quarta-feira, 27 de abril de 2011

ALDEIA ROCK FESTIVAL - Rock Natureba e Ecologia Rolando

ALDEIA ROCK FESTIVAL 2011 – 21,22,23 de Abril - Casimiro de Abreu/RJ

Aldeia Rock Festival é uma espécie de Festival Psicodalia do Rio de Janeiro. O evento acontece em um sitio no meio da Mata Atlântica sempre no feriadão da semana santa e esse ano chegou a décima primeira edição. Aldeia Velha é uma comunidade próxima aos municípios de Casimiro de Abreu e Silva Jardim, distante cerca de 150Km do Rio de Janeiro, localizada não muito distante das principais cidades da região serrana e da região dos lagos. Tradicionalmente o evento acontece na própria Vila de Aldeia Velha como sugere o nome do evento, porém, por motivos burocráticos, nessa edição o evento foi transferido para o não muito distante Sitio Sonho Realizado (o nome do sitio se encaixa perfeitamente aos ideais de um festival de rock que lutou pra acontecer). Ao longo dos anos muita gente bacana passou pelo evento, entre eles Serguei, Azymuth, Blues Etílicos... Este ano entre algumas das principais atrações estavam: O Conto (PR), Goya (PR), Cris Carcara (MG), Wagner Jose e seu Bando (RJ), Protesto Suburbano (RJ), Os Macraios (RJ) e como nome de peso o lendário Celso Blues Boy (RJ)!

Texto e Fotos Por Michael Meneses! paraybarecords@hotmail.com

O lema do Festival diz: “Aldeia Rock Festival - Rock And Roll e Natureza Juntos!” e esse foi o clima do evento que ao longo de 11 anos vem se tornando uma tradição cultural, mesmo que aparentemente não receba um apoio forte das secretarias de cultura, turismo e do meio ambiente das cidades da região. O evento demostrou ter um excelente potencial para o turismo, cultura e meio ambiente, e se as prefeituras locais oferecessem qualquer que seja o incentivo à produção do evento, certamente todos ganhariam e com esse apoio o evento teria uma maior visibilidade por parte da mídia. Aliás, independente desse apoio ou não, o festival merece um maior reconhecimento por parte da mídia. Esse ano o evento foi transferido de local em relação às edições passadas e com isso pousadas e lojas de produtos alimentícios e utensílios de camping sentiram no faturamento.

O festival funcionava de forma simples e objetiva, o público pagava o ingresso e tinha direito a área de camping, estacionamento, assistir todos os shows e a fim de evitar o mínimo de sujeira na natureza o evento ainda disponibilizava banheiros químicos e chuveiros. Vale lembrar que o Aldeia Rock Festival é um evento que mesmo que tenha uma estrutura acima da média, tem o seu lado “Underground” e mesmo com todo clima hipponga no ar, até “é possível” dizer que o festival tem seu lado punk.

Os presentes ainda usufruíam do clima gostoso encontrado no vale localizado no Sitio Sonho Realizado e pela Mata Atlântica que proporcionava noites agradáveis e dias de sol intenso, um convite para um joguinho de futebol ou de vôlei para em seguida um bom banho nas cachoeiras da região para refrescar e curar a ressaca da galera depois de noitadas de rock.

Já a estrutura para os shows funcionava perfeitamente com dois palcos, um palco maior para as principais atrações e ao lado um palco alternativo para músicos e bandas que estavam acampados no festival e desejasse participar de jam sessions, e/ou algumas bandas que não foram selecionadas para o palco principal, mas que tinha potencial para o evento.

Os shows

Quinta-Feira – 21 de Abril

Na primeira noite os shows aconteceram apenas no palco alternativo que foi uma evolução nessa edição, pois embora pela primeira vez esse palco de fato estivesse funcionando, nas edições passadas ele já existia. Porém, sem a mesma estrutura, mas com o mesmo ideal, ou seja: espaço livre para quem quisesse mostra trabalho seja cover ou autoral. A iniciativa deu certo e a evolução de um simples espaço alternativo, para criação de um palco de verdade é algo que só enriquece o evento, pois abre espaço para novos talentos e cria um vinculo de ligação ainda maior entre publico e festival. Contudo o palco poderia convidar mais bandas autorais e menos covers, afinal tem muita gente que é a cara do evento e poderia comer pelas beiradas, ou seja, tocando no palco alternativo. Entre as atrações dessa noite o palco alternativo recebeu os niteroienses do Coalhada Rock Band, que calcou o seu set com clássicos do rock e do Raul Seixas. Coalhada é um dos músicos e parecia ser uma espécie de personalidade local sempre muito aplaudido, e durante o show disse que chegou a gravar com o próprio Raul. Em seguida o MV8 subiu e apresentou alguns sons autorais e covers do rock nacional.

Outra característica do evento é que basicamente o som nunca para de rolar, não importa a hora, seja dia ou noite, fim de tarde ou inicio da madrugada, tem sempre um rock do bom rolando, seja com banda em um dos palcos ou com DJ. E assim chegamos à sexta feira.

Sexta-Feira– 22 de Abril

Os shows da sexta feira santa começaram com um abençoado feito já que os presentes naquele fim de tarde foram agraciados com um show arrasador da banda macaense Protesto Suburbano, que entrou para história do evento como a primeira banda de Hard-Core a tocar no Aldeia Rock Festival, um evento cujo foco são bandas de classic-rock e afins. O Protesto Suburbano é uma banda que tem seu nome escrito na cena de Macaé e foi uma ótima opção para representar a Região dos Lagos e colocar o HC na história do evento. Sabendo do peso de ser a primeira banda de HC ao longo de 11 anos de evento, coube ao Protesto aproveitar o clima natureba do local e fazer uso de todo um potencial discursivo em prol da ecologia e não demorou a levantar o publico. O Protesto Suburbano abriu caminho para os sons pesados no evento e punk´s, straight edge´s e heavys já marcam presença em meio aos hippies, então é só abrir espaço às bandas desses estilos, e nem é preciso perder as características musicais do evento.

Outro destaque da noite foram os já veteranos no evento o Wagner Jose e Seu Bando. A banda tocava pela quarta vez no festival e tornou-se uma ótima cartada da produção para essa edição, pois na falta de bandas oficiais ou jams no palco alternativo era o Wagner e Seu bando que faziam a galera curtir o seu Blues Rock and Roll. Ao longo dos dias a banda fez varias apresentações no palco alternativo e isso não quer dizer que a banda estivesse no evento apenas para tapar buraco, muito pelo contrario, além de potencial dos músicos a banda já tem seus seguidores e é a certeza de diversão.

O primeiro destaque do palco principal foram os paranaenses do Goya que apresentaram um rock setentista com influencias que misturavam rock progressivo, psicodélias instrumentais, fusions e em alguns momentos o peso do hard e do heavy dos anos 70, a banda fez bonito no palco principal.

Ainda no palco principal tivemos outro destaque da noite o blues mineiro de Cris Carcara, o power trio mostrou um show totalmente energético com uma pegada que ia do blues clássico à um garage rock sujo e com pitadas de hard rock. A banda fez talvez o show mais longo de todo o evento e agradou.

A último atração da noite foi a banda carioca Os Macraios, que assim como o Coalhada e o Wagner Jose e Seu Bando são figurinhas carimbadas do festival. O som dos Macraios é uma espécie de Raul Seixas dessa geração, um som pra maluco beleza nenhum colocar defeito. Se você se julga um “porra louca” vale conferir o som da banda. O auge do show para alguns ou a visão do inferno para outros, aconteceu na última música quando o vocalista e guitarrista Andre Macraio tirou a roupa e tocou pelado.

Finalizando a noite a banda Relics apresentou covers do Pink Floyd, o diferencial da banda em comparação a tantas outros covers é que alguns sons obscuros do Floyd marcam presença no set e não apenas os hits.

Sábado – 23 de abril

No ultimo dia de evento a banda Wagner Jose, entre uma banda cover e outra, continuou fazendo bonito no palco alternativo. Já no palco principal o Aumumana apresentou uma mistura de rock com sons regionais. Seu forte é o instrumental, mas mesmo com essa característica a banda peca pela falta de uma guitarra mais potente. A banda Espinha de Peixe foi o primeiro destaque da noite e apresentou um rock rural típico do evento e agradou. Na noite o show mais esperado era logicamente o de Celso Blues Boy, isso era fato! Mas quem viajou 21 horas e fez história no evento foi a banda os paranaenses O Conto que simplesmente fez um dos melhores shows de todo o evento, apresentando um rock progressivo cheio de experimentalismo. Seus músicos são multi-instrumentistas e no decorrer do show vão variando de instrumentos. Um show realmente surpreendente. Ao final do set o público ainda pediu bis, mas talvez por conta do horário infelizmente a banda não pode atender.

No palco alternativo Wagner Jose encerrou as atividades daquele espaço e no palco principal a banda Marcelo Toledo & Dose Dupla esquentou o público para a atração da noite, o Celso Blues Boy. Como era de se esperar Celso fez um set com um público nas mãos, mesmo que os presentes já não fossem um número tão grande como nos shows anteriores, muito provavelmente pelo cansaço da galera. Mas quem ficou à curtir e o aplaudiu bastante. Celso fechou o evento com estilo e o bom gosto característica do festival.

Para o ano que vem a produção pretende retornar a local original do evento. Desejamos boa sorte e que o Aldeia Rock Festival continue evoluindo em busca do seu ideal: Rock And Roll e Natureza Juntos!”

Conheça algumas bandas que estiveram no evento:

Cris Carcara: http://www.myspace.com/criscarcara.br

Goya: http://www.myspace.com/planetagoya

O Conto: http://www.myspace.com/oconto

Os Macraios: www.myspace.com/osmacraios

Protesto Suburbano: http://www.myspace.com/protestosuburbano

Wagner Jose e Seu Bando: www.myspace.com/wagnerjose

Sugestões de bandas para a edição 2012 do Aldeia Rock Fest:

Mamutes/SE: www.myspace.com/mamutesmusic

Maquina Blues/SE: www.myspace.com/maquinablues

Mustang/RJ: www.myspace.com/mustangbandcombr

Mutantes/SP: www.myspace.com/mutantesoficial

Oh Pai/RJ: www.myspace.com/ohpai

Plástico Lunar/SE: www.myspace.com/plasticolunar

Repúdio/RJ: www.myspace.com/repudiohc

Rogerio Skalab: www.myspace.com/rogerioskylab

Statik Majik/RJ: www.myspace.com/statikmajikbrazil

The Baggios/SE: www.myspace.com/baggios

The Renegades of Punk: www.myspace.com/therenegadesofpunk

Urublues/SE: www.myspace.com/urublues

Usina Le Blond/RJ: www.clnetsys.com/usinaleblond/

Violeta de Outono/SP: www.myspace.com/violetadeoutono

Som Nosso de Cada Dia/SP

Mopho/AL:

terça-feira, 26 de abril de 2011

10 Anos sem Joey Ramone

"Me sentava com Dee Dee na esquina em frente ao Queens Boulevard e bebia, insultava as pessoas e coisa e tal. Foi quando fui expulso da minha casa. Minha mãe me disse que era pro meu próprio bem.”

Peraí, PARA TUDO ! Dia 15 fez 10 anos da morte de Joey Ramone ! Num mundo perfeito, teria sido feriado planetário e JAMAIS uma data como esta teria passado em branco, mas ok, confesso que me passei. Deveria ter feito um programa de rock inteiro só tocando Ramones! O Abril pro rock, onde eu estava naquela noite (15/04/2011) deveria ter sido dedicado aos Ramones! Todas as bandas, mesma as mais "metaleiras", deveriam ter sido obrigadas por contrato a incluir uma musica deles em seu repertório. Mas como eu não sou ditador do mundo, antes tarde do que nunca, para registrar a data, reproduzo um excelente post do Viva La Brasa assinado por Adolfo Sá e Michael Menezes:

( Viva La Brasa ) Jeffrey Hyman tinha 2 metros de altura, mas não foi seu tamanho que o tornou um dos maiores ícones da cidade de Nova York. Mais conhecido como Joey, ele revolucionou os rumos da música e influenciou o comportamento dos jovens ao lado de Johnny, Dee Dee, Tommy, Marky, Richie e C.J., a família Ramones, do Queens.

Quando começaram a banda não conseguiam tocar os sons que curtiam, então compuseram sua primeira canção logo no primeiro ensaio, I Don’t Wanna Walk Around with You. Em seguida vieram I Don’t Wanna Get Involved with You, I Don’t Wanna Be Learned, I Don’t Wanna Be Tamed e I Don’t Wanna Go Down to the Basement.

Niilistas. A primeira canção dos caras a não ter “eu não quero” no título foi Now I Wanna Sniff Some Glue, “agora eu quero cheirar cola”. Gravaram um disco em 1975 c/ 14 faixas curtas e sujas que reunidas não duravam nem meia hora. Criaram o punk rock, lideraram a cena do CBGB – que contava c/ Blondie, Television, Talking Heads, The Cramps e Patti Smith – e germinaram o movimento na Inglaterra – após se apresentarem em Londres em 76 surgiram Sex Pistols e The Clash.

O resto é História. Foram 14 álbuns de estúdio em pouco mais de 20 anos de carreira, sempre fiéis aos 3 acordes e à batida acelerada. Os Ramones entraram p/ o Rock and Roll Hall of Fame, receberam o Grammy Life Achievement Award e participaram até dos Simpsons [maior de todas as honrarias], sem nunca deixar de ser o que eram em 74: punks.

Joey Ramone morreu em 15 de abril de 2001, aos 49 anos, vítima de um câncer linfático contra o qual lutou ao longo de 7 anos. Sua doença foi o motivo p/ o fim da banda em 96. Ele ainda gravou um disco solo – DON’T WORRY ABOUT ME – e produziu a banda The Independents e um disco de Phil Spector. Coincidência ou fatalidade, Dee Dee morreu 1 ano depois, em 05 de junho de 2002, aos 51, e Johnny em 15 de setembro de 2004, aos 55.

É como se só tivesse sobrado o Ringo Starr dos Beatles. O batera Marky tocou até em Aracaju c/ sua banda The Intruders, e o baixista CJ lidera a Bad Chopper. Joey fez 2.263 apresentações c/ os Ramones em todos os cantos do planeta – 15 delas no Sul e Sudeste do Brasil. “O som deles incentivou centenas de desajustados sociais a montar bandas”, define o jornalista Eduardo Almeida.

Eu nunca fui num show dos Ramones. Mas Michael Meneses estava presente nas 3 vezes em que tocaram no Rio de Janeiro: 1992, 94 e 96. “Sou tricampeão de Ramones no Rio!” Fotógrafo carioca suburbano, filho de nordestinos e fundador do selo Parayba Records, Michael ‘Ramone’ conta c/ exclusividade p/ o Viva La Brasa como conseguiu entrar – e sair vivo – nas 3 gigs. Gabba Gabba Hey!

“1, 2, 3, 4...
Os meus primeiros contatos com os Ramones aconteceram ainda em Aracaju, na saudosa loja Walmir Foto Som. Estava analisando bandas e capas de discos em companhia do falecido Bruxo quando ele falou ao observar o LP RAMONES MANIA: ‘Não gosto de Ramones, acho muito rock and roll’... Fiquei me questionando qual era o problema de uma banda de ROCK ser ‘rock and roll’? Isso ocorreu no final dos anos 80, tinha uns 13 ou 14 anos. Outra coisa que me deixava intrigado era o fato dos Ramones serem uma banda PUNK, e eu tinha uma imagem preconceituosa de que todo punk tinha que usar moicano ou cabelo curto e todo heavy tinha que ser cabeludo. Então me perguntava como uma banda podia ser punk e usar cabelo e visual heavy? Por incrível que pareça, não lembro de ter visto um único punk de Aracaju ouvindo Ramones, Sex Pistols ou The Clash... Ouvíamos muito punk nacional ou as bandas sergipanas – Karne Krua, Logorréia, Manikômio – e também sons gringos porém ainda no underground – como Napalm Death e D.R.I. – até pela influências thrash metal da época. Uma curiosidade dos punks é que por mais que achassem metal chato, alguns curtiam Guns’n’Roses e ouvíamos ‘Sweet Child O' Mine’, ‘Patience’ etc. na Praça da Catedral em fitas K7 ao fim da tarde... Ouvir Guns naquela época não era nenhum pecado.

ROCK AND ROLL RADIO - 1991

Em 1991 voltei a morar no Rio de Janeiro por conta do Rock in Rio II e ainda no primeiro semestre do ano os Ramones quase vieram ao Rio, mas o show não aconteceu. A primeira banda que vi tocando Ramones foi a Volkana com ‘Pet Sematary’ na turnê com Ratos de Porão que teve dois shows em julho no Circo Voador (a Bizz resenhou e eu apareço de costas na foto). Na ocasião RDP tocou ‘Commando’. O Hollywood Rock 1992 trouxe o Skid Row, uma banda que gosto até hoje, mas sem o entusiasmo dos anos 90. Tinha lido, ouvido ou visto em algum lugar que eles tocavam ‘Psycho Therapy’ com o baixista no vocal. Fui ao festival sabendo que o show calaria a boca de quem achava que a banda era apenas de baladinhas de amor. ‘Psycho Therapy’ sacudiu a Apoteose, tenho o áudio da música no Hollywood Rock em K7 e MP3, e costumo pensar que talvez, não fosse o Skid Row, eu não gostasse de Ramones. Heresia? Prefiro ser fiel em minhas palavras...

SOU CAMPEÃO [GÁS IN RIO] - CANECÃO 1992
O ano de 1992 foi uma maravilha de shows no Brasil, a meu ver depois daquele ano entramos definitivamente na rota das turnês internacionais. Aquilo tudo era demais pra mim, dois anos antes passava 6 meses esperando shows de bandas sergipanas, e de repente assistia shows internacionais direto. Citando só alguns, tivemos: Hollywood Rock com Living Colour, Extreme, Skid Row... depois shows com Kreator, Jello Biafra com Ratos de Porão, além dos shows nacionais acontecendo no Circo Voador, Garage Art Cult, Caverna II, Bar do Paulinho, Bar Sem Destino, e em outros picos da cidade. Tivemos os históricos primeiros shows do Black Sabbath no país, menos de um mês depois teve Iron Maiden no Maracanãzinho, uns 10 dias depois teve a volta do Skid Row ao Brasil e até o Sepultura fez seu primeiro show no Canecão.

A essa altura eu já era fã dos Ramones, aí foi anunciado que eles voltariam ao Brasil e dessa vez com show no Rio. O sucesso do filme Cemitério Maldito ajudou bastante na popularidade da banda, além de ter publico garantido por conta dos fãs. Na época o país era um caos, a batata do presidente Collor assava e a inflação na casa do caralho. Vejo a garotada de hoje achando que tudo tem que ser BAIXADO e reclamando ao pagar por show, comprar um CD, mas essa garotada que em 1992 usava chupetinha, não sabe o quanto era difícil ir a shows ou comprar discos com toda aquela inflação, é só olhar para trás e ver que tudo hoje é mais acessível.

Minha namorada da época tinha uns 16 anos, nos dias de hoje qualquer jovem viaja de um estado para outro sem autorização dos pais, mas em 1992 não era assim, e nem era qualquer mãe que deixava uma filha com 16 ir de Realengo (Zona Oeste) ao Canecão em Botafogo (Zona Sul) para um show punk, ainda mais na companhia do namorado, ou seja, minha ex-namorada só iria ao show comigo se sua irmã mais velha fosse também, a exemplo do que aconteceu no Skid Row no Maracanãzinho, onde sobrou pra mim pagar ingressos para as duas – na verdade paguei para ex, emprestei pra irmã e nunca fui ressarcido, mas isso faz parte. Alguns dias antes da esperada apresentação dos Ramones, vi que ficaria inviável com aquela inflação pagar mais que um ingresso e falei que não teria como pagar para elas. Para ter ideia da inflação em 92, os ingressos para os shows do Black Sabbath custaram 35 mil cruzeiros, menos de um mês depois o Iron Maiden custava uns 45 mil, uns 10 dias depois, Skid Row 55 mil, já o ingresso de pista do Ramones custou 60 mil cruzeiros. Enfim, a namorada me deu um pé na bunda, não tenho certeza se por esse motivo ou não, mas o fato é que eu fui ao show no maior bode! Rsrs...

Vamos ao show: a clássica intro começou a soar e certamente muita gente foi às lagrimas, fico arrepiado só de lembrar, o Canecão era uma festa! O set foi idêntico ao do LOCO LIVE, o álbum ao vivo em Barcelona, com modificações que ocorreram na segunda parte do show. Tudo corria tranqüilo e animado, e o ambiente ajudava, afinal o Canecão é um dos espaços culturais mais legais do Rio de Janeiro, funciona que é uma beleza para eventos de qualquer estilo musical, inclusive o Ronaldo Bôscoli foi feliz ao dizer: ‘Nessa casa se escreve a história da música popular brasileira’. A frase é mais que justa ao Canecão, seja MPB, rock, samba, pop, jazz... Não importa, ali tudo soa bem. Eu até tava xavecando uma garota que conheci no show, porém...

Fazia uns 5 anos que ouvia falar de carecas & skinheads. Em Aracaju, dos meus 13 aos 15 anos, tinha o maior medo de cruzar com eles na rua*, afinal eles eram mais velhos, maiores, mais fortes e sempre em maior número. O que lia nas revistas e/ou cartas de fanzineiros e o que via na TV só me dava mais medo, em especial pela porrada distribuída pela carecada no show do Motörhead em 1989 no Maracanãzinho e exibido pela TV Manchete. Até esse show eu raramente tinha contato com eles. Mas eles resolveram bater ponto pra fazer merda em show dos Ramones, souberam direitinho como estragar a noite, sabiam como estragar o prazer e quando tudo parecia a mais completa diversão, eles surgiram na pista. Inicialmente abriram uma roda e ficavam pogando aparentemente de forma normal, porém começaram agredir a todos ou corriam em direção ao pessoal da frente e se jogavam – quem estava na grade era esmagado.

Eram mais ou menos uns quinze carecas que, segundo disseram, saíram da baixada fluminense e do ABC paulista. Entre eles havia duas garotas que me deixaram chocado, pois desde quando comecei a andar com a cena rock da Zona Oeste, em especial no Largo de Bangu (o ponto de encontro rock das noites de domingo), elas estavam lá, eram amigas de punks e heavies, embora tivessem mais ligação com os punks. Achei aquilo maior traição, e se não fosse a merda que aconteceu nesse show, talvez elas estivessem armando uma emboscada pra galera de Bangu. Uma delas veio em minha direção, e deu um soco na boca da menina que estava xavecando, deu tempo de puxar a menina, e o soco pegou de raspão nos lábios, chegou a aparecer um leve filete de sangue, mas nada grave. Depois, não demorou e uma fumaça começou a sair do público, mais ou menos em frente de onde eu estava, inicialmente imaginei que fosse gelo seco (‘santa ingenuidade, Batman’), mas bastou minha garganta, boca, nariz, pele começarem a arder para falar para a garota: ‘Isso é gás lacrimogênio!’...

Nunca tinha sentido o cheiro desse gás, mas algo em mim falou que era e saí puxando a garota. Todo o Canecão era um caos, gente correndo para todos os lados, não adiantava fugir pelo lado convencional, resolvi sair pelo setor das mesas (o mais caro do Canecão). Tentei subir pelo local onde funcionava a mesa de som, mas o técnico me olhou assustado e disse: ‘Por aqui não!’, dei um passo ao lado, subi e ajudei a tal garota a subir, buscamos proteção perto da saída do Canecão respirando e ouvindo os Ramones tocarem varias músicas até pararem. Anos depois soube que no momento dessa confusão, o Renato Russo entrava no Canecão, olhou o caos e na mesma hora foi embora de táxi. Passaram-se longos minutos, os efeitos do gás continuavam e a garota pra lá de nervosa preocupada com suas amigas, que com a confusão se separaram, e falava que não iria ao show do Napalm Death que estava cogitado para acontecer no Garage até o final do ano (mas não rolou) alegando medo dos carecas. Coube a mim tentar a acalmá-la.

Uns 40 minutos depois o show voltou, mas a festa tinha estragado para alguns. Parecia um jogo de futebol encerrado depois de alguma fatalidade e que a volta acontece apenas para cumprir tabela. O sossego inicial do show tinha ido embora junto com a carecada que havia sido presa, não sabíamos se ainda tinha carecas em meio às três mil pessoas e isso deixava o clima tenso. E vale mencionar que um público desses no Canecão é casa cheia. Com aquela bagunça, quem havia comprado mesa vip perdeu! Muita gente aproveitou o caos e com medo de ir para pista, subiu nas mesas. Lembro da dona da mesa onde eu subi com a garota se lamentando que tinha pago caro pela mesa. Era perigoso até ficar em pé nessas mesas, imaginem uma mesa para seis com umas oito pessoas em pé nelas, a mesa envergava, pensei que partiria ao meio.

Aos poucos, o show voltou a ser enérgico! O que se viu por parte dos Ramones foi lindo, e todo o Canecão curtiu. Em relação ao set list, só nessa segunda etapa do show aconteceram algumas mudanças em relação ao LOCO LIVE. Outra coisa tosca que ainda veio a acontecer naquela ‘Noite-Mondo-Bizarro’ foi uma fã subindo no palco e se jogando e abraçando o Johnny Ramone, que tocava distraidamente e tomou um bom susto – sua reação foi empurrá-la com a guitarra, ela caiu de bunda no palco, foi levada por um técnico e ainda deu pra ver o Johnny gritando algo para garota.

O show chegou ao fim e com ele outro medo, pois havia a suspeita de que os carecas estavam do lado de fora à espreita, o que não aconteceu. A menina se despediu de mim com aquele papo de ‘Você salvou minha vida’... Seja como for não dei nenhum beijo nela! Rsrs...

Do Canecão à minha casa são dois ônibus, no segundo ônibus (260 - Pça.XV x Vila Valqueiro) ocorreu um fato engraçado, mas que na época me deixou puto. Na altura do Meier na Zona Norte, entrou um homossexual (sem homofobia ok?) pedindo trocados aos passageiros, uma garota que parecia voltar da faculdade deu, ele agradeceu e começou a falar algo como: ‘Boa noite, senhores passageiros, quero agradecer a doação da nossa amiga e em retribuição vou cantar para vocês!’... Olhei para o lado e pensei: ‘Puts, fudeu!’... O cara seguiu viagem cantando ‘To Be with You’ do Mr.Big, só cantava o refrão, às vezes traduzia a letra, justificando que alguns poderiam não saber inglês. Falou que conheceu a música num baile no Cassino Bangu, desceu uns 20 minutos depois em Cascadura e vários passageiros vibraram por ele descer.

Na manhã seguinte só o jornal sensacionalista A Noticia deu uma nota pequena sobre a bomba, já os telejornais e rádios adoram noticiar que uma bomba de gás lacrimogênio foi acionada em um show de rock, deu até no programa do Casseta & Planeta, que falou que o PC Farias era o líder dos carecas! Rsrs... Contudo gostei de ouvir a locutora Mônika Venerabile da FLU FM comentar o fato por volta das 18h. Ela não teve pena, desceu o pau nos carecas que saíram de SP para bagunçar um show que os cariocas pagaram basicamente em dólar pra ver, o texto dela misturava revolta e decepção e me deu muito orgulho.

SOU BICAMPEÃO [MELHOR SHOW] - CIRCO VOADOR 1994
Durante muito tempo ouviu-se falar da tal bomba no Canecão, ou melhor, até hoje me perguntam: ‘Você foi no show da bomba?’... A essa altura era já era um ‘ramonesmaníaco’, a banda foi uma das que mais ouvi entre os anos de 1993 e 95. LOCO LIVE foi segundo CD que tive na vida juntamente com um Aerosmith que comprei nas Americanas em seus primeiros saldões de CDs. Também comprei o vídeo pirata do show no canecão. Foi aí que começaram a divulgar uma turnê do Ramones com Sepultura, mas ficou a questão: onde seria esse show no Rio? Começaram a falar que o show seria no Estádio de Remo da Lagoa, mas com o Sepultura no auge, Ramones idem, o show ficaria caro! Por fim o show aconteceu no Circo Voador sem o Sepultura.

O Show... Show não, espetáculo! Primeiramente nunca vi o Circo Voador daquele jeito, existia segurança de todas as formas, grades por todos os lados, dentro e fora do Circo, e até no teto tinha proteção. No caso do teto a proteção consistia em muita graxa espalhada nas barras do Circo, evitando a tradição de alguns mais exaltados em se pendurarem nas grades e/ou irem andando por elas, com a graxa não seria possível isso. O show aconteceu no dia em que completava um ano que uma outra ex-namorada tinha me dado um pé na bunda. Rsrs...

Abrindo a noite, o Little Quail and the Mad Birds, que na época tinha um hit tudo a ver com o show, ‘1,2,3,4’... Deu um gás, ops!, deu uma esquentada na galera. Como o medo de dar algo errado ainda imperava, preferi ficar na arquibancada que parecia Maracanã em dia de clássico, maior cabeçada.

Ramones inicia o show, no set list basicamente o de sempre, porém com alguns covers do ACID EATERS. Ainda no início um engraçadinho tentou arrumar uma briga, mas a segurança agiu rápido e com originalidade, estavam à paisana no meio do público e ao que notei vestiam camisas estilos havaianas. Funcionou.

Mesmo estando em pé na aquibancada agitei o show todo, a carga emocional que vivenciava naquele momento era tão grande que chorei em ‘Bonzo Goes to Bitburg’. Existiu um Michael Meneses até aquela música e outro Michael após ela. E curti muito o estilo CJ Ramone de tocar/cantar. Tudo funcionou na noite, não conheço uma só pessoa que foi naquele show que prefira os outros shows do Rio! O clima foi perfeito, sem falar que ficou provado que o Circo Voador era o melhor lugar para os Ramones tocarem no Rio, pois não existe nenhum outro espaço que tivesse a cara deles como o Circo. Toda a tradição de shows punks da casa ao longo de 12 anos estava impregnada naquele palco e coube ao Ramones colocar sua marca no lendário território do rock carioca. Pena que fazia pouco mais de um mês que a Fluminense FM [94.9 Mhz] estava fora do ar, tinha dado lugar à Jovem Pan.

Entre o Circo e Fundição Progresso, basicamente embaixo dos Arcos da Lapa, uma Kombi vendia posters do Ramones por 1 real (ou algo assim). Tinha tanta gente querendo poster que a situação ficou sem controle. Um amigo me contou que depois que tudo se normalizou ele foi no cara da Kombi e mentiu dizendo algo como: ‘Já lhe dei o dinheiro, mas na confusão você acabou não me dando o poster’... Em seguida ele recebeu um poster! Voltei pra casa com o espírito renovado, mas com o pescoço doendo de tanto bater cabeça. Pelo menos ninguém cantou Mr.Big no ônibus.

O TRICAMPEONATO [SALVO POR 3 REAIS] - METROPOLITAN 1996
Em 96 os Ramones voltaram ao Brasil para dizer ¡ADIOS AMIGOS!... Nascia no Rio de Janeiro a geração Rádio Cidade, uma garotada influenciada que acreditava que o Ramones era uma banda de 3 músicas – ‘Pet Sematary’, ‘Poison Heart’ e uma tal de ‘Hey Ho, Let's Go’ (eles achavam que o nome da música era esse) – e que tocavam o tema do Homem-Aranha! A rádio tocava essas músicas de forma exaustiva e o resultado foi uma nova geração de eternos fãs e fãs de momento lotando o Metropolitan na Barra da Tijuca, uma casa bem maior que o Canecão e o Circo Voador juntos.

Por outro lado o Rio vivia o auge da consolidação de uma nova cena rock altenativa, com revistas, programas em rádios comunitárias, zines, selos, bandas pipocavam na cidade... De lamentável apenas a ausência da FLU FM. Essa cena ficou conhecida como os ‘órfãos da Maldita’.

Quase não fui nesse show por falta de grana, já que em 1996 basicamente não trabalhei. Tudo para me dedicar aos estudos fotográficos. O pouco $$ que recebia era para comprar material fotográfico (filmes e papel, revelações etc.)... A lógica era que não fosse ao show, porém tinha o peso que era a última turnê, eu estava gostando mais da banda e tudo levava a crer que seria um show ainda melhor por conta do local, do palco e do som, o que tecnicamente faria desse show melhor que o do Circo Voador, mas só tecnicamente, pois a magia do Circo para um show dos Ramones foi insuperável. Enfim, estava sem dinheiro mas resolvi ir catando as moedas...

No dia do show fui à casa de um primo. Faltavam uns três reais para o ingresso e ao chegar lá uma amiga me perguntou se iria ao show, respondi: ‘Não sei, faltam três reais, e não tenho de onde tirar’... R$ 3 na época valia muito mais que hoje. Essa garota, que aliás tem seus vínculos com Sergipe, falou que iria interar pra mim! ‘Oba! Morderam a isca, irei ver Ramones mais uma vez’. Rsrs...

Em parte, o único problema era que entre as pessoas que iriam ao show com a gente estava um amigo que morava no bairro mas trabalhava em Volta Redonda, uma cidade do sul fluminense, já eram 18h, o show tinha previsão de inicio às 21:30. Claro que chegamos atrasados e ainda tive que comprar meu ingresso, entrei na segunda ou terceira música, num primeiro momento tentei ficar mais perto do palco mas acabei desistindo, me senti sufocado no meio da geração Rádio Cidade, achava aquele povo pop-rock demais e recuei. Resolvi ficar atrás, assistir mais o show e não agitar no meio das dezenas de ‘roqueiros gerados pela rádio dos doidinhos’.** Parei perto da minha amiga que pagou a diferença do ingresso e do seu namorado, um cara que esperou uns 10 anos para ver os Ramones ao vivo. Só que o casal estava brigando e ficaram assim o tempo todo, ou seja, eles não viram nada, pagaram para brigar no Metropolitan.

O show foi uma ‘Carta de Despedida com Final Feliz’. De longe o maior público dos Ramones no Rio, podia não existir o clima de ‘primeira vez’ do Canecão e o clima de ‘rock and roll’ do Circo Voador nunca vai se fazer presente no Metropolitan, hoje Citibank Hall. O show não foi ruim, muito pelo contrário, novamente foi excelente e entrou pra história para muitos novos ‘doidinhos’. Felizes os que descobriram que: ‘Hey Ho, Let's Go’ não é nome de música e que vieram a conhecer a vasta discografia do Ramones, que contém muitos sons além dos que a Rádio Cidade empurrava.

Ao término do show o casal parou de brigar, juntamos o povo de Marechal Hermes e voltamos para casa de forma tosca, não que tivesse aparecido novamente o cara cantando Mr.Big, mas alguém teve a ideia de pegarmos um ônibus que deixava na Sulacap, um bairro relativamente perto do nosso, porém se fazia preciso pegar outro ônibus que podia demorar ou não pra passar, e com isso voltamos a pé pra casa. Caminhamos uns 40 minutos até chegar. Depois dessa noite nunca mais vi um músico dos Ramones ao vivo.

UMA NOVA HISTÓRIA - 2011

Tomei conhecimento do falecimento do Joey Ramone no domingo da páscoa de 2001, ao fazer uso de uma nova mania, a internet, e receber a notícia via ICQ. Hoje, trabalhando com a Parayba Recs., já vendi LPs da banda e os CDs solos dos músicos.

Em maio estarei no show do Paul McCartney. Segundo reza a lenda, o Beatle inspirou o nome ‘Ramones’, pois no início de carreira Paul autografava como Paul Ramone. Mas isso confirmo aos leitores do Viva La Brasa se o Paul me der um autógrafo!

Namastê!

NOTAS
* Na época da Copa do Mundo de 90, fui ameaçado duas vezes por carecas em Aracaju. Eles tinham uma banda e ensaiavam no Conj. Santa Tereza, onde eu morava.
**Forma como a Rádio Cidade se dirigia aos seus ouvintes, a tal nova geração do rock carioca.”

MICHAEL MENESES é a soma de um pai paraibano de João Pessoa com uma mãe sergipana de Itabaiana. Torcedor do Campo Grande A.C. no RJ, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Fotógrafo e jornalista, tem trabalhos publicados em várias revistas, sites e jornais, além de ter um orgulho da PORRA em colaborar sempre que pode com o Programa de Rock da Rádio Aperipê FM de Sergipe.

Slim Jim Phanton na Virada Cultural de São Paulo

Um dos maiores nomes do Rockabilly americano, o legendário baterista Slim Jim Phanton veio ao Brasil para participar da sétima edição da Virada Cultural, em São Paulo. Em rápida entrevista concedida após o ensaio no dia do show, o músico discorreu sobre a participação no evento, a atual situação da indústria fonográfica mundial, os projetos musicais e profissionais, e a estreita amizade com Supla.

Considerado um dos grandes nomes da cena Rockabilly de todos os tempos, Slim Jim foi escalado de última hora para fazer parte da Virada Cultural 2011, evento já tradicional da cidade de São Paulo. Slim, mesmo cansado após uma exaustiva viagem, estava muito empolgado com a participação no evento. "Estou muito feliz por fazer parte desse evento, já vim algumas vezes ao Brasil, e cada vez que volto sinto que o público cresce mais, sinto uma conexão com a cidade. Acho muito importante a participação de artistas e bandas americanas na Virada Cultural, sinto que nosso país está muito bem representado nessa edição", afirmou o baterista.

Slim, apesar de um veterano do Rock n Roll com mais de 30 anos de carreira, revela ser muito antenado com a situação vigente da indústria fonográfica mundial, e faz uma análise comparativa bastante moderna entre a época que os Stray Cats estavam batalhando um lugar ao sol no começo dos anos 80 e o cenário musical atual do novo século: "Você sabe que apesar de hoje em dia as bandas não poderem se apoiar nas vendas de disco para ganhar dinheiro, eu acho interessante o poder da internet, como exemplo o Myspace. As bandas têm novas maneiras de distribuir as músicas e mais possibilidades que nós tínhamos anos atrás, e isso é fabuloso".

"Provavelmente, a única coisa que as bandas novas têm em comum com a gente é a vontade de acontecer. Quando mudamos da América para Londres no final dos anos 70 tínhamos uma garra impressionante, uma vontade incrível de tocar e mostrar nossa música e talento ao mundo. E não importa o quanto a tecnologia possa ajudar a impulsionar uma banda, mas se os caras não têm essa força motiva e persistência, a coisa não engata", arremata Slim.

Envolvido em uma série de projetos musicais, Slim, também proprietário do famoso Cat Club, em Los Angeles, conta as últimas novidades profissionais e o trabalho de garimpar novas bandas na cidade dos anjos: "Pois é, tenho o legendário The Cat Club há 13 anos agora, em L.A., temos uma programação bastante dinâmica, três bandas diferentes se apresentam por semana, e algumas delas até já gravaram profissionalmente. Acho bacana a idéia de ajudar a alavancar uma banda nova. Existe muito talento acontecendo em Hollywood”.

"Além da correria do club, atualmente tenho uma nova banda junto com o Lemmy, baixista e vocalista do Motörhead. A banda se chama Head Cat e deve encerrar as gravações do mais novo álbum em julho. É um projeto difícil de tocar devido a nossas agendas, pois o Lemmy é muito ocupado com o Motörhead, e eu também excursiono o tempo todo. A propósito, estarei novamente com o Brian Setzer´s Rockabilly Riot, a partir do final de junho percorrendo a Europa. Temos mais de 15 datas fechadas, ou seja, muito trabalho este ano", vangloria-se o baterista mundialmente famoso por se apresentar em pé usando somente um bumbo, uma caixa e um prato de ataque, ao invés de uma bateria completa.

Quando questionado sobre música brasileira, Slim é enfático: "Brothers of Brasil é a minha banda predileta! Conheço o Supla há anos, ele sempre que vai até Los Angeles, se apresenta no meu clube. Além de ser um músico talentoso, é muito carismático e considero um grande amigo. A sonoridade que eles tiram da mistura entre Samba, Bossa Nova e Rock n Roll é incrível. Gostaria que ele viesse hoje ao show, mas sei que está em Londres tocando. Espero revê-lo em breve".

Fonte: Rock Online

Foto: Liana Nakao

Set List do show:

Rumble in Brighton
Runaway Boys
Baby Blue Eyes
Sexy and 17
Baby Let’s Play House
Matchbox
Twenty Flight Rock
Mistery Train
Folsom Prision Blues
Honey Hush
Rockabilly Rebel
Rock This Town

RIP Poly Styrene

A ex-vocalista dos X-Ray Spex, Poly Styrene, morreu nesta segunda-feira, aos 53 anos, vítima de câncer de mama.

Nascida Marianne Joan Elliott-Said, a cantora foi uma das figuras pioneiras do punk rock britânico na década de 1970 através da sua atitude e de letras de canções como «Oh Bondage Up Yours!». Sua banda influenciou tudo o que veio a seguir na seara do rock feito por garotas, como as bandas do movimento “riot girrl”.

Poly tinha acabado de lançar um novo álbum solo, «Generation Indigo», que contou com a produção de Youth, baixista do Killing Joke e responsável por discos do Verve e do James.

Boy George foi um dos artistas que lamentou sua morte através do Twitter. «Eu era um fã da Poly mesmo antes de a conhecer pessoalmente, ela também era uma seguidora do Hara Krishna. Abençoada sejas, Poly, a tua ausência será sentida», escreveu o músico.

Abaixo, uma das últimas entrevistas concedidas pela cantora:

«Generation Indigo» marca o regresso aos discos de Poly Styrene, antiga vocalista dos punk rockers britânicos X-Ray Spex. Três décadas passadas sobre a rebeldia de temas como «Oh Bondage Up Yours!», a cantora inglesa lança agora aquele que é o álbum mais comercial da sua carreira a solo.

Em entrevista ao site IOL Música, Poly falou do trabalho em estúdio com o produtor Youth, baixista dos Killing Joke, e da luta que trava actualmente contra o cancro.

O que te levou a gravares o teu primeiro álbum desde 1981, ano em que lançaste o «Translucence»?
Este não é o meu primeiro álbum a solo, apesar de ser o mais comercial. Antes tinha feito os EPs «Flower Aeroplane» (2004) e «God's & Goddesses» (1986).

Estou sempre a escrever coisas novas e, para este disco, tinha uma maqueta de uma das canções, «Code Pink Dub». Quando a minha editora a ouviu, perguntaram-me se queria fazer um álbum completo. Eu já tinha material que queria lançar, portanto foi assim que tudo aconteceu.

Quais foram os maiores desafios na criação de «Generation Indigo»?
O Youth obriga-te a trabalhar a sério, o que foi um desafio mas ao mesmo tempo foi óptimo. Havia algumas canções que precisavam de melhorias e eu levava-as para casa e regressava no dia seguinte ao estúdio com novos versos e melodias.

Achas que o disco vai agradar os fãs do punk rock dos X-Ray Spex?
Até agora os fãs dos X-Ray Spex adoram o que ouviram e isso é fantástico.

O teu estado de saúde vai impedir-te de promoveres o novo disco ao vivo? Tens alguma digressão planeada?
Por enquanto estou a concentrar-me em melhorar e quando isso acontecer poderei começar a pensar numa digressão. Quem sabe o que irá acontecer... Mas por agora a prioridade é simplesmente ficar melhor.

Styrene partilhou com as Slits e com as Raincoats uma atitude independente e íntegra face à indústria musical, fora dos habituais timings de edição, chegando a enveredar mesmo pelo desaparecimento e pelo envolvimento noutras actividades. Será essa uma atitude tipicamente feminina, olhando para os exemplos acima. Poly Styrene prefere simplificar: «Nós não temos hipóteses de aceder ao mainstream porque simplesmente não fazemos discos pop comerciais».

Poly Styrene, que diz ao Cotonete continuar a seguir a crença hindu do Hare Krishna onde tem muitos dos seus amigos, admite não sentir «especial falta dos X-ray [Spex]. Chegámos a dar um concerto em 2008 para celebrar os 30 anos do [álbum de estreia] "Germ Free Adolescents". Mas só há mais um membro da formação original, além de mim. E não tenho a certeza que [a recuperação dos X-ray Spex] seja algo que queira fazer para sempre, aquela coisa nostálgica com os velhos colegas de banda».

Nos idos anos 1970, mais concretamente em 1978, a presença de Poly Styrene no palco dos X-ray Spex não deixava ninguém indiferente, chegando a ser controversa. «Penso que isso se deveu apenas à imagem, e não à mensagem, excepto talvez 'Oh Bondage Up Yours' [cuja letra era uma crítica ao materialismo do capitalismo], que na altura foi considerado um tema muito arriscado».

Têm sido várias as rockers de hoje que têm sido comparadas com o estilo de Poly Styrene, como Karen O (dos Yeah Yeah Yeahs) e Beth Ditto (dos Gossip). Mas Poly Styrene diz não reconhecer «em ninguém» a sua imagem.

Foi revelado publicamente que Poly Styrene sofre de um cancro de mama, o que torna delicado colocar a seguinte pergunta: tendo em conta que é uma vencedora, sente-se suficientemente forte para lançar outro álbum bem mais cedo do que o esperado? A cantora inglesa respodeu sem problemas. «Tudo isso vai depender da minha saúde mas gostaria muito de fazer outro álbum. Não sei se já estou preparada. Para isso, vou ter que escrever muito mais canções».


segunda-feira, 25 de abril de 2011

Semana Santa rocks

Não me canso de falar pros mais jovens: Se vocês acham o cenário atual ruim ( e é ) precisavam ver como era até a metade dos anos 90, quando a gente esperava semanas, às vezes meses, pra curtir um showzinho de rock tosco na cidade. Hoje em dia até num mega feriadão como o da semana santa passada, bem ou mal, rola uns rocks.

Tudo começou já na quarta à noite quando os Baggios se reuniram mais uma vez no Capitão Cook para celebrar seus 7 aninhos de vida. Casa cheia – de gente na porta, pra variar ! Difícil abandonar velhos hábitos, né ? Lá dentro não estava vazio, mas se 1/3 dos que estavam fora tivessem entrado, estaria lotado. O show foi especial, com muitos covers e participações de amigos. Destaque para a presença de Lucas, o primeiro baterista dos Baggios, que tocou bateria em algumas das primeiras músicas compostas pela banda (mandou bem, sem muita técnica mas com muita garra e feeling pra compensar) e baixo nos dois maravilhosos covers do Black Sabbath, “NIB” e “war pigs”. Muito bom o show, alto astral total. “Totalmente excelente”, diria Flavia Lins.

Flavia Lins que estava presente entre os que lotaram o Boteco “Tio Maneco” na noite seguinte, numa apresentação acústica solo de Fabio Snoozer, baixista/vocalista da snooze e um dos fundadores do programa de rock. Bem legal, excelentes petiscos regados a boa musica e muitos amigos. Com gente “saindo pelo ladrão”, tiveram até que fechar os portões porque não haviam mais mesas disponíveis, muito embora houvesse bastante espaço para novas mesas ( fiquei imaginando que os proprietários não devem ser de Itabaiana, pois um comerciante itabaianense não se conformaria em ver espaço disponível em seu estabelecimento com gente fora disposta a entrar e consumir, iria pegar mesa até no inferno). No repertório várias pérolas do Flaming Lips, Velvet Underground, REM, Pixies, Smashing Pumpkins, etc, etc, etc. O Tio Maneco tem “bombado” todas as quintas feiras, quando abre espaço para apresentações de figuras celebres de nosso pequeno porém bem servido cenário alternativo. O próximo será Julio da The Baggios, recomendo.

Na sexta-feira, que eu saiba, não teve show, mas teve programa de rock, que é um show a parte, imperdível, maravilhoso, o melhor programa de rádio do universo de todos os tempos da última semana. No sábado fui a Itabaiana conferir mais uma edição do projeto Cebolada. Infelizmente a The End, banda de metal/hard rock oitentista de Poço Redondo, não pôde comparecer. Quando chegamos estava rolando “Estudio Box e Azulejo”, uma boa nova banda (de Lagarto, se não me engano) com um dos nomes mais horríveis que eu já vi. O show, no entanto, não foi bom: o som estava embolado e a microfonia comia solta sempre que o vocalista cismava de tocar gaita. Na platéia, uns 4 ou 5 gatos pingados – isso já descontando a presença das namoradas dos caras, alojadas numa mesa. Na sequencia, Thee Swamp Beat Brothers, o projeto garajeiro/pantanoso de Maicon Stooge e Givanildo. Bem legal, souberam equalizar melhor o som e deu pra rolar numa boa. Altos riffs, boa perfomance de palco e alguns cover espertos do Cramps e até da clássica bagaceira “Silvia”, do Camisa de Venus (impossível não lembrar de minha adolescência roqueira nos anos 80 ao ouvir coisas do tipo). Uma pena que o publico continuou minguado: contei exatos 24 expectadores num momento de “pico”, desta vez contando com as namoradas dos caras de Lagarto e os próprios, que haviam virado platéia.

A Karranca iria substituir a The End mas o sono bateu e eu me retirei. Na mesma noite estava rolando Lacertae num encontro de estudantes de História na UFS e, no domingo de páscoa, o Centro de Criatividade seria o palco de mais uma edição do Macacore. Não fui.

por Adelvan.

domingo, 24 de abril de 2011

Devotos, o livro

Na última edição do Abril pro rock, dia 15, um encontro inusitado entre dois verdadeiros ícones do Hard Core brasileiro em sua versão nordestina, Silvio “suburbano”, da Karne Krua, a banda do estilo há mais tempo em atividade na região, e Cannibal, do Devotos, me fez lembrar que eu tenho o livro de Hugo Montarroyos que conta a história da banda (e, por tabela, de boa parte do movimento punk e do cenário “roqueiro” da capital pernambucana) e ainda não havia lido. Devorei suas pouco mais de 300 páginas de fácil e saborosa degustação neste feriadão de Semana santa e deixarei aqui minhas impressões.

Salta aos olhos, logo de cara, o projeto gráfico, enxuto porém de muito bom gosto. A capa ficou meio poluída, sem definição, mas não é feia. Alterna tons laranja e verde, o mesmo verde que colore as bordas do livro, num efeito muito elegante. O texto é intercalado por ilustrações apresentadas de forma estilosa, com farto material iconográfico espalhado por suas páginas em imagens geralmente ampliadas e/ou replicadas. Mas o que interessa é o texto, então vamos a ele:

O livro começa com uma rica descrição do momento em que a banda se prepara para tocar mais uma vez em seu bairro natal, o “mítico” Alto José do Pinho, desta vez com uma superestrutura preparada especialmente para comemorar seus 20 anos e, a partir daí, faz uma verdadeira viagem aos primórdios não apenas do local, mas de toda a cena alternativa pernambucana. A mesma velha e sempre boa história de superação das adversidades por meio da vontade – vontade de sair do marasmo, de criar, de se comunicar, de viver, enfim.

O primeiro show da Devotos (então do ódio) aconteceu em 1988 em uma das edições do “Encontro Anti-Nuclear”, que acontecia todos os anos no dia da explosão da Bomba Atômica em Hiroshima. O cartaz do evento está reproduzido no livro e nele consta a presença da Karne Krua, de Sergipe. A amizade entre os membros das duas bandas vem de longa data, e é novamente mencionada no episódio da gravação abortada daquele que seria o primeiro registro fonográfico de algumas das mais importantes bandas do cenário punk do norte e nordeste – neste ponto, infelizmente, a informação é incompleta e incorreta, já que o autor credita os Delinqüentes, de Belém do Pará, como sendo uma banda maranhense, além de ter esquecido de mencionar outros grupos que fariam parte do projeto, como o Discarga Violenta, de Natal. Este é, no entanto, o único deslize por mim identificado na obra. Todo o resto é dedicado a relatar a impressionante história de superação dos caras, levando a reboque toda a comunidade do bairro onde vivem - e sem se esquivar de situações potencialmente polêmicas, como o episódio do rompimento com o produtor Paulo André ou algumas pequenas decepções que sempre aparecem como “pedras no meio do caminho”. Vale ressaltar também o reconhecimento da influência que a seminal Câmbio Negro HC exerceu sobre os caras ao ter sido a primeira banda local do estilo a gravar um disco, um feito e tanto para a época. Outro fato interessante retratado é a adoração que os “roqueiros” do morro têm pelas bandas dark/pós punk inglesas dos anos 80, o que deve ter contribuído para a originalidade do som feito por lá.

No mais, histórias saborosas como as do contrato “furado” com a multinacional BMG, que os hospedou num hotel 3 estrelas “com a terceira apagada e já quase caindo”, sem dinheiro para quase nada, nem para comer, ou das longas caminhadas que eram obrigados a fazer pela periferia do Recife, desviando de balas perdidas e enfrentando assaltos e baculejos da polícia, por falta de grana para a passagem de ônibus. Ou ainda da luta para lançar seus discos e para manter os projetos sociais que criaram. Nem mesmo o “fora” dado por Cannibal na dublê de atriz e apresentadora global Cissa Guimarães em rede nacional de televisão, via Vídeo show, durante uma chamada para o Abril pro rock, foi esquecido. Eu assisti à cena ao vivo pela TV e me diverti muito.

O que mais impressiona, no entanto, é que a situação dos caras pouco mudou mesmo depois de terem sido “hypados” pela imprensa local com repercussão nacional. É, no entanto, interessante notar como a grande mídia na capital pernambucana é bem mais “antenada” e acompanha o cenário alternativo da cidade, ao contrário do que acontece aqui em Aracaju, onde uma cena musical riquíssima é praticamente ignorada pelos maiores veículos de comunicação da cidade. Em Recife os Devotos eram assunto constante nos cadernos de cultura dos jornais, da MTV e até mesmo da toda-poderosa Rede Globo Nordeste. Os pais de alguns dos componentes das bandas retratadas, inclusive, só acreditaram no que seus filhos estavam conseguindo (gravações de discos e turnés e shows pelo sudeste e até mesmo na Europa) ao verem-nos retratados em matérias dos telejornais.

Além do Devotos, o livro dá uma geral nas carreiras de todas as demais bandas do “alto”, com destaque para as que mais se destacaram, a Faces do Subúrbio, com seu rap “roqueiro” misturado com embolada, e a Matalanamão, uma brincadeira de moleque punheteiro que “quase” dá certo. Para mim foi especialmente útil, já que não fazia a mínima idéia do destino que tiveram estas duas bandas, hoje em dia sumidas da mídia: a Faces não acabou, está apenas “dando um tempo”, segundo seus integrantes, e a “Matala” estava preparando repertório para um terceiro disco no momento onde o livro parou (confesso que nem fiquei sabendo que eles tinham lançado um segundo). Ambas já tocaram em Aracaju: A Faces num festival promovido pela Marginal produções e a “Matala” num show produzido pela Destruction Produções, do meu camarada Anderson Lima. Não deu quase ninguém. Já o Devotos nunca tocou aqui! Uma lacuna que, espero, seja preenchida o mais breve possível.

por Adelvan


sábado, 23 de abril de 2011

# 185 - 22/04/2011

Sexta-feira da paixão, morgação total na cidade. Quem se arriscou a dar uma conferida na frequencia 104,9 do dial em Aracaju, no entanto, teve a oportunidade de dar uma sacudida no marasmo com mais uma sequencia de aproximadamente 2 horas de rock no pé do ouvido.

Abrimos com a musica que abre o novo disco do Plastique Noir, de Fortaleza, e já emendamos sem dó nem piedade com duas de "Atletas de Fristo", novo do Mukeka di Rato, que está muito bom, bem melhor que o anterior, "Carne", que eu achei meio "xôxo". Vinheta, minha voz "fonhém" e tome uma sequencia matadora de U2, mesclando obscuridades, versões alternativas de musicas pouco tocadas da primeira fase da banda, um hit e um "semihit", e se você não gostou, "vai se fóquiú", como dizia uma bichinha sertaneja modernoide que recebeu um telefonema do Mução - vocês precisam ver Silvio (da Karne Krua) contando essa história, é de rachar de rir.

Por falar em Silvio Campos, o "velho guerreiro" nos deu a honra de sua presença Ao Vivo para falar dos novos lançamentos de duas de suas bandas (o cara toca em seis !), Logorreia e A Casca Grossa. Logorreia e Words Guerrilla, que está voltando depois de um tempo parada, tocarão amanhã, domingo de páscoa, no centro de criatividade, no "Macacore", a partir das 15:00H. Já os discos podem ser adquiridos na loja de Silvio, a Freedom, única loja especializada em rock da cidade, que fica na Rua Santa Luzia, 151, no centro.

A segunda parte do programa foi inteiramente dedicada a blocos produzidos pelos ouvintes, com direito, inclusive, a apresentação Ao Vivo da responsável por um deles, Rosi. Você também pode fazer o mesmo, é só entrar em contato. Senão, "vai se fóquiú".

A.

# # #

plastique noir - rose of flesh and blood
Mukeka di rato - Lua cheia
Mukeka di rato - pagando o pato

U2:
# Things to make and do
# Out of control (single version)
# I trew a brick (BBC Session)
# I´ll go crazy if I don´t go crazy tonight
# One

Acidogroove:
# O Anti-herói
# Lampejo
(Drop Loaded)

Entrevista com Silvio Campos
Logorreia - Ultraviolencia

sodom - Burst command ´till war
Coroner - totentanz
Sacrifice - in defiance
(por Thales Sales)

Kittie - No Name
Epica - The Obssessive devotion
Theatre of tragedy - Fair and guillin copsmate death
Light this city - Unwelcome savior
(por Rosi Matos)

Zé Ramalho e Lula Côrtes - Sumé
O Peso - Boca louca
Raul Seixas - A verdade sobre a nostalgia
Ave Sangria - Geórgia, a carniceira
Os Mutantes - top top
Velhas Virgens - cerveja na veia
(por Lucas)

terça-feira, 19 de abril de 2011

The Baggios, 7 anos depois ...

A The Baggios acabou de completar 7 anos no final do último mês e, aproveitando o embalo da recente conquista do Festival Nacional das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), resolveu chamar alguns amigos para uma apresentação recheada de participações especiais.

Dia 20 de Abril, quarta-feira, véspera de feriado, os Baggios executarão versões de músicas autorais e de canções que os influenciaram com o auxílio luxuoso de Melciades Filho (Máquina Blues); Rafael Ramos e Fabricio Rossini (Nantes); além da inesperada participação de Lucas Goo (primeiro baterista da The Baggios), que assumirá as baquetas nas músicas da primeira fase da banda. Coisa fina.

Para encerrar a festa, a idéia é que role uma jam com todo esse povo tocando alguns clássicos do Blues e do Rock. Como afirmou Julico, em conversa com o Jornal do Dia, vamos ver no que vai dar.

Jornal do Dia – Com tanta coisa dando certo pra banda, é justo dizer que o azar lhes consome?

Julico – Eu escrevi “O azar me consome” há cinco anos, como um desabafo, mas por se tratar de um tema que se faz presente na vida de qualquer um, é difícil se desvencilhar completamente dessa música. Reconheço que a banda está numa fase bem melhor que há sete anos, mas de vez em quando ainda passo por perrengue. Assim fica difícil esquecê-la.

JD – Em que medida esse “tudo dando certo” condiz com a realidade e facilita o trabalho e vocês?

Julico – Acho que quando se tem um trabalho reconhecido no seu estado e na seqüência um reconhecimento nacional, é natural que agente aposte ainda mais na carreira e cale o pessimismo que ronda nossas cabeças. O que é mais importante, além do reconhecimento, é nos mantermos sempre na ativa. Eu e Gabriel (Perninha, o batera da banda) fazemos muitos planos, estamos compondo constantemente, já temos mais de doze músicas novas, prontinhas pro segundo disco, estamos com a cabeça lá na frente, sempre procurando fazer mais.

Tenho medo de ser mais um artista acomodado na porta de casa, esperando as coisas cairem do céu. Eu vivo pela música. Grande parte das minhas alegrias e tristezas dos últimos nove anos (quando nasceu minha primeira banda) veio dessa tentativa de ter minhas músicas reconhecidas, principalmente aqui no estado.

JD – O que a conquista do festival da Arpub rendeu, em termos práticos? Você acha que poderia ter rendido mais?

Julico – Foi uma das minhas maiores alegrias da vida, mas confesso que me decepcionei, no final das contas. Justamente quando alcançamos essa conquista – um festival de nível nacional, que no ano passado investiu mais de R$ 60.000 em sua estrutura – a Arpub não teve um real sequer para dar para os vencedores.

O Festival ainda não rendeu nada, mas de qualquer forma não deixei de ficar feliz e espero muito que esse prêmio nos ajude de alguma forma nessa longa estrada que estamos começando a seguir.

JD – Quando a gente vai poder finalmente, conhecer o primeiro disco da Baggios? Ele vai ser lançado e distribuído de maneira independente ou algum selo já se mostrou interessado?

Julico – Está indo para fábrica, com previsão de chegar nas nossas mãos no final de maio. Iremos lançar pelo selo da Deck, chamado de Vigilante (RJ). Fechamos inicialmente um contrato de distribuição digital do disco com eles. Vai ser legal, principalmente na parte de acessória de imprensa, pois a mesma turma que trabalha com Pitty, Nação Zumbi, vai estar trabalhando com a Baggios.

Estamos programando uma festa de lançamento legal. Estou doido pra ver o que todos vão achar dele, muito ansioso mesmo.

JD – Sete anos é uma estrada razoável… Em alguma encruzilhada, bateu alguma espécie de arrependimento? Existe alguma coisa que você preferia ter feito diferente?

Julico – Acredito que não. Acho que todos os perrengues que pelo qual a banda já passou, essas mudanças de bateristas, fez da banda o que ela é hoje. Tudo no seu tempo. Sabe lá se existiria a The Baggios se isso tudo fosse diferente.

JD – A festa de aniversário da Baggios vai contar com uma penca de convidados. Como você chegou a esses nomes?

Julico – Foi a partir da admiração musical e da afinidade que tenho com eles. Acho Melciades (Máquina Blues) e Fabrício (Nantes) dois guitarristas muito criativos, além de tocarem em duas bandas das quais sou fanzaço. Rafael Ramos (Nantes), pianista, é mestre no que faz. Sempre que nos batíamos em shows rolava essa papo de fazer parceria um dia, ele já chegou a participar de um show da baggios tocando trompete em Recife durante a turnê que fizemos juntos na época da “Daysleepers”, admiro demais esse bicho. Lucas é o baterista que fundou a banda comigo e vou aproveitar que ele está de férias por aqui para apresentar umas coisas inéditas da banda que fizemos em 2004.

JD – E o que esperar da celebração que o cook abriga amanhã à noite?

Julico – Eu acho que será um bom show de Rock. Para quem quer conhecer a banda mais a fundo, será uma boa oportunidade, pois será o maior repertório que fizemos até hoje, sem contar que o repertório conta com altas novidades: versões novas para “Baggio Sedado”, “Hard Times”, “Trem da Nostalgia”, “Black Man Song” e alguns covers que sempre desejei tocar como duas do Black Sabbath e uma do Cream, que prefiro deixar como surpresa.

por Rian "Calango Doido" ( riansantos@jornaldodiase.com.br )

Foto: xbolotax

The Jezebels na Rua da Amargura

A jezebels tocou ontem na Rua da Cultura. Quando saí do casulo onde trabalho e vi o tempo nublado pensei: fudeu. Já é uma merda o evento ser numa segunda-feira, o Dia Internacional da preguiça, e com tempo nublado, só vai ter os “trêbados” de sempre. Dito e feito. Mas foi bem pior do que os piores prognósticos. Não tinha quase ninguém, mas elas tocaram assim mesmo, claro. Ou melhor: tentaram. O som, apesar da estrutura sempre impressionante, tava uma merda. Os “técnicos” que operam aquela porra devem ser tapados, não é possível. Segundo Dani, a guitarrista, não sabiam nem o que era um PA, e ainda colocaram a culpa nela e disseram que ela "devia aprender as coisas de guitarrista". Uma grande merda, enfim. "Fim de feira" total.

Apesar dos pesares deu pelo menos pra ver a Jezebels em nova formação.

Grande banda.

A.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Edição Especial - 15/04/2011

produzida e apresentada por Marcelo Larrosa

rolou:

Frank Zappa - Peaches in regalia
Blondie - Hanging on the telephone
The Jam - Town called malice
Toni Platão - Bola do jogo
The Who - The real me
The Beatles - Helter Skelter
Bete Middler - Keep On Rockin'
Humberto Effe - Quem Usa Antena é Televisão
Eddie Vedder - Far Behind
Uriah Heep - Stealin'
Echo & The Bunnymen - Paint It Black (Live, 1985)
Foo Fighters - Generator
The King - Pretty Vacant
David Bowie - Heroes
The Blues Brothers - Going back to Miami
The Who - Join together
PFM - Sea Of Memory
Pink Floyd - In The Flesh
Hojerizah - Roma
George Martin & Jim Carrey - I Am The Walrus
Pete Townshend - Stardom In Acton
The Clash - I fought the law
Picassos Falsos - Eletricidade
The Police - Omegaman
Red Hot Chili Peppers - Suck My Kiss
Roxy Music - Do The Strand
Pete Townshend - And I Moved
Hojerizah - Sol
Kansas - Carry on my wayward son
Premiata Forneria Marconi - Celebration
The Cure - Primary

domingo, 17 de abril de 2011

Noite preta (pretíssima!)

15/04/2011, Abril pro Rock, Recife, Chevrolet Hall. Contra-tempos (BR 101, terrível*) me fizeram perder uma das bandas que mais gostaria de ver ao vivo, o Facada. Furia, me perdoe. Perdi também uma tal de "Cangaço" mas, pelos comentários que ouvi ( o mais insistente era "é roque pesado com influência de regional" ), não perdi nada. Cheguei no Desalma, banda local. Pesadíssima. Death metal com algo a mais e a menos, mas não consegui definir muito bem o que, pois ando meio sem paciência pra analisar bandas que não me fisgam logo de cara e foi este o caso, muito embora a competencia dos caras seja evidente.

O show começou mesmo (para mim) com a banda seguinte, Violator, de Brasilia. "A noite vai ser boa", diria Cladio Zoli. Espécie de Nuclear Assault tardio (antes tarde do que nunca) tupiniquim, os caras são muito, muito, muito bons de palco. Compensam com gloria e galhardia sua principal deficiência, a falta de músicas REALMENTE marcantes no repertório, com uma energia insana e um astral muito legal, além de muita competencia na execução. E são muito simpáticos: o baixista/vocalista fala o tempo todo entre uma musica e outra e não fica chato, muito pelo contrário: tem um carisma de moleque roqueiro doido porém "do bem", bem intencionado, que contagia a todos. Até quando fala contra "essas igrejas de merda que querem ocupar nosso espaço, fodam-se, foda-se o white metal" ele fala, não vocifera. O mesmo para um auto-elogio que o cara fez que na boca de outro soaria pedante, apesar de verdadeiro: "nós somos responsáveis, por aqui, pelo revival do thrash metal na década passada, pela valorização da diversão e da espontaneidade, então nada de ficar se exibindo com cara de mal ou servindo de progaganda para marca de xampo". Sensacional. Deu vontade de virar amigo do cara na hora, oportunidade que eu e qualquer um que quisesse teria, era só ir lá bater um papo com eles num stand que vendia mechandising oficial do DRI e do Misfits, além de algumas péreolas "underground" como um CD do Quebra-queixo, banda do Evandro, ex-vocalista do macakongs 2099, acompanhado do melhor "encarte" que eu já vi em toda a minha vida, em formato de revista em quadrinhos grandona impressa em papel couchê e com capa-dura ! Em termos de produção, superou até o "Music for antropomorphics", disco conceitual do Mechanics que também vinha com uma revista em quadrinhos encartada. Tudo isso por apenas 30 reais ! Inacreditável. Claro que comprei, ouvirei, lerei, resenharei (se a preguiça permitir) e tocarei no programa de rock (se for bom, né, mas boto fé que seja). Ao lado da mesinha do Evandro, uma surpresa: o disco novo do plastique noir, de Fortaleza! Vendendo-o, Babuê, figura gente fina que tá sempre agitando as coisas por lá. Ele me deu o disco de presente, agradeço muito.

Mas já que mencionei o DRI, voltemos ao show do Violator: o baixista da banda texana, Harald Oimoen, estava o tempo todo ao lado do palco, fotografando, durante o show dos candangos, mas a gente só soube quem ele era quando o vocalista, Pedro "poney", falou que era um prazer tocar ao lado de uma das bandas que mais os influenciaram. Ressaltou, inclusive, que sua primeira tattoo foi o célebre bonequinho pogando, símbolo do DRI. Falou isso também em inglês se dirigindo a Harald, o que foi a deixa para que este fosse ao microfone e dissesse: "DRI was my first tottoo too, and Violator is amazing, old school fucking thrash metal". Dito isso o pau continuou a comer na casa de noca, os violadores continuaram agitando pra caralho e instigando as rodinhas com os dedos indicadores em circulos e foi todo mundo feliz - eles, o público, que agitou MUITO, e "Poney", que saltou na platéia duas vezes - numa delas teve, inclusive, um atrito com um segurança que atingiu na cabeça, fato pelo qual se desculpou publicamente no microfone. Grande show - o maior da carreira da banda, como eles mesmos enfatizaram no palco. Para se tornar uma banda perfeita, só falta mesmo composição - mas ressalto que as musicas não são ruins, são apenas banais, clicherosas, sem nenhum refrão ou passagem especialmente marcante.

A quinta banda (terceira para mim) foi o Torture Squad. Uma grande banda, sem sombra de dúvidas. Pesada, precisa, técnica, e "metálica", acima de tudo. Fizeram um grande show (destaque para os solos de guitarra, matadores), mas que eu não vi direito - fiz uma análise mental e percebi que aquela era a que menos me interessava na noite e aproveitei para dar o tradicional rolê pelo espaço, não sem antes comer uma fatia de pizza com preço salgado e procurar a já célebre latinha de pitu personalizada do festival. Não achei, mas soube depois que estava a venda apenas em pequena quantidade no stand da Astronave, a produtora. Uma pena, seria um souvenir curioso para a posteridade.

Voltei a dar atenção ao que rolava nos palcos com a apresentação do Musica Diablo já começada. Grande banda, pesada, precisa, técnica, "metalica" e blah blah blah. Os caras mandam muito bem no instrumental, mas também falta composição e ... vocalista. Não tem jeito, não consigo gostar de Derrick Green como vocalista. É muito "feijão com arroz", sem personalidade. Qualquer um com um mínimo de potencia vocal e disposição para se esgoelar por algumas horas faz o que ele faz. Chega a ser incrível saber que ele ocupa há tanto tempo o posto na principal banda de metal brasileira, uma das maiores do mundo. Isso sem falar do papo furado em português capenga cheio de gírias paulistanas entre uma musica e outra. Não foi um show ruim, longe disso, mas não foi nada comparado ao que viria a seguir ...

DRI! Gente, eu estava num show do DRI, a banda mais "pogante" de todos os tempos. Mas não "poguei" (eu sei, eu sou um verme). Até deixei todos os meus "apetrechos" nas mãos de minha companheira, que preferiu ver tudo lá de trás, prevendo um apocalipse particular, minha já tradicional incorporação do caboclo adolescente headbanger que ainda insiste em viver em mim, mas as quase 10 horas na estrada (nunca demorei tanto para chegar em Recife!) coroadas com um engarrafamento monstro na hora do rush começaram a cobrar seu preço. Me recusei a "morgar", no entanto - pelo menos por enquanto. Fiquei lá, logo atrás da "ciranda-cirandinha", como gosto de chamar, em tom assumidamente depreciativo, a roda (literalmente falando) de "pogo" local, que mais parece um passeio entre amigos. Foi um verdadeiro desfile de pérolas em forma de musica pesada desferido por uma das mais influentes bandas do estilo (na verdade DOS estilos, já que eles mesclam com perfeição Hardcore ao thrash metal e não por acaso são considerados os inventores do "crossover"**). Um pedrada depois de outra. Kurt Brecht continua com um vocal muito bom e original e Spike Cassidy, o guitarrista e outro único membro da formação original (ele nem parece tão velho) simplesmente destroi nos riffs, ABSOLUTAMENTE matadores. Infelizmente não resisti e precisei descansar um pouco, sentado, justamente quando começou uma das sequencias mais matadoras da história da música pesada mundial, "violent pacification" e "Five years plan" com seu mantra "I lose/you win/I win/you lose" que ecoaria em nossas cabeças por todo o final de semana seguinte. Vi tudo pelo telão, mas não vi que o baixista maluco tinha descido do palco. Tomei um susto quando ele passa por mim correendo, com o instrumento ainda em punho. Memorável. E puta que pariu, como os prórios caras do DRI enfatizavam o tempo todo no palco, a gente ainda iria ver os Misfits !!!

Corta pro telão: Imagens belíssimas e coloridas, produzidas pelo coletivo goiano "Bicicleta sem freio", ilustram a narração: "Petrobras apresenta: Abril pro rock 2011. E agora, diretamente dos Estados Unidos, The Misfits!". Denecessário dizer que a turba ensdandecida (que por sinal compareceu em peso, o Chevrolet Hall estava lotado, uma coisa bonita de se ver) veio abaixo. As cortinas se moveram ao som de um pianinho tenebroso e voila: lá estavaM eles, um dos mais matadores "power trios" em atividade na face da terra, neste momento. Na verdade o trio foi tão "power" que todo mundo (sei que não foi apenas eu, pelos comentários que ouvi depois) ficou meio atordoado, sem saber direito o que estava acontecendo. Uma música emendada na outra em velocidade acelerada (e olha que as versões originais já são bem rapidinhas) com o "Big Boss" Jerry Only dividindo os vocais com Dez Cadena, o guitarrista. Ficava até difcil identificar o que eles estavam tocando, algo que só ficou mais claro quando Only anunciou o primeiro grande clássico da noite, "Astro zombies", com um daqueles tradiconais "ÔÔÔ" feitos sob encomenda para serem acompanhados pelo público. E o publico acompanhou e participou, e muito !

A primeira pequena "pausa" serviu para que Cadena perguntasse se alguém ali conhecia uma banda chamada Black Flagg. Ele explica que iriam tocar "six pack" e a dedica "for you. Yes, you!", apontando para alguém na plateia. Os telões não focalizaram o felizardo, mas creio que deveria ser alguém com alguma camiseta de sua antiga banda. O Misfits toca como trio desde 2001, o que não impediu algumas "atravessadas", possivelmente motivadas por algum problema de equalização no início do show, quando a caixa da bateria estava muito alta e os vocais praticamente inaudíveis.

Os clássicos foram se sucedendo e o publico assimilando e enlouquecendo. Tudo muito acelerado, um verdadeiro rolo compressor. Só foi possivel respirar em "Helena", uma "quase" balada, mas o pau voltou a comer logo em seguida. "Dig up her bones" ficou quase irreconhecível devido à velocidade em que foi tocada mas o refrão, como não poderia deixar de ser, foi cantado a plenos pulmões por todos. Até eu, que estava exausto, consegui esboçar um sorriso mais entusiasmado e levantar o braço em sinal de aprovação. Only não parava nem para se refrescar ou trocar o chiclete que ele mastigava o tempo inteiro: havia um carinha agachado dedicado, aparentemente, unicamente a satisfazer estas suas "necessidades", espocando umas bolinhas de gelo (ou seria água ensacada?) nos "spikes" de sua jaqueta ou entregando outra goma de mascar ao menor sinal do "mestre". Por falar em jaqueta o visual de Jerry Only é, por sinal, uma atração a parte, um verdadeiro ícone de uma determinada subcultura pop norte-americana, com aquele topete escorrido despencando entre os olhos e culminando no nariz. Guitarrista e baterista, por outro lado, foram mais "comedidos": o primeiro ostentava uma face esbranquiçada entre os longos cabelos esvoaçantes enquanto o segundo "apenas" desenhou dentes enormes em seu maxilar, numa operação simples porém com um resultado excelente. O cara ficou parecendo um monstro pré-histórico.

O show "terminou" mas o bis não demorou. Veio com “We Are 138" e, surpresa, outra do Black Flagg, "rise above", que foi acompanhada pela maioria do publico, uma surpresa maior ainda para mim, que não sabia que a clássica banda underground californiana era tão popular. Fechando os trabalhos e para acabar de vez com tudo, o mundo inclusive, "Die Die, my darling". Puta que pariu, uma verdadeira aula de punk rock numa unica canção: curtinha, com refrão certeiro e batida martelada e minimalista. Fim de festa, cortinas fechadas, pianinho sinistro de volta aos auto-falantes e a volta pra casa com energias renovadas.

O Misfits conseguiu um grande feito em 1995: voltaram depois de 12 anos paralisados por um pendenga judicial envovendo Only e Danzig em torno dos direitos do nome da banda e fizeram um sucesso ainda maior, embalados por uma formação matadora que contava com o excepcional vocalista Michale Graves ( que, veja só, nunca tinha ouvido falar dos Misfits, apenas soube do teste por um amigo e foi lá "pra ver qual era") em clipes sensacionais veiculados à exaustão pela MTV. Na verdade experimentaram um sucesso que nunca haviam tido antes, mas tudo viria abaixo no ano 2000, quando Graves e o baterista Dr. Chud deixaram a banda sem nenhuma explicação aparente. A porca torceu o rabo de vez quando Doyle, o irmão de Jerry, também o abandonou às vésperas da turnê comemorativa dos 25 anos - aqui o motivo parece ter sido uma briga devido a suas aparicções em shows do Danzig tocando clássicos do Misfits. Mas quem tem moral, tem: o baixista remanescente não entregou os pontos e chamou dois ex-membros do Black Flagg, Cadena e Robo, para escudá-lo, e segue fazendo tours mundo afora até hoje. Também gravou e excursionou com Marky Ramone na bateria durante o "project 195o", um álbum de covers de musicas da "década de ouro"do rock and roll. Na tour, que deve ter sido antológica, além das musicas gravadas para o disco, clássicos do repertório de ambas as bandas, Misfits e Ramones.

UMA CURIOSIDADE: Em 27 de fevereiro de 1996 foi lançado um box set contendo quatro CDs com todas as músicas gravadas pela formação clássica do Misfits. Os CDs vinham num caixão e foram feitas poucas unidades. Atualmente esta fora de catálogo. Detalhe: eu tenho este box, comprei baratíssimo numa loja do Rio de Janeiro em 1998, e estou contando isto aqui unica e exclusivamente para te fazer inveja.

OUTRA CURIOSIDADE: Jerry Only é cristão assumido e, aparentemente, praticante. Chegou a ter, inclusive, um projeto gospel com o irmão na época em que o Misfits estava parado, o "Kryst the conqueror".

* A BR 101 está sendo duplicada e isto causa um transtorno imenso, pois além da tradicional dificuldade de trafegar por lá por conta do intenso movimento de veículos de carga, há as obras, que atrapalham, e muito. Mas que valerão a pena, a julgar pelo delicia que é deslizar pelo tapete que já está ponto. A lamentar, apenas, este monumental erro histórico da politica econômica de nosso país, que prioriza o tranporte rodoviário em detrimento do ferroviário, mais econômico e eficiente para paises de dimensões continentais.

** Há o English Dogs, da Inglaterra, que é anterior e já misturava punk rock com Heavy metal, mas aí a discussão vai longe e, infelizmente, ninguém lê textos muito longos na internet.

por Adelvan Kenobi

quinta-feira, 14 de abril de 2011

pdrock, Edição Especial

Saca o Hojerizah? O ex-baixista do Hojerizah mora em Aracaju e produz um programa muito bacana na Aperipê FM, o Lado C, que vai ao ar todos os sábados, às 19:00H. Amanhã ele estará no comando de uma edição especial do programa de rock e promete: vai ser rock! Mesmo! Eu acredito.

Veja o que ele disse no site do Lado C:

A missão é árdua por duas razões: o Lado C não é ao vivo ainda, pois não tive coragem para cometer os erros e não poder editar depois. Vocês não fazem idéia da quantidade de gaguejadas e pronúncias esdrúxulas que saem, fora os palavrões que acompanham cada erro destes. Então amanhã será minha estréia totalmente ao vivo e provavelmente muito nervoso. Tentarei controlar meu palavreado, podem ouvir com a namorada ao lado. A outra razão é que não será fácil substituir esta lenda do rádio sergipano, um embaixador do rock com um público fiel e exigente.

A estes prometo um programa bem legal, com muito rock and roll, pois vocês sabem, eu e Sergio Diab somos muito rock. Um pouco mais leve que o normal do programa, mas ainda assim sei que vão gostar.

Ah, para quem sugeriu no Facebook do PR, claro que tocarei Hojerizah. E Picassos Falsos, Echo & The Bunnymen, David Bowie, Lobão, Pete Townshend, Humberto Effe, Pink Floyd, Siouxsie and The Banshees, The Allman Brothers Band, Toni Platão, Elvis Costello, Roxy Music, etc., etc., etc..

Espero vocês então amanhã, dia 15, às 20:00 para duas horas de boa música na Aperipê FM, 104.9 do seu dial.



terça-feira, 12 de abril de 2011

Abril pro rock 2011 - "Mania de roqueiro"

O maior festival de música independente do Brasil está de volta. O Abril Pro Rock chega na sua 19 edição e leva para o Chevrollet Hall, e também para o de novo abandonado Bairro do Recife, bandas gringas, nacionais e da terrinha. Mais uma chance pra conhecer coisa nova e curtir apresentações clássicas.

Sobre o Abril Pro Rock 2011, o objetivo é entretenimento, formação e informação. São oito dias de shows, espalhados ao longo de todo mês que dá nome ao festival. Nos dias, 08, 09, 16, 20, 29 e 30 o evento acontece no formato “APR Club”, realizado em uma casa na Rua do Apolo, no Bairro do Recife.

Já nos dias 15 e 17, o Chevrolet Hall, em Olinda, é palco de uma maratona de shows que reúne várias gerações da cultura pop. Entre as atrações do Abril, estão Arnaldo Antunes, Tulipa Ruiz, Skatalaites (Nota: banda jamaicana que, praticamente, inventou o ska, além de ter influenciado diretamente o rockstaedy e o surgimento do reggae), Eddie, Matanza e Ave Sangria, além de vários outros nomes celebrados da cena musical do Brasil e do mundo.

A grande novidade para esse ano é a The Misfits, criadora dogênero horror punk. Veja só: Roberto Valverde, o Robo, ex-baterista do Black Flag, lendária banda punk americana pioneira da cultura do “faça você mesmo” (do it yourself - DIY), vai se apresentar no Abril Pro Rock com a The Misfits. Robo toca ao lado do seu ex-companheiro de banda Dez Cadena (guitarra e vocais), e Jerry Only (baixo e voz), único remanescente da formação original – e um dos fundadores – do Misfits. O trio toca no APR no dia 15 de abril, na chamada “noite pesada”, que tem ainda como atrações D.R.I., Musica Diablo e Violators, dentre outros.

O Abril Pro Rock 2011 é apresentado pela Petrobras através do Programa Petrobras Cultural, que em 2010 destinou R$ 53,9 milhões para 19 áreas de cultura, incluindo festivais de música, que teve 17 contemplados nessa edição. A Petrobras e o Abril já estivaram juntos em edições anteriores do evento, mas essa é a primeira vez que o festival é contemplado através do edital.

Clique AQUI para ouvir uma entrevista com Bruno Nogueira, um dos curadores do festival.

NOTA: Não produzirei o programa de rock da próxima sexta porque estarei no festival.

Depois eu conto como foi ...

Fonte: pe360graus

u2, o show - por uma fã


Todo mundo sabe o desespero que foi comprar ingresso pro show do U2, qualquer que fosse o setor. Quando eu recebi a ligação da minha amiga dizendo que o namorado dela tinha três cadeiras cativas no Morumbi, fiquei tão nervosa que fiz xixi nas calças. É sério. Tudo bem que o Bono não me alcançaria nos camarotes pra me chamar pro palco, mas eu estaria lá e isso bastava.

Mas uma semana antes do show despiroquei e cismei que iria na pista também, custasse o que custasse. Mentira, botei um limite de preço aceitável, justo e cabível e fui ao site do fã-clube tentar a sorte, buscando algum fã do U2 de verdade com ingresso disponível que não quisesse arrancar meu couro. E ACHEI. Com dois ingressos na mão, foi só morrer de ansiedade e aguardar o que prometia ser o melhor fim de semana da minha vida.

Pra não ficar cansativo, vou contar em duas partes. Se você não gosta de U2, foda-se. Vou passar muito tempo da minha vida falando só disso, nem que tenha que falar sozinha e perder todos os meus amigos. Beijos. :P

09/04/2010 – MAGNIFICENT!

Tudo que eu sabia sobre fila desse tipo de show é que o CAOS REINA. Ouvi falar de gente acampando lá desde SEGUNDA pro show DE DOMINGO. A histeria me contagiou a ponto de eu ficar com medinho de não conseguir pegar um lugar bom nas cadeiras especiais. Aliás, eu não queria um lugar bom. Espero por esse momento há pelo menos uns 15 anos, então eu queria o melhor lugar do universo. Meio-dia tava lá, inclusive pra ver o oba oba das filas e conhecer alguns fãs desesperados que fizessem com que eu me sentisse menos babaca. Além de um esperado cover do Bono, encontrei uma menina fantasiada de The Edge. Encontrei também um pessoal usando camisas escritas LARRY MULLEN BAND. Sabe o que é Larry Mullen Band? Foi o primeiro nome que a banda teve em 76, durante MESES, antes de se chamar U2. E preciso confessar que foi bem legal trocar um olhar de cumplicidade com essa galera tipo “To ligada na de vocês, hein!” Me senti um irmão de maçonaria fazendo cumprimento secreto.

Bem, o portão abriu, a perna tremeu e a gente entrou. Me instalei confortavelmente no lugar mais próximo do palco e esperei o tempo que não passava nunca. Vamos pular a parte que passei mal de ansiedade, tremi dos pés à cabeça, tive todas as necessidades fisiológicas possíveis e até inventei umas novas. Vamos pular também a parte que um casal apareceu do nada querendo que eu dividisse o meu lugar com eles, o meu lugar TÃO LINDO que eu cheguei milhões de horas antes pra conseguir. Claro que disse que NÃO e claro que eles quiseram se vingar e colaram um chiclete na minha cadeira. Passei o show com um chiclete na bunda. Vamos pular o show do Muse, que é até legal, mas não é U2.

Vamos direto pra parte que o portão da pista abriu e a galera entrou correndo DESESPERADA pra conseguir ficar no Inner Circle. Não sei se vocês sabem, mas show do U2 não tem área VIP. Eu não sabia e quando soube não acreditei. O Inner Circle é um lugar com quantidade de gente limitada, mas faz parte da pista. Pra ficar lá na frente lambendo a bota do Bono, basta simplesmente chegar cedo. Bom, “chegar cedo” é uma coisa meio relativa numa fila com gente que acampa uma semana, mas não se paga um real a mais por isso. A emoção de quem conseguia entrar no círculo se espalhava pelo estádio inteiro. A galera comemorava não só a própria chegada, mas a de todo mundo que entrava. Parecia gol do Brasil em Copa. :) Decidi que era ali que eu estaria no dia seguinte, mas deixei pra planejar isso depois se não ia acabar me jogando lá em baixo de ansiedade.

Daí começou o show.

Essa é a parte que eu travo e nem sei direito o que escrever. Eu fiquei muito nervosa, muito besta, muito EMBASBACADA. Tinha um show do U2 acontecendo e eu estava nele. Lembrei do quanto eu chorei, aos 15 anos de idade, por meu pai não ter me deixado ir ao Pop Mart, o primeiro show deles no Brasil. Lembrei do quanto me arrependi por não ter ido ao Vertigo em 2006, pra dar prioridade pra um namorado que de maneira nenhuma merecia essa minha frustração. Lembrei de quantas e quantas vezes chorei sozinha no quarto por tantos motivos diferentes, tendo o Bono como companhia. Lembrei de tantos momentos que U2 foi trilha sonora da minha vida. E enquanto lembrava disso tudo... chorava mais. Todo mundo sentadinho bonitinho nas cadeiras especiais, assistindo o show civilizadamente, e eu era a única louca, histérica, chorona, descontrolada. Me orgulho de mim.

E ver aquele palco, aquela produção toda... gente. O estômago tá doendo só de pensar. Parecia uma evolução da nave da Xuxa de tão exagerado e pirotécnico. Lindo. Sempre achei babaquice artista que decora uma ou outra palavrinha em português pra fazer graça, mas o Bono falando “pizza de jaca” e “balada” foi lindo. Toda e qualquer coisa que ele fizesse eu achava lindo.

E o set list, meu deus... Ahhh o setlist... Por mais que já tivesse escutado Miss Sarajevo, nada se compara à emoção de ouvir aquilo ao vivo. Por mais previsível que fosse, não deu pra não ficar de cara com o telão passando os nomes das crianças que morreram no Rio enquanto o estádio inteiro era iluminado apenas com luzes dos celulares da galera. Beautiful Day, a música que conseguiu transformar um ano inteiro em um dia realmente lindo da minha vida, ali, ao vivo, a cores. One, Misterios Ways, Until the End of the World, Even Better than the Real Thing, toodas as minhas músicas preferidas do meu album preferido AAAAAAAAH!

Saí com o “ooooô oooô” de Moment Of Surrender na cabeça e uma sensação estranha, bem estranha. Meio deslumbrada, confusa, até com dificuldade de lembrar alguns pedaços do show. Tava feliz e triste ao mesmo tempo, muito emocionada, muito encantada. Parecia que tinha sido tudo um sonho. E o melhor: no dia seguinte sonharia de novo.

Ver o palco inteiro foi bem legal, mas preciso confessar que o melhor de tudo era saber que em breve eu estaria lá em baixo. Não adianta, fã não pode assistir apenas. Fã tem que SER o show. E a ansiedade recomeça.

por Deborah Fernandes

Mais aqui.