segunda-feira, 13 de junho de 2011

RIP Seth Putnam

Seth Putnam (Boston, 15 de Maio de 1968 - 11 de junho de 2011) foi um músico americano e fundador da banda de grindcore/noisecore Anal Cunt. Participava também dos seguintes projetos paralelos: Angry Hate, Impaled Northern Moonforest, Satan's Warriors, Shit Scum, Vaginal Jesus e You're Fired. Também tocou contra-baixo e fez backing vocals por dois anos (1986 - 1988) na banda de thrash metal Executioner.

Em outubro de 2004 Seth entrou em estado de coma por dois meses, devido a uma overdose (suficiente para dois meses de uso) de pilulas para dormir Ambien - há quem diga que foi uma tentativa de suicídio ou uma combinação de doses fortes de crack, cocaína, álcool e heroína. Após a saída do coma, estava debilitado nas áreas motoras e com dificuldades para raciocínios simples. Submeteu-se a fisioterapia e ficou consideravelmente recuperado.

No dia 11 de junho de 2011, o cantor morreu de um ataque cardíaco aos 43 anos. A notícia foi confirmada via twitter pela publicista do ANAL CUNT, Kim Kelly, da Catharsis Public Relations. Kelly comentou: "Sim, é verdade. Seth Putnam, um dos músicos mais infames que o metal extremo já viu, o GG Allin do grindcore, morreu por causa de um ataque cardíaco. Eu me encarregava de toda a promoção do último álbum do ANAL CUNT, 'Fuckin' A', e Seth sempre tinha um prazer em cumprir qualquer pedido que eu enviava. A banda estava trabalhando em um novo álbum antes da morte dele, então as chances são que a mensagem final da carreira musical dele ainda está para ser lançada."

Disse mais: "Eu quero lembrar a todos que não importa quão escandalosa e controversa a carreira musical dele foi, Seth era ainda assim um ser humano com amigos e família que o amavam. Espero que a Internet vá se lembrar disso. Este é um período muito triste e difícil para aqueles que o conheciam, e a última coisa que eles precisam ver é um dilúvio de mensagens de ódio. O homem viveu e morreu por suas próprias regras; no mínimo respeitem-no por isso."

Putnam era conhecido por seus gritos brutais e letras que ou chocavam, ofendiam ou invocavam humor mórbido. Durante sua carreira Putnam envolveu-se em muitos projetos, incluindo fazendo backing vocals no álbum "The Great Southern Trendkill" do PANTERA. Era filho de Edward R. Putnam e Barbara Ann Donohue - ambos divorciados.

Seis meses antes de sua morte, Seth Putnam deu uma longa entrevista ao hellbound.ca. Putnam discutiu seus pensamentos sobre a morte; porque ele ainda usava drogas e álcool após passar por um coma; e o que talvez pudesse ser escrito em sua lápide. Confira abaixo trechos da entrevista.

Hellbound.ca: Sua overdose e seu coma em 2004 foram bem documentados. Como sua vida mudou desde que você passou por isso e foi hospitalizado, ou sua vida mudou de alguma forma?

Seth Putnam: Eu acordei do coma e não conseguia mover nenhuma parte do meu corpo por um longo período de tempo. Eu não conseguia andar bem. Quando eu estava no hospital, os médicos descobriram que eu estava depressivo e me colocaram em anti-depressivos. Então talvez seja a melhor coisa que já me aconteceu, pois não estou mais depressivo sempre e não quero me matar o tempo todo. Neste momento, estou usando Celexa. Eles inicialmente me colocaram em Prozac e então me trocaram para o Celexa.

Hellbound.ca: Agora que você está sob anti-depressivos, você parou de usar drogas ou beber?

Seth Putnam: Não. Eu não posso ficar muito doido como eu ficava antes do coma porque eu não consigo aguentar. Mas eu ainda uso muito. Eu ainda posso me acabar com bebida e álcool. Mas eu não faço isso tanto assim. Então talvez possa ser uma dose de heroína ou de cocaína, ou uma dose de bebida alcóolica. Qualquer coisa possível.

Hellbound.ca: Depois que você saiu do coma e começou a se recuperar, você alguma vez já pensou em mudar a sua vida? Isso não estava no destino?

Seth Putnam: No minuto em que acordei, pedi a minha namorada para ir à loja de bebidas alcoólicas. Ela não queria ir e eu fiquei tipo, "Pare de ser um saco e vá para a loja de bebidas." Então eu disse, "Me tire da cama e eu mesmo irei," e eu percebi que não podia mover nenhuma parte do meu corpo. Depois de sair do hospital, meus amigos me levaram em uma cadeira de rodas para um bar. O dia mais legal desde então foi quando eu fumei um monte de crack. Foi a primeira vez que usei crack em quase um ano.

Hellbound.ca: Se você ouve alguém dizer que você é maluco ou idiota por continuar a usar drogas e a beber depois do que aconteceu, como você responde?

Seth Putnam: Bom, assim que eu saí, eu afundei em drogas novamente. Agora estou mais no controle de mim mesmo. Eu fui nessa coisa chamada administração da redução de danos. Aprendemos a não nos acabar toda hora. Acho que eu descobri como manter o controle de mim mesmo, coisa que eu não podia fazer antes do coma.

Hellbound.ca: Seus amigos se preocupam com você poder acabar como um G. G. Allin (que morreu de overdose), e com o fato de que talvez você não seja tão sortudo da próxima vez?

Seth Putnam: Metade dos meus amigos usam drogas e a outra metade anda na linha. Meus amigos corretos entendem o que eu sou. Eles se preocupam comigo, mas entendem que eu farei o que eu farei. Agora eu sei como me controlar então não vou chegar a uma overdose. Não vou me colocar nessa posição porque eu não quero que meu corpo fique f*dido novamente.

Hellbound.ca: Seu amigo John McCarthy do POST MORTEM se foi há alguns anos atrás. Você ficou surpreso que ele morreu e você ainda está aqui apesar do que fez?

Seth Putnam: Ele estava com problemas e ficando bêbado com Listerine e coisas deste tipo. Mas eu fiquei surpreso quando ele morreu. A coisa mais estranha era que ele era um avô aos 40 anos. Mesmo quando ele teve seu primeiro filho eu havia achado estranho. Ele foi um dos meus melhores amigos de todos os tempos. Eu poderia dizer coisas ruins sobre ele mas eu não vou porque as coisas boas predominam sobre as coisas ruins. Em 2008, tocamos em um show na Califórnia com o ANAL BLAST e THE MEAT SHITS. As pessoas estavam apostando em quem ia morrer primeiro, eu ou Don Decker do ANAL BLAST. Don morreu tipo um ano depois.

Hellbound.ca: Quando você morrer, o que estará escrito em sua lápide?

Seth Putnam: Eu não tenho idéia. Depende de quem escreverá. Espero que não seja alguém gay.

Traduzido por Andras Ellendersen

Fonte: Whiplash

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hoje tem programa de rock


Será uma edição especial, produzida e apresentada por Rosi Matos e Marcelo Larrosa

Vai abrir com Joy division. Por falar neles ...

O baixista britânico Peter Hook, 55 anos, não se abala com o clima triste que cerca Unknown Pleasures, álbum seminal lançado em 1979 pelo Joy Division (e que ajudou a definir o som do post-punk). Na turnê Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division by Peter Hook & The Light - que tem a participação de Jack Bates, filho do músico, também no baixo - ele repassa a íntegra da obra. Os shows passarão pelo Brasil em 16 e 17 de junho, no Estúdio Emme, em São Paulo. Falando por telefone, Hook revela que este é o momento certo para pisar novamente no território de sua antiga banda. "Agora eu me sinto bem tocando estas músicas", diz. "Elas remontam a dias de minha juventude, quando tudo era possível. Eu acho que se você quer manter a música viva, tem de tocá-la no palco. Nada contra todas estas reedições de luxo e caixas comemorativas, mas nada disso substitui a execução das músicas no palco."

Hook também se defende, negando que os shows sejam uma jogada para fazer um dinheiro fácil. "Não gosto de chamar isso de tributo. Prefiro dizer que é mais um testemunho de uma pessoa, no caso eu, que esteve no olho do furacão e ajudou a criar um pouco daquilo tudo. O mais legal sobre o Joy Division é que nós começamos sem um tostão e terminamos mais duros ainda", explica. "Bem, não temos mais o Ian [Curtis], é claro. Mas também achei que não seria nada honesto colocar um cara qualquer para imitar os vocais e a postura dele. Eu assumo os vocais e tivemos de fazer algumas adaptações nas canções."

Curtis, o vocalista do Joy Division (que se enforcou em 1980 depois de perder a batalha contra a depressão), tornou-se uma figura cult. Hook é reflexivo quando recorda o companheiro. "Não penso mais nele com tristeza. Ficaram as coisas legais. Pelo menos ele está lá congelado, jovem para sempre aos 23 anos." O que ainda causa desconforto no baixista é o fato de ser constantemente questionado sobre um retorno do New Order, que se separou oficialmente em 2007. "A esta altura da vida de todos os envolvidos, é praticamente impossível qualquer tipo de volta", decreta. "Foi um divórcio muito sangrento. Já não tenho mais contato com Bernard [Sumner, guitarrista e vocalista]. Pelo menos a última turnê que fiz com o New Order passou pelo Brasil, e fizemos os nossos últimos shows aí e na Argentina. O fim da banda foi amargo, mas aconteceu em locais agradáveis" , finaliza.

Peter Hook no Brasil
16 e 17 de junho, às 23h
Estúdio Emme (R. Pedroso de Moraes, 1.036, Pinheiros)
Ingressos: R$ 80 (1º lote), R$ 100 (2º lote), R$ 150 (3º lote)
Pontos de venda para pista: Bilheteria Estúdio Emme (de segunda-feira a sábado, das 15h às 20h); Lojas Emme: Shopping Ibirapuera, Shopping Market Place e Butantã (R. Raul Saddi, 18);
Lojas Accessorize: Shopping Iguatemi, Shopping Pátio Higienópolis e Jardins (R. Haddock Lobo, 1485).
Venda pela internet: www.compreingressos.com

Fonte: Rolling Stone Brasil

por Paulo Cavalcanti

terça-feira, 7 de junho de 2011

Max Cavalera, uma entrevista

MAX CAVALERA é um nome que você provavelmente ouviu recentemente. A banda dele, o CAVALERA CONSPIRACY tem provocado ondas no mundo do Metal com o último lançamento, Blunt Force Trauma, e está atualmente em turnê pelos EUA. Mas tem algo que você pode não saber: ele tem feito isso por décadas.

Junto com seu estimado colega e irmão, Iggor, fez algum do mais bestial e inovador thrash no meio dos anos 80 e 90, no altamente influente bastião do Metal, o SEPULTURA. Infelizmente, diferenças pessoais em 1996 o afastaram da banda. Ao transferir-se pros EUA, ele concentrou seus talentos em um novo projeto, o ainda vigente SOULFLY.

Por anos Max trabalhou incansavelmente com o grupo, lançando sete discos de estúdio e gradualmente construindo um séquito de adoradores no processo. Agora com uma nova banda e seu irmão de volta a seu lado, o mundo está finalmente começando a notar.

Eu recentemente tive a oportunidade de falar com o barbado de vozeirão para dissecar o novo disco e ver o que ele acha de seu recente sucesso.

Por Ben Shanbrom

Traduzido por Nacho Belgrande

Foto de Dirk Behlau

Onde você está agora?

Hoje estamos em Pittsburgh.

E como tem sido a turnê até agora?

A turnê tem ido muito bem, cara. Tem havido muitos grandes shows e muitas pessoas espremidas nos lugares e todo mundo está curtindo o lance novo. Estamos nos divertindo muito, e escolhemos o Lazarus A.D. como abertura – eles são uma banda de thrash muito boa. Os fãs estão pirando. Temos mosh pits enormes toda noite. Não poderia ser melhor, cara. Tá sendo fabuloso.

Ótimo. Então o novo disco do Cavalera Conspiracy é bem pesado, cara. Definitivamente nada parecido com aquele disco pop, Inflikted.

Sim, nós queríamos que Blunt Force Trauma fosse um disco mais pesado, mais brutal. Nós olhamos pra Inflikted como um primeiro disco muito bom, mas precisávamos entrar no peso e criar algo mais pesado. Decidimos fazer Blunt Force Trauma desse jeito. Eu realmente queria um toque de thrash nele. Algumas das faixas têm uma levada muito thrash metal, e algumas delas são mais hardcore, com Roger [Miret] do Agnostic Front cantando em “Lynch Mob” e fazendo um cover de “Six Pack” do Black Flag. Tem essa vibe meio hardcore no disco, mas é essencialmente um disco de metal. Eu estou realmente orgulhoso dele. Eu acho que é um ótimo disco pra se tocar ao vivo.

Eu ia falar dessa influência hardcore. “Torture”, eu devo dizer, é uma de minhas faixas favoritas.

“Torture” é muito legal, cara. É a segunda música da noite, e mantém a platéia acesa com uma baita roda de pogo. É muito boa. É muito a foder. É uma canção rápida. É pra ser uma música thrash. Só tem um minute e cinquenta segundos – menos de dois minutos. Não tem enrolação e é bem na sua cara. Um negócio meio direto. Eu estou muito animado com o disco.

Você e Iggor meio que compuseram essas músicas à distância, e deram o toque final nelas ou finalizaram muitas das faixas no estúdio. Isso meio que se tornou, para muitas bandas, uma coisa menos costumeira hoje em dia. Existe mais pressão ou raiva no estúdio quando você está montando tudo naquele momento?

A pressão em nós era para que fizéssemos um disco melhor que o primeiro. Inflikted foi muito bem recebido e recebeu grandes resenhas ao redor do mundo todo, e foi muito bem recebido pelos fãs. Havia um pouco de pressão para fazer um segundo disco melhor. Nós nos sentimos muito confiantes ao entrarmos no estúdio. Nós sabíamos que o material era bom. Eu tinha escrito muitas canções em minhas folgas. Eu escrevi “Warlord”, “Torture”, “Gengis Khan”, “Burn Waco”… e me sentia muito bem com elas. Elas eram canções muito boas, e eu estava confiante de que seria um disco mais pesado. Nós fomos com a idéia de fazer um disco mais pesado, então todo mundo se sentia muito confiante e excitado por fazer um disco mais pesado do que o outro. Eu queria mais brutalidade por parte da banda – guitarras muito pesadas, um som muito cru pro disco, e o produtor Logan Mader nos deu isso. Eu acho que o disco tem um som muito bom e cru. Ele soa mais pesado do que Inflikted. Eu estou feliz com isso.

Você se deu conta que eu não estava falando sério ao chamar Inflikted de disco pop, certo? Eu não esperava nada com AutoTune.

Eu acho que ambos são discos fortes. As pessoas acham que as canções em Inflikted são ótimas, como “Sanctuary” e a faixa título e “Doom of All Fires” e “Black Ark”, na qual temos Richie Cavalera do Incite cantando conosco toda noite. É ótimo. Nos dois primeiros shows eu tive a banda do meu filho, a Mold Breaker, abrindo o show na Califórnia, e eles se saíram muito bem. Estamos muito animados em tê-los conosco. É muito legal que a família esteja toda envolvida.

Uma coisa que me desperta curiosidade é que você manteve o Soufly na ativa ao longo de todo esse processo. Como você mantém projetos múltiplos com um monte de fatores em comum, como Marc Rizzo, soando distintos um do outro?

Eu amo o Soulfly. O Soulfly me deu muita integridade. Se não fosse pelo Soulfly, eu não estaria aqui agora. Eu amo muito meu trabalho com o Soulfly. Eu amo todos os discos. Eles todos têm um significado muito especial para mim, desde o primeiro. Eles são todos discos fabulosos para se fazer parte. Eu amo tocar com Iggor, também. Quando eu tive a chance de fazer o Cavalera Conspiracy, foi um momento do caralho. Eu tinha a chance de voltar a tocar com meu irmão com quem eu cresci tocando música. Essas são duas coisas musicais muito importantes que eu tenho na minha frente e que eu levo muito a sério. Eu amo a ambos e eu quero continuar fazendo as duas coisas. Elas não entram em conflito com minha programação. Eu tenho tempo pra ambas.

Nesse momento o Soulfly está de folga. Eu estou com o Cavalera Conspiracy e então eu vou me rejuntar ao Soulfly e lançar outro disco e sair em turnê. Vamos continuar fazendo isso desse jeito. Eu acho que é a melhor maneira. São excelentes válvulas de escape para mim e minha raiva, a agressividade sai diferentemente em ambas as bandas. O Cavalera Conspiracy é mais direto e mais metal. Eu fico sendo mais o Max dos anos 80 – o Max do Thrash Metal que as pessoas viram nos anos 80 e 90. Eu faço isso mais no Cavalera Conspiracy. E no Soulfly, eu sou mais o Max revolucionário com idéias diferentes e planejando guerras com música e gravando em lugares diferentes e indo a países diferentes. Eu amo isso com o Soulfly também aquele aspecto do Soulfly que viaja para luares diferentes. Eu curto as duas coisas. Elas são diferentes, mas eu curto fazer as duas.

Falando no Iggor, como é que ele se mantém ocupado entre suas pausas?

Ele passa muito tempo no computador dele. Ele fala com a esposa dele no Brasil, ele fala com os filhos dele e mantém contato com a família, e ele passa um tempo conosco. Ele sai com os membros da banda no ônibus. Ele troca idéia comigo e me mostra muita música nova que ele está ouvindo. A gente fica no fundo do ônibus. É uma relação ótima. Temos respeito um pelo outro. Amamos dividir o palco. A melhor parte do dia é quando estamos no palco fazendo o show e fazendo o que viemos aqui pra fazer. Ele bota pra fuder toda noite com sua bateria. Eu amo isso. Eu amo ouvir a força da bateria – ouví-la por detrás de mim quando estou no palco. Eu quero ser brutalizado pela bateria de Iggor toda noite. É ótimo.

Continuando com os membros da banda, seu ‘novo’ baixista Johny Chow não é de fato novo à banda, mas é o primeiro lançamento oficial com ele de membro permanente. Como ele entrou na banda?

Achamos Johny Chow através de um amigo. Vimos a foto dele e amamos. Ele tinha essa barba e parecia com um arroz doce. [risos] Ele parecia incrível. Eu pensei, “esse cara parece louco. Temos que tocar com esse cara!” – só de olhar pra foto. Então encontramos com ele, e ele foi muito legal. Começamos a tocar com ele, e ele se saiu muito bem. Ele é um baixista incrível. Ele se tornou uma grande parte da banda.

O primeiro disco que gravamos foi com Joe Duplantier do Gojira, guitarrista, mas que tocou baixo pra gente. Logo depois que o primeiro disco saiu, Johny Chow entrou no lance. Fico feliz que ele o tenha feito. Porque o Cavalera Conspiracy precisava de uma formação estável, e Johny é esse cara estável que nós precisávamos na banda. Agora está completa. Sou eu, Marc, Iggor e Johny, que é a formação ideal pra banda. Vamos crescer com essa formação e vamos fazer muitos discos com ela. Vai ter muito Metal saindo de dentro de nós nos próximos anos.

Eu acho que isso torna bem claro de onde a inspiração para a faixa “Rasputin” vem.

Ah sim. Exatamente. Vem diretamente de Johny Chow.

Muito engraçado. Você falou de trazer o Roger do Agnostic Front como convidado no disco. A meu ver, uma grande parte do som Max Cavalera vem do uso de músicos convidados e vocalistas convidados. Você meio que vê isso rolando tanto no Soulfly como no Cavalera Conspiracy. Você consegue pensar em algum músico no momento com os quais você ainda não trabalhou e que ficaria feliz por colaborar no futuro?

Ah sim, há muitas pessoas com as quais eu gostaria de fazer algo. Há gente como Lars Ulrich, James Hetfield, Lemmy do Motorhead…. da cena hardcore eu adoraria fazer algo com Joseph McGowan do Cromags…da cena punk tem Henry Rollins que era do Black Flag, eu amos os vocais dele. Tem muita gente que eu acho que possa fazer algo. Tenho orgulho de todas as colaborações que eu fiz até agora. Estou muito feliz por ter trabalhado com todas as pessoas incríveis desde Tom Araya até David Effelson passando pelo Morbid Angel até Greg Puciato do Dillinger Escape Plan, Tommy Victor do Prong e Chino Moreno do Deftones, Sean Lennon… é o meu lance favorito de estar no ramo da música, eu gravo com muitos de meus heróis e ídolos, como quando eu fiz “Terrorist” com Tom Araya Eu estava tão animado, porque o Slayer era uma puta duma banda pra mim. Eu cresci ouvindo o Slayer, e estar no estúdio com Tom foi ótimo. Foi realmente maravilhoso e eu me senti como um garotinho. Foi a realização de um sonho. Essa parte da música é muito boa. Eu amo essas jam sessions e gravar com pessoas diferentes. Eu acho que é algo que sempre vai ser parte de minha carreira.

Na mesma linha de raciocínio, você consegue pensar em alguma banda jovem e na ascendente nesse momento que você tenha se interessado ou que venha a ter respeitado ao longo dos anos?

Sim, tem muitas bandas que eu ouço que eu realmente curto. Eu curto Converge. Eu curto Trap Them. Eu curto Whitechapel, The Chariot, Black Death, Municipal Waste, Toxic Holocaust e algumas daquelas bandas thrash que estão revivendo o thrash metal. Eu gosto do Warbringer. Eu curto todas essas bandas. Tem muita música boa por aí. É bom saber que estão mantendo metal vivo e que as novas gerações estão abraçando. Eles sabem de onde veio tudo e estão dando continuidade. Eu ainda amo os clássicos como Megadeth, Slayer, e todas aquelas bandas que ainda estão tocando coisas a fuder depois de vinte ou trinta anos. É incrível que essas bandas ainda estejam tocando. Me deixa muito orgulhoso e me faz querer continuar tocando porque é uma inspiração que aquelas bandas ainda estejam nessa. Mesmo coisas como Ozzy e o Motörhead porque eles são mais velhos e você olha pra eles e pensa, “se eles podem fazer isso, eu posso fazer isso por muito tempo”. Então eu olho pra isso desse modo. É uma inspiração pra que eu faça música por muito tempo.

Ótimo. Então quais são seus planos pro future. Eu sei que você mencionou parar um pouco depois da turnê para tocar de novo com o Soulfly, mas o que você se vê fazendo depois desse giro de turnê?

Essa turnê vai até o fim do ano. Vamos pra Europa e daí voltamos pros EUA e faremos outra grande turnê pelos EUA e isso vai até Outubro ou Novembro. Depois, eu vou voltar pro Soulfly e compor o disco novo que vai sair em algum momento do ano que vem. Vai ser um grande disco de estúdio, o que é ótimo. Estou muito animado. Nem consigo acreditar que já são oito discos. Espanta-me que haja tantos assim. Vou tentar fazer um disco bom, forte e diferente, um disco vibrante. Eu tenho que ver quem vai tocar nele e tentar fazer algo assassino. Ano que vem eu volto com o Soulfly. Esse ano eu decidi fazer meu trabalho com o Cavalera Conspiracy e no ano que vem, é o Soulfly. Vamos voltar á estrada com o Soulfly ano que vem.

Beleza… então eu não tenho certeza que essa seja uma pergunta estranha. Eu não vou lhe perguntar sobre uma reunião do Sepultura. Eu sei que isso ta batido demais. Eles seguiram ao longo dos anos e Iggor continuou a tocar com eles por um tempo. Você escutou alguma coisa que eles lançaram recentemente?

Não, não tenho interesse e eu realmente não me importo com o que eles estejam fazendo. A banda não me preocupa. O Sepultura foi uma grande parte da minha vida quando eu estava com eles. Quando eu me separei deles em 1996 depois de Roots, foi a última vez que ouvi algo deles. Não me preocupa mais. Está bem por dizer morto pra mim.

Eu fiz um pouco de pesquisa. O Iggor, se não me engano, tem um projeto meio eletrônico no momento, certo?

Sim, no Brasil.

E como é? Vocês falam disso?

É algo que ele faz nas folgas dele. É realmente diferente das coisas que ele faz no Cavalera Conspiracy. No Cavalera Conspiracy, ele é um baterista de Metal tocando Metal e brutalizando a bateria toda noite. Não tenho certeza do que ele faz exatamente. Eu nunca o vi tocar ao vivo com o projeto dele, que se chama Mix Hell. Eu acho que ele algumas vezes traz a bateria pra tocar o lance eletrônico, o que é uma idéia boa. Eu nunca os assisti, então não tenho certeza do que eles fazem. Quando ele está com o Cavalera Conspiracy, ele fica ocupado com a banda. Ele faz tudo que pode com o Cavalera Conspiracy – passagem de som, autografar merchandise pra turnê nova, arrumando coisas pra fazer toda noite, novas canções pra tocar e trabalhar em coisas novas e pior aí vai. Ele se mantém ocupado com o Cavalera Conspiracy, o que é legal e tudo mais. É assim que tem que ser.

Exato. No momento você vive nos EUA, certo? Enquanto o Iggor mora no Brasil?

Qual é o principal meio de comunicação de vocês, especialmente entre um disco e outro? Há muito envio de riffs e coisas pra lá e pra cá como anexos de email?

Sim, mandamos coisas pra lá e pra cá. Com a internet, é realmente fácil mandar coisas. Enviamos arquivos um para o outro. Eu escrevo um monte de riffs e os envio pra ele, e ele os recebe no mesmo instante, o que é realmente ótimo. Conversamos pelo telefone e mantemos contato enquanto ele está no Brasil. Quando nos reunimos, fazemos discos. Daí saímos em turnê. É uma relação muito legal. Não nos vemos o tempo todo, mas quando o fazemos, é especial. Sair em turnê com Iggor é realmente divertido para mim e passar um tempo com ele e conversar e tocar e assistir a filmes com ele, ficar no fundo do ônibus falando de nossas vidas. É muito legal, Quando tudo acaba, a gente volta pra nossas próprias vidas – voltar ao Soulfly, e ele volta pro Brasil pro projeto dele. Nos veremos de novo em alguns meses e começaremos tudo de novo. É ótimo. É assim que tem que ser. Está funcionando desse jeito. É uma relação legal de se ter porque você nunca cansa um do outro. Quando nos vemos, é sempre de bom humor e prontos pra fazer algo. Estamos sempre prontos pra sair em turnê. Algumas bandas saem em turnê e odeiam estar ali, isso não acontece conosco. Amamos sair em turnê. Amamos tocar toda noite, e eu amo ver os fãs toda noite e tocar o inferno com eles. Essa é minha parte favorita do dia inteiro. Eu fico aguardando pelo show. O dia passa bem devagar e daí o show chega. É minha parte predileta do dia – estar ao vivo no palco tocando em frente dos fãs. É o que eu mais curto fazer.

Fonte: lokaos.net

"Is this hyperreal?" - Atari Teenage Riot

Final dos Anos 90, eu em frente à TV, vendo o Lado B do Reverendo Fabio Massari. Um clipe me impressiona muito: "speed", de uma banda alemã chamada Atari Teenage Riot. Um riff sampleado matador acompanhado de batidas eletrônicas frenéticas e uma banda formada por três MCs ensandecidos (um deles do sexo feminino) tocando num lugar escuro iluminado apenas por uma luz estroboscópica. Virei fã instantaneamente, fui atrás e comprei os dois discos mais "famosos" em edição importada, "Burn Berlim Burn" (que é uma coletânea) e "60 Seconds wipe out". Eles tocaram no Brasil e eu não fui, mas os amigos que foram são unânimes em afirmar que foi o show mais barulhento de suas vidas, superando Slayer e Napalm Death.

A ATR foi a última banda que realmente me impressionou em termos de som barulhento. Separaram-se em 2000. Em 2001 um dos MCs, Carl Crack (olha o nome do cara), o negão, morreu de overdose. Em 2002 Hanin Elias, a outra MC, saiu da Digital Hard Core, a gravadora de Alec Empire, o mentor de tudo, para fundar seu próprio selo especializado em bandas femininas, o Fatal Records. Rompe com Alec - em seu disco solo a face do ex-parceiro aparece borrada entre as fotos dos colaboradores.

A dupla restante seguiu trabalhando junto: Nic Endo, a programadora, participou do disco solo de Alec e fez parte de sua banda nos shows ao vivo. No outono de 2009 Hanin Elias contactou Alec propondo que voltassem a se apresentar como Atari Teenage Riot, mas teve que desistir por problemas na voz. A idéia, no entanto, parece ter vingado, já que a banda voltou a fazer shows (com um novo MC, CX KiDTRONiKe, e Nic Endo fazendo os vocais femininos ) e lançou um single no ano seguinte, "Activate", via SoundCloud. Em 2011, outro single, "Blood in my eyes", e finalmente o novo disco, "is thes hypereal?", lançado hoje.

O disco abre com os dois singles previamente lançados. A primeira "inédita" (se é que isso existe hoje em dia) é "Black Flags" ("are you ready to testify?"). A faixa-título, "Is this Hypereal", praticamente não tem melodia, é um longo diálogo entre Alec Empire e Nic Endo sobre uma base eletronica cheia de climas soturnos. "Do you remember?", eles se perguntam o tempo inteiro. A faixa seguinte, "codebreaker", é bem mais pesada e opressiva, com samples de guitarra cortantes e uma batida martelada. Já "Shadow identity" é mais dançante e é cantada/gritada por Nic (impressionante como seus vocais se parecem com os de Hanin Elias). Muito boa - para as pistas, inclusive. Tem até uns momentos bem calminhos no final!

Momentos calminhos que são interrompidos por um discurso em megafone e uma pancada no pé-do-ouvido. É "Rearrange your synapses", a sétima faixa, novamente com os vocais divididos entre Alec e Nic. O resto do disco segue no mesmo ritmo, sem muita novidade, mas tudo muito intenso e bem produzido. A última faixa é uma das melhores, com uma levada opressiva e pesada contraposta a uns climões etéreos pontuados pelos bons e velhos vocais que alternam passagens discursivas e gritadas. Fecha o álbum com chave de ouro (fu(n)dido).

Muito bom ver esta grande banda de volta à ativa.

Recomendadíssimo.

por Adelvan k

The Iron Maidens

Neste mês, as belas garotas do The Iron Maidens desembarcam no Brasil e se apresentam em Jundiaí/SP (15/06, Aldeia Bar), Maceió (16/06, Orákulo Chopperia), Salvador/BA (17/06, Oba Oba), São Paulo/SP (18/06, Estúdio Emme) e Manaus/AM (19/06, Planeta Talismã).

Conversamos (rockbrigade.com.br) com elas sobre as expectativas para estas apresentaçãos, além de outros assuntos. Muito simpáticas e bem humoradas, elas deram detalhes dessa grande celebração ao legado da Donzela de Ferro. Confira abaixo.

ROCK BRIGADE: O que o público pode esperar da primeira aparição das The Iron Maidens no Brasil?

Wanda Ortiz: O público pode ter certeza que daremos nosso melhor, com o melhor show que pudermos!

Linda McDonald: Vocês verão cinco garotas suando bastante, para tocar o melhor que puderem do Iron Maiden, junto com Eddie, o diabo e muito mais! Nós traremos a experiência dos shows de arena para um espaço menor!

Courtney Cox: Aguardem um grande show! Nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para realizar o melhor show que pudermos.

Kirsten Rosenberg: Os brasileiros podem esperar um show que é muito fiel ao que o Iron Maiden apresenta. Nós somos apaixonados pela música deles e “estudamos” sobre como executar isso como a própria banda. Nós temos muitos elementos dos shows do Maiden, também. Obviamente, não somos o Iron Maiden, mas queremos deixar os brasileiros sentindo como se tivessem acabado de experimentar o mais próximo disso possível. Sabemos que os brasileiros são provavelmente os fãs mais “hard core” do Iron Maiden, e acho que estamos perto do padrão que possa satisfazer a todos, aí!

RB: Podemos aguardar surpresas, então?

Wanda: Eu tenho certeza que haverá surpresas. Nós adoramos surpresas! (risos)

Linda: Se disséssemos, então não seria mais uma surpresa, concorda? (risos)

Courtney: É, no Brasil, temos que impressionar!

Kirsten: E será um grande desafio impressionar vocês!

RB: Sobre o repertório do show, o que vocês podem revelar para nós?

Wanda: Bem, eu não sei o que estamos preparando, ainda, e assim eu não poderia revelar nada, mesmo se eu quisesse. (risos)

Linda: O que posso dizer é que será uma “mistura fina” de clássicos do Iron Maiden, para satisfazer o apetite de qualquer amante dos caras! É realmente difícil escolher um repertório, porque você quer tocar tudo, mas infelizmente temos que "comprimir" tudo em cerca de 90 minutos.

Courtney: É, só indo ao show para saber!

Kirsten: E eu garanto que vocês não vão se decepcionar!

RB: Podemos esperar um show com o Eddie, a "Edwina" e tudo mais?

Wanda: Pode esperar, é mais que garantido!

Linda: Eu sei que o Eddie vai estar lá, com certeza, mas temos que ver se ele será capaz de carregar todas as coisas da Edwina em sua mala, porque seu passaporte expirou! (risos)

Courtney: Eu acho que ambos os Eddies (masculino e feminino) vão revelar suas cabeças feias, que vocês já conhecem... (risos)

Kirsten: Essa é uma das características que nos torna únicas, como um tributo ao Maiden: tentamos incorporar tantos detalhes e nuanças de seus shows – e até vídeos de música – para dar a sensação de um verdadeiro show dos caras. Então você pode contar que o Eddie vai estar lá, com certeza.

RB: Como você descobriu as novas integrantes, Kirsten Rosenberg (vocal) e Heather Baker (guitarra)?

Wanda: Eu acho que a Kirsten respondeu um anúncio que tínhamos, quando estávamos procurando uma nova vocalista. A Heather trabalhou no estúdio do meu amigo, como música de estúdio, ou algo assim. Eu a conheci através do meu amigo e depois ela foi apresentada ao resto da banda.

Courtney: Nós encontramos a Kirsten através de testes que realizamos na Califórnia. A Heather não é um membro permanente, ela já tocou inclusive na posição de Adrian Smith (em que toco!), no passado. Hoje ela faz as vezes de Dave Murray, mas tem sido apenas substituta em alguns shows.

Kirsten: Eu sempre fui uma grande fã do Maiden e quando vi que elas estavam procurando uma novo vocalista eu corri até elas! Então as cortejei com meus biscoitos vegan, e assim elas me deixaram entrar na banda. (risos)

Linda: A Kirsten tem uma confeitaria/padaria e faz cookies deliciosos! (risos) E ela canta muito bem, então isso tudo é maravilhoso! (risos)

RB: O que você acha sobre a atuação da Kirsten, comparada com a ex-vocalista Aja Kim?

Wanda: Elas são grandes vocalistas, mas eu prefiro Kirsten porque a sua voz tem uma qualidade mais profunda, mais “escura”, que realmente se encaixa neste tipo de música. Ela é uma grande fã do Maiden, desde sempre, o que realmente faz a "performance de Bruce" dela excelente. Nossa antiga vocalista, a Aja, nunca foi fã do Maiden, antes de entrar para nossa banda, então tudo era muito novo para ela. E com a Kirsten, isso é bastante natural.

Linda: Kirsten tem um alcance muito mais natural, o tom e a profundidade de sua voz são perfeitos para as músicas do Maiden. Ela oferece o desempenho de Bruce tão próximo e fiel ao original como pode, sem se deixar levar por tantas influências, dando seu toque pessoal. Ambas são muito talentosas, mas eu nunca optaria para voltar com a Aja, agora que tive a honra de trabalhar com Kirsten.

Courtney: É uma benção disfarçada!(risos) Kirsten é a melhor cantora que já tivemos. Temos a sorte de ter encontrado esse grande talento!

Kirsten: OK, provavelmente eu seja um pouco suspeita para falar sobre isso (risos)... Acho que a diferença principal é que sempre fui uma verdadeira fã do Iron Maiden – considerando que a ex-vocalista não era. Eu cresci ouvindo suas músicas e cantando junto com os discos, assim os vocais de Bruce Dickinson foram uma grande influência sobre mim, que eu acho que consigo mostrar através de minha performance vocal.

RB: Vocês pretendem gravar mais um álbum, agora, com essa formação?

Wanda: Sim, certeza!

Linda: Eu mal posso esperar por isso!

Courtney: Estamos conversando sobre isso, e felizmente vai rolar!

Kirsten: Nós definitivamente teremos mais discos pela frente, portanto, fiquem atentos!

RB: Como é ser o primeiro e único tributo feminino ao Iron Maiden?

Wanda: Para ser honesta, eu realmente não penso nisso. Eu me sinto muito sortuda de poder viajar e tocar a música eu gosto!

Linda: É o projeto mais divertido do mundo! Honestamente, eu nunca esperei fazer isso por 10 anos! É simplesmente fantástico! Eu sei que houve pessoas que tentaram montar outro tributo feminino do Maiden, aqui em Los Angeles, mas elas descobriram que não é tão fácil encontrar músicos gabaritados para fazer isso, apenas pensaram que iriam se dar bem. Eu amo tocar nessa banda e esperamos ter mais 10 anos pela frente!

Courtney: Nós nos sentimos grandes!

Kirsten: Isso tudo te faz se sentir especial. É uma honra! Mas eu não sei por que mais mulheres não tenham feito isso antes... O Maiden tem um monte de fãs do sexo feminino e é muito divertido tocar por aí!

RB: Gostaria muito de agradecer por ter a chance de conversar com vocês. Nos encontramos em junho. Deixem uma mensagem para seus fãs no Brasil.

Wanda: Obrigado pelo apoio de vocês, e por manter vivo o metal no Brasil. Consulte o nosso website para informações sobre nossas próximas datas sul-americanas. (www.theironmaidens.com)

Linda: Felicidades a todos e “Scream for me Brasil!!” Nós mal podemos esperar para vê-los e experimentar uma caipirinha!

Courtney: As “donzelas” vão chegar aí!

Kirsten: Up The Irons!

25 Anos de "Reign in Bloog"

Eu já era fã de metal e do Slayer quando ouvi pela primeira vez "Reign in Blood", na época de seu lançamento. Mesmo assim, o impacto foi tremendo: nada, até aquele momento, havia sido feito com aquele nível de peso e velocidade. Pouco tempo depois a disputa foi finalmente vencida (e encerrada) pelo Napalm Death e seu "From slavemevment to obliteration", mas "Reign in Blood" permanece supremo no posto de obra-prima do thrash. É rápido, pesado E preciso. Une tudo isso ao virtuosismo, além de contar com a produção impecável do mestre Rick Rubin.

Ontem Tom Araya fez 50 anos. Este ano o Slayer faz 30, e "reign in blood" 25 anos de lançamento. Depois de amanhã eu verei o Slayer pela primeira vez em minha vida - mais um sonho de adolescencia realizado. Abaixo, uma matéria publicada ontem no site NOISECREEP em tradução de Nathália Plá para o http://whiplash.net.

# # #

Quando ele ficou sabendo que o Noisecreep estava planejando prestar tributo ao Slayer hoje, 6/6, Scott Ian do Anthrax concordou plenamente. "Por que não? Todo dia é um bom dia para o Slayer", disse ele. Sim, qualquer dia é um bom dia para celebrar uma das bandas de metal mais influentes de todos os tempos. Contudo o Slayer Day esse ano é especial porque marca os aniversários de duas marcas distintas do Slayer.

A primeira marca do Slayer ocorreu há 30 anos em 1981, quando Jeff Hanneman e Kerry King formaram o gurpo em Huntington Beach, uma cidade costeira no sul da Califórnia. O duo então convidou Tom Araya, que tinha trabalhando previamente com King no Quits, para se juntar a eles. O resto, é claro, é história do metal.

A outra marca veio em 1985, há 25 anos, com o lançamento do 'Reign In Blood.' A maior estréia da banda em um selo levou o Slayer do estado de heróis ocultos no Metal Blade para o de verdadeiros ícones internacionais do metal.

"Eu vi o Slayer a primeira vez em um pequeno local em Orange County, Califórnia, em 1983", disse Brian Slagel, o presidente e CEO do Metal Blade, primeiro selo do Slayer. "O set deles consistia em sua maioria de músicas cover, mas os poucos originais que eles tocavam eram realmente bons. Além disso, eles fizeram o melhor cover da 'Phantom of the Opera' do Iron Maiden. Eles eram uma banda realmente boa e eu sabia que queria trabalhar com eles."

"Eu me atrasei um pouco em relação ao Slayer," disse o frontman do GWAR Dave Brockie, a.k.a. Oderus Urungus. "Eu ainda estava naquela de curtir hardcore e dizer que o metal não prestava há muito tempo. Foi só quando veio o 'Reign in Blood' que eu realmente os escutei. E aquilo foi provavelmente bom porque seus primeiros discos eram realmente ruins. Eu lembro do momento em que virei devoto do Slayer com clareza. Eu estava ouvindo o 'Reign in Blood' e estava sendo esmagado. Eu não conseguia acreditar que o metal podia ser tão bom, tão rápido ou ter tanta agressividade. E quando eu cheguei ao 'Altar of Sacrifice' com a famosa 'Satan'... Bem, eu me perdi totalmente. Dali para adiante, o Slayer era formado por deuses para mim."

Essa revelação foi feita por garotos em todas partes do mundo. "A primeira vez que eu vi o Slayer foi em 1986 logo depois que o 'Reign In Blood' saiu, no Warner Theater em Washington, DC", disse Dave Grohl à Killing Time Productions em seu vídeo no YouTube. "Foi o último show no Warner porque era o Overkill e o Slayer. E depois que o Overkill terminou o Slayer veio e a platéia destruiu as dez primeiras fileiras de assentos."

Pela crítica, o álbum também obteve tremendo respeito ao longo dos anos. Kerrang classificou 'Reign In Blood' de "o álbum mais pesado de todos os tempos" e a Metal Hammer declarou ele em 2006 como o melhor álbum de metal dos últimos 20 anos. Em apenas 30 minutos de uma energia frenética, o 'Reign In Blood' misturou a ferocidade do Iron Maiden com a batida dos Ramones e Stooges para criar um álbum que desde então foi reverenciado por muitos como o definitivo álbum de thrash metal.

Parte do legado do 'Reign in Blood' e sua massiva evolução dos dois álbuns anteriores da banda foi a produção de Rick Rubin, que assinou com o grupo pelo seu selo Def Jam. "Foi como, 'Uau – você pode ouvir tudo, e aqueles caras não estão apenas tocando rápido; aquelas notas estão no tempo certo'", Kerry King disse à revista Decibel sobre a produção.

O estilo de gravação mais precisa permitiu que as pessoas vissem que o Slayer trouxe a musicalidade de virtuosos renomados como o Rush ao thrash metal. "A primeira vez que ouvi o preenchimento da bateria de bumbo duplo na 'Angel of Death' eu soube que eu realmente queria fazer melhor. Inúmeros músicos tem de agradecer a (Dave) Lombardo e ao Slayer por sua influência", disse Dave Titte, do Municipal Waste.

Ao longo do último quarto de século, o impacto do Slayer continuou a crescer, como evidenciado pelos diversos artistas que fizeram cover da banda, tais como Korn, Deftones, Cradle Of Filth, e Hatebreed. Sem esquecer que Tori Amos, Less Than Jake, Modest Mouse, e Califone prestaram tributo ao Slayer.

Para realmente entender o impacto do Slayer, é necessário apenas ter ido ao Empire Polo Fields em Indio, California, em abril desse ano, quando mais de 50.000 metaleiros foram ao deserto para ver o grupo dividir o palco com Metallica, Megadeth, e Anthrax para o show do Big 4. O fato de que o metal ainda enche estádios e sites como o Noisecreep existirem é devido grande parte ao Slayer e seus irmãos. Então sim, concordamos com Scott Ian: qualquer dia é um bom dia para o Slayer.

sábado, 4 de junho de 2011

Pete Townshend, novidades.

Pete Townshend fez um raro post em seu blog para anunciar um novo box de Quadrophenia, que sai em outubro. Ele usava o blog bastante, mas ficou bravo com o fato que jornalistas tiravam aspas suas de contexto e praticamente abandonou a prática. Leia abaixo o texto inteiro de seu comunicado:

"1º de junho, 2011

O que estou fazendo todos os dias

Estou isolado em meu estúdio caseiro, no momento, trabalhando na restauração de demos de Quadrophenia. Bob Pridden está fazendo mixagens de faixas selecionadas com som surround. Jon Astley está remasterizando o mix original do vinil e reavaliando o remix que fez em 1996 (aquele no qual dá para ouvir direito os vocais espantosos de Roger). Estou com uma pilha de anotações, diários, fotos (tirei muitas minhas entre 1971 e 1973, quando Quadrophenia saiu), letras originais e escrevendo observações.

Estou gostando muito desse trabalho. Os mixes do Bob são estarrecedores. Minhas demos estão entre as melhores que já fiz e incluem algumas faixas excêntricas que não entraram para o álbum. Eu ainda acho o trabalho de estúdio estranho - preciso colocar as caixas de som com o volume bem baixo, o que é diferente do que estou acostumado. Esse pacote, que sai em outubro, se tudo der certo, é outro Live at Leeds e Hull - ou até outro Lifehouse Chronicles - em processo de fabricação. Vocês vão amar. Eu espero, porque estou perdendo todo o sol desse verão para que ele fique pronto a tempo.

Em minha entrevista recente com meu amigo Simon Garfield para a Intelligent Life, mencionei alguma dificuldade na minha interação com fãs, conforme envelheço. O que é tão maravilhoso de trabalhar em Quadrophenia é que nos anos 70, até a gravação, em 1973, o principal desafio para mim era contar a histórias dos fãs do Who e, ao mesmo tempo, me ocupar nas necessidades criativas da banda como indivíduos e artistas. O Who e Jimmy, como uma espécie de modelo para mim e todos os nossos fãs, tinham desenvolvido uma simbiose poderosa que merecia um projeto como Quadrophenia, tanto para honrar o mecanismo, quanto para explicar o motivo de ele começar a dar errado quase que assim que começou.

Então, estou gostando de trabalhar com a música, mas estou gostando de escrever sobre ela também."

A nota de Pete não menciona nada sobre o futuro do Who. Eles não fazem turnê desde um breve giro pela Austrália, no início de 2009. Sua última performance em conjunto foi em janeiro, em um show beneficente, em Londres. O escritor Simon Garfield - que entrevistou Townshend no mês passado para a Intelligent Life, - falou ao guitarrista do Who que foi ao show achando que aquela poderia ser a última vez que eles estariam juntos no palco. "Sua intuição acertou na mosca", Townshend disse. "No começo do ano eu tinha decidido que no próximo aniversário, acho que vou simplesmente parar'. Nada a ver com a minha audição, porque acho que consigo lidar com isso no palco. Meu sentimento era de que simplesmente não tinha o entusiasmo para uma reinvenção."

Townshend pensou em aposentadoria muitas vezes no passado e sempre diz que o mesmo impulso que fez com que ele finalmente terminasse seu livro de memórias este ano fez com que ele reconsiderasse a ideia da aposentadoria. "Eu olho em volta e penso, 'por que não estou sofrendo da forma como as outras pessoas estão sofrendo?'", ele disse. "'É só porque não tenho que me preocupar em pagar dívidas escolares?' Eu acho que para mim é que se você pode tomar um posicionamento artístico e fazer algo útil, mesmo que seja negativo, então, a ação é a melhor resposta."

Nessa mesma entrevista, Townshend também sugeriu que ser o principal compositor na banda foi, com frequência, um peso. "A coisa toda com o Who, para mim, e isso é triste, de certa forma, é a quantidade de controle que tive que ter", ele disse. "Mantendo o processo criativo perto do meu peito, me assegurando de que os outros caras da banda estavam se sentindo como se fossem parte do processo, embora não fossem de verdade."

Ele também disse que Roger Daltrey - que está tocando Tommy em uma turnê solo, este ano - tinha dificuldade, às vezes, nas turnês mais recentes. "Se estou na estrada com Roger e ele está muito triste, eu sei que tenho um pouco de culpa, e eu sei que meu empresário Bill Curbishley concorda com isso. Pensamos 'por que estamos fazendo isso com ele?'", Townshend disse. "Ele parece estar tão infeliz e se sentindo insatisfeito. Mesmo assim, quando você fala com ele, ele exalta o Who e a mim como coisas divinas. Ele sempre diz que será fabuloso e que 'desta vez eu simplesmente vou me divertir' e sempre termina perturbado, choramingando em um canto de algum lugar, dizendo 'esse foi o pior show que já fiz, posso fazer muito melhor, não consigo pensar como vou conseguir fazer isso de novo'."

Como se todo isso não fosse suficiente, ele também comentou as alegações no livro de Keith Richards de que Mick Jagger tem um "pênis pequeno". "Para usar um termo apropriado, isso é bobagem", Townshend disse. "Eu já as vi e elas não são pequenas. E não são só as bolas que são grandes."

Imagem: Sebastian Kruger

Fonte: Rolling Stone Brasil

Texto: Andy Greene

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Confirmado: Slayer com Gary Holt no Brasil.

Em uma entrevista realizada em Santiago, no Chile, na última quarta, com a participação de Tom Araya e Dave Lombardo, o Slayer confirmou o guitarrista Gary Holt, do Exodus, com integrante dos shows do grupo na América Do Sul. A dúvida se deu porque a banda aguarda o retorno do guitarrista Jef Hanneman, que se recupera de uma operação realizada no braço direito, em fevereiro, como tratamento de uma fasciíte (inflamação da membrana que envolve os músculos), provavelmente causada por uma picada de aranha. Hanneman tem sido substituído por Gary Holt, e, quando este não pode, por Pat O’Brien, do Cannibal Corpse. O Slayer volta ao Brasil na próxima semana, depois cinco anos, para dois shows, um em Curitiba (dia 8) e outro em São Paulo (dia 9, veja os detalhes aqui).

Fonte: Rock Em Geral

Set-List do show do slayer ocorrido ontem, 02 de junho, em Santiago do Chile:

World painted blood
War Ensemble
Postmortem
Temptation
Stain of Mind
Disciple
Dead Skin Mask
Dittohead
Americon
Not Of This God
Mandatory Suicide
Chemical Warfare
Payback
Seasons In The Abyss
Snuff

Encore:

South of heaven
Rainning Blood
Black Magic
Angel of Death

segunda-feira, 30 de maio de 2011

João Gordo, uma entrevista

JOÃO GORDO. Todo mundo que conhece o lendário vocalista do RATOS DE PORÃO sabe das loucuras pelas quais já passou e tudo mais. Mas o tempo voa, e agora, tornou-se um pai de família e tanto. É nesse clima que o músico concedeu uma entrevista por e-mail ao Blog "Som Extremo", em que falou da esposa e filhos, letras de música, o reconhecimento da banda lá fora, seu futuro e o do RDP, entre outros assuntos. É claro que o cara não poderia deixar de lado suas críticas ácidas, brincadeiras e ironias. E a entrevista foi como a música do Ratos: curta, direta e agressiva.

Som Extremo: Como foi a recente turnê pela Europa?
JOÃO GORDO: Foi lindo! Tocar com o Voivod no Barroselas, em Portugal, já valeu o rolê todo!

Som Extremo: Casado e pai de família, o que mudou no seu jeito de compor, e mesmo ver a vida?
JOÃO GORDO: Quando se tem família e filhos sob sua responsabilidade e não se é um canalha, você tem que passar por cima de uma pá de convicções que, a essa altura do campeonato, está cagando e andando. Na minha cabeça de meio século de vida, o que interessa é que meus filhos, eu, minha esposa e meus cachorros tenham uma vida tranquila. Se você nega isso a eles por ideologia barata, é egoísmo e você pode se arrepender amargamente no futuro. Apesar dessa “caretiada” geral, meu modo ácido de ver a vida continua o mesmo.

Som Extremo: Na época do lançamento do álbum “Just Another Crime... in Massacreland”, você disse que “Suposicollor” era sua letra mais forte. Alguma outra já superou essa?
JOÃO GORDO: Tenho muitas letras boas e outras tantas bem idiotas também. Letras como “Testemunhas do Apocalipse”, “Pedofilia Santa”, e as três do SPLIT novo são bem interessantes e mostram bem o “modus operandis” do meu pensar.

Som Extremo: Em 2011, a RDP está fazendo 30 anos. Como será a comemoração?
JOÃO GORDO: Talvez um showzinho de merda qualquer.

Som Extremo: “Guidable” saiu no ano passado. De lá para cá, além do lançamento do DVD “Ao vivo no Circo Voador” e do split com a banda Looking for an Answer, houve mais algum fato que já mereceria estar em um novo capítulo da “Verdadeira História do RATOS DE PORÃO”?
JOÃO GORDO: Nada muito interessante. Bom, o fato de eu ter parado de fumar maconha depois de mais de 30 anos de fumaceira ininterrupta é digno de um novo capitulo no DVD.

Som Extremo: E falando no split, o RDP talvez tenha registrado nele suas músicas mais violentas da carreira, com levadas menos punk e mais crust/hardcore. Concorda? A intenção era só fazer sons porrada, ou tudo saiu naturalmente?
JOÃO GORDO: É tudo muito natural, quase natureba... temos dificuldade para fazer o próximo LP. Queria fazer grind, mas não conseguimos tocar isso.

Som Extremo: O reconhecimento de vocês lá fora, especialmente na Europa, parece ser até maior do que aqui no Brasil. Afinal de contas, a que você acha que isso se deve?
JOÃO GORDO: “Casa de espeto, ferreiro de pau”... somos gigantes em países de língua latina. Portugal é foda. Cantamos na língua deles. Somos deuses. Na Espanha, França, ou na Itália, nego me reconhece na rua. No Leste europeu, puta público foda! No México e América “Latrina” também. Aqui é uma bosta. Temos nossos fãs, mas nego quer nos ver pelas costas... estou acostumado.

Som Extremo: O que vem pela frente com o RDP, além da comemoração das três décadas?
JOÃO GORDO: Sei lá... talvez uma hérnia de disco, um esporão calcâneo ou uma bursite.

Som Extremo: Você faz parte do elenco de “Legendários”. Até que ponto conseguiu levar sua influência como músico para o programa de TV, e vice-versa?
JOÃO GORDO: É como óleo e água: são duas coisas completamente diferentes que não se misturam. Estou lá com a cara de pau mais deslavada do mundo e foda-se. Enquanto estiver fácil e lucrativo, estamos aí. Vamos ver até onde vai isso.

Som Extremo: Sua carreira na TV começou de forma não planejada, mas deu muito certo. Se você não cantasse no RDP e nem fosse apresentador, que profissão acha que teria hoje?
JOÃO GORDO: Talvez teria embarcado dessa, de tão gordo, ou na cracolândia como farrapo humano. Talvez seria PM... quem sabe torneiro mecânico, que é minha profissão. Vai saber.

Som Extremo: Como você se vê daqui uns 20 anos?
JOÃO GORDO: TIOZASSO!!! Será que chego aos 70?????

Som Extremo: Uma tarefa difícil: consegue fazer um top 5 de seus álbuns favoritos?
JOÃO GORDO: SLAYER - REIGN IN BLOOD
RAMONES - ROCKET TO RUSSIA
KISS – DESTROYER
AC/DC - LET THERE BE ROCK
NAPALM DEATH - SCUM

http://www.myspace.com/ratos
http://www.ratosdeporao.com

Fonte: Som Extremo


domingo, 29 de maio de 2011

Get Thrashed: The Story Of Thrash Metal

"Everyone had a good time... Even if they were bleeding"

Nos últimos anos tem sido produzida uma safra de documentários sobre o gênero musical Heavy Metal que prima pela qualidade e notável paixão dos envolvidos, como os mundialmente prestigiados "Metal - A Headbanger's Journey" (2005) e "Global Metal" (2008), ambos criados e dirigidos por Sam Dunn, que é antropólogo e fã do gênero musical. Aqui no Brasil está sendo produzido o "Brasil Heavy Metal", com previsão de lançamento ainda este ano, que conta a história do surgimento e desenvolvimento do estilo no país.

Este "Get Thrashed: The Story Of Thrash Metal" (2006) é outro documentário que se encaixa perfeitamente na descrição do início do texto, sendo considerado um dos melhores registros já realizados em vídeo sobre a cena Metal, mais precisamente acerca do subgênero "Thrash" (bater, sovar, açoitar... em inglês). Ao assistir, percebe-se claramente que foi feito por quem entende, gosta e está inserido na cena, porém, com profissionalismo, devido ao cuidado com que foi feito, ao alto nível de detalhes, acesso às bandas que criaram o estilo, ao tom de admiração, e ao grande acervo de imagens de shows com as bandas clássicas nos anos 80, o que vai agradar em cheio aos apreciadores do estilo. Para quem viveu a época do surgimento - início dos anos 80 - ou até mesmo a quem acompanha desde on anos 90, o sentimento de saudosismo é imediato; e aos mais novos serve para entender melhor este estilo que veio para "levar o Heavy Metal para o próximo nível" em termos de "agressão".

Get Thrashed - que foi co-criado e dirigido por Rick Ernst, que trabalhou no programa Headbangers Ball, da MTV americana; e teve como produtor associado Rat Skates (ex-baterista da banda Overkill) - mostra o surgimento do Thrash, com maior intensidade em San Francisco (EUA), no início dos anos 80. Há destaque ao Metallica, Exodus, Anthrax, Megadeth e Slayer, já que são pioneiros e alcançaram expressiva popularidade. São esclarecidos o desenvolvimento da cena desde o underground até a conquista de arenas e estádios lotados pelo mundo; a fase de declínio nos anos 90 e a nova ascenção com bandas recentes influenciadas pelos primórdios do estilo, como também as bandas clássicas retomando seu lugar e mostrando de uma vez por todas que, ao contrário do que muitos falaram nos anos 90, o Thrash continua forte, influenciador e com milhares de fãs mundo afora. Tanto que as principais bandas, que moldaram o subgênero, continuam na ativa, lançando ótimos álbuns e gozando de fama na comunidade Heavy Metal.

O documentário também aborda particularidades da cena oitentista do Thrash nos EUA, como os poucos clubes que abriam suas portas para os shows; gravadoras que lançaram os primeiros vinis do estilo - Metal Blade e Megaforce -; a rivalidade com a cena Hardcore até a união a partir do Crossover; o repúdio à cena Hard Rock Glam ("poser") de Los Angeles; a caracterização/visual das bandas e apreciadores; o sentimento de irmandade que havia naqueles tempos entre bandas e público; as características das cenas de San Francisco e New York; histórias interessantes dos anos 80 sobre pessoas envolvidas e muito mais. Tudo isso a partir de depoimentos de Lars Ulrich e Kirk Hammett (Metallica), Dave Mustaine e Dave Ellefson (Megadeth), Scott Ian e Frank Bello (Anthrax), Tom Araya e Kerry King (Slayer), Gene Hoglan (Dark Angel), Chuck Billy e Eric Peterson (Testament), Gary Holt (Exodus), John Connelly e Dan Lilker (Nuclear Assault), Katon DePena (Hirax), Bobby Blitz (Overkill) entre outros; de integrantes de bandas novas, como também de produtores, donos de gravadora, promotores de eventos, radialistas, jornalistas etc.

Get Thrashed não se limita aos EUA e leva o telespectador a diversas partes do mundo, mostrando como e onde o estilo se disseminou com mais intensidade. Na Europa, a Alemanha se destaca como sendo a outra grande cena embrionária do Thrash, com bandas como Kreator, Destruction, Sodom e Tankard. Nessa parte vemos as diferenças entre a sonoridade americana e a alemã, contando outra vez com entrevistas de membros das bandas citadas, permeadas por cenas de shows. Também se faz presente a cena do Canadá, com bandas como Voivod, Sacrifice e Razor. O Brasil não foi esquecido, com entrevista com o Sepultura.

O filme foi extremamente bem sucedido, participando de mais de 20 festivais de cinema nos EUA, Alemanha, Grécia e Londres. Recebeu vários prêmios, como "Melhor Documentário", "Melhor Trilha Sonora" e "Melhor Diretor".

O documentário tem 100 minutos e se encontra facilmente para download com legendas em português. Quem quiser mais qualidade de imagem e mais conteúdo, pode adquirir o DVD importado, que possui extras, chegando assim a 193 min.

Apesar de estar me repetindo - é a empolgação que faz isso - Get Thrashed: The Story Of Thrash Metal é altamente recomendável para quem gosta de Metal e principalmente Thrash. O único porém é a inclusão de uma entrevista com um integrante do Slipknot, na qual ele fala como se tivesse feito parte do nascimento do estilo. Primeiro, ele não fez parte e nem tem idade para isso; e segundo, a sua banda não é Thrash. É algo que não faz sentido! Essa para mim é a única falha. De qualquer forma, esse "incidente" não tira o brilho da produção. Então, é só colocar o vídeo para rolar, de preferência com muita cerveja!

por Andson Andrade

sábado, 28 de maio de 2011

Vamos dar um tempo, um dia a gente se vê ...

Pessoas, na próxima sexta a Aperipê FM estará transmitindo, ao vivo, o Fórum de Forró, então não haverá programa de rock. Dia 10 estarei em São Paulo, portanto também não farei o programa ao vivo (Marcelo Larrosa, sinta-se desde já convidado a ocupar o posto. Sugiro convocar Rosi para auxiliá-lo). A partir do dia 17 começam as transmissões ao vivo do Forrócaju, portanto, ao que tudo indica, só nos encontraremos novamente nas ondas do radio no dia 01 de julho.

Sem desespero, por favor ! Enxugar as lágrimas e bola pra frente ...

Até lá.

A.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

# 189 - 27/05/2011

O programa de rock de hoje abrirá saudando a mais do que breve (e inesperada) reunião no palco dos membros restantes do Pink Floyd, David Gilmour, Roger Waters e Nick Mason, numa apresentação de Waters do início deste mês. Tocaram juntos "Confortably numb", do The Wall. Leia abaixo as impressões de Mason sobre o encontro, em postagem sacada da revista Rolling Stone Brasil.

Teremos também novidades: uma nova de "vol. 3", a sensacional volta do Mopho, seminal banda baladeira/psicodélica de Alagoas, mais The Horrors e Moby, que acaba de lançar um disco intensamente "atmosférico" e "climático". No Drop Loaded, Macaco Bong Ao Vivo. Depois, psicodelismo "made in" Macapá, Amapá, e Aracaju, Sergipe. Atenderemos a um pedido de ouvinte via Facebook e teremos mais um bloco do ouvinte, com novidades da cena "indie" compiladas por Dillner Bansky. Depois de relembrarmos o primeiro disco do DeFalla (que foi tocado na íntegra ontem, em Porto Alegre), encerraremos o programa com a trilha sonora do apocalipse: Slayer, em faixas (relativamente) raras e/ou que não constam de seus discos de estudio: "The Antichrist" num ensaio na casa de Tom Araya, "Criminally Insane" remixada, um "outtake" de "piece by piece", um medley do Exploited e covers do Suicidal Tendencies e do GBH - musicas que não estão no disco de covers de bandas punk/HC deles, "undisputed attitude".

Até mais, às 20:00H, na frequencia 104,9 FM em Aracaju e região.

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Quando o baterista do Pink Floyd, Nick Mason, chegou à O2 Arena, em Londres, na semana passada, não fazia ideia que estava entrando em uma performance de David Gilmour e Roger Waters de "Comfortably Numb", em uma passagem de som para o show de Rogers daquela noite. "Nunca havia sido finalizado direito - tinha sido discutido de talvez tocarmos em Paris, ou algum outro lugar", Mason disse à Rolling Stone EUA. "Então, foi muito bom chegar e ver que [David] estava lá."

Mais tarde, os três membros remanescentes do Pink Floyd se apresentaram juntos no palco (leia aqui) pela segunda vez nos últimos 30 anos e pela primeira desde o show no Live 8, em 2005. "Foi muito bom meio que fazer parte disso e mostrar apoio a Roger. Não que ele realmente precise", Mason diz sobre o show de quinta à noite, durante o qual os três tocaram "Outside the Wall". "Eu acho que é bom ter Roger querendo registrar David e eu como parte disso, de certa forma. Foi meio que uma coisa mútua: foi bom ser reconhecido. Mas também foi muito bom poder apoiar Roger e deixar claro que não o criticamos por ele fazer isso."

Após a passagem de som, os três se sentaram à mesa, no backstage, e comeram um jantar leve. "Estávamos todos um pouco nervosos, porque era um momento pré-show, então não era [uma ocasião] relaxada, 'vamos todos bater papo sobre tudo'. Já que [David] não tocava a faixa tinha muito tempo, ele provavelmente estava preocupado com a tecnologia que o ergue até o topo do muro. É bem assustador lá em cima - já subi uma vez e é uma trajetória longa parede acima."

Em seguida, Mason se recolheu ao seu assento na arena, onde os fãs o cumprimentaram empolgados, e assistiu a The Wall pela primeira vez como espectador. "Foi incrivelmente bom", diz ele. "É uma pena, de certa forma se você pudesse voltar no tempo e ter acesso a esse tipo de tecnologia há 40, 30 anos, teria sido fantástico. Quer dizer, é interessante, porque acho que The Wall foi atualizado. Quando você olha para o cenário do palco e a luz que existe agora, isso dá uma apagada no que costumávamos fazer."

A performance de Gilmour em "Comfortably Numb" aconteceu de forma magnífica. Então, ao fim do show, Waters convidou Gilmour (desta vez com um bandolim) e Mason (com um tamborim) para "Outside the Wall", que tinham pedido que ele tocasse meia hora antes do show. No palco, Waters abraçou Mason e dançou com ele de um lado para o outro. "Ele quase me derrubou", Mason diz. "Achei que ele fosse me jogar para fora do palco."

E foi falada mais alguma coisa no backstage, depois do show? "Você quer dizer, além de 'foda-se você, te odeio'? 'Eu nunca mais quero te ver'? Não."

A notícia da reunião se espalhou como um incêndio online, o que deixa Mason perplexo. "Incrivelmente, são só três caras velhos se juntando por um momento, realmente estranho. Mas, se é disso que as pessoas gostam, então, isso é ótimo." Naturalmente, isso reacendeu a esperança de uma reunião. Gilmour é o único que não aceitou fazer uma reunião com os membros vivos da banda. Mason e Waters disseram que estão dispostos a realizar mais atividades com a banda, após terem se reencontrado para o Live 8, em 2005. "Eu acho que, especialmente neste momento, David tem outros problemas com os quais se preocupar", diz Mason. "Mas, também, as pessoas mudam de quando estão interessadas em fazer algo para quando não estão. Eu acho que vamos ter que esperar quietos e ver se Dave vai, um dia, mudar de ideia. Acredito que haja uma possibilidade, mesmo que seja um outro Live 8."

Não espere, contudo, que o baterista suba mais vezes ao palco durante a passagem de The Wall pela O2 Arena. "Foi uma coisa muito legal de se fazer, mas poderia se tornar um pouco clichê se a gente continuar escalando até o topo daquela parede e se abraçando no palco. Quer dizer, já foi suficiente. Somos ingleses, afinal de contas. A gente não faz muito essa coisa de ficar se abraçando."

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pintocore - Entrevista com a banda paulistana de Hard Core feminino Infect publicada em dezembro de 2008 lá do outro lado do mundo — sim, na revista japonesa Doll. As perguntas foram respondidas pela vocalista Indayara Moyano e pela baterista Estela Homem.

Apesar de a banda ter acabado em 2003, ela continuou tendo muitos admiradores no mundo todo, até por isso o Kenji (o então editor da revista, que infelizmente também fechou as portas depois de quase três décadas em atividade) escreveu ao blogueiro chiveta perguntando se elas estariam dispostas a uma entrevista. Nela, foi dado uma geral na carreira da banda, inclusive falando do pintocore, termo que elas usavam para definir o som!

Entrevista: Indayara Moyano e Estela Homem (Infect)

por Ricardo Tibiu

publicada originalmente (em japonês) na Doll Magazine Nº257 em Dezembro de 2008
Em inglês e português no zine da Karasu Killer Records.

Infectando o mundo!
Algumas bandas mantêm-se em atividade por longos anos e, às vezes, mesmo assim são pouco lembradas. Mas o contrário também acontece, as meninas do Infect, banda oriunda de São Paulo, é um destes casos. Formada em 1998, depois de alguns lançamentos e apenas cinco anos na estrada, em 2003 elas decidiram colocar um ponto final na banda. Apesar disso, o número de admiradores dentro e fora do Brasil não parou de crescer e o recente lançamento do CD Discography (2008), pela 625, ajudou a banda a continuar a infectar o mundo. Conversamos com as fundadoras, a ex-vocalista Indayara Moyano e a ex-baterista Estela Homem, que nos contaram um pouco sobre a história da banda.

O que levou vocês a formarem o Infect e quais eram as principais influências?
Indayara:
Eu já era amiga da Estela, que na época tocava com o Dominatrix, ela passou um tempo na Inglaterra estudando e nos correspondíamos sempre, assim que ela voltou pensamos em montar uma banda, pela falta de bandas femininas na época e também para conseguir expressar nossos pensamentos. E assim a Tatiana, a Bianca e a Juliana também compartilhavam da mesma vontade e idéia. O legal do Infect é que cada uma tem uma influência. Eu posso dizer sobre as minhas, que sempre foram os punks: Olho Seco, Cólera, Lärm, Spitboy, Heresy, Vice Squad, Detestation, Bikini Kill, Ulster, Grinders, Mercenárias, entre outras.
Estela: Nós queríamos ter uma banda de hardcore rápido e gritado. Na época, as bandas de meninas eram todas “leves” – eu costumava chamá-las de “lalalás” – e as meninas simplesmente não tocavam outro tipo de som. Claro que tinha o lado político, a vontade de reclamar, mas a maneira que a gente soava importava muito também. Nossa influências eram: hardcore americano anos 80 (Circle Jerks, SSD, 7 Seconds, Minor Threat etc), bandas do hardcore europeu como Heresy, Lärm, Seein’ Red etc. Punk Rock genérico como Ramones e Clash e muitas outras coisas. Ouvíamos muitos sons variados, bandas antigas e novas. Sempre!

Antes do Infect vocês tocavam em outras bandas?
Indayara:
Eu era vocalista do Menstruação Anárquica quando tinha 15 anos, depois tive outra banda que se chamava Anti S com o pessoal do ABC, minha cidade.
Estela: Eu toquei no Dominatrix, no Butchers’ Orchestra e em outras que não tiveram tanta expressão como essas. A Indayara cantou no Menstruação Anárquica, a Tatiana tocava com o TPM, e depois do Infect teve um milhão de bandas, como: No Violence, I Shot Cyrus, As Mercedes etc. A Bianca e a Juliana nunca tinham tido bandas, mas ambas tocam até hoje.

Vocês costumavam usar o termo “pintocore” pra denominar o som de vocês. Qual seria a melhor definição para a música do Infect?
Indayara:
Essa história do pintocore era uma brincadeira com algumas bandas separatistas da época. O que rolava era espontâneo na minha opinião, vomitar aquilo que não nos agradava, mostrar através das músicas o que queríamos que mudasse.
Estela: Essa mesma! (risos). Como eu coloquei no nosso MySpace: “Angry (punk) Women on a Bad Day”.

O Infect dividiu o palco com várias bandas, além de splits, quais vocês poderiam destacar?
Indayara:
Eu gostei de tocar com o Riistetyt, Ratos de Porão, com o Ariel, do Restos de Nada, com o Cólera e o Discarga que amo até hoje. Foi uma época muito bacana.
Estela: Posso falar por mim, sabe? Eu gostei muito de ter tocado/conhecido o pessoal do What Happens Next?, Catharsis, MDC, Força Macabra e daqui, foi legal tocar com todo mundo. Agora, é claro que existe um “peso”, uma honra, um prazer de ter dividido o palco com os clássicos do punk rock brasileiro mais tradicional, se é que eu posso colocar dessa forma: Ratos de Porão, Cólera, Condutores de Cadáver, Restos de Nada, Invasores de Cérebros etc. Tocamos em diversos festivais punks que eram demais, eu adorava! E tocar com os amigos também era bom. Sempre gostei de fazer show com o Discarga.

Qual o balanço que vocês fazem destes cincos anos em atividade?
Indayara:
O punk é muito forte e sempre vai ser, o hardcore apesar de um pouco elitista também tem se mostrado diferente nos últimos tempos. Eu sou de uma época em que punk era diferente de hardcore para a maioria das pessoas do meio. Eu sempre acreditei que as coisas andam juntas. O punk é o pai do hardcore e, na minha cabeça, não existe separação. Fico feliz de ter feito parte da história.
Estela: Nossa! Foram anos excelentes! Viajamos, lançamos registros — entre EPs, CDs, 7″, 12″, fitas demo –, conhecemos muitas pessoas, tivemos a oportunidade de fazer coisas, de estar em lugares que talvez, sem a banda, nunca tivéssemos feito, visitado, conhecido.

Contem para os japoneses quais foram e são os projetos que vocês tiveram ou têm depois que o Infect acabou.
Indayara:
Eu cantei algumas músicas com o Merda, dei uns gritinhos com Os Pedrero, fiz participação no vinil do Mukeka di Rato com o Vivisick, mas não rolou, depois do Infect não tive coragem de encarar nenhum projeto. Passei a produzir shows e vídeos, sempre penso em voltar, quem sabe daqui alguns anos. Fiz uma participação como atriz/berros no Encarnação do Demônio, o novo filme do Zé do Caixão. O filme é uma mistura gore interessante. Assistam aí!
Estela: Eu estou sem banda, toco com os amigos só por diversão. A Tatiana teve as Mercedes e está sempre com um monte de bandas, nem sei. A Juliana teve/tem o War Inside e ainda tem bandas, mas não sei os nomes. A Bianca toca no Arma Laranja e ouvi dizer que pretende começar um projeto novo. A Indayara não está em banda, mas ela produz muitos shows.

As letras do Infect falavam sobre desigualdade social e continham críticas políticas, assim como ao machismo, à homofobia e até mesmo a algumas atitudes dentro do próprio hardcore. Vocês acham que elas continuam atuais?
Indayara:
Como falei antes, acho que mudou bastante, mas ainda temos algumas raízes preconceituosas dentro de qualquer cena. Acho que estes temas vão ser sempre atuais, as coisas não mudam completamente, o que acontece, na minha opinião, é que quando você joga uma idéia você faz com que as pessoas reflitam e com isso caminhem para uma mudança. Muita coisa ainda tem que mudar, eu acredito que estamos no caminho.
Estela: Acredito que sim. Uma ou outra talvez não faça mais tanto sentido pra nós, porque mudamos, estamos mais velhas e nossos conceitos mudam de acordo com as informações que recebemos. Acho que todo mundo tem um quebra-cabeça pra montar na vida e conforme os anos passam, vamos ganhando mais e mais pecinhas. Acho que existem letras que já não nos tocam tanto, mas com certeza fazem sentido para outra pessoa. Cada um tem um caminho pra trilhar e o que é bom pra você talvez não seja mais bom pra mim e vice-versa.

Apesar de o Brasil ter, proporcionalmente, poucas bandas femininas, algumas, como Mercenárias, Dominatrix, TPM, Infect e Bulimia, persistiram e conseguiram se destacar, conquistando um público fiel e deixando seus nomes na história do punk/underground brasileiro. Quais são as principais dificuldades de uma banda feminina num país machista como o Brasil?
Indayara:
Acho que é o machismo mesmo, os caras olham um bando de garotas querendo tocar e não conseguem dar destaque à verdadeira intenção. Já sofremos com alguns ataques até físicos (risos). A sorte é que a banda já estava preparada para esse tipo de situação e isso nunca abalou nossa intenção que era tocar e dizer “foda-se” mesmo para aquele bando de caras babacas que não entendiam nada sobre atitude punk e se bancavam hardcoreanos.
Estela: Todas que você possa imaginar! A falta de respeito e dúvida vem desde o vendedor na loja de instrumentos musicais até o cara do som do clube, que não te ouve e não faz o que você pede. Tivemos diversos momentos tensos na nossa existência. Já enfrentamos platéias hostis que se sentiam, de alguma forma, ofendidas pelo fato de sermos mulheres, mas claro que encontramos platéias maravilhosas em lugares inusitados também.

A 625 Thrash lançou recentemente um CD com a discografia de vocês, já deu tempo de rolar alguma resposta com relação a isso?
Indayara:
Tem rolado sim, muita gente comentando, inclusive no Japão a Revista Doll!
Estela: Sim! Sim! As pessoas nunca pararam de me escrever. Aliás, tem gente ao redor do mundo que pensa que a banda está na ativa ainda, mesmo eu tendo colocado na capa da discografia “Infect RIP 1998-2003”, as pessoas não se convencem! Desde antes do disco sair as pessoas comentam sobre ele. Teve gente que comprou pela Ebullition e me escreveu pra contar, mas na verdade eles acabaram me dando a notícia do lançamento do disco, porque conseguiram o disco antes de mim! (risos).

O Kenji, da Doll, me disse que no Japão há muita gente que ainda gosta do Infect. A quê, vocês acham, que se deve isso?
Estela:
Não tenho ideia! Não é só por lá. Tem muito americano que me escreve e isso é super pitoresco porque cantávamos em português e os americanos, costumava-se pensar, “só” gostam de bandas que cantam em inglês! Muita gente da Indonésia, da Malásia, da Ásia em geral, curte a banda. Isso é muito legal e muito inusitado também. Porque eles gostam… não sei!
Indayara: Também não sei, sei que quando o Vivisick veio até o Brasil fotografei a tour e fiquei feliz quando o Yuki me disse que conhecia o Infect, foi uma emoção! O Vivisick é uma banda muito foda, os caras são uns amores e adorei conhecê-los. Tenho uma admiração e respeito pela cultura japonesa que vem desde sempre. Não sei explicar, gosto muito da criatividade e do jeito extremo dos japoneses , tudo o que eles fazem é perfeito. Hardcore japonês então é inacreditável.

E o quê vocês conhecem lá do Japão?
Indayara:
Eu conheço os caras do Vivisick! Aproveito para deixar um abraço a estes queridos amigos. Curto também psycho japonês, tipo The Saddle Kick, Spiderz, Cracks, as famosas 5678´s, as histórias de samurais, as gueixas, o mundo maravilhoso e extremo da Yakuza. Bom, eu amo o colorido da comida, a perfeição dos detalhes, tudo é bem delicado e feliz. O Japão me parece um lugar familiar. Aaaaaaah, sem esquecer que o melhor filme gore que assisti, sem dúvida foi o Tetsuo: The Iron Man, obrigada Tsukamoto Shinya, você é hardcore! (risos).
Estela: Conheço mais sobre o Japão que sobre outros países asiáticos. Quando eu era pequena eu estudava numa “escola japonesa”, a maior parte das crianças era formada por filhos da imensa colônia japonesa de São Paulo. Eu acredito que eu tenha muito dos hábitos da colônia devido a isso. Fiquei nessa escola de um a seis anos de idade. Tenho muitos amigos descendentes. Frequento a Liberdade, um bairro tradicional da colônia japonesa em São Paulo. Como comida japonesa no mínimo uma vez por semana, mas não os peixes porque sou vegetariana há 13 anos. Gosto dos filmes, da cultura, enfim, acho que conheço um pouquinho.

Pra encerrar, agradeço a atenção e peço que deixem uma mensagem pros japoneses que ainda curtem vocês!
Indayara:
Arigato, taihem tanoshikatta dessu
Ga suki dessujapan
Issohoni eigani iki mashoo ka – Encarnação do Demônio!
Poxa, valeu por ouvirem o Infect, sou fã de toda a loucura extrema que rola por aí! Beijos!
Estela: Obrigada por gostarem da gente! Fico muito feliz em saber, me sinto honrada! Beijos à todos!

Contato:
www.myspace.com/infectspbrazil

Pink floyd (Ao vivo) – What do you want from me
Roger Waters (Ao Vivo) – Perfect Sense (parts I & II)
David Gilmour (Live in Gdansk) – Fat Old Sun

Mopho – quanto vale um pensamento seu
The Horrors – still life
Moby – Stella Maris

Macaco Bong – noise James (Ao vivo no Sala Especial Loaded)
+ entrevista
(Drop Loaded)

Mini Box Lunar – A Boca
Plástico Lunar – Você vê o sol se por

Infect – Pintocore
L7 – Wargasm

Broken Bells – Meyrin Fields
Battles – ice cream
PJ Harvey – The glorious land
Rome feat. Jack White – Two against one
Rome feat. Norah Jones – Black
(por Dillner “Banksy”)

Defalla – Ferida

Slayer:
# The Antichrist (Rehearsal in Tom Araya´s garage)
# Criminally Insane (remix)
# Piece by piece (outtake)
# Disorder (with Ice T.) (The Exploited medley)
# Memories of tomorrow (Suicidal Tendencies cover)
# Sick Boy (GBH cover)

papaparty

Não me mande flores, pare de bater no interfone/ Não preciso do seu amor/ Pare de me torturar, não ouse me ligar/ Não preciso do seu amor/ Eu não amo você/ Só amo você/ Eu não amo você/ Eu não amo”...

Não Me Mande Flores é até hoje uma das únicas canções de não-amor a tocar no rádio, e também um dos poucos sucessos dos gaúchos do DeFalla. Formada em 1985 por Edu Kc/ 16 anosno vocal e guitarra, Carlo Pianta no baixo e a pioneira Biba Meira na bateria, a melhor anti-banda do Brasil estreou em disco na coletânea Rock Grande do Sul. Em 87, sem Pianta, substituído por Flávio Santos, o Flu, e c/ Castor Daudt na guitarra solo, lançam o primeiro álbum pelo selo Plug, PAPAPARTY, produzido por Renato ‘Barriga’ Brito no estúdio da RCA em São Paulo.

“Era o estúdio onde os Mutantes também tinham gravado”, lembra Edu. “O Barriga vinha dos anos 70, era um doidão que encontrou quatro doidões como ele dispostos a experimentar. Ficamos um mês lá criando, viajando, colocando microfone no banheiro, fazendo samplers, colagens... Melô do Rust James foi composta no estúdio.” As 15 faixas do LP misturavam pós-punk, rap e funk em sons como Alguma Coisa, Idéias Primais e Sodomia – algo que só se veria nos anos 90 por aqui. A intro de Candy, do disco Brick by Brick de Iggy Pop, lançado 3 anos depois, é bem parecida c/ a de Sobre Amanhã.

“Pra nós era natural”, diz. “Não pensávamos estar fazendo algo que ninguém fazia.” Em 88, c/ a mesma formação e pelo mesmo selo, lançam o 2º trabalho, DEFALLA, c/ clássicos como Chinatown e Repelente. É o último disco de estúdio de Biba. C/ a saída dela, Castor assume as baquetas e Marcelo Truda o substitui na guitarra em SCREW YOU, de 89, lançado pela Devil Discos no período em que passaram da psicodelia p/ o hard glam de terceiro mundo. Em 90 sai WE GIVE A SHIT pela Cogumelo Records, a mesma que revelou Sepultura. Fase mais pesada, c/ direito a tattoos, cabelos grandes e cicatrizes.

KINGZOBULLSHIT BACKINFULLEFFECT92 é o auge da experimentação, misturando rock, samba e samplers em sons como Caminha (que Aqui É de Osasco), que vai do hip-hop ao thrash metal, e reinventando sucessos como Sossego de Tim Maia e Satisfaction dos Rolling Stones. A ordem das faixas era diferente do vinil p/ o CD, assim como a mixagem de muitas delas, além de bônus como a eletrônica Freeze... Now Move. Mais um pela Cogumelo, esse disco levou-os a abrir p/ Alice in Chains e Red Hot Chili Peppers no Hollywood Rock 93, já c/ o guitarrista Marcelo Fornazzier.

Na virada do século estouram nas paradas c/ o hit Popozuda Rock’n’Roll do álbum MIAMI ROCK 2000, surfando a onda do funk carioca graças ao refrão-chiclete: “Vai popozuda/ Requebra legal/ Vai popozuda/ Libera geral”... Sem Flu nem Castor, Edu adota o visual turista no Havaí, apresentando-se em diversos programas de TV apenas de chinelo, bermuda e camisa florida. “Popozuda é completamente AC/DC, se você tirar a batida. Talvez um dia as pessoas entendam que o Miami era um disco de rock.”

Em 2002 nova guinada, c/ roupas de couro estilo sadomasô, sintetizadores flertando c/ big beat e gatas na formação – a batera Paula Nozzari e a guitarrista Syang, ex-P.U.S. – no disco SUPERSTAR. Edu K aposta forte no pastiche. A partir de SODA POP, de 2003, adota o visual proto-emo das bandas de hardcore melódico da Califórnia. Quase emplaca mais um hit, Amanda, piada c/ as músicas de roquinho romântico que vieram depois de Anna Júlia do Los Hermanos.

Influência p/ artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Pato Fu e Pavilhão 9, o DeFalla passou por altos e baixos, mais baixos do que altos, mas nunca acabou. Depois de incontáveis integrantes – tipo Peu, ex-guitarrista de Pitty, e Rafael Crespo, ex-Planet – o grupo se reuniu ontem no clube Beco 203, em Porto Alegre, em sua formação mais clássica: Edu, Castor, Flu e Biba Meira. Em duas apresentações especialíssimas [às 23h e à 1h30], tocaram exclusivamente as 15 músicas do disco de estréia, que completa 25 anos em 2012.

O set list foi: Ferida - O que É Isso - Sodomia - Papaparty - Grampo - Não Me Mande Flores - Idéias Primais - Sobre Amanhã - Alguma Coisa - Melô do Rust James - Jo Jo - I’m an Universe - Tinha um Guarda na Porta - Trash Man - Gandaia. Edu K comemora. “Tem rolado algo soul-funk pesadão, tipo Sly & The Family Stone”. E aí, vai rolar uma tour? “Não sei se seria por aí, mas tocar essas canções outra vez com eles está sendo demais, mágico, exatamente como era antes. A diferença é que não tenho mais 17 anos.”

por Adolfo Sá
vlb