quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Wallpaper pdrock

Clique na imagem abaixo para ampliar, salve em seu computador, defina como plano de fundo em sua área de trabalho e nunca mais esqueça que o programa de rock agora vai ao ar em novo dia e horário.

Ninguém entende um mod.


Amadurecer é doloroso. Para um artista, deixar a zona de conforto das fórmulas estabelecidas é um salto no vazio e um processo nem sempre acompanhado pelos fãs, que se veem forçados a alargar horizontes musicais e narrativos. O consolo para trabalhos subestimados pela crítica ou incompreendidos pelo público é o reconhecimento tardio.

Quadrophenia é um exemplo. O sexto álbum de estúdio da banda inglesa The Who, lançado originalmente em 1973, foi remasterizado e finalmente ganha versões decentes em CD. No Brasil, só aporta a Deluxe Edition, com dois discos trazendo a obra original mais algumas demos, mas no exterior, há a opção de uma caixa – The Director’s Cut –, com cinco discos, livreto e uma série de itens de colecionador.

O nome da caixa – A Versão do Diretor – é mais do que uma brincadeira com o revisionismo. É a tradução da visão dramatúrgica do autor. O compositor e guitarrista Pete Townshend, líder do Who, era um multimídia avant la lettre. Assim como a primeira ópera rock do grupo, Tommy (1969), Quadrophenia foi concebido como uma peça (gerou um elogiado filme em 1979), algo que extrapolava o vinil.

Isso aparece também na concepção de arte do álbum. A capa, em preto e branco, evoca o passado, a juventude de Townshend e de sua geração. Dentro, as letras e um encarte com uma espécie de fotonovela (a trajetória do anti-herói Jimmy, um arruaceiro londrino dos anos 1960). A versão relançada aqui reproduz esse encarte e traz notas explicativas de Townshend sobre 11 demos. Na versão Director’s Cut são 25, mas há dezenas de fotos, documentos e músicas disponíveis no site quadropheniaofficial.com.

Pretensioso e chato? Townshend sempre afirmou sua predileção pelas óperas rock, em geral, e por este disco, em especial. “Uma canção de três minutos é suficiente pra contar uma história, mas não é grande o bastante pra mais de uma ou duas vozes. Eu gosto de reunir mais personagens. Quadrophenia é minha maior realização.” Uma visão não compartilhada por todos.

Quando do lançamento, muitos tacharam o álbum de pretensioso e chato. Uma prova do descompasso entre as enormes expectativas do público e o objetivo artístico de Townshend. A banda vinha do estrondoso sucesso de seus dois álbuns anteriores: Tommy e Who’s Next (1971), este o maior sucesso comercial do Who, apesar de nascido das sobras da abortada ópera rock Lifehouse (em 2001, o guitarrista lançou, por seu selo, quatro CDs retomando a ideia original desse projeto).

Em 1972, Townshend já tinha seu argumento. Abordaria a rivalidade entre duas gangues de jovens ingleses dos anos 1960: os Mods e os Rockers, cujos conflitos chegaram ao ápice na cidade litorânea de Brighton, em 1964, um incidente real. O protagonista seria um jovem com tendências esquizofrênicas e que se espelharia nas quatro personalidades dos integrantes do Who, ídolos do movimento Mod.

Essa multiplicação de personalidades convinha ao objetivo de Townshend de gravar o disco e apresentá-lo no sistema quadrafônico, coisa que o Pink Floyd já vinha fazendo (os shows de Roger Waters no Brasil, em 2002, utilizaram esse sistema). A gravação do disco levou menos de dois meses e o resultado mostra uma banda madura.

As composições de Townshend são mais sofisticadas, há todo o peso que se espera do Who, mas sutileza também. A interpretação do vocalista Roger Daltrey em Love Reign O’er Me é insuperável. O criativo baixo de John Entwistle nunca foi tão marcante como em The Real Me e o caos ordenado do baterista Keith Moon compete o tempo todo com os enérgicos acordes da guitarra de Townshend.

O disco é incensado por muitos fãs, mas as ambientações de Quadrophenia, com sons do mar e da chuva, não caíram no gosto geral. Ainda que tenha estreado em segundo lugar nos Estados Unidos e na Inglaterra, no palco, as canções não decolaram. Além do uso massivo de sintetizadores, as partes pré-gravadas com fitas não funcionaram a contento. Townshend cancelou a turnê com menos de seis meses, em junho de 1974.

O fiasco dos shows relegou o trabalho a um tipo de limbo. Somente em 1996, o grupo – sem Moon, morto em 1978 –, retomaria os shows completos de Quadrophenia, com o relançamento de uma versão sofrível do álbum em CD.

Em 2010, uma apresentação beneficente da obra no Royal Albert Hall recebeu boas críticas e reacendeu em Townshend o projeto de uma nova turnê do disco, prometida para 2012.

Quadrophenia merece. Depois do niilismo da canção My Generation (I hope I die before I get old) e da falsa epifania do disco Tommy, Townshend fez um retrato musical fiel de uma realidade comum a todos: sobreviver à juventude. Crescer é saltar no vazio.

Curiosidades

1. O guitarrista Eric Clapton era figura constante no estúdio durante a gravação do álbum. Townshend foi o mentor do show de retorno de Clapton, em janeiro de 1973, ajudando o amigo, que ficara recluso quase dois anos, na luta contra o vício das drogas e do álcool.

2. Durante a abertura da turnê de Quadrophenia nos EUA, em 1973, o baterista Keith Moon apagou no palco. Um fã, Scott Halpin, assumiu a bateria e terminou o show. A famosa cena aparece no documentário Amazing Journey: The Story of The Who.

3. Prometida há anos, a autobiografia de Pete Townshend, Who He?, deve ser lançada em 2012. O guitarrista prepara também um musical para o teatro, Floss, sobre um roqueiro entrando na velhice.

4. Sistema quadrafônico – A multiplicação de personalidades, tema do álbum, convinha ao objetivo de Townshend de gravar o disco e apresentá-lo no sistema quadrafônico, coisa que o Pink Floyd já fazia. A gravação levou menos de dois meses.

por Douglas Portari

Combate rock

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

# 210 - 17/12/2011

A Alexkid foi formada no primeiro semestre de 2010 por integrantes de bandas que já estiveram em atividade na cena sergipana. Inicialmente, a banda era apenas uma brincadeira de estúdio que reunia amigos como Alex (Pró-x, Triste Fim de Rosilene, XREVERX) no baixo e voz, Kleber "mingau" (Clamor) na guitarra e Anderson "Kabula" (Shifty) na bateria. Posteriormente, visando dar mais versatilidade ao som, Anderson sai da bateria para assumir uma das guitarras e em seu lugar é convidado Kleber Gavião. A Alexkid passa a ensaiar com nova formação e em julho de 2011 entra em estúdio para a gravação de seu primeiro EP, "um longo adeus", lançado em 22 de outubro de 2011, data de seu show de estréia em Aracaju, ironicamente, no show de despedida da Reffer. A banda mistura as influências do hardcore melódico e post hardcore, a exemplo de Hot Water Music, Noção de Nada, Garage FUzz, etc.

www.myspace.com/officialalexkid

formação

Alex - baixo e vocal
Anderson - Guitarra
Kleber "Mingau"- Guitarra
Kleber Gavião - Bateria

Além do Alexkid, o último programa de rock do ano (voltamos dia 07 de janeiro de 2012) tocou também uma nova de Mark Lannegan, single de seu último disco, "Blues funeral", mais uma do EP "Beyond Magnetic", com 4 sobras de estudio de "Death Magnetic" que o Metallica lançou recentemente em comemoração aos 30 anos da banda.

No "Bloco do ouvinte", clássicos do gothic rock. Depois um bloco com pioneiros do punk rock: bandas fundadas "circa 1977" na California, no Canadá e na Irlanda do Norte. Na sequencia, musicas de bandas "underground" dos anos 90, com faixas lançadas apenas nas boas e velhas fitas "demo". Fechando tudo, um pequeno especial com a sensacional banda de rock industrial eslovena Laibach.

PS: Michael Meneses, da parayba records, como de praxe, está de férias por aqui e deu uma passada nos estudios da Aperipê FM. Ele é representante da polyson, a única fábrica de vinis do Brasil, e está com um belo acervo à venda a preços camaradas - "A tábua de esmeraldas" de Jorge Benjor, "cinema", do Cachorro grande, "Afrociberdélia", da Nação Zumbi e o último do Matanza, dentre outros. Se tiver interesse, contate-o via celular em (79)9846-6209 ou em seu perfil no facebook. Os discos também estarão á venda na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151 - centro de Aracaju - próximo à catedral metropolitana.

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LAIBACH - DO OUTRO LADO DO MURO

Havia uma época que a gente achava que o rock inglês seria o eterno modelo para nortear o nosso gosto musical. Não sei se devo dizer que feliz ou infelizmente, isso é passado. Várias bandas do continente europeu estão demonstrando isso, inclusive uma que chegou ao Brasil há pouco tempo, já no seu quarto LP, Opus Dei: o Laibach. Original da Iugoslávia, o conjunto trouxe consigo todo um clima de mistério que lhe é peculiar. Começa porque, até hoje, não se sabem os nomes dos componentes nem seus hábitos, porque eles não concedem entrevistas nem para remédio.

O pouco que se conhece a respeito do Laibach é que teve origem em 1980, em Trbovige, no norte da Iugoslávia. O nome do grupo é a versão alemã para Ljubljana (lê-se liub-liana). Uma cidade iugoslava que foi invadida pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial.

Conheço o Laibach desde seu terceiro LP, Nova Akropola, de 1985. Ali já estavam as evidências de que eles queriam projetar-se como uma orquestra bélica de sintetizadores, com um som cuja característica principal é a austeridade. O vocalista cantava como um Peter Hammill enfurecido enquanto os "koleghas" forneciam o tapete sonoro tecnotrágico.

Curiosamente, as faixas eram cantadas em alemão (assim como são algumas de Opus Dei). Sendo que uma delas levava o nome paradoxal de "Die Liebe" (O Amor). Foi a maneira mais odienta pela qual alguém se manifestou a respeito do amor até hoje. Fica muito fácil de se compreender isso se levarmos em conta que os alemães não devem ter sido muito carinhosos com o povo de Ljubljana.

Em Opus Dei, a voz principal é completamente diferente, e soa como se o tirano cantador tivesse usado um tubo de PVC para guia de onda, com a mixagem feita em rotação mais lenta. O alemão que me enviou a fita do terceiro LP classificou-o como pós-industrial, um rótulo que pode abrigar bandas tão díspares como Test Department e Cassiber.

O Laibach chegou ao Brasil graças ao contrato que a WEA firmou com a etiqueta inglesa Mute. Ela pertence ao Daniel Muller, um cara que adora ambigüidades. Por exemplo: o carro-chefe da Mute é o Depeche Mode, um grupo que namora com a esquerda inglesa mas esbanja um visual neoromântico decadente. A ambigüidade no Laibach reside no fato de ele trazer a Nova Arte Eslava (seguramente realista -socialista) embalada para presente com adesivos nazi-fascistas. E não estranhe o fato de haver no LP uma versão de ´One Vision´, do Queen, pois acho que é uma crítica a determinadas posturas do Fredy Mercury - ou você nunca reparou quando ele usa nos shows um quepe de policial e sente-se todo feliz por dominar a massa? Em resumo: o Laibach é um verdadeiro coquetel Molotoy especialmente preparado no leste europeu.

Fonte: Revista Bizz # 27 – outubro de 1987

OPUS DEI - Laibach (WEA)

Apesar das apologias a ideais de força e poder nas letras - cantadas em alemão - e da farta utilização de símbolos fascistas, seria um erro chamar este grupo iugoslavo de neo-nazista. Toda esta apropriação não tem sentido propagandístico e muito menos irônico. Serve apenas para firmar a música deles no pop industrial (dançante), onde o inconformismo e a força de vontade são tão grandes que não se expressam mais por meio de instrumentos e padrões convencionais. Com seus samplers, sintetizadores e vozes cavernosas, o Laibach é a primeira banda da geração do rock industrial a chegar aqui. Isto sim é música da nova era.

T.P.

LET IT BE - Laibach (Mute/Warner)

Por uma dessas coincidências estranhas este disco do quarteto esloveno saiu no Brasil (com um ano de atraso) exatamente quando o pau comia na Iugoslávia. Não existe trilha mais adequada para o que acontece por lá: Laibach mistura nazismo wagneriano, sadomasoquismo, viadagem, satanismo e Beatles. Este Let It Be é o Let It Be mesmo. Inteiro. Só não tem a faixa-título. E tem gente que ainda leva os caras a sério e se assusta com a violência com que perverteram os clássicos beatlenianos.

"I Me Mine" virou uma coisa tenebrosa, "I´ve Got A Feeling" foi miscigenada a Kiss e Queen, "One After 909" pesou e agora é rockão dos bons, e "Maggie Mae" um disco á la Giorgio Moroder de cara cheia numa choperia nazista.

C.E.M.

# # #

“A música pop é para cordeiros, e nós somos os pastores disfarçados de lobos...”

http://ahoradosassassinos.blogspot.com/2010/03/laibach.html

O que é o LAIBACH ?

Uma banda cujos integrantes usam uniformes militares com músicas de forte conotação política, formalmente acusados de fazer apologia ao fascismo, ser de extrema direita ou extrema esquerda, com influências de Richard Wagner, porém fazendo covers de Beatles, Rolling Stones e Queen!! Esta é a grande e assustadora contradição chamada LAIBACH. Aliás, o nome já é uma provocação: tendo surgido na Eslovênia, a banda adotou o nome dado pelos alemães a capital Ljubljana quando Hitler ocupou o país. LAIBACH é guerrilha artística, uma afronta ao poder.

Subverter elementos da cultura pop a uma estética fascista, transformar conceitos da música clássica em experimentações tecnopop, questionar a democracia ocidental com a vulgarização de seus símbolos patrióticos. Esta parece ser a máquina de criar ambiguidades usada pela banda, o que gera interpretações equivocadas. De fato, o LAIBACH é a banda mais polêmica e difícil dos últimos anos. Na Polônia foram chamados de comunistas, nos Estados Unidos foram proibidos de entrar, considerados comunistas radicais, e em outras partes da Europa, considerados nazistas. Eles criaram um Estado que não tem fronteiras e pode coexistir pacificamente dentro de qualquer país, o NSK, que tem cidadãos por todo mundo.

O LAIBACH é uma instituição, um grupo de guerrilha artística, um Estado, e uma grande ironia, um chamado ao despertar do homem moderno para a mentira de nossas democracias e sistemas liberais, suas ambiguidades tem por objetivo mostrar que em meio aos Estados democráticos existem ditaduras totalitárias disfarçadas e ocultas, cujos símbolos a linguagem pop utiliza como armas para nos escravizar. Suas músicas marciais nos chamam para a guerra. Uma guerra talvez mental.

História:

A banda LAIBACH foi formada em 1980 em Trbovlje, uma cidade industrial de mineração de carvão no centro da Eslovênia (YU).

Após sua fundação o grupo preparou seu primeiro projeto multimídia "Red Districts" concebido para desafiar as marcantes contradições políticas que haviam em Trbovlje naquela época. O projeto foi suspenso antes da abertura, o que impediu a primeira aparição pública do grupo, mesmo assim houve uma furiosa crítica da mídia. O LAIBACH ressurgiu em 1982 com seu primeiro show em Ljubljana e depois em shows pela Iugoslávia (Zagreb, Belgrado) e uma participação no festival New Rock no centro de Ljubljana. Em 23 de junho de 1983 a banda fez sua primeira aparição na televisão em entrevista ao noticiário político "TV Tednik". A entrevista provocou inúmeras críticas e foi seguida de uma proibição político/administrativa de aparições públicas da banda e do uso do nome LAIBACH.

Em Novembro e Dezembro de 1983 ocorreu a primeira turnê europeia do grupo, a "Occupied Europe Tour" (com a banda inglesa Last Few Days). Em 17 dias eles percorreram 16 cidades em 8 países na Europa ocidental e oriental. A banda fez uma bem sucedida aparição anônima no Malci Belic Hall, em Ljubljana, em Dezembro de 1984. Em abril de 1985 saiu o primeiro album do LAIBACH, pelo selo Esloveno Ropot. Por causa da proibição, o disco foi lançado sem o nome da banda - em vez disso a capa trazia um símbolo, que se tornaria sua marca.

O album de 1985 "Rekapitulacija 1980-1984", pelo selo independente de Hamburgo Walter Ulbricht Schallfolien foi o primeiro disco da banda a ter lançamento internacional. Depois veio "Nova akropola", album de 1986 que saiu pelo selo Britânico independente Cherry Red, em seguida o grupo foi contratado pela Mute Records, de Londres. "Opus Dei", lançado na primavera de 1987, foi o primeiro album pela gravadora. A reprodução de uma suástica feita com machados na capa do disco causou escândalo nos círculos politicamente corretos, até que os mais atentos divulgaram a informação de que este símbolo foi retirado do trabalho de um artista dadaísta, ativista anti-nazi, chamado John Heartfield.

Em fevereiro de 1987 eles fizeram o primeiro show na Eslovênia desde 1984, o primeiro show oficial desde a proibição de 1983. O lançamento de "Sympathy For The Devil", em 1989, foi seguido por uma turnê pela Europa e Estados Unidos. Em 26 de dezembro de 1990 a banda se apresentou na estação termo-elétrica de Trbovlje, sua primeira apresentação em sua cidade natal desde o (abortado) projeto de 1980. O show comemorou o décimo aniversário do LAIBACH e a fundação do Estado NSK.

Em 1984 o LAIBACH criou (em parceria com o grupo de pintores Irwin e a companhia teatral Scipion Nasice Sisters) um amplo e informal movimento estético chamado NSK (Neue Slowenische Kunst, Nova Arte Eslava). Hoje os principais grupos do NSK são: LAIBACH, Irwin, Noordung, New Collectivism Studio, o Department of Pure and Applied Philosophy, e uma numerosa quantidade de subdivisões que surgem e desaparecem de acordo com a necessidade. O NSK teve uma grande importância nos anos oitenta, pelo menos na ex-Iugoslávia e na Eslovênia, e cresceu nos anos noventa com o estabelecimento do Estado NSK, com seus próprios passaportes, proclamações, embaixadas, consulados, bandeira, selos, etc. O LAIBACH reside e atua em Ljubljana.

Formação:

Em 1978 Dejan Knez formou sua primeira banda: Salte Morale. Basicamente, a Salte Morale foi a primeira formação do LAIBACH. Nas férias de verão de 1980 o pai de Knez, o famoso pintor Sloveno Janez Knez, sugeriu que a banda mudasse o nome para LAIBACH. Esta formação incluía Dejan Knez, Srečko Bajda, Andrej Lupinc, Tomaž Hostnik e Bine Zerko. Logo após isso, o primo de Knez Ivan (Jani) Novak e Milan Fras ingressaram na banda. Nesta primeira fase LAIBACH era um quinteto, mas logo depois foi declarado que a banda tinha apenas quatro membros. Ás vezes esses quatro integrantes eram designados pelos seus pseudônimos: Dachauer, Keller, Saliger e Eber. Dos anos 80 até os 90 os quatro integrantes eram: Dejan Knez, Milan Fras, Ervin Markošek e Ivan (Jani) Novak. De tempos em tempos, algumas outras pessoas, como Oto Rimele (da banda Lačni Franc), Nikola Sekulović, famoso baixista do grupo Demolition, e vários outros músicos, como a cantora eslovena Anja Rupel, participaram do LAIBACH.

Discografia:

LAIBACH
Ropot, 1985 (1995), Ljubljana
REKAPITULACIJA 1980-1984
Walter Ulbricht Schallfolien, 1985 (1987), Hamburg
NEUE KONSERVATIW (Live)
Semi legal, 1985, Hamburg
NOVA AKROPOLA
Cherry Red, 1985 (1987), London
THE OCCUPIED EUROPE TOUR 83-85 (Live)
Side Effects Rec., 1986 (1990), London
OPUS DEI
Mute Rec., 1987, London
SLOVENSKA AKROPOLA
Ropot, 1987 (1995), Ljubljana
KRST POD TRIGLAVOM - BAPTISM/Klangniederschrift Einer Taufe
Walter Ulbricht Schallfolien, 1987, Hamburg (Sub Rosa, 1988, Brussels)
LET IT BE
Mute Rec., 1988, London
MACBETH
Mute Rec., 1990, London
SYMPATHY FOR THE DEVIL
Mute Rec., 1990, London
KAPITAL
Mute Rec., 1992, London
LJUBLJANA - ZAGREB - BEOGRAD
The Grey Area/Mute Rec., 1993, London
NATO
Mute Rec., 1994, London
OCCUPIED EUROPE NATO TOUR 1994-95
The Grey Area/Mute Rec., 1996, London
JESUS CHRIST SUPERSTARS
Mute Rec.,1996, London
LAIBACH
NSK Recordings,1999, London
THE JOHN PEEL SESSIONS
Strange Fruit, 2002, London
NEUE KONSERVATIW (reissue)
Cold Spring Records, 2003
WAT
Mute Rec., 2003, London
ANTHEMS (double CD release with booklet)
Mute Rec., 2004, London
VOLK
Mute Rec., 2006, London
LAIBACHKUNSTDERFUGE
Mute Rec., 2008, London

# # #

Mark Lanegan - The Gravedigger´s song
Metallica - Just a Bullet away (shine)

The Sisters of Mercy - Possession
Nick Cave & The Bad Seeds - Sunday´s slave
The Cure - last dance
Tiamat - Gaya
- por Ismael jr.

The Dickies - You drive me ape (you big gorilla)
The Germs - Lexicon Devil
The Weirdos - We got the neutrom bomb
D.O.A - Smash the state
Stiff Little fingers - law and order

Sunburst - speed racer
Carnal Desire - profissão peão
Apocalixo - Gilberto Salomão
Pinheads - Oh! Ja
Cabeça - Tutupa

Trimorfia - Running in circles
Jason - A incrível arte de errar em tudo

Darge - Insanity
Alexkid - um longo adeus
Érika Martins - sacarina
Doidivinas - paredes frias

Laibach:
# God is God
# Opus Dei (life is life)
# In the Army now
# Tranz Mit laibach
# America

HOW TO DESTROY ANGELS

Aproveitando o sucesso da trilha sonora de Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres, Trent Reznor anunciou o lançamento do primeiro disco de How to Destroy Angels para o início de 2012. O projeto de Reznor ao lado da esposa, Mariqueen Maandig, e de Atticus Ross, com quem colaborou também na trilha de A Rede Social, está atualmente em estágio de mixagem.

Este é o primeiro disco completo do grupo, depois de lançar uma EP de seis faixas no ano passado. Mas, segundo Reznor, a sonoridade do disco será um pouco diferente. "Nós estamos terminando nosso primeiro álbum, que amadureceu muito o nosso som para algo que é muito único. Mal posso esperar para esse disco sair (...). Quando lançamos a primeira EP, foi resultado de seis semanas em estúdio, apenas vendo o que acontecia. Não tivemos muito tempo para explorar isso e entender como é o nosso som. Parecia estar muito próximo de outros projetos em que eu estive envolvido, ou de influências diretas. Agora, o som é do How to Destroy Angels, ao invés de se parecer com outras coisas. Então estou orgulhoso disso e empolgado para lançá-lo para o mundo", declarou Reznor, em entrevista à Rolling Stone estadunidense.

O novo filme de David Fincher exerceu sua influência sobre o disco, mas de forma contrária. Segundo Reznor, ele e Atticus Ross sentiam a necessidade de distanciar-se da temática sombria e negativa de Millennium.

"Fazíamos três semanas de Millennium e precisávamos de uma pausa daquele peso, então trocávamos para How to Destroy Angels. [O som da banda] se tornou muito mais ritmico - e não ficou feliz -, mas realmente começou a ganhar sua própria identidade. Fomos influenciados pelos primeiros discos do Cabaret Voltaire - é muito desconstruído ritmicamente e usa mais texturas. Mariqueen encontrou seu lugar. Nós a usamos de um jeito muito interessante, eu acho", explicou.

Por enquanto, a banda não tem planos de sair em turnê, já que Reznor e Maandiq estão prester a ter seu segundo filho. "Estamos discutindo a ideia de fazer alguns shows. Não vou dizer que estou morrendo de vontade de entrar em uma turnê de um ano agora, mas estou sentindo a coceira de me apresentar ao vivo, de alguma maneira", declarou.

Para os fãs que continuam esperando novidades do Nine Inch Nails, o plano de Reznor, segundo entrevistas anteriores, é dedicar-se à banda a partie de março. "Na verdade, parei o Nine Inch Nails porque, como qualquer ser vivo, comecei a sentir que estava me repetindo. Comecei a sentir que precisava de uma reinvenção e precisava me forçar a fazer isso. O How to Destroy Angels tem sido um escape criativo muito interessante. Acho que quando as pessoas ouvirem o que estivemos fazendo, vai validar isso. [Mas] dá medo e a possibilidade de fracasso existe, então isso é empolgante pra mim", finalizou.

Ainda sem título divulgado, o primeiro disco do How to Destroy Angels está previsto para o primeiro trimestre de 2012. O lançamento será feito pelo selo de Reznor, Null Corporation.

Fonte: Omelete

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

# 209 - 10/12/2011

"God Save the queen" dos Sex Pistols em ritmo de bossa nova, "closer" do Nine Inch Nails numa versão, no mínimo, inusitada - e debochada. Foi assim que começamos o programa de rock do último sábado: quebrando expectativas. "Everything is possible", já dizia ... alguém aí. Seguimos nesse clima, digamos, provocador, com "nazi rock", faixa do disco "rock around the bunker", de Serge Gainsbourg*, que brinca com coisa séria - o nazismo e a perseguição aos judeus durante a segunda guerra mundial. Fechando o bloco de abertura, o genial Rogerio Skylab com uma ode à matança de animais (ver letra abaixo).

Depois do Drop Loaded, uma entrevista ao vivo com Vicente Coda, que acaba de lançar seu primeiro disco solo, nada menos que um CD Duplo e conceitual chamado "A viagem de Christine ao universo da Beat Generation". A venda em Aracaju na Freedom, que fica na Rua Santa Luzia, 151, centro, próximo à catedral. Ou pelo e-mail vicentecoda@hotmail.com.

Robot Wars, nova banda "crust" Hard Core de Aracaju, estréia no radio na mesma noite em que vai a Salvador lançar seu primeiro CD Demo. Tem na sua formação Silvio Gomes (guitarra/voz) e Ivo Delmondes (bateria/voz). Ivo que, junto com Daniela Rodrigues, forma também a Renegades of punk. Juntos, os dois estiveram à frente de vários projetos na cidade, e foram os responsáveis pela vinda à terra do cacique amaldiçoador das bandas que se seguiram no mesmo bloco, a saber a Warcry, de Portland, Oregon (USA), Mahatma Gangue, de Mossoró, RN, e o Velho de Câncer, do Rio Grande do Sul.

Perto do fim, passamos mais uma vez pelo Hellcife, minha cidade preferida do nordeste - ok, depois de Aracaju, talvez. Coisas novas de nomes já calejados e consagrados e a Andaluza, uma banda pernambucana que existe desde 1990 e faz um som híbrido entre elementos do folk progressivo, hard-70 e trovadorismo. Para o fim, reservamos um passeio regressivo pela história do punk rock, começando com o neo-mod do The Jam e passando pelo lixo e a Furia do Sex Pistols, o ecletismo bem dosado do Clash, o pioneirosmo do The Damned (o compacto de "New rose" foi o primeiro disco de punk rock lançado por uma banda britânica) e dos Ramones (que deram o pontapé inicial no marasmo em que estava imerso o rock nos anos 70), até chegar nos precursores: New York Dolls, uma espécie de Rolling Stone sujo, mal vestido e mal tocado, e Iggy and the Stooges.

Até semana que vem, no mesmo bat horário.

A.

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* Gainsbourg – O Homem que amava as mulheres, de Joann Sfar – Brilhante cinebiografia do cantor e compositor francês contada em clima de conto de fadas, com a utilização na medida certa de alegorias representadas por imagens e personagens fantasiosos. Uma vida que há tempos pedia para ser contada, aliás: seu protagonista namorou algumas das mulheres mais lindas de seu tempo, especialmente Brigitte Bardot, A diva do cinema europeu, e Jane Birkin, com quem teve dois filhos e gravou vários discos. É dela a voz que geme na antológica “Je t'aime moi non plus”, muito embora não tenha sido ela a musa inspiradora da canção. Foi Bardot, que chegou a gravar, mas se recusou a lançar. A presença da musa, muito bem vivida por Laetitia Casta (não consigo imaginar um elogio maior à beleza de uma mulher do que convidá-la para interpretar Brigitte Bardot), é fonte de alguns dos momentos mais engraçados do filme, cuja narrativa fluente visita os principais episódios da conturbada trajetória do compositor, sempre polêmico: seu primeiro enfarto, ao qual reagiu declarando à imprensa que iria tratar bebendo e fumando ainda mais; a “musica do pirulito” de teor obviamente dúbio que ele convenceu a cantora adolescente France Gall a cantar; “nazi rock”, canção que conta a história de soldados da SS vestidos como drag queens dançando durante a “Noite das Facas Longas” e é a faixa de abertura “Rock Around the Bunker", um álbum com um conceito otimista sobre a Alemanha nazista; e sua versão “reggae” para “A Marselhesa”, o hino da França. Surpreendente estréia do diretor Joann Sfar, autor consagrado de Histórias em quadrinhos, com brilhante interpretação de Eric Elmonsino no papel principal.

Excelente.

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Matadouro das Almas

Quanta saudade dos antigos matadouros,
Da vaca prenha abatida sem perdão,
Dos bezerrinhos que gritavam em agonia,
Do sangue quente espalhado pelo chão.
Quanta saudade das mosquinhas varejeiras,
Dos velhos tempos de mulheres e homens sãos,
Dos viadinhos pendurados no curtume,
Do jeito simples de viver uma paixão.
Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostrar o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!
Quanta saudade dos antigos açougueiros,
Da alegria em cortar, esquartejar,
Da carne seca pelo sol do meio-dia,
Desse sertão que até parece ser tantã.
Quanta saudade do vermelho mais vermelho,
Do cheiro podre de carniça pelo ar,
Do vento forte que abre todas as porteiras,
Da estrebaria, do chiqueiro, dos currais. Vem cá, meu bem.
Me dê a mão, vamos sair pra ver o sol.
Aí então, vou te mostra o amor pungente
Dos animais.
Ah! Ah! Ah!

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Nouvelle Vague - God save the queen
Richard Cheese - Closer
Serge Gainsbourg - nazi rock
Rogerio Skylab - Matadouro das almas

Hangovers - Cheiro de lentilha queimada
Hangovers - Porra, Marcia
((( Drop Loaded )))

Vicente Coda e a Paraphernalia - Abismo
Vicente Coda e a Paraphernalia - Mais nada
+ Entrevista

Robot Wars - Intro/me deixe perder
The Renegades of punk - same old shit
Warcry - When comes the end
Mahatma Gangue - Nana! Nana!
Velho de Câncer - raiva de espírito

Mundo Livre s/a - Se eu tivesse fé (fucking shit)
Karina Buhr - A pessoa morre
Eddie - Gloria dub
Andaluza - Saudação à Nação Porto Rico

The jam - All Mod Cons
The Clash - White riot
Sex Pistols - Anarchy in the UK
The Damned - New rose
Ramones - Commando
New York Dolls - Trash
Iggy & The Stooges - Raw power

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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

VAI SE FODER NO INFERNO !!!!

A última vez que a Gangrena Gasosa tocou em São Paulo, foi no Aeroanta, espaço demolido para dar espaço à estação Faria Lima do Metrô. Depois de mais de 15 anos sem tocar na terra da garoa, os macumbeiros da Gangrena Gasosa vieram para cidade gravar o seu primeiro DVD. E nada mais apropriado do que gravar no Inferno.

O Inferno fica no que chamam de Baixo Augusta, o lado mais podre de uma das ruas mais conhecidas de São Paulo, conhecido por suas boates de prostituição e as casas de shows alternativos. Foi lá que o pessoal da Black Vomit Filmes (que produziu Guidable – A verdadeira história do Ratos de Porão) escolheu para gravar “Desagradável”. A decoração ficou com a pegada de filmes de terror B, com direito a muitas cabeças de cera, crânios, pedaços de braços, pernas e víceras penduradas e, claro, as cuias de despachos, imagens de diabo e a farofa características da Gangrena.

A ansiedade da banda para essa gravação já se arrastava por algumas semanas e estava mais latente momentos antes do show, principalmente por conta do público que foi chegando timidamente. Havia um show de uma banda gringa no mesmo dia. Mas eles provaram, mais uma vez, que santo de casa também faz milagre.

Para deixar o inferno (sim, no sentido literal) no ponto, tocaram as bandas Hutt, Faccion de Sangre e Atroz. Todas com canções que seguiram na linha “trilha sonora para o fim do mundo”, com sets curtos, cheio de energia e pancadas na moleira.

Após acertar os últimos retoques, organizar os despacho, acender as velas, a Gangrena sobe ao palco e o rec das 5 filmadoras foram acionados. Pomba Gira na percussão (linda, por sinal), Exú Caveira na guitarra, Exú Lúcifer no baixo e Exú Morcego na bateria, começam com uma versão upgrade de “Troops of Olodum”, seguido de “Surf Iemanjá”, com os vocalistas Zé Pelintra e Omulú já incorporados. A partir daí, o ponto já estava marcado e todos os espíritos do mal já rodeavam o espaço. Mesclaram sons de todas as fases da banda, com ênfase em “Se deus é 10, satanás é 666” e “Smells like a tenda spírita”, mas também clássicos das demo-tapes como “Pegue o santo or die”. Todas as canções cantadas em coro pelo público que encheu o espaço.

No meio de “Benzer até Morrer/Kurimba Ruim”, aparece o Pai Jão, cumprimentando o todos os integrantes da maneira tracional dos umbandistas. Não entendeu? O Pai Jão é o guitarrista do Ratos de Porão, que incorporou muito bem o personagem, com seu charuto, guias e roupas brancas. Foi muito engraçada essa participação, para delírio do público e, claro, da banda, que nasceu com o sonho de tocar ao lado do RDP no Circo Voador.

A introdução de “Despacho from hell”, foi a senha para os mais velhos (obrigado pela dica, Panço!) ficarem espertos para não tomar a chuva de farinha. Porém, geral estava a fim de ser abençoado (ou amaldiçoados) pela oferenda que teve ajuda de Pai Jão na distribuição.Ao final de “Artimanhas do catiço”, duas fãs invadiram o palco e foram possuídas pelas entidades presentes: uma amarrada e com o pescoço cortado e outra que realizou um parto forçado pelo diabo (sim, ele em pessoa, modelo da capa do último disco), que comeu e jogou pedaços do feto para o público.

E, pra fechar, num clima bem Slayer, Exu Morcego cuspiu sangue para cima. Uma apoteose de dar medo! Muita gente ali deve ter se revirado na cama relembrando aquelas cenas!

E assim foi a derradeira canção da banda. Não foi possível nenhum bis, pois tinham horário para entregar o espaço e os seguranças estavam botando todo mundo pra fora, com uma delicadeza semelhante aos sons tocados no dia.

Foi uma apresentação magistral de uma das bandas mais originais do rock brasileiro. Quem perdeu, agora espere até lançar o DVD, que está sendo produzido no esquema de “vaquinha virtual”, onde cada um pode ajudar de alguma forma.

Caso queira mandar sua oferenda, clique aqui.

Fonte: Revoluta

por Marcio Sno

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

# 208 - 03/12/2011

Eu faço o programa de rock de forma voluntária, sem remuneração, e pra mim é tranquilo. Me divirto fazendo. Só é chato mesmo quando tenho que abdicar de algo, como assistir ao lançamento do documentário dos Baggios, que aconteceu no último sábado no Centro de Criatividade. Foi às 17:00H, ou seja: quase na hora do programa. Sem condições. Poderia não ter feito, não há nenhum contrato que me obrigue a estar lá para colocar estas 2 horas de rock and roll no ar, mas eu fui. Só não vou em último caso. Assumi este compromisso e pretendo levá-lo até o fim, o que significa dizer até quando eu esteja me divertindo fazendo e os meus poucos porém valorosos ouvintes estejam dispostos a seguir acompannhando no aconchego de seus lares. Em todo caso, clicando aqui você assiste o documentário, que retrata a última (e maior) turnê do duo "bluesy" sergipano pelo nordeste.

Abrimos a noite com "Baixo augusta", faixa título do novo álbum do Cachorro Grande. Na sequencia, alguns clássicos do rock em versões Ao Vivo. Depois do Drop Loaded, uma geral no rock independente brasileiro com os Baggios, o Radar Tantã, de Minas Gerais - banda capitaneada pelo ex-Virna Lisi César maurício - uma musica nova do Suíte Super Luxo, de Brasília, mais uma do disco "international Brazilian Surfs", de 2005, do Dead rocks, de São Carlos, São Paulo, e uma do já clássico "seres verdes ao redor", dos cariocas do Supercordas.

No quadro "Vale a pena ouvir de novo" tivemos O NO Sense, de Santos, que viajou recentemente para Brasilia para fazer sua primeira apresentação por lá (ver foto), Napalm Death e a unica faixa de seu ultimo disco lançado, um flexi disc que veio encartado numa das últimas edições da revista Decibel Magazine, e Morbid Angel com uma de seu último (e polêmico) álbum, Illud Divinum Insanus. Aproveitamos pra emendar uma climática faixa de "The solitude of prime numbers", disco que Mike Patton lançou recentemente e que serve como extensão para a trilha sonora, também composta por ele, de um filme italiano de mesmo nome.

Encerrando a noite, um passeio pelo mundo do metal e suas inúmeras subdivisões: o Heavy Metal "classudo" dos alemães do Accept, o glam metal do Motley Crue, com um clássico dos anos 80, o new metal do Slipknot, que fez um show impressionante na última edição do Rock in Rio, o Black metal dos finlandeses do Impaled Nazarene com uma faixa de seu último disco, "road to octagon", do ano passado, e o Death metal, representado pelo Cannibal Corpse, que tocou em São Paulo naquela mesma noite. Deles, executamos o EP "Hammer Smashed Face", de 1993, na íntegra.

É lindo poder tocar Cannibal Corpse no radio. É por estas e outras que eu vou continuar produzindo o programa de rock indefinidamente, enquanto o espaço estiver disponível. Ou até, pelo menos, a edição # 666.

Obrigado a todos que ouviram e especialmente aos que se manifestaram via SMS, telefone e redes sociais: o pessoal da banda Holidays, Aquino, Maíra, Danihella, Joelane (valeu o entusiasmo, sempre!), Augusto Andrade Santos, Ismael Júnior, Tadew Dakade e Marlio Oliveira.

A.

# # #

Cachorro Grande - Baixo Augusta

Bob Dylan (Ao Vivo) - Lay Lady lay
The Big Brother & Holding Company (Ao Vivo) - I Need a man to love
Elvis Presley (Ao Vivo) - Suspicious mind

((( Drop Loaded )))
com Anacrônica, de Curitiba
Entrevista +
# Em mim
# Delorean

The Baggios - Uma bem beleza
Radar Tantã - Naftalina
Suíte super luxo - Mambo
The Dead Rocks - Theme for rock is dead
Supercordas - sobre o frio

No Sense - Vendetta
Napalm Death - legacy was yesterday
Morbid Angel - Existo Vulgore
Mike Patton - Radius of convergence

Accept - Balls to the wall
Motley Crue - girls girls girls
Slipknot - sic
Impaled Nazarene - corpses
Cannibal Corpse:
# Hammer Smashed face
# The Exorcist (possessed cover)
# Zero The Hero (Black Sabbath cover)

EM OUTRAS

Blues é som de estrada, e foi numa dessas encruzilhadas que nasceu o rock. The Baggios são 2 moleques que sabem das coisas e fazem música da pesada. Júlio Andrade, o Julico, é um guitarrista de mão cheia, e Gabriel Carvalho, o Perninha, pisa fundo e bate forte na bateria. C/ idade média de 21 anos, o duo blues-rock é a banda sergipana que mais toca, dentro e fora do estado.

Nos últimos meses foram 10 shows no Nordeste e mais 6 em São Paulo, incluindo 2 festivais no interior e uma apresentação na TV Trama, divulgando o disco de estréia. Lançado pelo selo Vigilante, THE BAGGIOS já tem mais de 2.000 downloads feitos diretamente pelo site oficial dos caras, “sem contar os números dos links que circulam por outros blogs”, observa Julico.

“Energético, ruidoso e rápido”, definiu Jéssica Figueiredo do Rock In Press. A revista Rolling Stone disse que “o duo sergipano poderia facilmente ser classificado como mais uma das bandas que bebem na fonte inesgotável do rock setentista, mas o que o diferencia é saber usar a estética musical daquela época a seu favor sem cair na obviedade.” O show de lançamento em Aracaju garantiu aos que compraram o ingresso um CD c/ capa lindona em formato digipack.

São 14 faixas que vão do esporro de O Azar Me Consome e Em Outras – canção vencedora dos festivais da Aperipê e da Arpub em 2010 – passando por influências de soul music – os metais de Candango’s Bar e Quanto Mais Eu Rezo – até flamenco – em Oh Cigana. O álbum foi produzido por eles mesmos e mixado por Léo Airplane, que cria o clima psicodélico c/ seus teclados em Não Estou Aqui e You Never Walk Alone.

“Quem dá as cartas aqui é a guitarra, por vezes bem suja, em outras mais inteligente e harmônica, mas sempre presente e colocada em primeiro plano”, avalia o site Zona Punk. “Para o desespero dos indies, a dupla está mais próxima de Raul Seixas e do ié-ié-ié da Jovem Guarda do que do White Stripes, apesar de sua energia roqueira por vezes não fazer nem um pouco feio ao lado de um Jon Spencer, por exemplo.”

“Descobri que fomos citados por um dos principais jornais da Inglaterra, The Guardian, pela nossa participação na coletânea mensal e mundial chamada MUSIC ALLIANCE PACT”, Julico comenta sem perder a humildade. O bluesman de São Cristóvão também é guitarrista solo da Plástico Lunar, a banda do Léo em que tem participação cada vez maior, segurando os vocais de América e Onde Deus Está, composições dele.

“Somos amigos desde 2009, quando gravamos o clip de Gargantas do Deserto. Hoje vou lá no Centro de Criatividade, onde rola no fim de tarde a premiére do documentário The Baggios - Turnê Nordeste 2011. “Quem for, poderá comprar o DVD que vem com alguns extras: Acústico Aperipê, trecho do show que fizemos no Office Pub e também uma série de fotos do Snapic.”

Conversei c/ o ‘slider’ mais endiabrado – e sorridente – do mundo, p/ descobrir por que o estradeiro Júlio diz que seu caminho é “o mais lá dentro e o mais feliz”.

Clique AQUI para ler a entrevista.

por Adolfo Sá

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Goiânia Noise

No próximo fim de semana acontece mais uma edição do Goiânia Noise Festival. Aproveito para narrar aqui minhas impressões sobre a única vez em que estive por lá, em 2003, e para publicar uma entrevista que o guitarrista Castor Daudt, do Defalla, concedeu ao site www.aredacao.com.br - mais uma cortesia da Escarro Napalm unautorized reproductions inc.

(recordar é viver) Sempre tive bons contatos e ainda melhores amigos em Goiânia e, muito por conta disso, nutria desde tempos imemoriais uma vontade de, um dia, aparecer por lá. Aconteceu, finalmente, em novembro de 2003, aproveitando a data para conferir, “in loco”, mais uma edição do Goiânia Noise Festival – minha primeira e, pelo menos por enquanto, última vez.

Era bem mais barato ir daqui (Aracaju) pra São Paulo e de lá para Goiânia, então foi o que fiz, me programando para, já que teria que passar por lá mesmo, ficar uma semana (das duas que tinha disponíveis) na terra da garoa. Não sem antes fazer uma volta absurda, parando primeiro em Maceió e depois em Petrolina, Pernambuco (o aeroporto de Petrolina parecia um sítio, apenas uma casinha no meio de um descampado)! Coisas da finada BRA ...

Não conhecia absolutamente nada de Goiânia, por isso entrei na net para pesquisar pontos turísticos e coisa e tal. Encontrei apenas uma estátua do bandeirante Ananhguera que parece ser, realmente, um ponto de referência. Bom, pelo menos eu senti que estava finalmente na capital de Goiás ao me ver em frente ao referido monumento.

O centro da cidade é interessante, lembra um pouco Aracaju no sentido de haver uma curiosa mistura de cidade grande com aquele clima de interior: num momento você está numa avenida enorme e movimentadíssima cercade de prédios, mas então vira uma esquina e se depara com uma rua só de casas onde as pessoas ainda se sentam na porta para conversar. É legal isso. É aconchegante, como aconchegante foi o hotelzinho 5 cruzes onde eu me hospedei até conseguir finalmente entrar em contato com meu camarada de longa data Marcio jr., na casa de quem ficaria.

Aproveitei para freqüentar dois cinemas de rua que ainda existiam por lá – sempre aproveito essas viagens para ver filmes em cinemas de rua nas cidades que porventura ainda os tenha. Vi a parte final de “Matrix” em um e o filme d’Os Normais” em outro. Nada de muito marcante, nem os filmes, nem os cinemas, mas tava valendo. O que mais me impressionou, no entanto, foi a incrível quantidade de sebos, de livros e de discos, que havia na cidade. Até me arrependi de ter gastado quase toda a minha grana em Sampa, já que vi coisas bem mais interessantes e, mais importante, mais baratas, por lá.

Mas vamos ao festival: Lá vi, pela primeira vez, o Matanza, ainda não tão famoso. Grande show. Grandes shows também fizeram o Relespública, de Curitiba; Os Astronautas, de Recife; o Mukeka di rato, do Espírito Santo (este com direito à presença de uma vaca cenográfica que eles capturaram de um depósito ao lado no palco); Walverdes, de Porto Alegre, e Autoramas, do Rio. Das bandas locais destacaria O Mechanics, que são sempre bons, especialmente ao vivo, Hang The Superstars e MQN. O MQN foi mais que bom, foi ótimo – Fabrício Nobre é um ótimo performer e tem o público na mão. Me lembro da preocupação dele com um gordinho (maneira de dizer, o cara era OBESO, MUITO GORDO) do publico que, me parece, teve um ataque cardíaco durante o festival ...

Já excelentes foram os shows do Ratos de Porão, dos Retrofoguetes, de Salvador – estes são sempre ótimos, é até covardia comparar – e, principalmente, do Guitar Wolf, legendária formação de garage rock do Japão. Merecem, inclusive, um parágrafo à parte ...

Não foi bem um show, foi uma perfomence regada e muito barulho e insanidade. Os caras, pelo que lembro, praticamente não tocaram nenhuma musica inteira - apenas começavam algum riff e partiam pra ignorância, para a microfonia pura e simples, se contorcendo e se jogando no palco e/ou oferecendo os instrumentos para que o publico tocasse, no que foram atendidos diversas vezes. Musicalmente caótico, mas valeu pela catarse coletiva. Foi divertido. Aliás, os caras são muito divertidos: São rock and roll até a medula! Saí com eles e uma galera pra bater um rango num boteco depois do show e ficava impressionado com o cuidado que eles tinham com os topetes e com a quantidade de fotos que os pessoas que os acompanhavam tiravam. Era foto de tudo: do cardápio do bar, dos copos, das mesas, dos pés, do cachorro que passava pela rua ...

Um registro: vi também o Mundo Livre S/A, e foi estranho ver o Mundo Livre S/A fora do Recife, ou do nordeste. Mas de repente não foi nem isso, já que o Mundo Livre é meio estranho mesmo: às vezes fazem shows sensacionais, outras vezes nem tanto. Foi lá também, no Jóquei Clube de Goiás, uma das ultimas vezes em que eu caí no pogo, ao som do crustcore preciso dos candangos da Terror Revolucionário, banda capitaneada pelo herói da resistência Fellipe CDC, meu amigo de longa data. Foi muito bom revê-lo, assim como foi rever Renzo (com o qual esbarrei em plena roda de pogo) e Phu, ex-DFC. Perguntei pelo Túlio e Phu respondeu que “Túlio é playboy, não vem pra esses rocks não”.

Foi muito bom também rever, mesmo que brevemente, meu amigo de fé, irmão e camarada Oscar F., hoje Fortunato, artista plástico conceituado na cidade. E conhecer pessoalmente, finalmente, alguns grandes correspondentes dos tempos das cartas e zines, como o (então) casal Eduardo e Lorena D’Allara, dos Resistentes – que também tocaram no festival. Eduardo era impressionante, uma verdadeira enciclopédia viva de punk rock nacional. Era também meio esquisito, tinha uns tiques nervosos com sanduíches com maionese, por exemplo, mas normal. “De perto, ninguém é normal”, já dizia Caê.

Bem legal também participar dos bastidores do evento – Almoçar arroz de pequi com pimenta com os Retrofoguetes, relembrar o Punka com Gabriel do Autoramas, os tempos do rock alagoano com Wado (que eu não lembrava que já conhecia da época em que andava por lá com os caras da Living In the Shit), ouvir as merdas do Finatti e as reclamações do Gordo do Ratos - especialmente quanto à viagem de avião, que também foi pela BRA. De “quebra”, me batí com Pompeu, do Korzus, que era técnico de som do Ratos, e com Juninho, o baixista, que me reconheceu e foi logo cantando algumas singelas composições da minha banda de grindcore pornográfico, a 120 Dias de Sodoma, que ele havia conhecido algum tempo antes quando havia tocado aqui em Aracaju com a Discarga.

Tempo bom. Qualquer dia apareço por lá de novo ...

por Adelvan

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DeFalla, uma entrevista

Já se passaram 25 anos desde que o DeFalla decidiu estragar tudo e trilhar o caminho oposto ao do rock brasileiro de sua geração. Entre a vanguarda e o escracho total, o grupo gaúcho foi amado e odiado, passou por intermináveis formações, transitou por vários estilos e, na medida do possível, saiu vivo de todos eles. Tudo sob o comando do frontman Edu K, espécie de mistura de Mike Patton com Iggy Pop, só que canastrão desde sempre e hoje meio gordinho.

Logo no primeiro disco, o cultuado Papapaparty (1987), angústia pós-punk e groove dividem o mesmo espaço, algo intragável para os guetos da época. O disco seguinte, It's Fuckin' Borin' to Death, abre com duas desconstruções de clássicos de Beatles e Raul Seixas. Neste registro de 1988, estava escancarada a porta do funk/metal/rap - em sincronia com o que Red Hot Chilli Peppers e Faith No More faziam lá fora - e de toda a esquizofrenia que viria nos seis discos seguintes. Tanta anarquia foi descambar até à "fase Miami", uma das reencarnações da banda, sob forte influência do pancadão carioca e com o - vá lá... - curioso hit Popozuda Rock'n'Roll, em 2000. Dois anos depois, foi lançado Superstar, último álbum de estúdio até aqui.

Em 2011, o convite para um único show bastou para que os quatro integrantes originais, hoje morando em quatro estados diferentes do país, se reunissem em Porto Alegre. Novos convites surgiram desde então e Goiânia foi incluída na rota. O DeFalla está na programação de 17º Goiania Noise e toca no próximo sábado (3/12). A Redação conversou com Castor Daudt, guitarrista da banda, eufórico na ocasião em função do show que fariam naquela noite no Ocidente, bar portoalegrense berço do DeFalla e de quase todo o rock da cidade.

Como é que foi acontecer esta nova reunião da banda?
Tem um projeto em Porto Alegre, chamado Discografia Rock Gaúcho, que tenta reunir as bandas para executarem um disco inteiro com a formação original. Eles nos convidaram - eu, Biba, Flu e Edu K - pra tocar o nosso primeiro disco. Neste evento, tivemos que fazer duas sessões na mesma noite. Lotamos duas vezes a casa. Aí a gente pensou: 'De repente, se aparecer outras oportunidades de shows, podemos fazer'. Daí começaram a nos propor novos shows. Pintou um em São Paulo, depois outro em Porto Alegre, no Porão do Rock em Brasília, na festa SeRasgum em Belém. Foi uma recepção totalmente inesperada.

No show, são só as músicas antigas ou tem coisas novas surgindo? Existe alguma possibilidade de disco de inéditas?
Nós nos reunimos pra tirar o Papaparty, basicamente, e depois o segundo. Neste show em Goiânia, 80% do show vai ser composto por estes dois discos, que são aqueles gravados com essa formação, e algumas dos outros também. E estamos pensando em disco novo sim. Temos trocado bases e riffs pela internet. A Biba faz vários ritmos, loops, sequências, manda para nós e botamos guitarra e baixo em cima. Neste processo, duas ou três músicas estão em andamento. Já tivemos até propostas de gravadora, mas não há material o suficiente ainda. Em 2012, rola algo com certeza.

Com tantas idas e vindas, é possível dizer que o DeFalla está voltando de fato? Ou ele nunca foi embora?

Bom, eu saí faz uns 15 anos. A partir de 1996, virou basicamente uma coisa do Edu. Depois do disco de 92 (Kingzobullshitbackinfulleffect92, lançado pela Cogumelo Records), não era mais uma banda. O show no Hollywood Rock simbolizou este último momento. O Edu saiu e lançou um disco solo, Meu nome é Edu K. Nós outros tínhamos um monte de músicas e reunimos um outro time. Usamos o nome D-Phala, não era bem o DeFalla. Depois o Edu retomou o nome e fez outros discos. Aconteceram outras voltas meio curtas, mas agora foi a hora exata. Teve tempo da gente amadurecer e foi a coisa certa no momento certo.

Olhando para trás agora, onde o DeFalla se situa no rock brasileiro dos anos 80?
A gente foi aquele outro lado que devia existir. Nos anos 80, era todo mundo muito bundinha. Meio xarope mesmo eram só o Renato Russo e o Cazuza, mas o som também era muito bundinha. Todos queriam fazer sucesso e dinheiro, enquanto nós não estávamos nem aí: escrevíamos letra em inglês, juntava com português, fazíamos o que queríamos. A gente rescindiu contrato com uma multinacional, por exemplo, o que ninguém faria. Fizemos o caminho inverso, saindo do mainstream e indo para o independente. Entendo que nossa banda foi necessária para contrabalancear essa bundice. Tem que ter sempre um lado. Nós éramos o outro lado da moeda do rock nacional.

E o tal do rock gaúcho, ou o que se convencionou chamar de "rock gaúcho", isso existe?
Andei pensando nisso e acho que o rock gaúcho não existe. Pra mim, Kleiton e Kledir foram os únicos que misturaram o estilo gauchesco com rock e MPB. O Nenhum de Nós também tenta fazer, tem sanfoneiro e tal, mas ficam em um meio-termo. Não é gauchesco, nem é pop rock. Podemos dizer que, embora excelentes, as outras bandas - Replicantes, Cascavelletes, TNT, Garotos da Rua, etc. - eram uma cópia do rock inglês com sotaque gaúcho. Tinha letras, atitude, mas em termos musicais vai muito pelo rock inglês e americano. Nós temos aquele espírito separatista, o rock gaúcho sempre tentava ser diferente, mas nunca foi bem assim.

Como foi assistir de longe aquela guinada para o funk carioca feita pelo Edu K?

De fora, foi muito estranho (risos). Na época, eu ri muito, já que o DeFalla sempre foi mais vanguarda e, de repente, ele fez uma coisa bem do povão. Eu acho que ele usou o nome do DeFalla, mas era muito mais uma coisa dele. Considero que era "Edu K e DeFalla". O Edu não fez de propósito, pra ganhar dinheiro. Ele faz o que ele quer e, se as pessoas até pedem nos shows, como vou ser contra? Não sou contra algo que ele faz para pagar as contas dele. Até tocamos a música da popozuda em São Paulo, com participação do Beijo AA Força, e estamos pensando em ensaiar uma versão mais pesada dela.

É fácil voltar a conviver e fazer música com um sujeito hiperativo como ele?

O Edu K é uma figura muito forte. Ele tende a ficar sempre nos puxando pra um lado e depois para o outro. Eu e o Flu, que somos mais velhos e o conhecemos há muito tempo, sempre contrabalanceávamos. Ou às vezes a gente ia com ele mesmo (risos). Mas existe essa química, que é o legal hoje. Os quatro tem 25% de valor e opinião. Acho até que o Edu tava com saudade dessa colaboração. Ele ficou fazendo tudo sozinho durante muito tempo. Ninguém faz tudo só.

Em seu blog, você fez uma pergunta retórica sobre "o que faz um coroa caretão como eu pegar a guitarra empoeirada e sair por aí fazendo rock". Qual é a resposta para essa pergunta?
É o amor pelo rock, cara, pela música. É maior que tudo. Conheço muito cara que larga mulher, emprego, o que tiver. É um apelo irresistível. Tenho 49 anos, filha, emprego, mas quando tem show eu me arranco. Digo: "Ah, eu vou, não sei quando vai ter outro". Tenho duas guitarras aqui, tô cheio de mala, bagagem, vou para o aeroporto e foda-se. Olha o Paul McCartney, cara. Vai fazer 70 anos e vai lá, faz show de duas horas e meia. Já tem dinheiro e fama, mas ainda faz isso. Isso é afudê!

por Jairo Macedo

de Goiânia


LADO B. A HISTÓRIA DAS FITAS CASSETE

Anos 80, uma das épocas mais marcantes do século XX. O fim da idade industrial e o início da idade da informação. Também chamada de “Década Perdida” na América Latina, por conta da estagnação econômica, em que os países dessa região tiveram um menor desenvolvimento na economia como um todo.

Foi um período marcado pelas roupas exageradamente coloridas e excêntricas, do “new wave”, da geração saúde, pelo surgimento da MTV, das primeiras raves, de bandas como The Smiths, U2, A-Ha e também pela consolidação do gênero Heavy Metal, entre outras vertentes. No Brasil, bandas que também fizeram muito sucesso nos anos 80 foram Legião Urbana, RPM, Barão Vermelho e Ira!. Nessa década também aconteceu o primeiro Rock In Rio, em 1985. Consolidava-se a MPB, surgida nos anos 60. Michael Jackson fazia um enorme sucesso com seu álbum Thriller. David Bowie, Cindy Lauper, Bruce Springsteen, entre outros artistas de peso, são referências dessa época.

Nesse emaranhado de coisas que aconteciam nos anos 80 não podemos deixar de lado as hoje nostálgicas fitas cassetes, ou K7 para muitos. A produção em massa dos cassetes compactos começou em 1964, na Alemanha. Os primeiros com músicas pré-gravadas foram lançados na Inglaterra, em 1965. Nos Estados Unidos, em 1966, teve uma oferta inicial de 49 títulos, lançados pela Mercury Record Company. A primeira gravação musical nessas pequenas caixas plásticas foi na Inglaterra, em 1978, pela banda The Tights, e continha um único hit: “Howard Hughes”. Mas foi na década de 80 que seu uso foi de fato consolidado, afinal, qualquer banda independente que se prezasse deveria ter uma demo gravada em uma fita K7 para levar as gravadoras e jornalistas. Entre a década de 70 e 90 o cassete era um dos formatos mais comuns para gravação, junto aos LP’s e posteriormente aos CD’s.

Apesar da baixa qualidade sonora, geralmente com 60 minutos de duração (já existiram versões de 45 e 90 minutos), o lançamento das fitas cassetes foi uma grande revolução, por difundir a possibilidade de gravar e reproduzir som. O vinil era mais caro, além de mais dificil de transportar e tocar e principalmente para gravar. Por isso mesmo, as fitas cassetes nos deram mais liberdade para sair por aí e ouvir nossas canções favoritas onde bem entendêssemos. E apesar dos primeiros gravadores com áudio da Phillips já serem portáteis, foi a Sony, com sua invenção do “Walkman”, no final dos anos 70, que mais contribuiu para essa explosão do som individual.

Seu declínio aconteceu já no final da década de 80 e as vendas acabaram sendo superadas pelos CD’s nos anos 90. Mas em 2001 os cassetes virgens ainda eram produzidos. Extintas do mercado tradicional, hoje as fitas cassetes saíram de cena e ganharam um ar retrô, virando inclusive item de colecionador. E apesar de serem mais difícieis de encontrar na versão virgem, as velhas fitas cassetes tem se tornado um item cultuado e conquistado novas bandas independentes. Nos Eua, esse movimento foi nomeado de “Cassete Culture” e em um artigo para o site Rizhome, a escritora Ceci Moss diz ter identificado em torno de 101 selos que lançam fitas cassetes atualmente. Bandas conhecidas como Pearl Jam, Foo Fighters e Goldfrapp já aderiram ao movimento e recentemente lançaram trabalhos em cassete. No livro “Mix Tape: The Art of Cassete Culture” de Thurston Moore, o cantor do Sonic Youth reúne artigos e obras de arte sobre fitas cassetes.

Outro fato muito interessante, é que muitas pessoas tem reciclado as fitas K7 e utilizado para a produção de adereços e obras de arte e http://www.blogger.com/img/blank.gifas utilizando com inspiração para criação de outros. Exemplo disso, é a artista Erika Iris Simmons. No seu projeto, intitulado Ghost in the Machine ela faz uma nova leitura de um material que estaria destinado ao descarte. Simmons faz verdadeiros desenhos com os rolinhos que ficam dentro dos K7’s e dá-se a impressão que stão saindo verdadeiros fantasmas de dentro das fitas e adquirisse uma nova dimensão, uma visão completamente impactante para quem observa.

© obviousmag 2003, SP/BR. Todos os direitos reservados

por petit gabi

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

# 207 - 26/11/2011

Caminhando em montanhas lunares, testemunhando a morte de uma estrela, ouvindo a nota SI(B) 32 oitavas abaixo em um buraco negro. Feche os olhos e se deixe guiar por luzes multicoloridas que vão aliviar todo o tormento das mentiras ditas dia após dia, sem parar.
Os tempos são nefastos, mas permita que um raio de luar invada sua retina. Imite as formigas (um grão após o outro), aprenda a beijar com o “beija-flor”, se organize como as abelhas, tenha o cuidado de uma “mãe coruja”, tenha a nobreza de um “lírio dos campos”.
Cenários surrealistas assaltam uma realidade suja, disforme, avarenta, fútil e insana, transformando-a em alento, esperança, calmaria, um sonho bom sem fim. Os dias são mais azuis e as noites mais brandas. As mais belas flores irão beijar seus pés.
Usar a imaginação, a pura imaginação é a saída. Você vai conhecer mundos novos, novas cores, novos sons, novas palavras, novos rituais, um novo firmamento, um novo lar, um novo alimento. Feche os olhos! Deus está dançando.
Dedique uma canção de 1 minuto para você, sinta arrepios nos braços quando uma lágrima despencar na sua face. Não é tristeza, é alívio.
Só poucos conseguem sair do “Círculo”: os loucos, os poetas e os puros de coração. Não precisa ser louco (é para poucos), poetas? Nem todos nascem. Seja um puro de coração. Como? Tenha uma atitude natural. Sinta o vento, toque o azul, flutue, sinta o gosto de sal, o “sal da terra”.
O mundo girando e você sonhando. Um perfume de fragância nunca sentido vai invadir o teu quarto. Uma milha, 100 km c/ um sapato e o olho brilha. Um rio perene, um mendigo solene trás boas novas. Coisas belas vistas da janela em um dia de primavera (linda fera).
O dirigível avisa: - Deus está dançando! É o início da festa, é o mais longo dia. Um dia perfeito para dançar, para sonhar, para ficar livre. A festa começou! É eterna. Além disto não há nada melhor. CINEMERNE.
P.H.
(Email: vitelloni@bol.com.br)


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Kraftwerk:

# Schaunfensterpuppen (edit)
# Das Modell
# Die Robotter (Single version)
# Europa Endlos (edit)

Deep Purple - Hey Joe (BBC Top Gear Session)

The Cigarettes - Love Concept Alpha
The Cigarettes - The Bore
((( Drop Loaded )))

Garrafa Vazia (Rio Claro,sp) - Cirrose
ABiosi (Ribeirão Preto,sp) - Ódio e indignação
Fatal Blow (Balneário Camboriú,sc) - So much for nothing
Artany (Cubatão,sp) - Rápido demais
- por Luiz Umberto

Tchandala - Mirror of Decay

Hellbenders - Hurricane
MQN - Speed Bullet
Mechanics - War

Arthur Faria e seu conjunto - Amigo punk
Pupilas Dilatadas - Era Moderna
Cascavelettes - Ugagogobabago
Volantes - Maçã

The Misfits - Devil´s rain

Casca Grossa - Exploração
SenandiomA - The perfect plan
Cinemerne - Chovendo querosene
Plastico Lunar - Moderna acustica
Road to joy - Summer sonnet

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

New Order, o retorno


Dez anos após deixar de excursionar com o New Order para cuidar da filha, Grace, que desenvolveu uma doença complicada, a tecladista Gillian Gilbert volta à banda que integrou a partir de 1980. No começo, o retorno foi anunciado apenas como uma forma de a banda levantar dinheiro para ajudar um amigo doente, Michael Shamberg. Mas Gillian disse ao Estado que é mais que isso, devem seguir adiante por algum tempo. Tocam no dia 3, no Ultra Music Festival, no Anhembi, em São Paulo.

Gillian volta, e Peter Hook (a quem se credita grande parte do som distinto da banda, e está excursionando com seu projeto solo The Light) sai fora. O baixista não gostou da história. “Todo mundo sabe que New Order sem Peter Hook é como o Queen sem Freddie Mercury, o U2 sem The Edge, Sooty sem Sweep”, afirmou. Bernard Sumner, o vocalista e chefe da trupe, não se abalou. Com essa formação, e já fizeram alguns shows e a formação tem Sumner, Stephen Morris, Phil Cunningham e Tom Chapman no baixo. Eles tocaram recentemente no Ancienne Belgique, em Bruxelas, na Bélgica, e incluíram canções como Ceremony, Elegia, Crystal, Regret, Love Vigilantes e o clássico do Joy Division Love Will Tear Us Apart.

Esse é um retorno definitivo, ou só uma turnê?

É um retorno. Obviamente, eu não sei no que dará, por que eu não tocava havia uma década. Mas tem sido especial voltar a fazer parte de uma banda.

Mas o que será o futuro para o New Order? Vocês vão gravar um disco?

Não sabemos realmente o que será do futuro. O bom de ter voltado é que não há um comprometimento demasiado. Por outro lado, a gente sabe que as pessoas só querem ouvir as velhas músicas, que não esperam mais que isso. E nós queremos olhar para o futuro. Não acho que haja espaço hoje para um disco de carreira como antigamente, com 12 faixas, aquela coisa. Ninguém mais ouve música desse jeito. Acho que poderá acontecer de lançarmos um single, ou duas faixas na internet, e começarmos a compor nesse ritmo. O futuro é um livro aberto para a gente.

Desde que você se afastou do meio musical, muita coisa mudou. Hoje em dia, por exemplo, pouca gente faz álbuns, como você falou. O que pensa desse novo mundo?

Acho que ainda é um mundo excitante. Há muitas bandas novas surgindo todo dia, bandas que acharam seu caminho mesmo sem ter uma gravadora ou um esquema mais profissional de distribuição do seu trabalho. Claro que há contradições. É um mundo muito fechado, com as pessoas ouvindo música em seus headphones, distanciadas umas das outras. Ouvem e fazem música no quarto, e se envolvem pouco com as plateias. E há ainda os fenômenos massivos, como Lady Gaga, que monopolizam as atenções.

Gillian, o New Order surgiu como se fosse um antídoto àquela música que predominava na época, o punk. Foi até rotulado como pós-punk. Você concorda com o rótulo?

Acho que sim, a atitude foi pós-punk. Éramos um pouco mais profissionais, e mais envolvidos com eletrônica, enquanto o punk era básico. Acho que, desde o Joy Division, a banda sempre esteve mais interessada em arte, em explorar diferentes direções usando as máquinas, os teclados, os sintetizadores. Até para a plateia era algo diferente, suscitava uma reação diferente.

Peter Hook diz que esse New Order que vai excursionar é “uma vergonha” e que não aprovou a turnê.

Eu não estava envolvida com o New Order quando eles brigaram, e não sei como se deu o rompimento. Obviamente, não estou muito feliz com esse clima, preferia que ele estivesse conosco. Mas ele não quer. Acho que ele também está se divertindo fazendo o trabalho dele com a outra banda, e toca as canções do New Order. Deve estar ocupado com seus novos projetos.

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por Jotabê Medeiro

Combate rock

Gangrena Gasosa wants you ...

Somos a Gangrena Gasosa, primeira e única banda de Saravá Metal do Brasil. Nascemos no Rio de Janeiro no início da década de 90, incorporando uma bizarra experiência audiovisual de Metal/Hardcore regada a pontos de Macumba.

Nosso primeiro vinil foi lançado pela Rock It!, intitulado "Welcome to Terreiro". Com esta gravação fizemos shows no lendário Garage da Rua Ceará, no Canecão, no Aeroanta em São Paulo, em Florianópolis, entre outros pelo Brasil.Seis anos depois gravamos nosso segundo trabalho, o CD "Smells Like a Tenda Spírita", lançado pela Tamborete Records. Este foi o CD apresentado em maio de 2001 na tour de 28 shows que fizemos na Alemanha e na Áustria.

Agora acabamos de lançar nosso 3º CD oficial, "Se Deus é 10 SATANÁS é 666", esse álbum traz o Saravá Metal fervilhante das entranhas de nossa terra. E as urucubacas, mandingas e zicas vêm diretamente das entidades do além-túmulo. Uma sessão de culto ao esporro!

Sobre o show - No mês de dezembro iremos desembarcar em São Paulo para uma apresentação única no clube paulistano Inferno Club. O show será captado com câmeras HD e iluminação profissional que, unida à cenografia do palco, trará imagens macabras e englobará todo o universo sombrio da Macumba, criando um ambiente perfeito para a gravação de uma performance única onde as entidades da Gangrena interagirão com efeitos especiais do mestre André Kapel Furman, planejados para serem executados ao vivo em frente à platéia!

Sobre o DVD - Depois de realizar o polêmico e badalado documentário GUIDABLE - A Verdadeira História do Ratos de Porão, sobre os quase 30 anos da maior banda Punk do Brasil, a Black Vomit Filmes está prestes a realizar seu mais novo e infame documentário musical.

O formato do DVD será de show e documentário, "incorporando" a esta bizarra experiência audiovisual de metal e hardcore com pontos de macumba um registro fiel em humor e estética, trazendo o Saravá Metal que vem das entranhas da nossa terra juntamente com as urucubacas, mandingas e zicas das entidades do além-túmulo.

Só conseguiremos realizar esse projeto se o valor total de R$ 5.000 for alcançado. Vale lembrar que todo valor arrecadado será usado exclusivamente para atender os custos operacionais de locação de equipamento, iluminação, equipe técnica, transporte, cenário, divulgação, fotografia e etc.

Convidem os amigos para participar dessa sessão de culto ao esporro!
Contamos com sua ajuda também na divulgação do projeto!

PARTICIPE!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Marielle e a Escola de Escândalo

Soube por acaso, navegando na net, que Marielle Loyolla, ex-vocalista da Volkana e da Arte no Escuro, voltou ano passado para Brasilia e gravou 10 musicas com uma nova formação da Escola de Escândalo, legendária banda dos anos 80 que deixou apenas 2 musicas registradas na coletânea "Rumores". As notícias são do início de 2011 e não sei se algo já foi lançado, mas aproveito para dar uma geral na carreira desta importante figura do rock tupiniquim. Com vocês, Marielle Loyolla:

Arte No Escuro: O sucesso de Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial no cenário do rock brasileiro, em meados dos anos 80, levou o rock candango a exportar bandas de maneira rápida. Um dos grupos que se celebrizou nesse período foi o Arte no Escuro.

Herdeiro da tradição gótica de bandas inglesas como Bauhaus e The Cure, o grupo formado em abril de 1985 por Luiz Antônio Alves, o Lui (vocal), Pedro Hyena (baixo – ex-Sociais), Adriano Lívio (guitarra) e Paulo Coelho (bateria), agradava pelo sua estética e clima sombrio. Lui ficou mais famoso pela sua estampa na capa do segundo disco dos Paralamas do Sucesso: O Passo do Lui.

A estréia da banda em palcos brasilienses ocorreu em um cenário conhecido no circuito da Turma da Colina: Departamento de Arquitetura da UnB, cenário de festas e shows de várias bandas da cidade – Capital Inicial e Plebe Rude, inclusive. A apresentação ficou marcada por uma performance digna dos happenings de grupos ingleses: enquanto cantava Beije-me Cowboy, Lui joga sobre si um balde de tinta preta. Surpresa e frisson na platéia. No dia seguinte, os comentários nas rodinhas da capital era da estréia de fogo da banda.

Infelizmente, logo depois desse show, Lui abandona a banda e deixa Brasília. Parte para o Rio, onde continuaria seu trabalho como artista plástico. Segundo Pedro, a banda engataria nessa segunda fase. O vocalista foi substituído por Marielle Loyola (vocais – ex-Escola de Escândalos e, depois, Volkana), em fevereiro de 1986. Em seguida, o grupo – que dividia uma sala de ensaios com o Finis Africae – grava sua primeira demo.

O som cheio de climas, vocais sussurrados, baixos melódicos e guitarras intimistas levou a banda rapidamente a despertar interesse das gravadoras, ávidas por encontrar novas “Legiões Urbanas”. As letras também carregavam em sutilezas, repleta de metáforas e fugindo do lugar-comum dos rocks de protesto. “Nada é verdade absoluta, cada pessoa entende uma coisa”, declarou Pedro Hyena, autor da maioria das letras.

Chegaram a ser rotulados de "dark", um neologismo bobo em voga nas grandes cidades, naquela época. “Isso é só modismo”, atacou Pedro. A fita demo, àquela altura, já tocava diariamente na programação da Rádio Fluminense, no Rio, responsável pelo boom de muitas das bandas de Brasília – dos Paralamas até a Escola de Escândalos. Na seqüência, em 1987, o Arte no Escuro grava um disco pela EMI, lançado no ano seguinte, cujos maiores sucessos foram Beije-me Cowboy e As Rosas. A produção ficou por conta de Gutje Woortmann, da Plebe Rude.

Segundo Pedro, foram vendidas pouco mais de 3,5 mil cópias. O LP hoje é tratado como raridade, sendo disputado em sebos de disco pelo país. A baixa vendagem e o clima de aperto geral na economia levam a EMI a descartar a banda em 1988. “Com o sucesso de vendas alcançado pelas bandas de Brasília nos anos 80, chegamos a receber ofertas para retornar ao estúdio e para apresentações, ofertas que recusamos com dignidade”, disse Pedro.

Dois anos depois, a banda se dissolveria, com Marielle integrando no início dos anos 90 a banda de trash metal Volkana, formada só por mulheres, ao lado de Mila (ex-Detrito Federal).

Volkana: (wikipedia) Banda formada em Brasília, em 1987, por Mila Menezes (baixo), Karla Carneiro (guitarra), Ana (bateria) e Eliane (vocal). Ana e Eliane logo saíram e foram substituídas por Mariele Loyola (vocal) e Débora (bateria), vindas das bandas Detrito Federal e Arte no Escuro. Com essa formação optaram por cantar em inglês, seguindo o exemplo da banda Sepultura. Mudaram-se para São Paulo no ano seguinte e lá gravaram uma demo com duas faixas chamada Thrash Flowers. Graças à essa demo, tornaram-se conhecidas e gravaram seu primeiro LP, First, em 1990. Durante esse período, Débora deixou a banda e foi substituída por Pat que, por sua vez, foi substituída por Sérgio Facci, que participou da gravação do LP. Marielle também deixou a banda e foi substituída por Cláudia França. Posteriormente, Selma Moreira juntou-se à banda como segunda guitarrista. O segundo álbum, Mindtrips, foi gravado em 1994 e, dois anos depois, a banda terminou. Em 2002, a demo é relançada junto com a demo de outra banda feminina, Flammea, em um único LP.

Em 2008, Volkana volta a se apresentar em várias cidades do Brasil com a seguinte formação: Mila Menezes, Marielle Loyola, Renata Lopes e Sergio Facci.

Em 2011, a Volkana contribui com uma canção para a trilha sonora do documentário Brasil Heavy Metal, sendo que Marielle ainda participou junto com outros artistas da gravação da música-tema do filme.

Escola de Escândalo: A banda Escola de Escândalo (nome retirado do clássico literário do autor irlandes Richard Brinsley Sheridan, The School for Scandal) formada em 1983 por Bernardo Mueller e Geraldo "Geruza" Ribeiro, que vinham da Banda XXX, foi uma das grandes promessas e referência de sucesso do rock brasileiro na década de 80. Foram chamados para a formação inicial da Escola o guitarrista Fejão, o baterista Alessandro "Itália" e alguns meses depois, chegava à banda Marielle Loyola como apoio vocal para Bernardo.

Muitos dizem que a banda sofreu uma daquelas distorções do destino, não lhe dando oportunidade para realizar o registro oficial das principais músicas, tornando a banda uma lenda no meio musical.

A Escola de Escândalo teve seu primeiro e único registro sonoro em vinil com distribuição nacional, na coletânea "RUMORES" (Sebbo do Disco/Bsb/84) deixando nele as canções Luzes e Complexos, que foram executadas com destaque nas maiores rádios rock do País da época, como a Rádio Fluminense/RJ e Estação Primeira/Ctba. Foi através da resposta dos ouvintes dessas rádios que a banda foi convidada para muitos shows em todo o país, tendo como destaque a apresentação no programa de Tv Mixto Quente da Rede Globo em 85.

O som da Escola de Escândalo tinha personalidade, e um dos pontos fortes, com certeza, eram as letras, criadas através da realidade juvenil por Bernardo Mueller. Das mágicas mãos do guitarrista Fejão (1965-1996), vinham riffs de heavy metal que se uniam às melodias pop dos vocais, que tinham como base as levadas punk rock do baixo de Geruza e da bateria de Alessandro.

Com a volta de Alessandro à Itália, Antonio "Totoni" Fragoso assume as baquetas da banda e participa da maioria das novas composição da banda. Também passaram pela banda os bateristas Rogério Ribeiro e Eduardo "Balé" Raggi. Em 87 Marielle sai da banda e vai integrar a banda Arte no Escuro e depois a Volkana, que encerra suas atividades na virada dos anos 90.

2010: A VOLTA DA ESCOLA DE ESCÂNDALO

Com a morte do guitarrista Fejão em 96, todas as possibilidades de uma volta da banda foram extintas, mas os ex-integrantes continuaram mantendo contato, principalmente Geraldo e Marielle, que em 2010, num ímpeto de simplesmente "tocar", resolvem realizar um registro das muitas músicas da Escola de Escândalo.

Bernardo Mueller, apoia a realização desse trabalho, mas não deseja voltar aos palcos, então Geraldo e Marielle convidam Totoni pra esse "revival", e chegam à conclusão que para guitarra tinha que ser um "discípulo", grande amigo e parceiro musical de Fejão, Alexandre Parente, guitarrista ao lado de Fejão da Banda de Heavy Metal Fallen Angel por mais de 10 anos.

A Escola de Escândalo iniciou as gravações de um "primeiro" cd em outubro de 2010 com 10 faixas: Caneta Esferográfica, Luzes, Complexos, Grande Vazio, Popularidade, Lavagem Cerebral, 4 Paredes, Más Línguas, Só mais uma canção de soldados e guerras, Celebrações (Arte no Escuro), e deverá estar à diposição em março de 2011.

Escola de Escândalo agora é:

Geraldo Geruza Ribeiro - Baixo
Antonio Totoni Fragoso - Bateria
Alexandre Parente - Voz e guitarra
Marielle Loyola - voz

Entrevista publicada em maio de 2010 no site Rock Brasília:

Você é tida como a musa do rock de Brasília, desde a época em que integrava o Escola de Escândalos. Pode falar um pouco sobre sua saída do Escola e a formação do Arte no Escuro?

Poxa, muito obrigada pelo elogio, pois ser Musa de uma cena tão importante pra todo o País, nossa, é bastante responsabilidade (risos). Muito obrigada mesmo! Bom,minha saída do Escola foi meio confusa, mas o convite no mesmo dia da minha saída do Escola, pra fazer parte de uma banda que até hoje é tida como marco da música gótica no Brasil, foi algo maravilhoso. A Arte no Escuro estava passando pela saída do vocalista Lui, que estava de mudança para o Rio de Janeiro, e era uma banda que eu respeitava demais, pelos músicos e sua qualidade e profundidade musical. No primeiro momento fiquei temerosa, pois assumir o lugar do Lui era muita responsabilidade, mas fizemos uma transposição vocal dele pra mim bem tranquila. Comigo a Arte no Escuro acho que ganhou um perfil mais pop, ou melhor dizendo, mais acessível ao mercado.


Quais as recordações mais marcantes que você tem de Brasília? Como era a cena de rock nos anos 80 e 90? Sente saudade?

Nossaaaa....muita saudade, foi uma fase de pureza de sentimentos, de idéias, de ideais, tudo era tão forte. A vontade de fazer música, de dizer o que sentíamos. Era muito diferente de hoje, quando as bandas fazem música para fazer sucesso, para tocar em rádio, naqueles dias nunca nem se imaginava uma banda como as de Brasília tocando em rádio.
Fazíamos música porque gostávamos de fazer música, sem base nenhuma, sem estudo musical. Era tudo muito de sentimento, de notas que achávamos legais, acho até que essa sinceridade foi o maior motivo do reconhecimento pela mídia e produtores nacionais aos artistas da cidade, pois a sinceridade leva tudo mais longe, dá mais vida! Muita saudade das bagunças com os amigos, dos ensaios no Rádio Center. Parece até coisa de velho né? (risos) Mas só vai entender quem viveu isso!

Depois do Arte veio o thrash metal do Volkana. Conte um pouquinho do fim do Arte e do começo do Volkana e sobre os boatos em torno de uma volta da banda.

Pois é, a Arte foi uma coisa belíssima na minha vida, mas foi tudo muito rápido, pois com menos de um ano de banda nós estávamos dentro de uma multinacional gravando um disco entre os maiores do momento, Legião, Plebe, Paralamas,que eram nossos amigos, e que hoje, quando eu paro pra pensar,caramba,esses caras serão eternos na música nacional. E nós poderíamos ter sido também, mas éramos imaturos, muito novos, e não tínhamos definido muito bem as nossas escolhas. Falo principalmente por mim. Eu tinha saído do Escola, onde fiz um amigo gigante em todos os termos que era o Fejão, que me apresentou um som chamado Heavy Metal. O que eu conhecia do estilo eu achava muito chato, como Led Zeppelin, Deep Purple, coisas do tipo, que eu achava um saco..mas o Fejão me apresentou um outro som, como a primeira demo de uma banda chamada Metallica, caraça, aquilo foi demais, os timbres de guitarra, o vocal (timbre que nunca consegui ter) a bateria com os bumbos dobrados numa velocidade animal. Foi muito demais. E depois veio Anthrax, Mercyfull Fate. Ai tudo mudou dentro de mim. Como eu andava direto com ele, passei a conhecer os amigos dele que tocavam metal, e ai foi. Quando terminei a gravação do disco do Arte no Escuro, a gente já tinha montado a Volkana, mas só de onda, que como as demais bandas de Brasília, tomou corpo rapidamente e foi contratada pelo maior Selo de metal do País daquele momento, que era o Selo Eldorado, onde estávamos ao lado de nomes como Sepultura, Ratos de Porão e Víper. A Volkana é uma banda idolatrada ainda hoje, pois não surgiu nada parecido,nem postura, estilo e pegada. Ali eu me tornei uma profissional, eram todas muito disciplinadas, e acredito que isso foi o que manteve também, o nome da Banda em pé e respeitada até hoje. Encontro meninos de 20 e poucos anos que nos assistiam nos programas infantis, tem o disco até hoje (risos), muito engraçado. Muitos acham que a Volkana é uma banda de São Paulo, pois nos mudado para lá por motivos contratuais, mas sempre fizemos questão de deixar bem claro que éramos uma banda de Brasília e ponto final!! No ano passado fizemos um show depois de 13 anos e foi muito legal. Realizamos essa volta repentina à pedidos do produtor de documentário que deve ser lançado ainda esse ano chamado Heavy Metal Brasil que vai contar as história do estilo no Brasil. Recebemos muitos convites para novos shows, mas ficou difícil devido a distância dos componentes e trabalhos paralelos dos mesmos. A minha saída da Volkana aconteceu devido divergências musicais. Tínhamos um disco lançado na Europa e EUA, mas eu tinha uma opinião que não era muito bem vinda na banda...queria cantar em português pois meu inglês era um lixo, tinha casado a pouco tempo, e havia um problema de doença na minha família em Curitiba, que não permitiriam minha saída do País naquele momento...com certeza eu tinha que me afastar para não atrapalhar o destino delas. Elas fizeram mais um cd com uma nova vocalista que não teve a mesma repercussão do First.

O que te motivou a ir para Curitiba?

Como falei acima, uma pessoa mais do que importante na minha vida, meu irmão, que fez uma participação especial no disco da Volkana, Mariel Loyola, estava com um grave problema de saúde, o que me fazia ir constantemente á Curitiba, minha cidade natal, e com a piora da saúde dele voltei pra cá. Ele faleceu o que me deixou sem ânimo pra qualquer coisa durante quatro ou cinco anos. Então alguns amigos como o Loro Jones,que também era muito amigo do meu irmão, me incentivou a fazer uma banda só pra distrair e pra não perder o amor pela coisa, ai surgiu a Cores D Flores, uma banda legal, mas que não conseguia definir seu estilo e que durou até 2006, pois ai, eu já estava bem apaixonada pelo trabalho em Rádio, pela possibilidade de abrir espaços pra novos talentos, e essa paixão se tornou um amor gigante e eterno em mim

Você foi vocalista da Cores D Flores durante alguns anos. Fale um pouco sobre a banda, as influências e como se deu essa volta aos palcos?

Pois é, hoje já não sou mais vocalista, faço produção e direção musical, incentivo e crio novos espaços para novos talentos, e adoro fazer isso, pois Curitiba é um grande celeiro de músicos talentosos, uma cidade maravilhosa para se viver, tudo ecologicamente correto, tudo muito legal! Sonho em voltar pra Brasília, pois seria o único lugar depois daqui que eu moraria, mas esses meus laços de ternura com a cena local Curitibana é bem forte, e sinto que tenho muito o que fazer por aqui ainda!

Como foi sua incursão no mundo da locução e produção em rádio? Como é o programa, como surgiu?

O Geração Pedreira foi meu primeiro trabalho em rádio em 99 na Rádio Rock 96. O diretor da rádio, Helio Pimentel, conhecia minha história dentro da cena musical nacional e achou interessante usá-lo em um programa de rádio onde poderíamos valorizar a Cena cultural da cidade, e trazer entrevistas e depoimentos de artistas nacionais dentro de um programa. O Nome GERAÇÃO PEDREIRA, em homenagem ao nascimento da Pedreira Paulo Leminski, um dos locais mais lindos pra shows de todo País, que foi idealizada por Helio Pimentel, diretor da rádio e Jaime Lerner, governador do Estado na época. Com o encerramento das atividades da Radio Rock em 2005, e o nascimento da 91Rock em 2006, rolou o convite pra dar continuidade ao trabalho iniciado na Radio Rock com um novo programa, o 91 Cena Independente, com o mesmo perfil voltado à cena nacional e local independente.
Em 2008 recebi um novo convite, agora da Rádio Mundo Livre Fm, do Grupo RPC (afiliada da Rede Globo no Paraná) para iniciar o Projeto Acústico Mundo Livre, um projeto inovador dentro de rádio. A Mundo Livre Fm também é responsável pelo maior Festival do Estado - LUPALUNA -, onde contribuo para a seleção dos artistas locais e nacionais independentes.
Paralelo aos programas de rádio, ainda me dediquei a escrever para revistas especializadas em música na cidade e jornais. Também faço a produção musical do evento ao ar vivo Soho Batel/Mundo Livre Fm, que acontece todo sábado, em uma das mais belas Praças da Cidade, a Praça Espanha.

Qual seu conselho para quem está no caminho árduo do rock independente?

Acho que o caminho, ano após ano é sempre o mesmo: trabalho pesado, dedicação, determinação, criatividade e originalidade, que eu acredito só vem através da sinceridade.
Descobri que, definitivamente, nada cai do céu, tudo vem até vc por merecimento. Plantou, cuidou, nasceu e cresceu...do contrário, morre ainda no chão!!!
Então, se você é afim de fazer música, pra poder viver dela, se imagine um grande empresário iniciando sua primeira mega indústria de, sei lá, macarrão!!
Capriche na receita da massa, use ingredientes especiais (aqueles q só você tem), deixei os amigos de bom gosto provarem, empacote com uma bela embalagem de apresentação, observe o melhor mercado para seu produto e espalhe pelo mundo. Sempre agradecendo muito às críticas positivas, e valorizando muito mais as negativas, pois é delas que você se aperfeiçoa e cresce!

Aproveitando o espaço, se quiserem mandar material de suas bandas pra mim é só enviar e-mail (marieleloyola@hotmail.com), e nos falamos. Estou aqui pra apoiar o som que vem por ai! Beijos a todos, muita paz e sucesso sempre!

Entrevista para o Site Carcasse (data não definida):

Marco inicial do gótico nacional, o ano de 1985 viu os primeiros registros de bandas como o Muzak, de São Paulo, além de fazer da cidade de Brasília uma incubadora de bandas que, além beber das fontes pós-punks inglesas, assimilavam o estilo e a atmosfera sonora de bandas como Cocteau Twins, Bauhaus e Joy Division.

Antes disso, influências do gótico inglês eram notáveis até mesmo em bandas "comerciais" como RPM, mas sempre havia um atenuador, como o contraponto eletrônico ou, no underground, a adição de sonoridades nacionais (vide o experimentalismo de bandas como Black Future, Chance e Fellini).

Então, o que diferenciava a primeira leva pós-punk daquela safra pós-85? Naquele ano, por exemplo, o Finis Africae tocava "Kick in the Eye" num de seus shows e a apresentava como uma canção de "um conjunto de punks góticos ingleses, o Bauhaus". Se São Paulo tinha as galerias de lojas importadoras de discos, Brasília, igualmente privilegiada, tinha nos filhos dos diplomatas pequenos e eficientes focos de difusão cultural. Não espanta, portanto, o grau de acuracidade com que uma banda como o Bauhaus é citada ao vivo. Havia informações abundantes; além disso, havia muita vontade de produzir algo afim, sendo a banda 5 Generais o exemplo cabal da emulação sonora de então.

Tais bandas não eram casos isolados de uma subcultura limitada a "ilhas" urbanas. Havia intenso diálogo, o que se comprova por uma filipeta que naquele ano divulgava justamente uma apresentação com as bandas Finis Africae, Detrito Federal, 5 Generais, A+ e… Arte no Escuro. Quanto à última, que naquela apresentação estreava muitíssimo bem acompanhada, podemos afirmar que sua trajetória configura um "passo além" rumo a uma sonoridade que não mais se via como herdeira de tradições brasileiras, mas como uma legítima encarnação pós-punk, de cariz gótico e intimista.

Fundada naquele mesmo ano, a banda contava com Lui (voz), Pedro Hiena (baixo e letras), Adriano Lívio (bateria) e Paulo Coelho (guitarra). Já em sua primeira apresentação, a banda protagoniza cenas que serviriam de prólogo à sua lenda: ao cantar "Beije-me Callboy", canção sobre o submundo brasiliense com cenas de prostituição e suicídio, o vocalista Lui despeja um recipiente de tinta negra sobre si, num happening até hoje comentado pelos presentes. Musicalmente, a banda já iniciava com uma maturidade invejável, mas os anos seguintes provariam que havia muito ainda a realizar.

Poucos meses após a primeira apresentação, o vocalista Lui deixa a banda e dá lugar à jovem Marielle Loyola, então recém-saída da Escola de Escândalo, onde fazia os vocais de suporte. O talento, a presença e o estilo da nova vocalista serviram como um enorme diferencial naquele momento de efervescência musical, e as rádios passaram a executar algumas faixas da fita de demonstração da banda, como "Beije-me Callboy" e "Na Noite". Em 1987, o Arte no Escuro foi contratado pela EMI e o álbum intitulado Arte no Escuro (1988) seria lançado poucos meses depois, com evidentes amostras do impacto musical e do apelo visual da banda. Ironicamente, comenta-se (no livro Dias de Luta, por exemplo) que a Escola de Escândalo, banda que expulsara Marielle, foi preterida pela gravadora, que preferiu apostar justamente em sua nova e instigante banda.

Após o lançamento do LP, Marielle funda a banda Volkana, de Thrash Metal, mudando-se para São Paulo. O Arte no Escuro então encontra sua dissolução e seu único lançamento de mercado torna-se cada vez mais cobiçado pelos colecionadores. O contrato com a gravadora, aliás, expirou em 2004, o que deixa o trabalho disponível para negociação por outros selos. Uma eventual edição em CD não só serviria para recompor o quebra-cabeça da história do rock nacional, como também daria algo palpável às legiões de novos apreciadores da banda, que se lamentam de só disporem de arquivos digitais, sem algo mais "palpável". Em CD, a banda teve apenas uma canção lançada ("Beije-me Cowboy"), incluída por Charles Gavin (Titãs) na compilação Discoteca Básica: Pop Rock Nacional dos Anos 80, o que é bom, mas ainda é muito pouco.

Muito obrigado por responder a estas perguntas. É uma honra estar em contato com vocês.

Para começar, eu gostaria de falar sobre os anos que antecederam a formação do Arte no Escuro. Brasília era um saudoso celeiro de bandas punks, e vocês integraram as bandas Os Sociais (caso do Pedro), e Escola de Escândalo (caso da Marielle). Como vocês descreveriam esse tempo e as duas bandas cujas histórias se confundem com as suas?

Pedro: Eu e Paulo éramos da "tchurma", como dizia o Renato "Manfredo" Russo, e sempre estávamos envolvidos com o pessoal da Legião, Plebe e Capital. Eles começaram a viajar para o eixo Rio—São Paulo para tocar, e a gente pensava: "se eles conseguiram, por que não tentar?". Anos antes, eu já escrevia letras. "Psicopata", do Capital Inicial, por exemplo, é de minha autoria, e eu tinha um livro cheio delas. Paulo tocava guitarra e eu sempre quis tocar baixo. Os Sociais foi uma das minhas primeiras bandas e, que eu me lembre, só fizemos um show. Eu cantava e escrevia as letras... Todos d'Os Sociais, fora eu, eram filhos de diplomatas, incluindo o Nick, que era alemão. Sempre havia a sombra de que alguém iria deixar a cidade e acho que foi isso o que aconteceu no final. Só não lembro quem partiu... Já ouvi muitos rumores sobre Os Sociais. Eu mesmo não me lembro de nenhuma música e nem do que eu cantava! Tem um mp3 por aí que na verdade foi uma jam session num boteco, eu e um monte de gente, e resolveram dizer que é d'Os Sociais. Pure bullshit! Que eu saiba, ninguém tem algo gravado da época.

Marielle: Bem, na verdade, as lembranças que tenho são as de uma pré-adolescente normal integrando-se a um grupo de pessoas com informações variadas e já criando seus ídolos, que, naquele momento, eram o Renato Russo e o Marcelo Bonfá, nosso galã (risos). O meu primeiro ensaio com o Escola de Escândalo foi engraçado... eles ensaiavam no "closet" da casa do Alessandro "Itália" (o pai dele era embaixador da Itália, acho). Eu cheguei e só conhecia o Itália, e ele foi me apresentando aos outros componentes: Bernardo era o vocalista, irmão mais novo do André X, baixista da Plebe, grande poeta. Geraldo era o baixista, irmão do Loro Jones do Capital, muito boa pessoa e divertido, daí eles me apresentaram o Fejão como um tarado sexual, dizendo que tudo correria bem se eu não chegasse muito perto! (risos) Na minha opinião, ele é um dos maiores guitarristas que esse país já teve, tornando-se um irmãozão... saudade do Nego Véio... Mas o que me assustou mesmo foi a altura dos caras. Acho que o mais baixo deles tinha 1,87 m de altura. Eu, com meu 1,69 m me sentia uma formiguinha ali. Bem, como vocês podem sentir, a nossa convivência sempre foi legal com a turma e tudo era bem divertido... um bando de malucos alegres.

Vocês ingressaram na banda em momentos diferentes. Seria ótimo poder saber um pouco mais sobre o momento em que cada um passou a integrar o Arte no Escuro, o Pedro na formação e a Marielle na substituição do Lui como vocalista. Qual era a "proposta" inicial da banda e como se deu o convite à Marielle?

P: O Arte no Escuro no começo era eu e Paulo Coelho. Eu nem tinha baixo na época e tocava a linha do baixo em uma guitarra. Conhecia o Adriano havia tempos e lembrava que ele tocava bateria. Convidamo-lo e ele aceitou. Com o Lui foi a mesma história: sempre nos encontrávamos no Beirute para tomar uma, e ele tinha interesse em cantar. Acho que ele apareceu ou o convidamos para ver o ensaio e foi isso. Lui é pintor e muito interessado em artes plásticas. Num bate papo, ele comenta sobre um movimento artístico, onde o fotógrafo ou pintor se amarra em arame farpado, sangue saindo, e se pinta e tal. Flagelação por arte. Algo por aí. O nome do movimento era Art in the Dark. Fizemos três ou quatro shows com o Lui nos vocais e parecia que estávamos fazendo um nome. Um belo dia, Lui diz que tinha conseguido transferência de trabalho para o Rio e se vai... Marielle tinha acabado de sair do Escola de Escândalo... éramos fãs do Cocteau Twins; uma voz feminina apelou na época, e pensamos: "por que não?".

M: A minha entrada no Arte no Escuro ocorreu em um momento bem chato pra mim, na verdade, pois eu estava muito triste com minha "expulsão" do Escola de Escândalo pelo Bernardo, após uma apresentação em um programa da Rede Globo chamado Mixto Quente, no qual, das quatro músicas que nós tocamos, foi ao ar justo a que eu cantava, pois na banda eu era só backing vocal, e havia essa música chamada "Complexos" que o Bernardo fez para eu cantar. Nossa, fiquei muito mal com o telefonema dele... e pesou o fato de ele não ter me falado ao vivo, foi pelo telefone... foi punk mesmo. Então, no dia seguinte, o pessoal do Arte no Escuro me ligou dizendo que o Lui estava indo morar no Rio e que eles estavam sem vocalista... nossa, para mim foi tudo de bom, pois eu já conhecia o pessoal da banda e, claro, conhecia o som, pois lá como já te disse todos conheciam todos e todos apoiavam todos. Acho que esse era um grande diferencial do que presenciei depois em vários cenários da música pelo país... a gente podia até xingar, zoar e tudo mais nos shows das outras bandas, mas sempre estava todo mundo lá (risos)!!! Éramos adolescentes felizes!!

Não é raro ouvirmos testemunhos entusiasmados de apresentações ao vivo do Arte no Escuro repletos de cenas antológicas. Dizem que, certa vez, por exemplo, o Lui despejou tinta preta sobre o próprio corpo cantando "Beije-me Callboy". E para vocês, quais foram os momentos "ao vivo" mais memoráveis?

P: Esse "show da tinta", na verdade. Foi o nosso primeiro show... Tivemos muitos shows memoráveis, lembro-me de um no Teatro Galpão, em Brasília, já com a Marielle, chamado "Feira de Música", que acontecia toda segunda-feira. Cada banda tocava duas músicas e era isso. A platéia não hesitava, atirava tomate e o diabo se a banda fosse ruim. Tocamos duas músicas e não atiraram nada; no final, aplaudiram. Acabamos sendo convidados para fazer uma noite especial só do Arte no Escuro. Nossos shows tinham muito clima e energia, coisa que no disco acabou sendo pasteurizada, o que foi uma pena. Na minha opinião, o registro acabou não fazendo justiça ao Arte no Escuro.

M: Putz... na verdade, com o Arte tenho várias recordações legais, o show em Fernando de Noronha... acho que fomos a única banda de rock a tocar lá... meu... o povo gritava muito com a iluminação, eles piraram realmente. O show histórico no Teatro Nacional também, onde fizemos do palco a platéia... foi assim: colocamos arquibancadas no palco e nós, músicos, ficávamos em pequenos tablados individuais. Foi o show de lançamento do disco, muito legal. Na verdade, tínhamos um superempresário, também moleque como a gente na época, mas que sempre soube agilizar e potencializar nossa banda: Luiz Fernando Artigas (Fegê), que hoje é um grande articulador político de Brasília.

Bandas como Gang of Four e Joy Division são muito citadas como influências pelas bandas brasilienses de meados dos anos 80. No caso do Arte no Escuro, vocês acham possível apontar alguns nomes que lhes serviram como referências musicais? Aproveitando o gancho, o título de "Joy" tem alguma relação com o Joy Division?

P: Eu, Paulo e Adriano sempre fomos apaixonados pelo Joy Division. Na época, acho que tivemos influência do Echo & the Bunnymen, Cocteau Twins, The Cure, Siouxsie & The Banshees, The Sisters of Mercy, Magazine e The Smiths, para citar algumas. "Joy" foi feita sem esta intenção, mas acabou tendo todas as marcas do Joy Division... Na verdade, até abrimos alguns shows com ela e nunca pensamos em pôr letra ou gravar.

M: Eu sempre tive uma salada de influências em meu repertório que, acredito, foi muito trabalhado pelas minhas amizades. Sempre fui de circular em várias turmas, então eu ouvia muito Cocteau Twins, The Cult e U2, com o pessoal do Arte, mas o Negreti (Legião) e o Ameba (Plebe) não saiam lá de casa, então eu ouvia muito Dead Kennedys, punk rock e hardcore de verdade e, como o Fejão também ia muito lá em casa, e sempre trazia vídeos e cassetes para a gente ouvir, já viu, né?... aí era metal na cabeça: Metallica, Slayer, Ozzy, Suicidal Tendencies e até o metal farofa!!! (risos) Bem, por aí você vai vendo como as coisas aconteciam, tanto que o Ameba, o Negreti e o Fejão depois montaram uma banda chamada Dentes Quentes, onde eles tocavam Dead Kennedys e um pouco do metal. Já em São Paulo, quando me mudei com a Volkana, conheci o rap... o hip-hop, através do Thaíde e do DJ Hum, que participaram do disco da Volkana... e aí... mais uma paixão... Filtrando tudo isso, tiro todas as sonoridades que tenho em minha alma hoje... a belíssima voz de Elizabeth Fraser, do Cocteau, a simplicidade do Ozzy, a garra do Jello Biafra, o peso do Metallica, a exatidão métrica do hip-hop em algumas coisas e, claro, a paixão pelo Bono... ai, ai... rolou até paixão pelo Bon Jovi e Skid Row, acredita??? Eu trago tudo isso para a Cores D Flores... peso e melodia!

Graças ao excelente site que vocês prepararam, podemos ouvir versões alternativas de várias das canções da banda, além de termos acesso a verdadeiros documentos históricos, entre fotos, filipetas e artigos de época. Como vocês avaliam a repercussão desse material?

P: Não tenho nem idéia de quantas pessoas já entraram no site. Fiz ele sozinho com o material que eu e o Paulo Coelho havíamos guardado. Fora o Paulo, também consultei o Adriano sobre idéias. A intenção nunca foi a de divulgar o Arte no Escuro, mas sim de ter algo para lembrar, um arquivo, nada mais. Daí o material nele. Coloquei tudo que tínhamos achado na época. Daí o "RIP" na main page.

M: Bem massa, né? Pois essa entrevista mesmo só está rolando por causa dessa história que não pode morrer nunca, essa é a história do rock candango e não pode ser esquecida ou ignorada... por isso que me divirto quando alguém compara meu atual trabalho ao da Pitty... adoro o que ela fez no rock nacional, acho ela extremamente talentosa, canta pra caramba e é uma ótima compositora, mas, cara, tem muito jornalista que ignora essa história e quer falar do rock nacional. Acho que informação é importante pra qualquer um, para jornalista então... nem se fala, né??

Excluídos os materiais divulgados no site da banda, existem ainda registros inéditos do Arte no Escuro, como vídeos, composições, clipes?

M: Acho que essa é bem para o Pedro responder, pois eu sempre fui inútil nesse ponto para a banda... era muito moleca aprontona e nem me ligava em organizar nada, aliás, acredito hoje que foi minha imaturidade o que mais atrapalhou o Arte no Escuro... aí, Pedro... foi mal!!! Tanto que hoje na Cores quando faço esse tipo de coisa, lembro-me do imenso acervo que eu poderia ter.

P: Lembro-me de ter visto na TV o show inteiro que fizemos no Teatro Nacional de Brasília, nos bastidores da sala Villa-Lobos. Gravei-o em VHS, e minha ex-mulher fez o favor de gravar em cima Galaxy Rangers para o meu filho, porque não tinha achado outra fita... Não tenho certeza, mas acho que foi a TV Cultura de Brasília a emissora que o veiculou. Com certeza há vídeos de shows que fizemos em Brasília, o problema é achar...

Quanto às canções selecionadas no álbum Arte no Escuro (1988), notamos algumas mudanças em relação às suas versões anteriores. Além de "Beije-me Callboy" ter sido renomeada como "Beije-me Cowboy", um pequeno trecho da letra de "Celebrações" parece ter sido suprimido. Como se deram essas mudanças? Houve alguma interferência da EMI ou tudo fez parte da maturação natural do material?

M: Outra que tem de ser respondida pelo Pedro, pois eu cantava mas não tinha muita participação nas composições, a não ser nas melodias de voz. Lembro-me que "Celebrações" estava muito longa e repetitiva; quanto a "Beije-me Cowboy" eu nem sabia que tinha mudado de nome, só sabia que a intenção dela era a de falar sobre um garoto de programa, mas só. Aliás, no disco do Arte no Escuro tive a minha primeira oportunidade de compor uma letra, o que devo ao Pedro, com quem, com certeza, aprendi muito. Pensando bem, aprendi com os melhores: o Renato (Russo) sempre me dava toques sobre palavras e como usá-las, métrica... o Pedro me fez ler muitos livros legais, além de falar de amor de uma maneira obscura e tão romântica, cantar as letras do Bernardo (Escola de Escândalos) também me ensinou como usar palavras sem nenhuma sonoridade, mas com muitas possibilidades.

P: Só foi maturação do material. No LP, foi burrice não termos gravado "Inocência", pois era uma das nossas melhores músicas em shows. Por incrível que pareça, tanto a EMI como a produção, que foi inexistente, nos deram carta branca no estúdio.

Uma belíssima parceria entre a banda 5 Generais e Marielle ("Outro Trago?") havia sido gravada para a coletânea Outros Rumores, que nunca foi lançada. O Arte no Escuro também participaria dela?

P: Acho que já estávamos em contato com EMI e outros selos na época e não queríamos arriscar lançar algo por um selo pequeno quando gravadoras grandes estavam demonstrando interesse em nós.

M: Essa música, se não me engano, saiu agora, no Rumores II. Recebi a versão remixada e "tá o bicho", aliás, o 5 Generais é outra banda da época muito do cara...mba (risos).

Em 1988, jornais e revistas apontaram influências do pós-punk inglês na sonoridade do Arte no Escuro. A Bizz, por exemplo, apontou um "clima gótico" nas canções da banda e registrou sua recusa ao rótulo "dark". O que vocês diriam sobre tais associações?

P: Na época, negamos, pois era o tal de rótulo, blábláblá de mídia tentando criar polêmica para vender ou pegar a atenção do público: "há um novo bicho pra vendermos, e ele se chama dark"... Acho que estávamos mais para Echo & the Bunnymen que para The Sisters of Mercy.

M: Meu, fomos a primeira banda gótica ou dark do país, não adianta fugir desse rótulo. As letras nos submetiam aos climas "escuros" do amor e da vida. Acho que Álvares de Azevedo gostaria muito de ouvir o Arte no Escuro (risos).

Vocês já chegaram a negociar o relançamento do Arte no Escuro em formato digital? Vocês arriscariam alguma explicação para o inexplicável atraso da gravadora em disponibilizá-lo novamente?

P: Por volta de 1995, lembro-me de ter ouvido falar que a EMI estava interessada em ter-nos no estúdio para gravarmos material novo. Se foi verdade, não sei. Todas as bandas dos anos 80 estavam regravando ou voltando. Eu já estava morando em Londres na época e lembro-me de ter dito a alguém que só voltava para o Brasil se me pagassem U$ 1,000,000.00. Não acho que vão lançar o CD. No final das contas, não vendemos muitas cópias.

M: Eu e o Paulo Coelho até pensamos em tentar um relançamento. Fizemos um contato meia boca e desistimos. Na verdade, uma empresa como a EMI não se interessa pela história ou por registrar documentos com que o rock nacional seja memorizado ou eternizado. Para eles, o que conta é a grana, bufunfa, din-din, o som do produto não importa, mas sim o som da máquina registradora. Ainda bem que existem pessoas como você e esse seu trabalho tão engrandecedor da cena nacional, porque senão a maioria dos jovens ouvintes não teria a oportunidade de saber como começou ou de onde vieram nossas raízes musicais.

Atualmente, existem bandas – como a brasiliense Últimos Versos – que tomam o Arte no Escuro como inspiração e parâmetro musical para seus trabalhos. Como é, para vocês, saber que o Arte no Escuro ainda faz escola?

P: Uau. Nem tinha idéia. Legal. Interessante. Quero ouvir esses carinhas.

M: Pô... eu me sinto extremamente orgulhosa, várias pessoas entram em contato para trocar idéias e passando sempre uma vibe positiva sobre o trabalho do Arte. Em Brasília há também a Morffine, do Phélix do 5 Generais, que também vai pra esse estilo e confessa a influência do Arte. Muito bom... é muito dez ser útil pra alguém (risos).

E quanto ao fim da banda? A que vocês o atribuem?

P: A EMI terminou nosso contrato. "Lambada" virou febre nacional (não estou brincando, de verdade!). Shows ficaram muito difíceis de arrumar. Marielle decidiu cantar em uma banda de heavy-metal e, para ajudar ainda mais, havia a vida. Acho que cansamos de nadar contra a corrente. Amor à musica nunca pagou contas.

M: Bem, eu me sinto bastante culpada, como já assumi anteriormente. Fui irresponsável em vários momentos importantes da banda e sei que a falta de maturidade foi fator derradeiro. A assinatura do contrato do Volkana com a Eldorado também pesou... Eu me apaixonei pelo metal... e quando vi, já era. Sei que magoei pessoas legais com a minha falta de continuidade e loucuras... mas já foi.

Após a dissolução da banda, em quais outras bandas os membros do Arte no Escuro tocaram? Sabemos do Volkana e do Vollume, bandas que contaram com a voz preciosa da Marielle, além do Cores D Flores, sua atual banda. Você poderia comentá-las, Marielle? E quanto ao Pedro, ao Adriano e ao Paulo? Em quais outras bandas tocaram?

P: Eu e Paulo tivemos uma banda que nunca saiu do ensaio ou estúdio. Depois disso, fui convidado e acabei tocando no "new" Detrito Federal por quase um ano. Viajei o Brasil inteiro com eles tocando baixo e acabei escrevendo algumas letras e músicas. Também no Detrito, por uma época, estava o Eduardo "Balé", baterista do Escola de Escândalo. Aqui no Reino Unido, por volta de 96-98 fiz mix de música eletrônica com jazz, ou Breakbeat. Tenho um estúdio no meu laptop e toco baixo, violão e até teclado quando o santo baixa. Que eu saiba, Adriano e Paulo aposentaram as chuteiras em termos de música.

M: Mantenho contato com o Adriano, que conseguiu realizar seu sonho de ser diplomata, o que eu acho muito importante... realizar sonhos... com o Pedro, acho que falei pouquíssimas vezes, pois ele foi para Londres; com o Paulo também falei poucas vezes, mas sei que ele também realizou seu sonho de montar uma empresa de arquitetura. Quanto ao meu destino, fui para o Volkana, que teve uma ótima aceitação do público e da mídia, mas tive de me afastar quando meu irmão ficou doente e veio a falecer (ele era um grande amigo, parceiro... um tudo pra mim, aliás ele até participa do disco do Volkana), voltando pra Curitiba (minha cidade natal), onde minha família precisava de mim naquele momento. Já estava casada com o McCoy, que é um grande guitarrista e que esteve sempre ao meu lado nos quase quatro anos em que me neguei a cantar, convencendo-me a voltar a compor e me agilizar formando a Cores D Flores, após ir a um show do Capital Inicial no qual o Loro Jones e o Dinho me incentivaram muito também a voltar. A banda Vollume, na verdade, foi uma transição da Cores para um som mais pesado, mas sempre foi a Cores, embora com outro nome durante seis meses. Hoje, a Cores D Flores já está se fixando no mercado independente. Já temos três demos lançadas, o Entre Sonhos e Pesadelos, onde exponho as aflições de sonhar, amar e odiar neste planeta, quase uma coletânea dos anos anteriores da banda, contendo versões acústicas em gravações caseiras, mas que pra mim tinham de ser registradas, e naquele momento... coisa de maluco mesmo (risos). Agora estamos finalizando o nosso primeiro CD gravado em estúdio profissional, intitulado Paixão. Nele, temos algumas regravações do Entre Sonhos e Pesadelos, mas lá fica bem mais claro nosso peso, nossa meta musical e nossa melodia, minhas influências, tanto nas letras onde exponho meu respeito aos sentimentos confusos e maléficos do ser humano, e declaro minha Paixão e respeito ao meu público. O CD estará pronto para lançamento em março, e espero, através do seu site, ter a oportunidade de mostrar ao seu grande público esse meu trabalho atual, firmeza??? Também faço a minha parte aqui em Curitiba tentando agilizar uma maior amostragem da cena local através do meu programa na 96 Rádio Rock, o Geração Pedreira e em um site voltado à música paranaense – www.movimentoleitequente.com.br – que, a partir de janeiro, se tornará uma rádio... 24 horas de música paranaense na Web... "é nóis"! (risos)

Nós, entrevistadores, nunca somos capazes de fornecer oportunidades de as bandas expressarem tudo aquilo que seus apreciadores gostariam de ouvir. Por isso, deixo aberto este espaço para que vocês transmitam o que bem desejarem, com toda a liberdade possível. Muitíssimo obrigado pela entrevista!

P: Obrigado pelo interesse e, por favor, se tiverem algo que não está no site do Arte no Escuro, mandem-me que o incluirei, farei um link para o seu site e, claro, incluirei os devidos créditos.

M: Olha só... discordo da sua afirmativa na pergunta. Vocês entrevistadores são os responsáveis pela nossa visibilidade e nossas grandes oportunidades, como esta de estar aqui, de nos aproximarmos mais das pessoas que tanto valem para a gente... os que ouvem nossas canções, nossos corações. Pois para o músico, pelo menos eu penso assim, o mais importante é chegar aos corações através de melodias e poesias. Valeu mesmo, Cid! Conte sempre comigo.

Fontes:

Olímpio Cruz Neto
http://www.rockbrasilia.com.br
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