quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE


o maior ícone do punk americano volta ao Brasil em novembro

A história de Eric Boucher, ou simplesmente Jello Biafra, se confunde com a própria história da música punk e dos princípios do faça você mesmo. E em novembro de 2010 a América do Sul receberá sua visita pela 2a vez.
Biafra ficou mundialmente conhecido no cenário underground do fim da década de 70 e início dos 80 por integrar a lendária e ultra política banda punk Dead Kennedys. No grupo, o vocalista compôs pérolas como “Holliday In Cambodia”, “California Uber Alles” e “Kill The Poor”, iniciando a era das bandas punk que passaram a incluir temas políticos e sarcásticos em suas letras. Muitos o acusam de ser um dos precursores do hardcore e inúmeras bandas que vão do punk ao thrash metal, passando por estilos mais inusitados, já prestaram reverências à sua obra junto ao quarteto Dead Kennedys. Entre eles estão Sepultura, No Means No, Pearl Jam, Melvins, Agent Orange, Boysetsfire, Earth Crisis, Richard Cheese, Foo Fighters, Faith No More, L7, Les Thugs, Napalm Death, Final Conflict, Darkest Hour, The Didjits, Nailbomb, Neurosis e Spazz, entre muitos outros...
Com o fim dos Kennedys, Jello Biafra passou a se dedicar ativamente ao seu selo Alternative Tentacles e novamente, estipulou novos padrões de como uma gravadora independente deveria se portar frente aos padrões impostos pelas rádios, MTV americana e revistas corporativas. O selo se mantém ativo até os dias de hoje e detém o posto de gravadora underground mais antiga do mundo, tendo iniciado suas atividades em 1979 para lançar os álbuns do Dead Kennedys. A Alternative Tentacles possui extrema relevância na história do underground americano e mundial por ter revelado e divulgado nomes como Alice Donut, The Butthole Surfers, D.O.A., 7 Seconds, No Means No e Neurosis, entre outros.
Apesar do status de “dono de gravadora”, Jello Biafra não baixou a guarda e continuou compondo ao lado de amigos e grupos diretamente influenciados por sua música e postura política. Os maiores exemplos foram o LARD [junto a Al Jourgensen do Ministry], Tumor Circus [com membros do Steelpole Bathtub], No WTO Combo [junto a Kris Novoselic do Nirvana] e participações em álbuns do Offspring, Sepultura, Pansy Division, Brujeria, Pitchshifter, Body Count e Motorpsycho, sem contar os projetos que levaram seu nome: Jello Biafra & DOA, Jello Biafra & No Means No, Jello Biafra & Melvins e Jello Biafra & Mojo Nixon. Tudo isso sem contar os inúmeros CDs de spoken word que o músico lançou entre 1987 e 2006.

Como se não fosse o suficiente, Biafra ainda arranjou tempo entre suas atividades musicais para se candidatar a cargos políticos nas ocasiões da eleição a prefeito de São Francisco em 1979 e mais tarde, para presidente dos Estados Unidos no ano de 2000 pelo Partido Verde.

Em 1992, o vocalista participou de uma jam session no extinto Aeroanta junto aos músicos João Gordo e Jão [Ratos de Porão], Igor Cavalera e Andreas Kisser [Sepultura] no lançamento do livro Barulho de André Barcinsky. E em novembro de 2010, Jello visitará o Brasil novamente, desta vez com seu novo projeto JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE que inclui ex-músicos de grupos da Rollins Band, Butthole Surfers e Victims Family.

A turnê passa pela Argentina e no Brasil, estão confirmadas duas apresentações no Hangar 110 [uma junto ao Ratos de Porão e outra com o Flicts] e outra no Rio de Janeiro no Teatro Odisséia, totalizando 5 apresentações na América do Sul.

Datas:

03/ Nov./ 4a-Feira – El Sotano – Rosário – Argentina
04/ Nov./ 5a-Feira – Teatro Colegiales – Buenos Aires – Argentina
05/ Nov./ 6a-Feira – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Ratos de Porão
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-hangar.html
06/ Nov./ Sábado – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Flicts
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-no-hangar-110-em-sp-06-09.html
09/ Nov./ Domingo – Teatro Odisséia - Rio de Janeiro – Brasil
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-teatro-odisseia.html


Realização:
Hangar 110 e Highlight Sounds




Apoio: Revista Tribo Skate, Funtime e Sick Mind

www.myspace.com/jellobiafraandthegsm

BIOGRAFIA

Lá se vão 20 e poucos anos desde que o Dead Kennedys - o maior fruto da mente do lendário vocalista Jello Biafra - se debandou oficialmente. Desde então, Biafra tem se mantido ativo e construiu uma carreira baseada em palestras intercaladas com diversas colaborações junto aos mais comprometidos e respeitados nomes da música underground. Gravar álbuns com projetos e sair em turnê junto a nomes como Melvins, No Means No, DOA, Mojo Nixon e LARD [junto a Al Jorgensen do Ministry], entre outros, o ajudou a manter seu hardcore como uma verdadeira arma política e sua mensagem afiada. Mas com a falta de uma banda à qual ele pudesse chamar de sua, estas colaborações geralmente acabavam durando pouco e deixavam Biafra com toneladas de músicas que dificilmente veriam a luz do dia.

Inspirado pelo show de aniversário de 60 anos de Iggy Pop no Warfield em São Francisco, Biafra passou a planejar algo para o sua festa de aniversário de 50 anos e finalmente decidiu que era hora de começar sua própria banda. Dez anos antes, ele já havia tentado a mesma coisa com o guitarrista Ralph Spight [Victims Family, Freak Accident, Hellworms] e o baterista Jon Weiss [Sharkbait, Horsey]. Eles também já haviam trabalhado junto ao baixista Billy Gould [Faith No More, Brujeria], que estava cotado para se unir ao grupo. Após ensaiar por um mês, o quarteto conhecido como Jello Biafra and The Axis Of Merry Evildoers subiu ao palco em dois shows com ingressos esgotados no Great American Music Hall em São Francisco e logo em seguida, passou os próximos 9 meses ensaiando para a gravação de um álbum.

Antes de entrar no estúdio, o guitarrista Kimo Ball [Freak Accident, Carneyball Johnson, Mol Triffid, Griddle] foi recrutado, resultando em um ataque de guitarras duplas, o que acabou levando a sonoridade do grupo a novos e barulhentos patamares. O quinteto, agora conhecido como JELLO BIAFRA AND THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE, começou a gravar as faixas do álbum The Audacity of Hype [Alternative Tentacles] lançado na 2a metade de 2009. Para a produção e trabalhos de engenharia de som, Biafra se juntou ao velho amigo, sócio-conspirador e lendário produtor de hip hop Matt Kelley [Hieroglyphics, Tupac, Digital Underground, Victims Family], para comandar as gravações nos estúdios Prairie Sun Recording em Cotati, Califórnia e no Hyde Street Studios em São Francisco.

O projeto mantém parte da sonoridade caótica do Dead Kennedys adicionada a uma dose saudável do proto-punk característico de Detroit misturado com camadas de guitarras sônicas e barulhentas e o estilo industrial que o baterista Weiss possui de realizar percussões com incursões de metal. Os assuntos abordados no álbum vão desde a lavagem cerebral anti-Iraque que os poderosos de Washington enfiam guela abaixo dos americanos comuns, passando pela crítica a uma polícia que foge de seu legítimo compromisso de proteger o cidadão e a guerra de classes contra os menos favorecidos. Biafra também propõe à geração Barack Obama, ao seu próprio estilo ácido e crítico, que as mudanças reais acontecem quando a agitação vem de baixo e não de ações glamourosas vindas de cima.

Mesmo após tanto tempo, Jello Biafra lança um álbum que solidifica e expande sua visão livre de concessões e atualizada com os dias atuais, junto a um grupo poderoso que promete ser uma máquina viva e aterrorizante em qualquer palco que venha a atuar e que agora, traz o baixista Andrew Weiss [Rollins Band, Ween, Butthole Surfers] ocupando o posto de baixista, já que Billy Gould teve de retornar recentemente ao Faith No More

Entrevista para o Portal Rock Press

Após mais de três décadas em que o punk resgatou a simplicidade do rock’n’roll, reinventou a rebeldia e subdividiu-se em diversas correntes, poucos são os protagonistas originais que permanecem relevantes.

Jello Biafra, 52 anos de idade, é o maior deles. Inteligente, ácido, politizado. Liderou uma das mais influentes bandas do gênero, fundou um selo que lançou mais de 400 álbuns, proferiu palestras, militou na política, gravou discos de “spoken word” e assinou discos com gente do naipe de Al Jourgensen, D.O.A., Nomeansno, The Melvins e até o country freak Mojo Nixon.

A integridade de Jello e sua obra de alto impacto dão um significado adulto ao que se denomina punk. A capacidade de se reinventar, sendo o cronista ácido de sempre, esmaece o revisionismo dos punks da primeira geração e passa a limpo a apropriação indébita do termo pelos oportunistas de hoje.

Após 18 anos, Jello Biafra volta ao Brasil. A primeira visita deu-se por conta do lançamento do livro Barulho, de André Barcinski, e rendeu duas performances tão rápidas quanto históricas. A primeira em São Paulo, no extinto Aeroanta, ao lado de RDP e Sepultura. A segunda no Rio, onde realizou uma jam com o power combo francês Mano Negra, liderado pelo futuro trovador global Manu Chao.

Nesse fim de semana, Jello desembarca por aqui com sua primeira banda fixa desde o fim dos Dead Kennedys – no já longíquo ano de 1986. A Guantanamo School of Medicine é uma banda de alto calibre e com a qual o vocalista gravou o exuberante e poderoso The Audicity of Hype.

Dentro do devido contexto, os shows que nos aguardam têm a carga de importância para serem lembrados por muitos anos.

A Rock Press, por intermédio da Highlight Sounds e Alternative Tentacles, conversou com exclusividade com Jello Biafra alguns dias antes de sua viagem para o Brasil.

De sua casa, em San Francisco, Biafra conversou com nossa reportagem por aproximadamente 40 minutos. A qualidade da ligação oscilou entre o ruim e o péssimo, ainda que, com a boa vontade de Jello, tenhamos feito nada menos que três telefonemas para tentar sanar o problema.

O que você lê a seguir é a transcrição da espinha dorsal dessa conversa com um artista e pensador que possui, de fato, o dom da palavra.

Mas nossa equipe já está providenciando uma correção digital no áudio original da entrevista para que possamos, em breve, publicar o papo na íntegra e com a transcrição ipsis litteris como exige, e merece, o entrevistado.

Abaixo, alguns trechos da entrevista:

Você tem alguma observação sobre o crescimento da esquerda na América do Sul?

Tudo que eu sei é que parece estar melhor do que estava antes. A expectativa pelo trabalho do Lula foi mais ou menos o que aconteceu com o Obama. Não vou dizer que sei tanto assim sobre os resultados, porque estou distante do dia-a-dia, mas vejo que o Brasil se alinhou comercialmente com um grupo de países, como China, Índia e outros. E agora pode tomar certas decisões por si mesmo sem tanta interferência da OMC. Dane-se isso! E eu gosto dessa postura.


Ouvi dizer que quando você esteve aqui em 1992, não estava imaginando que iria ter que se apresentar ao vivo. Estive presente e me recordo de ver Paul Barker, baixista do Lard e Ministry, vendo o show encostado no amplificador. Mas você cantou 3 músicas. O que, de fato, aconteceu?

O autor de um livro, que veio aos EUA e entrevistou o Ministry e o Cramps, me convidou para ir ao Brasil no lançamento para autografar alguns exemplares. E que me levaria na Amazônia e outras coisas mais. Mas não foi nada disso que aconteceu e…


…e você foi pego de surpresa descobrindo que todos estavam esperando que você se apresentasse?

Totalmente! Mas ainda acabei indo ao Rio de Janeiro, pois justamente naquela época estava acontecendo aquele evento ambiental, Rio Summit, não se como se chama no Brasil…


Foi a ECO92.

Certo, ECO92. E lá estavam todas aquelas autoridades importantes. Achei que eu deveria participar. Me lembro que voei no mesmo avião de vários deles. As coisas que ouvi na época, sobre as corporações pegarem o gene de um animal e usarem para que o quisessem me levou a escrever “Biotech is Godzilla” que o Sepultura acabou gravando.

CLIQUE AQUI PARA LER A ENTREVISTA COMPLETA

por Eduardo Abreu

* * *

Entrevista para a revista playboy

Jello Biafra, ex-líder do Dead Kennedys, vem ao Brasil mostrar The Audicity of Hype, disco de sua nova banda, The Guantanamo School of Medicine, e fala sobre idade, política e um curioso encontro no Rio de Janeiro, em 1992

Por Jardel Sebba

1 - O que acha que soa diferente nesse primeiro álbum com a The Guantanamo Schhol of medicine dos demais trabalhos que você já fez ?

Eu não analiso as coisas dessa forma, eu simplesmente as faço. Se algumas pessoas pensam que canções desse novo disco soam como Dead Kennedys, não vou fugir da comparação, escrevi boa parte das canções da banda. Acho que tenho um estilo de compor que acrescenta psicodelia ao som, o que resulta em algo que não é tão comum em bandas punk.

2 - Depois de tantos anos na estrada, você se sente diferente quando senta para escrever uma canção hoje?

Sou um animal político a qualquer tempo. Escrevo sobre o que acredito que é interessante e importante. Claro, há algo pessoal na música, mas não quero desperdiçar boas canções com coisas que não gosto de ouvir em outros artistas. Eu tento atacar o sistema por ângulos diferentes das outras pessoas. Quando produzo um álbum estou mais interessado em sentimento, impacto, vibração do que ter todas as notas de um instrumento perfeitamente bem tocadas.

3 - Aos 52 anos, você se sente velho no meio do punk rock?

Às vezes acho engraçado quando olho para trás e penso o número de shows no underground nos quais eu era a pessoa mais velha na plateia. Algumas vezes 15, 20 anos mais velho! Mas isso é uma coisa boa. Nunca deixei de ser um fá de música, gosto do lado selvagem do rock’n’roll, o que me leva, claro, ao punk rock. Acho que a questão principal sobre idade é que hoje preciso me exercitar mais entre os shows, para que possa fazer o que faço no palco.

4 - Incomoda ser tratado com reverência no meio do punk rock, um lugar não muito apropriado para culto a ícones?

Acho que trabalhei duro o bastante e arrisquei bastante o meu pescoço para esperar que hoje seja tratado com algum respeito. Essa coisa de ícone vai e volta, nos primeiros anos isso não era comum, qualquer pessoa que tinha um papel importante no palco não podia agir como uma estrela fora dele. Começou a mudar mais tarde, com o punk mais comercial, quando todo mundo queria que seus amigos curtissem sua música logo nos primeiros shows e media sua popularidade pelo apoio de companhias de skate, de tênis ou de cervejas. Era a maneira deles acharem que estavam sendo bem sucedidos como artistas, o que eu sempre achei que cheirava muito mal.

5 - Você se candidatou a prefeito de São Francisco no fim dos anos 1970. Já pensou de verdade em se candidatar a presidente, e qual seria sua primeira medida, uma vez eleito?

Eu fui candidato a presidente, um pouco pelo menos, em 2000, quando o pessoal da convenção de Nova York do Partido Verde me chamou para ser candidato ao lado de Ralph Nader, e eles nem perguntaram se era filiado o partido. Eu era, por sorte. Mas não concorri de verdade, primeiro porque não tive tempo, depois porque não queria competir com Nader, eu era eleitor dele. Mas achei que era uma boa ideia deixar meu nome nas primárias de alguns estados, as pessoas que me conheciam mas não conheciam o Nader nem o Partido Verde poderiam ter um estímulo a mais para sair de casa, se registrar e votar. Acho que a primeira coisa que faria seria chamar os militares no Iraque e no Afeganistão imediatamente de volta. Outro ato imediato seria usar o poder presidencial para reduzir ou tirar da cadeia todos os que estão condenados por uso de drogas. O problema é que o presidente só pode fazer isso com prisioneiros federais, e a maioria das pessoas presas com maconha e afins são prisioneiros estaduais, logo eu teria de convencer os governadores a fazer o mesmo. Também seria bastante tentador virar as costas para a Nafta e mandar um “foda-se” para a Organização Mundial do Comércio de uma vez por todas.

6 - Você consegue se manter distante da grande música comercial que domina o mercado americano? Sabe, por exemplo, quem são e o que fazem Lady Gaga e Justin Bieber?

Não se esqueça que eu sou um grande fã de música, é meu único vício, especialmente os vinis. Quem me viu na minha viagem ao Brasil lembra como fiquei louco nas lojas de discos do Rio e de São Paulo. Ao mesmo tempo, não vejo muito sentido em perder meu tempo com a cultura pop comercial quando posso prestar atenção em algo interessante, ou fazer música ou arte por minha conta. Sempre fui assim, há dúzias de programas famosos de TV daqui que eu nunca vi. Na minha adolescência, por que eu ficaria vendo “As Panteras” se podia ir ao meu quarto ouvir os Stooges? Eu me divorciei da música mainstream e do rádio comercial quando tinha 13 anos de idade. Foi quando comecei a comprar meus discos e me encher de rádios que tocava muito Eagles e pouco Black Sabbath.

7 - Reza a lenda que a primeira vez que você e o ex-governador da Califórnia Jerry Brown, pintado como um fascista por você em um dos clássicos do Dead Kennedys, “California Über Alles”, se encontraram foi durante a Rio-92, aqui no Brasil. Todo mundo teria ficado em pànico quando percebeu que vocês estavam no mesmo lugar, ma no fim vocês se cumprimentaram e foi tudo bem. Foi isso mesmo que aconteceu?

A gente não se cumprimentou, mas de fato a primeira vez que estivemos num mesmo ambiente foi num restaurante no Rio de Janeiro, mas cada um na sua mesa. Mas estive com Brown algumas vezes depois disso. Ele passou por fases bem diferentes. Virou um radical de esquerda na época da eleição de Bill Clinton, envolvido com questões ambientais, com as quais eu também estava envolvido, e nessa época nos encontramos algumas vezes. Uma pelo menos foi engraçada, houve um jantar na casa dele para o qual eu fui arrastado pelo Michael Moore, e uma das pessoas da equipe dele falou: “Eu toquei um disco seu para o Jerry hoje de manhã“, no que eu pensei: “Ai, que merda…” (risos)

8 - Ele não deve ter curtido ouvir “California Über Alles“…

Mas lembre-se que todas aquelas teorias dessa música, do Brown ser um novo fascista, caíram por terra quando Ronald Reagan foi eleito. Foi quando percebi que Reagan e sua turma eram uma ameaça muito maior que Brown. Acredite ou não, Brown vai concorrer para governador da Califórnia novamente.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite Fora do Eixo na Rua da Cultura

A banda Argentina Falsos Conejos se apresentará na próxima edição do projeto Rua da Cultura, que acontece toda segunda-feira à noite no espaço entre os Mercados Antonio Franco e Thales Ferraz, no centro de Aracaju. Na ocasião se apresentarão também os Mamutes, combo hard-rock setentista local, e A Banda de Joseph Tourton, de Recife.

É gratis. Compareça.



* * *

O Compacto.Rec tem orgulho de apresentar seu primeiro lançamento internacional do projeto - o CD “YYY” do trio Falsos Conejos (Argentina), primeiro LP do grupo, também o primeiro nesse formato lançado pelo Compacto. O trio entrará em turnê pelo Brasil em outubro, passando por regiões como Sul e Nordeste.

O grupo instrumental experimental nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 2006. Pós-rock, math rock e outros termos semelhantes (que os seus integrantes não estavam conscientes no momento de delinear as suas músicas) são muitas vezes utilizados para descrever o som do grupo. É um som forte e intenso, aproximado do rock e o ritmo às vezes se parece com Jazz, Dub e própria música regional de Buenos Aires.


COMPACTO.REC

Esse ano o Compacto.Rec trouxe diversos lançamentos que derão enfâse ao projeto, como a paranaense Nevilton, a mineira Uganga, deu destaque a Coletânea Grito Rock América do Sul 2010, lançou o primeiro material solo do Jair Naves, ex-Ludovic e recentemente foi contemplada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet. Já em Outubro do 2010 o projeto realiza sua primeira edição internacional, Falsos Conejos da Argentina, o lançamento acontece simultâneamente com a turnê da banda na América Lativa.

Com a liberação dos fonogramas para downloads, o projeto alinha uma iniciativa de trocas para remunerar o autor do trabalho em um sistema de economia solidária, pautado na oferta de serviços e produtos integrados ao Circuito Fora do Eixo.


O DISCO


YYY pode ser interpretado como uma letra do alfabeto repetido três vezes, ou simplesmente como três grupos de três linhas que se encontram em três pontos. Assim, o Falsos Conejos o escolheu para batizar seu novo álbum, que foi concebido a partir do conceito de "três vezes três" (três grupos de três faixas, o número de três discos do trio, gravado durante o terceiro ano de vida a banda, um processo que demorou três dias para gravar e que foi assistido por apenas três músicos). O CD traz um som orgânico, onde a reverberação natural de diferentes ambientes é muito presente, em oposição à neutralidade que é pedida no estúdio de gravação. Concebido como um álbum inteiro para ouvir direto, as nove faixas são ligadas por pontes de músicas ou sons que moravam na casa no momento: passos, portas que abrem e fecham, carros e caminhões que passavam pela via, grilos, pássaros e morcegos no jardim. Como uma montanha-russa, YYY, é fiel ao conceito de dinâmica de condução do grupo, onde o silêncio é usado como um recurso para enriquecer a música.


Fonte: Portal Fora do Eixo

SERVIÇO:

Dia: 08/11/2010

Local: Rua da Cultura - Centro - Aracaju

Noite Fora do Eixo

FALSOS CONEJOS (ARG)
A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
MAMUTES

0800

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

# 167 - 29/10/2010

Satanique Samba Trio – Cancro Molly
Killing Joke – Absolute Dissent
The Smashing Pumpkins – Astral Planes
The Fall – O.F.Y.C. Showcase

The Black Crowes – Tick ´n thin
Eagles of Death Metal – Stuck in the metal
Soundgarden – Spoonman
Kings of Leon – Sex on fire

Robertinho do Recife – Fantasia preto e prata
Stress – Sodoma e Gomorra
Salário Mínimo – Beijo fatal
Centúrias – Última noite
A Chave do Sol – Um minuto além
(Bloco co-produzido por Vladimir)

Vespas Mandarinas – Cobra de vidro
Vespas Mandarinas - Retroceder
(Drop Loaded)

Entrevista com Snapic

Bloco produzido pela Snapic:

Beastie Boys - Time for livin (instrumental)
Black Drawing Chalks - I´m a Beast I´m a gun
Vendo 147 - Hell
Pata de Elefante - Funkadelic

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sexta, no programa de rock

Estudantes de jornalismo e freqüentadores constantes dos eventos realizados em Aracaju, Victor Balde e Arthur Soares desenvolviam trabalhos fotográficos em shows individualmente desde 2007 e 2005, respectivamente. Devido à amizade existente entre os mesmos, surgiu a idéia de unir os trabalhos fotográficos no segundo semestre de 2008 e a partir disso passar a ter uma maior e melhor cobertura dos eventos que aparecessem, como meio de contribuir para a evolução da cena local.

Em Outubro de 2008, o projeto sai da teoria e vai para a prática com a criação da SNAPIC, palavra formada através da junção dos termos "SNAPshot" (inicialmente relacionado às fotos instantêneas provenientes de Polaroids, atualmente possui um conjunto maior de abrangência, podendo se referir a fotos digitais de modo geral) + PICture (imagem).

Esta primeira cobertura conjunta foi feita durante um evento realizado no Espaço Emes (Aracaju-SE), no festival chamado "Dueto Cultural" que contou com a presença de Arnaldo Antunes, Capitão Parafina e Maria Scombona. O resultado atingido foi melhor do que o esperado e logo surgiram bons comentários relacionados à qualidade das fotografias produzidas.

O trabalho, após 2 anos, já esteve presente na maioria dos impressos (jornais, revistas, folhetos) locais, sem contar os fotologs e blogs de bandas na internet que se utilizam das imagens da SNAPIC. Como forma de ampliar a produção Victor e Arthur, além de imagens de shows, também realizam trabalhos de fotojornalismo e outras areas da fotografia como: moda, gastronomia, peças teatrais, dentre outros.

· Quer contratar a Snapic?
contatosnapic@yahoo.com.br
(79)8821·4315|9972·8223

Fonte: Divulgação















quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vida louca vida ...

Em autobiografia, Keith Richards, guitarrista da banda inglesa Rolling Stones, admite que cheirou as cinzas do pai, transou com mulheres de amigos e diz que Mick Jagger tem pênis pequeno.

por Natalia Rangel


É verdade. O guitarrista da banda britânica Rolling Stones, Keith Richards, realmente inalou as cinzas mortais do pai, morto em 2002. Ele admite o fato e dá outros detalhes em sua autobiografia intitulada “Life”, um livro com mais de 500 páginas, que terá lançamento mundial na terça-feira 26 (a versão em português sai no Brasil em novembro pela Editora Globo).

Richards recebeu adiantados US$ 7,3 milhões para escrevê-la, o que fez em parceria com o autor americano James Fox. Uma legítima obra sobre sexo, drogas e rock’n’roll narrada por ninguém menos que uma das maiores autoridades no assunto: o roqueiro e genial guitarrista rotulado como um dos mais doidões e anárquicos de sua geração e que, sabe-se, só abandonou a cocaína em 2006 depois que uma queda nas Ilhas Fiji o levou a uma delicada cirurgia no cérebro. Hoje, aos 66 anos, Richards vive em Connecticut, nos EUA, com a esposa, Patti Hansen – deixou a Inglaterra para fugir dos impostos da coroa. É um colecionador de livros e se interessa particularmente por publicações sobre rock e a Segunda Guerra Mundial – tem duas organizadas bibliotecas em suas casas da Inglaterra e dos EUA.

A sua banda, que já vendeu mais de 200 milhões de álbuns em todo o mundo, tem a trajetória revista sob a ótica de um dos seus fundadores. Keith Richards, criador de inesquecíveis riffs de guitarra como se ouvem nas músicas “Jumpin’ Jack Flash” ou “Honky Tonk Women”, abre a sua biografia pela turnê de 1972, que ficou conhecida como “O Alvorecer da Cocaína e da Tequila”. Foi a primeira vez que a banda tinha regalias como viajar no próprio avião, com a famosa língua vermelha pintada na aeronave, e alugar hotéis inteiros para garantir privacidade. As histórias que se seguem retratam a rotina de jovens roqueiros recém-alçados ao estrelato, vivendo a vida intensamente. Richards conta, por exemplo, como ele e Bobby (músico colaborador da banda) puseram fogo no banheiro de um hotel, mas estavam dopados demais para perceber isso. Foram surpreendidos pelo arrombamento da porta, enquanto repetiam: “Está mesmo muito esfumaçado por aqui, não é?” Relembra uma risível viagem de três dias pela Inglaterra com John Lennon: “O que houve, nem eu nem John nunca nos lembramos plenamente. Havia pelo menos uma garota conosco e um chofer, porque não estávamos em condição de dirigir. Eu disse a John que não ia viajar naquele Rolls-Royce psicodélico ridículo. Fomos mais discretamente no meu pequeno Bentley azul.” Richards chama Lennon de um “silly sod”, ou seja, um cara idiota mas não desprezível. Relembra festas em que Lennon comparecia com Yoko Ono para pegar drogas. “Acho que John nunca saiu de minha casa em outra posição que não a horizontal.”

Keith Richards mostra-se à vontade ao falar de drogas e de como fazia para consegui-las e rememora algumas passagens constrangedoras. Entre 1960 e 1970, quando era um consumidor voraz de heroína e cocaína, sempre portava armas de fogo. “Eu saía armado para buscar heroína – tive rifles, uma Luger e uma Smith & Wesson (a mais perigosa de todas). Era mais seguro assim, especialmente nos EUA.” A arma também ganhou protagonismo nas festas. Ele relata: “Em algumas das minhas noites mais ultrajantes eu só podia saber o que realmente tinha acontecido diante de evidências incontestáveis. Quando alguém indagava: ‘Você não lembra dos tiros? Levante o carpete, olhe as perfurações no piso, cara. Lembra que tirou a cueca e se balançou nu pendurado ao candelabro?’ E eu, embaraçado: ‘Não, não me lembro de nada.’ Regra básica de uma festa realmente boa: não se lembrar do que aconteceu.” E expõe no livro a sua explicação para ter sobrevivido aos excessos todos: “Atribuo isso à boa qualidade das drogas que eu consumia. Mas também ao controle que tinha sobre a quantidade que ingeria. Nunca colocava uma dose a mais para ficar um pouco mais louco. É nessa hora que a maioria das pessoas se dá mal. Essa voracidade nunca me dominou completamente.”

Ele se orgulha em dizer que mesmo com tantas extravagâncias, jamais perdeu um show. Mas Richards chegou a dormir durante um concerto: “Estava com o pé sobre o pedal do volume e apaguei quando tocávamos a chatíssima “Fool to Cry”...Despertei quando o volume ficou insuportavelmente alto.” Além das festas, das drogas, do embate artístico histórico entre Richards e o vocalista Mick Jagger, e de muitas anedotas do cotidiano dos músicos, Keith Richards aproveitou para criticar posturas assumidas pelo parceiro em sua trajetória – especialmente o rompimento temporário, quando Jagger decidiu seguir em carreira solo: “Seu trabalho perdeu o rumo.” E também provoca o amigo com indiscrições infantis, ao dizer que ele tinha um ‘pênis minúsculo’ (uma rivalidade tão antiga quanto a amizade dos dois, que se conhecem desde os 4 anos de idade). Eles trocaram namoradas – assunto que Richards confessa nunca ter engolido muito bem, referindo-se a época em que sua companheira Anna Pallenberg teve um caso com Mick Jagger. O mesmo deve valer para o próprio Richards, que se vingou indo para a cama com a musa de Jagger, Mariane Faithfull. Num trecho, ele relata a noite que fugiu pela janela quando ele e Mariane ouviram Jagger chegando em casa. Saltou com as roupas nas mãos e esqueceu suas meias. “Marianne e eu até hoje temos essa piada. Às vezes, ela envia a mensagem: ‘Ainda não encontrei as suas meias.’”

Fonte: Istoé.

TOCA RAUL, PORRA !!!!!!!!

Difícil imaginar um roqueiro que nunca tenha vestido uma camisa de Raul Seixas. Ainda hoje, quatro décadas depois do ápice criativo do músico baiano, o semblante barbudo que anarquizou a música brasileira freqüenta os tecidos puídos com o qual a molecada se cobre para reverenciar seus heróis com uma assiduidade de fazer inveja a qualquer Jesus Cristo. Idolatrias a parte, esta semana as bandas The Baggios e Plástico Lunar reúnem uma galera de responsa no Espaço Cultiva para prestar um tributo à altura da criatividade esbanjada pelo Maluco Beleza.

De acordo com Julio Andrade, frontman da Baggios e guitarrista da Plástico Lunar, não foi preciso evocar um pretexto específico para se debruçar sobre a vasta discografia de Raulzito. Segundo ele, a satisfação proporcionada pela pesquisa do repertório foi suficiente para convencer os envolvidos da conveniência do projeto.

“Sou fã e não nego. Gosto pra caralho de cantar a música dele. Não há obrigação, não pensamos isso pra tirar algum trocado. Me empolguei muito com esse projeto e acho que ele deve ser valorizado, pois o trabalho que exigiu não foi pouco. Estamos tratando as músicas com carinho, tentando nos manter fiéis às idéias de Raul Seixas, preparando versões inusitadas. Esse tributo não vai ser realizado nas coxas”.

Explica-se. O projeto não nasceu hoje. Sua gênese remonta a meados de 2009, quando o aniversário de 20 anos da morte de Raul Seixas foi lembrado. Na ocasião, o público lotou o Capitão Cook para cantar as músicas da época do “Raulzito e os Panteras”, passando por clássicos da era “Gita” e “Há dez mil anos atrás”, até alcançar o derradeiro “Panela do Diabo”, que eternizou a parceria do homenageado com Marcelo Nova.

Agora, além das bandas anfitriãs, personagens do calibre do cantor e compositor Alex Sant’anna (que promete entoar os versos de “Capim Guiné”), Thiago Ribeiro (que assumiu a responsabilidade pela execução dos sucessos “MDC” e “Gita”) e Daniel Torres, vocalista esporádico e membro relutante da Plástico Lunar (que vai dar o ar da graça com “Por quem os sinos dobram” e “Coisas do Coração”) tomam parte na homenagem.

Carimbador maluco – Julico me garantiu que todas as fases que pontuam a carreira de Raul Seixas serão contempladas pela festa. Segundo ele, uma média de pelo menos duas músicas por disco pontua o repertório. Para ganhar o Imprimatur deste carimbador maluco, no entanto, eles vão precisar suar um bocado.

Não admito um tributo a Raul Seixas sem a execução de canções emblemáticas como “Paranóia”, “Meu amigo Pedro”, “Eu também vou reclamar”, “Quando você crescer”, “No fundo do quintal da escola” e “Sessão das dez”. Elas talvez não figurem numa seleção óbvia, mas ajudam a explicar como um trabalho realizado há tanto tempo continua merecedor de nossa atenção, influenciando novos músicos, mais contemporâneo e relevante do que as bobagens coloridas que tomaram conta de veículos ditos especializados, que costumavam se valer de parâmetros aceitáveis para testar nossa paciência, ao contrário do que vem fazendo a MTV.

riansantos@jornaldodiase.com.br

por Rian Santos

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Inferno na serra


Noite de Black Metal em Itabaiana. Imagina se eu ia perder isso ... Cheguei atrasado, perdi a primeira banda, a única que não era 100% Black - Warfiled, death. Ok. Entrei. E não é que tinha público ? Sou meio ruim com esse tipo de conta, mas apostaria em mais de 200 criaturas – quase todas trajadas de preto e com cara de poucos amigos, evidentemente – no recinto. Fico feliz com isso, pois apesar de não ser exatamente um fã do estilo, torço pelo desenvolvimento do underground em nossa pequena província de Sergipe Del Rey, e mais ainda por se tratar de um evento de um gênero tão obscuro em minha cidade natal, um verdadeiro deserto para os poucos admiradores do rock quando eu comecei a curtir som, ainda nos anos 80. Imagina se, naquela época, eu poderia sequer sonhar com a possibilidade de ver uma cena como a que vi naquela noite – as noites itabaianenses, na época, se limitavam a passeios na praça depois da missa e bailes dançantes na Associação Atlética. Não que hoje em dia seja lá tão diferente – infelizmente não é. Mas já há um razoável número de abnegados com colhões para enfrentar a parada dura que é produzir algo do tipo na “capital do agreste”. Parabenizo desde já os responsáveis pelo feito: mostraram atitude.

A grande atração da noite seria a Eternal Sacrifice, de Salvador, desde 1993 militando nos sombrios domínios do metal obscuro e pagão, mas antes tivemos uma banda nova, de Aracaju, a Ad Aeternum. Me parece que foi a primeira apresentação deles, e isso explicaria a curtíssima duração da mesma – além da má qualidade de equalização do som. Vocal feminino, rasgado e gritado. Tem potencial.

Eternal Sacrifice demorou uma eternidade para começar, um sacrifício e teste de paciência para quem estava esperando. Mas os que perseveraram foram brindados por uma pesada névoa que tomou conta da “Cebola city”, o que cooperou para o clima sombrio e assustador que tomou conta do recinto durante a apresentação. Fazem um som interessante, cheio de passagens melódicas e climáticas intercaladas com verdadeiras “pancadas no pé do ouvido” – muito embora o sonzinho “xoxo” que saía dos amplificadores das guitarras não colaborasse para um perfeito deleite auditivo dos apreciadores do barulho. Por outro lado, vocal e teclado estavam altíssimos, o que fazia com que os impropérios pagãos vomitados pelo vocalista, Lhorde Haadaas Naberius, ecoassem em alto e bom som pelo agreste sergipano. “Boa noite, demônios”, saudou ele no início da celebração – e é isso mesmo: mais que um show de rock (e é rock, no final das contas, muito embora haja controvérsias), é uma verdadeira celebração pagã, uma pregação anti-cristã, misantrópica e obscura. E é tosco, muito tosco: vocais “operísticos”, gritos primais, “corpse paintings” bizarros escorrendo pelas faces junto ao suor. Uma verdadeira visão do inferno na terra para algum cristão praticante desavisado que passasse por ali naquele momento. Foi divertido - especialmente no momento em que um maluco lá invadiu o palco e surrupiou um dos dois tridentes que ornamentavam o "altar". Sempre tem uns doidos que parece que não se divertem se não tomarem uma surra e/ou forem expulsos do recinto pelos seguranças, né ...

Na sequencia, Litania Ater. Gosto do som deles – é mais “potente”, agressivo, menos “liturgico” e mais metal, musicalmente falando. Os vocais do baterista André são pronunciados num português inteligível, então se você prestar atenção vai viajar por um mundo de batalhas épicas entre as forças do mal e os odiados exércitos do cristianismo enfraquecedor da alma do homem. Não deu pra ficar até o fim porque o cansaço estava batendo (já tinha perdido a noite anterior no rock do capitão cook). Vi um pouco do show e voltei para Aracaju em meio a uma névoa tão espessa que um de meus caronas, Death Row, bêbado, achou que a gente tinha se perdido entre as dimensões do tempo e ido parar num universo paralelo ao estilo dos retratados na literatura de H. P. Lovecraft ou do game “Silent Hill”. Até que seria interessante, mas logo avistamos a logomarca do Posto Boa Viagem e acabaram-se os delírios sombrios: estávamos na BR 101, a caminho de casa.

por Adelvan


22/10/2010 - Uma noite "fora do eixo"


Uma noite “pernambucana” no capitão cook – mas sem maracatus, batuques ou cirandas: uma noite de rock – com pitadas de música eletrônica. Duas das mais novas revelações do cenário alternativo da “mangue town” estavam de passagem rumo ao festival Feira Noise, em Feira de Santana, Bahia, e decidiram fazer uma parada estratégica em Aracaju

Voyeur, a primeira a se apresentar, faz um “electro rock” um tanto quanto low-fi e minimalista, com algumas boas sacadas mas carecendo de um pouco mais de capricho nas composições. O som estava ruim, abafado, e isso pode ter afetado o desempenho deles – assim como o fato de que o som da guitarra sumiu por um bom tempo e a longa parada esfriou de vez a apresentação, que já não estava empolgando muito o pequeno publico presente, a bem da verdade. A banda parecia pouco a vontade e o publico, frio e apático, não contribuía para melhorar o astral. Como resultado, o show foi se arrastando de forma burocrática até o final, quando eles, finalmente, tocaram a que considero sua melhor composição, “little mama”. Uma pena, pois parecem ter uma proposta interessante e diferenciada para a região, muito embora não tenham cumprido, no palco, aquilo que prometem ao se ouvir as gravações de estúdio. Isso sem falar de uma certa teatralidade vazia que não teve nenhuma ressonância, como a insistência de vocalista Juh em vocalizar através de uma espécie de pistola futurista de brinquedo que não produzia efeito nenhum – eu, pelo menos, e alguns amigos ao redor, não vimos diferença alguma. Melhor sorte na próxima.

Já a Diablo Motor surpreendeu. Rockão descompromissado e possante, executado com garra e precisão. Belos riffs, boas composições e letras ininteligiveis em um português displicente mastigado pelo bom vocalista Tomaz, cujo timbre de voz lembra o de Cazuza – ou de Catalau, do Golpe de Estado. A postura de palco da banda também foi bem mais desencanada: mandaram seu esporro meio que pouco se fudendo se tinha pouca gente ou se a galera não se chegava e parecia “morgada” (o publico sergipano é meio estranho mesmo, geralmente retraído, muito embora quando “se solta” protagonize noites memoráveis, que o digam a Retrofoguetes ou a Venus Volts). Empolgou um pouco mais a galera – ou pelo menos nosso amigo Thiago “Cachorrão”, que mandou alguns de seus já antológicos chutes no ar em sinal de aprovação.

Para encerrar, os anfitriões da The Baggios, com seu blues-rock potente e “malemolente”, sempre um grande show – não darei detalhes porque confesso que nem cheguei a ver direito, entretido que estava com a empolgação de Rick Maia e seus planos para o futuro da musica alternativa sergipana.

Foi rock.

Foi bom.

Adelvan

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pitty por Adolfo Sá ...


"recordar é viver" - “Tem várias personas morando dentro de mim – o anjo, o diabo, a pombagira. Cada um tem a sua hora e, juntas, fazem eu me sentir completa.”

Fui apresentado a Priscila Novaes Leone em 1996, na redação da Mtv em Salvador [BA]. Eu editava um fanzine chamado Cabrunco em Aracaju [SE], e ela fazia parte de uma banda chamada Inkoma.

Mais conhecida como Pitty, hoje Priscila é uma cantora de sucesso que, aos 32 anos, já lançou 3 álbuns solo e ganhou 5 discos de ouro, 2 de platina, os principais prêmios do VMB e Multishow, e até indicações ao Grammy Latino.

Bem antes de fazer o rock’n’roll existencial que ouvimos em Máscara, Equalize, Teto de Vidro, Memórias e Déja Vu, hits de ADMIRÁVEL CHIP NOVO, ANACRÔNICO e CHIAROSCURO – lançados pela Deckdisc, do produtor Rafael Ramos – ela já praticava um hardcore nervoso no vil & violento underground baiano.

Não é à toa que ficou tão à vontade posando p/ fotos sensuais no ensaio de capa da edição de estréia da versão brasileira da revista INKED, lançada em julho. “O cenário é talvez o mais pé sujo dos hotéis de São Paulo”, escreve a repórter Carine Savietto na matéria de 10 páginas que disseca a história das “mais de 10, menos de 20” tatuagens que Pitty tem espalhadas em seu corpinho de 1m60.

“Show!”, diverte-se a roqueira-modelo no hotel barato.

Quando a conheci, Priscila era uma ninfeta de 18 anos que gritava contra o sistema em shows onde a maioria do público era de punks, e o pogo quase sempre descambava p/ a briga. Ela já tinha mais tattoos do que eu tenho hoje. O visual louco era uma defesa externa p/ a menina doce de personalidade forte e madura p/ a idade, como ficava expresso na demo Pilha Pura de 96:

“Quando eu vejo as coisas erradas no jornal e na TV/ Eu penso em fazer algo e eu não sei bem o quê/ Se você acha que pode vir a se tornar palmatória do mundo/ Isso não vai adiantar/ Cê tá ligado que sozinho não vai dar pra acontecer/ É que o problema na verdade é bem maior do que você/ Conscientização e principalmente união/ Não passe pelo mundo sendo só mais um/ Cuzãããããoo...”

Berrava que era uma beleza.

“Haha, o namorado dela deve ouvir altos gritos no pé da orelha”, zoava Marcos ‘Bola’, guitarrista da Dinky-Dau [e mais tarde da Sangria e Magajanes Muertos], um dos meus melhores amigos. Foi através do toca-fitas do carro dele que conheci a Inkoma.

O som da banda não saía dos meus ouvidos, nem a vocalista da minha cabeça. Assim que nos conhecemos, o santo bateu e iniciamos uma parceria – eu arrumava desculpas p/ ir lá e ela me visitava de vez em quando.

Comemoramos meu aniversário de 21 anos num bar sinistro estilo candomblé em SSA, e em AJU eu a levei p/ ver Trainspotting no cinema e um show do Mundo Livre S/A, que rendeu uma resenha na última edição do Cabrunco – escrita por ELA:

“E não é que eu fui mesmo? Me joguei na estrada com destino a Aracaju pra passar o feriadão, dar um saque num campeonato de skate, divulgar a cena soteropolitana e, claro, ver o show da Mundo Livre S/A. De novo. É o terceiro que eu vejo em menos de seis meses, e é sempre uma festa. Em Aracaju não foi diferente.

O show aconteceu num pico recém-inaugurado na cidade, o Little Hell. O espaço é super-legal, com capacidade para mais ou menos trezentas pessoas. É uma pena que não tenham comparecido ao local nem cinqüenta. Culpa de uma divulgação inoperante e deficiente ou da suposta ‘frágil’ cena sergipana? Mistérios do bom e velho underground. [...]”

O texto continua por mais 2 parágrafos, mas é impressionante como continua atual – a cena melhorou um pouco, não muito. Já a Pitty, quanta diferença. Em 99, quando a reencontrei, ela tocava bateria num projeto paralelo, Shes, banda punk só de garotas bonitas e tatuadas. Em 2000, gravou o único álbum da Inkoma, INFLUIR, e em 2002/03 mudou-se p/ o RJ, em seguida SP. O resto é história.

Hoje estou casado c/ a Gil, e ela c/ o baterista do NX-Zero. A última vez que a vi foi na minha despedida de solteiro em 2008 – nos encontramos na mesma noite no show do Mudhoney e numa boate da Barra, totalmente ao acaso. Mas foi estranho, agora ela é uma celebridade, todos os olhos a acompanham, não me senti muito à vontade.

“Cada um pensa o que quer. Isso é liberdade de expressão, sacou?” Essas duas frases são da entrevista que fiz c/ a Priscila na primeira vez em que ela esteve aqui, publicada no nº 8 do zine.

Na mesma edição – a derradeira do Cabrunco – o apresentador do Programa de Rock da 104.9 FM, Adelvan Kenobi, na época zineiro e dono da loja Lokaos, assina uma resenha dos shows de lançamento da coletânea UMDABAHIA que não me deixa mentir:

“A banda que eu mais queria ver era a Inkoma, ultra-recomendada por Adolfo Sá. Bem, Adolfo não é exatamente um expert em hardcore, e eu desconfiava que a babação dele tinha endereço certo, mas desta vez ele acertou na mosca. A banda (eu disse a banda) é realmente do caralho! A vocalista Pitty também é, mas o fato é que eles têm a postura ideal diante da música (‘hardcore é diversão’), com letras que são excelentes crônicas sobre a vida urbana – ou seja, universais.”

Mas peraí, que papo esse que eu não sou “expert em hardcore”? E meus discos do RxDxPx, Black Flag, Bad Brains, Dead Kennedys? E meu vinil original do Sex Pistols [que tá c/ um amigo que mudou p/ Salvador – mais bem guardado c/ ele do que comigo]? Mas que puto! Heheh... Tudo bem, mesmo que eu não sacasse nada de HC, teria aprendido por osmose na curta mas intensa convivência que tive c/ a Pitty.

Termino a entrevista perguntando que nota ela dava a si mesma:

- Porra, Adolfo! (risos) Que nota pra mim?! Porra, 10! Vou dizer o quê? (mais risos) Sou legal, sou gente boa. Nem ronco! (risos novamente) E você, que nota dá pra mim?

- Você é uma guria legal. Vale um 10.

Fonte: VLB

sábado, 23 de outubro de 2010

# 166 - 22/10/2010



O programa de rock de ontem começou exatamente do ponto onde havia parado na sexta-feira anterior: com mais uma edição do Drop Loaded, a contribuição semanal dos paulistanos do Loaded E-zine. Na sequencia, o “Bloco do ouvinte”, bem “farofeiro” desta vez, com novos sons de artistas e bandas do chamado “hair metal”, aquele hard rock glam que teve seu auge nos anos 80. Cortesia de nosso eclético colaborador Leonardo Bandeira. Depois de ouvir uma faixa de cada uma das bandas que se apresentariam em mais uma “Noite Fora do eixo” no Capitão Cook, batemos um papo com eles, os recifenses da Voyeur e do Rock Motor e Julio Dodges, da The Baggios. E tome punk rock clássico: 999, formada em 1977, em Londres; The Adverts, também britânico, de 1976 (acabou em 1979); “Teenage kicks”, dos undertones (grupo da Irlanda do Norte formado em 1975), a música preferida do legendário DJ da BBC John Peel, ao som da qual ele foi sepultado em 2004; X-Ray Spex, com seu punk classudo marcado por um inusitado acompanhamento de saxofone e o vocal potente de Polly Styrene; e The Slits, provavelmente a primeira banda punk feminina de que se tem notícia, com um cover de “I heard it through the grapevine”, clássico da Motown e primeiro sucesso da carreira de Marvin Gaye. Esta última foi nossa homenagem à vocalista Ari up, falecida esta semana. No último bloco, mais uma homenagem – à passagem dos 40 anos da morte de Janis Joplin. Encerrando a noite, The Kinks, uma verdadeira banda-símbolo do rock britânico, eternos ídolos mod e um dos maiores representantes da chamada “invasão inglesa”.

Rock and roll, porra!

A.

* * *

Janis Joplin morreu há 40 anos - Cantora, uma das maiores vozes feminina do rock, sofreu uma overdose em 1970

Do Site da Rolling Stone Brasil.

Conseguir se destacar em um meio musical predominado por homens em plena década de 60 não é para qualquer uma. Mas Janis Joplin foi além. Tornou-se inspiração para milhares de mulheres interessadas em soltar a voz no rock 'n' roll e perpetuou seu grito rasgado e intenso, tornando-se uma das maiores figuras femininas do gênero musical até hoje. O talento da cantora, infelizmente, se foi cedo: ela morreu há exatas quatro décadas, aos 27 anos, em 4 de outubro de 1970.

Janis Lyn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, em Port Arthur, no Texas, e desde mais nova já mostrava duas características que lhe acompanhariam pelo resto de sua vida: o amor por música e seu engajamento social. Quando adolescente, posicionou-se a favor da integração dos negros na sociedade, no auge da tensão racial vivida nos Estados Unidos, sobretudo no conservador estado sulista. Entre suas paixões musicais estavam o jazz, o folk e o blues - este último seu favorito, tendo ela se inspirado na musa Bessie Smith e no pioneiro Leadbelly. Joplin começou cantando em pequenas cafeterias no Texas.

Em sua trajetória, junto à relação com a música, vinha seu envolvimento com a cultura beat dos anos 50. Janis também integrou o movimento hippie, que, nos anos 60, deu mais cores à contracultura dos beatniks, contestando os padrões instituídos e posicionando-se a favor de mudanças, fossem elas direcionadas ao pensamento da sociedade (visto pela juventude como retrógrado), fossem com relação ao fim da guerra no Vietnã.

Em 1966, a cantora entrou no grupo de rock psicodélico Big Brother and the Holding Company, que no mesmo ano assinou com a gravadora Mainstream Records. Em 1967, a banda lançou um álbum homônimo e no ano seguinte Cheap Thrills, cuja tracklist trazia os hits "Piece of My Heart" e "Summertime" (canção composta por George Gershwin, que já havia sido gravada por nomes de peso como Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Louis Armstrong e Sam Cooke). Em 1969, saiu da Big Brother e formou a Kozmic Blues Band, lançando I Got Dem Ol' Kozmic Blues Again Mama!, disco influenciado pelo seu amor pelo R&B característico dos artistas da gravadora Stax. Entre os momentos mais marcantes de sua carreira, claro, está a apresentação no festival Woodstock, no ano de 1969, que não só contou gigantes da música (como Joan Baez, Santana, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Sly & the Family Stone, Jefferson Airplane e Jimi Hendrix, entre outros), como reuniu ali, na cidade de Bethel, todo um conjunto de fatores que caracterizavam o "paz e amor" do movimento hippie.

Em fevereiro de 1970, Janis veio ao Brasil a fim de tentar se recuperar de seu vício em drogas e álcool, passando o carnaval no Rio de Janeiro ao lado de amigos - em seu retorno aos Estados Unidos, contudo, ela voltou a abusar de substâncias ilícitas. Com o fim da Kozmic Blues Band, formou outro grupo, o Full Tilt Boogie Band, com o qual passou a fazer suas turnês. Ainda em 1970, gravou Pearl, que teve lançamento póstumo, no ano de 1971, já que a artista morreu de overdose de heroína em outubro, em Los Angeles, pouco tempo depois do início das gravações.

* * *

O Adeus a Janis Joplin

Trecho da reportagem publicada originalmente na edição 69 da revista Rolling Stone EUA (outubro de 1970). Você lê a reportagem completa na Rolling Stone Brasil #49, Edição Especial de 4 anos. Nas Bancas.

Já eram 18h e Janis Joplin ainda não havia aparecido no Sunset Sound Studios. Paul Rothschild, o produtor da cantora, teve uma sensação estranha e mandou John Cooke, um dos roadies da Full Tilt Boogie Band, até o Landmark Motor Hotel para ver por que ela não estava atendendo ao telefone. "Eu nunca tinha me preocupado com ela antes, apesar de seus atrasos. Normalmente era porque parava para comprar uma calça ou fazer alguma outra coisa de mulher", disse Rothschild. Mas o dia 4 de outubro era um domingo e havia poucos lugares abertos, mesmo em Hollywood. O Landmark é uma construção grande de estuque na Franklin Avenue. Fica perto dos estúdios de gravação no Sunset Boulevard e é próximo aos escritórios das gravadoras e das editoras de música. Um ambiente bem tolerante a algazarras. Era o tipo de lugar de que Janis gostava.

Quando John Cooke chegou lá, eram quase 19h. Ele viu que o carro de Janis estava no estacionamento e que as cortinas do quarto dela, no andar térreo, estavam fechadas. Ela não atendeu a porta quando ele bateu, nem quando ele esmurrou a madeira e berrou. Cooke falou com o gerente, Jack Hagy, que concordou em entrar no quarto. Janis estava estirada entre a cama e a mesa de cabeceira, usando uma camisola curta. Os
lábios dela estavam ensanguentados quando eles a viraram, e seu nariz estava quebrado. Ela segurava US$ 4,50 em uma mão.

Cooke chamou um médico e então ligou para o advogado de Janis, Robert Gordon. Ele afirma ter examinado o quarto com muito cuidado, mas sem encontrar qualquer narcótico ou equipamento para o uso de drogas. A polícia foi chamada. Quando os oficiais chegaram, por volta das 21h, também não encontraram drogas nem "apetrechos". Mas disseram aos repórteres que Janis tinha "marcas novas de seringa no braço, entre dez e 14, no braço esquerdo".

Quando o apresentador do telejornal das 23h tinha terminado seu breve relato, telefonemas espalhavam boatos malucos: Janis tinha sido morta por algum sujeito ciumento, por um traficante, até mesmo pela CIA; ela teria acabado com a própria vida por causa de algum homem, porque achava que estava caindo no ostracismo ou porque sempre tinha sido uma pessoa autodestrutiva. Cada nova teoria tinha alguma pessoa "informada" por trás, e cada uma delas era igualmente sem embasamento.

Thomas Noguchi, legista do condado de Los Angeles, não contribuiu em nada para esclarecer a confusão, muito pelo contrário: seu relatório preliminar, emitido na manhã seguinte, dizia que ela "morreu de overdose de drogas", mas não especificava quais drogas - álcool, soníferos ou algo mais pesado.

Gordon tentou rebater muitos dos boatos bizarros e amenizar as manchetes mais loucas, dizendo acreditar que as alusões a drogas não tinham embasamento e que Janis teria morrido de overdose de soníferos, seguida de uma queda da cama. Na terça-feira, no entanto, Noguchi relatou que Janis, que estava com 27 anos, tinha de fato injetado heroína no braço esquerdo várias horas antes de morrer, e que uma overdose a tinha matado. Disse que um inquérito seria instaurado.

Ao serem questionados a respeito dos ferimentos no rosto, policiais afirmaram que tinham eliminado a possibilidade de violência. "Ela podia ter quebrado o nariz ao cair", falou um detetive. A quantia estranha de dinheiro que ela segurava continua sendo um mistério e vai alimentar a imaginação das pessoas que precisam explicar de algum modo a morte dela. No momento, as explicações vão desde "era o troco de um saquinho" - um saquinho de heroína hoje custa uns US$ 15 em Los Angeles - até teorias grotescas sobre "troco para fazer uma ligação de emergência" - apesar do telefone do quarto dela, como acontece na maior parte dos hotéis, não precisar de moedas para funcionar.

O advogado Gordon disse que Janis o tinha visitado alguns dias antes "para falar de negócios". Ela parecia feliz. Disse que estava pensando em se casar. "Ela também estava muito contente com o álbum", prosseguiu. "Estava na cidade fazia mais ou menos um mês, gravando, entusiasmada com a banda. Ela disse que 'se sentia como uma mulher de verdade'".

Quando indagado a respeito dos "negócios" que Janis foi tratar com ele, Gordon respondeu: "É melhor eu falar logo. Ela foi assinar o testamento". Ele enfatizou, no entanto, que não achava que o fato de ela o ter assinado significasse alguma coisa.

Paul Rothschild, produtor da Elektra, mas que também estava produzindo as sessões da Columbia, relatou que Janis estava "emocionada e em êxtase". Disse que conhecia a estrela há muito tempo e que ela parecia "mais feliz e mais ligada do que qualquer pessoa pudesse se lembrar". Ele disse que o álbum estava "80%" pronto. Uma fonte da Columbia, no entanto, informou que as gravações "não estavam andando bem", que estavam "devagar" e que, depois de um mês passando entre oito e dez horas no estúdio, 11 faixas tinham sido editadas e apenas quatro tinham sido consideradas "boas o suficiente". Quando confrontado com essa informação, Rothschild ficou furioso. Ele observou que tinha precisado "brigar com todo mundo na Columbia" ao longo de todas as sessões. Disse que o álbum era o primeiro feito por um produtor "de fora" que a Columbia tinha permitido, e que "o disco podia não estar indo assim tão bem para a Columbia, mas estava para Janis Joplin". Uma fonte da Columbia divulgou o nome de algumas faixas, incluindo "Me and Bobby McGhee", "A Woman Left Lonely", "Ain't Nobody's Business", "Trust in Me", "Cry Baby", "Get It While You Can", "Half Moon" e "Got My Baby". [Nota: O disco acabou sendo lançado em fevereiro de 1971 com o nome Pearl].

A última pessoa que viu Janis viva foi Hagy, o gerente do Landmark. Ele disse à polícia que falou com ela brevemente à 1h da madrugada de domingo, e que ela "parecia animada". Janis tinha terminado uma sessão de gravação por volta das 23h da noite de sábado e foi com vários integrantes da banda ao Barnie's Beanery. John Cooke disse que Janis tomou alguns drinques e então levou o organista de carro para o hotel, deu boa-noite e foi para a cama. Os pais de Janis, logo que chegaram a Los Angeles, preferiram não declarar nada à imprensa. Albert Grossman, o empresário dela, chegou de Nova York e também se recusou a fazer comentários. Mas um porta-voz de seu escritório disse que ele "sentia que ela era uma filha para ele".

Myra Friedman, uma das assessoras de imprensa de Grossman e amiga próxima de Janis, disse que a imagem que ela cultivava, de ser do tipo de pessoa que aproveita tudo enquanto pode, não era exata: "Acho que Janis sabia que ela não era assim. Talvez uma parte dela acreditasse nisso, mas acho que a parte mais honesta não acreditava. Ela não era conservadora - isso é ridículo -, mas tinha muitas necessidades que simplesmente eram iguais às de qualquer outra pessoa. Ela aceitava diferentes tipos de pessoas".

O promotor de shows Bill Graham, falando de São Francisco, negou as "conexões" que inevitavelmente estavam sendo feitas entre a morte de Hendrix e Joplin: "Nenhuma. Hendrix foi um acidente - e Janis, ninguém sabe ainda. Tenho certeza de que alguém deve estar jogando I Ching ou olhando para um mapa ou para as estrelas e dizendo: 'Eu sabia, eu sabia'. Só falo isso porque sei que muita gente vai ficar procurando razão e lógica - não significa que aquele homem tinha que partir, que aquela coisa tinha que acontecer, não estava escrito em lugar nenhum. Se, hipoteticamente a morte de Jimi e Janis for o resultado de heroína, a ironia é que isso pode surtir um efeito positivo. Muitos jovens poderão largar a droga. Eu gostaria de pensar que algumas das pessoas que fizeram sucesso vão começar a avaliar se elas controlam o sucesso ou se são controladas por ele. Quanto a Janis, acho que ela nunca soube lidar com isso".

(...)

* * *

Mitch & Mitch – I´m 30 I´m lonely I´m horny
The Silver shine – Repile new song
(Drop Loaded)

Bloco produzido por Leonardo Bandeira:
Vince Neil – Bitch is back (Elton John cover)
Keel – Push & pull
Ratt – A little too much
Scorpions – rock zone

The Baggios - Em outras
Diablo Motor – sem moderação
Voyeur – sexy Love
+ Entrevista Ao Vivo

999 – Homicide
The Adverts – One chord Wonders
The Undertones – Teenage kicks
X-Ray spex – The Day the world turned grey
The Slits – I Heard it through the grapevine

Janis Joplin with Big Brother & The Holding company
# Piece of my hear (live at winterland)

The Kinks
# ´Till the end of the Day
# Sunny afternoon

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

RIP Ari Up, The Slits


As Rachas. Bom nome para uma banda de meninas? Claro - se for a primeira banda punk feminina da história. O punk inglês era um club de garotões - Sex Pistols, Clash, Damned, Buzzcocks. O objetivo dos caras era chatear os chatos e ganhar dinheiro. A mulherada era namorada. Nisso, o punk era quase tão conservador quanto os dinossauros que fingiam odiar.

Arianna Forster tinha 14 anos em 1976. Garota de família, neta de um milionário alemão, herdeiro da revista Der Spiegel. Punk de primeiríssima hora. A mãe, Nora, era da pesada - andava com gente como Jimi Hendrix e Chris Spedding, e conheceu John Lydon antes dele se tornar famoso como o mais famoso dos punks, Johnny Rotten, dos Sex Pistols.

John tinha 17 anos, Nora 31. Se casaram em 1979. Estão juntos desde então. John Lydon é padrasto de Arianna, seis anos mais nova. Nora tinha grana e experiência e alma rock'n'roll. Sua casa era abrigo de punks. Arianna aprendeu a tocar guitarra com Joe Strummer, da London SS - depois, do Clash. Virou Ari Up. The Slits dizia a que vinha desde o batismo. Era rock barulhento, abrasivo, feminista, multicultural.

As meninas não tinham medo de nada. Para excursionar abrindo para o Clash e Buzzcocks na turnê White Riot, tinha que ter útero de aço inoxidável. E Ari, frontwoman, não tinha medo das outras meninas. Não era pouca coisa - a baterista Palmolive e a guitarrista Viv Albertine vinham de tocar com Sid Vicious e com Keith Levene, depois do PIL.

O primeiro disco, Cut, só veio em 1979. Capa inesquecível, as garotas peladas e cobertas de lama. Produção de um mestre do reggae, Dennis Bovell. Mas a banda já estava para acabar. Depois de um segundo disco em 1981, as Slits se separaram.

Arianna, com 20 anos, estava casada e pouco depois já era mãe de gêmeos, Pablo e Pedro. Mudou para a Indonésia, depois Belize, depois Kingston, na Jamaica, onde ficou de vez. Vida natureba, projetos musicais esparsos, um disco solo em 2005, e enfim o retorno das Slits em 2006, com Ari e a baixista original, Tessa Politt.

A esta altura, a banda já tinha sido celebrada pelas duas gerações seguintes de roqueiras. Sem Slits não haveria Riot Grrls, Hole, Throwing Muses, PJ Harvey e tantas filhotes - rock feminino e feminista. E lá se foi Arianna, 48 anos, morta de uma doença fatal, detalhes por vir. O anúncio veio hoje no site JohnLydon.com.

Nora Forster engravidou duas vezes de John Lydon, e perdeu as duas crianças. Ari era enteada de Lydon. Os dois filhos dela - 27 anos - o chamam de avô. Punk é: faça o que quiser, faça diferente, faça com pouco, brigue pelo que acredita. Pouca gente encarnou este espírito à perfeição como Ari Up.

por André Forastieri

do Blog dele.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

"Invasão pernambucana" no Capitão Cook

Na próxima sexta-feira o duo The Baggios será o anfitrião de uma verdadeira "invasão pernambucana" no Capitão Cook: dois dos mais promissores nomes da nova cena alternativa recifense darão o ar de sua graça ao público sergipano. Trata-se do Voyer e do Diablo Motor. As duas bandas estarão também ao vivo no programa de rock, que vai ao ar, nunca é demais lembrar, toda sexta às 20:00 pela 104,9FM em Aracaju ou via net em www.aperipe.se.gov.br.

Saiba mais:



...UM MIX DE ROCK COM MÚSICA ELETRÔNICA...

Voyeur é: Electro + Rock + Beer + Rock + Electro + Beer + Rock + muita Beer mesmo!!!

A Voyeur desponta aos poucos na cena Indie recifense como uma banda que faz a mistura de riffs de guitarra e beats do movimento Electro mostrando que Pernanbuco tem um forte representante do gênero. .

Formada por Ju Orange nos vocais (ampslina), Paulista nas guitarras e vocais (Candeias Rock City) e Pauliño Nunes (Júlia Says) nas programações, a banda tem composições criativas e livres, com um sabor eighties, por vezes invocando B-52’s, Gary Numan e, em outras, bandas mais recentes como o Elastica (já da cena Indie dos anos 2000).

Nós últimos anos, o electrorock brasileiro fez palhinha no exterior. O cansei de ser sexy mudou um pouco a impressão de que, do Brasil, gringo só quer samba. Os pernambucanos da Voyeur seguem a mesma lógica e mesclam rock com e programação eletrônica, O Ep Little/Sexy/Love faz parte da trilha sonora do primeiro seriado produzido pela MTV chamado “descolados”

Comunidade no orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6768498
Blog: http://www.rockvoyeur.wordpress.com

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Resenha: Diablo Mötor – EP

A principal informação que você deve levar em conta sobre o Diablo Mötor é que estamos diante de uma banda de rock em seu formato mais tradicional: duas guitarras, baixo, bateria e vocal. Tem gosto de cerveja gelada e de nicotina e é cafajeste. Ou seja, nenhuma novidade. E isso, no caso deles, é ótimo. Mas, no entanto, duas coisas o separam da maior parte das bandas iniciantes: seu EP tem um trabalho fantástico de produção. É incrível a qualidade de som. E, a julgar pelas músicas deste disco, dá para colocá-los lado a lado com Vamoz! e Amp. Propostas semelhantes, caminhos e experiência distintas. Mas a fronteira é bem tênue entre eles.

O início do disco, com o barulho da uma motocicleta dando a deixa para a porrada de “Sem Moderação” dá a falsa impressão de estarmos diante de um grupo 100% influenciado pelo Queens of The Stone Age. Já os solos de guitarra nos levam à outra direção, assim como o bom vocal de Thomaz Magalhães. “Cafa Song”, tratado machista até o osso, vem mais cadenciada, mais trabalhada, com um belo riff – eles são muitos aqui – e até um pequeno “solo” de baixo. A essa altura do campeonato, o leque se abre para referências como AC/DC, Kiss (fiquei imaginando que “War Machine” cairia bem no repertório deles) ,Foo Fighters e até um pouco de Motörhead. Afinal, aquele trema em cima do “o” no nome da banda não está ali em vão. “Garota Fogo” vem com outra batida, mais “safada”, quase pop, não fossem as guitarras no talo. Na seqüência, colada, entra “Não Quero te Entender”, espécie de assinatura da banda: pegada blues, bons refrões, ótimos riffs. E, sobretudo, solos de guitarra que não enchem o saco. Ao contrário, parecem estar ali apenas como mais um pequeno ingrediente da música. Talvez este seja um dos principais méritos da banda: conseguir fazer hard rock sem cair na farofa. E consistência. É nítido como é importante a participação de cada músico, a ponto de não sabermos ao certo qual o elemento mais importante deles. Quando o todo supera o individual, é sinal de que tudo está no lugar certo.

O único problema são as letras. Se não chegam a comprometer, é um tanto bobo e artificial cantar coisas como “Garota, você é a melhor”. Este EP de estreia do Diablo Mötor foi gravado no Estúdio Casona, no Recife, e masterizado no Rio de Janeiro, no Magic Master Studio. A mixagem ficou a cargo de Iuri Freiberger. Se todas as faixas de seu primeiro disco estiverem no mesmo nível do que foi mostrado aqui, é sinal de que estaremos diante de um banda extremamente promissora. Desconfio que seja o caso deles.

www.myspace.com/diablomotor

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The Baggios é Julio Dodges na guitarra e vocal e Gabriel perninha na bateria.
Eles tocam Blues e rock.