pudessem fazer o mesmo. Minha geração não ficou num bunker atirando pedra no inimigo oculto. Foi lá e cavou seu espaço com muito trabalho e dedicação que só o extremo amor pela música foi capaz de nos fazer aguentar. Isso pode soar piegas, mas é real.

Muitos de nós se organizaram em associações e movimentos culturais para ter força política e defender nossos direitos como classe culturalmente ativa. Vieram ABRAFIN, Fora do Eixo, Associação de Produtores, Fóruns de Músicos, Redes, Casas de shows, Cine Clubes, sites, entre outras centenas de atividades, todas no intuito de se manter viva a chama da música nas mais variadas esferas da sociedade. Nossas responsabilidades aumentaram mas nunca corremos com medo desses novos desafios. Nunca corremos com medo de nada.

Por isso que é fácil entender porque caras como eu produzem festivais, têm banda, estúdio, fazem seus próprios clips, sua própria assessoria de imprensa e ainda saem para dividir experiências Brasil afora com quer tentar fazer o mesmo. Estamos acostumados. É o que fizemos ontem, fazemos hoje e vamos continuar fazendo amanhã. E eu só queria ser músico.

Para essa geração que se forma agora no meio do caos mercadológico em que se configurou a música no Brasil é compreensível que ao invés de heróis da resistência (título que não queremos para nós) sejamos vistos por alguns como o “mercadão a ser combatido”. O contra-ponto, o “inimigo” a se combater parecem ser uma espécie de pólvora propulsora. Sabemos disso, já fomos assim. A minha geração tinha um oceano para atravessar a nado para poder colher alguma vitória. E essa geração de agora? Qual é a briga boa a se comprar? Existe um oceano para ela atravessar?

Eu ouvia fita fora de rotação para conhecer meus ídolos da música e a nova geração clica num streaming e ouve qualquer coisa em altíssima qualidade. Eu via filmes dropados e com áudio fora de fase para assistir meus ídolos e hoje tudo está disponível no youtube em alta definição em tempo real. Só vi um estúdio ao vivo quase seis anos depois de começar minha carreira com música; hoje, em cada computador tem o que os Beatles jamais tiveram para gravar. Essa geração tem a sorte de não ter o que combater, porque não somos os inimigos inacessíveis com os quais eles nunca dialogarão como foi para gente quando começamos nossa atividade com música. Qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo fala com qualquer um dos caras da nossa geração com um único clique e correspondemos a esse contato dentro do limite do possível (e às vezes do impossível).

Sobra tempo para essa geração empreender, se dedicar e realizar. Tempo que nenhum dos caras da minha geração ou dos que vieram antes jamais tiveram para se manter em atividade com música. Hoje temos uma super população de artistas que termina sendo um crivo muito mais difícil para quem quer ter uma carreira. Temos muito mais quantidade e dessa quantidade aumentou também a qualidade de registros, áudios e perfomances mundo afora. Cada período tem suas dificuldades e vocês da nova geração têm que arrumar soluções inteligentes para vencer esses novos obstáculos.

Dedico esse texto, que pretende ser o começo dos meus relatos para um livro de 10 anos de atividade do Dosol, para todos os meus amigos advogados, promotores, médicos, fiscais da natureza, e doutores que tentaram ter alguma carreira na música e por uma contingência do destino não conseguiram. Se hoje ainda continuo aqui empreendo na música devo isso a todos eles.

Essa é a única e real história sobre a minha geração, aquela que disse não ao mercado como ele existia e criou o seu próprio (e ainda muito pequeno) espaço. O mais legal disso tudo é que descrevi resumidamente acima apenas o começo de uma longa caminhada. Podemos acumular conhecimentos e continuar a caminhada juntos. Quem se habilita?

por Anderson Foca

Camarones Orquestra Guitarrística
www.myspace.com/camaronesorquestraguitarristica
Associação Cultural Dosol
www.dosol.com.br

A Balada dos loucos

Plástico Lunar é a melhor banda de Sergipe. Ponto. No próximo sábado eles estarão lançando seu novo single, "mar de leite azedo", no Capitão Cook. A partir das 23:00H. Custa R$10,00, e as primeiras 50 pessoas que comprarem o ingresso levarão para casa uma cópia do single. No dia 14 de julho de 2011, uma quinta-feira, eles tocarão em São Paulo, no Studio SP, na Rua Augusta, como convidados da banda Cérebro Eletrônico. A renda do show de sábado será revertida para a viabilização desta viagem.

Abaixo, foto promocional produzida pela Snapic. O cartaz do show reproduz a capa do single, com arte de Thiago Cachorrão.

ponto final.

É coisa nossa.

Julico, no Facebook, sugeriu que a gente parasse de choramingar e ele está certo, mas é mais forte do que eu, então tenho que comentar, mais uma vez, esta injustiça: amanhã a Praça São Francisco, em São Cristóvão, receberá oficialmente o título de Patrimonio Histórica da Humanidade, concedido pela UNESCO, com a presença da Excelentíssima Senhora Ministra da Cultura Anna de Holanda. Segundo material promocional divulgado pela Secult, "grupos folclóricos, bandas filarmônicas e a Orquesta Sanfônica de Aracaju representarão a diversidade cultural do estado neste evento". Diversidade cultural, é bom frisar. Então porque diabos a The Baggios, provavelmente a banda de rock sergipana com maior projeção nacional no momento, que nasceu em São Cristóvão e vive cantando as coisas da cidade em suas músicas, não foi chamada para se apresentar ? "Mistérios da meia noite", já dizia aquele cara de voz cavernosa lá da Paraíba. Mas não tem nada não: fazendo juz ao clássico lema "faça você mesmo" que tem impulsionado as cenas roqueiras mundo afora, The Baggios lançará seu primeiro disco amanhã, na Casa Rua da Cultura, em Aracaju. Estarei lá e depois conto como foi.

Abaixo, uma entrevista com o cabra conduzida por nosso parceiro Rian Santos para o Jornal do Dia:

Sete anos dando murro em ponta de faca não foi suficiente para arrefecer o ânimo dos meninos. Calejado e casca dura, o frontman Julio Andrade pode até ter desanimado em algum momento, mas nunca abriu mão de usufruir da vida à sua maneira – as pontas dos dedos esfoladas na guitarra; o berro comendo solto, madrugada a dentro. A perseverança acaba de frutificar no primeiro disco da Baggios – Uma experiência sensorial comparável somente com uma aparição dos caras nos Cooks e festivais da vida. Esta semana, Júlio Andrade (guitarra) e Gabriel Perninha (bateria) convidam a galera para comemorar o rebento e voltam a fazer barulho para alegria da gente. Era a deixa que esse diário precisava para rasgar seda e jogar confete num dos nomes mais talentosos da música independente de nossos dias.

Jornal do Dia – Antes de mais nada, vocês ficaram satisfeitos com o resultado do disco? E a reação da galera?

Julico – Em se tratando das gravações, não tenho do que reclamar. Acho que se eu bulinasse mais nele, o disco ganharia outro rumo ou eu estaria vagando pelas ruas de São Cristóvão, cheio de pindobas amarrada nas pernas. Até agora, a reação das pessoas tem me deixado mais contente ainda. Todos chegam falando bem da arte gráfica, das composições e da qualidade das gravações. Não tenho do que reclamar, isso tem abastecido ainda mais minha alma.

JD – Os registros anteriores pecavam por não conseguir reproduzir a energia dos shows (exceção feita ao single O azar me consome). Nesse primeiro disco, entretanto, parece que vocês finalmente conseguiram alcançar o equilíbrio necessário para traduzir o som que arrasta a galera pros Cooks da vida dentro do estúdio. O que foi que mudou nesse meio tempo?

Julico – Eu sempre busquei isso. Queria que nossa energia de show fosse nítida nas gravações. Finalmente, chegamos nesse resultado, mas demorou um pouco, precisou que justássemos alguns cachês, investíssemos numa viajem para São Paulo, e que a gente finalmente encarasse a tarefa de gravar boa parte do disco ao vivo e torrar uma graninha num bom estúdio.

O que mudou dos EPs pra cá foi que estamos com os ouvidos mais afiados, calejados, estamos mais chatos e sabendo o que queremos de verdade. Agora, temos uma direção a seguir. Além disso, conseguimos ganhar algum dinheiro nesse tempo. Maturidade também conta, afinal são sete anos de Baggios.

JD – O que a banda espera conseguir com o disco em mãos? Em outras palavras, qual o destino da Baggios daqui pra frente?

Julico – Cara, espero que a gente toque ainda mais em festivais, mais turnês, resenhas em blogs, clipes bem produzidos, revistas e afins. Estou apostando nesse trabalho. Suamos bastante para ver esse “filhinho” nascer. Quando abri a primeira caixa, veio um arrepio e uma frase na cabeça: “agora sim, temos um disco para distribuir sem medo nas mãos de qualquer produtor”. Meu filhinho me deixou mais otimista.

JD – Ao longo dos sete anos de atividade da banda, muita coisa aconteceu em nossa cena. Como vocês comparam o cenário que encontraram quando se atreveram a meter as caras pra mostrar o que aprontavam lá em São Cristóvão e o quadro que observam hoje, depois de comer a poeira de tanta estrada com a viola nas costas?

Julico – Guardo ótimas recordações da era “ATPN”, sinto falta daquilo. Queria realmente ter uma banda naquela época. Tudo aquilo que aconteceu entre 2000 e 2003 me colocou muita pilha pra montar minha primeira banda. Eu tinha muita secura de subir naquele palco. Também me ligava muito na Casa Laranja. Infelizmente, só consegui tocar na ATPN em 2007, nem sei que fim teve aquele espaço foderoso…

Acho que em termos de bandas, estamos bem representados. Existe um ceninha acontecendo. O problema é: Tem muita banda – bandas ótimas, por sinal. Poderia citar pelo menos seis das quais sou fã – pra pouco espaço. Falta lugar pra tocar. Pelo que me recordo, na época em que eu não passava de um simples expectador dava pra escolher entre Tequila, Cachaçaria, ATPN, Casa Laranja e Malibú para tocar. Isso, pra não mencionar o picos dos quais eu só ouvia falar. Hoje em dia temos somente o velho de guerra, Capitão Cook (ai, ai, se não fosse ele… O que seria de nós?).

Ah! Já estava esquecendo! Precisamos urgentemente de um festival independente! Já me divertir pra carálio nos PUNKAS.

JD – Qual a importância dessas andanças? Como elas interferem no processo criativo da banda?

Julico – Acho que desde quando toquei na minha primeira banda, em 2001, só quis compor, tocar com uma turma legal, viajar por aí, matando minha secura, e quem sabe fazer parte de uma cena. Se eu fosse seguir o ritmo dessas mudanças, estaria muito mais frustrado, desistiria de tocar há um tempão. Eu escolhi viver tocando Rock n’ Roll, e o sonho só está começando. Não deixo de me preocupar com a cena local, mas não me prendo a isso. Deixo rolar, e torço pra que toda essa turma que eu gosto tanto não seja fraca a ponto de se afastar dos próprios sonhos, e não acabem com suas bandas de maneira prematura, como já aconteceu tantas vezes.

JD – Os Baggios já cogitaram tentar a sorte no sul maravilha, mudar de mala e cuia pra ver se fazem a cabeça daquele povo acostumado com o frio? Com a propalada implosão das fronteiras pela tecnologia, essa aproximação com os grandes centros urbanos continua tão necessária quanto já foi um dia?

Julico – Cara, isso tudo é ilusão no meu ponto de vista. Eu posso muito bem ir lá passar um mês, fazer vários shows, e voltar pra minha pacata São Cristóvão respirando ar fresco. Não tenho essa moral (R$), nem coragem de encarar morar numa São Paulo da vida, por enquanto não. Eu estou ligado que tudo acontece por lá, facilita em algumas coisas, mas é uma aventura pela qual não quero passar no momento. Não estou psicologicamente preparado pra um passo tão grande (sorrindo).

JD – Pra terminar de maneira bem safada, quando sai o primeiro DVD da Baggios?

Julico – Está nos planos viu! Vivo pensando nessa possibilidade. Quem sabe em 2012, na Praça São Francisco, São Cristóvão, Sergipe, cheia de gente dançando e cantando nossas músicas… Peraí… Deixa eu acordar…

riansantos@jornaldodiase.com.br

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Rock crocante ...

Gabriel Thomaz, vocalista e guitarrista do Autoramas, falou à Rolling Stone Brasil sobre a mais nova empreitada da banda para finalizar o novo disco, Música Crocante. Por meio do crowdfunding - método que consiste em angariar fundos com ajuda dos fãs -, o Autoramas iniciou as gravações do álbum.

A ideia é que, com um programa de cotas, o fã auxilie o trio e seja recompensado de acordo com o tamanho da doação. Prêmios incluem até mesmo a própria guitarra de Gabriel, uma Danelectro (por R$ 5.000).

Quem se interessar em ajudar Gabriel Thomaz, Bacalhau e Flávia Couri pode acessar o site do disco Música Crocante até o dia 14 de agosto, clicando aqui. A doação mínima é de R$ 20, que inclui o download das músicas antes de elas serem lançadas e um e-mail pessoal de agradecimento pela colaboração.

Confira a entrevista com Gabriel Thomaz abaixo:

Como surgiu a ideia do crowdfunding?
Conversamos com a empresa que trouxe o Misfits [a MobSocial trouxe a banda de punk gótico em abril deste ano] e vimos as várias possibilidades do crowdfunding, além de ver algumas pessoas que a gente gosta e admira nesse mesmo esquema. A gente viu que era uma coisa bem viável. Nunca tivemos gravadora ou patrocínio. Sempre tivemos que colocar uma grana na frente, pra depois recuperar com as vendas. Agora, é tipo um empreendimento imobiliário: estamos vendendo o apartamento na planta, entendeu? [risos].

Você acha que a ajuda do público na produção é uma tendência?
Eu lutarei sempre para que essa tendência seja duradoura. Vivemos muitos anos sob uma coisa meio ditatorial, de que sucesso é o que a rádio ou uma cúpula determina que vai chegar no ouvido de todo mundo. Agora vivemos em uma época extremamente democrática: você pode entrar na internet e escolher o que você quer ouvir e o que não quer. Por muito tempo tivemos que aceitar o que foi enfiado goela abaixo, sem ter como chegar a outra coisa que não tivemos alcance.

MTV Apresenta Autoramas Desplugado, de 2009, tem alguma influência sobre Música Crocante?
Música Crocante é elétrico. Estamos pensando em colocar um bônus, uma canção acústica que não entrou no Desplugado. O legal do Desplugado é que aprendemos a dar valor a melodia, backing vocals... coisas que para nós não são primordiais e que a gente deixa pra depois, sabe? Com o Desplugado reaprendemos a valorizar isso. Quanto ao Música Crocante, vai ser um disco do Autoramas total. A gente tem feito viagens pelo mundo, e temos escutado muitas coisas por aí: psicodelia francesa, rock turco, músicas de protesto libanesas, cumbia psicodélica do Peru. Mas isso tudo é só um tempero no som, nosso estilo continua o mesmo de sempre: rock.

A guitarra Danelectro que você está colocando a prêmio tem algum valor sentimental?
Tem, e muito, cara! Estou torcendo pra que ninguém compre. Já estou arrependido desse negócio aí. Se alguém comprar vou ter que abrir mão. Eu não sei porque eu fiz isso, e agora? [risos] É uma guitarra que já usei muito, colocamos ela justamente porque é um instrumento que tem muito a minha cara. Mas espero que ninguém precise comprar essa cota!

Ringo Starr no Brasil, pela primeira vez

Timothy Leary, figura emblemática dos anos 1960 que estudou e defendeu supostos benefícios terapêuticos do LSD, dizia que os Beatles eram como mutantes. Nada mais do que agentes da evolução enviados por Deus, dotados de uma força misteriosa que impulsionava a criação de uma nova espécie, uma jovem raça de homens livres e sorridentes.

Ringo Starr é certamente uma dessas criaturas. Como dizem, foi o cara que estava no lugar certo, na hora certa – tipo de virtude fundamental para quem passa a maior parte da vida batendo em tambores. O lugar em que estará dias 12 e 13 de novembro será no palco do Credicard Hall, em São Paulo, ao lado de sua All Starr Band.

Será a primeira vez deste beatle no País para shows em que toca Beatles mas também rocks clássicos dos anos 60 e 70. As vendas de ingressos começam em 18 de julho. A turnê passará ainda por Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília e Recife.

O dia mais importante da vida de Ringo Starr foi 18 de agosto de 1962, data de seu primeiro show como integrante dos Beatles. Havia aparado a barba e trocado o topete rocker pela franja.

Estava pronto para os terninhos impecáveis, apesar de ser flagrado sempre à época com uma aparência tensa. Não era por menos. Ringo foi rejeitado pelas fãs do baterista que substituiu, Pete Best. “As fãs adoram Pete. Se você tem um cara boa pinta na banda, por que trocá-lo por um feioso?”, ironizou.

As fãs se acostumaram. Logo estavam implorando para Ringo cantar algo nos shows enquanto penduravam botons com a inscrição ‘Ringo para presidente’ ou ‘Eu sou uma fã dos Beatles, em caso de emergência ligue para o Ringo’.

Quando saiu o primeiro LP da banda, com Ringo cantando Boys, muitas garotas já estavam conquistadas. Mas o golpe definitivo veio no álbum seguinte, With The Beatles, em que Ringo cantava uma intimação sexual de nome I Wanna Be Your Man.

A New Musical Express estampou: “Ringo segura o ritmo insistente de um jeito mais polido e mostra sinais de que está se tornando um vocalista beat de primeira.” Na legendária capa de With The Beatles, lá estava ele, um patamar abaixo dos outros três. Tinha que ser assim.

A partir daí veio o estigma de ‘beatle sortudo’, menos competente e, portanto, aquele que deveria orar todos os dias por estar com Lennon e McCartney. O que ninguém esperava é que ele também fosse descambar para o lado criativo da força com contribuições inquestionáveis.

Subestimado, a gozação ao ‘beatle narigudo’ acaba por ofuscar a profundidade percussiva em levadas de canções como A Day In The Life, She Said She Said e Tomorrow Never Knows, além de seus vocais divertidos para Yellow Submarine ou With A Little Help From My Friends.

Quando os Beatles começaram a se aventurar no cinema, Ringo despontou curiosamente como o personagem mais hilário e promissor. Fazia careta e agia com naturalidade. Sem desejar, roubou a cena, segundo o amigo Peter Sellers: “Ringo falava com os olhos.”

A imagem de beatle fanfarrão foi usada com maestria pelo próprio. Se McCartney era o compositor virtuoso, Lennon o mártir contestador e Harrison a força espiritual, cabia a Ringo abater o maior número possível de lebres, torrar sua fortuna pelo mundo e se divertir. Quando dizem que é um cara de sorte, responde: “Os Beatles é que tiveram sorte de ter um baterista como eu.”

Nas raras entrevistas, frustra-se com a quantidade de perguntas sobre seu antigo grupo. “É difícil, as pessoas não querem que você cresça, querem te manter naquele mundo. Olham para o cara de A Hard Day’s Night e dizem: ‘Ainda é ele!’”, disse recentemente ao Daily Mail.

Em 1969, antes de os Beatles anunciarem o fim, Ringo Starr mostrou ser o mais pragmático dos Fab Four ao gravar seu primeiro solo, Sentimental Journey. Não importava que o timbre de voz saísse envergonhado, deprimido, levemente desafinado nos standards dos anos 40 imortalizados por Sinatra, Bing Crosby e Matt Monro.

Ainda hoje há um restrito séquito de admiradores do álbum, tal qual Two Virgins, de Lennon e Yoko. Segundo Ringo, Sentimental Journey “foi a primeira pá de carvão jogada na fornalha que fez o trem ir adiante”. E só agora, 42 anos depois que o maior grupo de rock anunciou seu fim, esse trem chega ao Brasil.

Fonte: O ESTADO DE S. PAULO

por Bento Araujo

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Aí vão eles ...

Confesso que fiquei um tanto quanto decepcionado quando os Baggios divulgaram, já há algum tempo, a capa de seu tão aguardado primeiro disco - uma foto "trabalhada" com dois caras vestidos de branco "trabalhando" em algo indefinido, mas que produz uma explosão de luzes cósmico/psicodélicas. Achei uma imagem meio vaga, muito embora seja explícita a referência ao fato de que se trata de uma dupla às voltas com a concepção de um disco - mais que isso, uma obra de arte. Mas porque eles estão de branco? Para isto não há nenhum significado especial, me disse Julico.

Toda esta primeira impressão negativa, provavelmente motivada pelo fato de que eles já há algum tempo vêm sendo trabalhados iconograficamente pela competentíssima dupla de fotógrafos da Snapic (daí ficar meio que subentendido que a capa seria deles) se desfez ao pegar o material gráfico nas mãos. Impressa, a arte da capa ganha vida e adquire consistencia. Ou é isto ou fui eu que simplesmente me acostumei com a imagem, pura e simplesmente. Além disso, as fotos da snapic, sempre excelentes, estão lá, espalhadas pelo encarte e na contracapa, abrilhantando o material que é, como um todo, bem acabado e de muito bom gosto. Se é verdade que a primeira impressão é a que fica, o disquinho dos Baggios, embalado no elegante formato digipack, já chega "chegando".

Feitas as devidas loas e ressalvas ao conceito e apresentação do material gráfico - e ele é importante, especialmente num disco lançado em formato "físico" nestes tempos de download gratuito e fragmentado - vamos ao som em si. As duas primeiras já são velhas conhecidas: "o azar me consome" foi lançada previamente como single e "em outras" venceu o Festival da Arpub e, por conta disto, foi executada à exaustão pela Aperipê FM. As versões registradas no disco são bastante fièis ao que conhecemos, com exceção de alguns detalhezinhos aqui e ali nos arranjos, imperceptíveis à maioria das pessoas (e à mim também, só sei disso porque Julio me falou antecipadamente). Uma vinheta separa as duas músicas, que são ótimas e extremamente apropriadas como cartões de visita. Mas o bicho começa a pegar pra valer a partir da terceira faixa - para todos os fins, a primeira "inédita". Na verdade é uma música antiga, que já constava da primeira demo, mas aparece aqui numa gravação novinha e "turbinada" pelas intervenções do órgão de Leo Airplane, por um novo solo de guitarra e por alguns trechos que surgiram de improviso nas execuções ao vivo e foram incorporados à canção. Destaque para o "lodento" duelo vocal/guitarra/bateria do final, que remete à boa e velha tradição do blues "puro", "de raiz". O timbre da voz de Julico ajuda: ele parece ter nascido no delta do Missisipi, apesar da letra em português e em alto e bom som. É uma das melhores composições do Baggios, velha conhecida de quem frequenta seus shows, e é muito bom ouvi-la em versão tão "encorpada".

A faixa seguinte, "pare e repare", já é mais nova, mas é igualmente redonda e tem um ótimo refrão, além de também ser conhecida dos shows. "Não estou aqui", a quarta, é mais "obscura". Ótima letra, ótimos riffs e mais Leo Airplane nos teclados.

Aí chegamos a "Oh! Cigana" (seria uma letra autobiográfica? Em caso positivo, por onde andará esta cigana que despertou tamanha paixão em nosso "rei do blues" sergipano?) e seus excelentes arranjos de sopros, que não são exatamente novidade, já que a versão demo também os tinha, só que aqui eles aparecem numa "versão estendida". A novidade é um novo solo, na verdade um duelo entre duas guitarras. Muito bom. É seguida por "quanto mais eu rezo" e mais metais que dão ao disco uma pitada de rythm´n´blues.

A próxima é "Seu Cristóvão", muito boa (não existe musica ruim da The Baggios), seguida de "Morro da saudade", que abre com uma gaita muito bem colocada, cortesia do colaborador de longa data Mateus Santana, e conta também com a participação especial de Helio Flanders, do Vanguart. Na sequencia, a primeira cantada em inglês, "get out now", com uma introdução em "crescendo" que culmina em mais um excelente riff de guitarra, sempre pontuado pela potente e martelada bateria de Perninha. Prefiro Julico cantando em português, mas a sonoridade da língua de Shakespeare (e dos grandes mestres do blues, evidentemente) aqui ficou perfeita.

"Meu eu" é uma balada "bluesy" de bom tamanho a esta altura do campeonato - nos dá a oportunidade de tomar fôlego para o petardo seguinte, a já clássica "candango´s bar", mais uma homenagem às "coisas de São Cristóvão", a cidade histórica vizinha à Aracaju onde tudo começou, há aproximadamente 7 anos. Depois de "Josie magnolia", o disco acaba com "you never walk alone", cuja introdução lembra o Led Zeppelin.

Este disco é um marco e já nasceu clássico, porque é o resultado de um trabalho maturado, testado e aprovado por incontáveis apresentações antológicas por todo o Brasil - a maioria delas, certamente, no bom e velho Capitão Cook, em Aracaju. É certamente uma das melhores manifestações desta entidade viva e ativa porém ainda obscura, o rock sergipano.

Ouça no volume máximo, compareça aos shows dos caras, fique bêbado (ou não), cante junto (sempre), faça "air guitar" e ajude a divulgar você também esta pequena pérola do cancioneito independente nacional.

Vida longa e próspera (que o azar pare de os consumir).

por Adelvan

# 190 - 01/07/2011

O programa de rock da última sexta-feira começou com uma homenagem aos 25 anos de lançamento do disco "The Queen is dead", dos Smiths, completados no dia 16 de junho último. Prosseguiu com outra homenagem, desta vez a recém-falecido Seth Putnann, frontman do infame Anal Cunt, com a execução de uma faixa de seu último disco, "The Fucking A", do ano passado.

Depois do Drop Loaded, vanguarda paulistana dos anos 80: uma faixa do primeiro EP da Patife Band, de 1985, outra do último do Smack, espécie de "supergrupo" formado por Pamps (Isca de Polícia), Edgard Scandurra (Ira!), Sandra Coutinho (Mercenárias) e Thomas Pappon (Voluntários da Pátria, Fellini e The Gilbertos). "3", o EP, foi lançado pelo selo carioca "Midsummer Madness" em 2008. Finalizando o bloco tivemos a bela voz de Cadão Volpato em 2 momentos: com o Fellini e com o projeto paralelo "Funziona Senza vapore".

No "Bloco do ouvinte", rock independente feito em Maringá, Paraná, trazido ao dial sergipano pelo agitador Cultural Andhye Iore, do projeto Zombilly. A partir daí, só novidades: novas do Autopsy, banda pioneira do death metal norte-americano, do Anthrax, do Cansei de Ser Sexy, de Bjork, e uma das três faixas novas que Morrissey apresentou no programa de rádio de Janice Long, na BBC de Londres. Mais uma nova do mais novo disco de Bonifrate, principal cantor e compositor da célebre banda brasiliense Supercordas, do jason (a primeira em que Leonardo Panço não toca as guitarras), do Holydays, banda sergipana que quer manter acesa a chama do hard Core californiano, e do The Baggios, que lançará seu primeiro disco na próxima sexta-feira na Casa Rua da Cultura, em Aracaju.

Pra encerrar, o primeiro single de "Godofredo", da Vendo 147.

É isso. Voltamos. Até a próxima sexta.

Adelvan

* * *

Discoteca Básica: The Smiths - The Queen Is Dead (1986)

TaIvez ainda seja cedo demais para avaliar o verdadeiro impacto dos Smiths na história do rock' n 'roIl e da cultura pop. Poucas vezes foi tão rápido e fácil conquistar a adulação simultânea de público e crítica, pelo menos na velha Grã-Bretanha. E as primeiras manifestações mágicas da parceria Morrissey/Marr - singles preciosos como "Hand In Glove" e "What Difference Does It Make?" - já chegaram com sabor de clássicos instantâneos. Por outro lado, não é nada fácil encontrar traços de suas influências na atual geração de bandas ...

Os Smiths foram o último suspiro de originalidade no rock britânico, a última banda relevante da explosão indie e o último legado da linhagem de Manchester que havia dado Buzzcocks e Joy Division. Seus verdadeiros trunfos estavam em suas excentricidades: conseguiram soar ao mesmo tempo extremamente punk e pop, sem contar o homoerotismo celibatário, sem plumas ou paetês, desconcertante para os padrões da usina de entretenimento infanto-juvenil.

O grupo estava mais que estabelecido no Olimpo do estrelato quando atingiu a maturidade e a perfeição em The Queen ls Dead. O disco implodia de maneira grandiloqüente a enxuta estrutura musical da banda. Uma orquestra de cordas transformando algumas das canções em verdadeiros épicos era o gesto de maior risco. tornando o som dos Smiths mais deslocado no tempo do que nunca. Este era o caso da ultradebochada faixa-título, do romantismo suicida de "There Is A Light That Never Goes Out” e da quase patológica "I Know It"s Over", certamente o momento mais ousado de Morrissey, compondo uma dilacerante canção de amor e adeus para a própria mãe.

A grande surpresa do disco estava, porém, no humor desenfreado, trazendo leveza de alma e os confortos do ceticismo à artilharia pesada que avacalhava a família real sem misericórdia em "The Queen Is Dead": imaginava mortes sádicas para Margaret Thatcher em "Bigmouth Strikes Again"; ridicularizava todos os medíocres do planeta em "Franky Mr. Shankly" e extraía boas gargalhadas da obsessão pelo sexo com a impagável "Some Girls Are Bigger Than Others". Nem um amigo como Howard Devoto - outro grande letrista de Manchester, líder do Magazine - escapou ileso da febre zombeteira que tomou o vocalista dos Smiths. Em "Cemetery Gates", ele compõe um hilariante manifesto narrando um passeio dos dois entre lápides e exibições de erudição, para concluir: "Você tem Keats e Yeats ao seu lado, mas perde/ Porque Oscar Wilde está no meu." A mensagem é fechada, para quem desconhece a literatura inglesa de século passado, mas basta dizer que, celebrando a vitória do mais leviano senso de humor sobre a sisudez, o idealismo e o classicismo, Morrissey resumia em uma cápsula o espírito do disco. Tentando sacudir seus conterrâneos para acordarem de seu "passado glorioso" antes que McDonalds, Pizza Hut, Tom Cruise e Demi Moore tomassem conta, o bufão da agonia fracassou de maneira retumbante. Como popstar. porém, não se deu mal: seus discos solos podem ser irregulares mas nunca entediantes (mesmo perdendo as insuperáveis melodias de Johnny Marr) e suas tumês americanas atraem multidões de adolescentes histéricas. O mesmo não se pode dizer do parceiro-guitarrista que hoje se dedica no derivativo duo Electronic, em que ele e Barney Summer sujam a reputação de Smiths, Joy Division e New Order - isto é, pelo menos 80% do melhor rock de Manchester.

É realmente intrigante para a geração que deixou a adolescência pela chamada idade adulta nos anos 80 (ouvindo coisas como Echo & The Bunnymen e Smiths) estar representada hoje, no megaestrelato, por baba diluída como REM (afinal, Michael Stipe tietou Morrissey incansavelmente!) e U2 (provando que Brian Eno realmente transforma água em vinho!). Mas, assim como o Oasis xeroca os Beatles, ainda podem surgir alguns moleques ingleses para refrescar a memória coletiva bebendo na fonte de Morrissey e Marr.

por José Augusto Lemos

Fonte: Revista Bizz - Edição 141, Abril de 1997

* * *

Não lembro quando ouvi The Smiths pela primeira vez, mas na metade dos anos 80, não era difícil dar de cara com o quarteto inglês na TV, no rádio ou em revistas. As mídias “oficiais” da época eram muito mais abertas a boas novidades, e poucas coisas andavam tão bombadas quanto Morrissey, Johnny Marr, Andy Rourke e Mike Joyce. Nos quatro cantos do planeta, quem não tinha sido consumido pelo pop esfuziante de Michael Jackson, Madonna e a turma da new wave voltava os olhos para o rock alternativo feito na Inglaterra, onde os Smiths dominavam os corações e as mentes dos jovens.
No dia 16 de junho de 1986, eles caíram definitivamente de joelhos e levantaram as mãos para o céu, em sinal de idolatria, quando The Queen is Dead, o terceiro álbum da banda, chegou às lojas levantando polêmica, a começar pelo título que decretava “a rainha está morta”. Seguia a morbidez da capa (com Alain Delon) e as provocações da faixa-título (“Querido, Charles, você não anseia aparecer na frente do Daily Mail vestido com o véu de noiva de sua mãe?”), algo que não se via desde que o Sex Pistols lançou God Save the Queen. O tom das letras de Morrissey, em geral, é mesmo amargo e até raivoso, como em Frankly, Mr. Shankly e Bigmouth Strikes Again, um dos maiores hits smithianos. Por outro lado, o grupo atingiu o apogeu em termos de de melodias e riffs, extrapolando o lirismo em The Boy with the Thorn in His Side, Cemetry Gates, There is a Light that Never Goes out e Some Girls are Bigger than Others.
A proximidade da perfeição levou The Queen is Dead pras paradas nos dois lados do oceano, confirmou Marr como herói da guitarra e sua parceria com Morrissey, uma das mais aclamadas da história do rock. Pra além disso, é o trabalho que fará os Smiths permanecer eternamente na lista dos melhores álbuns de todos os tempos. Nesta quinta (16), quando tiverem se passados 25 anos, ficará ainda mais claro que ele não perdeu um grama de seu peso e importância.

http://wp.clicrbs.com.br/orelhada/2011/06/15/25-anos-the-queen-is-dead-envelheceu-bem/?topo=84,2,18,,,84

Com este álbum os Smiths atingiram sua maturidade artística. Foi seu terceiro álbum e é certamente o melhor trabalho da banda. Um conjunto fabuloso, cujo álbum debut The Smiths, em 1984, já demonstrava que estávamos diante um super grupo. Uma combinação de tensão pop (Morrissey dizia sempre que era apenas um grupo pop) e rock (Marr dizia que era um grupo de rock), adicionando algumas letras incomuns do poeta Morrissey. Temas que falavam de suicídio, abuso de menores e assassinato de crianças. Além das melodias impecáveis de Marr, fizeram dessa banda uma das mais importantes da década de 1980.

The Queen Is Dead – que quase se chamaria Margaret On The Guillotine – produzido pela própria banda foi lançado em 16 de junho de 1986 no Reino Unido pela Rough Trade Records. A Sire Records lançou o álbum nos Estados Unidos em 23 de junho de 1986. A capa traz o ator francês Alain Delon ainda jovem no filme L’insoumis, de 1965, e as canções traziam texturas sonoras mais refinadas do que seus trabalhos anteriores, sem perder a intensa carga emocional.

O álbum abre com a canção “The Queen is Dead”, comandada pelas guitarras sobrepostas de Marr que assustou pelo peso incomum nas músicas da banda, apenas um pretexto para um ataque sarcástico e bem humorado a família real britânica. Já em “Vicar in a Tutu” a vítima dos ataques de Moz é a igreja. “I Know It’s Over”, uma triste balada de adeus que Morrisey fez para sua mãe.

“The Boy With The Thorn In His Side”, que foi lançada anteriormente como singles, tornou-se sucesso instantâneo, inclusive no Brasil – o que ajudou a popularizar a banda no país. “Bigmouth Strikes Again” também foi single e contém uma curiosa participação no backing vocal de uma tal de Ann Coates, mas que na verdade é a voz do próprio Morrissey alterada de forma proposital. “Cemetry Gates”, obviamente uma homenagem a um dos vários heróis de Morrissey, no caso, Oscar Wilde.

The Queen is Dead é uma trabalho de canções impecáveis, que fica difícil de destacar alguma. No entanto, não podemos deixar de render louvores para “There Is A Light That Never Goes Out”, uma das melhores letras de Morrissey e ainda por cima acompanhados por uma melodia à altura.

A dupla Morrissey e Marr em tão pouco tempo de carreira (1982-1987) fizeram uma quantidade enorme de prolíficas canções – espalhados em álbuns e incontáveis singles – que só pode ser comparada à verve criativa de Lennon e McCartney à época dos Beatles. E todo sucesso alcançado pelos Smiths foi graças a uma única particularidade: talento. E é interessante lembrar que toda obra da banda foi lançada de forma independente pelo selo Rough Trade. Isto que é ser indie!

http://bagarai.com.br/the-queen-is-dead-classico-da-banda-the-smiths-comemora-seu-aniversario-de-25-anos.html

Ex-guitarrista dos Smiths fala sobre o álbum The Queen Is Dead que hoje completa 25 anos.

Como não existe mais a Bizz, o Blog do Marcelo Fialho resolveu furar a Billboard e a Rolling Stone (mas não a New Musical Express) e entrevistar com exclusividade o legendário compositor sobre o álbum fundamental da banda de Manchester

Durante a composição de The Queen Is Dead que artistas você estava ouvindo principalmente ?
Sente que tiveram influência direta no som do álbum?

Johnny Marr: Velvet Underground, também acho que há influência de Stooges em “Never Had No One Ever”.

As coisas aconteceram tão rápido para os Smiths.. quando produziam o The Queen Is Dead você sentiu que ele era tão especial para permanecer tanto tempo como um dos maiores álbuns de todos os tempos ?

J. M: Estava apenas tentando fazer o disco certo para nós no momento. O que foi um trabalho grande o suficiente, só achei que era um grande álbum quando foi acabado, mas você não imagina
coisas como “melhor de todos os tempos” ou coisa assim.

Você já sentiu, com os compositores que trabalhou mais tarde, uma espécie de “sincronicidade” próxima da que havia entre você e Morrissey?

J.M.: Não sei se houve “sincronicidade”, éramos muito muito próximos e trabalhavamos muito bem juntos.

Pode citar artistas atuais que mostram influência dos Smiths? Não só musicalmente, mas no discurso, com a mistura de ironia e crítica ? Ainda há rebeldes no rock ou só bandas de videoclipe?

J.M.: Não acho que é trabalho de músicos fazer crítica de artistas em público. Não sou um crítico. Acho que há rebeldes no meio, mas talvez não no mainstream. Isaac Brock do Modest Mouse Modest é um dos poucos. Ele é um artista.

Você ouviu alguns desses vários álbuns tributo vários (incluindo Smiths Is Dead)? O que gostou neles?

J.M.: Ouvi algumas versões cover ao longo dos anos. Não sei se estão nestes álbuns. Gosto da versão do Low de “Last Night I Dreamt that Somebody Loved Me”, também a versão de TheTreePeople para “Bigmouth Strikes Again” era boa quando a ouvia.

Os Smiths eram tipo uma gangue. Você sentiu algum medo ou solidão para encarar o início na carreira solo ?

J.M.: Tá brincando? Estou sempre rodeado de pessoas. Muitas pessoas às vezes.

Você veio para o Brasil com Pretenders para um grande festival (1988). Que lembranças tem ?Conhece/gosta de música brasileira? Uma volta ao Brasil está em seus planos ?

J.M.: Minha viagem ao Brasil foi muito divertida. Conheci algumas pessoas legais e ouvi boa música. Definitivamente voltarei.

Na minha opinião, seu estilo de tocar tem como marca registrada a oposição à distorção. Como você o descreve brevemente ?

J.M.: Acho que o som pelo qual sou mais conhecido é claro e de toque melódico. Tento expressar uma emoção forte e às vezes é alegre e, às vezes triste e muitas vezes, as duas coisas. Gosto quando é assim porque é como a vida é.. tento tocar o que sinto na vida.

#

The Smiths - The Queen is dead 25 Anos
# The Queen is dead
# There´s a light that never goes out
# I know it´s over

Anal Cunt - Fuck yeah

Unfactory - Sex & Fight
(Drop Loaded)

Patife Band - Pregador Maldito
Smack - Excomungado
Funziona Senza Vapore - flor da espera
Fellini - Amanhã é tarde

Salamanders – “Reverse on the road”
Professor Astromar & Os Criadores de Lobisomem – “1952”
A Sexta Geração da Familia Palim do Norte da Turquia – “Quero jogar sinuca na casa do Inri”
Brian Oblivion & Seus Raios Catódicos – “Espectro de Plank”
(por Andhye Iore)

Autopsy - Dirty gore whore
Anthrax - Fight then ´till you can´t
Morrissey - The kid´s a looker
Bjork - Crystalline

CSS - Hits me like a rock
Bonifrate - A farsa do futuro enquanto agora

Jason - A incrível arte de errar em tudo
Hollydays - Go back to my home (intro for destruction)
The Baggios - Aqui vou eu
Vendo 147 - vingador

sexta-feira, 1 de julho de 2011

The Wall By Roger Waters

Acaba de ser anunciada a turnê “The Wall”, de Roger Waters, no Brasil, em março de 2012. Os shows acontecem em Porto Alegre, no dia 17; em São Paulo, nos dias 22 e 23; e no Rio de Janeiro, dia 25. Detalhes como o local dos shows, valores dos ingressos e esquemas de venda ainda não foram anunciados. A turnê pelo Brasil havia sido noticiada aqui.

Na turnê “The Wall” o ex-baixista do Pink Floyd toca pela primeira vez, ao vivo, no Brasil, a íntegra do álbum de mesmo título, grande clássico do grupo, lançado em 1979, e que ganhou as telas do cinema com o diretor Alan Parker. Para o show, Roger Waters desenvolveu imagens dinâmicas para ilustrar a história e as canções, à frente de um muro com mais de 137 metros de largura, que forma um telão.

Um dos grandes momentos do show é o “Fallen Loved Ones”, quando fotografias e histórias de pessoas que perderam a vida em guerras, incluindo o pai de Waters, são apresentadas no telão. Entre os homenageados está o brasileiro Jean Charles de Menezes, morto no metrô de Londres em 2005.

A turnê norte-americana de “The Wall” em 2010 foi a mais lucrativa em arenas fechadas nos Estados Unidos, arrecadando US$ 89,5 milhões de dólares em 56 shows. A perna europeia da turnê é tão bem sucedida quanto à americana, com 64 shows realizados este ano, incluindo as seus datas na O2 Arena, em Londres. Uma delas contou com a presença dos ex-membros do Pink Floyd, David Gilmour e Nick Mason.

Antes da atual turnê, “The Wall” foi realizado ao vivo pelo Pink Floyd apeLinknas 29 vezes, entre 1980 e 1981, como parte de divulgação do álbum. Em julho de 1990, onde Roger Waters celebrou a queda do muro de Berlim em uma performance que atraiu quase meio milhão de fãs à Potsdamer Platz. Esta é a terceira vez de Roger Waters no Brasil. Antes, ele se apresentou em 2002 e 2007.

Fonte: Rock Em Geral

Números do espetáculo:

137 metros de largura por 11 de altura e 5,5 de profundidade é o tamanho da parede
424 tijolos, que serão reciclados após o uso, são utilizados
45 minutos é o tempo para construir o muro
12 pessoas da produção do artista e 8 pessoas das produções locais constroem o muro
27 motores elétricos
32 quilômetros de cabos elétricos, incluindo iluminação, som e potência
172 alto-falantes
23 projetores
9 metros é o diâmetro da tela circular
10 metros é a alturas dos bonecos infláveis
55 toneladas é o peso de todo o cenário
21 caminhões

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Amanhã, no programa de rock ...

O Anthrax liberou na internet a primeira faixa do seu novo álbum “Worship Music”, que tem data de lançamento agendada para o dia 13 de setembro, pela Megaforce Records nos Estados Unidos e pela Nuclear Blast no restante do mundo. A música ”Fight ‘em’ til You Can’t”, cuja ilustração do single você pode ver ao lado, pode ser ouvida nos links gerados pelas gravadoras, que também disponibilizaram a faixa para download gratuito.

O álbum novo marcará o retorno do vocalista Joey Belladonna ao grupo em estúdio. Ele, que participou da maioria dos discos clássicos do Anthrax, não gravava um álbum com a banda desde 1990, quando foi lançado o bom disco “Persistence of Time”.

Também será o primeiro disco do Anthrax desde 2003, quando foi lançado o álbum “We’ve Come for You All”, que ainda contava com o ótimo vocalista John Bush nos vocais.

Apesar de Bush ter substituído brilhantemente Belladonna a partir de 1992 e ter contribuído com o ótimo disco “Sound of White Noise”, Belladonna é a cara da banda. Isso já podia ser constatado nas performances ao vivo do vocalista clássico na turnê recente do Big Four do thrash metal (Metallica, Slayer, Megadeth e Anthrax) e, agora, nesta nova faixa.

A música é matadora e parece trazer o grupo aos seus melhores momentos da década de 80. Desde a guitarra espetacular de Scott Ian até a bateria matadora de Charlie Benante, passando pelo baixo de Frank Bello, fica bastante claro que a banda está voltando com tudo. Da formação clássica, apenas o guitarista Dan Spitz está ausente, mas ele é substituído muito bem por Rob Caggiano, que também fez parte da produção do novo álbum, ao lado de Jay Ruston, que foi responsável pela mixagem do DVD ao vivo “The Big 4 Live in Sofia”.

O novo álbum do Anthrax teve seu processo de gravação realizado por longos quatro anos, em estúdios de Nova York, Los Angeles e Chicago. A volta de Belladona fez com que as músicas já definidas fossem alteradas, inclusiva com a mudança em algumas letras.

por Flávio Leonel

Roque Reverso

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lemmy, sempre.

Incomoda-lhe o fato de que o Metallica conseguiu fama e fortuna e o Motörhead não?

Lemmy: "É simplesmente uma questão de sorte marcada. Você tem que estar no lugar certo e na hora certa. Chegamos atrasados demais para a primeira invasão britânica e cedo demais para a segunda".

Você se tornou mais popular nos Estados Unidos por ser Lemmy do que pelo Motörhead em si.

Lemmy: "Sou grato pelo que tenho, não reclamo. Acho que me tornei mais popular por não decepcionar as pessoas. A pior coisa é você admirar alguém e essa pessoa lhe desapontar. Você vai conhecer alguém pensando que é uma pessoa excelente e ela se revela como alguém completamente idiota, isso é horrível".

Nem Motörhead nem Lemmy fizeram concessões.

Lemmy: "Concessões são idiotas. A mais divertida foi quando tentaram fazer com que cortássemos o cabelo. Um empresário antigo achava que poderíamos alcançar uma audiência maior se fizéssemos isso. Disse 'então é isso, acho que não vamos alcançar uma audiência maior'".

Você acompanhou o início da Blizzard of Ozz.

Lemmy: "Foi a turnê em que conheci Ozzy. Eles eram uma banda melhor que o Sabbath. Sabia que seria assim, pois nunca gostei do Sabbath. Realmente gostei de Ozzy com a Blizzard of Ozz".

Você viu talento em Randy Rhoads?

Lemmy: "As pessoas se tornam melhores depois de mortas, essa é a verdade. Veja Buddy Holly e Stevie Ray Vaughan, ninguém dava a mínima pra eles quando estavam vivos. Eram apenas caras que tocavam guitarra. De repente eles morrem e tornam-se grandes influências. Isso é uma besteira. Não estou dizendo que Randy não era bom, pois ele era, mas a morte aumenta as coisas. Randy era um cara baixinho, direito e humilde".

Como você pode estar no mundo dos negócios musicais e não se importar com vendas e paradas de sucesso?

Lemmy: "Isso é o que está errado no rock n’ roll, cara. Há muitos músicos que se tornam homens de negócio. Se você é um músico deveria se preocupar em contratar advogados competentes para cuidar da burocracia e cuidar só da música".

Há algum tipo de música que você não suporta?

Lemmy: "Hip-hop. Acho que é a pior música que os negros já fizeram. Entrei nessa vida por causa dos discos feitos por negros. Comecei com o blues, passei para Chuck Berry e depois os discos da Stax Records e da Motown. Hip-hop é uma continuação dessa tradição? Acho que não. Mataria por Little Richard, ele fez o melhor rock de todos os tempos".

Você se deu bem com o sexo oposto. Qual o segredo?

Lemmy: "Não pare de falar, envolva-as e seja cavalheiro. Seja um cara correto, já que as garotas conhecem muitos caras errados. Sempre fui assim, Hendrix também. Ele sempre puxava as cadeiras para as garotas e eu também faço isso. Algumas feministas extremas consideram isso uma padronização, mas eu não vejo as coisas assim. São apenas boas maneiras. As que reclamam são barangas feiosas que não conseguem sequer um encontro".

Você veio da Inglaterra para a América. Isso lhe dá uma visão diferente das coisas. O que você pensa sobre a política nos Estados Unidos?

Lemmy: "Melhor não dar minha opinião ou serei preso amanhã. Acho o que você acha, o homem é um desastre e não há ninguém para substituí-lo. Não há uma aposta melhor. Acho que os americanos confiam demais. Confiaram que Bush faria um bom trabalho e ele não fez. Muitas pessoas não querem admitir que erraram. A América é controlada por extremos. Ou você é extremamente violento, ou extremamente liberal ou extremamente religioso. Esses diferentes lados nunca se relacionam. A América é muito certa de si, pois todo mundo vem pra cá dos mais variados lugares. É a nação mais poderosa do mundo e apenas um cara controla esse poder. Ir para o Iraque é como ir para o Vietnã. Dois mil garotos não vão mais voltar para casa porque Bush queria petróleo. Agora ele tem e o preço do gás subiu. Tenho certeza que ele está ganhando muita grana com isso. Acho que todos os políticos são uns idiotas. Lembro quando Harold Wilson foi eleito primeiro-ministro na Inglaterra em 1966. Fui vê-lo em uma audiência pública em Manchester e lembro de pensar 'que cara mentiroso!' enquanto ele falava. Notei que não havia em quem votar, apenas votar contra quem você não queria. Quando se tem que escolher o menos pior não é um bom sinal. Você precisa de alguém em quem possa acreditar e que irá justificar essa crença. Kennedy foi o último bom presidente. Olhando para trás, Clinton não era de todo ruim".

Minha grande decepção com Clinton foi que ele poderia ter pego algo melhor que Mônica Lewinsky.

Lemmy: "Exato. Kennedy pegou a Marylin Monroe. Isso diz tudo".

Classic Rock Revisited, janeiro de 2008

Traduzido por João Renato Alves

Fonte: Whiplash

terça-feira, 28 de junho de 2011

Morrissey, "Alive and Kicking"

Há duas semanas, Morrissey estreou três músicas inéditas na BBC Radio e contou que já tem músicas prontas para um novo álbum, mas não tem contrato com gravadora para lançá-lo. Em entrevista ao Pitchfork, o músico declarou que um lançamento independente, à la Radiohead, não está em seus planos.

"Não sinto necessidade de ser inovador neste sentido. Ainda estou preso no sonho de um disco que vende bem não por causa do marketing, mas porque as pessoas gostam das músicas", explicou o ex-vocalista do Smiths.

Morrissey admitiu que esperava que as novas músicas despertassem o interesse de um selo para lançar seu décimo disco solo e, consequentemente, arcar com os custos da gravação.

"Não há muito que eu possa fazer a respeito. Depois que vem a público que você não tem um contrato, espera-se que alguém venha e feche com você. [...] Acho que a maioria das gravadoras querem contratar novas descobertas, para que aquela gravadora seja vista como a responsável pela ascensão daquele artista. Não há muitos selos que queiram bandas que já deixaram sua marca, porque seu sucesso já está associado a algum outro selo, em outra época. A maioria dos artistas são lembrados pelos discos que os lançaram, ou que marcaram seu sucesso. Por esse motivo, a imprensa só me menciona quando estou relacionado à história do Smiths, e o fato de que eu já tive três álbuns solo que chegaram ao número um [nas listas de mais vendidos] - ou que eu tenho 25 anos de carreira solo -, nunca é mencionado", declarou.

Mesmo previsão de lançamento, Morrissey falou sobre seu novo trabalho. "Todas as músicas são muito fortes. Só não quero divulgar mais nenhuma ainda porque se não, antes que você perceba, o álbum passará a existir em vários formatos, exceto como gravação finalizada de estúdio".

Fonte: Omelete

IMMERSION


O site Rock em Geral teve acesso a cerca de 45 minutos do material do relançamento da série “Immersion” (a mais completa), do Pink Floyd. Clique aqui para ver todos os detalhes, incluindo os track lists de cada versão, e veja abaixo as impressões iniciais da audição:

The Dark Side Of The Moon (1973)

1- Concert Screen Film - North America Tour 1975 - Speak to Me
É o filme de abertura da turnê do álbum, com imagens semelhantes às das cenas de abertura do longa “The Wall”, o que mostra que as ideias do filme e do disco “The Wall” já rondavam a banda muito tempo antes do lançamento.

2- Speak to Me / Breathe (In The Air) (2011 Audio Remaster)
A qualidade do som surround é de impressionar, sobretudo nessas músicas, cheia de efeitos, que abrem o álbum. As versões são idênticas às originais, mas se ouve mais coisa com a atual remasterização.

3- The Great Gis In The Sky (1972 Original Mix)
A versão original da música que consagrou a cantora Clare Torry aparece aqui como curiosidade. Foi ouvindo esta versão demo, sem os vocais, que a banda decidiui contratar uma vocalista. Em 2006 Clare ganhou na justiça a co-autoria da música, uma vez que ela realmente criou uma melodia musical dentro da base existente;

4- Money (Live At Wembey 1974)
Essa versão e “Money” gravada ao vivo é tão pesada e crua que parece de uma banda cover. A nitidez dos instrumentos é impressionante, tão limpa que parece que o ouvinte está num ensaio ou passagem de som. O momento solo de David Gilmour é de fazer imaginar a cena dele tocando na beirada do palco, em frente à multidão. Esta gravação circula há anos, como bootleg, entre os fãs, e agora ganha versão com qualidade - a julgar por estes oito minutos e pouco - realmente excepcional

Wish You Were Here (1975)

1- Concert Screen Film - Shine On You Crazy Diamond
Dessa vez o filme de abertura dos shows remete mais diretamente aos desenhos do filme “The Wall”, já que a animação é assinada por ninguém menos que Gerald Scarfe, responsável também por “The Wall”. No lugar da luta do homem com a vagina e da ausência paterna, aqui o tema é a loucura. A faixa-título e o disco são homenagem ao genial Syd Barrett, ex-integrante da banda que mergulhou de cabeça na viagem das drogas lisérgicas e jamais voltou.

2- Wish You Were Here (alternative version with Stephane Grappelli)
Enquanto gravava o disco na sala 2 dos Estúdios Abbey Road, em Londres, na sala 1 uma orquestra fazia outro trabalho. Assim Waters e Gilmour conheceram dois integrantes e os convidaram para participar em uma das sessões. Foi assim que o violinista Stephane Grappelli gravou essa versão sensacional para “Wish You Were Here”, descartada na versão final do LP. Afora a adição do violino, que parece um trabalho atual, tamanha a clareza da gravação, se salienta o diálogo entre os violões base e solo, de Waters e Gilmour.

The Wall (1979)

1- Another Brick In The Wall Part 1 (demo)
Nessa versão crua da música, cuja segunda parte é que é a famosa, há timbres e letras diferentes os usados na versão final do LP. Como as versões das séries “Experience” e “Immersion” deste disco ainda estão em fase de seleção, esta amostra pode não ser significativa.

2- Comfortaby Numb (2011 Audiuo Remaster “Is There Anbody Out There? - The Wall Live”)
Espetacular versão gravada ao vivo em na turnê subsequente ao álbum, com remasterização de rara nitidez. O solo desta música certamente está entre os mais emblemáticos do mundo, além de ela ser uma das últimas grandes parcerias entre Roger Waters e David Gilmour.

por Marcos Bragatto

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Heavy Metal - A História Completa

Apesar do texto excessiva e desnecessariamente “épico” que, em alguns trechos, parece ter sido escrito por Joey DeMaio, do Manowar, ou por alguém do Massacration (o que, na verdade, não faria muita diferença), da tradução descuidada e da capa da edição brasileira, absolutamente horripilante, “Heavy Metal, a História Completa”, do norte-americano Ian Christe, é, provavelmente, a melhor e mais completa obra já escrita sobre este estilo musical que desperta sentimentos igualmente intensos de amor e ódio (nunca indiferença) ao redor do mundo.

Tudo começa, evidentemente, com o Black Sabbath, e é este o primeiro dos muitos acertos do autor: apesar de terem havido precursores, como o Blue Cheer e seu antológico “Vincebus eruption”, foi com o Black Sabbath que o metal deu seus primeiros passos. Outra sentença do livro com a qual eu concordo é a de que a maioridade do estilo foi alcançada no final dos anos 70, quando o Judas Priest deixou de ser “apenas” mais uma boa banda de Hard rock para se assumir, explicitamente, como Heavy metal, coisa que o Sabbath nunca fez. O Judas lapidou o estilo tanto musical quanto visualmente, com toda aquela já célebre iconografia repleta de tachinhas de metal ornamentando roupas de couro. Daí para a NWOBHM e a “festa” que foram os anos 80 foi um pulo ...

Christe dá um destaque especial para algumas bandas, notadamente o Metallica, cuja trajetória é praticamente esmiuçada e, a partir de determinado momento do livro, serve como fio condutor da narrativa. Narrativa que é rebuscada, detalhada e, mais importante, perfeitamente contextualizada – além de ser pontuada por infinitas listas, uma verdadeira obsessão do autor. Tem lista pra tudo: de maiores discos da história deste ou daquele subgênero (alguns bem obscuros) às músicas de maior duração.

Foi assim, com este apreço à analise e à contextualização, que fatos como a “corrida pela velocidade” deflagrada pelo “speed metal” são esmiuçados de forma extremamente competente - corrida ganha, diga-se de passagem, pelo Napalm Death, que com seu até hoje impressionante “From Slavement to obliteration” fez surgir um novo subgênero musical, o mais infame e extremo de todos, o “grindcore” (acho o segundo disco do Napalm mais emblemático para o estilo, já que “scum” ainda carrega fortemente a sonoridade do Hard Core “crust”). O mesmo acontece com o trecho que discorre sobre o flerte do metal com o rap, que começou com o Aerosmith e o Run DMC e desembocou na antológica colaboração entre o Anthrax e o Public Enemy, passando pelo “funk metal” do Faith No More e pelo furioso Body Count, de Ice T. - o livro reproduz, por sinal, muitas declarações de Chuck D., certamente uma das maiores cabeças pensantes da música contemporânea.

A narrativa é, ainda, pontuada por deliciosas histórias de bastidores, algumas bastante desconhecidas, outras de amplo conhecimento publico mas que acabam adquirindo uma nova dimensão ao serem inseridas numa linha de tempo que demonstra o quanto a história do Heavy Metal é rica em fatos e conceitos. Exemplo: eu não sabia, mas o Celtic Frost não foi mais uma das muitas bandas a simplesmente piratear uma imagem de HR Giger para reproduzi-la na capa de um de seus discos. Segundo Christe, eles entraram em contato com o artista plástico via carta e foram surpreendentemente bem recebidos pelo mesmo, ao ponto de se tornarem amigos de longa data. Outro exemplo: há uma engraçadíssima descrição de como o Manowar se aproveitou da suposta “traição” do Metallica para se promover - os membros da clássica banda thrash californiana haviam cortado os cabelos e recheado o encarte de seu último disco com fotos tiradas por um fotógrafo da moda, Anton Corbijn. Por conta disso, em seus shows da época os eternos guerreiros do metal, assim que identificavam alguém com uma camiseta da banda “rival” na platéia, o chamavam ao palco e o exortavam a abandonar aquele “caminho da perdição” e voltar ao seio do verdadeiro Heavy Metal. A “conversão” era coroada pela troca da camiseta por outra do Manowar, entre goles de Jack Daniels, para o delírio da audiência.

Um dos melhores capítulos de toda a obra, no entanto, é o que disseca a polêmica cena Black metal da Noruega com uma lucidez e apego aos detalhes poucas vezes vista. Sua análise, mais uma vez, é precisa, ao explicar, por exemplo, como o cristianismo foi imposto de forma violenta ao país dos vikings há cerca de mil anos atrás, o que gerou um descontentamento histórico que perdura até hoje em boa parte da população. A análise do autor vai além da abordagem simplista e sensacionalista focada apenas na queima de igrejas e no culto ao satanismo para explorar a inventividade de boa parte dos nomes mais célebres do cenário da época, cujo som ia do minimalismo extremo e selvagem a sofisticados climas “ambient” onde procuravam reproduzir a atmosfera lúgubre das florestas de sua terra – tudo isso, é claro, sem deixar de contar, em detalhes, toda a história do mais famoso epísódio ocorrido no período, o assassinato de Euronymous, do Mayhen, por Varg Vikernes, do Burzum.

O livro só não é mais completo porque foi publicado originalmente em 2003, o que nos deixa ávidos por colher as impressões do autor sobre alguns fatos recentes e marcantes na história do estilo, como o lançamento dos documentários de Sam Dunn (a quem ele indiretamente acusou de plágio recentemente em uma entrevista) e a impressionante “volta por cima” do Iron Maiden que, depois de uma longa fase de decadência nos anos 90, começou a se recuperar com a volta de Bruce Dickinson (devidamente registrada no livro), na virada do milênio, e hoje está novamente no topo, com direito a premiação no Grammy e tietagem explicita de Lady Gaga, a maior estrela pop da atualidade – tudo isso coroado pela antológica turnê “somewhere back in time world tour”, que levou a banda a incluir em seu roteiro de shows territórios ainda não exploradas, como a vizinha Recife, em Pernambuco.

Grande livro, enfim, ricamente ilustrado, impresso em papel de boa qualidade e com uma encadernação gostoso de se manusear. Recomendo a leitura, sem sombra de dúvidas.

por Adelvan kenobi

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Detalhes:

TÍTULO: HEAVY METAL: A HISTORIA COMPLETA
TÍTULO ORIGINAL: SOUND OF THE BEAST: THE COMPLETE HEADBANGING HISTORY OF HEAVY METAL
ISBN: 9788502085374
AUTOR: Ian Christe
TRADUTOR: Milena Durante | Augusto Zantoz

IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 16 x 23
PÁGINAS: 480
ANO DA OBRA/COPYRIGHT: 2003
ANO DE EDIÇÃO: 2010
EDIÇÃO:

FOO FIGHTERS 3D NO CINEMA EM ARACAJU

James Moll gostava da banda, mas nunca tinha ido a um concerto deles. Pianista de formação erudita, um dia teve de escolher entre a carreira de músico e a de cineasta. Optou pela segunda. Em 1998, ganhou um Oscar pelo documentário Os Últimos Dias (The Last Days, financiado pela Shoah-Foundation, de Steven Spielberg, fundação criada para manter viva a memória do extermínio de judeus na 2.ª Guerra).

Spielberg e Moll voltaram a se associar no ano 2000, reunindo um grupo de cineastas para fazer filmes sobre o Holocausto em cinco países. O projeto reuniu Andrzej Wajda, Luis Puenzo (de A História Oficial), Vojtech Jasny, Pavel Chukhraj (de O Ladrão) e Janos Szasz.

Com esse currículo, dificilmente alguém conseguiria adivinhar qual foi o passo seguinte de James Moll. Durante quatro meses, o documentarista seguiu o grupo liderado pelo vocalista e guitarrista Dave Grohl, que integrou a mais importante banda de rock dos anos 90, o trio Nirvana.

Em 1995, um ano após o suicídio do parceiro Kurt Cobain, Dave Grohl chacoalhou a poeira e recomeçou tudo com uma banda que logo se tornaria uma das maiores da América, o Foo Fighters – hoje integrada pelo baixista Nate Mendel, os guitarristas Pat Smear e Chris Shiflett e o baterista Taylor Hawkins. Back and Forth, o documentário, estreia sexta-feira no Brasil, acompanhado da exibição em 3D do novo show da banda, inédito no País.

Em geral, as bandas fazem filmes sobre a carreira para registrar seu legado, realçar sua importância histórica. Não é o caso do Foo Fighters, que está no auge. Então, por que fazer um documentário sobre a banda?

Você deve perguntar isso ao Dave (Grohl, líder do grupo). Da minha perspectiva, o que posso dizer é que me parece legal ver uma banda no auge de sua popularidade. É melhor do que uma banda à beira da aposentadoria. Para mim, trata-se de contar uma história narrada pelos seus protagonistas, essa foi minha preocupação central. Dave fala de maneira confortável sobre seu passado no Nirvana, assim como seus colegas das ex-bandas que integraram. E também ouvi ex-integrantes. É uma distinção importante: não é um filme sobre rumores, mas sobre o que se passou segundo as palavras de quem viveu aquilo.

Filmes sobre rock sempre trazem coisas picantes, sexo em limusines, quartos de hotel estourados. Seu filme não tem esse ritmo, examina a rotina, o dia a dia, com paciência…

Essas coisas de filmes de rock são quase uma fórmula, não? Eu foquei nos personagens. Da primeira vez que os encontrei, gostei deles e de sua banda. Durou três horas nosso primeiro encontro. E quis conhecê-los de verdade. Queria mostrar os integrantes da banda não como rock stars, mas como pessoas. Há uma diferença. A coisa do rock star é um tipo de fantasia, uma ilusão. Claro que comparece, mas eu não queria isso, queria ver o que havia por trás.

Muitos filmes sobre rock foram feitos por cineastas consagrados, como Martin Scorsese, que dirigiu documentário sobre os Rolling Stones. Você viu esses filmes antes de começar o seu trabalho?

Vi alguns, incidentalmente. Não tenho ídolos entre esses cineastas. Intencionalmente, eu me mantive afastado disso quando pensei em começar a filmar a história do Foo Fighters. Teve até um momento em que Taylor (Hawkins) me perguntou quais desses filmes eu tinha visto e eu não conseguia responder. Não me lembrava de nenhum. Até considerei assisti-los, mas decidi não ver. Pensei: vou deixar o material que tenho em mãos me dizer qual é o caminho que o filme vai seguir.

Você é pianista. Ainda toca piano?

Sim, toco de vez em quando. Estudei música clássica, minha mãe era cantora, aposentou-se há algum tempo. Também toquei música contemporânea. Mas Foo Fighters eu só acompanhei como fã, nunca teria a manha de tocar as músicas deles. Sempre gostei do que fazem. Um dia, fui chamado a conversar com Nigel Sinclair (produtor), e ficamos um tempão falando de amenidades. Ele me perguntou qual era meu sonho, o que eu queria fazer em meu próximo projeto. “Eu sempre sonhei em fazer um filme sobre rock”, eu disse. E ele: “Bom, então o que você acha do Foo Fighters?” Eles já estavam com o projeto. Eu achei o máximo, topei imediatamente. Poucos dias depois eu já estava reunido com a banda.

Você sabe, o Foo Fighters vem depois de um grupo lendário, o Nirvana. É como uma sombra que paira sobre um grupo, como o Joy Division sobre o New Order. Como você lidou com isso?

Não vi essa sombra… Depois de 16 anos excursionando, acho que eles não têm mais esse peso. Dave trata com grande naturalidade, é parte da história dele e ele não nega. No início, ele conta que queria muito separar o que era hoje do que tinha sido, mas depois viu que era uma bobagem. Sei que o Nirvana foi um grupo sem paralelos, mas eu apreciei a música dos dois grupos separadamente. E o grupo falou disso sem problemas. Há alguma reticência somente em abordar o assunto Courtney Love, porque eles enfrentaram algumas disputas. Ainda assim, eles falam sobre ela. Não explorei muito isso, porque meu objeto não era o Nirvana, se entrasse nessa área acabaria ficando mais um filme sobre o Nirvana e não havia necessidade disso.

Bom, você registrou quase integralmente os ensaios e a gravação do mais recente álbum dos Foo Fighters, Wasting Light. Tem gente dizendo que é o melhor da carreira deles, e que o Foo Fighters não tem tradição de fazer bons discos, mas sim shows memoráveis. O que você acha disso?

Quando comecei a fazer o filme, nunca tinha ido a um show deles. A primeira vez que estive lá, senti a energia. Pensei: cara, isso aqui soa bom demais, porque eles têm de ensaiar? Há uma espontaneidade, uma característica única desses caras tocando juntos. Mas acompanhei também o trabalho de pesquisa, em estúdio, que é um processo mais longo e, obviamente, sem paralelo de comparação. Também é uma atividade incrivelmente criativa. Houve momentos, dentro da garagem de Dave Grohl, que tive de operar câmeras por controle remoto do lado de fora, porque era tão apertado que não dava para entrar.

E o disco novo, o que acha dele?

Acompanhei todo o processo e ainda ouço o disco em casa. É um grande trabalho, e eu diria, sem medo de errar, que é um dos melhores da carreira deles. Quando acompanhei aquilo sendo gravado – é tudo fragmentado –, não dava para saber qual seria o resultado final. É uma experiência fascinante. Quando vi tudo junto, fiquei ainda mais vidrado.

pOR Jotabê Medeiros

Fonte: estadão