sexta-feira, 6 de maio de 2011

# 187 - 06/05/2011

Opa, para tudo: Acabo de ficar sabendo, via Portal Rock Press, que o Atari Teenage Riot, um dos "favoritos da casa", disponibilizou um single de seu próximo álbum no site oficial do grupo. Chama-se "Blood in my eyes" e na letra Nic Endo, que faz os vocais, fala em nome das mulheres vítimas de tráfico humano. Abrirá o programa de rock de hoje, e virá bem acompanhada com “Legacy Was Yesterday”, faixa nova do Napalm Death.

Na sequencia, 4 faixas de "Sonic Mambo", o primeiro disco do Eddie, na série "Discoteca Básica", seguidas de um cover de "Desequilibrio" gravado por Nasi, ex-Ira!, em seu último trabalho solo. O Eddie tocará amanhã em Aracaju, no Cinemark do Shopping Jardins, na festa "Será que a Notívagos volta?". Haverá também a exibição do filme "Somewhere", de Sofia Coppola, ainda inédito nos cinemas da cidade, e uma apresentação dos Mamutes. Por conta disto veicularemos, também, um bloco com musicas extraídas das trilhas sonoras dos filmes da filha do "poderoso chefão": "As Virgens suicidas" (Air), "Encontros e desencontros" (The jesus & Mary Chain, claro) e "Maria Antonieta" (The Cure, New Order e Aphex Twin). De "Somewhere", a faixa que abre e fecha o disco, dos franceses do Phoenix.

No "Bloco do ouvinte" nossa já habitual colaboradora, Rosi, vai mostar o que é que a Bahia tem. Diz ela que irá aos estudios apresentar ao vivo, é ouvir para conferir. Completando o set, o Drop Loaded nosso de toda semana e alguns punk rocks clássicos: Sham 69, espécia de "banda-mãe" do punk/oi!, skinhead em sua formação porém sem vinculação com a extrema direita; The Undertones, da Irlanda do Norte, com seu rock dançante totalmente inspirado nos Ramones; The Saints, precursores do punk rock australiano (a banda é de 1974!); Penetration, cujo nome foi retirado de uma música de Iggy & The Stooges, e os vocais femininos de Pauline Murray; Vibrators, punk rock com belas melodias que influenciou meio mundo, e The Adverts, que não tinha o menor pudor em ser punk rock e ao mesmo flertar com o sucesso comercial. Gaye Advert , baixista/vocalista, foi definida pela The Virgin Encyclopedia of 70s Music como "the first female punk star".

Até mais !

A.

#

Atari Teenage Riot - Blood in my eyes
Napalm Death - legacy was yesterday

Eddie - " Sonic Mambo "
( Discoteca Básica )
# Videogamesongs
# Pedra
# Eu só poderia
# Buraco de bala

Nasi - Desequilibrio

Redhead Outdoors:
# Ice Cream and libertines
# Car Queen killers
( Drop Loaded )

Sham 69 - Bostal Breakout
The Undertones - smarter than you
The Saints - (I´m) Stranded
Penetration - Don´t dictate
Vibrators - Judy Says
The Adverts - Gary Gilmore´s eyes

Phoenix - Love like a sunset
The Jesus & Mary Chain - just like honey
Air - Playground love
New Order - Ceremony
Aphex Twin - Avril 14th.
The Cure - All cats are grey

Aqueronte - Tears and Blood
Burning Heart - Imaginations
Cruzadas - Idade das trevas
Canto dos Malditos na Terra do nunca - qualquer intenção
( por Rosi Matos )

quinta-feira, 5 de maio de 2011

DRI, uma entrevista

Entrevista concedida no dia 17 de abril, momentos antes do show em São Paulo, pelos membros fundadores remanescentes da banda, Kurt Brecht (vocais) e Spike Cassidy (guitarra). Publicada originalmente no site "whiplash".

Por Fernanda Lira

O D.R.I. é originalmente do Texas, enquanto a maioria das bandas de thrash dos anos oitenta nasceu na Califórnia. Como era a cena no Texas quando vocês começaram?

Kurt Brecht: Bem, quando nós começamos no Texas, curtíamos e vínhamos de uma cena bem hard core e então não sabíamos como era a cena metal por lá, já que as bandas desse estilo não tocavam nos mesmos lugares que tocávamos.

E quais eram suas influências naquela época? Quais bandas vocês costumavam ouvir e então colocar elementos delas em suas músicas?

Kurt: Bandas de hard core da Califórnia, nadas de hard core do Texas, bandas de Washington D.C., como Minor Threat e Misfits de Nova Iorque, Bad Brains.

Falando em Misfits, vocês tocaram com eles no Abril Pro Rock aqui em Recife há alguns dias atrás. Como foi o show?

Kurt: Eu sempre gostei deles e o show foi ótimo. É difícil de descrever, sabe... Vimos o show de graça, tínhamos passes para o backstage. Muito legal!

Nesse mesmo festival você tocou junto a algumas bandas brasileiras. O que você achou delas?

Kurt: Sim, tocamos com o Violator e algumas outras bandas. Eles são bons.

E quanto ao público de lá? Qual sua opinião?

Kurt: Eles tem sido loucos todas as noites, mas acho que em São Paulo será o melhor lugar de todos! (N. da R.: A entrevista foi conduzida minutos antes do show em São Paulo começar). Mas todas as noites têm sido legais.

Voltando um pouco novamente ao passado da banda, por que vocês decidiram sair do Texas e ir para São Francisco?

Kurt: Outras bandas como Verbal Abuse já tinham ido para lá e morado lá por um tempo e nos disseram: “Vocês deviam ir para lá! As pessoas darão mais atenção para a banda lá”. O Texas tinha pouco espaço para a cena, e em algumas semanas já tínhamos tocado em todos os lugares possíveis e então todas as pessoas já tinham visto a banda um milhão de vezes, pois tocávamos a toda hora. Em São Francisco isso não ocorreria durante um bom tempo.

Muitos dizem, e eu concordo, que vocês criaram um estilo de música, o crossover thrash, que influenciou várias bandas. Qual seu sentimento em relação a isso?

Kurt: É maravilhoso! O fato de termos criado um estilo que influenciou bandas como Hatebreed e Anthrax, que também fizeram com que o estilo fosse cada vez mais adiante, é muito gratificante. Se contar que nós fomos influenciados também. Eles mesclaram o metal com uma vertente mais agressiva e rápida e nós viemos do thrash e passamos a misturar com elementos mis característicos do metal. Estamos todos juntos na cena: tocamos juntos em alguns shows e chegamos até a pertencer às mesmas gravadoras por um tempo.

Quando eu ouço os álbuns da banda, eu percebo que há claramente uma evolução nas músicas. No primeiro disco, “Dirty Rotten EP” vocês têm 22 músicas em 18 minutos, e nos próximos, como “Dealing with It” e “Crossover”, vocês já passam a mesclar thrashcore, com crossover e elementos de metal. Como você analisaria essas mudanças?

Kurt: Bom, na época em que aparecemos com o “Crossover” já estávamos fazendo bastante turnês, tínhamos algo como 50 músicas, todas muito pequenas e rápidas, e então começamos a achar que precisávamos acrescentar algo entre aquelas músicas, para torna-las mais interessantes. Em Nova Iorque as bandas começaram a inserir passagens mais lentas, mas pesadas e trabalhadas e mesmo assim as pessoas continuavam agitando as músicas, mesmo que de uma forma mais lenta, e nós passamos a gostar daquilo e de bandas como Slayer e Metallica.

Spike Cassidy: Foi também uma evolução que ocorreu por estarmos ouvindo bandas novas. No começo só escutávamos bandas como Dead Kennedys, Circle Jerks e Black Flag, Minor Threat e por isso tendíamos a tocar sons curtos e rápidos. Mas quando passamos a ouvir Slayer e Metallica, que gostávamos muito, começamos a compor de forma diferente.

Há uma pergunta que sempre direciono às bandas e que eu sei que é bem difícil de ser respondida. Mesmo assim, gostaria de saber de vocês qual álbum vocês acham que melhor descreve a banda?

Kurt: Hum... Acho que “Dealing with It” é o mais clássico, porque nele nós regravamos as músicas antigas, mas também acrescentamos algo de diferente, mais metal, nelas. Com ele, headbangers começaram a aparece em nossos shows dizendo que tocávamos metal, e eu falava “Sério?”. Então eu diria que seria o “Dealing” que melhor nos descreve, pois ele é o álbum que contém maior variedade de estilos.

Spike: É realmente difícil escolher apenas um que melhor descreva a banda, mas eu também fico com o “Dealing with It”, porque é um álbum que mistura bem o punk e o metal. Digamos que ali você encontra 50% de cada um deles.

O que eu acho interessante em seus shows é que vocês atraem diferentes tipos de público. Quando assistimos ao “Live at the Ritz”, por exemplo, podemos ver punks, headbangers...

Kurt: É perfeito para nós, pois podemos tocar em vários lugares diferentes. Por exemplo, só no ano passado fomos headliners de um festival de punk, depois de um de hard core e depois de um de death metal. Então para nós é muito legal que haja essa mistura. Assim atingimos um número maior de pessoas com o nosso trabalho.

Quão diferente vocês acham que a cena é desde quando vocês começaram a tocar até hoje?

Kurt: Eu acho que agora é mais homogênea e não tão segregada. Antes era tudo mais separado. Se você ia a um show de hardcore dificilmente encontraria um headbanger cabeludo, mas hoje em dia isso se tornou mais aceitável.

Spike: Antes era complicado mesmo. O pessoal se preocupava muito com essa coisa das ‘tribos’. Hoje em dia as pessoas se importam mais com a música e com se divertir.

Por que vocês passaram tanto tempo sem lançar um álbum?

Kurt: Nós simplesmente passamos muito tempo em turnê. Quando lançamos o “Full Spead Ahead” passamos três anos viajando sem parar. E é assim que tem sido: você volta da Europa e te querem viajando pelo Japão, então quando você volta pra casa já tem que se preparar para ir à América do Sul... Sem contar que demora muito gravar um disco, esperar ele ser lançado e só depois cair na estrada. Então, depois de passarmos um tempo parados, optamos por aproveitar o máximo de novo o tempo que passamos viajando pelo mundo.

Mas, no momento, vocês têm planos de voltar a compor algo para um futuro trabalho?

Kurt: Sim, mas cada coisa tem seu tempo. Não é simplesmente chegar no estúdio e gravar o álbum.

Em 2004, por que vocês lançaram uma faixa demo online, chamada “Against Me”, que saiu do ar pouco tempo depois?

Kurt: Bem, gravamos aquela música em um dia de folga durante uma turnê na Europa. Nós tínhamos umas quatro músicas novas prontas, mas só tivemos tempo de colocar os vocais em uma e por isso ela foi lançada. Mas o tempo era muito curto para compor, gravar e lançar um álbum novo.

Spike: Sem contar que hoje em dia temos um grande problema acontecendo em relação aos discos. Uma pessoa compra e em segundos milhares tem acesso a ele gratuitamente. Há um custo muito alto em gravar um disco e ninguém compra mais hoje em dia, então você não tem seu dinheiro de volta, não há um retorno financeiro. Não sobreviveríamos apenas com o valor da venda de discos, mas com o dinheiro de uma turnê, isso é possível, e é por isso que fazemos isso. Não é que eu seja contra o download e a Internet. Eu acho que a Internet trouxe muitas coisas boas que não tínhamos antigamente, como uma maior exposição do nosso trabalho, porque mais pessoas acabam ouvindo e também que podemos postar facilmente vídeos e informações sobre a banda. Isso é bom! O que eu quero dizer é que não é possível mais sobreviver apenas de discos, pois você demora muito para receber seu dinheiro de volta. Sem contar que tocamos muito de nosso material antigo e muito pouco de discos mais recentes, porque as mais velhas têm mais impacto sobre o público ao vivo. Às vezes eles nem conhecem os sons recentes que tocamos! (risos) Então damos ao público o que eles querem!

Como vocês, especialmente você, Spike, se sentem voltando aos palcos depois de passar por um período tão difícil, como o que ocorreu há um tempo atrás? (N. da R.: O guitarrista Spike descobriu, tratou e curou um câncer em meados de 2007, o que fez com que a banda desse uma pausa em suas atividades)

Spike: Nossa, eu senti muita falta disso tudo que estou vivendo agora!

Kurt: Sem contar que passamos um tempo exercendo profissões comuns, até que pudéssemos voltar às turnês.

E como tem sido a resposta dos fãs ao retorno de vocês?

Spike: Tem sido maravilhoso! A cena do thrash se renovou bastante e hoje em dia vemos muitos jovens adolescentes que vem e nos falam “Não pude ver vocês antes porque tinha dez anos. Agora sou velho o bastante para vê-los ao vivo e entrar no show!”.

Exatamente sobre isso que eu gostaria de comentar. Eu, por exemplo, nasci em 1989, quando vocês já estavam há muito tempo tocando. Assim como eu, vários fãs de cerca de vinte anos de idade estavam ansiosos para vê-los ao vivo pela primeira vez. Como vocês se sentem em relação a isso?

Kurt: Eu amo! Agora eles podem finalmente ver a gente tocar!

Spike: Sem eles, não sobreviveríamos! Sem nossos fãs novos, talvez não houvesse tantos shows, pois boa parte dos nossos fãs antigos já não podem mais comparecer, pois estão enroscados com seus trabalhos, estão casados, têm filhos...

Vocês tocaram em praticamente todos os continentes, visitando vários países ao redor do mundo. Qual público você acha que é o mais louco?

Spike: Nós recentemente tocamos durante três semanas na Europa, e os fãs mais impressionantes foram os da Grécia, Espanha, Bulgária, Turquia... Todos os lugares são muito legais, pra falar a verdade. Eu, particularmente gosto quando não tem grade separando o público da gente, pois assim eles podem se divertir dando stage dives.

Infelizmente hoje nós teremos grade aqui!

Spike: Mas talvez seja melhor, porque hoje, pelo que eu percebi, vai ter bastante gente. E porque também vocês da América do Sul costumam ser bem ativos! (risos) Ah, o pessoal no México também são bem selvagens!

Já que vocês consideram o público latino tão legal e já que costumam ter bastante gravações ao vivo, porque não lançam alguma registro dos shows nesses países?

Spike: Bem, nós temos medo de lançar e ninguém comprar! (risos) Estou brincando! Mas então, nós estamos há um bom tempo gravando shows ao redor do mundo, mas a maioria das gravações não sai muito legal. Mas, quando eventualmente sai algo legal, guardamos e vamos acumulando para futuramente lançarmos sim um DVD com essa compilação. Na verdade, estamos planejando algo do tipo no momento, para celebrar nosso aniversário de 30 anos de banda.

Uma vez eu entrevistei o Municipal Waste e o vocalista Tony Foresta me disse que em um determinado show, as pessoas fizeram crowd surf com um sofá! Vocês têm alguma historia curiosa ou engraçada relacionada a turnês e seus shows?

Kurt: Houve vezes que começamos a tocar tão rápido e que as pessoas começaram a ficar tão loucas, que os shows tiveram de ser interrompidos lá pela terceira música, ou porque a polícia chegava e fechava tudo, ou porque os equipamentos ficavam danificados por algum motivo, ou porque pessoas começaram a se machucar.

Spike: Em alguns shows já vimos as pessoas fazendo stage dives com portas, com barcos infláveis e todo tipo de coisas estranhas que você possa imaginar. Ou senão pode até acontecer coisas como o que houve quando tocamos a alguns dias em Belo Horizonte. O nosso baixista Harald falou algo como “Esse palco agora também é de vocês” no microfone, e então dezenas de pessoas subiram lá com a gente e começaram a agitar, tocar air guitars, gritar nos nossos ouvidos coisas como “Eu te amo!!”, a tirar fotos conosco enquanto estávamos tocando... Eu tenho gravado, deixa eu te mostrar! (N. da R.: Nesse momento, Spike me mostra um vídeo em seu IPhone do show de Belo Horizonte, onde cerca de trinta pessoas estavam no palco!) Você consegue achar alguém da banda aí no meio da galera? (risos) E te digo que já teve piores! Uma vez tocamos em uma arena onde centenas de pessoas subiram ao palco e tivemos que parar o show.

Ok, pessoal! Eu gostaria de agradecer...

Spike: Ah, a entrevista já acabou? Que pena! (risos) Antes de terminarmos, então, gostaria de mandar um recado especial para os fãs. Eu gostaria de agradecer vocês pelo apoio de quase trinta anos que vocês vêm nos dando. Este ano, graças a isso vamos toca em lugares na Ásia e na Rússia onde nunca tocamos antes, e não vemos a hora de nos apresentar pra essas pessoas que nunca nos viram antes. Prometemos, também, vir à América do Sul e ao Brasil mais vezes daqui em diante! Mais uma vez, muito obrigado pelo apoio de todos vocês!




terça-feira, 3 de maio de 2011

Eu vou, eu já tou aí ...

Uma proposta de pauta a respeito dos pernambucanos da Eddie, mais de dois anos depois dos caras lançarem o festejado Carnaval no Inferno, trabalho mais recente da banda, é quase uma sacanagem. A essa altura do campeonato, os acordes do disco já estão aninhados na experiência da galera mais esperta da cidade, que não fez cheiro mole e atendeu ao convite da Sessão Notívagos de bate pronto, enchendo o hall do Cinemark Jardins com a beleza e a alegria de nossa juventude rebelde, numa edição histórica do projeto.

De lá pra cá, muita água passou por baixo da ponte. O produtor cultural Roberto Nunes foi obrigado a aceitar a inviabilidade do projeto, e a cidade perdeu, além de um palco valioso para as bandas locais, uma das alternativas mais interessantes que já conheceu em matéria de cultura e diversão.

Mas nada como um dia depois do outro. Esta semana, a produtora Cine Vídeo e Educação volta a dar murro em ponta de faca e insiste em investir energia e dinheiro na inteligência dos notívagos locais. Se tudo der certo e a resposta for satisfatória, quem sabe a Sessão Notívagos, responsável por alguns dos melhores shows já realizados aqui na terrinha, não volta?

Para que os desavisados entendam a importância do projeto – que nesta edição, além de apresentação da Eddie e dos malucos da Mamutes ainda conta com exibição do longa metragem Somewhere, de Sofia Copolla – basta resgatar as palavras do blogueiro e apresentador do Programa de Rock (Aperipê FM-104,9), o chapa Adelvan Kenobi, que registrou suas impressões em artigo redigido logo depois da apresentação da Eddie, em março do ano passado.

“Foi antológico – uma noite para ficar na memória de todos os que estavam lá, abrigados da chuva e da programação insossa e fajuta de uma tal “Virada cultural” improvisada pela prefeitura, cujos responsáveis pela inexistente “política cultural” parecem achar que, em Pernambuco, só existe a Nação zumbi”.

Pra qualquer um com um pingo de juízo, não existe outra resposta para um convite como o resgate da Sessão Notívagos. Pode me chamar que eu vou.

Será que a Notívagos volta? – No próximo dia 12 de junho a produtora Cine Vídeo e Educação- Ações Culturais comemora sete anos de obstinação para manter Aracaju minimamente conectada com o que há de mais instigante no mundo da sétima arte.

Nesse período, o Moviecom fechou e o projeto mudou para a Rede Cinemark. Com o apoio do maior exibidor de filmes do Brasil, o projeto se expandiu e hoje ocorre em 25 complexos, distribuídos em 14 cidades de 11 estados do País, alcançando um público estimado em 70 mil pagantes, no ano passado.

A resposta do público permitiu que o Cine Cult gerasse duas novas ações – a Virada Cinematográfica, com a exibição de filmes durante a noite toda; e a Sessão Notívagos, projeto inédito em seu formato, que reúne a exibição de um filme seguida da apresentação de bandas aos vivo no hall do cinema.

A Sessão Notívagos parou de acontecer, a produtora foi acumulando débitos e começou a considerar a inviabilidade de tanto investimento numa cidade onde o terreno para projetos culturais diferenciados é árido, carecendo de apoio tanto na esfera pública, quanto na privada.

Mas como insistir é o lema da Cine Vídeo e Educação, a produtora resolveu aproveitar a oferta da banda Eddie, que propôs uma apresentação entre um show em São Paulo e outro em Salvador, para realizar a Festa: Será que a Notívagos Volta?, que terá todos os ingredientes da Notívagos, com exceção do nome de batismo.

Então, quem estiver afim de comparecer basta comprar seu ingresso por R$ 20,00, preço único, na Casa da Cópia Jardins ou Markus Tattoo House, na Rua Capela 28, esse valor será até sexta. No dia 07 sobe para R$ 25,00.

A festa, que deve se estender para depois da 04 da manhã, ainda oferecerá um mesa de frutas, água, suco e café para quem resistir à maratona de cinema e rock’n roll.

por Rian Santos - Spleen e charutos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Será que a Notívagos volta?

Local: Cinemark Jardins
Data: 07 de maio (sábado)
Hora: 23 horas

"Somewherw", de Sofia Coppola

+ Mamutes

+ Eddie


segunda-feira, 2 de maio de 2011

BICICLETA SEM FREIO

Renato Reno, Douglas de Castro e Victor Rocha são o trio de desenhistas goianos que compõe o coletivo BICICLETA SEM FREIO. Conheceram-se em 2003 no curso de Artes Visuais da UFG e em 2005 montaram um estúdio “de criação focado em animação e ilustração”, diz Reno. “Preferimos aguardar que os clientes nos procurem pela linguagem autoral dos nossos trabalhos ao invés de garimpar o mercado.” Mesmo sendo alternativos e morando em Goiânia, já fecharam contratos c/ gigantes corporativos como Sony, Nike e Converse, garantindo seu modus-operandi em grande estilo. A marca registrada do grupo são os desenhos de pin-ups c/ corpos perfeitos em motivos psicodélicos.

A referência principal dos ilustradores do Bicicleta Sem Freio é o universo rock’n’roll”, diz a amiga Vanessa Cavalcante. “Os desenhos são feitos à mão, tendo o lápis, a caneta nanquim e a mesa de luz como grandes companheiros do processo de criação. Não é difícil encontrar composições que foram desenhadas na íntegra, incluindo a tipografia dos textos. Dessa forma, muitas vezes o computador é usado apenas para tornar o trabalho reproduzível.” Dão seu suporte à cena rock local c/ cartazes de festas e capas de discos que se tornaram lendários – já fizeram as artes dos festivais Bananada e Goiânia Noise e colaboram c/ MQN, Macaco Bong e outras bandas da região Centro-Oeste.
Douglas e Victor fazem parte da Black Drawing Chalks, os “Desenhos Pretos de Giz de Cera”, banda de stoner-rock onde tocam guitarra e bateria ao lado de Renato Cunha e Denis de Castro. Já lançaram 3 discos, abriram p/ Nashville Pussy, excursionaram no Canadá e tocaram no SWU. Victor é o principal vocalista e autor de My Favorite Way, melhor single de 2009 segundo a revista Rolling Stone. P/ esta música o BSF produziu uma animação insana repleta de garotas de sonho num ambiente onírico – uma espécie de Yellow Submarine p/ adultos. O clip foi feito “depois de muita conversa fiada e rabiscos”, diz Reno. “O importante é sair bem-feito e c/ nossa identidade”.

Não é a toa que o lema dos caras é “MUITO FETICHE E BELAS MULHERES”.

Acompanhe o trabalho dos caras aqui.

por Adolfo Sá

vlb

sexta-feira, 29 de abril de 2011

# 186 - 29/04/2011

O programa de rock de hoje NÃO homenageará o casal real da Inglaterra. Homenageará a adorável Poly Styrene, ex-vocalista do seminal X-Ray Spex, banda que, com apenas um disco relevante (a exemplo do Sex Pistols) marcou a história do punk rock. Ela estava prestes a lançar seu segundo álbum solo, o primeiro desde 198o (!!!), descontados 2 EPs e um single, mas sucumbiu a um câncer de mama. A homenagem a Poly foi produzida por Danihella, nossa "riot grrl" favorita. Teremos também novas da Casca Grossa, uma das muitas bandas que contam em suas fileiras com a figura emblemática de Silvio Campos, de Brian Setzer, que acaba de lançar um disco totalmente instrumental, e dos Beastie Boys - a dos rappers novaiorquinos nem é tão nova, já que havia sido lançada anteriormente como single, mas é a faixa mais "rock" do novo disco deles.

Depois de relembrarmos o brit pop dos anos 90, mergulharemos numa "tour-de-force" intimista com uma faixa de Martin Hannet, notório produtor da Factory responsável pelos discos do joy Division, dentre outros, que saiu no primeiro disco do Durutti Column. Seguiremos com How To Destroy Angels, o projeto que Trent Reznor montou com sua mulher depois do fim do Nine Inch Nails (e antes da consagração com o oscar pela trilha sonora de "A Rede Social"); a faixa de abertura de "Dummy", o clássico primeiro disco do Portishead; outra do último fruto da parceria entre Mark Lanegan e Isobel Campbell, "Hawk", e uma pérola um tanto quanto esquecida, o single lançado por Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, nos anos 90 (a história desta gravação está destrinchada logo abaixo).

Fechando o programa, um pequeno apanhado do maravilhoso mundo da musica alternativa brasileira do século XXI: Uma faixa extraída da maior obra-prima do rock nacional da década, na minha humildo opinião, o disco "Uhuuu", do Cidadão Isntigado, mais Viana Moog, de São Leopoldo, Rio Grande do Sul, Suíte Super Luxo, de Brasília, Dois em um, de Salvador, e Gigante Animal, de São Paulo, que infelizmente acabou. Babalu, o homem cujo nome virou sinônimo de estilo musical em Aracaju, fazia parte da banda.

Espero que gostem. Mas se não gostarem, é nenhuma, também.

Semana que vem tem mais.

A.

# # #

“Interlude” é um “single” de Morrissey e Siouxsie, dos Banshees, lançado em agosto de 1994. É a única colaboração de que se tem notícia entre estes dois verdadeiros ícones do rock inglês e foi relacionada pela revista Spin entre as 10 maiores “one-off team-ups” de todos os tempos.

A música foi gravada durante as sessões do disco “Vauxhall & I”, de Morrissey, com produção de Boz Boorer, diretor musical e guitarrista da banda do ex-smiths. É um cover cuja versão original é de 1968 e foi gravada pela cantora Timi Yuro como uma faixa da trilha sonora do filme de mesmo nome. Morrissey havia contactado Sioxsie ainda no inicio da década com a idéia de que os dois gravassem algo juntos. Propôs canções interpretadas por vozes femininas, como Nancy Sinatra e Dionne Warwick. Sioxsie escolheu esta balada e ele concordou.

As sessões ocorreram em clima de descontração – “alegria completa”, segundo o produtor, Boorer. Logo após a gravação, no entanto, os dois intérpretes se desentenderam quanto ao conteúdo do vídeo promocional, o que acabou fazendo com que o clip não fosse produzido e todo o projeto fosse posto “na geladeira”. A EMI ameaçou não lançar a bolachinha sem o suporte em vídeo, mas o fez no verão de 1994, contra todas as expectativas, já que a musica era considerada uma “winter song” (canção de inverno). Apesar disso o disco chegou a posições da parada compatíveis com o que vinha sendo conquistado pelos dois na época: #25 UK. Siouxsie, com suas duas bandas, Creature e os Banshees, nunca havia alcançado nada acima do # 21 e Morrissey havia chegado apenas à 47ª posição com seu single anterior, "Hold on to Your Friends".

"Interlude" também foi lançado na Europa via EMI. Na América do Norte, no entanto, devido à impossibilidade de um acordo entre a Sire (empresa de Morrissey nos EUA) e a Geffen (de Siouxsie), o registro só estava disponível através de importação em quantidades muito limitadas. A música foi posteriormente incluída em uma compilação chamada Suedehead: O Melhor de Morrissey. Uma versão inédita, apresentando apenas os vocais de “bardo de Manchester”, está em "Very Best Of", outra coletânea, de 2001.

Em 2008 a cantora Diamanda Galás também gravou uma versão de “interlude” para seu álbum “ Guilty, Guilty, Guilty “.

Fonte: Wikipedia

por Adelvan

#

Casca Grossa - Força punk
Beastie Boys - Lee Majors come again
Brian Setzer:
# Earl´s Breakdown
# Be-Bop-A-Lula

Bloco produzido por Danihella:
X-Ray Spex:
# Oh! Bondage up yours
# The Day the world turned day-glo
# Art-I-Ficial
Poly Styrene:
# Thrash city
# Black Christmas
# Bicycle song

Affairtype - Take me
Bloodthirsty Bitchers - jack Nicholson
( Drop Loaded )

Suede - Animal Nitrate
Supergrass - Caught by the fuzz
Blur - Badhead
oasis - Morning glory

Martin Hannett/The Durutti Column - First aspect of the same thing
How To Destroy Angels - The space between
Portishead - Mysterons
Mark Lanegan & Isobel Campbell - We die and see beauty reign
Siouxsie & Morrissey - Interlude

Cidadão Instigado - Homem velho
Viana Moog - Chagas adesivas
Suíte Superluxo - Máquinas passionais
Gigante Animal - Compasso
Dois em um - Deixa

Rock Sertão - programação.

Saiu a programação do Rock Sertão, festival que acontece anualmente em Nossa Senhora da Gloria, Sergipe. Este ano duas surpresas: Ladrão, a banda do Formigão (ex-Dash/Planet Hemp), e Jesse Monroe, cantora e compositora inglesa radicada na Bahia. Teremos também o Hatend, banda de thrash metal de Paulo Afonso, Bahia, e alguns dos melhores e mais representativos nomes da cena alternativa sergipana. É a oportunidade para estas bandas, que já estão pra lá de acostumadas a tocar em Aracaju em "points" como o Capitão Cook e a Casa Cultiva, se apresentarem para um publico diferenciado, no interior.

O "Ladrão" faz uma interessante mistura de rock alternativo, eletronica e experimentação que você pode conferir clicando aqui. Já o som de Jesse Monroe está mais para uma mistura de soul, pop e dance music - algo próximo ao que Joss Stone faz, com bastante sucesso. Mesmo que não seja exatamente rock e você, roqueiro "doidão", se ressinta disso, deve valer a pena VER o show, como pode ser conferido nas fotos que ilustram essa matéria. Para saber mais, clique aqui.

Abaixo, uma pequena entrevista que a revista VIP publicou junto a um ensaio sensual com a loira:

Você mora no Brasil ou em Londres?

Moro na península de Maraú, na Bahia, mas vou e volto de Londres todo ano.

As fotos mostram toda a sua flexibilidade. Ela ajuda na hora de subir ao palco?
Não, prefiro usar a escada [risos].

Como faz para manter a forma?

Bebo, como, dou risadas, danço muito e faço amor. Uma vez a cada 15 dias dou uma corrida na praia.

Algum fã já fez loucuras por você?

A não ser depósitos anônimos na minha conta, escalar um prédio para se declarar e entregas de flores, chocolates e joias? Não, nada interessante [risos].

E algum desses que fizeram loucuras te conquistou?

Eu me vejo como uma filósofa solitária, estudando as profundezas do universo. Mas, infelizmente, não resisto a uma bunda bonita.

E o que mais chama sua atenção em um homem?

Além da bunda bonita? A capacidade de seguir minhas instruções.

programação completa

Quarta (11.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)

Quinta (12.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)
Palestras e Mostra Cultural Zambumbambus Local: Colégio Estadual Cícero Bezerra
19:00h – 23:00h
Mostra Audiovisual
Apresentação do grupo de teatro Cobras e Lagartos (Lagarto-SE) – Peça: A Peleja de Valentim contra a Morte pelo amor de Manuela
Apresentação musical de uma banda selecionada por votação online
Local: Praça do Coreto (Praça Filemon Bezerra Lemos)

Sexta (13.05)

08:00h – 12:00h
Oficina de teatro Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
13:00h – 17:00h
Oficina de audiovisual Local: Escola Municipal Tiradentes
Oficina de música Local: CRAS (Centro de Referência e Assistência Social)
20:00h
Local: Praça Antonio Alves Oliveira

- Karranca (Itabaiana) - http://www.myspace.com/flaviokarranca

- Naurêa (Aracaju) - www.myspace.com/naurea

- Elvis Boamorte e os Boavidas (Aracaju) - http://www.myspace.com/elvisboamorteeosboavidas

- Ferraro Trio (Aracaju) - www.myspace.com/ferrarotrio

- The Jezebels (Aracaju) - http://www.myspace.com/jezebelsrock

- Fator RH (Nossa Senhora da Glória) - http://www.myspace.com/fatorrh-gloria

- Banda selecionada por votação online

Sábado (14.05)

14:00h – 18:00h
Fórum de discussão Local: Câmara de Vereadores de Nossa Senhora da Glória
19:00h
Local: Praça Antonio Alves Oliveira

- Lacertae (Lagarto) Gravação do DVD - http://www.myspace.com/lacertae

- Nucleador (Aracaju) - ) http://www.myspace.com/nucleadores-

- The Baggios (São Cristóvão) - ) http://www.myspace.com/baggios

- Alapada (Aracaju) - ) www.myspace.com/bandaalapada

- Jesse Monroe (Inglaterra) - http://www.myspace.com/jessemonroelondon

- Hatend (Paulo Afonso/BA) - http://www.myspace.com/hatend666

- Ladrão (Rio de Janeiro/RJ) - http://www.myspace.com/ladrao

- Banda selecionada por votação online

quarta-feira, 27 de abril de 2011

ALDEIA ROCK FESTIVAL - Rock Natureba e Ecologia Rolando

ALDEIA ROCK FESTIVAL 2011 – 21,22,23 de Abril - Casimiro de Abreu/RJ

Aldeia Rock Festival é uma espécie de Festival Psicodalia do Rio de Janeiro. O evento acontece em um sitio no meio da Mata Atlântica sempre no feriadão da semana santa e esse ano chegou a décima primeira edição. Aldeia Velha é uma comunidade próxima aos municípios de Casimiro de Abreu e Silva Jardim, distante cerca de 150Km do Rio de Janeiro, localizada não muito distante das principais cidades da região serrana e da região dos lagos. Tradicionalmente o evento acontece na própria Vila de Aldeia Velha como sugere o nome do evento, porém, por motivos burocráticos, nessa edição o evento foi transferido para o não muito distante Sitio Sonho Realizado (o nome do sitio se encaixa perfeitamente aos ideais de um festival de rock que lutou pra acontecer). Ao longo dos anos muita gente bacana passou pelo evento, entre eles Serguei, Azymuth, Blues Etílicos... Este ano entre algumas das principais atrações estavam: O Conto (PR), Goya (PR), Cris Carcara (MG), Wagner Jose e seu Bando (RJ), Protesto Suburbano (RJ), Os Macraios (RJ) e como nome de peso o lendário Celso Blues Boy (RJ)!

Texto e Fotos Por Michael Meneses! paraybarecords@hotmail.com

O lema do Festival diz: “Aldeia Rock Festival - Rock And Roll e Natureza Juntos!” e esse foi o clima do evento que ao longo de 11 anos vem se tornando uma tradição cultural, mesmo que aparentemente não receba um apoio forte das secretarias de cultura, turismo e do meio ambiente das cidades da região. O evento demostrou ter um excelente potencial para o turismo, cultura e meio ambiente, e se as prefeituras locais oferecessem qualquer que seja o incentivo à produção do evento, certamente todos ganhariam e com esse apoio o evento teria uma maior visibilidade por parte da mídia. Aliás, independente desse apoio ou não, o festival merece um maior reconhecimento por parte da mídia. Esse ano o evento foi transferido de local em relação às edições passadas e com isso pousadas e lojas de produtos alimentícios e utensílios de camping sentiram no faturamento.

O festival funcionava de forma simples e objetiva, o público pagava o ingresso e tinha direito a área de camping, estacionamento, assistir todos os shows e a fim de evitar o mínimo de sujeira na natureza o evento ainda disponibilizava banheiros químicos e chuveiros. Vale lembrar que o Aldeia Rock Festival é um evento que mesmo que tenha uma estrutura acima da média, tem o seu lado “Underground” e mesmo com todo clima hipponga no ar, até “é possível” dizer que o festival tem seu lado punk.

Os presentes ainda usufruíam do clima gostoso encontrado no vale localizado no Sitio Sonho Realizado e pela Mata Atlântica que proporcionava noites agradáveis e dias de sol intenso, um convite para um joguinho de futebol ou de vôlei para em seguida um bom banho nas cachoeiras da região para refrescar e curar a ressaca da galera depois de noitadas de rock.

Já a estrutura para os shows funcionava perfeitamente com dois palcos, um palco maior para as principais atrações e ao lado um palco alternativo para músicos e bandas que estavam acampados no festival e desejasse participar de jam sessions, e/ou algumas bandas que não foram selecionadas para o palco principal, mas que tinha potencial para o evento.

Os shows

Quinta-Feira – 21 de Abril

Na primeira noite os shows aconteceram apenas no palco alternativo que foi uma evolução nessa edição, pois embora pela primeira vez esse palco de fato estivesse funcionando, nas edições passadas ele já existia. Porém, sem a mesma estrutura, mas com o mesmo ideal, ou seja: espaço livre para quem quisesse mostra trabalho seja cover ou autoral. A iniciativa deu certo e a evolução de um simples espaço alternativo, para criação de um palco de verdade é algo que só enriquece o evento, pois abre espaço para novos talentos e cria um vinculo de ligação ainda maior entre publico e festival. Contudo o palco poderia convidar mais bandas autorais e menos covers, afinal tem muita gente que é a cara do evento e poderia comer pelas beiradas, ou seja, tocando no palco alternativo. Entre as atrações dessa noite o palco alternativo recebeu os niteroienses do Coalhada Rock Band, que calcou o seu set com clássicos do rock e do Raul Seixas. Coalhada é um dos músicos e parecia ser uma espécie de personalidade local sempre muito aplaudido, e durante o show disse que chegou a gravar com o próprio Raul. Em seguida o MV8 subiu e apresentou alguns sons autorais e covers do rock nacional.

Outra característica do evento é que basicamente o som nunca para de rolar, não importa a hora, seja dia ou noite, fim de tarde ou inicio da madrugada, tem sempre um rock do bom rolando, seja com banda em um dos palcos ou com DJ. E assim chegamos à sexta feira.

Sexta-Feira– 22 de Abril

Os shows da sexta feira santa começaram com um abençoado feito já que os presentes naquele fim de tarde foram agraciados com um show arrasador da banda macaense Protesto Suburbano, que entrou para história do evento como a primeira banda de Hard-Core a tocar no Aldeia Rock Festival, um evento cujo foco são bandas de classic-rock e afins. O Protesto Suburbano é uma banda que tem seu nome escrito na cena de Macaé e foi uma ótima opção para representar a Região dos Lagos e colocar o HC na história do evento. Sabendo do peso de ser a primeira banda de HC ao longo de 11 anos de evento, coube ao Protesto aproveitar o clima natureba do local e fazer uso de todo um potencial discursivo em prol da ecologia e não demorou a levantar o publico. O Protesto Suburbano abriu caminho para os sons pesados no evento e punk´s, straight edge´s e heavys já marcam presença em meio aos hippies, então é só abrir espaço às bandas desses estilos, e nem é preciso perder as características musicais do evento.

Outro destaque da noite foram os já veteranos no evento o Wagner Jose e Seu Bando. A banda tocava pela quarta vez no festival e tornou-se uma ótima cartada da produção para essa edição, pois na falta de bandas oficiais ou jams no palco alternativo era o Wagner e Seu bando que faziam a galera curtir o seu Blues Rock and Roll. Ao longo dos dias a banda fez varias apresentações no palco alternativo e isso não quer dizer que a banda estivesse no evento apenas para tapar buraco, muito pelo contrario, além de potencial dos músicos a banda já tem seus seguidores e é a certeza de diversão.

O primeiro destaque do palco principal foram os paranaenses do Goya que apresentaram um rock setentista com influencias que misturavam rock progressivo, psicodélias instrumentais, fusions e em alguns momentos o peso do hard e do heavy dos anos 70, a banda fez bonito no palco principal.

Ainda no palco principal tivemos outro destaque da noite o blues mineiro de Cris Carcara, o power trio mostrou um show totalmente energético com uma pegada que ia do blues clássico à um garage rock sujo e com pitadas de hard rock. A banda fez talvez o show mais longo de todo o evento e agradou.

A último atração da noite foi a banda carioca Os Macraios, que assim como o Coalhada e o Wagner Jose e Seu Bando são figurinhas carimbadas do festival. O som dos Macraios é uma espécie de Raul Seixas dessa geração, um som pra maluco beleza nenhum colocar defeito. Se você se julga um “porra louca” vale conferir o som da banda. O auge do show para alguns ou a visão do inferno para outros, aconteceu na última música quando o vocalista e guitarrista Andre Macraio tirou a roupa e tocou pelado.

Finalizando a noite a banda Relics apresentou covers do Pink Floyd, o diferencial da banda em comparação a tantas outros covers é que alguns sons obscuros do Floyd marcam presença no set e não apenas os hits.

Sábado – 23 de abril

No ultimo dia de evento a banda Wagner Jose, entre uma banda cover e outra, continuou fazendo bonito no palco alternativo. Já no palco principal o Aumumana apresentou uma mistura de rock com sons regionais. Seu forte é o instrumental, mas mesmo com essa característica a banda peca pela falta de uma guitarra mais potente. A banda Espinha de Peixe foi o primeiro destaque da noite e apresentou um rock rural típico do evento e agradou. Na noite o show mais esperado era logicamente o de Celso Blues Boy, isso era fato! Mas quem viajou 21 horas e fez história no evento foi a banda os paranaenses O Conto que simplesmente fez um dos melhores shows de todo o evento, apresentando um rock progressivo cheio de experimentalismo. Seus músicos são multi-instrumentistas e no decorrer do show vão variando de instrumentos. Um show realmente surpreendente. Ao final do set o público ainda pediu bis, mas talvez por conta do horário infelizmente a banda não pode atender.

No palco alternativo Wagner Jose encerrou as atividades daquele espaço e no palco principal a banda Marcelo Toledo & Dose Dupla esquentou o público para a atração da noite, o Celso Blues Boy. Como era de se esperar Celso fez um set com um público nas mãos, mesmo que os presentes já não fossem um número tão grande como nos shows anteriores, muito provavelmente pelo cansaço da galera. Mas quem ficou à curtir e o aplaudiu bastante. Celso fechou o evento com estilo e o bom gosto característica do festival.

Para o ano que vem a produção pretende retornar a local original do evento. Desejamos boa sorte e que o Aldeia Rock Festival continue evoluindo em busca do seu ideal: Rock And Roll e Natureza Juntos!”

Conheça algumas bandas que estiveram no evento:

Cris Carcara: http://www.myspace.com/criscarcara.br

Goya: http://www.myspace.com/planetagoya

O Conto: http://www.myspace.com/oconto

Os Macraios: www.myspace.com/osmacraios

Protesto Suburbano: http://www.myspace.com/protestosuburbano

Wagner Jose e Seu Bando: www.myspace.com/wagnerjose

Sugestões de bandas para a edição 2012 do Aldeia Rock Fest:

Mamutes/SE: www.myspace.com/mamutesmusic

Maquina Blues/SE: www.myspace.com/maquinablues

Mustang/RJ: www.myspace.com/mustangbandcombr

Mutantes/SP: www.myspace.com/mutantesoficial

Oh Pai/RJ: www.myspace.com/ohpai

Plástico Lunar/SE: www.myspace.com/plasticolunar

Repúdio/RJ: www.myspace.com/repudiohc

Rogerio Skalab: www.myspace.com/rogerioskylab

Statik Majik/RJ: www.myspace.com/statikmajikbrazil

The Baggios/SE: www.myspace.com/baggios

The Renegades of Punk: www.myspace.com/therenegadesofpunk

Urublues/SE: www.myspace.com/urublues

Usina Le Blond/RJ: www.clnetsys.com/usinaleblond/

Violeta de Outono/SP: www.myspace.com/violetadeoutono

Som Nosso de Cada Dia/SP

Mopho/AL:

terça-feira, 26 de abril de 2011

10 Anos sem Joey Ramone

"Me sentava com Dee Dee na esquina em frente ao Queens Boulevard e bebia, insultava as pessoas e coisa e tal. Foi quando fui expulso da minha casa. Minha mãe me disse que era pro meu próprio bem.”

Peraí, PARA TUDO ! Dia 15 fez 10 anos da morte de Joey Ramone ! Num mundo perfeito, teria sido feriado planetário e JAMAIS uma data como esta teria passado em branco, mas ok, confesso que me passei. Deveria ter feito um programa de rock inteiro só tocando Ramones! O Abril pro rock, onde eu estava naquela noite (15/04/2011) deveria ter sido dedicado aos Ramones! Todas as bandas, mesma as mais "metaleiras", deveriam ter sido obrigadas por contrato a incluir uma musica deles em seu repertório. Mas como eu não sou ditador do mundo, antes tarde do que nunca, para registrar a data, reproduzo um excelente post do Viva La Brasa assinado por Adolfo Sá e Michael Menezes:

( Viva La Brasa ) Jeffrey Hyman tinha 2 metros de altura, mas não foi seu tamanho que o tornou um dos maiores ícones da cidade de Nova York. Mais conhecido como Joey, ele revolucionou os rumos da música e influenciou o comportamento dos jovens ao lado de Johnny, Dee Dee, Tommy, Marky, Richie e C.J., a família Ramones, do Queens.

Quando começaram a banda não conseguiam tocar os sons que curtiam, então compuseram sua primeira canção logo no primeiro ensaio, I Don’t Wanna Walk Around with You. Em seguida vieram I Don’t Wanna Get Involved with You, I Don’t Wanna Be Learned, I Don’t Wanna Be Tamed e I Don’t Wanna Go Down to the Basement.

Niilistas. A primeira canção dos caras a não ter “eu não quero” no título foi Now I Wanna Sniff Some Glue, “agora eu quero cheirar cola”. Gravaram um disco em 1975 c/ 14 faixas curtas e sujas que reunidas não duravam nem meia hora. Criaram o punk rock, lideraram a cena do CBGB – que contava c/ Blondie, Television, Talking Heads, The Cramps e Patti Smith – e germinaram o movimento na Inglaterra – após se apresentarem em Londres em 76 surgiram Sex Pistols e The Clash.

O resto é História. Foram 14 álbuns de estúdio em pouco mais de 20 anos de carreira, sempre fiéis aos 3 acordes e à batida acelerada. Os Ramones entraram p/ o Rock and Roll Hall of Fame, receberam o Grammy Life Achievement Award e participaram até dos Simpsons [maior de todas as honrarias], sem nunca deixar de ser o que eram em 74: punks.

Joey Ramone morreu em 15 de abril de 2001, aos 49 anos, vítima de um câncer linfático contra o qual lutou ao longo de 7 anos. Sua doença foi o motivo p/ o fim da banda em 96. Ele ainda gravou um disco solo – DON’T WORRY ABOUT ME – e produziu a banda The Independents e um disco de Phil Spector. Coincidência ou fatalidade, Dee Dee morreu 1 ano depois, em 05 de junho de 2002, aos 51, e Johnny em 15 de setembro de 2004, aos 55.

É como se só tivesse sobrado o Ringo Starr dos Beatles. O batera Marky tocou até em Aracaju c/ sua banda The Intruders, e o baixista CJ lidera a Bad Chopper. Joey fez 2.263 apresentações c/ os Ramones em todos os cantos do planeta – 15 delas no Sul e Sudeste do Brasil. “O som deles incentivou centenas de desajustados sociais a montar bandas”, define o jornalista Eduardo Almeida.

Eu nunca fui num show dos Ramones. Mas Michael Meneses estava presente nas 3 vezes em que tocaram no Rio de Janeiro: 1992, 94 e 96. “Sou tricampeão de Ramones no Rio!” Fotógrafo carioca suburbano, filho de nordestinos e fundador do selo Parayba Records, Michael ‘Ramone’ conta c/ exclusividade p/ o Viva La Brasa como conseguiu entrar – e sair vivo – nas 3 gigs. Gabba Gabba Hey!

“1, 2, 3, 4...
Os meus primeiros contatos com os Ramones aconteceram ainda em Aracaju, na saudosa loja Walmir Foto Som. Estava analisando bandas e capas de discos em companhia do falecido Bruxo quando ele falou ao observar o LP RAMONES MANIA: ‘Não gosto de Ramones, acho muito rock and roll’... Fiquei me questionando qual era o problema de uma banda de ROCK ser ‘rock and roll’? Isso ocorreu no final dos anos 80, tinha uns 13 ou 14 anos. Outra coisa que me deixava intrigado era o fato dos Ramones serem uma banda PUNK, e eu tinha uma imagem preconceituosa de que todo punk tinha que usar moicano ou cabelo curto e todo heavy tinha que ser cabeludo. Então me perguntava como uma banda podia ser punk e usar cabelo e visual heavy? Por incrível que pareça, não lembro de ter visto um único punk de Aracaju ouvindo Ramones, Sex Pistols ou The Clash... Ouvíamos muito punk nacional ou as bandas sergipanas – Karne Krua, Logorréia, Manikômio – e também sons gringos porém ainda no underground – como Napalm Death e D.R.I. – até pela influências thrash metal da época. Uma curiosidade dos punks é que por mais que achassem metal chato, alguns curtiam Guns’n’Roses e ouvíamos ‘Sweet Child O' Mine’, ‘Patience’ etc. na Praça da Catedral em fitas K7 ao fim da tarde... Ouvir Guns naquela época não era nenhum pecado.

ROCK AND ROLL RADIO - 1991

Em 1991 voltei a morar no Rio de Janeiro por conta do Rock in Rio II e ainda no primeiro semestre do ano os Ramones quase vieram ao Rio, mas o show não aconteceu. A primeira banda que vi tocando Ramones foi a Volkana com ‘Pet Sematary’ na turnê com Ratos de Porão que teve dois shows em julho no Circo Voador (a Bizz resenhou e eu apareço de costas na foto). Na ocasião RDP tocou ‘Commando’. O Hollywood Rock 1992 trouxe o Skid Row, uma banda que gosto até hoje, mas sem o entusiasmo dos anos 90. Tinha lido, ouvido ou visto em algum lugar que eles tocavam ‘Psycho Therapy’ com o baixista no vocal. Fui ao festival sabendo que o show calaria a boca de quem achava que a banda era apenas de baladinhas de amor. ‘Psycho Therapy’ sacudiu a Apoteose, tenho o áudio da música no Hollywood Rock em K7 e MP3, e costumo pensar que talvez, não fosse o Skid Row, eu não gostasse de Ramones. Heresia? Prefiro ser fiel em minhas palavras...

SOU CAMPEÃO [GÁS IN RIO] - CANECÃO 1992
O ano de 1992 foi uma maravilha de shows no Brasil, a meu ver depois daquele ano entramos definitivamente na rota das turnês internacionais. Aquilo tudo era demais pra mim, dois anos antes passava 6 meses esperando shows de bandas sergipanas, e de repente assistia shows internacionais direto. Citando só alguns, tivemos: Hollywood Rock com Living Colour, Extreme, Skid Row... depois shows com Kreator, Jello Biafra com Ratos de Porão, além dos shows nacionais acontecendo no Circo Voador, Garage Art Cult, Caverna II, Bar do Paulinho, Bar Sem Destino, e em outros picos da cidade. Tivemos os históricos primeiros shows do Black Sabbath no país, menos de um mês depois teve Iron Maiden no Maracanãzinho, uns 10 dias depois teve a volta do Skid Row ao Brasil e até o Sepultura fez seu primeiro show no Canecão.

A essa altura eu já era fã dos Ramones, aí foi anunciado que eles voltariam ao Brasil e dessa vez com show no Rio. O sucesso do filme Cemitério Maldito ajudou bastante na popularidade da banda, além de ter publico garantido por conta dos fãs. Na época o país era um caos, a batata do presidente Collor assava e a inflação na casa do caralho. Vejo a garotada de hoje achando que tudo tem que ser BAIXADO e reclamando ao pagar por show, comprar um CD, mas essa garotada que em 1992 usava chupetinha, não sabe o quanto era difícil ir a shows ou comprar discos com toda aquela inflação, é só olhar para trás e ver que tudo hoje é mais acessível.

Minha namorada da época tinha uns 16 anos, nos dias de hoje qualquer jovem viaja de um estado para outro sem autorização dos pais, mas em 1992 não era assim, e nem era qualquer mãe que deixava uma filha com 16 ir de Realengo (Zona Oeste) ao Canecão em Botafogo (Zona Sul) para um show punk, ainda mais na companhia do namorado, ou seja, minha ex-namorada só iria ao show comigo se sua irmã mais velha fosse também, a exemplo do que aconteceu no Skid Row no Maracanãzinho, onde sobrou pra mim pagar ingressos para as duas – na verdade paguei para ex, emprestei pra irmã e nunca fui ressarcido, mas isso faz parte. Alguns dias antes da esperada apresentação dos Ramones, vi que ficaria inviável com aquela inflação pagar mais que um ingresso e falei que não teria como pagar para elas. Para ter ideia da inflação em 92, os ingressos para os shows do Black Sabbath custaram 35 mil cruzeiros, menos de um mês depois o Iron Maiden custava uns 45 mil, uns 10 dias depois, Skid Row 55 mil, já o ingresso de pista do Ramones custou 60 mil cruzeiros. Enfim, a namorada me deu um pé na bunda, não tenho certeza se por esse motivo ou não, mas o fato é que eu fui ao show no maior bode! Rsrs...

Vamos ao show: a clássica intro começou a soar e certamente muita gente foi às lagrimas, fico arrepiado só de lembrar, o Canecão era uma festa! O set foi idêntico ao do LOCO LIVE, o álbum ao vivo em Barcelona, com modificações que ocorreram na segunda parte do show. Tudo corria tranqüilo e animado, e o ambiente ajudava, afinal o Canecão é um dos espaços culturais mais legais do Rio de Janeiro, funciona que é uma beleza para eventos de qualquer estilo musical, inclusive o Ronaldo Bôscoli foi feliz ao dizer: ‘Nessa casa se escreve a história da música popular brasileira’. A frase é mais que justa ao Canecão, seja MPB, rock, samba, pop, jazz... Não importa, ali tudo soa bem. Eu até tava xavecando uma garota que conheci no show, porém...

Fazia uns 5 anos que ouvia falar de carecas & skinheads. Em Aracaju, dos meus 13 aos 15 anos, tinha o maior medo de cruzar com eles na rua*, afinal eles eram mais velhos, maiores, mais fortes e sempre em maior número. O que lia nas revistas e/ou cartas de fanzineiros e o que via na TV só me dava mais medo, em especial pela porrada distribuída pela carecada no show do Motörhead em 1989 no Maracanãzinho e exibido pela TV Manchete. Até esse show eu raramente tinha contato com eles. Mas eles resolveram bater ponto pra fazer merda em show dos Ramones, souberam direitinho como estragar a noite, sabiam como estragar o prazer e quando tudo parecia a mais completa diversão, eles surgiram na pista. Inicialmente abriram uma roda e ficavam pogando aparentemente de forma normal, porém começaram agredir a todos ou corriam em direção ao pessoal da frente e se jogavam – quem estava na grade era esmagado.

Eram mais ou menos uns quinze carecas que, segundo disseram, saíram da baixada fluminense e do ABC paulista. Entre eles havia duas garotas que me deixaram chocado, pois desde quando comecei a andar com a cena rock da Zona Oeste, em especial no Largo de Bangu (o ponto de encontro rock das noites de domingo), elas estavam lá, eram amigas de punks e heavies, embora tivessem mais ligação com os punks. Achei aquilo maior traição, e se não fosse a merda que aconteceu nesse show, talvez elas estivessem armando uma emboscada pra galera de Bangu. Uma delas veio em minha direção, e deu um soco na boca da menina que estava xavecando, deu tempo de puxar a menina, e o soco pegou de raspão nos lábios, chegou a aparecer um leve filete de sangue, mas nada grave. Depois, não demorou e uma fumaça começou a sair do público, mais ou menos em frente de onde eu estava, inicialmente imaginei que fosse gelo seco (‘santa ingenuidade, Batman’), mas bastou minha garganta, boca, nariz, pele começarem a arder para falar para a garota: ‘Isso é gás lacrimogênio!’...

Nunca tinha sentido o cheiro desse gás, mas algo em mim falou que era e saí puxando a garota. Todo o Canecão era um caos, gente correndo para todos os lados, não adiantava fugir pelo lado convencional, resolvi sair pelo setor das mesas (o mais caro do Canecão). Tentei subir pelo local onde funcionava a mesa de som, mas o técnico me olhou assustado e disse: ‘Por aqui não!’, dei um passo ao lado, subi e ajudei a tal garota a subir, buscamos proteção perto da saída do Canecão respirando e ouvindo os Ramones tocarem varias músicas até pararem. Anos depois soube que no momento dessa confusão, o Renato Russo entrava no Canecão, olhou o caos e na mesma hora foi embora de táxi. Passaram-se longos minutos, os efeitos do gás continuavam e a garota pra lá de nervosa preocupada com suas amigas, que com a confusão se separaram, e falava que não iria ao show do Napalm Death que estava cogitado para acontecer no Garage até o final do ano (mas não rolou) alegando medo dos carecas. Coube a mim tentar a acalmá-la.

Uns 40 minutos depois o show voltou, mas a festa tinha estragado para alguns. Parecia um jogo de futebol encerrado depois de alguma fatalidade e que a volta acontece apenas para cumprir tabela. O sossego inicial do show tinha ido embora junto com a carecada que havia sido presa, não sabíamos se ainda tinha carecas em meio às três mil pessoas e isso deixava o clima tenso. E vale mencionar que um público desses no Canecão é casa cheia. Com aquela bagunça, quem havia comprado mesa vip perdeu! Muita gente aproveitou o caos e com medo de ir para pista, subiu nas mesas. Lembro da dona da mesa onde eu subi com a garota se lamentando que tinha pago caro pela mesa. Era perigoso até ficar em pé nessas mesas, imaginem uma mesa para seis com umas oito pessoas em pé nelas, a mesa envergava, pensei que partiria ao meio.

Aos poucos, o show voltou a ser enérgico! O que se viu por parte dos Ramones foi lindo, e todo o Canecão curtiu. Em relação ao set list, só nessa segunda etapa do show aconteceram algumas mudanças em relação ao LOCO LIVE. Outra coisa tosca que ainda veio a acontecer naquela ‘Noite-Mondo-Bizarro’ foi uma fã subindo no palco e se jogando e abraçando o Johnny Ramone, que tocava distraidamente e tomou um bom susto – sua reação foi empurrá-la com a guitarra, ela caiu de bunda no palco, foi levada por um técnico e ainda deu pra ver o Johnny gritando algo para garota.

O show chegou ao fim e com ele outro medo, pois havia a suspeita de que os carecas estavam do lado de fora à espreita, o que não aconteceu. A menina se despediu de mim com aquele papo de ‘Você salvou minha vida’... Seja como for não dei nenhum beijo nela! Rsrs...

Do Canecão à minha casa são dois ônibus, no segundo ônibus (260 - Pça.XV x Vila Valqueiro) ocorreu um fato engraçado, mas que na época me deixou puto. Na altura do Meier na Zona Norte, entrou um homossexual (sem homofobia ok?) pedindo trocados aos passageiros, uma garota que parecia voltar da faculdade deu, ele agradeceu e começou a falar algo como: ‘Boa noite, senhores passageiros, quero agradecer a doação da nossa amiga e em retribuição vou cantar para vocês!’... Olhei para o lado e pensei: ‘Puts, fudeu!’... O cara seguiu viagem cantando ‘To Be with You’ do Mr.Big, só cantava o refrão, às vezes traduzia a letra, justificando que alguns poderiam não saber inglês. Falou que conheceu a música num baile no Cassino Bangu, desceu uns 20 minutos depois em Cascadura e vários passageiros vibraram por ele descer.

Na manhã seguinte só o jornal sensacionalista A Noticia deu uma nota pequena sobre a bomba, já os telejornais e rádios adoram noticiar que uma bomba de gás lacrimogênio foi acionada em um show de rock, deu até no programa do Casseta & Planeta, que falou que o PC Farias era o líder dos carecas! Rsrs... Contudo gostei de ouvir a locutora Mônika Venerabile da FLU FM comentar o fato por volta das 18h. Ela não teve pena, desceu o pau nos carecas que saíram de SP para bagunçar um show que os cariocas pagaram basicamente em dólar pra ver, o texto dela misturava revolta e decepção e me deu muito orgulho.

SOU BICAMPEÃO [MELHOR SHOW] - CIRCO VOADOR 1994
Durante muito tempo ouviu-se falar da tal bomba no Canecão, ou melhor, até hoje me perguntam: ‘Você foi no show da bomba?’... A essa altura era já era um ‘ramonesmaníaco’, a banda foi uma das que mais ouvi entre os anos de 1993 e 95. LOCO LIVE foi segundo CD que tive na vida juntamente com um Aerosmith que comprei nas Americanas em seus primeiros saldões de CDs. Também comprei o vídeo pirata do show no canecão. Foi aí que começaram a divulgar uma turnê do Ramones com Sepultura, mas ficou a questão: onde seria esse show no Rio? Começaram a falar que o show seria no Estádio de Remo da Lagoa, mas com o Sepultura no auge, Ramones idem, o show ficaria caro! Por fim o show aconteceu no Circo Voador sem o Sepultura.

O Show... Show não, espetáculo! Primeiramente nunca vi o Circo Voador daquele jeito, existia segurança de todas as formas, grades por todos os lados, dentro e fora do Circo, e até no teto tinha proteção. No caso do teto a proteção consistia em muita graxa espalhada nas barras do Circo, evitando a tradição de alguns mais exaltados em se pendurarem nas grades e/ou irem andando por elas, com a graxa não seria possível isso. O show aconteceu no dia em que completava um ano que uma outra ex-namorada tinha me dado um pé na bunda. Rsrs...

Abrindo a noite, o Little Quail and the Mad Birds, que na época tinha um hit tudo a ver com o show, ‘1,2,3,4’... Deu um gás, ops!, deu uma esquentada na galera. Como o medo de dar algo errado ainda imperava, preferi ficar na arquibancada que parecia Maracanã em dia de clássico, maior cabeçada.

Ramones inicia o show, no set list basicamente o de sempre, porém com alguns covers do ACID EATERS. Ainda no início um engraçadinho tentou arrumar uma briga, mas a segurança agiu rápido e com originalidade, estavam à paisana no meio do público e ao que notei vestiam camisas estilos havaianas. Funcionou.

Mesmo estando em pé na aquibancada agitei o show todo, a carga emocional que vivenciava naquele momento era tão grande que chorei em ‘Bonzo Goes to Bitburg’. Existiu um Michael Meneses até aquela música e outro Michael após ela. E curti muito o estilo CJ Ramone de tocar/cantar. Tudo funcionou na noite, não conheço uma só pessoa que foi naquele show que prefira os outros shows do Rio! O clima foi perfeito, sem falar que ficou provado que o Circo Voador era o melhor lugar para os Ramones tocarem no Rio, pois não existe nenhum outro espaço que tivesse a cara deles como o Circo. Toda a tradição de shows punks da casa ao longo de 12 anos estava impregnada naquele palco e coube ao Ramones colocar sua marca no lendário território do rock carioca. Pena que fazia pouco mais de um mês que a Fluminense FM [94.9 Mhz] estava fora do ar, tinha dado lugar à Jovem Pan.

Entre o Circo e Fundição Progresso, basicamente embaixo dos Arcos da Lapa, uma Kombi vendia posters do Ramones por 1 real (ou algo assim). Tinha tanta gente querendo poster que a situação ficou sem controle. Um amigo me contou que depois que tudo se normalizou ele foi no cara da Kombi e mentiu dizendo algo como: ‘Já lhe dei o dinheiro, mas na confusão você acabou não me dando o poster’... Em seguida ele recebeu um poster! Voltei pra casa com o espírito renovado, mas com o pescoço doendo de tanto bater cabeça. Pelo menos ninguém cantou Mr.Big no ônibus.

O TRICAMPEONATO [SALVO POR 3 REAIS] - METROPOLITAN 1996
Em 96 os Ramones voltaram ao Brasil para dizer ¡ADIOS AMIGOS!... Nascia no Rio de Janeiro a geração Rádio Cidade, uma garotada influenciada que acreditava que o Ramones era uma banda de 3 músicas – ‘Pet Sematary’, ‘Poison Heart’ e uma tal de ‘Hey Ho, Let's Go’ (eles achavam que o nome da música era esse) – e que tocavam o tema do Homem-Aranha! A rádio tocava essas músicas de forma exaustiva e o resultado foi uma nova geração de eternos fãs e fãs de momento lotando o Metropolitan na Barra da Tijuca, uma casa bem maior que o Canecão e o Circo Voador juntos.

Por outro lado o Rio vivia o auge da consolidação de uma nova cena rock altenativa, com revistas, programas em rádios comunitárias, zines, selos, bandas pipocavam na cidade... De lamentável apenas a ausência da FLU FM. Essa cena ficou conhecida como os ‘órfãos da Maldita’.

Quase não fui nesse show por falta de grana, já que em 1996 basicamente não trabalhei. Tudo para me dedicar aos estudos fotográficos. O pouco $$ que recebia era para comprar material fotográfico (filmes e papel, revelações etc.)... A lógica era que não fosse ao show, porém tinha o peso que era a última turnê, eu estava gostando mais da banda e tudo levava a crer que seria um show ainda melhor por conta do local, do palco e do som, o que tecnicamente faria desse show melhor que o do Circo Voador, mas só tecnicamente, pois a magia do Circo para um show dos Ramones foi insuperável. Enfim, estava sem dinheiro mas resolvi ir catando as moedas...

No dia do show fui à casa de um primo. Faltavam uns três reais para o ingresso e ao chegar lá uma amiga me perguntou se iria ao show, respondi: ‘Não sei, faltam três reais, e não tenho de onde tirar’... R$ 3 na época valia muito mais que hoje. Essa garota, que aliás tem seus vínculos com Sergipe, falou que iria interar pra mim! ‘Oba! Morderam a isca, irei ver Ramones mais uma vez’. Rsrs...

Em parte, o único problema era que entre as pessoas que iriam ao show com a gente estava um amigo que morava no bairro mas trabalhava em Volta Redonda, uma cidade do sul fluminense, já eram 18h, o show tinha previsão de inicio às 21:30. Claro que chegamos atrasados e ainda tive que comprar meu ingresso, entrei na segunda ou terceira música, num primeiro momento tentei ficar mais perto do palco mas acabei desistindo, me senti sufocado no meio da geração Rádio Cidade, achava aquele povo pop-rock demais e recuei. Resolvi ficar atrás, assistir mais o show e não agitar no meio das dezenas de ‘roqueiros gerados pela rádio dos doidinhos’.** Parei perto da minha amiga que pagou a diferença do ingresso e do seu namorado, um cara que esperou uns 10 anos para ver os Ramones ao vivo. Só que o casal estava brigando e ficaram assim o tempo todo, ou seja, eles não viram nada, pagaram para brigar no Metropolitan.

O show foi uma ‘Carta de Despedida com Final Feliz’. De longe o maior público dos Ramones no Rio, podia não existir o clima de ‘primeira vez’ do Canecão e o clima de ‘rock and roll’ do Circo Voador nunca vai se fazer presente no Metropolitan, hoje Citibank Hall. O show não foi ruim, muito pelo contrário, novamente foi excelente e entrou pra história para muitos novos ‘doidinhos’. Felizes os que descobriram que: ‘Hey Ho, Let's Go’ não é nome de música e que vieram a conhecer a vasta discografia do Ramones, que contém muitos sons além dos que a Rádio Cidade empurrava.

Ao término do show o casal parou de brigar, juntamos o povo de Marechal Hermes e voltamos para casa de forma tosca, não que tivesse aparecido novamente o cara cantando Mr.Big, mas alguém teve a ideia de pegarmos um ônibus que deixava na Sulacap, um bairro relativamente perto do nosso, porém se fazia preciso pegar outro ônibus que podia demorar ou não pra passar, e com isso voltamos a pé pra casa. Caminhamos uns 40 minutos até chegar. Depois dessa noite nunca mais vi um músico dos Ramones ao vivo.

UMA NOVA HISTÓRIA - 2011

Tomei conhecimento do falecimento do Joey Ramone no domingo da páscoa de 2001, ao fazer uso de uma nova mania, a internet, e receber a notícia via ICQ. Hoje, trabalhando com a Parayba Recs., já vendi LPs da banda e os CDs solos dos músicos.

Em maio estarei no show do Paul McCartney. Segundo reza a lenda, o Beatle inspirou o nome ‘Ramones’, pois no início de carreira Paul autografava como Paul Ramone. Mas isso confirmo aos leitores do Viva La Brasa se o Paul me der um autógrafo!

Namastê!

NOTAS
* Na época da Copa do Mundo de 90, fui ameaçado duas vezes por carecas em Aracaju. Eles tinham uma banda e ensaiavam no Conj. Santa Tereza, onde eu morava.
**Forma como a Rádio Cidade se dirigia aos seus ouvintes, a tal nova geração do rock carioca.”

MICHAEL MENESES é a soma de um pai paraibano de João Pessoa com uma mãe sergipana de Itabaiana. Torcedor do Campo Grande A.C. no RJ, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Fotógrafo e jornalista, tem trabalhos publicados em várias revistas, sites e jornais, além de ter um orgulho da PORRA em colaborar sempre que pode com o Programa de Rock da Rádio Aperipê FM de Sergipe.