terça-feira, 21 de junho de 2011

The Baggios, o disco.

Os registros lançados até o momento não passaram de um aperitivo, aquela dose que a gente entorna pra limpar a garganta e preparar o palato para o que realmente interessa. O primeiro disco da banda The Baggios passa a história do duo formado por Julio Andrade e Gabriel Perninha a limpo e cristaliza, com o apuro e cuidado merecidos, o talento e vigor de uma das melhores bandas independentes em atividade no país. Ainda por cima, é coisa nossa!

Quatorze faixas costumam ser demais. Difícil encontrar alguém com paciência suficiente pra reservar uma hora do dia à audição de um disco inteiro, de cabo a rabo, sem pular nenhuma faixa. No caso da Baggios, contudo, as canções se sucedem numa espécie de vertigem barulhenta, como se um mantra pontuado por cortes de navalha e estilhaços de garrafas nos hipnotizasse e impusesse os riscos das madrugadas embriagadas. Hey, baby! Take a walk on the wild side.

Sim, em se tratando da Baggios, não consigo economizar adjetivos. Eu sou todo alegria e satisfação. Do material gráfico à energia impregnada nas patadas de Julico, um frontman sem paralelo, esse primeiro disco é primoroso. Do encarte repleto de momentos singulares, o cotidiano da banda eternizado pelas lentes da Snapic, à textura da gravação, que realça os timbres da guitarra sem desrespeitar a natureza visceral das composições, o disco não fica devendo nada às apresentações dos caras. É coisa fina, nascida nas entranhas.

Aqui e ali, em pequenos intervalos, algumas das influências (assumidas ou não) dos caras florescem. De Robertão (favor não confundir com a chatice mela cueca de Roberto Carlos) a White Stripes, passando pelo lamento rouco dos primeiros blueseiros, as canções da Baggios abraçam as melhores idéias que fazem parte da formação de seus músicos para retrabalhá-las de acordo com as próprias premissas e conveniências.

Diversos na unidade, os caras ainda contam com os auxílios luxuosos de gente como Léo Airplane, Matheus Santana e Hélio Flanders, além de encaixar um naipe de metais muito oportuno em “Quanto mais eu rezo” e na velha de guerra “Candango’s Bar”.Link

Difícil traduzir uma experiência por meio de um recurso tão limitado quanto a palavra. Aqui, talvez baste dizer que ouvir o primeiro disco da Baggios é justamente isso. Uma experiência sensorial comparável somente com uma aparição dos caras nos Cooks e festivais da vida. Você bebe feito um degenerado e transpira baldes, antes de voltar pra casa com a alma lavada – um trapo exausto e feliz.

por Rian - riansantos@jornaldodiase.com.br

Spleen e charutos

segunda-feira, 20 de junho de 2011

prazeres revisitados

Celebração: No Rio de Janeiro, Peter Hook subtrai os conceitos do Joy Division e converte repertório sombrio em festa marcada por alegria fugaz.

Quem esperava entrar no túnel do tempo, viu celebração. Não que o repertório apresentado pela banda de Peter Hook, ontem, no Circo Voador, não tenha causado comoção e reflexão na caixola dos mais antigos – haviam os mais moços também -, mas o tom foi de festa, não de compenetrada tristeza. Explica-se que o conceito Joy Division, associado à morte precoce do vocalista Ian Curtis, em março de 1980, pautou todo o pós punk que teve ecos tardios por aqui e fazia as pessoas dançarem contra a parede no Crepúsculo de Cubatão e na Ilha dos Mortos. Pois quem esteve no Circo ontem viu tudo isso convertido em alegria fugaz. Porque Joy Division é – acredite - hit de pistas de dança, já sem as paredes.

Baixista dos mais inventivos, Peter Hook estava lá, na gênese de tudo, e tem a moral para festejar o que quiser. Daí, nada de luzes escuras, fumaça, clima soturno. Tudo é festa, com direito à jaqueta do Manchester United lançada ao palco por um fã e camisa 10 da seleção no último bis. Se Ian Curtis se remexe no túmulo não se sabe, mas a opção de deixar este mundo e entrar para a história antes dos outros foi dele. Seguindo esta linha, o show não é nada parecido com um cover ordinário. Não há, por parte dos músicos, grande esforço para soar igualzinho ao disco, embora isso aconteça. Não o tempo todo. “Day Of The Lords”, por exemplo, ganha um peso impossível de ser tirado na sombria Manchester do final dos anos 70. “New Dawn Fades”, com um vocal terrível, e dramática “Insight”, também têm arranjos sutilmente diferentes.

Na maior parte do tempo a banda tem dois baixos tocando juntos. O artifício serve para Hook não precisar tocar na hora de cantar, e aí é que o filhão Jack Bates segura a onda. A imagem que marca é a de Peter Hook na beirada do palco, com o instrumento nos joelhos, pernas arcadas e tocando como um garoto. A cena garante boa vibração por parte do público em “Insight”. Em “She’s Lost Control” é o guitarrista Nat Watson a se destacar, adicionando peso ao minimalismo de origem. A música, colada em “Shadowplay”, é um dos grandes momentos do show. “Killers é o caralho!”, grita um fã mais exaltado, que certamente não gostou da versão feita pelo grupo americano para o filme “Control”. Watson, que vai ser papai, seria homenageado por Hook em “Novelty”, que nem sempre é tocada nessa turnê, no bis.

O show tem a íntegra do álbum “Unknown Pleasures”, e “These Days” é mais uma intrusa, já no segundo bis, numa escolha das mais acertadas. A música segura o pique da dobradinha anterior – foi rápido o intervalo – com a épica “Atmosphere” e “Ceremony”; em festa do Joy Division não poderia mesmo faltar uma ponte com o New Order. E o tecladista Andy Pool, que bocejou durante quase toda a noite, enfim tem trabalho em “Love Will Tear Us Apart”, que carimba o clima de celebração, mais um registro contemporâneo do que um retrato em preto e branco dos dias de melancolia fundados pelo Joy Division. É assim que a humanidade caminha …

Fonte: Rock Em Geral
Texto: Marcos Bragatto
Foto: Divulgação

Set list completo:

1- Incubation
2- No Love Lost
3- Leaders Of Men
4- Digital
5- Disorder
6- Day Of The Lords
7- Candidate
8- Insight
9- New Dawn Fades
10- She’s Lost Control
11- Shadowplay
12- Wilderness
13- Interzone
14- I Remember Nothing
Bis
15- Atmosphere
16- Ceremony
Bis
17- These Days
18- Novelty
19- Transmission
20- Love Will Tear Us Apart

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O último suspiro de um cadáver ...

Sempre quis ver um show no Centro Cultural São Paulo – a configuração do palco é bem diferente, com parte do público vendo o espetáculo do alto, como se a apresentação acontecesse em um buraco. A oportunidade apareceu no último sábado, com o primeiro show de lançamento do último disco (último mesmo, finito, segundo ele divulga a anos) de Rogério Skylab, o Volume X.

Cheguei em cima da hora mas minha amiga (e ídola) Deborah já havia comprado meu ingresso e me esperava na fila com uma outra amiga (dela) muito simpática. Legal: show do maluco-mor do cenário independente brasileiro e em boa companhia, a noite prometia. E as promessas se cumpriram ...

Vimos a apresentação lá do alto. A banda entrou primeiro – três jovens (baixo, guitarra e bateria) e um coroa tocando violão. Grande banda, por sinal. Não tarda muito e lá vem ele, com seus trejeitos amalucados, ovacionado pelo público, especialmente por um maluco lá que encheu o saco de tanto pedir “câncer no cu”. Se posta no microfone e começa a emitir espasmos “poéticos” escatológicos acompanhados por uma dança MUITO esquisita. Canta uma estrofe, dança um pouco, sai do palco e dá uma volta pelo recinto. Volta ao palco e repete tudo de novo.

A primeira música é Corpo e membro sem cabeça. “O dedo mindinho do lula, o olho de Luís de Camões...”, ele canta. Em “tem um cigarro aí?”, cuja letra se resume a este apelo repetido das mais variadas formas, sempre imitando um tipo em especial, seja um mendigo de rua ou mesmo INRI Cristo (foi muito engraçado ver o cara perguntando isso imitando o INRI olhando pra mim!), o público joga cigarros no palco. Normal. Menos normal foi a perfomance de O Corvo, onde ele aparece com um objeto fálico enorme e vermelho, senta na borda do palco e coloca-o na boca. Juro que pensei o que vocês provavelmente estão pensando, mas era uma cenoura, que ele mastiga e cospe os pedaços no microfone durante o “refrão” que se limita a dizer o nome de um remédio para enjôo e vômito, “plasil”. Ao final, contemplando a meleca laranja espalhada pelo chão preto, ele comenta: “até que ficou plasticamente bonito, não?”. Risos. “Boa noite, repararam que eu não gosto de falar muito com a platéia, né?” sim, reparamos – era a primeira vez que ele se dirigia diretamente ao público.

As músicas vão se repetindo, todas com letras minimalistas e totalmente desconhecidas para mim e para minhas companheiras de show, mas ainda assim nos divertíamos muito com as sacadas geniais e, principalmente, com as perfomances esquizofrênicas do cara. A força de Rogerio Skylab reside, afinal, na forma absolutamente visceral com que ele recita os versos mais absurdos, que no final das contas, se reparamos bem, nem são tão absurdos assim: ele apenas ressalta, na maioria de suas letras, um lado mais bizarro da vida que faz parte do cotidiano mas para o qual geralmente não damos tanta atenção.

Fiquei sabendo depois, via internet, que as participações especiais de karine Alexandrino e Astronauta pingüim estavam sendo gravadas para um clipe! Que massa, eu estava presente na gravação de um clipe de Rogerio Skylab! As perfomances, especialmente a de Karine, foram, como direi ... esquizofrênicas: ao final de uma simulação de ataque epiléptico (lembrou a morte de Pris, a personagem de Daryl Hannah, em "Blade Runner") ela saudou o já cinqüentão músico carioca como seu mestre e guru. O publico não esboçou muita reação não, mas eu achei legal. A música escolhida foi “Eu roubei a gravata?” – fraquinha, por sinal.

Já perto do final do show, enfim, alguns “hits”. A que mais agitou a platéia foi “Carrocinha de cachorro-quente”, cuja letra inteira foi cantada por todos e faço questão de reproduzir, veja lá no final da resenha. Absolutamente genial. Outro grande momento foi “Fátima Bernardes experiência” e seu explosivo refrão: “Glóóória mariiiiiaaaaa”. Letra devidamente reproduzida também, vê lá.

Faltou “Matador de passarinho”, que para nós seria importante mas que ele deve estar, compreensivelmente, cansado de cantar (é a “Ana Julia” de Rogerio Sylab), mas não faltou “Música para paralítico”, “Herbert Viana” nem “Matadouro das almas”, o que deixou a “coisa” de bom tamanho. O grand finale foi com “Eu e minha ex” (“queremos amizade/Mas acho que eu não superei/Talvez ainda goste dela”), cover do sensacional Júpiter Maçã. Alguns casais presentes ficaram visivelmente constrangidos. Terminada a música, ele se despediu secamente e nem sequer se deu ao trabalho de apresentar a banda.

Para mim, foi uma grande despedida (ia viajar na manhã seguinte) e um excelente “bônus”, já que eu havia ido a São Paulo, originalmente, “apenas” para ver o show do Slayer. Muito obrigado, Deborah Fernandes, por ter me dado o toque sobre este show (“enquanto Freud explica as coisas o diabo fica dando os toques”), por ter me ligado perguntando se eu queria que você comprasse o ingresso antecipadamente, pela companhia, sua e de sua amiga, pela atenção, enfim.

Ah, Jô Soares? Tava lá. Deu inclusive um “mosh” no final da apresentação e morreu empalado no pedestal do microfone. Aquilo que vocês estão vendo todas as noites na tela da Globo não passa de um efeito especial ...

Veja AQUI a última entrevista de Rogerio no programa do jô.

AQUI toda a discografia, com a reprodução das letras.

Fotos por Edi Fortini/Rock Online

Texto por Adelvan K./pdrock

“Fátima Bernardes Experiência”

Fátima Bernardes fugiu de casa
Fátima Bernardes mandou um beijo
Fátima Bernardes foi baleada
Fátima Bernardes chupando dedo

Glória Maria

Fátima Bernardes pra presidente
Fátima Bernardes em carne e osso
Fátima Bernardes tem corrimento
Fátima Bernardes, William Bonner

Glória Maria

Fátima Bernardes investe tudo
Fátima Bernardes com arroz 'la grega'
Fátima Bernardes é vagabunda
Fátima Bernardes tem caderneta

Glória Maria

Fátima Bernardes cheirando cola
Fátima Bernardes com a pica dura
Fátima Bernardes experiência
Fátima Bernardes também é cultura

Glória Maria

“O corvo”

Entro numa farmácia,
O farmacêutico é fanho,
Pânico na madrugada.
Minha cabeça rodando,
Tomo mais um comprimido,
Se parar eu vomito.
Minha pílula dourada,
Egito que resplandece.
Vício, minha pátria amada.

Plasil, Plasil, Plasil.

Dentro das minhas entranhas
O câncer se desenvolvendo.
Ânsia, vômito, espasmo.
Os nervos à flor da pele,
Sinto um cheiro de ópio
Que bate e me conecta.
Olha só minha glande,
O pensamento é glande,
O meu desejo é glande.

Plasil, Plasil, Plasil.

Mais um pico na veia.
De noite eu quase não durmo,
Lexotan na cabeça.
Todo dia Prosac,
Um barulho no quarto,
Um susto, um rato.
Da minha cama eu avisto,
Livros, teias, traças,
O canto negro de um pássaro.

Plasil, Plasil, Plasil.

“Carrocinha de Cachorro quente”

Uma carrocinha de cachorro quente
Espia só o vendedor
Olha prum lado, olha pro outro,
Disfarça, não vem ninguém
A lá
Ele tá enfiando a mão dentro da calça
Aquela mão que segura o cachorro-quente
A lá
Ele tá coçando o cu com a mão
Moça, ô moça, num compra cachorro-quente não!

Nome: clarice
Altura: 1,80m
Esguia, magérrima, olhos de esfinge, pés pequenininhos
Mas tem uma trolha!

O elefante pergunta pra vaquinha:
Tomou?
No cu?
A colombina pergunta pro pierrot:
Tomou?
No cu?
A enfermeira pergunta pro defunto:
Tomou?
No cu?
E todo mundo começa a perguntar:
Tomou?
No cu?!

Calma
Se deve ter tomado alguma coisa
Relaxa
Respira fundo
Isso
Agora me fala:
-qual seu nome?
-buceta!
-de onde você vem?
-buceta!
-o nome da tua mãe.
-buceta!
-o que que você quer.
-buceta!

Desculpa
Esse meu jeito
Meio desesperado
De dizer as coisas
Mas o problema
É que nesse momento
Nesse exato momento
Um marimbondo
Tá dentro da minha calça
E tá picando
A minha bunda!

Eu bem que fiz tudo
Pra ser o que mamãe queria
Mas o tempo foi passando
O tempo foi passando
E tudo foi ficando
Meio escalafobético
"ele era tão quetinho"
Um idiota comentou
E tudo seria patético
Se não fosse
Pateta!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MATADOR !

9 graus, o maior frio que já passei em minha vida. Só o Slayer mesmo pra me fazer ir a São Paulo em pleno inverno – e voltar feliz da vida! Não apenas eu, diga-se de passagem: pipocavam posts com as palavras mágicas “eu vou” a todo momento no Facebook, e não era papo-furado: a frente da Via Funchal estava lotada de headbangers de todo o Brasil naquela noite de 09 de junho (09/06!) de 2011 – digo isso por dedução, afinal, se haviam tantas criaturas oriundas do menor estado da federação, imagine ...

Vi o show cercado de amigos, o que foi ótimo: estava me sentindo em casa. Entramos a tempo de assistir a apresentação do Korzus, a banda de abertura. A primeira impressão, no entanto, não foi das melhores: o som estava péssimo! Abafado e saturado, precisei até tapar os ouvidos em determinados momentos, tamanha a saturação. Fora isso (como se fosse pouco), tudo ok: Korzus é do caralho e Marcelo Pompeu continua um grande frontman, apesar de viajar DEMAIS na conversa fiada entre uma musica e outra, com aqueles papos manjados a la Manowar de “o metal é eterno”, “ninguém nunca vai nos destruir” e coisas do tipo. O show foi curto, cerca de meia hora, e terminou com Pompeu levantando o coro da galera aos berros de “SLAYER!”.

Desce o gigantesco pano de fundo com o tradicional desenho da águia sustentando um pentagrama feito de espadas e o público vai à loucura. No som da casa, AC/DC, com direito a “Back in Black” em ritmo de funk! Ótimo. Um pouco mais de espera e lá estão eles, os quatro cavaleiros do apocalipse (ou melhor, 3, Gary Holt é “apenas” um convidado de luxo). Os trabalhos começam com os dois “hits” do (já não tão) novo álbum, “world painted blood” e “Hate worldwide”. Boas músicas, apesar de eu continuar não achando o disco em si tão bom quanto andam falando - é meio que “mais do mesmo”. Mas o público parece gostar e já começa cantando junto, o que gera uma expressão de satisfação estampada no rosto de Tom Araya – li uma entrevista em que eles falam que se sentiram mais seguros para colocar mais músicas do último disco nos shows justamente por conta do feedback positivo do público.

O som, no entanto, continuava ruim e não dava sinais de que iria melhorar, o que era preocupante. Na terceira música, a clássica “war ensamble”, uma pane! Ficou apenas o som do palco, o que fez com que os músicos demorassem um pouco a se dar conta do que estava acontecendo. Mas se saíram muito bem: continuaram tocando a musica até o fim, com Araya incentivando a platéia a cantar. Foi bonito, até porque o incidente ressaltou ainda mais o fato de que um Deus estava entre nós: Dave Lombardo, uma atração à parte. Absolutamente impressionante o que aquele cara faz com as baquetas!

“Via Funchal vai tomar no cu” era o coro entoado por todos. Lá com meus botões eu pensei: se fosse em Aracaju, evocariam logo a tal maldição do Cacique Serigy! Mas felizmente não demorou para que as coisas voltassem ao normal, e com uma sensível melhora na qualidade ao longo do processo até o final da apresentação, que engrenou de vez especialmente pra mim, já que eles voltaram com “postmorten”, uma de minhas favoritas do “Reign in blood” e um dos melhores riffs da história do metal. A partir daí começou a baixar o caboclo headbanger adolescente e foi só alegria. Dois pontos altos: a iluminação, muito bem utilizada, e a ironia de Araya em “Dead Skin mask”, apresentada como uma canção de amor (será que ele sabia que domingo era o Dia dos namorados no Brasil?) com seus versos românticos: "Como esperei você vir/ Estive aqui sozinho/ (...) Esfolando a pele com a ponta de meus dedos/ (...) Membros cortados, ornamentos do meu ser”.

Gary Holt segurou bem a onda, muito embora seu estilo seja um tanto quanto diferente, mais melódico, que o de Jeff Hanneman, o guitarrista original, que se ausentou devido a uma estranhíssima doença causada pela picada de uma aranha que é conhecida nos Estados Unidos como "bactéria comedora de carne" – o que deve render, sem dúvidas, uma boa letra, no futuro.

Um fato curioso foi o de que não houve pausa para o bis. Sapecaram sem intervalo e sem dó nem piedade a sequencia final, com direito a dois clássicos absolutos, ‘raining blood” e “Black Magic” (a primeira faixa do primeiro disco), emendadas. O encerramento foi com outra das “favoritas da casa”, “Angel of death”. E aí um abraço, fim de papo, thank you good night. Confesso que fiquei meio atordoado, mas gostei: pela primeira vez vi uma banda de grande porte dispensar aquele ritualzinho manjado. Estes não têm frescura, realmente!

Queríamos mais, evidentemente, afinal foram 25 anos de espera (no meu caso) e cerca de 2.000 km percorridos para estar ali, mas ok: 23 músicas em quase 2 horas de show, estava de bom tamanho. No telão, um aviso de que a responsabilidade pela pane no som não foi da casa, mas da produção do show.

E foi isso, amiguinhos. Baterias recarregadas, back to reality, bola pra frente.

SLAYER !

Fotos: Jorge Rosenberg/iG

Texto: Adelvan/pdrock

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A ideia de que vai “chover sangue” nesta quinta-feira (9) em São Paulo é uma metáfora que deixa muito roqueiro da cidade feliz. Para quem não conhece o grupo americano de thrash metal Slayer, entretanto, a frase, referência a um dos maiores clássicos do estilo, fica perdida e pode até assustar - desnecessariamente.

Para metaleiros, Slayer representa uma das maiores referências de som pesado de todos os tempos, com guitarras velozes, vocal rouco e agressivo, baixo e bateria em sincronia perfeita - tudo em alto volume e com muito barulho. São 30 anos de carreira, com mais de dez álbuns lançados e clássicos do thrash metal, que fazem da banda uma das “grandes 4” do estilo, junto a Metallica, Anthrax e Megadeth.

Para essas pessoas, talvez não haja muita novidade ao dizer que a banda volta a se apresentar em São Paulo nesta quinta-feira (9), com a turnê World Painted Blood - elas provavelmente já sabem, e vão ao show.

Para apresentar a banda que compôs “Raining Blood” aos não-iniciados na barulheira agressiva do metal, que deixa tantos fãs em êxtase, o G1 convidou três músicos eruditos para avaliar músicas que fazem parte do repertório que o Slayer apresenta na atual turnê.

A impressão deles ao ouvir ao som do grupo pela primeira vez é de que há muita “repetição” e “simplicidade”, uma música “primal”, com “caráter hipnótico” e tocada por “músicos muito competentes”.

O maestro Gil Jardim, a maestrina Claudia Feres e o violonista erudito Fabio Zanon deixaram claro que não costumam ouvir heavy metal e que não querem fazer juízo de valor do estilo de música de que outras pessoas gostam, nem disputar que estilo é melhor. A análise deles é propositalmente superficial, simples e distante, mostrando a impressão inicial de pessoas que conhecem música clássica ao escutar a banda pela primeira vez.

"Eles gostam de Mi bemol!" - Regente titular e diretora artística da orquestra municipal de Jundiaí, a paulistana Claudia Feres nunca tinha ouvido falar em Slayer até o convite do G1. Ela aceitou escutar duas músicas das mais famosas já gravadas pelo grupo: “Seasons in the abyss” e a já mencionada “Raining blood”, e não ficou muito convencida. “Meu mundo é bem distante desse do heavy metal. Não me atrai. Não me faz muito bem.”

Segundo ela, as músicas têm um perfil “muito repetitivo, monotônico". "Rítmica e melodicamente muito pobre”, disse. “A base das duas músicas é muito parecida. Parece que há um cuidado em encontrar essa sonoridade dura e árida, uma sonoridade pesada que traga sentimentos de dor e sofrimento. (Eles gostam de Mi bemol!)”, completou.

"Grande batera" - Fabio Zanon contou que já tinha ouvido falar da banda, mas nunca tinha escutado nenhuma das suas músicas. Após ouvir "World painted blood" e "Angel of death", ele fez elogios à bateria do Slayer e à “cozinha”, como costuma-se chamar o casamento sonoro dela com o baixo.
“A bateria é muito interessante. O cara é criativo, pois as duas músicas são em compasso binário, muito repetitivo, e o cara consegue fazer coisas diferentes, mudar muito os formatos. Se não fosse a bateria, o som ia ficar muito primário”, disse. Segundo ele, toda a produção é muito interessante e profissional, mas a sonoridade é “primal, lembrando música ritual, primitiva, com caráter hipnótico”, disse. “Música em compasso binario sempre lembra marcha.”

Segundo Zanon, “World painted blood” usa uma espécie de modo cigano que “é interessante, foge um pouco à expectativa de harmonia padrão que eu esperava nesse gênero e realça o caráter lúgubre da música.”

O violonista erudito fez questão de ressaltar que não é conhecedor do estilo. “Um gênero desses tem de ser julgado dentro de sua própria esfera sócio-cultural. Não dá pra se julgar tomando como parâmetro Beethoven ou com Tom Jobim, é outro departamento”, disse. “Não é que eu não tenha respeito e não admita qualidades musicais, simplesmente não tenho o componente antropológico pra me identificar”, completou.

Excentricidade planejada - Para o diretor artístico da Orquestra de Câmara da Universidade de São Paulo e diretor artístico da Philarmonia Brasileira, o maestro Gil Jardim, o Slayer é um grupo muito profissional com ótimos músicos e que faz da personalidade radicalmente excêntrica um negócio competente e bem planejado.

“Poderia definir a música feita pelo Slayer, assim como grande parte do rock, como rudimentar se a compararmos com obras produzidas ao longo da história da música clássica ocidental, ou mesmo com a música popular brasileira ou pelo jazz americano”, disse, em texto enviado a pedido do G1.

“Suas músicas trazem letras elaboradas estritamente dentro da linha que caracteriza o grupo, com temas e expressões escolhidas em busca de ‘objetos de uma realidade pervertida, da obsessão além dos sonhos selvagens...’ Na verdade, jamais se perde de vista a busca por um “êxtase permanente”, seja qual for o tema: a morte, a guerra, o sexo, a droga.... E sob esse ponto de vista, o som que tende a ser sempre eletrizante em sua pulsação, em seus decibéis, é coerente esteticamente”, completou.

“Devemos ter claro que, para manter essa linha de ‘excentricidade infinitamente arrojada’ é necessário trabalhar com planejamento, com acuidade, com sagacidade. É um negócio. Esse é o produto da banda Slayer, construído, bem ensaiado (os músicos são muito bons) e, mais que vendido, comprado pela imensa multidão que os acompanham ‘enlouquecidamente’.

Naturalmente, o mise en scène é particular, assim como em cada um dos outros estilos musicais”, disse, defendendo o gosto alheio e alegando ser inútil gerar uma disputa sobre qual estilo é “melhor” de que o outro.

por Daniel Buarque

Fonte: G1

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"Não posso mais 'bater cabeça'". A afirmação foi feita pelo vocalista e baixista do Slayer, Tom Araya, na última segunda-feira (6), dia em que concedeu por telefone uma entrevista exclusiva ao Terra, direto do hotel onde estava hospedado em Buenos Aires. A banda norte-americana se apresentou ontem em Curitiba e faz show em São Paulo nesta quinta-feira (9).

A justificativa para a nova regra na vida do músico, há 30 anos acostumado a jogar para frente e para trás a longa cabeleira - o termo bete-cabeça vem da expressão "headbang", em inglês -, é médica, consequência de uma cirurgia nas costas a que foi submetido no ano passado. Infelizmente, não é só ele que vive um ano difícil no quarteto, o precursor do estilo thrash metal, conhecido por seu peso, velocidade e letras endiabradas.

Jeff Hanneman, guitarrista da banda, foi hospitalizado em fevereiro deste ano após ter uma séria infecção no braço direito causada pelo veneno de uma aranha venenosa que o picou. O fato o levou a ser substituído por Gary Holt, do Exodus, na turnê atual. "Não foi uma decisão fácil de ser tomada, mas ter um amigo para te ajudar e que ainda é um tremendo guitarrista deixou tudo mais simples. Não poderíamos fazer essa substituição com outra pessoa".

Bastante simpático e bem-humorado, Araya, que completou 50 anos de idade no dia da conversa, falou sobre os mais variados assuntos, inclusive alguns bastante espinhosos, como o processo judicial sofrido pelo Slayer em 2000, quando uma família acusou suas músicas de terem influenciado três jovens a assassinar brutalmente uma garota de 15 anos em um ritual macabro. "Aquilo nos fez perceber o quão perigoso pode ser o que fazemos. Foi um período bastante nervoso".

Confira a entrevista completa a seguir.

Terra - Primeiramente, feliz aniversário.

Tom Araya - Obrigado, muito obrigado. Você é o primeiro a me desejar isso sem contar a minha mulher (risos).

Terra - Como está Jeff Hanneman?
Tom - Ele está indo bem, tocando sua guitarra, cuidando de sua saúde. Vai demorar ainda um tempo para que volte a se juntar a nós, mas ele está melhorando.

Terra - Vocês só voltam a gravar com ele na guitarra?
Tom - Sim, quando ele estiver pronto, conseguir escrever músicas e voltar ao estúdio, nós voltaremos a gravar.

Terra - Como encara o fato de estar no palco sem ele?
Tom - Não é fácil fazer isso. Sabe, nós temos estado no palco juntos por 30 anos e não foi uma decisão fácil de ser tomada fazer a turnê sem ele. Mas nós estamos com Gary Holt (do Exodus), que é um tremendo guitarrista, e ele está tocando muito, muito bem. Fica mais fácil fazer isso quando você tem um amigo para te ajudar. Nós conhecemos o Gary há quase 30 anos, ele é um grande amigo do Jeff e eu não acho que nós poderíamos fazer essa substituição temporária com nenhuma outra pessoa que não fosse o Gary, sabe? Ele está indo muito bem, sua guitarra soa otimamente, então estamos conseguindo lidar com esse problema.

Terra - Você também teve um problema no início do ano, mas com tonturas que atrapalhavam sua performance no palco. Como está agora?
Tom - Há um ano e meio eu tive que passar por uma cirurgia nas costas. E, apesar de ter me recuperado muito bem, de não ter mais nenhum problema, eu estava com um nervo doendo demais, afetando todo o lado esquerdo do meu corpo, especialmente o meu braço e o peitoral. Agora estou bem melhor, não tenho mais isso, mas não posso mais "bater cabeça" (headbang). Isso chegou a ser um problema no início, mas não é mais.

Terra - Desde então, você nunca mais "bateu cabeça"?
Tom - Não, eu realmente não posso.

Terra - Sua cidade natal, Viña del Mar, no Chile, o homenageou no último fim de semana. Como você encarou isso?
Tom- Foi demais, uma grande honra. Foi um evento bem formal, com discursos e tudo o mais, e eu me senti muito honrado pelo fato de eles terem me homenageado por representar o Chile e por ter nascido em Viña del Mar. Fiquei muito orgulhoso.

Terra - Foi também a primeira vez que você tocou com o Slayer na cidade. Qual foi a sensação?
Tom - Foi um grande show, realmente demais. Foi tremendo! Eu senti o amor...senti o amor (diz em português e dá risada).

Terra - Qual é a sua relação com o Chile e com a América do Sul em geral? Você vem para cá com alguma frequência?
Tom - Sabe, eu só venho para cá quando o Slayer toca. Isso torna nossas turnês por aqui muito especiais, porque é muito raro virmos à América do Sul. Eu gostaria de vir para cá para apenas visitar, pois amo o continente. Faz parte do meu sangue, então todas as vezes que estamos na América do Sul é muito especial, pois ela é parte de mim.

Terra - Você é uma pessoa que se diz muito cristã. Qual é a sua relação com a religião?
Tom - Eu sinto que tenho uma relação muito próxima com Deus. Isso é entre mim e ele (risos). Mas, sabe, na verdade não vou à igreja. Eu rezo, rezo em casa, rezo com meu coração, rezo com a minha família, que também tem sua própria relação com Deus. Eu sempre digo que sou católico ou cristão, pois nasci nisso, fui criado para o catolicismo. Mas, na verdade, sou mais cristão, tento viver mais como cristo, sabe? "Faça com os outros o que gostaria que fizessem com você". Quero dizer, é tudo sobre amor. É assim que eu e minha família tentamos viver.

Terra - Você já recebeu críticas por sua relação com o cristianismo e o fato de as letras do Slayer falarem de temas totalmente opostos à religião?
Tom - Sim, eu recebo críticas, mas, quer saber, f...-se (gargalhadas). Eu sei que essa não é a forma cristã de dizer, mas essa é a minha maneira (risos).

Terra - Os assuntos pesados das canções do Slayer te aproximaram de alguma forma da religião?
Tom - Eu acho que a religião por si própria significa "eu faço o que faço". Eu tenho um entendimento diferente do que fazemos, de escrever sobre o demônio. Quero dizer, tenho um entendimento melhor dele, pois não é com a figura do diabo que me preocupo e sim com o demônio da humanidade, a sociedade, que é muito feio. Sim, ele é, e, sabe, isso fala por nós, às vezes de uma forma muito alta (risos).

Terra - No ano 2000, a família de uma menina assassinada aos 15 anos de idade por três garotos em um ritual macabro processou o Slayer alegando que a banda os havia influenciado na forma como a mataram. Como vocês encararam esse caso?
Tom - (pensativo) Bem, eu me senti açoitado, mas a verdade a ser dita é que o verdadeiro diabo não era aquele ao qual as pessoas se referem ou o Slayer. O verdadeiro diabo foi a humanidade naquele celeiro. Nós, como humanos, somos pessoas muito feias, podemos fazer coisas muito feias e más uns com os outros. Sabe, eu sempre soube que a verdade chegaria à tona (a banda foi inocentada no processo), mas por causa dos homens e de suas leis, às vezes esse não é o caso. Então eu estava um pouco receoso, muito nervoso com isso, pois as leis do homem podem não ser justas com as pessoas. Por isso, eu estava um pouco nervoso, todos nós estávamos. Eu não quero dizer o termo com medo, mas estávamos muito receosos com o rumo que as coisas poderiam tomar, pela forma como é o mundo e de como as leis da sociedade funcionam. Foi um período bem nervoso para nós.

Terra - Isso afetou o Slayer de alguma forma, como em sua música?
Tom - Não nos afetou musicalmente, mas espiritualmente. Nos fez perceber o quão perigoso pode ser o que fazemos. Quero dizer, não estou preocupado sobre como o que fazemos afeta as pessoas, é a responsabilidade do que as pessoas dão às coisas que as afeta. Esse é o perigo, pois as pessoas podem ser muito más. Elas querem acreditar e apontar o dedo culpando outras pessoas pelo que fazem e é aí que o perigo mora.

Terra - O fato de os integrantes do Slayer não acompanharem o Metallica e as outras bandas do Big Four (Anthrax e Megadeth) na execução de Am I Evil, do Diamond Head, de alguma forma criou um ambiente ruim entre vocês?
Tom - Não, de forma alguma. Sabe, eu provavelmente fiz isso só uma vez. Foi com o Soufly, de Max Cavalera, com quem escrevi uma música. Essa foi a única vez que eu me juntei a uma banda para fazer algo do tipo. Sabe, para mim, não é a música apropriada. Quero dizer, Am I Evil (serei eu mal?), nhé (som de desprezo), nós sabemos que somos (risos), não precisamos cantar uma música sobre isso. Para mim, a canção apropriada para esse encontro, aquela que me faria subir ao palco para tocar, seria The Four Horsemen (do primeiro disco do Metallica, Kill´Em All, de 1983), pois ela representa aquilo que estamos fazendo. É uma música que significa mais para mim, pois representa o que realmente é o Big Four, o que fazemos. Quero dizer, nós chegamos às cidades e trazemos doenças e vícios (gargalhadas).

Serviço:

São Paulo - 09/06/2011
Local: Via Funchal
Endereço: Rua Funchal, 65
Telefone: (11) 3846-2300
Horário: 22h

RIP Seth Putnam

Seth Putnam (Boston, 15 de Maio de 1968 - 11 de junho de 2011) foi um músico americano e fundador da banda de grindcore/noisecore Anal Cunt. Participava também dos seguintes projetos paralelos: Angry Hate, Impaled Northern Moonforest, Satan's Warriors, Shit Scum, Vaginal Jesus e You're Fired. Também tocou contra-baixo e fez backing vocals por dois anos (1986 - 1988) na banda de thrash metal Executioner.

Em outubro de 2004 Seth entrou em estado de coma por dois meses, devido a uma overdose (suficiente para dois meses de uso) de pilulas para dormir Ambien - há quem diga que foi uma tentativa de suicídio ou uma combinação de doses fortes de crack, cocaína, álcool e heroína. Após a saída do coma, estava debilitado nas áreas motoras e com dificuldades para raciocínios simples. Submeteu-se a fisioterapia e ficou consideravelmente recuperado.

No dia 11 de junho de 2011, o cantor morreu de um ataque cardíaco aos 43 anos. A notícia foi confirmada via twitter pela publicista do ANAL CUNT, Kim Kelly, da Catharsis Public Relations. Kelly comentou: "Sim, é verdade. Seth Putnam, um dos músicos mais infames que o metal extremo já viu, o GG Allin do grindcore, morreu por causa de um ataque cardíaco. Eu me encarregava de toda a promoção do último álbum do ANAL CUNT, 'Fuckin' A', e Seth sempre tinha um prazer em cumprir qualquer pedido que eu enviava. A banda estava trabalhando em um novo álbum antes da morte dele, então as chances são que a mensagem final da carreira musical dele ainda está para ser lançada."

Disse mais: "Eu quero lembrar a todos que não importa quão escandalosa e controversa a carreira musical dele foi, Seth era ainda assim um ser humano com amigos e família que o amavam. Espero que a Internet vá se lembrar disso. Este é um período muito triste e difícil para aqueles que o conheciam, e a última coisa que eles precisam ver é um dilúvio de mensagens de ódio. O homem viveu e morreu por suas próprias regras; no mínimo respeitem-no por isso."

Putnam era conhecido por seus gritos brutais e letras que ou chocavam, ofendiam ou invocavam humor mórbido. Durante sua carreira Putnam envolveu-se em muitos projetos, incluindo fazendo backing vocals no álbum "The Great Southern Trendkill" do PANTERA. Era filho de Edward R. Putnam e Barbara Ann Donohue - ambos divorciados.

Seis meses antes de sua morte, Seth Putnam deu uma longa entrevista ao hellbound.ca. Putnam discutiu seus pensamentos sobre a morte; porque ele ainda usava drogas e álcool após passar por um coma; e o que talvez pudesse ser escrito em sua lápide. Confira abaixo trechos da entrevista.

Hellbound.ca: Sua overdose e seu coma em 2004 foram bem documentados. Como sua vida mudou desde que você passou por isso e foi hospitalizado, ou sua vida mudou de alguma forma?

Seth Putnam: Eu acordei do coma e não conseguia mover nenhuma parte do meu corpo por um longo período de tempo. Eu não conseguia andar bem. Quando eu estava no hospital, os médicos descobriram que eu estava depressivo e me colocaram em anti-depressivos. Então talvez seja a melhor coisa que já me aconteceu, pois não estou mais depressivo sempre e não quero me matar o tempo todo. Neste momento, estou usando Celexa. Eles inicialmente me colocaram em Prozac e então me trocaram para o Celexa.

Hellbound.ca: Agora que você está sob anti-depressivos, você parou de usar drogas ou beber?

Seth Putnam: Não. Eu não posso ficar muito doido como eu ficava antes do coma porque eu não consigo aguentar. Mas eu ainda uso muito. Eu ainda posso me acabar com bebida e álcool. Mas eu não faço isso tanto assim. Então talvez possa ser uma dose de heroína ou de cocaína, ou uma dose de bebida alcóolica. Qualquer coisa possível.

Hellbound.ca: Depois que você saiu do coma e começou a se recuperar, você alguma vez já pensou em mudar a sua vida? Isso não estava no destino?

Seth Putnam: No minuto em que acordei, pedi a minha namorada para ir à loja de bebidas alcoólicas. Ela não queria ir e eu fiquei tipo, "Pare de ser um saco e vá para a loja de bebidas." Então eu disse, "Me tire da cama e eu mesmo irei," e eu percebi que não podia mover nenhuma parte do meu corpo. Depois de sair do hospital, meus amigos me levaram em uma cadeira de rodas para um bar. O dia mais legal desde então foi quando eu fumei um monte de crack. Foi a primeira vez que usei crack em quase um ano.

Hellbound.ca: Se você ouve alguém dizer que você é maluco ou idiota por continuar a usar drogas e a beber depois do que aconteceu, como você responde?

Seth Putnam: Bom, assim que eu saí, eu afundei em drogas novamente. Agora estou mais no controle de mim mesmo. Eu fui nessa coisa chamada administração da redução de danos. Aprendemos a não nos acabar toda hora. Acho que eu descobri como manter o controle de mim mesmo, coisa que eu não podia fazer antes do coma.

Hellbound.ca: Seus amigos se preocupam com você poder acabar como um G. G. Allin (que morreu de overdose), e com o fato de que talvez você não seja tão sortudo da próxima vez?

Seth Putnam: Metade dos meus amigos usam drogas e a outra metade anda na linha. Meus amigos corretos entendem o que eu sou. Eles se preocupam comigo, mas entendem que eu farei o que eu farei. Agora eu sei como me controlar então não vou chegar a uma overdose. Não vou me colocar nessa posição porque eu não quero que meu corpo fique f*dido novamente.

Hellbound.ca: Seu amigo John McCarthy do POST MORTEM se foi há alguns anos atrás. Você ficou surpreso que ele morreu e você ainda está aqui apesar do que fez?

Seth Putnam: Ele estava com problemas e ficando bêbado com Listerine e coisas deste tipo. Mas eu fiquei surpreso quando ele morreu. A coisa mais estranha era que ele era um avô aos 40 anos. Mesmo quando ele teve seu primeiro filho eu havia achado estranho. Ele foi um dos meus melhores amigos de todos os tempos. Eu poderia dizer coisas ruins sobre ele mas eu não vou porque as coisas boas predominam sobre as coisas ruins. Em 2008, tocamos em um show na Califórnia com o ANAL BLAST e THE MEAT SHITS. As pessoas estavam apostando em quem ia morrer primeiro, eu ou Don Decker do ANAL BLAST. Don morreu tipo um ano depois.

Hellbound.ca: Quando você morrer, o que estará escrito em sua lápide?

Seth Putnam: Eu não tenho idéia. Depende de quem escreverá. Espero que não seja alguém gay.

Traduzido por Andras Ellendersen

Fonte: Whiplash

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Hoje tem programa de rock


Será uma edição especial, produzida e apresentada por Rosi Matos e Marcelo Larrosa

Vai abrir com Joy division. Por falar neles ...

O baixista britânico Peter Hook, 55 anos, não se abala com o clima triste que cerca Unknown Pleasures, álbum seminal lançado em 1979 pelo Joy Division (e que ajudou a definir o som do post-punk). Na turnê Unknown Pleasures: A Celebration of Joy Division by Peter Hook & The Light - que tem a participação de Jack Bates, filho do músico, também no baixo - ele repassa a íntegra da obra. Os shows passarão pelo Brasil em 16 e 17 de junho, no Estúdio Emme, em São Paulo. Falando por telefone, Hook revela que este é o momento certo para pisar novamente no território de sua antiga banda. "Agora eu me sinto bem tocando estas músicas", diz. "Elas remontam a dias de minha juventude, quando tudo era possível. Eu acho que se você quer manter a música viva, tem de tocá-la no palco. Nada contra todas estas reedições de luxo e caixas comemorativas, mas nada disso substitui a execução das músicas no palco."

Hook também se defende, negando que os shows sejam uma jogada para fazer um dinheiro fácil. "Não gosto de chamar isso de tributo. Prefiro dizer que é mais um testemunho de uma pessoa, no caso eu, que esteve no olho do furacão e ajudou a criar um pouco daquilo tudo. O mais legal sobre o Joy Division é que nós começamos sem um tostão e terminamos mais duros ainda", explica. "Bem, não temos mais o Ian [Curtis], é claro. Mas também achei que não seria nada honesto colocar um cara qualquer para imitar os vocais e a postura dele. Eu assumo os vocais e tivemos de fazer algumas adaptações nas canções."

Curtis, o vocalista do Joy Division (que se enforcou em 1980 depois de perder a batalha contra a depressão), tornou-se uma figura cult. Hook é reflexivo quando recorda o companheiro. "Não penso mais nele com tristeza. Ficaram as coisas legais. Pelo menos ele está lá congelado, jovem para sempre aos 23 anos." O que ainda causa desconforto no baixista é o fato de ser constantemente questionado sobre um retorno do New Order, que se separou oficialmente em 2007. "A esta altura da vida de todos os envolvidos, é praticamente impossível qualquer tipo de volta", decreta. "Foi um divórcio muito sangrento. Já não tenho mais contato com Bernard [Sumner, guitarrista e vocalista]. Pelo menos a última turnê que fiz com o New Order passou pelo Brasil, e fizemos os nossos últimos shows aí e na Argentina. O fim da banda foi amargo, mas aconteceu em locais agradáveis" , finaliza.

Peter Hook no Brasil
16 e 17 de junho, às 23h
Estúdio Emme (R. Pedroso de Moraes, 1.036, Pinheiros)
Ingressos: R$ 80 (1º lote), R$ 100 (2º lote), R$ 150 (3º lote)
Pontos de venda para pista: Bilheteria Estúdio Emme (de segunda-feira a sábado, das 15h às 20h); Lojas Emme: Shopping Ibirapuera, Shopping Market Place e Butantã (R. Raul Saddi, 18);
Lojas Accessorize: Shopping Iguatemi, Shopping Pátio Higienópolis e Jardins (R. Haddock Lobo, 1485).
Venda pela internet: www.compreingressos.com

Fonte: Rolling Stone Brasil

por Paulo Cavalcanti

terça-feira, 7 de junho de 2011

Max Cavalera, uma entrevista

MAX CAVALERA é um nome que você provavelmente ouviu recentemente. A banda dele, o CAVALERA CONSPIRACY tem provocado ondas no mundo do Metal com o último lançamento, Blunt Force Trauma, e está atualmente em turnê pelos EUA. Mas tem algo que você pode não saber: ele tem feito isso por décadas.

Junto com seu estimado colega e irmão, Iggor, fez algum do mais bestial e inovador thrash no meio dos anos 80 e 90, no altamente influente bastião do Metal, o SEPULTURA. Infelizmente, diferenças pessoais em 1996 o afastaram da banda. Ao transferir-se pros EUA, ele concentrou seus talentos em um novo projeto, o ainda vigente SOULFLY.

Por anos Max trabalhou incansavelmente com o grupo, lançando sete discos de estúdio e gradualmente construindo um séquito de adoradores no processo. Agora com uma nova banda e seu irmão de volta a seu lado, o mundo está finalmente começando a notar.

Eu recentemente tive a oportunidade de falar com o barbado de vozeirão para dissecar o novo disco e ver o que ele acha de seu recente sucesso.

Por Ben Shanbrom

Traduzido por Nacho Belgrande

Foto de Dirk Behlau

Onde você está agora?

Hoje estamos em Pittsburgh.

E como tem sido a turnê até agora?

A turnê tem ido muito bem, cara. Tem havido muitos grandes shows e muitas pessoas espremidas nos lugares e todo mundo está curtindo o lance novo. Estamos nos divertindo muito, e escolhemos o Lazarus A.D. como abertura – eles são uma banda de thrash muito boa. Os fãs estão pirando. Temos mosh pits enormes toda noite. Não poderia ser melhor, cara. Tá sendo fabuloso.

Ótimo. Então o novo disco do Cavalera Conspiracy é bem pesado, cara. Definitivamente nada parecido com aquele disco pop, Inflikted.

Sim, nós queríamos que Blunt Force Trauma fosse um disco mais pesado, mais brutal. Nós olhamos pra Inflikted como um primeiro disco muito bom, mas precisávamos entrar no peso e criar algo mais pesado. Decidimos fazer Blunt Force Trauma desse jeito. Eu realmente queria um toque de thrash nele. Algumas das faixas têm uma levada muito thrash metal, e algumas delas são mais hardcore, com Roger [Miret] do Agnostic Front cantando em “Lynch Mob” e fazendo um cover de “Six Pack” do Black Flag. Tem essa vibe meio hardcore no disco, mas é essencialmente um disco de metal. Eu estou realmente orgulhoso dele. Eu acho que é um ótimo disco pra se tocar ao vivo.

Eu ia falar dessa influência hardcore. “Torture”, eu devo dizer, é uma de minhas faixas favoritas.

“Torture” é muito legal, cara. É a segunda música da noite, e mantém a platéia acesa com uma baita roda de pogo. É muito boa. É muito a foder. É uma canção rápida. É pra ser uma música thrash. Só tem um minute e cinquenta segundos – menos de dois minutos. Não tem enrolação e é bem na sua cara. Um negócio meio direto. Eu estou muito animado com o disco.

Você e Iggor meio que compuseram essas músicas à distância, e deram o toque final nelas ou finalizaram muitas das faixas no estúdio. Isso meio que se tornou, para muitas bandas, uma coisa menos costumeira hoje em dia. Existe mais pressão ou raiva no estúdio quando você está montando tudo naquele momento?

A pressão em nós era para que fizéssemos um disco melhor que o primeiro. Inflikted foi muito bem recebido e recebeu grandes resenhas ao redor do mundo todo, e foi muito bem recebido pelos fãs. Havia um pouco de pressão para fazer um segundo disco melhor. Nós nos sentimos muito confiantes ao entrarmos no estúdio. Nós sabíamos que o material era bom. Eu tinha escrito muitas canções em minhas folgas. Eu escrevi “Warlord”, “Torture”, “Gengis Khan”, “Burn Waco”… e me sentia muito bem com elas. Elas eram canções muito boas, e eu estava confiante de que seria um disco mais pesado. Nós fomos com a idéia de fazer um disco mais pesado, então todo mundo se sentia muito confiante e excitado por fazer um disco mais pesado do que o outro. Eu queria mais brutalidade por parte da banda – guitarras muito pesadas, um som muito cru pro disco, e o produtor Logan Mader nos deu isso. Eu acho que o disco tem um som muito bom e cru. Ele soa mais pesado do que Inflikted. Eu estou feliz com isso.

Você se deu conta que eu não estava falando sério ao chamar Inflikted de disco pop, certo? Eu não esperava nada com AutoTune.

Eu acho que ambos são discos fortes. As pessoas acham que as canções em Inflikted são ótimas, como “Sanctuary” e a faixa título e “Doom of All Fires” e “Black Ark”, na qual temos Richie Cavalera do Incite cantando conosco toda noite. É ótimo. Nos dois primeiros shows eu tive a banda do meu filho, a Mold Breaker, abrindo o show na Califórnia, e eles se saíram muito bem. Estamos muito animados em tê-los conosco. É muito legal que a família esteja toda envolvida.

Uma coisa que me desperta curiosidade é que você manteve o Soufly na ativa ao longo de todo esse processo. Como você mantém projetos múltiplos com um monte de fatores em comum, como Marc Rizzo, soando distintos um do outro?

Eu amo o Soulfly. O Soulfly me deu muita integridade. Se não fosse pelo Soulfly, eu não estaria aqui agora. Eu amo muito meu trabalho com o Soulfly. Eu amo todos os discos. Eles todos têm um significado muito especial para mim, desde o primeiro. Eles são todos discos fabulosos para se fazer parte. Eu amo tocar com Iggor, também. Quando eu tive a chance de fazer o Cavalera Conspiracy, foi um momento do caralho. Eu tinha a chance de voltar a tocar com meu irmão com quem eu cresci tocando música. Essas são duas coisas musicais muito importantes que eu tenho na minha frente e que eu levo muito a sério. Eu amo a ambos e eu quero continuar fazendo as duas coisas. Elas não entram em conflito com minha programação. Eu tenho tempo pra ambas.

Nesse momento o Soulfly está de folga. Eu estou com o Cavalera Conspiracy e então eu vou me rejuntar ao Soulfly e lançar outro disco e sair em turnê. Vamos continuar fazendo isso desse jeito. Eu acho que é a melhor maneira. São excelentes válvulas de escape para mim e minha raiva, a agressividade sai diferentemente em ambas as bandas. O Cavalera Conspiracy é mais direto e mais metal. Eu fico sendo mais o Max dos anos 80 – o Max do Thrash Metal que as pessoas viram nos anos 80 e 90. Eu faço isso mais no Cavalera Conspiracy. E no Soulfly, eu sou mais o Max revolucionário com idéias diferentes e planejando guerras com música e gravando em lugares diferentes e indo a países diferentes. Eu amo isso com o Soulfly também aquele aspecto do Soulfly que viaja para luares diferentes. Eu curto as duas coisas. Elas são diferentes, mas eu curto fazer as duas.

Falando no Iggor, como é que ele se mantém ocupado entre suas pausas?

Ele passa muito tempo no computador dele. Ele fala com a esposa dele no Brasil, ele fala com os filhos dele e mantém contato com a família, e ele passa um tempo conosco. Ele sai com os membros da banda no ônibus. Ele troca idéia comigo e me mostra muita música nova que ele está ouvindo. A gente fica no fundo do ônibus. É uma relação ótima. Temos respeito um pelo outro. Amamos dividir o palco. A melhor parte do dia é quando estamos no palco fazendo o show e fazendo o que viemos aqui pra fazer. Ele bota pra fuder toda noite com sua bateria. Eu amo isso. Eu amo ouvir a força da bateria – ouví-la por detrás de mim quando estou no palco. Eu quero ser brutalizado pela bateria de Iggor toda noite. É ótimo.

Continuando com os membros da banda, seu ‘novo’ baixista Johny Chow não é de fato novo à banda, mas é o primeiro lançamento oficial com ele de membro permanente. Como ele entrou na banda?

Achamos Johny Chow através de um amigo. Vimos a foto dele e amamos. Ele tinha essa barba e parecia com um arroz doce. [risos] Ele parecia incrível. Eu pensei, “esse cara parece louco. Temos que tocar com esse cara!” – só de olhar pra foto. Então encontramos com ele, e ele foi muito legal. Começamos a tocar com ele, e ele se saiu muito bem. Ele é um baixista incrível. Ele se tornou uma grande parte da banda.

O primeiro disco que gravamos foi com Joe Duplantier do Gojira, guitarrista, mas que tocou baixo pra gente. Logo depois que o primeiro disco saiu, Johny Chow entrou no lance. Fico feliz que ele o tenha feito. Porque o Cavalera Conspiracy precisava de uma formação estável, e Johny é esse cara estável que nós precisávamos na banda. Agora está completa. Sou eu, Marc, Iggor e Johny, que é a formação ideal pra banda. Vamos crescer com essa formação e vamos fazer muitos discos com ela. Vai ter muito Metal saindo de dentro de nós nos próximos anos.

Eu acho que isso torna bem claro de onde a inspiração para a faixa “Rasputin” vem.

Ah sim. Exatamente. Vem diretamente de Johny Chow.

Muito engraçado. Você falou de trazer o Roger do Agnostic Front como convidado no disco. A meu ver, uma grande parte do som Max Cavalera vem do uso de músicos convidados e vocalistas convidados. Você meio que vê isso rolando tanto no Soulfly como no Cavalera Conspiracy. Você consegue pensar em algum músico no momento com os quais você ainda não trabalhou e que ficaria feliz por colaborar no futuro?

Ah sim, há muitas pessoas com as quais eu gostaria de fazer algo. Há gente como Lars Ulrich, James Hetfield, Lemmy do Motorhead…. da cena hardcore eu adoraria fazer algo com Joseph McGowan do Cromags…da cena punk tem Henry Rollins que era do Black Flag, eu amos os vocais dele. Tem muita gente que eu acho que possa fazer algo. Tenho orgulho de todas as colaborações que eu fiz até agora. Estou muito feliz por ter trabalhado com todas as pessoas incríveis desde Tom Araya até David Effelson passando pelo Morbid Angel até Greg Puciato do Dillinger Escape Plan, Tommy Victor do Prong e Chino Moreno do Deftones, Sean Lennon… é o meu lance favorito de estar no ramo da música, eu gravo com muitos de meus heróis e ídolos, como quando eu fiz “Terrorist” com Tom Araya Eu estava tão animado, porque o Slayer era uma puta duma banda pra mim. Eu cresci ouvindo o Slayer, e estar no estúdio com Tom foi ótimo. Foi realmente maravilhoso e eu me senti como um garotinho. Foi a realização de um sonho. Essa parte da música é muito boa. Eu amo essas jam sessions e gravar com pessoas diferentes. Eu acho que é algo que sempre vai ser parte de minha carreira.

Na mesma linha de raciocínio, você consegue pensar em alguma banda jovem e na ascendente nesse momento que você tenha se interessado ou que venha a ter respeitado ao longo dos anos?

Sim, tem muitas bandas que eu ouço que eu realmente curto. Eu curto Converge. Eu curto Trap Them. Eu curto Whitechapel, The Chariot, Black Death, Municipal Waste, Toxic Holocaust e algumas daquelas bandas thrash que estão revivendo o thrash metal. Eu gosto do Warbringer. Eu curto todas essas bandas. Tem muita música boa por aí. É bom saber que estão mantendo metal vivo e que as novas gerações estão abraçando. Eles sabem de onde veio tudo e estão dando continuidade. Eu ainda amo os clássicos como Megadeth, Slayer, e todas aquelas bandas que ainda estão tocando coisas a fuder depois de vinte ou trinta anos. É incrível que essas bandas ainda estejam tocando. Me deixa muito orgulhoso e me faz querer continuar tocando porque é uma inspiração que aquelas bandas ainda estejam nessa. Mesmo coisas como Ozzy e o Motörhead porque eles são mais velhos e você olha pra eles e pensa, “se eles podem fazer isso, eu posso fazer isso por muito tempo”. Então eu olho pra isso desse modo. É uma inspiração pra que eu faça música por muito tempo.

Ótimo. Então quais são seus planos pro future. Eu sei que você mencionou parar um pouco depois da turnê para tocar de novo com o Soulfly, mas o que você se vê fazendo depois desse giro de turnê?

Essa turnê vai até o fim do ano. Vamos pra Europa e daí voltamos pros EUA e faremos outra grande turnê pelos EUA e isso vai até Outubro ou Novembro. Depois, eu vou voltar pro Soulfly e compor o disco novo que vai sair em algum momento do ano que vem. Vai ser um grande disco de estúdio, o que é ótimo. Estou muito animado. Nem consigo acreditar que já são oito discos. Espanta-me que haja tantos assim. Vou tentar fazer um disco bom, forte e diferente, um disco vibrante. Eu tenho que ver quem vai tocar nele e tentar fazer algo assassino. Ano que vem eu volto com o Soulfly. Esse ano eu decidi fazer meu trabalho com o Cavalera Conspiracy e no ano que vem, é o Soulfly. Vamos voltar á estrada com o Soulfly ano que vem.

Beleza… então eu não tenho certeza que essa seja uma pergunta estranha. Eu não vou lhe perguntar sobre uma reunião do Sepultura. Eu sei que isso ta batido demais. Eles seguiram ao longo dos anos e Iggor continuou a tocar com eles por um tempo. Você escutou alguma coisa que eles lançaram recentemente?

Não, não tenho interesse e eu realmente não me importo com o que eles estejam fazendo. A banda não me preocupa. O Sepultura foi uma grande parte da minha vida quando eu estava com eles. Quando eu me separei deles em 1996 depois de Roots, foi a última vez que ouvi algo deles. Não me preocupa mais. Está bem por dizer morto pra mim.

Eu fiz um pouco de pesquisa. O Iggor, se não me engano, tem um projeto meio eletrônico no momento, certo?

Sim, no Brasil.

E como é? Vocês falam disso?

É algo que ele faz nas folgas dele. É realmente diferente das coisas que ele faz no Cavalera Conspiracy. No Cavalera Conspiracy, ele é um baterista de Metal tocando Metal e brutalizando a bateria toda noite. Não tenho certeza do que ele faz exatamente. Eu nunca o vi tocar ao vivo com o projeto dele, que se chama Mix Hell. Eu acho que ele algumas vezes traz a bateria pra tocar o lance eletrônico, o que é uma idéia boa. Eu nunca os assisti, então não tenho certeza do que eles fazem. Quando ele está com o Cavalera Conspiracy, ele fica ocupado com a banda. Ele faz tudo que pode com o Cavalera Conspiracy – passagem de som, autografar merchandise pra turnê nova, arrumando coisas pra fazer toda noite, novas canções pra tocar e trabalhar em coisas novas e pior aí vai. Ele se mantém ocupado com o Cavalera Conspiracy, o que é legal e tudo mais. É assim que tem que ser.

Exato. No momento você vive nos EUA, certo? Enquanto o Iggor mora no Brasil?

Qual é o principal meio de comunicação de vocês, especialmente entre um disco e outro? Há muito envio de riffs e coisas pra lá e pra cá como anexos de email?

Sim, mandamos coisas pra lá e pra cá. Com a internet, é realmente fácil mandar coisas. Enviamos arquivos um para o outro. Eu escrevo um monte de riffs e os envio pra ele, e ele os recebe no mesmo instante, o que é realmente ótimo. Conversamos pelo telefone e mantemos contato enquanto ele está no Brasil. Quando nos reunimos, fazemos discos. Daí saímos em turnê. É uma relação muito legal. Não nos vemos o tempo todo, mas quando o fazemos, é especial. Sair em turnê com Iggor é realmente divertido para mim e passar um tempo com ele e conversar e tocar e assistir a filmes com ele, ficar no fundo do ônibus falando de nossas vidas. É muito legal, Quando tudo acaba, a gente volta pra nossas próprias vidas – voltar ao Soulfly, e ele volta pro Brasil pro projeto dele. Nos veremos de novo em alguns meses e começaremos tudo de novo. É ótimo. É assim que tem que ser. Está funcionando desse jeito. É uma relação legal de se ter porque você nunca cansa um do outro. Quando nos vemos, é sempre de bom humor e prontos pra fazer algo. Estamos sempre prontos pra sair em turnê. Algumas bandas saem em turnê e odeiam estar ali, isso não acontece conosco. Amamos sair em turnê. Amamos tocar toda noite, e eu amo ver os fãs toda noite e tocar o inferno com eles. Essa é minha parte favorita do dia inteiro. Eu fico aguardando pelo show. O dia passa bem devagar e daí o show chega. É minha parte predileta do dia – estar ao vivo no palco tocando em frente dos fãs. É o que eu mais curto fazer.

Fonte: lokaos.net

"Is this hyperreal?" - Atari Teenage Riot

Final dos Anos 90, eu em frente à TV, vendo o Lado B do Reverendo Fabio Massari. Um clipe me impressiona muito: "speed", de uma banda alemã chamada Atari Teenage Riot. Um riff sampleado matador acompanhado de batidas eletrônicas frenéticas e uma banda formada por três MCs ensandecidos (um deles do sexo feminino) tocando num lugar escuro iluminado apenas por uma luz estroboscópica. Virei fã instantaneamente, fui atrás e comprei os dois discos mais "famosos" em edição importada, "Burn Berlim Burn" (que é uma coletânea) e "60 Seconds wipe out". Eles tocaram no Brasil e eu não fui, mas os amigos que foram são unânimes em afirmar que foi o show mais barulhento de suas vidas, superando Slayer e Napalm Death.

A ATR foi a última banda que realmente me impressionou em termos de som barulhento. Separaram-se em 2000. Em 2001 um dos MCs, Carl Crack (olha o nome do cara), o negão, morreu de overdose. Em 2002 Hanin Elias, a outra MC, saiu da Digital Hard Core, a gravadora de Alec Empire, o mentor de tudo, para fundar seu próprio selo especializado em bandas femininas, o Fatal Records. Rompe com Alec - em seu disco solo a face do ex-parceiro aparece borrada entre as fotos dos colaboradores.

A dupla restante seguiu trabalhando junto: Nic Endo, a programadora, participou do disco solo de Alec e fez parte de sua banda nos shows ao vivo. No outono de 2009 Hanin Elias contactou Alec propondo que voltassem a se apresentar como Atari Teenage Riot, mas teve que desistir por problemas na voz. A idéia, no entanto, parece ter vingado, já que a banda voltou a fazer shows (com um novo MC, CX KiDTRONiKe, e Nic Endo fazendo os vocais femininos ) e lançou um single no ano seguinte, "Activate", via SoundCloud. Em 2011, outro single, "Blood in my eyes", e finalmente o novo disco, "is thes hypereal?", lançado hoje.

O disco abre com os dois singles previamente lançados. A primeira "inédita" (se é que isso existe hoje em dia) é "Black Flags" ("are you ready to testify?"). A faixa-título, "Is this Hypereal", praticamente não tem melodia, é um longo diálogo entre Alec Empire e Nic Endo sobre uma base eletronica cheia de climas soturnos. "Do you remember?", eles se perguntam o tempo inteiro. A faixa seguinte, "codebreaker", é bem mais pesada e opressiva, com samples de guitarra cortantes e uma batida martelada. Já "Shadow identity" é mais dançante e é cantada/gritada por Nic (impressionante como seus vocais se parecem com os de Hanin Elias). Muito boa - para as pistas, inclusive. Tem até uns momentos bem calminhos no final!

Momentos calminhos que são interrompidos por um discurso em megafone e uma pancada no pé-do-ouvido. É "Rearrange your synapses", a sétima faixa, novamente com os vocais divididos entre Alec e Nic. O resto do disco segue no mesmo ritmo, sem muita novidade, mas tudo muito intenso e bem produzido. A última faixa é uma das melhores, com uma levada opressiva e pesada contraposta a uns climões etéreos pontuados pelos bons e velhos vocais que alternam passagens discursivas e gritadas. Fecha o álbum com chave de ouro (fu(n)dido).

Muito bom ver esta grande banda de volta à ativa.

Recomendadíssimo.

por Adelvan k

The Iron Maidens

Neste mês, as belas garotas do The Iron Maidens desembarcam no Brasil e se apresentam em Jundiaí/SP (15/06, Aldeia Bar), Maceió (16/06, Orákulo Chopperia), Salvador/BA (17/06, Oba Oba), São Paulo/SP (18/06, Estúdio Emme) e Manaus/AM (19/06, Planeta Talismã).

Conversamos (rockbrigade.com.br) com elas sobre as expectativas para estas apresentaçãos, além de outros assuntos. Muito simpáticas e bem humoradas, elas deram detalhes dessa grande celebração ao legado da Donzela de Ferro. Confira abaixo.

ROCK BRIGADE: O que o público pode esperar da primeira aparição das The Iron Maidens no Brasil?

Wanda Ortiz: O público pode ter certeza que daremos nosso melhor, com o melhor show que pudermos!

Linda McDonald: Vocês verão cinco garotas suando bastante, para tocar o melhor que puderem do Iron Maiden, junto com Eddie, o diabo e muito mais! Nós traremos a experiência dos shows de arena para um espaço menor!

Courtney Cox: Aguardem um grande show! Nós faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para realizar o melhor show que pudermos.

Kirsten Rosenberg: Os brasileiros podem esperar um show que é muito fiel ao que o Iron Maiden apresenta. Nós somos apaixonados pela música deles e “estudamos” sobre como executar isso como a própria banda. Nós temos muitos elementos dos shows do Maiden, também. Obviamente, não somos o Iron Maiden, mas queremos deixar os brasileiros sentindo como se tivessem acabado de experimentar o mais próximo disso possível. Sabemos que os brasileiros são provavelmente os fãs mais “hard core” do Iron Maiden, e acho que estamos perto do padrão que possa satisfazer a todos, aí!

RB: Podemos aguardar surpresas, então?

Wanda: Eu tenho certeza que haverá surpresas. Nós adoramos surpresas! (risos)

Linda: Se disséssemos, então não seria mais uma surpresa, concorda? (risos)

Courtney: É, no Brasil, temos que impressionar!

Kirsten: E será um grande desafio impressionar vocês!

RB: Sobre o repertório do show, o que vocês podem revelar para nós?

Wanda: Bem, eu não sei o que estamos preparando, ainda, e assim eu não poderia revelar nada, mesmo se eu quisesse. (risos)

Linda: O que posso dizer é que será uma “mistura fina” de clássicos do Iron Maiden, para satisfazer o apetite de qualquer amante dos caras! É realmente difícil escolher um repertório, porque você quer tocar tudo, mas infelizmente temos que "comprimir" tudo em cerca de 90 minutos.

Courtney: É, só indo ao show para saber!

Kirsten: E eu garanto que vocês não vão se decepcionar!

RB: Podemos esperar um show com o Eddie, a "Edwina" e tudo mais?

Wanda: Pode esperar, é mais que garantido!

Linda: Eu sei que o Eddie vai estar lá, com certeza, mas temos que ver se ele será capaz de carregar todas as coisas da Edwina em sua mala, porque seu passaporte expirou! (risos)

Courtney: Eu acho que ambos os Eddies (masculino e feminino) vão revelar suas cabeças feias, que vocês já conhecem... (risos)

Kirsten: Essa é uma das características que nos torna únicas, como um tributo ao Maiden: tentamos incorporar tantos detalhes e nuanças de seus shows – e até vídeos de música – para dar a sensação de um verdadeiro show dos caras. Então você pode contar que o Eddie vai estar lá, com certeza.

RB: Como você descobriu as novas integrantes, Kirsten Rosenberg (vocal) e Heather Baker (guitarra)?

Wanda: Eu acho que a Kirsten respondeu um anúncio que tínhamos, quando estávamos procurando uma nova vocalista. A Heather trabalhou no estúdio do meu amigo, como música de estúdio, ou algo assim. Eu a conheci através do meu amigo e depois ela foi apresentada ao resto da banda.

Courtney: Nós encontramos a Kirsten através de testes que realizamos na Califórnia. A Heather não é um membro permanente, ela já tocou inclusive na posição de Adrian Smith (em que toco!), no passado. Hoje ela faz as vezes de Dave Murray, mas tem sido apenas substituta em alguns shows.

Kirsten: Eu sempre fui uma grande fã do Maiden e quando vi que elas estavam procurando uma novo vocalista eu corri até elas! Então as cortejei com meus biscoitos vegan, e assim elas me deixaram entrar na banda. (risos)

Linda: A Kirsten tem uma confeitaria/padaria e faz cookies deliciosos! (risos) E ela canta muito bem, então isso tudo é maravilhoso! (risos)

RB: O que você acha sobre a atuação da Kirsten, comparada com a ex-vocalista Aja Kim?

Wanda: Elas são grandes vocalistas, mas eu prefiro Kirsten porque a sua voz tem uma qualidade mais profunda, mais “escura”, que realmente se encaixa neste tipo de música. Ela é uma grande fã do Maiden, desde sempre, o que realmente faz a "performance de Bruce" dela excelente. Nossa antiga vocalista, a Aja, nunca foi fã do Maiden, antes de entrar para nossa banda, então tudo era muito novo para ela. E com a Kirsten, isso é bastante natural.

Linda: Kirsten tem um alcance muito mais natural, o tom e a profundidade de sua voz são perfeitos para as músicas do Maiden. Ela oferece o desempenho de Bruce tão próximo e fiel ao original como pode, sem se deixar levar por tantas influências, dando seu toque pessoal. Ambas são muito talentosas, mas eu nunca optaria para voltar com a Aja, agora que tive a honra de trabalhar com Kirsten.

Courtney: É uma benção disfarçada!(risos) Kirsten é a melhor cantora que já tivemos. Temos a sorte de ter encontrado esse grande talento!

Kirsten: OK, provavelmente eu seja um pouco suspeita para falar sobre isso (risos)... Acho que a diferença principal é que sempre fui uma verdadeira fã do Iron Maiden – considerando que a ex-vocalista não era. Eu cresci ouvindo suas músicas e cantando junto com os discos, assim os vocais de Bruce Dickinson foram uma grande influência sobre mim, que eu acho que consigo mostrar através de minha performance vocal.

RB: Vocês pretendem gravar mais um álbum, agora, com essa formação?

Wanda: Sim, certeza!

Linda: Eu mal posso esperar por isso!

Courtney: Estamos conversando sobre isso, e felizmente vai rolar!

Kirsten: Nós definitivamente teremos mais discos pela frente, portanto, fiquem atentos!

RB: Como é ser o primeiro e único tributo feminino ao Iron Maiden?

Wanda: Para ser honesta, eu realmente não penso nisso. Eu me sinto muito sortuda de poder viajar e tocar a música eu gosto!

Linda: É o projeto mais divertido do mundo! Honestamente, eu nunca esperei fazer isso por 10 anos! É simplesmente fantástico! Eu sei que houve pessoas que tentaram montar outro tributo feminino do Maiden, aqui em Los Angeles, mas elas descobriram que não é tão fácil encontrar músicos gabaritados para fazer isso, apenas pensaram que iriam se dar bem. Eu amo tocar nessa banda e esperamos ter mais 10 anos pela frente!

Courtney: Nós nos sentimos grandes!

Kirsten: Isso tudo te faz se sentir especial. É uma honra! Mas eu não sei por que mais mulheres não tenham feito isso antes... O Maiden tem um monte de fãs do sexo feminino e é muito divertido tocar por aí!

RB: Gostaria muito de agradecer por ter a chance de conversar com vocês. Nos encontramos em junho. Deixem uma mensagem para seus fãs no Brasil.

Wanda: Obrigado pelo apoio de vocês, e por manter vivo o metal no Brasil. Consulte o nosso website para informações sobre nossas próximas datas sul-americanas. (www.theironmaidens.com)

Linda: Felicidades a todos e “Scream for me Brasil!!” Nós mal podemos esperar para vê-los e experimentar uma caipirinha!

Courtney: As “donzelas” vão chegar aí!

Kirsten: Up The Irons!

25 Anos de "Reign in Bloog"

Eu já era fã de metal e do Slayer quando ouvi pela primeira vez "Reign in Blood", na época de seu lançamento. Mesmo assim, o impacto foi tremendo: nada, até aquele momento, havia sido feito com aquele nível de peso e velocidade. Pouco tempo depois a disputa foi finalmente vencida (e encerrada) pelo Napalm Death e seu "From slavemevment to obliteration", mas "Reign in Blood" permanece supremo no posto de obra-prima do thrash. É rápido, pesado E preciso. Une tudo isso ao virtuosismo, além de contar com a produção impecável do mestre Rick Rubin.

Ontem Tom Araya fez 50 anos. Este ano o Slayer faz 30, e "reign in blood" 25 anos de lançamento. Depois de amanhã eu verei o Slayer pela primeira vez em minha vida - mais um sonho de adolescencia realizado. Abaixo, uma matéria publicada ontem no site NOISECREEP em tradução de Nathália Plá para o http://whiplash.net.

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Quando ele ficou sabendo que o Noisecreep estava planejando prestar tributo ao Slayer hoje, 6/6, Scott Ian do Anthrax concordou plenamente. "Por que não? Todo dia é um bom dia para o Slayer", disse ele. Sim, qualquer dia é um bom dia para celebrar uma das bandas de metal mais influentes de todos os tempos. Contudo o Slayer Day esse ano é especial porque marca os aniversários de duas marcas distintas do Slayer.

A primeira marca do Slayer ocorreu há 30 anos em 1981, quando Jeff Hanneman e Kerry King formaram o gurpo em Huntington Beach, uma cidade costeira no sul da Califórnia. O duo então convidou Tom Araya, que tinha trabalhando previamente com King no Quits, para se juntar a eles. O resto, é claro, é história do metal.

A outra marca veio em 1985, há 25 anos, com o lançamento do 'Reign In Blood.' A maior estréia da banda em um selo levou o Slayer do estado de heróis ocultos no Metal Blade para o de verdadeiros ícones internacionais do metal.

"Eu vi o Slayer a primeira vez em um pequeno local em Orange County, Califórnia, em 1983", disse Brian Slagel, o presidente e CEO do Metal Blade, primeiro selo do Slayer. "O set deles consistia em sua maioria de músicas cover, mas os poucos originais que eles tocavam eram realmente bons. Além disso, eles fizeram o melhor cover da 'Phantom of the Opera' do Iron Maiden. Eles eram uma banda realmente boa e eu sabia que queria trabalhar com eles."

"Eu me atrasei um pouco em relação ao Slayer," disse o frontman do GWAR Dave Brockie, a.k.a. Oderus Urungus. "Eu ainda estava naquela de curtir hardcore e dizer que o metal não prestava há muito tempo. Foi só quando veio o 'Reign in Blood' que eu realmente os escutei. E aquilo foi provavelmente bom porque seus primeiros discos eram realmente ruins. Eu lembro do momento em que virei devoto do Slayer com clareza. Eu estava ouvindo o 'Reign in Blood' e estava sendo esmagado. Eu não conseguia acreditar que o metal podia ser tão bom, tão rápido ou ter tanta agressividade. E quando eu cheguei ao 'Altar of Sacrifice' com a famosa 'Satan'... Bem, eu me perdi totalmente. Dali para adiante, o Slayer era formado por deuses para mim."

Essa revelação foi feita por garotos em todas partes do mundo. "A primeira vez que eu vi o Slayer foi em 1986 logo depois que o 'Reign In Blood' saiu, no Warner Theater em Washington, DC", disse Dave Grohl à Killing Time Productions em seu vídeo no YouTube. "Foi o último show no Warner porque era o Overkill e o Slayer. E depois que o Overkill terminou o Slayer veio e a platéia destruiu as dez primeiras fileiras de assentos."

Pela crítica, o álbum também obteve tremendo respeito ao longo dos anos. Kerrang classificou 'Reign In Blood' de "o álbum mais pesado de todos os tempos" e a Metal Hammer declarou ele em 2006 como o melhor álbum de metal dos últimos 20 anos. Em apenas 30 minutos de uma energia frenética, o 'Reign In Blood' misturou a ferocidade do Iron Maiden com a batida dos Ramones e Stooges para criar um álbum que desde então foi reverenciado por muitos como o definitivo álbum de thrash metal.

Parte do legado do 'Reign in Blood' e sua massiva evolução dos dois álbuns anteriores da banda foi a produção de Rick Rubin, que assinou com o grupo pelo seu selo Def Jam. "Foi como, 'Uau – você pode ouvir tudo, e aqueles caras não estão apenas tocando rápido; aquelas notas estão no tempo certo'", Kerry King disse à revista Decibel sobre a produção.

O estilo de gravação mais precisa permitiu que as pessoas vissem que o Slayer trouxe a musicalidade de virtuosos renomados como o Rush ao thrash metal. "A primeira vez que ouvi o preenchimento da bateria de bumbo duplo na 'Angel of Death' eu soube que eu realmente queria fazer melhor. Inúmeros músicos tem de agradecer a (Dave) Lombardo e ao Slayer por sua influência", disse Dave Titte, do Municipal Waste.

Ao longo do último quarto de século, o impacto do Slayer continuou a crescer, como evidenciado pelos diversos artistas que fizeram cover da banda, tais como Korn, Deftones, Cradle Of Filth, e Hatebreed. Sem esquecer que Tori Amos, Less Than Jake, Modest Mouse, e Califone prestaram tributo ao Slayer.

Para realmente entender o impacto do Slayer, é necessário apenas ter ido ao Empire Polo Fields em Indio, California, em abril desse ano, quando mais de 50.000 metaleiros foram ao deserto para ver o grupo dividir o palco com Metallica, Megadeth, e Anthrax para o show do Big 4. O fato de que o metal ainda enche estádios e sites como o Noisecreep existirem é devido grande parte ao Slayer e seus irmãos. Então sim, concordamos com Scott Ian: qualquer dia é um bom dia para o Slayer.

sábado, 4 de junho de 2011

Pete Townshend, novidades.

Pete Townshend fez um raro post em seu blog para anunciar um novo box de Quadrophenia, que sai em outubro. Ele usava o blog bastante, mas ficou bravo com o fato que jornalistas tiravam aspas suas de contexto e praticamente abandonou a prática. Leia abaixo o texto inteiro de seu comunicado:

"1º de junho, 2011

O que estou fazendo todos os dias

Estou isolado em meu estúdio caseiro, no momento, trabalhando na restauração de demos de Quadrophenia. Bob Pridden está fazendo mixagens de faixas selecionadas com som surround. Jon Astley está remasterizando o mix original do vinil e reavaliando o remix que fez em 1996 (aquele no qual dá para ouvir direito os vocais espantosos de Roger). Estou com uma pilha de anotações, diários, fotos (tirei muitas minhas entre 1971 e 1973, quando Quadrophenia saiu), letras originais e escrevendo observações.

Estou gostando muito desse trabalho. Os mixes do Bob são estarrecedores. Minhas demos estão entre as melhores que já fiz e incluem algumas faixas excêntricas que não entraram para o álbum. Eu ainda acho o trabalho de estúdio estranho - preciso colocar as caixas de som com o volume bem baixo, o que é diferente do que estou acostumado. Esse pacote, que sai em outubro, se tudo der certo, é outro Live at Leeds e Hull - ou até outro Lifehouse Chronicles - em processo de fabricação. Vocês vão amar. Eu espero, porque estou perdendo todo o sol desse verão para que ele fique pronto a tempo.

Em minha entrevista recente com meu amigo Simon Garfield para a Intelligent Life, mencionei alguma dificuldade na minha interação com fãs, conforme envelheço. O que é tão maravilhoso de trabalhar em Quadrophenia é que nos anos 70, até a gravação, em 1973, o principal desafio para mim era contar a histórias dos fãs do Who e, ao mesmo tempo, me ocupar nas necessidades criativas da banda como indivíduos e artistas. O Who e Jimmy, como uma espécie de modelo para mim e todos os nossos fãs, tinham desenvolvido uma simbiose poderosa que merecia um projeto como Quadrophenia, tanto para honrar o mecanismo, quanto para explicar o motivo de ele começar a dar errado quase que assim que começou.

Então, estou gostando de trabalhar com a música, mas estou gostando de escrever sobre ela também."

A nota de Pete não menciona nada sobre o futuro do Who. Eles não fazem turnê desde um breve giro pela Austrália, no início de 2009. Sua última performance em conjunto foi em janeiro, em um show beneficente, em Londres. O escritor Simon Garfield - que entrevistou Townshend no mês passado para a Intelligent Life, - falou ao guitarrista do Who que foi ao show achando que aquela poderia ser a última vez que eles estariam juntos no palco. "Sua intuição acertou na mosca", Townshend disse. "No começo do ano eu tinha decidido que no próximo aniversário, acho que vou simplesmente parar'. Nada a ver com a minha audição, porque acho que consigo lidar com isso no palco. Meu sentimento era de que simplesmente não tinha o entusiasmo para uma reinvenção."

Townshend pensou em aposentadoria muitas vezes no passado e sempre diz que o mesmo impulso que fez com que ele finalmente terminasse seu livro de memórias este ano fez com que ele reconsiderasse a ideia da aposentadoria. "Eu olho em volta e penso, 'por que não estou sofrendo da forma como as outras pessoas estão sofrendo?'", ele disse. "'É só porque não tenho que me preocupar em pagar dívidas escolares?' Eu acho que para mim é que se você pode tomar um posicionamento artístico e fazer algo útil, mesmo que seja negativo, então, a ação é a melhor resposta."

Nessa mesma entrevista, Townshend também sugeriu que ser o principal compositor na banda foi, com frequência, um peso. "A coisa toda com o Who, para mim, e isso é triste, de certa forma, é a quantidade de controle que tive que ter", ele disse. "Mantendo o processo criativo perto do meu peito, me assegurando de que os outros caras da banda estavam se sentindo como se fossem parte do processo, embora não fossem de verdade."

Ele também disse que Roger Daltrey - que está tocando Tommy em uma turnê solo, este ano - tinha dificuldade, às vezes, nas turnês mais recentes. "Se estou na estrada com Roger e ele está muito triste, eu sei que tenho um pouco de culpa, e eu sei que meu empresário Bill Curbishley concorda com isso. Pensamos 'por que estamos fazendo isso com ele?'", Townshend disse. "Ele parece estar tão infeliz e se sentindo insatisfeito. Mesmo assim, quando você fala com ele, ele exalta o Who e a mim como coisas divinas. Ele sempre diz que será fabuloso e que 'desta vez eu simplesmente vou me divertir' e sempre termina perturbado, choramingando em um canto de algum lugar, dizendo 'esse foi o pior show que já fiz, posso fazer muito melhor, não consigo pensar como vou conseguir fazer isso de novo'."

Como se todo isso não fosse suficiente, ele também comentou as alegações no livro de Keith Richards de que Mick Jagger tem um "pênis pequeno". "Para usar um termo apropriado, isso é bobagem", Townshend disse. "Eu já as vi e elas não são pequenas. E não são só as bolas que são grandes."

Imagem: Sebastian Kruger

Fonte: Rolling Stone Brasil

Texto: Andy Greene

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Confirmado: Slayer com Gary Holt no Brasil.

Em uma entrevista realizada em Santiago, no Chile, na última quarta, com a participação de Tom Araya e Dave Lombardo, o Slayer confirmou o guitarrista Gary Holt, do Exodus, com integrante dos shows do grupo na América Do Sul. A dúvida se deu porque a banda aguarda o retorno do guitarrista Jef Hanneman, que se recupera de uma operação realizada no braço direito, em fevereiro, como tratamento de uma fasciíte (inflamação da membrana que envolve os músculos), provavelmente causada por uma picada de aranha. Hanneman tem sido substituído por Gary Holt, e, quando este não pode, por Pat O’Brien, do Cannibal Corpse. O Slayer volta ao Brasil na próxima semana, depois cinco anos, para dois shows, um em Curitiba (dia 8) e outro em São Paulo (dia 9, veja os detalhes aqui).

Fonte: Rock Em Geral

Set-List do show do slayer ocorrido ontem, 02 de junho, em Santiago do Chile:

World painted blood
War Ensemble
Postmortem
Temptation
Stain of Mind
Disciple
Dead Skin Mask
Dittohead
Americon
Not Of This God
Mandatory Suicide
Chemical Warfare
Payback
Seasons In The Abyss
Snuff

Encore:

South of heaven
Rainning Blood
Black Magic
Angel of Death