quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE


o maior ícone do punk americano volta ao Brasil em novembro

A história de Eric Boucher, ou simplesmente Jello Biafra, se confunde com a própria história da música punk e dos princípios do faça você mesmo. E em novembro de 2010 a América do Sul receberá sua visita pela 2a vez.
Biafra ficou mundialmente conhecido no cenário underground do fim da década de 70 e início dos 80 por integrar a lendária e ultra política banda punk Dead Kennedys. No grupo, o vocalista compôs pérolas como “Holliday In Cambodia”, “California Uber Alles” e “Kill The Poor”, iniciando a era das bandas punk que passaram a incluir temas políticos e sarcásticos em suas letras. Muitos o acusam de ser um dos precursores do hardcore e inúmeras bandas que vão do punk ao thrash metal, passando por estilos mais inusitados, já prestaram reverências à sua obra junto ao quarteto Dead Kennedys. Entre eles estão Sepultura, No Means No, Pearl Jam, Melvins, Agent Orange, Boysetsfire, Earth Crisis, Richard Cheese, Foo Fighters, Faith No More, L7, Les Thugs, Napalm Death, Final Conflict, Darkest Hour, The Didjits, Nailbomb, Neurosis e Spazz, entre muitos outros...
Com o fim dos Kennedys, Jello Biafra passou a se dedicar ativamente ao seu selo Alternative Tentacles e novamente, estipulou novos padrões de como uma gravadora independente deveria se portar frente aos padrões impostos pelas rádios, MTV americana e revistas corporativas. O selo se mantém ativo até os dias de hoje e detém o posto de gravadora underground mais antiga do mundo, tendo iniciado suas atividades em 1979 para lançar os álbuns do Dead Kennedys. A Alternative Tentacles possui extrema relevância na história do underground americano e mundial por ter revelado e divulgado nomes como Alice Donut, The Butthole Surfers, D.O.A., 7 Seconds, No Means No e Neurosis, entre outros.
Apesar do status de “dono de gravadora”, Jello Biafra não baixou a guarda e continuou compondo ao lado de amigos e grupos diretamente influenciados por sua música e postura política. Os maiores exemplos foram o LARD [junto a Al Jourgensen do Ministry], Tumor Circus [com membros do Steelpole Bathtub], No WTO Combo [junto a Kris Novoselic do Nirvana] e participações em álbuns do Offspring, Sepultura, Pansy Division, Brujeria, Pitchshifter, Body Count e Motorpsycho, sem contar os projetos que levaram seu nome: Jello Biafra & DOA, Jello Biafra & No Means No, Jello Biafra & Melvins e Jello Biafra & Mojo Nixon. Tudo isso sem contar os inúmeros CDs de spoken word que o músico lançou entre 1987 e 2006.

Como se não fosse o suficiente, Biafra ainda arranjou tempo entre suas atividades musicais para se candidatar a cargos políticos nas ocasiões da eleição a prefeito de São Francisco em 1979 e mais tarde, para presidente dos Estados Unidos no ano de 2000 pelo Partido Verde.

Em 1992, o vocalista participou de uma jam session no extinto Aeroanta junto aos músicos João Gordo e Jão [Ratos de Porão], Igor Cavalera e Andreas Kisser [Sepultura] no lançamento do livro Barulho de André Barcinsky. E em novembro de 2010, Jello visitará o Brasil novamente, desta vez com seu novo projeto JELLO BIAFRA & THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE que inclui ex-músicos de grupos da Rollins Band, Butthole Surfers e Victims Family.

A turnê passa pela Argentina e no Brasil, estão confirmadas duas apresentações no Hangar 110 [uma junto ao Ratos de Porão e outra com o Flicts] e outra no Rio de Janeiro no Teatro Odisséia, totalizando 5 apresentações na América do Sul.

Datas:

03/ Nov./ 4a-Feira – El Sotano – Rosário – Argentina
04/ Nov./ 5a-Feira – Teatro Colegiales – Buenos Aires – Argentina
05/ Nov./ 6a-Feira – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Ratos de Porão
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-hangar.html
06/ Nov./ Sábado – Hangar 110 – São Paulo – Brasil com Flicts
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-and-guantanamo-school-of-medicine-no-hangar-110-em-sp-06-09.html
09/ Nov./ Domingo – Teatro Odisséia - Rio de Janeiro – Brasil
Ingressos:
http://www.ticketbrasil.com.br/ingressos/jello-biafra-teatro-odisseia.html


Realização:
Hangar 110 e Highlight Sounds




Apoio: Revista Tribo Skate, Funtime e Sick Mind

www.myspace.com/jellobiafraandthegsm

BIOGRAFIA

Lá se vão 20 e poucos anos desde que o Dead Kennedys - o maior fruto da mente do lendário vocalista Jello Biafra - se debandou oficialmente. Desde então, Biafra tem se mantido ativo e construiu uma carreira baseada em palestras intercaladas com diversas colaborações junto aos mais comprometidos e respeitados nomes da música underground. Gravar álbuns com projetos e sair em turnê junto a nomes como Melvins, No Means No, DOA, Mojo Nixon e LARD [junto a Al Jorgensen do Ministry], entre outros, o ajudou a manter seu hardcore como uma verdadeira arma política e sua mensagem afiada. Mas com a falta de uma banda à qual ele pudesse chamar de sua, estas colaborações geralmente acabavam durando pouco e deixavam Biafra com toneladas de músicas que dificilmente veriam a luz do dia.

Inspirado pelo show de aniversário de 60 anos de Iggy Pop no Warfield em São Francisco, Biafra passou a planejar algo para o sua festa de aniversário de 50 anos e finalmente decidiu que era hora de começar sua própria banda. Dez anos antes, ele já havia tentado a mesma coisa com o guitarrista Ralph Spight [Victims Family, Freak Accident, Hellworms] e o baterista Jon Weiss [Sharkbait, Horsey]. Eles também já haviam trabalhado junto ao baixista Billy Gould [Faith No More, Brujeria], que estava cotado para se unir ao grupo. Após ensaiar por um mês, o quarteto conhecido como Jello Biafra and The Axis Of Merry Evildoers subiu ao palco em dois shows com ingressos esgotados no Great American Music Hall em São Francisco e logo em seguida, passou os próximos 9 meses ensaiando para a gravação de um álbum.

Antes de entrar no estúdio, o guitarrista Kimo Ball [Freak Accident, Carneyball Johnson, Mol Triffid, Griddle] foi recrutado, resultando em um ataque de guitarras duplas, o que acabou levando a sonoridade do grupo a novos e barulhentos patamares. O quinteto, agora conhecido como JELLO BIAFRA AND THE GUANTANAMO SCHOOL OF MEDICINE, começou a gravar as faixas do álbum The Audacity of Hype [Alternative Tentacles] lançado na 2a metade de 2009. Para a produção e trabalhos de engenharia de som, Biafra se juntou ao velho amigo, sócio-conspirador e lendário produtor de hip hop Matt Kelley [Hieroglyphics, Tupac, Digital Underground, Victims Family], para comandar as gravações nos estúdios Prairie Sun Recording em Cotati, Califórnia e no Hyde Street Studios em São Francisco.

O projeto mantém parte da sonoridade caótica do Dead Kennedys adicionada a uma dose saudável do proto-punk característico de Detroit misturado com camadas de guitarras sônicas e barulhentas e o estilo industrial que o baterista Weiss possui de realizar percussões com incursões de metal. Os assuntos abordados no álbum vão desde a lavagem cerebral anti-Iraque que os poderosos de Washington enfiam guela abaixo dos americanos comuns, passando pela crítica a uma polícia que foge de seu legítimo compromisso de proteger o cidadão e a guerra de classes contra os menos favorecidos. Biafra também propõe à geração Barack Obama, ao seu próprio estilo ácido e crítico, que as mudanças reais acontecem quando a agitação vem de baixo e não de ações glamourosas vindas de cima.

Mesmo após tanto tempo, Jello Biafra lança um álbum que solidifica e expande sua visão livre de concessões e atualizada com os dias atuais, junto a um grupo poderoso que promete ser uma máquina viva e aterrorizante em qualquer palco que venha a atuar e que agora, traz o baixista Andrew Weiss [Rollins Band, Ween, Butthole Surfers] ocupando o posto de baixista, já que Billy Gould teve de retornar recentemente ao Faith No More

Entrevista para o Portal Rock Press

Após mais de três décadas em que o punk resgatou a simplicidade do rock’n’roll, reinventou a rebeldia e subdividiu-se em diversas correntes, poucos são os protagonistas originais que permanecem relevantes.

Jello Biafra, 52 anos de idade, é o maior deles. Inteligente, ácido, politizado. Liderou uma das mais influentes bandas do gênero, fundou um selo que lançou mais de 400 álbuns, proferiu palestras, militou na política, gravou discos de “spoken word” e assinou discos com gente do naipe de Al Jourgensen, D.O.A., Nomeansno, The Melvins e até o country freak Mojo Nixon.

A integridade de Jello e sua obra de alto impacto dão um significado adulto ao que se denomina punk. A capacidade de se reinventar, sendo o cronista ácido de sempre, esmaece o revisionismo dos punks da primeira geração e passa a limpo a apropriação indébita do termo pelos oportunistas de hoje.

Após 18 anos, Jello Biafra volta ao Brasil. A primeira visita deu-se por conta do lançamento do livro Barulho, de André Barcinski, e rendeu duas performances tão rápidas quanto históricas. A primeira em São Paulo, no extinto Aeroanta, ao lado de RDP e Sepultura. A segunda no Rio, onde realizou uma jam com o power combo francês Mano Negra, liderado pelo futuro trovador global Manu Chao.

Nesse fim de semana, Jello desembarca por aqui com sua primeira banda fixa desde o fim dos Dead Kennedys – no já longíquo ano de 1986. A Guantanamo School of Medicine é uma banda de alto calibre e com a qual o vocalista gravou o exuberante e poderoso The Audicity of Hype.

Dentro do devido contexto, os shows que nos aguardam têm a carga de importância para serem lembrados por muitos anos.

A Rock Press, por intermédio da Highlight Sounds e Alternative Tentacles, conversou com exclusividade com Jello Biafra alguns dias antes de sua viagem para o Brasil.

De sua casa, em San Francisco, Biafra conversou com nossa reportagem por aproximadamente 40 minutos. A qualidade da ligação oscilou entre o ruim e o péssimo, ainda que, com a boa vontade de Jello, tenhamos feito nada menos que três telefonemas para tentar sanar o problema.

O que você lê a seguir é a transcrição da espinha dorsal dessa conversa com um artista e pensador que possui, de fato, o dom da palavra.

Mas nossa equipe já está providenciando uma correção digital no áudio original da entrevista para que possamos, em breve, publicar o papo na íntegra e com a transcrição ipsis litteris como exige, e merece, o entrevistado.

Abaixo, alguns trechos da entrevista:

Você tem alguma observação sobre o crescimento da esquerda na América do Sul?

Tudo que eu sei é que parece estar melhor do que estava antes. A expectativa pelo trabalho do Lula foi mais ou menos o que aconteceu com o Obama. Não vou dizer que sei tanto assim sobre os resultados, porque estou distante do dia-a-dia, mas vejo que o Brasil se alinhou comercialmente com um grupo de países, como China, Índia e outros. E agora pode tomar certas decisões por si mesmo sem tanta interferência da OMC. Dane-se isso! E eu gosto dessa postura.


Ouvi dizer que quando você esteve aqui em 1992, não estava imaginando que iria ter que se apresentar ao vivo. Estive presente e me recordo de ver Paul Barker, baixista do Lard e Ministry, vendo o show encostado no amplificador. Mas você cantou 3 músicas. O que, de fato, aconteceu?

O autor de um livro, que veio aos EUA e entrevistou o Ministry e o Cramps, me convidou para ir ao Brasil no lançamento para autografar alguns exemplares. E que me levaria na Amazônia e outras coisas mais. Mas não foi nada disso que aconteceu e…


…e você foi pego de surpresa descobrindo que todos estavam esperando que você se apresentasse?

Totalmente! Mas ainda acabei indo ao Rio de Janeiro, pois justamente naquela época estava acontecendo aquele evento ambiental, Rio Summit, não se como se chama no Brasil…


Foi a ECO92.

Certo, ECO92. E lá estavam todas aquelas autoridades importantes. Achei que eu deveria participar. Me lembro que voei no mesmo avião de vários deles. As coisas que ouvi na época, sobre as corporações pegarem o gene de um animal e usarem para que o quisessem me levou a escrever “Biotech is Godzilla” que o Sepultura acabou gravando.

CLIQUE AQUI PARA LER A ENTREVISTA COMPLETA

por Eduardo Abreu

* * *

Entrevista para a revista playboy

Jello Biafra, ex-líder do Dead Kennedys, vem ao Brasil mostrar The Audicity of Hype, disco de sua nova banda, The Guantanamo School of Medicine, e fala sobre idade, política e um curioso encontro no Rio de Janeiro, em 1992

Por Jardel Sebba

1 - O que acha que soa diferente nesse primeiro álbum com a The Guantanamo Schhol of medicine dos demais trabalhos que você já fez ?

Eu não analiso as coisas dessa forma, eu simplesmente as faço. Se algumas pessoas pensam que canções desse novo disco soam como Dead Kennedys, não vou fugir da comparação, escrevi boa parte das canções da banda. Acho que tenho um estilo de compor que acrescenta psicodelia ao som, o que resulta em algo que não é tão comum em bandas punk.

2 - Depois de tantos anos na estrada, você se sente diferente quando senta para escrever uma canção hoje?

Sou um animal político a qualquer tempo. Escrevo sobre o que acredito que é interessante e importante. Claro, há algo pessoal na música, mas não quero desperdiçar boas canções com coisas que não gosto de ouvir em outros artistas. Eu tento atacar o sistema por ângulos diferentes das outras pessoas. Quando produzo um álbum estou mais interessado em sentimento, impacto, vibração do que ter todas as notas de um instrumento perfeitamente bem tocadas.

3 - Aos 52 anos, você se sente velho no meio do punk rock?

Às vezes acho engraçado quando olho para trás e penso o número de shows no underground nos quais eu era a pessoa mais velha na plateia. Algumas vezes 15, 20 anos mais velho! Mas isso é uma coisa boa. Nunca deixei de ser um fá de música, gosto do lado selvagem do rock’n’roll, o que me leva, claro, ao punk rock. Acho que a questão principal sobre idade é que hoje preciso me exercitar mais entre os shows, para que possa fazer o que faço no palco.

4 - Incomoda ser tratado com reverência no meio do punk rock, um lugar não muito apropriado para culto a ícones?

Acho que trabalhei duro o bastante e arrisquei bastante o meu pescoço para esperar que hoje seja tratado com algum respeito. Essa coisa de ícone vai e volta, nos primeiros anos isso não era comum, qualquer pessoa que tinha um papel importante no palco não podia agir como uma estrela fora dele. Começou a mudar mais tarde, com o punk mais comercial, quando todo mundo queria que seus amigos curtissem sua música logo nos primeiros shows e media sua popularidade pelo apoio de companhias de skate, de tênis ou de cervejas. Era a maneira deles acharem que estavam sendo bem sucedidos como artistas, o que eu sempre achei que cheirava muito mal.

5 - Você se candidatou a prefeito de São Francisco no fim dos anos 1970. Já pensou de verdade em se candidatar a presidente, e qual seria sua primeira medida, uma vez eleito?

Eu fui candidato a presidente, um pouco pelo menos, em 2000, quando o pessoal da convenção de Nova York do Partido Verde me chamou para ser candidato ao lado de Ralph Nader, e eles nem perguntaram se era filiado o partido. Eu era, por sorte. Mas não concorri de verdade, primeiro porque não tive tempo, depois porque não queria competir com Nader, eu era eleitor dele. Mas achei que era uma boa ideia deixar meu nome nas primárias de alguns estados, as pessoas que me conheciam mas não conheciam o Nader nem o Partido Verde poderiam ter um estímulo a mais para sair de casa, se registrar e votar. Acho que a primeira coisa que faria seria chamar os militares no Iraque e no Afeganistão imediatamente de volta. Outro ato imediato seria usar o poder presidencial para reduzir ou tirar da cadeia todos os que estão condenados por uso de drogas. O problema é que o presidente só pode fazer isso com prisioneiros federais, e a maioria das pessoas presas com maconha e afins são prisioneiros estaduais, logo eu teria de convencer os governadores a fazer o mesmo. Também seria bastante tentador virar as costas para a Nafta e mandar um “foda-se” para a Organização Mundial do Comércio de uma vez por todas.

6 - Você consegue se manter distante da grande música comercial que domina o mercado americano? Sabe, por exemplo, quem são e o que fazem Lady Gaga e Justin Bieber?

Não se esqueça que eu sou um grande fã de música, é meu único vício, especialmente os vinis. Quem me viu na minha viagem ao Brasil lembra como fiquei louco nas lojas de discos do Rio e de São Paulo. Ao mesmo tempo, não vejo muito sentido em perder meu tempo com a cultura pop comercial quando posso prestar atenção em algo interessante, ou fazer música ou arte por minha conta. Sempre fui assim, há dúzias de programas famosos de TV daqui que eu nunca vi. Na minha adolescência, por que eu ficaria vendo “As Panteras” se podia ir ao meu quarto ouvir os Stooges? Eu me divorciei da música mainstream e do rádio comercial quando tinha 13 anos de idade. Foi quando comecei a comprar meus discos e me encher de rádios que tocava muito Eagles e pouco Black Sabbath.

7 - Reza a lenda que a primeira vez que você e o ex-governador da Califórnia Jerry Brown, pintado como um fascista por você em um dos clássicos do Dead Kennedys, “California Über Alles”, se encontraram foi durante a Rio-92, aqui no Brasil. Todo mundo teria ficado em pànico quando percebeu que vocês estavam no mesmo lugar, ma no fim vocês se cumprimentaram e foi tudo bem. Foi isso mesmo que aconteceu?

A gente não se cumprimentou, mas de fato a primeira vez que estivemos num mesmo ambiente foi num restaurante no Rio de Janeiro, mas cada um na sua mesa. Mas estive com Brown algumas vezes depois disso. Ele passou por fases bem diferentes. Virou um radical de esquerda na época da eleição de Bill Clinton, envolvido com questões ambientais, com as quais eu também estava envolvido, e nessa época nos encontramos algumas vezes. Uma pelo menos foi engraçada, houve um jantar na casa dele para o qual eu fui arrastado pelo Michael Moore, e uma das pessoas da equipe dele falou: “Eu toquei um disco seu para o Jerry hoje de manhã“, no que eu pensei: “Ai, que merda…” (risos)

8 - Ele não deve ter curtido ouvir “California Über Alles“…

Mas lembre-se que todas aquelas teorias dessa música, do Brown ser um novo fascista, caíram por terra quando Ronald Reagan foi eleito. Foi quando percebi que Reagan e sua turma eram uma ameaça muito maior que Brown. Acredite ou não, Brown vai concorrer para governador da Califórnia novamente.



quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Noite Fora do Eixo na Rua da Cultura

A banda Argentina Falsos Conejos se apresentará na próxima edição do projeto Rua da Cultura, que acontece toda segunda-feira à noite no espaço entre os Mercados Antonio Franco e Thales Ferraz, no centro de Aracaju. Na ocasião se apresentarão também os Mamutes, combo hard-rock setentista local, e A Banda de Joseph Tourton, de Recife.

É gratis. Compareça.



* * *

O Compacto.Rec tem orgulho de apresentar seu primeiro lançamento internacional do projeto - o CD “YYY” do trio Falsos Conejos (Argentina), primeiro LP do grupo, também o primeiro nesse formato lançado pelo Compacto. O trio entrará em turnê pelo Brasil em outubro, passando por regiões como Sul e Nordeste.

O grupo instrumental experimental nasceu em Buenos Aires, Argentina, em 2006. Pós-rock, math rock e outros termos semelhantes (que os seus integrantes não estavam conscientes no momento de delinear as suas músicas) são muitas vezes utilizados para descrever o som do grupo. É um som forte e intenso, aproximado do rock e o ritmo às vezes se parece com Jazz, Dub e própria música regional de Buenos Aires.


COMPACTO.REC

Esse ano o Compacto.Rec trouxe diversos lançamentos que derão enfâse ao projeto, como a paranaense Nevilton, a mineira Uganga, deu destaque a Coletânea Grito Rock América do Sul 2010, lançou o primeiro material solo do Jair Naves, ex-Ludovic e recentemente foi contemplada pela Bolsa Funarte de Reflexão Crítica e Produção Cultural para Internet. Já em Outubro do 2010 o projeto realiza sua primeira edição internacional, Falsos Conejos da Argentina, o lançamento acontece simultâneamente com a turnê da banda na América Lativa.

Com a liberação dos fonogramas para downloads, o projeto alinha uma iniciativa de trocas para remunerar o autor do trabalho em um sistema de economia solidária, pautado na oferta de serviços e produtos integrados ao Circuito Fora do Eixo.


O DISCO


YYY pode ser interpretado como uma letra do alfabeto repetido três vezes, ou simplesmente como três grupos de três linhas que se encontram em três pontos. Assim, o Falsos Conejos o escolheu para batizar seu novo álbum, que foi concebido a partir do conceito de "três vezes três" (três grupos de três faixas, o número de três discos do trio, gravado durante o terceiro ano de vida a banda, um processo que demorou três dias para gravar e que foi assistido por apenas três músicos). O CD traz um som orgânico, onde a reverberação natural de diferentes ambientes é muito presente, em oposição à neutralidade que é pedida no estúdio de gravação. Concebido como um álbum inteiro para ouvir direto, as nove faixas são ligadas por pontes de músicas ou sons que moravam na casa no momento: passos, portas que abrem e fecham, carros e caminhões que passavam pela via, grilos, pássaros e morcegos no jardim. Como uma montanha-russa, YYY, é fiel ao conceito de dinâmica de condução do grupo, onde o silêncio é usado como um recurso para enriquecer a música.


Fonte: Portal Fora do Eixo

SERVIÇO:

Dia: 08/11/2010

Local: Rua da Cultura - Centro - Aracaju

Noite Fora do Eixo

FALSOS CONEJOS (ARG)
A BANDA DE JOSEPH TOURTON (PE)
MAMUTES

0800

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

# 167 - 29/10/2010

Satanique Samba Trio – Cancro Molly
Killing Joke – Absolute Dissent
The Smashing Pumpkins – Astral Planes
The Fall – O.F.Y.C. Showcase

The Black Crowes – Tick ´n thin
Eagles of Death Metal – Stuck in the metal
Soundgarden – Spoonman
Kings of Leon – Sex on fire

Robertinho do Recife – Fantasia preto e prata
Stress – Sodoma e Gomorra
Salário Mínimo – Beijo fatal
Centúrias – Última noite
A Chave do Sol – Um minuto além
(Bloco co-produzido por Vladimir)

Vespas Mandarinas – Cobra de vidro
Vespas Mandarinas - Retroceder
(Drop Loaded)

Entrevista com Snapic

Bloco produzido pela Snapic:

Beastie Boys - Time for livin (instrumental)
Black Drawing Chalks - I´m a Beast I´m a gun
Vendo 147 - Hell
Pata de Elefante - Funkadelic

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Sexta, no programa de rock

Estudantes de jornalismo e freqüentadores constantes dos eventos realizados em Aracaju, Victor Balde e Arthur Soares desenvolviam trabalhos fotográficos em shows individualmente desde 2007 e 2005, respectivamente. Devido à amizade existente entre os mesmos, surgiu a idéia de unir os trabalhos fotográficos no segundo semestre de 2008 e a partir disso passar a ter uma maior e melhor cobertura dos eventos que aparecessem, como meio de contribuir para a evolução da cena local.

Em Outubro de 2008, o projeto sai da teoria e vai para a prática com a criação da SNAPIC, palavra formada através da junção dos termos "SNAPshot" (inicialmente relacionado às fotos instantêneas provenientes de Polaroids, atualmente possui um conjunto maior de abrangência, podendo se referir a fotos digitais de modo geral) + PICture (imagem).

Esta primeira cobertura conjunta foi feita durante um evento realizado no Espaço Emes (Aracaju-SE), no festival chamado "Dueto Cultural" que contou com a presença de Arnaldo Antunes, Capitão Parafina e Maria Scombona. O resultado atingido foi melhor do que o esperado e logo surgiram bons comentários relacionados à qualidade das fotografias produzidas.

O trabalho, após 2 anos, já esteve presente na maioria dos impressos (jornais, revistas, folhetos) locais, sem contar os fotologs e blogs de bandas na internet que se utilizam das imagens da SNAPIC. Como forma de ampliar a produção Victor e Arthur, além de imagens de shows, também realizam trabalhos de fotojornalismo e outras areas da fotografia como: moda, gastronomia, peças teatrais, dentre outros.

· Quer contratar a Snapic?
contatosnapic@yahoo.com.br
(79)8821·4315|9972·8223

Fonte: Divulgação















quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Vida louca vida ...

Em autobiografia, Keith Richards, guitarrista da banda inglesa Rolling Stones, admite que cheirou as cinzas do pai, transou com mulheres de amigos e diz que Mick Jagger tem pênis pequeno.

por Natalia Rangel


É verdade. O guitarrista da banda britânica Rolling Stones, Keith Richards, realmente inalou as cinzas mortais do pai, morto em 2002. Ele admite o fato e dá outros detalhes em sua autobiografia intitulada “Life”, um livro com mais de 500 páginas, que terá lançamento mundial na terça-feira 26 (a versão em português sai no Brasil em novembro pela Editora Globo).

Richards recebeu adiantados US$ 7,3 milhões para escrevê-la, o que fez em parceria com o autor americano James Fox. Uma legítima obra sobre sexo, drogas e rock’n’roll narrada por ninguém menos que uma das maiores autoridades no assunto: o roqueiro e genial guitarrista rotulado como um dos mais doidões e anárquicos de sua geração e que, sabe-se, só abandonou a cocaína em 2006 depois que uma queda nas Ilhas Fiji o levou a uma delicada cirurgia no cérebro. Hoje, aos 66 anos, Richards vive em Connecticut, nos EUA, com a esposa, Patti Hansen – deixou a Inglaterra para fugir dos impostos da coroa. É um colecionador de livros e se interessa particularmente por publicações sobre rock e a Segunda Guerra Mundial – tem duas organizadas bibliotecas em suas casas da Inglaterra e dos EUA.

A sua banda, que já vendeu mais de 200 milhões de álbuns em todo o mundo, tem a trajetória revista sob a ótica de um dos seus fundadores. Keith Richards, criador de inesquecíveis riffs de guitarra como se ouvem nas músicas “Jumpin’ Jack Flash” ou “Honky Tonk Women”, abre a sua biografia pela turnê de 1972, que ficou conhecida como “O Alvorecer da Cocaína e da Tequila”. Foi a primeira vez que a banda tinha regalias como viajar no próprio avião, com a famosa língua vermelha pintada na aeronave, e alugar hotéis inteiros para garantir privacidade. As histórias que se seguem retratam a rotina de jovens roqueiros recém-alçados ao estrelato, vivendo a vida intensamente. Richards conta, por exemplo, como ele e Bobby (músico colaborador da banda) puseram fogo no banheiro de um hotel, mas estavam dopados demais para perceber isso. Foram surpreendidos pelo arrombamento da porta, enquanto repetiam: “Está mesmo muito esfumaçado por aqui, não é?” Relembra uma risível viagem de três dias pela Inglaterra com John Lennon: “O que houve, nem eu nem John nunca nos lembramos plenamente. Havia pelo menos uma garota conosco e um chofer, porque não estávamos em condição de dirigir. Eu disse a John que não ia viajar naquele Rolls-Royce psicodélico ridículo. Fomos mais discretamente no meu pequeno Bentley azul.” Richards chama Lennon de um “silly sod”, ou seja, um cara idiota mas não desprezível. Relembra festas em que Lennon comparecia com Yoko Ono para pegar drogas. “Acho que John nunca saiu de minha casa em outra posição que não a horizontal.”

Keith Richards mostra-se à vontade ao falar de drogas e de como fazia para consegui-las e rememora algumas passagens constrangedoras. Entre 1960 e 1970, quando era um consumidor voraz de heroína e cocaína, sempre portava armas de fogo. “Eu saía armado para buscar heroína – tive rifles, uma Luger e uma Smith & Wesson (a mais perigosa de todas). Era mais seguro assim, especialmente nos EUA.” A arma também ganhou protagonismo nas festas. Ele relata: “Em algumas das minhas noites mais ultrajantes eu só podia saber o que realmente tinha acontecido diante de evidências incontestáveis. Quando alguém indagava: ‘Você não lembra dos tiros? Levante o carpete, olhe as perfurações no piso, cara. Lembra que tirou a cueca e se balançou nu pendurado ao candelabro?’ E eu, embaraçado: ‘Não, não me lembro de nada.’ Regra básica de uma festa realmente boa: não se lembrar do que aconteceu.” E expõe no livro a sua explicação para ter sobrevivido aos excessos todos: “Atribuo isso à boa qualidade das drogas que eu consumia. Mas também ao controle que tinha sobre a quantidade que ingeria. Nunca colocava uma dose a mais para ficar um pouco mais louco. É nessa hora que a maioria das pessoas se dá mal. Essa voracidade nunca me dominou completamente.”

Ele se orgulha em dizer que mesmo com tantas extravagâncias, jamais perdeu um show. Mas Richards chegou a dormir durante um concerto: “Estava com o pé sobre o pedal do volume e apaguei quando tocávamos a chatíssima “Fool to Cry”...Despertei quando o volume ficou insuportavelmente alto.” Além das festas, das drogas, do embate artístico histórico entre Richards e o vocalista Mick Jagger, e de muitas anedotas do cotidiano dos músicos, Keith Richards aproveitou para criticar posturas assumidas pelo parceiro em sua trajetória – especialmente o rompimento temporário, quando Jagger decidiu seguir em carreira solo: “Seu trabalho perdeu o rumo.” E também provoca o amigo com indiscrições infantis, ao dizer que ele tinha um ‘pênis minúsculo’ (uma rivalidade tão antiga quanto a amizade dos dois, que se conhecem desde os 4 anos de idade). Eles trocaram namoradas – assunto que Richards confessa nunca ter engolido muito bem, referindo-se a época em que sua companheira Anna Pallenberg teve um caso com Mick Jagger. O mesmo deve valer para o próprio Richards, que se vingou indo para a cama com a musa de Jagger, Mariane Faithfull. Num trecho, ele relata a noite que fugiu pela janela quando ele e Mariane ouviram Jagger chegando em casa. Saltou com as roupas nas mãos e esqueceu suas meias. “Marianne e eu até hoje temos essa piada. Às vezes, ela envia a mensagem: ‘Ainda não encontrei as suas meias.’”

Fonte: Istoé.

TOCA RAUL, PORRA !!!!!!!!

Difícil imaginar um roqueiro que nunca tenha vestido uma camisa de Raul Seixas. Ainda hoje, quatro décadas depois do ápice criativo do músico baiano, o semblante barbudo que anarquizou a música brasileira freqüenta os tecidos puídos com o qual a molecada se cobre para reverenciar seus heróis com uma assiduidade de fazer inveja a qualquer Jesus Cristo. Idolatrias a parte, esta semana as bandas The Baggios e Plástico Lunar reúnem uma galera de responsa no Espaço Cultiva para prestar um tributo à altura da criatividade esbanjada pelo Maluco Beleza.

De acordo com Julio Andrade, frontman da Baggios e guitarrista da Plástico Lunar, não foi preciso evocar um pretexto específico para se debruçar sobre a vasta discografia de Raulzito. Segundo ele, a satisfação proporcionada pela pesquisa do repertório foi suficiente para convencer os envolvidos da conveniência do projeto.

“Sou fã e não nego. Gosto pra caralho de cantar a música dele. Não há obrigação, não pensamos isso pra tirar algum trocado. Me empolguei muito com esse projeto e acho que ele deve ser valorizado, pois o trabalho que exigiu não foi pouco. Estamos tratando as músicas com carinho, tentando nos manter fiéis às idéias de Raul Seixas, preparando versões inusitadas. Esse tributo não vai ser realizado nas coxas”.

Explica-se. O projeto não nasceu hoje. Sua gênese remonta a meados de 2009, quando o aniversário de 20 anos da morte de Raul Seixas foi lembrado. Na ocasião, o público lotou o Capitão Cook para cantar as músicas da época do “Raulzito e os Panteras”, passando por clássicos da era “Gita” e “Há dez mil anos atrás”, até alcançar o derradeiro “Panela do Diabo”, que eternizou a parceria do homenageado com Marcelo Nova.

Agora, além das bandas anfitriãs, personagens do calibre do cantor e compositor Alex Sant’anna (que promete entoar os versos de “Capim Guiné”), Thiago Ribeiro (que assumiu a responsabilidade pela execução dos sucessos “MDC” e “Gita”) e Daniel Torres, vocalista esporádico e membro relutante da Plástico Lunar (que vai dar o ar da graça com “Por quem os sinos dobram” e “Coisas do Coração”) tomam parte na homenagem.

Carimbador maluco – Julico me garantiu que todas as fases que pontuam a carreira de Raul Seixas serão contempladas pela festa. Segundo ele, uma média de pelo menos duas músicas por disco pontua o repertório. Para ganhar o Imprimatur deste carimbador maluco, no entanto, eles vão precisar suar um bocado.

Não admito um tributo a Raul Seixas sem a execução de canções emblemáticas como “Paranóia”, “Meu amigo Pedro”, “Eu também vou reclamar”, “Quando você crescer”, “No fundo do quintal da escola” e “Sessão das dez”. Elas talvez não figurem numa seleção óbvia, mas ajudam a explicar como um trabalho realizado há tanto tempo continua merecedor de nossa atenção, influenciando novos músicos, mais contemporâneo e relevante do que as bobagens coloridas que tomaram conta de veículos ditos especializados, que costumavam se valer de parâmetros aceitáveis para testar nossa paciência, ao contrário do que vem fazendo a MTV.

riansantos@jornaldodiase.com.br

por Rian Santos

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Inferno na serra


Noite de Black Metal em Itabaiana. Imagina se eu ia perder isso ... Cheguei atrasado, perdi a primeira banda, a única que não era 100% Black - Warfiled, death. Ok. Entrei. E não é que tinha público ? Sou meio ruim com esse tipo de conta, mas apostaria em mais de 200 criaturas – quase todas trajadas de preto e com cara de poucos amigos, evidentemente – no recinto. Fico feliz com isso, pois apesar de não ser exatamente um fã do estilo, torço pelo desenvolvimento do underground em nossa pequena província de Sergipe Del Rey, e mais ainda por se tratar de um evento de um gênero tão obscuro em minha cidade natal, um verdadeiro deserto para os poucos admiradores do rock quando eu comecei a curtir som, ainda nos anos 80. Imagina se, naquela época, eu poderia sequer sonhar com a possibilidade de ver uma cena como a que vi naquela noite – as noites itabaianenses, na época, se limitavam a passeios na praça depois da missa e bailes dançantes na Associação Atlética. Não que hoje em dia seja lá tão diferente – infelizmente não é. Mas já há um razoável número de abnegados com colhões para enfrentar a parada dura que é produzir algo do tipo na “capital do agreste”. Parabenizo desde já os responsáveis pelo feito: mostraram atitude.

A grande atração da noite seria a Eternal Sacrifice, de Salvador, desde 1993 militando nos sombrios domínios do metal obscuro e pagão, mas antes tivemos uma banda nova, de Aracaju, a Ad Aeternum. Me parece que foi a primeira apresentação deles, e isso explicaria a curtíssima duração da mesma – além da má qualidade de equalização do som. Vocal feminino, rasgado e gritado. Tem potencial.

Eternal Sacrifice demorou uma eternidade para começar, um sacrifício e teste de paciência para quem estava esperando. Mas os que perseveraram foram brindados por uma pesada névoa que tomou conta da “Cebola city”, o que cooperou para o clima sombrio e assustador que tomou conta do recinto durante a apresentação. Fazem um som interessante, cheio de passagens melódicas e climáticas intercaladas com verdadeiras “pancadas no pé do ouvido” – muito embora o sonzinho “xoxo” que saía dos amplificadores das guitarras não colaborasse para um perfeito deleite auditivo dos apreciadores do barulho. Por outro lado, vocal e teclado estavam altíssimos, o que fazia com que os impropérios pagãos vomitados pelo vocalista, Lhorde Haadaas Naberius, ecoassem em alto e bom som pelo agreste sergipano. “Boa noite, demônios”, saudou ele no início da celebração – e é isso mesmo: mais que um show de rock (e é rock, no final das contas, muito embora haja controvérsias), é uma verdadeira celebração pagã, uma pregação anti-cristã, misantrópica e obscura. E é tosco, muito tosco: vocais “operísticos”, gritos primais, “corpse paintings” bizarros escorrendo pelas faces junto ao suor. Uma verdadeira visão do inferno na terra para algum cristão praticante desavisado que passasse por ali naquele momento. Foi divertido - especialmente no momento em que um maluco lá invadiu o palco e surrupiou um dos dois tridentes que ornamentavam o "altar". Sempre tem uns doidos que parece que não se divertem se não tomarem uma surra e/ou forem expulsos do recinto pelos seguranças, né ...

Na sequencia, Litania Ater. Gosto do som deles – é mais “potente”, agressivo, menos “liturgico” e mais metal, musicalmente falando. Os vocais do baterista André são pronunciados num português inteligível, então se você prestar atenção vai viajar por um mundo de batalhas épicas entre as forças do mal e os odiados exércitos do cristianismo enfraquecedor da alma do homem. Não deu pra ficar até o fim porque o cansaço estava batendo (já tinha perdido a noite anterior no rock do capitão cook). Vi um pouco do show e voltei para Aracaju em meio a uma névoa tão espessa que um de meus caronas, Death Row, bêbado, achou que a gente tinha se perdido entre as dimensões do tempo e ido parar num universo paralelo ao estilo dos retratados na literatura de H. P. Lovecraft ou do game “Silent Hill”. Até que seria interessante, mas logo avistamos a logomarca do Posto Boa Viagem e acabaram-se os delírios sombrios: estávamos na BR 101, a caminho de casa.

por Adelvan


22/10/2010 - Uma noite "fora do eixo"


Uma noite “pernambucana” no capitão cook – mas sem maracatus, batuques ou cirandas: uma noite de rock – com pitadas de música eletrônica. Duas das mais novas revelações do cenário alternativo da “mangue town” estavam de passagem rumo ao festival Feira Noise, em Feira de Santana, Bahia, e decidiram fazer uma parada estratégica em Aracaju

Voyeur, a primeira a se apresentar, faz um “electro rock” um tanto quanto low-fi e minimalista, com algumas boas sacadas mas carecendo de um pouco mais de capricho nas composições. O som estava ruim, abafado, e isso pode ter afetado o desempenho deles – assim como o fato de que o som da guitarra sumiu por um bom tempo e a longa parada esfriou de vez a apresentação, que já não estava empolgando muito o pequeno publico presente, a bem da verdade. A banda parecia pouco a vontade e o publico, frio e apático, não contribuía para melhorar o astral. Como resultado, o show foi se arrastando de forma burocrática até o final, quando eles, finalmente, tocaram a que considero sua melhor composição, “little mama”. Uma pena, pois parecem ter uma proposta interessante e diferenciada para a região, muito embora não tenham cumprido, no palco, aquilo que prometem ao se ouvir as gravações de estúdio. Isso sem falar de uma certa teatralidade vazia que não teve nenhuma ressonância, como a insistência de vocalista Juh em vocalizar através de uma espécie de pistola futurista de brinquedo que não produzia efeito nenhum – eu, pelo menos, e alguns amigos ao redor, não vimos diferença alguma. Melhor sorte na próxima.

Já a Diablo Motor surpreendeu. Rockão descompromissado e possante, executado com garra e precisão. Belos riffs, boas composições e letras ininteligiveis em um português displicente mastigado pelo bom vocalista Tomaz, cujo timbre de voz lembra o de Cazuza – ou de Catalau, do Golpe de Estado. A postura de palco da banda também foi bem mais desencanada: mandaram seu esporro meio que pouco se fudendo se tinha pouca gente ou se a galera não se chegava e parecia “morgada” (o publico sergipano é meio estranho mesmo, geralmente retraído, muito embora quando “se solta” protagonize noites memoráveis, que o digam a Retrofoguetes ou a Venus Volts). Empolgou um pouco mais a galera – ou pelo menos nosso amigo Thiago “Cachorrão”, que mandou alguns de seus já antológicos chutes no ar em sinal de aprovação.

Para encerrar, os anfitriões da The Baggios, com seu blues-rock potente e “malemolente”, sempre um grande show – não darei detalhes porque confesso que nem cheguei a ver direito, entretido que estava com a empolgação de Rick Maia e seus planos para o futuro da musica alternativa sergipana.

Foi rock.

Foi bom.

Adelvan