quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Noite de Metal no Oceanário

O rock é teimoso, eu sempre digo. Num momento em que a cidade se ressente da falta de espaços para shows/eventos direcionados a um público mais alternativo, eis que surge uma noite totalmente dedicada ao metal num dos principais pontos turísticos do estado, o Oceanário de Aracaju, que pertence ao Projeto Tamar, dedicado à salvação das tartarugas marinhas. Fica encravado na região dos lagos da Orla de Atalaia, um cenário belíssimo e inusitado para o rock, quase sempre relegado aos guetos underground. Tem cinco aquários de água doce e 11 de água salgada - habitados, respectivamente, por peixes do rio São Francisco e da costa do estado. Um recinto com tubarões vira ponto de alvoroço às 16h30, quando os animais são alimentados e os turistas podem tocá-los. O local funciona também como centro de reabilitação de espécies.

Pensando aqui com meus botões, já rodei praticamente a cidade inteira indo a shows do meu “ritmo” favorito. O primeiro, meu “descabaçamento”, foi no conjunto Agamenon Magalhães. Lembro de “gigs” (como eram chamados os shows “punk” antigamente) nos quatro cantos da cidade, na 13 de julho, no centro (geralmente em estacionamentos), na Atalaia (Muquifo, U-Show-a, Batata quente, ATPN, BNB Clube), nos conjuntos habitacionais Fernando Collor (é, vergonhosamente nosso estado ainda tem lugares com o nome desta triste figura de nossa história) e Marcos Freire, em Socorro, no Bugio, Santos Dumont (onde uma amiga tomou um tiro na bunda), Augusto Franco, Orlando Dantas, Jardins (parque da sementeira), etc, etc, etc. Isso sem falar no interior, em Itabaiana, Estância, Carira, Glória, Poço Redondo, Tobias Barreto, Moita Bonita, Canindé do São Francisco, Lagarto, Maruim e Própria.

Pois bem, depois de uma certa confusão com os horários (divulgaram 22:00h no cartaz mas saíram espalhando que começaria às 21), cheguei cedo, apenas pra constatar que, como sempre, nada começaria na hora marcada. Tranqüilo, ir a show pra mim hoje é, muitas vezes, mais uma desculpa para sair de casa e reencontrar os amigos – e estavam (quase) todos lá, os indefectíveis RAS e Bilal e suas conversas “nonsense” (RAS falando para as meninas, por exemplo, que elas eram um colírio para seus olhos acostumados a ver Bilal e os “crossdressers” do centro toda noite), Augusto Cesar, grande artista plástico, que eu nunca mais tinha visto (descontado um breve encontro no Bar do palito), Fabio e suas panfletagens, desta vez com a acessoria feminina de Iara e Raquel “lady darkness”, Adriano, Murilo da Nucleador, Reinaldo, o “cara do farol”, Jason, Curisco, Sandra, Felipe Freire e, claro, os simpatissíssimos “donos da noite”, os caras da aniversariante Tchandala.

O show marcava o décimo quarto aniversário da banda e começou com o thrash “europeu” a la Sodom do Impact. Segundo show que eu vejo deles em menos de uma semana, sempre competentes e precisos no que se propõem a fazer. Fizeram uma apresentação enxuta e empolgante para o publico que começava a entrar. Um bom público, diga-se de passagem. Fosse num espaço menor, como o Cultiva, estaria lotado.

Já o Aliquid eu nunca tinha visto ao vivo. Não é muito a minha praia o tipo de som que eles fazem, um Heavy Metal melódico na linha do Helloween e Angra (não por acaso fizeram covers de ambas), mas é uma banda super competente que merece todo o nosso respeito. O problema maior, a meu ver, foi justamente o excesso de covers, inclusive de um clássico dos clássicos que todos se arriscam a tocar mas que não deveriam fazê-lo, pois até hoje nunca vi uma versão que fizesse jus ao poder da gravação original: a indefectível “painkiller”, do Judas Priest. O vocalista da Aliquid é muito bom, mas nessa ficou devendo – o que não é demérito nenhnum, diga-se de passagem, afinal trata-se de Rob Halford (AKA Metal God) em uma de suas melhores perfomances.

A terceira banda a se apresentar foi a Tchandala, recebida com as honras mais do que merecidas pelos presentes. Um exemplo de perseverança e amor ao metal, Dejair e sua turma fizeram o show de sempre, para o publico de sempre – novamente, nenhum demérito na afirmação. Só que não é, igualmente, a minha praia, então retirei-me ao recesso do meu lar, não sem antes fazer o tradicional pit stop para bater o velho sanduba antes de mais uma merecida noite de sono.

Ah, ia esquecendo: No "snake stand" pude conferir ao vivo as baquetas e palhetas personalizadas da Bad Snake, auto-intitulados "a banda mais perigosa de Aracaju". coisa finíssima ...

Metal is the Law.
The Law is the metal.

Adelvan k.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Clube dos Patifes em noite "fora do eixo"

Não é fácil traduzir uma canção. Não é fácil desenhar as sugestões sussurradas por um conjunto de acordes. É preciso a atenção dos criminosos e a ternura das amantes satisfeitas para conquistar o segredo adormecido na superfície prateada de um disco. Largue a afetação, cuide do afeto, e boa sorte. Se você encontrar a saída do labirinto, será dono de um tesouro impalpável, “a linda melodia do mais sincero blues”.

Esta semana, o Clube de Patifes nos visita em nova empreitada do Circuito Fora do Eixo. Eu conversei com Pablues, vocalista do quarteto baiano, para conhecer as expectativas da banda. A conversa foi divertida, mas completamente desnecessária. Tudo o que eu precisava saber estava registrado no disco “Com um pouco mais de alma”. Blues clássico, duro como pedra, digno dos fantasmas que vagam pelos bares mais vagabundos do Mississipi.

A impressão que o Clube de Patifes nos transmite é que o blues continua sendo coisa de fodido. Não importa se por vezes o desfile de personagens degenerados ensaiam uns passinhos de rock’n roll. Eles vestem um terno puído, bebem café amargo, derrubam os ombros vencidos pela chuva, o coração encharcado de amores mal resolvidos. Eles insistem no sonho de um dia blue…

Os músicos do Clube de Patifes não foram os primeiros, e certamente não serão os últimos, a perceber a simpatia existente entre o blues e o repente. Eles deixam isso claro logo na introdução do disco, quando os chiados nostálgicos de um vinil se misturam ao aboio pontuado por um uma guitarra acústica, filha orgulhosa da tradição. Há ainda a divertida “Bule Bule”, que nos transporta para o mercado, o meio da feira, para qualquer lugar freqüentado pelos poetas populares, que gastam a voz envelhecida em troca de uns tostões. É como se eles fizessem questão de realçar a semelhança. É como se eles lembrassem a si mesmos que é impossível ignorar tamanha identificação.

Os caras podem até buscar o sol, como afirmam em uma de suas composições, mas a noite, a hora em que o lobo sai para caçar, é a verdadeira sede do Clube de Patifes. É no escuro que Pablues (voz e gaita), Paulo de Tarso (Bateria), Joe Bass (baixo) e Stephen Ulrich (Guitarra) mostram as veias abertas, em escalas de acordes maiores e solos bem costurados. Tragos, esquinas escuras, tostões furados… Talvez eu esteja enganado, mas desconfio que seja essa a verdadeira face do que os faz viver.

riansantos@jornaldodiase.com.br

II Noite Fora do Eixo – Com Clube de Patifes, Urublues e Anéis de Vento

Local: Cultiva (Rodovia José Sarney, em frente ao Oca Bar)
Data: 14 de agosto
Hora: 22 horas

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

# 156 - 06/08/2010

Black Sabbath – It´s All right
Black Sabbath – Born again
Black Sabbath – The sign of the southern cross
Black Sabbath – Solitude

Relespública – Nunca mais
Relespública – Carro Bomba
(Drop Loaded)

Vital Remains – Let the killing begin
Expose your hate – Born to sin
Macabre – The Iceman
Anal Blast – cunt to throat
(por Fúria)
Facada:
• Podem vir
• Tu vai cair
• Satanist

Dinosaur jr. - out there
Autoramas - I saw you saying
Entrevista com Roberto Nunes
(Sessão Notívagos)

Mark Lanegan & Isobel Campbell – Hawk
Queens of the Stone age – ode to Clarissa
The Walkmen – Angela surf city

Iggy Pop – Je sais que tu sais
Mike Patton – Ore DAmore
Air – Love

Entrevista com Felipe Freire
(programa 105 puro rock)

Tchandala - Man´s enemy
Aliquid - How the story ends
[maua] - relief

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O legendário baterista do Black Sabbath, Bill Ward, conversou recentemente com Brandon Marshall do Sonicexcess.com sobre vários temas. Alguns trechos da entrevista podem ser conferidos abaixo.

Sonicexcess.com: Após a morte de RONNIE JAMES DIO, Tony Iommi disse a um jornal britânico que havia conversado com Geezer Butler sobre o Black Sabbath. Você pode adiantar alguma coisa?
Ward: "A única coisa que sei, e eu conversei com Tony.... bem, a única pessoa com quem ainda não falei foi Geezer, mas isso é porque ele prefere e-mail ao telefone, e Ozzy me ligou ontem. Acho que as coisas andaram um pouco. Na posição em que Ozzy se encontra, querendo excursionar com o Black Sabbath, significa que Ozzy esteve lá no lugar por tanto tempo e diz, 'Eu nunca vou dizer nunca'. Eu estou na mesma situação. Tony tem a mente aberta para um nova turnê do Sabbath. Algumas pessoas ouvem isso e acham que a banda vai voltar agora. Mas acho que, nesse momento, não há possibilidade, pois Ozzy estará na turnê de seu novo disco, que, aliás, é ótimo, pelos próximos 18 meses. Eu estou com um CD novo. Eu sei que Tony tem outras coisas que quer fazer musicalmente, e Geezer também. Nós todos queremos voltar, mas quando isso vai acontecer, realmente não sei. Eu falo com Ozzy o tempo todo e ele não mencionou nada sobre o Black Sabbath".
Sonicexcess.com: O Black Sabbath escrevou material novo, mas nada foi lançado. Essas gravações verão a luz do dia, e, se não, você poderia contar com qual álbum esse material pode ser comparado?
Ward: "Bem, é verdade que há bastante material escrito e guardado em um lugar bem seguro. Eu não sei com qual álbum do Sabbath pode ser comparado. Fizemos essas jams na primavera, acho que sete anos atrás. As canções possuem riffs brilhantes de Tony, e minha bateria mudou um pouco. Meu caminho e o de Geezer estão diferentes no acompanhamento a Tony. Oz também fez coisas muito legais ali. Penso que está mais maduro, porque somos mais maduros, embora sejamos jovens de coração. Não dá para comparar com nenhum disco do Sabbath, mas soa muito, muito forte".
Sonicexcess.com: Por que isso nunca foi lançado?
Ward: "Política (risos)."
Sonicexcess.com: Bem, eu não quero insistir muito, mas você acha que essas canções algum dia serão lançadas?
Ward: "Acho que as músicas que temos, e há várias, deveriam ser lançadas. Elas merecem ver a luz do dia, mas se vão, ou não, não sei. Seria muito triste se não saíssem, porque há bases e grooves realmente muito bons. É nossa banda tocando. Para mim, elas são boas o bastante para se fazer um novo disco do Black Sabbath. A música é muito fluida. Somos nós, 40 anos depois botando para quebrar, sabe?"
Sonicexcess.com: Em "Ward One", você contou com vários músicos convidados como Eric Singer, Ozzy Osbourne, Jack Bruce, Zakk Wylde, Rue Philips e Malcolm Bruce. Seu disco novo terá participações especiais também?
Ward: "No novo álbum que está para sair, é só a banda. Eu tenho uma cantora extra. Seu nome é Tina Watson. O disco vai se chamar 'Accountable Beasts' e eu tenho canções para, pelo menos, cinco álbuns que venho compondo desde 'When the Bough Breaks'(1997). Então, no próximo disco haverá pessoas diferentes tocando. No terceiro CD da série, eu definitivamente terei convidados. Será um disco totalmente metal".

Whiplash

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Talvez seja difícil para os desavisados do centro-leste, imaginar o Nordeste como fonte criativa de um gênero tão underground como o grindcore. Ou talvez, se não fosse pelo Facada, não estaríamos realmente atentos ao que estivesse vindo do nordeste, em termos de grindcore - é claro que por ignorância e preconceito de pensar no lugar como: paisagens lindas, turismo sexual infantil, forró e axé, como é estampado em tudo que relaciona Fortaleza com som e imagem.

Conheci o Facada através da demo (2004) e fiquei impressionado. Nessa mesma época, conheci o Siege Of Hate (gindcore) e o Fóssil (ambient/instrumental), e percebi que era eu que estava por fora. Em 2006, o Facada fez a primeira turnê pelo centro-oeste e trouxe o primeiro disco: Indigesto. Preciso continuar o raciocínio, mas não posso deixar de explicar que o Indigesto é uma obra prima. Escutem. Conheci James (vocal/baixo) nessa ocasião, em um dos últimos shows no consagrado Black Jack. Comprei demo e o Indigesto das mãos dele, e trocamos msn. Pouco depois disso, fiquei sabendo que Ari, o guitarrista, havia se mudado pra Alemanha e a banda estava meio parada. Com o tempo, arrumaram um guitarrista e continuaram fazendo shows pelo Nordeste.

O que parecia mais uma bruxa no caminho de uma excelente banda nacional não passou de uma pausa. Em maio, saiu o disco definitivo que consagra o Facada como principal nome da nova escola de gindcore no Brasil: 'O Joio'. O petardo tem 14 faixas do mais puro grind new school. A voz é super autêntica, perceptível desde a primeira demo. A construção das músicas me lembra uma mistura da melhor fase do Nasum com alguma coisa do hardcore/crossover do Ratos de Porão ou alguma referência ao hardcore nacional. É como se eles tivessem pego o Nasum de onde ele parou, e continuado à brasileira. Vale muito mais a pena escutar do aquela coisa sem graça que virou o Coldworker.

Com o disco em mãos, e uma certa curiosidade sobre como as coisas tinham sido feitas com tanto capricho, chamei o James para uma conversa e fui salvando tudo, como uma espécie de entrevista que gostaria de deixar registrada aqui:

Metal Blog: Os créditos no encarte dizem que o disco foi feito com dois guitarristas, o Ari e o Miguel, como isso funcionou com o Ari morando na Alemanha?
James: Quando o Ari foi embora pra Alemanha, não tínhamos nada. Começamos a ensaiar de verdade quase 1 ano depois dele ter ido. O Ari veio passar férias em Fortaleza no final do ano de 2008. Ele já tinha uns 4 sons prontos e só fez ensaiar umas 4 ou 5 vezes com o Dangelo (baterista) as músicas e já entrou em estúdio pra gravar. A gente só foi gravar o resto 9 meses depois. O Miguel só fez uma música mesmo (procura o que fazer sofrer é teu dever), o resto do disco foi feito (uma boa parte) por mim e pelo Dangelo. Mas no ensaio todo mundo dá opinião, ajeita alguma coisa e tal. A gente NUNCA tocou ao vivo as músicas do Ari com o Ari presente…(risos). Quando ele estava aqui de férias, também aproveitou pra fazer uns shows, mas foi só com música antiga...e foram uns 2 shows...os únicos com os 4 integrantes.
Metal Blog: Como foram as sessões de gravação? (entre as 4 primeiras e o resto do disco, 9 meses depois).
James: As 4 primeiras foram o Ari com Dangelo em 1 dia só. Depois dos 9 meses, o Dangelo também gravou o resto das baterias em 1 dia mesmo…as guitarras foram pingadas…mas acho que foram em 2 dias. Os baixos (tive que pegar as músicas do Ari) e vocais foram em 3 dias mais ou menos. A mixagem é que foi um problema. Porque o cara do estúdio aqui não tava se garantindo. Tava ficando péssimo mesmo…isso demorou uns 3 meses de idas e vindas. Até que tivemos a idéia de mandar pra Suécia.
Metal Blog: Sério? Mas quem foi o técnico de gravação aqui?
James: O técnico aqui foi o Moises Veloso, que não recomendo a NINGUÉM. Faz tudo de mal gosto, pensa que sabe tudo, e que quem não é de estúdio é um idiota. Não entende que existem músicas e músicas no mundo. Mas, na verdade, temos que agradecer a incompetência dele né? Porque foi daí que a gente partiu pro Sueco, que eu já sabia que tinha um estúdio, com ele ia ser mais fácil, apesar de ser mais longe.
Metal Blog: Mas vocês não tinham trabalhado com esse Moises antes? O estúdio dele não é legal? Onde gravaram a demo e o Indigesto?
James: Cara...o estúdio dele é conhecido aqui em Fortaleza. Eu tinha gravado com ele com outra banda lá, mas nunca o Facada. Ele tem ótimos equipos e a captação foi boa, mas como técnico realmente precisa evoluir. Aqui ele é tido como um dos melhores, mas pro padrão daqui. Ele grava muito Pop e essas paradas. A gente gravou a demo e o Indigesto no Digisound que é massa, galera tranquila de se trabalhar, mas estávamos querendo mudar um pouco.
Metal Blog: E como chegaram no gringo? Que instruções deram para ele?
James: O cara tem uma banda de grindcore (Gadget) então foi bem tranqüilo. A gente não disse nada a ele. A banda dele, pra mim, é a melhor desses suecos. E eu já tinha escutado o disco deles e fui atrás de onde tinha sido gravado (coisa de nerd de banda) aí vi que tinha sido no estúdio dele numa cidade chamada Gävle nos confins da Suécia. Entrei em contato como fã da banda, o Ari foi num show deles em Berlim, deu nosso CD pra ele. Inclusive no 2o. CD deles (que saiu pela Relapse) tem agradecimento pra gente e tudo. Mas nunca pensei em fazer qualquer coisa lá, parecia uma coisa realmente muito distante. Quando as coisas não estavam rolando por aqui, entrei em contato com ele meio no "se colar colou" e acabou colando. Ele foi muito paciente e solicito, porque o cara daqui mandou os arquivos TODOS desorganizados e em português. Ele ainda teve q organizar tudo, entender as músicas…saber onde ficava cada coisa…isso num custo quase zero...Pra mim ele fez um trabalho FODA. A gente não disse nada, nenhuma recomendação ou tipo "a gente quer assim, ou assado", foi meio na surpresa. Resolvemos esperar pra ver qualé.
Metal Blog: Como assim nenhuma instrução? O disco tem uma ordem muito certa - o começo por exemplo, que começa com um a espécie de fade in. Essa musica não tinha sido feita pra ser a primeira e começar com a aquele barulho entrando daquele jeito?
James: Tinha, a gente já tinha pensado nela pra começar o disco. A gente deu recomendação assim: coloca fade in aqui, a intro é nessa aqui, sem pausa entre as faixas. Mas falar como era a guitar, como ela deveria soar, nao. Só a bateria, porque a gente gravou ela sem nenhum trigger. Só para ele deixar ela o mais natural possível.
Metal Blog: Mesmo? E o Dangelo curte som de peça assim? Manja de afinar e escolher diâmetro delas?
James: Ele é batera mesmo né. Pra mim, sem frescura, acho um dos melhores do Brasil. Acho até que é pouco reconhecido. Inclusive, esses batera de metal todos estão ligados nele - Max Kolesne do Krisiun, o Didi do Subtera e o Amilcar Christófaro do Torture Squad. Ele afina tudo, repassa ... queria um som "GORDO" de batera. Usou tons maiores, caixas grandes. Eu acho que o único trigger que o cara usou foi nos bumbos pra dar mais definição.
Metal Blog: Fale um pouco da minha preferida do disco; Chovendo Baratas
James: Essa foi a última música que fizemos, é minha e do gordo. Eu fiz o começo e a parte rápida. Queria um lance meio hc com death metal mesmo. A letra é baseada num estúdio que a gente ensaiava que era CHEIO de baratas e algumas delas voadoras que caiam por cima da gente. Mas a letra mesmo fala sobre o fim da humanidade por insetos brutais (risos). Aquela parte em inglês é uma homenagem ao Napalm Death. No ao vivo o Barney grita isso, é a parte mosh que o Gordo combinou certinho com ela.
Metal Blog: E os covers?
James: O cover do DFC ia pra um tributo que nunca saiu (ou vai sair) e essa música a gente sempre achou legal e ficava comentando como ela ficaria mais Crust. E foi o que rolou. Satanist é um cover do Filthy Christians, a banda de grindcore sueca mais inglesa que existe. Foi sugestão do Ari, ele nos mostrou essa música, que combinou certinho. Detalhe: fui atrás da letra e não achei. Pedi ao cara da banda, ele não tinha. Eu fiz uma livre interpretação. (risos)
Metal Blog: Valeu James. Acho que eu consigo fazer um post disso aqui, virou uma bela de uma entrevista.
James: eu nem pensava que era uma entrevista hahaha, parecia que agente tava num bar.
http://www.myspace.com/facadanagoela
http://twitter.com/facadanagoela
http://www.fotolog.com.br/facadanagoela
por Ricardo Lopes // 28/07/2010

Fonte: Metalblog

O garoto da capa.


Imagine se milhões de pessoas tivessem te visto nu antes mesmo de você ter idade suficiente para dizer "embaraçoso". Essa é a história de Spencer Elden, a quem você pode conhecer como o bebezinho nadando em direção à nota de um dólar na capa do álbum de 1991 do NIRVANA, “Nevermind”.

Aproximadamente 17 anos depois, entre odiar a escola e jogar pólo aquático, Elden ainda luta para entender sua imagem (muito) pública. "Uma quantidade razoável de pessoas no mundo viu meu pênis", diz ele da sua casa em Los Angeles. "Então isso é meio que legal. Eu sou apenas um garoto normal vivendo isso e fazendo o melhor que posso enquanto estou aqui".

O “Nevermind” é frequentemente creditado por ter mudado a cara do rock. A participação nua de Elden neste importante momento musical histórial foi um tanto acidental; Kirk Weddle, o fotógrafo que trabalhava na capa, era apenas um amigo do pai de Spencer, Rick. "[Ele] nos liga e diz, 'Ei Rick, quer ganhar 200 pratas e jogar seu filho na água?'" Rick relembra. "Eu disse, 'O que que rola?' Então ele disse, 'Bom, eu estou fotografando crianças essa semana inteira, por que você não me encontra no Rose Bowl, joga seu garoto na água?' E nós somente fizemos uma grande festa na piscina, e ninguém fazia idéia do que estava acontecendo!". Três meses depois, enquanto dirigia pela Avenida Sunset Blvd., a família Elden se deparou com um Spencer de 9x9 pés nadando na parede da tradicional loja Tower Records. Dois meses depois, a Geffen Records mandou a Spencer Elden, que contava com um ano de idade, um álbum de platina e um ursinho de pelúcia.

Nos anos que se passaram, 26 milhões de álbuns foram vendidos. Enquanto Elden aprendia a andar, falar e cantar, seus pálidos braços de bebê se esticavam na parede de milhões de fãs grunges e suas partes privadas permaneciam ampliadas em cartazes e pisos.

Em alguns lugares, sua imagem pegou. Outro dia, seus amigos se depararam com um foto gigante do “Nevermind” no piso de uma loja de discos em Hollywood. "Meu amigo disse, 'Ei, eu te vi hoje'. E eu respondi, 'Cara, eu trabalhei o dia inteiro' E ele disse, 'Não, eu fui na Geffen Records, e você estava no piso e flutuando e eu pisei na sua cara. 'Porque eu imagino que eles tem tipo uma coisa que flutua onde as pessoas podem andar por cima de mim e tal... então é meio que legal," diz ele.

Entretanto, a vida em geral não é tão "legal" como quando ele pulou pelado na piscina no início dos anos 90, diz ele. Nos dias de hoje, seus pares se ocupam apenas com a Internet e video games. Ironicamente, ele sente-se atraído pela era que deu a Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, tanta raiva.

Nos dias de hoje, diz Elden, seus contemporâneos se concentram em "jogar Rock Band no Xbox, tipo, isso não é uma banda de verdade! Essa é a diferença entre os anos 90 e os garotos de hoje; garotos no anos 90 realmente se juntavam e montavam uma banda (de verdade)!"

Mas apesar de tudo, a vida é boa, diz ele. Quando não está se frustrando com vídeo gamos e computadores, Elden curte música — na sua maior parte techno — e carrega uma enorme carga de raiva, em grande parte pelo fato de estar "muito de saco cheio" no ensino médio. "As mesmas pessoas, os mesmo professores... ir até o seu armário, se preocupar com garotas estúpidas... Eu quero que algo aconteça, eu quero viajar," diz ele.

No último outono, ele viajou para uma escola militar por seis meses. Tudo o que seus pais vão dizer é que ele teve sua quota de "testar autoridade". Agora ele tenta se formar no ensino médio um ano mais cedo e fala sobre tentar entrar para West Point ou se tornar um artista ... ou sei lá.

Como Spencer costuma dizer, "Eu apenas encaro as coisas como elas vêm. Se eu gosto, eu gosto; se eu não gosto, eu não gosto".

Traduzido por Rívia Coimbra para o whiplash.net
Fonte: National Public Radio

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O bebê nu que nada em águas azuis em busca de uma nota de um dólar é sem sombra de dúvidas uma das mais conhecidas capas de álbum da década de 90. A imagem da criança inocente buscando por dinheiro marcou uma geração.

O bebê da capa é Spencer Elden, então com quatro meses de idade. A inspiração para a foto veio de Kurt Cobain e Dave Grohl, inspirados por um documentário sobre bebês que nasciam debaixo da água. Como as imagens destes nascimentos eram fortes demais, a banda preferiu uma foto de um bebê nadando. Após tentar sem sucesso comprar uma imagem deste tipo em um banco de fotos publicitárias, o diretor de arte Robert Fisher contratou o fotógrafo submarino Kirk Weddle para a missão, e Spencer Elden, filho dos amigos do fotógrado, Renata e Rick Elden, foi o escolhido. Foi de Kurt a idéia de acrescentar à foto a nota de um dólar pendurada no anzol.

Renata, a mãe de Spencer, comenta: "Foi muito rápido. Estávamos ambos dentro da água com o bebê. O soltei dentro da água três vezes e Kirk conseguiu a imagem definitiva após tirar apenas uma dúzia de fotos."

O pai, Rick, comenta: "Na época achamos que o Nirvana era apenas mais uma banda grunge de fama efêmera. Apenas quatro meses depois, quando dirigíamos pela Sunset Boulevard e vimos as fotos de Spencer em cartazes é que percebemos o quanto estávamos enganados."

Quando da foto original, nem o bebê nem seus pais receberam nenhum tipo de pagamento. Mais tarde, porém, Spencer recebeu do Nirvana uma cópia em platina do álbum Nevermind. Spencer Elden, que não é um grande fã do Nirvana, comenta: "Não é grande coisa. Mas eu tive um professor que ficou muito impressionado quando soube que era eu o menino na capa do álbum."

Em 2001, quando do aniversário de 10 anos do álbum "Nevermind" e do lançamento do box-set póstumo "Nirvana", a revista Rolling Stone recriou a foto de Spencer, desta vez com onze anos e nadando atrás de uma nota de 10 dólares. O fotógrafo foi novamente Kirk Weddle, o mesmo da famosa primeira foto de Spencer. Desta vez o modelo recebeu US$140 pelo seu trabalho.

Foi também iniciativa da Rolling Stone uma nova recriação de Nevermind, desta vez com Bart Simpson no lugar do protagonista. Em uma edição comemorativa da revista foram usadas três diferentes capas com personagens dos Simpsons recriando imagens clássicas do rock. Além da capa de Nevermind foram homenageadas as capas de "Abbey Road" dos Beatles e "Born In The USA" de Bruce Springsteen. Na versão da capa de Nevermind publicada, foi omitido o pênis de Bart Simpson, por questão de censura. Grande fã dos Simpsons, Spencer considerou esta uma grande homenagem: "Isso, sim, foi algo realmente legal!".

Em 2003, doze anos depois de ilustrar Nevermind, Spencer Elden novamente foi fotografado para uma capa de álbum. Cevin Key, da banda Skinny Puppy, escolheu Spencer para protagonizar a capa de seu álbum solo, "The Dragon Experience". Conseguiu o contato graças ao fato de sua namorada ter sido babá de Spencer. Foi a mesma namorada a responsável por tirar a foto que aparece na capa do álbum de Cevin. Novamente Spencer não recebeu pagamento em dinheiro, mas apenas um poster da imagem da capa.

Comenta Spencer: "A cada cinco anos alguém vai me ligar e perguntar algo sobre a foto em Nevermind... e provavelmente vou terminar ganhando algum dinheiro com isso." É, sem sombra de dúvidas, o mesmo menino que, ainda aos quatro meses, já nadava atrás de dinheiro.

por Por João Paulo Andrade
Whiplash

Entrevista com Jean Dolabella


O Love-It-Loud.com conduziu uma entrevista com o baterista do Sepultura, Jean Dolabella. Confira alguns dos melhores momentos da conversa abaixo.

Love-It-Loud.com: Como você começou a tocar bateria profissionalmente e o que você lembra de suas primeiras bandas? Você sempre quis tocar em uma banda de metal? Que bateristas o inspiraram?
Jean: "Eu comecei a tocar bateria quando era muito novo, mas comecei a tocar profissionalmente quando eu tinha 15 anos. Antes disso eu toquei em bandas com amigos e sempre foi relacionado a rock ou metal. Depois, quando comecei a trabalhar com música, eu toquei em muitas bandas e muitos estilos. Eu sempre quis tocar música e viver disso, eu nunca pensei que tinha que ser numa banda de metal, eu amo tocar metal, mas não sou apenas um baterista de metal, sou um músico. Eu não quero ficar preso em um gênero musical, nunca quis. Houve uma banda em que toquei que eu considero uma das minhas maiores escolas na vida. Nós só tocávamos covers, mas eu era jovem e aprendi muito sobre como tudo funciona. Foi a primeira vez que toquei com um 'click' e nós tocávamos muitos estilos diferentes de música. Fazer quatro ou mais shows por semana por dois anos realmente me ajudou a desenvolver minha técnica. Eu sempre fui inspirado por muitos músicos, não apenas bateristas, e isso muda de tempos em tempos. Eddie e Alex Van Halen, John Bonham, Dave Lombardo, Dave Grohl, Igor Cavalera, Mike Bordin, Jeff Buckley, Carter Beauford. Isso mais para trás. Atualmente, Joshua Redman, Dave King, Steve Jordan, Tomas Haake, John Mayer, Brian Blade e muitos, muitos outros."

Igor Cavalera era uma parte tão integral do Sepultura com seu estilo de tocar bateria e percussão que dava ao grupo um som único, que os separava de outras bandas de metal. Como você se sente em seguir as pegadas dele, e como você abordou a possibilidade de acrescentar seu próprio estilo e ainda manter-se fiel [ao som da banda]?
Jean: "Foi difícil no início. Eu senti alguma pressão de fora, mas a maior parte veio de mim mesmo. Eu realmente queria ser fiel e manter o que o Sepultura sempre teve, mas ao mesmo tempo eu nunca quis copiar ou tocar igual ao Igor. Eu comecei a tentar trazer tudo o que eu considerava mais importante em relação à estrutura das partes de bateria. Depois disso, comecei a colocar a minha própria voz no meio. Agora que nós já estivemos em turnê por quatro anos e gravamos um álbum com essa formação, é bem mais fácil."

Tendo crescido no Brasil, você era fã do Sepultura antes de seu envolvimento com a banda? Como você chegou a ser convidado para o grupo?
Jean: "Sim, eu era fã da banda e o primeiro grande show em que fui foi do Sepultura em Uberlândia, em 1991, na turnê do "Arise". Naquele dia, eu consegui ir ao backstage e tirar uma foto do Andreas [Kisser, guitarra]. É engraçado pensar que, 19 anos depois, estou aqui em turnê com eles. Stanley Soares, o nosso cara do som, trabalha pro Sepultura há quase sete anos, e foi o cara que gravou o primeiro disco do UDORA e vários outros discos em que toquei. Ele falou sobre mim para o Andreas e, quando o Igor decidiu sair da banda, eu tinha acabado de voltar de Los Angeles e o Andreas me ligou para perguntar se eu queria fazer um teste. Eu ouvi todas as músicas que ele disse que eles andavam tocando e fui para São Paulo duas semanas depois para a audição. Nós tocamos o show inteiro e conversamos por alguns minutos. Depois eu voltei para Belo Horizonte, a cidade onde eu morava. Alguns dias depois o Paulo [Xisto Pinto Jr., baixo] me ligou para dizer que eu era o cara."

Com Max Cavalera saindo do Sepultura em 1996 e Igor saindo em 2006, você sente que "A-Lex" [2009] marcou um novo começo?
Jean: "Definitivamente! Foi um novo começo e agora isso está crescendo e melhorando. Nós terminamos a turnê do 'A-Lex' e estamos nos preparando para começar a gravar o novo disco que vai sair pela Nuclear Blast na Europa, onde nós acabamos de assinar o acordo."

Além de "A-Lex", qual álbum do Sepultura você considera o mais forte e que canções em particular você gosta de tocar ao vivo?
Jean: "Eu acho que o álbum que mais se destaca para mim é o 'Chaos A.D.' [1993]. Não apenas porque é um grande álbum, mas porque foi uma influência muito grande pra mim quando foi lançado. Toda a coisa de estar em uma banda e viajar o mundo me acertou. Especialmente porque eles são do Brasil e acreditaram em sua música e viajaram por todo o mundo. Isso, para mim, com 15 anos de idade ouvindo aquele disco e vendo que é possível realmente chegar a algum lugar quando você acredita no que faz, foi muito forte. Eu basicamente gosto de tocar todas as músicas ao vivo. [As favoritas mudam] de tempos em tempos."

Como surgiu a ideia do ROCKFELLAS e como você se associou a músicos como o PAUL DIANNO? Como você descreveria essa banda e como a compararia ao seu trabalho no SEPULTURA?
Jean: "Foi uma ideia de montar uma banda de bons músicos juntos para tocar coisas de rock clássico. Paul viria ao Brasil fazer uma turnê solo e nós nos reunimos para conversar a respeito. Foi ótimo porque nós escolhemos tocar canções que ninguém nunca esperaria vê-lo cantando, como 'Message in a Bottle', do POLICE, 'Superstition', do STEVE WONDER, coisas assim. Nós nos divertimos muito! Nós não escrevemos nada, foi só diversão! Nós estávamos tocando tudo o que queríamos tocar. Com o ROCKFELLAS eu usava um kit de bateria muito menor do que eu uso com o Sepultura. Como não escrevemos nada com o ROCKFELLAS, é difícil comparar. Eu diria apenas que eu podia tocar muito mais 'solto' com o ROCKFELLAS."

Que tipo de projetos você tem para o futuro? O Sepultura está trabalhando em um novo álbum atualmente?
Jean: "Eu tenho feito um monte de coisas com o INDIRETO [projeto instrumental criado em 2006 por Jean em parceria com o guitarrista Augusto Nogueira, do SCARCÉUS] e nós vamos lançar nosso primeiro álbum completo em outubro de 2010. É um disco que tem muitos grandes músicos envolvidos, como MILTON NASCIMENTO, PITTY, Ramin Sakurai e muitos outros brasileiros. O Sepultura já está trabalhando no novo álbum e queremos começar a gravar em dezembro."

Traduzido por Gabriel Costa
Fonte: Love-It-Loud.com

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Bandanos Ao Vivo em Aracaju ...

Domingão, dia de ficar em casa. Mas o chamado do rock é mais forte, então dá pra fazer uma excessão, especialmente quando se trata de uma banda consagrada no cenário de passagem por Aracaju, fato já não tão raro porém ainda longe de ser corriqueiro.

Show marcado para as 18:00, começa depois das 21:00. Ainda bem que levei algumas criaturas divertidas a tira-colo para ajudar a passar o tempo. Começa com a IMPACT, boa banda thrash naquela linha bem tradicional, ointentona. Nada de novo, evidentemente, mas competente, um bom show para os apreciadores do gênero.

Na sequencia, Karne Krua. Nem tem muito mais o que dizer ... Levantou a galera. É bonito de se ver como a Karne, mesmo depois de 25 anos de serviços prestados ao rock sergipano (é provavelmente a banda punk mais antiga em atividade no nordeste, e o mais importante, sem grandes paradas pelo caminho, 25 anos de atividade praticamente ininterrupta) ainda empolga a galera e bota o povo pra “agitar”. Um conhecido me fala que acha estranho “cabras” velhos como Bilal, Cícero “Mago” e demais dinossauros ainda terem essa disposição pra estar ali numa roda de pogo, e eu respondo que não concordo com o comentário dele, não tem nada a ver com a idade, mas com o espírito da coisa. As pessoas deveriam se livrar desses estereótipos limitadores, tipo só se pode ser “roqueiro”, “revoltado” e socialista quando jovem, negro tem que fazer música suingada, não pode gostar de Heavy Metal (conheço um indivíduo que já me veio com essa pérola), e demais baboseiras do tipo. Só que, na sequencia, fui pego numa aparente contradição, quando outro amigo me perguntou porque a ETC/Nora Kuzma/120 Dias de Sodoma não fazia mais shows e eu admiti que era por minha causa, pois eu não estava a fim, tava velho demais pra isso. Mas falei de brincadeira – a verdade é que não sinto mais tesão pela empreitada , acho que já deu o que tinha que dar, e é legal que a banda vire “lenda” – quem viu ao vivo, viu e provavelmente se divertiu, quem não viu, agora só pelo youtube.

Nucleador no palco. Murilo, a palhetada mais rápida da cidade, manda ver nos riffs endiabrados, bem acessorado por uma cozinha competente. O novo vocalista se mostra mais a vontade no palco, mas ainda tem pouco fôlego para as partes mais rápidas e berradas, o que prejudica um pouco o desempenho do grupo, mas nada que comprometa seriamente o resultado final, que é satisfatório.

E Finalmente, Bandanos. Curto e grosso ´- acho que foi, no máximo, meia hora de show, mas que satisfez os punks, headbangers e demais roqueiros sem tribo presentes. Empolgou inclusive a “turma do sofá”, RAS, Bilal e um figura lá que eu não lembro o nome, que assistiam a tudo confortavelmente instalados no referido móvel mas quase o destruíram com moshs durante o show dos paulistas. Chegaram inclusive a fazer uma tentativa frustrada de carregar o sofá no final do show ...

O som “segurou a onda”, o que é importante para o sucesso da empreitada, mas o ponto negativo, desta vez, foi o público reduzido, o que provavelmente motivou o comentário de Murilo (que, diga-se de passagem, vestia uma camiseta bacana estampada com a capa do “schizophrenia” do Sepultura): “Rapaz, acho que vou desistir, vou deixar esse negócio de rock pra você mesmo”. Bom, de PRODUZIR SHOW EM ARACAJU eu já desisti faz tempo - o último que idealizei e executei praticamente sozinho foi um no extinto teatro “Engenho e Arte”, no já distante ano de 1995. É coisa para abnegado. Mas eu sei que o rock seguirá em frente, apesar dos pesares ...

Até domingo, no Oceanário, no show de comemoração dos 14 anos da Tchandala.

E Dia 20, no cinemark Jardins, Autoramas de volta a Aracaju.

Adelvan Kenobi.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Atravessar o fogo ...

Lou Reed furou com os fãs brasileiros, quando, sem uma justificativa razoável – somente a velha e esfarrapada desculpa das “razões pessoais“ – cancelou sua vinda à Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), que começa amanhã, na agradável cidade colonial carioca.

Para consolar, saiu pela Companhia das Letras o livro que já estava programado para aproveitar sua passagem pelo Brasil: Atravessar o fogo - 310 letras de Lou Reed. O calhamaço com quase 800 páginas reúne a venerável produção poética de um dos maiores bardos do rock ‘n‘ roll, na tradução competente da dupla curitibana Christian Schwartz e Caetano W. Galindo.

De qualquer forma, pode-se dizer que o cano na Flip não doeu tanto: o homem nem ia cantar mesmo, só falar e ler suas letras – de fato, uma pena, mas uma perda menor do
que se tivesse cancelado um show.

E olha que, com o Reed de hoje em dia, nem isso é garantia de satisfação. No início de julho, ele, sua esposa Laurie Anderson e o jazzista John Zorn foram vaiados em um show no Canadá por que só tocaram música instrumental. Detalhe: o ingresso custou salgados 100 dólares.

O incidente das vaias em Montreal, protagonizado por um Lou Reed quase septuagenário – ele hoje tem 68 anos – porém, não tira do eterno líder do Velvet Underground nem um milímetro sequer do brilho de sua obra pregressa e da sua folha corrida de serviços prestados ao rock ‘n‘ roll e a cultura pop – que ele hoje parece olhar com desdém.

Afinal, a se contar do primeiro LP da sua banda Velvet Underground (o “disco da banana“, lançado em 1967) até hoje, são mais de 40 anos de uma produção cuja escala vai de no mínimo, instigante – nos seus momentos menos brilhantes – a absolutamente sublime – nas obras mais inspiradas.

E foi justamente inspiração o principal recurso dos tradutores de Atravessar o fogo para a singular tarefa de verter os indomáveis versos do poeta do Brooklyn para o português brasileiro coloquial. O principal, mas não o único, claro.

“Posso dizer que minha parte deu bastante trabalho. A dificuldade não estava nos textos em si – exceto, talvez, pelos discos do VU, antes da sua fase mais narrativa“, conta Christian Schwartz, professor e doutorando em História Social na Universidade de São Paulo (USP).

“Nestes primeiros discos, era sempre complicado achar a ponte de significado ideal para a travessia do leitor brasileiro – seja pelo nonsense próprio de algumas letras de rock, seja porque muita coisa era referência a personagens e, particularmente, a um espírito de época que, em certos momentos, me parecia intraduzível para os dias de hoje sem um recurso que sempre se procura evitar: notas de rodapé“, observa Christian.

Em suma: não foi fácil para a dupla. Até porque o autor não é lá muito acessível a questionamentos, como ele mesmo escreve na introdução do livro: “Os tradutores me pedem explicações sobre palavras e frases que não posso dar. Algumas coisas me são desconhecidas. Algumas perguntas não podem ser respondidas. E certas vezes escrever significou apenas seguir o ritmo e o som e inventar palavras sem sentido algum além da sensação que transmitiam“, justifica Reed.

Restou a Christian e Caetano, além do conhecimento acumulado (que, felizmente, não é pouco), frequentar fóruns de discussão dos fãs. “Ideia, aliás, que as tradutoras de Reed na França e na China (!) também tiveram – e foi engraçado ver quais eram as dúvidas delas, que muitas vezes eram as minhas também“, ri Christian.

“Precisamos penar para achar o equilíbrio exato entre o prosaico brasileiro (a tradução nunca pretendeu ser poética) e o coloquial nova-iorquino dos anos 1970/80“, acrescenta.

Já no caso de Caetano, responsável pelas safras mais recentes, a pedreira The Raven (de 2003, versão para o poema O Corvo, de Edgar Allan Poe), “foi um tanto mais difícil, por causa das referências ao mundo e ao texto de Poe. Mas OK, eu gosto de brincar de pastiche“, confessa o professor da Universidade Federal do Paraná e doutor em Linguística pela USP.

Para Caetano, a despeito das atuais pretensões eruditas de Reed, o que vai ficar mesmo do autor “é o Velvet Underground. Harold Bloom diz que os poetas tendem a durar dez anos no apogeu. A gente se engana ao pensar que deve ser diferente com música pop. Todo mundo decai seu talento“, reflete.

Clique aqui para ler um trecho do livro.

Fonte: Rock Loko

por Franchico

domingo, 1 de agosto de 2010

Bandanos, 2 entrevistas


Skate, bandanas, bonés com aba para cima e, principalmente, um barulho infernal explodindo os alto-falantes. Vindo da capital paulista, o Bandanos traz várias características da velha geração do Crossover, mas está longe de soar ultrapassado. Muito longe. A energia e fúria de sua música é tal que o conjunto vem conseguindo atingir o mercado independente internacional graças ao velho senso de comunidade underground, já tão esquecido – ou conscientemente ignorado – pelas bandas que apenas seguem a tendência comercial do momento.

06/01/08 - Por Por Ben Ami Scopinho

Fonte Whiplash

Cris Platterhead (voz), Marcelo Papa (guitarra), Alex Crusher (baixo) e Luciano (bateria) estão chegando ao seu primeiro CD, “We Crush Your Mind With The Thrash Inside”, que, ao lado da performance matadora do quarteto sobre os palcos, vem fazendo o nome Bandanos ser comentado por qualquer um que tenha contato com sua música. Aproveitando a ótima fase, o Whiplash! foi conhecer melhor este excelente grupo, conversando por e-mail com o vocalista Cris, que mostrou bom-humor e muita vontade de vencer honestamente.

Whiplash!: Olá Cris, é um prazer falar contigo! Como foi a fase inicial dos Bandanos?

Cris: Em primeiro lugar, meu agradecimento a você, Ben, pelo espaço cedido, e ao site Whiplash! por ter nos dado um lugar pra passar um pouco mais das idéias por trás da banda, e a todos os “internautas” que estão neste momento lendo esta entrevista. Bem, vamos lá... Bandanos tem uma história como a de todas as bandas, mas com algumas particularidades... Começamos como um “projeto paralelo” de integrantes de outras bandas que na época estavam em plena atividade, como Point Of No Return (Luciano – baterista), Questions (Marcelo – guitarra), No Violence (Ruy – ex-vocalista) e o War Inside (Franz – baixista original). Foi uma banda que já nasceu na era da “internet”, pois surgiu numa sala de “chat” que todos os membros costumavam participar... Tudo meio na brincadeira, mas uma hora acabou rolando de verdade. Com o tempo outras pessoas foram entrando e saindo, e acho que essa formação atual seja a quarta ou quinta desde que o Bandanos foi montado... Eu mesmo entrei logo depois que o Franz saiu, na época tocava guitarra no xEM CHAMASx. A banda foi montada em fins de 2001, mas só vingou mesmo em 2002, pois o Luciano foi fazer a última tour do Point na Europa antes da banda acabar... Aqui em SP estávamos no meio do “boom” do Thrashcore e Fastcore, e o Ruy disse que tava faltando uma banda de Crossover na área. Todo mundo era muito amigo, já todos conhecidos de velha data, e a idéia de que tinha que ser uma banda que nem o Suicidal Tendencies (da velha fase) foi unânime... Acho que no começo era algo sem muitas pretensões e que acabou virando uma coisa séria... Nosso primeiro show foi aqui em SP foi na periferia (M Boi Mirim) e, por incrível que pareça, a mesma pessoa que o organizou foi quem lançou nosso CD junto com o Boka (RDP), que é o Thiago da Cospe Fogo. Mas a idéia sempre foi essa, desde o lance da “estética” meio gangueira até a parte das letras, e lógico, a parte musical propriamente dita... Mas é lógico que ser influenciado por uma banda não significa copiar ela descaradamente, e sim deixar isso fluir da forma mais natural possível... E também temos N outras influências em nossa música, tanto vindas do punk/hardcore quanto vindas do metal...

Whiplash!: Ok, mas o skate, por exemplo, tem um papel importante no Bandanos. Isso faz parte da estética, ou vocês são mesmo skatistas?

Cris: Bem, depende o que é ser skatista... Como diz o Menezes, um grande amigo nosso, “andar de skate é só um detalhe”... Acho que pela nossa idade (na faixa dos 30 anos), crescemos com o skate sendo muito presente na nossa infância e adolescência. Eu mesmo andei de skate até meus 20 anos, quando eu literalmente desisti por uma fratura no pé direito... Foi quando me tornei pai também, comecei a faculdade e tive que abandonar algumas coisas que costumava fazer. Eu peguei a época dos “tubarões” ainda, onde as manobras eram feitas nas ladeiras, isso ainda quando eu morava em Minas Gerais, pois sou de lá... Ainda me lembro da felicidade que fiquei quando comprei meu shape “Lifestyle Tron” quando vim em SP, que tinha aquele bico horrível! Depois foi um URGH! “Léo Caquinho” e por aí vai... Mas nunca fui muito bom não... Aí que entra a frase “andar de skate é só um detalhe!" (risos). E outra coisa, as bandas que ouvíamos, inclusive o próprio Suicidal, eram a trilha sonora das “sessions” e às vezes estavam intimamente ligadas devido a revistas como o “Thrasher” que sempre trazia notícias de bandas e música... Sei que o Papa também andava e roubava bonés da Barrafunda (risos) assim como o Luciano, só o Alex que não tenho 100% de certeza, mas que deve ter se arriscado também... Nos anos 80, era difícil quem não andava, ainda mais eles, que eram aqui de SP mesmo... Atualmente somos todos gordos e pesados e nem tem skate pra nos agüentar! Só se for os “long-board” mesmo! Mas a estética é muito presente em nossas artes pelo fator de o Skate representar essa fase “áurea” onde o Crossover/Thrash nasceram e estar intimamente ligado a ele, e também pelo Alexandre Kool, que é nosso “designer”, também ser ex-skatista e procurar agregar nos seus desenhos essa nossa influência... O pessoal que “doou” os desenhos para o CD também sacou esse lado e colocou no papel.

Whiplash!: Alguns headbangers são tão apaixonados pela sua música que muitos desenvolvem uma postura bastante radical quanto à música e público, e alguns dos membros do Bandanos já tocaram em bandas de Heavy Metal. Como foi a transição deste pessoal para o crossover?

Cris: O Bandanos tem público que vem de todas as cenas... Punks, headbangers, thrashers, pessoal do hardcore, straight-edges, cycos (*), crusties, pessoal da antiga que nem costuma mais ir a shows, mas aparece nos nossos só pelo “revival”, e até uma molecada que tá chegando agora no rock e descobriu o crossover… A gente encara isso de forma positiva, pois como disse o saudoso SOD, o crossover tem que ser “United Forces”... O próprio João Gordo do RDP disse, quando tocou conosco em um show no Hangar 110, que o nosso show tinha esse espírito que o SOD falava na música. Não sei se é uma transição ou uma “vibe” atual, pois é fato que o Thrash e Crossover são estilos que estão em alta no rock aqui no Brasil e lá fora também, com várias bandas voltando tanto da cena metal, quando da cena hardcore, logo essa “popularidade” vem junto com toda essa onda que está rolando, e que vem cheio de bandas boas em todo o Brasil, como ByWar, Violator, Hate Your Fate, MxAxCxEx, Lowlife, Blasthrash, Possuídos pelo Cão, Repulsores, Beermug, Infected, RxHxDx, Imminent Attack, entre outras... Nosso público é louco que nem a gente. Molecada insana que faz com que ELES sejam a verdadeira atração em nossas apresentações e sempre acabem roubando a cena... Atenção rockeiros de todo Brasil, descubram o crossover vocês também! hahahaha...

(*) Nota do editor – o próprio Cris explica: Cycos é a gang de chicanos que os membros do Suicidal Tendencies faziam parte, é a galera que aparece na grade do clipe de "You Can´t Bring Me Down" e de onde vem aquele visual do ST e consequentemente o nosso, esse lance meio "gangue" de latinos, bandanas, camisa de flanela, boné de abas pra cima... A gente brincava entre nós da banda que a molecada que vai aos nossos shows com esse visual (que não são poucos !) é Cyco. Mas a parada pegou e os próprios moleques começaram a se intitular CYCO também... Aí fudeu!

Whiplash!: Como rolou a parceria entre vocês e a Delinquent Recs para liberar nos Estados Unidos o material "K7 Demography" (06) e o split CD "Thrash From The Dead" (07), que vocês dividem com o grupo californiano Destructions End?

Cris: No caso do K7 quem entrou em contato conosco foi o Grahan da Delinquent. Ele tem uma distro nos EUA, que ainda faz lançamentos neste formato. Eu fiquei muito feliz, pois cresci trocando fitas e gravações por meio de cartas e troca com gente de todo o mundo... Ter um lançamento nesse formato pra mim foi uma ótima notícia, e eu que sou a pessoa que cuida da parte de “artes e layout” já pirei em correr atrás de artistas que estivessem a fim de fazer algum desenho para usarmos nesse material... Acabou ficando a cargo do Alexandre Kool, que fez e faz grande parte das nossas artes em geral. O resultado ficou demais e ficamos muito satisfeitos. Apesar da maioria das pessoas nem lembrar que os K7s existem, eles ainda são muito populares em alguns países do mundo, e até mesmo nos EUA em meio ao público específico que ainda apóia a cena underground e sua produção independente.

Cris: O split quem entrou em contato com a banda fui eu... A gente já sabia que algumas músicas da gravação do CD debut iam ficar de fora e começamos a buscar uma banda pra rachar um LP. Esse split era pra ser com Violator, mas eles não tinham músicas na época e nem previsão de gravarem nada, logo acabamos fechando com os gringos que já tem uma linha de som que segue mais ou menos a nossa e é uma banda bem ativa lá nos EUA, na Bay Área. A idéia inicial desse split era sair somente em vinil, mas acabou saindo (em CD) lá nos EUA graças a eles que agitaram alguns selos pra fazer a parceria e nos lançar por lá, inclusive a própria Delinquent que se mostrou prontamente interessada. Mas já estamos compondo novas músicas para o split com Violator, que sai no ano que vem com certeza pelos selos que já nos apóiam como a Raw Recs e Cospe Fogo, assim como pelo selo Japonês Karasu Killer. O Destructions End deve estar aparecendo por aqui no ano que vem também para alguns shows com a gente se tudo der certo... Vamos ver se rola...

Whiplash!: E vocês conseguiram alguma repercussão positiva lá pelos EUA?

Cris: Acho que os EUA é hoje o país-sede do Crossover. Tipo o “quartel general”. Graças ao Municipal Waste, o estilo está cada vez mais popular e difundido. Temos recebido muitos contatos via e-mail de pessoas de lá que adquiriram nosso CD em shows com o pessoal do Destructions End ou mesmo em alguma distro ou loja. Nossos dois CDs, tanto o debut quanto o split, foram lançados lá pelo Max da 625 Thrash. Ele já conhecia a banda desde que foi formada e sempre foi categórico em dizer que lançaria qualquer coisa que a gente fizesse depois que ouviu nossa banda. Já o havíamos conhecido aqui no Brasil quando ele veio em tour com What Happens Next há alguns anos atrás e conhecíamos seu trabalho com o selo... Ele é apaixonado pelas bandas do Brasil e já haviam trabalhado com o Discarga e I Shot Cyrus. Ele tem uma das melhores distribuições em todo o meio underground nos EUA e Europa, e com certeza isso nos ajudou muito, pois nosso CD pode ser encontrado em todas as partes do mundo, em todas as distribuidoras e lojas que trabalham com materiais de bandas independentes desse estilo... É gratificante, mas particularmente acho merecido, pois somos uma banda bem ativa e que sempre está por aí tocando e produzindo muito... Não paramos por um segundo, e queremos mais, muito mais!

Whiplash!: Sobre o debut “We Crush Your Mind With The Thrash Inside”. Fazia muito tempo que eu não escutava um crossover tão visceral, e com certeza esta não é uma opinião isolada. Qual o diferencial do Bandanos em relação às outras bandas do gênero?

Cris: Acho que o diferencial do Bandanos é que somos uma banda sincera, o que é realmente importante, tocamos, fazemos exatamente o que gostamos e também somos uma banda que vem da cena punk/hardcore... Todos já tocamos em bandas punks, logo o “background” em termos deste estilo faz com que nunca soemos “metal demais” e faça com que nossas músicas realmente soem crossover. O material antigo era mais “cru”, soava quase sempre como Cryptic Slaughter ou D.R.I. (antigo), ou algo assim, mas a banda era nova, outra formação, não havia o entrosamento que temos hoje. Se você for analisar a história do crossover em si, vai perceber que as bandas do estilo que mais marcaram foram as que vieram da cena punk... Nosso entrosamento hoje é fantástico. Quando sentamos pra compor, as coisas fluem muito rápidas, é incrível, estamos realmente numa grande fase e não vamos, nem queremos deixar isso passar...

Whiplash!: Suas letras são em português e muito bem escritas. Títulos como “Com as próprias mãos” e "Enfia no cú a sua teoria" mostram todo o desconforto do Bandanos em relação aos dias atuais. Pelo jeito vocês não vêem muita esperança num futuro melhor, não?

Cris: Futuro melhor? Nós somos o vírus que adoece todo o planeta. O câncer da terra. Como pode um “organismo hostil” viver bem em algum lugar? O final será trágico e assim como nós, que já enfrentamos conseqüências ruins de atitudes impensadas das gerações passadas, as que estão por vir também viverão sobre as margens de nosso maldito imediatismo e insensatez... Não há esperanças para a raça humana e como eu já disse antes do final “apenas baratas, destroços, ratos e ferro distorcido”. Quando não houver mais seres humanos aqui, o planeta vai voltar a viver e cuidará de tudo sozinho... Ele tem muito tempo pra isso, nós não...

Whiplash!: Cris, sua performance raivosa e insolente impressiona sob todos os aspectos. Quais são suas influências?

Cris: Boa pergunta... Eu, como todo bom “roqueiro”, tenho lógico meus ícones e influências como vocalista... Não tento imitar ou copiar ninguém, mas acho que aprendi muito com algumas figuras em termos de presença de palco e postura em shows... Em termos de timbre é indiscutível minha influência do Blaine Fart (The Accused) e do Mike (1º vocalista do COC), mas em termos de postura de palco, além dele também, eu citaria Mike Patton (Faith No More), um dos melhores frontmans que eu já vi em ação na minha vida, Roger (Agnostic Front), Glen Danzig (Misfits), Ian Mackey (Minor Threat), Kevin Seconds (7 Seconds), Phil Anselmo (Pantera), Ruy (No Violence) e o John March (Heresy). Todos eles de alguma forma me ajudaram a me relacionar com os palcos, entendê-los e devolver pro público todo sentimento que eles já me passaram.

Whiplash!: "Indiferença", “Only For Good Thrashers” e “A Song For A George Romero” são excelentes composições. Quais as canções que vem encontrando melhor recepção entre o público?

Cris: Bom, isso é relativo, em cada show o pessoal quer uma música diferente... A clássica mesmo é “Justiça das Ruas”, que é uma música que já vem desde nossa segunda demo e que regravamos tanto no split quanto no debut CD. Mas “Only For Good Thrashers” aos poucos tá sendo assimilada pela galera também, assim como a “George Romero”...

Whiplash!: Mas quem diabos é o George Romero da canção?

Cris: George Romero é o cineasta que criou e popularizou o gênero dos filmes de zumbis canibais, considerado pelos fãs como um gênero dentro do estilo. Estreou em 1968 com “The Return Of Living Dead – A volta dos mortos vivos” e não parou mais... Ele é o gênio responsável por clássicos como “Day Of The Dead”, “Monkey Shines”, “Creepshow” e outros... Ele é atualmente o maior nome do gênero e assim como Zé do Caixão, um cineasta do lado B, mas que fez e faz escola dentro do cinema... Eu desde criança assisto aos filmes desse cara, mas me tornei ainda mais fã quando, em uma entrevista que li, ele fez um paralelo entre seus filmes e a decadência da sociedade norte-americana... Uma sociedade em que todos não passam de mortos-vivos devorando uns aos outros por mera competição... O sentido figurado de “comer cérebros” seria uma metáfora, que diz respeito a fazer qualquer coisa, até mesmo “devorar” outra pessoa pra garantir sua ascensão em uma realidade decadente, seja ela profissional, social ou qualquer outro status da sociedade vigente... Daí surge a letra da música... A própria intro usada no CD é de “Land Of The Dead”, um de seus últimos filmes...

Whiplash!: Na canção “Knock Out” vocês mostram sua posição em relação aos nazistas. O Bandanos já teve problemas em suas apresentações, considerando que a capital paulista vem se tornando foco de atritos entre gangues, em especial as famosas 'tretas' entre punks e skinheads?

Cris: Essa música foi feita baseada em uma história real, dentro de um show em SP. Um pequeno grupo de Nazis apareceu em um show onde havia mais ou menos duas mil pessoas entre punks e headbangers, e foi enxotado de lá... Foi bem violento, mas foi algo vivido por todos os membros e ex-membros da banda, já que estavam todos presentes no show... E daí surge a música. O Bandanos nunca teve nenhum tipo de problema “direto” devido a essa música ou coisa do tipo, nem estivemos envolvidos diretamente nessas “tretas”, já que estes casos expostos na mídia são coisas bem isoladas e não condizem realmente com que rola por aqui em termos de cena... Não existem tais confrontos em show ou coisas parecidas, são fatos mais relacionados com gangues que se “intitulam” punks (mas não são) e com skins e que acaba em brigas, nos casos citados na televisão com conseqüências desastrosas... Mas calma, SP não se transformou (ainda) no cenário de Warriors! Se tivermos sorte dentro de uns cinco ou seis anos, quem sabe...

Whiplash!: Quais foram os momentos mais marcantes para o Bandanos desde que está na ativa?

Cris: Pessoalmente o show de Brasília este ano, no "Caga Sangue Thrash", foi realmente muito marcante. A energia e a atmosfera do festival é realmente muito boa, assim como os shows no Rio em 2004 que foram os últimos da antiga formação comigo ainda no baixo... Mas acho que todos os shows são experiências gratificantes pra gente... Tocamos em várias cidades em todo o Brasil e NUNCA, isso eu posso dizer, tivemos uma recepção negativa dos presentes... Havia shows, lógico, com menos público que o esperado, mas isso é normal e faz parte da história de qualquer banda. Barra Mansa é um lugar ótimo de se tocar, Florianópolis também foi muito bom, enfim, sem essa banda a gente tava fudido mesmo ! hahhaha.

Whiplash!: Pois é, bicho, não fui neste show de Florianópolis... Ok, Cris, agradeço pela entrevista lhes desejando boa sorte! O espaço é seu para as considerações finais.

Cris: Ben, meu caro amigo, você perdeu... Tinha um cara muito figura em Floripa que ficava o tempo todo na frente do palco agitando e gritando: “Essa banda é uma bosta, não toca nada!” E continuava agitando muito... Mas tá tudo OK, em março estamos aí de novo em Florianópolis, Joinville e Balneário Camburiú. Mais uma vez obrigado pelo espaço gentilmente cedido à banda, e gostaria de ver todos vocês que leram essa entrevista presentes nos nossos shows... Ano que vem pretendemos tocar em vários lugares novos, e voltar a alguns que passamos no ano passado, inclusive Rio de Janeiro, estaremos de volta em janeiro! Nosso CD ainda pode ser encontrado nas lojas da Galeria do Rock em SP, ou ainda nos sites da Pecúlio Discos ou Cospe Fogo Gravações. Esse ano material novo deve estar rolando, pois não agüentamos mais tocar essas músicas de novo! Molecada, descubra o crossover e parem de pintar suas unhas e usar essas franjas ridículas... Abraços a todos, crossover is back! Vejo vocês no PIT!

XFAVELA GRINDX - Coisas boas acontecendo com bandanos, tour, split, a banda com força total para segundo semestre?
Cris: Bem, em primeiro lugar como sempre, obrigado pelo interesse ao Bandanos,e a todos que estão lendo esta entrevista. Vamos lá... Se são coisas boas ou não, ainda não podemos dizer... Só quando eu pisar na Alemanha para o primeiro show e pegar as nossas cópias dos lançamentos em mãos eu poderei realmente te dizer... Agente sabe que quando se trata de underground e D.I.Y.nem sempre as coisas saem como planejado. Mas agente continua ae na correria sempre... Passamos o primeiro semestre todo dentro de estúdio, finalizando e compondo novos temas, assim como gravando coisas novas... Gravamos o material para os 2 splits, mas já temos músicas para um novo CD. Quem sabe algum selo entra nesse projeto com agente... Na verdade o Bandanos nunca para, longe ou perto dos palcos.
XFAVELA GRINDX - Esse novo split, já tem data definida, e terá quantas musicas?
Cris: Este que você se refere, deve ser o Violator, certo ? Pois na verdade são 2 splits que estão para sair... Tem outro com a banda nova dos ex membros do Accused, o TOE TAG, que também irão dividir um split com agente em breve... Pra ambos os Eps serão 2 sons inéditos e uma cover de bandas que gostamos e escutamos...Tudo em vinil, o que nos deixa muito feliz. Lançamento do split com Violator assim como “We crush..” em vinil será para agosto, já o TOE TAG será adiado um pouco mais para o fim do ano. Tudo isso sai só na Europa, em parceria de vários selos...
XFAVELA GRINDX - O que a galera pode esperar desse split?
Cris: Bem, particularmente eu acho que estamos em “boa forma”, pois as novas músicas me soam muito pesadas, com a pegada thrash ainda mais em evidência... Temos alguns temas bem hardcore, na linha do D.R.I. e Cryptic Slaughter, mas ainda não os gravamos... Pro split ficaram os sons “Stay Cyco” que segue a linha do velho ST e NO MERCY, e a “You dig in your own grave”, que bebe na fonte da Bay Área e Thrash Alemão... Não sei, pode ser outra coisa também, hahahaha. Pelo menos elas me soam assim né... A novidade é que as letras de ambas são em inglês. Foi tipo uma “experiência” manja... Não é a nova fórmula do Bandanos, pois ainda continuo achando vital usar o português para encurtar as distancias entre público e banda... Sem essa de “visar mercado externo” que era a desculpa, mais esfarrapada do mundo das bandas de metal aqui no Brasil nos anos 80 e 90. Foi só pra ver qual que era mesmo... Acho que são 4 ou 5 sons novos em inglês, mas duvido que venham outros... Tem também o cover que é do... Há, melhor vocês descobrirem depois né...
XFAVELA GRINDX - Tour para gringa praticamente definida, primeiro role do bandanos por lá, está rolando um certo frio na barriga?
Cris: Pó, frio na barriga vai ser ficar numa merda de avião sem poder sair pra fora! Imagina só que parada claustrófobica. Odeio aviões velho, e essa vai ser a pior parte de todas. Os shows aquela parada de sempre... Headbangers e punks, amontoados e querendo barulho infernal... Só se xingarem minha mãe que eu não vou entender porra nenhuma! hehehehe. Mas como eu disse essa tour eu só acredito quando estiver lá... Não alimento muitas esperanças não. No Bandanos agente corre atrás, mas fazemos tudo com calma. Agente não é conhecido por lá. Seremos só uma banda de outro país como qualquer outra. O Chile nos surpreendeu muito, esperamos que o mesmo aconteça por lá.
XFAVELA GRINDX - De todos os paises que vão tocar, qual que está mais ansioso para conhecer?
Cris: Mano eu sou um caipira de Minas Gerais. O que vier é lucro... Vai ser tudo ótimo, e cada lugar e cidade inesquecíveis... Minha mãe dizia que o rock não ia me levar à lugar nenhum, e ela se enganou, espero que eu possa ainda ir um pouco mas longe... Tem uns festivais grandes que vamos pegar que vão ser bem legais na Bélgica e Alemanha, mas acho que tô afim mesmo é de ver a França velho... Nem eu mesmo sei o porque...
XFAVELA GRINDX - Dr. Living dead dia 18, quais são as expectativas para esse show?
Cris: Esse será um show entre amigos. Só bandas de amigos embaixo e em cima do palco. Vai ser meio cansativo pra mim pois sou organizador do evento alêm de tocar no dia com o Bandanos, mas como disse o grande Lemmy: “I was born for rock n roll. Everything I need...” Tenho certeza que será um dos grandes momentos da tour pros “meninos caveira”. A banda já tem uma grande afinidade com o Bandanos via myspace e a ideia da tour veio meio que na brincadeira... Deu certo e agora vamos recebê-los da melhor forma possível... Apesar de ser uma tour DIY e sem fins lucrativos agente tem um trabalho absurdo à meses pra fazer tudo, mas vai ser ótimo. Nesse dia iremos gravar as imagens pro nosso DVD e pro clipe de “Only for good thrashers”.
XFAVELA GRINDX - Creio que essa semana agora está sendo meio corrida, mas o que está ouvindo em casa?
Cris: Nunca se está sem tempo pra música... Eu não assisto TV, logo sempre sobra tempo pra boa leitura e ouvir algo... Eu ando escutando muita coisa mais gore e grind: FRIGHTMARE, DEAD INFECTION, TERRORIZER, REGURGITATE, IMPETIGO, FONDLECORPSE, LORD GORE, ACID WITCH... E outras coisas dentre outras “praias” tipo: ACID,TANK, UNLEASHED, SLAUGHTER, ADRENALIN O.D., STUPIDS, SODOM, FAITH NO MORE, HIS HERO IS GONE, PUBLIC ENEMY e URBAN DEATH SQUAD... Neste momento acreditem ou não, to ouvindo TIM MAIA...
XFAVELA GRINDX - Pra fechar, quem comparecer no Inferno, que fica localizado em São Paulo, na rua Augusta n° 501, consolação, dia 18, pode esperar o que?
Cris: Esperem o melhor e o pior... Pessoal vai ouvir as músicas novas e covers que gravamos, assim como as velhas que ainda não esquecemos como tocar... Hehehehehe. Show rápido como sempre pra molecada ficar reclamando depois que tocamos pouco... Hehehehe. Vai rolar uma palhaçada básica no telão e os bons e velhos stage-dives e circle pits... Espero todos por lá... Valeu! Sexta feira estréia musica nova em nosso myspace do split com Violator confiram!!!!

12/07/2009

Bandanos toca hoje, em Aracaju. Cultiva, 18 horas.

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sexta-feira, 30 de julho de 2010

# 155 - 30/07/2010

Stinky Toys foi a primeira banda francesa de punk rock, fundada em Paris em 1976. Contava com Elli Medeiros nos vocais, Denis "Jacno" Quilliard e Bruno Carone nas guitarras, Albin Dériat no baixo e Hervé Zénouda na bateria. Em 1976, tocaram no 100 Club Punk Festival em Londres com Sex Pistols, The Clash, The Damned e Buzzcocks. Em 1977 gravaram o single "Bozed Creed"/"Driver Blues" pela Polydor Records. No mesmo ano gravam seu único LP, Stinky Toys. A banda acabou em 1979. Em 1980, Elli Medeiros e Jacno formaram a dupla Elli et Jacno, com um som mais voltado para o electropop. Elli Medeiros iniciou uma carreira-solo em 1986 e Jacno tambem gravou álbuns solo desde 1979, além de trabalhar com vários artistas franceses.

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Ethiopia foi um Grupo de Rock formado por Pascoal Ferrari (voz), Pollo Rios(guitarra), Vicente Tardin (baixo) e Lúcio Agra (bateria) em meados da década de 1980 na cidade do Rio de Janeiro. É considerada uma das primeiras bandas “dark” do Brasil. Começou suas atividades após o fim do grupo Punk Dezespero, quando o ex-baterista Lúcio Agra resolveu partir para uma sonoridade mais pós-punk. Fizeram algumas apresentações na boate Ilha dos Mortos, em Copacabana, e no lendário Circo Voador. Gravaram um único disco, o EP "Ethiopia", pelo selo Top Tape, com as músicas “Feito Navalha”, “Minha Vida Em Suas Mãos”, “Ethiopia” e “Vazio”. Essas duas ultimas vêm sendo constantemente tocadas em festas Pós Punk-Góticas do Rio, o que fez banda alcançar um status “cult”. O vocalista Pascoal Ferrari andou fazendo participações no projeto Mix 80, formado por integrantes de bandas amigas como Eduardo de Moraes (Finis Africae) Major Nelson e Edinho(Kongo) Guilherme Isnard (Zero) Marcelo Hayena (Uns e Outros) e Toni Platão (Hojerizah), dentre outros.

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Jesus & The Groupies - Cuidado! O pior pode acontecer quando Fabulous Go Go Boy From Alabama (Human Trash), Marco Butcher ( Jam Messengers), Kerry Davis ( Two Tears), Mr Plaza ( Backseat Drivers) e Dave Evans ( Copter/ Black Mekon) são unidos pela vontade de fazer musica.

Marco Butcher faz vocais, Guitarras e bateria e Mr. Alabama, Guitarras e loops, tendo como convidados especiais Dave Evans do Copter nas baquetas, Mr Plaza no Sax e Kerry Davis no vocal.

Jesus And The Groupies traz o melhor da raw music misturando à isso uma boa dose do delta blues e experimentos de estúdio como beat Box, loops e guitarras pra la de sujas!!!

"Boogie, Bullets and Jesus Christ" é o nome do single que conta com 3 sons, indo do mais puro e seco garage rock até as 50's murder ballads.

Para fazer o download:

http://www.mediafire.com/?wdxvy4d3pb9z2th

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A banda AGENTSS foi iniciada por Kodiak Bachine, Miguel Barella e Eduardo Amarante entre 1980 e 1981. O grupo, seminal pioneiro no Brasil do movimento "new-wave", incorporou elementos da música eletrônica e minimalista, fazendo amplo uso de ícones e de cenografia que auxiliavam na disseminação de novíssimas idéias e conceitos musicais no universo musical Electro-Pop emergente na década de 80.
O AGENTSS estava em fina sintonia com a cena musical internacional, "sincronizado" com grupos e artistas tais como: Kraftwerk, Devo, Talking Heads, Gary Numan, The Residents, Bauhaus, The B-52's, The Cure, Blondie, Television, Brian Eno, Robert Fripp, etc.
Em pouco tempo se tornou um "cult" entre os jovens em São Paulo, levando uma legião fiel de apreciadores que lotava os locais onde a banda se apresentava. A primeira apresentação foi realizada em 25 de setembro de 1982. Com apenas cinco shows no período de um ano, deixaram uma impressão marcante na cena local. Os músicos primavam pela qualidade em suas raras performances, o que dificultava um maior número de apresentações, pois não contavam com apoio de gravadora ou patrocínio.
AGENTSS gravou dois compactos, o primeiro em 1981, uma produção independente que incluía as músicas Agentes e Angra. O segundo, em 1983, foi lançado pela gravadora W.E.A. contendo as músicas Professor Digital e Cidade Industrial, com produção de Pena Schmidt (relançado em CD - Geração anos 80 - coletânea Warner em 2000).
O grupo se desfez amigavelmente no final do ano de 1983, por razões filosóficas. Como o cometa Halley que aquela época se aproximava da Terra, o AGENTSS passou rápido, deixando em seu rastro cósmico impressões marcantes nos olhos, ouvidos, corações e mentes dos que foram privilegiados em conhecê-lo.
Além das quatro canções (Agentes, Angra, Professor Digital e Cidade Industrial), o AGENTSS contava com um repertório de 20 a 30 músicas, e 1000 idéias em andamento. Os registros dessas idéias praticamente não existem. Os poucos que permanecem são extremamente rudimentares. Gravados em fitas cassetes e similares, não permitem uma publicação decente, apesar da capacidade imensa da tecnologia atual. No entanto, algumas dessas músicas podem vir a ser trabalhadas futuramente. Talvez sejam recuperadas atingindo um padrão mínimo de qualidade, tornando possível uma publicação.
No quesito tecnologia, o AGENTSS, também se adiantava. Apesar de não contarem com apoio de técnicos à altura dos conceitos "exóticos" que o grupo buscava. Os próprios músicos "se viravam" para conseguir obter o melhor resultado possível. Para isso uniam talento, disciplina e muita criatividade.
Quando a "nave-mãe" AGENTSS partiu, seus "A g e n t e s" se espalharam para continuar seus caminhos das formas mais diversificadas. Miguel Barella formou o grupo "Voluntários da Pátria". Eduardo Amarante e Thomas Susemihl formaram o grupo "Azul 29" (também presente no CD - Geração anos 80 -). Posteriormente, Eduardo juntou-se a Guilherme Isnard (ex-Voluntários da Pátria) e formou a banda Zero. Kodiak Bachine seguiu solo...

Fonte: http://www.kodiakbachine.com/site/agentss.htm




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Snooze – Spanish Bombs
Jesus & the Groupies – Regina

Devo – Fresh
Arcade Fire – Half Light II ( No Celebration )

Ethiopia – Minha vida em suas mãos
Agentss – Cidade industrial
Muzak – Teu coração
Smack – Sete nomes

Venus Voltz – The lover was a faker
Venus Voltz – In gold we trust
( Drop Loaded )

Pantera – Fucking Hostile
Fear Factory – Demanufactury
Paradise Lost – The last time

Mistery Jets and esser – Imbetween days
Lostprophets – Boys don´t cry
Marmaduke Duke – Friday I´m in Love
Dinosaur jr. – Just like heaven
Editors – Lullaby
The Get up kids – Close to me
The Cure – Catch me

Sex Pistols – pretty vacant
Ramones – Now I wanna sniff some glue
The Jam - Slow down
London – Everyone´s a winner
Eddie & The Hot Rods – I might be lying
Ultravox – Young Savage
The Runnaways – cherry bomb
Stinky Toys – Boozy creed

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Max Cavalera, uma entrevista


Brendan Crabb, do PyroMusic.net, recentemente conduziu uma entrevista com o guitarrista e vocalista Max Cavalera (SOULFLY, CAVALERA CONSPIRACY, ex-SEPULTURA). Confira alguns trechos da conversa abaixo.

PyroMusic.net: O novo álbum do SOULFLY, "Omen", é o trabalho mais agressivo e “na sua cara” da banda em algum tempo. O que motivou você nesse álbum?

Max Cavalera: “Bem, eu sempre gostei de bandas que, quando envelheceram um pouco, ficaram mais pesadas. Existe apenas um punhado dessas, mas eu fui motivado por isso. Eu tive uma chance de fazer isso com a minha própria banda, então eu decidi que no 'Dark Ages' [2005] o SOUFLY ficaria mais pesado. 'Conquer' [2008] foi ainda mais pesado, e então 'Omen' é agora novamente ainda mais pesado e mais agressivo e também tem um pouquinho mais de influência hardcore, trazendo esse lado ao álbum também."

"Então foi apenas o que nós quisemos fazer e nós só meio que deixamos o álbum tomar a sua própria forma e as canções foram saindo assim. No fim, nós tínhamos um álbum realmente brutal. Nós podemos tocar tudo, porque tudo foi feito por nós, não há realmente computadores envolvidos ou sintetizadores nem nada dessa merda, são só pessoas tocando instrumentos, então nós poderíamos tocar aquela merda toda ao vivo. Então é muito bom, porque nós tocamos um monte dessas canções ao vivo e a resposta tem sido realmente boa para o novo álbum.”

Desde os primeiros dias do Sepultura em diante, você nunca escondeu suas influências punk e hardcore. Ainda é o mesmo grupo de bandas que te inspira nesse aspecto?

Max Cavalera: “Sim, basicamente. Tipo, um monte de coisas européias, DISCHARGE, GBH e THE EXPLOITED, e hardcore americano de Nova York, como SICK OF IT ALL, AGNOSTIC FRONT, CRO-MAGS, sabe? Essas são as bandas que eu cresci ouvindo e elas ainda me influenciam nesse momento. Eu amo esse tipo de... por exemplo, a primeira música do álbum, 'Bloodbath and Beyond'. São só três riffs, mas tudo o que você precisa numa canção como aquela são três riffs viscerais e a mágica está lá. Essa é a beleza do hardcore.”

Vocês são uma banda conhecida pelas colaborações, e o novo álbum também tem dois fortes convidados, Greg Puciato, do DILLINGER ESCAPE PLAN e Tommy Victorm do PRONG. Quando você reflete a respeito do catálogo do SOULFLY, quais são suas colaborações favoritas?

Max Cavalera: (Pausa) “Oh, são muitas, cara. O Chino [Moreno] dos DEFTONES é ótimo, nós fizemos algumas coisas com ele. Tom Araya [SLAYER] em 'Terrorist', do ‘Primitive’ [2000]. Sean Lennon, também no ‘Primitive’, aquilo foi bem incomum, realmente diferente, muito legal. E no último álbum, ‘Conquer’, tivemos David Vincent, do MORBID ANGEL, uma das bandas de que eu gosto muito da era death metal. Então eu envolvi o SOULFLY com o death metal também. Então todas essas grandes colaborações, eu realmente amo essas colaborações. No novo álbum nós temos a canção com o Greg, 'Rise Of The Fallen', e 'Lethal Injection', com o Tommy, do PRONG. Realmente artistas matadores para se trabalhar, então eu estou tão satisfeito, e vou fazer mais. Eu adoro essa ideia de colaborações nos álbums – quanto mais, melhor.”

Eu sei que nos últimos anos você tem sido crítico sobre o seu trabalho com Fred Durst, do LIMP BIZKIT, em "Bleed", do primeiro álbum, auto-intitulado [de 1998] from your self-titled debut. Há alguma colaboração na qual você esteve envolvido da qual agora se arrepende?

Max Cavalera: “É, o Fred Durst, você sabe, se revelou um idiota mais tarde, mas na épica em que ele fez aquilo ele era legal. Ele não era superfamoso, e a idéia de usá-lo partiu do produtor Ross Robinson. Ele era amigo do LIMP BIZKIT. Eu não conhecia a banda, eu só tinha uma vaga na canção ‘Bleed’ e ele disse que algum cara aí podia dar uma ‘rapeada’ em cima dela. Então eu disse, ‘Tudo bem, legal’. Eu não sabia quem era o LIMP BIZKIT e então, tipo, um ano depois eles eram a maior banda do planeta. Ele também virou um idiota, você sabe, então eu fiquei meio 'Oh, bem, eu agora tenho esse cara no meu álbum. Naquela época eu não sabia... se fosse hoje, eu provavelmente não o usaria.”

Recentemente vimos relatos de que você estaria aberto à possibilidade de que a formação clássica se reunisse para uma turnê, mas supostamente as negociações estagnaram. Você pode lançar alguma luz sobre isso, talvez?

Max Cavalera: “Sim, o negócio foi que o Andreas [Kisser, guitarrista do SEPULTURA]... Eu achei que o momento era bom, teria sido uma boa época para uma reunião, todo mundo está vivo, todos estão aqui. Então eu apenas decidi ligar para ele, eu mesmo, para ver se conseguíamos que essa reunião acontecesse. Um monte de gente queria ver isso, incluindo meus filhos, minha família, um monte de amigos.Eu sei que muitos amigos no mundo inteiro queriam ver essa reunião, eu pensei que seria uma boa coisa. Então eu liguei para ele e a coisa não foi a lugar nenhum. Ele só tinha muitas demandas, algumas coisas irreais, não era... parte das coisas não era nem negociável. Então eu apenas meio que desliguei o telefone e disse ‘Vou tentar depois, alguma outra hora’. Então meio que... pelo menos eu tento, pelos fãs. Eu tentei o meu melhor para conseguir que a reunião fosse adiante, mas não pude fazê-lo porque o Andreas não quis, sabe? Então temos que esperar até a próxima vez.”

Então você vai tentar de novo daqui a alguns anos?

Max Cavalera: “É, vamos ver o que acontece dentro de alguns anos, talvez ele mude de idéia e seja mais tranquilo a respeito.”

Traduzido por Gabriel Costa

PyroMusic.net