quarta-feira, 23 de março de 2011

Thunderstick: Nunca tinha ouvido falar ...

É espantoso como o mundo do rock é cheio de istórias incríveis! Conheça, a seguir, Thunderstick, um maluco (mais um) que foi uma espécie de "Pete Best" do Iron maiden: fez parte da banda em seus primórdios, mas saiu antes da fama.

Do Blog "Consultoria do rock": Tendo tocado no Iron Maiden de 1977 a 1978, Barry Purkis não conheceu a fama com a banda, mas viveu trocas de formação e experiências ao vivo, incluindo a elaboração de "The Ides of March", futuramente aproveitada no álbum Killers (Iron Maiden). Saindo de uma fase em que as coisas não andavam bem, Barry trocou de lugar com Clive Burr e assumiu as baquetas no então trio Samson, passsando a se chamar Thunderstick, o baterista mascarado que encontrava sua fama por vezes dentro de uma jaula, no meio do palco! Precisando de um vocalista, o Samson chamou Bruce Dickinson e formou-se então o mais clássico line-up da banda, rendendo três álbuns de estúdio. Em 1981, Barry saiu e se envolveu com alguns pequenos grupos, até tocar na banda do amigo Bernie Tormé, o Electric Gypsies. Neste tempo, Barry já procurava montar sua própria banda, e em agosto de 1982 seu projeto solo tocou pela primeira vez no Marquee Club, com muita da teatralidade típica dos anos 80 e uma pitada gótica. Em 1983 lançou seu primeiro EP, Feel Like Rock n' Roll, e em 1984 o primeiro e único álbum, Beauty and the Beasts. Sentindo-se desatualizada com o cenário musical, a banda terminou de vez em 1988 e Barry voltou para um reformado Samson.

Cenário atual: Barry Purkis e o produtor Rob Grain terminaram de remixar as faixas do EP e do LP do Thunderstick para que sejam lançados neste ano em formato digital. A entrevista abaixo aborda desde os dias atuais até o tempo em que Barry tocou no Iron Maiden, revelando algumas boas surpresas! Confira:


Thunderstick (a banda) lançou em 1983 seu primeiro EP e, em 1984, o LP chamado "Beauty and the Beasts". Neste ano você está para lançar ambos em formato CD, junto a algumas relíquias perdidas, pela Heaven and Hell Records. O que os fãs podem esperar deste novo lançamento do Thunderstick?

O que os novos lançamentos do Thunderstick incluem? Bem, o que eu posso dizer deles? Primeiro, deixe-me declarar que estou realmente satisfeito com a maneira que foram feitos. É esperado há muito tempo que o Thunderstick esteja disponível digitalmente, ao invés de puramente em vinil. O novo lançamento será intitulado Echoes From the Analogue Asylum, e incluirá todas as faixas anteriormente lançadas em Beauty and the Beasts mais as quatro faixas do EP Feel Like Rock n' Roll, junto a muitos extras, todos mixados e como faixas adicionais nunca ouvidas. Sua data de lançamento está prevista para o halloween de 2011.

Alguns fãs devem saber que ainda existe um álbum chamado "Don't Touch, I'll Scream", que nunca viu a luz do dia. Tendo em vista os recentes lançamentos, você espera abrir caminho para este outro tesouro inédito e finalmente dar a ele o "toque"?

Em uma palavra, sim! Eu espero muito que o segundo álbum, não lançado, Don't Touch, I'll Scream veja finalmente a luz do dia após esse lançamento inicial ter percorrido seu curso. Terei que remasterizar todas as faixas primeiro, o que vai me deixar bem ocupado.

Barry, como eram as performances ao vivo da banda Thunderstick naquela época? Vocês atuavam como um elenco de teatro ou faziam um tipo mais Samson: uma banda imprevisível, onde tudo podia acontecer e o baterista Thunderstick saía de sua jaula e jogava cerveja em cima do público?

As performances ao vivo eram altamente coreografadas, mas com muito espaço para imprevisibilidade. Era de uma maneira muito além das performances do Samson, mais teatral em sua forma. Esta sempre foi minha intenção em viajar na rota teatral. Lá pelo final do show, o palco ficava inteiramente destruído.

Eu sei que alguns antigos músicos do grupo Thunderstick ainda podem ser encontrados no Facebook e no MySpace. Vocês planejam se reunir e dar aos fãs a oportunidade de ver a banda novamente?

Infelizmente minha resposta tem que ser "não". Todos os membros da banda seguiram seus caminhos em separado e eu não acredito que haja uma maneira de recriar algo que teve muito a ver com o seu tempo, dentro de certo idioma. De todo modo, estamos todos mais velhos agora e espalhados pelo globo (risos)!

Em 1987, o baterista de Ace Frehley, Anton Fig, tornou-se o baterista da banda de estúdio de David Letterman (apresentador do programa norte-americano "The Late Show"), e você assumiu a bateria. Por quanto tempo você tocou com o spaceman do Kiss?

Eu ensaiei com Ace Frehley por um período, mas foi em 1989, nos Estados Unidos. Infelizmente eu nunca fiz um show com ele, a não ser certa vez quando ele se juntou a mim no palco, em uma reunião do Samson, no Roxy Theatre, em Nova York.

Você tocou no Electric Gypsies, banda de Bernie Tormé, por alguns meses, então foi substituído por Frank Noon (ex-Lionheart, ex-Wild Horses). Você chegou a gravar um álbum com Tormé e os Gypsies? Você se divertiu tocando com ele?

Bernie Tormé tem sido um amigo meu de longa data, desde 1979. Eu o encontrei pela primeira vez enquanto ele estava no Gillan. Ele também tocou em algumas das primeiras demos do Thunderstick. Sim, eu estive com o Electric Gypsies por um tempo, nós gravamos algumas sessões para a rádio e nos comprometemos com vários shows, entretanto, nunca toquei em qualquer um de seus álbuns. Mas eu toquei em um EP de quatro faixas com Bernie Tormé e John McCoy.

Quais foram seus melhores momentos tocando bateria com o Samson?

Memórias com o Samson: muitas para mencionar! Tanto no palco, gravando ou ensaiando, todos tiveram seus "momentos". Eu acho que de um modo geral, a insanidade de uma banda louca e com tanta mistura de personalidades seja a principal recordação. Todos muito diferentes em nossos gostos e desgostos, sem contar estar fazendo aquilo. Não é coisa para quem tem coração fraco (risos)!

Todos sabemos que "Live at Reading '81", do Samson, é um álbum ao vivo bem bacana. Mas há alguma coisa faltando na história da NWOBHM, como uma gravação ao vivo com a grande formação Bruce/Samson/Aylmer/Thunderstick, não concorda? Há alguma coisa desse nível passando por sua cabeça neste exato momento?

Gravações da formação que tocou no Reading Festival de 1980 realmente existem. Algumas das quais foram até transmitidas pela Rádio BBC na época. O show inteiro do Reading existe e permanece com meu confidente de longa data, Rob [Grain], que toma conta dos arquivos do Samson. Esperamos trazer estas gravações para a luz em um futuro não muito distante. Me deixa irritado o fato de que a única performance do Samson no Reading Festival lançado é o de 1981, com Mel Gaynor na bateria (o único show do Samson que ele fez). Esse show de 1980 tem tão mais daquele sentimento "Samson" nele, porque veio direto do fim de uma extensa turnê (N.E.: "Head on Tour"). Eu suponho que '81 seja uma marco para fãs do Maiden de qualquer forma, devido àquele dia em que ofereceram a Bruce um lugar na banda, após Steve Harris e Rod Smallwood o assistirem em Reading.

Barry, no DVD "The Early Days", Steve Harris disse que você tocou seu primeiro e único show com o Iron Maiden. Eu sei que você tocou alguns mais e bons shows com a banda. Então me permita perguntar sobre esses bons tempos. Quantos shows você tocou com o Maiden e como era uma apresentação da banda naqueles tempos? Cite as melhores memórias dessa época, se desejar.

Meu tempo com o Maiden, com o benefício da retrospectiva, foi relativamente curto quando comparado ao de outros membros. Entretanto, sim, fizemos um punhado de shows. O show do Maiden naquela época já tinha uma boa energia ao vivo, como é hoje, com as teatralidades no final, vindas do vocalista, que "cortaria a boca aberta" com um espadim e cuspiria sangue (à la Gene Simmons), durante a música "Iron Maiden". Minhas memórias de tocar com a banda são amigáveis, como do estilo do baixo de Steve e meu estilo de bateria se encaixando bem juntos. Também a vez quando tivemos todo nosso equipamento roubado de dentro do caminhão da banda – passando algumas noites dirigindo pelo East End de Londres, tentando encontrá-lo. Eventualmente a polícia o encontraria, e o equipamento e a van foram retornados.

O Iron Maiden com o qual estive envolvido foi um grupo formulando suas idéias e direção muito diferente da banda reconhecida de hoje. A inclusão de teclados na formação como um instrumento principal, mostra isso. Na época éramos apenas outra banda batalhando contra a competição. Steve vinha pra minha casa e nós ensaiávamos o baixo e as partes de bateria. Havia um pouco daquela coisa do ir e vir de integrantes. Para mim, isso era um caso de "trabalho em progresso". Eu não recordo de nada que fiz com eles como sendo extraordinário, apenas uma continuação de ser um músico coerente.

Você pode dizer a data do primeiro show com o Maiden? Algumas fontes dizem que foi com um tecladista e que ocorreu em novembro de 1977, no pub Bridgehouse, mas eu tenho uma sugestão de que possa ter ocorrido em fevereiro de 1978 neste pub... Oh, só você sabe.

Me desculpe, só eu não sei. Nunca mantive um registro de datas que tocamos, então eu acho que este show existe nas brumas do tempo. Eu realmente não posso dizer a você onde e quando.

Então o que aconteceu nos seus últimos dias com o Maiden? Dennis Wilcock realmente não apareceu em uma noite e vocês tiveram que tocar como um trio em um pub?

Da forma como lembro disso, acho que foi mesmo o caso; eu, Steve Harris e um guitarrista – não consigo lembrar se foi Dave Murray ou Terry Wapram. De acordo com a formação que me incluía, este particular show foi o começo do fim. Na época, Steve estava debatendo se ele voltava para a faculdade e continuava seus estudos, e após um longo período de inatividade eu saí, na procura de outra direção musical.

O que aconteceu depois que você deixou cair aquele barbitúrico durante um solo, no palco? Quero dizer, todo mundo conhece o fato, mas não sabemos o que sucedeu, estando você em uma situação problemática, com sua esposa e amante lá te assistindo. Você conseguiu sair deste episódio no Bridgehouse com vida?

Não – eu fui morto (risos)! Ok, eu já contei essa história em um número de ocasiões, mas uma vez mais pelo registro. O infame show na Bridgehouse... O que posso dizer? Eu estava casado há poucos anos e estava tendo um caso por fora. Neste show em particular, ambas, minha então esposa, essa minha namorada e seu marido (que ficaria depois ciente do caso), estavam todos no show, em pé como um grupo. O único que sabia da verdade dos três era minha namorada. Me mandaram então um novíssimo conjunto Gretsch de bateria, literalmente, durante o show – foi mandado direto para o local do show. Teria sido a primeira vez que eu montei aquilo, sem contar que toquei naquilo. Então a pressão veio em cima de mim, de todas as direções. Sim, eu cometi um erro ao tomar um barbitúrico antes do show para acalmar meus nervos. Então subi no palco, e logo depois das primeiras canções a pílula começou a fazer efeito. Juntando o fato de que toda vez que partia para um rolo de bateria, ao invés de (como era na minha outra bateria) haver um tom-tom no lugar, eu terminava batendo no lado de fora do tom, ou de fato na borda, devido à não-familiaridade com o kit – uma completa confusão. É fato que, quando fui fazer meu solo de bateria, havia um pessoal falando e, eu, aparentemente, conquanto honestamente não lembro, fiquei de pé e mandei pra eles algo em uma maneira não muito polida. Pouco sabia eu pela época, que este show e minhas consequentes ações, seriam registradas no folclore para me assombrar eternamente. Realmente não é uma noite que me lembro muito, mas todo mundo tem uma história (risos).

Última pergunta. Já esteve no Brasil? Espera tocar aqui algum dia?

Nunca, e eu amaria ir ao Brasil tocar. A reação do seu público é fenomenal – eles realmente amam suas músicas. Então, minha resposta é: nunca diga nunca!

por Ricardo Lira

primeiro grito rock de Aracaju

Esta semana, o Espaço Cultiva recebe a primeira edição do Grito Rock realizada em Aracaju. O evento, que também conta com um ciclo de palestras abrigado pelo auditório da Fundação Aperipê (ver programação completa abaixo), é promovido pelo Virote Coletivo, integrante do Circuito Fora do Eixo, que vem realizando um trabalho sem precedentes no fomento e profissionalização da música independente brasileira. A grande atração do Grito Rock Aracaju, no entanto, é mesmo o barulho da Mamutes. Quem se atreveu a dar um pulo no fim de mundo que responde por Caueira, na edição mais recente do Verão Sergipe, não possui reservas em relação à justiça da afirmação.

Foi na Arena Multicultural, um palco pequeno para a qualidade da música produzida por nossos malucos, embora ainda necessário. O som no talo atraiu a galera mais esperta do lugar, que estava com a cara pra cima depois da presepada feita com Patrícia Polayne no palco principal, enquanto a diversão não começava de verdade. Rick Maia arrancava uma enxurrada de riffs de sua guitarra e o piso tremia.

O show marcou a estréia da batera Danusa Corrumba, que substitui Marcos Odara e já ganhou um fã clube no facebook, presidido pelo chapa Adelvan Kenobi. Ficamos todos impressionados com a segurança da menina, mas isso ainda não é tudo. O poeta Vinícius de Moraes sabia das coisas. Beleza é mesmo fundamental.

No show, assim como no EP mais recente da Mamutes, lançado no ano passado, ficou evidente o amadurecimento da banda, que parece ter encontrado o equilíbrio necessário para acomodar os rugidos viscerais do vocalista Karl de Lyon às palhetadas que constroem as harmonias das canções. Se não há como berrar com moderação (o que nem combinaria com o espírito do rock and roll, convenhamos), basta aumentar o volume dos ampli. Simples assim.

No release da banda os caras afirmam que fazem Hard-Rock, Proto-Punk e resgatam ecos setentistas. Reducionistas, no entanto, os rótulos nunca dizem muito. É preciso estar na frente do palco, no meio da galera, atordoado por tanto barulho pra entender o que a Mamute faz. Como dizia aquela escritora chatinha,que todo adolescente guarda na cabeceira, viver ultrapassa mesmo todo o entendimento.

riansantos@jornaldodiase.com.br

Grito Rock Aracaju

Shows

Dia 25 de março, no Cultiva
Mamutes
Urublues
Ekk – (AL)
Jezebels
Quarteto de Cinco (BA)

Palestras

Dia 23 de março, no auditório da Fundação Aperipe
Tema: Circuito Fora do Eixo – uma nova articulação para o atual cenário da música nacional
Com Rafael Rolin
Tema: Economia Solidária e Universidade Solidária
Com Carolina Tokoyo Rodrigues

Dia 24 de março, no auditório da Fundação Aperipe
Tema: Economia Solidária e Universidade Solidária
Com Carolina Tokoyo Rodrigues
Tema: PCult
Com Leonardo Barbosa Rossato

terça-feira, 22 de março de 2011

Coisas Belas e sujas ...

Mudanças na vida: isso é um ciclo constante, intenso e justo na existência do homem. Algumas amargas, outras doces, mas experiências marcantes que nos formam. Que nos diga o compositor e músico sergipano Paulo Henrique, que passou momentos desfavoráveis e agora retorna – o lado bom – para a música com o projeto chamado Cinemerne.

Paulinho é de Lagarto, interior sergipano, e nos idos dos anos 90 foi membro-fundador do promissor trio rock Lacertae, combo avant-garde que aliava um rock denso com experimentalismos. Depois de decepções pessoais, misturadas com drogas e álcool, ocasionando perturbações mentais, afastou-se para tratamento. Hoje, totalmente “limpo”, retorna ao meio com uma investida musical, que é espécie de confessionário da sua vida até o momento.

Cinemerne resume-se numa catarse musical que lhe deu direção e sustentação depois da tenebrosa fase. Esse resultado ele dá o nome de “anti-pop”, mas ainda é nítida a poesia idiossincrática que exerce desde o tempo de sua antiga banda. A sonoridade é monocromática, constituídas de melodias retas, parcimônia de refrões e harmonias simples. Não poderia ser diferente. Seu trabalho é sincero e bastante direto, sem muito apelo. Entende-se melhor quando se entende a história do homem.

Gravado recentemente, “Coisa belas e sujas” dá titulo ao EP com cinco músicas produzidas por Leo Airplane (Plástico Lunar), que trabalhou bem com a proposta de Paulinho, além de ter tocado baixo, teclados e programação de bateria. Em fase de divulgação, fizemos uma entrevista exclusiva, que você confere agora:

Após longo tempo distante da música como tem sido seu retorno?

Estou achando agradável. A música pra mim é o meu norte. Passei 15 anos longe, devido a minha loucura (mania depressiva bipolar) e o uso e abuso de drogas e álcool. Estou limpo a mais de uma década e a psicose está controlada. Padeci, cai, levantei, sonhei e agora estou livre. A produção desse EP veio como um bálsamo. Estou compondo mais algumas canções, para no meio do ano gravar e fechar um CD. Vou continuar a batalha e insistir, o meu retorno está sendo de uma magia serena. Vou aproveitar.

Sua antiga banda, Lacertae, tinha uma pegada experimental e inovadora lá nos idos dos anos 90. Seu projeto Cinemerne tem a mesma tendência? Fale um pouco disso.

Não tem a mesma tendência. O projeto CINEMERNE é completamente diferente, é uma pegada anti-pop. Utilizo sim elementos primitivos como flautas artesanais, pedaços de metais velhos mais sem ser experimental. Estou tocando guitarra (sou um músico medíocre, toco com as tripas), gosto de colocar violão com acordes naturais e econômicos. Quero fazer um som que transporte a mente para lugares multicoloridos e agradáveis, através de letras calcadas na poesia do Séc.XVI e Séc.XVIII.Utilizando as palavras como imagens. No EP “Coisas belas e sujas” uso sem economia os artigos definidos e verbos. É pura contemplação. Por isso CINEMERNE está muito distante do Lacertae da minha época.

Como você avalia o cenário independente atual?

Hoje em dia as coisas estão mais fáceis (produção, divulgação, equipamentos),muitos espaços para tocar apesar das panelinhas.Tem muita gente boa fazendo som com atitude e boa vontade. A rapaziada de Recife faz um som muito bom, Salvador, Aracaju. Enfim o nordeste continua parindo bandas muito boas (apesar do brega e do forró do mal). Eu avalio positivamente a cena independente.

O que de novo tens escutado e lhe agradado?

Cara, lá nos idos dos 90 eu ficava viajando no Séc. XXI na virada do milênio, pensava eu que as artes iam se mistificar, um transbordar de almas e pensamentos novos e únicos, que decepção. A arte do Séc. XXI é a pior coisa que aconteceu na história humana. Música, literatura, cinema e artes plásticas são de uma decadência, uma falta de inspiração e vazio imensuráveis. Deprimente. Tenho os pés e os ouvidos fincados nos anos 60 e 70. Desses sons novos gosto de The Dead Weather, Cage the Elephant, The Mars Volta e At the Drive In. É o que deu para citar.

Fale o que significa Cinemerne e porque esse o nome de seu novo projeto.

CINEMERNE foi extraído do livro “A Utopia” de Thomas More. Os utopianos celebram uma festa nos primeiros e últimos dias do mês e do ano. Esses primeiros dias se chamam CINEMERNE que significa festa inicial. Achei o nome sugestivo para o projeto que eu tinha em mente. Que é me afastar e me transportar para longe daqui,desta realidade funesta e nada melhor do que uma festa como veículo de fuga.

Você passou por um longo período de turbulência pessoal. Poderia dizer como isso afetou na sua vida e como saiu dessa?

Passei por uma longa “tempestade cerebral” foi terrível. Fui ao inferno várias vezes, sorvi o cálice da estupidez humana. Cai,levantei, enlouqueci. Mas não há mal que não traga um bem nas suas asas sujas. Aprendi muita coisa, hoje estou mais forte do que nunca. Tudo agora é proveitoso, tem cor, tem som, tem gosto. Para eu sair dessa deixei bem para trás o álcool e as drogas. Não tenho religião (religião é um terreno muito perigoso), mas Deus soprou no meu ouvido lições edificadoras. Minha ótica agora é serena e limpa.

Como surgiu essa parceria com o talentoso Leo Airplane?

Conheci o Léo através do Fabio Snoozer (mantenho contato com os irmãos Snooze). Estava a procura de um lugar para gravar um EP e Fabinho me deu o toque de Léo. Nos encontramos, apresentei os sons e ele fez os overdubs de bateria,tocou baixo e teclados. Foi proveitoso.

Ainda tem alguma ligação com o pessoal da Lacertae, banda que você foi um dos fundadores?

Não. Os caras não têm nada a ver comigo. Aliás, desde os primórdios do Lacertae (que não é nenhuma homenagem a cidade de Lagarto) não me dava muito bem com as idéias fracas dos caras e hoje em dia não me interessa nenhum contato.O passado é pobre.

Qual sua pretensão depois de ter feito esse EP?

A minha idéia é ficar divulgando pela internet o EP. Tenho a pretensão de formar uma banda, mas isso é uma mera conseqüência, hoje em dia as coisas estão mais fáceis. No meio do ano vou gravar mais umas canções para fechar um CD vai se chamar “A noite do Sol”. Vou batalhar para colocar este EP nas mãos de pessoas certas,estou aliviado. Tirei um fardo enorme da cabeça.

Para escutar CINEMERNE online:
www.soundcloud.com/cinemerne

Contatos:
e-mail: vitelloni@bol.com.br
twitter: @Paulovitellon

por jesuíno andré
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Back to the front again, and again, and again ...

Bruce Dickinson concedeu ao Jornal O Estado de São Paulo ( Estadão) de domingo uma breve entrevista. Nela o vocalista fala de como em época de crise no mercado fonográfico o Iron Maiden permanece um fenômeno.

METAL INVICTO
Por Roberto Nascimento - O Estado de S.Paulo

Um manual de sobrevivência para esses conturbados tempos da indústria fonográfica poderia ser encomendado ao Iron Maiden. Na capa, em negrito, algo como "os segredos da única banda de heavy metal que ainda vende 800.000 discos em uma semana", seria o chamariz.

Como poucos grupos de grande porte que navegam fora do mainstream, os veteranos metaleiros são praticamente imunes ao declínio de vendas na era do download. O fato foi comprovado em 2010, com o lançamento do disco The Final Frontier, que se manteve no topo de paradas da Arábia Saudita à Europa, ao Japão, vendendo um número de cópias para Jay-Z nenhum botar defeito.

As providências mais básicas tomadas pelo Iron - turnês ostensivas e qualidade de merchandising, termos na ponta da língua de qualquer manager de sucesso - estão no repertório da banda desde o início, há mais de 30 anos, quando, por não conseguir espaço para suas canções longas e pesadas nas FMs, o grupo naturalmente gravitou em direção às turnês para promover seu som. Chegaram, em 1984, a fazer uma média de mais de um show a cada dois dias. Hoje em dia, os cinquentões ingleses, que tocarão em São Paulo no sábado que vem, além de outras cinco datas no País, fazem uma apresentação a cada três dias.

"Nós nunca aparecemos em programas de TV ou tomamos parte em qualquer divulgação na grande mídia, em publicações como o National Inquirer e esse tipo de baboseira. O nosso público aprecia isso. O que gostamos de fazer é tocar e compor, então fazemos turnês", explica Bruce Dickinson, vocalista do Iron desde 1981, em entrevista telefônica ao Estado.

Mas a grande sacada da banda, a que garante que os fãs conquistados em todos esses anos ainda irão à loja de discos para comprar seus álbuns, chama-se Eddie, a caveira-mascote que figura em todas as capas de discos. Em uma época em que o merchandising (vendas de camisetas, pôsteres e xícaras de chá) chega a 20% do faturamento de uma banda e o Radiohead lança King of Limbs acompanhado de 625 miniaturas artísticas para prevenir o download ilegal, o conceito Eddie garante, como faz há décadas, o sustento do Iron Maiden em suculentas edições especiais com arte caprichada e cópias em alta definição.

"O Eddie tem nos ajudado muito desde que tivemos a ideia de recriá-lo em todas as nossas capas", explica Dickinson. "Além disso, ele é uma espécie de fantasia, porque nenhum de nós está interessado em ser famoso. Se pudéssemos ser completamente invisíveis e as pessoas só comprassem discos do Iron Maiden e nunca ligassem para quem está na banda, eu ficaria muito feliz. Não gosto de ser reconhecido. Mesmo no palco, gosto de ser invisível. Isso é impossível, tenho de aceitar isso, mas o Eddie nos ajuda muito porque ele pode fazer todas as loucuras que os roqueiros supostamente fazem. Fora do Iron Maiden, somos pessoas praticamente anônimas. Tudo o que fazemos tem a banda como foco", conta o cantor, cujos vibratos operísticos o fazem figurar como uma das vozes mais influentes do heavy metal tradicional, som que primava por guitarras barrocas, ritmos cavalgantes e letras macabras antes de enveredar pelo peso absoluto.

Mesmo sendo referência em termos de técnica (um vídeo no YouTube mostra trechos de canções que abrangem quatro oitavas de alcance vocal), Dickinson não é cria de conservatório. "Aprendi tudo o que sei de ouvido, como autodidata, ouvindo discos do Deep Purple, Arthur Brown, Peter Hammill do Van der Graaf Generator, Ian Anderson do Jethro Tull, um pouco de Ozzy e Robert Plant", conta. Quando não está à frente do grupo, entoando pérolas do metal como Number of the Beast, The Trooper e 2 Minutes to Midnight, Dickinson luta esgrima, apresenta programas de TV sobre história militar e fenômenos ocultos e trabalha como piloto e diretor de marketing de uma companhia aérea. "Todos esses interesses se transformam em canções do Iron Maiden. Mas também piloto o avião que transporta a banda e estou com o meu equipamento de esgrima para praticar nas horas vagas", explica o cantor que já foi sétimo colocado em uma competição nacional na Inglaterra e apresenta uma série de programas que incluem episódios hilários sobre combustões espontâneas (com a sutil sugestão de que um prato de feijão seria a causa dos fenômenos), test drives de tanques russos e os efeitos de uma explosão de gás metano.

Conspiração: A abertura do Iron Maiden, no Estádio do Morumbi, sábado que vem, será feita pelo Cavalera Conspiracy, banda que reuniu os irmãos Igor e Max Cavalera uma década depois de brigarem por causa do gerenciamento do Sepultura. "A gente voltou a se falar, mas eu estava desencanado de tocar", conta Igor, considerado um dos melhores bateristas de metal do mundo. "Max teve de me conquistar, como uma garota. Pago muito sushi", revela. A banda lançou o segundo disco, Blunt Force Trauma, este mês. "O que nos junta é uma mistura de hard com metal. Ele é bem mais simples, mais direto do que eu. Enxergo as coisas de modo mais experimental", conta.

sexta-feira, 18 de março de 2011

# 181 - 18/03/2011

O programa de rock de hoje trouxe o bloco mais pop que já produzi - ainda fui instado a voltar atrás pelos ilustres visitantes Marcelo Larossa e DJ Casca, mas mantive-me firme em meu intento de colocar no ar o fruto de meu "surto" new wave. Nele relembramos algumas pérolas radiofônicas da primeira metade dos anos 80 com a seminal Gang 90, banda do visionário Júlio Barroso, que morreu de forma trágica em 1984 ao cair acidentalmente da janela de seu apartamento (a hipótese de suicídio foi levantada, mas nunca comprovada). Tocando, vejam só que cúmulo da heresia para um programa que alguns supõem ser "underground" (não é), uma música tema de uma novela de Gilberto Braga, "Louco Amor"! Se restava alguma dúvida de que nossa programação é eclética, ela acaba aqui. Na sequencia, uma faixa do segundo disco de Lobão, "Ronaldo foi pra guerra", um cover do paralamas do Sucesso que foi sucesso (sic) na voz de Dulce Quental e seu grupo Sempre Livre (a faixa está no disco "avião de combate", de 1984) e, finalizando, os próprios paralamas, com o matador ska "o passo do Lui", faixa título de seu segundo LP.

Prosseguimos com uma música novíssima do The Kills, "DNA", mais um Drop Loaded e um retorno ao industrial dos anos 90. Veiculamos também, excepcionalmente, dois "Blocos do ouvinte": o primeiro já estava programado e foi produzido por Hansen, do Harry, banda pioneira da EBM no Brasil. No segundo fomos pegos de surpresa (agradável surpresa) com a presença "in loco" de nossa amiga (e ouvinte, assim espero) Rosi Araujo, que não só produziu como apresentou, ao vivo, um especial com Nick Cave And the Bad Seeds.

Até a próxima sexta.

A.

#

Atari Teenage Riot - Revolution Action
Ministry - psalm 69
Nine Inch Nails - head like a hole
Marilyn Manson - Sweet Dreams

The Kills - DNA

Hangovers - Eis-me a transpirar tal qual um síno
Beally - Boy and girl
( Drop Loaded )

Mantus - Mord im Mondschein
Behind the Scenes - Obsessions
1000 violins - like 1000 violins
Icehouse - Icehouse
Mut Angst Envy - catacombs
( por Hansenharryebm )

Gang 90 & As Absurdettes - louco amor
Lobão & Os Ronaldos - corações psicodélicos
Sempre Livre - Fui eu
Os Paralamas do sucesso - O passo do Lui

Nick Cave & The Bad Seeds - From her to eternity
(pedido de ouvinte via telefone)

Bloco produzido e apresentado por Rosi Araújo:

# Oh Children - Nick Cave & The Bad Seeds
# Song of joy - Nick Cave & The Bad Seeds
# No pussy blues - Grinderman
# Henry Lee - Nick Cave & pj Harvey

Max Cavalera, uma entrevista

No lançamento do segundo álbum, “Blunt Force Trauma”, o Cavalera Conspiracy volta ao Brasil para uma apresentação relâmpago e Max responde entrevista – acredite - de próprio punho.

por Marcos Bragatto
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Em 1996 o líder e integrante fundador do Sepultura, Max Cavalera, foi “saído” da banda e montou o Soulfly. Seu irmão, Iggor, ficou no grupo mais dez anos, mas também acabou saindo. Foi a deixa para Max fazer as pazes com ele e juntos, criarem o Cavalera Conspiracy. O projeto é uma espécie de resgate dos tempos do bairro de Santa Tereza, em Belo Horizonte, quando eles montaram o Sepultura. Na época, numa capital periférica de um país do Terceiro Mundo, sem internet, o negócio era juntar todo o tipo de referência para ser o mais radical possível. É o que hoje Max está acamando de “o jeito Cavalera de fazer metal”.

A coisa deu certo, e o primeiro álbum, “Inflikted” (que em princípio seria o nome da banda), foi lançado em 2007, com razoável repercussão no meio independente. O grupo, completado hoje por Marc Rizzo (também Soulfly, guitarras) e Johny Chow (baixo) desandou a fazer shows, sobretudo no circuito do Hemisfério Norte, incluindo os fetivais de verão europeu. No ano passado, o show deles no SWU, em Itu, no interior de São Paulo, repleto de sucessos da fase áurea do Sepultura, deu saudades nos fãs. Agora, no lançamento do segundo disco, “Blunt Force Trauma”, o CC volta o Brasil para uma apresentação relâmpago, como abertura para o Iron Maiden, mas só em São Paulo – a turnê do grupo britânico passa também por Rio, Brasília, Belém, Recife e Curitiba.

Relâmpago também foi a entrevista respondida via e-mail por Max Cavalera, de próprio punho – só faltou ser escrita à sangue, mas aí ele seria integrante do Manowar. Curto, mas não necessariamente grosso, Max foi de uma capacidade de síntese precisa, ao comparar os sons dois dois álbuns do Cavalera Conspiracy (o novo é “mais agressivo e mais brutal”); dar a impressão sobre o show do SWU (“foi animal”); e – claro - comentar o desejado retorno da formação clássica do Sepultura (“já desanimei!”). Nada mais coerente para quem gravou o disco todo em seis dias. Veja o resultado você mesmo:

Rock em Geral: Vocês gravaram “Blunt Force Trauma” em pouco tempo. Era essa a intenção ou foi uma questão de coincidência de agendas?

Max Cavalera: A banda estava bem preparada e a gente gravou o CD em seis dias, que é um recorde de tempo de gravação. Me lembra das gravações tipo a do “Arise” (quarto álbum do Sepultura, de 1991)…

REG: O Iggor mora no Brasil. Ele grava junto com a banda ou faz a parte dele aqui e envia para você?

Max: Gravamos tudo em Los Angeles. O Iggor gravou a bateria em quatro dias. Eu mandei um CD com as músicas do disco para ele no Brasil e ele encaixou a bateria em cima.

REG: Tendo duas bandas (Cavalera Conspiracy e Soulfly) ao mesmo tempo, você não se confunde na hora de compor para uma ou para outra?

Max: Os estilos são diferentes. O Cavalera é mais metal direto e o Soulfly é mais misturado.

REG: No Sepultura e no Soulfly as capas sempre são feitas com ilustrações, mas no Cavalera Conspiracy vocês estão usando o logo do grupo, pela segunda vez. Por quê?

Max: É idéia do Iggor. Ele quis que o CD ficasse parecendo com as capas dos discos de punk dos anos 80.

REG: O Soulfly só tocou em São Paulo uma vez, mas esta vai ser a segunda do Cavalera Conspiracy em cinco meses. Você acha que o Cavalera Conspiracy é mais – digamos – apropriado para o Brasil que o Soulfly?

Max: Acho que a galera do Brasil gosta de ver os irmãos juntos novamente. Os shows serão do caralho.

REG: Há a possibilidade de vocês acertarem outros shows na turnê brasileira do Iron Maiden? E fora da turnê deles?

Max: Acho que é só o show de São Paulo, infelizmente. Eu gostaria de tocar em todas as outras cidades.

REG: O show de São Paulo vai ser todo em cima do novo CD? Você pode adiantar algumas músicas que vão ser tocadas?

Max: Vai ser uma mistura do “Inflikted”, bastante coisas novas do “Blunt Force For Trauma”, Nailbomb e algumas clássicas do Sepultura.

REG: O que você achou do show do SWU, em outubro?

Max: Foi animal. O público detonou e acho que foi um dos melhores shows da nossa carreira.

REG: Vocês tocaram a música “Warlord” no show do SWU. Já tocaram outras músicas do novo CD nos shows? Foi boa a aceitação do público?

Max: A aceitação está sendo ótima. Em Barcelona tocamos o CD novo inteiro e a galera pirou!

REG: No primeiro álbum, “Inflikted”, ficou claro a intenção de fazer músicas do tipo que você e Iggor faziam quando eram adolescentes, no comecinho do Sepultura; uma coisa meio tosca, mas cheia de energia e atitude – que você chamou de “o jeito Cavalera de se fazer metal”. É isso que podemos esperar do novo CD, “Blunt Force Trauma”?

Max: É. Porém, com uma evolução. O som está mais agressivo e mais brutal.

REG: Que diferenças você vê entre o “Inflikted” e o “Blunt Force Trauma”?

Max: O “Blunt Force Trauma” é mais rápido. Mais brutal com um som meio death metal/hardcore!

REG: A música “Killing Inside”, que foi liberada para download gratuito, parece ser mais trabalhada que o material do CD anterior. Você concorda? Essa faixa é representativa do “Blunt Force Trauma”?

Max: Não. Essa faixa é uma das mais diferentes do CD. A gente quis mostrar um outro lado da banda.

REG: O assunto “volta da formação clássica do Sepultura” é recorrente nas suas entrevistas, mas a outra parte, liderada pelo Andreas Kisser, já descartou essa hipótese diversas vezes. Você pretende insistir no assunto? Por quê?

Max: Não! Já desanimei! Se for rolar a reunião, vai rolar, senão, não vai. É só esperar.

REG: Recentemente conversei com o Andreas e ele disse que, quando Sepultura e Soulfly tocaram no mesmo festival (Devilside Festival, em junho de 2009, na Alemanha), ele conversou com a Gloria Cavalera e considerou que “abriu uma porta que estava fechada”. Você se lembra desse encontro entre as duas bandas? Conversaram sobre a tal reunião naquela ocasião?

Max: Eu não estava perto nesse encontro, mas a Gloria me falou que conversou com o Andreas. E pelo jeito eles tiveram uma conversa legal.

REG: Você convidou o vocalista do Dillinger Escape Plan para cantar em uma faixa no álbum do Soulfly e agora vocês estão trabalhando juntos num projeto. Que projeto é esse?

Max: Esse é um projeto novo que estou fazendo junto com o Greg Pucciato, vocal do Dillinger Escape Plan. Vai ser tipo o Nailbomb, eu e o Greg dividindo os vocais com bastante participação de músicos convidados!

Hoje, no Capitão cook ...

Antes tarde do que nunca, a The Baggios vai comemorar hoje a vitória no Festival Nacional da ARPUB (Associação das Rádios Públicas do Brasil) com um show no bom e velho Capitão Cook ao lado das bandas Nantes e Crove Horrorshow.

Nantes lançou recentemente "Alvorada", seu primeiro CD, bastante elogiado Brasil afora. Já a CroveHorrorshow é um dos principais nomes do rock sergipano dos anos 80. Voltaram depois de um longo tempo parados e estão preparando um disco onde gravarão, em muitos casos pela primeira vez, algumas músicas marcantes para a cena da época, como "sem grana", que contará com a participação do "velho guerreiro" Silvio, da karne Krua.

Comemore HOJE a Aniversário de Aracaju - apesar dos pesares, "uma cidade de todos".

a partir das 23:00H.

terça-feira, 15 de março de 2011

Havia um terremoto no meio do caminho ...


Steve Harris: "Nós estamos extremamente tristes com os eventos calamitosos do último dia que levaram ao cancelamento dos nossos dois shows em Tóquio. Nossas mais sinceras condolências a todos os afetados por este desastre. - Nossos fãs no Japão, o povo do Japão e todos aqueles em muitos outros lugares que sofrem com o Tsunami. Também estamos cientes de que muitos fãs voaram até Tóquio vindos de várias partes do mundo para ver o show do Maiden e esperamos que vocês estejam sãos e salvos. Temos uma relação de longa data com este país maravilhoso e sempre fomos muito bem-vindos. - essa teria sido a nossa 16° tour aqui. Nossas mais sinceras condolências a todos aqueles que estão sofrendo e para as famílias e amigos daqueles que perderam tragicamente a vida".

O IRON MAIDEN fará uma apresentação única no Recife, no dia 03 de abril. O show está previsto para começar às 20h. Com o intuito de proporcionar mais conforto e segurança ao público, o local do evento mudou para a Área Externa do Centro de Convenções de Pernambuco.

O novo local será dividido em dois áreas: Front Stage e Pista. Para a área do Front Stage foram reservados apenas 5.000 ingressos. A produtora cultural Raio Lazer anuncia que este será o único show que a banda faz no Nordeste.

Local: Centro de Convenções de Pernambuco
Cidade: Olinda - PE
Endereço: Av. Agamenon Magalhães, s/n - Complexo Salgadinho
Cep: 53111-970

Feb. 11 - Moscow, Russia - Olympiski
Feb. 15 - Singapore - Singapore Indoor Stadium
Feb. 17 - Jakarta, Indonesia - Stadium Utama Gelaro Bung Karno Senayan
Feb. 20 - Bali, Indonesia - Garuda Wisnu Kencana
Feb. 23 - Melbourne, Australia - Hisense Arena
Feb. 24 - Sydney, Australia - Entertainment Centre
Feb. 26 - Brisbane, Australia - Showgrounds (Soundwave Festival)
Feb. 27 - Sydney, Australia - Eastern Creek Raceway (Soundwave Festival)
Mar. 04 - Melbourne, Australia - Showgrounds (Soundwave Festival)
Mar. 05 - Adelaide, Australia - Bonython Park (Soundwave Festival)
Mar. 07 - Perth, Australia - Steel Blue Oval (Soundwave Festival)
Mar. 10 - Seoul, Korea - Chamsil Gymnasium
Mar. 12 - Tokyo, Japan - Super Arena
Mar. 13 - Tokyo, Japan - Super Arena
Mar. 17 - Monterrey, Mexico - Banamex Theatre
Mar. 18 - Mexico City, Mexico - Foro Sol
Mar. 20 - Bogota, Columbia - CC Sapo
Mar. 23 - Lima, Peru - Estadio San Marcos
Mar. 26 - Sao Paulo, Brazil - Morumbi Stadium
Mar. 27 - Rio De Janeiro, Brazil - HSBC Arena
Mar. 30 - Brasilia, Brazil - Nilson Nelson Parking Lot
Apr. 01 - Belem, Brazil - Parque De Exposições
Apr. 03 - Recife, Brazil - Area Externa do Centro de Convenções
Apr. 05 - Curitiba, Brazil - Expotrade
Apr. 08 - Buenos Aires, Argentina - Velez Sarsfield
Apr. 10 - Santiago, Chile - Estadio Nacional
Apr. 14 - San Juan, Puerto Rico - Coliseo De Puerto Rico
Apr. 16 - Sunrise, Florida - Bank Atlantic Center
Apr. 17 - Tampa, Florida - St Pete Times Forum
Jun. 30 - July 3 - Roskilde, Denmark - Roskilde Festival
Jul. 01 - Gothenburg, Sweden - Ullevi Stadium
Jul. 06 - Oslo, Norway - Telenor
Jul. 08 - Helsinki, Finland - Olympic Stadium
Jul. 10 - St Petersburg, Russia - SKK Peterburgskiy

sábado, 12 de março de 2011

# 180 - 11/03/2011

No programa de rock de ontem recebemos a visita inesperada porém muito bem vinda de Rian Santos, parceiro deste blog e responsábel pela página de cultura do Jornal do Dia. Batemos um papo sobre os sabores e dissabores da crônica jornalística e rolamos um bloco bem bacana produzido por ele, um entusiasta assumido da música sergipana. Antes rolou o bom e velho bloco de punk rock clássico como é de praxe por aqui, faixas dos ultimos discos do Arcade Fire (ganhadores do grammy!), Smashing Pumpkins e Massive Attack, e um retorno aos anos 90, com um bloco extraido da sensacional coletânea "FIM DE SÉCULO VOL. I", já devassada em um post anterior aqui mesmo, neste blog. Rolou Squonks, banda de Simone do Vale anterior ao Dash e ao Autoramas, Disk Putas, legendária banda paulistana que tinha a jornalista Priscila Farias tocando guitarra e influenciou o Cansei de Ser Sexy, Primeira Pedra, goianos de uma era pré-Monstro Discos e No Class, da Campinas do tempo do juntatribo. Abrindo o programa, Cinemerne, novo projeto de Paulinho, ex-vocalista e "batedor de latas" da Lacertae, com a bela canção-título de seu disco de estréia, que tem o mesmo nome de um grande filme dirigido por Stephen Frears.

É isso. Até a próxima sexta.

A.

Cinemerne - Coisas belas e sujas

Arcade Fire - Empty room
The Smashing Pumpkins - A Stytch-in-time
Massive Attack - Pray for rain

Squonks - Rio/São Paulo
Disk Putas - Vai comer ou quer que embrulhe ...
Primeira Pedra - Ainda estou vivo
No Class - Chevrolet '79

The Salad Makers Ao vivo no Sala Especial Loaded
(Drop Loaded)

The Ramones - Blitzkrieg Bop
Buzzcocks - Time´s up
The Damned - Neat Neat Neat
Dead Boys - 3rd Generation Nation
The Clash - Jimmy Jazz

Entrevista com Rian Santos
Bloco produzido por Rian Santos:

PJ Harvey - The last living rose
Daniel Norgren - lovedog
Radiohead - Lotus Flower
Elvis Boamorte - Satisfação
Elisa - Retour
The Baggios - o azar me consome

Nucleador - Municipal Wasted
DRI - Tear it down
Misfits - 20 eys

quinta-feira, 10 de março de 2011

PSYCHO CARNIVAL 2011

A primeira noite ...

A banda goiana Graboids abriu a primeira noite do Psycho Carnival 2011, no último sábado, por volta das 22h20, e mostrou seu psychobilly com punk. Em seguida veio a australiana The Working Horse Irons que apesar de não ser conhecida no Brasil, fez muita gente acompanhar o show mesmo tocando no começo pela simpatia da banda nos bastidores e divulgação de shows pré-festival em São Paulo.

O Big Nitrons voltou a Curitiba na fase “mais leve” da banda e fez a tradicional zona no palco. O Phantom Rockers voltou ao Psycho Carnival depois de ter tocado no ano passado e já ganhou muitos fãs. A coisa esquentou mesmo por volta da 1h40 quando os maloqueiros do Ovos Presley começaram a tocar. O wrecking pegou fogo e as músicas foram cantadas em coro pelo público, como se fossem hinos. Eles mostraram duas músicas novas que caíram na graça dos fãs: “A prostituta preferida” e “A casal mal assombrada”. Mais uma das bandas brasileiras que deixam os gringos de boca aberta no Psycho Carnival.

O encerramento foi com o The Griswalds, que fez um show de 1h10 de duração e, mesmo com a banda cansada, atenderam os pedidos do público para mais músicas depois do fim do set. Em “Hoocker”, uma das pin ups que se apresentam no festival esse ano foi ao palco e interagiu com o vocalista Gary. O público cantou junto “Who´s crying now” e curtiu a nova “Bustin my balls”. Em “Psychobilly in love”, Gary cantou segurando a mão de uma menina na plateia e “Fright night” teve a participação especial de Kofte (do Mad Sin) nos vocais. O The Griswalds encerrou com a cover de “Happy hour”, do Housemartins, que reesquentou o wrecking mesmo com o público cansado depois das 4h da madrugada.

A segunda noite ...

A segunda noite era de grande expectativa pela volta dos alemães do Mad Sin. Depois de fazer um show em 2008 cheio de problemas, prometiam compensar os fãs. A primeira banda da noite foi a argentina Jinetes Fantasmas que viria para o Psycho Carnival de qualquer jeito, mesmo que como público, e acabou sendo convidada pela organização para tocar. O quarteto surpreendeu com um bom show, cheio de energia, deixando a sensação que mereceriam tocar mais tarde para mais pessoas. Com certeza os veremos de volta em turnê. A segunda foi a local Chernobillies, que mostrou suas músicas sobre bebedeiras e sexo já conhecidas do público curitibano. A terceira foram os holandeses do The Bodybags, com o músico mais ativo do festival: Ramon também tocou com outras três bandas e fez a moral com o público falando algumas frases em português. A banda alterna o som entre o psychobilly mais pesado e o tradicional e ganhou muitos aplausos após o clássico “TNT”, do AC/DC.

Eis que acontece uma surpresa: O Mad Sin antecipou sua apresentação porque não queria tocar após o Sick Sick Sinners, sabendo que o trio curitibano botaria fogo no público. Escolha acertada de Kofte e cia, mas que fez com que muita gente perdesse a nova “Cursed”, que abriu o show. Fizeram uma ótimo apresentação mesmo sem seu guitarrista, que teve problemas com o visto e não conseguiu entrar no Brasil. O brasileiro Cox e Ramon seguraram a onda muito bem e não comprometeram. Entre as mais cantadas pelo público estavam “Sell your soul” e “Comunication breakdown”. Depois de agitar a audiência com uma versão para “Brand new cadillac”, do Clash, a banda fez outra homenagem tocando “Mad daddy”, do Cramps, em meio a “Psychotic night”.

Depois do furor do Mad Sin, o revival dos mineiros Baratas Tontas ficou um pouco prejudicado. A banda fez um show simpático contando coma força de vários amigos na platéia. Apesar do Mad Sin tocar antes, a noite foi fechada com uma banda que é headliner de qualquer maneira. Os curitibanos do Sick Sick Sinners desfilaram seu set já conhecido pelo público do festival e apresentou músicas novas, entre elas “Diabólica sed”, cantada pelo baterista Nery. A banda fez um bloco com três covers: “Pot belly Bill” (Toy Dolls), “The hammer” (Motörhead) e “Cadillac podreira” (Ovos Presley). Essa última teve a participação no palco de três músicos do Ovos Presley, o que deixou o wrecking ainda mais animal. O show foi encerrado com “Curitiba Rotterdan Psycho” e nem parecia que era quase 4h da madrugada, com o público pedindo mais e se recusando a ir embora. Todo esse destaque para o Sick Sick Sinners podia ser confirmado com a aglomeração de músicos das bandas gringas atrás do palco que se espremeram para verem admirados o show do trio curitibano.

por Andye Iore, de Curitiba - via Maringá.
Fonte: Zombilly

Psycho Carnival – sábado, 4 de março (horário aproximado)
• Graboids – 22h20 às 22h50
• The Working Horse Irons – 23h05 às 23h35
• Big Nitrons – 23h50 às 0h25
• Phantom Rockers – 0h50 às 1h25
• Ovos Presley – 1h40 às 2h25
• The Griswalds – 2h50 às 4h

Psycho Carnival – domingo, 5 de março (horário aproximado)
• Jinetes Fantasmas – 22h às 22h30
• Chernobillies – 22h50 às 23h15
• The Bodybags – 23h30 às 0h10
• Mad Sin – 0h35 às 1h40
• Baratas Tontas – 2h05 às 2h30
• Sick Sick Sinners – 2h55 às 3h55

sexta-feira, 4 de março de 2011

# 179 - 04/03/2011

É sempre bom quando é possível juntar a fome com a vontade de comer. Eu sou fã do Judas priest desde os primórdios dos meus dias de “roqueiro”, na segunda metade da década de oitenta do século passado. Mais precisamente desde que comprei, das mãos de Roberto Aquino, na loja Disturbios sonoros, o LP “Screaming for vengeance” – em vinil, claro, CD já existia mas era coisa que a gente via apenas no “núcleo rico” da novela das 8. Tão fã que adotei a alcunha de “The Hellion” (o desordeiro), nome da faixa instrumental que abre este disco. Apesar disso,toquei pouco a banda nestes quase 4 anos de programa de rock. Isso muda hoje: atendendo a pedidos de ouvintes via Facebook, preparei um bloquinho especial para o Judas – banda que, a meu ver, definiu o Heavy Metal, visual e sonoramente, de uma vez por todas, seguindo os passos do Black Sabbath e demais pioneiros.

Fora isto, a diversidade de sempre: o programa abre com Asterdom, banda “stoner” de São Paulo que nos enviou 5 cópias de seu EP “It starts” para sortearmos entre nossos ouvintes, um bloco psicodélico alternativo contemporâneo brasileiro: Astronauta Pinguim com seu novo single, “Klaato Barada Nitko” (clássica e enigmática frase do igualmente clássico da ficção científica “O Dia em que a terra parou”), Plástico Lunar com mais uma pérola esquecida de seu início de carreira e Anjo Gabriel, sensacional combo vianjandão pernambucano (ver resenha do disco abaixo).

No Bloco do ouvinte, Classic rock, cortesia de um “amigo de facebook”. Fechando o pacote, um especial com 3 Blocos de “Drop Loaded” para tirar o atraso provocado pelos dias em que o programa não foi ao ar devido às transmissões ao vivo de eventos pela Aperipê FM.

Alalaô – ôôô – ôôô – Mas que calor – ôôô – ôôô

Feliz carnaval.

A.

# # #

Janeiro de 1991. Há exatos 20 anos, acontecia o Rock in Rio 2. Eu era repórter e fui entrevistar Rob Halford, vocalista do Judas Priest, sobre o show que a banda faria no festival. Naquela época pré-Internet, pré-Youtube e pré-histórica, o jornalista muitas vezes não tinha a menor idéia de como era a cara do entrevistado. A gente só conhecia os artistas de capas de discos ou fotos em revistas. E as revistas sempre chegavam aqui com meses – ou até anos – de atraso. Bastava um corte de cabelo para você não distinguir quem era quem numa banda. Por isso era comum, em coletivas, que os integrantes iniciassem a entrevista se apresentando, para evitar confusões.

Cheguei ao hotel e fui falar com o assessor do Judas Priest. Ele disse que Halford estava na piscina e queria fazer a entrevista enquanto tomava um banho de sol. Cheguei à piscina, que estava abarrotada. Famílias inteiras de europeus tostados de sol, correndo pelo lugar. Uma barulheira infernal. Como achar Halford? Não foi difícil: Ele era o único que usava um fio dental.

Rob Halford era inconfundível: careca, branco como uma vela, cheio de tatuagens e com uma sunga preta de couro do tamanho de um tapa-olho. Estava deitado numa espreguiçadeira e tomava drinks coloridos, daqueles decorados com um guarda-chuva pequenininho.

O cara foi uma simpatia. Falou da origem da banda e da expectativa de tocar pela primeira vez no Brasil. Só se irritou quando alguns integrantes do Megadeth começaram a dar bombas na piscina e espirraram água em nós. Halford reclamou e foi repreendido com insinuações homofóbicas dignas de caminhoneiro.

A verdade é que, em 1991, poucos fãs do Priest sabiam que Rob Halford era gay. Para os fanáticos, todo aquele couro preto e tachinhas era coisa do demo, não do Village People. Halford só sairia do armário em 1998, numa corajosa entrevista para a MTV americana. O baixista Ian Hill resumiu: “era o segredo mais mal guardado da história do metal!”

Mas, de qualquer forma, o intérprete da entrevista coletiva no Rock in Rio tratou de se antecipar. E quando Halford pediu licença para que os músicos se apresentassem: “Please, let us introduce ourselves”, o sujeito traduziu por:

“O Sr. Halford pede licença para que os membros do Judas Priest possam se introduzir uns aos outros!”

por André Barcinski

Fonte: Blog

# # #

O Ministério da Saúde adverte: se você é impaciente, mantenha distância deste disco. Caso paciência seja uma de suas virtudes, prepare-se para uma viagem sem volta ao lado mais obscuro e sombrio de Jimmy Page, do seu ocultimo e de seu flerte com a magia negra. É trilha sonora para viagens, sejam elas de carro, navio, avião ou psicodélicas. Mais de uma hora e seis minutos percorridos na sinuosa estrada de seis músicas instrumentais, com um vocalzinho ou outro aqui e acolá no meio do caminho. Chato? Depede de você. Do seu estado de espírito e de seu grau de entrega. Pode ir do fascínio ao tédio. De minha parte, a sensação é de tremendo bem estar ao ouvir cada nota de guitarra, cada teclado viajado, cada acompanhamento de baixo e bateria.

O Anjo Gabriel parece congelado nos ano 1970. Eis o seu charme. Principalmente ao vivo, pois seus integrantes parecem saídos de outro planeta. Absolutamente fora de contato com a realidade. E, careta do jeito que a realidade se impõe, é um alento que, em plenos 2010, ainda existam bandas como o Anjo Gabriel.

Se você quiser uma definição curta e grossa, ela é mais ou menos assim: pegue o Led Zeppelin e o deixe ainda mais chapado. Componha faixas com mais de dez minutos de duração. E, em cada uma delas, visite os pontos extremos de uma viagem musical: suavidade e agressividade. Leveza e densidade. Calmaria e turbulência.

O Anjo Gabriel havia lançado um álbum cujo título entregava tudo: Manual Prático de Psicodelia. Aqui, não há manual, guia, norteamento. O ouvinte que se vire e que se perca a cada segundo de O Culto Secreto do Anjo Gabriel. E, quer saber? Nunca foi tão bom se perder por aí.

cotação – ótimo

por Hugo Montarroyos

Reciferock

#

Asterdom – Castration, Double castration

Astronauta Pingüim – Klaato Barada Nikto
Plástico Lunar – Lágrimas azuis (garota da árvore)
Anjo Gabriel – peace karma

George Thorogood – Bad to the bone
Rock´n´roll Racing – Higway Star (Deep Purple)
Black Sabbath – paranoid
Henry Mancini – Peter Gun
Mars Bonfire – Born to be wild
Golden Earring – Radar Love
(produzido por “torpedo”)

Judas Priest:
• The Calm Before the storm
• The Hellion
• Electric Eye
• Rapid Fire (c/Ripper Owens)
• Night Crowler (single Edit)
• Turbo Lover (Hi-Octane mix)

Especial Drop Loaded:

Souvenirs – conselhos
Graforréia Xilarmônica – A técnica do baixo acústico

Pastel de Miolos:
• Não se engane
• Desespero

Watson:
• Tupanzine
• Itumbiara

terça-feira, 1 de março de 2011

Sérgio Dias, uma entrevista

Fonte: Rock Loco
por Franchico

Os céticos vão ter que engolir essa: Haih ou Amortecedor, o disco novo d’Os Mutantes, honra o legado da maior banda do rock nacional. Mesmo sem contar com 2/3 dos membros fundadores (Arnaldo Baptista e Rita Lee), o grupo arregimentado pelo remanescente Sérgio Dias (ao lado do baterista original Dinho Leme) se provou apto a levar adiante o nome e o legado do combo roqueiro / tropicalista surgido em 1966.

Lançado no exterior em 2009, Haih ou Amortecedor só agora chegou ao mercado nacional, via Coqueiro Verde, o selo independente presidido por Léo Esteves, filho caçula de Erasmo Carlos e atual gravadora do Tremendão – um motivo de orgulho para Sérgio.

A espera valeu a pena. Em Haih estão conservadas – não em formol – todas as características que tornaram os Mutantes famosos: a experimentação, o humor irreverente, a excelência instrumental, as referências à cultura popular brasileira, os arranjos caleidoscópicos.

Certamente, a assinatura do Mutante honorário Tom Zé em sete das 13 canções do disco ajudou bastante nisso. Jorge Benjor, outro antigo parceiro da banda, também marca presença na (hilária) faixa O Careca.

Ultra-viajandão, mas muito divertido e de som bastante heterogêneo, graças à variedade de vozes e ritmos apresentados, o disco é de audição fácil para quem se dispuser a embarcar na viagem neo-Mutante.

Curiosamente, o conceito central do álbum é um tanto obscuro. Ele abre com o presidente russo Vladimir Putin discursando. E termina com os hinos do Brasil, da Rússia e dos Estados Unidos misturados, em uma mixagem meio confusa. Mas o miolo, as canções entre um extremo e outro, deverão satisfazer até o mais desconfiado fã das antigas.

As faixas de Tom Zé em parceria com Sérgio, especialmente Amortecedor, 2000 e Agarrum, Anagrama e Bagdad Blues poderiam estar facilmente em qualquer álbum antigo da banda (ou até do próprio Zé). Já O Mensageiro, balada folk escrita e cantada por Sérgio Dias, é a faixa mais acessível do disco e poderia até tocar em rádios – se estas ainda tocassem música e não apenas jingles.

Outro destaque é Singin’ The Blues, da cantora neo-Mutante Bia Mendes, em parceria com Erasmo, um divertido rock no estilo da Jovem Guarda.

Haih... Ou Amortecedor / Mutantes / Coqueiro Verde / R$ 24,80

A ENTREVISTA

Sérgio Dias, 60 anos em 1º de dezembro, está numa boa, bicho. Sem se incomodar com os que o criticam por tocar adiante sua própria versão d’Os Mutantes – para muitos, um sacrilégio sem o irmão Arnaldo e Rita Lee – ele conseguiu, de qualquer forma, lançar um disco bastante elogiado pela imprensa internacional desde o lançamento, em 2009. O bom disco, as críticas favoráveis e a coesão do grupo atual – após as saídas de Zélia Duncan e Arnaldo – o deixaram confiante para seguir adiante, sem se intimidar com o peso do legado que o nome Mutantes carrega. Nesta entrevista por telefone, de sua casa em Henderson (cidade vizinha a Las Vegas), ele se emociona ao falar de Tom Zé, Gal Costa e do último show da banda por aqui, em 1972. Dica: vale buscar na internet o vívido relato do grafiteiro local Miguel Cordeiro sobre este show (leia aqui: http://www.miguelcordeiroarquivos.blogger.com.br/2006_10_01_archive.html).

Sérgio, você ficou satisfeito com o resultado final do álbum? Pretende continuar gravando discos d'Os Mutantes com essa formação atual?

Sérgio Dias: Fiquei muito feliz pois fizemos do jeito que queríamos, livres, sem olhar para trás, do jeito que tinha que tinha que ser, quase todo em português. Eu não esperava uma reação tão forte no estrangeiro. Estamos com 4, 5 estrelas em todos os grandes veículos, como Mojo, Village Voice, Uncut, The Guardian, New York Times. Com certeza, vamos continuar. Em maio ou junho estamos entrando em estúdio aí no Brasil para gravar disco novo . E vai ser no meu estúdio em São Paulo, o Zorg.

Mesmo sem Rita e Arnaldo, o CD soa muito Mutantes. Foi uma consequência do trabalho com antigos colaboradores, como Tom Zé e Jorge Ben Jor?

SD: O Tom Zé foi o melhor parceiro que eu já tive na minha vida. Gênio é pouco, não tem palavra para descrever. Ele me chama de baraúna e ele é pau ferro. Uma preciosidade do Brasil, e ter tido a sorte de encontra-lo agora... Por que antigamente, não tinha bagagem intelectual nem para dizer bom-dia e agora nossa parceria ficou tão bonita! É um tamanho amor, tamanho amor, é uma coisa que estava escrita nas estrelas, como diria Tetê Espíndola. E acho que vai durar por muito tempo. Ele é um Mutante também, assim como somos todos um pouco Tom Zés.

Por que o disco demorou tanto de sair no Brasil? Lá fora saiu em 2009, não foi isso?

SD: Num sei, bicho. O Brasil é um pouco difícil de entender nessas coisas. Na época (2009) estávamos sob contrato com a Sony, mas na hora H, deu para trás. E eu num ia perder tempo de ficar batendo em porta de gravadora. Então nos direcionamos para cá (para os EUA), aonde tínhamos uns 4 ou 5 selos interessados, aí eu tive de passar para um advogado. Por que era gente amiga, como Mike Patton, Sean Lennon... No Brasil eles não acreditaram no disco por causa da saída do Arnaldo e da Zélia. Mas Os Mutantes é uma coisa maior do que as pessoas, é mais sério do que eu, Arnaldo, Rita ou qualquer coisa do gênero. Acredito que (a mudança de gravadora) foi para melhor. Saindo pelo Coqueiro Verde, para começar, estamos na companhia do Erasmo, que é uma das pessoas que eu mais respeito em termos de integridade, constância e pedigree. Estamos em casa.

O disco começa com Vladimir Putin discursando e termina com os hinos da Russia e do Brasil misturados. Haih é um disco conceitual? Faz parte do conceito? Por que Putin? Por que o hino russo?

SD: Na verdade, no fim do disco, tem os hinos do Brasil, da Rússia e dos Estados Unidos misturados. Foi uma coisa que a gente que viveu na Guerra Fria, da rivalidade entre a União Soviética e os EUA. Diante de tudo que está acontecendo no mundo, achamos que seria legal lembrar aos americanos como era interessante ter um adversário a altura no tabuleiro de xadrez. O que eles tem agora? Chavez? Naquele época, com o Khrushchov (Nikita Serguêievitch Khrushchov, líder da União Soviética entre 1953 e 1964) aconteceram coisas muito interessantes. Acho que os americanos estão dando uma importância excessiva ao Taleban, em termos históricos, não tem mais ninguém com o peso de uma União Soviética. Quando eles estavam competindo, era lindo, a corrida espacial a trouxe muitas coisas positivas.

Na capa de Haih há um corvo fotografado por você e no encarte você aparece com um traje que lembra um corvo. E na música O Mensageiro você canta: "Eu sou o corvo negro".

SD: Mas eu sou o corvo negro mesmo, entende? Todo mundo esperava que a gente viesse em tecnicolor, muita corzinha, paz & amor. Mas as coisas não são mais assim. O corvo bica seu olho, mas também é um elemento mágico, tem toda uma aura de mistério. Desde Edgar Allan Poe, né? O corvo fala! É um bicho da pesada! Não ia rolar um periquito! É muito porrada esse disco, é muito forte para ser outra coisa. E eu sou o corvo negro, por que fui o arauto dessa situação nova, uma coisa muito boa. Jogaram os Mutantes de novo na minha vida e agora não dá mais para tirar.

Além da experiência natural de 40 anos de carreira, o que mais diferencia o Sérgio Dias da primeira encarnação dos Mutantes do Sergio Dias de hoje?

SD: Num sei, cara, é difícil dizer, eu me vejo como a mesma pessoa, exatamente igual. Meus ideais, minha luta de ser honesto com o que faço, me sinto o mesmo garoto. Às vezes fico dormindo aqui, me sinto cansado, mas o tesão e o sonho são a mesma coisa. Minha mãe, quando já tava com 80 e tantos, me falava que o corpo parava, mas a cabeça continuava igual. Eu sinto exatamente isso, por isso é um grande barato encontrar o Tom Zé, ele é uma criança. Tom Zé é a fonte da juventude.

Quando veremos um show dos Mutantes em Salvador?

SD: Cara, que saudades da Bahia! Com certeza estamos loucos para tocar aí! Agora as pessoas ai tem que ser um pouco mais ativas para que possamos fazer isso. Não dá para entrar num carro e ir. Mas a vontade é imensa! No que depender da nossa vontade... Bicho, nunca esqueço do nosso último show em Salvador, na Concha Acústica (28 de fevereiro de 1972)! Eu não lembro do show no Barbican, mas lembro desse! Ficamos hospedados em Itaparica e ainda vimos um show do Luiz Gonzaga! Uma coisa que não tem parâmetro! Quando a gente vê o que sai daí hoje em dia... Coitado do Brasil.

Qual foi a última coisa boa que você ouviu do Brasil?

SD: Pô, tem tanta coisa, mas sou meio ruim de nomes. Tenho a maior vergonha disso. A Zélia Duncan é maravilhosa. Tanta gente cheia de potencial para a música. O Brasil ainda é maior manancial do mundo, musicalmente. A gente só precisa retomar de onde paramos desde o maldito golpe de estado que arrasou com nossa cultura. Você tem o Lula Queiroga... Tanta banda que tá começando com a atitude completamente livre, assim que acabaram as majors – graças a deus. A liberdade retornou, então eu vejo a garotada se libertando dos formatos de verso-bridge-refrão, essa coisa idiota. Vi muita coisa interessante, mas minha memória não funciona, cara, foi muito LSD! Só sobrou o (neurônio) Tico. O Teco foi embora! (Risos)

Depois de vocês, em termos de influência, uma das bandas que mais marcou a garotada atual foi o Los Hermanos. Conhece?

SD: Não tive tempo de ouvir tão profundamente Los Hermanos, por que eu tava ocupado para ouvir tudo. Agora mesmo, estou gravando uma música para uma obra do meu irmão Claudio, chama Gea. Tô tratando como se fosse um filme. Ando sempre muito ocupado, é difícil de parar, pesquisar, não dá tempo.

Vocês estão fazendo shows em Las Vegas? E depois?

SD: Não, eu moro aqui em Henderson, Nevada, na pontinha de Las Vegas. Toda a nossa estrutura se centrou aqui. Agora estamos indo para a Austrália e Indonésia, uma turnê grande por lá. Nunca pensei em tocar lá na vida. Depois disso, em julho, vamos para a Europa. Já tem show marcado na Inglaterra. Em maio e junho vamos ao Brasil, e em 2012, no Rock in Rio Madri. Ah! E em setembro, tocamos com Tom Zé no Rock in Rio do Rio!

Será que numa dessas não rola uma passagem pela Bahia? (Nota: O Blog "Rock Loco" é pilotado por um jornalista baiano).

SD: A Bahia é a terra onde nascemos! Caetano, Gil, Gal... Meu Deus, que saudade louca que eu tenho da Gal! A gente precisa ir aí de qualquer jeito! Diga isso na matéria!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Sepultura, uma entrevista.

Contrato com gravadora alemã e turnê gigante por Estados Unidos/Europa recolocam o Sepultura mais próximo do primeiro mundo e longe da reunião da formação clássica acalentada por boa parte dos fãs.

Texto por Marcos Bragatto

Foto por Estevam Romera
Fonte Rock Em Geral

Esse ano não tem pra ninguém. O Sepultura está concluindo um novo álbum, o primeiro a ser lançado dentro do contrato com a gravadora alemã Nuclear Blast, a número um entre as independentes segmentadas no heavy metal. A partir de abril o grupo embarca numa turnê com mais de 40 datas nos Estados Unidos e Canadá, passando por cidades onde nunca esteve, e segue depois para os festivais europeus, incluindo a estreia no Wacken Open Air, na Alemanha, hoje o maior evento de heavy metal do mundo.

É certo que o Sepultura nunca jogou a tolha, mas não é um exagero reconhecer que o momento é de retomada na fase pós Max Cavalera, que já dura 14 anos. Enquanto Max desanda a clamar por uma sonhada turnê de reunião, incluindo farpas aqui e acolá em diversos veículos da imprensa em todo o mundo, a formação atual, liderada por Andreas Kisser dá de ombros. Porque, a bem da verdade, a banda está “fazendo outras coisas”, embora o guitarrista admita que “abriu uma porta que estava fechada”. Completam o time Derrick Green (vocais), Paulo Jr. (baixo) e Jean Dolabela (bateria).

Andreas descolou um tempinho entre uma gravação de guitarra e outra para falar do novo álbum, cujas gravações se encerram na segunda (28/2). O título não pôde ser revelado, mas, segundo Andreas, o disco é uma espécie de autobiografia do Sepultura e busca um formato “old school”. São 11 músicas inéditas e dois covers que talvez só entrem como bônus em versões especiais. O lançamento do CD deve acontecer antes de a turnê americana começar, mas os brasileiros só vão ver as músicas novas, ao vivo, no Rock In Rio, onde o Sepultura, dessa vez, toca junto com o grupo de percussão francês Tambours du Bronx (dia 25/9). Veja tudo isso e muito mais nessa entrevista exclusiva com Andreas Kisser:

Rock em Geral: Vocês estão terminando a gravação do novo disco, qual é a avaliação do trabalho?

Andreas Kisser: Eu tô super feliz com o resultado, estamos trabalhando desde 20 de janeiro, fizemos umas demos de pré produção no ano passado. A participação do Roy Z. (produtor) está sendo fundamental, ele tá conseguindo traduzir a sonoridade que a banda estava querendo, aquela coisa de trazer o som do palco para o estúdio, deixar o mais ao vivo possível. Estamos super felizes com o resultado, tá ficado muito foda.

REG: O Roy Z. não tinha experiência com bandas mais pesadas, mais thrash. Houve algum problema, em princípio?

Andreas: Não, nada a ver, ele tem a sensibilidade de perceber aquilo que a banda precisa. Ele tem muito know-how dos sons em geral, de utilizar microfones, de fazer testes, de pedais. Ele tá no mundo do metal, apesar de não ter trabalhado com nada tão extremo, mas tá funcionando bem pra caralho.

REG: Como rolou de chamá-lo para produzir o disco?

Andreas: Nós conhecemos o Roy há um tempo, eu conheço o trabalho dele com o Bruce Dickinson, com o Rob Halford, com o Judas e outras bandas, principalmente tocando. Nós já tínhamos conversado, ele sempre curtiu a banda e agora rolou essa oportunidade, porque ele vem bastante ao Brasil, tem mulher aqui, e arranha o português bem. Tudo facilitou para ele vir trabalhar conosco. O estúdio da Trama tem uma condição muito boa, ele curtiu pra caralho a mesa, toda a situação. A gente tava a procura de um cara com um know-how de fora. Nos últimos discos trabalhamos com o Stanley Soares, que é o nosso técnico de PA, que viaja com a banda, fez um puta trabalho no “Dante” (“Dante XXI”, de 2006) e no “A-Lex” (de 2009). Mas resolvemos mudar, trazer um cara de fora, com outro ponto de vista, outras idéias, e o Roy foi o cara perfeito para o que tínhamos para fazer.

REG: O disco já tem título, tá com as faixas definidas?

Andreas: O disco tem nome, mas não estamos anunciando ainda. Estamos segurando, mas tá tudo definido. Alguns nomes de algumas músicas ainda têm que acertar, mas tá 80, 90% definido.

REG: São quantas faixas?

Andreas: Gravamos 13 faixas, incluindo dois covers, um do Ministry e outro do Prodigy. Do Ministry é “Just One Fix” e do Prodigy é “Firestarter”. As músicas ficaram boas pra caralho, fizemos para ficar de bônus, fazer lançamento de “box set”, se o Japão precisar de coisas extras, mas tá rolando a pressão da gente mesmo para colocar tudo no disco. Talvez vamos guardar essas faixas para um lançamento oficial. Fora elas, são onze faixas, que foi nosso objetivo fazer um disco tipo o “Arise”, que tem nove faixas, o “Master Of Puppets” (do Metallica), que tem oito, nove (tem oito).

REG: Tipo LP…

Andreas: É, old school mesmo, não tinha espaço para fazer nessa época e se focava dentro daquele espaço, com criatividade. No “Roots” chegamos a fazer 16 faixas, era aquela coisa do CD, “ah, agora cabe”. Nós fechamos nesse limite, eram 10, mas aí acabamos fazendo mais uma e foi 11, mais esses dois covers. Ao mixar tudo vamos ter uma ideia melhor de todas as músicas, como elas vão se assentando, e vamos escolher a ordem, se vamos cortar alguma ou não.

REG: Então não é um disco temático, que obedece a uma ordem previamente estabelecida entre as músicas…

Andreas: Não é como foi o “Dante” e o “A-Lex”, mas é um disco inspirado em nós mesmos, como se fosse um livro, uma biografia do Sepultura. Nossas próprias experiências, as mudanças, as viagens, as turnês que fizemos com tantas bandas, essa carreira que a gente tem. Então pode se considerar temático, mas uma coisa não tão fechada dentro de uma história, mas a nossa própria história.

REG: As letras devem ser todas bem pessoais…

Andreas: Acho que as letras são mais pessoais, íntimas, porque não tem uma história permeando a mensagem que queremos passar. É uma coisa mais das nossas experiências. Por exemplo, tem uma música que se chama “Born Strong”, em que falamos da nossa família, de pai, mãe, mulher, filho, da paciência, da força e do equilíbrio de estar na estrada e voltar para a casa. Aquela coisa de ter a educação do berço, coisas nossas que foram fundamentais para que a banda fosse possível. Também falamos da experiência de palco, das nossas relações com gravadoras, empresários. São as nossas experiências como banda, como músicos e como pessoas. Ficou uma coisa mais pessoal, mais íntima.

REG: E em termos de som, tá mais old school também ou tem coisas novas?

Andreas: Acho que tá os dois, tem esse espírito de old school, de ter tocado o “Arise” inteiro no Manifesto (show realizado no bar/casa de shows paulistano, em que a banda tocou a íntegra do álbum “Arise”, em dezembro de 2010). No começo da turnê do “A-Lex” nós colocamos as opções no site, para a galera escolher uma fase da banda para nós tocarmos. Nos preparamos bastante para isso e tocamos muita coisa velha. E ao mesmo tempo é uma coisa nova, é o Sepultura novo com as influências que escutamos desde sempre, com as coisas mais recentes, e com essa pegada de hoje. Não importa se estamos tocando música de 15, 30 anos atrás, estamos tocando hoje. Então eu acho que tem esse clima de coisa nova, mas dá para sentir a influência da história da banda nas músicas.

REG: Você pode citar mais alguns títulos, falar de uma música ou outra?

Andreas: Deixa eu ver… tem a “Born Strong”, que fala da família… Por exemplo, essa que eu falei de estarmos no palco. Fazendo uma analogia, é como se estivéssemos na frente de batalha mesmo, porque todo dia é uma batalha, sair e encarar o mundo. Então tem uma música que se chama “No One Will Stand”. É tipo isso, depois de um show do Sepultura, cabeças rolam… Damos o máximo, é aquela coisa de passar o sentimento de estar no palco, a coisa mais espetacular na vida de um músico. Passar um pouco desse sentimento de tocar na Índia, em Cingapura, nas Filipinas, encarando como uma batalha, no bom sentido.

REG: Você disse que de participações só tem o Tambours du Bronx. Eles gravaram a parte deles em enviaram para vocês?

Andreas: Eu mandei a música que escolhemos para fazermos juntos, ela já fazia parte do repertório do Sepultura. Escolhemos aquela que poderia combinar mais com o estilão dos caras.

REG: Qual o nome dessa música?

Andreas: Ela tá sem nome ainda, estamos fazendo ela agora nesses últimos estágios, e a idéia é misturar inglês, português e francês na letra, uma coisa que nunca fizemos antes. Eu mandei a música, eles fizeram um rascunho, mandaram para cá, nós curtimos pra caralho e mandamos de volta. Eles fizeram na França e mandaram de volta, tá ficando muito bom.

REG: E o show do Rock in Rio com eles, como vai ser?

Andreas: Vamos ensaiar muito, vai ser o primeiro show que vamos fazer juntos. A ideia era fazer os festivais na Europa já nesse ano, mas deixamos para fazer a estreia no Rock in Rio e fazer a Europa com eles em 2012, principalmente na França.

REG: Eles vão tocar no show todo ou em uma música ou outra?

Andreas: É uma parceria, vai ser um show atípico, porque vai ser uma mistura de duas bandas. Vamos fazer temas antigos do Sepultura e juntar algumas coisas deles. Estamos definindo algumas músicas. Eu sei que vamos fazer o “Roots” com eles e umas outras, mas vamos chegar um pouco mais cedo no Rio para definir, vamos ter que ensaiar bastante.

REG: Você ficou chateado por não ter sido chamado para tocar no palco principal do Rock In Rio?

Andreas: Não, pelo contrário, esse Palco Sunset vai ser muito mais legal que o principal.

REG: É que é mais cedo…

Andreas: Mas isso na Europa é a coisa mais tradicional do mundo. Público vai ter, esse é o estilo do festival. E o Rock in Rio tá fazendo isso justamente com o Sunset para dar esse valor, não ficar aquela coisa de palco b, palco c. É um palco importante, fantástico, que vai ter grandes nomes, acho que é até mais fodido que o palco principal. Tem Milton Nascimento com Esperanza Spalding… Vai ser o diferencial desse festival ou até em festival do mundo inteiro. E eu tô muito feliz de fazer parte disso, por ter essa chance de fazer um show diferente, especial e exclusivo, praticamente. E os outros shows têm o Korzus com os caras do Destruction, com o Gary Holt (guitarrista do Exodus). É legal esse desafio, e é mais um pioneirismo do Sepultura, participar de uma coisa nova como essa.

REG: Você participa de shows de muitos artistas que não têm nada a ver com o heavy metal, o que gera reclamações por parte dos fãs. Isso te incomoda? Você é cobrado pelos fãs?

Andreas: Ah, não importa o que você fizer vai ter sempre gente reclamando. Então vou fazer o que eu curto, e é um privilegio. Primeiro que eu tenho capacidade para fazer, não é só querer. Quem não quer tocar com o Jorge Benjor? Fora o currículo é uma puta honra, e mais do que isso é levar o heavy metal para isso. O heavy metal se coloca numa posição fechada, achando que é melhor do que tudo, uma posição meio arrogante. “Ah, não, não toco com isso porque não gosto, porque o heavy metal é mais foda”. Nada a ver. O heavy metal pode permear tudo quanto é coisa. Aliás, o heavy metal só sobrevive por causa das misturas, é um dos estilos mais camaleões.

REG: Vocês transmitiram diariamente, na internet, a gravação do disco. Foi bom? Atrapalhou ou ajudou?

Andreas: É a primeira vez que abrimos um canal assim, sem censura ou edição, com som e a imagem. Foi legal, para a galera que não tem a mínima noção de como se faz um disco. A maioria das pessoas estava esperando um videoclipe das músicas. É engraçado ver a galera sem paciência ou achando que aquilo tudo era uma palhaçada. Mas muita gente também aprendeu que o processo é lento, cheio de detalhes. No estúdio tudo aparece, defeitos, barulhinhos. Troca microfone, testa isso, testa aquilo, é demorado, mas foi uma experiência muito legal, tanto para nós quanto para quem estava assistindo.

REG: Vocês não ficaram intimidados?

Andreas: No começo, sim, mas depois você acaba acostumando. Na hora em que a câmera tá ligada você pensa mais naquilo que vai falar, porque no estúdio você conversa de tudo, fala mal de todo mundo, fala de futebol. A gente se autocensura, mas nada que mude o ritmo de gravação. Foi legal porque deu para mostrar todas as fases, a gravação da bateria, guitarra, baixo, vocal, agora os solos. Foi muito interessante, acho que o Sepultura foi a segunda banda a fazer isso, o Blur fez isso há um tempo. O Sepultura nunca teve medo de se expor, não tem nada para esconder. Os segredos a gente guardou. É a ponta do iceberg: quem pensa que tá vendo tudo não tá vendo nada.

REG: Vocês estão com uma agenda de 40 datas nos Estados Unidos e em vários festivais na Europa. Faz tempo que não havia uma turnê do Sepultura grande assim no exterior…

Andreas: Não, no ano passado nós ficamos quatro meses direto, mais pela Europa. Faz tempo que não vamos para os Estados Unidos, essa é a primeira tour em quatro anos, eu acho. E é uma turnê com uma nova gravadora, estamos com a Nuclear Blast e também tem a promoção desse disco novo. Voltamos para o Canadá, tem umas datas lá nessa turnê, então tá legal, vai ser um começo, e depois vamos para a Europa de novo, para os festivais. Vamos tocar no Wacken pela primeira vez, estamos chegando numa boa hora lá.

REG: Gravadora nova, disco novo e essa turnê… É como se fosse uma retomada de carreira, né?

Andreas: Para quem está de fora eu acho que sim, mas nós nunca paramos. É lógico que saímos do eixo principal de Estados Unidos e Europa, mas o mundo é muito maior que isso. As pessoas ficam muito fechadas nesse circuito e acham que o mundo é isso. Mas a gente foi para Índia, Filipinas, Ilhas Reunião, Cuba, Emirados Árabes, Turquia. E o público ama, o público é fantástico, muito melhor do que lugares na Europa em que o público é totalmente mimado com as coisas, acha que já sabe tudo de tudo. Isso mantém a banda viva e com ideias novas, conhecendo culturas diferentes. Todo ano o Sepultura visita um país que nunca foi antes, isso é muito importante. Mesmo agora, estamos indo para shows no Canadá em lugares em nunca fomos, na carreira inteira. O ritmo é o mesmo, ritmo pesado, muita viagem, muito show. Mas é bom voltar para esse circuito, com a estrutura da Nuclear Blast, com o disco novo e com uma formação super estabilizada e afinada no palco. O momento é muito positivo.

REG: O que houve de conversas entre você e o Max para fazer uma turnê de reunião que tanto o Max fica falando que vocês não quiseram? O Max tá louco?

Andreas: Ah, eu não sei, parece que sim, né? Ele tá batendo na mesma tecla, mas não houve nada de específico. Foi legal que abriu uma porta que estava fechada. O Sepultura tocou com o Soulfly, acho que há dois anos, na Alemanha (Devilside Festival, em junho de 2009, na Alemanha), e acabei encontrando a Glória (Cavalera, esposa de Max e um dois pivôs da separação, em 1996), a empresária…

REG: Vocês conversaram normalmente…

Andreas: Eu conversei com a Glória um pouquinho e depois começamos a abrir um contato e tudo…

REG: Você e a Glória…

Andreas: E o Max também, até, mas muito pouco. Conversei com ele no telefone, sobre futebol, mais nada, uns dois minutos. Mas essas viagens dele eu nem sei como falar porque eu tô aqui fazendo outras coisas e é meio triste ver a situação em que o cara tá… enfim, não tem nada rolando, estamos fazendo o nosso projeto. Essa coisa de reunião desde que ele saiu da banda rola, principalmente por parte dele, mas cada um com sua doideira.

REG: Mas chegou a ter uma conversa de reunião ou não teve nada?

Andreas: Não.

REG: Você e o Paulo estiveram lá no SWU e assistiram ao Cavalera Conspiracy. O que você achou?

Andreas: Achei legal, vi o Iggor tocando com vontade, coisa que eu não via há muito tempo. Mas foi legal, eu já tinha assistido ao Soulfly umas duas vezes, nos Estados Unidos. É legal, eu curto, não tem nada a ver essa coisa de “ah, não vou lá ver”. É palhaçada isso, música é música, os caras tão fazendo o som deles.

REG: Com o Iggor não tem nenhum problema, não, né?

Andreas: Acho que não tem nenhum problema com ninguém, eles escolheram sair da banda e escolheram o caminho que tinham que seguir. O Iggor parece bem mais tranquilo e feliz fazendo o Mix Hell (projeto de música eletrônica de Iggor Cavalera), tá curtindo outra fase. Inclusive eu vi o Iggor no Rock in Rio Madri no ano passado com o Mix Hell, é classe A, super positivo.

REG: E o Musica Diablo (banda paralela do vocalista Derrik Green), você curte?

Andreas: Acho legal, thrashão. É legal ele ter uma banda, o lance é organizar datas, esses negócios. Mas é válido todo mundo com alguma coisa. Eu tenho o trabalho solo, o Jean tem as coisas deles, o Paulo tem um lance em BH. A prioridade todo mundo sabe qual é, que é o que fez possível todos esses projetos. É até saudável musicalmente, tentar coisas que não entram no Sepultura em outros lados. O cara volta com ideias novas para o Sepultura.

REG: Está gostando de ter uma coluna no Yahoo?

Andreas: Eu curto, é um canal legal de opinião em que você chega a várias pessoas e dá para falar de música de tudo o que é jeito, não fico preso no heavy metal. Mas tem também essa experiência de viajar o mundo, tocar com outros músicos e gravar com outras pessoas. É um canal legal para tirar um pouco essa coisa do preconceito, do radicalismo. É legal trocar uma ideia com a galera e ver a posição de cada um.