quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

“Odiosa Natureza Humana”

Com Donida, boto fé ...

A.

Entrevista concedida a Marcos Bragatto

Fonte: Rock Em Geral

Eles bem que tentaram fazer um disco com o humor um pouco melhor, mas não daria certo. Por isso mesmo o título “Odiosa Natureza Humana” já sugere que o quarto álbum de inéditas do Matanza mantém a inseparável fama de mau conquistada pelo grupo ao longo dos anos. Antes, porém, um hiato de cinco anos, o sucesso de um DVD gravado ao vivo com quase todas as músicas do grupo e a dúvida: o disco teria a participação de Marco Donida, guitarrista, membro fundador, criador da identidade visual da banda e compositor de quase tudo que o grupo já fez?

Explica-se que nesse vai-e-vem de shows – cerca de 100 por ano – Donida encheu o saco de viajar de um lado para o outro e decidiu armar cidadela em São Paulo, se dedicar aos desenhos e passear com o cachorro. Com uma agenda atribulada, o guitarrista Maurício Nogueira tomou-lhe o lugar nos palcos e Donida ficou – como se diz no jargão futebolístico – preservado para as gravações e algumas apresentações. Será que daria certo? Era o que perguntavam os incrédulos fãs. A julgar pelas 13 músicas gravadas em “Odiosa Natureza Humana” - onze de Donida - parece que sim. O álbum deve chegar às lojas em março.

O disco foi gravado usando fitas de rolo (nada de arrumações digitais) com o grupo tocando tudo ao vivo, salvo raros detalhes. Tanto que em exíguos três dias o trabalho estava concluído, num resultado pra lá de satisfatório. Ao menos essa é a opinião de Jimmy London, o vocalista grandalhão que nos concedeu esta entrevista. Entre outros detalhes da gravação do novo álbum, ele fala da dura vida de uma banda de rock com “crescimento sustentável”; da “entidade Matanza”, que simplifica tudo e mostra o caminho a seguir; do material que ele andou compondo para lançar de alguma forma, mais cedo ou mais tarde; além de dar conselhos para que bandas independentes aprendam que “tem espaço pra trabalho”. Com vocês, um pouco da odiosa natureza humana:

Rock em Geral: Como está a produção do disco novo? Já tem título?

Jimmy London: O disco tá gravado e tem o singelo titulo de “Odiosa Natureza Humana”. Nós só não mandamos para masterizar porque tem umas coisas de mixagem que estamos esperando o Donida voltar de São Paulo para acabarmos de fazer. Falta aumentar uma coisinha aqui, diminuir uma coisinha ali. Gravamos com o Rafael (Ramos, produtor) no Tambor, de uma maneira que nunca tínhamos feito, em fita de rolo, em três dias. Finalmente gravamos o disco ao vivo que sempre quisemos gravar. Foi totalmente ao vivo, menos algumas vozes, no coro. E a maioria das coisas saiu no primeiro take.

REG: Então vocês ensaiaram bastante antes de partir para gravar…

Jimmy: Fizemos um esquema fuderoso de ensaio. Viemos todos para o Rio um mês antes do disco, na casa do Jonas (baterista), ficamos lá de 12 a 16 horas por dia finalizando música e ensaiando. Quando vimos, estava tudo muito resolvido. O Matanza não deixa a gente inventar as coisas. O Matanza proíbe a que se faça qualquer tipo de viadagem, fique inventando merda. Quando funciona, funciona e acabou. É o tipo de banda que é maior do que nós. Quando a musica rola temos a certeza absoluta de que é aquilo. Alguém bota pilha: “Pô, eu tinha uma ideia de uma situação muito doida, tipo uma levada AC/DC que a gente adora”. Nós tentamos, mas não adianta, quando joga no jeito Matanza de tocar, no “tupá tupá”, funciona. A música fala: “Tô pronta, me ensaiem”. Isso é muito bom. Eu não sei se é um caso de sinceridade por incompetência ou porque temos uma identidade musical. A parada dá muita certeza do que estamos fazendo. Quando eu e o Donida começamos a ver as músicas, teve um papo de “não vamos fazer um disco de saco cheio”, porque já fizemos isso no “A Arte do Insulto”, que fala mal de tudo. Vamos fazer um disco mais bagunça, sem ficar pagando de velho, uma coisa tiro para o alto, tipo o “Santa Madre” (“Santa Madre Cassino”, primeiro álbum, de 2001). E no final o nome do disco é “Odiosa Natureza Humana”, tem uma música chamada “Amigo Nenhum”, outra chamada “Saco Cheio e Mau humor”, outra “Melhor Que Você”… Não conseguimos ir em outra direção, e isso é muito bom para nós.

REG: Quando você diz “Matanza”, parece se referir a uma entidade…

Jimmy: Funciona assim: tocamos as músicas. Essa música podia ter uma levada tal… Aí levamos e achamos que tá legal. Então decidimos levar um pouquinho mais rápido, e mais rápido e a música engole e nós esquecemos aquela tal levada sugerida no início. O Matanza resolve, não tem muito que inventar.

REG: Mas o Matanza já teve suas fases, com inclinações para o hardcore, para o metal extremo, para uma sonoridade “irish”…

Jimmy: Nessas quatro ou cinco coisas que nós sabemos fazer nós variamos. Esse disco tem muito country hardcore, uns quatro ou cinco, tem várias levadas meio “motorbeat”, meio “O Chamado do Bar”. Não tem nenhuma canção. Tem uma música muito diferente, que é minha com o Fernando (Oliveira, multi-instrumentista), do Canastra, chamada “Escárnio”. Todo disco do Matanza tem uma música que é bem diferente. No “Santa Madre” tinha a “Assassinate” (“Ye Ole Bluegrass Assassinate”), uma instrumental de bluegrass. No outro (“A Arte do Insulto”) tinha a “Estamos Todos Bêbados”. A “Escárnio” é uma música muito maluca que tem uma levada um pouco diferente, mais country rock do que country hardcore.

REG: Pelo jeito o disco é total country hardcore…

Jimmy: É muito country hardcore, mas os country hardcore são um pouco mais espertos, mais concisos, porque se você deixar o country hardcore, fica com a harmonia muito simples. A harmonia do country é 1-4-5, com tônica na quarta e na quinta, e você fica variando entre os dois. Se deixar, ele fica ali. Tem uns country hardcore nesse disco que vão para um outro lugar, um pouco diferente, mas é só porque o Donida mandou muito bem.

REG: Ele fez quase tudo?

Jimmy: Tudo como ele sempre faz, todas as músicas sozinho. Só tem essa que eu falei e uma outra que é do China. O disco é absolutamente “de saco cheio e mau humor”.

REG: Como é esse negócio de o Donida não querer mais fazer show? Em geral todo mundo diz que fazer show é o melhor em se ter uma banda…

Jimmy: O cara não gosta mesmo. É engraçado. O brasileiro não tá acostumado a ouvir a verdade. O Donida não quer mais fazer shows, tá de saco cheio, quer ficar em casa desenhando, não aguenta mais viajar. Mas ele vai ficar na banda, vai continuar compondo e vai gravar os discos. Você fala isso claramente e ninguém leva fé. Aí o cara vem gravar o disco e perguntam: “cara, o Donida tá na banda?”.

REG: Mas essa história é difícil de acreditar mesmo…

Jimmy: O cara gosta é de ficar em casa e passear com o cachorro dele. Fica em casa desenhando e fazendo música. Vai para o estúdio amarradão, ensaia amarradão, faz tudo amarradão. Mas o cara não gosta de ficar viajando. Chega quinta, sexta, tem que colocar a mochila nas costas porque tá de saco cheio. É muito simples. Explicar isso para as pessoas é que é difícil.

REG: Você fica na estrada com um cara tocando, e na hora de gravar esse cara não vai e aparece o Donida. Dá certo isso?

Jimmy: Dá, nós tocamos muito tempo juntos para fazer isso.

REG: A banda não vai mudando com o tempo, na estrada, e quando chega a hora de gravar, tá diferente?

Jimmy: Pois é… Esse lance o Matanza tem uma maneira de fazer as coisas que é maior do que a gente. Eu mesmo, por exemplo, posso querer mudar, tô ficando velho… Posso querer fazer um disco de country, cantar sem ser distorcido, mas é o Matanza que manda. Tinha umas músicas nesse disco que eu podia ter cantado sem ser com “voz de monstro”. Não fica bom. Então o guitarrista que entra para tocar, se ele não tocar do jeito do Matanza, não fica bom. E o Donida, por mais que tenha ficado sem tocar, quando vem tocar com o Matanza fica bom quando ele toca do jeito que é, não tem mistério. Por isso que eu te falo que rola uma força ali maior do que a gente. E isso gera a nossa máxima, que é: Não gostou? Pau no seu cu! A gente não tem como fazer as coisas diferentes, é maior do que a gente.

REG: Qual formação gravou o disco? Algum convidado?

Jimmy: Eu, Donida, China e Jonas. O Maurício (guitarrista) também é da banda, mas nós gravamos em três dias. Pensamos em chamá-lo para fazer uns solos mais rebuscados, estávamos cheios de ideia, até que chegamos lá, e em três dias tava tudo pronto. Queríamos fazer um monte de coisa, uma introdução aqui, um trompete com banjo. Quando gravamos o disco tava muito “a verdade do country hardcore”, não tinha espaço para fazer porra nenhuma, de viadagem nenhuma. Adoramos ser aquilo ali mesmo. Teve coisa que eu não tô acostumado, que num disco normal teria gravado varias vezes, compilado a voz com vários takes. Nos outros discos as vozes eram compiladas. Gravava bateria, editava bateria, gravava o baixo, depois começava a guitarra. Tinha guitarra um e dois gravadas, e o solo separado, depois vinha a voz. Nisso iam embora dias, semanas. Gravamos em três dias! É claro que não tem o mesmo nível de precisão, mas valeu muito mais a pena ter feito em três dias e ter a vibe de três dias, do que ficar 40 dias gravando e ficar um tiquinho mais agulhado. E não cover nem convidado… Mal tem a gente!

REG: E esse mau humor que você falou?

Jimmy: É o Matanza no esquema de sempre. Sempre temos essa discussão, dos temas, de não se repetir. Na verdade ia ser muito mais fácil trocar de assunto, fazer o reggae do Matanza e levar para outro lugar. É muito mais difícil manter os temas e conseguir fazer música nova que seja pertinente. O desafio é exatamente esse: continuar fazendo o que a gente sempre fez e conseguir fazer uma parada diferente.

REG: Quais são as músicas que você mais curtiu?

Jimmy: Tem uma que se chama “Remédios Demais”, que é a primeira música do disco, que eu gosto muito. Tem a “Menor Paciência” e “Em Respeito ao Vício”, que são duas feitas há um tempo, que eu gosto muito. Tem outra chamada “Melhor Sem Você”, que é menos agressiva que o normal, é um pouquinho mais Green Day. Eu gosto muito, acho a letra muito boa, fiquei amarradão. Tem uma muito boa chamada “Carvão, Enxofre e Salitre”, que temos tocado direto nos shows. Tem algumas coisas que já estamos tocando. E agora os shows vão ser com as músicas novas, já estamos ensaiando com o Maurício. O show vai ser da turnê inteira, o mesmo set list e acabou.

REG: E o público gostou das músicas novas?

Jimmy: O Matanza é uma banda pouco conhecida do grande público, mas, quem conhece, gosta muito, sabe todas as letras, os caras cantam tudo. Então na música nova os caras se perdem um pouco porque não sabem cantar. Mas vamos fazer um pré do lançamento no MySpace…

REG: E o CD tem algum extra?

Jimmy: O CD não vai ter viadagem nenhuma. Nós ainda vamos fazer um lance que é gravar um DVD tocando esse disco ao vivo, de verdade, sem ser num show, com o Donida, no estúdio, na lata, sem dobrar guitarra, sem nada. É uma coisa que eu quero muito fazer, mas é para o meio, final do ano. Acabamos de lançar um DVD com quase todas as nossas músicas, não tinha porque fazer agora.

REG: Cinco anos sem disco de inéditas não é muito tempo?

Jimmy: É muito tempo, sim, mas teve lance do DVD que foi muito grande e deu muito trabalho. Teve muito show, foram três anos com uns 90, 100 shows por ano. É como fazer sempre três shows por fim de semana, o que não é fácil. O pouco tempo que sobra é difícil fazer alguma coisa. E tem mulher, família, tem vida, não quero ser escravo. Apesar de eu gostar muito da banda não quero fazer só isso. E quando o Donida falou que ia tirar um tempinho, foi difícil. Para ele ter chegado a esse ponto, em cima de uma parada que ele faz desde que nasceu, foi um processo complicado, não é fácil um dia parar. Ele tem que chegar num nível de estresse e cansaço muito grande. Estávamos há dois anos sem fazer disco quando isso aconteceu. Depois disso, no ano passado, nós começamos a fazer esse disco. Eu fui para São Paulo, ficamos eu e o Donida gravando na casa de um camarada, com a bateria montada. Ele gravava guitarra e baixo, eu gravava umas vozes e íamos vendo o que era bom, o que era ruim, tentando ter idéia, porque sempre buscamos um conceito para cada disco, tem sempre uma linha que junta todas as músicas. Ainda ficamos alguns meses para escrever essa linha, ia para um lado, ia para outro, até que decidimos fazer o disco de saco cheio e mau humor, que é o que a fizemos agora.

REG: Qual era um plano inicial?

Jimmy: Queríamos fazer mais para o lado do “Santa Madre”, sem ficar reclamando da vida, sem falar que todo mundo é babaca, sem ser niilista, sem ser cínico. Um disco como já fizemos outras vezes na vida, sabe? E não rolou por que… Primeiro porque tem que rolar uma honestidade nas letras e tem essa vantagem de o Donida não conseguir fazer as coisas que ele realmente não acha. O segundo é que foi indo, as músicas muito boas, o conceito muito bom, estávamos gostando, então é isso. Esse processo de compor não é nada fácil. Nesses últimos tempos eu vinha compondo um monte de músicas com o Fernando, músicas diferentes para um lance que eu pretendo fazer. Eu ouço muito pouco rock, e queria fazer algo menos nervoso do que fazemos no Matanza. A temática é diferente, mas é tão cínico quanto. Eu fiz sete músicas com o Fernando, gravei e guardei na gaveta.

REG: Não cabe no Matanza…

Jimmy: Uma coube, que é a “Escárnio”, mas as outras seria mais difícil. Mas aí eu comecei a gravar o Matanza, o Fernando tá gravando o novo do Canastra e demos um tempo. Não sei o que fazer com isso, mas eu acho uma merda fazer carreira solo. Carreira solo é o caralho!

REG: Se você sai com um disco vira carreira solo…

Jimmy: A questão é que eu não sei o que eu vou fazer com essa merda. Mas eu gosto muito de levar esse som, funcionou muito bem. Pela primeira vez eu entrei em um estúdio sem ter a menor idéia de como seriam os arranjos. Chamamos o Marcelo Calado (Do Amor) para tocar bateria, o Edu (Vilamaior, do Canastra) gravou uns baixos, o China gravou outros, mas tínhamos leves idéias de como seriam os arranjos, não sabíamos nem como era o formato da música. Com o Matanza não tem dessa, nunca tem improviso, não tem nada que faça nós entrarmos em estúdio sem dar a melhor performance que podemos dar, dentro daquilo que já fechamos. Eu resolvi ir ao estúdio e gravar minhas coisas exatamente ao contrário. Gravei e foi maneiro, mas o que eu vou fazer com isso? Não tenho a menor idéia.

REG: Você disse que o Matanza chegou num patamar intermediário. Qual o caminho agora?

Jimmy: Esse patamar é muito rico, tenho muito orgulho de onde chegamos. Conseguimos chegar num lugar de fazer shows em todas as cidades, todo mundo viver da banda, só show astral. Temos uma situação de banda que não deve nada para ninguém, o que é uma grande vantagem. Não devemos nada para nenhum radialista, nunca pedimos muita coisa nem para a gravadora, sempre quisemos não dar “preju”, nem trabalho, nem estresse. Não dependemos de nenhum empresário ou galera ou de porra nenhuma para fazer lance. Chegamos aqui pelos nossos esforços, nossa música, nossa atitude nos shows, pelo que conseguimos fazer. Isso ajuda muito porque se quisermos ficar nessa para o resto da vida, ficamos. Gostaria muito de entrar num circuito de rodeio, ganhar esse cachê, mas isso é muito “gente grande”, é o que toca no rádio e dupla sertaneja.

REG: O Matanza nunca tocou em rádio?

Jimmy: Num programa ou outro, mas veicular na rádio não rola. Eu nem sei o que é radio hoje em dia… Mas nós estamos muito bem, temos nossas parcerias que funcionam. Agora é manter isso e continuar crescendo. O Matanza faz o que o Brasil deveria fazer: crescimento sustentável, e sem taxa de juros! Nunca enfiamos um cachê na boca de ninguém e ninguém nunca levou um “preju” com o Matanza, a menos que tenha caído um temporal ou coisa assim. Show do Matanza sempre tem gente, o contratante sempre se dá bem, e, por mais que aumentemos o cachê, fazemos isso junto com o crescimento do público. O Matanza nunca deixou de ter uma curva ascendente.

REG: E onde o Matanza se situa no mercado brasileiro de hoje?

Jimmy: O Matanza é a prova viva de que tem espaço pra trabalho. Canso de ver banda que levanta uma grana, grava um disco com um produtor melhor, um disco bom, manda masterizar em Nova York, contrata uma assessoria de imprensa, dá seis meses de um gás absurdo, toca em dois ou três festivais e depois de seis meses, um ano, não tá ganhando dinheiro com aquela merda e a banda acaba.

REG: Por que isso acontece?

Jimmy: Porque nego não sabe que a parada é trabalho, se surpreende ou nem consegue chegar ao ponto de descobrir que o lance é muito trabalho. Nós trabalhamos pra caralho, todo dia, e quando tem show, trabalhamos mais ainda. Eu acordo tarde - duas, três horas da tarde -, mas vou para o computador e passo o dia inteiro trabalhando, até umas onze horas da noite. Passo o dia inteiro vendo tudo.

REG: Tudo, o que?

Jimmy: Primeiro que eu sigo todos os shows. Nenhum show que é marcado eu deixo de seguir, saber onde vai ser, o que é, como vai ser. Eu não sou um roqueiro tradicional, fui criado por pais empresários. Não quero ser empresário do Matanza, porque tem que separar as coisas, mas também não consigo deixar rolar, é uma coisa minha. Segundo que eu faço uma frente do Matanza de toda a parte de parceria e marketing. Quem fecha os contratos de endorsement (apoio, patrocínio), que são muito complicados, sou eu. É uma coisa importante, mas que dá muito trabalho, tem que conversar e desconversar mil vezes, esperar, voltar. Terceiro que tem a questão de fazer parcerias para evento, empresas de bebida… Tem um monte de coisas que eu não me conformo até hoje de não ter conseguido fazer. Por exemplo: não ter conseguido um patrocínio de uma fábrica de caminhões para fazer uma turnê do Matanza em cima de um caminhão-palco, de graça, que é a coisa mais maneira do mundo. Eu não admito nunca ter conseguido fazer isso e vou continuar tentando. E o quarto são as entrevistas, contatos, “grava não sei o quê para não sei qual rádio” o tempo todo. Todo show tem matéria, todo dia. Isso é trabalho. E tenho que estar em cima com a minha voz, ensaios, gravadora. É muito trabalho, e nego acha que viver de rock é mole.

REG: Você acha que a maioria das bandas não se dedica tanto…

Jimmy: Elas não têm a menor idéia de que têm que trabalhar. Eles acham que o lance é “chegar no palco, quebrar tudo que vai ser do caralho e vão chamar a gente pra tocar”. Isso é a obrigação, não chega nem perto do seu trabalho, é como o taxista saber dirigir. O resto todo é que é um trabalho do caralho. E nego não tem idéia. No mercado brasileiro são pouquíssimas pessoas que trabalham muito e acabam tendo suas carreiras acontecendo de uma maneira ou de outra. Vê o BNegão, tá sempre fazendo alguma coisa, é um cara que trabalha.

REG: Você parou com o trabalho na TV?

Jimmy: Na MTV, sim, mas eu tô querendo fazer um programa novo de TV, espero que role por outro canal. É um projeto que eu escrevi que eu quero muito fazer, de música. É uma coisa que aborda a questão da história do rock, tem um milhão de maneiras de contar e de mostrar isso, vamos ver.


sábado, 8 de janeiro de 2011

# 174 - 07/11/11

A Volta dos que não foram

A Gangrena Gasosa cunhou o genial termo "Saravá Metal" para definir o som que eles fazem: letras trash emolduradas pelos mais genuínos arranjos punk/metal/grindcore/toscoland. Em 1993 lançaram seu primeiro álbum, Welcome to Terreiro, mostrando serviço em músicas com títulos como "Troops of Olodum", "Pomba Gyra" e "Fist Fuck Agrédi". A banda logo chamou a atenção da mídia, mas episódios como uma entrevista na MTV na qual chamaram um notório colaborador do jornal O Globo de "jornalista viadinho", e a história sobre um show em homenagem a Zé do Caixão no qual um dos integrantes do Gangrena teria sido flagrado surrupiando pertences de José Mojica Marins, acabariam por carbonizar a película do grupo junto a certos nomes influentes. De quebra, a briga que eles tiveram com a Rock It!, gravadora que lançou seu álbum de estréia e que os deixou presos a um contrato que os impediu de lançar novos discos por um período de quase cinco anos, fez com que o Gangrena Gasosa perdesse o bonde de uma história que acabaria por consagrar outros grupos como Mamonas Assassinas e Raimundos.

Foi só em 2000 que o Gangrena lançou seu segundo álbum, forte candidato a melhor nome de disco de todos os tempos: Smells Like A Tenda Spirita, contendo petardos sonoros como "Matou a Galinha e Foi Ao Cinema" (inspirada por Tião Galinha, personagem de Osmar Prado na novela Renascer), "Centro do Picapau Amarelo" e "Bloodline Chupacabra". Lamentavelmente o álbum foi solenemente ignorado, e a banda aos poucos foi brochando com a falta de repercussão de seus trabalhos. Seguiu-se novo hiato, até que no dia 6 de junho de 2006 (6/6/06) o Gangrena aproveitou-se da singular data para lançar "666", um EP com 6 faixas de títulos sensacionais como "Quem Gosta de Iron Maiden Também Gosta de KLB" e "Se Deus é 10, Satanás é 666". Este, infelizmente, é o último registro oficial do Gangrena Gasosa*, embora a banda ainda lance informalmente uma ou outra música nova divulgada apenas entre seus camaradas.

Pertence a "666" a música que embala o vídeo a seguir da sensacional "Eu Não Entendi Matrix", que você pode ver clicando aqui. Para quem ainda não conhece o Gangrena Gasosa, trata-se de um excelente cartão de visitas de um grupo (ir)responsável por outras composições como "Meu Sonho de Consumo Era Comer a Björk" e "Engodo We Trust". Mas, bem, agora você sabe qual foi a maior fonte de inspiração do Massacration ...

por Alexandre Inagaki

Virundus

* NOTA: Até agora. A banda acaba de lançar seu aguardado terceiro disco “oficial”, basicamente com regravações do EP 666 (que foi lançado em CDR e vendido apenas pela internet) acrescidas de outras faixas ainda inéditas. Chorão 3, o único membro-fundador remanescente da banda, saiu, segundo ele, definitivamente, mas antes gravou os vocais do novo disco, que se chama “Se Deus é 10 Satanáis é 666”, mas a banda continua na ativa, tendo tocado, inclusive, em Festivais importantes como o Goiania Noise e o Porão do Rock. Para maiores informações, acesse o Terreiro Virtual da Gangrena Gasosa.

* * *

Gangrena Gasosa – Se Deus é 10 Satanáis é 666
karne Krua - Massacre of Innocents
Musica das Cinzas x Napalm Death - Multinational Corporations
Pastel de Miolos - Da Escravidão ao Salário Mínimo
Asterdon - Acelerado numa noite suja
Adhorah project - A search

Mark Lannegan & Isobel Campbell (Live at Barbican) - We die and see beaty reign
Burro Morto - O céu acima do porto

(Bloco produzido por Billy "Canalha"):
Johnny Cash - Man in Black
Buddy Holly & The Crickets - Early in the morning
Lee Rocker - Evil
Crazy Cavan & The Rhytm rockers - Takin´care of my home
The Porres - Gang dos penetras

Entrevista com Camilo Maia, dos Subversivos
Subversivos – Um homem simples

Continental Combo - Denia
Violeta de outono - Em toda parte
Supercordas - 3.000 folhas
Casa Flutuante – Imaginação

Entrevista com Bruno Montalvão, da Brain produções

Darge - Nunca mais
Statik Majik - I´m not your puppet

Plastic Fire - a última cidade livre

Entrevista com Michael Menezes, da Parayba Rec.
Entrevista com o coletivo “Pela Cena”

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

O primeiro show de rock do ano

Show de rock a baixo custo e com atrações de outros Estados? Parece difícil de acontecer por aqui, não? Mas o coletivo sergipano Pela Cena consegue fazer o ‘milagre’ e, no dia 08 de janeiro, a partir das 20h, no Espaço Cultiva, vão se apresentar por lá, a carioca Plastic Fire, a paraibana Elmo e a baiana Buster, além das bandas sergipanas Rótulo, Nucleador e Cessar Fogo.

Segundo Roque Souza, baixista da banda Rótulo e um dos participantes do coletivo Pela Cena, a ideia do festival é movimentar a cena musical do Estado, sobretudo quando o assunto é rock pesado. “São poucas as oportunidades que as bandas desse estilo têm de se apresentar por aqui. Então, resolvemos por ocasião do lançamento do CD da Rótulo, no ano passado, realizarmos um show com preço popular. Foi aí que surgiu o coletivo e essa é nossa terceira empreitada em produção dessa natureza”.

Mesmo colocando preços baixos nos eventos (em torno de R$ 8) e sem visar o lucro, o coletivo Pela Cena tem conseguido pagar as contas e arregimentar novas atrações. “Inicialmente, tínhamos pensado em fazer um show de lançamento do novo disco da Plastic Fire, mas foram surgindo pedidos de outras bandas para tocar em Aracaju e resolvemos ampliar o número de atrações, compondo um festival”, explica Roque Souza, que juntamente com os amigos Roberto Menezes, Rômulo Sandes, Pedro Alves, Antônio Ribeiro e Felipe Augusto formam o Pela Cena.

No show do dia 08 de janeiro será possível conferir o som da banda hard core Plastic Fire, com repertório calcado no novo CD “A Última Cidade Livre”. A Elmo e a Buster também seguem o mesmo estilo, assim como a sergipana Rótulo. Já a banda Nucleador mostra que sabe fazer um som trash/crossover, enquanto a Cessar Fogo solta seu punk rock feroz.

O Festival Cascadura ainda contará com exposição de fotografias de Victor Balde e Fernando Cocó, exposição de desenhos do artista Thiago Neuman, o “Cachorrão”, além de exibição de curtas-metragens. O ingresso de acesso custará apenas R$ 5.

Fonte: Jornal da Cidade

Sobre Plastic Fire:

Não faz muito tempo que o Plastic Fire foi formado, talvez cerca de cinco anos e, ainda assim, já fizeram tanto quanto muita banda com (ou quase) décadas de estrada. Atuantes no cenário carioca, Reynaldo (voz), Daniel (guitarra e homem-internet), Marcelo(baixo) e Felipe (bateria) vão se firmando como um dos principaisexpoentes da retomada do hardcore melódico brasileiro. O debut, E.xistência P.arcial, fez o grupo ganhar reconhecimento, reforçado por sua performance cheia de energia ao vivo.

Fonte: Divulgação

Sobre Buster:

A banda teve inicio em meados de 2003, como um “power trio”, com Thiago Nogueira no baixo e vocal, Danilo Nunes na guitarra e Gustavo Guerra na bateria. Neste mesmo ano gravaram seu primeiro CD demo com 10 musicas, algumas ate entao escritas em portugues, sua lingua original, mas, ja no ano seguinte, optaram por escrever todas as letras em ingles. Em 2005, a formacao da banda mudou, com Rodrigo Velazquez assumindo o baixo, deixando Thiago com a segunda guitarra e vocais. Em 2006, gravaram uma DEMO ao vivo em estudio com algumas musicas. Em 2008, apos 5 anos e muitas dificuldades (progressos e atrasos), gravaram um EP com uma qualidade melhor como ate entao nunca tinham feito e passaram a divulgar algumas musicas para que outras pessoas conhecam o som feito por eles. Seguiram ensaindo e fazendo novas bases.

Fonte: Divulgação

Sobre Elmo:

A ELMO já vem trabalhando em seu primeiro CD-Demo hà algum tempo, desde 2009, quando gravou 13 faixas que não agradaram à banda. Com isso, surgiu a idéia da regravação de todo o material em outro estúdio, foi quando a banda entrou no estúdio mutuca do pessoal do “burro morto” em julho de 2010 e fez todo o processo de captura dos áudios no mesmo.

Após captura a banda enviou os projetos da gravação para Aracaju (SE) onde Alex Souza, produtor musical e técnico de áudio, abraçou a idéia e a proposta da banda, fazendo todo o trabalho de mixagem e masterização onde mesmo a distancia teve um ótimo resultado.

Neste disco a banda traz uma pegada mais original e madura, digna das grandes bandas de hard core, porém com uma pegada mais rockeira.

Serão 14 sons próprios, com algumas musicas já conhecidas pelo público como “Prisão” “Diferentes Defeitos” e “O Dono da Razão”.

Guitarras mais timbradas, uma linha de baixo bem elaborada, baterias rápidas e firmes, se juntam com a energia das vozes, assim trazendo as idéias nas fortes letras, sempre bem expressadas no palco.

Com parceria com 3 selos independentes, Tamborete Entertainment (RJ) SubFolk (SP) e Otimismo Produções (JP) a banda conta com uma boa distribuição deste novo trabalho e já está marcado para inicio do ano de 2011 a tour de lançamento do disco pelo nordeste

Fonte: Divulgação

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Daniel na cova dos leões

Dia desses recebi um convite via sms do nosso camarada Adolfo Sá para assitir, ao vivo, à gravação do programa que ele dirige (aliás, dirigia), o "Cena do Som", com Daniel, da Plástico Lunar, e com Elvis Boamorte, ex-Baggios, atual Boas Vidas. Bem legal. O programa é apresentado por Nino Karvan, gente boa, e rola num clima de descontração e improviso. É uma excelente maneira de se conhecer a arte de nossos músicos de forma despojada e sem firulas. Recomendo.

* * *

O primeiro Cena do Som de 2011 vem com muito rock and roll. Nesta quinta-feira, 6 de janeiro, o apresentador Nino Karvan recebe Daniel Torres, vocalista, guitarrista e compositor da banda Plástico Lunar. Além de tocar e cantar, Daniel conta um pouco da sua trajetória, a formação musical, o atual momento e os projetos futuros.

O roqueiro de 31 anos vem de uma família de músicos, mas não foi influenciado pelo estilo ‘axé music’ que predominava entre seus tios e primos. O gosto pelo rock começou ainda na infância. Um dos momentos marcantes foi em 1985, quando assistiu ao filme ‘Submarino Amarelo’ na TV. O fascínio pelos Beatles foi imediato e abriu as portas para que o menino conhecesse outras vertentes do rock inglês, como o Rolling Stones, Pink Floyd e The Kinks.

Na adolescência, cada vez mais apaixonado pelos riffs de Jimi Hendrix e Keith Richards, Daniel exercitava o estilo através do violão elétrico do seu pai. “Com o volume bem alto, era possível fazer um som distorcido o suficiente que lembrasse uma guitarra”, comenta o músico. Isso era possível mesmo que a vida útil dos alto-falantes fosse ‘parar no brejo’. Seus pais, percebendo que o filho estava destinado ao rock, compraram uma guitarra para ele. Em seguida, vieram as composições e a formação da banda ‘Pupilas de Quartzo’, mas Daniel estava destinado a outros caminhos.

A amizade com Júlio Andrade, Leo Airplane, Odara (seu professor de História), além da convivência com o irmão (também roqueiro) Plástico Júnior foi fundamental para o surgimento da ‘Plástico Lunar’, um dos mais populares nomes do rock sergipano. Com a ajuda de Alex Sant´anna (da Naurêa), a quem Daniel tem como ‘padrinho da Plástico Lunar’, a banda com influências do rock inglês, do blues e folk norte-americano, e até mesmo da bossa nova, despontou na cena independente de Sergipe. O bom trabalho da banda possibilitou a apresentação na Feira Música Brasil 2009, em Recife, além de outros festivais de música do país.

Quer conhecer a música de Daniel Torres e as novidades da Plástico Lunar? Então não perca o Cena do Som desta semana! O programa vai ao ar toda quinta-feira, às 19h, com reprise aos sábados a partir das 15h30. Confira na sua Aperipê TV!

Fonte: www.aperipe.se.gov.br

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Música cerebral

Para o bem ou para o mal, continua aumentando o número de cabeças pensantes sergipanas auto-exiladas além fronteiras da província. Uma delas, grandinha, por sinal, é a de Bruno Montalvão, ex-Marginal produções, a mente por trás de pelo menos dois eventos que marcaram história na Capitania de Sergipe D,El Rey, o Rock-se, festival de 1998 que trouxe à cidade alguns dos grandes nomes da música alternativa da época, e a Boite do Porão do Cultart. Já faz algum tempo que Montalvão anda maquinando das suas por aí, não mais aqui, mas com as antenas ligadas para o que há de bom vindo de sua terra natal. Seu novo empreendimento é a "Brain Productions", que será lançada com um Festival no mês de janeiro, em São Paulo. Saiba mais:

"Em 2010, nasceu a Brain Productions. Meio no susto, meio de brincadeira, mas acabou vingando. Era abril, e o produtor artístico Bruno Montalvão estava prestes a produzir o show de Jonathan Richman, ex-vocalista e líder do Modern Lovers, no Brasil. Para tanto, precisava de um nome que assinasse sua nova produção e veio a idéia de “criar” uma produtora. E que nome melhor, senão Brain (Cérebro em inglês), uma brincadeira com a cabeça avantajada do próprio produtor?! A piada pegou, o nome ficou.

Para comemorar a entrada de 2011 e chegada oficial da produtora, preparamos uma grande festa de lançamento no Centro Cultural São Paulo, nos dias 08, 09, 15 e 16 de janeiro. Aproveitando para apresentar shows de seus artistas: Vanguart, Pública, Visitantes e The Baggios, e de artistas parceiros como O Sonso e Bicicletas de Atalaia.

Ao projeto demos o nome de MÚSICA CEREBRAL, pois embora o nome remeta à pensamento e coisas complicadas, a intenção é justamente buscar o lado espontâneo e até irônico dessa “música cerebral”, afinal de contas o cérebro não serve só para pensar. Ele coordena todas as nossas ações: a alegria, a dança, o sorriso, a emoção, os delírios. Então vamos comemorar tudo isso com 04 dias de música, celebrando as diversas formas de pensar a música, com o cérebro, mas também com o coração e todo o corpo.

Venha comemorar conosco, venha brindar a nova música brasileira. Esperamos todos vocês, em janeiro, no CCSP.


PROJETO MÚSICA CEREBRAL
Centro Cultural São Paulo (Sala Adoniran Barbosa) – Janeiro/2011

DIA 08/JANEIRO (SÁBADO)
Pública (RS) recebe Tita Lima e Saulo Duarte.
Djs Cardelli & Dods(Visitantes)

local: Sala Adoniran Barbosa (CCSP)
abertura bilheteria: 17 horas
horário show: 19 horas
ingressos: 20 inteira/10 meia

DIA 09/JANEIRO (DOMINGO)
Bicicletas de Atalaia (SE) e O Sonso (CE)
Dj Douglas Godoy (Vanguart)

local: Sala Adoniran Barbosa (CCSP)
abertura bilheteria: 16 horas
horário show: 18 horas
ingressos: 20 inteira/10 meia

DIA 15/JANEIRO (SÁBADO)
Vanguart (MT) convida Cida Moreira e Thiago Petit.
Dj Montalvão (Brain Productions)

local: Sala Adoniran Barbosa (CCSP)
abertura bilheteria: 17 horas
horário show: 19 horas
ingressos: 20 inteira/10 meia

16/JANEIRO (DOMINGO)
Visitantes (SP) convida Daniel Groove (O Sonso).
The Baggios (SE) convida Helio Flanders (Vanguart)
Dj Daniel Belleza

local: Sala Adoniran Barbosa (CCSP)
abertura bilheteria: 16 horas
horário show: 18 horas
ingressos: 20 inteira/10 meia

Fonte: Divulgação

O Último show de rock do ano

A celebração do reveillon não é o único evento do calendário cultural aracajuano na última semana de 2010. Antes da festa da virada, o público apreciador do rock'n'roll tem a última chance do ano de assistir a um show do gênero. É a Festa da Antevéspera, que acontece na noite da próxima quinta-feira, 30, no bar Capitão Cook. O ingresso custa R$ 10 e é vendido no local da festa.

Organizada por um grupo de amigos aracajuanos que hoje vive fora da capital sergipana, a festa foi concebida também como uma oportunidade para que outros 'exilados' que visitam a cidade no fim do ano vejam suas bandas conterrâneas preferidas em ação. Uma espécie de reencontro anual da família roqueira aracajuana.

Para garantir a diversão na penúltima noite do ano, foram convocadas duas autoridades no assunto: as veteranas Snooze e Plástico Lunar, ambas respeitadas nacionalmente e detentoras de uma coleção de canções já bem conhecidas do público roqueiro sergipano.

A Festa da Antevéspera marca a volta da Snooze ao palco após dois meses. A banda, formada pelos irmãos Fábio Snoozer (baixo e vocal) e Rafael Jr. (bateria) e pelo guitarrista Luiz Oliva, se apresenta em nova formação, que agregou ao time o tecladista James Bertisch.

Completando o pacote, os amigos à frente de organização da festa atacam de DJs entre uma banda e outra e prometem colocar o público presente para dançar numa “batalha” onde as armas serão rock & roll de todos os tempos e soul music.

Fonte: Infonet


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Feliz Natal, roqueiros

Lembrando que amanhã, véspera de natal, não vai haver programa de rock. Mas se houvesse, certamente eu iria tocar "Merry Christmas (I don´t wanna fight tonight)", dos Ramones.

A.


Feliz Natal (Eu Não Quero Brigar Hoje) Ramones

Feliz natal, eu não quero brigar hoje com...

Feliz natal, eu não quero brigar hoje
Feliz natal, eu não quero brigar hoje
Feliz natal, eu não quero brigar hoje com você

Onde está Papai Noel com o seu trenó?
Diga-me, por que é sempre desse jeito?
Onde está Rudolph? Onde está Blitzen, amor?
Feliz natal, feliz feliz, feliz natal

Todas as crianças estão em suas camas
Fadas de açúcar estão dançando em suas cabeças
Briga de bolas de neve é tão excitante, amor

Eu te amo e você me ama
E é desse jeito que tem que ser

Porque Natal não é o momento
de quebrar o coração
um do outro


(Tradução de Rafael F. A.)


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Festa de debutante.

Que fique registrado nos anais (ui) da História que aconteceu, no último sábado, uma grande Festa no parque da Sementeira, em Aracaju, em comemoração ao aniversário de 15 Anos da FM Aperipê, a rádio pública de Sergipe. Foi um verdadeiro desfile de talentos apresentando uma diversidade de gêneros e estilos musicais impressionante, tudo pontuado por um único denominador comum: a qualidade dos grupos e artistas que se revezavam no palco construído à beira do lago. O rock não ficou de fora, logo, eu estive presente. Porque não tem jeito: eu sou do rock. Mas é evidente que sei reconhecer a qualidade e a relevância de outros ritmos, e acho importante que haja espaço para todos, independente do apelo comercial. Daí a importância de uma emissora pública forte e bem gerida, desvinculada das amarras limitadoras do mercado.

Se apresentaram naquela noite, dentre outras, as bandas Café Pequeno, Cabedal e Lacertae. Eu, atrasado como sempre, cheguei no meio do show do Pantera (não é o que você pode estar pensando, nem sou eu que estou delirando, é o pseudônimo de um artista sergipano). Vai meio que no esquema “voz e violão” - não é a minha praia, mas é competente no que se propõe a fazer. Na sequencia The Baggios, dupla infernal de blues-rock eletrificado que sacudiu as estruturas daquela espécie de “festa hippie” (figurinos com estampados floridos, clima bucólico ao ar livre, panos coloridos largados na grama, havia um certo clima de Woodstock no ar). Guitarras no talo, bateria espancada sem dó nem piedade, show enxuto e sem frescuras. O feeling de sempre de Julico e Perninha, amplificado pela excelente estrutura montada e pelo som de Ricardo Sá, referência de qualidade no estado desde quando eu me conheço como gente. O governador do estado, Marcelo Déda, registrou no seu twitter que tinha adquirido o EP deles e estava ansioso para ver o show, pena que não postou sua impressão final (político, né?), mas tomara que tenha gostado ao ponto de podermos sonhar com outdoors espalhados pela cidade anunciando: “Governo do Estado apresenta: The Baggios, em turnê européia”, ou algo do tipo. Sei lá, tudo é possível ...

Depois dos Baggios se apresentou o sanfoneiro Cobra Verde. Não falou nem cantou nada, apenas subiu lá e tocou (muito bem, diga-se de passagem) sua sanfona, acompanhado por um tradicional trio pé-de-serra. Muito bom. Sem papo furado, só boa música regional.

Já Patrícia Polayne fez uma apresentação mais teatral, cheia de caras e bocas, porém igualmente competente. Faz um som autoral e interessante, com boa interpretação vocal e algumas excelentes composições, como o hipnótico “hit” “Arrastada”, com o qual ganhou a Festival da Arpub (Associação das Rádios Públicas do Brasil) do ano passado. Foi ovacionada. Está quase virando uma estrela “Cult”, a garota que eu vi pela primeira vez sendo confundida com Fernanda Takai no primeiro show do Pato Fu que aconteceu em Aracaju, no extinto Batata Quente da Orla de Atalaia.

Para terminar a noite, Mundo Livre S/A, de Recife, que há bastante tempo não tocava na cidade. Já subiram mandando bem com a clássica “Free World S/A”, faixa que abre o segundo e melhor disco deles, “guentando a oia”. A partir daí foi um desfile de grandes canções que marcaram os anos 90 e os primórdios do movimento “mangue beat”, além de uma inédita que começa “malemolente” e do meio pro final vira um batidão eletrônico que remete ao Devo. Grande show, encerrado com o hit “livre iniciativa” e com a satisfação estampada na cara de Fred 04, que saudava aquela como a melhor apresentação, com a melhor estrutura e o melhor publico, que eles fizeram em Aracaju. E foi mesmo: No último show que me lembro, na extinta boate “litttle hell” (posteriormente puteiro “pantera´s drinks”), não deu quase ninguém.

Foi uma grande noite. Estão de parabéns todos os envolvidos.

Adelvan

sábado, 18 de dezembro de 2010

Lemmy, uma entrevista

Inked: Quando você fez sua primeira tatuagem?

Lemmy: "Em 1973, quando eu estava no HAWKWIND. Estávamos em Dayton, Ohio, num domingo, e o estúdio de tatuagens era o único lugar aberto. Estávamos entediados pra porra, então fomos todos lá e fizemos uma tatuagem 'hippie' ridícula. A minha foi uma folha de maconha, que eu acabei cobrindo porque parecia uma pizza com asas".

Inked: Qual é a sua tatuagem favorita?

Lemmy: "A do Ace of Spades, mas não dá mais pra ler. Está escrito 'Born to Lose, Live to Win' em volta, mas as palavras se borraram umas sobre as outras. Foi feita em 1979 na Holanda".

Inked: Você provavelmente já viu algumas tatuagens bem doidas do MOTÖRHEAD nesses anos todos.

Lemmy: "Nem fala, cara. Um amigo nosso na Alemanha cobriu as costas todas com o logo e ele fez uma tatuagem da gente do lado da cabeça e no peito. Ele tatuou também nossos rostos nas panturrilhas".

Inked: É estranho ver sua cara tatuada em alguém?

Lemmy: "Se é uma foto bonita, eu não me importo, mas se eu pareço um porco com bócio, então não é bom. Eu já vi dos dois tipos".

Inked: O "Motörizer" tem algumas letras bem políticas.

Lemmy: "Sim, uma delas é sobre o Iraque, 'When The Eagle Screams'. Escrevi essa porque eu sei a história da guerra. Eu estudei isso, e é um exemplo primoroso do dinheiro mandando seus garotos para suas mortes. O interesse está ganhando da lógica. Todos sabem que não havia armas de destruição em massa no Iraque porque nós vendemos para eles tudo o que eles tinham. Vou te contar uma história engraçada. Você sabe quando os britânicos invadiram o Iraque junto com vocês? Nós não tínhamos nenhum uniforme de deserto. Só tinhamos verde e cáqui porque vendemos todos os uniformes de deserto para o Iraque três anos antes. Isso não é ótimo? Eu odeio todos os políticos. São todos falsos".

Inked: Sua marca musical é "Ace os Spades". Você é um apostador?

Lemmy: "Não, na verdade não. Eu só gosto de jogar. Como se diz na música, 'o prazer é jogar, não faz diferença o que você diz'. O apostador nunca ganha, não ao longo do tempo. A maior quantia que eu perdi de uma vez foi três mil. Eu ganhei nove mil em uma jogada no caça-níqueis sete anos atrás no Venetian, em Las Vegas. Coloquei dois mil de volta no jogo e levei sete mil pra casa. Isso foi bom pra mim".

Inked: Você vai frequentemente a clubes de strip. Você é fã de "lap dance"?

Lemmy: "Claro. É uma provocação, mas às vezes você consegue convencê-las, entende? E você só consegue convencê-las se elas fizerem uma 'lap dance' [Nota do editor: dança onde a garota provoca o cara, mas este último não pode tocá-la, se o fizer com certeza será "gentilmente convidado" a se retirar por um segurança com dois metros de altura por dois de largura]. Você não consegue convencê-las a ir pra casa com você direto do bar".

Inked: Já saiu com alguma atriz pornô?

Lemmy: "Já, com cinco delas, na verdade".

Inked: Alguém que conhecemos?

Lemmy: "Não sou de ficar contando".

Inked: Estrelas pornô são melhores na cama do que garotas normais?

Lemmy: "Não, são iguais, mas de novo, eu não sou tão bom de cama com as pessoas com quem eu transo normalmente, então eu acho que fica equilibrado".

Inked: Tem hobbies?

Lemmy: "Pegar mulheres, suponho. Na verdade, não, isso é uma carreira. A música é o hobby".

Inked: "Você disse à Maxim [revista masculina] que já dormiu com 2.000 mulheres".

Lemmy: "Não, eu disse 1.000 e acho que eles inflacionaram um pouco. Mas não fico contando, sabe?"

Inked: "Você escreveu uma das maiores baladas de Ozzy Osbourne, 'Mama I'm Coming Home'. Como isso aconteceu?

Lemmy: "Depois de eu me mudar pros EUA, Sharon [Osbourne] me ligou e disse, 'você pode escrever quatro músicas pra mim', e me fez uma proposta que eu não podia recusar. Uma delas foi 'Mama I'm Coming Home'. Eu ganhei mais dinheiro por essas quatro músicas do que com 15 anos de MOTÖRHEAD. E então eu escrevi mais duas para o 'Ozzmosis'".

Inked: Você parece ter uma relação de amor e ódio com Sharon.

Lemmy: "Não, o que aconteceu foi que ela assumiu como nossa empresária em 1991. E quando ela foi para o Japão, ela mandou um empresário em turnê com a gente e ele fodeu com a grana e disse que foi nossa culpa. Ela confiou na palavra dele em vez da nossa, o que é bem natural porque o cara era dela. Mas eu nunca perdoei ela até semana passada quando ela finalmente disse, 'OK, eu acredito em você'".

Inked: Você é religioso de alguma forma?

Lemmy: "Sou agnóstico, na verdade. Vou esperar e ver... e eu posso esperar. Mas não tenho medo de morrer. Qual é o motivo para ter medo do inevitável? Eu só espero que não seja num hospital cercado de imbecis e com tubos enfiados no nariz, sabe? Minha ética é, 'coma, beba e seja feliz, pois amanhã morreremos'. Você pode ser o quanto cuidadoso quiser, mas você vai morrer de qualquer jeito, então porque não se divertir?"

Inked: O mundo está em guerra e a economia e o meio-ambiente são uma confusão. A humanidade está condenada?

Lemmy: "Não se engane. Já é tarde. Estamos no fim. Logo vamos ser extintos ou vamos viver em cavernas hermeticamente fechadas porque envenenamos o ar que respiramos, a água que bebemos e a comida que comemos. E não é como se não soubéssemos disso, mas as empresas quiseram mais o dinheiro do que a vida de seus filhos. Não é maravilhoso? Você pode sempre contar com a humanidade".

Traduzido por Leo Kreator, para o site whiplash

Fonte - Inked Magazine

# 173 - 17/12/2010

Já faz um bom tempo (nem lembro quanto) que a outra banda fundadora do “movimento mangue”, o Mundo Livre S/A, não toca em terras sergipanas. A primeira vez foi ainda no auge do “estouro” do novo som do Recife, no extinto “Batata quente”, na orla de Atalaia, com abertura da Living In The Shit, de Alagoas, e da Miller Babies, daqui mesmo de Aracaju. Depois tocaram no Cultart e numa também extinta boate que tinha o sugestivo nome de “Little Hell”. Lembro do pouco público e da presença da, na época, anônima, Priscila Leone, a vocalista do Inkoma, também conhecida como Pitty. Ela tava “de rolê” por aqui, sem a banda, e acabou fazendo uma resenha do show para o saudoso fanzine “Cabrunco”. Tudo isso ainda nos anos 90, comecinho dos anos 2000. Segundo Leo Levi, diretor de programação da Aperipê FM, eles tocaram mais uma vez, no Tequila Café – se rolou realmente, eu não fui, porque não me lembro. Mas o que importa é que o Mundo Livre está, finalmente, de volta à NOSSA “manguetown”, e fará, assim espero, um grande show, ao ar livre, no Parque da Sementeira, hoje à noite, encerrando as atividades comemorativas dos 15 anos da FM Aperipê. Para marcar a ocasião, o programa de rock resolveu relembrar o clássico primeiro disco da banda, “Samba Esquema Noise”, em sua sessão “Discoteca Básica” (inspirada, é sempre bom frisar, na antológica coluna da revista Bizz). Fora isso, tocamos Raul, porque Raul é foda e para lembrar nossos ouvintes de que na mesma noite do programa, no Capitão Cook, aconteceria a segunda edição do Tributo a Raul Seixas, “cometido” pelas bandas The Baggios e Plástico Lunar. No bloco do ouvinte, uma dose dupla oferecida por nossa camarada Joelane: na primeira parte, 3 das melhores bandas sergipanas da atualidade, na segunda, metal, com direito ao clássico dos clássicos “Ace of Spades”, do incansável Motorhead (aproveitamos para encaixar uma musica do novo disco da banda, “The World is yours”). No quesito novidades, Massive Attack, Smashing Pumpkins (acabaram de lançar um novo EP), REM, Lou Barlow e J. Mascis, com uma faixa de seu novo disco solo e acústico que sairá no primeiro semestre de 2011.

Este foi o último programa de rock do ano. Obrigado pela audiência, Feliz Natal e blah blah blah pra todos.

Até 2011.

A.

* * *

(Wikipedia) Samba Esquema Noise é o primeiro álbum da banda brasileira Mundo Livre S/A, lançado pelo selo Banguela Records, em 1994. Considerado por alguns críticos como "a música dos anos 90", trouxe uma mistura de samba, rock, punk e ritmos regionais, dentre outros. O título é uma referência ao primeiro álbum de Jorge Ben, Samba Esquema Novo.[1]

Mesmo com dez anos de formação completados, a banda estreou em disco somente naquele ano. Foi o segundo álbum lançado pelo Banguela Records (selo que o grupo paulistano Titãs mantinham em sociedade com o jornalista e produtor Carlos Eduardo Miranda na Warner), sendo o sucessor do disco de estréia dos Raimundos.

Aclamado como um dos melhores álbuns da década de 1990 pela revista ShowBizz, em novembro de 1999, e pela Rolling Stone Brasil como um dos grandes discos da música brasileira, em 2007, Samba Esquema Noise foi um trabalho superproduzido, tendo a banda, inclusive, estourado o prazo de gravação no estúdio e o orçamento, estimado em mais de 40 mil dólares. O que não foi compensado pelas baixas vendagens do CD à época, que sairia de catálogo em pouco tempo - o disco voltaria ao mercado em 2001, relançado dentro da série Arquivos Warner e, em 2004, seria reeditado mais uma vez, agora como parte da caixa Bit.

Foi gravado e mixado por Beto Machado (Bob Mac) nos estúdios Be Bop (sp) em sistema analógico de 24 canais de maio a julho de 1994, num total de 660 horas. Além da arrojada produção, contou com várias participações especiais distribuídas na maioria de suas trezes faixas, quem iam dos amigos e percussionistas da Nação Zumbi até a atriz global Malu Mader (em "Musa da Ilha Grande"). A faixa "Sob o Calçamento (Se Espumar é Gente)" se destacou neste prisma: traz participações de Gilmar Bola 8, Toca, Gira, Canhoto e Dengue (Nação Zumbi); de Paulo Miklos, Nando Reis e Charles Gavin (Titãs); do produtor Apolo IX; de Syoung; de Ligeirinho (Guanabaras); do percussionista James Müller; e, finalmente, do rapper Sérgio Boneka. Todos que visitavam o estúdio de gravação se ofereciam para deixar algo registrado na composição, até a elaboração do arranjo final, feita por Charles e Miranda.

  1. Manguebit
  2. A Bola do Jogo
  3. Livre Iniciativa
  4. Terra Escura
  5. Saldo de Aratú
  6. Uma Mulher com W... Maiúsculo
  7. Homero, o Junkie
  8. Rios (Smart Dugs), Pontes & Overdrives
  9. Musa da Ilha Grande
  10. Cidade Estuário
  11. O Rapaz do B... Preto
  12. Sob o Calçamento (se Espumar é Gente)
  13. Samba Esquema Noise

Samba esquema noise

Mundo Livre S/A


A felicidade como a morte
É como um concurso milionário da Tv
Existe um globo infinito
Com bilhões de bolinhas
Girando
Em algum lugar
A cada instante uma deusa
Retira um número
Que pode ser o meu
Dá pra entender?
Por isso,
Nada de pudores
Dá pra entender?
Ou você explora o próximo
Ou o próximo é você
Esta é a única moral
Do mundo
Dá pra entender?
A felicidade como a morte
É como um concurso milionário da Tv
Existe um globo infinito
Com bilhões de bolinhas girando em algum lugar
Dá pra entender?
A cada instante uma deusa retira um número
Que pode ser o meu
Por isso nada de pudores
Dá pra entender?
Ou você explora o próximo
Ou o próximo é você
Esta é a única e verdadeira moral no mundo horrível
Dá pra entender?
Passei na cidade
Girando em algum lugar

# # #

Raul Seixas – Tente outra vez

Massive Attack – Redlight (Clark remix)
The Smashing Pumpkins – The Felowship
REM – Discoverer
Lou Barlow – On the face
J. Mascis – Not Enough

The Soundscapes – We´re all made of star stuff
Messias – Broadcast your escape
(Drop Loaded)

The Exploited – Dead Cities
GBH – Faster faster
Cock Sparrer – Riot squad
Cockney Rejects – Here we go again

(Bloco produzido por Joelane):
Plástico Lunar – Formato cereja
The Baggios – Na porta do bar
Mamutes – Cabeça de mamute
------------
Holocaust – Heavy Metal Mania
Kiss – Love her all I can
Motorhead:
# Ace of spades
# Rock and roll music

U2 – Magnificent

Mundo Livre S/A – “Samba esquema noise”:
# Samba Esquema noise
# Livre Iniciativa
# A Bola do jogo
# Musa da Ilha grande
# Cidade Estuário

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Toca Raul

O “Tributo ao Raul Seixas” é um projeto que envolve membros das bandas The Baggios e Plástico Lunar, formado em 2009 com o objetivo de prestar uma homenagem aos 30 anos da morte do maior ícone do rock nacional. Eles contam também com algumas participações como Alex Santanna ( Naurêa) e Thiago “Tubarão” (Os Trouxas).
Com a grande aceitação do público a banda resolveu reviver esse projeto novamente e vão fazer a sua terceira apresentação no Capitão Cook no próximo dia 17. Foram escolhidas mais de 50 canções que vão da época jovem guarda do cantor, até os grandes ritts e músicas do seu ultimo disco, composto com seu parceiro Marcelo Nova.
A noite promete mais de três horas de show, mas sempre tem rendido além disso, então não perca o ultimo grande tributo do ano.

O que? Tributo a Raul Seixas
Quando? Dia 17 de Dezembro
Onde? Capitão Cook
Que Horas? às 22hs

Priscilla Novaes Leone é gente que faz ...

Pitty esteve em Londres gravando um especial de TV sobre os 40 anos da morte de Jimi Hendrix, fez um ousado ensaio para uma revista de tatuagem e viu uma de suas músicas impedida de entrar na programação de uma rádio porque outra, dela própria, se recusava a parar de tocar. Contudo, a cantora vê o espaço para o rock “se estreitar” na grande mídia – ela foi um dos poucos artistas do gênero a gravar o tema do Rock In Rio, para a próxima edição. Este também foi o ano em que ela e o guitarrista Martin começaram o projeto paralelo Agridoce, distante do rock, e Martin, por sua vez, iniciou outra banda com o baterista Duda. Nada que abale o grupo, Pitty garante.

Nessa super entrevista concedida ao jornalista Marcos Bragatto e feita aos poucos via internet, a cantora também fala de jabá (sim, ainda existe), do dilema que vive quanto à formação intelectual dos fãs, das agruras de ser famoso e usar as ferramentas da internet (tem blog, twitter e facebook), além de espinafrar a falta de conteúdo das bandas mais novas. Confira abaixo todos os detalhes!

Fonte: Rock Em Geral

Rock em Geral: Vocês vão gravar um novo DVD, dessa vez no Circo Voador. O que esse vídeo vai ter de diferente se compararmos com os demais?
Pitty: Tudo. Outro tipo de edição e linguagem, a banda diferente por conta do tempo de estrada. É um show com repertório bem distinto do anterior. Inclusive, a idéia é não regravar nenhuma música que já havia entrado no “{Des}Concerto”. A idéia de fazer no Circo é antiga, nossos shows por lá sempre pegam fogo e eu queria um DVD que captasse essa vibe mais roots, mais show de rock mesmo, simples e sem firulas. O Circo Voador me pareceu o lugar ideal para isto, além de ser um lugar emblemático para o rock nacional traz no próprio nome uma “ludicidade” que me agrada muito.
REG: O lançamento será quando? Em quais formatos? O áudio sai em vinil também?
Pitty: A previsão é para março ou abril. Vai sair em DVD, Blu-ray e acredito que também em CD. Não conversamos ainda sobre sair em vinil, mas é possível. Por mim sai em todos os formatos, para cada um aproveitar do jeito que lhe convier.
REG: Sua carreira tem se pautado pelo lançamento de muitos vídeos. É uma iniciativa artística ou a necessidade de ter aquilo que o mercado consome (DVD)?
Pitty: Em relação ao “padrão” acho até que lançamos poucos DVDs. Em sete anos de carreira, de show ao vivo só tem o “{Des}Concerto”. Não fizemos DVD ao vivo de todos os discos, os outros que temos são documentários. O “Admirável Vídeo Novo” engloba uma parte da cena alternativa baiana e versões em estúdio tocando com alguns convidados; o “Chiaroscope” é um making of do disco só que sem depoimentos, é mais vídeo-arte e experimentalismo visual. São três ao todo, em sete anos, e agora serão quatro. Não tenho noção se isso é muito ou pouco, mas esses foram os que a gente teve vontade de fazer até hoje. Tem banda que mal lança disco de estreia e já vem com DVD ao vivo, né? É isso, acho que o público curte DVD. Eu também curto, mas não forço a barra na hora de fazer nem fico inventando motivo. Pinta uma idéia que a gente acha bacana, a gente vai lá e faz.
REG: O repertório já foi definido? O que você pode nos adiantar?
Pitty: O set list é baseado no “Chiaroscuro”, com alguns lado B do primeiro disco e uma inédita - até agora. Dessa vez tem participações especiais também, coisa que não rolou no anterior: Hique Gomes, do Tangos e Tragédias em “Água Contida”, e Fábio Cascadura, numa parceria nossa chamada “Sob O Sol”. A grande novidade pra gente foi trazer um tecladista (o Bruno Cunha, do Caixa Preta) para este projeto. É uma experiência que eu sempre tive vontade de fazer, muitas bandas que eu adoro usam isso com maestria e o som fica mais cheio e complexo. Morria de curiosidade de saber como ficariam as músicas, às vezes com um Hammond fazendo a cama, às vezes com barulhinhos lisérgicos de Mini Moog, e tantas outras possibilidades. Essa foi uma descoberta que veio com o “Chiaroscuro”, quando dobramos alguns riffs de guitarra com sintetizador e vimos que resultava num timbre foda, ou quando adicionávamos um piano staccato numa parte mais rápida e aquilo fazia a canção “andar”. Quando se fala em teclado percebo que alguns ainda têm uma idéia estereotipada da coisa; mas o instrumento pode ser usado como camada subliminar, às vezes quase imperceptível e adicionando uma textura nova e muito interessante aos ouvidos. O resultado nos ensaios tem sido sensacional e a gente está amarradão.
REG: Faz mais ou menos um ano que o “Chiaroscuro”, foi lançado. Com esse distanciamento, do ponto de vista artístico, como você avalia a sequência dos três discos?
Pitty: Talvez ainda seja cedo para englobar apenas três discos nessa comparação que vou fazer agora, mas é como se fossem três fases de uma vida. O primeiro é a infância: inocente, puro, aprendiz e cheio de vontade. O segundo é a adolescência: urgente, auto-afirmativo, enérgico, querendo se descobrir. E o terceiro seria a vida adulta: um prenúncio da maturidade. Cheio de questionamentos subjetivos, menos literal, mais misterioso e mais complexo, emocionalmente. É a tranquilidade de ser mais do que querer mostrar que é, aquela estranha calma turbulenta que se adquire com a idade.
REG: Em termos de vendas e exposição, o “Chiaroscuro” manteve o desempenho dos anteriores?
Pitty: Os tempos são outros, e nós também somos outros. Guardando as proporções de mercado ao longo desse tempo, o “Chiaroscuro” tem se saído melhor que a encomenda. Não é um disco exatamente “fácil”. Apesar de ter canções bem melódicas, se faz necessário uma audição mais atenta. A sonoridade dele é introspectiva, nada está “de bandeja”, tem muita coisa a ser descoberta ali. As letras exigem uma atenção maior, sempre há uma entrelinha. E o público mais jovem tende a absorver mais rapidamente coisas mais palatáveis, especialmente nesses tempos de coisas bem facinhas. A melhor coisa do “Chiaroscuro” foi ter trazido para perto uma galera mais velha e com referências mais parecidas com as nossas, além de ter mantido os que cresceram desde o nosso primeiro disco e continuam se identificando. Vender disco já nem é de fato um objetivo, é um milagre. Sobre exposição, a grande mídia também mudou de lá pra cá. O espaço para rock (rock mesmo, digo) se estreitou. Mas é sempre um ciclo. Isso tudo é periférico, e não deve influenciar na decisão de se fazer um disco assim ou assado. Para mim mais vale esperar o mundo girar a meu favor do que, a cada nova estação, adquirir uma camuflagem para caber na situação. O que sei é que dos três, o “Chiaroscuro” é o que tenho mais orgulho.
REG: Você disse que não consegue colocar uma nova música nas rádios porque “Me Adora” continua tocando. Por que isso acontece?
Pitty: As rádios têm um número limitado de músicas nacionais a serem tocadas, bem menor que o espaço reservado para as músicas gringas. Isso porque (e eles comprovam em Ibopes e afins) artistas internacionais na programação dão mais audiência. Bom, foi o que eu soube. E aí que “Me Adora” - que de início sofreu uma boa resistência para ser tocada - começou em uma rádio que primeiro abriu o espaço, ganhou força, passou para as outras e não saiu mais das paradas. Continuava entre as mais pedidas mais um ano depois do lançamento, o que me deixa muito lisonjeada. Só que já precisávamos vir com coisa nova, e não é possível ter duas músicas da mesma banda nesse espaço já restrito de programação nacional, além da questão de “Fracasso” ter umas guitarras mais roncantes coisa e tal. Ou a letra, sei lá. Vou te falar que isso tudo sou eu tentando entender, porque no final das contas acho que se tivéssemos feito versões acústicas tinha tocado qualquer uma. Mas a coisa anda tão sinistra que eu soube de gente que não tocou “Fracasso” sob a alegação “não toco uma música com esse título na minha rádio”. Cada um com sua loucura, né?
REG: Você é um dos poucos artistas que são “trabalhados” nos moldes antigos, com pagamento de jabá às rádios e TVs. Você acha que isso ainda funciona?
Pitty: Não é bem assim. Sou de uma gravadora independente que não conta com rios de dinheiro, especialmente em tempos de crise. Nunca soube de jabá em TV - ao menos pra mim, não sei como funciona para os outros. Nas rádios o que sei é de alguns shows promocionais, sem cachê. Isso é tranquilo, porque estou tocando para divulgar o meu som, isso não me incomoda. Ou de promoções com os ouvintes, o que também não me incomoda nem um pouco. Se fosse simplesmente pagar para tocar, teoricamente eu não teria preocupação com singles mais pesados, e não é o que acontece. Cada rádio tem o seu perfil, e a coisa é que não existe mais rádio exclusivamente de rock no Brasil. Rádio grande, digo. Aí fica tudo misturado, padronizado. É ter banda de rock competindo com r&b e pop, que por ter um público maior, naturalmente ganha mais espaço. E o rock fica ali espremido, tímido, tendo que se enquadrar nesse padrão médio para não destoar dentro da programação. Eu já dou murro em ponta de faca demais, isso cansa. E o pior é ficar de “lobo da estepe” na situação, sem nenhum artista ou banda para fazer coro a essas questões. Mas tocar em rádio ainda funciona, e muito, se você quer atingir um público mais massivo. Nem todo mundo tem internet banda larga em casa. Se interessar, até escrevi sobre isso uma vez: www.pitty.com.br/blog.php?id=182
REG: Recentemente você começou um novo projeto, Agridoce, como o guitarrista Martin, bem diferente do que você faz e distante do rock. O que pretende com ele?
Pitty: Exercitar outros lados, tocar piano, aprender a gravar em casa. Laboratório, experimentações. E botar pra fora essa parte mais introspectiva e melancólica que às vezes aparece nas minhas composições. Brincar com outra sonoridade, outro clima. Aproveitar meu tempo de forma criativa. Isso tudo era pretendido desde o começo; nada era no quesito “trabalho”. A coisa começou a chamar atenção e pessoas escreveram e se interessaram por isso, e aí pintou convite pra disco, show. Mas por enquanto, sei lá, a gente só quer fazer mesmo.
REG: O Martin e o Duda também têm outro projeto. Vocês estão cansados de fazer o que fazem ou faz parte tocar algo diferente de vez em quando?
Pitty: Não é cansaço; é muita energia criativa e uma enorme inquietude e curiosidade. Considero isso algo bom. Dá uma renovada, especialmente benéfica para a nossa banda principal. Projeto paralelo é pra isso, pra você gastar outros lados e experimentar novas possibilidades. No meio do ano, por conta de Copa do Mundo e eleições os shows deram uma diminuída. E aí, eu ia ficar fazendo tricô? Fomos ouvir som e fazer música.
REG: Você continua fazendo muitos shows? Tem idéia de quantos faz por ano e o número de cidades?
Pitty: Esse ano foi bem estranho, como eu falei. Pra todo mundo foi assim, todas as bandas sentiram. No fim do ano deu uma embalada boa, mas não sei de números. A média é de dois por fim de semana. Nos primeiros anos de banda fazíamos - sei lá - uns duzentos shows por ano. Hoje, sete anos depois, acho mais importante priorizar a qualidade do que a quantidade. Menos e melhores shows, em melhores circunstâncias. E assim ter tempo para outras atividades criativas.
REG: Depois de três discos bem sucedidos já deu pra comprar muita coisa com o dinheiro que você ganhou? Já dá para parar de trabalhar e só curtir a vida?
Pitty: Mas fazer o que eu faço é que é curtir a vida. Não sei o que seria curtição maior senão isso. Com a grana desses anos pude finalmente ter uma casa, um cantinho pra chamar de meu, isso é o mais precioso de tudo. Morria de medo de, literalmente, não ter onde cair morta. No mais, não tenho grandes sonhos de consumo. Não economizo com discos e livros e filmes, mas morro de pena de gastar com sapato ou roupa, por exemplo. O que considero luxo hoje com a grana que ganhei é poder viajar para festivais gringos e ver bandas fodonas. Me comprometi comigo mesma de uma vez por ano me dar esse presente.
REG: Você já parou para pensar sobre que tipo de público tem formado? A julgar pelos comentários deixados aqui no site, em matérias com você, em geral são pessoas muito novas, que mal conseguem se expressar ou fazer alguma observação interessante. Isso te incomoda?
Pitty: Eu vivo num eterno conflito em relação a isso. Por um lado, esse é o reflexo de ter atingido um grande público, heterogêneo, de várias classes sociais, idades e níveis intelectuais. Isso é, talvez, o “povo”. Por vezes não captam nem entendem todas as minhas referências, nunca ouviram falar dos livros que li ou das bandas que gosto, mas de alguma forma se identificam com meu som. Isso é bom na medida em que talvez a banda sirva de porta de entrada. Alguns desses podem se interessar e serem fisgados para estes assuntos. O lado cansativo é ter que agir didaticamente ou ser tido como um alienígena. Muitas vezes encontro pessoas que dizem gostar do meu som, mas que não têm absolutamente nada a ver comigo. E quando encontro gente que saca do que eu tô falando, é um presente sem tamanho. Tem outra coisa também: o rock no Brasil é extremamente infantilizado, em todas as frentes. Os adultos que curtem rock no Brasil acabam buscando lá fora suas referências e tem uma tendência enorme de desprezar as bandas brasileiras justamente porque aqui, para uma banda se divulgar em larga escala, ela precisa estar numa mídia mais popular ou voltada para os teens. Os adultos roqueiros do Brasil estão um tanto órfãos de boas publicações e canais de TV voltados para o estilo. O rock brasileiro acaba tido como “coisa de criança” e cria-se um enorme preconceito em relação às bandas porque estão todas juntas no mesmo saco - as legais e as bobinhas. Conheço muita gente que curte meu som, mas tem vergonha de dizer diante dos amigos porque admitir que gosta de uma banda brasileira famosa é pejorativo. As independentes tudo bem, é “cool”. Claro que existem sites, publicações e programas mais alternativos que dão conta do recado, mas atingem apenas aquela parte das pessoas que busca a informação de forma mais direcionada. E aí o que acontece é que a gente lida com uma galera mais popular e suas limitações, isso inibe uma galera com referências mais profundas de chegar perto “porque eu não posso gostar da mesma coisa que essas pessoas gostam”, e vira esse ciclo vicioso maluco. Os comentários no site talvez sejam o reflexo disso tudo, e para se pagar as contas confortavelmente com rock no Brasil é necessário atingir muita gente e sair do gueto. Eis aí o dilema.
REG: Você participou do clipe de lançamento do Rock In Rio, e era quase solitária como artista de rock. Como você vê isso?
Pitty: Tranquilamente, tenho consciência de que esse é o perfil do Rock in Rio. Desde o começo sempre teve artistas de outros estilos. Se não me engano Elba Ramalho, Ivan Lins e Moraes Moreira estiveram na primeira edição. Mas tem as grandes bandas de rock gringas também, e tocar num festival desse porte é sempre uma coisa sensacional para qualquer artista.
REG: Como artista grande, você deve se encontrar todo momento (em festivais, programas de TV e eventos) com artistas do mainstream que fazem música de gosto duvidoso - para dizer o mínimo. Como fazer para conviver com essas pessoas?
Pitty: Com civilidade e respeito. Cada um tem direito de fazer o que quer e eu não tenho obrigação de gostar, mas tenho obrigação de ser um ser humano civilizado e saber conviver com as diferenças. Não preciso dar tapinhas nas costas, apenas ser educada e cortês. Posso tranquilamente me dar bem com determinado artista no nível pessoal e não ter o disco dele em casa.
REG: Como você vê o novo chamado novo rock “teen” nacional?
Pitty: Não sei exatamente o que se enquadra nessa categoria ou não. Falam muito dessa coisa do “colorido”, mas, sinceramente, isso é o que menos importa. Não tô nem aí se é colorido, preto e branco ou incolor. Para mim vale a essência e a profundidade da coisa. E por isso, generalizando, vejo uma triste falta de conteúdo. Parecem não prezar pelo aprimoramento da linguagem, da escrita, do questionamento. Nem tô falando de ser panfletário ou algo do tipo, é possível falar sobre coisas leves com um vocabulário mais interessante. A questão é a falta de aprofundamento sobre qualquer assunto. É a superficialidade, a bobice, a falta de “culhão”. Por exemplo, vejo dizerem que o assunto “amor” é o vilão da história, que as bandas só falam disso e etc. E aí me lembro de grandes figuras como Cartola, Noel Rosa ou Morrissey que conseguiram falar de amor com poesia e sensibilidade, abordando lados menos óbvios, e vejo que a culpa não é do assunto. Talvez falte vivência, mesmo. Vejo também uma valorização exacerbada da imagem em detrimento da mensagem. Sou a favor da estética se ela serve pra endossar e comunicar uma idéia. Mas se não há idéia, a imagem é apenas uma embalagem bonita e oca. Um livro de capa deslumbrante e páginas em branco. Falta coragem para falar sobre as coisas nem sempre tão corretas que a gente sente; falta veneno, passionalidade, visceralidade, curva, malícia. Senão fica tudo muito morno e ajeitadinho, bonzinho e bonitinho. E sinto que o rock não nasceu para ser “inho”. O rock é “ão”.
REG: Sobre um novo disco, alguma coisa já agendada?
Pitty: Penso em fazê-lo ano que vem, ainda não sei quando, nem como, nem o quê. Tenho alguns embriões de idéia por aqui, mas vou deixar isso amadurecer no tempo certo. Um projeto de cada vez, e agora é hora de clipe novo e DVD.
REG: Imagino que o que você ouve hoje seja diferente daquilo que ouvia antes da fama. Isso muda na hora e definir que tipo de som vai fazer?
Pitty: Na real é diferente não por questão da fama, mas sim da passagem do tempo e do conhecimento de coisas novas. O que eu ouço hoje não anula o que eu ouvia antes, mas soma. Na hora de fazer som tudo aparece muito mesclado, os de hoje e os de ontem.
REG: O que você tem ouvido? Quais bandas têm te impressionado ultimamente, ao vivo?
Pitty: De mais recente que me chapou foi o Grinderman, banda do Nick Cave. Fiquei um tempo obcecada com o disco “Friendly Fire”, do Sean Lennon, mas já melhorei. O novo da Imelda May é massa, o Arctic Monkeys não é tão novo, mas não sai do meu play list. Curto muito a onda “Joy Division” do She Wants Revenge também. De shows, ver o Queens of The Stone Age e o Mars Volta no SWU me deixou abalada emocionalmente, especialmente o QOTSA. Absurdo como os caras são bons no palco.
REG: Você usa as ferramentas da internet com frequência, mas, outro dia, no twitter, te sugeriram para ser adicionada, foram reclamar com você e você protestou. Como vê essa relação artista na web x mundo real?
Pitty: Não lembro desse caso especificamente, mas volta e meia fico de saco cheio quando aparece gente sem noção. É impressionante como algumas pessoas não entenderam a finalidade da ferramenta e te cobram coisas absurdas. Ou mandam duzentas vezes mensagens irrelevantes de “me segue”, “me dá um oi” e criancices desse tipo. Pra quê seguir gente que eu não conheço se mal tenho tempo para ler os dos meus conhecidos? Nem consigo adicionar todos os amigos que quero. Teria que passar a vida na frente do computador, e ainda assim não daria conta, e ainda assim teria alguém reclamando “que não dá atenção”. Talvez a culpa seja dessa relação nociva de vassalagem que se estabeleceu entre banda e público, esse toma lá dá cá. “Goste de mim porque te mando beijo, digo que te amo, supro sua carência afetiva”. Acho perigoso esse paternalismo porque o que realmente importa, que é a música, acaba ficando sempre em segundo plano. Tem gente que aposta nisso como moeda de troca, se utilizando dessa carência para barganhar mais votos em prêmios ou coisas assim. Não quero que gostem de mim por causa disso, quero que gostem porque minha música os diz alguma coisa, porque se sentem tocados profundamente por ela. Eu não tenho nada a oferecer que não sejam minhas canções e minha própria confusão enquanto ser vivo - também em forma de arte. Se isso os alimenta, ótimo, me sinto recompensada. Se não, é hora de questionar se estão ali pela música ou pelo oba-oba. Ainda assim, a internet é um ótimo lugar pra dividir idéias e aprender coisas, e nesse caminho já conheci muita gente que valeu a pena e me acrescentou muito, portanto, valorizo bastante esse meio de comunicação.
REG: Você também sempre atualiza o seu blog e, no twitter, se intitula como “escrevedora”. Essa é uma vocação deixa de lado pela carreira artística ou as duas coisas caminham juntas?
Pitty: As duas coisas caminham muito juntas. Mas eu escrevo compulsivamente e obsessivamente, e preciso de mais lugares para escoar esses escritos além das letras de músicas, por isso o blog. Um dia, se eu tomar coragem, quem sabe faço um livro de crônicas.
REG: Você passou uma temporada em Londres recentemente, num trabalho envolvendo as homenagens aos 40 anos da morte de Jimi Hendrix. Explica como foi esse trabalho?
Pitty: Me chamaram para apresentar um documentário sobre os 40 anos da morte de Hendrix feito em Londres, passando por lugares emblemáticos da carreira dele. Aconteceram eventos especiais na cidade por conta disso, a casa dele foi aberta à visitação, com memorabília rara e tudo o mais. Foi sensacional a experiência, aprendi muito. Além disso, teve uma “Rock Tour”, visitando lugares importantes para o rock inglês e ouvindo as histórias das bandas. Conheci o Rainbow Theater, lugar de shows históricos onde, por exemplo, o Pink Floyd tocou o “Dark Side of the Moon” pela primeira vez. Hendrix incendiando a guitarra entrou pra história por causa do (Festival de) Monterey, mas em Londres eu descobri que poucos meses antes do Festival ele havia “testado” essa performance no Rainbow. Trabalhei, mas também me diverti a valer. Turismo etílico nas centenas de pubs, Camden Town e seus vinis, e aventuras por inferninhos do submundo londrino.
REG: Uma vez te perguntei sobre posar nua para uma revista masculina e você disse que não, que isso é uma “banalização da mulher”. No entanto, para uma revista de tatuagens, você mostrou muito mais do que se esperava. Mudou de idéia nessa questão?
Pitty: Claro que não. A diferença está na linguagem e no veículo. Ali era uma revista de tatuagem e comportamento, com matérias bacanas e textos que vão além da coisa da “mulher pelada”. O corpo ali é só mais uma coisa dentro de um todo. O público também é diferente, são outros valores. Meu problema nunca foi o pudor, por mim vivia todo mundo nu. O problema é a mente pequena, é querer a mulher de perna aberta desde que esteja de boca fechada.