terça-feira, 16 de novembro de 2010

# 169 - 12/11/2010

“Death to False Metal” é o irônico nome do “novo” disco do Weezer, na verdade uma coletânea de raridades com ““grandes canções e grandes gravações que, por alguma razão, acabaram não entrando na versão final de um álbum”. Ele se encerra com uma inusitada versão para “umbreak my heart”, sucesso “mela-cueca” na voz de Toni Braxton, a música com a qual o programa de rock da última sexta foi aberto. Na sequencia, “Carta de Van Gog”, do projeto “orelha de Van Gogh”, de Vicente Coda, que conta com um texto de referida carta recitado pelo grande ator Sergipano Luiz Carlos Reis, falecido aos 53 anos na segunda-feira, dia 08. A execução, pela segunda vez no programa (fato raro), da canção, foi o meio que encontramos para homenagear essa grande figura.

O segundo bloco foi inteiramente dedicado ao Pink Floyd, com a execução de “The Nile song”, uma de suas composições mais “hard” (ao lado de “In the flesh”, do The Wall), “Candy and a current bum”, lado B do primeiro compacto da banda, ainda sob o comando do genial Syd Barret, “Wish you were here”, megahit e emocionante homenagem do grupo ao seu primeiro guru e mentor, e “if”, primeira faixa do lado B do LP “Atom Heart Mother”. Toda a História do Pink Floyd está contada logo abaixo, não deixe de ler.

Depois do “Drop Loaded”, contribuição semanal exclusiva do pessoal do Loaded E-zine para o programa de rock, desta vez com duas canções executadas ao vivo pela banda cearense “O Garfo” no projeto “Sala Especial Loaded”, mais uma do ceará: Plastique Noir, a mais representativa das bandas brasileiras que se dedicam a emular a chamada “dark wave” dos anos 80. Completando o bloco, Clan of Xymox, célebre combo de “gothic rock” fundado em Nijmegen, Países Baixos, em 1983 por Ronny Moorings, Pieter Nooten, e Anke Wolbert e ainda em atividade até os dias de hoje. A faixa escolhida foi “Emily”, extraída de seu disco mais recente, “In Love we trust”, de 2009. Tivemos ainda Rosetta Stone, outra cultuada banda do estilo, e The Cure, que é um dos favoritos da casa e dispensa maiores comentários, com “pictures of you”, de seu clássico “Disintegration”, de 1989.

Na segunda parte do programa tivemos a execução de uma música de cada uma das três bandas que se apresentaram em mais uma “Noite Fora do Eixo” no capitão cook: os paulistanos do Gigante Animal e os sergipanos da Náutilos e da Perdeu a Língua. Depois de ouvirmos alguns covers para clássicos garageiros dos anos 50 e 60 cometidos por algumas das mais célebres bandas da primeira geração do punk rock e de atendermos a pedidos feitos por ouvintes via telefone, encerramos com thrash e crossover através dos esporros do Toxic Holocaust, Municipal Waste, Kreator e Megadeth.

Até a próxima sexta-feira

A.

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PINK FLOYD - NO TÚNEL DO TEMPO - Publicado na Revista Bizz Ed. 26, setembro de 1987.

Em 5 de agosto de 1967 era lançado, em Londres, o primeiro LP do Pink Floyd, The Piper at the Gates of Dawn, pouco depois da gravação de dois compactos e na mesma época em que os Beatles e os Rolling Stones orquestravam uma grande massa de jovens. A palavra de ordem era a contracultura e, em nome dela, valia tudo. Desde andar com flores na cabeça até a leitura e prática das idéias dos maiores baluartes da geração beat (Kerouac, Burroughs, Corso...). Qualquer jovem que se dispusesse a evidenciar a repulsa contra os mais velhos queria mais era "tomar todas", sair de carona pelo mundo... ou pegar uma guitarra e canalizar a revolta através das cordas.

O primeiro disco do Pink Floyd trouxe uma somatória ponderada de tudo isso e só encontrou um pequeno obstáculo pela frente: um LP dos Beatles chamado Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, lançado dois meses antes. Numa primeira instância, o disco não repercutiu o que dele se esperava. A verdadeira aventura do Pink Floyd começou em outubro de 1967, quando a equipe de produção do conjunto enfiou na cabeça que ele precisava acontecer nos Estados Unidos da América, o que era comum às boas bandas inglesas. Precisamente no dia 24 de outubro de 1967, o quarteto partiu para o outro lado do Atlântico, sem imaginar que uma série de fiascos estava reservada ao Pink Floyd na terra de Tio Sam. Fazia parte da via-sacra pedir a bênção para todos os apresentadores de TV com grande audiência (nomes como Ed Sullivan, Dick Clark e Pat Boone). Em todos eles o guitarrista Syd Barrett aprontou alguma façanha. No Pat Boone Show, por exemplo, enquanto o figurão tentava entrevistar os músicos, o máximo que Barrett oferecia era um olhar centrado no infinito e a mais anátrica mudez.

Resultado: dez dias depois estavam de volta à Inglaterra, com todo mundo querendo a cabeça de Syd numa bandeja. E foi exatamente essa série de episódios que colocou o Pink Floyd na ordem do dia, como um bando de esquizofrênicos que ousavam desdenhar do sucesso e zombar dos garotinhos e garotinhas americanos que cresceram acostumados a ver os Beatles de terninho na TV. Na verdade, o excêntrico era somente Syd, mas o grupo ficou com a fama... e depois deitou e rolou sobre ela.

Vinte anos se passaram e a história do Pink Floyd virou um misto de lenda e realidade. Durante todo esse tempo, milhões de discos foram vendidos e milhões de jovens tributaram ao grupo uma devoção capaz de despertar inveja em líderes de muitas seitas e religiões.

A história do Pink Floyd teve seu início em Londres, em 1965, quando George Roger Waters (nascido em Cambridge, 9 de setembro de 1944), Richard William Wright (nascido em Londres, 28 de julho de 1945) e Nicholas Berkeley Mason (nascido em Birmingham, 27 de janeiro de 1945) estudavam Arquitetura na Politécnica de lá. Logo depois que Rick Wright deixou a escola, eles resolveram formar uma banda, que inicialmente tinha o nome Sigma 6. Assim estava distribuída a instrumentação: Mason (bateria), Waters (guitarra solo), Wright (guitarra base), Clive Metcalf (baixo), Keith Noble (vocal) e Julliet Gale (vocal). O som deles era baseado no rhytm´n´blues.

Com o tempo, o Sigma 6 foi mudando de nome, passando por T-Set, Meggadeaths e, por fim, Abdabs (com duas variações: Architectural Abdabs e Screaming Abdabs). Nunca tive a oportunidade de saber se aconteceram mudanças na formação, mas o fato foi que os Abdabs não passaram de 1965. Metcalf e Noble nunca mais foram vistos, enquanto Waters, Mason e Wright resolveram formar outro conjunto (Julliet Gale veio depois a tornar-se a esposa de Rick Wright).

Para tentar uma continuidade, Waters convidou dois amigos de Cambridge: Roger Keith (Syd) Barrett (nascido em 6 de janeiro de 1946) e Bob Close (data de nascimento ignorada). Ambos chegaram tocar na banda, simultaneamente, mas Bob não permaneceu. Barret já chegou assumindo a liderança e resolveu dar o nome de Pink Floyd ao grupo. Ele dizia que esse nome lhe apareceu numa visão (sabe-se, hoje, que era apaixonado por dois bluesmen da Georgia, chamados Pink Anderson e Floyd Council). Barret tinha um carisma todo especial perante os colegas e era visto como um cara muito esquisito (meio guru, meio marginal). Já havia tido experiências diversas, principalmente tomando drogas pesadas. Além disso, diz a lenda que Barret chegou a viver um tempo na Suécia, onde inclusive casou e teve um filho.

Durante quase dois anos, com a formação estabelecida em Waters (baixo e vocal), Wright (teclados e vocal), Barret (guitarra e vocal) e Mason (bateria), a banda se apresentou em diversos clubes e casas noturnas do underground inglês (UFO e Marquee, por exemplo), bem como em circuitos universitários. Foi somente em fevereiro de 1967 que conseguiram o apoio de um sujeito chamado Joe Boyd para a produção de uma gravação independente. A idéia básica era a de produzir uma fita demo, para oferecer às gravadoras oficiais. E assim foi feito. Quem ofereceu as melhores condições por aquela fita foi a EMI, que deu ao Pink Floyd um contrato milionário. Da tal fita, que foi registrada pelo engenheiro John Woods no estúdio Sound Techniques, a EMI aproveitou as faixas "Arnold Layne" e "Candy and a Currant Bun", que desfilaram no primeiro compacto do Pink Floyd, lançado em Londres em 11 de março de 1967. E as lendas já começaram a surgir por ali mesmo: conta-se que a segunda música era para ter o título "Let´s Roll Another One" ("Vamos Enrolar Mais Um"), mas houve objeções por parte da BBC, obviamente pela alusão à diamba.

Com a aceitação da banda pela multinacional, Boyd recebeu o tradicional pé no traseiro. Passou então ser o produtor deles Norman Smith. Mas Boyd foi vingado pela providência divina e chegou a declarar à imprensa inglesa que a EMI gastou uma fortuna em horas de estúdio para tentar obter no compacto seguinte (See Emily Play e Scarecrow) o mesmo tipo de som de "Arnold Layne". Não conseguindo, levou a banda ao estúdio Sound Techniques e pagou ao mesmo engenheiro para realizar a gravação. E vale aqui uma tremenda dica aos colecionadores: o compacto See Emily Play/Scarecrow foi a primeira obra do Pink Floyd lançada no Brasil, ainda nos anos sessenta, pela Fermata. Entretanto, não teve a menor receptividade, e sumiu do mapa. Hoje, com toda certeza, é uma relíquia.

O segundo compacto foi editado na Inglaterra em 16 de junho de 1967. Teve um desempenho melhor que o anterior (que não passou do trigésimo terceiro lugar na parada) e chegou ao quinto posto, permanecendo entre os melhores por sete semanas. O primeiro compacto foi prejudicado pela letra de "Arnold Layne", que falava de um tipo que roubava roupas íntimas de mulheres de um varal durante a noite. Syd disse que concebeu essa letra porque a mãe dele costumava alugar quartos para universitárias de Cambridge. Durante a noite, o varal da casa dele vivia cheio das roupas daquelas moças, e de vez em quando algum gatuno levava umas peças. O puritanismo da BBC não permitiu que uma letra com um teor desses fosse veiculada. Por outro lado, as rádios piratas inglesas também não se engraçaram com o compacto, e ele dançou mesmo.

Paralelamente aos compactos, o Pink Floyd começava a registrar o primeiro LP. Em 16 de março de 1967, o grupo iniciou a gravação de "Interstellar Overdrive", no estúdio um de Abbey Road. Bem ao lado dele, no estúdio dois, os Beatles gravavam Sgt. Pepper. E tome mais lendas: comenta-se que John Lennon Syd Barret trocaram altos papos, e um chegou a dar palpites no disco do outro e vice-versa. Se realmente houve esse contato, resta apenas descobrir no disco de cada um o que ficou das conversas...

Além da gravação do LP, começam também os shows. Ou melhor: os concertos. O tipo de música que o Pink Floyd fazia em 1967 encontrou uma certa relutância em ser encarado como rock, da mesma forma que encontrou uma certa simpatia por parte daqueles que trabalhavam com a música erudita. Christopher Hunt, um produtor de música clássica, se interessou pelo conjunto e fez com que ele se apresentasse no Queen Elizabeth Hall, que até então só havia abrigado concertos eruditos. O Pink Floyd se apresentou lá no dia 12 de maio, e o show recebeu o título Games for May. O nome do espetáculo era também o título original de "See Emily Play", música do segundo compacto, gravada uns dias depois do show e lançada em 16 de junho.

Com o sucesso de "See Emily Play", o Pink Floyd começa a aparecer para a Inglaterra. Uma aparição obrigatória foi a do show de TV da BBC, o Top of the Pops. Foi exatamente naquelas mostras para a BBC que Syd Barret começou a evidenciar que algo estava errado com sua cabecinha. Na primeira semana, ele apareceu bem vestido, com roupas novas e tal. Na semana seguinte, sujo e com as piores roupas que tinha, além de não estar barbeado. Numa primeira instância, as pessoas não ligaram muito, porque ele vivia drogado, e acharam que era apenas uma bad trip passageira. Os colegas só se conscientizaram de que ele estava mal depois da viagem aos EUA.

Quando o Pink Floyd regressou de sua primeira e malfadada viagem à América do Norte, o resto da banda estava querendo pegar Barret pelo pescoço. Só que havia um pequeno detalhe: ele era o guru de todos eles. Na esperança de que fosse uma crise passageira, decidiram mantê-lo na banda. Mas algumas providências precisavam ser tomadas, porque nos shows Syd ficava estático, tocando o mesmo acorde o tempo todo. A resolução que adotaram foi a de contratar um outro guitarrista e deixar Syd mais concentrado nas composições. O convidado foi David Gilmour, antigo amigo de Barret e Waters em Cambridge.

Gilmour entrou em cena no início de 1968, e o último testemunho do Pink Floyd com Barret em compacto foi lançado em 18 de novembro de 1967, com as faixas "Apples and Oranges" e "Paintbox". Em 11 de fevereiro de 1968, uma rara aparição do Pink Floyd como quinteto aconteceu no Top Gear, programa de rádio da BBC comandado pelo famoso John Peel. Enquanto isso, o segundo LP estava sendo gravado. Quando Gilmour chegou, três faixas desse LP já haviam sido produzidas, com Barret na guitarra. Uma delas foi, com certeza "Jugband Blues", de autoria de Syd. Outra foi "Remember a Day", que era para ter saído no primeiro LP, mas não coube. A terceira nunca foi citada, mas eu arriscaria dizer que a maior probabilidade recai sobre "Sea Saw" e "Corporal Clegg".

Era comum, na época, chamar a música do Pink Floyd (bem como de alguns outros grupos) de psicodélica, numa alusão direta a drogas como o LSD. Essa conotação incomodava o pessoal da EMI, que chegou a enviar comunicados à imprensa para tentar desvirtuar a terminologia. Mas foi tudo em vão, porque as letras das músicas não enganavam ninguém. A piração de Barret, então, pôs um ponto final nos eufemismos.

Em 29 de junho de 1968, foi lançado o segundo LP, A Saucerful of Secrets, coincidindo com um concerto ao ar livre, no Hyde Park de Londres, para milhares de pessoas. Um ano depois, o King Crimson repetiria a dose, em 5 de julho, abrindo o show que os Rolling Stones fizeram para homenagear o finado Brian Jones. O concerto e o LP foram verdadeiras provas de fogo, pois os fãs já sabiam que Barret estava fora da jogada. Todavia, o conjunto segurou a barra. No disco, foi uma surpresa a faixa-título, de longa duração, ocupando mais da metade do segundo lado. Músicas longas e suítes não eram comuns para grupos de rock da época, e o Pink Floyd contribuiu para inaugurar esse hábito, que se tornou uma espécie de patrimônio do rock progressista, englobando também o Procol Harum, The Nice, King Crimson, The Moddy Blues e tantos outros.

Em julho de 1969, o Pink Floyd se inicia numa atividade que acabaria também comum para conjuntos de rock, em particular os progressistas: as trilhas sonoras para filmes. Essa trilha pioneira floydiana nasceu para o filme More, dirigido por Barbet Schroeder com Malcolm McDowell. Em março do ano seguinte, a dose repetir-se-ia para Zabriskie Point, de Michelangelo Antonioni. Só que dessa vez o conjunto não seria tão feliz quanto na primeira. Depois de o Pink Floyd passar duas semanas em Roma, trabalhando intensivamente na trilha, Antonioni escolheu somente três das músicas compostas, completando o filme com músicas do Grateful Dead, Jerry Garcia, Youngbloods e outros. Isso representou um certo desgosto para Waters e companhia (e vale dizer que as faixas não aproveitadas apareceram depois em discos piratas, como um que tem o nome Omayad). Curiosamente, uma faixa de Zabriskie Point ("Come In Number 51, Your Time Is Up") tem uma irmã gêmea em Ummagumma (o álbum duplo entre as duas trilhas), mas com nome diferente ("Careful With Axe, Eugene"). Por falar em Ummagumma, foi ali que muitos fãs tiveram a primeira oportunidade de ouvir o grupo tocando ao vivo, pois um dos discos documenta shows realizados em Birmingham e Manchester em abril e maio de 1969.

Durante o segundo semestre de 1969 o Pink Floyd, com David Gilmour, parte para uma nova excursão aos EUA. Dessa vez, são bem-sucedidos e a turnê iniciada em Chicago dura dois meses. O retorno à Inglaterra praticamente coincide com o lançamento do álbum duplo já citado. No início do ano seguinte, o grupo trabalha noutro projeto ambicioso: uma suíte para grupo e orquestra. Na virada da década de sessenta para a de setenta, os conjuntos de rock começaram a procurar as orquestras para realizar trabalhos mais bem elaborados (Procol Harum, The Nice e Deep Purple, por exemplo). O Pink Floyd não podia ficar longe dessa transação, pois afinal era um dos grandes nomes da vanguarda da época. Com o auxílio do músico Ron Geesin (que mais tarde viria a realizar uma trilha sonora com Roger Waters), os quatro compuseram "Atom Heart Mother", baseada na história de uma mulher que implantou no coração um aparelho movido a uma pilha de material radiativo (era a "Mamãe de Coração Atômico"). Até hoje, há controvérsias a respeito dessa história, pelo fato de haver uma vaca na capa do disco. Há quem jure que é ela a "mamãe" que recebeu o aparelho...

O disco foi lançado em Londres em 10 de outubro de 1970, enquanto o Pink Floyd estava novamente numa turnê gigantesca pelos EUA. As lojas inglesas ficaram infestadas por grandes posters da capa do disco, que chegavam a cobrir paredes. Para todos os efeitos, o LP Atom Heart Mother é considerado o grande best-seller que projetou o Pink Floyd para a posteridade. Milhões de cópias foram vendidos em todo o mundo, e ele só perde para Dark Side of the Moon em matéria de vendagens.

Com o sucesso alcançado com Atom Heart Mother, não poderia ser melhor o desfecho do ano de 1970. Para completar, em dezembro, Roger Waters lançou seu disco com o músico experimental Ron Geesin, com a trilha sonora para um documentário sobre o corpo humano. Music From the Body não tem instrumentos convencionais, e os sons gravados são provenientes dos diversos órgãos do corpo humano. Para muitos, esses sons pareceram desagradáveis quando amplificados, estabelecendo um paradoxo, pois convivemos com eles durante a vida toda. Nem é preciso muito esforço para concluir que o LP não foi sucesso de vendas.

Barrett - uma história à parte - Em fevereiro de 1968, Syd Barrett ainda permanecia no Pink Floyd, mesmo depois de David Gilmour haver entrado. Mas a situação dele piorava dia após dia. No dia 2 de março, depois de uma reunião cheia de demonstrações de pudor espúrio e compaixão hipócrita, os músicos e seus agentes decidiram (sem a presença de Barrett) que Syd estava fora, sem mais aquela. Continuaram a gravação do segundo LP, enquanto Barrett aparecia no estúdio, todos os dias, e levava a guitarra com a infrutífera esperança de que iriam chamá-lo para tocar também. Terminada a gravação, Waters e Gilmour resolveram ajuda-lo a gravar um LP solo. Durante quase dois anos, nas horas vagas dos compromissos do Pink Floyd, os dois iam pajear Barrett com seu LP interminável. Em dezembro de 1969, um compacto foi lançado, contendo as faixas "Octopus" e "Golden Hair". Em janeiro de 1970, saiu finalmente o LP Madcap Laughs, um verdadeiro barato (sem ironia). O resultado final ficou tão estranho que saiu até bom. Em 6 de junho, Barrett arriscou uma aparição ao vivo, com David Gilmour no baixo e um amigo na bateria. Estava tão desnorteado que encerrava as músicas abruptamente, agradecendo ao público pelas palmas que ninguém ainda tivera tempo de bater.

Durante o restante do ano, os amigos ainda tentam ajudá-lo e voltam aos estúdios com a expectativa de produzir mais um LP. Só que dessa vez vão David Gilmour e Rick Wright, mais alguns músicos convidados. Em novembro de 1970, veio à luz Barrett, o epitáfio de um gênio. O LP era muito fraco, e o que restou para Syd foi apenas a idolatria por um passado curto e glorioso. Por vários anos, ele foi lembrado somente pelo inigualável LP com o Pink Floyd.

Só se voltou a falar mais concretamente em Syd em 1983, quando a revista alemã Musik Express enviou dois repórteres a Cambridge para tentar entrevistá-lo. Os repórteres encontraram Syd morando com a mãe, num estado de isolamento, e fazendo não mais do que assistir à televisão durante o dia todo. Além disso, estava gordo e careca, praticamente irreconhecível. The lunatic still remains on the grass...

Em 1971, o Pink Floyd está na ordem do dia, principalmente na Inglaterra. Como se não bastasse a promoção obtida com Atom Heart Mother, outros fatores contribuem para uma aclamação progressiva: os Beatles estavam separados, Jimi Hendrix e Janis Joplin haviam morrido e toda uma década de grandes acontecimentos no rock estava brotando. Mais do que isso, estava em franco processo de afirmação a vanguarda do rock, rotulada historicamente como rock progressivo. Conjuntos como o Yes, King Crimson e Emerson, Lake and Palmer cresciam e ajudavam o Pink Floyd a consolidar-se. Foi nessa época que a banda achou que devia lançar mão de vários recursos para corresponder ao status que o público lhe outorgava. Tudo passou a valer, desde que o resultado tosse bombástico. Em 15 de maio de 1971, por exemplo, o Floyd sacode o Crystal Palace Garden Party, em Londres, durante quase três horas, com toneladas de equipamento sonoro. Lá pelas tantas, um gigantesco polvo emerge do lago do parque enquanto o grupo executa uma versão de "Echoes´´. No segundo semestre, uma excursão mundial inclui países como o Japão e a Austrália, e o encerramento do ano acontece em 13 de novembro, com o lançamento em Londres do LP Meddle, com a suíte "Echoes" ocupando todo o lado dois.

O público e a crítica recebem com entusiasmo o LP, mas percebem que o Pink Floyd agora não é mais psicodélico. As viagens lisérgicas foram agora substituídas por crises existencias, obviamente reforçadas pela ausência de Syd Barrett. Com o crescimento do rock progressivo, a imprensa cria uma série de rótulos - e o que mais andava em moda era ´´space music" . Isso bastou para o Floyd entupir os shows com efeitos de todos os tipos, inclusive visuais, que já vinham desde os primeiros dias. Em fevereiro de 1972, o Teatro Rainbow de Londres é invadido por zumbidos, glissandos, sussurros multiplicados por câmaras de eco e tudo que esteja disponível para que o resultado áudiovisual seja o mais imprevisível possível, garantindo ao conjunto a primeira página de qualquer jornal de música. Os felizardos que assistiram a esse show ouviram em primeira mão uma versão de "Brain Damage", que só viria em disco bem mais tarde. O recorde dessa fase de superproduções foi sacramentado nesse mesmo ano de 1972. quando o hiperbólico equipamento floydiano foi montado nas ruínas de Pompéia, na Itália. Ali, somente para as corujas e os morcegos - que me perdoem os fantasmas! -, foi executado o concerto mais dark da história do rock. Os únicos espectadores humanos presentes foram os cinegrafistas que haviam sido contratados para documentar o evento para a posteridade. O filme foi exibido para toda a Europa pela TV e hoje está disponível em todo lugar em videocassete.

Durante o resto de 1972, o Pink Floyd trabalhou sobre o álbum que o ajudaria a bater mais alguns recordes da história do rock e do disco: Dark Side of the Moon. Entre junho de 1972 e janeiro de 1973, o grupo esteve ocupando um estúdio de Abbey Road. Tutelado por um nome que mais tarde também faria sua história: Alan Parsons. As gravações só foram interrompidas em setembro e novembro para a realização de turnês pela América do Norte e Europa, respectivamente. Enquanto o grande LP estava sendo produzido, os fãs se deliciavam com mais uma trilha sonora para um filme de Barbet Schroeder, contida no LP Obscured by Clouds. Em 24 de março de 1973, Dark Side foi lançado em Londres. Curiosamente, não era esperado um grande sucesso por parte da gravadora, pois já se falava numa eventual contratação do grupo pela Columbia (que realmente aconteceu). O disco acabou fazendo tanto sucesso, em particular na América do Norte, que bateu todos os recordes de vendagem até hoje conhecidos. Ficou por mais de quinhentas semanas entre os duzentos LPs mais vendidos dos EUA, sendo que boa parte desse tempo entre os cem primeiros. Esse dado foi mais do que suficiente para impulsioná-lo para o restante do mundo.

Em Dark Side, o Pink Floyd inicia uma série de reverências ao guru Syd Barrett, definitivamente fora de circulação e em estado de descontrole mental avançado. Todo o mundo já sabe que a situação é irreversível e, portanto, não há mais o que esconder. O mínimo que os colegas podem fazer é homenageá-lo. Barrett é o personagem central de Dark Side, estrelando virtualmente " Brain Damage" ("Dano Cerebral´´). Ele é o "lunático que está sobre a grama, relembrando as brincadeiras e as correntes ensolaradas e os risos deixados para manter os loucos no rumo" (conforme a letra). Vale lembrar que o LP foi muito bem cuidado artística e tecnicamente, com a participação de convidados especiais, como o saxofonista Dick Parry, que fez o inesquecível solo em "Us and Them", e a cantora Clare Torry, que deixou um toque de soul music em "The Great Gig in the Sky". É importante também falar sobre a concepção da capa do LP, com a famosa imagem do prisma: ela ficou a cargo da Hypgnosis, uma firma que se especializou em criações para a indústria fonográfica. A edição inglesa de Dark Side tinha encartes, adesivos e vários incrementos que nunca conhecemos na edição mutilada especialmente para o Brasil. Outro fato que ficou meio esquecido na história do disco: quando Dark Side foi lançado, estava começando a pegar a moda da quadrifonia em disco. A partir desse LP, o Pink Floyd faria questão das edições em quatro canais, atitude que acabou retroagindo para alguns discos já editados. E curioso que a quadrifonia foi logo esquecida, provavelmente por razões de custos. Mesmo no Brasil. alguns discos de Floyd tiveram edições quadrifônicas.

Enquanto Dark Side vai faturando. o Pink Floyd vai alongando os intervalos entre os lançamentos dos discos. Wish You Were Here, o primeiro pela Columbia (em alguns países), sai dois anos depois, em 15 de setembro de 1975. Durante os dois anos, o conjunto aproveita para realizar muitos concertos. Um dos mais célebres - marcando uma postura muito louvável por parte da banda - foi realizado em 4 de novembro de 1973, no Rainbow Theatre de Londres, em benefício do músico Robert Wyatt. Robert (ex-baterista do Soft Machine), que sofrera um acidente que o confinou à cadeira de rodas. O Pink Floyd reverteu a renda do concerto para o tratamento do músico, além de incentivá-lo a seguir a carreira de cantor e compositor. Nick Mason chegou a produzir um compacto em que Robert interpreta "I Am a Believer", composição de Neil Diamond imortalizada pelos Monkees. A versão de Wyatt e Mason é infinitamente melhor e conta com músicos da fina flor da vanguarda londrina. A lista desses músicos é desconhecida, mas eu arriscaria dizer que ali devem estar caras como Freds Frith, Mike Oldfield, John Cale e com certeza Mason tocando bateria. Esse compacto foi lançado no Brasil (pasmem) e chegou inclusive a tocar nas rádios AM na época (certamente por ser uma música que rolou com os Monkees). Mas, infelizmente, logo sumiu. Depois, Mason ainda produziria o segundo LP de Wyatt, Rock Bottom.

Voltando ao Wish You Were Here, as homenagens a Barrett continuam, e as lendas também. Começa pelo título do LP - Gostaria Que Você Estivesse Aqui - e prossegue com alguns comentários da imprensa a época que diziam que Barrett andou aparecendo nas gravações, o que deixou Waters constrangido a ponto de chorar. Houve até quem dissesse que uma volta de Barrett foi cogitada, mas o estado dele não o permitiu mesmo, Lendas e mais lendas!

Mas uma outra homenagem, esta concreta, está lá. Foi ao cantor inglês Roy Harper, convidado especial para a faixa "Have a Cigar". Harper é um artista muito carismático e idolatrado por muitos roqueiros ingleses. Talvez isso se deva ao fato de ele ter levado uma vida meio tortuosa, chegando inclusive a ser preso e depois internado num manicômio judiciário. Depois de ter pago a penitência, Harper tem-se dedicado à música folk e ao blues e recebe muitas homenagens dos músicos mais jovens (Jimmy Page chegou a gravar um LP inteiro com ele). Harper tinha-se apresentado no concerto que o Pink Floyd fez no Hyde Park, no início da carreira. Em Wish You Were Here, ele recebe uma primeira homenagem, para colher outra no primeiro disco solo de David Gilmour.

Quase dois anos se transcorrem até que o Pink Floyd lance mais um LP: Animals vem à luz em 23 de janeiro) de 1977, também rodeado de histórias. Ou lendas, como quiser. Para a campanha promocional do disco, bem como para o design da capa, eles mandaram fazer um gigantesco porco inflável. Foi feita uma foto com o porco voando entre umas chaminés que soltavam fumaça poluente. Numa primeira interpretação, é de se imaginar que o conjunto queria dizer com aquilo que o ar estava uma porcaria ... Na verdade, a história que rolou pela imprensa dizia que o porco escapou das amarras e levantou vôo (vejam só!). É fácil acreditar que isso não passa de conto da carochinha. Com Animals, o Pink Floyd completa sua primeira década de som gravado e também inaugura uma era de crises.

O observador atento deve ter percebido que todas as composições de Animais são de autoria de Roger Waters, com exceção de "Dogs", que é uma parceria de Waters e Gilmour. O que estaria acontecendo com os demais membros? Por acaso a capacidade de criação deles estaria esgotada? Na ocasião, foi difícil concluir algo. Entretanto, os últimos dez anos mostraram que uma verdadeira crise estava implantada no seio do histórico grupo. O que de fato ocorria é que Waters estava literalmente tomando o poder, criando um clima de paranóia por trás dos bastidores. Esse ambiente se reflete nas letras do LP The Wall, lançado em 30 de novembro de 1979. A idéia básica do álbum duplo era tecer uma crítica à massificação imposta à juventude por uma sociedade austera (no caso, a britânica). Assim. as letras de Waters queriam deixar uma imagem de que tudo que aquela sociedade permitia ao jovem era ser apenas mais um tijolo na parede´´. Essa concepção era interessante, mas foi infeliz na execução. E isso ficou mais fácil de se compreender com a chegada do filme The Wall, em 1982. Waters mostrou-se inconsistente quando centrou boa parte de sua crítica sobre o sistema escolar inglês (de resto, o mesmo que foi responsável pela formação intelectual que ele teve), e esqueceu-se de centrar fogo sobre aquele que pode ser considerado o maior câncer da sociedade inglesa: a casa real. Waters não ousou colocar a rainha e seus lacaios em xeque, limitando-se a um discurso irado sobre os efeitos periféricos. Professores tiranos que sofrem de impotência sexual, soldados que caminham por trajetórias caóticas e órfãos da guerra que procuram excitação colocando projéteis nos trilhos de trem em túneis escuros: ali estava o resumo do muro massificante que, ingenuamente, Waters erigiu.

Quando estava para ser lançado o LP "The Final Cut, em 1983, esperava-se que ele trouxesse a trilha sonora do filme homônino (mesmo porque ele foi antecedido por um compacto com músicas do filme, anunciadas como um adiantamento de Final Cut. O LP foi lançado ria Inglaterra cm março de 1983 (e dois meses depois no Brasil). Nada de trilha sonora havia ali, mas sim uma ladainha onde Waters se limitou a chorar pelo pai que não conheceu, falecido na guerra em 1944, quando a mãe curtia a gravidez dele ao som de uma sinfonia de bombas alemãs.

E deu logo para perceber que o Pink Floyd se havia reduzido a um trio, sem Richard Wrieht. Rick decidiu sumir do mapa, aparecendo mais tarde numa banda chamada Zee. Enquanto isso, os colegas dele se encarregavam de dar a ficha à imprensa, falando o que bem entendiam. Em agosto de 1983, David Gilmour disse à revista norte-americana Circus que "Wright foi mandado embora do conjunto por que não estava fazendo o que era pago para fazer. No LP The Wall, eu e o Roger tivemos de tocar um bocado de sintetizadores".

Para todos os efeitos, The Final Cut parecia nos dizer que o Pink Floyd estava se despedindo por ali mesmo. Entretanto, no ano passado, voltou-se a falar sobre a banda. Em l5 de novembro de 1986, o jornal inglês Sounds dizia que Richard Wright, David Gilmour e Nick Mason estavam cravando um LP sem Roger Waters. Ainda de acordo com o semanário, eles iriam lançar o LP em maio de 1987 sob o nome de Pink Floyd. Waters não gostou da história e entrou com processo na Justiça para tentar arquivar, definitivamente, o nome do conjunto. O argumento básico que figura no processo afirma que Waters pretende proteger seu direito ao nome Pink Floyd em função das divergências de opinião entre ele e os colegas e também pela falta de habilidade dos demais em continuar gravando e tocando como Pink Floyd.

As notícias mais recentes informam que Roger Waters - que acaba de lançar seu novo LP solo, Radio K.A.O.S. - teve de renunciar ao processo que estava intentando contra os três outros membros do grupo por falta de condições jurídicas. A pá de cal que ele queria jogar no legendário nome do Pink Floyd se transformou na pá de carvão que alimenta a poderosa locomotiva que vem por aí.

Nick Mason - O mais eclético - Todos os membros do Pink Floyd realizaram discos solo e/ou atividades paralelas àquelas do conjunto. No entanto, o que mais se destacou entre eles foi o baterista Nick Mason. Suas realizações extracurriculares foram desde o teatro até o trabalho com grandes nomes do jazz de vanguarda (Carla Bley e Michael Mantler, por exemplo), passando pelo movimento punk (vide o segundo LP do Damned). Esse arrojo pessoal de Mason chegou ao ápice em seu primeiro LP solo (Fictitious Sports), em que ele só convidou grandes músicos jazzistas para participar. Mais do que isso, todas as composições (belíssimas, por sinal) são da pianista Carla Bley. Essas atitudes de Mason demonstram que ele não se contentava em ser simplesmente o baterista de um grande grupo de rock, o que já seria mais do que suficiente para grandes elogios e para sua sobrevivência.

Sempre que alguém perguntou a Mason a respeito de suas incursões pelo jazz. ele respondeu que elas não deveriam ser vistas como um sintoma de insatisfação em relação ao rock - ou mesmo ao Pink Floyd -, mas sim como uma maneira de dar vazão a outras aspirações íntimas. Um músico deve sempre explorar ao máximo suas potencialidades, costuma dizer ele. E eu gostaria de arrematar que é para nossa imensa alegria.

Fonte: Bizz 20 Anos (CD-ROM)

por Waldir Montanari

* * *

Apêndice: (Wikipédia) Em 1985, Waters declarou que o Pink Floyd estava extinto, mas os demais membros - agora liderados por Gilmour, mais o tecladista Rick Wright e o baterista Nick Mason -, após uma ação judicial (português europeu) ou briga judicial (português brasileiro), retomaram a banda com o nome oficial e seguiram gravando e se apresentando - com grande sucesso comercial - e, finalmente, fecharam um acordo com Waters.

Em 2 de julho de 2005 e pela primeira vez em 24 anos, a formação mais clássica do Pink Floyd voltou a tocar, para a sua maior plateia, no concerto Live 8, em Londres, Reino Unido. Em 15 de Setembro de 2008, o tecladista Richard Wright morreu, pondo um fim no sonho de um possível retorno do Pink Floyd.

Em entrevista concedida ao jornal italiano La Repubblica[3] no dia 3 de fevereiro de 2006, Gilmour indicava o fim do Pink Floyd, declarando que o célebre grupo não produzirá qualquer novo material, nem voltará a reunir-se novamente. No entanto a possibilidade de se fazer uma apresentação similar ao Live 8 não foi descartada tanto por Gilmour[4] ou Mason.[5]

Em Dezembro de 1985 Waters anunciou que estava saindo do Pink Floyd e descreveu a banda como "uma força criativa desgastada", embora em 1986 Gilmour e Mason começassem a gravar um novo álbum. Ao mesmo tempo, Roger Waters estava trabalhando em seu outro álbum solo, chamado Radio K.A.O.S. (1987). Uma disputa legal foi inciada por Waters, reivindicando que o nome "Pink Floyd" deveria ser colocado de lado, mas Gilmour e Mason mantiveram sua convicção de que eles tinham direitos legais para continuar com o "Pink Floyd". O processo acabou se acertando por um acordo fora dos tribunais.

Depois de considerar e rejeitar muitos títulos, o novo álbum foi lançado como A Momentary Lapse of Reason (que alcançou 3º lugar no Reino Unido e 3º nos EUA). Sem Waters, que foi dominantemente o letrista da banda por uma década, a banda recebeu ajuda de escritores de fora. Como o Pink Floyd nunca havia feito isso antes (exceto pelas contribuições orquestrais com Geesin e Ezrin), essa atitude recebeu muitas críticas. Ezrin, que renovou a sua amizade com Gilmour em 1983 quando Ezrin co-produziu o álbum About Face, tanto co-produziu como foi um dos escritores, além de Jon Carin, que escreveu a canção "Learning to Fly" e tocou bastante dos teclados do álbum. Wright também retornou, e inicialmente foi colocado como um músico assalariado durante as finalizações das gravações, se juntando oficialmente à banda em sua nova turnê.

Mais tarde, Gilmour admitiu que Mason e Wright tiveram pouca participação no álbum. Por causa das poucas contribuições de Mason e Wright, alguns críticos dizem que A Momentary Lapse of Reason deveria ser considerado como um trabalho solo de Gilmour, do mesmo jeito que The Final Cut seria um trabalho solo de Waters.

Um ano depois, a banda lançou o álbum ao vivo Delicate Sound of Thunder (1988) e mais tarde gravou instrumentais para um filme clássico de corrida, chamado La Carrera Panamericana, filmado no México e com Gilmour e Mason participando como motoristas participativos. Durante a corrida, Gilmour e o agente Steve O'Rourke (como seu guia) bateram. O'Rourke teve sua perna quebrada, mas Gilmour saiu somente com alguns arranhões. Os instrumentais são notáveis por incluirem o primeiro material do Pink Floyd co-escritos por Wright desde 1975, tanto como o único material co-escrito por Mason desde Dark Side of the Moon.

Em 1992 eles lançaram o box Shine On. O set de 9 CDs incluia relançamentos dos álbuns de estúdio, A Saucerful of Secrets, Meddle, The Dark Side of the Moon, Wish You Were Here, Animals, The Wall e A Momentary Lapse of Reason. Um disco bônus chamado The Early Singles também foi incluso. O encarte incluia caixa que permitia que os álbuns ficassem em pé juntos, formando a imagem da capa do Dark Side of the Moon. O texto circular de cada CD inclui as palavras praticamente ilegíveis "The Big Bong Theory". Nesse ano também ocorreu o lançamento do álbum solo Amused to Death, de Waters. A próxima gravação da banda foi o The Division Bell de 1994, que contém muito mais trabalho em grupo do que o Momentary Lapse, com Wright reinstalado como um membro total do grupo. O álbum foi recebido mais favoravelmente pelos críticos e fãs do que o Momentary Lapse foi, mas foi intensamente criticado como cansativo e feito sob fórmulas. Este foi o segundo álbum à chegar ao 1º lugar em ambas paradas do Reino Unido e dos EUA.

The Divison Bell foi outro álbum conceitual, de alguns jeitos representando a visão de Gilmour dos mesmos temas que Waters discutiu em The Wall. O título foi sugerido para Gilmour pelo seu amigo Douglas Adams. Várias das letras foram co-escritas pela namorada do Gilmour na época, Polly Samson, a qual ele casou-se logo depois do lançamento do álbum. Apesar de Samson, o álbum conteve a maioria dos músicos que participaram da turnê do Momentary Lapse. Anthony Moore, que co-escreveu letras para várias canções do álbum anterior, divide composição com Wright, que teve sua primeira canção com voz principal desde Dark Side of The Moon, em "Wearing the Inside Out". A escrita de Moore continuou em praticamente todas as canções do álbum solo de Wright, Broken China.

A banda lançou o álbum Ao vivo P•U•L•S•E em 1995. Ele chegou ao 1º lugar das paradas dos EUA e contém canções que foram gravadas da turnê do Division Bell no Earls Court em Londres. O concerto do Division Bell é uma mistura do clássico e do Pink Floyd moderno. O concerto em Earls Court marcaria a primeira vez que a banda tocou inteiramente o Dark Side of the Moon em duas décadas. Versões de VHS e Laserdisc do concerto de 20 de Outubro de 1994 também foram lançadas. Uma versão de DVD também foi lançada em 2006 e rapidamente caiu nas paradas. A caixa de cd de 1994 tinha um LED, o que fazia com que um ponto vermelho piscasse (pulsasse) uma vez por segundo, como uma batida de coração. Mais tarde, em 1995, a banda recebeu seu primeiro e único prêmio Grammy para Melhor Performance de Instrumental de Rock com "Marooned".

Em 17 de janeiro de 1996, a banda foi indicada ao Hall da Fama do Rock and Roll pelo líder da banda Smashing Pumpkins, Billy Corgan. Roger Waters não compareceu, ainda sendo contra seus antigos parceiros de banda. No seu discurso de entrada, Gilmour disse "Eu terei que pegar um pouco mais desse para nossos dois integrantes que começaram a tocar em diferentes tons; Roger e Syd…" Apesar de Mason estar presente quando aceitaram o prêmio, ele não se juntou a Gilmour e Wright (e Billy Corgan) para sua performance acústica de "Wish You Were Here".

Uma gravação Ao vivo do The Wall foi lançada em 2000, compilada em shows de Londers em 1980-1981, com o nome de Is There Anybody Out There? The Wall Live 1980-81. Ele chegou ao 19º lugar nas paradas dos EUA. Em 2001, um disco duplo com as canções mais conhecidas da banda, chamado de Echoes: The Best of Pink Floyd, foi lançado. Gilmour, Mason, Waters e Wright, todos colaboraram na edição, sequenciação e seleção das canções para as faixas. Pequenas controvérsias seriam que as canções não seguem uma ordem cronológica e apresentam material fora do contexto dos álbuns originais. Algumas das faixas, como "Echoes", "Shine On You Crazy Diamond", "Sheep", "Marooned", e "High Hopes" tiveram seções substancialmente retiradas delas. O álbum chegou ao 2º lugar das paradas do Reino Unido e dos EUA.

Em 2003, um relançamento do Dark Side of the Moon em SACD foi feito, com novo encarte e capa. Um relançamento do Wish You Were Here está sendo trabalhado, mas sem datas de lançamento anunciadas até agora. O livro de Nick Mason "Inside Out: A Personal History of Pink Floyd" foi publicado em 2004 na Europa e em 2005 nos EUA. Mason fez aparições públicas em promoção do livro em algumas cidades da Europa e dos EUA, dando entrevistas e autografando livros. Alguns fãs dizem que ele disse que preferia estar em turnê com a banda do que uma turnê com o livro.

O agente do Pink Floyd de longa data, Steve O'Rourke, morreu em 30 de Outubro de 2003. Gilmour, Mason e Wright se reuniram no seu funeral e tocaram "Fat Old Sun" e "The Great Gig in the Sky" na Catedral de Chichester, como homenagem. Dois anos depois, em 2 de Julho de 2005, a banda se reuniu uma vez de novo, em uma performance em Londres no Live 8. Desta vez, no entanto, eles se juntaram com Waters - a primeira vez que todos os quatro integrantes estiveram num palco em 24 anos. A banda tocou um set de quatro canções consistindo em "Speak to Me/Breathe/Breathe (Reprise)", "Money", "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb", com Gilmour e Waters dividindo os vocais. No final da performance Gilmour agradeceu "muito obrigado, boa noite" e começou a sair do palco. Waters chamou ele de volta, e então a banda deu uma abraço coletivo, que se tornou uma das imagens mais famosas do Live 8.

Na semana depois do Live 8, houve um renascimento em interesse sobre o Pink Floyd. De acordo com a cadeia de empresas HMV, as vendas de Echoes: The Best of Pink Floyd aumentaram em 1343%, enquanto Amazon.com constatou aumento das vendas do The Wall em 3600%, Wish You Were Here em 2000%, The Dark Side of the Moon em 1400% e Animals em 1000%. Subsequentemente David Gilmour declarou que ele doaria a sua parte dos lucros desse aumento para caridade, e incentivou todos os outros artistas e gravadoras que se envolveram com o Live 8 a fazerem o mesmo.

Em 16 de Novembro de 2005, o Pink Floyd foi indicado no Hall da Fama da Música do Reino Unido por Pete Townshend. Gilmour e Mason compareceram em pessoa, explicando que Wright estava num hospital devido a uma cirurgia no olho e Waters apareceu numa transmissão via satélite, de Roma.

David Gilmour lançou seu terceiro álbum solo, On an Island, em 6 de Março de 2006 e começou uma turnê de pequenos shows na Europa, Canadá e EUA e com a banda estavam juntos Richard Wright e, durante muitas vezes para o Bis, Nick Mason. Durante a turnê, ele tocou o primeiro single do Pink Floyd, "Arnold Layne". Waters foi convidado para se juntar a ele em Londres, mas os últimos ensaios para sua turnê de 2006 o fizeram a recusar. Mason se juntou a Waters em 29 de Junho de 2006 na segunda metade do show em Cork na Irlanda, onde ele tocou todo o Dark Side of the Moon.

Waters e Wright trabalharam ambos em álbuns solo, e existe rumores que Waters estaria fazendo uma versão musical da Broadway de The Wall, com canções extras escritas por Waters. Waters também embarcou em sua turnê mundial "The Dark Side of the Moon Live Tour", e o repertório consistiu no Dark Side of the Moon inteiro, junto com algumas seleções de canções do Pink Floyd e algumas poucas canções solo da carreira do Waters. Waters também contribuiu com a canção "Hello (I Love You)", co-escrita por Howard Shore, para o filme de 2007, "A Chave do Universo" (The Last Minzy). Waters teve a sua ópera "Ça Ira" executada no Brasil durante o 12º Festival de Ópera de Manaus, com espectáculos nos dias 15, 22 e 24 de Abril de 2008. Durante o espetáculo do dia 15 Waters esteve presente.

O tecladista e membro fundador do Pink Floyd, Richard Wright, morreu segunda-feira, 15 de Setembro de 2008, aos 65 anos, após uma curta batalha contra o câncer, conforme anunciou seu assessor. Com certeza, os fãs irão sempre se lembrar do grande músico que foi, e sentirão sua falta.

Muitos fãs expressaram esperança de que a apresentação do Live 8 os levariam a uma turnê de reunião, e uma oferta que bateu recordes, de US$250 milhões foi oferecida para uma turnê mundial, mas a banda deixou claro que não existem planos para tal. Nas semanas depois do show, no entanto, as rixas entre os membros pareciam ter se acertado. Gilmour confirmou que ele e Waters estavam em "termos amigáveis", mas Waters tem apresentado comentários conflitantes desde então, com afirmações que variam de "Eu posso rolar por um show, mas eu não poderia rolar por uma grande turnê" e "Eu espero que nós o façamos de novo", mas recentemente, suas afirmações indicam seu desejo por tocar de novo, não por uma turnê, mas por um evento similar ao Live 8.

Em 31 de Janeiro de 2006, David Gilmour apresentou uma afirmação em nome do grupo dizendo que não existem planos para uma reunião, indo contra os rumores que a mídia fizera. Gilmour, mais tarde, afirmou numa entrevista ao La Repubblica que ele terminou com o Pink Floyd, e espera se focar em seus projetos solos e sua família. Ele menciona que concordou tocar no Live 8 com Waters para apoiar a causa, para fazer as pazes com Waters, e sabendo que ele se arrependeria se não o fizesse. No entanto, ele afirma que o Pink Floyd estaria ansioso para tocar em um concerto "que apoiásse os acordos de paz de Israel e Palestina". Então falando com a Billboard, Gilmour mudou seu sentimento "terminou com Pink Floyd" para "quem sabe". Uma apresentação surpresa, pela formação do Pink Floyd pós-Waters, com David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason ocorreu na última apresentação do Gilmour no Royal Albert Hall em 31 de Maio de 2006, enquanto os 3 tocaram "Wish You Were Here" e "Comfortably Numb".

2007 foi o aniversário de 40 anos em que o Pink Floyd assinou com a EMI, e o aniversário de 40 anos do lançamento dos 3 primeiros singles "Arnold Layne", "See Emily Play" e "Apples and Oranges" e do seu primeiro álbum The Piper at the Gates of Dawn. Isso foi marcado pelo lançamento de uma edição limitada contendo mixagens estéreo e mono do álbum, além de faixas dos singles e gravações raras.

Em 10 de Maio de 2007, Roger Waters tocou em um concerto em homenagem ao Syd Barrett no Centro Barbican em Londres. Isso foi seguido de uma apresentação surpresa pelo Pink Floyd pós-Waters, com David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason de "Arnold Layne" para um estrondoso aplauso e uma ovação em pé. Mas esperanças de um próximo show de reunião com a formação clássica foi descartada quando Waters não tocou com o grupo. Roger Waters subiu ao palco aos gritos de "Pink Floyd!" ao qual ele respondeu "Mais tarde." Gilmour, Mason e Wright subiram ao palco aos gritos de "Roger Waters!" ao qual Gilmour respondeu educadamente, "Yeah, ele esteve aqui também, agora o resto de nós."

Mais recentemente, Waters se tornou mais e mais aberto para uma reunião com o Pink Floyd. Em uma entrevista em 2007 ele disse "Eu não teria nenhuma problema se o resto deles quisesse se juntar de novo. E isso nem precisaria acontecer para salvar o mundo. Isso poderia acontecer somente por ser divertido. E as pessoas o adorariam."

Em 24 de Setembro de 2007, Gilmour afirmou sobre uma reunião futura do Pink Floyd, de qualquer jeito, sendo ela com Roger Waters ou não; "Eu não sei porque eu gostaria de voltar atrás para aquela coisa antiga. É bastante retrogressivo. Eu quero olhar para frente, e olhando para trás não é minha alegria."

Em 10 de Dezembro (Reino Unido) e 11 de Dezembro (EUA), o Pink Floyd lançou um novo box, Oh, By the Way contendo todos os 14 álbuns de estúdio com suas respectivas atuais remasterizações, encarte original de vinil, mais encarte por Storm Thorgenson.

No dia 21 de Maio de 2008, O Pink Floyd recebeu o prêmio Polar na cidade de Estocolmo,Suécia. O júri declarou que sua decisão foi baseada na importância do Pink Floyd para a evolução da música popular, por uni-la à arte, em sua proposta experimental, e por seu sucesso "capturar e formar reflexões e atitudes para toda uma geração". O júri declarou ainda que a banda "inspirou e marcou o caminho para o desenvolvimento do rock progressivo".

O Pink Floyd é reconhecido pelos seus prodigiosos espectáculos ao vivo, que combinam as mais modernas experiências visuais com a sua música para criar um espectáculo onde os próprios artistas são quase secundários. Os Pink Floyd, nos seus primeiros tempos, foram das primeiras bandas a usar jogos de luzes próprios nos seus espectáculos, projectavam slides e filmes e formas psicodélicas numa grande tela circular. Mais tarde foram adicionados aos espectáculos efeitos especiais, incluindo lasers, pirotecnia e balões gigantes (um suíno gigante flutuava sobre a audiência durante a actuação de "Pigs" do álbum Animals).

O espectáculo mais elaborado que os Floyd montaram foi o da digressão de The Wall, no qual um grupo de músicos contratados tocava a primeira canção usando máscaras de borracha (provando assim que os membros da banda não eram reconhecidos pelas suas personalidades individuais). Depois, um gigantesco muro era erguido, separando a banda da audiência e que no final do espectáculo era demolido por explosões. Este espectáculo foi recriado por Roger Waters em 1990 no meio das ruínas do Muro de Berlim, convidando para o efeito músicos conhecidos como Bryan Adams, Van Morrison, Scorpions, The Band, Joni Mitchell, Cyndi Lauper e Sinéad O'Connor.

Os prodigiosos espectáculos ao vivo serviram também de base ao grupo de rock ficcionário Disaster Area de Douglas Adams (criadores do maior barulho do Universo, que usavam chamas solares nas suas actuações) na série The Hitchhiker's Guide to the Galaxy. Douglas Adams era amigo pessoal de Gilmour e tocou guitarra em um dos últimos concertos da tournée de "The Division Bell", sendo que em uma das datas era seu 42º aniversário.

No Brasil - Pela segunda vez (a primeira ocorreu em março de 2002), Roger Waters resolve realizar shows no Brasil, onde a banda pela qual ele fez parte por vários anos jamais passou. E com a promessa de tocar o aclamado álbum The Dark Side of the Moon. Um dos shows realizados em São Paulo ocorreu em 24 de março de 2007 no estádio do Morumbi. Com pouco mais de 40 mil fãs, Roger abriu o show com a tradicional "In the Flesh" (The Wall) acompanhado de fogos de artifício e um show de iluminação.

Após clássicos como "Shine On You Crazy Diamond" e "Wish You Were Here", ele toca "Sheep" e um porco voador rodeia o estádio e é solto no céu noturno. Depois do intervalo de dez minutos, Roger volta para tocar o álbum The Dark Side of the Moon.

Também houve um show no Rio de Janeiro com cerca de 33 mil fãs,na Apoteose também com o álbum The Dark Side of the Moon e finalizando o show com a música "Another Brick In The Wall".

Curiosidades:

  • Syd Barrett não chegou a abandonar a banda, na verdade ele foi abandonado pelos integrantes do grupo que não o levavam mais aos shows devido a seu comportamento cada vez menos previsível em função do uso exagerado de drogas (LSD).
  • O primeiro nome do grupo foi Sigma 6 e não foi o único, já que teve outros nomes antes do definitivo, passando a chamar-se T-Set, The Megadeaths, Abdabs, este último ampliado a The Architectural Abdabs ou The Screaming Abdabs e inclusive, antes do definitivo, também se chamaram Pink Floyd Sound.
  • A princípio, Richard Wright tocava violão, e o grupo contava com dois cantores, Keith Noble e Juliette Gale (esta última acabaria sendo a esposa de Rick Wright).
  • O nome definitivo de "Pink Floyd" foi fruto da imaginação de Syd Barrett e nada mais é que a união dos nomes de dois músicos de blues da Georgia (Pink Anderson e Floyd Council).
  • A primeira atuação do grupo com o nome Pink Floyd Sound foi no Countdown Clube de Londres, e que nela interpretaram versões de temas clássicos de Chuck Berry, The Kingsmen e Bo Diddley.
  • Em 23 de dezembro de 1966 o grupo inaugurou o UFO Clube no primeiro show com o nome reduzido e definitivo "Pink Floyd" que lhe rendeu seu primeiro contrato com a EMI.
  • A pergunta "Oh by the way which one's Pink?" que faz parte da letra de "Have a Cigar", do disco "Wish You Were Here", foi realmente feita aos componentes do grupo por um executivo da EMI.
  • A expressão "Riding the Gravy Train", ainda de "Have a Cigar", é uma expressão inglesa que significa algo como "ganhar muito trabalhando pouco".
  • O título do disco "Atom Heart Mother" refere-se a uma curiosa experiência médica real, relacionada com a intervenção de um coração artificial na recuperação de uma mulher grávida.
  • O disco "The Dark Side Of The Moon", o mais famoso da banda, manteve-se 740 semanas na lista americana "Billboard" e 301 semanas na britânica, e vendeu, e continua vendendo, mais de 25 milhões de cópias.
  • O cientista inglês Stephen Hawking colaborou no disco The Division Bell, na canção "Keep Talking". É a voz robótica que se escuta ao princípio e durante a canção.
  • Stephen Hawking, durante uma visita ao Chile, foi recepcionado com a canção do Pink Floyd, já que é um grande fã do grupo.
  • Michael Kamen, que fez arranjos orquestrais para alguns discos do Pink Floyd como "The Wall", "The Division Bell" e substituiu Richard Wright como tecladista em "The Final Cut", dirigiu a orquestra que acompanha o Metallica no disco "S&M" (Symphony and Metallica).
  • Roger Waters, Nick Mason e Rick Wright conheceram-se em 1965 na escola de arquitetura de Rojen Street.
  • Depois de uma turnê americana, cantaram no London Festival Hall e o grupo que abre o show é o Jethro Tull.
  • Depois de uma turnê americana, iniciaram a gravação daquela que seria sua obra máxima. De início, o título seria somente "Eclipse", seguindo sua linha espacial de títulos, e finalmente se tornaria "The Dark Side Of The Moon".
  • A frase ao final do "Dark Side of the Moon": "There in no dark side of the moon really, in fact, it's all dark!" ("Na verdade não há lado negro da lua, de fato, ela é toda negra!") foi dita por um porteiro dos estúdios Abbey Road quando ali chegaram para gravar.
  • Na canção "Sheep" de "Animals" se pode ouvir recitado o conhecido salmo religioso "O Senhor é meu pastor, nada me faltará…".
  • Em princípio, Roger Waters tinha pensado levantar um muro real entre eles e o público em suas atuações da turnê de "The Wall".
  • Em 6 de março de 1967, o grupo aparece pela primeira vez na TV, executando uma de suas canções mais longas, "Interstelar Overdrive".
  • No período de 88/89, o grupo arrecadou mais de 56 milhões de dólares colocando-se no topo dos grupos de rock que mais dinheiro ganhou.
  • Quando o Pink Floyd ressurgiu no ano de 1987 com "A Momentary Lapse Of Reason", o genial e egocêntrico Roger Waters exigiu que retirassem o enorme balão em forma de porco usado por Gilmour e cia. Não foi atendido e, além disso, implantaram genitais descomunais ao famoso balão.
  • Ao ouvir, de trás para frente, a canção "Empty Spaces" de "The Wall" ouve-se uma mensagem secreta na voz de Roger Waters. Diz o seguinte: "Congratulations, you have just discovered the secret message. Please send your answer to *Old Pink*, Care of the funny farm, Chalfont… Roger, Caroline's on the phone." - Algo como - Parabéns, Você descobriu a mensagem secreta. Por favor envie sua resposta a *Old Pink *, aos cuidados da fazenda engraçada, Chalfont… Roger, Caroline ao telefone.
  • Bob Geldof, vocalista em "The Wall", era do grupo "Boomtown Rats", que fez um grande sucesso chamado "I Don't Like Mondays", baseado numa notícia que comoveu a Inglaterra quando uma menina chegou a escola numa segunda-feira pela manhã e matou vários colegas de classe. Quando lhe perguntaram por que tinha feito aquilo, sua resposta foi: "I Don't Like Mondays" - Não gosto de segundas-feiras.
  • Bob Geldof não gostava das canções do grupo até que trabalhou no filme "The Wall". Depois disto ficou muito marcado pelo papel e a relação com as letras de Waters.
  • Uma revista fez uma enquete para saber qual era a pior das canções de Pink Floyd e a mais votada foi "Seamus" do álbum "Meddle".
  • Em princípio, se pensou nos Beach Boys para que fizessem a harmonia vocal em "Waiting For The Worms".
  • As vozes que se escutam ao fundo de "Learning To Fly" são o produto da gravação de uma conversa entre Nick Mason e seu instrutor de voo.
  • Richard Wright foi dono de uma pequena casa na Grécia, lugar que escolheu para viver e descansar.
  • Depois de deixar a cidade de Cambridge, David Gilmour mudou-se para a França, onde tocava num pequeno grupo de rock e que posava como modelo vivo para artistas plásticos.
  • David Gilmour, além de revelar Kate Bush e de ajudá-la em seu começo no mundo musical, tocou para ela em várias canções de seus primeiros álbuns.
  • David Gilmour é dono da primeira Stratocaster.'
  • David Gilmour fez um contrato em 1994 com a companhia Volkswagen Alemã para promover o tour europeu da banda com o álbum "The Division Bell". Prova disso é a edição limitada do modelo Golf da Volkswagen conhecido como "Golf Pink Floyd" (apenas mil unidades fabricadas). A VW também participou em outros tours como o de Bon Jovi em 1996.
  • O primeiro single do Pink Floyd foi "Arnold Layne" e esta canção nunca havia sido gravada oficialmente até o álbum "Relics", um compilação com os primeiros sucessos da banda.
  • Nick Mason além de um grande aficionado de automóveis e de competições de velocidade, possui uma coleção de umas 20 Ferraris, um valor calculado de 25 milhões de dólares.
  • Os meninos que cantam em "Another Brick In The Wall - Part II" eram estudantes de uma escola vizinha ao estúdio de gravação, e cada um deles recebeu uma cópia do disco como pagamento por sua colaboração.
  • A conversa ao final do tema "High Hopes" é entre Steve O'Rouke (manager) e Charlie, um dos filhos de David Gilmour e foi gravada por que Steve sempre quis participar em alguma gravação do Pink Floyd.
  • Storm Thorgerson, da companhia Hipgnosis, é o desenhista da maioria das capas dos álbuns do Pink Floyd.
  • Paul McCartney, ainda como um dos Beatles, classificou o primeiro álbum do Pink Floyd "The Pipers At The Gates Of Dawn" como "O melhor".
  • O segundo sol citado no tema "Two Suns In The Sunset" - Dois sóis no ocaso, em realidade, faz referência aos efeitos de uma bomba nuclear.
  • O lendário guitarrista Jeff Beck foi o primeiro a ser cogitado para substituir Syd Barrett, mas por medo que recusasse, a banda nunca o convidou oficialmente para fazer parte do grupo.
  • Segundo o livro Guinnes Records de 1995, "Potsdamer Platz" (local onde Roger Waters fez um show em Berlim) foi o palco do maior espetáculo de rock jamais visto. Trabalharam 600 pessoas em sua produção, contava com um camarote de 168 x 25 metros e a plateia era formada por mais de 250.000 pessoas.
  • Segundo o mesmo livro, o álbum "The Dark Side Of The Moon" foi o álbum que mas tempo permaneceu nas paradas de sucesso, quase 14 anos seguidos.
  • David Gilmour é um bom piloto e apaixonado da aeronáutica, possuindo uma coleção de aviões clássicos.
  • O último reflexo que se vê no espelho do álbum "Ummagumma" é a capa do álbum "A Saucerful of Secrets".
  • O porco utilizado para a capa do disco "Animals" foi fortemente amarrado para que não voasse, e contrataram um atirador caso se soltasse. E ocorreu o esperado, soltou-se e o atirador falhou em sua tentativa e aviões que passavam pela zona detectaram em seus radares e avisaram à torre de controle que viam um objeto voador não identificado que não sabiam de onde vinha. Depois de baixá-lo, tiveram que pagar uma pesada multa ao governo britânico pelo ocorrido.
  • O grupo gravou ao mesmo tempo que os Beatles no famoso Abbey Road Studios. Dizem que Paul McCartney e John Lennon ficaram fãs do grupo desde aí.
  • O Pink Floyd gravou um tema para um programa da BBC com motivo da chegada do homem à Lua (julho de 1969).
  • No disco "A Momentary Lapse Of Reason", o baixo é tocado por Tony Levin. Este excelente baixista tocou na banda de John Lennon e se consagrou no "King Crimson", banda em que toca até hoje.
  • Quando no filme "The Wall" o professor lê um poema, na realidade são duas estrofes da canção " "Money" de "The Dark Side of The Moon".
  • Matt Groening utilizou nos Simpsons algumas cenas de "The Wall". Por exemplo, uma que uma picadora de carne mata os alunos.
  • Syd Barrett e Roger Waters viviam a uma quadra de distância quando eram meninos, e a mãe de Syd foi a professora de Waters.
  • Em janeiro de 1968 aconteceu a primeira aparição de David Gilmour com o grupo, já que Syd Barret não pôde tocar em Brighton. David não era membro oficial do grupo até então.
  • No 1 de abril de 1976, a casa de David Gilmour foi roubada. Entre as coisas que lhe roubaram, haviam guitarras avaliadas em mais de R$21.000,00.
  • O primeiro concerto promocional de "The Wall", em 7 de fevereiro de 1980, foi atrasado devido a fogos artificiais utilizados para o show que acabaram por atear fogo a algumas cortinas do palco
  • A pessoa que descobriu a mensagem do tema "Empty Spaces" foi um DJ de uma rádio de de Nova York em março de 1980
  • A pessoa que fez o solo de guitarra em "The Pros and Cons of Hitchhiking" foi nada mais, nada menos que o grande Eric Clapton.
  • Em 26 de novembro de 1988, uma cópia de "Delicate Sound Of Thunder", viajou ao espaço com os cosmonautas russos do Soyuz 7.
  • Em 1992, a Atlantic Records chegou oferecer à família de Syd 75.000 libras por uma nova gravação, mas a família recusou.
  • Em dezembro de 1995, o grupo entrou para o "Hall da Fama" do Rock And Roll
  • David Gilmour, em "Run Like Hell", utiliza um duplo delay, além de um pedal que grava os ecos do primeiro delay, criando uma atmosfera de três guitarras sem a saturação do feedback
  • Bob Geldof disse que o Pink Floyd era uma merda quando seu empresário comentava sobre o seu papel no filme "The Wall". Tudo isto se passou num taxi dirigido pelo irmão de Roger Waters que comentou o fato com o próprio Geldof quando este foi contratado.
  • Em "One Of These Days", primeiro tema do genial "Meddle", o baixo era tocado por David Gilmour
  • O álbum "The Wall" vendeu 340.000 cópias na Grã-Bretanha em apenas 5 dias
  • No espetacular show da banda na Cidade do México ocorreu algo muito estranho durante o concerto; enquanto uns se deleitavam escutando e observando o show, outros milhares não deixaram de olhar o céu assegurando que um UFO voava em cima de suas cabeças.
  • O disco "The Dark Side Of The Moon" está catalogado como um dos mais vendidos em toda a história. Segundo estatísticas, um de cada cinco lares em Londres tem esse disco.
  • Na canção de Paul McCartney "No More Lonely Nights", o solo de guitarra é feito por David Gilmour
  • Pink Floyd teve 4 discos números 1 consecutivamente na Inglaterra e USA, "The Dark Side Of The Moon", "Wish You Were Here", "Animals" e "The Wall", algo inédito até então e que jamais foi repetido.
  • A música Another Brick in the Wall virou tema oficial da torcida do clube atlético paranaense (CAP) com as seguientes palavras mudadas do refrão: Hey coxa vai tomar no c** ou Coxarada filha da put** contra seu rival, o clube coritiba.

Discografia

LPs

The Piper at Gates of Dawn (1967, Br)

Saucerful of Secrets (1968, Br)

More (1969, Br; trilha sonora do filme homônino)

Ummagumma (1969, Br)

Zabriskie Point (1970, Br; trilha sonora do filme; o Pink Floyd comparece em três faixas)

Atom Heart Mother (1970, Br)

Relics (1971, Br: coletânea)

Meddle (1971, Br)

Obscured by Clouds (1972, Br; trilha sonora do filme La Valée)

The Dark Side of the Moon (1973, Br)

A Nice Pair (1973, Br; álbum duplo que reúne os dois primeiros LPs)

Wish You Were Here (1975, Br)

Animals (1977, Br)

The Wall (1979, Br; álbum duplo)

A Callection ar Great Dance Songs (1981, Br; coletânea)

The Final Cut (1983, Br)

Pink Floyd Hits (1988, Br; coletânea lançada somente no Brasil)

A Momentary Lapse of Reason (1987)

The Division Bell (1994)

Discos solo de Syd Barrett

The Madcap Laughs (1970, Br)

Barrett (1970)

Syd Barrett (1974; álbum duplo que reúne os dois primeiros)

The Peel Sessions (1988, com material gravado no programa de John Peel, em 1970)

Opel (1988, com material inédito gravado nos estúdios da EMI, em 1970)

The best of Syd Barrett - Wouldn't you miss me? (2001, compilação)

Discos solo de Roger Waters

Music from the Body (1970, Br; trilha sonora do filme, em parceria com Ron Geesin)

The Pros and Cons off Hitch-hiking (1984, Br)

When the Wind Blows (1986; trilha sonora do filme homônimo em que a maior parte das músicas foi composta por Waters)

· Radio K.A.O.S. (1987)

· The Wall Live in Berlin (1990)

· Amused to Death (1992)

· In the Flesh Live (2000) (ao vivo)

· Flickering Flame: The Solo Years Vol. 1 (2002) (contem a inédita cover de "Knockin' on Heaven's Door")

· Ça Ira (2005) - Opera composta por Roger Water

· Hello , I love you (2008) - Single, parte integrante da trilha sonora de "A Chave do Universo (The Last Mimzy) - 2007")

Discos solo de David Gilmour

David Gilmour (1978, Br)

About Face (1984, Br)

On an Island (2006)

Live in Gdańsk (2008)

Disco solo de Richard Wright

Wet Dream (1978, Br)

Broken China (1996)

Richard Wright com a banda Zee

Identity (1984)

Discos solo de Nick Mason

Nick Mason´s Fictitious Sports (1981)

Profiles (1985; em parceria com Rick Fenn)

Produções selecionadas de Nick Mason

Principal Edwards Magic Theatre (1971; trilha de espetáculo teatral)

Principal Edwards - Round One (1974)

Robert Wyatt - Rock Bottom (1974)

The Damned - Music for Pleasure (1977)

Steve Hillage Green (1978)

Discos da banda Unicorn produzidos por David Gilmour

Blue Pine Trees (1974)

Too Many Crooks (1976)

FILMES E VÍDEOS

Pink Floyd

Live at Pompeia (71; filme-concerto dirigido por Adrian Maben)

The Wall (82; ficção dirigida por Alan Parker, co-roteirizada por Roger Waters e musicada pelo Pink Floyd)

David Gilmour

Live 1984 (concertos gravados na Inglaterra e na França.

* * *

Weezer – Umbreak my Heart
Orelha de Van Gogh - Carta de Van Gogh a ...

Pink Floyd
# The Nile song
# Candy and a currant bum
# Wish you were here
# If

O Garfo Ao Vivo no Sala Especial Loaded
# Gim
# Frankenstein
(Drop Loaded)

Plastique Noir – Imaginary walls
Clan of Xymox – Emily
Rosetta Stone – Adrenaline
The Cure – Pictures of you

Nautilus – The way
Gigante Animal – Cinza
Perdeu a Língua – Algodão doce

Buzzcocks – I can´t control myself
Ramones – Can´t seen to make you mine
Sex Pistols – Substitute
The Clash – I Fought the Law

Janis Joplin - Kozmic Blues
Jimi Hendrix - Little Wing
(A pedidos)

Toxic Holocaust – Metallic cruxifixion
Municipal Waste – The Art of partying
Kreator – Hordes of chaos
Megadeth – Holly Wars

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

O "Showmício" de Jello Biafra & The Guantánamo School of medicine


Em boa forma, Jello Biafra revive Dead Kennedys, mostra músicas do trabalho recente e aproveita para espalhar discurso de extrema esquerda ao público carioca.


por Marcos Bragatto
Fonte: REG

Era uma noite fadada a comparações com o longínquo ano de 1992, quando um Circo Voador lotado recebeu o eterno líder do Dead Kennedys, Jello Biafra. Na ocasião, ele tocou umas músicas com o combinado Ratos de Porão/Sepultura/Ministry e se jogou sobre o público, sendo resgatado com a camisa espatifada pela turba punk. Foi com essa visão que cerca de 800 punks e ex-punks de todas as idades foram ontem à noite ao Teatro Odisséia, no Rio. Jello veio à Eco 92 (conferência que reuniu líderes mundiais para discutir problemas ambientais em pleno governo Collor) só para protestar, e ontem, apesar de trazer o show completo de sua nova banda, a Guantanamo School of Medicine, fez o mesmo: aproveitou para pregar a ideologia de extrema esquerda do último dos punks de verdade.

Jello entra no palco vestido de médico e logo mostra uma camisa social com a bandeira americana em estampa gigante, só que de cabeça para baixo. Aos 52, mostra excelente forma, se mexendo sem parar e fazendo uma espécie de mímica que interpreta a letra de suas músicas. Em “Electronic Plantation”, por exemplo, que mira o extenuante trabalho em computadores, ele imita um digitador num teclado imaginário que trabalha demais, leva bronca do chefe e ganha pouco. Além disso, usa uns três minutos no início de cada música para explicar do que trata a letra, só que sempre em inglês. Em “New Feudalism”, denuncia que o ex-presidente George Bush queria implantar nos Estados Unidos o “sistema brasileiro, com poucos muito ricos e muitos muito pobres”. Entendendo o recado de uma forma ou de outra, o que vale é que o público agita sem parar, em apertadas rodas de pogo e moshs que faziam lembrar os tempos áureos do Dead Kennedys.

A coisa só esquentou pra valer com “California Über Alles”, clássico do hardcore mundial que levou a casa, de elam chique, a sucumbir ao punk rock de raiz. Foi a primeira das inúmeras vezes em que Jello se jogou sobre a platéia ensandecida. Outras seis músicas dos Kennedys foram incluídas no repertório, incluindo a esperadíssima “Holiday in Cambodia”, que fez um ensandecido fã despencar do mezanino de quase cinco metros de altura – consta que sobreviveu. Mas o público não reclama das novas, que formam a íntegra do único álbum do Guantanamo School Of Medicine, “Audacy Of Hype”, lançado no ano passado. Tampouco deixa de aplaudir a verdadeira pregação, afinal de contas é Jello Biafra, o maior ícone punk em todos os tempos, que está ali, a poucos metros de distância.

O som do grupo também contribui, já que boa parte das músicas lembra muito a pegada do Dead Kennedys, se é que isso é possível. O guitarrista Ralph Spight, por exemplo, emula East Bay Ray em várias músicas, como em “Pets Eat Their Master” e “Dot Com Monte Carlo”. Mas há boas novidades também: a pesada “Panic Land” e “The Cells That Will Not Die” ficam certamente entre as melhores da noite. Jello lembra da passagem da Eco 92 e diz que “nada aconteceu depois desse encontro de políticos, porque eles estão sempre bêbados demais”. Foi a deixa para outra dos Kennedys, “Too Drunk to Fuck”.

Jello dedicou a última música, “I Won’t Give Up”, ao amigo Renato Russo e a todos que – como diz o título - não se rendem. Outros temas recorrentes dele são a guerra, as grandes corporações, o cartel de drogas, a Coca-cola, o McDonald’s e blábláblá. Só vacilou ao elogiar o “partido verde brasileiro pelo desempenho histórico nas últimas eleições”. Mal sabe ele que, aqui, os verdes são tão comprometidos com as mazelas políticas com qualquer outro partido. Mas quem se importa? O que contou mesmo foram as duas horas de pogos e moshs desgovernados, sem, entretanto, uma briga sequer. Igualzinho ao show de 1992.

Set list completo:

1- The Terror of Tinytown

2- Clean as a Thistle

3- New Feudalism

4- Electronic Plantation

5- California Über Alles (Dead Kennedys)

6- Panic Land

7- Let’s Lynch the Landlord (Dead Kennedys)

8- Three Strikes

9- Strength Thru Shopping

10- Dot Com Monte Carlo

11- Pets Eat Their Master

Bis

12- The Cells That Will Not Die

13- Holiday in Cambodja (Dead Kennedys)

Bis

14- Police Truck (Dead Kennedys)

15- Too Drunk to Fuck (Dead Kennedys)

16- Bleed for Me (Dead Kennedys)

Bis

17- Moon Over Marin (Dead Kennedys)

18- I Won’t Give Up

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Gigante Animal em Aracaju

A apresentação de uma banda estranha aos domínios de nosso conhecimento sempre oferece oportunidade para o confronto de certezas estabelecidas. Temos todos pré-conceitos, inclinações, preferências. Temos afinidades inexplicáveis, que desobedecem a qualquer tentativa de racionalização. De vez em quando, no entanto, um forasteiro chega de outro mundo – um planeta vermelho ou o apartamento do vizinho –, só para abrir uma janela desmedida na parede sólida de nossa apreciação.

Esta semana, o Capitão Cook abriga a etapa sergipana da turnê que os paulistas da Gigante Animal realizam pelo Nordeste. A banda é competente, dá conta do recado e ainda conta com a presença de Babalu em seus quadros. O cabra é filho da terra, velho conhecido da cena sergipana. A energia empregada pelo batera em bandas como a Karne Krua e Triste Fim de Rosilene promete uma performance cheia de empolgação.

Para minha surpresa, entretanto, a principal atração da noite não é a mais digna de curiosidade. A ocasião que propicia a necessária aparição das locais Perdeu a Língua e Nautilus – que cometem verdadeira injustiça com o próprio trabalho, manifestando-se tão raramente – revela ainda a maturidade alcançada por nossos músicos mais jovens. Depois de conferir o Myspace das três bandas que fazem a festa no Cook, não tenho dúvidas de que a instrumental de nome sugestivo tem tudo pra roubar a cena.

Com a boca cheia – Reza o ditado que em boca fechada não entra mosca. Eu, que já me familiarizei com o sabor da iguaria, faço ouvidos moucos e insisto no impulso de emitir opinião. Não existe dúvida de que a grande atração da noite é mesmo a apresentação da Gigante Animal. Se fosse preciso apostar minha fortuna em um nome, contudo, a instrumental Perdeu a Língua correria o risco de voltar pra casa com os bolsos pesados.

A história do grupo é relativamente recente. A banda surgiu em meados de 2006, por iniciativa do baterista Tiago Babalu e dos guitarristas Luiz Oliva e Alex Prado, durante uma turnê da saudosa Triste Fim de Rosilene. Após o fim da caminhada pelo nordeste, os caras convidaram o baixista Maneu para tomar parte na empreitada. O resultado agradou, mas os caras se dividiram entre trabalhos paralelos (a exemplo da Snooze, Karne Krua e a paulista Debate) e acabou no que deu. Um projeto fantástico, encostado, sem atividade.

De qualquer modo, o som do quarteto é muito divertido. Com estrutura calcada no formato clássico do rock (Guitarra/Baixo/Bateria), o Perdeu a Língua agrega em sua sonoridade um espectro musical abrangente, tendo como resultante uma estrutura livre e sem amarras, que permeia desde o fraseado nordestino revisitado até o rock mais autêntico.

Para além do que informa o release da banda, é preciso mencionar ainda a habilidade de seus músicos. Não é qualquer neguinho que passeia por gêneros diversos, até mesmo antagônicos, com tanta desenvoltura.

Entronado no esforço de minhas peregrinações, eu julgava que conhecia tudo o que importava na música sergipana de nossos dias. Pra minha surpresa e felicidade, a banda Perdeu a Língua afastou o enfado dessa perspectiva e me provou que não.

Fonte: Spleen & Charutos

por Rian Santos


* * *

Sobre a Gigante Animal:

O Gigante Animal é do tamanho da atual fase do rock independente nacional. Nem tão lá nem tão cá, o quarteto formado em 2006 demonstra cuidado e sofisticação tanto na produção como no resultado final, que por si só informam muito sobre suas virtudes. Em todos os quatro EPs gravados, cada um com três sons, a produção é esmerada. A cada passo, o grupo compartilha o processo de descobrimento das próprias potencialidades, como quem descobre o amor – ao vivo, o grupo é uma experiência passional de timbres, variações e harmonias.

O que é apenas sugerido nas letras um tanto vagas é preenchido pelos sons – tal qual o nome da banda, uma síntese de estranheza e retidão. A distribuição dos EPs é feita nos shows e com base na troca de e-mails: você manda uma mensagem e leva um dos EPs, acompanhado de um link pra baixar os que faltaram. Esse equilíbrio entre expor a procura pela musicalidade e se colocar criativamente no mercado, combinado com o já referido estranhamento, são a marca de um determinado segmento da música urbana jovem atual.

Tomemos trechos do último trabalho da banda, “Ténn”: “E esse cinza que não passa/ sem graça, passará!” (de “Cinza”), “depois pra sempre não há/ quem disse que pra sempre será?” (de “Ah, Tá Bom”) e “passa passa passará/ seus dias nunca vão voltar/ passa passa passará/ tenho medo de me arrepender/ a seco, acertos descontos” (de “Pelo Reflexo”), recortes que passeiam, ao fim e ao cabo, pela perda da inocência e por ritos de passagem à moda dos melhores romances de formação.

E, assim como o talento dos recifenses do Nuda, que em muito se irmana com o Gigante, a fórmula musical é o que poderíamos chamar de pós-Los Hermanos: romantismo jovem, um hibridismo que busca a amenização de temas locais e estrangeiros. Mas, enquanto o Nuda se vale de cores vibrantes e tropicais para alcançar tal empreitada, o Gigante se esmera no reaproveitamento do combalido indie rock saído do pós-hardcore estadunidense. E é nesse método de tentativa e erro tão abertamente exposto que reside o interesse em acompanhar o amadurecimento estético do grupo – ainda que tudo, por fim, fique cinza.

Por Arthur Dantas

Fonte: +Soma

O Iron Maiden vem aí ...


De novo ! E desta vez eu juro, em nome do adolescente espinhento que eu era ouvindo incansavelmente "live after death" no som de casa assim que meus pais saíam no domingo à noite para ir à missa, que eu vou (ano passado não fui porque tive que escolher, e escolhi o Motorhead).

A.

* * *

Lançamento: Trupe metálica liderada há mais de 30 anos por Steve Harris, com mais um álbum de prog metal nas paradas, anuncia shows em 6 cidades brasileiras em 2011.

The Final Frontier / Iron Maiden / EMI Music / R$ 29,90 (edição simples) / R$ 39,90 (edição especial, na caixinha de lata)

Edward é um monstrinho danado. Desde que desencarnou, no Vietnã, tornou-se alma penada, serial killer, foi ao inferno, ao hospício, foi mumificado, viajou para o futuro, voltou, invadiu videogames, tornou-se rei e agora, novamente, aparece em um ambiente de FC, no novo álbum dos seus patrões do Iron Maiden, The Final Frontier.

Eddie, o mais famoso mascote do rock, criado pelo desenhista inglês Derek Riggs – inspirado em uma imagem da guerra do Vietnã que mostrava a cabeça em decomposição de um soldado sobre um tanque inimigo – é só a desculpa para a banda, com mais de 30 anos de atividades, escrever mais um capítulo dessa história.

A exemplo do AC/DC e Ramones, o Iron Maiden é uma daquelas bandas que, se mexer demais na receita original, estraga – sem contar a gritaria que poderia gerar entre os fãs.

Desta forma, The Final Frontier traz o grupo liderado pelo baixista Steve Harris em sua forma pura: são dez faixas do típico heavy metal britânico (estilo formatado por eles mesmos, 30 anos atrás), todas com aquela pegada épica, quase operística, com letras quilométricas, solos dobrados de guitarra e linhas de baixo galopante.

Apesar de soar como o Iron Maiden de sempre, é notável como o pendor para o rock progressivo – uma influência assumida de Steve Harris desde o início da banda – parece ter dominado o repertório mais recente. Todas as faixas são suítes: longas e cheias de fases.

Para dar uma ideia, o primeiro single do disco, El Dorado – possivelmente, a faixa mais legal e amigável do álbum –, tem mais de seis minutos. E é uma das menores músicas.

Satellite 15... The Final Frontier (com 8,41 minutos), que abre o disco, fica ótima depois da introdução, de 4 minutos. E assim, o CD vai. Os fãs de sempre vão curtir.

Já a molecada, deve estar ouvindo Avenged Sevenfold.

Volta ao Brasil em 2011

Como já virou tradição, a banda volta ao Brasil a cada turnê de CD novo, e a cada tour, a lista de cidades que recebem o Maiden só aumenta. Em 2011, eles tocam em São Paulo (dia 26 março), Rio de Janeiro (dia 27), Brasília (30), Belém (1º de abril), Recife (dia 3) e Curitiba (5).

por Franchico

Rock loco



terça-feira, 9 de novembro de 2010

FESTIVAL DOSOL 2010


Terminou na madrugada deste último sábado a festa de abertura da edição deste ano do Festival Dosol, e o batismo não poderia ter sido melhor. Amp, de Recife, e o misterioso Love Bazukas, ambos especializados em tocar o chamado “rock de verdade”, despejaram guitarras amplificadas em altos decibéis sobre o público. O Centro Cultural Dosol recebeu uma platéia formada, em sua maioria, por integrantes de outras bandas escaladas para o festival, convidados, patrocinadores e imprensa. Começa efetivamente hoje, no Largo da Ribeira, na Rua Chile, a sétima edição do Festival.

Quem conhece a música do Amp não tem dúvidas. O quarteto sempre bebeu na fonte do stoner rock consolidado nos final dos anos 90, mas fez isso de forma a criar uma marca própria para. Quem ainda não tinha visto os rapazes do Recife se apresentando sobre um palco, percebeu do que eles são capazes quando colocam as manguinhas de fora. Poucas bandas têm dois guitarristas/vocalistas que passam todo o tempo de um show um mostrando ser melhor que o outro, como fazem Djalma e Capivara. O equilíbrio foi tão grande que até os amplificadores dos dois, castigados por riffs porradas, às vezes irresistíveis, pifaram juntinhos, ao mesmo tempo – descobriu-se depois que o motivo era a falha de outro componente da instalação elétrica.

No repertório, a ênfase nas músicas do disco de estreia, o esporrento “Pharmako Dinâmica”, não impediu que músicas novas fossem apresentadas. Todas em sintonia com a pegada pesada do grupo, que só realça os bons riffs criados na maior parte do tempo. Não é por acaso que o grupo é contratado da Monstro Discos; o Amp se identifica muito mais com a Goiânia Rock City do que com o Recife que não consegue se livrar do passado apegado às inefáveis referências regionais – algo hoje completamente démodé. Por isso o público de Natal, que com a consolidação paulatina do Festival Dosol, não é mais bobo, percebeu a diferença e caiu no rock do Amp.

Goiânia marcaria presença na atração seguinte, que teve a participação de Fabrício Nobre, do MQN, cantando no cover de sua própria banda: “Burn Baby Burn”, tocado pelo Love Bazucas. A banda que não está no mapa nada mais é do que o Black Drawing Chalks reforçado por Chuck Hipolitho, que durante anos encabeçou o Forgotten Boys (espécie de tio avô precoce da sonoridade de Goiânia) e hoje segue no Vespas Mandarinas. Ou seja, são três guitarras ao vivo e a serviço do riff e do esporro. Imagine um incêndio de grandes proporções e um piromaníaco injetando gasolina em cima. É mais ou menos por aí.

Além de covers que todo mundo queria ouvir, o grupo mandou músicas que estão no split CD (quatro músicas pra cada um) com o chileno Bonzo. Acredite se quiser, além da mistura punk/hard rock que o Forgotten Boys propagou, e o stoner do BDC herdado do mesmo Forgotten Boys, o grupo manda até um funkão arrebenta assoalho, que abriu o show, a ótima “Destroy This Little Boy”. Victor Rocha assume boa parte dos vocais, mas a presença de Chuck e o apelo que o grupo mostra com o acréscimo de uma terceira guitarra é algo realmente sedutor. Pena o show ter durado tão pouco – cerca de meia hora -, mas o projeto teve sua principal serventia: dar o pontapé inicial num festival cuja edição, a julgar por sua festa de inauguração, promete.

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O cronômetro foi ligado às 15h30 em ponto no primeiro dia do Festival Dosol para que as dezoito (!) bandas programadas se mantivessem no padrão pré-estabelecido de meia hora para cada show. Uma exceção, no entanto, teve que ser aberta. Aos gritos de “Mais um! Mais um!” o público exigiu e conseguiu que o Autoramas voltasse ao palco para tocar outra música. O grupo protagonizou uma espécie de “momento Beatles” ao ser equivocadamente escalado para o palco menor do festival. O resultado foi uma superlotação do bem que resultou na maior interatividade conseguida por um artista na edição deste ano.

Quem esperava o show do álbum acústico não encontrou violões e se deparou com uma apresentação visceral. Na ótima “Você Sabe”, re-incluída no set, o público delirou cantando o refrão a plenos pulmões e pulando sem parar; na balada “A 300 Km Por Hora” coube ao líder do grupo, Gabriel Thomaz, puxar o coro; e até músicas como “Catchy Chorus” e “1, 2, 3, 4”, do Little Quail, foram resgatadas numa noite desde já histórica para o Dosol e que deve servir de marco para a retomada da trajetória do trio, interrompida pelo tal projeto acústico. Numa noite cercada de surf music por todos os lados, perigava o Autoramas perder o trem da história e ser atropelado pela “concorrência” que ele próprio ajudou a criar.

O local Camarones Orquestra Guitarrística que o diga. Aclamado com um dos destaques da cena local, mesmo sem ter um único álbum no mercado, já estava colhendo cenas para um DVD a ser lançado cobrindo a série de shows feito pelo Brasil este ano. Teve o público na mão e com o volume de som alto pacas dinamitou uma mistura de surf music de raiz e a do tipo “australiana”, tudo com muita pegada punk – um dos guitarristas parece ter saído do Ramones anteontem. Da Argentina, o Tormentos foi prejudicado ao tocar a clássica surf music depois da tsunami do Autoramas, e o trio paraibano Sex on the Beach mostrou virtuose típica do norte-americano The Mermen. Na abertura o instrumental do Hossegor deu mais sinais de classic rock do que e surf music ao público que ainda chegava à Rua Chile.

A produção apostou em nomes recorrentes em outros festivais espalhados pelo Brasil. Grupos como Móveis Coloniais de Acaju, que fez o último show da noite com grande participação do público (e olha que foi o segundo em Natal esse ano); Black Drawing Chalks, o distribuidor oficial de esporro à granel; Nevilton, que, uma vez escalado muito cedo, sofreu para animar uma platéia incipiente, mesmo com a usual boa performance; e Superguidis, incrivelmente melhor a cada novo show, são exemplos de que, na prática, um circuito nacional de festivais já está se estabelecendo. O brilho do quarteto é inegável, cada qual com segmento e “tamanho” bem definidos.

Mas surpresas ocorrem, mesmo com veteranos como o Mechanics. “Uma péssima noite pra vocês”, desejou o vocalista Márcio Jr. logo de cara. “Somos uma banda movida pelo ódio e pela vontade de morrer”, vociferou em seguida, num prenúncio do que estaria por vir. Depois de uma pá de tempo cantando em inglês, a banda goiana partiu para as letras em português no disco mais recente, “12 Arcanos”, de onde boa parte do repertório foi retirada. Conteúdo mais claro só nos temas, já que o som discorre livremente entre o stoner, doom metal e grunge pesadaço, num festival de riffs que desaguou na primeira abertura de roda no meio do público no sabadão, e isso antes das 18h!

Como novidade, o Vespas Mandarinas, que ainda não fez nem dez shows, se saiu muito bem. O grupo é formado por ex-integrantes e bandas como Forgotten Boys, Banzé e Ludov e aposta numa veia entre a pauleira e a canção colante, no que se sai muito bem em músicas como a ótima “Impróprio”. Três quartos dos membros canta – e muito bem – encorpando ainda mais o som. Pena que a banda não pode mostrar mais serviço, já que dividiu praticamente metade do tempo com Fábio Cascadura. Juntos, eles encerraram o show com “Rádio Blá”, do Lobão. O indie rock com um pé no pós/positive punk foi representado pelo Sweet Funny Adams. Só que o grupo, já no nome, é espécie de banda cover com músicas próprias. Cada uma das canções, quando é iniciada, parece com algo já conhecido. Exceção feita para “The Killing Moon”, porque essa é do Echo And The Bunnyman mesmo.

Afora o Camarones, que reúne a duplinha Anderson Foca & Ana Morena, responsáveis pelo Dosol, a cena de Natal deixou a desejar no primeiro dia do festival. Aposta vencida já na edição passada, o Calistoga praticamente repetiu o show de antes, esvaziado ainda mais pelo sanduíche do Tormentos com o Black Drawing Chalks. Bem inexperiente, embora formado por integrantes cascudos, o Decreto Final vai de metal, hardcore e classic rock, mas parece mais banda de amigos de final de semana. Já o Venice Under Water é até bem intencionada, mas precisa refinar referências e melhorar muito os vocais.

Banda chilena, a Humana vai de metal e suas tendências, mas a cantoria linear do vocalista não ajuda. Só não ficou mais deslocado que a Orquestra Contemporânea de Olinda, chamada para tocar o baile e deixar os numerosos fãs do Móveis Coloniais de Acaju num imerecido castigo. O Cabruera também teve a mesma função, mas não contou com um público tão grande assim; a essa altura o tráfico de cervejas era o objetivo para suprir uma inesperada falta do líquido precioso em temperatura adequada nos bares.

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A turistada pode partir para as famosas praias escondidas atrás de dunas fenomenais, mas no domingo do Festival Dosol, a juventude de Natal só quer saber é de esporro mesmo. E chega sedenta na tarde encalorada para ver o bicho pegar. É uma espécie de redenção da música pesada local – e de outras cidades do Nordeste – que vai fundo no metal extremo e no hardcore. Não é dizer que a Ribeira, na região portuária, seja transformada na filial do inferno, mas é como se a chave da cidade estivesse entregue ao Cão em forma de gente.

Quando o Claustrofobia entrou no palco principal, no Armazém Hall, o ambiente já fazia jus ao nome do grupo. Nascido thrash metal, o quarteto paulistano evolui a olhos vistos e hoje faz um som pesadíssimo e em sintonia com o que vem lá do outro lado do Atlântico. Das raízes, o grupo traz a manha de cadenciar trechos de uma mesma música, alternado com porradas impiedosas. A novidade é a gravação do próximo álbum, o primeiro com letras em português, de onde saiu “O Pino da Granada”, como boa amostra do que vem por aí. O vocalista/guitarrista Marcus d’Angelo se adapta muito bem – já tinha feito o cover bem sacado para “Filha da Puta”, do Ultraje a Rigor. Mas foi com “Arise”, do Sepultura, que o público veio abaixo em monumentais rodas que sumiam e surgiam sem parar. Para quem acha que o metal brasileiro parou no Sepultura, taí a continuação.

O Nordeste sempre foi pródigo no som pesado nacional, e esta edição do festival não deixou barato, com Facada , do Ceará; Desalma, de Pernambuco; e a local Kataphero. Local o modo de dizer, já que o quarteto investe com precisão no death metal comum aos pares europeus, como o Hypocrisy, só para citar um exemplo. As guitarras às vezes limpas, melódicas até, dão um interessante contraste com a porrada que sai das caixas do Centro Cultural Dosol, abarrotado e encalorado. Com poucos – mas eficientes – solos, o grupo só peca pelo excesso de sons pré-gravados, a menos que um tecladista estivesse malocado atrás do palco para não dar bandeira.

Na cadência do thrash, o Desalma vem de Recife como o ímpeto da destruição. O trio aposta em levadas sombrias que logo avançam para a velocidade cruel que faz doer os ouvidos mais sensíveis. O resultado é um som técnico, bem tocado, mas sobretudo com alto poder de combustão, faísca ideal para que todos se debatiam na beirada do palco. Quase não se percebe, mas as letras que saem do vocal gutural são cuspidas em bom português, o que faz do grupo uma grata revelação no metal nacional. Ao Facada coube fechar a noite no palco menor, e o trio não fez por menos. Em poucos minutos despejou um crust/grincore esporrento para arrematar a noite. “Estamos aqui para celebrar o prenúncio do fim”, disse o baixista James, num dos intervalos. Vacilou quem saiu antes para ver o show de Marky Ramone, cujo início atrasou em quase uma hora.

Mais cedo, entre a turma do hardcore, a tarde foi de altos e baixos. A ansiedade pelo show do Garage Fuzz fez a produção iniciar a apresentação um pouco mais cedo. Antes do vocalista Farofa e sua turma entrarem já tinha gente se jogando sobre os outros em pensamento no Armazém Hall. O grupo fez um show correto e lembrou os bons tempos do hardcore melódico, antes da contaminação emo que praticamente tirou o importante subgênero de cena.

Incorreto é Mozine, dono de bandas toscas que fazem sucesso em Natal: Mukeka di Rato (a maior delas), Os Pedrero (a preferida da casa) e o Merda, no qual faz as vezes de guitarrista. Como de hábito, o grupo agradou geral. Tocando uma guitarra de brinquedo (mas que sai som) adquirida num camelô japonês, ele desencadeou as maiores rodas da tarde, quando o público ainda chegava ao festival. De quebra, homenageou o capixaba (o grupo é do Espírito Santo) mais ilustre, ao tocar uma impagável versão para “Quando”.

Apresentado como uma banda de “surf e lombra”, o Mahatma Gangue, de Mossoró, é na verdade um trio, que tem Rafaum (Distro) e Pedro (Catarro) na formação. Com músicas a serem melhor arranjadas e tocadas mais vezes, sobra vontade ao grupo, mas falta repertório mais definido e ensaiado. Já o AK-47 mistura referências a vários segmentos do metal, mas aparece mais por conta do vocalista, que tem o corpo cravado de agulhas durante o show e se banha de “sangue”. Duas bandas que precisam evoluir. Em tempo: por questões logísticas o Homem Baile não pôde ver o show das bandas Pumping Engines, Burn My Heart At Sunset e Todos Contra Um, todas locais.

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Todos os camisetas pretas de Natal, Mossoró, Caicó e adjacências, vivos ou mortos, foram ao domingão from hell do Festival Dosol. Os vivos saíram de suas casas, e os mortos, de suas tumbas. Se estivesse vivo, Nelson Rodrigues começaria assim uma crônica sobre a segunda e última noite da sétima edição do festival, cuja primeira parte foi encerrada ontem com dois mil garotos se digladiando ao som de Ramones no talo. Como é imortal, o pensamento vivo do Mestre vaga por estas linhas assim como vagavam os de Joey, Johnny, Dee Dee e o do próprio Marky, espécie de morto-vivo que continua a espalhar o legado do grupo que inventou a música punk aos lugares onde os parceiros, agora, só aparecem como almas penadas.

A Marky Ramones Blitzkrieg, com o vocalista do Misfits, Michale Graves, de cara limpa, cumpre o que promete: 32 músicas tocadas no talo e num pique de fazer inveja a muito adolescente por aí. Vinte e duas delas coladas umas nas outras, até que Graves faça um set acústico de três canções para que o público para de se matar ali, a olhos vistos. Entre “Beat On The Breat” e “Commando”, os cestos de lixo antes usados par recolher latas de cerveja amassadas, são lançados ao ar no meio da multidão. Vestido como o protagonista do filme “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”, Graves segura a onda muito bem, já que Marky não arrefece um minuto sequer, realçando a diferença ente um baterista de banda cover e um legítimo Ramone. O vocalista ganha camiseta jogada do público, tira foto para os fãs e se vê abraçado ao fantasma de Joey a cada nova porrada lançada sem dó sobre a garotada.

Não é que o público se divida naquelas rodas de pogo com um correndo atrás do outro como é comum nas praças nordestinas, e como aconteceu em boa parte do festival. Ontem, dentro de um Armazém Hall lotado, uma massa disforme se deslocava de um lado a outro, numa velocidade comandada pelos riffs manjados, porém eficientes depois de todos esses anos. Do meio do povo insurgiam body surfers lançados ao ar a todo o momento. Na falta do mosh de palco, controlado pela produção para que o caldo não desandasse, uns eram espremidos pelos outros e se jogavam sobre a multidão música após música. Enquanto no extremo Sul do País Sir Paul McCartney fazia chorar com canções de amor que embalaram gerações, no extremo Norte pérolas do cancioneiro ramônico como “Teenage Lobotomy”, “Pet Semetary”, “I Wanna Be Sedated” e “The KKK Took My Baby Away” mostravam outro panorama para a juventude disposta a tudo para se divertir. Como faziam os Ramones, aliás.

Antes, o show parecia que não iria acontecer. Marky Ramone decidiu que a bateria fosse desmontada do palco para ser afinada (!) no camarim, ocasionando um atraso de quase uma hora (coisa inédita nos dois dias de shows) e ele próprio ainda passou o som no palco, para delírio do público. A ansiedade era tanta que, o início, os organizadores cortaram um dobrado para que tudo funcionasse sem maiores problemas. Durante cerca de hora e meia, alucinações tomaram conta do local; teve gente que saiu de lá garantindo que viu, pairando sobre o palco, a trinca sagrada: Joey, Johnny e Dee Dee. Pode não dar para acreditar, mas a certeza unânime entre os garotos de Natal é uma só: Ramones vive.

Por Marcos Bragatto

Fonte: REG

08/11/2010, na Rua da Loucura

Noite Fora do Eixo na Rua da Cultura, desta vez com atração internacional, então vamos lá, mesmo sendo uma segunda-feira, o “Dia Internacional da preguiça” (A Rua da Cultura é um evento gratuito, Ponto de Cultura do Minc, e acontece às segundas-feiras para que seu horário não se choque com o de outros eventos culturais da cidade).

Nunca tinha ouvido falar de Falsos Conejos, a banda argentina que se apresentaria naquela noite. Baixei o disco, gostei, toquei no programa de rock. É o chamado “Math rock” que, segundo a Wikipédia, “é um gênero musical que surgiu em fins da década de 1980 com influências do Punk rock e do Rock progressivo. A composição musical é bastante complexa, incorporando métricas incomuns em seu ritmo, tido como matemático, daí o nome, Math rock (literalmente rock matemático). Os instrumentos geralmente sendo tocados em bases atonais ou politonais e nem sempre sincronizados. São acompanhados da voz, quando presente, alternando entre o ritmo calmo e gritado.”

No caso dos argentinos, não há voz, é uma banda instrumental. Como também é instrumental a outra banda convidada da noite, A Banda de Joseph Tourton, do Hellcife. Perdi, mas ok, já os tinha visto há pouco tempo na edição de Salvador do Festival No Ar: Coquetel Molotov.

Vi os Falsos Conejos, na íntegra. Bom, mas pra falar a verdade, esse tal de math rock, post rock, ou o que quer que seja isso, é chatinho pra cacete. Ok, você fica lá acompanhando as melodias, mas chega uma hora que se cansa e a musica passa a ser segundo plano, trilha sonora para o que está acontecendo à sua volta – no meu caso, os impagáveis diálogos nonsense de algumas das mais célebres criaturas que povoam a noite Aracajuana, RAS, Bilal, Doris, Cana Brava, Jason e Cia. Ltda.

Teve também a Mamutes, de quem eu gosto muito, mas nesta noite em especial a bruxa estava à solta e vários problemas técnicos interromperam a apresentação por diversas vezes, o que esfriou o público e me fez ir embora, já que terça-feira é “dia de branco” e a noite já estava avançada. Saí, no entanto, com a sensação de que, problemas à parte, os mastodontes mexerem um pouco demais nos arranjos de alguns de seus clássicos, que estão sendo executados num andamento diferente, mais cadenciado, com a guitarra mais “percussiva”, como bem observou meu amigo e conterrâneo Maicon “Stooge”. Curti muito não, mas boto fé na pegada dos caras, terei uma opinião melhor embasada em algum futuro show menos “tumultuado” – porque assistir a qualquer show do lado das criaturas que estavam ao meu lado é sempre complicado, os caras sempre roubam sua atenção. Ras, em especial, estava numa noite inspirada, berrando a plenos pulmões o que ele entendeu das letras das musicas do show da 120 Dias de Sodoma que ele tinha visto no youtube. Vou tentar reproduzir, abaixo, alguns dos brilhantes diálogos que foram travados naquela noite:

RAS, para mim: Adelvan, tava assitindo ontem lá em casa aquele show da banda de você, Bilal e Silvio no youtube. É massa, especialmente aquela que fala (berrando a plenos pulmões) “PEGA A MINHA R=#@, LAMBE O MEU SACO.

Bilal interfere: “que nada, massa é a letra de “Nas profundezas da b8%$# de Shera – Meretriz, mulher de putifar, meretriz, chupa p+*&# e bebe g@#*+/A suástica tatuada/no seu lindo pilão/foi melada de p&%$#+/da p@#$%* do negão!” – Bilal é co-autor da letra.

RAS, mudando de assunto: Adelvan, você ainda não assistiu “Lua Negra”? Porra, cara, como é que eu coloco em sua mão o melhor filme de todos os tempos e você não viu ainda? LUA NEGRA É DO CARALHO !!!!!!!!

NOTA: “Lua negra”, filme de 1975 de Louis Malle, uma releitura de Alice no país das Maravilhas, é a nova obsessão de RAS, ele só fala nisso.

Todos ao redor: “puta que pariu, filme ruim da porra, vai se f=*&#, RAS” – parece que todo mundo já assistiu, por livre e espontânea pressão, menos eu, que continuo a ser pressionado e cobrado a cada vez que encontro nosso camarada Renato.

RAS, mudando de assunto de novo: “você viu a ultima postagem do blog de Clark Bruno? Ele fala que aqui em Sergipe ta cheio de viado, porque aqui se tem a idéia de que o cara que come o viado não é viado, só o que recebe, quando na realidade os dois são viados, um passivo e o outro ativo. Como Já&$#*+, que um dia eu vi trepando com J@#&+

Já&$#*+, interrompendo: Vai se fuder, RAS, vc viu porra nenhum

RAS, a plenos pulmões: VI SIM, VOCÊ TREPANDO COM O NEGO J@#&+ VOCÊ É CROSSDRESSER !

Eu: e quem era o ativo ?

RAS: Já&$#*+,

Eu: Ah, menos mal, Já&$#*+,

Carol: quem é esse Nego J@#&+

RAS: Era um negão neonazista estuprador e caloteiro. Você é muito novinha, não é desse tempo não.

RAS, gritando: NÃO TEM NENHUMA MULHER SOLTEIRA A FIM DE F*&%$# HOJE NÃO ? TOU DISPONÍVEL !!!

Bilal, gritando para os Falsos Conejos: MUERTE A TODOS LOS ARGENTINOS. MUERTE A TODOS LOS ESPANHOLES.

Pouco depois lá estava ele tentando conversar com o baterista, e saem os dois juntos

RAS a plenos pulmões: VAI DAR PRO ARGENTINO, É, BILAL ?

Pouco depois volta Bilal com um CD dos Falsos Conejos.

“10 reais, quer comprar?”, oferece.

E assim segue, a noite inteira.

Patrocínio: Pitu.

A.