sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Rock in Rio São Francisco

Cheguei ao Clube Altemar Dutra, em Canindé do São Francisco, sertão sergipano, num sábado, 08 de outubro de 2011, por volta das 20:00H. Era o Terceiro Alternativo Rock Canindé e a Urublues estava no palco, fazendo o de sempre: mais e melhores blues. Na verdade não haveriam muitas surpresas no quesito musical naquela noite, já que a escalação constava apenas de bandas já bastante vistas e com apresentações devidamente resenhadas por mim aqui mesmo neste espaço que nos cabe deste grande latifúndio que é a internet. A novidade, no caso, era o local onde a Festival estava acontecendo e o público, em bom número e, o mais importante, animado.

O Clube Altemar Dutra, me parece, é um espaço público, já que ostenta uma gigantesca marca da prefeitura municipal em sua entrada. um espaço amplo, com os shows acontecendo em um salão fechado porém arejado ladeado por um grande hall ao ar livre. Na parte de baixo, um bar e uma piscina – interditada, infelizmente. Ia ser legal ver se repetir ali o banho redentor que foi a marca do encerramento do Rock-se, no longiquo ano da graça de 1998 do século passado. “Um lugar do caralho”, enfim.

Já o público foi surpreendentemente jovem, empolgado, ativo e participativo. A galera estava com uma sede de rock como há tempos eu não via por estas bandas. Falo de Aracaju, claro, cuja cena está morgadíssima, com um público apático e desinteressado que geralmente prefere ficar na porta dos shows bebendo e jogando conversa fora. Foi bonito (re)ver as boas e velhas rodinhas punk, os moshs com “caminha” e as pilhas humanas que se formavam sempre que alguém caía. Tudo isto, inclusive, com uma ampla participação feminina, e em todos os shows, fossem eles de blues, hard rock, hard core ou heavy metal.

A banda que mais incendiou a galera foi a Mamutes, que entrou logo depois da Urublues desfalcada de sua baterista, prontamente substituída à altura por Tony Karpa, da One Last sunset. Foi jogo ganho, com a galera cantando junto as letras das musicas, as meninas dançando e os garotos se “esbagaçando”. Com direito, inclusive, a um quase explícito “assédio sexual” em pleno palco protagonizado por uma garota que subiu ao mesmo e ficou lá um tempão, se esfregando lascivamente principalmente em Kal e Rick, respectivamente o vocalista e o guitarrista (atenção senhoras patroas dos caras, eles não têm culpa, foi uma manifestação totalmente espontânea e, a princípio, sem grandes conseqüências, pelo menos que eu saiba). “É isso aí, rock and roll é libertação”, falou Kal com propriedade entre um urro e outro do camarada Cachorrão e antes de chamar Silvio da Karne krua para o grand finale, uma versão turbinada de “No fun”, dos stooges. Divertidíssimo.

Karne Krua entrou na sequencia e fez um show esporrento, com alguns clássicos do cancioneiro Hard core local cantadas em uníssono pela platéia, ainda com todo o gás e pogando muito. Bonito de ver, principalmente as garotas, que em Sergipe geralmente são muito tímidas (sim, estávamos em Sergipe, mas numa região fronteiriça, e muitos dos presentes não eram sergipanos). A karne fez, inclusive, uma bonita homenagem a Redson, do Cólera, falecido recentemente (e homenageado também no crachá de identificação do evento), com um cover de “passeatas”, e encerrou sua apresentação com uma sequencia matadora tocada no talo e sem intervalo entre uma musica e outra. Excelente.

A banda seguinte, Hatend, de Paulo Afonso, demorou muito a se arrumar e eu, cansado daquele bate bate chato de passagem de som de bateria, saí para tomar um ar e dar uma voltinha na simpática praça que fica em frente ao clube. Acabei apenas ouvindo os shows seguintes de fora mesmo, portanto vou me abster de maiores comentários. Entrei apenas para ajudar Luiz Oliva numa entrevista com Adalberto Feitosa, o mentor e organizador da “parada” (com a inestimável ajuda do incansável Luiz Humberto, agitador cultural “underground” da vizinha Poço Redondo), e foi surpreendente: o cara tem muita história pra contar. Ele tem 50 anos e é paulista. Conheceu Redson na Estação São Bento do metrô ainda no final dos anos 70 e costumava freqüentar clubes paulistanos célebres, como o “Fofinho rock clube”, que eu conheci em minha primeira visita à cidade, em 1991. Foi neste mesmo 1991 que Adalberto se mudou para Canindé para trabalhar na Usina Hidrelétrica de Xingó e se apaixonou pelo local, ainda mais depois de descobrir que por aqui também havia uma cultura “subterrânea” roqueira. Esta é a terceira edição que ele produz do Festival Alternativo rock, sempre com muito esforço e algum prejuízo, mas muita satisfação e nenhuma sombra de arrependimento. Para o ano que vem diz contar com um apoio prometido de uma das facções políticas locais (será ano de eleição e nessa época os recursos públicos costumam ser mais generosos, para o bem ou para o mal), o que viabilizaria uma espera menor por uma nova edição (a última foi há 3 anos). Convidei-o para aparecer qualquer sábado destes nos estúdios da Aperipê FM para contar sua história no ar no ao vivo programa de rock. Espero que role.

Voltei pra casa na mesma noite, apesar da viabilíssima opção de dormir por lá mesmo numa pousada que encontrei cuja diária custava a bagatela de R$ 15,00! A viagem de volta foi tranqüila, no tapetão da “Rota do Sertão”. Não fosse pelo excesso de quebra-molas, por alguns animais na pista e por uma súbita neblina na altura de Itabaiana, teria tirado o percurso, de cerca de 200km, em menos de 2 horas e meia (foram quase 3). Foi o fim de um dia divertido que começou às 11 da manhã e teve sua primeira parada em Itabaiana, onde almoçamos num simpático e aconchegante restaurante a quilo chamado Garfil, que recomendo muito. É na entrada da cidade, já no fim da avenida, próximo ao Cemitério, à sede do INSS (que ficam, oh! Ironia, um em frente ao outro) e à Associação Atlética. Fica a dica.

Chegando em Canindé, uma outra dica é uma visita ao MAX, o Museu de Arqueologia de Xingó, um prediozinho elegante e aconchegante que abriga num ambiente climatizado alguns dos achados arqueológicos da região, dentre eles utensílios domésticos e fósseis dos habitantes locais de 9.000 anos atrás. Para chegar lá, você deve virar à esquerda no trevo que desemboca numa das praias do Rio São Francisco que ficam de frente para a majestosa Usina Hidrelétrica de Xingó.

Virando à direita, você chega em Piranhas, cidade alagoana histórica encravada entre as montanhas e o velho Chico. Vale muito a pena a visita. É uma cidadezinha muito simpática, cheia de ladeiras e casinhas coloridas, que abriga um museu dedicado às coisas do sertão e do cangaço. Foi lá, em Piranhas, que ficaram expostas, pela primeira vez, as cabeças decepadas de Lampião, Maria Bonita e demais membros de seu bando. Destaque para um charmoso e aconchegante café que fica no alto de uma torre histórica que abriga um relógio, a Torre da estação. Recomendo. Recomendo também ver o sol se por entre as montanhas às margens do rio. Muito bonito. Teria sido tudo perfeito, não fosse por uma alma sebosa que cismou de abrir o potentíssimo som de mala do seu carro e espalhar pelo ambiente uma pra lá de desagradável cacofonia de ruídos que alguns chamam de “musica” – uma daquelas “quebradeiras” baianas, pagode diluído para as massas, o que nos fez desistir de bater uma macaxeira com carne de bode pela qual vínhamos salivando há temos – ah, esses gordinhos …

Na volta para Canindé passamos por um Mirante da Chesf que estava fechado mas que já tinha visitado em minha última passagem por lá. É outra boa dica de passeio, já que lá você encontra diversos souvenirs à venda e pode agendar uma visita à usina, que eu não fiz mas deve ser interessante. Assim como interessante deve ser (certamente é) o passeio de barco pelo rio que te leva a um banho entre os cânios e/ou à rota do cangaço, numa caminhada pela caatinga que termina na gruta de Angicos, em Poço Redondo, o lugar onde o bando de Lampião foi emboscado e chacinado. Que eu saiba, há duas opções: pelo catamarã, que você pode pegar já a partir de Aracaju, indo de van até lá, ou lá mesmo em Piranhas: vimos um local que vende passagens a R$ 40,00.

Voltarei lá e farei isso o mais breve possível.

por Adelvan

terça-feira, 11 de outubro de 2011

The Fall cancelado

Realmente, era improvável e bom demais para ser verdade: A banda bri­tâ­nica The Fall can­ce­lou o show que faria no fes­ti­val No Ar Coquetel Molotov este ano. O grupo se apre­sen­ta­ria na Concha Acústica do TCA, em Salvador, no dia 12 e na sexta-feira (14) no Teatro da UFPE, no Recife. O voca­lista e líder do grupo Mark E. Smith pre­ci­sou can­ce­lar sua vinda ao Brasil ao ale­gar um pro­blema de saúde.

Os pro­du­to­res do Coquetel Molotov estão cho­ca­dos e tris­tes com a notí­cia, pois esta­vam ansi­o­sos pela apre­sen­ta­ção his­tó­rica que o The Fall faria em solo bra­si­leiro. A devo­lu­ção dos ingres­sos do dia 14/10 come­çam a par­tir da pró­xima quinta-feira, na bilhe­te­ria do Teatro da UFPE. O aten­di­mento ao público será das 14h às 18h, na quinta-feira (13) e das 10h às 16h da sexta (14). Quem obteve ingres­sos dis­tri­buí­dos atra­vés da Prefeitura do Recife no Memorial Chico Science não poderá rea­li­zar troca por outro dia de shows ou res­sar­ci­mento, uma vez que estes con­vi­tes foram entre­gues em forma de cortesia.

A orga­ni­za­ção do fes­ti­val deve anun­ciar um subs­ti­tuto nos pró­xi­mos dias. O fes­ti­val no Recife ainda trará outros nomes de peso este ano, como as len­das do Hip Hop bra­si­leiro Racionais MCs, os ame­ri­ca­nos do HEALTH, Guillemots e o per­nam­bu­cano China, que lança seu novo disco por aqui, Moto Contínuo.

Fonte: Site oficial do festival


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Nick Mason, uma entrevista

Marcando a batida da maior banda de rock progressivo do mundo. Foi assim que NICK MASON passou 30 anos. Agora o lendário baterista está passando seu tempo relançando alguns excelentes discos do catálogo do PINK FLOYD.

Na semana passada, o Pink Floyd deu a seus fãs mais ferrenhos um presente [enquanto começa a doutrinar uma nova geração] com o lançamento da ‘immersion box’ de ‘Dark Side of the Moon’. O pacote é um delírio de seis discos devotados a um único álbum, incluindo um novo remaster, uma versão ao vivo, um disco de sobras de estúdio, DVDs com mixagens em som surround e shows ao vivo.

Coisa demais? Vamos lembrar que ‘Dark Side’ passou 741 semanas nas paradas da [revista estadunidense] Billboard e está batendo em 50 milhões de cópias vendidas. E essa banda ama ‘coisas demais’ – eles estão preparando uma immersion box de ‘Wish You Were Here’ para o dia 8 de novembro.

Um dia depois de Mason ter assistido ao The Shins tocar uma versão matadora de ‘Breathe’ no programa de Jimmy Fallon, ele nos telefonou (NOTA: o texto é do site "Ultimate Classic rock") para falar sobre o passado e o possível futuro da banda.

Depois de ‘Meddle’, ‘Dark Side’ foi um momento de virada. Ele invadiu as rádios e fez de vocês a maior banda do mundo, mas mesmo assim o disco não perde o elemento de estranheza.

Não tenho certeza quanto que você chama de ‘estranheza’, mas nós sempre gostamos de mudar as coisas a cada disco. Sob vários aspectos, ‘Meddle’ era longo demais, e há muita repetição na música. Ela funciona, mas é arrastada ao invés de comprimida. ‘Dark Side’ foi o antídoto para isso. Tudo era equilibrado. Daí quando você chega a ‘Wish You Were Here’, a coisa se estica de novo.

Vocês faziam muito disso, esticar e comprimir, esticar e comprimir.

[risos] Sim, era como estar em uma academia.

Você vê o tamanho da influência que foi quando ouve ao Radiohead ou ao Flaming Lips?

É muito gratificante ouvir bandas afirmarem que foram influenciadas por nós, mas quando você ouve uma banda como o Radiohead, eu não ouço Pink Floyd neles. Eu só ouço o Radiohead. A verdade é que todos nós emprestamos e aprendemos com outras bandas. Eu não acho que haja música que seja completamente original.

Eu acho que muitos fãs do Pink Floyd ficariam surpresos em ouvir você dizer isso. Ouvindo a ‘Dark Side’, ou coisas mais antigas como ‘Astronomy Domine’ ou ‘Set The Controls For The Heart of the Sun’, o Floyd soa chocantemente original. Mesmo comparados à música de hoje, vocês parecem originais.

Com alguma esperança, há algo de original naquelas músicas mais antigas e se isso procede, então ótimo. Mas você sabe, de certo modo o rock prestou um desserviço à música em geral porque ele marginalizou coisas como o jazz e a música clássica. Então quanto mais o rock se abrir e tiver elementos de fusão com essas coisas, mais ele irá expandir as experiências musicais das pessoas. Isso é uma coisa boa de fazer sempre que for possível.

Eu duvido que ‘Dark Side’ chegasse a um milhão de cópias vendidas se fosse lançado hoje. De certo modo, as orelhas voltadas pro rock e pro pop são mais fechadas hoje do que elas eram 30 ou 40 anos atrás.

Há uma série de questões em relação a isso. Primeiro, a música foi horrivelmente desvalorizada. Isso torna tudo mais difícil pras bandas jovens. Engraçado, as bandas mais velhas e estabelecidas podem sobreviver. Mas também, se você for a um supermercado agora, antigamente era muzak, aquela coisa horrível. Mas de algum modo era melhor do que ir ao super mercado e ouvir ‘Stairway to Heaven’ do Led Zeppelin. O rock n’ roll se tornou música para fazer compras. Quando tínhamos o vinil, por exemplo, nós todos levávamos a coisa a sério desde a abertura da embalagem até a execução do disco. Era uma cerimônia por si própria. Havia mais sentido na importância da arte. A música está meio desvalorizada agora.

Bem, você costumava ter que economizar pra comprar algo que você quisesse muito. Agora você pode simplesmente roubar isso.

No geral, nós damos valor às coisas pelas quais pagamos. Brindes são logo tacados no lixo.

Há algo hoje em dia, algo novo no rock, no jazz ou na música clássica que você adore?

Tem tanta música boa hoje em dia por que muitos jovens são capazes. Quando eu estava crescendo, se eu fosse pro meu professor de música na escola e pedisse pra tocar bateria ou guitarra elétrica, ele teria desmaiado. Isso não existia. Agora os jovens podem tocar guitarra elétrica na escola e eles serão instruídos com uma música de Jimi Hendrix. Isso é fantástico. Eu estive envolvido em um projeto educacional para bateristas e tinha esse moleque de 13 anos que era fantástico, muito melhor do que eu jamais serei.

Vamos ter mais dessas immersion boxes?

A última coisa que eu quero é sobre-explorar o trabalho. Mas até agora a reação à immersion Box de ‘Dark Side’ tem sido ótima. Então planejamos fazer a versão de ‘Wish You Were Here’ mais pra frente esse ano e uma de ‘The Wall’ em 2012. Se houver tempo suficiente, eu adoraria fazer uma versão immersion das coisas antigas. Nós temos demos que fizemos antes de termos contrato com uma gravadora e nós poderíamos combiná-las com coisas dos dois primeiros discos e fazer algo muito interessante com isso.

Faz 20 anos que saiu o ultimo disco do Pink Floyd. A banda está acabada pra você ou há esperança de uma reunião?

Deve estar acabada. Foi extraordinário que tenhamos acabado no Live 8 [em 2005]. Seria um grave erro pensar, ‘Oh, eles tocaram no Live 8, uma turnê é uma possibilidade real’. Nós não pensamos assim. Mas se a razão for forte o suficiente, não seria dinheiro, mas por uma boa causa, então eu acho que poderia rolar. Mas você pode ter uma resposta diferente de David ou de Roger se você perguntar a eles.

por NachoBelgrande

Fonte: site Ultimate Classic Rock

via Lokaos rock show

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

# 200 - 01/10/2011

“Tem violência em Bruxelas, tem violência em Moscou, tem violência em Nova Iorque e também no Brasil. Tem vinganças religiosas, tem vinganças de raças, tem vinganças de governos, tenho medo da guerra! Mas quem se importa? Mas quem se importa? Eu me importo! Eu me importo! Pela paz, pela paz, pela paz em todo mundo!”

Pacifista e ambientalista, Cólera é um dos núcleos da célula punk no Brasil ao lado de Inocentes, Olho Seco e 365. Formada em 1979 pelos irmãos Edson ‘REDSON’ & Carlos ‘Pierre’ Pozzi, a banda paulista participou d'O COMEÇO DO FIM DO MUNDO e do GRITO SUBURBANO, respectivamente o primeiro festival e o primeiro disco punks brasileiros, ambos em 1982.“Em 82 também fizemos nosso próprio espaço, Estúdios Vermelhos, que cedíamos para outras bandas como Ratos de Porão”, disse Redson numa palestra em Belém [PA] no início deste ano. “Comecei a curtir rock com 13 ou 14 anos. Montei 4 bandas e passei a investir. Não tinha como comprar instrumentos e material. A partir do Cólera passamos a fazer nossos equipamentos, foi nesse ponto que saiu o faça-você-mesmo.”

Além do próprio estúdio, também foi a primeira banda punk nacional a criar um selo p/ lançar seus discos, Ataque Frontal, e a primeira a viajar pro exterior em 87, na Cólera European Tour: 56 shows dividindo o palco c/ os ingleses da Disorder e os alemães da Inferno. São 7 álbuns de estúdio em 30 anos de ativismo. Muito antes de ecologia virar moda o trio formado por Redson, Pierre e Val Pinheiro sempre foi anti-guerra & pró-natureza.TENTE MUDAR O AMANHÃ, disco de estréia, foi lançado em 1985 e já aliava o protesto proletário de sons como Agir, Palpebrite e Violar Suas Leis à ideologia anti-armamentista – como em Duas Ogivas, sobre a Guerra Fria. O segundo disco, PELA PAZ EM TODO MUNDO, sai em 86 e vende 85.000 cópias, recorde entre os independentes daquela década. Traz os hinos Medo, Guerrear, Vivo na Cidade e Não Fome!, além da faixa-título. Em 89 é lançado VERDE, NÃO DEVASTE! pela Devil Discos.No início dos anos 90 tocam em Sergipe, no festival Rock In Bica em São Cristóvão. “Tocaram de manhãzinha ao ar livre, de frente pro sol nascente, foi do caralho! Redson ficou maravilhado com isso”, conta Adelvan do Programa de Rock. Foram 3 shows por aqui, o último em Aracaju na turnê do disco DEIXE A TERRA EM PAZ, de 2004. “O segundo foi de novo em São Cristóvão, mas a porrada comeu solta, ele tocando pela paz em todo mundo e a cadeirada rolando.”

Por tudo isso e muito mais, punks & rockers brasileiros estão de luto. Nesta terça-feira Redson morreu, vitimado por uma hemorragia interna decorrente de úlcera. “Redson passou mal quando estava sozinho em sua residência por volta das 2h30 na madrugada de segunda-feira para terça (27), foi socorrido por um amigo que acionou o SAMU e o conduziu ao Hospital João XXIII, na Mooca, onde foi atendido”, postou o baixista Val no Orkut.

O enterro foi ontem no cemitério da Vila Alpina [SP]. “Nó na garganta”, descreve Ivo Delmondes, baixista da Karne Krua & batera da Renegades of Punk, duas bandas sergipanas influenciadas pela Cólera. “As músicas do Redson fazem tanta parte de minha vida que parece que perdi alguém muito próximo. O punk mundial perdeu uma de suas figuras mais inspiradoras. Já pararam para imaginar o punk sem Cólera?”Redson era o mais talentoso da cena punk”, diz Nasi, ex-Ira!, que gravou a faixa Minha Mente no álbum de 2004. “A gente chegou a fazer algumas apresentações juntos com o Rosa Luxemburgo, outro projeto dele. Ele era o mais diferente e ousado. Com sua visão ampla das coisas, se destacou e se tornou a peça mais importante do movimento punk da época.”

“Éramos vizinhos”, diz Ricardo Cachorrão do Rock Press. “Esse cara era meu ídolo quando eu tinha 12 anos, em 1984! Em nosso último encontro, ele estava animado com as músicas novas para o próximo disco e com a possibilidade de um lançamento em DVD no final do ano. No último final de semana a banda fez um show super bem-comentado na cidade de Santos. Ficam para a história hinos como Pela Paz em Todo Mundo, Águia Filhote, Verde, Vira-Latas e tantas outras de um vasto repertório.”“Fui muito amigo dele em 82, no começo de tudo”, falou João Gordo ao site UOL. “Depois nos desentendemos, mas há 5 anos nos reencontramos, colocamos as diferenças em pratos limpos e voltamos a nos falar. A morte dele foi um choque que me machucou muito. Ele é um ícone de nós todos, sobreviventes dessa época. Ele foi o único que manteve as origens do faça-você-mesmo. Era muito jovem pra morrer.”

Redson se foi aos 49 anos, mas deixa como legado sua fidelidade aos princípios e a coerência entre discurso & atitude. “Era um cara perfeccionista, às vezes excêntrico, meio louco, educado, detalhista, mas acima de tudo brilhante e muito carismático”, lembra Marcos da Agrotóxico. Sua influência vai do RxDxPx ao RxOxPx, passando por Devotos, Mukeka di Rato, Gritando HC, todas as bandas que fazem a real cena punk – e as que ainda estão por vir.

“Se seu livro está em branco, está na hora de começar a escrever. Se você não fizer seu sonho acontecer, não vai ser o governo nem ninguém que vai fazer. Se quisermos um mundo melhor, tem que correr. O meu objetivo é esse, alertar. Se cada um fizer um pouco, mudamos.”

Edson Lopes Pozzi, 1962* - 2011+

por Adolfo Sá

vlb

# # #

Cólera:

# Medo
# Don´t waste
# Passeata
# Amnesia
# Palpebrite
# Humanidade
# Pela paz

Misfits - The Devil´s rain

The Pro - Isso é o fim
Quarto Negro - Vesania
(Drop Loaded)

Asian Kung Fu Generation - Blue train
Sonic Youth - The World looks red
Death Cab for cutie - Bath
Joy Division - Disorder
- por Alan "Bidu"

Especial 1991, 20 Anos:

Metallica - Wherever I may roam
Ozzy Osbourne - No More tears

Primus - Tommy the cat
Blur - There´s no other way
Smashing Pumpkins - Rhinoceros

Mudhoney - Good enough
Nirvana - In Bloon
Pixies - Planet of sound
Teenage Fanclub - The concept

R. E. M. - Near Wild Heaven

Madame Saatan, uma entrevista

Madame Saatan é de Belém do Pará, toca música pesada em festivais "indie" onde o Heavy Metal é tido como bizarro e tem formação incomum, com vocais femininos que não descambam para o lírico. Mas agora o quarteto se superou. Radicado em São Paulo, gravou o novo álbum, “Peixe Homem”, com o produtor Paulo Anhaia e mandou masterizar nos States, nos estúdios de Alan Douches, de nomes como Aerosmith e Mastodon. Para dirigir o videoclipe da porrada “Respira”, importou de lá os diretores P.R. Brown e Jaron Presant, que já rodaram vídeos de Slipknot e Evanescence, entre outros - saiba mais aqui.

“Peixe Homem” mostra não só o amadurecimento do grupo - formado por Sammliz (voz), Ed Guerreiro (guitarra e backing vocal), Ícaro Suzuki (baixo) e Ivan Vanzar (bateria) -, exposto em músicas de forte apelo pop. É também a afirmação de uma estética que lhe é própria e peculiar no mundo da música. Os vocais fortes e furiosos de Sammliz tratam de assuntos incomuns na música pesada e mesmo fora dela, ao mesmo tempo em que, musicalmente, os outros três músicos não ficam nada a dever ao que se sucede no heavy metal contemporâneo.

Agora é hora de seguir em frente, em busca de novos espaços no mercado brasileiro e – por que não? – uma carreira internacional. É o que a vocalista Sammliz (“é o meu nome mesmo”, ela garante) conta, nessa entrevista exclusiva e em primeira mão para o site Rock em geral. A gogó de ouro fala sobre as gravações de “Peixe Homem”; da evidente evolução do grupo; das dificuldades de gravar o videoclipe de “Respira” dentro de um rio poluído; de outro vídeo guardado na manga; e até do alardeado boom da música paraense. Divirta-se:

Rock em geral: Como você avalia a gravação de “Peixe Homem”, em relação ao primeiro disco?

Sammliz: Foi tudo muito diferente, quatro anos é muito tempo. Nós já fizemos esse disco em São Paulo, tivemos um pouco mais de tempo para fazer. O primeiro foi gravado em sete dias, num estúdio muito cru de um amigo. Aquele primeiro disco juntava músicas que já tínhamos feito há muito tempo, foi totalmente diferente. Nesse segundo disco nós já éramos pessoas diferentes. Eu não gosto de falar em evolução, mas é como eu sinto, é uma coisa mais madura mesmo, quatro anos é um tempo bom para isso, para pegar mais experiência.

REG: As músicas desse disco são mais recentes ou tem coisa antiga?

Sammliz: A primeira música desse disco que a gente fez em São Paulo é “Rio Vermelho”, feita há uns três anos. Mas todas foram feitas já aqui em São Paulo. Teve música que nós fizemos uma semana antes de entrar em estúdio. “Respira” saiu um mês antes.

REG: É diferente fazer música em São Paulo, uma cidade maior, e que não é a de vocês?

Sammliz: De qualquer maneira nós já iríamos fazer coisas diferentes porque já tinha passado muito tempo. Mas quando se muda de uma cidade para outra, se escreve sobre outras coisas, nós ficamos expostos a outro tipo de coisa, e isso influencia, sim. Mas não dá para apontar em detalhes especificamente, acontece no geral.

REG: E trabalhar com um produtor mais experiente? Onde está o dedo dele no disco?

Sammliz: O Paulo (Anhaia, produtor) é muito gente boa, alto nível, um cara muito experiente. Ele puxou coisas nossas. Gostamos de trabalhar com gente que sabe o que tá fazendo, sabe pressionar, sabe tirar o melhor. Tinha músicas em que ele dizia: “Preciso de mais uma parte, escreve aí agora!”. Músicas que tínhamos acabado de escrever, e era preciso fazer na hora e logo gravar. Foi bacana porque ele nos encontrou num momento em que queríamos soar exatamente desse jeito. É um produtor que puxou o que tínhamos de melhor. Ele me dirigiu na parte vocal, me exigiu bastante. Foi muito bom porque eu gosto de trabalhar com essa pressão. Foi um encontro de almas ali, precisávamos dele, eu não vejo outro cara para ter trabalhado conosco. Era o Paulo mesmo, pelo conjunto da obra. Por ele ter vindo de bandas pesadas, ele entendeu o que a nós queríamos. Estamos estacionando, nesse disco, completamente como nós imaginamos.

REG: Você disse que ele deu o jeito que vocês queriam. Que jeito é esse?

Sammliz: Nós não gostamos dessa coisa de muitos truques, gostamos de soar como somos ao vivo. No primeiro disco muita gente falou que nós não tínhamos conseguido colocar no CD o que somos ao vivo. E é verdade, por uma série de fatores. Então acho que conseguimos fazer com que esse disco soasse mais vigoroso, pesado, gostamos de soar assim. Ele conseguiu mostrar isso, sem trucagem. Tem a assinatura dele como produtor, mas nós somos é aquilo ali.

REG: Vocês se consideram uma banda de heavy metal?

Sammliz: Eu acho que nós fazemos música vigorosa, fazemos uma coisa densa. É metal? Certamente é um tipo de metal, mas eu não vou nem te dizer o que é, metal não sei o que, não sei o que lá. É som pesado, nós fazemos rock pesado.

REG: Vocês acompanham a cena do heavy metal, estão ligados nas bandas, lançamentos?

Sammliz: Somos voltados para a própria banda, mas estamos ligados no que está acontecendo. Gostamos de escutar as coisas novas, estamos sempre ligados no que acontece aqui em Belém, com as bandas daqui. Temos amigos que tocam em bandas pesadas, acompanhamos o que está acontecendo, sim.

REG: O som de vocês nesse disco é bem identificado com o que tá rolando no metal internacional…

Sammliz: Eu não descarto a hipótese de um dia tentar fazer uma coisa no exterior, até porque o mercado lá é bem legal para banda pesada. Mas o que temos para agora é esse disco. E uma das coisas que nós queremos esse disco é viajar bastante, tocar por aqui, mas queremos ir para fora, tentar fazer a coisa por lá. Essa oportunidade já surgiu, mas a achamos que não era a hora. Agora já estamos pronto para isso, para buscar outras coisas, sabe Deus o que.

REG: Os temas que você aborda nas letras são incomuns ao heavy metal, geralmente associado a fantasia, guerra, apocalipse. De onde vêm essas suas histórias?

Sammliz: Ontem me perguntaram sobre isso, porque tem a música “Sete Dias” que fala de religião. Eu adoro religião, não tenho nenhuma, mas adoro. Eu escrevo sobre as minhas coisas, as coisas que acontecem comigo, com a banda, sobre as coisas que eu vejo, sobre aspectos humanos, essas coisas que pertencem a qualquer um de nós, esses questionamentos humanos, simplórios, tão comuns a todos nós, só que da minha forma.

REG: E que forma é essa? Que referências apontam para esse jeito de escrever tão peculiar?

Sammliz: Eu não tenho como te falar de fontes, porque eu leio de tudo, converso muito, bato muito papo com todo o tipo de gente. Gosto de histórias fantásticas, meu pai foi professor de latim e essas coisas vêm à tona.

REG: Você falou em turnê pelo exterior. Era muito comum com as bandas pós Sepultura cantar em inglês, atrás desse reconhecimento fora. Vocês cogitaram isso?

Sammliz: Já teve gente que disse que se compuséssemos em inglês, teríamos espaço lá fora. Falando com o P. R. Brown (que dirigiu o clipe de “Respira”), ele disse que temos que ir pra lá e tal. E nós perguntamos: “Mas cantando em português?” E ele falou: “E o Rammstein?” É tudo tão doido que tudo pode acontecer, até as pessoas nos aceitarem cantando em português. Agora, só dá para fazer musica em inglês se tiver um domínio da parada, coisa que eu não tenho agora. Então não tô pensando nisso agora, não vou fazer uma coisa mentirosa, forçar uma barra.

REG: Vocês circulam muito bem no meio independente brasileiro, apesar de o metal não ser muito bem quisto por essa turma. Por que você acha que o pessoal curte o som de vocês?

Sammliz: Não há muitas bandas de rock pesado circulando nesse meio indie. Não sei te explicar, se as bandas vão mais para o nicho que eles acham que é o delas, não sei. Eu gosto de tocar em qualquer lugar que me aceitem, pode ser um festival com bandas extremas ou de banda indie. Eu vou onde abrem o espaço.

REG: E a aceitação sempre é boa?

Sammliz: Pior que é. Da última vez foi lá no Estúdio SP, lá é o maior “templão indie”. Eles nos chamaram, e eu disse: “Chamaram a gente pra tocar lá?”. Quando chegamos em São Paulo disseram que tínhamos que tocar lá, e mandamos material. Obviamente que ninguém quis, porque não tinha a ver com o perfil da casa. Chamaram agora e nós fomos. Foram as pessoas que foram para nos ver o público habitué da casa. No final ficou uma balbúrdia tão grande que até os habitués ficaram na onda, felizes. As pessoas podem até não gostar de som pesado, mas costuma funcionar com a gente em lugares onde as pessoas dizem que não vai rolar. Não sei te dizer por que, e também estamos pouco nos importando. Vamos lá, fazemos a onda e colhemos coisas boas, o público responde muito bem.

REG: Como rolou de trazer os caras lá de fora para fazer o clipe aqui?

Sammliz: Foi uma doidice. Adoramos fazer clipe e íamos chamar a Priscilla Brasil, que fez os nossos primeiros clipes, mas ela não podia. Começamos a procurar gente para fazer em São Paulo, e ninguém deu confiança, ninguém respondeu e-mail. Partimos para fazer nós mesmos. Pesquisando, chegamos ao P.R. Brown, no Facebook, e mandamos uma mensagem, pensando que íamos receber um “não”. E aí ele respondeu, nós explicamos quem éramos, mandamos duas músicas, da onde viemos e para onde queríamos ir. Ele respondeu que tinha amado e que queria vir ao Brasil. Ele veio, bancou a própria passagem e fez os dois clipes. Ficamos uma semana entupindo ele de comida, eles ficaram doidos. Eles adoram essa coisa da Amazônia, ele ficou encantado, com a chuva. É muito diferente, eles adoraram, ele disse que foi um dos trabalhos mais legais que ele já fez. E com nada, com material de mão, pouca coisa.

REG: Foi ele quem bolou o clipe todo?

Sammliz: Nós explicamos o conceito, eu escrevi tudinho, expliquei as letras para ele, eles começaram a pensar na situação da água e foram amarrando o roteiro. Quando ele chegou aqui já tinha exatamente na cabeça o que queria fazer. Foi tiro e queda, em dois dias de trabalho ele fez exatamente tudo o que tinha na cabeça.

REG: Foi difícil gravar dentro d’água?

Sammliz: Nós só fazemos clipe onde a gente se lasca. Nesse enfiaram a gente na água, e aquele braço do rio era uma situação completamente arriscada para banho, nada aconselhável. Nos machucamos, tinha toco, espinho, cachorro morto boiando, coisa desse nível. Ele chegou e rasgou as nossas roupas, rasgou meu vestido, foi pauleira mesmo. Mas a gente gosta…

REG: Você falou em dois clipes, qual foi o outro?

Sammliz: “Até o Fim”, que não sabemos quando vamos largar. Vamos curtir um pouco esse. Queremos fazer clipe de todo o disco, hoje em dia tá mais fácil. Esse foi gravado mais na Cidade Velha, nas ruínas de uma igreja antiquíssima, as Ruínas do Murucutu. Eu acho que gosto mais do segundo.

REG: Por que “Respira” foi escolhida como carro chefe do disco?

Sammliz: Geralmente a primeira música que escolhemos para mostrar é uma música que explica o disco ou que, pelo menos, dá o tom do que vem no disco. Eu achei que tínhamos que dar logo a cacetada, não tem negócio de arregar, não. Somos isso, dá logo um socão, não fica escondendo com balada. A quase balada do disco seria “A Foice”. Tinha que ser curto e grosso, se não gostar de “Respira” não vai gostar de nada do disco. Somos isso.

REG: A música paraense tem aparecido muito na mídia ultimamente. Como é que vocês se posicionam a respeito disso? Vocês vestem a camisa da região ou reconhecem que tem muita coisa ruim?

Sammliz: Eu visto a camisa do Pará, paraense é bairrista pra cacete. A gente se ama, mas é claro que em qualquer cena tem coisas boas e tem coisas ruins, tem bandas legais e bandas não tão legais. Mas eu gosto dessa onda, é uma miríade de coisas. É o tecnobrega, tem as bandas de rock, porque Belém é muito roqueira mesmo, tem as bandas que mexem com a guitarrada. Eu tô gostando agora mais das pessoas que fazem música popular aqui, a dita mpp (música popular paraense), que eu não gosto de falar isso, acho um termo besta. Eu acho que tá mais legal agora porque eles estão se permitindo flertar com outras coisas, com o pop, com o próprio brega. As pessoas não gostam das coisas daqui, mas estão se aceitando mais, essa coisa do tecnobrega, música de periferia. Eu gosto de muitos artistas de tecnobrega, acho a Gabi (Amarantos, conhecida como a Beyoncé do Pará) de uma capacidade… É uma pessoa muito bacana, nos conhecemos há muito tempo, ela fazendo a onda dela e eu a minha. Pode parecer horrível para muitas pessoas, mas é bom que não seja uma unanimidade, tem que provocar. Acho bacana fazer parte dessa leva de artistas.

REG: Vocês acabam como o patinho feio ou o patinho bonito da história…

Sammliz: Nós somos os excluídos, mas enchemos o saco. Temos um público aqui fantástico, eles nos impulsionam, adoramos as pessoas daqui, elas fazem a situação acontecer. É por isso que as pessoas acabaram tendo que nos engolir mesmo, porque nós não desistimos, somos enjoados pra caramba. Curtimos muito o que fazemos, trabalhamos pra cacete. E não estamos nem aí, procuramos nosso espaço e acabamos conseguindo, tudo na honestidade. As portas vão se abrindo sem nenhum esforço maligno.

REG: O disco foi gravado com verbas obtidas através de lei de incentivo a cultura. Como você vê a utilização dessas ferramentas?

Sammliz: Há varias formas de se fazer a coisa. Se tem o dinheiro para fazer o seu disco, vai e faz. Nós participamos do processo de seleção pelo “Conexão Vivo”, ganhamos um concurso que teve entre as bandas, há uns dois, três anos. Mas precisávamos de uma carta de incentivo para poder gravar o disco, e por isso fomos na Lei Semear. Era uma forma de conseguir fazer com uma qualidade melhor, coisa que nós não conseguimos antes por causa do preconceito com banda de rock. Mesmo com um bom projeto, não éramos aprovados. Quando pegamos essa proposta da Vivo, que queria patrocinar o nosso disco, corremos atrás da Semear e fizemos tudo como manda o figurino. Se você pode usar uma coisa, que é para todo mundo, use. Tente tudo, faça da maneira que você puder. Não tem só um jeito, há muitas moradas na casa do Pai.

por Marcos Bragatto

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

# 199 - 24/09/2011

Verão carioca de 1993, sol queimando na tarde de cimento do Sambódromo, e a multidão de adolescentes vestia camisas de flanela xadrez - imitando o visual desleixado do Nirvana e de seus colegas grunge de Seattle, atração principal daquela noite de janeiro no Hollywood Rock. O figurino, tão absurdo quanto pertinente, repetido em vários pontos do mundo, era apenas a face mais superficial do impacto que a banda havia causado com seu segundo disco, "Nevermind". O álbum trazia por baixo do tecido grosso a música que redefiniria os rumos do rock (e da música pop como um todo) dali para a frente. Naquele momento, o mundo queria vestir camisa de flanela e ser "Nevermind", efeito provocado antes por álbuns como "A hard day's night" (Beatles) e "Thriller" (Michael Jackson). Extrapolando fronteiras de geração, canções do álbum foram gravadas por artistas como Paul Anka e Caetano Veloso, que escreveu recentemente em sua coluna no Segundo Caderno: "'Nevermind' é um dos discos que mais amei na vida."

Mas o que o álbum - que teve uma tiragem inicial de 40 mil cópias, ambiciosa então para uma banda alternativa, mas ridícula frente aos 30 milhões que ele venderia - trazia para justificar o sucesso? Ou, mais que isso, sua condição de marco histórico? O jornalista americano Michael Azerrad, autor do livro "Come as you are: a história do Nirvana", aponta algumas razões:

- Parte da explosão do Nirvana se deve a razões clássicas. A banda veio com um álbum bem produzido, de canções de impecável carpintaria, grudentas. Quase todo mundo percebia que a música do Nirvana era poderosa e cheia de alma. O primeiro single do álbum ("Smells like teen spirit") imediatamente soou como uma das grandes canções da história do rock.

Angústia sob melodias pop

Talvez já fosse o suficiente, mas a chave da questão era maior do que a mera qualidade inegável da banda, nota Azerrad.

- Havia muito mais do que isso. Depois de anos de dance-pop vazio, como Milli Vanilli, e hair bands igualmente vazias, como o Warrant, os garotos queriam rock que falasse para eles e sobre eles, em vez de lixo aprovado por um punhado de executivos grisalhos. A música do Nirvana tinha um ponto crucial por trazer muito do underground que os garotos provavelmente conheciam, mas pelo qual não conseguiram se interessar tanto porque era muito cru e pobre em termos de melodia, até então. E não prejudicava o fato de o vocalista ser bonitinho - diz, referindo-se a Kurt Cobain.

O tal vocalista - que se suicidou três anos depois do lançamento do CD - estava no centro da potência da banda, que tinha ainda o baterista Dave Grohl, hoje vocalista dos Foo Fighters, e o baixista Krist Novoselic. E não só por ser "bonitinho", mas sobretudo pela angústia que, sob melodias pop, conseguiu imprimir na voz, na guitarra e nos versos niilistas, cheios de "I don't mind" ("eu não ligo") e "I don't care" ("eu não me importo") e momentos como "Eu estou tão feliz/ Porque hoje encontrei meus amigos/ Eles estão na minha cabeça" e "Eu juro que não tenho uma arma", que completam o romântico chamado "Venha como estiver" ("Come as you are").

- É um disco pop. Todas as melodias ficam na cabeça. Ao mesmo tempo, é bem cru e violento - afirma o baterista Marcelo Callado (Do Amor, BandaCê), que tinha 12 anos quando "Nevermind" foi lançado e aprendeu a tocar guitarra tirando de ouvido as canções do CD, um dos primeiros de sua coleção. - Talvez o alcance da doce porradaria seja seu legado.

Um legado que deixou marcas mesmo em campos insuspeitos da música contemporânea:

- "Nevermind" está em quase toda parte, do ponto de vista musical - diz o jornalista Arthur Dapieve, colunista do GLOBO. - A tensão e a distensão entre refrão e estrofes viraram lugar-comum. A música vem relativamente calma e explode no refrão. Isso é Nirvana, isso é Kurt Cobain esgarçando suas cordas vocais, isso é "Nevermind". O disco nos apresentou a uma alternativa mais visceral aos deprimidos anos 1980. Depois, mesmo bandas emo, que não têm um pingo de angústia existencial sincera, copiaram a fórmula.

Muito mais do que Kurt esperava. Sua ambição - nada modesta - era ser maior do que os Pixies, banda-referência da cena alternativa. Acabou, ainda em 1991, ultrapassando as vendagens do Guns N' Roses e destronando Michael Jackson e seu "Dangerous" do topo da lista de mais vendidos. E teve, mesmo sobre a geração estabelecida de artistas do rock, um impacto definidor.

- Foi digno de uma bomba nuclear - resume o baterista João Barone, falando sobre como o disco bateu sobre ele e seus colegas de Paralamas do Sucesso. - Ficamos muito impressionados e até aliviados pelo surgimento de um novo trio para realinhar o rock.

Como uma pedra caindo numa piscina, a influência do disco se espalha em ondas.- Muita gente foi filho do "Nevermind", como os Arctic Monkeys - cita o compositor Marcelo Yuka, que lança um olhar político sobre o fenômeno. - Eu fui pego pela sonoridade, mas as letras e a atitude foram o que mais me interessou depois. A atitude de entender o momento que aquela juventude estava vivendo. Na verdade, a juventude americana sofria por ser americana, e isso é um efeito colateral de todo sonho americano. Havia ali uma rebeldia com fundamento, a música expressando um trauma através da guitarra. É de arrepiar!

O guitarrista Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana (que teve influências declaradas de Nirvana em alguns momentos do CD "O descobrimento do Brasil", segundo entrevistas do vocalista Renato Russo na época), é mais abstrato ao falar do disco:

- Energia melódica, eletricidade, intensidade 4x4 e algo a dizer da aldeia para o mundo.

Músicos da atual geração do rock brasileiro também louvam "Nevermind", como Fernando Catatau (para o guitarrista do Cidadão Instigado, Kurt é "um dos grandes nomes da música"), Helio Flanders, do Vanguart, que conheceu o álbum alguns anos depois do lançamento ("Eu me lembro de ouvir 'Lithium' pela primeira vez e ter vontade de quebrar a casa toda, me jogar no sofá"), e Pitty:

- Era um disco resgatando a simplicidade e as raízes do punk rock: uma galera meio ensebada, poucos acordes e berros primais. Me identifiquei imediatamente - diz a cantora.

Novoselic tocará em Seattle

Pitty está num dos tributos a "Nevermind", a coletânea americana "Come as you are". Outro projeto do tipo foi lançado pela revista "Spin", com artistas como Meat Puppets e Vaselines, bandas das quais Kurt era fã. Novoselic, ex-baixista do Nirvana, participará de um show em Seattle no dia 20 de setembro no qual o álbum será tocado na íntegra.

"Nevermind" foi relançado pela gravadora Universal em diferentes formatos, do CD simples remasterizado à edição Super Deluxe (com quatro CDs e um DVD), passando pela Deluxe (dupla, com o disco original e outro de raridades e inéditas). O DVD e Blu-ray "Live at the Paramount", com um show gravado em 1991, também chega às prateleiras. Uma forma de manter a influência da banda viva, o legado que ecoa o ensinamento punk de que ter verdade é mais importante do que ter técnica, como destaca Flanders.

- Absurdamente intuitivo, Cobain deixou a arte de que mais gosto: arte bruta. Ele mesmo bradou: "Venha como você é".

E jurava, em seguida, que não tinha uma arma.

por Leonardo Lichote

O Globo

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Dia 24, “Nevermind” completa 20 anos. Quem quiser saber tudo – mas tudo mesmo – sobre a gravação do disco, com detalhes técnicos e análises das letras misteriosas e criptografadas de Kurt Cobain, deve correr à livraria mais próxima e comprar “Kurt Cobain – Fragmentos de uma Autobiografia”, do chapa Marcelo Orozco, livro que já recomendei diversas vezes.

O que me interessa, hoje, é tentar entender as conseqüências do disco. O que ele mudou em nossas vidas?

Costuma-se dizer que “Nevermind” foi um divisor de águas. E foi mesmo.

Para entender o impacto do disco, é preciso pôr em perspectiva a cena musical da época.

Há 20 anos, havia uma barreira gigante entre o alternativo e o comercial. Eram dois mundos distintos.

Quem gostava de bandas independentes comprava discos em certas lojas, lia certas revistas, ouvia certas rádios e se correspondia com pessoas de gosto semelhante.

Era um clubinho fechado, que nasceu, cresceu e se multiplicou por muitos anos, sem ser incomodado e sem perturbar o “mainstream”.

Bandas como o Nirvana, que nasceram no meio independente, nem sonhavam em ter uma música nas paradas de sucesso ou um clipe na MTV. Isso era para os outros.

No entanto, lá pelo fim dos anos 80, uma série de fatores começou a mudar esse panorama.

Em primeiro lugar, a venda de discos independentes começou a crescer em todo o mundo. Ao mesmo tempo, os artistas pop mais famosos passavam por uma crise comercial e artística.

Grupos oriundos da cena alternativa, como REM, Red Hot Chili Peppers e Metallica, tornaram-se gigantes da indústria.

Em 1991, Perry Farrell lançou o Lollapalooza, festival que provou o potencial mercadológico da cena mais alternativa.

As grandes gravadoras, percebendo a maré favorável, começaram a contratar diversas bandas antes consideradas indesejáveis e sem potencial de mercado.

Daí veio “Nevermind”.

O que rolou imediatamente após o lançamento do disco foi um fenômeno semelhante ao que aconteceria, dez anos depois, com a bolha da Internet: megacorporações jogado dólares para o alto e comprando, a peso de ouro, qualquer bandinha – especialmente as de cabelo comprido e camisa xadrez.

Era insano: bastava Kurt Cobain elogiar uma banda para, minutos depois, ela ser contratada a peso de ouro. Aconteceu com Shonen Knife, Flipper, Eugenius, Flaming Lips, Redd Kross e TAD.

Até o Melvins, uma das bandas mais anticomerciais da história, ganhou uma bolada da Atlantic Records para gravar “Houdini”, disco em que Cobain tocou guitarra e, supostamente, produziu. Digo “supostamente” porque o próprio Buzz Osbourne me disse que Kurt só colocou o nome nos créditos para ajudá-los: “Kurt não era capaz de produzir nem um bolo instantâneo, quanto mais um disco.”

As grandes gravadoras compraram também diversos selos independentes.

Essa corrida ao ouro durou por uns dois ou três anos. Lá por 1995, a bolha indie estourou. E o resultado foi uma cena alternativa completamente esfacelada. Parecia o fim de uma guerra.

Algumas bandas – pouquíssimas, na verdade – sobreviveram. A grande maioria sumiu, levando junto bilhões de dólares em adiantamentos e contratos.

Selos alternativos que, por anos e anos, haviam formado bases sólidas de fãs, foram abandonados por seus novos donos.

Kurt, claro, já não estava vivo para testemunhar. E seu “Nevermind”, o disco que ele chegou a renegar, virou o símbolo dessa época que, paradoxalmente, marcou o apogeu e o início do declínio da cena alternativa.

“Nevermind” foi como o topo de uma montanha, que bandas, selos e fãs levaram anos para atingir, só para despencar lá de cima, abraçados, numa avalanche que soterrou todo mundo.

por André Barcinski

Do Blog

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Não deixa de ser simpático que o fator coxinha do Rock In Rio ainda provoque estranhamento. Que ainda cause certa indignação um suposto desvirtuamento estético do Rock In Rio com as Claudia Leittes da vida. Que ainda se procure no rock algum traço de rebeldia e contestação anti-corporativa.

Essas reações são simpáticas porque mostram que sobrevive a crença de que o rock tem algo a ver com valores contraculturais e transgressores. Infelizmente não tem. Isso está em outro lugar.

Como foi bem lembrado nas últimas semanas, já se vão 20 anos desde a última vez em que o rock encarnou esses valores de verdade. Nome e endereço: Nirvana e seu álbum Nevermind.

Este álbum e a legião grunge/alternativa que navegou no seu vento provocaram uma reviravolta autêntica na juventude e no cenário musical dos EUA (com paralelo no punk inglês de 15 anos antes, como bem lembrou o Sonic Youth no título de seu clássico documentário 1991: The Year That Punk Broke – O ano em que o punk estourou)

Mas, mesmo nesse momento tão intenso e transformador, a capitulação e assimilação pela indústria foi rápida e impiedosa.

(A onda rave/eletrônica, apesar de ter começado antes, levou mais tempo para ser domesticada, graças a sua propagação difusa e falta de estrelas e “produtos” óbvios, como álbuns e turnês. Na Inglaterra, em exemplo repetido depois em muitos países, o enorme setor “informal” do movimento rave só foi freado, ainda que não totalmente, com a introdução de leis draconianas e policialescas)

Kurt Cobain, sempre disposto a atitudes extremas para provar que não iria se entregar tão facilmente, suportou o tranco por três anos. Acabou como bem sabemos. Um mártir que serviu à causa, sim, mas também mais um ícone para ajudar a girar a milionária indústria de tributos, homenagens e lançamentos post mortem do rock.

Eu assisti ao incrível show que o Nirvana deu no Brasil em 93, no Hollywood Rock. É claro que hoje eu penso nele como sendo incrível por causa de sua importância histórica. Mas, na época, me lembro de ter gostado mais do seu significado do que da música em si. Foi um show reconhecidamente instável e caótico. Mas foi um puta show de rock, no sentido transgressor do termo.

Além do show “normal”, com músicas difíceis de serem reconhecidas e a gloriosa cuspida de Kurt na câmera da Globo, veio depois a “jam”, com covers, divagações e uma sensação de anarquia e descontrole. Quando acabou, tinha sobrado um punhado de gente na plateia. Noventa por cento do povo, certamente decepcionado por não ter sido “levado ao delírio” pela banda do momento, não teve saco e não entendeu aquela trip do “foda-se”, aquela auto-imolação em praça pública.

No Rock In Rio 2011 entende-se tudinho: João Gordo sendo chamado de “traidor do movimento”; a máscara de Hannibal Lecter do cara do Slipknot; os urros do Lemmy; o beijo que a Katy Perry deu num desconhecido; a peruca da “tia” Elton; a “atitude” do NX Zero; as tatuagens “iradas” do Dinho Ouro Preto; os solos de guitarra, baquetas voando, distorção, pauleira, pulos, palavrões, caretas, cabelos ao vento, dentes cerrados, roupas pretas, meninas de sutiã, bandeiras do Brasil, flertes satanistas, reboladas sexy, o vídeo anti-drogas, a cerveja oficial, “rock’n'roll”, espetáculo, showbiz, circo…

“Here we are now, entertain us!”

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Ao Mestre, com carinho.

Redson, vocalista e guitarrista do Cólera, faleceu devido a uma parada cardio-respiratória há poucas horas. Ainda não há maiores detalhes mas a notícia já foi confirmada por Val, baixista da banda, via Orkut, e outros amigos do músico por outras redes sociais.

Nossos pêsames aos familiares e amigos. O rock brasileiro está de luto.

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Redson, no auto de sua experiência como frontman da principal instituição do underground brasileiro, nos fala sobre os planos para a sua banda e faz uma reflexão sobre sua trajetória e a do underground nacional, trajetórias que se confundem e se misturam em vários momentos.

1) Em primeiro lugar, gostaria que você nos dissesse qual a diferença entre o Redson de 1979 e o Redson de hoje.
Redson: Em 79 eu tinha 16, hoje tenho 47, mas com uma parcela de 16 ainda preservada. Aprendi a tocar um pouco e gosto de ver como eu era elétrico e empolgado nos anos 70. Aquela pulsação me trouxe até aqui!

2) Fale um pouco sobre o processo de composição do novo disco, data prevista de lançamento, nome, sonoridade, produção, participações e etc.
Redson: O álbum se chamará “ACORDE! ACORDE! ACORDE!, e terá uma sonoridade com pitadas de HC, metal e uma ópera composta por 5 faixas, sendo uma delas, a já conhecida ÓPERA DO CAOS. Estamos lapidando o material e sairá pela Deck Disc ainda em 2010.

3) Como você avalia a atual cena punk/hardcore brasileira? Gosta de alguma banda em especial?
Redson: Bem, vou fazer uma recapitulação breve, desde que comecei a tocar rock; em 1973 e 74, eu via uma cena de rock nacional com poucas bandas, a maioria era de mainstream e haviam poucos show de rock. Os jovens roqueiros dos anos 70, em sua maioria, seguiam o padrão geral dos brasileiros, ou seja, só era bom o som que vinha do “estrangeiro”. Com o surgimento do punk rock, bandas de são Paulo cantando em português, letras próprias e arranjos com cara local. Esta postura foi responsável pela quebra de barreiras para o som feito aqui. De lá pra cá, só houve a intensificação do “faça você mesmo”. Se nos anos 70 as bandas eram de São Paulo, atualmente elas surgem como coelhos, de norte a sul do pais. Nas grandes cidades e também nas pequenas, tem bandas, shows, centros de cultura. Avalio, então, focando a importância desta evolução da cultura alternativa tupiniquim. Bandas que posso citar da atualidade:Zeferina Bomba, Sociedade sem Hino, sem esquecer que muitas bandas antigas estão atuando em grande estilo:Ação Direta, Devotos, DZK, 88Não, Karne Krua, Confronto...

4) Assim como você, também nasci e passei boa parte da minha vida na periferia da zona sul da São Paulo. Qual sua visão sobre a cena cultural da região? Gosta de Racionais?
Redson: A carência de informação e de acesso em geral, faz de regiões como o Capão Redondo, permancerem na situação de subdesenvolvido. Gosto de algumas do Racionais.

5) Na sua opinião, qual é o melhor disco do Cólera? E o pior?
Redson: Em questão de sons, não tenho nenhum que eu não curta ou que seja melhor que outro. Mas em questão de qualidade, cito o que ficou mais “zoado” o Mundo Mecânico (os outros álbuns que tem gravação fraca, não apresentam propostas de sonoridade que tentamos no Mundo Mecânico. O resultado do estúdio decepcionou com a sonoridade). Já, melhor tecnicamente pra mim, estão empatados o “Deixe a Terra em Paz!” e o “Primeiros Sintomas”.

6) O Cólera já esteve duas vezes na Europa, e foi a primeira banda punk brasileira a excursionar por aquelas bandas, algo que muitos nem imaginam. Quais as diferenças entre o cenário underground europeu e o brasileiro?
Redson: O padrão de vida europeu já difere e muito do nosso. A cena de lá tem um histórico de auto-estima e infra estrutura bem mais acima do que o brasileiro. Alguns squats possuem hoje, infra de SESC (mas com aparência de centro cultural..hehehe). As pessoas engajadas na cena, em sua maioria, são bem informadas; sabem muito sobre a história do nosso país, tanto em questão de underground, como de Amazônia, lutas ativistas. Eles valorizam muito as bandas como Cólera, que construíram uma história sem muitos recursos por aqui e ainda, abriram caminho mundo afora para o som do faça você mesmo tupiniquim.

7) Você também participou na fundação de outra banda seminal em nosso cenário, o Olho Seco. Conte-nos um pouco sobre sua época no Olho Seco.
Redson: Era de certa forma divertido, bolar arranjos que as vezes era tiração; como "QUE VERGONHA" e ver o Fabião incluir letra e virar um som legal e oficial. Até mesmo ser regravado. Eu gostava muito de tocar na banda e dos arranjos que fazia na época, aliás, todos gostavam. O Olho Seco surgiu somente para gravar no Grito Suburbano e acabar, mas o som, a idéia, eram tão marcantes que a banda perdurou história adentro, ou melhor, afrente. Eu só sai da banda quando a idéia foi mudar o som de HC para crossover.

8) O Cólera sempre abordou a questão ambiental em suas letras, em alguns discos até mesmo de uma maneira mais enfática como foi o caso do Verde, Não Devaste (1989) e do Deixe a Terra em Paz (2004). Você é afiliado ou simpatizante de alguma organização/ong de defesa ambiental ou age de maneira isolada para preservar o ambiente?
Redson: Essa questão é para mim, a mesma coisa que perguntar sobre política. Acho que essas posturas temos que ter no dia a dia, esteja filiado a grupos organizados, partidos ou o que for, vale aquela frase:”não adianta ir a igreja rezar e fazer tudo errado!” Na época do Verde, estive no CEACOM que foi o grande contribuidor do material que consta no zine encarte que vinha no LP (hoje parte do encarte do CD = ilustrações e textos).


9) O Cólera está no cast da Deck Disc? Se sim, o que motivou a saída de Devil?
Redson: Não saímos da Devil, hehehe. Somamos mais uma parceria, a Deck, que vai lançar um álbum do Cólera, o ACORDE ACORDE ACORDE.

10) Esse será o primeiro disco com a formação clássica da banda em 23 anos (o último foi o EP É natal!!? de 1987). Podemos esperar uma sonoridade um pouco mais próxima do "Pela Paz Em Todo O Mundo"?
Redson: Não. O álbum tem uma pegada de um pouco de cada época, com boa influencia de metal e também pegadas atuais. Tem uma ópera formada por 5 musicas. Poucos solos. Alguns vocais com timbres novos e outros do jeito antigo.

11) Como você administra a relação banda/família com seu irmão Pierre?
Redson: É sussa. Sabendo separar os assuntos, dá para fazer muita coisa junto.

12) Todos sabemos que é inviável viver do underground brasileiro unicamente. Gostaria que você falasse sobre as ocupações da cada um fora da banda.
Redson: O Pierre trabalha firme numa corretora de grãos; soja. O Val também tem emprego fixo. Eu, vivo de música atualmente; dou aula de canto, faço produção de áudio (preparar e gravar a banda em estúdio); e também trabalho com 3 bandas, o Cólera, o Combat Rock, que toca The Clash e rock nacional dos anos 80, e a mais recente, Sex Pistols cover.

13) Ping-Pong:
Rock: boa saída para a liberdade
Drogas: veículos potentes, se não pilotas, não entre
João Gordo: amigo Internet: "faca de 2 legumes", o que vale é a intenção por trás da faca.
Emo: tional
Dinheiro: "faca de 2 legumes"
São Paulo: megacrazybigcity, and Ilike it!!!
Cólera: amor incondiocional

14) Espaço livre. Diga o que quiser.
Redson: Faça você mesmo, faça pra entender!!!

23/05/2010 | por William Alves

punknet

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Não lembro exatamente como conheci o Cólera, mas acho que foi através da Revista Bizz, minha principal referencia sobre musica nos anos 80. Lembro bem que eles fizeram uma materia grande sobre a tour deles pela Europa, feita "na raça", que muito me impressionou. Tanto que entrei em contato com o CIC - Centro Informativo Cólera, uma distribuidora que o Redson tinha. Mandei meu fanzine pra eles distribuirem e comprei o vinil da tour na Europa. Foi principalmente através desse disco que conheci a banda, tenho até hoje - deve ser raro. Vou confessar que curtia mais o Ratos de Porão, principalmente porque achava as letras do Cólera ingênuas demais, beirando mesmo a religiosidade, coisa que eu só vim notar agora, lendo declarações como a do Juliano Mattos e do Calanca da Baratos Afins, reproduzidas abaixo, e por uma observação feita por minha mulher, que ao me ouvir cantar "medo" perguntou "que é isso? Uma música de crente?". Eu nunca tinha feito essa conexão, só achava ingenuo mesmo, meio "auto-ajuda", por isso preferia as letras mais "ácidas" do RDP. Mas hoje em dia eu gosto. Acho que, na época, confundi otimismo com ingenuidade. Porque se tem uma coisa que Redson demonstrava ser, era otimista. Ele sempre achava que era possivel, e frequentemente provava estar certo. Por isso mesmo era (É! E vai ser para sempre) uma puta referencia: lembro que a primeira vez que vi a Karne Krua só me vinha à cabêça a frase: "eles são tão bons quanto o Cólera".

Assiti 3 shows do Cólera, todos aqui mesmo, em Sergipe (não necessariamente em Aracaju). O primeiro em 1992, num festival célebre em São Cristóvão onde tocaram também Attack Epileptico, Inocentes e karne Krua, dentre outros. Lembro bem de Redson emocionado, saudando o nascer do sol de frente pro palco - o evento era ao ar livre e eles tocaram de manhãzinha. A segunda vinda deles praqui foi também em São Cristóvão, curiosamente, já que lá quase não rola show de rock underground. Foi já nos anos 2000, não lembro bem a data correta. Mas lembro que foi num Mercado abandonado e rolou muita briga. Era Redson cantado "pela paz em todo o mundo" e o pau comendo pra todo lado, cadeira voando e as porra. Ele ficou puto, falou um monte, mas não deixou de fazer um grande show - aliás, um excelente show! Fiquei muito impressionado com a garra dos caras, ao vivo. Todos já coroas, de cabêlos brancos, mas parecia que tinham começado a banda no dia anterior.

O terceiro show foi também a estréia da banda na capital sergipana. Foi na ATPN, então o "templo" do rock alternativo na cidade, com bandas locais históricas, como xreverx, Inrisório e, claro, a Karne Krua. Foi pouco tempo depois do segundo e igualmente impressionante, se não acredita, confira clicando aqui.

E foi isso. Nunca conversei com o Redson nem mantive nenhum contato mais próximo com ele, mas sua morte foi a que mais me abalou desde a de Kurt Cobain. Pela importancia da figura e porque ele era jovem demais para morrer.

Que descanse em paz.

Adelvan, pdrock

Qual a importância da música na vida de uma pessoa? O quanto ela influencia um caráter?

Em 1999, movido por uma fome insaciável por música ao haver adentrado na cena punk, conheci a banda Cólera por acaso. Estava numa locadora de CDs em Aracaju, cidade onde vivia. Sem internet e sem muita divulgação do gênero na capital sergipana, a locadora era a única forma de descobrir coisas novas. Arranjei um trabalhinho miserável para ganhar 12 reais por semana. Com esse dinheiro, ia a shows de punk nos fins de semana e alugava 4 CDs pelo preço de 3 (promoção da locadora). No começo, como todos os demais, limitava-me às bandas comerciais. Offspring, Green Day. Também Ramones, Clash e Sex Pistols. Às vezes conseguia conhecer algo do cenário underground nas madrugadas da MTV. Sempre anotava num caderninho o nome das bandas que via na emissora para depois procurar na locadora. Foi assim que dei os meus primeiros passos no cenário punk.

Mas um dia, ao vasculhar por algo novo na locadora, deparo-me com algo inusitado. Uma banda chamada Cólera. O álbum se chamava Tente Mudar o Amanhã. Sabe quando você nunca viu ou ouviu falar de uma banda antes, mas algo te diz que você a conhece? Pois é! Não sei como, mas eu sabia que Cólera era uma banda punk brasileira. Talvez alguém a tivesse mencionado para mim antes, talvez por causa do nome, que só pode ser nome de banda punk mesmo. O certo é que aluguei o CD.

O Tente Mudar o Amanhã, de 1985, tem uma gravação fraca, de má qualidade, mas as músicas têm energia. Para mim foi um soco no estômago, porque era a primeira vez que eu ouvia uma banda punk brasileira. Na verdade era a primeira vez que eu ouvia uma banda punk de verdade, das profundezas. Eu não fazia a mínima ideia da importância de Cólera não apenas para o Punk brasileiro, mas também para o Rock. Era um álbum antigo de uma banda antiga, era tudo o que eu sabia. Não fazia ideia se ainda existiam.

Semanas depois, encontro na locadora o álbum Caos Mental Geral, de 1998. Um álbum com muito boa qualidade sonora e com a mesma pegada do Tente Mudar o Amanhã. O que mais me surpreendia eram as letras. Não sei porquê, mas inicialmente eu pensava que Cólera fosse uma banda religiosa. Loucura mesmo, não sei explicar. Essa ideia entrou na minha cabeça e permaneceu, mesmo tendo a música Fuck I.U.R.D.

As letras eram de uma bondade militante que eu não conhecera antes. Até então, só ouvia bandas estrangeiras que cantavam em inglês, e eu não entendia patavinas. As letras de Cólera falavam sobre pacifismo, abominavam a violência, falavam da natureza, dos animais, de amizade, de união.

Cólera não mudou o amanhã, mas mudou a minha vida. Esses dois álbuns referidos foram os dois pilares a partir dos quais desenvolvi-me dentro do punk e cresci como ser humano, sempre tentando ser coerente nos meus atos. Quando cheguei a Portugal, em 2001, o primeiro disco que comprei foi o Pela Paz Em Todo O Mundo. Mandei vir por encomenda através de uma loja especializada em música alternativa na pequena e deprimente cidade de Braga. Até então só tinha ouvido o Tente Mudar o Amanhã e o Caos Mental Geral. Mais tarde ouvi o Verde, Não Devaste, um manifesta ecologista.

Foi através de Cólera que conheci centenas de bandas brasileiras, das mais conhecidas às mais obscuras. Foi ouvindo Cólera que alimentei um espírito jovem combativo e ativista, hoje meio adormecido. Não sei explicar por palavras a importância desta banda na minha vida e no rumo que segui a partir de 1999/2000. Se não tivesse conhecido Cólera, talvez tivesse seguido uma vida totalmente diferente, com uma mentalidade diferente. Ou talvez teria sido outra banda a transformar-me.

Não importa! Aconteceu e foi com Cólera. Minha gratidão pelo que a banda me transmitiu será eterna.

E Cólera não mudou apenas a minha vida. Mudou o cenário musical brasileiro também. Surgida em 1979, foi uma das primeiras bandas punk no Brasil. Participou do primeiro disco punk lançado no país (Grito Suburbano, de 1982, junto com Inocentes e Olho Seco) e também do histórico festival O Começo Do Fim Do Mundo. Foi a primeira banda brasileira a fazer uma tour europeia, abrindo caminho para tantas outras que o fizeram posteriormente. Foi através da divulgação que Cólera fez da própria cena brasileira na Europa que o punk tupiniquim entrou no mapa. Nos anos 80 a banda passou anos escrevendo cartas para a Europa cujas respostas chegavam vários meses depois. Trocavam material e informação, e conseguiram agendar shows através dos contatos postais. Tudo feito de forma DIY, com um esforço comovente.

Cólera é a principal instituição da música underground brasileira. Seguirá eterna!

Há uma semana, na Quarta-Feira dia 28 de Setembro, acordei para mais um dia de luta em Praga. Mais um dia de superação, de confronto com uma realidade implacável, fria, cruel. Mas ao ligar o computador e ler as novidades, ainda deitado na cama, desejei não ter acordado. A notícia da morte de Redson, vocalista e guitarrista de Cólera, chocou-me.

Uma música de Legião urbana diz: "é tão estranho, os bons morrem jovens". É realmente estranho. Os Paulo Maluf da vida nunca morrem, seguem detestáveis até aos 80, 90, 100 anos.

Não conheci Redson, mas quem o conheceu disse que era a simpatia em pessoa, um batalhador, uma pessoa aberta. Também era saudável, não abusava de drogas, era vegetariano e fazia esportes. Morreu devido a uma hemorragia causada por uma úlcera no estômago.

Mas o que Redson fez seguirá e continuará mudando a vida de outras pessoas como mudou a minha. Os álbuns de Cólera e a voz emotiva de Redson seguirão inspirando e transformando. A música nunca morre.

Eu tinha o sonho de um dia ver Cólera ao vivo. Seria um dos momentos mais emblemáticos da minha vida. Infelizmente, não será mais possível. No entanto, rejuvenesço a cada vez que ouço um álbum da banda.

Que seu exemplo seja seguido, e que sua morte sirva para nos alertar a todos nós acerca da nossa própria vida, tão curta para ser desperdiçada em banalidades, com comportamentos mesquinhos e com medos infundados. Que seu desaparecimento sirva para nos acordar e para agirmos como ele agiu. Para batalharmos como ele batalhou, sempre com otimismo e boa disposição. Sempre acreditando em nós próprios.

Obrigado por tudo, Redson!

Juliano Mattos

Esse cara que partiu hoje era meu ídolo quando eu tinha 12 anos de idade, em 1984! Os anos passaram, nos conhecemos, nasceu uma grande amizade... éramos vizinhos, horas e mais horas de conversas sobre música, comportamento, cultura em geral... horas ouvindo New Model Army e Mestre Ambrósio! Ele é um dos 'culpados' por eu ser quem sou hoje! O que posso dizer é que TÁ FODA!
RIP, Reds!
Ricardo Cachorrão
Portal Rock Press

Acabamos de perder um dos maiores símbolos da resistência, não-violência, humildade e caráter. Sem falar que uma das figuras mais emblemáticas do movimento punk no Brasil. A passagem do Redson em minha vida não foi algo muito passivo. Aos 12, 13 anos, minha irmã chegou em casa com alguns discos de punk rock. Um deles era o "Pela Paz em Todo Mundo" do Cólera. Pronto. A partir daí iniciou-se um processo que ajudou a construir esse ser que eu sou hoje. Há alguns anos tive a oportunidade de entrevistá-lo e conhecê-lo melhor. Nos tornamos amigos e realizamos alguns trabalho juntos (sempre na camaradagem). Ele é desde sempre, uma referência pra minha vida. Fica aqui a lembrança de um cara doce, atencioso, simples e, principalmente, apaixonado pelo que fez! Vai lá, meu velho, sem você não existiria punk no Brasil! Obrigado por tudo que você fez, mesmo inconscientemente...
Márcio Sno, Editor Portal Rock Press

Sem palavras. Chocada. Abismada. Puta idealista, mostrou o que é fazer com paixão. Admiro pacaraio. Mesmo.
Cláudia Reitberger
Editora Portal Rock Press

Fim de uma era da música brasileira, das minhas influências musicais, de atitude, de underground, da porra toda. com a morte do redson e o fim do cólera, fica tudo pra trás. Fui pra Europa por causa desse cara, ele começou tudo pra todo mundo no Brasil. cada banda de punk/hc q foi pra Europa, foi porque esse cara passou meses escrevendo cartas, mandando fax, esperando, marcando. Redson foi a maior influência em tudo q eu fiz até hoje na música.
Leonardo Panço, Autor do livro Esporro

Puta Perda Irreparável !!! Um ícone, um pioneiro, um cara crucial que dedicou sua vida ao CÓLERA e a cena independente brasileira !!! A familia AÇÃO DIRETA está de LUTO !!! Nossos sentimentos aos familiares e aos demais integrantes da banda. DESCANSE EM PAZ REDSON !!!
Gepeto / Marcão / Galo / Pancho
Ação Direta


O Redson era simultaneamente o cérebro e coração do Cólera, banda que explorava muito assuntos como paz e ecologia em suas letras, com um som bem influenciado por GBH e que, ironia ou não, se manteve independente desde quando foi criada, há mais de 30 anos. Uma das minhas bandas nacionais favoritas. Integridade era a palavra. Saudade é o que fica. Um cara muito gente fina que se vai, e em contraponto mais um mito punk que nasce. E nesse dia Deus pogou!
Marco Lima, Portal Rock Press

é com lágrimas nos olhos que recebo a noticia da morte prematura do maior îcone do punk brasileiro .. DESCANSE EM PAZ, REDSON
João Gordo, RDP, do Twitter oficial

O Olho Seco está de luto pela morte do membro de sua formação original, Redson Pozzi. Descanse bem, amigo. Você cumpriu sua missão.
Olho Seco

Além de fazer parte da própria criação, ele criou e fortaleceu idéias, ideais, pessoas e pensamentos. Redson Pozzi, esteja em paz.
Confronto

O Redson foi, na minha opinião, o cara mais criativo do Punk Rock brasileiro. Dono de um estilo original de composição e letras positivas, quem já viu um show do Cólera certamente se impressionou com toda sua entrega e energia no palco. O Redson, de quem tive o privilégio de ser amigo e de dividir palcos e vans por todo o Brasil, era um cara perfeccionista, às vezes egocêntrico, meio louco, educado, detalhista, mas acima de tudo brilhante e muito carismático. Poucos são aqueles que, apesar de nos deixarem tão cedo, deixam também uma obra tão inesquecível e uma influência absolutamente positiva. Descanse em paz, amigo!
Marcos, Agrotóxico / Olho Seco

Quando saiu o "Pela paz em todo mundo",ele pediu que o 365 tocasse antes do Cólera no show de lançamento. Havia um camarim improvisado atrás do palco onde eu fumava como uma chaminé.Ele puxou um assunto qualquer e foi saindo por uma porta que dava para o pátio externo. Eu o acompanhei e ele foi falando, falando,até que eu acabei de fumar. Ele terminou o assunto imediatamente e voltou para o camarim. Percebi que tudo aquilo era para eu não fumar no camarim. Era o jeito dele. As coisas aconteciam como ele queria mas, suavemente. Ele conseguia ser diferente mesmo entre os diferentes sem se igualar aos iguais. O ideal está vivo!
Finho, Vocal 365

"As vezes precisamos de pessoas que falem, q cantem, q gritem para que possamos refletir sobre nossas atitudes, o Redson foi uma delas, mesmo não estando nos potentes auto falantes da grande mídia sua voz continuará ecoando por todos os cantos, sua personalidade e determinação perpetuará sua mensagem. Redson, obrigado por ajudar a escrever a história de nossa música!"
Nonô, Inocentes

Morreu o punk brasileiro que ajudou a formar a parte boa do meu caráter com 3 acordes.
Mozine, Mukeka Di Rato / Laja Records

O Redson foi pioneiro numa cultura num país onde a violência e a pobreza era/é uma regra diária. Ele e mais alguns outros caras, tornaram o punk uma coisa mais nossa, vivendo toda a idéia dentro de uma realidade brazuca. Conheci o Cólera com treze anos de idade, tenho trinta e oito hoje, a banda fez parte da minha formação como gente. No meu tempo de moleque não se falava abertamente sobre violência policial, guerra, racismo e sobre paz. Isso fez toda a diferença na vida de um garoto que vivia no ES e que até os doze anos
achava que música era aquilo que tocava nas rádios fm. Tive o imenso privilégio de conhecer o cara muitos anos depois, já com a minha
banda. Mesmo tendo crescido numa cultura de não enaltecimento de heróis e estas coisas, no dia que conversamos cara a cara pela primeira vez, deu um frio na barriga porque ao final das contas estava ali na minha frete o cara que escreveu letras como "Vivo na cidade", "Pela paz", falou até abertamente sobre direitos humanos em 1986, num tempo em que nego tinha medo até da própria sombra. Pra minha surpresa o Redson foi um cara muito acessível, muito simples na lida com as pessoas, sorria, contava histórias e ouvia, acima de tudo ouvia as pessoas. Ele por direito, depois de tantas coisa vivida no meio do punk, podia ter se tornado pessimista, debochado e até ter adquirido um cinismo defensivo bem peculiar dos artistas brasileiros, mas não, ele te olhava no olho, tinha um otimismo em falar das coisas, não se colocava um degrau acima, definitivamente acreditava no que escrevia, mantinha o espírito desarmado, fazia a diferença
sendo deste jeito. Tenho uma regra de nunca conhecer meus heróis muito a fundo pra não estragar o legado de suas obras. No caso do Redson foi exatamente o contrário que aconteceu, passei a dar muito mais valor ao seu trabalho, justamente por ter conhecido o cara. O Brasil e o punk mundial perdem um de seus mais intensamente honestos sonhadores e esta lacuna dificilmente será preenchida.
Rodrigo, Dead Fish

Em qualquer outro lugar do mundo, Redson ganharia ares de Jello Biafra. Seria tido como um grande agitador punk, um cara que criou um universo ao seu redor, que se recusou a entrar em buraco de rato (para, citando Raul Seixas, não ter que agir como um deles). E que, por vias tortas, acabou sendo um precursor do rock nacional. O Cólera começou em 1979, quando não havia nem Blitz e achava-se
que pop nacional eram Pepeu Gomes, o 14 Bis e o Boca Livre. E o cara já estava lá, mostrando uma realidade que não aparecia nas paradas de sucesso, que não vendia discos, mas movimentava uma legião urbana (sem trocadilho) de jovens que procuravam mesmo uma perspectiva na vida. E ainda temperando o discurso punk com propostas de paz e alguma religiosidade, caso raro entre os garotos do subúrbio. A questão dessa juventude punk não era o bullying, não era arrumar uma namorada, não eram as espinhas, não era tocar som alto no quarto para zoar os pais. Era uma inadequação social e financeira braba, que corrói até hoje as estruturas do nosso país e que (vai entender) é incapaz de produzir novos Redsons e novos Cóleras na era da internet, período propício para isso. Quem sabe eles estejam por aí e a gente não sabe. Ainda. Adeus, Redson, descanse em paz.
Ricardo Schott, Portal Laboratório Pop

redson foi precursor, batalhador ha mais de 30 anos, sempre passando mensagens de paz.. a palavra paz era muito usada nas suas letras.........cara alto astral, excelente carater, facil ocnvivencia e deixou um legado importante pro nosso tao desconsiderado rock nacional ...ele lutou em paz e pela paz que tambem descanse em paz a luz ainda brilhara

Wilson Caramello

Acordei na Quarta dia 28 de Setembro com uma baita dor de cabeça e como não agüentava mais ficar na cama decidi fuçar no Facebook...a porrada me acertou de primeira... vários posts diziam que Redson do Cólera tinha falecido...duvidei, não podia ser e eu não queria acreditar...Catei o telefone e liguei pro meu amigo e parceiro de shows Ricardo “Cachorrão” Flavio entender o que estava acontecendo.Ao atender Ricardo, logo me disse: -É, perdi meu amigão...ele se foi, com a voz embargada e claramente segurando as lagrimas. Mas como??? Ataque Cardíaco, foi a resposta e a ficha caiu!! Ricardo disse que retornaria pra falar do enterro e desliguei atônito. Redson era camarada e só por isso eu já estaria mals, mas além disso ele foi um dos fatores que me levaram curtir e amar tanto o Punk Rock como amo hoje. Comecei a lembrar claramente de escutar Cólera no meu “3 em 1” com o encarte na mão pra entender a letra, pois era a coisa mais rápida que tinha escutado em toda minha vida...era alucinante. As coisas foram acontecendo, mas nunca consegui (nem queria) tirar o Punk Rock da minha vida, ao contrario, me envolvi cada vez mais e virei fotografo e repórter da cena. Assim é claro que o Cólera e Redson começaram a fazer parte da minha vida, foram inúmeros shows e papos, embora menos papos do que eu gostaria, mas o suficiente pra sentir o vazio que senti quando tive certeza de sua partida. Perdemos um líder, um ativista e um amigo... Perda irrecuperável, mas como simples humanos de merda que somos nada podemos fazer pra reverter um quadro desses... só nos resta aceitar e quando estivermos em qualquer roda punk, com a cerveja na mão, manter vivas as lembranças dos shows fantásticos e intermináveis do Cólera, sempre capitaneados pelo Redson. Seu corpo se foi irmão, mas seu legado não. E fique tranqüilo pois nos lutaremos para perpetuá-lo enquanto houver alguém procurando pela rebeldia do Punk Rock!!
Vá em PAZ!!
Flavio El Loco, Fotografo

redson foi um dos primeiros punks paulistanos de verdade que conheci de fato e pessoalmente, qndo veio para o mitico festival no circo, em 1983. na epoca, as bandas se espalharam pelas casas de amigos ao redor do circo (alguns ate acamparam no mesmo lugar), e o val ficou na minha. a maioria deles ficou na casa do satanesio (black future), na lapa, pq era uma pensão. confesso que, nesse primeiro momento, fiquei mais amigo da galera dos inocentes e do lixomania, mas, ao longo dos anos, tive mais contato constante com redson, que sempre tinha algum projeto, algo diferente a contar, e ligava ou mandava noticias por email. como jornalista, eu era sempre informado por ele do que estava rolando, ja que a banda estava sempre organizando alguma turne europeia ou lançando seus discos em novos formatos. a ultima vez que falei com redson foi antes do show na drinkeria (copacabana, rio), ha alguns meses, quando vieram para o show de 30 anos do cólera. na época, ele estava cheio de planos (como sempre), dizendo que ia relançar varios discos do cólera em cd com faixas-extra, inclusive aguns singles que so haviam sido lançados em vinil. lembro que, no auge do radicalismo punk, redson era olhado meio de lado, pq era um cara mais gentil e cujas letras falavam de coisas como paz e ecologia; chegava mesmo a ser chamado de gay por alguns. mas foi dos mais ativos e batalhadores em manter o nome da banda e do punk nacional sempre em evidencia. para ele, nao havia descanso e, por isso, a banda foi das unicas do punk original paulistano que continuou sempre na ativa, em evidencia. entao, acaba sem realmente acabar'. *por coincidencia, um dia antes da morte de redson eu estava com o vinil de 'tente mudar o amanhã' em maos, pois estava dando uma geral nos meus discos de punk rock dos anos 80 e separei este pra ouvir.
Tom Leão

Fiquei chocado quando minha amiga me perguntou se eu sabia sobre o falecimento do Redson. Fui olhar no perfil dele, li as pessoas comentando e vi que infelizmente era verdade. Mesmo tendo pouco contato, sempre o vi como uma pessoa simples, humilde e verdadeira. O Cólera sempre foi uma banda que eu respeitei pela atitude, letras e pelo corre do faça-voçê-mesmo levado seriamente. Quando eu cantava no Cold Beans, por volta de 93, o baixista da banda sugeriu que a gente tocasse a música "1992" e foi meu primeiro contato mais sério com as letras e composições dele. Fiquei impressionado e passei a respeitar ainda mais a banda. Acho que a perda do Redson para a cena punk rock e até mesmo rock em geral - apesar de estar infestada de figuras plásticas e descartáveis - é irreparável e levaremos um bom tempo para nos acostumar com sua ausência. O Redson é uma pessoa que realmente fez a diferença neste planeta e ensinou muita gente a lutar por seus ideais de vida e musicais. Desejo de coração que a nova caminhada no plano espiritual que ele se encontra agora seja repleta de luz e que Deus ajude a confortar o coração dos parentes e muitos amigos que ele deixou nesta vida.
César Carpanez, Highlight Sounds

Grandes idéias vem de grandes homens. O maior legado do Redson são suas idéias. Coisas simples como liberdade, justiça, paz, mas que infelizmente muitas vezes são esquecidas, eram bandeiras na vida não apenas do músico, mas também do cidadão. Conversamos poucas vezes, e nem precisava de mais, suas músicas já me falaram tudo o que eu tinha que saber, desde moleque até hoje. O corpo foi, a palavra fica. O legado permanece.
Wladimyr Cruz, Zona Punk

Conheci o Cólera ainda adolescente, aos 16 anos, idade perfeita para abraçar o idealismo e o espírito das músicas do grupo. Lembro de shows muito empolgantes, da paixão e da raiva misturadas em coros e danças que não eram só aparentemente agressivas. Dava para sair machucado de um show deles. Machucado e feliz, porque a música e a intensidade da experiência sempre compensavam. Devo ter tido mais contato com o Redson como fã do que como jornalista; entrevistas, acho que foram só duas ou três. Ele era doce, tímido, sereno, um ser humano raro em um meio rude e acostumado a se defender da incompreensão alheia com hostilidade. Abriu as portas para muita gente, deu força e inspiração para gerações e gerações de jovens chutarem outras tantas portas... Ao longo dos anos 90 e 00, o rock nacional, o punk, o Brasil e o mundo mudaram muito, foram ficando cínicos e escrotos demais. Mas o Redson parecia estar ali, onde sempre esteve, fiel às suas convicções... Mesmo que a história não seja bem assim, estou torcendo para que o Redson fique eternamente como o Redson que eu conheci ainda moleque, o que escreveu canções perfeitas como "Medo".
Pedro Só

Estamos muito tristes pela morte do nosso amigo Redson da banda Cólera. Ele, junto com o Cólera, foi uma das maiores influencia que os Devotos tiveram. Nossos profundos pesares e nossas condolências a família e aos fãs. Redson esperamos continuar nossa verdade através da música. Vc estará sempre vivo em nossa memória. Jah Bless. Esse vídeo http://youtu.be/MYsPbfw-lU0 é uma pequena homenagem, inesquecível e emocionamte!!!! REDSON com a banda DEVOTOS no sesc Pompéia.
Cannibal, Devotos

o que falar sobre o Reds? Tantas coisas... o peito tá vazio aqui... A ficha não caiu. Tudo parece um pesadelo, um daqueles trotes de mau gosto que brotam na internet e se espalham rapidamente.O Redson passou de ídolo a amigo num piscar de olhos, ou melhor, numa transcrição de mini-fitas k7 com uma entrevista feita há alguns anos atrás.O legado que esse cara deixou para os amantes da música e da arte não tem como ser mensurado. Ele fez do punk uma forma de se comunicar, ele sacudiu o público e fez as pessoas olharem em volta. Quem não olhava pro lado durante um show do Cólera, quando o hino "Pela paz em todo mundo" era tocado? Quem não batia no peito e dizia "eu me importo! eu me importo!". Ele mostrou que o punk vai além do visual agressivo, ele mostrou que ser punk é ter respeito pelo outro, é ser consciente, é cuidar da terra, é olhar pra dentro de si mesmo. Ele sempre esteve à frente de seu tempo. Voa águia filhote! Vai, cai e se levanta, até alcançar, se superar.
Deise Santos, Revoluta Produções

Conheci pouco o cara, e dividimos camarim, palco e noite de shows no ano passado no Goiânia Noise 2010, quando toquei com os 3 Hombres. Redson me pareceu uma cara muito simpático e simples, a exemplo de tantos outros "punkers" nascidos e crescidos nas periferias de São Paulo, especialmente a Zona Norte, um dos maiores celeiros punks do Brasil, onde surgiram Inocentes, Ratos de Porão etc. Pouco conheci o Cólera, mas com certeza, sob a batuta de Redson, era um dos principais grupos do punk nacional. Uma perda para esse movimento quase vitalício, com certeza...
Jair Marcos, Fellini/3 Hombres

Conversei poucas vezes com o Redson, mas já cheguei a dividir o palco com ele duas vezes com o Kães. O cara sempre sorridente, educado. Mas além disso, o cara deu a vida pela música. Dava pra ver isso em qualquer show do Cólera que o cara tocava até não aguentar mais, aí fazia uma pausa e dava mais um pouco de si. Também foi indispensável pro crescimento da cena independente nos anos 1980 com a Ataque Frontal e o exemplo de que, se você se esforçar, as coisas acontecem. Vai fazer muita falta, mas o exemplo dele tá aí pra sempre!

Alexandre Saldanha (Arroz), Portal Rock Press/ Psychobilly

Adotei muito da postura punk, não só para enfrentar a severidade militar do meu pai, como também na época que fui radialista nos anos 80/90 na FM Universitária e até os dias atuais, quando participei do programa do Pedro Osmar na FM Comunitária de Cruz das Armas que abordava temas politicos, sociais e economicos, e mais uma vez levei a música do Cólera para exemplificar situações discutidas: Qual Violência é pior?(86) e Não Fome(98). Músicas, que depois de todos esses anos, soaram como compostas semana passada. É um dos méritos de uma banda como o Cólera - ter músicas que retratam de forma tão perfeita um passado, que será lembrado e servirá de exemplo hoje e em muitos amanhãs. Adeus, Redson.
Olga Costa, Portal Rock Press / Jornal Microfonia

É uma perda irreparável pois sem o pioneirismo do Cólera desbravando fronteiras, investindo no mercado independente (e provando que o mesmo pode ser viável) e abrindo portas no velho continente para que outras bandas brasileiras pudessem excursionar, o cenário nacional underground jamais se estruturaria da forma que se estruturou. Redson foi um exemplo de honestidade e, principalmente, de amor ao rock. Desejo de coração que ele, que lutou tanto "pela paz em todo mundo" encontre agora a paz eterna onde quer que esteja.
Luciano Cirne, Portal Rock Press / Caos

Uma notícia realmente muito triste o falecimento do Redson, do Cólera! Estou pessoalmente arrasado e de luto por meu velho amigo!
Além de ser um dos maiores fãs do Cólera, eu também era amigo do Redson, um cara muito bacana mesmo, uma das pessoas mais legais que conheci no mundo do Rock brasileiro. Nós nos conhecemos na época em que eu produzia o Programa Guitarras na Rádio Fluminense FM Maldita e eu abri espaço no Programa para tocar bandas de Punk Rock e Hardcore nacionais e internacionais, numa iniciativa que eu considero que foi inédita na história do rádio brasileiro naquela época [começo dos anos 80]. Em geral, estas galeras eram separadas, alguns até julgavam que Punk e Metal não podiam se combinar e que eram estilos opostos e antagônicos. Eu sempre achei isso uma grande babaquice e o tempo comprovou que eu estava certo: cada vez mais, as bandas de Metal (Thrash, Speed, etc) começaram a declarar seu amor e interesse pelo Punk Rock, bem como os punks (de cabeça aberta) começaram a aceitar e curtir o som poderoso de Motorhead e seus seguidores, gerando o novo gênero conhecido como Crossover (cruzamento do Punk Rock e Heavy Metal) que eu obviamente adoro! Sempre toquei Cólera no meu programa e batalhei inclusive para que a rádio tocasse o grupo na programação normal. Naquela época, consegui fazer tocar "Pela Paz (em todo o mundo)" direto na programação e esta se tornou um grande sucesso do Cólera aqui no RJ nos anos 80. Estou de luto por meu amigo e grande sujeito, que fará muita falta ao cenário musical Roqueiro do Brasil. Um pioneiro e eterno batalhador da causa Punk, que lutou o bom combate com muita dignidade, deixando um exemplo a ser seguido pelas gerações do futuro!Descanse em paz, companheiro Redson! Nossa luta continua! PUNK’S NOT DEAD!
Paulo "Heavy" Sisinno

Em setembro estamos tristes. Redson foi muito mais que um simples frontman. Ele ensinou a maioria dos punks a pensar, a não destruir tudo e a se organizar. Sua alegria contagiante e energia sempre deixarão saudades. Cólera eternizado em nossos corações.
João Veloso Jr

Redson foi o tipo do cara que vivia o que pregava, acreditava no que pregava e vivia isso com sinceridade. Ele foi a verdadeira alma do punk no Brasil. Foi um dos caras mais íntegros que já conheci nos 18 anos que fui editor da revista Rock Brigade.
Fernando Souza Filho, ex-editor da revista Rock Brigade, atual eduitor das revistas EGW e Nintendo World

A morte do Redson é dificil de digerir, por ser ele um musico de talento inegável, com preocupações politicas, sociais e ambientais e também por ser um cara relativamente jovem, que ainda poderia nos dar muitos discos do Cólera. É um dos precursores do punk rock no Brasil, um símbolo do melhor que pode ser feito pelo rock nacional. Certamente a midia mais tradicional não vai dar o destaque necessário, mas quem milita no underground sabe que em matéria de contribuição musical ou pioneirismo, Redson merece a reverência e que sua musica jamais seja esquecida.
Banda Vilipêndio

Muito além de um simples vocalista e compositor de uma banda de punk rock, Redson é um ícone de toda uma geração que decidiu por conta própria rebelar-se contra o sistema numa época em que não havia liberdade plena de expressão. Não que isso diminua seus feitos nos discos gravados e pelos palcos por onde o Cólera passou, muito pelo contrário. O vocalista carbonário capaz de incendiar
plateias de quaisquer tamanhos, em qualquer lugar. O compositor visionário, que incluiu temas como consciência ecológica, combate ao sexismo e crítica à dependência tecnológica muito antes desses assuntos virarem pautas na grande mídia. Além disso, como se não bastasse, um cara acessível a toda e qualquer tipo de conversa - culto e educado sim, mas sempre incisivo nas suas opiniões. Tudo isso é o Redson.Repare bem, falo dele no presente. Seu legado é eterno e nos acompanhará (a mim e a todos os punks dos anos 80 que o conheceram) por todas as nossas vidas. Fico triste em não poder mais ter a honra e o privilégio de trocar uma ideia com ele, e prefiro pensar que, em algum lugar por aí, a pogação está garantida por toda a eternidade. PELA PAZ EM TODO O MUNDO.
DESCANSE EM PAZ, REDSON!
Ayrton Cavalo & Guto Jimenez, Skate / Portal Rock Press

Sabe quando bate um arrepio estranho? Você pede pra ser mentira o que acaba de ouvir, pois é, eu quase não tenho isso, mas juro que hoje, quando o Fábio do Sarjeta me disse, fui ver a notícia fiquei lendo por várias vezes, só pra poder ver se o final mudaria, numa tentativa irracional, de mudar o curso da natureza. Isso tudo foi o que me veio na hora quando fiquei sabendo que o Redson do Cólera morreu de uma parada cardio-respiratória com 49 anos.Na hora liguei pro meu amigo Fudo, mal comecei a falar já fui chorando, não conseguia
nem falar, dizer que uma lenda acabara de tombar, assim, um cara que foi inspiração pra tanta gente, como nós, mesmo que eu nunca fui a um show do Cólera, ou ter visto o Redson por perto, coisa normal de um suburbano de um interior do nordeste. Segundo punk que morre em um mês, é muito triste saber. Uma voz que foi a voz de tantas gerações, um dos primeiros que levou o rock do Brasil pra fora do país, um ícone da atitude independente, agora é uma lembrança, um espírito do punk, da independência que vai cravou seu nome na história, junto com a marca de seu som. Ver as músicas do Cólera no dia de hoje, me faz pensar na frase que disse ontem pra minha namorada, que desistir não é uma escolha pra mim, “eles dizem que isso é fase adolescente, mas não, não vá se entregar!”. É seguindo os passos de gente como Ian Mackaeye, Redson, Jello Biafra que eu vou criando meu caminho e levando onde eu for, uma possibilidade de mudança, ser a semente do amanhã, da flor do dia.Pelos animais de rua, pelos oprimidos, pelos sem teto, pela vida eu hoje e sempre irei gritar: EU ME IMPORTO! Pela Paz Em Todo Mundo!!
Xi Drinx, Blog Terra Sem Lei

Lá pra 83, tinha meus 11 ou 12 anos e ia pra porta da loja Punk Rock, na Galeria do Rock, em São Paulo, e ficava vendo meus ídolos trocando ideia por lá - Fabio, dono da loja e vocalista do Olho Seco, Clemente, do Inocentes, e Redson, do Cólera. Tinha saído o Grito Suburbano, que foi o primeiro disco brasileiro que explodiu nos meus ouvidos. Até então, ouvia só heavy metal, de fora, claro. Mas estavam lá "Garoto do Suburbio" e "Pânico em SP", do Inocentes, "Eu Não Sei" e "Lutar Matar", do Olho Seco, e "João" e "Suburbio Geral", do Cólera, verdadeiros hinos. E estavam lá, à minha frente, meus ídolos e verdadeiros heróis - quixotes, que começaram tudo a partir de simplesmente nada, e pouco depois começaram a fazer excursões na Europa usando como armas troca de cartas. Redson era isso. Um cara que simplesmente não ficava olhando e reclamando de maré - ele ia lá e remava.Anos depois, já jornalista, comecei a ter contato com Redson.E passei a me orgulhar de tê-lo como ídolo moleque, já que o cara era fantástico, além da música. Assim como o Clemente.E entendi que era isso que tornava especial tudo o que produziam/produziram.Há uns 7 anos, ajudei (na medida da minha pequena capacidade e da imensa dele) no retorno do Lixomania, a primeira banda punk a gravar no país. Foi organizado um show no Hangar 110, templo do punk paulistano e brasileiro.Redson armou tudo. E eu levei minha guitarra para emprestar para a banda.Ao final da apresentação do Lixomania, Redson pegou minha guitarra, subiu ao palco e tocou umas 5 do Cólera. E voltei a ter 11, 12 anos.O cara era demais. Como músico e como ser humano gentil e educado.E era a única pessoa no mundo que me chamava de Cesar. Além da minha mãe.Fiquei um tempo sem contato com ele, recentemente. Apenas pelo Facebook, e- mail, eu botando pilha para celebrar efemérides do grupo, como os 30 anos de formação, como os 30 anos de lançamento do Grito Suburbano (ano que vem).Fiz isso por egoísmo. Pois queria ouvir tudo o que ele tinha a produzir.Até que veio a notícia. Rápida, sem preliminar, seca. Como uma boa música do Cólera.Redson, você era e é foda.Não esqueço de um dos maiores elogios que recebi na vida, quando você comentou: "nós, os punks velhos..." e me colocou na mesma categoria que você. Cara, eu celebrei internamente, mas fiz uma pose blasé e simplesmente concordei.Te devo muito. Espero pagar em vida.Se não conseguir, nos encontramos onde você estiver. Mas dessa vez você leva a guitarra.
Luiz Cesar Pimentel, R7

A vida é feita de encontros. Todos esses encontros geram transformações, alguns de forma muito sutil, já outros provocando reflexões que podem mudar toda uma maneira de conceber o mundo. Meu primeiro e último encontro com “a lenda do punk rock nacional” aconteceu há quatro anos atrás, o que não significa que eu nunca mais o tenha encontrado em shows do Cólera no Rio. Ocorre, no entanto,
que eu nunca mais consegui enxergá-lo (e nem a mais ninguém) como um “ser legendário”. Essa foi a primeira grande lição que aprendi naquela noite: “ídolos” e “heróis” não existem, são apenas pessoas, como nós, que aceitaram o desafio de tentar fazer o melhor de si. O Redson foi um desses caras comprometidos consigo mesmo, alguém que se levava muito a sério e acreditava piamente no potencial que cada pessoa tem para mudar o amanhã. Naquela ocasião, encontrei-o ao final do show do Cólera em Campo Grande e pedi
alguns minutos de sua atenção para que fizessemos uma entrevista para o Portal Rock Press. Sorridente e extremamente solícito, o Redson me atendeu prontamente. Àquela época estava realmente empolgada com a temática ambientalista e animalista presente no álbum “Verde, Não Devaste”, de 1989. Achava genial como, em tempos pré-Eco 92, o Cólera trouxera essas questões à tona. O Redson explicou que esse álbum fora o fruto amadurecido das experiências e dos encontros que a banda vivera durante sua primeira turnê européia. Aprofundando-me no tema, ele declarou que fora vegetariano durante algum tempo, mas decidira adotar uma postura alimentar mais flexível. Sua tentativa de desconversar me fez entender que talvez a temática do álbum de 89 não fosse mais tão importante para ele naquela fase de sua vida. Ao fim da entrevista sentia dentro de mim um sentimento entre o encantamento e a decepção, uma espécie de mariposa se debatia na minha mente à procura de luz.Esse episódio me trouxe questões sobre as quais eu continuaria refletindo até hoje. Atualmente, tal ocasião me faz pensar em como somos seres em contínua reinvenção. Enquanto muitos ainda parecem acreditar na “essência do indivíduo”, o artista se encontra em uma posição delicada, já que ele cria aquilo que acaba por aprisioná-lo. O “fã” não está apenas interessado na obra (na canção, no livro, no quadro ou na fotografia), ele sente a necessidade de conhecer o íntimo das ideias e sentimentos do criador (quando não seus próprios passos e atos). Mas, importante pensar, é possível que o criador da obra (as emoções que motivaram uma composição, por exemplo) não esteja mais lá, ou ainda, pode ser que tenha adotado para si um ângulo diferente. Pude perceber o incômodo que os julgamentos e cobranças do público causavam em Redson, um cara que apenas estava ali para fazer o seu melhor, e não para ser ídolo ou exemplo para ninguém.O Redson foi uma dessas pessoas sempre aberta aos encontros, pronta a ouvir e a emitir suas opiniões sem a pretensão de convencer os outros. Sua energia cativante está imortalizada nas músicas do Cólera e continuará fluindo, pulsando e se reproduzindo no reverberar das ondas sonoras. Acho improvável que a ele agradaria ser alçado à posição de “ícone do movimento punk”. Acredito, até mesmo, ser ofensivo à sua memória transformá-lo em uma imagem de gesso devidamente canonizada. Desejo profundamente que, uma vez passado o luto, o Redson seja uma inspiração para que levemos adiante um ideal sempre defendido por ele: o “faça você mesmo”.
Taiane Linhares,, Jornalista, fotógrafa e mestre em comunicação pela UFRJ

Tenho 46 anos, toco guitarra, baixo, comecei ouvindo Cólera com meu irmao, tambem falecido, Rodrigo Branco, amigo de Redson! Pra mim o impacto da notícia, foi avassalador! Muita dor! Bandas como 365, Inocentes, Excomungados, Ratos, fizeram parte da minha formação... Minha veia rock se antenou e foi em direcao a esses caras que faziam musica da alma! Cresci´ ouvindo essas guitarras, levadas verdadeiras, analo´gicas, que batem forte ate´ hj, aqui na terra do meu coracao... Ate´ ir fazer um rock com eles de novo no céu! Com todo amor do mundo, minhas eternas saudades, Redson....
Georgia Branco, Mercenárias/ Wander

Conversei várias vezes com Redson e, uma das coisas mais marcantes que sempre guardei na minha memória, foi sua seriedade, dedicação e profissionalismo para conduzir os negócios da sua banda Cólera. Redson realmente acreditava no seu trabalho e muito embora seus primeiros álbuns tivessem uma produção bem precária para a época ele sabia muito bem vender seu produto. Redson sempre teve uma atitude pacifista e não tinha tempo para o extremismo ignorante de certos grupos e gangues da periferia que, claramente confundiam anarquismo com anarquia.Através do seu trabalho, a banda Cólera foi a primeira banda brasileira a fazer
uma turnê pela Europa. Redson nunca soube mas ele foi, de certo modo, responsável pela minha mudança de residência para Londres em 1987.Em 1986, em São Paulo, na Galeria do Rock, juntamente com Chicão, ajudei criar o selo Devil Discos. O primeiro lançamento foi uma coletânea chamada São Power e o segundo, o primeiro álbum da banda Korzus (sim, esta que acaba de tocar no Rock in Rio!). Durante o bate-papo com um amigo agente de viagens, soube que Redson tinha ido na agência e comprado passagens para uma futura turnê da sua banda Cólera pela Europa. Esta seria a sua segunda ou a terceira viagem. De repente, cheguei à conclusão de que, assim como o Redson, eu também tinha recém produzido um álbum de uma banda bem radical, a banda Korzus. A qualidade da minha produção era bem pobre, bem Punk e pensei que, se o Redson podia viajar, então eu também! E foi assim que minha aventura pelo mundo começou, inspirada pelo grande Redson!Caro amigo Redson, sinto muito que você tenha ido tão cedo! Nunca tivemos tempo de bater aquele papão prolongado! De qualquer forma, quero que saibas que sempre o considerei um grande profissional! Esteja certo de que você ajudou a construir a gloriosa história do Rock Brasileiro!
Antonio Celso Barbieri, Jornalista / Memórias do Rock Brasileiro

Nunca fui punk. Mas assisti a vários shows do Cólera e sempre me diverti. E admirava o trabalho do Redson e a pessoa que ele era. Um pioneiro da cena underground brasileira e um eterno batalhador. Pessoalmente, era um cara inteligente, articulado e simpático. Sua morte encerra um capítulo importante do rock nacional.
Marco Antonio Bartbosa, Telhado de Vidro

A morte prematura do Redson é uma dor para todos que gostam do punk rock nacional. Perdemos um grito de protesto na música brasileira. Perdemos uma cabeça crítica e intensa no meio do mar de hipocrisia e estupidez.Só posso dizer: Redson presente!
Alexandre Linares, Cientista social, professor e editor

O Redson era um idealista, e os shows do Cólera tinham um tipo de entusiasmo que fazia os garotos quererem ter uma banda - e tocar, tocar, tocar, até cair de exaustão. A cena que vou guardar do Cólera é a do Pierre deitado no chão, derrubado depois de duas horas e meia de hardcore e umas 180 músicas. Felicidade pura.
Silvio Essinger, O Globo

O Redson era um cara do bem, sua musica sempre pregou a paz e o amor a natureza, cheguei a ouvir de pessoas que ele era o punk evangélico, estive com ele uns 20 dias atras , ele chegou a me propor que a Baratos Afins lançasse uma antologia de sons e imagens de arquivo em DVD, mas nunca me cobrou nenhum posicionamento, sobre isso e não falamos mais sobre o assunto, Nos anos 80 foi meu sócio numa distribuidora de discos chamada " Central, distribuidora de discos independentes " que era a Baratos Afins, Wop Bop, Devil Discos e Ataque frontal , o projeto não deu certo e acabamos fechando, mas continuamos amigos. Ontem meu telefone não parou de tocar por aqui, a todo momento algum fã ligava para cá para saber informações que eu não tinha sobre o velório, e infelizmente ainda não tenho , sou assinante da folha e procurei alguma informação a respeito no jornal e não vi uma nota sequer. Uma lastima saber que a imprensa brasileira cultua o lixo que vem de fora enquanto ignoram e jogam nossos valores pelo ralo, O Redson era um ídolo da velha e jovem guarda dos punks brasileiros , no comecinho dos anos 80 quando todo punk brasileiro chamava o Clash de traidores do movimento, ele era um dos poucos que por aqui curtia que gostava mesmo de verdade, só depois de toda imprensa brasileira babar ovo pelo banda de Joe Strummer ´foi que outras bandas punks tupy passaram a pagar tributo a eles , mas, o mais autentico e verdadeiro fâ. era mesmo o Redson . Um dia só para provoca-lo falei que o Clash era uma versão gay dos Ramones, ele deu muita risada , encarou numa boa, com muito bom humor. Eu soube da morte pelo facebook mas queria acreditar se tratar de outro Redson, porque ele estava muito bem, feliz e forte. Infelizmente a vida nos prega muita peça. foi uma grande perda para a história do punk no Brasil. O Redson se foi, mas por conta da contribuição dele ao movimento, o punk nunca morrera por aqui. nem no mundo. Descanse em paz meu amigo.
Luiz calanca, Baratos Afins

Entrevistei-o uma única vez, bem no meu início de carreira, quando o cólera veio fazer um show inesquecível em curitiba, no teatro paiol. eu era um adolescente que ainda sonhava em ser jornalista e crítico de música. foram muitos minutos de um bom papo, descontraído, parecia que éramos velhos amigos. já me chegavam pelo correio discos punk da devil e do ataque frontal, porque desde o início minha preocupação sempre foi dar espaço aos bons representantes do rock independente nacional. então, o papo rolou sobre turnê pela europa, pacifismo, ecologia, punk no brasil e o do-it-yourself. depois disso falei algumas vezes bem rápidas com ele mas não tive oportunidade de entrevistá-lo de novo. semanas atrás encontrei-o no facebook e o adicionei. tive a ideia de recuperar as três décadas de cólera com uma nova matéria, uma nova entrevista. infelizmente, não houve mais tempo para isso. faltou dizer que essa entrevista foi em 1988, quando eu ainda estava fazendo cursinho pra jornalismo, mas já escrevia sobre rock nos grandes jornais de curitiba!
Abonico Smith, Mondo Bacana

O que mais me impressionava nele era sua humildade ao tratar com todas as bandas que tocava, simpatia e perseverança! Posso resumir em uma frase: Todos os shows pareciam ser sempre o "ultimo dia dos resto de sua vida" era tanta energia, tanta "pré-disposição" que o publico se emocionava a cada minuto do espetáculo. Nem tenho palavras para dizer o quanto dói saber sobre sua morte. Amigo do peito! foda!
Lu Riot

É difícil encontrar palavras nessa hora, afinal, o Redson foi o cara que me serviu de referencia para ter meu primeiro zine. Aliás, uma das primeiras entrevistas que eu fiz foi com ele, durante sua passagem com o Cólera em minha cidade natal, Jacareí (SP). O Redson foi um exemplo de pessoa, com seu caráter, humildade e todo seu conhecimento. Um tipo de pessoa que está em extinção nos dias de hoje. Fico triste em não poder mais assistir a um show do Cólera, já que as apresentações do grupo sempre me emocionavam. Porém, fica na memória os bons momentos, sabendo que as lendas nunca morrem.
Dario Barbosa, editor-chefe Vale Punk


O Redson era um tipo de pessoa muito rara nos dias de hoje, era um idealista que não abria mão de suas convicções de forma alguma. A principal delas era não ligar para bens materiais e ser um artista-ativista-libertário 24 horas por dia. Eu sempre fui fã da sagrada trindade punk brasileira: Cólera/Inocentes/365.Sempre adorei estas três bandas e tenho tudo que eles lançaram. Um dia eu descobri que o Redson morava no mesmo bairro que eu,na Vila Mariana , em São Paulo. Aí eu fui na casa dele pra encher o seu saco e aproveitar pra comprar a caixa de 25 anos do Cólera que ele tinha lançado,que vinha com um Cd, um livro e mais umas memorabilias bacanas.Peguei o endereço e esperava chegar numa casa classe-média.Mas chegando lá qual não foi minha surpresa ao ver que ele morava numa casinha de fundos bem velha e humilde, que era um misto de casa e escritório.Imediatamente pensei comigo que ele merecia algo melhor, mas logo saquei que ele era genial demais pra ficar perdendo tempo com coisas transitórias e materiais como casas grandes e luxuosas. Assim como o Lemmy, do Motorhead, que mora numa kitnete até hoje pois não está na Terra para acumular bugigangas e passa a vida mesmo é na estrada. Foi aí que virei mais fã ainda do cara, pois ele se preocupava com o que realmente importava:sua música poderosa e revolucionária e sua relação com as pessoas.Era um cidadão do mundo, que não tinha tempo pra ficar em casa vendo TV ou coçando o saco como os meros mortais. Além disso não fumava, não bebia, era praticamente vegetariano e tinha uma excelente forma física pra sua idade.Enfim, ele realmente vivia o que pregava, não era um falso porta-voz da juventude ou moralista como se vê por aí aos montes.Não era um artista e ser humano supérfluo, cínico e descartável.Era um sujeito de valor moral a toda prova.Não era a toa que uma de suas bandas preferidas era o New Model Army, que sempre manteve a mesma postura ideológica incorruptível que o Redson.Ele e o Justin Sullivan (líder do NMA) pertencem a mesma categoria de espíritos evoluídos mudando o mundo através da arte. Saí de lá tão bem impressionado com sua energia que fiz uma HQ do Roko-Loko, publicada na Rock Brigade, onde o Redson capturava o Bush (que então ainda era presidente dos EUA), o amarrava com uma camisa de força e o levava para um hospício.Acho que o Redson era assim mesmo:se pudesse ele pegava todos os ditadores e corruptos do planeta e botava-os num lugar onde pudessem se regenerar e transformar toda sua maldade em benefícios para o planeta.Ele era um transformador do Ser Humano.Ao contrário da maioria dos artistas , sua música não era para distrair as pessoas, mas sim...para MUDA-LAS! Você mudou o mundo, Redson!Com sua guitarra, sua inteligência e seu "do it yoursef".Outros gênios como você te aguardam na Espiritualidade.Fique com Deus, meu amigo!E até algum dia.
Marcio Baraldi, Cartunista e criador dos personagens Roko-Loko e Adrina-Lina

Embora eu seja um crítico de música identificado com a MPB (seja lá o que essa sigla significa hoje em dia...), sempre ouvi discos de grupos punks por prazer (raramente por dever profissional). De modo geral, sempre gostei mais destes discos do que dos álbuns de bandas entronizadas no olimpo do rock. Por isso mesmo, fiquei triste ao saber que o Redson, vocalista e guitarrista do pioneiro Cólera, retornou ontem à noite para a pátria espiritual. Não é fácil manter uma postura íntegra neste mercado fonográfico tantas vezes injusto e cruel. Acho que o Cólera se manteve íntegro. Palmas para Redson que ele merece!
Mauro Ferreira, Revista Rolling Stone

Eu não o conheci pessoalmente, vi somente um show deles, há no máximo 2 anos, gostaria de ter trocado um papo com ele, parecia ser uma pessoa ultra gente boa, gostaria muito de ter tocado junto com ele, saber o que ele achava do meu som tb...pois o dele eu achava bem legal, e o barulho que ele fazia reverberava numa influência pra mim tb, ouvi muito no começo dos anos 90, pois foi nessa época que descobri o rock e o punk tb, sempre foi uma referência pro rock nacional, para o punk e o underground principalmente, lembro que a 1a vez que ouvi cólera foi o disco ao vivo da tour europeira deles, capa amarela...tinha um punk das antigas que morava num beco perto de minha casa, na verdade uma casa cheia de cômodos que vivia uma pá de gente, era um corredor enorme, chão de terra batida, escuro pacas...ele tinha vários discos de punk, mas a maioria tinha um pedaço quebrado, mas mesmo assim o bróder gravava umas fitas pra gente...e o refrão de "pela paz em todo mundo" cantado em várias línguas sempre ecoou desde essa época até agora...e de vez em quando eu me pego cantando um refrão deles que diz assim "la vem o papai! po me deixa em paz, me deixa em paz!", dia desses tava na cozinha de casa e cantando isso...mostra que o som da banda tá grudada em minha memória... Fiquei de cara com a morte do cara, novo ainda, ficou aquele sentimento de lacuna, mostrando que o mundo anda muito estranho (pelo menos pra mim), muita gente nova & bacana morrendo...cada vez + eu fico pensando que não devemos MESMO deixar pra amanhã o que podemos fazer hoje, pois nunca saberemos se no dia seguinte ainda estaremos nesse planeta e a nossa "arte" pode ficar menos completa. E também de encontrar com as pessoas que achamos interessantes e gostaríamos de prosear com elas. Uma pena mesmo, agora é recordar o legado que o Redson deixou e enviar vibrações positivas pros entes queridos do cara.
Rodrigo Chagas, The Honkers

É muito dificil encontrar palavras nessa hora..pois acho que ainda não caiu a ficha.. apenas digo que foi uma gde honra poder compartilhar o palco com ele diversas vezes, momentos simplesmente magicos. que descanse em paz.
Ari Baltazar, Guitarrista do 365

Fiquei sabendo da perda do grande Redson ainda de madrugada, e confesso que ainda não acredito que isso aconteceu. O Redson era um cara genial, um icone do punk nacional, inteligente , revolucionario e pacifista, imprimia em suas letras em certos momentos uma verdade acida e um sentimento de que o mundo poderia ser melhor.Sou proprietario de uma loja e o Colera atinge um publico que não se restringe ao punk, diversas vezes tive o prazer de vender os lps/cds da banda para um publico que não tinha nada a ver com o universo punk, mas que se alinhavam de certa forma com a sua linha de pensamento.Sempre a frente de seu tempo, o Redson atraves do Colera já falava de sustentabilidade" hoje tema do momento,em uma linguagem punk no fim dos anos 80 com o disco "Verde, não devaste".Triste, uma perda irreparavel. "QUAL VIOLÊNCIA É PIOR QUERO UM MUNDO MELHOR QUAL VIOLÊNCIA, QUAL DECADÊNCIA QUANTA INDIGNAÇÃO SERÁ QUE ESSE GRITO É EM VÃO!" Trecho da música Qual violência do album Caos Mental Geral de 1998. Um clássico.
Paulojs, Loja Engenharia do Vinil

“Às vezes tenho medo, às vezes sinto minhas mãos presas pelo ar...” Hoje não é um simples dia, hoje é um dia amargamente triste para todos aqueles que tiveram o prazer de conhecer o Edson Lopes Pozzi, seja por suas poesias, suas canções ou simplesmente por conhecê-lo. Conheci o Edson ainda nos anos 80, para ser mais preciso em 1987, graças ao álbum lançado um ano antes “PELA PAZ EM TODO MUNDO”. O conheci pelo nome em que a maioria das pessoas o conheceu e que o chamam (E eu ainda o chamo assim) REDSON. Em 1987 eu conhecia o REDSON músico, punk, agitador cultural, mas nunca tinha o visto pessoalmente, só podendo ver uma apresentação da banda Cólera em 1989, após 10 anos de exílio eu voltava para Barueri e vi que existiam mais pessoas que eram punks como eu era.Nos anos 90 tive o grande prazer de conhecer o Redson pessoalmente. O cara incrível que estava sempre de bom humor, sempre com mensagens positivas e com uma criatividade incrível, me lembro de que eu costumava dizer que ele era o Coelho Branco da Alice, com a cabeça a mim por hora e parindo ideias como se fosse um coelho de verdade. Com o passar dos anos, a amizade ficou mais forte e graças ao Marcos Vicente, a aproximação foi mais contínua e cada vez mais eu fui aprendendo. Quem foi seu professor? Como você faz tudo? Simples, meu professor cultural foi o Redson. Ele quem me mostrou que se eu gosto de um tipo de musica e não tem ninguém para tocar, eu poderia tocá-la. Não sei tocar um instrumento, eu posso aprender sozinho. Não tenho quem lance minhas obras, eu descubro o caminho e lanço por mim mesmo. A total essência do Do It Yourself estava em Redson Pozzi. Num dos períodos mais tristes de minha vida, ele me disse: “Quando eu digo que Forte e grande é você, serve para você também nesse momento. Tudo vai dar certo”. Me lembro que eu sempre o saudava dizendo: “A-há, Redson daquela banda lá... Como é o nome? Ira!? Raiva? Nervosismo? Ah não, é Cólera mesmo”. Redson sempre foi uma escola. Costumo dizer que toda banda punk tem um pouco de Cólera em seu DNA, afinal, qual banda é a maior expressão do punk nacional? Hoje em dia é tudo mais fácil, mas se voltarmos 30 anos no tempo, vemos que o primeiro álbum de bandas punks tinha Redson na organização, tinha Redson na participação. Vemos o primeiro festival punk do Brasil e mais uma vez tínhamos Redson na organização, Cólera participando. E a primeira banda a excursionar fora do país, fechar diversas datas e se aventurar por uma Europa em plenos anos 80? Redson e sua banda Cólera, lá estava ele, sempre acompanhado de seu irmão Pierre, um dos maiores baruerienses que conheci e com orgulho o chamo de conterrâneo. Hoje se fala muito em ecologia, paz, direitos humanos, sustentabilidade. Assuntos do momento, mas voltando no tempo, vemos o Redson já falar sobre isso, já educar sobre isso ainda nos anos 80. Dos momentos mais marcantes em minha vida, posso assegurar que entrevistar o Redson em 2008 para o Vinagre & Fel e produzir um álbum em 2004/2005 que continha a banda Cólera e era beneficente ao Projeto Esperança Animal foram as melhores coisas que consegui produzir em minha carreira. Hoje acordo com a triste notícia de que esse meu grande amigo, professor, ídolo, herói, inspirador e tantos adjetivos que passaria o dia escrevendo se foi. É triste e com imenso pesar que digo isso. Acabou uma grande parte da história da musica nacional, um capítulo se encerra e mesmo na minha tristeza e em minhas lágrimas, posso dizer que Redson deixou um grande legado. Quando ninguém sabia como fazer, ele foi lá e fez. Disse não a indústria musical, produziu seus discos, ensinou o Know-How e sempre foi humilde, a ponto de sair de casa de shorts e chinelo para comprar pão na padaria e conversar com todos os vizinhos. Tratar as pessoas como iguais e sempre estar disposto a ouvir qualquer que seja a pessoa. Então eu me pergunto, como o próprio Rogério se questionou: “Uma pessoa que não come carne vermelha, não bebe, não fuma e leva uma vida saudável, deveria morrer com 80 anos e não com 49”. Que vida é essa? Vá em paz, menino vermelho, águia filhote, pois como você dizia: “Se você quer estar, você já está lá” e nada mais justo para uma pessoa que lutou pela paz, gritou pela paz, pediu para que salvassem e deixassem a terra em paz, tenha o seu merecido descanse em paz. Aqui continuamos com seu legado e ainda acreditamos em sua frase “QUERO UM MUNDO MELHOR, SERÁ QUE ISSO GRITO É EM VÃO?” Claro que não é em vão.
Renato Sirqueira (Jay Rocker), Banda Agnósia