terça-feira, 21 de setembro de 2010

NO SENSE por Escarro Napalm

No Sense Hoje
NO SENSE é possivelmente a banda mais radical que eu conheço. Radical no sentido correto da palavra, o de identificar alguém que vai até o fim naquilo em que acredita. E não há outro adjetivo para apresentar a banda que gravou um disco como “ CEREBRAL CACOPHONY ”. Começaram ainda no fim dos anos 80, chamando a atenção no meio alternativo por ter no vocal uma garota de apenas 13 anos de idade. Os mais atentos, no entanto, viram além: perceberam que eles tinham algo mais, algo que os transformou na melhor banda de grindcore do país (sem querer desmerecer as demais é claro!!) e numa promessa de nível internacional. Apresentamos aqui uma entrevista feita em outubro de 1993 com Angelo, então guitarrista e principal compositor do grupo, e publicada na versão xerocada (internet na época era ficção científica) do fanzine Escarro Napalm.

Uma das primeiras fotos de divulgação
NO SENSE é(ra): ANGELO: guitarra, MARLY nos vocais, MORTO no baixo e PAULO na bateria. Já gravaram: “CONFUSED MIND” (demotape caseira), “OUT OF REALITY” (EP 7” FUCKER REC.) e “CEREBRAL CACOPHONY” (LP COGUMELO REC.).

Atualmente a banda está de volta à ativa, ensaiando novos sons, inclusive, com a formação original, com a diferença de que Morto agora toca guitarra e Ângelo assumiu o baixo.

http://www.myspace.com/nosensegrindcore

Ouça, é deliciosamente horrivel!!

1. COMO ESTÁ SENDO A REPERCUSSÃO DE “CEREBRAL CACOPHONY” NO EXTERIOR? EXISTEM PLANOS PARA O LANÇAMENTO DE UM CD DO NO SENSE? (A COGUMELO VISA BASTANTE O MERCADO EXTERNO E EU ACREDITO QUE A BANDA TEM CACIFE PARA TANTO)
NO SENSE: A repercussão tem sido boa, temos recebido varias cartas de lá. Ainda não sabemos se a COGUMELO lançará um CD nosso, mas talvez seja uma coisa natural, já que o CD no exterior já domina o mercado.

2. COMO ESTÁ A RELAÇÃO ENTRE BANDA E GRAVADORA? VOCÊS ESTÃO SATISFEITOS COM O TRATAMENTO QUE TEM RECEBIDO?
NO SENSE: A COGUMELO é uma gravadora independente que deu certo, afinal o dinheiro entra consideravelmente nela. Quanto ao nosso tratamento, é o mais formal do mundo. Se você não ligar, eles não ligam. As pessoas acreditam que se você entra para a COGUMELO, você se vendeu. Se nós nos vendemos, não ganhamos nada com isso até hoje.

3. É VERDADE QUE A CAPA DO LP ESTAVA PLANEJADA PARA SER A MESMA DO DISCO “HOW THE GODS KILL” DO DANZING?
NO SENSE: É sim, coincidência acontecem, por sorte não aconteceu e, além disso, gostamos da capa atual.

4. EXISTE PLANOS PARA O RELANÇAMENTO DO EP “OUT PF REALITY” VIA COGUMELO?
NO SENSE: Sobre isto ainda não sei, gostaria que sim, muita gente pede pelo 7” até hoje, quem sabe entre em um CD?

5. COMO ESTÁ A VIDA DO NOSENSE HOJE? MUITOS SHOWS, CONTATOS, ENTREVISTAS?
NO SENSE: Nós estamos parados no momento, mas breve voltaremos às atividades. Entrevistas temos tido algumas, contatos vários. Temos viajado por aí, indo a shows de outras bandas e se divertindo.

6. NO SENSE TEM PLANOS PARA TOCAR NO NORDESTE?
NO SENSE: Claro que sim, seria demais. As pessoas daí são legais temos muitos correspondentes por aí. Quando acontecer isso, vai ser demais.

7. MARLY AGORA É MÃE, ASSUME COM ISSO NOVAS TAREFAS E RESPONSABILIDADES. EM QUE ESTE FATO INTERFERIU NA VIDA DA BANDA COMO UM TODO?
NO SENSE: Até agora interferiu um pouco, desde que Marly estava com 8 meses paramos de tocar e ensaiar. Daqui pra frente, não sei como vai ser, mas tenho certeza que tudo irá dar certo.

8. O QUE VOCÊS MAIS GOSTAM E O QUE MAIS DETESTAM EM TERMOS DE SOM?
NO SENSE: Nós gostamos de tudo o que é bom, o que é ruim não gostamos. Curtimos HEAVY, DEATH, PUNK, H.C., DOOM, BLUES, JAZZ, NOISE, EXPERIMENTAL, GRIND. Só não gostamos de coisa que é feita pra vender, oportunista. Pode estar dentro de qualquer estilo já citado, mas se for feito pra vender e agradar a mídia, não iremos curtir.

9. NO FANZINE “VIA SKALA” ANGELO DECLAROU QUE SE UM DIA O NO SENSE FICASSE TÃO FAMOSO QUANTO O SEPULTURA, COM MAURICINHOS E GRUNGES DE PLANTÃO USANDO SUAS CAMISAS, A BANDA ACABARIA. VOCÊS NÃO ACHAM ESTA DECLARAÇÃO UM TANTO PERIGOSA? EXPLICO. SE UM DIA A FAMA VIESSE E VOCÊS ESTIVESSEM NO AUGE DA EMPOLGAÇÃO E CRIATIVIDADE, ACABARIAM COM TUDO ASSIM MESMO? O NO SENSE TEM MEDO DO SUCESSO?
NO SENSE: Não acho a declaração perigosa. Se estivéssemos no auge entre pessoas que realmente gostam do que fazemos continuaríamos, lógico, mas no auge com um bando de mauricinhos, isso seria desanimador. O NO SENSE acabaria e levaríamos nossa criatividade para outras bandas e coisas. Não, o NO SENSE não teme o sucesso, apenas não quer isso.

10. “GRIND IS PROTEST”. NO SENSE SE IDENTIFICA MAIS COM CENA HARD CORE OU COM O DEATH METAL? COMO VOCÊS VEEM A RIVALIDADE ENTRE ESTAS DUAS TRIBOS? EXISTE MOTIVO PARA TANTO?
NO SENSE: Nós nos identificamos com os dois estilos, existe espaço para todo mundo, não existe motivo para isso, como pra qualquer espécie de rivalidade.

11. QUAL A OPINIÃO DA BANDA SOBRE OS SEGUINTES TEMAS:
RACISMO: Idiotice, ninguém é melhor do que ninguém. Igualdade acima de tudo
MACHISMO: O homem se acha superior, mas vive precisando da mulher. Se ele é tão bom assim, porque não ele não transa com outros homens?
VEGETARIANISMO: Bom, nesse caso falo por mim e não pela banda, já que sou o único vegetariano no NO SENSE. As pessoas precisam se esclarecer mais sobre os malefícios da carne e sobre a fome no mundo. A floresta amazônica é devastada para criar gado, toneladas de grãos são gastos para alimentar o gado enquanto pessoas morrem de fome no mundo, pessoas que não irão nunca comer um bife.
MÍDIA: Ela tem o toque de Midas, transforma tudo que toca em ouro, se quiser, mas também transforma muita coisa em merda (a grande maioria, ou toda ela).
POLITICA: Não deveria existir pra ser político não se estuda, mas se ganha bem. O povo deveria tomar o poder, anular o voto e se conscientizar que está sendo usado e enganado.

12. NO PONTO DE VISTA DE VOCÊS, ATÉ QUE PONTO AS BANDAS DE ROCK PODEM INTERFERIR NA REALIDADE QUE AS CERCA PARA, USANDO UM EUFEMISMO BASTANTE POPULAR, “MUDAR O MUNDO”? É POSSIVEL? FOI O ROCK QUE MUDOU O MUNDO OU O SURGIMENTO DO ROCK FOI UMA CONSEQUENCIA DAS MUDANÇAS PELAS QUAIS PASSOU A SOCIEDADE HUMANA NESTE SÉCULO?
NO SENSE: Mudar o mundo é impossível, mas quem sabe lançar idéias, conscientizar as pessoas que ouvem os discos e vão aos shows... Um dia estas pessoas terão filhos e podem passar algo a eles. O não conformismo é o mais importante. O rock não mudou o mundo, senão estaríamos melhor hoje. Mas ele surgiu como mudança de padrão e isso é importante: mudar os padrões e ao criar outros, sempre renovar e nunca se acomodar.

13. ESPAÇO ABERTO. VOMITEM ALGUMA COISA, ALGUM ASSUNTO QUE VOCÊS QUEIRAM FALAR E QUE NÃO FOI CITADO?
NO SENSE: Queríamos pedir mais união, menos clichês, menos rótulos, música pode se rotular, mas pessoas não. Espero que as coisas mudem que o país cresça em todos os sentidos, que toquemos por aí em breve para podermos tomar uma pinga aí com você, Adelvan, e dar muitas risadas juntos. Afinal de contas, o importante é ser feliz!!

NOTA: O No Sense nunca tocou na região nordeste.

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Hoje é Aniversário de Leonard Cohen

(Wikipedia) Leonard Norman Cohen (Montreal, 21 de setembro de 1934) é um cantor, compositor, poeta e escritor canadense. Embora seja mais conhecido por suas canções, que alcançaram notoriedade tanto em sua voz quanto na de outros intérpretes, Cohen passou a se dedicar à música apenas depois dos 30 anos, já consagrado como autor de romances e livros de poesia.

Leonard Cohen nasceu em Montreal, província de Quebec, Canadá, de uma família judia de origem polonesa (polaca). Sua infância foi marcada pela morte de seu pai quando ele tinha apenas 9 anos, fato que seria determinante para o desenvolvimento de uma depressão que o acompanharia durante boa parte da vida.

Aos 17 anos, ingressa na Universidade McGill e forma um trio de música country. Paralelamente, passa a escrever seus primeiros poemas, inspirado por autores como García Lorca.

Em 1956 lança seu primeiro livro de poesia, Let Us Compare Mythologies, seguido em 1961 por The Spice Box of Earth, que lhe conferiria fama internacional. Após o sucesso do livro, Cohen decide viajar pela Europa e acaba por fixar residência na ilha de Hidra, na Grécia, onde passa a viver junto com Marianne Jensen e seu filho, Axel.

Em 1963 lança The Favorite Game, sua primeira novela, seguida pelo livro de poemas Flowers for Hitler, em 1964, e pela sua segunda novela, Beautiful Losers, em 1966.

Já estabelecido como escritor, Cohen decide se tornar compositor. Para isso, muda-se para os Estados Unidos, onde conhece a cantora Judy Collins, que grava duas de suas composições ("Suzanne" e "Dress Rehearsal Rag") em seu disco In My Life, de 1966. No ano seguinte, Cohen participa do Newport Folk Festival, onde chama a atenção do produtor John Hammond, o mesmo que antes havia descoberto, dentre outros, Billie Holiday e Bob Dylan. Songs of Leonard Cohen, seu primeiro disco, é lançado no final do ano, sendo bem recebido por público e crítica.

Seu próximo disco, Songs from a Room, seria produzido por Bob Johnston, produtor dos principais trabalhos de Dylan nos anos 60. Embora não tão bem recebido quanto o anterior, contém a canção "Bird on the Wire", que o próprio Cohen disse ser a sua favorita dentre as suas composições. Em 1971, lança Songs of Love and Hate, um disco mais sombrio que os anteriores. No mesmo ano, o diretor Robert Altman, em seu filme McCabe & Mrs. Miller, utiliza três canções de Cohen: "Sisters of Mercy", "Winter Lady" e "The Stranger Song", todas do primeiro disco do cantor.

Um novo livro de poemas, The Energy of Slaves, é lançado em 1972 e, no ano seguinte, o disco ao vivo Live Songs.

Também em 1973, por ocasião da Guerra do Yom Kipur, Cohen faz uma série de shows gratuitos para soldados israelenses. Baseada no poema "Unetaneh Tokef " da tradição judaica, surgiria a canção "Who by Fire", incluída no álbum New Skin for the Old Ceremony, lançado no ano seguinte.

Após o disco de 1974, Cohen decide se afastar do mundo da música, resultado não só de uma confessa falta de inspiração, mas também de sua insatisfação com as exigências do mercado.

Seu retorno se daria em 1977 com Death of a Ladies' Man, produzido por Phil Spector, que foi também o co-autor de quase todo o repertório do disco. O álbum foi marcado por atritos após as gravações, quando Spector se trancou em seu estúdio para o processo de mixagem, não permitindo que nem mesmo Cohen interferisse no resultado final. Por conta disso é até hoje notória a insatisfação do cantor com o disco, o qual classifica como sendo o mais fraco de todos. Em 1978, numa alusão ao álbum do ano anterior, seria a vez do lançamento do livro Death of a Lady's Man.

Em 1979 reaproxima-se do estilo dos seus primeiros trabalhos com Recent Songs, cuja turnê foi registrada no disco Field Commander Cohen: Tour of 1979, lançado apenas em 2001. Entre os integrantes de sua banda de apoio encontravam-se Sharon Robinson, co-autora de várias canções de Cohen a partir da década de 80, e Jennifer Warnes.

Após a turnê, seguiu-se mais um período de reclusão, no qual dedicou-se à escrita e ao estudo do budismo. Só voltaria a lançar novos trabalhos em 1984, com o disco Various Positions e o livro de poemas Book of Mercy. Embora a essa altura sua popularidade nos Estados Unidos estivesse em baixa, sua música ainda fazia grande sucesso em alguns países da Europa como França e Noruega.

Em 1988, retorna com o álbum I'm Your Man, aclamado por crítica e público. Parte dessa boa recepção deve ser creditada a Famous Blue Raincoat – The Songs of Leonard Cohen, disco tributo lançado por Jennifer Warnes um ano antes, que apresentou as canções do canadense a toda uma nova geração de fãs.

Paralelamente, muitos dos jovens músicos ligados ao folk e ao indie-rock da época diziam-se influenciados pelo trabalho do cantor. Parte desses músicos seria responsável pelo disco-tributo I'm Your Fan, lançado em 1991. Dentre estes, destacavam-se R.E.M., Ian McCulloch (vocalista do Echo & the Bunnymen) e Nick Cave and the Bad Seeds.

No ano seguinte lançaria The Future e, em 1994, Cohen Live, contendo registros de apresentações ao vivo entre os anos de 1988 e 1993.

Em 1994, consolidando a sua aproximação com o budismo, Cohen passa a viver no mosteiro de Mount Baldy Zen Center, próximo a Los Angeles. Em 1996 foi ordenado monge zen e ganhou o nome Dharma de Jikan ("silencioso").

Nesse meio-tempo é lançado, em 1995, um outro disco-tributo, Tower of Songs, dessa vez com nomes mais conhecidos, como Elton John, Bono e Willie Nelson. No mesmo ano é lançado o livro Dance Me to the End of Love, onde poesias suas são mescladas com pinturas do francês Henri Matisse.

Sua experiência no mosteiro iria até o ano de 1999, quando voltaria a morar em Los Angeles. Apesar disso, Cohen ainda se considera judeu, ressaltando que não procura "por uma nova religião".

Em 2001 lança Ten New Songs, seu primeiro disco de inéditas em sete anos, feito em parceria com Sharon Robinson. Em 2004 seria a vez de Dear Heather.

Em maio de 2006 é lançado o disco Blue Alert da cantora Anjani Thomas, sua namorada e ex-vocalista de sua banda de apoio. Cohen foi o produtor e co-autor de todas as faixas do disco.

Menos de um mês depois é lançado o aclamado documentário Leonard Cohen: I'm Your Man, onde relatos do cantor são intercalados com versões de suas músicas interpretadas por artistas como Rufus Wainwright e Nick Cave. No fim da película o próprio Cohen interpreta, junto ao U2, a música "Tower of Song".

Discos/livros

  • 1956 - Let Us Compare Mythologies
  • 1961 - The Spice Box of Earth
  • 1963 - The Favorite Game
  • 1964 - Flowers for Hitler
  • 1966 - Beautiful Losers
  • 1966 - Parasites of Heaven
  • 1968 - Selected Poems 1956-1968
  • 1972 - The Energy of Slaves
  • 1978 - Death of a Lady's Man
  • 1984 - Book of Mercy
  • 1985 - Credo
  • 1993 - Stranger Music
  • 1995 - Dance Me to the End of Love
  • 2000 - God Is Alive, Magic Is Afoot
  • 2006 - Book of Longing

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A ùltima Sessão Notívagos

Dia 24 próximo, sexta-feira, a partir das 23:00H, acontecerá no Cinemark jardins mais uma edição da Sessão Notívagos - segundo a produtora Cine Vídeo e Educação, a última a ser realizada em Aracaju. O filme exibido será "A Prova de Morte", de Quentin Tarino, segunda metade do projeto "Grindhouse", que só recentemente estreou nos cinemas do Brasil e permanece inédito em Aracaju. No saguão do cinema se apresentarão as bandas Cabedal e Do Amor.

Cabedal é provavelmente o nome do momento do circuito alternativo sergipano. Samba-rock de primeira, musica autoral de qualidade executada com precisão e entrega.

Do Amor é a banda dos caras que vêm acompanhando Caetano Veloso desde o disco "Cê" - não por acaso o primeiro dele do qual eu gostei em muito tempo. Não tanto por Caetano em si, que ainda ostenta aqueles mesmos cacoetes irritantes, mas pelos arranjos com uma pegada mais vigorosa e moderna - e mais "rock". O primeiro disco do Do Amor é um tanto quanto indefinível: passeia com uma liberdade impressionante pelos mais diversos ritmos sem soar forçado nem caricato em nenhum momento. Abre com uma bela levada ao violão e referências ao nome do grupo com "vem me dar", que tem ainda um solo de guitarra meio psicodélico no meio e uma sonoridade que evoca as guitarras dos trios elétricos baianos no fim. É seguida por "chalé", com um riff e uma pegada mais rock, e assim segue, ora com letras em português e temas bem "brasileiros", ora em inglês ou numa linguagem indefinida e "non sense", como em "shop chop". Dentre os ritmos podemos identificar aqui e ali algo de carimbó, reggae, samba e afoxé, mas sempre com toques experimentais e arranjos inusitados - caso da faixa que encerra o disco, uma versão de "Lindo lago do amor", sucesso na voz de Gonzaguinha.

Os ingressos para a Sessão Notívagos custam R$ 15,00 e estão à venda nas Lojas Tools Company dos Shoppings Riomar e Jardins. O ingesso, desta vez, não dá direito às bebidas, que serão comercializadas pelo próprio Cinemark na Bomboniere do cinema.

Maiores Informações: sessaonotivagos@gmail.com

por Adelvan

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À Prova de Morte - A metade tarantinesca de Grindhouse
por Mário "Fanaticc" Abbade
Fonte: Omelete

À Prova de Morte (Death Proof, 2007) é a segunda parte de Grindhouse, projeto criado, escrito e dirigido por Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. A empreitada era uma homenagem dos dois aos filmes de terror dos anos 70 que eram exibidos nos drive-in. Produções de custo barato que abusavam da estética exploitation: exploração do sexo, violência, drogas, monstros, nudez, kung fu, etc. Esses filmes se calcavam muito mais na publicidade desses temas do que nas qualidades da obra.

A maneira encontrada para reverenciar o gênero foi abusar do tom humorístico. Um claro exemplo é a criação de trailers falsos dirigidos por colegas cineastas como Eli Roth (O Albergue), Rob Zombie (A Casa dos 1000 Corpos) e Edgar Wright (Todo Mundo Quase Morto) e que foram exibidos entre um e outro. Para completar, os filmes receberam um "envelhecimento artificial", como se rolos estivessem com defeitos e partes faltando. Afinal, era dessa forma que as tais sessões duplas aconteciam na época, justamente pela falta de preocupação dos exibidores.

Infelizmente, o filme não foi bem recebido nas bilheterias estadunidenses. Especialistas alegaram que a geração de hoje em dia pouco conhecia a estética grindhouse. O jeito foi desmembrar o projeto em dois filmes: Planeta Terror, de Rodriguez e este À Prova de Morte, de Tarantino.

Para a felicidade dos fãs do diretor de Cães de Aluguel, essa divisão, deixou o cineasta mais à vontade para tornar o filme um legitimo produto de sua autoria. Em relação ao que foi visto em Grindhouse são 20 minutos a mais de cenas. Assim, mais uma vez o tema serviria como um trampolim para que Tarantino pudesse destilar suas filosofias e brincar com a sua obsessão com a cultura pop. Foi assim em Pulp Fiction (novela policial), Jackie Brown ( black exploitation ) e KillBill (kung fu).

À Prova de Morte tem todos os elementos que consagraram o cineasta e o tornaram um dos mais imitados ao redor do planeta. Estão lá diálogos ácidos, violência graficamente estilizada, exploração do erotismo feminino com personagens marcantes e palavreado chulo, entre outros maneirismos do cineasta. Tudo isso com uma trilha sonora recheada de clássicos de todos os gêneros pontuando as cenas. As tomadas são construídas com diferentes ângulos. E tome close-ups de pés descalços, rostos e personagens dando longas tragadas em seus cigarros. Percebe-se também elementos cênicos que conectam com seus filmes anteriores, seja com personagens, locais, músicas ou marcas de produtos que não existem.

Ao mesmo tempo, À Prova de Morte não abandonou a estética grindhouse. Tarantino, mais uma vez, homenageia um gênero sem deixar de ser original, provando que seus longas não são uma simples cópia de produções do passado, mas sim um flerte com a cultura pop que dialoga com o passado, presente e futuro. Com esse recurso, ele rompe barreiras de tempo e espaço e transporta os espectadores para um outro universo. Aqui, ele flerta com o desejo latente entre carros potentes e vigorosos em equilíbrio com a anatomia feminina. Mais anos 70 impossível.

A trama envolve um dublê misógino que utiliza seu automóvel para matar suas vítimas. O personagem chama-se Stuntman Mike e é interpretado na medida pelo veterano Kurt Russell. Até mesmo o jargão de que um carro potente substitui um pênis pequeno ou inoperante não escapa. O elenco se completa com um desfile de beldades que têm seus dotes explorados ao máximo pela câmera excitante de Tarantino. Com destaque para Rosario Dawson (Abernathy) e Vanessa Ferlito (Arlene), que realiza uma dança de colo enlouquecedora. Mas vale lembrar que apesar de toda a exploração erótica, o cineasta arranca ótimas interpretações de todas elas. Os personagens femininos não são meros artifícios cênicos que estão lá para proporcionar prazer para os homens. Fica evidente na primeira parte da história que Stuntman Mike dita as regras, mas conforme ele vai escolhendo seu caminho as coisas podem mudar. Nunca se sabe o que o destino nos reserva nas curvas adiante.

As cenas finais envolvendo dois potentes muscle cars são eletrizantes. Na tradução, os carros musculosos são típicos automóveis que surgiram nos anos 60 que tinham uma aparência robusta e equipados com potentes motores V8. Um sinônimo de velocidade, individualidade e atitude. Eles aqui se encontram exemplificados no combate entre o Chevy Nova negro contra um Dodge Challenger branco. Até as escolhas das cores dos carros demonstram as intenções do cineasta: é o bem lutando contra o mal. É Tarantino reescrevendo a história mais uma vez.





+ Jimi Hendrix

40 anos sem o maior guitarrista em todos os tempos - Como James Marshall Hendrix, numa trajetória fulminante, se transformou no maior mito da guitarra e do rock em todos os tempos. Matéria de capa da Revista Dynamite número 42, de dezembro de 2000.

Poucas pessoas tiveram uma passagem tão urgente pela vida quanto James Marshall Hendrix, que viveu só 28 anos. Boa parte deles no meio da pobreza e convivendo com a rejeição da família e da sociedade. Como Jimi Hendrix, em cerca de quatro anos saiu dos subúrbios de Nova Iorque para a Londres psicodélica do final dos anos 60 e virou, de imediato, um mito.

Passada a primeira onda do rock’n’roll da América, foi a vez da Inglaterra mostrar suas garras. E que garras: Beatles e Rolling Stones invadiam as paradas de todo o mundo, bebendo na fonte do recém descoberto rhythm and blues. O prodígio Eric Clapton já era chamado de Deus e o blues era mesmo a música do momento.

Por volta de 1965, Little Richards, um dos poucos remanescentes da avalanche rock’n’roll da década anterior, contratou um tímido baixista para acompanhá-lo no norte dos Estados Unidos. Nessa época, o racismo sulista implicava em ter certa coragem para ser negro e tocar para entreter brancos.

James, que era filho de um ex-combatente da segunda guerra mundial, já havia se alistado, em 61, no grupo de pára-quedistas do exército americano, como voluntário. Sua infância, paupérrima, não havia sido muito boa e o adolescente não via outra saída senão abandonar a escola em Seattle, onde nasceu, para tentar a sorte no exército. Não teve muita (ou, por outro lado, teve bastante) e depois de vários saltos fraturou o tornozelo, sendo em seguida dispensado.

Antes de tocar com Little Richards, o renomeado Jimmy James ainda teve uma rápida participação nas bandas de Sam Cooke e com os Isley Brothers, onde já tocava com a guitarra nas costas e, às vezes, com os dentes. Mas a estrela era Little Richards, e Jimmy James, não exatamente por esse motivo, mudou-se para Greenwich Village, em Nova Iorque, onde passou a tocar pelos decadentes clubes da região. Todos, porém, conservando a pompa da época de ouro da música americana.

Quando os Rolling Stones excursionavam pelos Estados Unidos, já em 66, Jimmy James & The Blue Flames, primeiro grupo em que Hendrix era o líder, tocavam no Cafe Wha?. Numa das noites, a namorada de Brian Jones foi checar a apresentação do jovem guitarrista. Ela não acreditou no que vira: um negro de cabelos grandes, esbelto e fazendo da guitarra sua parceira na música e também na cama. Mais: o negro era canhoto e tocava sem inverter a posição das cordas, ou seja, com a guitarra de cabeça para baixo.

Brian Jones não se convenceu com esses argumentos, mas Chas Chandler, baixista do Animals, que estava na turnê que seria a última do grupo, com os Stones, topou a parada. Resultado: depois do show foi ao camarim e convenceu o jovem negro a voar com ele direto para Londres. Assim, em setembro de 66, Jimmy James saiu de Nova Iorque com a roupa do corpo e aterrissou no velho mundo como Jimi Hendrix, para o início de uma trajetória simplesmente espetacular.

THE JIMI HENDRIX EXPERIENCE

Na noite em que Hendrix chegou, já estavam agendados os testes que iriam definir a formação da banda que o acompanharia. Isso nos mesmos pubs em que aconteciam os shows, com público e tudo, sempre lotados. Indicados por Chandler, Noel Redding e Mitch Mitchell foram contratados por 15 libras semanais e assim estavam montando o Jimi Hendrix Experience.

Em Londres, os novos ídolos do rock estavam intrigados. Como eles, que conheciam tudo de rhythm and blues, estariam vendo um guitarrista, uma única pessoa, chamar a atenção de tanta gente? Todos queriam ver Hendrix de perto, saber se era tudo o que diziam e se conhecia tanto da música americana, vindo de onde essa música se originou. Jimi Hendrix era uma lenda muito antes de entoar o primeiro acorde em sua guitarra.

Entretanto, o primeiro convite para tocar partiu de Johnny Halliday, então ídolo da música francesa. Ele convidou Jimi Hendrix para tocar como banda de abertura em uma pequena temporada que faria no Olympia, em Paris. Com apenas três músicas próprias, já em outubro, menos de um mês depois do desembarque na Europa, acontecia o primeiro show do Jimi Hendrix Experience. Paris também foi a cidade em que, pela primeira vez na história, uma música de Jimi Hendrix foi tocada no rádio, já um poderoso meio de divulgação para qualquer artista. A escolhida era “Hey Joe”, do primeiro single, que tinha “Stone Free” no lado B. Mas as rádios gostavam mesmo, já nessa época, das versões piratas, catadas das fitas demo de ensaio ou ainda gravada ao vivo nos shows. As rádios piratas foram um grande aliado para que Jimi Hendrix espalhasse tão rapidamente sua fama pela Europa e depois para todo o mundo.

Já conhecido e com um grande bochicho em torno do seu nome, Jimi Hendrix preparava o lançamento do primeiro álbum, “Are You Experienced?”, o que só aconteceria em maio de 67. Logo após o lançamento, o semanário inglês Melody Maker o proclamaria o maior guitarrista do mundo.

FOGO EM MONTEREY

Paul McCartney foi o responsável pela indicação de Jimi Hendrix para a apresentação na sétima edição do Monterey Pop Festival. Quase um ano depois, Hendrix voltava aos Estados Unidos, já consagrado como um popstar, para tocar em um grande festival, ao lado de nomes como The Who, Janis Joplin, Ottis Redding e Simon & Garfunkel, entre outros.

Duas passagem curiosas se destacaram nesse festival. Primeiro foi o desentendimento entre os empresários do Who e de Jimi Hendrix, porque um não queria que seu artista tocasse antes do outro. A decisão da organização, já nos bastidores, saiu no cara ou coroa: Hendrix tocaria primeiro. Depois, foi no final do show de Monterey que Hendrix, durante “Wild Thing”, espancou, transou e fez sua guitarra de gato e sapato, ateando fogo na parceira. Em seguida, diante de uma platéia literalmente boquiaberta, destrui-a em vários pedaços. Nunca mais o rock’n’roll seria o mesmo.

Em junho de 67, estava instaurada oficialmente a era da psicodelia em todo o mundo. O marco inicial foi o lançamento do álbum “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, no dia primeiro, até hoje considerado um dos discos mais importantes no universo da música pop. Pois bem, enquanto o “Sgt Pepper’s” começava a ser absorvido, três dias depois, num pub em Londres, o Jimi Hendrix Experience, que desfrutava de boas posições nas paradas com seu “Are You Experienced”, se apresentava e abria o set justamente com a faixa-título. Considerando que o álbum (e a música) não havia caído no domínio público, somente duas pessoas se entreolhavam naquele clube: Paul McCartney e George Harrison. Paul declarou que era sem dúvida a melhor versão que ele já ouvira. Era a primeira, certamente, fora a original.

“Axis: Bold As Love”, o segundo álbum, sai em outubro de 67, já em meio à farra psicodélica e ao flower power que devastou o mundo. Mas, inquieto, Jimi não quer o posto de superstar que a mídia, e por consequência o público, lhe impunham. Nesse período, é normal que ele e o Experience toquem covers de músicos famosos como “Like a Rolling Stone” e “All Along The Wachtower”, do ídolo Bob Dylan, e “Sunshine Of Your Love”, do Cream, de Eric Clapton.

Ainda em outubro o grupo volta ao Olympia, onde um ano antes fazia a abertura para Johnny Halliday. Agora como atração principal e com mais de 14 mil pessoas em histeria, fora as que não conseguiram entrar, o Jimi Hendrix Experience faz um espetáculo absoluto e estonteante, mostrando as músicas do novo álbum, entre elas “If 6 Was 9” e “Little Wing”.

O prolífico Hendrix já entrava o ano de 68 gravando as músicas que iriam fazer parte do terceiro álbum com o Experience. Jimi parecia saber que não teria tempo para fazer tudo o que queria e que precisava trabalhar muito rapidamente. Material é que não faltava. Ele compunha 24 horas por dia, além das longas jams nos ensaios e shows, de onde sempre saíam idéias para novos temas e arranjos.

Jimi Hendrix queria mais. “Electric Ladyland” é um álbum duplo e definitivo, que levou o grupo ao disco de ouro na Inglaterra e nos Estados Unidos. Mas nos longos ensaios e durante as intermináveis gravações, nem tudo eram flores dentro do Experience. Chas Chandler tomava conta de tudo que se referia a parte musical, estúdios, produção, etc. Seu sócio, Mike Jeffrey, era quem administrava as contas. Para fugir dos altos impostos cobrados por Sua Majestade na Inglaterra, Jeffrey frequentemente viajava para as Bahamas, um paraíso fiscal no Caribe, levando com ele malas de dinheiro vivo, fruto das bilheterias e dos direitos autorais do Jimi Hendrix Experience. Noel Redding foi o primeiro a desconfiar do método do empresário, já que depois de mais de um ano, ele ainda continuava sem um tostão no bolso. Jimi, por sua vez, tinha seis libras em sua conta bancária e, carregado pela fama, não dava bola para o baixista.

CAMINHO CIGANO

Musicalmente, Chas Chandler também não se entendia bem com Hendrix, ambos divergiam quanto ao grau de perfeccionismo que o grupo vinha atingindo. Noel Redding, por sua vez, discordava de vários arranjos impostos por Jimi e reivindicava maior participação musical e financeira. Chas deixou o grupo nas mãos de Mike Jeffrey, o que levou Jimi a assumir o posto de produtor (“Electric Ladyland” é todo produzido por ele), deixando, em algumas ocasiões, Noel fora das gravações. Com o grupo gravando desde o início do ano em Nova Iorque, Noel voltava frequentemente a Londres, fazendo com que Hendrix gravasse também as partes de baixo ou chama-se um amigo para fazê-las.

Um deles era Billy Cox, companheiro de Hendrix dos tempos em que serviu o exército. Billy passou a substituir eventualmente Noel, quando este não estava por perto. Tal procedimento acabou deixando Noel de fora de um dos momentos mais importantes na carreira do Experience, durante o lendário Festival de Woodstock, em agosto, símbolo maior do flower power, do movimento hippie e de toda uma geração americana que condenava a Guerra do Vietnã e buscava a saída na paz, no amor e na experimentação através do uso de drogas.

A música de Hendrix era ouvida no Vietnã como uma homenagem de todos os que faziam parte dessa movimentação, aos que lá estavam para, querendo ou não, lutar pela pátria americana, e “Purple Haze” era praticamente o hino da guerra. Mas quando em Woodstock, Hendrix resolveu tocar o hino nacional americano, sozinho com sua guitarra e usando os dentes, esses acordes ecoaram por todo o mundo como um apelo de paz e, ao mesmo tempo, pela revolução. A guitarra, de parceira sexual, passava a um canhão que espalhava toda a dor sentida pela guerra em todos os tempos e lugares.

Quando o ano de 69 começa, o Experience praticamente não existe mais. De qualquer forma, oficialmente o grupo se instala na cidade americana de Liberty, perto de Woodstock, sendo que volta e meia Noel Redding vinha de Londres para ocupar o cargo de baixista, fato que não incomodava Billy Cox, pois, para ele, só estar ali já era lucro. A última apresentação do Experience original aconteceria em fevereiro, de novo em Londres, num Royal Albert Hall lotado.

Aos poucos, Jimi ia reformulando a banda até chegar, em outubro, a Billy Cox no baixo e Buddy Miles, ex-Electric Flag, na bateria. O novo trio, em consequência do desgaste da imagem e da entrada de dois novos músicos, buscou novos caminhos. Hendrix também já não aguentava mais tocar as mesmas músicas, declarando publicamente esse descontentamento, e carecia, artisticamente, de renovação em sua música. O Band Of Gypsys, como foi chamado, investiu na mistura de soul, blues e funk, considerando a alma negra de todo o trio, agora 100% americano.

A Band Of Gypsys deixou várias gravações de estúdio, mas lançou um único álbum, ao vivo, gravado no Filmore East, em Nova Iorque, na passagem de ano de 69 para 70. Em seguida, Buddy Miles cairia fora e o grupo, de uma forma ainda mais urgente, acabaria deixando para trás um potencial espetacular. Mitch Mitchell voltaria para a batera.

Recluso nos Estados Unidos, Hendrix buscava alternativas para continuar com suas experimentações, e embora levando sua música mais para o jazz do que para qualquer outro estilo, ele continuava a tocar covers de clássicos do rock, como “Johnny B. Good”, de Chuck Berry, e “Blue Suede Shoes”, de Carl Perkins, eternizada por Elvis Presley. Com o intuito de aperfeiçoar as técnicas de gravação da época, Hendrix começou a construção de seu próprio estúdio, o Electric Lady Studios, em Nova Iorque. Ao mesmo tempo, preparava o esperado quarto álbum, que só viria a ser lançado após sua morte, em setembro.

O ADEUS DO GÊNIO

Antes, porém, o último grande festival ainda aguardava a presença de Jimi Hendrix. Depois de 18 meses sem tocar no Reino Unido, o Jimi Hendrix Experience aceita o convite para o festival da Ilha de Wight, mais uma vez ao lado do Who, ainda com The Doors, Free, e Emerson, Lake And Palmer, entre outros. Conforme a data ia se aproximando, Hendrix ameaçava não ir, dado o seu envolvimento na construção do estúdio. Mas no dia 30 de agosto de 1970 ele se sentiu recompensado quando tocou para um público de mais de seiscentas mil pessoas – entre elas o exilado Gilberto Gil.

Retido em Londres para resolver negócios com Mike Jeffrey, Hendrix se hospedou no quarto de hotel de Monika Danneman e passava as noites bebendo e se divertindo, até que pudesse voltar para Nova Iorque para continuar os trabalhos no Electric Lady Studios. Na noite de 17 para 18 de setembro, Hendrix tomou uma quantidade desconhecida de pílulas para dormir, que haviam sido receitadas para Monika. Passou mal e se afogou no próprio vômito. Monika hesitou em chamar socorro, pois temia que a polícia encontrasse uma certa quantidade de haxixe no apartamento, mas não há a certeza de que um socorro mais rápido o salvaria. Em todo caso, o atestado de óbito apresenta textualmente, como causa da morte: “inalação de vômito, intoxicação por barbitúricos e evidências insuficientes. Veredicto aberto”. Encerrava-se, assim, depois de quatro anos, a passagem do cometa Hendrix pela Terra.

O corpo de Jimi Hendrix foi enterrado em Seattle, cidade que se recusa a homenagear um filho que tenha tomado drogas, embora tenha uma placa dedicada a ele no zoológico. Foi a conservadora e fria cidade, berço do grunge de Kurt Cobain e companhia, a escolhida para abrigar o Museu do Rock. Inaugurado em junho, tem a arquitetura projetada em homenagem a Jimi Hendrix, e o seu idealizador e proprietário, Paul Alex, ex-sócio de Bill Gates na Microsoft, durante a cerimônia de inauguração, destruiu uma réplica de vidro da guitarra de Hendrix, de quem é fã incondicional.

por Marcos Bragatto

Fonte: REG

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

# 161 - 17/09/2010

A edição de hoje do programa de rock tem como mote dois acontecimentos importantes que completarão 40 anos amanhã: a morte de Jimi Hendrix e o lançamento do segundo disco do Black Sabbath, "paranoid". Ambos os fatos aconteceram no dia 18 de setembro de 1970. Em homenagem á data, tocaremos uma faixa de "Electric Ladyland", disco de 1968 que fez parte da série Discoteca Básica da extinta Revista Bizz. Antes disso, o programa será aberto pela clássica "War Pigs", do Sabbath, seguida de um bloco com sons capturados "Ao vivo" do The Gossip, Dinosaur jr (dia 26 em Salvador, bom lembrar) e Sonic Youth. Depois do Drop Loaded, que nesta edição faz uma viagem aos anos 90, teremos o "Bloco do ouvinte" com a contribuição de nosso camarada Dackson "Deathrow" - só pancada no pé do ouvido. Na segunda parte do programa, abriremos com o cover ao vivo de "teardrop", do Massive Attack, retirado do mais novo disco de Anneke Van Giesbergen, ex-The Gathering, em parceria com Danny Cavannagh, do anathema. Na sequencia, algumas músicas de bandas que estarão se apresentando nos palcos de Aracaju nos próximos dias.

É isto. Divirtam-se.

A.

* * *



The Jimi Hendrix Experience - Electric Ladyland (1968) - (Revista Bizz, Edição 25, Agosto de 1987) - Sessão “Discoteca Básica”

Hendrix transformou a linguagem e expandiu os horizontes da guitarra elétrica no rock. Sua concepção musical transpunha as fronteiras das classificações, resgatando toda a tradição da música negra, ao mesmo tempo que apontava as principais tendências que viriam a emergir na década de 70 (heavy metal, jazz-rock, progressivo). A naturalidade com que arrancava - de inúmeras maneiras - inacreditáveis solos de sua Fender e criava melodias com efeitos de pedais e microfonias, era espantosa. Jimi ao vivo - incendiário em Monterey ou lançando bombas no Hino Nacional americano em Woodstock - fazia de sua guitarra uma extensão de seu próprio corpo e alma.

Mas também existia um "outro" Jimi: aquele dos estúdios e jam sessions, um experimentador fascinado pelo desenvolvimento das técnicas de gravação e efeitos, e que mais tarde montaria seu próprio estúdio (o Electric Lady, em Nova York). A interação mais perfeita dessas duas facetas de Jimi ocorre exatamente no terceiro e último álbum que ele gravou com o Experience: o duplo "Electric Lady Land". O seu primeiro LP era pura explosão: uma transposição para o vinil da energia em estado bruto que emanava do som de Hendrix. Depois veio "Axis: Bold as Love", com seus temas lisérgicos e maior elaboração no trabalho de estúdio, através de recursos técnicos então inovadores como o pan (efeito de estéreo em que um som passa de um canal a outro).

Em "Eletric Ladyland" estes experimentos de estúdios foram levados adiante. Mais do que nunca, Jimi sentia-se à vontade para ousar. Isso já se nota superposição de efeitos da vinheta introdutória "And the Gods Made Love". "Você já esteve na terra das mulheres elétricas/ O tapete mágico espera por você/ Então não se atrase" canta Jimi na faixa título. É o convite para uma imagem que segue através do tráfego da cidade e depois envereda pelo blues rasgado em "Voodoo Chile". O lado 2 começa com duas boas canções, mas menores em relação ao conjunto: "Little Miss Strange" (do baixista Noel Redding) e "Long Hot Summer Night". Mas ganha corpo novamente a partir de uma versão de "Come On" de Earl King e torna a brilhar no funk sincopado de "Gipsy Eyes" e nas linhas melódicas de "The Burning of the Midnight Lamp".

O segundo disco começa com a longa introdução tendendo para o blues de "Rainy Day, Dream Away"; o lado 3 conta apenas com mais duas músicas, que na verdade são uma única suíte, na qual vários climas se sucedem de maneira sublime. No último lado do disco há "Still Raining, Still Dreaming" - uma recriação da faixa que abre o lado 3 - que é seguida pelo pique de "Houses Burning Down", para encerrar-se com duas faixas geniais: "All Along the Watochtower", a versão definitiva da canção de Dylan, e "Voodoo Chile (Slight Return)", outra recriação estupenda que abre espaço para novos vôos de Hendrix. Esse disco expõe as "drogas" mais pesadas que fizeram sua cabeça: blues, funk e rock'n'roll. Uma fórmula simples, que ele "dosava" com sua guitarra, seu fuzz e seu wah-wah. Só mesmo Syd Barrett conseguiu (um ano antes) pintar com cores psicodélicas um painel tão significativo, tão adiante das manias musicais da época - como o blues branco e o rhythm & blues.

O lançamento de "Electric Lady Land" coincidiu com o fim do Experience (Jimi, Noel e Mitch Mitchell na bateria). Hendrix iria montar a Band Of Gipsies, com o baixista Billy Cox e batera Buddy Miles (ex-Eletric Flag), gravando um disco ao vivo do show realizado no Fillmore East (em Nova York) na noite de ano novo 69/70. Novamente com Mitchell no lugar de Buddy Miles, Jimi faria "The Cry of Love", seu último disco antes de morrer repentinamente aos 27 anos (18/09/70). Uma vida curta, um enorme legado.

Celso Pucci

* * *

Black Sabbath – War pigs

The Gossip ( Ao vivo ) – Listen up
Dinosaur Jr ( Ao vivo ) – The Wagon
Sonic Youth ( Ao vivo ) – Candle

The Telescopes – To kill a slow girl walking
Low Dream – Rock Ride
( Drop Loaded )

Barathrum – Saatana
Darkthrone – The winds they called the dungeon shaker
My Dying Bride – The Wreckage of my flesh
( por Dackson "Deathrow" )

Anneke Van Giesbergen & Danny Cavannagh – Teardrop

Andralls – In the eyes of the killer
Do Amor – chalé
Debate – Dito e feito
Perdeu a Língua – algodão doce

The Jimi Hendrix Experience – “Electric Ladyland”
Da Série “Discoteca Básica”
• Have you ever been (to electric ladyland)

Rui Mendes, do rock ao samba

Nos anos 80, nove entre dez capas de discos do efervescente rock nacional eram dele. Até onde contou, foram 308, de grupos como RPM, Lulu Santos, Legião Urbana, Barão Vermelho, Ira!, Titãs, Capital Inicial, Kiko Zambianchi. Alguns dos mais belos ensaios sobre samba já feitos lhe renderam duas indicações ao prêmio Abril e duas ao prêmio Funarte de Fotografia, quando foi finalista em 1998 com o ensaio "A velha guarda do samba". Um milhão de negativos guardados em 28 anos de profissão renderão um livro, "Música". Esse é Rui Mendes, um dos maiores expoentes entre os fotógrafos de música do Brasil.

Apesar de ter cursado fotografia no Fort Vancouver Junior College, em Vancouver, Canadá, em 1978, a carreira profissional de Rui começou em 1980, quando cursava jornalismo na ECA, Escola de Comunicação e Artes da USP. Como ele mesmo diz, "estava no lugar certo, na hora certa". Paulo Ricardo, futuro vocalista do RPM, era colega de classe de Rui. E ele e Kiko Zambianchi freqüentavam uma república com amigas em comum.

A primeira conquista profissional aconteceu quando Rui fotografou as bandas Ratos de Porão, Ira! e Mercenárias para a revista Pipoca Moderna, egressa da revista Pop. A publicação fechou antes de saírem as fotos,, mas elas serviram a uma causa maior: pagar os shows da "Festa do Gato Morto", comemoração pela vitória da chapa Picaretas, fundada por Rui, para as eleições do centro acadêmico da ECA.

Em 1982, no processo de democratização do Brasil, vencer a tradicional chapa Libelu foi um marco. Além de Rui, outros nomes promissores como William Bonner, Paulo Ricardo e Cláudio Tognolli também participavam da chapa. Rui fez jornalismo, cinema e política.

A incursão pelo mundo do rock rendeu encontros memoráveis, como o que teve com Raul Seixas: "quando eu cheguei para o ensaio, ele me disse que só poderia ser fotografado após tomar o café da manhã: duas garrafas de cerveja". Sua capa de disco preferida é a "Música calma para pessoas nervosas", do Ira!. As mais famosas, as do RPM, que venderam milhões de cópias.

O consistente trabalho de Rui sobre o samba lhe trouxe boas surpresas. Entre 1999 e 2004, em um trabalho sobre o Carnaval, principalmente de rua, encontrou no centro do Rio de Janeiro manifestações preciosas. "Umas delas, chamada Clóvis ou Bate-bola, existe desde 1872. Com roupas muito ricas, e sem som, os foliões enchem as ruas da Cinelândia, só para arranjar confusão. Eles disputam quem tem a roupa mais legal. É meio barra pesada, mas divertido, e ninguém sabe que existe".

De José Serra a Paulo Autran, o excelente retratista guarda histórias de figura célebres, como Oscar Niemeyer. "Eu estava fotografando Niemeyer e ele não tirava a mão do queixo. Quando pedi para ele me deixar fotografar seu rosto, ele me respondeu: 'velho não mostra a cara'".

Rui, que trabalha em publicações como Exame, VIP, Rolling Stone, Marie Claire, Veja, e desde 1993 dirige e fotografa clipes musicais de bandas como Racionais MC´s, Charlie Brown Junior e Mundo Livre S.A, é um profissional raro, ótimo laboratorista e profundo conhecedor da técnica. E comenta o advento das tecnologias como o programa photoshop e as máquinas digitais: "Hoje mudou só o instrumento, há muitas diferenças entre o digital e o analógico. Mas se você é ruim, é ruim em todas as formas de fazer foto. O bom fotógrafo, quando manipula essas técnicas, ainda está criando".

Por Ana Luiza Moulatlet

Fonte: Portal IMPRENSA

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QUEM | Rui Mendes.

ONDE | São Paulo.

PORQUE | Quem acompanha a fotografia do rock nacional, da música brasileira, desde o começo da década de 1990, deve conhecer Rui Mendes. Se não conhece o nome, conhece a sua estética e os seus retratos. Revistas de música como a Bizz (depois Showbizz), capas de disco e, depois, videoclipes, tiveram em Rui Mendes um dos mais influentes fotógrafos. Retratista de primeira, Rui estampa as suas fotos em capas de revistas, campanhas publicitárias e editoriais. Particularmente, fui extremamente influenciado por Rui. Tinha assinatura da Bizz e era fã das suas fotos.

Currículo fornecido pelo fotógrafo:

Rui Mendes cursou fotografia no Fort Vancouver Junior College, em Vancouver, WA, nos anos de 1978/79. Em 1980, ingressou na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo onde fundou o grupo anarquista “Os Picaretas”. De 84 a 86 foi articulista no caderno de informática na seção “Fotografe sem Mistério” da Folha de São Paulo. Nesta época começou a fotografar capas de disco do incipiente movimento roqueiro dos anos 80. RPM, Lulu Santos, Camisa de Vênus, Legião Urbana, Barão Vermelho, Ira!, Titãs, Capital Inicial, Kiko Zambianchi, Inocentes, Ultraje a Rigor, Ratos de Porão, Sepultura, Skank e tantos outros foram clicados por Rui. Hoje trabalha para diversas publicações do mercado editorial como as revistas Vogue, Casa Vogue, Vogue RG, Trip, Natura, Mitsubishi, Gol, V, Época Negócios, Galileu e TPM entre tantas outras. Sempre na confecção de retratos, que já lhe proporcionaram sete indicações ao Prêmio Abril e duas indicações ao Prêmio Funarte de Fotografia, do qual foi finalista, em 98, pelo trabalho “A Velha Guarda do Samba”.

Dirigiu e fotografou videoclips como os de Chico Science e Nação Zumbi, Syang, Charlie Brown Jr., Virgulóides, Viper, Negritude Jr., Racionais MC’s, Rodox, Arnaldo Bastista, Sonic Junior, PR.5, Léo Jaime, Daniel Belleza e Mundo Livre S.A., que foi indicado a melhor clip do ano no MTV Awards de 1998. Em 1995 começou a trabalhar no mercado de filmes publicitários como diretor de fotografia, na Chroma Filmes, ao lado do diretor Carlos Mendes, participando da produção de comerciais de clientes como Banco do Brasil, BCP, Fiat entre outros. Em 2000 ganhou a medalha de bronze com a campanha da Companhia das Letras, feita pela Almap, no festival de mídia impressa em Cannes. Seus últimos trabalhos na publicidade foram anúncios para o Grupo VR, GVT, MASH, Natura, Rede TV e a campanha mundial de Emirates para a linha Dubai/Brasil. Em 2007 desenhou a luz da peça teatral “Elogio do Crime” do grupo “Teatro de Alvenaria” e dirigida por Luciana Barone. Ultimamente vem desenvolvendo trabalhos com os grafiteiros de São Paulo e um livro de seus retratos sobre música.

EXPOSIÇÕES:

“Roqueiros” (Individual/1992) – Foto Lee Galeria – SP.
“Os Heróis do Samba” (Individual / 2002) – Pinacoteca do Estado de São Paulo – SP
“Os Heróis do Samba” (Individual / 2002) – Secretaria de Cultura de Santo André – SP.
“A Imagem do Som do Rock Pop Nacional” (Coletiva / 2003) – Paço Imperial – RJ
“Entrudo” (Individual / nov 2003 a fev 2004) – Museu Nacional de Belas Artes – RJ.
“Entrudo” (Individual/jan 2005 a abril 2005) – Pinacoteca Do Estado de São Paulo – SP.
“Atropelo”(em parceria com o grafiteiro Jey/abril 2006 a junho de 2006) – Galeria Grafiteria – SP

OLHA, VÊ Como você começou a fotografar?

RUI MENDES Comecei com 16 anos fazendo aulas de fotografia em Vancouver, Washington no ano de 1978…

OLHA, VÊ Você criou uma certa “estética” em casos como a revista Bizz (depois Showbizz) e em centenas de capas de disco. Isso foi intencional?

RUI MENDES Eu estava inserido no movimento, então era tudo muito natural…

OLHA, VÊ Nas suas produções editoriais, a liberdade era total?

RUI MENDES Sempre fui um pouco “rebelde”. Nunca levei muito em conta os briefings. Procuro me informar a respeito do sujeito e não ter uma idéia pré concebida. Jornalista dificilmente dá bons palpites em relação a imagem e diretor de arte bom, no nosso mercado, dá para contar nos dedos…eheheh…

OLHA, VÊ Você tem uma capa de disco e revista que você prefira ou poderia colocar como as mais expressivas de sua carreira?

RUI MENDES Gosto muito da capa que fiz pro Ira! junto com meu parceiro Zé Carratu: “Música Calma Para Pessoas Nervosas”. A capa da revista Rolling Stone com o Rodrigo Santoro gosto pela simplicidade…

OLHA, VÊ O nome Rui Mendes sempre foi muito ligado ao Rock dos anos 80 e 90. Você era (é) roqueiro?

RUI MENDES Sempre fui eclético e sempre ouvi Stones, Beatles, Led, TRex e companhia, mas nunca deixei de ouvir a boa MPB.

OLHA, VÊ E a ligação com o samba, como começou?

RUI MENDES Sou de família baiana… Que me desculpe o pessoal de São Paulo pra baixo, mas o nordestino e muito mais rico musicalmente. Meu pai era fã de carteirinha de Clara Nunes. Cresci ouvindo Noel, Cartola e Chico Buarque…Aí um belo dia a Bizz me mandou fotografar Carlos Cachaça…

OLHA, VÊ Dando uma olhada na sua carreira, podemos afirmar, que você é um dos mais expressivos “retratistas” do Brasil. O que é fundamental para fazer um belo retrato/portrait?

RUI MENDES Treino… Fotografar é prática como qualquer outro ofício. Depois de 29 anos como profissional você adquiri certas manhas que simplificam seu trabalho…Eu por exemplo acho que um bom retrato você consegue nos primeiros cinco minutos…

OLHA, VÊ Hoje, o que lhe atrai fotografar ou ainda pensa em fazer?

RUI MENDES Estou terminando meu livro sobre música… Depois farei um só de retratos… Estou fazendo um trabalho em lightpainting com meus parceiros, Jey e Zé Carratu para uma próxima exposição… Sou um retratista e não canso de fazer retratos… O que mais me instiga é fotografar na rua…

OLHA, VÊ E os videoclipes? Foi natural a passagem para a imagem em movimento?

RUI MENDES Sempre quiz fazer cinema e acho natural um fotógrafo fazer cinema… Se não tivesse adoecido estaria filmando muito mais…

OLHA, VÊ O que lhe chama atenção na fotografia atualmente? Fotógrafos, publicações, etc. E a Fotografia Brasileira?

RUI MENDES No geral nossa fotografia sempre teve ótimo nível…Tem muita gente boa em todas as áreas…Cássio Vasconcellos tem um trabalho genial e no retrato Kiko Ferriti tem se destacado…

OLHA, VÊ Em 1996, fiz um workshop com você chamado “O Potencial Criativo” na Clínica Fotográfica (SP). Lembro que você tinha uma forte relação com o laboratório, com a qualidade da iluminação e todos os detalhes envolvidos na produção de uma imagem. E hoje, qual a sua relação com o digital?

RUI MENDES Estou no digital há um ano e meio… Resisti bastante não por preconceito e sim por economia… Hoje já estou adaptado e passo horas na frente do Photoshop… Acho saudável este perpétuo apredizado… O Photoshop é uma ferramenta genial

Fonte: OLHA/VÊ