quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MISFITS (E DRI) NO ABRIL PRO ROCK 2011

Ok, ninguém nem sabe mais direito quem são os Misfits, além do baixista, líder e fundador Jerry Only, mas foda-se: vai ser do caralho! Na verdade ainda não foi anunciada a presença deles "oficialmente", mas a data está lá, na página oficial do grupo, então é quase certo. Se apresentarão também em São Paulo, muito provavelmente na virada cultural.

Quem está confirmado oficialmente mesmo é o DRI, pioneiros do crossover.

Está se superando a cada ano, o festival pernambucano.

A.



(Wikipedia) Dirty Rotten Imbeciles, ou simplesmente D.R.I., é uma banda de thrashcore / crossover thrash formada em 1982 nos Estados Unidos da América.

Inicialmente era uma banda de hardcore/punk, e ao longo dos anos foi incorporando elementos do thrash metal no som, sendo considerados um dos pais do Crossover, a fusão do hardcore com o metal.A banda recebeu esse nome (Sujos, Podres e Imbecis em português) por causa do pai dos irmãos Kurt e Eric Brecht, apelidado de The Madman por eles. A banda sempre que ensaiava na casa dos irmãos, Mr. Madman mandava parar com o ensaio insultando-os com o futuro nome da banda. Eles inicialmente chamavam-se U.S.D.R.I mas logo depois simplificaram para D.R.I.

Em 1987, a banda lança o álbum Crossover, com músicas mais longas e elaboradas que os álbuns anteriores, sendo esse álbum o pioneiro, mais importante e influente no estilo crossover thrash.

A banda teve várias formações diferentes, só permanecendo o vocalista Kurt Brecht e o guitarrista Spike Cassidy e lançou 7 álbuns e fez turnês no mundo inteiro com bandas como Dead Kennedys, Slayer (a banda credita o D.R.I como uma das suas maiores influências),Ratos de Porão e chegou a tocar duas vezes no Brasil e faz shows esporadicamente hoje em dia.

Recentemente, o guitarrista Spike Cassidy foi diagnosticado com câncer no colon, interrompendo uma longa turnê que a banda pretendia fazer. Mas agora, o guitarrista está reucuperado e a banda promete novidades.

A banda teve os álbuns Dirty Rotten LP, Crossover e 4 of a Kind lançados no Brasil no formato vinil no final dos anos 80, pelo selo Devil Discos.

O D.R.I se apresenta no Brasil em 2011, Dia 15 abril em Recife, no Abril Pro Rock e dia 17 de abril em SP, Carioca Club. A formação atual é Spike Cassidy na guitarra (desde 1982), Kurt Brecht nos vocais (desde 1982), Rob Rampy na bateria bateria (desde 1990) e Harald Oimoen, no baixo desde 1999.

(Wikipedia) Misfits é uma banda formada por Glenn Danzig em 1977 na cidade de Lodi, Nova Jérsei. Foram os criadores do horror punk[1], um sub gênero do punk rock, e exerceram influência em diversas outras bandas de rock em geral inclusive bandas de metal como Metallica.

O nome da banda foi tirado do último filme da atriz Marilyn Monroe, The Misfits. Os integrantes originais da banda eram Glenn Danzig (Glenn Allen Anzalone) nos vocais e teclados (que mais tarde fundaria uma banda com seu próprio nome), Jerry Only (Gerald Caiafa) no baixo e Manny Martínez na bateria, entrando mais tarde Doyle na guitarra, o irmão caçula de Jerry Only.

Os colegas de escola Glenn Anzalone e Gerald Caiafa resolveram formar uma banda. Glenn adotou o nome artístico de Glenn Danzig e Gerald passou a se chamar Jerry Only. Gravaram um modesto compacto com duas faixa: "Cough Cool" e "She"; no qual Glenn cantava e tocava um piano elétrico e Jerry, o baixo. A experiência deu tão certo que eles recrutaram mais dois amigos da vizinhança, Franché Coma e Mr. Jim para gravar o disco Static Age, no começo de 1978, porém este disco acabaria saindo quase 20 anos depois. O albúm não refletia as características de raiva e revolta da maioria dos discos de punk rock, mas tentavam chocar as pessoas com letras violentas e românticas ao mesmo tempo.

Tocavam maquiados músicas simples e rápidas que logo fizeram com que o The Misfits fosse classificado como uma das bandas precursoras do movimento punk e portanto uma grande influência de bandas que vieram a seguir.

Segundo alguns, Glenn Danzig era grande fã de Elvis Presley e o visual que eles usavam seria a versão zumbi de Elvis com os topetes caídos, maquiagens brancas e esqueléticas, cujo nome criado por Jerry Only era devilock.

Nesse mesmo período somaram-se à banda o guitarrista Bobby Steele e o baterista Arthur Googy, com os quais se repete a mesma história no decorrer de dois anos ,um album feito em vários compactos, também. Neste caso, trata-se do disco "12 Hits From Hell". Seu lançamento estava previsto para 2000, mas desta vez a empreitada da gravadora fora embargada por Glenn Danzig e Jerry Only, pois tanto a mixagem quanto a parte gráfica não satifizeram a ambos.

Apesar de ser uma banda pesada para a época, originalmente não dispunham de guitarrista. O grupo sempre foi polêmico: Segundo diversos sites e publicações especializadas em rock os Misfits poderiam ter alavancado a sua carreira quando foram chamados para abrir um show do The Clash em Londres em novembro de 1979, porem o vocalista Glenn Danzig e o então guitarrista Bobby Steele (que depois formou a banda The Undead, foram ver uma apresentação da banda The Jam em Londres e na entrada arrumaram uma confusão com alguns skinheads, que acabou com a prisão de Danzig e Bobby Steele, impossibilitando-os de fazer a apresentação de abertura. Os dois ficaram dois dias na cela da esquadra de prisão, e foi aliás nesse local que Danzig escreveu a música "London Dungeon", único fruto daquela viagem, que foi inteiramente paga com o cartão de credito do pai de Jerry Only.

Não obstante, Bobby Steele deixa a banda para formar o The Undead, e Paul, o irmão mais novo de Jerry, assume a guitarra e passa a pegar a estrada com a banda. Em estúdio, ajuda a completar as gravações do que já havia sido feito e assim debutar no disco Walk Among Us. Por ser alto, magro e carrancudo, Paul recebe o apelido de Doyle.

De 1977 a 1981 praticamente só gravaram EP’s. Foi em 1982 que começaram a sair os álbuns e compilações da banda.Walk Among Us sai em 1982,acabou sendo o primeiro album da banda,foi o único álbum a ser lançado enquanto a primeira encarnação da banda ainda estava ativa.

Em 1983 veio o último trabalho, Earth A.D./Wolfs Blood, fonte de inspiração para grande parte das bandas de thrash metal da época. Relatos de quem viu a banda ao vivo em seu auge, garantem que a experiência era incomparável. Os shows de halloween realizados pelo grupo nos anos 80, tornaram-se lenda do underground nova-iorquino. Mas o Misfits, mesmo com sua música gravada de forma quase rudimentar e cercado por letras e visual de difícil assimilação, acabaria extrapolando o gueto punk e tornando-se uma das mais cultuadas bandas do rock americano.

Outras características dos Misfits são criar canções violentas e românticas ao mesmo tempo e satirizar discos antigos ou discos de histórias infantis. Os seus vinis eram sempre coloridos e impressos em 7 ou 12 polegadas.

Durante os anos de sua formação mais clássica, a banda não saiu do underground de Nova Iorque. Não venderam muitos discos, não lotaram arenas, não tiveram repercussão na grande imprensa musical e não impressionaram praticamente ninguém com os seus músicos apenas medianos e letras baseadas em filmes de terror classe B (entre outras canções, gravaram "Night of the Living Dead", "Brain Eaters", "Vampira", "Mommy, Can I Go Out and Kill Tonight?", "I Turned Into a Martian" e "Halloween"). Praticamente não chegaram a ser profissionais (todos possuíam empregos paralelos à banda).

A primeira versão dos The Misfits encerrou as suas atividades em 1983, quando Glenn Danzig resolveu seguir uma carreira solo. Com o fim da banda, Glenn Danzig montou a banda uma banda chamada Samhain e, mais tarde, um bem sucedido conjunto batizado apenas de Danzig, que contabiliza milhões de cópias vendidas. Jerry Only e seu irmão Doyle passaram o resto daquela década e a primeira metade dos anos 90 na obscuridade.

Embalados pelo relativo sucesso que as suas músicas estavam a experimentar ao serem gravadas por outras bandas, como os Metallica e Guns N' Roses, os The Misfits resolvem voltar a ativa, Jerry Only que tinha processado Glenn Danzig pelos direitos do nome Misfits desde por volta de 1987, e, a partir de 1 de janeiro de 1995 o nome Misfits passava a ser oficiamente de Jerry Only. Durante o tempo em que não tinha os direitos do nome Jerry e o irmão Doyle Wolfgang von Frankenstein (Paul Caiafa) montaram uma banda chamada Kryst the Conqueror, um projeto cristão que não fazia shows, era apenas um banda de estúdio e que visava sobretudo desenvolver as guitarras criadas por ambos.

Em outubro de 1994 os The Misfits começaram os testes para um novo vocalista, entre os possíveis nomes estavam Peter Steele dos Type O Negative e Dave Vanian do The Damned, mas as escolhas finais acabaram por recair sobre Dave Vanian e um jovem desconhecido de 20 anos chamado Michale Emmanuel. Michale nunca tinha ouvido falar dos The Misfits, apesar de ser da mesma cidade, e ficou a saber da audição do novo vocalista através de um amigo. Para aprender as músicas e as letras Michale comprou o CD Collection vol. 1, e foi justamente esse desconhecimento que fez com que escolhessem Michale, Jerry queria montar um Misfits diferente do idealizado por Glenn Danzig, que queria um Misfits mais maldito, e um vocalista que desconhecia os Misfits originais teria uma interpretação própria da banda. Michale Emmanuel adotou o pseudonimo de Michale Graves na banda.

Além de Michale, os Misfits também contrataram o baterista David Calabrese, que adotou o pseudonimo de Dr. Chud, que são as iniciais de "Cannibalistic Human Underground Drummer". Os novos Misfits fizeram a sua primeira aparição oficial no dia 27 de outubro de 1995. Em 27 de fevereiro de 1996 foi lançado um box set contendo quatro CDs com todas as musicas da formação classica do Misfits, os CDs vinham num caixão e foram feitas poucas unidades. Atualmente esta fora de catálogo.

No dia 13 de maio de 1997 os The Misfits lançaram American Psycho pela gravadora Geffen, um disco que continha dezessete músicas inéditas, e no dia 6 de junho de 1997, os Misfits gravaram as cenas dos clipes "Dig Up Her Bones" e "American Psycho". Ambos os clipes tiveram boa repercussão na televisão e chamaram a atenção do publico e a atenção geral para a banda, os novos Misfits prepararam para o seu regresso uma magnífica estratégia de marketing como nunca haviam feito, Jerry Only e Doyle estavam empenhados em transformar os Misfits numa banda extremamente famosa. A estratégia incluia aparições em programas de televisão (inclusive infantis), empréstimo de músicas para lutadores de luta livre (wrestler), e até participações em alguns desses shows. Clipes (coisa que praticamente nunca fizeram antes) e propaganda em revistas em quadrinhos, de facto a marvel comics transcreveu os versos da música "Braineaters" na última página de todas as suas revistas de um mês de 1996.

No dia 13 de maio de 1998 Michale Graves disse aos outros integrantes que não estava apto a fazer a tournê sul-americana e foi substituido por Myke Hideous, cantor do Empire Hideous e antigo amigo de Jerry, foi ele que fez os shows da turnê brasileira em 1998, mas em 10 de agosto de 1998 Michale Graves voltou em forma para a banda. No dia 14 de outubro de 1998 foi lançado o disco Evilive II, mas só para o fã clube oficial da banda o Fiend Club.

O disco posterior a American Psycho foi lançado em agosto de 1999 pela Roadrunner Records e foi batizado com o nome de Famous Monsters, o disco continha dezoito canções e, como em American Psycho, apresentava uma sonoridade mais rápida e mais pesada do que os Misfits originais. Os Misfits estavam em alta na época e fazendo muito sucesso pelo mundo principalmente no Japão, e no Brasil onde eram uma banda cultuada, mas em 25 de outubro de 2000 Michale Graves e Dr. Chud deixaram a banda por motivos não revelados, pois não se tomou conhecimento de nenhuma briga séria entre os integrantes. Os dois formaram uma banda chamada Lost Boys. Hoje Dr. Chud toca na banda Gorgeous Frankenstein, e Michale Graves na sua banda, Michale Graves.

Em 2001 os Misfits começaram uma turnê de comemoração dos 25 anos da banda que contava com uma nova formação, Jerry Only (baixo e vocais), Dez Cadena ex-Black Flag (guitarra) e Robo (bateria) também ex-Black Flag, e ex-Misfits, o irmão de Jerry, Doyle, deixou a banda por problemas pessoais e, até hoje não retornou, tudo leva a crer que devido a desentendimentos com o irmão, já que ele fazia participações especiais nos shows do Danzig, para tocar antigos clássicos do Misfits. Hoje ele toca no Gorgeous Frankenstein ao lado de Dr. Chud, e Argyle Goolsby (Blitzkid).

Em 2001 Marky Ramone, ex-baterista dos Ramones também entrou na banda para tocar bateria, e a reunião dos Misfits passou a ser também um "revival" dos clássicos dos Ramones, com um repertório meio-Misfits, meio-Ramones.

Em 2003 a banda lança um álbum de covers chamado Project 1950. A partir deste ponto o Misfits tem apenas Jerry Only, da formação original,. Na guitarra aparece Dez Cadena, do Black Flag, e na bateria Marky Ramone Em 2005 Marky saiu da banda de modo amigável e Jerry, Robo e Dez continuam até hoje. Essa formação nunca alcançou o mesmo grande sucesso da formação de 1995 à 2000 que continha Michale Graves e Dr. Chud.

Em 17 de maio de 2008 o Misfits tocou no Brasil no festival paulista Maquinaria Rock Fest, um concerto rápido mas agitado. As canções foram tocadas muito rápidas devido à falta de tempo, incluindo clássicos como "Halloween", "Dig Up Her Bones", "American Psycho" e a intro, "Hybrid Moments", "Die Die My Darling", "Astro Zombies", "Skulls", "Forbidden Zone", "Last Caress", "We Are 138", "Helena", entre outros. A formação foi: Jerry Only no baixo e no vocal, Roberto Valverde na bateria e Dez Cadena na guitarra e no vocal de apoio.

A banda iria tocar em Curitiba, mas no dia do concerto o local do evento recebeu uma fiscalização, sendo confirmado que não possuíam alvará de abertura e cancelando o concerto.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Na praia de Atalaia, mirando as ondas do mar ...

The Baggios apresenta novo disco no Projeto Verão

Surgida em 2004, a The Baggios é uma das maiores revelações do cenário musical sergipano na atualidade. A banda tem a peculiaridade de ser formada por apenas dois integrantes: Júlio Andrade (voz e guitarra) e Gabriel Carvalho (bateria). Eles misturam ritmos tradicionais, como o blues e o rock, criando uma identidade própria.

É essa mistura única que o público vai poder conferir no Projeto Verão 2011. A banda se apresenta no domingo, 13, e promete novidades. "A gente vai apresentar o nosso novo disco, a ser lançado este ano. Vamos tocar todas as músicas novas que estarão nele e algumas antigas", afirmou Júlio Andrade, em entrevista à Agência Aracaju de Notícias.

Já tendo conquistado admiradores em todo o estado, a The Baggios também alcançou reconhecimento nacional após ter participado de festivais de música em alguns estados do Nordeste e ter feito turnê em São Paulo. E é dessa maneira que a banda pretende seguir: mostrando seu trabalho e conquistando cada vez mais espaços.

Agência Aracaju de Notícia (AAN)- Vocês fizeram uma turnê em janeiro por São Paulo. Como foi a experiência?
Júlio Andrade (JA)- Foi perfeito. A gente passou 10 dias por lá trabalhando. Quando não estávamos tocando, era dando entrevista. Foi uma viagem bem proveitosa. Fizemos cinco shows em São Paulo e um show no Rio de Janeiro, dentro da programação da 7° Bienal de Artes da UNE. Essa turnê foi uma prova de que a cada tour as condições dos shows têm melhorado, o público tem aumentado e os lugares das apresentações têm sido mais legais.

AAN- A banda tem algo muito peculiar, que é a formação com apenas dois integrantes. Isso acaba sendo um ponto positivo, um diferencial ou um fator que pode limitar o trabalho em algum momento?
JA- Eu trato isso como um diferencial, mas um dos maiores motivos de manter a banda com essa formação é a liberdade que tenho nas composições e apresentações ao vivo. Nós já temos nossa maneira de compor, e as músicas fluem tranquilamente, assim como as Jams ao vivo. Limitações existem, mas não vejo isso como um contratempo.

AAN- O que vocês estão preparando para o Projeto Verão?
JA- A gente vai apresentar nosso novo disco no show, tocar todas as músicas novas que estarão nele, e algumas antigas, incluindo "Candangos Bar" que lançamos no EP Hard Times. Ela aparecerá no show com arranjo de sopros, assim como em outras três músicas novas, ou terão arranjos de sax e trompete. Vai ser um show com bastante coisa nova, fazemos questão de sempre estar apresentando canções novas ou novas versões, mas com certeza não vamos de deixar de tocar músicas dos dois EPs.

AAN- Durante esses seis anos da banda, vocês já têm um grande reconhecimento no Estado e fora dele. O que vocês ainda pretendem alcançar?
JA- A gente precisa explorar mais o Brasil, como o Sul e o Centro- Oeste, regiões que ainda não exploramos direito. Assim que lançarmos o disco, faremos duas turnês este ano, uma pelo Nordeste e outra por essas regiões. Temos muito para explorar ainda.

AAN- Qual é a expectativa da The Baggios para o ano de 2011? A banda tem algum projeto novo?
JA- Além do disco novo, a gente quer circular ainda mais pelo Brasil e tentar participar desses festivais de música que têm rolado por aí.

AAN- Como é a relação da banda com os fãs? Qual é o público que admira o trabalho de vocês?
JA- Nós estamos na maioria das redes sociais, então temos um contato direto com os fãs. Somos nós que respondemos o twitter, facebook, emails. Somos bem atenciosos quanto a isso. Sobre o público da Baggios, há uma diversidade. Já ouvimos elogios de crianças a idosos. Várias pessoas já chegaram para dizer "não sou muito de ouvir rock n' roll, mas adorei vocês". Isso me deixa bastante feliz. Existe uma fórmula nessa jogada que preciso colocar no papel para nunca perder a admiração de um público tão distinto.

AAN- O Projeto Verão contribui com a nova cena da música sergipana? Como vocês avaliam o evento?
JA- Contribui sim. É um evento que tem atrações nacionais e leva o público em massa para festa, muita gente vai para ver Alceu Valença, Kid Abelha, Os Loucomotivos e acabam curtindo Cabedal, Plástico Lunar, Naurêa. Eu acho uma oportunidade bacana de mostrar nosso trabalho para um público que não tem o hábito de ir para shows menores que fazemos no Capitão Cook e Cultiva, por exemplo.

Assista ao vídeo no canal E-Aju e saiba mais sobre a The Baggios

Fonte: site da prefeitura municipal de Aracaju

R$ 300,00 - The Number of the beast ...

Dando continuidade aos shows de grande porte que tem trazido ao Recife, a Raio Lazer Produções anuncia o início da venda dos ingressos para o show da banda britânica IRON MAIDEN, que fará uma apresentação única no Recife, no dia 3 de abril. O show, previsto para começar às 20h, acontecerá no JOCKEY CLUB DE PERNAMBUCO.

Considerada um dos maiores expoentes do Heavy Metal mundial, o Iron Maiden apresentará no Recife o show da turnê mundial 2011 The Final Frontier. A última vez que a banda se apresentou no Brasil foi em 2009, quando lotou estádios em cinco apresentações. O show será permitido para maiores de 14 anos, desde que acompanhados por responsável.

A atual turnê se baseia no último disco de estúdio da banda, ‘The Final Frontier’, lançado em agosto pela EMI Records (UME nos EUA) e que se tornou um dos mais bem sucedidos trabalhos da banda, alcançando o primeiro lugar em vendas em 28 países. Aqui no Brasil, foi o álbum mais vendido na Saraiva, Livraria Cultura e FNAC durante as duas primeiras semanas do lançamento.

O Iron Maiden é um fenômeno internacional no mundo do rock e do metal, com mais de 85 milhões de álbuns vendidos em sua carreira de 30 anos. Para a The Final Frontier 2011 Tour, os fãs podem esperar os mesmos níveis de paixão, comprometimento e virtuosismo musical que sempre foram as marcas do grupo. A banda tocará canções do novo álbum e, claro, clássicos de sua história.

A pista do Jockey Clube de Pernambuco será mais uma vez preparada para receber a banda e uma plateia de até de 16 mil pessoas confortavelmente. Serão mais de 200 toneladas de equipamentos, entre palco gigante, som, luz, divisórias, banheiros, bares, fast food, lojas e ambulatórios, além de transmissão do show em telões de LED de alta definição.

Será dividida em dois espaços: Front Stage e Pista. A produtora cultural Raio Lazer anuncia que este será o único show que a banda faz no Nordeste.

COMPRE AQUI

* No setor Front Stage e Pista haverá uma área reservada para pessoas com necessidades especiais.

Classificação: 14 anos acompanhados dos pais ou responsáveis legais

Meia Entrada
Estudantes, Professores, Aposentados e maiores de 60 anos

Fonte: Divulgação

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

1995 - karne krua, "direto do túnel do tempo"

Da Série "recordar é viver": Numa de minhas últimas passagens pela loja de Silvio, lá no centro de Aracaju (FREEDOM - Rua Santa Luzia, 151), me deparo com uma entrevista um tanto quanto rara da Karne Krua, já que é provavelmente a única que conheço que foi respondida pelos quatro componentes da banda. Data de 1995 e foi publicada num dos muitos fanzines que circularam por aqui naquela década, o "Mouth Stranger", que era editado por dois caras: Carlos "Mouth" e Estranho. Do primeiro nunca mais tive notícias. Já Estranho costuma sumir para de repente aparecer feito um furacão, cheio de idéias e projetos, se decepcionar com o marasmo desta terra amaldiçoada pelo Cacique Serigy (que ele intepretou recentemente num filme, veja só) e sumir de novo. Resolvi resgatar, aí está.

As Notas explicativas são atuais e de minha autoria.

Adelvan.

* * *

MOUTH STRANGER ZINE: Quando surgiu a banda ?
SILVIO: Em 85 teve o final de uma banda que eu fazia com Almada, era a “sem Freio na língua”, daí a intenção era fazer uma coisa mais suja, mais agressiva.A gente escolheu uma temática ligada ao anarquismo e misturada com o lance do Hardcore, surgiu a Karne Krua, em 1985.

MSZ: Qual a origem do nome “Karne Krua”?
SILVIO: Esse nome, mais uma vez, foi eu e Almada que selecionamos entre uns 40 ou 50 nomes. Colocamos e acabamos escolhendo, vendo assim o que tinha a ver com a proposta da banda. Em cima desse nome que a gente escolheu criamos sentidos de “porque karne krua?” Em relação ao nuclear, à repressão policial ... o nome é uma coisa voltada que somos carnes cruas (o povão), as pessoas que sofrem com as armadilhas do tal sistema. Por tudo isso nós, na época, não tínhamos nome melhor do que este. “Karne Krua” representa bem os objetivos da banda.

MSZ: A banda já passou por quantas formações?
SILVIO: a gente já passou por 8 formações (NOTA: Isso em 1995, é bom lembrar). A atual é: Ronnie – Bateria; Marlio – baixo (na época da entrevista Marlio ainda era da Karne Krua, hoje toca no Câmbio Negro HC de Pernambuco); Marcelo – guitarra e eu, Silvio – vocal.

MSZ: No início, qual era o objetivo de cada um ?
MARLIO: Eu entrei na banda de cara, não conhecia nada em termos musicais. Conheci a Karne Krua e já fui entrando (NOTA: que frase mais sugestiva). Foi uma oportunidade muito grande pra mim e eu aproveitei.
RONNIE: Já comigo foi diferente, porque eu já curtia mas não tinha uma aproximação. De repente, comecei a tocar em algumas bandas locais. Silvio me conheceu tocando na “Expresso Suburbano” e surgiu a oportunidade, em 1992.
MARCELO: Eu cheguei em Aracaju no final de 84, foi conheci Silvio e Tonho (Almada) e a moçada que fazia o movimento. Vim de São Paulo, do ABC paulista, conhecia o movimento punk, skin, quer dizer, eu já vinha de uma realidade diferente do que estava acontecendo aqui. Eu nem esperava que quando chegasse em Aracaju iria conhecer pessoas que estivessem no movimento. Conheci Silvio na Sem Freio na língua, que era ele, Tonho Almada e Sardão. Tinha outras bandas, como “Perigo de vida”, “H2O”, “The Merdas” que era Silvio, Elder ... Foi quando Silvio surgiu com a proposta de montar uma nova banda. Era ele, Almada e Vicente “Coda” na guitarra. A galera já conhecia o movimento punk e outras bandas como Cólera e Ratos de Porão, que são “das antigas”, já vinham do movimento do SESC Pompéia. Mas então, daí a gente se uniu e começou a fazer um som Hardcore. A Karne Krua tem muita história.
SILVIO: Na época o meu objetivo inicial, quando formei a karne Krua com Almada, era expressar o que existia em termos de cultura local, uma cultura estagnada, que tinha seus artista, como até hoje você pode ver isso, monopolizando todo o circuito, de secretarias e tudo o mais. Então o objetivo da gente foi, além do lance libertário e da propaganda anarquista, punk, era fazer com que em Aracaju se visse alguma coisa que fosse vanguarda mesmo, e eu acho que na época a gente foi muito vanguarda. Nós fazíamos som para pessoas que não sabiam o que era rock, muito menos Hardcore. Tava me lembrando um dia desses que a gente fazia musicas novas até na hora do show. Meu objetivo maior foi expressar meus sentimentos anarco-libertários, objetivando o lance de Aracaju, que era mexer com a cultura musical que existia. Esse objetivo que coloquei na Karne krua serviu, porque na época a gente mexeu com muita coisa, tipo os órgãos de cultura, onde não entra mais ninguém a não ser os que vivem ali mamando.

MSZ: Com relação ao primeiro disco, lançado em abril de 1994, como foi e como está sendo a divulgação?
SILVIO: Foi muito difícil fazer esse lance do disco assim. Nós não somos uma banda financiada por altos selos, foi um apoio que a gente encontrou de uma pessoa que é amiga da gente, que acreditou no trabalho e fez o disco. E os resultados estão vindo lentamente, mas numa boa. A repercussão, em termos de revistas, foi boa, e atualmente estamos tentando divulgar o disco fora do país, já com alguns contatos com selos e distribuidoras. Em termos de saída do disco, estamos recebendo muitas cartas de fanzines, de pessoas do Maranhão, do Pará, do Piauí, do Brasil todo. Há um aspecto de contato direto. Como a gente tem um fanzine, está sendo um contato banda e público, e está sendo muito legal.

MSZ: Nesses 10 Anos de estrada, qual foi a pior situação que a Karne Krua já enfrentou?
SILVIO: Vou dizer uma que é bem individual: foi no final de 1992, quando tivemos a saída inesperada de dois integrantes. Saiu Ronnie e Valdeir e me vi numa situação ... tudo bem, eu faço parte da banda, mas não sou eu apenas. Se fosse só eu e Marlio a banda não seria uma banda. Então olhei pra Marlio e disse: “porra, bicho, e agora?”. Não queríamos que a banda acabasse naquele momento, então foi uma situação difícil pra cacete, mas como a família Karne Krua é grande, voltaram à banda antigos integrantes e a situação foi resolvida rapidamente.
RONNIE: Situação fodida ... foi uma mão que passamos lá em São Cristóvão. Levamos o maior baculejo. Isso foi bem cedo, a gente estava já pra ficar numa boa, daí 7 horas da manhã fomos tocar, todo mundo morgado. Foi foda.
MARLIO: O foda foi ir a Maceió sem ter assistência nenhuma e ainda por cima ter que dormir na rodoviária. Foi falta de organização da parte deles.
MARCELO: Esse lance do que foi pior é muito relativo, tantas coisas aconteceram que fica difícil escolher alguma.
MARLIO: Veio logo na mente essa lembrança.
RONNIE: Porque tem pouco tempo, daí a gente sempre lembra das dificuldades. Banda não é chegar assim e encontrar tudo de mãos beijadas, a gente toca porque gosta.
SILVIO: A pior situação foi quando o carro forte do Banco do Brasil parou aqui na porta de Marlio e nos pagou altas granas (risos). Até hoje a gente vive numa boa.
MARCELO: Silvio mesmo ganhou na sena três vezes. Marlio ganhou na loteria esportiva. A gente vive muito bem, muita mulher (mais risos).

MSZ: Quem é casado ? Quem não é ? Falem um pouco do dia-a-dia de vocês.
SILVIO: Casado, 31 anos, tenho filho, me fodo diariamente pra ver se ganho dinheiro, mas o Real me colocou lá pra baixo. Não estudo, tenho uma loja com Marlio e sou fanzineiro.
RONNIE: 20 anos, saindo de altas viagens de estudos, mas ao mesmo tempo não consegui passar os meus objetivos, que era entrar na faculdade. Mas estou tentando alguma coisa. Não trabalho e não tenho compromisso com ninguém.
MARLIO: Tenho 25 anos, trabalho, sou casado. Só.
MARCELO: Tenho 27 anos, sou artista gráfico mas atualmente estou desempregado, porque a situação não está nada boa pra ninguém, a não ser pros deputados, que ganham 8 mil por mês, 13º, 14º, 15º. Desemprego do caralho, e a moçada ganhando muito pouco.

MSZ: Como vocês vêem o movimento aqui na capital sergipana ?
SILVIO: Quando as pessoas falam em movimento procuro entender isso de uma forma geral, desde o pessoal que batalha no Movimento punk com o lance da panfletagem até o pessoal que curte Heavy Metal. Acho que melhorou, rolam mais shows. Quando começamos tocávamos em lugares com aparelhagem super precária, hoje tem bandas que tocam com uma aparelhagem legal. O que deve melhorar mais é a cena libertária, o lance dos fanzines, exposições, como já está sendo feito pelo Ailton (NOTA: vulgo “casca grossa”, infelizmente já falecido), panfletos ligados ao movimento punk. Foi uma coisa forte que aconteceu em Aracaju. No começo pesava muito, saca ?

MSZ: O que vocês acharam da organização (?) e da credibilidade (?) do projeto “Metal in concert” nos shows que não aconteceram (P.U.S. e RxDxPx)? (NOTA: Ele está se referindo à primeira vez que as citadas bandas vieram à cidade e levaram um calote da produção do evento – saiba mais AQUI.)
MARCELO: No cenário nacional acontece muito disso. A nível de nordeste isso fica muito mais próximo de acontecer, pois aqui os recursos são menores. Apesar da mídia divulgar, fica dependendo de pessoas que não têm responsabilidade e tentam organizar as coisas de uma forma e acabam colocando os pés pelas mãos. E isso só vem pra piorar as coisas pro lado da gente, pois agora fica difícil arrumar espaço, patrocínio. Mesmo a gente não estando envolvido, perde credibilidade.
SILVIO: Um show que realizei, tive dificuldade para conseguir local. Fui em lojas e tive a mesma dificuldade. Não acreditavam. As únicas que acreditavam eram aquelas pessoas que conheciam meu caráter, por coisas que fiz. A credibilidade quem dá é o público, agora as pessoas deveriam realmente ver pra não ficar “babando o ovo” de pessoas que só estiveram presentes em Aracaju pra detonar. Dizem o contrário, mas estas pessoas só contribuíram negativamente em termos gerais, de amizade, inclusive. São pessoas que não servem para a cena alternativa de lugar nenhum, pessoas que só vivem a fofocar. Dá-se credibilidade a quem merece. No show que fiz recentemente, pessoas não foram porque pagaram para ver o Ratos de Porão. Porra, isso é mal pra caramba. Onde colei cartazes, vi pessoas arrancando no dia seguinte, isso é foda demais.

MSZ: O que vocês esperam desses políticos?
TODOS: Nada !
SILVIO: Meu tataravô, minha tataravó, o caralho, todos esperaram desses caras. Eu queria lembrar que eles podem aumentar o salário deles, isso não interfere nos gastos lá em Brasília. Já no trabalhador vai influir tudo, vai descentralizar tudo. Eles aumentam o deles quando querem, eles estão com a caneta na mão, é bom que as pessoas lembrem disso.
MARCELO: é ... enquanto houver ilusão, as pessoas vão sempre acreditar num “salvador da pátria”.

MSZ: Nesta edição temos uma matéria que aborda o tema “guerra”. O que vocês têm a falar sobre o assunto ?
MARCELO: A máquina de guerra é uma instituição, então não pode haver guerras sem armas, e nós precisamos vender armas. Mas para vender armas tem que haver guerra, então a cabeça dos que comandam, dos que fazem a cúpula do poder, está aí, tomando conta dos nossos ideais.
SILVIO: Gostaria de lembrar “Rumores de guerra”, da Karne krua, uma música que tem uma letra muito forte. O tema é bastante usado por várias bandas que fazem letras deste tipo, ela é muito atual. Porque você vê guerras de ambição, países brigando por um pedaço de terra, pessoas morrendo inocentemente. Tem uma frase que representa bem os desejos de guerra, que diz assim: “jovens que não se conhecem se matam por homens que se conhecem e não se matam”. Isso é a síntese da guerra: a guerra é a decepção e a vergonha do homem. Como está acontecendo na Bósnia, na Chechênia, em vários países.
MARCELO: Temos um som na banda que hoje não tocamos mais, que é “Indústria bélica”, a letra fala assim: “Industria bélica não para de aumentar/a fome e a miséria não vai parar”.
RONNIE: a guerra já é um lance arcaico, os homens já vêm com estas guerras de altos tempos, já viajavam em um detonar o outro por causa da mulher do cara, por exemplo.

MSZ: O que vocês acharam do apoio do Mouth Stranger zine às bandas sergipanas?
SILVIO: Acho legal. Também faço fanzine e apoio muita banda de fora, de outros estados, divulgo pra caramba. . Já fiz flyers de divulgação para várias bandas e eu acho que essa atitude dos fanzines muito legal. Tem que ser a cena daqui, pois o fanzine é daqui, levando para todo o Brasil.
MARCELO: Apesar de tudo é bom saber que existe pessoas que acreditam nas coisas e têm boa vontade de divulgar, então é fundamental. Sem divulgação não rola nada. Como é que você vai saber das coisas se você não obtem a informação? Então é de grande importância, é muito boa a atitude do fanzine de vocês.

MSZ: Um recado aos leitores do zine.
SILVIO: Acredite que você pode fazer alguma coisa de positivo, acredite que ninguém é mais que ninguém, acredite na simplicidade, acredite no rock and roll, na liberdade de expressão, no anarquismo, no socialismo. Acredite em tudo que possa levar a uma modificação na sociedade. Só isso.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

2 Anos sem Lux Interior

(Wikipedia) Erick Lee Purkhiser (21 de outubro de 19464 de fevereiro de 2009), mais conhecido como Lux Interior (Luxury Interior), foi um músico de punk rock estadunidense, fundador da banda The Cramps.

Nascido em Stow, Ohio, cresceu na região de Akron com um irmão, Mike Purkhiser.[1] Conheceu sua esposa Kristy Wallace (Poison Ivy) em Sacramento em 1972, supostamente enquanto ela viajava de carona.[2] O casal fundou a banda e se mudou da Califórnia para Ohio em 1973, e depois para Nova York em 1975, onde se tornaram parte do crescente cenário punk.[2]

O nome artístico de Purkhiser veio de um "comercial antigo de carro", enquanto o de sua esposa foi inspirado por "uma visão que ela teve durante um sonho".[2] O casal chamou seu estilo musical de psychobilly, inspirado em uma canção de Johnny Cash.

Purkhiser morreu em 4 de fevereiro de 2009 em Glendale, Califórnia, em decorrência de um problema cardíaco





quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sexta, dia 04/02/2011, não tem programa de rock

Mas não se desespere. A Aperipê FM estará transmitindo, ao vivo, os shows que acontecerão na praia da Caueira durante o Verão Sergipe 2010. Esqueça o cast oscilando entre a pasmaceira e o "óbvio ululante" do palco principal (com algumas raríssimas exceções), pois o destaque ficará mesmo para o time local mais alternativo, que se apresentará na "Arena Multicultural" - e eu não estou falando apenas do bom e velho rock and roll: vale a pena conferir também as apresentações do clássico grupo Cata Luzes, do Ferraro Trio, de Elvis Boamorte e os Boas Vidas e cia. Ltda. Confira a programação completa dos shows musicais logo abaixo e divirta-se, na praia ou em casa, sintonizado na 104,9 FM, a rádio pública de Sergipe. Destaque especial para o show da Mamutes, que promete algumas novidades, dentre elas a estréia de umA novA baterista. Isso mesmo, será uma garota, fato raro e que precisa ser saudado, que terá a missão de substituir o espetacular, o inigualável, o mestre Marcos "Odara" nas baquetas mastodônticas. Toda sorte para ela e que seu sucesso incentive mais e mais garotas a participar ativamente do circuito "roqueiro" local.

Já na próxima semana será a vez do Projeto Verão, realizado todos os anos pela Prefeitura Municipal de Aracaju na praia de Atalaia. Mais uma vez, a programação do palco principal deixa a desejar, com muito "mais do mesmo" e algumas escolhas absurdamente equivocadas, como o NX Zero, que é um lixo, pura e simplesmente, sob qualquer aspecto que não o da cultura de massas pasteurizada. Normal, lembro que tive de suportar o insuportável Charlie Brown jr. para conseguir ver o antológico show de Mano Chao em uma das edições anteriores. Em todo caso, é lamentável constatar, mais uma vez, que provavelmente nunca mais teremos o projeto verão com a mesma proposta de seus primórdios, quando primava pela diversidade mas não descuidava da qualidade. Exceção feita para a acertadíssima decisão de colocar os Baggios no palco principal.

por Adelvan


Verão Sergipe 2011

04 e 05 de fevereiro de 2011

Na CAUEIRA

Programação:

04/02

Arena Multicultural:

19H - Pantera
20H - Ferraro Trio
22H - The Baggios
00:30H - Bago de Jaca

Palco Principal:

- Alapada
- Maria Gadú
- Jau
- Dj Kaska

05/02

Arena Multicultural:

19H - Cataluzes
20H - Larcetae
22H - Elvis Boa Morte e os Boas Vidas
00:30H - Mamutes

Palco Principal

-Patrícia Polayne
- Lulu Santos
- Monobloco
- DJ Léo Levi

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Projeto Verão 2011

Em Aracaju, na Praia de Atalaia.

10 de fevereiro
Palco Oficial - (às 21h)

Pitty
NX Zero
Alapada (Se)

11 de fevereiro
Palco Oficial - (às 21h)

Kid Abelha
Revelação
Mandinga de Praia (Se)

12 de fevereiro
Palco Oficial - (às 21h)

Nando Reis
Alceu Valença
Naurêa (Se)

13 de fevereiro
Palco Oficial - (às 21h)

The Baggios (Se)
Falcão e Os Loucomotivos
KaraRoots (Se)

14 de fevereiro
Rua da Cultura - (às 20h)

Leci Brandão
Cataluzes
Carol Prudente
Reação

10 de fevereiro
Tenda Cultural - (às 20h)

Dj Montezuma (Se)
Aliquid (Se)
Cabedal (Se)
Oganjah (Se)

11 de fevereiro
Tenda Cultural - (às 20h)

Dj Léo Levi (Se)
Ferraro Trio (Se)
Plástico Lunar (Se)
Kadência do Samba (Se)

12 de fevereiro
Tenda Cultural - (às 20h)

Dj Patrick Tor 4 (Se)
Café Pequeno (Se)
Sinestesia (Se)
Jimmy Loo (Se)

13 de fevereiro
Tenda Cultural - (às 20h)

Dj Pango (Se)
Banda dos Corações Partidos (Se)
Mensagem Negra (Se)
Só Lamento (Se)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

que merda ...

"O White Stripes não pertence mais a Meg e Jack. O White Stripes pertence a vocês para que façam o que quiserem", diz a dupla.

Após 13 anos de existência, fim da linha para o White Stripes. O término da banda foi anunciado nesta quarta, 2, por meio de um comunicado postado no site oficial do Third Man Records, selo de Jack White.

"O White Stripes gostaria de anunciar que a banda acabou e que não gravará mais discos, nem fará mais shows", informou o texto. "O motivo não se trata de diferenças artísticas ou falta de vontade em continuar, tampouco problemas de saúde, já que Meg e Jack estão bem. São muitas as razões, mas sobretudo a dupla quer preservar o que há de bonito e especial na banda e manter as coisas desta forma."

Ainda dentro do texto, há aspas dos integrantes: "O White Stripes não pertence mais a Meg e Jack. O White Stripes pertence a vocês para que façam o que quiserem. A beleza da arte e da música é que ambas podem durar para sempre se as pessoas quiserem que isso aconteça. Obrigado por dividirem esta experiência. O envolvimento de vocês nunca ficará perdido em nós e somos verdadeiramente agradecidos". O comunicado ainda informa que a Third Man Records continuará lançando materiais inéditos da dupla, entre eles gravações ao vivo e de estúdio.

Nos últimos meses, muito se comentou sobre quando a dupla gravaria um novo disco. Em maio do ano passado, Jack White até havia dito que se sentia pronto para entrar em estúdio, mas parece que percalços o fizeram mudar de ideia. A última turnê do White Stripes, divulgando o álbum Icky Thump, aconteceu em 2007 (e vale lembrar que foi cancelada para que Meg pudesse cuidar dos problemas de ansiedade que estava sofrendo). O álbum ao vivo Under Great White Northern Lights (que também é o título de documentário sobre uma turnê da dupla no Canadá) foi lançado em março de 2010.

Fonte: Rolling Stone

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

MALDITOS MECHANICS !

No primeiro álbum com músicas compostas em português, Mechanics se inspira no Tarô mais antigo de que se tem notícia para retratar o “ódio e a vontade de morrer” e continuar a fazer o ouvinte sofrer.

por Marcos Bragatto
Rock Em Geral

O grupo goiano Mechanics é do tipo que não se satisfaz com ele próprio; está sempre procurando sarna pra se coçar. Quando o vinil estava morto e enterrado, lançava sua música barulhento em compactos coloridos. Na era do CD, lançou o álbum “Music for Antropomorphics” com um livro de mais de 200 páginas como “encarte”, todo em quadrinhos. Agora, o grupo decide compor em português pela primeira vez e, inspirado no Tarô, fez o encarte do novo álbum, “12 Arcanos”, em 12 cartas separadas, uma para cada música. E que música. Sem abrir mão do peso inerente à sua história, o grupo transita com desenvoltura entre o garage, grunge, stoner rock e o que mais vocês achar barulhento, sem deixar de ser grudento.

A formação do Mechanics tem mudado nesses 16 anos, mas o comando sempre esteve nas mãos do inquieto vocalista Márcio Jr, que, nas horas vagas, faz parte do estado maior da gravadora Monstro e do Goiânia Noise Festival, e ainda tenta se eleger vereador. Nesse disco, além dele, estão na banda Katú e Ricardo Darin (guitarras), Little John (baixo) e Pedro Hiccup (bateria), o caçula da turma. É a primeira vez que a banda tem dois guitarristas, o que aumenta – e muito – a potência sonora ao vivo, para quem já nasceu com a vocação para o esporro. Não por caso “12 Arcanos” é um dos melhores lançamentos do rock nacional em 2010, além de trazer, ao menos, uma pérola: a música “Ódio”.

Nessa entrevista suada – Márcio Jr vive ocupado em mil e um projetos -, feita por e-mail, desvendamos tintim por tintim sobre a feitura do novo disco; vimos as vantagens de ser entendido ao cantar em português; deixamos emergir a inquietude de Márcio ao pensar no assumidamente pretensioso futuro do Mechanics; e flagramos – de novo - a verdadeira obsessão do líder do grupo em fazer o ouvinte sofrer, sempre movido pelo “ódio e a vontade de morrer”. Pois que sofram todos vocês:

Rock em Geral: Explica o conceito desse álbum, “12 Arcanos”?

Márcio Jr.: Sempre pensei os álbuns do Mechanics como obras fechadas, guiadas por conceitos que estou interessado em desenvolver. Depois do complexo disco-livro “Music for Anthropomorphics”, tivemos o “Neither Acoustic Nor Electric”, que é uma derivação daquele. São versões acústicas de algumas músicas do “Music…”, que foram usadas como trilha sonora do filme “Graffitti em Ruínas e Outros Muros” e que acabaram virando uma edição limitada de 100 cópias, artesanais, todas com capa em serigrafia, assinadas e numeradas. A partir deste trabalho, começamos a desenvolver o novo disco e pensei que seria desafiador tentar compor em português. Ao longo dos anos tenho discutido a decisão do Mechanics compor prioritariamente em inglês. Nunca foi uma questão mercadológica, mas sim uma opção estética. Em inglês as letras soam mais intuitivas, a voz acaba virando outro instrumento na criação de uma atmosfera musical. Sempre foi isso que persegui. O desafio de compor um álbum em português tem a ver com adotar uma perspectiva diametralmente oposta. Quando eu berro que “sou feito de ódio e vontade de morrer” essa mensagem é imediatamente decodificada por quem está ouvindo. A música deixa então de ser intuitiva e passa a ser racional. Ela migra do inconsciente para o consciente. Como em português a interpretação seria mais direta, passei a escrever letras que funcionassem como um compêndio dos temas que têm sido caros ao Mechanics ao longo de sua existência: morte, violência, paixão, sexo, drogas, arte, caos… Comecei a tratar estes temas de forma bastante simbólica, quase arquetípica e, coincidentemente, durante o processo de composição do álbum fui até Brasília assistir a uma palestra com o cineasta-quadrinista-dramaturgo-bruxo-gênio-lenda Alejandro Jodorowsky, onde, entre outras coisas, ele discutia o Tarô de Marselha, o mais antigo de que se tem notícia e descoberto pelo próprio Jodorowsky. Fiquei fascinado com a força daquilo. Não a força mística (sou ateu), mas, sobretudo, a força simbólica. E foi a partir desse conjunto de variáveis que começamos a desenvolver o álbum.

REG: O tal conceito é mais nas letras ou no som também?

Márcio Jr.: O conceito é geral e se aplica a tudo em “12 Arcanos”. Se no “Music…” a música era mais nebulosa, no “12 Arcanos” ela é mais direta, já que as letras, em português, também o são. Gosto de pensar no disco como um soco no estômago. Forma e conteúdo não podem ser dissociados no Mechanics.

REG: Que diferenças você vê em compor numa e na outra língua?

Márcio Jr.: As diferenças são gigantescas. A sonoridade e inflexão são completamente diferentes. O inglês é a língua natural do rock, aceitando seus clichês e chavões com muita naturalidade. Vejo muitas bandas naufragarem ao compor em português mantendo todas as características do inglês, apenas “traduzindo” as letras. Acaba virando aquela coisa brega, próxima ao sertanejo. Acho até que é por isso que as duplas sertanejas gostam tanto de fazer versões de bandas de hard rock. Compor em português é um grande risco, pois não sobra muita margem para a enganação. A letra tá ali, pornograficamente explícita para o ouvinte. Acertar a mão é um baita desafio e foi o que me instigou a fazer o “12 Arcanos”.

REG: O encarte desse disco é repartido em “cards”, cada um com uma letra e uma ilustração…

Márcio Jr.: Arcanos são as cartas principais do tarô. Daí que, se tratei e criei o álbum como um sistema de tarô, nada mais natural que ter as cartas para acompanhá-lo. Há, inclusive, uma proposta para a audição do disco: colocar o CD no shuffle e ver que sorte (ou falta dela) surgirá dali e aparecerão nas cartas.

REG: É impossível o Mechanics sem a conexão com ilustrações e quadrinhos?

Márcio Jr.: Tudo é possível. O fato é que uma das premissas da banda é a busca constante de diálogo com outras formas de expressão que não apenas a música. Dessa forma, estamos sempre enredados com quadrinhos, artes plásticas, cinema, performances, literatura, etc.

REG: As ilustrações dessa vez ficaram por conta do Lauro Roberto. Quem é ele e como vocês decidiram trabalhar juntos?

Márcio Jr.: O Lauro é um amigo fanzineiro dos anos 80/90, um artista genial que, infelizmente, ainda não conseguiu o reconhecimento que lhe é devido. Marginal demais, louco demais, difícil demais. Tudo isso pode ser dito da obra e do próprio Lauro Roberto, que (sobre) vive em Volta Redonda. Enquanto compúnhamos o “12 Arcanos”, eu pensava o tempo todo no Lauro para o trabalho, pois ele seria a única pessoa capaz de traduzir graficamente a densidade que eu buscava pro álbum. Uma das coisas que mais me deixam satisfeito com o “12 Arcanos” é que, de certo modo, estamos conseguindo chamar algum tipo de atenção para o seu trabalho. Repito: o Lauro é genial.

REG: Musicalmente, o Mechanics já foi identificado com garage rock, grunge, stoner rock. Como você vê o som da banda hoje?

Márcio Jr.: Nunca me preocupei com essas categorizações, isso não me diz respeito. Temos mesmo elementos de todos esses estilos que você assinalou, bem como de uma infinidade de outros: metal, hardcore, punk, indie rock… Não gosto de pensar em limites, mas sim na ruptura deles. Nossa única preocupação é fazer música que seja relevante e desafiadora para nós mesmos. Hoje, o Mechanics está melhor, mais sujo, denso e torto que nunca.

REG: A música “Desmorto” é a que mais lembra, digamos, um período mais “stoner” do Mechanics, e é uma das mais trabalhadas. Essa música é antiga? Fale como ela surgiu.

Márcio Jr.: “Desmorto” é mesmo um dos momentos mais pesados e psicodélicos de “12 Arcanos”, algo como nossa homenagem ao Black Sabbath. Mesmo a letra carrega essa atmosfera negativa, lidando de forma ambígua com temas, digamos, perigosos. Para dizer a verdade, não me lembro se foi uma das primeiras composições do álbum. Mas ao afirmar que é uma das músicas mais trabalhadas do álbum, você me fez pensar em algo interessante: na verdade, todas as músicas do disco foram muito trabalhadas, mas com propósitos diferentes. Às vezes o trabalho é para deixar a música mais rebuscada, outras para deixá-la aparentemente mais simples. Há, em vários momentos do álbum, uma abordagem minimalista. Mas para se chegar ali houve muito trabalho, muita depuração, muita matemática. O disco tem músicas com tempos e métricas inusitados, construídos de forma muito cerebral. “Cidade” e “Máquina” são exemplos disso.

REG: As referências de vocês mudaram durante esses últimos 16 anos? Quais rumos foram indicados nessas mudanças?

Márcio Jr.: Muita coisa mudou nesses 16 anos, mas principalmente mudamos nós mesmos. No começo éramos um bando de moleques recém-saídos da faculdade, doidos para nos divertir. Agora somos um bando de pais de família. Mais doidos que nunca! Mas pais de família. O que eu sempre tive como meta para o Mechanics foi construir uma carreira e uma obra diversa, marcada pelo inusitado, pelo risco e não pela fórmula pronta. A cada novo álbum me coloco uma série de questões. O que fazer agora que ainda não fizemos? Como apresentar algo que seja novo, mas que mantenha o espírito e a integridade da banda? Como me sentir inseguro e desconfortável? Olhando em retrospecto, acho que temos feito isso.

REG: As mudanças na formação da banda implicam em mudança no som, ou você, que é o cabeça na banda, conduz tudo a seu modo?

Márcio Jr.: Meu papel no Mechanics é estabelecer os conceitos, propor diálogos com outras linguagens, criar os quebra-cabeças mentais de onde surgirão as músicas, os álbuns, os shows. Mas mesmo isso é feito em constante discussão dentro da banda. Todo mundo participa de tudo. Se eu assumo essa posição de - sei lá - “líder conceitual”, é porque os caras confiam em mim para esse trabalho. E é claro que as mudanças de formação trazem mudanças no som – o que é sempre bem-vindo, desde que essas mudanças ainda estejam dentro daquilo que entendemos como uma espécie de arcabouço estético e sonoro da banda. É dentro deste arcabouço que nos movemos.

REG: Concorda que a música “Ódio” é uma das mais fortes e emblemáticas do disco? Fale sobe ela, em particular, e como ela se encaixa no conceito do disco:

Márcio Jr.: O ódio é um tema recorrente para o Mechanics e, portanto, ele obrigatoriamente seria tratado num álbum como o “12 Arcanos”. Penso no ódio como uma das forças motrizes da humanidade. É uma energia muito intensa, muito poderosa. É impressionante a capacidade de odiar que o ser humano tem – eu inclusive. Penso sempre que o ódio é um sentimento mais perfeito e absoluto que o amor. O amor é mais difuso, mais complexo. O ódio é cristalino. Você pode ter dúvidas quanto ao amor que sente, mas geralmente o ódio é uma certeza. “Sangue” e “Ódio” foram as primeiras músicas compostas e acabaram deflagrando o conceito do álbum. Elas foram escritas num período muito barra pesada pra mim. Um dia, no estúdio, enquanto os caras me mostravam uns riffs me veio a frase “eu só consigo sentir ódio e vontade de morrer”, que era exatamente como eu me sentia na época. Hoje, até que a vontade de morrer diminuiu bastante. “Ódio” talvez seja minha preferida no disco.

REG: “Sangue” é outra que, embora simplória, carrega muita dramaticidade. Ela e “Ódio” foram inspiradas em algum filme desses de serial killer?

Márcio Jr.: Simbolicamente, o sangue é um elemento riquíssimo em todas as culturas. Vida, morte, dor, prazer, horror, conquista, religião,… tudo isso está ilhado pelo líquido vermelho que corre nas nossas veias. Não acho que “Sangue” seja uma música simplória. Pelo contrário, penso nela como algo direto, explosivo, quase irracional. A letra é uma espécie de hai-kai. “Sangue” é do mesmo período difícil que eu comentei anteriormente e surge de uma imagem muito forte na minha cabeça, que sintetizo no (singelo) verso “a minha pica suja de sangue”. Não vou entrar em detalhes, lógico. “Ódio”, por sua vez, nasce de um sentimento pessoal que, em seguida, fui tentando transmitir a um personagem – um recurso que eu sempre usei na maioria das letras do Mechanics.

REG: A última faixa, “I’m Joe’s Fear Of Disease”, é um bônus ou está no conceito do CD?

Márcio Jr.: “I’m Joe’s Fear Of Disease” está fora do conceito de “12 Arcanos”. Ela foi a primeira música feita com o Katú, que assumiu as guitarras do Mechanics quando estávamos finalizando as demoradas gravações do “Music for Antropomorphics”. É uma música que gostamos muito e é uma homenagem ao genial e doentio artista norte-americano Joe Coleman. A faixa é muito exemplar na questão de se escrever em inglês ou português. Durante a criação do “12 Arcanos” a banda pressionou bastante para eu escrever uma letra para ela em português. Só que a música já existia em inglês e acho que estava bem resolvida ali. Tentar “traduzir” ou “adaptar” seria um erro crasso, pois não funcionaria já que não foi criada com esse intuito. Trocaríamos uma música boa por uma, no máximo, razoável. “I’m Joe’s Fear Of Disease” é o registro de uma época e é assim que ela deve existir.

REG: Com o disco anterior, “Music for Antropomorphics”, você dizia que queria fazer o ouvinte sofrer. E agora, o sofrimento continua?

Márcio Jr.: Sempre.

REG: Como você avalia o ano que passou para o Mechanics? Tocaram muito? Quais foram os shows mais legais?

Márcio Jr.: Tocamos bastante em 2010. Tocantins, Natal, Brasília… Fizemos festivais legais como o DoSol e o Porão do Rock. Mas os melhores shows foram em casa, na Revirada Cultural e no Goiânia Noise.

REG: Vocês já lançaram música em cassete, compacto (quando o mercado não vendia mais), com um livro de “encarte”… O que ainda falta fazer?

Márcio Jr.: Ainda não sei, mas algumas idéias já começam a se desenhar. A que se apresenta com mais vigor é a de lançar um próximo álbum em vinil – o que, em si, não tem nada demais. O que eu pretendo, de fato, é explorar os limites do vinil enquanto suporte. Hoje vivemos o declínio da idéia de álbum. As pessoas baixam músicas aleatoriamente na internet, fazem suas próprias seleções. As bandas já se adaptam a isso, lançando músicas avulsas ou em pequena quantidade, como nos tempos em que só existiam os singles. Nesse ambiente, mais que criar um novo álbum, quero criar um álbum em vinil, um long play, extrapolando aquela idéia de lado A e lado B e o modo como esses dois momentos de audição se relacionam. Como diria o Marshall McLuhan (filósofo canadense introdutor do termo “aldeia global” como metáfora para a sociedade contemporânea) , o “meio é a mensagem”. Acho fundamental dizer que o Mechanics é uma banda pretensiosa. O que me move e me deixa de “pau duro” são essas pirações conceituais, a vontade de ir por caminhos que ainda não conheço. Quando fazemos um disco-livro, uma série limitada e artesanal, ou encartamos um jogo de tarô em cada cópia de um álbum, isso não é uma macaquice para deixar o produto mais vendável. Jamais pensei nestes termos. Detesto maneirismos de qualquer espécie. Nossos álbuns não são discos com um “encarte invocado”. Eles são proposições estéticas, conceituais e é nesse sentido que nos considero artisticamente pretensiosos. Mas não somos presunçosos. Nunca sei se a experiência em curso vai dar certo e, na verdade, não me preocupo muito com isso. Cabe ao público decidir isso, ativamente, construindo a outra metade da obra. Nada que saia da gente é fácil e muito menos entregue pronto. Por isso, continuo querendo que o ouvinte sofra. Manter a banda dentro desse labirinto é o único modo dela continuar existindo depois de 16 anos de estrada.

REG: Quais os planos? Um novo álbum já em 2011?

Márcio Jr.: Queremos continuar mostrando o “12 Arcanos” Brasil afora. Acredito muito na relevância desse disco. Com certeza começaremos a compor um próximo trabalho, mas ainda não sei se ele ficará pronto em 2011.

REG: Como anda sua atividade na Monstro e no Goiânia Noise Festival? Tenho a impressão que os festivais, de uma forma geral, deram uma estagnada. Você concorda? O que fazer para sair desse estado de acomodação?

Márcio Jr.: Continuamos tudo a pleno vapor. Entendo essa sua percepção de que os festivais deram uma estagnada. Não sei se é exatamente isso que acontece, mas realmente acho que existe um modelo que está se aparentando único e penso que isso é um tiro no pé. Temos é que buscar diversidade, inovações, quebra de paradigmas… Enfim, um modo de manter as coisas acesas, queimando. No (Goiânia) Noise (Festival) temos buscado isso a ferro e fogo. Em 2009 foi o festival tomando as casas noturnas da cidade. Em 2010 foram inovações como o UnConvention, o Compacto Petrobras e por aí vai. Não podemos ficar congelados numa fórmula. A Monstro - eu garanto - vai fazer de tudo para não cair nessa armadilha. No nosso ambiente, existem outras coisas que me preocupam mais que a saúde dos festivais. Uma é fortalecer o circuito de casas noturnas de pequeno e médio porte do país. Os festivais são vitrines, mas é nos clubes que as bandas devem estar todos os dias. Outra coisa é o aparelhamento e a ultradependência do poder público. Temos que usar o poder público para criar asas, mas temos que aproveitar isso para criar também as condições de conquistarmos público e uma verdadeira independência financeira. Nosso objetivo não pode ser virar um braço do Estado, mas sim criar um mercado alternativo real. Para isso precisamos de políticas públicas de médio e longo prazo e acho que em várias esferas essa consciência começa a se aflorar. Por fim, tenho muito medo da cena alternativa se tornar um pastiche do mainstream, com seus caciques traficando influências, o jabá tomando novas formas, os favorecimentos se sobrepondo a uma visão artística e por aí vai. A soberba pode ser o pior inimigo de uma cena que depois de muito trabalho começa a se estruturar. Não podemos baixar a guarda quanto a isso.

REG: Você vem sendo candidato a vereador em Goiânia, certo? O que falta para você vencer e o que pretende fazer se eleito?

Márcio Jr.: Ser candidato a vereador foi uma das minhas diversas ações políticas ao longo das últimas duas décadas. Acredito que a Cultura é um campo de geração de riquezas materiais e simbólicas que deve estar no centro das discussões do país. Criar melhores condições para que os trabalhadores da Cultura possam desenvolver suas carreiras sem ter que obedecer a qualquer tipo de cartilha da indústria cultural é uma preocupação que deveria estar na cabeça de qualquer um que lida com música ou qualquer outra manifestação artística. O que falta para eu ser vereador? Imagino que com algum suporte financeiro isso seja possível. Sem grana alguma eu tive 1004 votos em Goiânia, onde a média para se eleger com um mínimo de 3800 votos ficou em torno de um R$ 1 milhão. Ou seja, o potencial para ser eleito está colocado. Mas o parlamento não é a única forma de se fazer política. O lance é estar atento, lutar pelos seus direitos, anarquizar os picaretas, aproveitar as brechas positivamente e por aí vai. Para se ter uma ideia, enquanto respondo a esta entrevista o atual Secretário de Cultura do Estado de Goiás me convidou para gerir o Centro Cultural Martim Cererê – palco de tantos Noise, Bananada, Vaca Amarela, etc. Sinal de que 2011 vai ser um ano cheio de trabalho. Do bom.


+ "Vida"

Em agosto de 1971, a revista americana - então jornal quinzenal - Rolling Stone trouxe Keith Richards na capa. Nas 13 páginas dedicadas ao guitarrista de cabelo arrepiado, barba por fazer e dentes podres, ele provava por "a + b" que sua banda, os Rolling Stones, não se resumia a uma imagem rebelde. Eram mesmo terríveis. Sua descrição de como Brian Jones tirava dinheiro de homossexuais idosos para pagar sanduíches para Keith, Mick Jagger e ele próprio, deixando as vítimas na neve, do lado de fora da lanchonete, está mais para Jean Genet do que para Charles Dickens. Décadence sans élégance.

Já em Vida, alentada autobiografia escrita com James Fox, o guitarrista, que completou 67 anos no dia 18 de dezembro, se mostrou mais comedido. Na orelha do livro, vem impresso, pelo menos na edição americana, seu autógrafo com a mensagem: "Esta é a vida. Acredite ou não, eu não esqueci nada dela". O que já conta ponto. A maioria de seus pares, em termos de sexo, drogas e rock'n'roll, invoca crises de amnésia se o assunto fica espinhoso. E como estamos cansados de saber, Keith é louco, mas não é bobo. Salta aos olhos a importância que "Catarina" dá à amizade - o apelido surgiu não se sabe quando e é contraponto para "Brenda", codinome de Jagger. Quando conheceu Brian Jones, este, apesar dos 17 anos, tinha filhos com mulheres diferentes, mais de dois pelo menos. E a partir desse aparente descaso com os outros, a começar pelas mulheres, Keith vai descrevendo o desmonte da personalidade de Jones, justamente quando as drogas iam chegando com tudo. O processo culmina com Keith indo morar com o casal Brian-Anita Pallenberg e tomando a anfitriã do amigo. Amigo?

Amigos aos montes. Keith lamenta muito a morte de dois deles. Ian Stewart, o pianista da formação original que não pertencia ao grupo por ser feio, e Gram Parsons, o americano que levou o country para a música dos Stones. O saxofonista Bobby Keys, o baterista Steve Jordan, da banda paralela de Keith, The X-pensive Winos, são declarados amigos eternos. Nem todos os caminhos levam a Jagger.

"Brenda" e "Catarina" se conheceram ainda novos. Eram vizinhos, crianças, mas já gostavam de rock e blues. Até o meio do livro, as citações são frequentes, mas formais, quase burocráticas. "Éramos praticamente irmãos." "Tínhamos exatamente o mesmo gosto musical." "Sabíamos o que tocar e o que não tocar", não mais que isso. Quando La Pallenberg filma Performance (1970) com Jagger, e acaba tendo um caso com o bocudo, a coisa muda. Keith revê o que fez com Brian e gasta páginas analisando seu amigo de infância. O mesmo acontece quando Gram Parsons volta aos Estados Unidos, aparentemente humilhado por Jagger, que chegou a cantar sua mulher. Logo em seguida, Parsons morreu de overdose, teve o corpo sequestrado por amigos que realizaram seu desejo de ser cremado em Joshua Tree, na Califórnia, e virou lenda. Mas a barra pesa mesmo quando Jagger diz que não vai excursionar para divulgar o álbum Dirty Work (1986). O disco foi gravado por Bill Wyman, Charlie Watts e Ron Wood, sob a batuta de Keith que aparece no centro da capa, rodeado pelos outros - incluindo Mick. Segundo Keith, "foi a Terceira Guerra Mundial!". Deve ter sido mesmo, porque Jagger excursionou pelo Japão com Jeff Beck que, a exemplo de outros guitar heroes da geração de Keith, não é sequer mencionado no livro.

Ah sim, e tem as mulheres. Desde Haleema Mohamed, a paixão adolescente, até Patti Hansen, sua mulher há 28 anos, mãe de Alexandra e Theodora - com Anita, Keith teve Marlon e Angela, e o casal perdeu o terceiro filho, Tara. Há outras mulheres, muitas histórias. Tipo, os Stones no início eram muito próximos dos negros americanos que tinham invadido a Inglaterra. De Muddy Waters ao trio pop feminino Ronettes, as negras de quem Amy Winehouse roubou o penteado. Keith caiu de amores por Ronnie Bennet, a líder. E foi correspondido. Ocorre que Ronnie logo assumiu o nome de casada, Spector. Virou mulher do lendário produtor Phil Spector, sim, aquele cara que vivia dando tiro na sombra e atualmente cumpre pena por homicídio. Keith confessa que temeu pela vida, mas é amigo dela até hoje.

É muito curioso o relacionamento de Keith, filho único, com os pais. Bert e Doris eram muito divertidos, viviam plantando bananeira, pulando sela e fazendo polichinelos mesmo depois de adultos. Mas quando Keith era pequeno, Doris arrumou outro marido, Bill. E Bert foi morar sozinho. Keith só foi reatar com ele nos anos 1990. Isso fica muito mais curioso porque, quando fala de Jagger, Keith diz que o colega é difícil porque não consegue parar de ser Mick Jagger o tempo todo e que "talvez isso seja a mãe que existe dentro dele", afirma. Não entendi muito.

Ah, sim, outra vez. Antes que alguém pergunte, Keith fala sobre trocar o sangue e cheirar as cinzas do pai. Verdade? Mentira? Aí, tem de comprar o livro para saber. Fica mais divertido.

» Vida, Keith Richards (com organização de James Fox), Editora Globo, 640 páginas

por Luiz Chadas

Brasileiros

# 177 - 28/01/2011

Bicicletas de Atalaia é o nome do já não tão novo projeto dos irmãos Bruno e Leo Matos, ex-integrantes do infelizmente extinto Rockassetes. Eles tocaram pela primeira vez em Aracaju no último sábado, no Capitão Cook, e aproveitaram a passagem pela capital do ... do quê mesmo ? – para comparecer a uma verdadeira maratona de pocket shows e entrevistas na Aperipê FM que culminou com a presença dos dois no programa de rock. Falamos sobre influências, sobre o porque do Rockassetes ter acabado quando parecia estar indo tão bem (problemas internos que não chegavam ao público, segundo eles) e sobre a importância de se levar a música feita em Sergipe para o Brasil e, quiçá, para o mundo.

Depois foi a vez de Julio Dodges, do The Baggios, nos falar um pouco sobre a recente passagem do duo por Rio e São Paulo numa pequena turnê “dentro do eixo”, ou “fora do Fora do Eixo”. Parece ter sido bom para eles e para quem os viu ao vivo, o que muito nos alegra. Apresentaram também seus convidados da noite no show que fariam logo mais, também no Capitão Cook (onde mais?), a banda Acord, da Bahia.

Musicalmente, abrimos como nos velhos tempos, com “classic rock”. Titus Groan, grande banda hard/progressiva praticamente desconhecida por aqui e que nos foi apresentada via André Teixeira pelo blog “Venenos do rock”, fez as honras da casa, seguida pelo provavelmente maior Power trio da história, o Cream, e por uma faixa do clássico “A Night at the opera”, de 1975, do Queen. Já no último bloco do programa, as mulheres deram as cartas em dois blocos: um produzido por mim mesmo, o primeiro, e outro, o “Bloco do ouvinte”, produzido por nossa camarada e parceira de longa data Daniela Rodrigues, do The Renegades of Punk e da Jezebels – esta última, reformulada, participou no sábado retrasado de um Festival de rock feminista em Salvador, Bahia, o “Vulva La vida”.

Em tempo: Agradecimentos a Isabela Raposa pelo presente de aniversário!

E foi isso. Espero que tenham gostado.

Manifestem-se, porra !!!!!!

por Adelvan "Kenobi"

* * *

Bikini Kill - Doube Dare Ya - Música do 1º registro do Bikini Kill, o ep chamado "Revolution Girl Style Now! (1991)". Esta gravação daqui é de 1994 do álbum "The C.D. Version of the First Two Records". O Bikini Killé A banda "símbolo" do movimento Riot Grrrl de Olympia, Washington - EUA. " As letras incendiárias do Bikini Kill, chamadas de "Revolution Girl Style Now", ajudaram a influenciar inúmeras bandas punk femininas a partir dos anos 90."

Huggy Bear - No Sleep - Música do LP "Taking the Rough with the Smooch" de 1993.
- É considerada a representante britânica do Riot Grrrl. A banda é de London/Brighton, Inglaterra.

Slant 6 - Time Expired - Música do álbum "Soda Pop, Rip Off" de 1994. Banda de Washington, DC lançada pela Dischord Records. (Eu particularmente amo essa banda!)

Emily's Sassy Lime - Would-Be Saboteurs Take Heed - Música do álbum "Desperate, Scared, but Social" de 1995. A banda é do sul da Califorinia (Calabasas, Pasadena, Irvine) e se formou quando saíramd e suas casas escondidas pra ver um show do Bikini Kill + Bratmobile. A partir daí começaram a se comunicar via carta com Molly Neuman, baterista do Bratmobile.

Bratmobile – Die - Música do ep "The real Janelle" de 1994. A banda é outro grande símbolo do Riot Grrrl, também de Washington D.C.

por Daniela Rodrigues

* * *

Titus Groan - It wasn´t for you
Cream - Tales of Brave Ulysses
Queen - The Prophet song

Bicicletas de Atalaia – probabilidade
+ Entrevista Ao Vivo
+ Pocket set acústico

Acord – Viver os dias
The Baggios – Aqui vou eu (Ao Vivo no Capitão Cook)
+ Entrevista Ao Vivo com The Baggios
+ Entrevista Ao Vivo com Acord

PJ Harvey & John Parish - Leaving California
The Micragirls - White Devil
The Girls at dawn - It´s only the time
Veruca Salt - so weird
Venus Volts - The lover was a faker

Bikini Kill - Doube Dare Ya
Huggy Bear - No Sleep
Slant 6 - Time Expired
Emily's Sassy Lime - Would-Be Saboteurs Take Heed
Bratmobile - Die
(por Daniela)

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