sábado, 14 de maio de 2011

Me diga o que não foi legal ...

Um carro bonito, possante e seguramente caro (só não me pergunte que carro era porque não entendo nada disso) dá voltas em círculos em alta velocidade num descampado. Várias voltas. Pára e de dentro sai Johnny Marco, personagem vivido por Stephen Dorff, com cara de tédio. Corta. O mesmo Dorff está agora deitado na cama de um quarto de hotel, ainda com cara de tédio, mesmo diante de um espetáculo de pole dance protagonizado por duas gêmeas loiras deliciosas ao som de “My Hero”, do Foo Fighters. Corta. Mais cara de tédio, mais imagens do dia-a-dia de uma estrela de Hollywood em crise existencial. Corta, corta e corta.

O novo filme de Sofia Coppola, “Somewhere – um lugar qualquer”, é basicamente isso. Deve ter a ver com a trajetória pessoal dela mesma essa fixação por retratar celebridades entediadas em busca de um sentido para a vida à qual ela se dedicou em suas três últimas realizações para o cinema. No caso de Johnny Marco, esta busca poderia muito bem se encerrar caso ele dedicasse mais atenção à sua filha pré-adolescente, que o visita esporadicamente. Mas para isso ele teria que abdicar, pelo menos em parte, de sua rotina de superstar mimado, algo que, parece, ele não consegue fazer, mesmo que visivelmente não veja mais muita graça na coisa como um todo.

O filme é bom ? Mais ou menos. Mais pra menos. É muito bem dirigido e interpretado, e tem situações divertidas, como a do massagista que precisa “entrar no clima” do cliente para realizar suas tarefas. Mas no geral é chato e tedioso. Propositalmente, é claro, já que se propõe a retratar o dia-a-dia de uma pessoa chateada e entediada.

Já não botava muita fé no filme, pois pelo que tinha lido a respeito dava pra notar que ele seguia a linha de “Encontros e Desencontros”, espécie de “clássico Cult” no qual eu não vi, sinceramente, a menor graça. O que mais me surpreendeu, na verdade, foi a lotação da maior sala do Cinemark do shopping jardins naquela noite em que aconteceriam também apresentações das bandas Eddie, de Olinda, e Mamutes, local. Era uma espécie de ensaio para uma possível ressurreição da Sessão Notívagos, série de shows musicais acompanhados de exibições de filmes que acontecia regularmente até meados do ano passado. Se dependesse unicamente da presença do público e da perfomance das bandas escaladas, estaria tudo perfeito – mas não, não dependia.

Carnaval no inferno: O ar-condicionado do saguão do cinema, onde aconteceriam os shows, estava quebrado! Isso, somado à insistência das pessoas em fumar num recinto fechado, criou um ambiente bastante desagradável. Mais desagradável ainda para os que se arriscavam a entrar na enorme fila para comprar uma cerveja a 4,00. Detalhe: não eram vendidos tickets, ou seja, quem quisesse tomar outra cerveja, teria que entrar na fila novamente, segundo me foi relatado pelos que bebem (eu não bebo). Pelo menos a marca era boa. O calor, devo dizer, nem era tanto, muito embora o ar-condicionado tenha feito falta, sem sombra de dúvidas. Desconfortável porém não insuportável. O problema maior para mim, asmático e fumante passivo involuntário, era mesmo o desagradável cheiro de fumaça de cigarro no ar. Veja bem: defendo o direito dos fumantes fumarem, mas enquanto não inventarem um dispositivo, algo como uma redoma de vidro para as pessoas colocariam na cabeça que mantenha a fumaça que produzem exclusivamente para si, acho que tenho o direito de reclamar. E quem achar ruim, “pegue o gato e se azuin”, já dizia a minha vó.

Mas vamos ao show. Som fraquinho – mal sinal. Fabio Trummer fala no microfone que aquele era o primeiro contato da banda com a aparelhagem, já que não tiveram tempo de passar o som, e pergunta ao povo se tava legal. O povo responde que sim, mas eu diria que não. Vai ver eu sou chato, né ? E olha que eu nem entendo dessas coisas, tecnicamente falando. Só sei que, aos meus ouvidos, a voz tava baixa e abafada e a guitarra praticamente inaudível. Mas a banda é boa, muito boa, e foi aos poucos criando um clima propício à celebração. Um verdadeiro desfile de “hits” alternativos logo de cara, com “Desequilibrio”, “lealdade” e “me diga o que não foi legal”, dentre outras. Aos poucos vão se acertando os ponteiros e pronto: está criada a alquimia, na base de um suingue “roqueiro” tipicamente brasileiro com um sotaque que só o Eddie é capaz de produzir. Uma banda com excepecional personalidade que seduz inclusive não-adeptos do tal “samba-rock”, como eu. Até porque o Eddie é muito mais que “samba-rock”: é rock, é pop, é frevo, é o diabo! Rock legitimamente brasileiro. "Nunca fomos tão brasileiros", eu diria ...

Os papos descontraídos entre os membros da banda, notadamente Fabio e “Urêia”, o percussionista, ajudaram a criar o clima de festa e descontração. Fabio é um grande frontman, ao seu estilo, sem grandes arroubos estelares, contido porém sincero e desencanando. Fala de times pernambucanos, saúda a todos, inclusive aos que vendem a cerveja cara, e saúda o Lacertae, que segundo ele tinha as melhores músicas da lendária coletânea “Brasil compacto”, dos anos 90, da qual também fizeram parte. Lembrou disso, provavelmente, devido à presença, no público, de Deon, guitarrista e vocalista do grupo sergipano. Até dei uma instigada para que ele fosse até lá dar uma canja, mas sem sucesso.

O show prossegue, com a banda afiada e o público na mão. Tocam, inclusive, a primeira música de seu primeiro disco, “videogamesongs”, do Sonic Mambo. Um clássico – mas esta é uma que precisava de um som de guitarra mais potente, algo que, infelizmente, não tivemos. Poderia ter sido O ponto alto da noite, mas não foi. O ponto alto foi uma espécie de pout-pourri de musicas de carnaval e Hinos de blocos de frevo de Olinda, puxados pelo do “segura a coisa” e emendado com o do “segura o cu”, onde Fabio faz todos se agacharem (tava com uma preguiça da porra, mas entrei no clima também, claro) e se levantarem ao fim de uma rima que terminava na singela frase “segura o cu senão eu meto o dedo”. Muito bom. Já o ponto fraco foi um cover esquisto que me disseram que era do Beirute – não sei, não conheço.

E foi isso. Uma hora e meia, aproximadamente, de show, e um abraço. Ainda fiquei mais uns bons 20 e tantos minutos esperando pelos Mamutes, mas quando vi eles finalmente chegando ao palco e notei que ainda teriam que montar um monte de coisas, inclusive a bateria, desisti e fui embora. Uma pena, já que não vi ainda a nova baterista em ação num show ao vivo, apenas na gravação de um especial acústico que será veiculado pela TV Aperipê - no qual ela mandou bem, por sinal.

Saldo pra lá de positivo, apesar dos pesares.

Fotos: Rafa Aragao, Divulgação e Snapic

Texto: Adelvan

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Fala, rock sertão

O slogan do festival diz tudo. A partir de hoje, Nossa Senhora da glória se transforma na capital sergipana do rock e abriga a nona edição do maior festival de música do Estado. No palco do Rock Sertão, os maiores valores de nossa música independente, além de bandas ainda pouco conhecidas e convidados de outras paragens – tem até banda gringa na parada! Para celebrar a ousadia, o Jornal do Dia conversou com um dos organizadores do evento, na tentativa temerária de entender como alguém se presta a um trabalho desses. É muito rock na veia e amor no coração!

Jornal do Dia – Antes de mais nada, qual a importância de um festival como o Rock Sertão? Num estado onde existem tão poucos festivais desse porte, é possível vislumbrar um ambiente musical produtivo e satisfatório?

Danilo Santana – O Rock Sertão é importante porque foi o que restou de festivais deste porte no estado. Podemos colocar nesta soma a Rua da Cultura, que também sobreviveu a todos estes anos. Estes dois espaços são as vitrines da música de sergipana independente. Não falo isso com orgulho, mas com uma certa tristeza de achar que dá pra fazer mais. De uns dois anos para cá (eu acho), vejo alguns coletivos se organizando, alguma movimentação, mas falta tempo para maturar. Até porque muita coisa começa e termina e a gente nem percebe. O Rock Sertão e a Rua da Cultura são, em suas especificidades, eventos consolidados dentro e fora do estado, e isso é importante.

Fechando mais na nossa realidade, acho que o Rock Sertão é importante por ser um Festival, ser gratuito e ainda por cima no interior, ou pior, no sertão. E sabemos que boa parte do público se concentra na capital. Ao mesmo tempo, quando somado, o público do interior faz muito volume no festival. O Rock Sertão nasce em Glória, mas já enraizado em outros municípios do estado, o que dá um caráter de unidade da cena sergipana. Isso em termos significativos.

Não gostamos de ser exemplo de nada, porque meio entramos como os “bons moços”. Mas acho que o Rock Sertão pode ser uma boa experiência para o nascimento de outros festivais. Se o espaço não é o ideal, então deve ser criado, reinventado. É preciso ter coragem, agir com os pés no chão e gostar do que faz. Ou então não dá certo. Temos muitas bandas boas no estado. Pra mim, isso já é garantia de uma ambiente musical produtivo e satisfatório. Infelizmente, a verdade é que não temos uma cena tão consolidada como em Recife e João Pessoa, por exemplo. Ainda não há esse feedback do público, principalmente em Aracaju. É um processo lento, estamos desde 2001 na luta, alternamos muitos altos e baixos pra garantir tudo que temos hoje.

Jornal do Dia – Como vocês chegaram às bandas selecionadas pela programação? É possível afirmar que elas reproduzem as feições da música da terrinha, em nosso dias?

Danilo – Abrimos um site especialmente para que as bandas pudessem se cadastrar. Queremos sempre conhecer novas bandas. A surpresa foi o aparecimento bandas de outros estados. Não sabíamos do alcance do Rock Sertão, até então.

Pra selecionar estas bandas, convidamos uma curadoria formada por 6 pessoas, entre jornalistas, músicos, produtores, enfim, pessoas ligadas à cena. Essa curadoria tentou se equilibrar entre os diversos estilos musicais, entre bandas novas e bandas mais conhecias e entre bandas da capital e do interior. Também queríamos evitar que o festival fosse visto como uma “panelinha”, como alguns afirmam. O Rock Sertão é um festival aberto, muitas bandas que vão tocar a gente nem conhece. Nosso compromisso é com a música, com a cena independente. Os nossos critérios para seleção de bandas vislumbra um pouco disso, tentar apresentar um mosaico, um recorte da música produzida no estado dentro de um determinado seguimento, afinal não temos a pretensão de abarcar tudo.

Jornal do Dia – É no mínimo inusitado ver um evento como o Rock Sertão durar tanto tempo, com tantas respostas positivas, longe das capitais. Como vocês venceram as limitações impostas pela geografia? Onde foi que o Rock Sertão acertou, e outros eventos, a exemplo do Punka, só pra citar outro festival que faz parte da história da cena local, errou?

Danilo – Por incrível que pareça, temos a clareza de que o Rock Sertão deu certo por ter nascido em Glória, ou melhor, no interior. Isso chama a atenção e soubemos usar isso a nosso favor. A distância de Aracaju fui suprida com a presença do público e bandas do interior do estado. O Festival começa através de contatos que foram feitos pela Fator RH (banda de Nossa Senhora da Glória, na qual eu e Binho tocamos, e atua como anfitriã do festival). A gente tocou muito pelo interior e isso foi agregando parcerias e contatos que duram até hoje. O Rock Sertão é um esforço coletivo, da gente que organiza, do pessoal que dá apoio e das bandas que tocam. No início, muitas bandas buscavam seu próprio patrocínio pra poder vir tocar, pra garantir pelo menos o transporte. Não é o ideal, mas foi o que aconteceu. Persistimos, principalmente Binho, na busca de apoio para o festival. Não foi fácil. Mas a concepção do festival e a divulgação que fomos alcançando possibilitou novas parcerias.

Quanto ao Punka, fica difícil dizer o que aconteceu. Existem muitas questões internas que fazem com que um festival como esses termine. Isso vai desde divergências internas a questões financeiras. Não sei se foi o caso deles, não dá para ficar especulando. Só nos resta lamentar.

Jornal do Dia – Além das bandas locais, o festival ofereceu espaço na programação para bandas de outros estados. Qual a importância desse diálogo?

Danilo – Primeiro, é bom para o público, que pode ter contato com bandas de outros estados, principalmente no interior, onde essas bandas não chegam. Levar uma atração internacional para Nossa Senhora da Glória é, no mínimo, uma ousadia nossa. A presença destas bandas acrescenta em muito em termos de divulgação, dá um caráter para além da música sergipana, mas sem perder esta de vista. Faz com que a gente conheça outras realidades. Faz parte da própria dinâmica da música independente, hoje, esse movimento de troca.

Jornal do Dia – Ao longo das nove edições de Rock Sertão, parece que vocês conseguiram sensibilizar os órgãos públicos e a iniciativa privada, que chegaram junto e compraram a idéia. Como vocês conseguiram essa façanha? O empresário sergipano é mesmo burro como todo mundo comenta?

Danilo – Antes de mais nada, acho que é um espaço conquistado, de anos de luta, mas claro que também tem que haver o interesse. O Festival está consolidado. Este ano completamos nove edições. Fazemos “barulho” e isso deve ter chamado a atenção. Pegue o Brasil e veja quantos festivais conseguem viabilizar esse fluxo de bandas da capital pro interior. São pouquíssimos. Se você levar somente os festivais gratuitos em consideração, o número é mais reduzido ainda. O Rock Sertão é feito com seriedade e com um projeto que acreditamos ser bem construído e coerente. Gastamos até o último centavo, tiramos do próprio bolso, como várias vezes foi necessário, tudo para que dê certo. Como disse antes, foi preciso alguma perseverança, antes de conseguir estes apoios. Mas pode ser que um dia não os tenhamos mais e mesmo assim o festival não vai deixar de existir. Tenho certeza disso!

Não sei se a questão é só o empresário sergipano, acho que é uma questão mais profunda. É difícil conseguir alguma coisa na música. A lógica de mercado é perversa! Por trás de uma banda de axé que faz sucesso, quantas outras estão ralando pra conseguir alguma coisa, para sobreviver? O problema não é só do rock, é preciso vencer preconceitos. A música, os festivais não estão fora de uma análise social mais profunda.

Jornal do Dia – Qual a expectativa dos organizadores em relação ao Rock Sertão 2011?

Danilo – Queremos ter um bom retorno do público. Esperamos que o público do se divirta, conheça a música sergipana, a música independente, saiba apreciar a música que não é veiculada na grande mídia. Queremos mais um ano sem briga. Para quem já curte a música independente, fica o convite. Ver diferentes estilos agregados num único festival. A programação está diversificada e tem pra todos os gostos. É pegar a mochila, não esquecer o casaco e ir para Nossa Senhora da Glória, para o Rock Sertão 2011.

riansantos@jornaldodiase.com.br

Spleen e Charutos

terça-feira, 10 de maio de 2011

MORRYSSEY NEWS

O eterno ex-vocalista dos Smiths, Morrissey, não tem uma gravadora interessada em lançar seu novo álbum, que, segundo ele, está prontinho. No entanto, o músico não revelou título ou outros detalhes daquele que deve ser o sucessor de “Years of Refusal”, lançado em 2009.

Morrissey confirmou também, em entrevista publicada pelo site da revista "NME", que já terminou de escrever sua autobiografia. O livro deve ser publicado só em 2012, pois ainda está em processo de edição.

"Fico pensando se 660 páginas são demais para todos aguentarem. E então eu sento e penso... Bem, seis páginas já não seriam demais para suportarem? Eu realmente não sei. Estou editando", explicou.

O cantor disse ainda não ter contrato com uma editora, mas pretende oferecer o livro para clientes em potencial. Embora tenha assumido seu desejo em ver sua biografia ser publicada com a chancela da série Penguin Classics, a franquia normalmente se dedica apenas a clássicos literários e não a novos títulos.

Além de seu livro, Morrissey comentou sobre uma possível volta dos Smiths. "Isso não vai acontecer. Eu não penso nisso. Não há motivo para voltarmos", disse ele. A carreira solo, no entanto, deve prosseguir. "Eu vou continuar como os velhos cantores de blues e morrer no palco em Chicago, provavelmente", comentou.


BACK TO THE FUTURE

Uma voltinha no Delorean

Não faço resenha de show. E não vou resenhar o show de sábado. O show de sábado que rolou na rua de Geru, no estacionamento vizinho ao Pipo’s, foi excepcional (em todas as acepções que a palavra comporta).

Confesso que eu saí de casa com aquele espírito de quem já foi em alguns inúmeros shows-cocó e esperava pouco da noite. E a noite não prometia muito mesmo: apenas mais um show em Aracaju. Apenas mais um show de rock independente (mesmo) ou alternativo, adjetivos preferidos à parte.

Primeira impressão: surpresa. A porta bem cheia. A rua tomada nos dois lados por uma variedade de gente de preto e afins. Fazia tempo que eu não via show assim. E ainda mais sendo show de bandas relativamente desconhecidas e sem a presença de bandas bombadas do momento. Ok, na divulgação (que não foi muito longe) tinha o nome de duas bandas “maiores”: Karne Krua e Bad Snake. Ainda assim: era um show no centrão da cidade, do lado de um puteiro, na noite em que tinha Eddie, Mamutes e Sessão Notívagos. Isso já me chocou de cara! Pensei comigo “vamos ver se esse povo todo vai entrar mesmo...”. E entrou! Surpresa número dois.

Não quero falar da estrutura precária, do som se estava bom ou ruim, se tinha aquilo ou faltou aquilo. O que achei interessante foi uma vibe de “show de alguns anos atrás” que estava rolando. Vesti quase sem querer uma carapuça de antropóloga e comecei a tentar observar e decodificar as informações que eu alcançava. Eu e Ivo imediatamente começamos a nos lembrar de 2002, 2003... das bandas da época e da Cooperock. Acredito eu que para o underground da cidade, ou ainda mais pro punk e hardcore, a Cooperock foi um capítulo dessa história. Antes de coletivo ser moda na boca de todo mundo, eles eram um coletivo com nome de cooperativa. A ideia era a mesma. Vai ver ainda não se chamavam de coletivo por nem saber que rolava essa onda. Vai saber! Independente dos detalhes, o que me chama a atenção aqui é o lance todo do punk que sempre me encantou: o ímpeto de você não precisar esperar por ninguém; simplesmente ir lá e fazer. Foi isso que me fez querer tocar e estar em banda mesmo sabendo que um monte de coisa ao meu redor dizia pra eu não fazer isso.

E sábado, num estacionamento de chão de brita, com um som ruim e “platéia” mais diversa com a qual me encontrei em muito tempo, aquilo tudo voltou forte. Pensei: será que ainda temos uma saída? Quando me pergunto isso simplesmente procuro visualizar algo mais à frente que sinalize uma luz, algo novo... porque pra quem curte/toca punk rock ou sons menos “agradáveis”, digamos assim, há um bom tempo a situação está tensa.

Voltando ao show, estava curtindo – apesar do cansaço. E vi o pessoal que organizou o lance falando do show, da dificuldade e que eles eram uma cria da extinta cooperock e um novo, agora sim, coletivo. Havia uma certa hostilidade aos eventos de cover, nada demais, mas pareceu diferente ali. Eu nunca tinha presenciado uma manifestação desse tipo tão compartilhada por tanta gente no mesmo espaço físico. E parecia que o lance de se ter bandas começando, existindo e querendo fazer algo novo era algo bom, louvável e o caminho. Surpresa número três. Não acho que ninguém deve ser inimigo disso ou daquilo, inimigo de evento A ou B... mas sempre fui da postura de que se você está insatisfeito com algo vá lá e faça algo diferente. Reclamar só não faz NADA mudar. Com passos tortos ou não parecia que ali pessoas com algumas afinidades tinham se reunido pra curtir a mesma porém outra onda. Acho digno.

Um capítulo á parte, para mim, foi o público. Depois de contabilizar cerca de 120 pessoas (cento e vinte pessoas!!! Como diz Quique Brown “sold out geral”), parei de me preocupar com esses detalhes e fui tentar aproveitar o show da Karne, além de dar aquele “apoio moral”. Mas, além de ser um público ótimo num dia de outro evento bombante na cidade, isso só me fez reforçar a ideia que tenho que o centro é um local que as pessoas tem muito medo de explorar. Ainda não consigo ver qual é o grande problema de se fazer shows por lá. Violência e assalto tem em todo canto... enfim. O publico também era outro. Não é um público que vemos em shows em picos mais pras bandas da praia. Não acredito que eles eram todos apenas amigos das pessoas das bandas e que foram lá para prestigiar. Porque será que eles não andam em todos os shows? Sinceramente, não sei responder. Mas isso me intrigou. Ingresso barato (R$ 5)? Não sei mesmo.

Porralocagem total, como a gente brinca. E como sempre comento, o ruim da porralocagem são só as brigas. Mas briga (óbvio) rola com qualquer pessoa. Tirando isso, acho lindo aquela variedade de tipos rockeiros: metaleiro, punk, anarko, crust, ex-punk, emo, clubber, maluco beleza, crew batom preto e hippie punk rajneesh. Até uma suposta “nova cena” rodava por lá (dedos cruzados!).

Anyway, não estou fazendo um elogio do show. Estou apenas compartilhando uma impressão forte que tive naquela ocasião. Talvez seja aquele velho romantismo de querer ver as coisas mudarem ou acontecerem de forma mais real pra gente aqui. Mesmo tendo aquela impressão que eu parecia estar num mundo paralelo (teve gente que me abordou pra perguntar se a Lily Junkie ainda estava tocando! Detalhe: a banda acabaou em 2003!!!) fiquei ansiosa por mais eventos desse naipe (quem sabe com uma melhora progressiva da estrutura) e atenta ao que vai acontecer. Será uma reviravolta na “cena” aracajuana? Será mais um último suspiro do punk? Posso estar super exagerando e só o tempo vai dizer.

Deixei o pico perto das 02:00 da manhã logo após o show da Karne, que não rolou até o fim. Até então, só três bandas tinham tocado e não foi dessa vez que vi a Bad Snake. Shame on me.

por Daniela Rodrigues

via Facebook

segunda-feira, 9 de maio de 2011

A Walk on the wild side

"Quero meia hora de show da Karne Krua de volta e em dinheiro"

E mesmo quando não tem nada pra fazer na cidade, se tem muito o que fazer. Se quer ficar sentado num bar enchendo a cara e paquerando a migué, fique a vontade. A cidade ta cheia disso e, como é de costume, pode-se voltar pra casa bêbado e sem ter pego ninguém. Mas ontem teve a volta da Sessão Notívagos, tocou Eddie, de Pernanbuco, e Mamutes, que é daqui. Fora o filme de Sofia Copolla, acho que era dela (Nota: era.), sexta feira passada eu ouvi o Programa de Rock e Adelvan colocou um bloco com musicas de trilhas sonoras dos filmes dela. Beleza, mas eu não estava lá. Eu estava em outro evento, tocando com a Karne Krua.

Realmente não interessa aqui como foi o show da Sessão Notívagos, não é disso que queremos falar. É de outra parte da cidade, um lugar mais perto do submundo.

Garagem do Rock. Não vou comentar quem fez o show, isso também não interessa. O lance é a força de vontade de fazer a parada. Depois de um tempo tive que me contentar em pensar assim e tentar não me estressar com o monte de doideira (confusão) que acontece nesses eventos. Se a banda se predispôs a tocar, vamos ver no que vai dar. Garagem do Rock realmente é numa garagem, chão de brita e duas fileiras de cobertura onde se guardam os carros nos agitados dias "úteis" do centro comercial de Aracaju.

Pipus: casa de show destinado ao público masculino para saciar seus desejos sexuais, localizada na Rua Geru, centrão da cidade, do ladinho da garagem. Um trecho mais abaixo tem a esquina do "Maria Feliciana" (Nota: apelido do edifício mais alto da cidade, nosso "world trade center". Maria Feliciana é uma sergipana famosa por ter sido considerada a mulher mais alta do mundo), prostituição de todo tipo; e se quebra à esquerda chega no Bar do Meio. Entroncamento cabuloso que te joga pra Zona Norte da cidade, rota de fuga pra tudo quanto é coisa que uma noite no Centro da Cidade pode te proporcionar. A todo tempo se viam caras sinistras transitando na rua, guardadores de carros alucinados, cidadãos com cara de mala e carros cheio de machos com cara de matador. Gente "bêba" é o que não falta, além de viciados na pedra olhando para o nada. Um clima não muito agradável nem amigável. Ficar ligado para não ser roubado ou não rolar uma treta pior é sempre importante.

É nesse clima de submundo que acontece o outro lado do rock nesta bendita cidade. É ver que as coisas que sempre aconteceram continuam acontecendo. É quando se percebe que as coisas aqui realmente sofrem um atraso. É quando colocamos a maior fé que a maldição do cacique fez e ainda faz efeito. É a constatação de que parte do underground (tem que restringir e, mesmo sendo um texto literário, temos que nos importar com os egos de pé atrás dos produtores) parece ser a esponja da eterna maldição. Qual banda vai tocar agora? Qual a ordem das bandas? Quem souber morre! Aparelhagem de som um tanto quanto decente? É maluco de pensar nisso? É mais de uma década (da minha parte) vendo coisas desse tipo acontecerem, mas eu não estou mais numas de me estressar, então, por mais que o clima não fosse dos melhores, estava tudo de boa. E ai começa o mal estar do rock, onde uma banda quer tocar antes, outra acha que vai tocar, quando já tem outra banda montando seus instrumentos, onde a banda se esgoela toda pra fazer um show, mas porque ta na instiga de tocar. São longos anos arrastados pelas mesmas situações. Todas as bandas que tocam num show neste naipe estão lá por um mesmo motivo: INSTIGA EM QUERER TOCAR! É simplesmente boa vontade e instiga.

E a Karne Krua tocou. Tocou depois da Os Leprechauns (seja lá o que isso significa). Banda que tocou sons próprios e que de repente possa lançar um novo estilo de som: o Arrocha n’ Roll (nome produzido por uma breve conversa entre eu e Silvio, pois alguém da banda dizia que era fã de Pablo do Arrocha). Mas pelo menos os caras estavam tocando os sons deles, o que mostra que tem uma galera ai fazendo som próprio e isso é o que importa: dê sua roupagem ao seu conhecimento. “Quem toca cover tem a alma alienada”, uma bela frase, não?

Baixo: bem, o baixo dava pra escutar de boa. As vozes também, estavam de boa. A bateria: bateria faz barulho de qualquer jeito, o lance é o baterista ouvir o que está se tocando. Guitarra: no talo! E a caixa não conseguia berrar... E a tecnologia é uma coisa fantástica. Hoje temos ilhas de gravação de áudio e vídeo que fazem a gente falar com alguém que tá na casa da gota serena (só é ter conta ou crédito suficiente) e que podem registrar as coisas naquele momento, ao alcance da mão, pois costuma ficar no bolso (ou na bolsa, para mulheres). E é daí que você constata que as coisas realmente continuam as mesmas. Você ouve uma gravação de celular com qualidade de fitas K7 e percebe que antigamente se ouvia as fitinhas com uma ânsia de matar na gastrite. Quando a fitinha já tinha sido a milhonéssima vez reproduzida e tudo era uma chiadeira só, vocal estourado, baixo estourado, guitarra cortante de ruim, bateria de lata... aí era quando se empolgava mesmo e achava a banda mais underground do mundo, quando a maioria das vezes realmente era ... então tome aí e ouça: http://www.youtube.com/user/adilioapc16#p/a/u/0/pN4K3bZtv2A.Isso faz parte da tecnologia, não vai ser impresso, tá no computador, então vá lá e ouça ... como ouça um pedaço da confusão idiotizante que fez acabar o show da Karne Krua. Idealismos à parte, mas roda de pogo é pra se pogar, pra se divertir e como diz Silvio: “quando você vem para um show que tem banda de punk rock/hardcore tocando, tem que ir com o espírito desarmado”. E é assim que que um show acaba, com uma briga que nem começou direito. E é assim que o rock não acontece, porque acaba antes de mesmo ter começado a briga. É isso, to indo pra casa e quero meia hora de show de volta em dinheiro!

por Alexandre Gandhi Mendes Costa, guitarrista da Karne Krua

Fonte: Facebook

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Korzus, uma entrevista

Confirmado no Rock in Rio desse ano, com um disco novo debaixo do braço e depois de uma turnê europeia, Korzus volta a ocupar destaque no heavy metal nacional e celebra bom momento.

por Marcos Bragatto
REG

Depois de voltar da primeira turnê na Europa em quase 20 anos, o grupo recebia amigos e parentes do estúdio Mr. Som, em São Paulo, onde o vocalista Marcello Pompeu e o guitarrista Heros Trench ganham a vida. Eram quase nove da noite quando a TV começou a passar o clipe da música “Truth” em pleno “Jornal Nacional”. Era a confirmação, direto de um evento em Ipanema, no Rio, de que o Korzus vai tocar no Rock in Rio desse ano, junto com convidados especiais que formam o chamado “The Punk Metal Allstars”. Uma notícia que, somada à tal turnê, à boa repercussão do novo álbum, “Discipline Of Hate”, e ao show de abertura para a alma gêmea Slayer, em junho, atesta que o Korzus está mesmo em alta no mercado.

Nada mais justo para o grupo que, formado em 1983, é um dos pioneiros do metal nacional e teve dias de glória no auge do thrash, nas décadas de 80 e 90. Quando o Sepultura dava as cartas, o Korzus vinha logo em seguida. Quem não se lembra do álbum “Mass Illusion”, de 1991, e do clipe para a música “Agony”? Depois de uma sumida, o grupo voltou com força total com o excelente álbum “Ties Of Blood”, lançado em 2004, tendo Pompeu e Heros já como produtores e impulsionadores dessa nova fase. Depois de um tempo para se reestruturar, o projeto de internacionalizar de vez a banda começa a dar frutos: “Discipline Of Hate” sai na Europa pela AFM Records e a turnê pelo Velho Continente agrada de vez a gravadora. E o clipe de “Truth”, a essa altura, já bate as 130 mil visitas.

A formação atual conta, além de Pompeu e Heros, com Antônio Araújo (guitarra, que estreia em disco), Dick Siebert (baixo) e Rodrigo Oliveira (bateria). Mas no Rock in Rio, no Palco Sunset, espaço do festival destinado a encontros de mais de uma banda e/ou artistas, o show é com o The Punk Metal Allstars, que tem o guitarrista do Dead Kennedys, East Bay Ray; o ex-vocalista do Misfits, Michale Graves; o guitarrista do Exodus, Gary Holt; e o líder do Destruction, Marcel Schmier. Nessa entrevista exclusiva ao site Rock em geral, Marcelo Pompeu faz um balanço do bom momento, conta alguns detalhes do show do Rock in Rio, avalia criticamente a cena do metal nacional e fala dos próximos projetos, que incluem um novo álbum e mais uma turnê no exterior para este ano. Aproveitem:

Rock em Geral: Como foi a turnê que vocês fizeram uma turnê pela Europa agora no primeiro semestre?

Marcello Pompeu: No total foram 17 shows, em 22 dias. Começamos na Áustria e de lá fomos para a Alemanha, depois Suíça e Bélgica. Foi uma turnê junto com o Ektomorf, uma banda húngara residente na Alemanha, um pouco mais conceituada na Europa. Eram essas duas bandas e tinham outras duas de abertura. Foi ótimo, os shows foram em lugares que já são tradicionais no heavy metal mundial. Gostamos muito dessa turnê porque trouxe uma repercussão muito grande, conseguimos mudar radicalmente a visão da gravadora em relação ao Korzus, assim como acabamos tendo vários contatos ótimos em relação a produtoras de shows para as próximas turnês.

REG: A gravadora não estava acreditando muito em vocês?

Pompeu: É uma banda nova na Europa, e o nosso forte mesmo é o palco. No show de Hamburgo toda a cúpula da gravadora estava lá, foi ótimo, porque eles viram o show e mudaram completamente a concepção em relação à banda.

REG: Qual dos shows foi o melhor?

Pompeu: De público eles eram muito parecidos, tirando o ultimo show, da Bélgica, que eram basicamente os nossos amigos, foi mais uma festa. Todos os outros tiveram uma média de público muito parecida, as casas sempre lotadas. Para mim o que ficou foi o mais importante, o de Hamburgo, por causa da presença da gravadora e das principais agências de show da Europa. E nós fizemos um puta show maravilhoso, acabou tendo uma grande repercussão. Esse foi o show mais importante para nós. Hoje heavy metal na Europa é Alemanha, e a capital do heavy metal na Alemanha é Hamburgo.

REG: Qual foi a ultima turnê na Europa?

Pompeu: Foi em 1992, né? Na verdade sempre tivemos várias propostas nesses anos, mas nenhuma que tivesse a grandiosidade do Korzus. Uma coisa séria, bem dirigida, bem montada. Eu não vou sair daqui pra ficar fazendo acampamento na Europa, tocando em botequinho pra ganhar a cerveja. Temos outro padrão de vida aqui, e, no mínimo, uma turnê na Europa tem que condizer com isso. Sabemos que é um caminho novo, que somos uma banda nova, estamos começando um trabalho, mas também não é por isso que vamos fazer loucura, porque para ir de qualquer forma para a Europa eu prefiro ficar no Brasil.

REG: E o disco novo, “Discipline Of Hate”, tá rolando legal lá?

Pompeu: Tá indo bem. Depois da turnê deu um impulso muito grande, todos os CDs daqui do Brasil e aqueles que a gravadora forneceu foram vendidos. Toda a merchandise foi vendida, e os números, agora, na gravadora, dobraram. Tanto que era para fazermos uma turnê no meio do ano, nos festivais, mas deixamos para o final do ano, porque estamos com uma proposta melhor para o Leste Europeu entre outubro e novembro. A ideia era fazer duas turnês na Europa em 2011, não três. Todos temos outros compromissos na música aqui. Os festivais vão ficar para o meio do ano que vem.

REG: Esses dois álbuns que marcaram a volta do Korzus (“Ties Of Blood” e “Discipline Of Hate”) são bem pesados e parecidos. Como você compararia os dois?

Pompeu: Ah, é a sequência do trabalho, são músicas diferentes, mas no mesmo estilo thrash metal que é a marca do Korzus. Em todos os discos a gente tenta colocar elementos diferentes, algumas músicas malucas com elementos que em geral nós não usaríamos. Temos a tradição de sempre fazer uma homenagem ao punk/hardcore, que nesse caso é “Hypocrisia”, sempre em português (em “Ties Of Blood” é “Correria”). A gente tem uma ligação grande com esse tipo de música. Mas esse disco é uma sequência do “Ties Of Blood”, é rápido, pesado, às vezes com grave, com groove. Colocamos um pouquinho mais de melodia do que nos trabalhos anteriores. Já estamos fazendo novas músicas e queremos fazem um álbum anda melhor que o “Discipline of Hate”.

REG: As músicas desse disco são todas novas ou tem coisa que ficou do anterior?

Pompeu: Tem uma regravação de uma música que só entrou como bônus no disco do “Monsters Of Rock” (“Live At Monsters Of Rock”, de 2000) , “Last Memories”. Todas as outras são inéditas, inclusive tem música que não entrou, umas duas ou três, que guardamos para o novo trabalho.

REG: Houve mudança do guitarrista, entrou o Antônio Araújo no lugar do Silvio Golfetti…

Pompeu: É mais uma cabeça pensante, mas o principal de tudo não é ele trazer influência ou modificar isso ou aquilo. O mais importante era ele se ajustar ao nosso estilo, entrar na nossa família e se ajustar ao nosso estilo, e o Antônio foi perfeito nisso. Quando ele pegou o sentimento musical da banda, ele desenvolveu muito, fez muitas músicas e letras, trouxe muitas ideias. Foi um cara bem atuante na concepção e na composição do “Discipline Of Hate”.

REG: O Silvio tocou numa música…

Pompeu: O Silvio tinha uma ligação muito grande, era a despedida dele da banda, então nada mais justo do que entrar alguma coisa com ele. Nesse disco, inclusive, tem uma composição dele, que é a “Slavery”.

REG: A saída foi tranquila, então…

Pompeu: Foi uma opção dele, nem me compete analisar. Em nenhum momento a banda queria que ele saísse, não foi uma opção da banda, e sim dele.

REG: Você e o Heros têm produzido os discos do Korzus. Não há a necessidade de ter um produtor de fora da banda?

Pompeu: Somos muito abertos para essas coisas, para mim e para o Heros, tanto faz. Mas as pessoas que gostaríamos que produzisse um álbum nosso são pessoas muito caras, é inviável nesse momento. Então, em vista do que eu posso pagar, prefiro fazer que eu me garanto muito mais.

REG: Quem são esses produtores caros a que você se refere?

Pompeu: O Andy Sneap (Arch Enemy , Megadeth) é um cara que eu gostaria muito que fizesse uma produção do Korzus. O Rick Rubin (Slayer, Metallica)… Mas esse é um outro patamar financeiro. A coisa ali é mais difícil. Fora esses nomes, seria só para colocar o nome de um gringo para ver se vai acontecer alguma coisa na carreira. Mas se a música não falar, não adianta. Em questão de qualidade nós nos garantimos muito. A turnê foi boa até nesse sentido, tem banda lá de fora que tá conversando com a gente para produzir álbuns internacionais. Até nisso o disco tá dando retorno.

REG: Com rolou o convite para tocar no Rock in Rio?

Pompeu: Sei lá, eu acho que a banda tá em alta, é um momento muito bom. A carreira da banda cresceu muito com esse disco, e mesmo de uns dois ou três anos pra cá. Ficamos quietos em 2009, sem tocar, só preparando uma estrutura, montado as coisas que nós precisávamos para poder entrar nesse projeto que é a internacionalização do Korzus. É um trabalho que tá dando resultado, estamos recebendo de volta tudo o que foi investido e pensado. Esse é um álbum de sucesso, não é porque é a minha banda e eu produzi, mas ele tá com uma aceitação ótima aqui no Brasil. A nota mínima que tivemos foi 9,5! Lá fora também tivemos grandes resenhas. Enfim, é um momento de alta da banda. Então nada mais justo do que aparecer o Rock in Rio na sua vida. Não foi nada programado, estávamos na Europa em turnê, sabíamos que houve a sondagem, mas não sabíamos no que ia dar. Quando chegamos no Brasil houve uma festa meio surpresa aqui no estúdio, com familiares, amigos. Foi mais ou menos na hora do “Jornal Nacional”, e, de repente a gente vê o nosso videoclipe e a confirmação do nosso nome. Nosso empresário rindo, porque tava guardando a notícia à sete chaves. Acho que é o reconhecimento de tudo que o Korzus já fez pelo metal, do que representa o heavy metal brasileiro e uma coroação desse momento de alta da banda.

REG: É o melhor momento de todos os tempos ou teve outros na fase inicial?

Pompeu: Eu acho que é o melhor momento, com esse time. Essa produção que trabalha com a gente, tanto a equipe brasileira como a equipe alemã, nós estamos muito bem estruturados. A nossa cabeça também é completamente diferente da dos anos 90. Hoje, todo mundo vive do heavy metal, vivemos de música, somos música 24 horas. É uma outra situação completamente diferente. E o momento é melhor porque te proporciona uma situação melhor. E hoje o tamanho do metal no Brasil é outro, você não pode comparar a fase de hoje com vinte, vinte e poucos anos atrás. O público era menor, os espaços eram restritos, a mídia era pequena. Porque nós não precisamos da mídia normal, temos a nossa própria mídia no heavy metal, impressa, virtual, TV e rádio. Hoje é completamente diferente e por isso eu posso dizer que esse é o melhor momento da banda. A tecnologia está do nosso lado. Dois integrantes da banda são produtores, tudo facilita na nossa carreira.

REG: Você preferiria tocar no Palco Mundo (o principal) do Rock in Rio, ou o Palco Sunset tá de bom tamanho?

Pompeu: Eu não me preocupo com isso, vou lá para mostrar meu trabalho, e tenho certeza que naquele momento, na hora da nossa apresentação, todos que estiverem dentro do festival vão para frente do palco, porque não existe coincidência de horários. Tem um lance de eletrônico lá, mas o público headbanger não vai se ligar nisso. Então, se não tem outra atração no mesmo horário, é indiferente se é Palco Mundo, país ou cidade, o importante é fazer parte da história do maior festival de música do mundo. Queremos fazer uma grande apresentação para, quem sabe, no futuro essa parceria com o Rock in Rio possa perdurar por anos. Daqui a dois anos vai ser no Brasil de novo, tem a versão em Lisboa, em Madri. Se fizermos um bom trabalho, e da forma que estamos trabalhando na Europa, temos tudo para tocar em outras edições no festival, no Brasil e no exterior.

REG: E os convidados? Como vai ser o show?

Pompeu: Há pessoas que fazem a direção do trabalho do Korzus – brasileiros e alemães -, estamos muito bem assessorados. Então os convidados foram escolhidos por eles, nós estávamos na Europa e eles estavam aqui e tinham que ter os nomes. Houve o convite, foi passado o formato da apresentação, e eles, para viabilizarem o negócio, já foram atrás dos nomes. O Schmier (Destruction) é grande amigo nosso, o Gary Holt (Exodus), que foi o primeiro nome sugerido, também é um grande amigo do Korzus. Tem o rapaz do Dead Kennedys, o East Bay Ray (guitarrista), que eu vou conhecer agora, assim como o Michael (Graves), do Misfits. Mas tenho certeza que vai dar tudo certo, estamos nos comunicando por e-mail, só falta se conhecer pessoalmente mesmo.

REG: Não vai ser um show normal do Korzus…

Pompeu: Nós temos uma hora de apresentação e vai ser dividido em duas partes: 20 minutos de Korzus, meia hora com o Punk Metal Allstars, e depois o Korzus volta e faz os dez minutos finais para encerrar. É uma coisa muito legal, vai ter várias surpresas, vamos tocas as conhecidas com os nossos convidados para a galera pode se divertir e cantar junto. Como eu disse, a escolha dos nomes foi boa porque nós temos essa ligação muito grande com o punk e o hardcore. Então ter um nome do Dead Kennedys e um nome do Misfits é sensacional.

REG: Já tem mais ou menos o repertório do show?

Pompeu: Ah, vamos fazer umas surpresas, nós vamos chegar antes, temos um esquema armado para os ensaios. Mas todo mundo já vai ter feito a lição de casa antes, e só vamos ver como as coisas vão soar. Estamos bem felizes com isso e os convidados estão honrados com esse convite.

REG: Tinha outros nomes que vocês queriam chamar, mas não conseguiram, por questões de agenda?

Pompeu: Para te falar a verdade eu não sei, porque quando chegaram esses nomes eu já aprovei na hora, porque gosto muito de todas as bandas que estão envolvidas. A única coisa que ficou mais difícil foi esse problema do Gary Holt, que passou a tocar com o Slayer e ninguém sabe o que é direito (Holt está substituindo Jeff Hanneman, que se recupera de um problema no braço). Quem pode entrar no lugar dele é o rapaz do Suicidal Tendencies (Mike Clark), mas não sabemos direito como vai ser, na verdade. Só vamos saber no dia 9 de junho, quando vamos tocar com o Slayer aqui em São Paulo e vamos saber direitinho sobre toda essa situação.

REG: Outro dia o Gary Holt não pode tocar e quem tocou foi o guitarrista do Cannibal Corpse

Pompeu: Vamos analisar isso direitinho, vamos estar com eles no dia 9 de junho e poder ver todo esse tipo de posição. Quem sabe a gente não venha com um nome muito maior, uma surpresa muito maior?

REG: Está animado com a abertura para esse show do Slayer?

Pompeu: É o momento de alta que eu falei, um convite maravilhoso que surgiu pra gente, não temos do que reclamar. Sempre falam que o metal é isso, que as pessoas são aquilo, que ninguém apóia isso ou aquilo outro. Eu sou um hipócrita de marca maior (risos). Acho sensacional a fórmula do Rock in Rio, o valor do ingresso e sem esse negócio de pista vip, pista diabo, pista anjo… isso é ridículo. Há pouco tempo eu estive em Florianópolis para o show do Motörhead, e tinha pista vip numa casa que mal cabiam 1500 pessoas. Então eu tenho que aplaudir a iniciativa do Medina (Roberto Medina, presidente do Rock In Rio) em fazer uma coisa única, de acabar com essa palhaçada. Para o Rock in Rio seria muito fácil colocar a pista diamante, pista prata, pista ouro e a pista pérola e ganhar muito mais dinheiro. Que sirva para outros produtores esse exemplo. Com o maior festival de música do mundo nas mãos, ele já tem a filosofia dele, consegue enxergar um pouco além do que os olhos podem ver. A pessoa que gostaria de ficar próxima do palco, que é o grande fã que chega um dia antes, fica, não aquele que tem mais dinheiro. A iniciativa do Medina de preço único de ingresso é um tapa de luva de pelica em todos os outros produtores. Não vou condená-los, cada um sabe onde a água bate, mas vamos pensar numa forma onde se possa privilegiar a todos.

REG: Como você vê a cena metal no Brasil hoje?

Pompeu: Eu vejo um crescimento muito grande na cena nacional, logo mais vai ter disco novo do Sepultura (“Kairos”), que eu tenho certeza que vai ser um arregaço. Nesse ano de 2010/2011, tudo que saiu de banda brasileira foi muito bom, a cena tá muito forte, muito mais do que meia dúzia falam aí na mídia. Esses que ficam metendo o pau são pessoas que perderam seu espaço por “n mil motivos”. Tanto por qualidade de trabalho como posição pessoal e por caráter. São palavras que entram por um ouvido e sai pelo outro. Porque heavy metal não é isso, heavy metal não tem dia para se comemorar. Heavy metal você ouve todos os dias e comemora todos os dias. Eu não concordo com esse tipo de filosofia, eu não concordo com benefícios próprios, com o nome de um estilo musical, que quando eu comecei as pessoas nem eram nascidas. E não concordo com uma pessoa determinar quais as principais bandas, as maiores bandas do Brasil, e se colocar. Eu não concordo com isso.

REG: Você está se referindo a quem exatamente?

Pompeu: Eu não quero dizer nomes porque não vem ao caso, mas todo mundo sabe. Se você se aprofundar um pouquinho dentro do heavy metal, vai entender o que eu tô falando. Ficar dentro do Facebook buscando votinhos, “apoinhos” e coisinhas… Se é tão grade porque que vai fazer isso? Só diz quer vai fazer um show que tem que encher, essa é a real. Faz como o Sepultura, come quieto. Essa sim é a maior banda do Brasil, da história do heavy metal brasileiro. Max Cavalera e Iggor Cavalera fazem parte de uma outra história do Sepultura. O Sepultura é com o Derrick (Green, vocalista) e com o Jean (Dolabella, baterista), e eles tão fazendo um puta som, tão com uma banda sensacional, uma equipe maravilhosa, de alta qualidade. A gente só tem que aplaudir.

REG: Eles também estão num momento muito bom…

Pompeu: Maravilhoso, por isso que eu digo, o que tá acontecendo hoje é que o heavy metal brasileiro tá sendo medido pela qualidade do artista. Como tem esse Violator, que tá crescendo muito, é sensacional. É verdadeiro, é de qualidade, é para fazer sucesso mesmo. Eu aplaudo. Tem o Torture Squad, que a cada ano cresce mais nesse país. O Angra voltou com força total, com um disco maravilhoso. É uma banda muito importante para o metal brasileiro, porque heavy metal não é só thrash metal, tem o melódico, tem o prog. Eu fui num show do Krisiun no Hangar 110 (casa de shows em São Paulo) há pouco tempo, foi espetacular, tava lotado. Tem pessoas que em vez de dar um tempo, voltar a ter qualidade, fazer um trabalho bombástico e ser honesto consigo próprio e com o estilo que representa, não fazem isso ficam falando um monte de besteira. Correr atrás de verba cultural para beneficio próprio e o caramba… Vai fazer trabalho filantrópico!

REG: Tem alguma coisa do disco novo que você pode adiantar?

Pompeu: Eu sou suspeito, vou dizer que tá ficando maravilhoso. Já temos muitas ideias, estamos selecionando, cada um grava coisas e mostra para todo mundo. Tem músicas do Antônio que encaixa na música do Heros, tem música do Rodrigo que encaixa na música do Dick e por aí vai. Tá ficando sensacional, é a sequência do “Discipline Of Hate”, cada vez mais com uma coisinha para determinar mesmo o nosso estilo, a nossa história e aquilo que nós defendemos no heavy metal. Mas nada para tocar ainda, estamos na fase de divulgação desse novo disco. É que estamos com uma formação maravilhosa, então não tem como ficar sem compor, com medo disso, medo daquilo. A banda tá muito estável, regular, tá tudo rolando muito bem pra gente.



# 187 - 06/05/2011

Opa, para tudo: Acabo de ficar sabendo, via Portal Rock Press, que o Atari Teenage Riot, um dos "favoritos da casa", disponibilizou um single de seu próximo álbum no site oficial do grupo. Chama-se "Blood in my eyes" e na letra Nic Endo, que faz os vocais, fala em nome das mulheres vítimas de tráfico humano. Abrirá o programa de rock de hoje, e virá bem acompanhada com “Legacy Was Yesterday”, faixa nova do Napalm Death.

Na sequencia, 4 faixas de "Sonic Mambo", o primeiro disco do Eddie, na série "Discoteca Básica", seguidas de um cover de "Desequilibrio" gravado por Nasi, ex-Ira!, em seu último trabalho solo. O Eddie tocará amanhã em Aracaju, no Cinemark do Shopping Jardins, na festa "Será que a Notívagos volta?". Haverá também a exibição do filme "Somewhere", de Sofia Coppola, ainda inédito nos cinemas da cidade, e uma apresentação dos Mamutes. Por conta disto veicularemos, também, um bloco com musicas extraídas das trilhas sonoras dos filmes da filha do "poderoso chefão": "As Virgens suicidas" (Air), "Encontros e desencontros" (The jesus & Mary Chain, claro) e "Maria Antonieta" (The Cure, New Order e Aphex Twin). De "Somewhere", a faixa que abre e fecha o disco, dos franceses do Phoenix.

No "Bloco do ouvinte" nossa já habitual colaboradora, Rosi, vai mostar o que é que a Bahia tem. Diz ela que irá aos estudios apresentar ao vivo, é ouvir para conferir. Completando o set, o Drop Loaded nosso de toda semana e alguns punk rocks clássicos: Sham 69, espécia de "banda-mãe" do punk/oi!, skinhead em sua formação porém sem vinculação com a extrema direita; The Undertones, da Irlanda do Norte, com seu rock dançante totalmente inspirado nos Ramones; The Saints, precursores do punk rock australiano (a banda é de 1974!); Penetration, cujo nome foi retirado de uma música de Iggy & The Stooges, e os vocais femininos de Pauline Murray; Vibrators, punk rock com belas melodias que influenciou meio mundo, e The Adverts, que não tinha o menor pudor em ser punk rock e ao mesmo flertar com o sucesso comercial. Gaye Advert , baixista/vocalista, foi definida pela The Virgin Encyclopedia of 70s Music como "the first female punk star".

Até mais !

A.

#

Atari Teenage Riot - Blood in my eyes
Napalm Death - legacy was yesterday

Eddie - " Sonic Mambo "
( Discoteca Básica )
# Videogamesongs
# Pedra
# Eu só poderia
# Buraco de bala

Nasi - Desequilibrio

Redhead Outdoors:
# Ice Cream and libertines
# Car Queen killers
( Drop Loaded )

Sham 69 - Bostal Breakout
The Undertones - smarter than you
The Saints - (I´m) Stranded
Penetration - Don´t dictate
Vibrators - Judy Says
The Adverts - Gary Gilmore´s eyes

Phoenix - Love like a sunset
The Jesus & Mary Chain - just like honey
Air - Playground love
New Order - Ceremony
Aphex Twin - Avril 14th.
The Cure - All cats are grey

Aqueronte - Tears and Blood
Burning Heart - Imaginations
Cruzadas - Idade das trevas
Canto dos Malditos na Terra do nunca - qualquer intenção
( por Rosi Matos )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DRI, uma entrevista

Entrevista concedida no dia 17 de abril, momentos antes do show em São Paulo, pelos membros fundadores remanescentes da banda, Kurt Brecht (vocais) e Spike Cassidy (guitarra). Publicada originalmente no site "whiplash".

Por Fernanda Lira

O D.R.I. é originalmente do Texas, enquanto a maioria das bandas de thrash dos anos oitenta nasceu na Califórnia. Como era a cena no Texas quando vocês começaram?

Kurt Brecht: Bem, quando nós começamos no Texas, curtíamos e vínhamos de uma cena bem hard core e então não sabíamos como era a cena metal por lá, já que as bandas desse estilo não tocavam nos mesmos lugares que tocávamos.

E quais eram suas influências naquela época? Quais bandas vocês costumavam ouvir e então colocar elementos delas em suas músicas?

Kurt: Bandas de hard core da Califórnia, nadas de hard core do Texas, bandas de Washington D.C., como Minor Threat e Misfits de Nova Iorque, Bad Brains.

Falando em Misfits, vocês tocaram com eles no Abril Pro Rock aqui em Recife há alguns dias atrás. Como foi o show?

Kurt: Eu sempre gostei deles e o show foi ótimo. É difícil de descrever, sabe... Vimos o show de graça, tínhamos passes para o backstage. Muito legal!

Nesse mesmo festival você tocou junto a algumas bandas brasileiras. O que você achou delas?

Kurt: Sim, tocamos com o Violator e algumas outras bandas. Eles são bons.

E quanto ao público de lá? Qual sua opinião?

Kurt: Eles tem sido loucos todas as noites, mas acho que em São Paulo será o melhor lugar de todos! (N. da R.: A entrevista foi conduzida minutos antes do show em São Paulo começar). Mas todas as noites têm sido legais.

Voltando um pouco novamente ao passado da banda, por que vocês decidiram sair do Texas e ir para São Francisco?

Kurt: Outras bandas como Verbal Abuse já tinham ido para lá e morado lá por um tempo e nos disseram: “Vocês deviam ir para lá! As pessoas darão mais atenção para a banda lá”. O Texas tinha pouco espaço para a cena, e em algumas semanas já tínhamos tocado em todos os lugares possíveis e então todas as pessoas já tinham visto a banda um milhão de vezes, pois tocávamos a toda hora. Em São Francisco isso não ocorreria durante um bom tempo.

Muitos dizem, e eu concordo, que vocês criaram um estilo de música, o crossover thrash, que influenciou várias bandas. Qual seu sentimento em relação a isso?

Kurt: É maravilhoso! O fato de termos criado um estilo que influenciou bandas como Hatebreed e Anthrax, que também fizeram com que o estilo fosse cada vez mais adiante, é muito gratificante. Se contar que nós fomos influenciados também. Eles mesclaram o metal com uma vertente mais agressiva e rápida e nós viemos do thrash e passamos a misturar com elementos mis característicos do metal. Estamos todos juntos na cena: tocamos juntos em alguns shows e chegamos até a pertencer às mesmas gravadoras por um tempo.

Quando eu ouço os álbuns da banda, eu percebo que há claramente uma evolução nas músicas. No primeiro disco, “Dirty Rotten EP” vocês têm 22 músicas em 18 minutos, e nos próximos, como “Dealing with It” e “Crossover”, vocês já passam a mesclar thrashcore, com crossover e elementos de metal. Como você analisaria essas mudanças?

Kurt: Bom, na época em que aparecemos com o “Crossover” já estávamos fazendo bastante turnês, tínhamos algo como 50 músicas, todas muito pequenas e rápidas, e então começamos a achar que precisávamos acrescentar algo entre aquelas músicas, para torna-las mais interessantes. Em Nova Iorque as bandas começaram a inserir passagens mais lentas, mas pesadas e trabalhadas e mesmo assim as pessoas continuavam agitando as músicas, mesmo que de uma forma mais lenta, e nós passamos a gostar daquilo e de bandas como Slayer e Metallica.

Spike Cassidy: Foi também uma evolução que ocorreu por estarmos ouvindo bandas novas. No começo só escutávamos bandas como Dead Kennedys, Circle Jerks e Black Flag, Minor Threat e por isso tendíamos a tocar sons curtos e rápidos. Mas quando passamos a ouvir Slayer e Metallica, que gostávamos muito, começamos a compor de forma diferente.

Há uma pergunta que sempre direciono às bandas e que eu sei que é bem difícil de ser respondida. Mesmo assim, gostaria de saber de vocês qual álbum vocês acham que melhor descreve a banda?

Kurt: Hum... Acho que “Dealing with It” é o mais clássico, porque nele nós regravamos as músicas antigas, mas também acrescentamos algo de diferente, mais metal, nelas. Com ele, headbangers começaram a aparece em nossos shows dizendo que tocávamos metal, e eu falava “Sério?”. Então eu diria que seria o “Dealing” que melhor nos descreve, pois ele é o álbum que contém maior variedade de estilos.

Spike: É realmente difícil escolher apenas um que melhor descreva a banda, mas eu também fico com o “Dealing with It”, porque é um álbum que mistura bem o punk e o metal. Digamos que ali você encontra 50% de cada um deles.

O que eu acho interessante em seus shows é que vocês atraem diferentes tipos de público. Quando assistimos ao “Live at the Ritz”, por exemplo, podemos ver punks, headbangers...

Kurt: É perfeito para nós, pois podemos tocar em vários lugares diferentes. Por exemplo, só no ano passado fomos headliners de um festival de punk, depois de um de hard core e depois de um de death metal. Então para nós é muito legal que haja essa mistura. Assim atingimos um número maior de pessoas com o nosso trabalho.

Quão diferente vocês acham que a cena é desde quando vocês começaram a tocar até hoje?

Kurt: Eu acho que agora é mais homogênea e não tão segregada. Antes era tudo mais separado. Se você ia a um show de hardcore dificilmente encontraria um headbanger cabeludo, mas hoje em dia isso se tornou mais aceitável.

Spike: Antes era complicado mesmo. O pessoal se preocupava muito com essa coisa das ‘tribos’. Hoje em dia as pessoas se importam mais com a música e com se divertir.

Por que vocês passaram tanto tempo sem lançar um álbum?

Kurt: Nós simplesmente passamos muito tempo em turnê. Quando lançamos o “Full Spead Ahead” passamos três anos viajando sem parar. E é assim que tem sido: você volta da Europa e te querem viajando pelo Japão, então quando você volta pra casa já tem que se preparar para ir à América do Sul... Sem contar que demora muito gravar um disco, esperar ele ser lançado e só depois cair na estrada. Então, depois de passarmos um tempo parados, optamos por aproveitar o máximo de novo o tempo que passamos viajando pelo mundo.

Mas, no momento, vocês têm planos de voltar a compor algo para um futuro trabalho?

Kurt: Sim, mas cada coisa tem seu tempo. Não é simplesmente chegar no estúdio e gravar o álbum.

Em 2004, por que vocês lançaram uma faixa demo online, chamada “Against Me”, que saiu do ar pouco tempo depois?

Kurt: Bem, gravamos aquela música em um dia de folga durante uma turnê na Europa. Nós tínhamos umas quatro músicas novas prontas, mas só tivemos tempo de colocar os vocais em uma e por isso ela foi lançada. Mas o tempo era muito curto para compor, gravar e lançar um álbum novo.

Spike: Sem contar que hoje em dia temos um grande problema acontecendo em relação aos discos. Uma pessoa compra e em segundos milhares tem acesso a ele gratuitamente. Há um custo muito alto em gravar um disco e ninguém compra mais hoje em dia, então você não tem seu dinheiro de volta, não há um retorno financeiro. Não sobreviveríamos apenas com o valor da venda de discos, mas com o dinheiro de uma turnê, isso é possível, e é por isso que fazemos isso. Não é que eu seja contra o download e a Internet. Eu acho que a Internet trouxe muitas coisas boas que não tínhamos antigamente, como uma maior exposição do nosso trabalho, porque mais pessoas acabam ouvindo e também que podemos postar facilmente vídeos e informações sobre a banda. Isso é bom! O que eu quero dizer é que não é possível mais sobreviver apenas de discos, pois você demora muito para receber seu dinheiro de volta. Sem contar que tocamos muito de nosso material antigo e muito pouco de discos mais recentes, porque as mais velhas têm mais impacto sobre o público ao vivo. Às vezes eles nem conhecem os sons recentes que tocamos! (risos) Então damos ao público o que eles querem!

Como vocês, especialmente você, Spike, se sentem voltando aos palcos depois de passar por um período tão difícil, como o que ocorreu há um tempo atrás? (N. da R.: O guitarrista Spike descobriu, tratou e curou um câncer em meados de 2007, o que fez com que a banda desse uma pausa em suas atividades)

Spike: Nossa, eu senti muita falta disso tudo que estou vivendo agora!

Kurt: Sem contar que passamos um tempo exercendo profissões comuns, até que pudéssemos voltar às turnês.

E como tem sido a resposta dos fãs ao retorno de vocês?

Spike: Tem sido maravilhoso! A cena do thrash se renovou bastante e hoje em dia vemos muitos jovens adolescentes que vem e nos falam “Não pude ver vocês antes porque tinha dez anos. Agora sou velho o bastante para vê-los ao vivo e entrar no show!”.

Exatamente sobre isso que eu gostaria de comentar. Eu, por exemplo, nasci em 1989, quando vocês já estavam há muito tempo tocando. Assim como eu, vários fãs de cerca de vinte anos de idade estavam ansiosos para vê-los ao vivo pela primeira vez. Como vocês se sentem em relação a isso?

Kurt: Eu amo! Agora eles podem finalmente ver a gente tocar!

Spike: Sem eles, não sobreviveríamos! Sem nossos fãs novos, talvez não houvesse tantos shows, pois boa parte dos nossos fãs antigos já não podem mais comparecer, pois estão enroscados com seus trabalhos, estão casados, têm filhos...

Vocês tocaram em praticamente todos os continentes, visitando vários países ao redor do mundo. Qual público você acha que é o mais louco?

Spike: Nós recentemente tocamos durante três semanas na Europa, e os fãs mais impressionantes foram os da Grécia, Espanha, Bulgária, Turquia... Todos os lugares são muito legais, pra falar a verdade. Eu, particularmente gosto quando não tem grade separando o público da gente, pois assim eles podem se divertir dando stage dives.

Infelizmente hoje nós teremos grade aqui!

Spike: Mas talvez seja melhor, porque hoje, pelo que eu percebi, vai ter bastante gente. E porque também vocês da América do Sul costumam ser bem ativos! (risos) Ah, o pessoal no México também são bem selvagens!

Já que vocês consideram o público latino tão legal e já que costumam ter bastante gravações ao vivo, porque não lançam alguma registro dos shows nesses países?

Spike: Bem, nós temos medo de lançar e ninguém comprar! (risos) Estou brincando! Mas então, nós estamos há um bom tempo gravando shows ao redor do mundo, mas a maioria das gravações não sai muito legal. Mas, quando eventualmente sai algo legal, guardamos e vamos acumulando para futuramente lançarmos sim um DVD com essa compilação. Na verdade, estamos planejando algo do tipo no momento, para celebrar nosso aniversário de 30 anos de banda.

Uma vez eu entrevistei o Municipal Waste e o vocalista Tony Foresta me disse que em um determinado show, as pessoas fizeram crowd surf com um sofá! Vocês têm alguma historia curiosa ou engraçada relacionada a turnês e seus shows?

Kurt: Houve vezes que começamos a tocar tão rápido e que as pessoas começaram a ficar tão loucas, que os shows tiveram de ser interrompidos lá pela terceira música, ou porque a polícia chegava e fechava tudo, ou porque os equipamentos ficavam danificados por algum motivo, ou porque pessoas começaram a se machucar.

Spike: Em alguns shows já vimos as pessoas fazendo stage dives com portas, com barcos infláveis e todo tipo de coisas estranhas que você possa imaginar. Ou senão pode até acontecer coisas como o que houve quando tocamos a alguns dias em Belo Horizonte. O nosso baixista Harald falou algo como “Esse palco agora também é de vocês” no microfone, e então dezenas de pessoas subiram lá com a gente e começaram a agitar, tocar air guitars, gritar nos nossos ouvidos coisas como “Eu te amo!!”, a tirar fotos conosco enquanto estávamos tocando... Eu tenho gravado, deixa eu te mostrar! (N. da R.: Nesse momento, Spike me mostra um vídeo em seu IPhone do show de Belo Horizonte, onde cerca de trinta pessoas estavam no palco!) Você consegue achar alguém da banda aí no meio da galera? (risos) E te digo que já teve piores! Uma vez tocamos em uma arena onde centenas de pessoas subiram ao palco e tivemos que parar o show.

Ok, pessoal! Eu gostaria de agradecer...

Spike: Ah, a entrevista já acabou? Que pena! (risos) Antes de terminarmos, então, gostaria de mandar um recado especial para os fãs. Eu gostaria de agradecer vocês pelo apoio de quase trinta anos que vocês vêm nos dando. Este ano, graças a isso vamos toca em lugares na Ásia e na Rússia onde nunca tocamos antes, e não vemos a hora de nos apresentar pra essas pessoas que nunca nos viram antes. Prometemos, também, vir à América do Sul e ao Brasil mais vezes daqui em diante! Mais uma vez, muito obrigado pelo apoio de todos vocês!




terça-feira, 3 de maio de 2011

Eu vou, eu já tou aí ...

Uma proposta de pauta a respeito dos pernambucanos da Eddie, mais de dois anos depois dos caras lançarem o festejado Carnaval no Inferno, trabalho mais recente da banda, é quase uma sacanagem. A essa altura do campeonato, os acordes do disco já estão aninhados na experiência da galera mais esperta da cidade, que não fez cheiro mole e atendeu ao convite da Sessão Notívagos de bate pronto, enchendo o hall do Cinemark Jardins com a beleza e a alegria de nossa juventude rebelde, numa edição histórica do projeto.

De lá pra cá, muita água passou por baixo da ponte. O produtor cultural Roberto Nunes foi obrigado a aceitar a inviabilidade do projeto, e a cidade perdeu, além de um palco valioso para as bandas locais, uma das alternativas mais interessantes que já conheceu em matéria de cultura e diversão.

Mas nada como um dia depois do outro. Esta semana, a produtora Cine Vídeo e Educação volta a dar murro em ponta de faca e insiste em investir energia e dinheiro na inteligência dos notívagos locais. Se tudo der certo e a resposta for satisfatória, quem sabe a Sessão Notívagos, responsável por alguns dos melhores shows já realizados aqui na terrinha, não volta?

Para que os desavisados entendam a importância do projeto – que nesta edição, além de apresentação da Eddie e dos malucos da Mamutes ainda conta com exibição do longa metragem Somewhere, de Sofia Copolla – basta resgatar as palavras do blogueiro e apresentador do Programa de Rock (Aperipê FM-104,9), o chapa Adelvan Kenobi, que registrou suas impressões em artigo redigido logo depois da apresentação da Eddie, em março do ano passado.

“Foi antológico – uma noite para ficar na memória de todos os que estavam lá, abrigados da chuva e da programação insossa e fajuta de uma tal “Virada cultural” improvisada pela prefeitura, cujos responsáveis pela inexistente “política cultural” parecem achar que, em Pernambuco, só existe a Nação zumbi”.

Pra qualquer um com um pingo de juízo, não existe outra resposta para um convite como o resgate da Sessão Notívagos. Pode me chamar que eu vou.

Será que a Notívagos volta? – No próximo dia 12 de junho a produtora Cine Vídeo e Educação- Ações Culturais comemora sete anos de obstinação para manter Aracaju minimamente conectada com o que há de mais instigante no mundo da sétima arte.

Nesse período, o Moviecom fechou e o projeto mudou para a Rede Cinemark. Com o apoio do maior exibidor de filmes do Brasil, o projeto se expandiu e hoje ocorre em 25 complexos, distribuídos em 14 cidades de 11 estados do País, alcançando um público estimado em 70 mil pagantes, no ano passado.

A resposta do público permitiu que o Cine Cult gerasse duas novas ações – a Virada Cinematográfica, com a exibição de filmes durante a noite toda; e a Sessão Notívagos, projeto inédito em seu formato, que reúne a exibição de um filme seguida da apresentação de bandas aos vivo no hall do cinema.

A Sessão Notívagos parou de acontecer, a produtora foi acumulando débitos e começou a considerar a inviabilidade de tanto investimento numa cidade onde o terreno para projetos culturais diferenciados é árido, carecendo de apoio tanto na esfera pública, quanto na privada.

Mas como insistir é o lema da Cine Vídeo e Educação, a produtora resolveu aproveitar a oferta da banda Eddie, que propôs uma apresentação entre um show em São Paulo e outro em Salvador, para realizar a Festa: Será que a Notívagos Volta?, que terá todos os ingredientes da Notívagos, com exceção do nome de batismo.

Então, quem estiver afim de comparecer basta comprar seu ingresso por R$ 20,00, preço único, na Casa da Cópia Jardins ou Markus Tattoo House, na Rua Capela 28, esse valor será até sexta. No dia 07 sobe para R$ 25,00.

A festa, que deve se estender para depois da 04 da manhã, ainda oferecerá um mesa de frutas, água, suco e café para quem resistir à maratona de cinema e rock’n roll.

por Rian Santos - Spleen e charutos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Será que a Notívagos volta?

Local: Cinemark Jardins
Data: 07 de maio (sábado)
Hora: 23 horas

"Somewherw", de Sofia Coppola

+ Mamutes

+ Eddie


segunda-feira, 2 de maio de 2011

BICICLETA SEM FREIO

Renato Reno, Douglas de Castro e Victor Rocha são o trio de desenhistas goianos que compõe o coletivo BICICLETA SEM FREIO. Conheceram-se em 2003 no curso de Artes Visuais da UFG e em 2005 montaram um estúdio “de criação focado em animação e ilustração”, diz Reno. “Preferimos aguardar que os clientes nos procurem pela linguagem autoral dos nossos trabalhos ao invés de garimpar o mercado.” Mesmo sendo alternativos e morando em Goiânia, já fecharam contratos c/ gigantes corporativos como Sony, Nike e Converse, garantindo seu modus-operandi em grande estilo. A marca registrada do grupo são os desenhos de pin-ups c/ corpos perfeitos em motivos psicodélicos.

A referência principal dos ilustradores do Bicicleta Sem Freio é o universo rock’n’roll”, diz a amiga Vanessa Cavalcante. “Os desenhos são feitos à mão, tendo o lápis, a caneta nanquim e a mesa de luz como grandes companheiros do processo de criação. Não é difícil encontrar composições que foram desenhadas na íntegra, incluindo a tipografia dos textos. Dessa forma, muitas vezes o computador é usado apenas para tornar o trabalho reproduzível.” Dão seu suporte à cena rock local c/ cartazes de festas e capas de discos que se tornaram lendários – já fizeram as artes dos festivais Bananada e Goiânia Noise e colaboram c/ MQN, Macaco Bong e outras bandas da região Centro-Oeste.
Douglas e Victor fazem parte da Black Drawing Chalks, os “Desenhos Pretos de Giz de Cera”, banda de stoner-rock onde tocam guitarra e bateria ao lado de Renato Cunha e Denis de Castro. Já lançaram 3 discos, abriram p/ Nashville Pussy, excursionaram no Canadá e tocaram no SWU. Victor é o principal vocalista e autor de My Favorite Way, melhor single de 2009 segundo a revista Rolling Stone. P/ esta música o BSF produziu uma animação insana repleta de garotas de sonho num ambiente onírico – uma espécie de Yellow Submarine p/ adultos. O clip foi feito “depois de muita conversa fiada e rabiscos”, diz Reno. “O importante é sair bem-feito e c/ nossa identidade”.

Não é a toa que o lema dos caras é “MUITO FETICHE E BELAS MULHERES”.

Acompanhe o trabalho dos caras aqui.

por Adolfo Sá

vlb

sexta-feira, 29 de abril de 2011

# 186 - 29/04/2011

O programa de rock de hoje NÃO homenageará o casal real da Inglaterra. Homenageará a adorável Poly Styrene, ex-vocalista do seminal X-Ray Spex, banda que, com apenas um disco relevante (a exemplo do Sex Pistols) marcou a história do punk rock. Ela estava prestes a lançar seu segundo álbum solo, o primeiro desde 198o (!!!), descontados 2 EPs e um single, mas sucumbiu a um câncer de mama. A homenagem a Poly foi produzida por Danihella, nossa "riot grrl" favorita. Teremos também novas da Casca Grossa, uma das muitas bandas que contam em suas fileiras com a figura emblemática de Silvio Campos, de Brian Setzer, que acaba de lançar um disco totalmente instrumental, e dos Beastie Boys - a dos rappers novaiorquinos nem é tão nova, já que havia sido lançada anteriormente como single, mas é a faixa mais "rock" do novo disco deles.

Depois de relembrarmos o brit pop dos anos 90, mergulharemos numa "tour-de-force" intimista com uma faixa de Martin Hannet, notório produtor da Factory responsável pelos discos do joy Division, dentre outros, que saiu no primeiro disco do Durutti Column. Seguiremos com How To Destroy Angels, o projeto que Trent Reznor montou com sua mulher depois do fim do Nine Inch Nails (e antes da consagração com o oscar pela trilha sonora de "A Rede Social"); a faixa de abertura de "Dummy", o clássico primeiro disco do Portishead; outra do último fruto da parceria entre Mark Lanegan e Isobel Campbell, "Hawk", e uma pérola um tanto quanto esquecida, o single lançado por Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, nos anos 90 (a história desta gravação está destrinchada logo abaixo).

Fechando o programa, um pequeno apanhado do maravilhoso mundo da musica alternativa brasileira do século XXI: Uma faixa extraída da maior obra-prima do rock nacional da década, na minha humildo opinião, o disco "Uhuuu", do Cidadão Isntigado, mais Viana Moog, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Suíte Super Luxo, de Brasília, Dois em um, de Salvador, e Gigante Animal, de São Paulo, que infelizmente acabou. Babalu, o homem cujo nome virou sinônimo de estilo musical em Aracaju, fazia parte da banda.

Espero que gostem. Mas se não gostarem, é nenhuma, também.

Semana que vem tem mais.

A.

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“Interlude” é um “single” de Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, lançado em agosto de 1994. É a única colaboração de que se tem notícia entre estes dois verdadeiros ícones do rock inglês e foi relacionada pela revista Spin entre as 10 maiores “one-off team-ups” de todos os tempos.

A música foi gravada durante as sessões do disco “Vauxhall & I”, de Morrissey, com produção de Boz Boorer, diretor musical e guitarrista da banda do ex-smiths. É um cover cuja versão original é de 1968 e foi gravada pela cantora Timi Yuro como uma faixa da trilha sonora do filme de mesmo nome. Morrissey havia contactado Sioxsie ainda no inicio da década com a idéia de que os dois gravassem algo juntos. Propôs canções interpretadas por vozes femininas, como Nancy Sinatra e Dionne Warwick. Sioxsie escolheu esta balada e ele concordou.

As sessões ocorreram em clima de descontração – “alegria completa”, segundo o produtor, Boorer. Logo após a gravação, no entanto, os dois intérpretes se desentenderam quanto ao conteúdo do vídeo promocional, o que acabou fazendo com que o clip não fosse produzido e todo o projeto fosse posto “na geladeira”. A EMI ameaçou não lançar a bolachinha sem o suporte em vídeo, mas o fez no verão de 1994, contra todas as expectativas, já que a musica era considerada uma “winter song” (canção de inverno). Apesar disso o disco chegou a posições da parada compatíveis com o que vinha sendo conquistado pelos dois na época: #25 UK. Siouxsie, com suas duas bandas, Creature e os Banshees, nunca havia alcançado nada acima do # 21 e Morrissey havia chegado apenas à 47ª posição com seu single anterior, "Hold on to Your Friends".

"Interlude" também foi lançado na Europa via EMI. Na América do Norte, no entanto, devido à impossibilidade de um acordo entre a Sire (empresa de Morrissey nos EUA) e a Geffen (de Siouxsie), o registro só estava disponível através de importação em quantidades muito limitadas. A música foi posteriormente incluída em uma compilação chamada Suedehead: O Melhor de Morrissey. Uma versão inédita, apresentando apenas os vocais de “bardo de Manchester”, está em "Very Best Of", outra coletânea, de 2001.

Em 2008 a cantora Diamanda Galás também gravou uma versão de “interlude” para seu álbum “ Guilty, Guilty, Guilty “.

Fonte: Wikipedia

por Adelvan

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Casca Grossa - Força punk
Beastie Boys - Lee Majors come again
Brian Setzer:
# Earl´s Breakdown
# Be-Bop-A-Lula

Bloco produzido por Danihella:
X-Ray Spex:
# Oh! Bondage up yours
# The Day the world turned day-glo
# Art-I-Ficial
Poly Styrene:
# Thrash city
# Black Christmas
# Bicycle song

Affairtype - Take me
Bloodthirsty Bitchers - jack Nicholson
( Drop Loaded )

Suede - Animal Nitrate
Supergrass - Caught by the fuzz
Blur - Badhead
oasis - Morning glory

Martin Hannett/The Durutti Column - First aspect of the same thing
How To Destroy Angels - The space between
Portishead - Mysterons
Mark Lanegan & Isobel Campbell - We die and see beauty reign
Siouxsie & Morrissey - Interlude

Cidadão Instigado - Homem velho
Viana Moog - Chagas adesivas
Suíte Superluxo - Máquinas passionais
Gigante Animal - Compasso
Dois em um - Deixa