sexta-feira, 27 de maio de 2011

papaparty

Não me mande flores, pare de bater no interfone/ Não preciso do seu amor/ Pare de me torturar, não ouse me ligar/ Não preciso do seu amor/ Eu não amo você/ Só amo você/ Eu não amo você/ Eu não amo”...

Não Me Mande Flores é até hoje uma das únicas canções de não-amor a tocar no rádio, e também um dos poucos sucessos dos gaúchos do DeFalla. Formada em 1985 por Edu Kc/ 16 anosno vocal e guitarra, Carlo Pianta no baixo e a pioneira Biba Meira na bateria, a melhor anti-banda do Brasil estreou em disco na coletânea Rock Grande do Sul. Em 87, sem Pianta, substituído por Flávio Santos, o Flu, e c/ Castor Daudt na guitarra solo, lançam o primeiro álbum pelo selo Plug, PAPAPARTY, produzido por Renato ‘Barriga’ Brito no estúdio da RCA em São Paulo.

“Era o estúdio onde os Mutantes também tinham gravado”, lembra Edu. “O Barriga vinha dos anos 70, era um doidão que encontrou quatro doidões como ele dispostos a experimentar. Ficamos um mês lá criando, viajando, colocando microfone no banheiro, fazendo samplers, colagens... Melô do Rust James foi composta no estúdio.” As 15 faixas do LP misturavam pós-punk, rap e funk em sons como Alguma Coisa, Idéias Primais e Sodomia – algo que só se veria nos anos 90 por aqui. A intro de Candy, do disco Brick by Brick de Iggy Pop, lançado 3 anos depois, é bem parecida c/ a de Sobre Amanhã.

“Pra nós era natural”, diz. “Não pensávamos estar fazendo algo que ninguém fazia.” Em 88, c/ a mesma formação e pelo mesmo selo, lançam o 2º trabalho, DEFALLA, c/ clássicos como Chinatown e Repelente. É o último disco de estúdio de Biba. C/ a saída dela, Castor assume as baquetas e Marcelo Truda o substitui na guitarra em SCREW YOU, de 89, lançado pela Devil Discos no período em que passaram da psicodelia p/ o hard glam de terceiro mundo. Em 90 sai WE GIVE A SHIT pela Cogumelo Records, a mesma que revelou Sepultura. Fase mais pesada, c/ direito a tattoos, cabelos grandes e cicatrizes.

KINGZOBULLSHIT BACKINFULLEFFECT92 é o auge da experimentação, misturando rock, samba e samplers em sons como Caminha (que Aqui É de Osasco), que vai do hip-hop ao thrash metal, e reinventando sucessos como Sossego de Tim Maia e Satisfaction dos Rolling Stones. A ordem das faixas era diferente do vinil p/ o CD, assim como a mixagem de muitas delas, além de bônus como a eletrônica Freeze... Now Move. Mais um pela Cogumelo, esse disco levou-os a abrir p/ Alice in Chains e Red Hot Chili Peppers no Hollywood Rock 93, já c/ o guitarrista Marcelo Fornazzier.

Na virada do século estouram nas paradas c/ o hit Popozuda Rock’n’Roll do álbum MIAMI ROCK 2000, surfando a onda do funk carioca graças ao refrão-chiclete: “Vai popozuda/ Requebra legal/ Vai popozuda/ Libera geral”... Sem Flu nem Castor, Edu adota o visual turista no Havaí, apresentando-se em diversos programas de TV apenas de chinelo, bermuda e camisa florida. “Popozuda é completamente AC/DC, se você tirar a batida. Talvez um dia as pessoas entendam que o Miami era um disco de rock.”

Em 2002 nova guinada, c/ roupas de couro estilo sadomasô, sintetizadores flertando c/ big beat e gatas na formação – a batera Paula Nozzari e a guitarrista Syang, ex-P.U.S. – no disco SUPERSTAR. Edu K aposta forte no pastiche. A partir de SODA POP, de 2003, adota o visual proto-emo das bandas de hardcore melódico da Califórnia. Quase emplaca mais um hit, Amanda, piada c/ as músicas de roquinho romântico que vieram depois de Anna Júlia do Los Hermanos.

Influência p/ artistas como Chico Science & Nação Zumbi, Planet Hemp, Pato Fu e Pavilhão 9, o DeFalla passou por altos e baixos, mais baixos do que altos, mas nunca acabou. Depois de incontáveis integrantes – tipo Peu, ex-guitarrista de Pitty, e Rafael Crespo, ex-Planet – o grupo se reuniu ontem no clube Beco 203, em Porto Alegre, em sua formação mais clássica: Edu, Castor, Flu e Biba Meira. Em duas apresentações especialíssimas [às 23h e à 1h30], tocaram exclusivamente as 15 músicas do disco de estréia, que completa 25 anos em 2012.

O set list foi: Ferida - O que É Isso - Sodomia - Papaparty - Grampo - Não Me Mande Flores - Idéias Primais - Sobre Amanhã - Alguma Coisa - Melô do Rust James - Jo Jo - I’m an Universe - Tinha um Guarda na Porta - Trash Man - Gandaia. Edu K comemora. “Tem rolado algo soul-funk pesadão, tipo Sly & The Family Stone”. E aí, vai rolar uma tour? “Não sei se seria por aí, mas tocar essas canções outra vez com eles está sendo demais, mágico, exatamente como era antes. A diferença é que não tenho mais 17 anos.”

por Adolfo Sá
vlb

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Paul McCartney no Rio de Janeiro

Paul McCartney – 23 de Maio de 2011 - Estádio do Engenhão – Rio de Janeiro/RJ

Existem perguntas que sempre nos fazemos, do tipo: Quando vou ganhar na megasena? Quando vou parar de fumar? Quando vamos nos casar? Quando veremos um Beatle? Paul McCartney respondeu esta última para muitos dos seus fãs com menos 21 anos do Rio de Janeiro e que ainda não tinham visto um Beatle ao vivo.

Texto e fotos (exceto a primeira) por Michael Meneses – paraybarecords@hotmail.com

Paul McCartney não fazia apresentações no Rio deste os históricos shows no Maracanã em 1990 que o colocaram no Guinness Book pelas 184 mil pessoas. Tal recorde hoje é impossível de ser batido já que a capacidade do Maracanã diminuiu com o passar dos anos, assim como uma série de mudanças em termos de segurança e conforto em eventos foram criadas no Brasil. Uma delas foram as Áreas Vip ou Pista Premium, uma forma de cobrar mais caro por um ingresso de pista. Um ultraje das pistas vip’s é que ela reduz parte da pista tradicional, com isso menos pessoas podem ir ao show. Prejuízo para a organização? Não, os ingressos vão ter o mesmo valor, tenha ou não mais pagantes.

O evento teve abertura do DJ holandês Afrojack que discotecou versões dos Beatles em variados ritmos, abrindo o set com uma versão da Rita Lee, inclusive. Depois disso teve versões dos Beatles de tudo quanto é estilo, mas faltou rolar um Beatallica. Às 21hs os telões começam a exibir fotos, vídeos, ingressos, cartazes, capas de discos, publicações, cartões postais... Tudo embalado por sons dos Beatles. Foram exatos 30 minutos de pura história do rock e da cultura pop em imagens que mostravam todas as fases do Paul e ainda outros ícones como Rolling Stones, Jim Morrison, Simon & Garfunkel, entre outros. Se apenas esse vídeo saísse em DVD, mesmo sem o show, valeria a compra na versão luxo dessa viagem histórica-psicodélica-cultural-rock-and-roll!

Dessa vez o show não teve seus 13 minutos de atraso, como na performance de domingo. Tudo começou na hora exata e com isso às 21:30 surgia no palco Paul McCartney e banda, e com eles a primeira supressa da noite com a mudança do set list. Todos acreditavam que o set seria o mesmo da noite anterior, a exemplo do que vinha acontecendo recentemente. O fato é que se a primeira apresentação já havia sido mágica, a noite já começava com diferencial ao incluir “Magical Mystery Tour” no lugar de “Hello, Goodbye” que foi a abertura do domingo. “Jet” é a segunda do set e em seguida, antes de All My Loving, Paul conversa com a plateia e avisa, “Esta noite falarei um pouco em português” e na medida do possível Paul foi papeando, brincando e distribuindo simpatia, bom humor e diversão aos 45 mil agraciados de mais uma noite de ingressos esgotados.

O show não pode parar e mais uma mudança no set: sai, “Letting Go” e entra “Coming Up”, que dá uma boa animada no publico. Particularmente não tenho como comparar qual o melhor show entre o de domingo e o de segunda, já que não fui ao show de domingo. Só assisti pela internet e a transmissão no meu PC era tão tosca que tinha horas que parecia um arquivo de Power Point com música. Porém, quem teve o privilegio de ver os dois escolheu a segunda apresentação, talvez pelo fato do Paul McCartney parecer mais a vontade no palco. Ele repetia toda hora: “Tudo bem, Todo Ótimo, tudo Demais. Valeu, Galera...” tudo com sotaque e até bateu no peito pra se assumir carioca.

Os músicos que acompanham Paul McCartney na “Up and Coming Tour” agradaram a todos. A banda é muito mais que meros acompanhantes de palco, cada um tem a sua importancia como mutli-instrumentistas e mandava ver. O batera Abe Laboriel, em especial, não deixou duvidas de que é um desses bons músicos que parece estar sempre tocando por prazer e nunca pela profissão apenas.

Macca anuncia “Here Today”, canção de sua autoria em homenagem ao amigo John Lennon. A música fez com que o estádio ouvisse mais que cantasse, talvez em respeito ao Lennon, fazendo deste o momento o mais silencioso por parte da plateia. Não que o estádio tenha se transformado em um velório, mas foi o momento mas reflexivo da noite. Porem...

Eu participava daquela “oração” pelo Lennon sentado, assim como várias outras pessoas a minha volta, quando de repente surge não se sabe de onde a voz de um vendedor: “Olha a cerveja gelada...” Com todo respeito, sei que o cara estava na batalha, mas anunciar cerveja em uma música em homenagem ao Lennon em meu ponto de vista é uma ABERRAÇÃO! Ao perder a atenção do show com a voz do vendedor, gritei: “PORRA DE CERVEJA!” Meu tom de desabafo, somado ao meu sotaque sergipano que voltou mais forte após a última passagem pelas terras de Sergipe Del Rey, fizeram salvar a música para os que estavam naquele pedaço de arquibancada do Setor Inferior Oeste. Todos riram alto e o clima foi recuperado!

No decorrer do espetáculo já tinha percebido que em alguns momentos um fato histórico na beatlemania, e apresentado como motivo pelo qual os Beatles pararam com os shows. Aos que não sabem os Beatles pararam com os shows, pois o público fazia tanto barulho que a banda não se ouvia. Cheguei a ter essa sensação em: “I´M Looking Through You”, “Black Bird”, e ”Eleanor Rigby”, mas foi em “Something”, que o Paul anunciou como um tributo ao George Harrison, que vivenciei melhor essa sensação de ouvir todo o estádio cantando mais alto que o Paul e banda. Isso foi fascinante, para mim o melhor momento da noite e posso dizer que essa sensação não se tem sempre!

Como “Something”, foi algo de outro mundo, coube a “Band On The Run” nós colocar de volta ao Engenhão Em seguida outra sequencia de Beatles com a animada, “Obla Di Obla Da”. Outros momentos mágicos foram “Paperback Writer” e “A Day In The Life” em seguida Paul volta ao piano para “Let It Be”.

Assistindo a transmissão do show de domingo brinquei no Twitter e Facebook que na hora de Live And Let Die muitos fãs do Guns ‘n’ Roses estavam descobrindo que aquela música não era do Guns! (@paraybarecords : São 23:38 e muitos fãs do #Guns and Roses tomaram conhecimento que Live and Let Die não é 1 música deles e sim do #Paul McCartney #PaulinRio). Mas depois de ter visto o Axl e CIA tocarem aquela música em três shows eu também descobri que aquela música não era do Guns, pois sob a batuta do seu criador Live And Let Die tem muito mais energia, peso e pirotecnia do que a versão do Guns, que também é legal, mas sem a mesma magia, então se “Something”, foi Alguma Coisa do outro mundo, “Live And Let Die” foi o momento mais energético.

“Hey Jude” fecha o set, e como na noite anterior centenas de fãs na pista vip exibiram cartazes escrito "Na Na Na Na's", atitude que emocionou o próprio Paul McCartney, que escreveu uma nota e distribuída à impressa:

“Estar no Rio foi fantástico desde o minuto em que aterrissamos. A multidão diante do hotel esta ensandecida! Eles estavam muito ansiosos e o clima foi crescendo até a hora do os shows. Eu amo o Brasil. Eu amo o fato deles amarem música, é uma nação muito musical. E se eu amo música e eles amam música, então é uma conexão natural. Fãs de todas as idades estavam nos shows. Tinha um enorme grupo de fãs jovens, o que eu adoro, e também seus pais e até avós. O entusiasmo pela minha música foi algo sensacional. Todos nós da banda curtimos esse momento maravilhoso e nós agradecemos aos fãs por tornarem tudo tão empolgante.

Quando tocamos "Hey Jude" e pedi a plateia para cantar "na na na na's", de repente todos mostraram cartazes. Foi muito emocionante porque os fãs tiveram todo este trabalho. Eles poderiam ter apenas vindo ao show e assistido, mas eles se falaram antes para criar este momento tão especial. Ele se conectaram uns com os outros, depois conectaram-se conosco e com a equipe inteira. Todos se sentiram unidos. Foi muito incrível e emocionante ver que as pessoas se importam tanto.”

Depois de uma rápida pausa, “Day Tripper” da início ao primeiro bis, e seguido por “Lady Madonna”. Antes de dar continuidade com “I Saw Her Standing There”, porém, quatro fãs subiram ao palco e receberam autógrafos e abraços do Paul McCartney.

O segundo bis abriu com Paul tocando “Yesterday”, e fechou com chave de ouro com o Heavy-Metal-beatle “Helter Skelter”, e por fim “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e “The End”. Em seguida uma chuva de papéis verde e amarelo picados foi jogada no povo e a brisa local se encarregou de levar esses papeis para fora do estádio (catei uns pra mim na porta do Engenhão ao lado da estatua do Garrincha).

Já com a banda nos camarins, Macca ainda andava pelo palco se despedindo de uma plateia extasiada. Mas pior do que o “tudo o que é bom dura pouco”, e o “tudo o que é ótimo dura menos ainda”: os 30 minutos do vídeo inicial somados as 2h35 minutos de shows “acabaram”. Acabaram “entre aspas”, pois duvido que os momentos vividos no Engenhão nos dias 22 e 23 de Maio de 2011 não ficaram perpetuados na memoria das 90 mil pessoas que estiveram naqueles shows, a exemplo daqueles que estiveram no Maracanã em 1990 ou em algum momento da Beatlemania, afinal essas ocasiões rendem histórias para a vida toda!

Michael Meneses: É a soma de um pai paraibano de João Pessoa com uma mãe sergipana de Itabaiana. Ele é o cara do Selo Parayba Records! Torcedor do Campo Grande A.C no RJ, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. É fotografo e jornalista, tem fotos e textos publicados em varias revistas, sites e jornais, além de ter um orgulho da PORRA em colaborar sempre que pode com o PROGRAMA DE ROCK da Rádio Aperipê FM!

SET LIST PAUL MCCARTNEY - Rio de Janeiro - 23 de maio 2011
Magical Mystery Tour
Jet
All My Loving
Coming Up
Got To Get You Into My Life
Sing The Changes
Let Me Roll It/Foxy Lady
Long And Winding Road
1985
Let Em In
I´M Looking Through You
And I Love Her
Black Bird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Band On The Run
Obla Di Obla Da
Back In The Ussr
I Gotta Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life
Let It Be
Live And Let Die
Hey Jude

Primeiro Bis:
Day Tripper
Lady Madonna
I Saw Her Standing There:

Segundo Bis:
Yesterday
Helter Skelter
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band/The End

SET LIST PAUL MCCARTNEY - Rio de Janeiro 22 de maio 2011

Hello, Goodbye
Jet
All My Loving
Letting Go
Drive My Car
Sing the Changes
Let Me Roll It/Foxy Lady
The Long and Winding Road
1985
Let ‘Em In
I’ve Just Seen a Face
And I Love Her
Blackbird
Here Today
Dance Tonight
Mrs Vandebilt
Eleanor Rigby
Something
Band on the Run
Ob-La-Di, Ob-La-Da
Back in the U.S.S.R.
I’ve Got a Feeling
Paperback Writer
A Day In The Life/Give Peace A Chance
Let It Be
Live and Let Die
Hey Jude

Primeiro Bis:
Day Tripper
Lady Madonna
Get Back

Segundo Bis:
Yesterday
Helter Skelter
Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band/The End




segunda-feira, 23 de maio de 2011

Estamos todos bem

A banda alagoana que despejou altas doses de psicodelia na música brasileira volta à cena em sua formação (quase) original.

| ELEXSANDRA MORONE - Editora de Cultura da Gazeta de Alagoas

Fonte: Gazeta de Alagoas

Havia um componente de drama, e a atmosfera era de conflito permanente. No palco, o Mopho liberava altas doses de música orgânica em ebulição contínua, uma combinação fatal para ouvidos aguçados e de certa inclinação hippie. Revestida do mais fino verniz pop, nas mãos daquele combo de guitarra, baixo, bateria e teclado a canção ganhava cor e volume, além de um fiel séquito de fãs. Com clássicos como Não Mande Flores e A Geladeira, a banda que surgiu como ‘a novidade psicodélica’ da virada do século teve tudo para dar seus giros pelo mundo, mas viu a década passar na paralela enquanto o pau quebrava nas internas.

Bombástico nas apresentações ao vivo, o grupo cuja formação original trazia o baterista Hélio Pisca, o tecladista Leonardo Luiz, o guitarrista João Paulo e o baixista Júnior Bocão tinha problemas, e a tensão desse relacionamento permeava os shows de um modo bastante particular. Mesmo após a saída de Leonardo – primeiro substituído por Marcelo Mascaro, depois por Daniel Meira, ambos nas cordas –, as arestas não pareciam ter sido aparadas. Nesse compasso o Mopho atravessaria os três anos seguintes ao lançamento de seu disco de estreia, preso à rota de colisão que culminaria na saída de Bocão e Pisca, em fins de 2003.

Eu prefiro as curvas...

Não é difícil encontrar artistas que, diante de um conflito pessoal, passam a trabalhar mais com o fígado do que com a razão. Compositores, escritores, artistas plásticos, poetas e dramaturgos, entre tantos outros, experimentam (com mais frequência do que se imagina) sentimentos pouco nobres como raiva, ressentimento e rancor em seu ofício. O filósofo romeno Cioran (1911-1995), por exemplo, afirmava só ter vontade de escrever se tomado pela mais pungente dor. Para ele, tratava-se de uma espécie de acerto de contas consigo mesmo, com os outros e com o seu tempo.
E se por um lado essa ‘opção’ é tida por simplista, por outro nos faz travar um contato necessário com regiões pouco iluminadas da alma humana. Há quem aprecie o trajeto mais acidentado. No mundo da música, então, são inúmeras as formações que vivem às turras. O grande desafio, ao que parece, é estabelecer um equilíbrio possível nas relações. Oxigenado e com um tecladista afinado com sua proposta musical, o Mopho recomeça agora seu caminhar. Caçula do grupo, Dinho Zampier, 30, fala com tranquilidade sobre o momento. “Convivo musicalmente com o João Paulo há uns sete anos. Sempre tocamos juntos, tanto com o Mopho quanto com outros projetos. Com o Pisca e o Bocão é maravilhoso também”, observa.

BATE-PRONTO

Perguntamos a Hélio Pisca e a Júnior Bocão quais seriam os três momentos mais marcantes da história da banda. Confira!
PISCA
“O lançamento do primeiro disco, a separação da banda (não lembro se em 2002 ou 2003) e o nosso reencontro (como Mopho) em 2008”.
BOCÃO
“Sem dúvida que participar de grandes eventos é muito marcante, Porão do Rock e Festival de Inverno de Garanhuns foram dois shows inesquecíveis. Mas os momentos mais marcantes na minha opinião foram os vividos no sítio do produtor Luiz Calanca, situado em São Roque, interior de São Paulo. Lá experimentamos um internato criativo muito interessante, ficamos quase um mês entre shows, entrevistas e muita criação. Por lá compus quase todas as canções do CD A Terra é Nossa Casa Flutuante, que lancei em 2004”.

Com belas canções, banda faz seu ‘grande retorno’ - Opinião

É melhor ser alegre que ser triste, escreveu o poeta Vinicius de Moraes, sem esquecer de avisar que “pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza”. No terceiro disco da carreira, o Mopho equilibra momentos de alegria com aquela melancolia necessária de cada dia, e o faz com verdade e competência. De volta à vibe do início, o trio (João Paulo, Hélio Pisca e Júnior Bocão) parece ter encontrado na figura de Dinho Zampier o ‘elo perdido’ na busca pelo entrosamento de outrora. E as participações especiais apenas deixam a bolachinha ainda mais azeitada.
Vol. 3 abre com Dani Rabiscou (Bocão), uma canção de violões pronunciados e alta vocação radiofônica. Diferente de tudo o que o Mopho da primeira formação fizera no disco de estreia, em 2000, a canção curiosamente remete à atmosfera musical de então, em boa medida devido ao arranjo de guitarra, preciso e cheio de vigor. Arejada, oxigena os caminhos para o tour de force sentimental que vem a seguir, Quanto Vale um Pensamento Seu, de João Paulo, Melina Pedrosa e Wado – que gravou vocais na faixa. “Estou ficando farto do amor/ Tudo acaba em lágrimas de sangue”, canta João Paulo ao dissecar dores de amores em meio ao diálogo viajandão encampado por baixo, bateria e teclados.
Singela, em As Marias (Bocão) há uma certa ingenuidade a indicar os caminhos, e todos os instrumentos trabalham de modo a acentuar esse ‘sentido’ – bem resolvida, a canção é perfeita para ouvir numa ensolarada manhã de sábado. De Hélio Pisca, Pessoas São de Vidro reflete os questionamentos filosófico-musicais do baterista. Impregnada de psicodelia, além de seu andamento peculiar, expande o traçado do som ao se desdobrar numa espécie de prólogo.
Imersa num clima de ‘saloon’, Prelúdio (Pisca/Bocão) tem nos arranjos de piano e clarinete (a cargo de Billy Magno) sua força-motriz; graciosa, fornece o ânimo necessário à entrada na segunda metade do álbum. Na sequência, o lamento de Você Sabe Muito Bem (João Paulo) invade os ouvidos com guitarrinhas cintilantes e arranjos vocais primorosos, qualidade que também pode ser destacada em Caleidoscópio, de Bocão. Com participação de Marco Túlio Souza no violão 12 cordas, a faixa evidencia o casamento perfeito entre os vocais de João Paulo e Bocão.
Parceria bem-humorada de Bocão e Paulinho Pessoa (ex-Xique Baratinho), A Malvada se beneficia igualmente dessa ‘união vocal’, destacando-se ainda mais com a contribuição de Dinho Zampier. Penúltima faixa do registro, Produto Ordinário Popular (Bocão) ironiza os tempos de ‘mais do mesmo’ e oferece os últimos momentos de maestria pop antes do mergulho progressivo que é O Infinito, assinada pelo trio Pisca, Bocão e João Paulo. Um grand finale, além de um grande retorno. Definitivamente, a química ainda funciona. |EM

SERVIÇO
O quê: show de lançamento de Vol. 3, terceiro disco do Mopho
Onde e quando: no Teatro Deodoro (pç. Deodoro, s/n, Centro), no dia 24 de maio, às 20h30
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia) – plateia, frisas e camarotes; R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) – mezanino
Pontos de venda: Freaks (Maceió Shopping) e Cuscuzeria Café (Ponta Verde)
Informações: 9106-2665

SERVIÇO
Disco: Vol. 3
Banda: Mopho
Distribuição: Pisces Records
Preço: R$ 20, em média
Onde comprar: www.piscesrecords.com.br


# 188 - 20/05/2011

Semana passada fez um ano da morte de Ronnie James Dio, então nada mais justo que começar o programa de rock com uma das maiores (senão a maior) vozes do Heavy Metal de todos os tempos - mas sem cantar Heavy Metal. Fugindo do óbvio, como sempre, o pdrock trouxe Dio em um de seus primeiros projetos musicais, Ronnie Dio and the prophets, e com o Elf, a banda que projetou sua carreira, já que foi graças ao seu trabalho nela que ele foi convidado a integrar o Rainbow por Richie Blackmore.

No bloco de novidades, musica inedita e exclusiva do Trimorfia, promissora banda nova daqui mesmo, de Aracaju, e mais novas do Morbid Angel, do Sepultura, do Arctic Monkeys e do The Gathering. Thee Oh Sees foi uma dica de Maicon Stooge* editor do blog "Canço! I Hate rock and roll". Já o plastique noir, aqui com a segunda faixa de seu novo disco, é uma das favoritas da casa, ever. Depois de um bloquinho tocando coisas recentes "pero no mucho"(de 2008/2009) de três ícones do "guitar sound" (eu ouço os discos, e toco, não apenas baixo, ouço uma vez e esqueço), dois Blocos de ouvintes: o primeiro recheado de barulho e energia Hard Core produzido por Silvio Campos, da Karne Krua ( e da Maquina Blues, Logorreia, Words Guerrilla, Casca Grossa, Sublevação ...). O segundo foi feito por minha amiga Catarina Cristo**, pernambucana radicada em Sergipe que se inspirou no livro que está lendo, a auto-biografia de Patti Smith.

É isso. Até próxima sexta, na frequencia 104,9 FM, às 20:00, em Aracaju.

A.

* * *

* “Block Of Ice”, a música, está no disco "The Master's Bedroom Is Worth Spending a Night In" de 2008, do Thee Oh Sees. Neste mesmo ano eles lançaram "Thee Hounds of Foggy Notion", album gravado ao vivo praticamente nas ruas de San Fancisco e em lugares variados, todo documentando em um DVD que mesclou bem imagens belíssimas e musicas bem mais melodiosas do que de costume. Um Thee Oh Sees bem mais intimista, trabalhando cuidadosas melodias em uma sonoridade mais suave - isso foi possível - e fazendo uso de alguns instrumentos inusitados e muitos efeitos de sonoridade quase fantasmagórica, além do sempre companheiro REVERB. Tem inclusive uma versão mais Light de Block Of Ice que foi gravada ao por do sol em uma praia de Frisco, aqui vai o link do vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=VVL3mEwBhBI

por Maicon “stooge”

** Fiz uma listinha de cinco músicas inspirada no livro "Só Garotos", a autobiografia de Patti Smith sobre o relacionamento dela com Robert Mappletorphe, seu namorado nos primeiros anos de Nova York antes dela virar poeta e gravar disco e antes dele virar fotógrafo.

No livro ela mostra que não tinha pretensão de fazer musica mas estava sempre rodeada de músicos, era apaixonada por música e o rock acabou sendo o melhor "veículo" para sua poesia. Ela conta como era fã de Bob Dylan e como foi o dia em que ele foi a um recital dela. Como ficou abalada com a morte de Brian Jones. Como a energia de Jim Morrisson afetava e influenciava todo mundo naquela época. Como a Factory de Andy Wahrol, de onde o Velvet Undergound saiu, era o centro do mundo de Nova York naqueles anos. Isso tudo mais as duras experiências de Patti Smith e a sina de artista dela resultaram em Horses, o disco que é apontado como uma das sementes do punk.

Catarina Cristo

# # #

Ronnie Dio & The Prophets – Love pains
Elf – Hoochie Coochie lady

Trimorfia – Running in circles
Morbid Angel – Existo Vulgoré
Sepultura – Kairos
Arctic Monkeys – She´s thunderstorms
The Gathering – Heroes for ghosts

Violins:
# Forasteiros
# Nossos embrulhos
(Drop Loaded)

Thee Oh! Sees – Block of ice
plastique noir – fugitive dawn

Albert Hammond jr. – Bargain of a century
Dinosaur jr. – pieces
Sonic Youth – poison Arrow

Letal Charge – Evidências sinistras da extinção da raça humana
Warcry – When comes the end
Ulcerrhoea – concrete world
Downset – Agains the spirits
Groinchurn – generic
(por Silvio Campos)

Patti Smith – Gloria
The Rolling Stones – Under my thumb
Bob Dylan – Tombstone blues
The Doors – LA Woman
The Velvet Undergound – Sweet jane
(por Catarina Cristo)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Entrevista com plastique noir

Faz tempo que não leio mais revistas de Heavy Metal (já fui assinante da Rock Brigade, nos anos oitenta), mas sempre folheio nas bancas. Numa destas "passadas de olho", certa feita, vi que a Roadie Crew estava lançando uma coletânea virtual dedicada ao gótico/dark brasileiro. Legal, nem sabia que existia uma cena gótica no Brasil para além do “gothic metal”, geralmente chato e repetitivo. Baixei o disco e uma banda, em especial, me chamou a atenção: plastique noir, de Fortaleza, Ceará. Em termos estritamente estilísticos não traziam nada de novo – era um som derivativo que emulava tudo o que de melhor foi feito na área nos anos de 1980, especialmente - mas se destacavam pela competência na composição e na execução da música presente na compilação, “Those Who walk by the night”. Fui atrás de mais material da banda e confirmei minha primeira impressão: havia realmente algo de especial ali. Tornei-me fã ao ponto de viajar para vê-los, em Recife, no Abril pro rock, e em Salvador. São também muito bons Ao Vivo, tanto que estão conseguindo furar o bloqueio que os deixava naturalmente confinados ao gueto e tocando em vários festivais alternativos Brasil afora, alguns bastante conceituados, como o próprio Abril pro rock.

O plastique noir acaba de lançar seu segundo disco, “Affects”*, o que me fez pensar que era o momento oportuno para uma entrevista com os caras. O resultado, respondido por Airton S., o vocalista, você confere logo abaixo ...

* “Affects”, o novo disco do plastique noir, é mais homogêneo e mais bem gravado que o anterior, “Dead pop”, de 2008. O baixo “cavucadão” de Daniel e as linhas de guitarra cortantes (com um pouco de peso e distorção em alguns momentos) de Marcio Mazela, somados às programações precisas e o vocal soturno de Airton S., passeiam por composições bem acabadas feitas por encomenda para animar “festas estranhas com gente esquisita”. Os teclados, gravados por convidados, também se destacam, criando belos climas em praticamente todas as faixas. Não há nenhum grande destaque: o disco começa muito bem, com a bela “Rose of Flesh And Blood”, e segue no mesmo nível até o fim, oscilando entre passagens abertamente sombrias, embora quase sempre dançantes, e o escracho de letras como a de “Mazela takes a walk”, que foca o comportamento excêntrico de seu já legendário guitarrista.

Grande lançamento! Corra atrás!

por Adelvan

* * *

Programa de Rock – De vez em quando vejo críticas ao trabalho do Plastique Noir chamando-o de “datado” num tom pejorativo, como se música tivesse prazo de validade ou tivesse que se guiar, necessariamente, pelas tendências da moda. Como a banda encara este tipo de questionamento? Há uma preocupação especial em se “atualizar” ou vocês simplesmente ligam o bom e velho botão “foda-se” e estão pouco se lixando se o tipo de som que fazem os empurrará, inevitavelmente, a um gueto?

Airton S – A questão é que o Plastique Noir nasceu como som de gueto e, até certo ponto, exatamente para ser som de gueto. A gente tem tentado se desvincular disso pra que a coisa não fique chata demais de ser feita, isso pra nós mesmos. Eu, Mäzela e Danyel escutamos som pra caralho, que vai desde Aldo Sena até black metal. No começo formamos a banda para que ela fosse estritamente gótica, mas hoje a gente percebe que esse coisa negra da música está presente em vários estilos e sempre foi nosso playground preferido. Dá pra encontrar referências interessantes no drama do tango, no samba escapista do Cartola, no piano de Beethoven e por aí vai. Se isso vai forçar uma identificação de nosso som com o público gótico, melhor! É uma massa numerosa, isso nos proporciona contatos e principalmente amigos. Quando a gente chega em São Paulo e Brasília, pra citar duas cidades em que tocamos com frequência, já saimos do avião direto para caírmos na palhaçada com os amigos! Vamos tomar umas, pôr o papo em dia, farrear e rir bastante. Mas claro que é sempre bom dar atenção ao universo fora do gótico também, se quisermos que nosso som tenha sempre uma sobrevida. O que era só diversão a princípio está chegando a um patamar de trabalho que gera uma responsabilidade de que nosso som se apresente da maneira mais profissional possível. E, para que ele se mantenha assim, é importante que busquemos diálogo com outras cenas, outros palcos, outras opiniões. Acho que se trata tudo de um grande esforço de equilíbrio.

Programa de Rock – Por falar em gueto, é possível escapar dele mesmo se mantendo fiel a uma proposta específica, sem se render a “misturebas” oportunistas? Vocês se sentem parte de um “gueto”? Em caso de resposta positiva, sentem-se bem, aconchegados, dentro dele?

Airton S – Acho que o Plastique Noir é também música de gueto, mas não só isso. Em cidades como Fortaleza e Recife, é comum de se ver uma parte do público de nosso show que não está vestida de preto. É minoria, mas rola. Não temos problema com a palavra “gótico”, que dá nome ao gueto de que estamos falando. E o que temos percebido, principalmente com o novo álbum, é que até mesmo os góticos tem encarado de coração aberto algumas licenças estilísticas a que nos permitimos nesse trabalho mais recente.

Programa de Rock – Existe uma cena dark/gótica estruturada e atuante atualmente no Brasil? Se existe, qual o seu real tamanho, onde ela é mais forte, e como ela dialoga, se é que dialoga, com o cenário independente em geral?

Airton S – Existe e está em fase de maturação, talvez mais perto de um profissionalismo que nunca houve antes. Algumas cidades e regiões tem cenas mais fortes e profissionais, como é o caso de Salvador, Brasília e principalmente São Paulo, que tem uma agenda semanal repleta de eventos simultâneos. Semestralmente rola lá o Projeto Ferro Velho, que traz sempre um grande nome mundial do estilo com a abertura obrigatória de uma banda nacional, o que favorece um intercâmbio inestimável em termos promocionais e de troca de know-how entre países. Existe até mesmo um festival nacional, o Woodgothic, que já conta com três edições e é organizado por uma das bandas mais prestigiadas do Brasil hoje, o Escarlatina Obsessiva. Rola bianualmente no alto da serra mineira, em São Thomé das Letras. A DDK, no Rio, põe brincando umas 500 cabeças pra dento da festa. Nada disso existia até dez anos atrás e olha que as primeiras bandas e eventos góticos no país datam de meados dos anos 80. Ou seja, nos últimos anos tá rolando um “boom” bem grande. Tivemos sorte de iniciar nossas atividades no meio disso tudo. Ou talvez não tenha sido coincidência, talvez o momento tenha favorecido nossa banda e nossa cena assim com tantas outras, com a expansão da internet, barateamento da produção musical etc. Agora, diálogo com o independente fora do gótico, acho que praticamente inexiste. Algumas bandas do selo em que estamos agora, a Wave Records, tem obtido vaga nos festivais de maior renome, mas não é sempre que rola.

Programa de Rock – Senti no “Affects”, o novo disco do Plastique Noir, uma maior homogeneidade nas composições, ao contrário do primeiro disco que, como é de praxe em estréias de bandas que atuam já algum tempo no cenário, funcionou mais como um apanhado de músicas que vêm sendo buriladas ao longo do tempo. Como foi o processo de composição do disco, as musicas são todas novas ou houve alguma retomada de trabalhos antigos nunca antes lançados?

Airton S – É tudo novo. O único reaproveitamento foi a faixa-tributo, “Never Look For People Like Us”, que era do Max e resgatamos do fundo do baú pra homenageá-lo. Todas as novas foram surgindo aos poucos, entre um ensaio e outro durante a tour do Dead Pop que durou, ainda que fragmentadamente, uns três anos e rodou boa parte do país. De volta à Fortaleza, vimos que tínhamos composto quase 20 músicas ao final do processo, muito embora durante ele nós já tínhamos uma noção de qual ia entrar na track list final e qual não ia. Ok, até que ainda chegou a rolar uma discussão por essa ou aquela faixa, no sentido de incluir ou limar, mas tentamos formar um consenso e acho que deu certo. Foi interessante trabalhar dessa forma - refiro-me a essa coisa de “criar um disco do nada”. Eu nunca tinha feito isso e talvez tenha sido o que justamente trouxe a coesão que você percebeu. Agora, não sabemos muito bem o que fazer com as sobras. Tem umas coisas que eu particularmente acho bem legais ali. No começo dos contatos com nosso novo selo, até rolou uma pilha mútua de fazer uma versão de luxo com disco extra, mas isso ficou inviável porque nossa verba pra gravar tinha acabado e daí resolvemos garantir o álbum full que já tínhamos em mãos. Talvez essa versão deluxe possa sair ainda. Não sei. Agora ninguém está mais pensando muito nisso, estamos tentando promover o que já tem.

Programa de Rock – Vocês ainda compõem pensando num álbum fechado, com um conceito, mesmo que vago e flexível, amarrando as faixas, ou vão compondo ao longo do tempo e apenas juntam o resultado?

Airton S – Um pouco dos dois. É que, nisso de compor ao longo do tempo sem neuras, coincidentemente ou não as músicas acabaram se mostrando “entrosadas” entre si, por si próprias, sem que tivéssemos que forçar a barra conceitualmente. Digo, conceito havia, mas não deu quase nenhum trabalho perceber depois que o material obtido se encaixava quase completamente nele.

Programa de Rock – Ainda existe espaço para o conceito de álbum, uma coleção de musicas representativas de um momento de uma banda embaladas por uma capa, contracapa e encarte? O Plastique Noir acredita que este conceito vai sobreviver? Em caso positivo, como conseguem resistir à tentação da urgência de nossos tempos hiperconectados para não lançar as musicas aos pedaços na net antes do resultado final acabado?

Airton S – Veja bem, nossa média de idade na banda é de 29 anos, mais ou menos. Não somos tão jovens. Alcançamos o vinil, tínhamos centenas de K7 em casa, já rebobinamos muitas delas na base do giro de caneta (risos) e só agora estamos tendo contato com o MP3, que foi o grande culpado por essa fragmentação no consumo de música. Eu, Danyel e Mäzela ainda trazemos um pouco dessa “cultura de álbum” nos nossos perfis musicais. E por uma questão igualmente cronológica, boa parte da imprensa musical também, já que os mais novos no meio têm o quê, 20 e poucos anos? Esse pessoal ainda leva a sério o formato de álbum assim como nós e é por isso mesmo que não rola conosco essa ansiedade de liberar material de qualquer forma. Penso ainda que, como prensar disco continua sendo uma parada cara e trabalhosa, o fato de a banda ter encontrado alguém que faça isso por elas, leia-se selo, ou mesmo ela ter reunido recursos para fazer por si mesma, denota que atingiu um nível legal de profissionalismo e por isso merece atenção do mercado e dos fãs.

Programa de Rock – O suporte físico ainda é realmente necessário? Pensam em, algum dia, lançar seus trabalhos apenas via internet? Como vocês administram este equilíbrio entre uma coisa e outra, o novo e o velho estilo de se “vender” música? Há espaço para os dois?

Airton S – Por enquanto, sim. E talvez mais ainda no nosso caso, já que somos freqüentemente identificados com uma cultura urbana como a gótica. Gente assim tem seus próprios hábitos de consumo, seus fetiches e seu mercado simbólico interno. Assim como punks, straight-edges, bangers etc, os góticos ainda valorizam o item material colecionável. Agora, como já falei antes, tudo é uma questão de equilíbrio. Também não faz sentido nego ser anacrônico e fazer vista grossa pro ambiente virtual. Tanto é que nossas músicas também são comercializadas em formato de download. Pra não falar no vazamento pirata, que nós nem achamos tão danoso assim. Haja vista o nosso primeiro álbum, cuja permissão de lançar free foi exigida por nós junto ao nosso selo na época. Era nossa estréia, queríamos aparecer legal. Já no caso do Affects, não sentimos a necessidade de tentar forçar uma interferência na maneira como o Alex da Wave acha melhor trabalhar, até porque confiamos demais na competência do cara em termos de distribuição.

Programa de Rock – Como é a relação da banda com os selos que lançam seus discos?

Airton S – A Pisces foi o primeiro selo em que entramos. O Ulysses é um cara muito gente boa, apesar de meio viajandão (risos). É foda conseguir falar com o cara, por exemplo. Mas o apoio que ele nos deu e continua dando é inestimável. Começamos a nos falar em 2007 e ele sempre se mostrou um cara muito honesto e sobretudo apaixonado pelo que faz. Quando resolvemos mandar o Affects pra Wave, não rolou nenhum tipo de mal-estar, até porque o Alex é quem distribui o Dead Pop, adquirido junto à própria Pisces. Inclusive aproveito pra avisar que esse disco já já vai acabar e quem não adquiriu, falou, um abraço. Não creio que ele vai voltar logo aos catálogos. Já sobre o trabalho com a Wave, sei lá, parece que foi um passo natural fechar com o selo. O Alex atua na cena gótica desde os anos 80, é figura carimbada nos principais eventos internacionais do estilo, tem contatos quentes, enfim, não tinha como não ser do jeito que está sendo. Botamos fé demais no trampo dele, musical inclusive. Eu e o Mazela já éramos fãs do 3 Cold Men antes mesmo de formar o Plastique (risos).

Programa de Rock – Vinil: há algum fetiche em especial da banda por este suporte ? Há alguma demanda dos fãs por lançamentos neste formato do Plastique Noir?

Airton S – Não sei, mas acho que deve existir. Confesso que a gente nunca pensou muito nisso até então. O Rafael, nosso produtor, às vezes bate nessa tecla. James, nosso amigo que toca no Facada, também de vez em quando tenta instigar a gente, falando das vantagens da prensagem em vinil, na questão do volume de cópias… Quem sabe um dia?

Programa de Rock – Como tem sido a divulgação de “Affects” no Brasil e no mundo, há algum plano em em ação neste sentido?

Airton S – Bom, felizmente a demanda por shows tá rolando sem que tenhamos a necessidade de sequer correr atrás deles. Algumas datas fora de Fortaleza foram fechadas e algumas até já foram cumpridas com sucesso. O pessoal parece estar curtindo bastante o disco. O promocional tem sido feito pela gente, por meio de nossa onipresença quase constante nas redes sociais e aqui cabem agradecimentos ao Rafael, em parceria com o Alex, que está colocando o disco nas lojas de São Paulo e da Europa, neste último acaso através da distro alemã Nova Media. O lançamento será em São Paulo também, numa festa do Via Underground. O Alex cuida mais da promoção no meio gótico e a gente está tentando colocar o disco evidente no meio independente nacional em geral, aproveitando os contatos que já fizemos em nossas passagens pelos festivais da Abrafin e eventos do Fora do Eixo.

Programa de Rock – A agenda de shows de vocês, como está? Tenho visto que a banda tem conseguido se inserir na agenda de festivais independentes e, com isto, se apresentado para um público mais amplo. Isto é fruto de um esforço em especial da banda neste sentido ou os convites vieram de forma “espontânea”? Pretendem seguir por este caminho? E como tem sido a recepção do público dos festivais à proposta do Plastique Noir?

Airton S – Olha, é meio que as duas coisas. Por aqui em Fortaleza a gente sempre foi alinhado com o coletivo local, a Rede Cem e daí eles nos servem de ponte pras curadorias. Mas acredito que nosso som acabe agradando, nego não ia pôr uma banda no line-up do festival dele que custou 90 mil pra acontecer, se houvesse o risco de, com a inclusão da tal banda, o negócio ficar feio. E o resultado acaba sendo bacana pros dois lados. A gente tem levado um público pros festivais que dificilmente iria pra ver as outras bandas. Nisso, acabam curtindo algo que não conheciam. E de forma semelhante, a gente acaba fisgando uma ou outra pessoa que estava ali, assistindo, sem botar muita fé na gente. Estamos tentando dar prosseguimento a essa via de trabalho. Esse ano já fizemos o Tendencies, em Palmas, e o resultado foi ótimo, travamos um contato amigável massa com a cena rockabilly de Curitiba por exemplo, que estava lá e de repente pode pintar algo disso…

Programa de Rock – Há uma faixa tributo a um antigo integrante da banda, falecido, no disco. Falem-nos um pouco de quem se tratava e qual foi sua contribuição para a construção da sonoridade do Plastique Noir.

Airton S – O Max integrou a banda desde o seu inicio até a metade de 2008, tendo definido muito de nossa identidade melódica e chegando a gravar o Dead Pop. Ele tocou na banda que pioneirizou esse estilo mais pós-punk gótico em Fortaleza, o Rebel Rockets, nos anos 90. A banda já estava extinta quando o convidamos a assumir os synths no Plastique Noir. O cara cativou todo mundo logo de cara com seu jeito amável de ser, sem falar em sua puta bagagem musical, quase enciclopédica. A chegada dele à formação foi, sem dúvida, o marco final para que nos sentíssemos prontos pra começar, como banda de verdade. Tinha ainda o folclore derivado de sua profissão como agente funerário (risos), era divertido mencionar isso em entrevistas. Infelizmente o cara foi se ocupando demais com atividades paralelas e teve que deixar a banda. Digo, deixou mesmo: ele não foi expulso e também nunca pediu pra sair. Foi estranho… simplesmente ele parou de comparecer a ensaios, shows… daí a gente ia se virando. Hoje, interpretamos essa atitude como uma maneira que ele encontrou de evitar de falar em saída por não querer de fato sair. Nosso contato foi ficando cada vez mais esparso desde então, sempre tínhamos notícias de sua vida por meio de um primo dele que é muito amigo nosso, quase irmão dele. Foi um choque quando recebemos a notícia de seu falecimento devido a complicações de saúde. Ele já estava há muitos dias em coma e o fato ocorreu quando estávamos numa reunião de amigos em razão do aniversário do Mäzela, que acabou sendo atingido de forma violenta naquele que era seu dia. O disco estava para começar a ser gravado, já tínhamos o material inteiro pronto. Somos caras bastante céticos, mas gostamos de pensar que ele estava presente posteriormente no processo, ajudando nem que fosse a partir da idéia que sua pessoa representa nos nossos corações de forma inspiradora.

Programa de Rock – Aproveitando o “gancho”: façam-nos um resumo do que tem sido a experiência da existência da banda até agora: os acontecimentos mais marcantes, as maiores dificuldades, as maiores alegrias …

Airton S – Cara, esse começo da minha resposta vai soar clichê, mas é foda: a gente passou por muita coisa nesses 5 anos. Eu juro que não consigo mais repassar minha vida durante esse tempo dissociando-a da banda. Acho que a melhor coisa que ficou são os amigos. As viagens sempre foram e são cansativas, mas eu diria sem pensar muito que elas são o melhor da festa. E é o que mais marca. E olha que eu não gosto de fazer show, meu lance é estúdio. A gente se divertiu muito por aí. Conhecemos gente de toda parte, vivemos momentos engraçados, encontramos freaks de toda espécie. A parte ruim, acho que foram os desentendimentos. A gente já brigou muito, de vez em quando ainda brigamos, aliás. Já fiquei sem falar com o Mäzela por semanas, já “rompi” até mesmo com o Babuê, que é uma moça (risos). Tivemos momentos em que tínhamos grana pra caramba pra investir nas nossas coisas, situações em que nos sentimos rockstars por causa de bobagens como, sei lá, estarmos pela primeira vez em um puta hotel aguardando a hora do show. Sabe, essa coisa meio de moleque sonhador? “Caralho, fodeu, estamos bombando!” (risos) Meio ridículo até… Ou ainda, estarmos ao lado de bandas gringas fodonas, na mesma van… Encontramos o Afrika Bambaataa no backstage do Abril Pro Rock, uma lenda viva, tocamos na mesma noite, o cara mó figuraça, divertidão, tirando sarro do Mäzela bêbado… Assim como também já rolaram momentos em que estávamos quebrados, sem ter nem o que comer esperando o ônibus de volta pra Fortaleza, bebendo cachaça e tocando violão na rodoviária pra passar o tempo. Já rolou de sermos saudados pessoalmente por jornalistas de certa envergadura e de sermos difamados e acusados levianamente por pseudo-produtor de evento. Sua primeira pergunta foi sobre “gueto”, tem um jornalista que você deve saber a quem me refiro, vive batendo verbalmente na gente… Mas é isso. Tudo faz parte e nós fazemos parte de tudo isso.

Programa de Rock – E para o futuro, há planos, metas ou é navegar ao sabor dos ventos?

Airton S – A gente nunca faz planos a longo prazo. Engraçado estar respondedo a essa entrevista logo agora, porque ontem mesmo eu estava tomando umas cervejas com o Babuê e começamos a retomar os planos pra shows no exterior, mas não convém divulgar nada ainda. O que dá pra adiantar é que já tem coisa concreta a esse respeito, mais detalhes em breve. Vamos tentar fazer as cidades que ainda não fizemos, principalmente na região sul. O norte já começamos a desbravar recentemente em Palmas, mas é a maior região do país, ainda tem muito lugar lá pra se ver e nos ver. Interrompemos quase que totalmente os shows durante os três meses de gravação e produção e agora queremos tocar bastante, o máximo, onde der e em quaisquer condições, desde que não seja muito inviável em termos de aparelhagem e deslocamento. Queremos corrigir algumas falhas nossas, como a escassez de merchandising. Gente de toda parte fica enchendo nosso saco por camisas, bottons, etc, e estão certos em vir encher. Vamos tentar tocar nos festivais em que ainda não tocamos e buscar mais visibilidade no geral, aproveitando que estamos com assunto novo. No caso, o álbum.

Programa de Rock – Espaço aberto para considerações finais.

Airton S – A gente queria agradecer de todo o coração por esse seu espaço e principalmente pela divulgação do trampo de bandas independentes como a nossa, que normalmente tem muita dificuldade pra produzir e circular dignamente. Muito obrigado por preencher essa lacuna preciosa. Somos muito a fim de tocar em Sergipe, quem sabe um dia. Abração pra todos que fazem seu programa e que o acompanham também!

+ em http://plastiquenoir.net

quarta-feira, 18 de maio de 2011

31 Anos hoje


A morte do compositor e cantor do Joy Division, o britânico Ian Curtis, completa 31 anos nesta quarta, 18.

O artista lançou somente um disco em vida, ao lado dos companheiros do Joy Division, o álbum Unknown Pleasures (1979). Em entrevista à Rolling Stone Brasil, que será publicada na edição de junho, Peter Hook, baixista do Joy Division, que virá se apresentar no Brasil mês que vem, declarou que "tocar o Unknown Pleasures na íntegra significa ter um pouco do Ian com a gente a cada noite".

A vida e a carreira foram curtas. Curtis tinha apenas 23 anos naquela noite de maio em que, no auge de sua depressão profunda, devastado com o fim de seu casamento com Deborah Curtis e sua epilepsia, cometeu suicídio. Dois meses após sua morte, os integrantes remanescentes do Joy Division lançaram o disco póstumo Closer (1980). "Ian Curtis permanece congelado no tempo, eternamente jovem e em nossa memórias", refletiu Hook.

Depois da morte de Ian, os outros músicos, Hook, Bernard Sumner (guitarrista e tecladista) e Stephen Morris (bateria e percussão), formaram o New Order.

Da Redação da Revista Rolling Stone.

Ian Curtis. 15 de julho de 1956 – 18 de maio de 1980.

Love Will Tear Us Apart


When routine bites hard
And ambitions are low
And resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads

Then love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

Why is the bedroom so cold?
You've turned away on your side
Is my timing that flawed?
Our respect runs so dry
Yet there's still this appeal
That we've kept through our lives

But love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

You cry out in your sleep
All my failings exposed
And there's taste in my mouth
As desperation takes hold
Just that something so good
Just can't function no more

But love, love wil tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again


Dead Billies em Aracaju

Recordar é viver: (Adelvan) Um dos grandes arrependimentos de minha vida foi ter perdido os dois únicos shows que o Dead Billies, seminal banda psychobilly de Salvador, fez em Aracaju em início de carreira, na já longíquo década de 1990. Não botei muita fé, pra dizer a verdade. Hoje acho que eles são uma das melhores bandas do estilo que já existiram, no mundo ! Nunca mais subestimo o rock baiano ...

Abaixo, devidamente autorizado, publico um texto de Ricardo Cury, ex-brincando de deus, sobre aqueles dias loucos.

* * *

Em 1997, os Dead Billies foram fazer dois shows, no mesmo fim de semana, em Aracaju.

- Vocês ficam aqui em casa – disse o brother Gilmar, que foi baterista de uma banda chamada Zona Abissal.

Chegaram na casa de Gilmar (ele estava viajando), arrumaram as bagagens e foram para a varanda do AP. Os fumantes acenderam seus cigarros enquanto discutiam sobre o que fazer naquela tarde livre, antes do primeiro show. Resolveram ir para a praia. Deixaram a chave do apartamento na portaria, pois o amigo Rogério Big Brother chegaria de Salvador depois deles e também se hospedaria lá. Após duas horas de sol e cerveja, lembraram de ligar pro apartamento pra saber se Big Brother já tinha chegado. Foram até o orelhão mais próximo:

- Alô!

- Big? Já chegou?! – perguntou Rex, o baterista.

- Já. Cheguei tem uma meia hora...

- E aí, tudo beleza?

- Ta tudo beleza, mas... (pausa)... só tem um problema...

- Qual foi?

- O apartamento pegou fogo.

- Hein? Que apartamento?

- Esse aqui que eu estou e que a gente ia dormir... Ta tudo queimado.

A banda pegou um ônibus e voltou pra ver o que tinha acontecido. O apartamento do amigo Gilmar era novinho, estava todo pintado e limpinho quando eles o deixaram três horas atrás. Agora estava fedendo a fumaça e todo preto. Os instrumentos se salvaram, mas as roupas foram todas carbonizadas. Suspeitaram que foram os colchoes que estavam tomando sol na varanda... Cigarro + colchão...

Mas o show deveria continuar e com a roupa do corpo e ainda atordoados pelos acontecimentos foram tocar. Não tocaram. Na primeira música o som estourou e houve um principio de incêndio, rapidamente controlado.

- Porra, que urucubaca da porra é essa? – perguntou Morotó, o guitarrista.

Desanimados pelo show que não teve e mais atordoados ainda, se dirigiram à Universidade Federal. Era lá que fariam o segundo show (no dia seguinte) e conseguiram assim, com a produção do show, uma sala de aula para dormir. Deram a sala do DCE. Joe, o baixista, se adiantou e tomou posse da mesa de sinuca. Assim ele tinha uma pequena camada de feltro para as suas costas. O resto dormiu em cima dos biombos que eram usados para a exposição de fanzines.

No dia seguinte, de tarde, foram testar o som. Como uma passagem de som começa pela bateria, aproveitando o fato do show ser a dois andares de onde estavam hospedados e não suportando mais o próprio cheiro, usando a mesma roupa desde que saiu de Salvador, dois dias atrás, Morotó disse:

- Vão na frente que eu vou tomar um banho enquanto Rex monta a bateria...

Apenas uma toalha de banho se salvou e ainda assim, parcialmente. Era a única que estava fora da mala. Só dava pra se enxugar com as pontas, pois no meio havia um buraco enorme.

- Parecia que um míssil tinha passado pela toalha – lembrou Rex.

Todos usaram essa mesma toalha durante toda a viagem.

A banda foi montando o palco, ligando os amplificadores, os instrumentos, os microfones e Moska, o vocalista, não dando atenção para a urucubaca iminente, pegou a guitarra de Morotó pra ir testando o som, enquanto o amigo se banhava. Uma rara guitarra Snake, fabricada nos anos 60. Pendurou no pescoço, mas a correia não estava presa. Foi direto ao chão.

Morotó tomou um susto. Enquanto passava o sabão Phebo para fixar o seu topete, Moska entrou no banheiro desesperado.

- O que foi, rapaz? – perguntou Morotó.

- Aconteceu uma tragédia... – respondeu Moska, sentado no vaso, passando a mão na cabeça, nervoso...

- Mais uma? O que foi dessa vez?

- Uma tragédia...

- Pelamordedeus, diga logo o que foi? Rex morreu?

- Pior...

- Joe morreu?

- Pior...

- Diga logo...

Aquela guitarra nunca mais foi a mesma, mas, contrariando todas as expectativas, o show foi tranquilo. Ou melhor, intranquilo, no bom sentido, se tratando dos Dead Billies.

Dez anos depois, em uma pizzaria, Rex se encontrou com Gilmar, o brother que emprestou o apartamento. Gilmar morava na Europa desde aquela época e a banda nunca conseguiu se desculpar pessoalmente com ele.

- Porra, man, queria te pedir desculpas mais uma vez... – disse Rex.

- Que nada, já passou... depois eu até dei risada... Você soube da nota que saiu no jornal de Aracaju?

- Nota? Que nota?

- Sobre o incêndio...

- Não, ninguém sabe de nada, que nota é essa?

A banda, em seus shows, usava um material cênico composto por, entre outras coisas, uma capa de vampiro, velas e uma caveira. E, assim como os intrumentos, esse material, milagrosamente, também se salvou. Gilmar contou que quando os bombeiros arrombaram o apartamento e encontraram a capa, as velas e a caveira junto dos instrumentos, tiraram diversas fotos. No dia seguinte, uma dessas fotos estampava o jornal com a seguinte manchete:

“Banda de rock incendeia apartamento em ritual satânico”.

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Assista Dead Billies tocando Vampire, ao vivo: http://www.youtube.com/watch?v=KhZ2KP00Huo

Clip da música "Invasion of the Body Snatchers": http://www.youtube.com/watch?v=TukftR-P4MY

Clip da música "I Can't Help Myself From Gettin' It On": http://www.youtube.com/watch?v=-dBjy296QaY

por Ricardo Cury

via Facebook

terça-feira, 17 de maio de 2011

Kerry King, uma entrevista

Os veteranos do thrash americano do Slayer passarão pelo Brasil, como parte da turnê de divulgação de seu último álbum “World Painted Blood”, para duas apresentações no mês de junho, uma em São Paulo, e outra em Curitiba. Antes de desembarcar por aqui, o guitarrista Kerry King falou com a equipe do site Whiplash por telefone, em uma entrevista curta porém bem completa. Esbanjando simpatia, falou sobre seu disco mais recente, sobre o Big Four e a escolha de Gary Holt do Exodus para substituir o guitarrista Jeff Hanemann, além de comentar suas expectativas para os shows no Brasil.

Vocês virão para o Brasil exatamente no mesmo ano em que a banda completa trinta anos de carreira. Teremos algo de especial nesse show?

Kerry King: Olha, para te falar a verdade nós nem incorporamos esse espírito de aniversário ainda! (risos) Nesse mesmo ano estamos completando trinta anos de carreira e vinte e cinco anos de lançamento do “Reign in Blood”, um dos nossos maiores lançamentos, mas mesmo assim ainda não pensamos em nada para celebrar essa marca. Há um tempo, pensamos em até lançar um disco, mas vimos que não teríamos tempo, uma vez que ainda estamos trabalhando intensivamente na turnê de divulgação de “World Painted Blood”. Talvez mais pra frente pensemos em algo como um show ou algo do tipo, mas, sinceramente, por enquanto não fazemos idéia e nem planejamos nada!

Falando no disco, como você o compararia com o seu antecessor, “Christ Illusion”, em termos de composição, gravação e divulgação?

Kerry: Bom, logo de cara posso te dizer que ao vivo estamos tocando bastante músicas dele. Pela primeira vez, se não me engano, estamos tocando quatro músicas de um disco recém-lançado, isso porque estamos ouvindo muitos elogios relacionados a algumas das músicas deste álbum. Então, como gostamos de tocar aquilo que os fãs querem ouvir, estamos executando esses sons, que têm tido uma boa receptividade ao vivo. Quanto às composições, eu compus mais canções neste disco! Eu sei que é melhor para o Slayer quando eu e Jeff (Hanemann) nos juntamos e criamos juntos, mas neste disco naturalmente eu pude compor mais, ele tem mais idéias minhas.

Em termos de conteúdo lírico, “Christ Illusion” continha uma temática bem voltada ao ataque à religião, enquanto em “World Painted Blood” apenas ‘Hate Worldwide’ e ‘Not of this God’ abordam isso o que dá espaço para outros assuntos, como o petróleo em ‘Americon’. Como surgiu a decisão de deixar de lado essa opção de composição já típica na banda?

Kerry: Para mim é sempre muito fácil escrever sobre religião porque isso nada mais é do que comédia para mim. Mas acho legal escrever sobre coisas que sejam mais relevantes para as pessoas que lerão e ouvirão as letras. Temas como política, guerras e outras coisas são legais de se trabalhar nas letras e também podem ajudar o fã a se interar sobre alguns assuntos. Resumindo, eu poderia escrever mal sobre a religião todos os dias, mas se tornaria chato. É legal variar.

Quando o “World Painted Blood” saiu, eu li você comentando em uma entrevista que as pessoas o comparariam com o “Seasons in the Abyss”. Por que você acha que eles são parecidos?

Kerry: Na verdade eu não sei por que eu falei aquilo! (risos) Digo isso porque não gosto de rotular um disco antes que ele saia e as pessoas possam opinar sobre ele. Mesmo porque isso pode causar uma expectativa errada nos fãs. Imagine, por exemplo, se eu rotular um álbum como sendo parecido com o Reign in Blood! Muita responsabilidade! (risos) Mas o “World”, eu acho que ele é mais equilibrado entre músicas cadenciadas e levadas mais thrash, por isso talvez o tenha comparado com o “Seasons in the Abyss”.

Falando agora sobre o Big Four, quais foram as impressões que você teve dessa ambiciosa turnê?

Kerry: Foi muito legal se encontrar com todo o pessoal das bandas! Fazer alguns shows ao lado do (Robert) Trujillo foi muito especial, ele é um grande amigo. Foi uma pena não podermos levar esse show para todos os lugares que gostaríamos. Acho que todo fã de metal deveria ter tido a oportunidade de nos ver ao vivo com aquelas outras três bandas de thrash.

Este ano aqui no Brasil teremos o Rock In Rio, onde o Metallica vai tocar. Bem que o Big Four poderia fazer parte do cast, não?

Kerry: Seria maravilhoso, mas infelizmente é quase improvável de acontecer. As quatro bandas precisariam ter as agendas livres na mesma época, o que já foi hiper difícil de conseguir durante a turnê que fizemos com o projeto há um tempo. E na época que o festival vai acontecer, o Metallica é o único que estaria disponível mesmo! Todas as outras bandas já têm compromissos agendados para cumprir as turnês de divulgação de seus álbuns.

Ainda sobre o Big Four, quando estava assistindo à transmissão simultânea da apresentação em Sofia, na Bulgária, pude perceber que nem todos os membros do Slayer subiram ao palco para fazer a jam com as outras banda em ‘Am I Evil?’ durante o show do Metallica, incluindo você. Por que você decidiu não se juntar?

Kerry: Olha, eu vou ser bem sincero com você e vai ser muito legal que os fãs possam ler isso. Muita gente tentou achar uma grande história, ou um motivo bombástico para a minha ausência ali, mas não há nada demais. Não foi porque eu não quis, ou porque estava brigado com alguém, eu juro! (risos) Tanto que em alguns shows, como em um na Califórnia, eu estava lá no palco, tocando com todo mundo. O que aconteceu aquele dia foi que eu estava totalmente ocupado. Tinha muito pouco tempo para trabalhar na edição do nosso show em Sofia, que seria transmitido para o mundo todo dentro de algumas horas. Como nenhum outro integrante da banda pôde fazer esse trabalho, eu me ocupei disso. Então até depois da uma da manhã eu ainda estava lá, ocupado com a edição. Eu gosto da ‘Am I Evil?’ e o James foi lá me chamar pra tocar, mas simplesmente não foi possível. Muitos tentaram achar um motivo ‘oculto’ na minha decisão, mas, pelo menos da minha parte, não houve!

Agora partindo para um tema mais recente, gostaria de saber como foi o processo de escolha para o guitarrista que substituiria o Jeff Hanemann em alguns shows, enquanto ele se recupera do problema de saúde que teve, após ser picado por uma aranha, e o por quê da escolha de Gary Holt, do Exodus, para ocupar o posto, seguido de Pat O`Brien, do Cannibal Corpse.

Kerry: De primeiro, pensamos em fazer a turnê sem o Jeff até que ele se recuperasse. Mas eu reparei um dia desses que se Gary recusasse o convite não teríamos idéia do que fazer, pois não sabemos se sem um outro guitarrista as coisas funcionariam de uma forma legal. Mas a escolha foi bem fácil: sou amigo do Gary há vinte e cinco anos! Ele é um cara muito legal, engraçado e, acima de tudo, é um puta guitarrista! Quando liguei para ele, ele mal me deixou terminar a frase e já me cortou com um ‘sim’ muito entusiasmado! (risos) Foi algo do tipo ‘Ei Gary, eu estava pensando se você gostaria de..’ ‘É CLARO QUE SIM, KERRY!’ (risos) Ele se deu muito bem no posto e ficou super à vontade durante os shows. Infelizmente ele não pôde realizar mais shows conosco porque tinha que cumprir agenda com a sua banda! Mas sou muito grato a ele pelo tempo que nos apoiou. Quanto ao Pat, foi uma indicação do próprio Gary. Ele também já me conhece há algum tempo, então também não houve problemas.

Sabemos que aqui no Brasil Jeff já estará de volta ao cargo. Quais as expectativas para esse show por aqui?

Kerry: Nem preciso dizer que é sempre maravilhoso tocar em seu país! Maravilhoso e louco ao mesmo tempo! Os fãs de metal brasileiros são incrivelmente selvagens e apaixonados pela música. Não digo isso somente em relação a um show do Slayer, mas em todos os shows. Acho que devido ao fato de eles não poderem ver todas as suas bandas favoritas sempre, devido a pouca freqüência com que elas vão ao Brasil, eles se emocionam e expressam isso da melhor forma a cada show de um ídolo que se realiza. É incrível, mal posso esperar!

A banda de abertura do show do Slayer por aqui será realizada pela banda brasileira Korzus. Você já conferiu o som deles ou esta a par de quaisquer outras bandas de metal daqui?

Kerry: Olha, tenho que ser sincero que se não fosse o Cavalera, eu não saberia de muita coisa sobre o metal brasileiro! (risos) É uma vergonha, mas infelizmente não conheço quase nada! Vou pegar para ouvir o Korzus!

Bom, para finalizar gostaria de agradecer pela entrevista. Engraçado que sempre que leio uma matéria sua na Internet me parece que as pessoas sempre tentam ‘polemizar’ suas respostas, fazendo com que você se pareça um cara de poucos amigos. Em minha opinião aconteceu exatamente o contrário aqui!

Kerry: Sem dúvida! (risos) Mas você sabe o por quê? Porque há uma diferença básica entre jornalista que quer informação, que é o seu caso, e jornalista que quer uma grande notícia bombástica. Muitos jornalistas, especialmente na Europa, ficam me perguntando coisas sobre as quais eu não quero e não vou responder e vez ou outra, acabo me irritando mesmo! Mas também, de vez em quando dou uma resposta bem simples, que não é bem aquela que eles gostariam de ouvir e, numa tentativa de tornar a matéria deles melhor, eles interpretam de uma maneira diferente o que eu disse, e transformam em uma frase de impacto ou polêmica. Isso acontece com jornalistas sensacionalistas, que, infelizmente, não são poucos. Eu é que agradeço pela entrevista!

Fonte: Whiplash

GLÓRIA !

A programação de shows da 9ª edição do Rock Sertão foi aberta pelo Karranca, veterana banda de rock com influencias de mangue beat de Itabaiana. Um show energético, com uma boa movimentação de palco e uma interessante mistura de ritmos sob a batuta da guitarra endiabrada de Ferdinando, também da Urublues. É uma banda de personalidade que tem alguns verdadeiros “hits” underground, como “Homem tambor” e “Sangue na feira”. O som estava um pouco embolado e mal equalizado, agudo demais, mas deu pra rolar numa boa.

Naurêa na sequência. Odiada por uns, amada por outros, o que ninguém consegue negar é que os caras fazem um show muito competente e que costuma levantar a galera. Mas nesta noite, em especial, não empolgou, talvez porque não estivesse tocando para seu público habitual. O mesmo pode-se dizer do samba-rock competente porém um tanto quanto arrastado e “malemolente” de Elvis Boamorte e os Boas vidas, que veio a seguir - um mérito do festival, aliás, trazer musica independente das mais variadas vertentes para o palco e dar às pessoas a oportunidade de ter contato com sons e ritmos os mais diversos. Às vezes pode não funcionar num primeiro momento, mas é saudável para a formação musical de qualquer um.

O erro, a meu ver, nesta primeira noite, estava na ordem das bandas. Os shows ficaram meio que divididos em duas partes, a primeira com pouco ou nenhum rock e muita diversidade, do forró estilizado da naurêa ao jazz instrumental do Ferraro Trio, a quarta a se apresentar. Muito bons, mas o público só esboçou reação mesmo nos covers de Jimi Hendrix e, principalmente, de “Beat it”, de Michael Jackson – aquela que conta, na gravação original, com a presença poderosa de Eddie Van Halen nas guitarras. Não deixa de ser válido, no entanto, já que a versão dos caras é bastante diferenciada e adaptada ao estilo deles. Grande show.

O rock, rock mesmo, duro, pesado e distorcido, foi deixado incompreensivelmente para o final. Jezebels foi a primeira banda do estilo a se apresentar, e mandaram muito bem. Estão se reformulando com uma nova formação, já que a baixista/vocalista original, Paula, precisou deixar a banda para morar na Europa. Dani comanda o trio com sua pegada nervosa na guitarra e seus vocais estilosos, cheios de cacoetes bem característicos. Paloma, a baterista, lá atrás, tocando e batendo cabeça (!). Já o baixo, infelizmente, pouco se ouvia, na frente, mas a movimentação de palco de Fabio era muito boa, o que ajudava a criar um clima de empolgação que sacudiu o publico - a esta altura, provavelmente, sedento por rock ! O fato não escapou à observação de Marcelo Larrosa, que entrevistou a(o)s menina(o)s Ao Vivo para a TV Aperipê depois do show e sapecou uma pergunta que deixou Dani com um novo apelido, “vegetariana selvagem”. Foi divertido.

TV Aperipê que repetiu a dose e transmitiu Ao Vivo os shows do Rock Sertão, das 22:00H às 1 da manhã. Muito bom ver a musica independente sergipana ter tanto espaço numa emissora de televisão. A FM também estava presente, registrando todos os shows na íntegra, ao vivo. A noite se encerrou com Fator RH, os anfitriões, e Dark Visions, de Tobias Barreto, que ficou em segundo lugar na votação do público via internet.

No sábado os trabalhos foram abertos, de forma relutante, pelo Lacertae. Deon, o guitarrista/vocalista, não estava se entendendo muito bem com os operadores de som e resolveu improvisar longos números instrumentais até que os problemas, notadamente uma microfonia insistente, fossem resolvidos. Ou parcialmente resolvidos, vá lá. Parecia que o show iria ser abortado, já que ele largou a guitarra e se retirou do palco numa determinada altura, mas o batera continuou tocando e parece tê-lo convencido a começar, finalmente, o show propriamente dito. Não chegou a ser ruim, mas foi esquisito.

Nucleador no palco. Outro clima, mais descontraído. Cenas de filmes de horror trash clássicos no telão, thrash metal crossover no talo no som. Murillo Viana e sua palhetada rápida e precisa comandou o espetáculo de energia e descontração. Diversão parece ser a solução para estes caras, que tocaram com uma empolgação contagiante – tudo registrado pelas câmeras da TV Aperipê, que àquela altura já tinha começado a transmissão. Muito bom ver um som tão “underground” e geralmente desprestigiado ter um espaço como este.

Já os Baggios, que veio a seguir, estão mais acostumados aos “holofotes”, o que não se reflete, felizmente, em estrelismo ou acomodação, muito pelo contrário: Julico e Perninha não deixaram a peteca cair e sentaram a mão no blues garageiro e “brejeiro” com sotaque sergipano que lhes é característico. É blues “do delta do Rio Sergipe”, e dos bons. Show pequeno, infelizmente (“por mim a gente ficava tocando aqui a noite inteira”, falou Julico ao microfone), mas encerrado em grande estilo, com Perninha espancando sem dó a bateria e Julico tendo espasmos no chão.

Depois dA Lapada, Jesse Monroe, a suposta “atração internacional” da noite. Logo no início já deu pra notar que aquela coca-cola era fanta ... Ela abre o show falando em inglês com o público, para logo em seguida emendar: “vejo que vocês não entendem inglês por aqui. Que bom que eu falo português!”. E pôs-se a tagarelar sem parar. Nunca vi uma inglesa tão baiana, “espevitada”. A maior parte do repertório foi, infelizmente, de covers, mas foi divertido. A loira é muito presepeira e meio sem noção – chegou a dançar “descendo até o chão” no melhor estilo “cachorra” ao som de “Summertime”, de Gershwin ! Hilário. Tocou também Luiz Gonzaga e Zeca Baleiro, para encerrar com sua “musica de trabalho”, “famous”. É um soul meio pasteurizado com cara de hit. Boa musica – para as FMs comerciais, não para um festival de rock, assim como o show da “gringaiana” cairia muito bom numa Boate F1 da vida. “Gloria, amo vocês! Pede pra gente voltar que a gente volta, ogayyy ???!!!”. Ok. Pensei tê-la visto em cima de um trio elétrico na “Festa do homem galinha”*, uma micareta que tava rolando em Ribeirópolis na volta, mas deve ter sido uma alucinação ...

Desta vez a programação foi melhor mesclada e, na sequencia do pop local e internacional dA Lapada e Jesse Monroe, Hatend, thrash metal de Paulo Afonso, Bahia. Esta alternância de estilos tão distintos deve ter dado um tilt na cabeça do cara que toma conta da mesa, porque estava tudo muito esquisito no palco. Som embolado e com uma equalização absolutamente nada a ver para uma banda de metal – só se ouviam teclados e baixo, este com um som muito estranho, parecia o estampido de uma metralhadora. As guitarras estavam inaudíveis. Esperei para ver se as coisas se ajeitavam mas não teve jeito não: “desinstiguei” e resolvi começar o longo caminho de volta pra casa sem ver o Ladrão, a banda do Formigão, ex-Dash e Planet Hemp. Gente finíssima, por sinal – em todos os sentidos.

Ano que vem o Rock Sertão fará 10 anos. Estaremos lá.

* No caminho para o show, em Ribeirópolis, cidade geralmente pacata (até demais), fomos surpreendidos por uma movimentação fora do comum. Tivemos, inclusive, que esperar pacientemente para que um cidadão parasse de ciscar feito uma galinha, bêbado, no meio da pista, e finalmente nos desse passagem. Bizarro. Pena que ninguém tinha uma câmera à mão na hora, se fizéssemos um video para o youtube iria bombar.

por Adelvan