quinta-feira, 18 de março de 2010

messias, brincando de deus



Três vezes messias

por Franchico

Fonte: Rock Loco

A expressão serena no rosto de Messias Guimarães Bandeira não reflete sua (já longa e suada) trajetória como músico na banda brincando de deus, agitador cultural e pesquisador acadêmico na área da Comunicação. Conhecido pela ousadia e pioneirismo que imprime em suas ações, ele agora parte para mais um desafio que poucos teriam coragem de encarar: o lançamento de um CD triplo.

Intitulado escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me (um título para cada disco), o álbum, que conta com um verdadeiro who‘s who de músicos baianos convidados, foi produzido por andré t., que também assinou a produção do último CD da brincando de deus, lançado dez anos atrás.

Sua banda original, que retornou à atividade em dezembro último, após quatro anos parada, é considerada uma das mais importantes do gênero indie rock / guitar band. Ao lado de grupos como Pelvs (RJ), Low Dream (DF) e Pin Ups (SP), a brincando de deus formou a linha de frente da primeira geração do indie rock brasileiro.

Em paralelo, Messias se notabilizou ainda como um agitador “cyber cultural“, por assim dizer. Graças às suas pesquisas realizadas no âmbito da internet – via Faculdade de Comunicação da Ufba – quando a rede mundial de computadores ainda era apenas um sonho molhado na cabeça dos nerds, “a brincando de deus“ – salvo engano do próprio Messias – “foi a a primeira banda brasileira a ter um site, ainda em 1993“, garante.

A brincando de deus lançou seu primeiro CD em 1995, de forma totalmente independente. Naquela época pré-mp3, pré-desmantelamento da indústria fonográfica, as bandas de rock ainda sonhavam em assinar contrato com gravadora.

A decisão de Messias em ignorar este caminho se mostraria mais do que acertada: seria profética.

Naquela época em que a brincando de deus gravou seu primeiro álbum, tinha gente importante interessada em lançar a banda no mercado: “O Rock It!, que era o selo de Dado Vila-Lobos (Legião Urbana) e André X (Plebe Rude) queria lançar o disco, mas tivemos problemas de agenda. A deles não casava com a nossa. Como eu achava que o nosso disco não podia esperar, criei um selo independente, o Self Records, e lancei o disco eu mesmo“, lembra Messias.

Algum tempo depois, em 1996, organizou, na Concha Acústica do TCA, o primeiro Festival Boom Bahia, um verdadeiro mostruário do que havia de mais significativo na cena roqueira local, reunindo bandas importantes, como Doutor Cascadura, The Dead Billies, Penélope e Dois Sapos e Meio.

O festival teria mais uma edição (ampliada com artistas de fora do estado) em 97, antes de parar e só retornar dez anos depois.

Na última edição, em 2008, a Praça Pedro Archanjo (Pelourinho), lotada, chacoalhou ao som da banda americana Mudhoney, numa rara oportunidade para os roqueiros baianos terem acesso a uma atração estrangeira de qualidade reconhecida. Detalhe: a entrada para o show era um livro usado. Veio gente do interior do estado e até de Aracaju para conferir.

“Essa obsessão por independência continua comigo até hoje“, nota. E pelo visto, não larga dele tão cedo.

Seu CD triplo, que já tem shows de lançamento agendados em São Paulo e Belo Horizonte, foi 100% bancado do próprio bolso. “Em Salvador, ainda falta confirmar a data, mas deve ser no final de abril“, avisa.

“Este CD foi gravado por conta própria. Não foi por edital, lei de incentivo e muito menos por gravadora. Até por que, ainda mais hoje em dia, em que gravadora eu teria autonomia para gravar e lançar um CD triplo?“, pergunta, com toda razão.

Com 32 músicas, escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me é um trabalho de fôlego, que exigiu muito do seu autor e do seu produtor. Como se pode imaginar, a gravação de um projeto dessa envergadura não foi um processo simples.

“Não que tenha sido doloroso, mas (gravar um disco assim) é um investimento pessoal que exige um certo rigor com você mesmo“, conta Messias.

Trata-se de um projeto sofisticado, que reflete tanto o imaginário musical de Messias – passeando pelo indie e lo-fi, com direito a programações eletrônicas e muitos instrumentos de cordas –, bem como suas inquietações filosóficas, como o passar do tempo, algo explicitado no próprio título do trabalho, e sua difícil relação com o lugar aonde vive: Salvador.

Um exemplo disso é Avenida Contorno, faixa 7 do disco 1, na qual destila sua angústia diante do belo cenário da Baía de Todos os Santos: ”A Avenida atravessa a madrugada, a baía é um espelho atrás de mim / toda noite aquela curva me espera e segue reto que se cansa de estar só”, canta, numa das poucas faixas em português do álbum (assim como nos discos da brincando de deus, maior parte de suas canções é em inglês).

”Olha, eu subo e desço aquela avenida todos os dias há muitos anos, então ela para mim meio que sintetiza a cidade, além de ligar a Cidade Baixa e a Cidade Alta. Ela simboliza Salvador muito mais do que a Avenida Paralela, por exemplo. E também é a minha passagem de todos os dias”, explica.

Além das gravações convencionais no Estúdio T, Messias realizou diversos registros no silêncio da madrugada, em sua própria casa, como atestam as anotações feitas a caneta no encarte do álbum. Isto concedeu um caráter bem intimista em faixas como Curva Loxodrômica, Escrever-me e Envelhecer-me.

”Outras faixas eu criei a partir de ideias gravadas no celular. Depois eu pegava e levava para andré t processar no estúdio, adicionando percussão etc”, conta.
Outro fator importante no disco é a quantidade – e a qualidade – dos músicos convidados para participar do álbum.

Além de Cézar Vieira (guitarra), Tiago Aziz (baixo) e Ricardo Cury (bateria), seus companheiros da brincando de deus, o álbum apresenta músicos do calibre de Guimo Migoya (bateria), Junix 11 e Gabriel Pettenatti (guitarras), Alex Pochat (trumpete, sitar, baixo), Joatan Nascimento (trumpete), Fernanda Monteiro e Kayami Freitas (violoncelo), Jorge Solovera (arranjos de cordas), Mário Soares e Davi Guima (violinos), Saulo Gama (acordeon) e Alexandre Montenegro (baixo acústico).

Sem contar o próprio andré t., que pilotou teclados, programações, percussões e instrumentos de cordas diversos ao longo do trabalho de produção.

”Messias passou uma vida inteira fazendo música e gravando basicamente com as mesmas pessoas (a brincando de deus). Então, acredito que foi um belo processo de aprendizado a produção deste trabalho – para todos nós”, observa andré.

Não há como negar que foi um processo rigoroso. E se tem uma coisa que Messias entende é de rigorosidade.

Nascido em um ambiente humilde, ele deve à sua mãe a educação privilegiada a que teve acesso – algo que foi decisivo em sua vida.

“Nasci no bairro do Pero Vaz (próximo à Liberdade), de uma família pobre. Minha educação foi muito centralizada na figura da minha mãe, que era professora. Graças a ela, estudei no (Colégio) Anísio Teixeira e, depois, no Colégio Militar da Pituba, onde fiquei sete anos. Tudo isso estabeleceu um certo rigor nas coisas que eu faço“, concluiu.

NOTA: O programa de rock já tocou músicas do trabalho solo de Messias em suas ediçoes de # 70 (15/08/2008), # 108 (22/05/2009) e # 126 (06/11/2009).

OUÇA MESSIAS:

www.reverbnation.com/messias

www.messias.art.br

terça-feira, 16 de março de 2010

20/03/2010 - + 1 Sessão Notívagos

Esta, com um sabor especial: Estará de volta a Aracaju, depois de um hiato de mais de 10 anos, o Eddie, uma das melhores e mais subestimadas bandas a surgir dos porões do Recife no início da década de 90, fruto da efervescência cultural que culminou no movimento "mangue beat". O Eddie sempre "correu por fora", nunca foi tão famoso ou aclamado quanto seus pares Nação Zumbi, Mundo Livre S/A ou Cordel do Fogo encantado, mas a qualidade de sua música pode ser atestada por pelo menos um "hit" nacional, "quando a maré encher", que foi regravada pela Nação e, posteriormente, ganhou os ouvidos do país numa versão de Cássia Eller.

Dia 20/03/2010 - Sábado - às 23:00
No cinemark do Shopping Jardins
R$ 20,00 (preço único, com direito a bebida)
Ingressos antcipados na Casa da Cópia do Shopping Jardins
Filme "A Fita Branca", de Michael Haneke
+ Cabedal
+ Eddie

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EDDIE - "CARNAVAL NO INFERNO"

Fonte: Release

Preparem-se! Pois “todas as cidades já estão em chamas”, incendiadas pelo Carnaval no inferno. Novo trabalho da Eddie, o disco é uma síntese de tudo que a banda olindense viveu nestes quase 20 anos de existência - “Longa vida ao groove!”, o grito do segundo manifesto mangue, publicado no fatídico ano de 1997, continua levado a sério... Após três CDs gravados com praticamente a mesma formação, no Carnaval no inferno a Eddie encaixa de forma ainda mais precisa seu balanço particularíssimo, confirmando sua sonoridade própria e liberdade autoral. O disco é um verdadeiro acerto de marcha da banda, que “requinta” com toda experiência sua musicalidade de acabamento “garageiro”, inspirada pelo entusiasmo das festas populares de rua.

Desta vez, as composições revelam uma vibe menos extrovertida da Eddie, como mostram as faixas “Quase não sobra” (uma parceria de Fábio Trummer com Junio Barreto), “Gafieira no Avenida” (música de Jorge du Peixe e Lúcio Maia que integra a trilha sonora do filme Amarelo Manga) e “Nada de novo” (uma homenagem de Fábio Trummer à Rafa, flautista da banda Mombojó, falecido em 2007).

No entanto, suas conhecidas levadas festeiras também marcam presença em frevos infernais como “Bairro Novo/Casa Caiada” (Fábio Trummer), por exemplo, na cadência sambista da pérola “Me diga o que não foi legal” (Fábio Trummer) e na gafieira “O baile (Betinha)” (Erasto Vasconcelos), um clássico dos salões das noites pernambucanas.

Carnaval no inferno foi inteiramente gravado com recursos próprios, nas cidades de São Paulo e Recife (nos estúdios Novo Mundo e YB – SP; Muzak e Batuka – PE). É o registro de uma comunhão com parceiros-produtores de toda vida: Buguinha (produtor musical com quem a Eddie gravou algumas demos no inicio da década de 90), Berna Vieira (outro produtor que já tocou bateria na banda) e Karina Buhr (cantora e compositora, também ex-integrante e que faz voz e backing neste trabalho). Contou com a participação dos músicos Curumim (bateria), João do Cello (violoncelo), Nilsinho (trombone/Spok Frevo Orquestra), Mestre Nico (trombone/Junio Barreto), Da Lua (percussão/Nação Zumbi) e do percussionista e compositor Erasto Vasconcelos (voz), velho companheiro de outros carnavais.

Com este novo trabalho, a Eddie segue firme a sua estrada, criando grooves, reinventando ritmos, fundindo universos e entortando as convenções na música urbana brasileira. Como diriam seus conterrâneos, na mais fina expressão roots, original Olinda style: totalmente excelente!!!

Eddie – Breve Histórico

Olinda, 1989. Datar como de costume, como de costume, na Marim dos Caetés, quebrada-cenário de nossos manuais de história e chapações. “Lembra quando Nassau...? E daquela cachaça?” Duvido! Mas, recordo que foi neste ano que ouvi Pixies+Ramones+Dead Kenneds+frevo, entre outros pesos e bossas, ecoar na rua do Sol (salve o velho Pocolouco!). Todos liquidificados num só nome: Eddie.
A verdade é que desde o fogo holandês que varreu a velha vila, não se via tanto calor, transformado agora em massa sonora. Olinda e seus arredores, ainda pré-manguebeat, traduzia sua pegada, seus tipos, seus desejos, em 3 acordes e muita maloqueiragem - o Original Olinda Style em seu legítimo cavalo...
Mas as labaredas do incêndio, desta vez, não ficaram só por ali. Propagaram-se pelo mundo nas turnês da banda pelo Brasil e pela Europa (2005, 2006, 2007). Espalharam-se também através dos seus 4 registros em discos, tocados nos mais dignos sound-systems: Sonic Mambo (Roadrunner, 1998), Original Olinda Style (independente, 2002), Metropolitano (independente, 2006) e Carnaval no Inferno (independente, 2008).

Hoje, depois de várias formações, a Eddie é composta por Fábio Trummer (guitarra & voz), Urêa (percussão & voz), Andret (trompetes, teclados & samplers), Kiko (bateria) e Rob (baixo), contando sempre com a parceria especial de Erasto Vasconcelos, o verdadeiro farol de Olinda. Um escrete com sonoridade própria, cheia de grooves peculiaríssimos e experimentações inflamáveis. Capaz de incendiar até o mais frio dos terreiros do velho mundo, de levantar o fogo morto de ritmos quentes abafados pelo discurso da tradição, como o próprio frevo (o hit “Quando a maré encher” é frevo, meu bem!), entre outras façanhas infernais.

Fica, então, o alerta: a Eddie é combustão certeira. Cuidado, principalmente se você brinca com álcool...

Por Roberto Azoubel, a.k.a. Doutor Estranho (www.doktorestranho.blogspot.com)

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CABEDAL

por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Fonte: Spleen & Charutos

Assumi o compromisso de conversar com os caras da Cabedal e conhecer o que pensa essa juventude rebelde que leva a vida desenhando acordes, numa felicidade imatura, como se defendesse a longevidade de Oswald de Andrade e destruísse monumentos históricos com um sorriso. O vocalista Saulo Sandes dedicou dois minutos de atenção a esse escriba e, como em suas canções, reafirmou uma das máximas do movimento antropófago. A alegria continua sendo a prova dos nove.

Jornal do Dia - Parece que colocaram alguma coisa na água de Aracaju. Nos últimos anos, nasceu uma porrada de banda boa aqui na terrinha. Entre essas, eu posso citar pelo menos duas – a Elvis Boa Morte e os Boas Vidas, além da Vila Carmém – que parecem beber na mesma fonte que inspira a Cabedal. Em que medida esse afeto crescente pela música brasileira pode ajudar a nossa música a se livrar de um certo bairrismo, observado principalmente na geração de 80?

Saulo Sandes – Acho o que está acontecendo em Aracaju é reflexo do que está ocorrendo no Brasil do século XXI e da internet banda larga. Está havendo uma crescente valorização da cultura brasileira e da música que foi produzida décadas atrás. Isso tudo, somado com a cultura global que aspiramos dia-a-dia, resultou no surgimento dessas novas bandas. Bandas de jovens com seus vinte e poucos anos, ligados ao mundo moderno e abertos a vários estilos de música, com clara ênfase na música brasileira. Acho que a conseqüência disso tudo é uma música sergipana, ao mesmo tempo brasileira, ao mesmo tempo global, distante de bairrismos ou de qualquer barreira que possa ser imposta a ela. Podemos falar, e falamos de Sergipe nas nossas músicas de um modo meio sem pretensões, sem a obrigação que artistas da década de 80 carregavam.

JD – Embora seja uma banda nova (vocês se reuniram quando, mesmo?), a Cabedal conquistou o reconhecimento da cena muito rapidamente. Infelizmente, no entanto, parece que isso ainda não foi suficiente para estreitar a relação com o numeroso público que vocês já conquistaram, através das apresentações. Na opinião de vocês, faltam espaços ou eles precisam ser utilizados de maneira mais democrática?

Sandes – Passamos muito tempo sem tocar. Foram 6 meses produzindo nosso disco. Além disso, nesse interim, houve a saída de Edvan (baterista) e a entrada de Ravy. Voltamos a tocar agora e já temos um site no ar (myspace.com/cabedalmusica) – que adianta ao público 4 músicas do nosso disco.
Acho que a banda, definitivamente, passou a existir agora. Essas músicas estão circulando na internet e nas rádios de Aracaju, dispostas a chamar a atenção de novos ouvintes e estreitar a relação com nosso público que, felizmente, vem crescendo.
Já em relação aos espaços de show, acho que há uma falta deles aqui. Aracaju carece de um bom local de pequeno/médio porte que facilite a produção de eventos. No entanto, acho que, ainda assim, bons shows estão sendo feitos (a maioria com produção das próprias bandas). O pessoal novo está driblando o problema. Com o pouco que temos, dá sim pra estreitar os laços com nossos ouvintes, mas seria realmente muito bom se existissem lugares mais adequados para eventos pequenos em Aracaju.

JD – Na qualidade de observador do underground local, fico muito feliz quando a galera conquista alguma atenção além de nossas fronteiras. Isso ocorreu recentemente com vocês, selecionados entre mais de 400 candidatos para participar do Festival Grito. Não é meio estranho ser obrigado a sair de casa para poder participar de um evento como esse? O que aconteceu com os festivais sergipanos?

Sandes – Foi uma surpresa boa sermos convidados para tocar lá em Recife, no Festival Grito Rock, um festival ligado ao fora do eixo e que acontece em várias cidades da américa latina num mesmo período. Foi uma pena Aracaju não ter entrado na jogada esse ano, mas tomara que no próximo tenha esse festival aqui.
Hoje em dia, aqui no Brasil, estão ocorrendo festivais muito bacanas. Festivais que estão praticamente determinando os rumos da produção musical brasileira e que cada vez mais estão chamando atenção da grande mídia especializada, como o Goiania Noise (GO), Abril Pro Rock (PE), Rec Beat (PE). Ter que sair daqui do estado pra tocar em eventos como esse não nos assusta muito pois todos sabemos que Sergipe, infelizmente, não tem tradição de ser um forte pólo cultural, como é Pernambuco, por exemplo. Anos atrás, existiam bons festivais aqui em Aracaju, o Punka e o Rock-SE. É uma pena não existirem mais, mas torço e acredito no aparecimento de um festival legal por aqui.

JD – Eu acabo de (re) ler o Verdade Tropical, de Caetano Veloso, umas das influências declaradas da banda. Dessa vez, no entanto, a leitura deixou muito evidente, para mim, como a discussão cultural chega atrasada em Sergipe. Embora por razões bem diferentes (a canalização dos recursos para determinado segmento), o sectarismo observado na música brasileira nos tumultuados anos 60 parece, finalmente, ter dado as caras por aqui. Esse negócio de músico disputando espaço é muito feio, né?

Sandes – É uma coisa estranha, pra não dizer feia. Acho que muitos se preocupam demais em firmar espaço, e deixam de lado uma discussão cultural produtiva e, o pior de tudo, acabam esquecendo da verdadeira qualidade de suas obras.

JD – Durante o show no Projeto Verão, vocês prometeram lançar um disco ainda esse semestre. Como é que anda o projeto? O disco já tem nome? O que a Cabedal espera conquistar com esse registro?

Sandes – Sim, o disco tem previsão de lançamento para o final de março e não tem uma nome definitivo. Um provável nome é “O grande pastiche”. A produção do disco foi quase artesanal. Ele foi produzido com pouco recurso e com muito trabalho. Mas ficamos bem felizes com o resultado alcançado. Mérito de Leo Airplane que fez um misto de mixagem e produção do disco. A consequência que esse nosso primeiro trabalho vai trazer pra gente, ninguém sabe. Mas esperamos, com ele, atingir e dispersar nossa música entre as pessoas.




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Michael Haneke aplica a relação de crime e castigo de Caché para a Alemanha pré-nazismo
por Marcelo Hessel

Fonte: Omelete/Revista Set

A Fita Branca

Das Weiße Band
Alemanha / França / Áustria / Itália , 2009 - 145m
Drama

Direção:
Michael Haneke

Roteiro:
Michael Haneke

Elenco:
Christian Friedel, Leonie Benesch, Ulrich Tukur, Ursina Lardi, Burghart Klaussner

Crimes de ódio não são novidade nos filmes de Michael Haneke (Violência Gratuita), e em A Fita Branca (Das Weiße Band), Palma de Ouro do Festival de Cannes de 2009, ele procura a origem do crime de ódio mais filmado e analisado do século 20, o Holocausto.

Estamos em um vilarejo na Alemanha às vésperas da Primeira Guerra Mundial, e o vínculo com o nazismo é montado já na fala do narrador, que conta que ali, naquela comunidade, pequenos eventos prenunciam o que aconteceria com o país todo, anos depois. Haneke começa o filme, portanto, amarrado conscientemente nessa analogia com o Holocausto - e, ao seu modo habitual, começa a ditar o tipo que reação que espera do público.

O primeiro mistério é filmado com impacto: o médico do vilarejo está voltando para casa, montado num cavalo, quando um arame esticado entre cercas derruba o animal. Não se encontra o culpado pelo arame. Tempos depois, o filho do barão local se torna vítima. Em comum, os crimes têm a forma de castigo. Como em Caché, esse flerte com o subgênero do whodunit se reveste de comentário social - existe algo escondido ali, e não é só a identidade do criminoso.

O fato é que a punição, embalada como disciplina, está enraizada no vilarejo - e a fita branca do título, que o pastor local força dois de seus filhos a usar, como sinal de vergonha por pecados cometidos, é obviamente a antevisão da futura etiquetação antissemita de judeus nos princípios da Segunda Guerra. Costuma-se crer que Hitler chegou ao poder auxiliado pelo rancor que os alemães sentiam após a devastação do país na Primeira Guerra, mas para Haneke o embrião do mal é anterior.

E a maneira que o diretor austríaco encontra para dar rosto a esse mal é agressivamente despojada: close-ups de caras limpas, de feições sem traços de culpa ou de remorso, sem traço mesmo de ódio - ainda que esse ódio, nós sabemos, exploda de tempos em tempos. Um personagem diz, em algum momento, certeiro, que se trata de um ódio pior: os linchadores odeiam a si mesmos. De novo, como em Caché, a questão é entender quem é de fato a vítima.

Se A Fita Branca está preso à analogia com o nazismo, pelo menos a exerce com lampejos de brilhantismo, como no plano final, da missa na igreja, com sua arquitetura que lembraria depois um salão do Terceiro Reich. Independente da crítica que se faça à postura de Haneke diante do espectador, é inegável que ele está se fazendo entender.

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Nem pureza, nem inocência

por Celso Marcondes

Fonte: Carta Capital

Uma voz em off informa no começo de A Fita Branca que irá contar a história vivida numa pequena aldeia no interior da Alemanha no começo do século XX. Uma sucessão de atos criminosos abalou então a vida dos habitantes, sem que sua origem tivesse sido claramente desvendada. O narrador, que era o professor do pacato povoado, já com a voz de um idoso, preocupa-se em explicar que tudo tinha se passado havia muito tempo e que sua memória não era precisa a ponto de garantir total exatidão dos fatos que iria relembrar.

O austríaco Michael Haneke entra com fôlego no terreno do mistério, mas a busca de explicações para os intrigantes acontecimentos - sempre com traços trágicos - é apenas um recurso usado para que nos apresente, naquele diminuto limite geográfico, uma fotografia do estado da sociedade alemã às vésperas da Primeira Guerra Mundial.

Ele vai revelando toda a pirâmide social da aldeota. No seu topo, o personagem central é o barão, dono da grande propriedade rural da região e que emprega mais da metade dos seus habitantes. O senhor das terras, que todos respeitam, porque o temem. Aquele que dita as regras e as punições, que explora seus empregados com um trabalho incansável e patrocina um fugaz momento de festa e comemoração.

Na base da pirâmide, os trabalhadores, vivendo em condições quase miseráveis, representados centralmente por uma numerosa e triste família, cujo chefe é um homem resignado com a pobreza, mas sempre rude e mal-humorado.

Situada entre os dois extremos, a “classe média” local. Somos apresentados às figuras, importantes no filme, do administrador da fazenda do barão, do pastor religioso, do professor, do médico e da parteira. De cenas do cotidiano de suas famílias e da relação entre elas, vai se desenhando a narrativa, tendo como fio condutor a busca do professor pela solução do mistério que envolve os tais acontecimentos estranhos, que não param de se suceder.

Um elo une os lares de todos os personagens: as crianças. O pastor, o administrador e o trabalhador têm muitos filhos. A parteira é quem os coloca no mundo, mas vive sozinha, com um único filho, deficiente mental. O médico tem outros dois, é viúvo. O professor não tem filhos, é ainda solteiro, mas conhece todas as crianças. Já o barão tem apenas dois filhos, mas a baronesa prefere delegar os cuidados com eles a uma babá.

Com o transcorrer da história vão ficando nítidos os traços de uma sociedade que, além de desigual, é triste, violenta e depressiva. Sobretudo, perversa e cruel no seu cotidiano, criando a cada dia o caldo de cultura que transborda nos fatos incomuns que sempre produzem vítimas. Os acontecimentos misteriosos são todos perversos. Intrigam e amedrontam o conjunto dos habitantes. Porém, eles convivem entre as paredes dos seus lares e nas relações entre as famílias com doses permanentes de violência e desprezo.

Choca a todos quando uma das crianças desaparece e depois ressurge toda machucada, mas sem coragem de contar quem foi seu agressor. Entretanto, as surras e os açoitamentos acontecem corriqueiramente em vários dos lares, pais castigando duramente os filhos e ensinando que a força é o principal instrumento de educação.

As crianças têm que aprender apanhando. E as mulheres, seja a baronesa ou a parteira, seja a adolescente ou a namorada do professor, são sempre figuras subalternas, servis, sem direitos. Usadas e abusadas, dominadas na sociedade patriarcal e machista.

Neste cenário – mais que sombrio e acentuado pelo preto e branco da película – a “fita branca” a que alude o título é símbolo de “pureza e inocência”, como nos explica o pastor. A igreja é o refúgio que abriga a todos nas manhãs dos domingos. É onde o pastor resume em seus sermões os parâmetros desta sociedade desigual, mas também é onde o barão transforma o púlpito em palco para suas ameaças e imprecações, cumprindo o papel de representante da lei e do Estado no vilarejo.

Os únicos contatos com o “mundo exterior” acontecem quando a baronesa, já farta daquele ambiente vil, parte para a Itália com os filhos. E quando o barão, sentindo-se incapaz de decifrar pelos seus métodos as razões e os causadores dos fatos estranhos, resolve contratar dois policiais detetives, vindos da capital, para solucionar o mistério. Eles chegam trazendo esperanças, mas se utilizando também da coerção e da violência para lograr seu objetivo.

Não por acaso a história termina quando começa a I Grande Guerra. Exatamente no momento em que a violência explode no mundo. Para a guerra vão ser chamados os homens adultos da aldeia e dela vai nascer outra Alemanha, pronta para parir Hitler e o nazismo. Quando as crianças do filme já estariam adultas e, supostamente, pela experiência que tiveram na infância naquele vilarejo, aptas para ingressar nas fileiras do partido ou do exército nazista.

A Fita Branca foi vencedora da Palma de Ouro de Melhor Filme no Festival de Cannes 2009 e vencedora do Globo de Ouro 2010 de filme estrangeiro. É um dos indicados ao Oscar na mesma categoria (também o é pela fotografia). Não assisti a nenhum dos outros concorrentes, mas este mais que justifica sua presença entre os cinco finalistas. Ele supera Caché, outra bela obra da lavra de Haneke. É um filme absolutamente perturbador.

Sabrina Porto

Fonte: Release

A música independente nunca foi tão acessível e rica como é nos dias de hoje. De norte a sul do país artistas de diversos segmentos, com muito empenho, criatividade e o auxílio das novas tecnologias, têm a oportunidade de transformar suas idéias em música de qualidade, e com o auxílio da internet o trabalho do artista independente é cada vez mais abrangente alcançando públicos antes inimagináveis.

A fibra do artista independente, a sensibilidade criativa e uma voz apaixonante, são elementos facilmente identificados no primeiro trabalho da bela cantora Sabrina Porto que, ao longo das cinco canções que compõem seu primeiro disco, nos conduz a um agradável passeio musical.

Com simplicidade e gentileza, Sabrina canta suas impressões do mundo, das pessoas, dos sentimentos e comportamentos, de maneira quase que cinematográfica. Embalada por uma sonoridade autêntica e espontânea, as letras em inglês encaixam-se perfeitamente ao propósito da cantora de ser fiel as suas influências musicais norte-americanas e britânicas, mas sem deixar de lado a sensibilidade e a criatividade brasileira.

Dia 27 de março(sábado), às 22:00 horas, no Capitão Cook, Sabrina Porto brindará o público sergipano com o show de lançamento de seu primeiro EP, sendo acompanhada por uma banda formada por músicos conhecidos na cena local. A noite de lançamento do EP da cantora terá a participação dos rapazes da banda indie Nautilus.



segunda-feira, 15 de março de 2010

A PROVÁVEL Programação do Abril Pro Rock



Enquanto a programação não sai, o site Recife Rock conseguiu descobrir 28 nomes que muito provavelmente estarão presentes no Abril Pro Rock 2010.

Por Recife Rock!

Viva o poder das redes sociais! Em um esforço coletivo da equipe do RecifeRock! caçamos os nomes da programação do festival Abril Pro Rock 2010 pelas redes sociais (Twitter, Myspace, Orkut…). Das 50 bandas previstas para o festival, conseguimos descobrir 28 nomes, entre confirmados e “quase confirmados”.

Segundo o release do Abril Pro Rock 2010 “16 e 17 de abril estaremos na Fábrica Tacaruna”, “Nesta lista estão 11 bandas de uma média de 50 que participarão da 18ª edição do festival” e “Além disso, durante o decorrer de abril, o festival proporcionará mais seis noites com cerca de três shows cada e sets de DJs, em espaço no qual já chamamos de APR Club”.

Pelo twitter e assessoria de imprensa o Abril Pro Rock 2010 já confirmou 11 nomes:
Blaze Bayley (EUA) www.myspace.com/blazebayley
The Varukers (Inglaterra) www.myspace.com/varukers
Instituto Mexicano del Sonido (México) www.myspace.com/institutomexicanodelsonido
Nevilton (PR) www.myspace.com/nevilton
Mini Box Lunar (AP) www.myspace.com/miniboxlunar
Eminence (MG) www.myspace.com/eminenceband
Vendo 147 (BA) www.myspace.com/vendo147
Alkymenia (PE) www.myspace.com/alkymenia
Plastique Noir (CE) www.myspace.com/plastiquenoir
Bugs (RN) www.myspace.com/bugs4
Camarones Orquestra Guitarrística(RN) www.myspace.com/camaronesorquestraguitarristica

Pesquisando por “Abril Pro Rock” no twitter (levando em conta apenas o que é divulgado pelo artistas e “fontes confiáveis”), conseguimos:

Killer on the Dance Floor (SP) e Daniel Peixoto (Ex-Montage/CE) – RT @danipeixoto: Semana que vem sai meu clipe “come to me” ft @koddbr e dia 8/4 eu e eles temos um show no Recife na abertura do 18º festival Abril pro Rock.

3 Na Massa (SP/PE) – RT @nacaozumbi: Shows da Nação em SP e Brasília, 3namassa no Abril pro Rock e temporada de shows dos Los Sebosos Postizos no Rio!

Plástico Lunar (SE) – RT: @leoairplane: confirmado: Plástico Lunar no Abril Pro Rock 2010!! :D

Wado (AL) e Pato Fu (MG) – RT @wado: Wado no Abril Pro Rock| 17 sábado | com @patofu, @plasticolunar e muito mais! Quero ver os amigos por lá! Valeu

The River Raid (PE) – RT @studioauroraThe River Raid no Abril Pro Rock? www.myspace.com/riverraid

Agent Orange (EUA) - RT @abrilprorock: Já deram uma olhada em nossa comunidade no Orkut? Agent Orange (USA) confirmada na nossa programação!

The Mullet Monsters Mafia (SP) – RT @mulletmonster CONFIRMADO!!! The Mullet Monster Mafia no Abril Pro Rock 2010!!! Tocaremos em Recife pela primeria vez no dia 16/04.

Claustrofobia (SP) – RT @ wilfredgadelha Claustrofobia no Abril Pro Rock!!!! (também foi divulgado pelo twitter da banda, mas não conseguimos achar :(

Dead Combo (Portugal) – RT @DeadCombo: New show announced in Recife, PE at Abril Pro Rock on April http://lnk.ms/6kg4z

Inner Demons Rise (PE) – RT@ColunaLapada Inner Demons Rise confirmado no Abril Pro Rock 2010″

Acessamos os “myspace” de TODAS bandas já divulgadas e encontramos mais 2 nomes:

Mundo Livre S/A e Burro Morto (PB) – Pelo myspace www.myspace.com/camaronesorquestraguitarristica
24/4/2010 22:00 Em Abril Pro Rock Com Mundo Livre e Burro Morto

E tem os nomes que o Diário de Pernambuco “especulou” (que vamos considerar como “quase confirmados” já que todos os outros nomes divulgados foram confirmados):
Ratos de Porão (SP), Siba (PE) e Dead Fish (SP)

FORMATANDO A PROGRAMAÇÃO – Com as infos dos myspace das banda + twitter + essas dicas:
RT @abrilprorock @rockemgeral As datas principais vão ser nos dias 16 e 17, que juntas somam 25 shows
RT @abrilprorock Sabe o antigo Planeta Maluco, na rua do Apolo? É lá que será montado o club do Abril Pro Rock esse ano para receber 27 shows!
RT @abrilprorock @Paula_Yurie @linemel Começa dia 8. Com show toda quinta, sexta e sábado. A programação sai em breve!

Nos dias 16 e 17 teremos 25 bandas. Apostamos em 10 bandas pra sexta e o resto pro sábado. Segundo o release da assessoria serão 6 datas do “Club” (sempre nas quintas, sextas e sábados) com 3 bandas por noite. A nossa lista ficou com 7 datas por causa da data do dia 15/04 divulgada no myspace da Instituto Mexicano del Sonido.
A bronca é que os números não batem… Pela assessora teriamos 18 bandas no Club e 25 no Tacaruna… totalizando 43 bandas. Ainda faltariam 7 pra completar “a média de 50 bandas” divulgadas pela assessoria de imprensa. Segundo o twitter do APR teriámos 27 “shows” no Club + 25 no Tacaruna… daria 52!

ABRIL PRO ROCK 2010 – A PRÓVAVEL PROGRAMAÇÃO

08/04 (Quinta) no APR Club: Killer on the Dance Floor (SP), Daniel Peixoto (Ex-Montage/CE), mais um banda e djs

09/04 (Sexta) no APR Club: 3 bandas e djs

10/04 (Sábado) no APR Club: 3 bandas e djs

15/04 (Quinta) no APR Club: Instituto Mexicano del Sonido (México), mais 2 bandas e djs

16/04 (Sexta “Camisa Preta”) na Fábrica Tacaruna: Agent Orange (EUA), The Mullet Monsters Mafia (SP), Blaze Bayley (EUA), Claustrofobia (SP), Inner Demons Rise (PE), The Varukers (Inglaterra), Alkymenia (PE), Eminence (MG), Ratos de Porão (SP) e mais uma banda.

17/04 (Sábado “Pop”) na Fábrica Tacaruna: 3 Na Massa (PE/SP), Wado (AL), Pato Fu (MG), Plástico Lunar (SE), Nevilton (PR), Vendo 147 (BA), Bugs (RN), The River Raid (PE) e mais 7 bandas.

22/04 (Quinta) no APR Club: Dead Combo (Portugal), mais 2 bandas e djs

13/04 (Sexta) no APR Club: ? (teria essa data?)

24/04 (Sábado) no APR Club: Mundo Livre S/A, Burro Morto (PB), Camarones Orquestra Guitarrística (RN) e djs

Sem “dicas” da data certa:
Mini Box Lunar (AP), Plastique Noir (CE), Siba (PE) e Dead Fish (ES)

Conseguimos descobrir 28 “PROVÁVEIS” nomes do Abril Pro Rock 2010. Que tal? Alguém tem mais dicas? Vamos atualizando enquanto a programação final não é divulgada.

Editado 15/03/2010 15h45 – Agora deu uma bronca com a sede do Abril Pro Rock: “MPPE obtém liminar proibindo shows na Fábrica Tacaruna” Blog do Jamildo:
“O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por ação da promotora de Justiça Alda Virgínia de Moura, obteve na Justiça, na última segunda-feira (8), liminar proibindo a realização de shows e eventos de grande porte nas instalações da antiga Fábrica Tacaruna”

Será que o Abril Pro Rock (5 mil pessoas) conta como “evento de grande porte”? ou só aqueles axés que levam 50 mil pessoas pra lá? Aguardamos mais informações.

sexta-feira, 12 de março de 2010

# 139 - 12/03/2010



Fear Factory – Mechanize
Forgotten Boys – you draw the line
Superguidis – Aos meus amigos

Cavalera Conspiracy – Sanctuary
Soulfly – Unleash
Nailbomb – Vai tomar no cu
Sepultura – O Matador

Drop Loaded:

Charme Chulo Ao Vivo no Sala Especial Loaded
• Nova onda Caipira
• Fala comigo Barnabé

Agent Orange – Living in darkness
Fear – I Love living in the city
Chron Gen – Jet Boy, Jet girl
Adolescents – Amoeba
Redd Kross – Annette´s got the hits
Stepmothers – Don´t kill the beat

Nebula – Atomic Ritual
Monster Magnet – Powertrip
Fu Manchu – Knew it all long
Queens Of The Stone Age – In my head
Kyuss – thumb

Discoteca Básica: Pixies – “Doolittle”

• Tame
• Wave of mutilation
• Dead
• Crackty Jones
• Mr. Grieves
• La La Love you
• There goes my gun
• Gouge Away
• No. 13 Baby

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DISCOTECA BÁSICA – (Revista Bizz, Edição 143, junho de 1997)

Pixies - Doolittle (1989)

A confissão de Kurt Cobain bate com o depoimento de outro monstro sagrado, David Bowie: "Fiquei puto quando escutei Nevermind pela primeira vez. A dinâmica das músicas era totalmente roubada dos Pixies!" Essa genial brincadeira não é invenção do cantor e guitarrista Charles Michael Kitteridge Thompson IV. Indubitavelmente, porém, foi o quarteto que ele fundou em Boston, há onze anos, que a elevou ao status de arte pop. Filho de pentecostais, Charles - ou Black Francis, como assinava na época - era um gordinho esquisito que amava Hüsker Dü (outra influência decisiva do Nirvana), ficção científica e a língua espanhola (fez intercâmbio em Porto Rico). Quando se juntou ao guitarrista Joey Santiago (filipino de nascimento), à baixista Kim Deal e ao baterista David Lovering para formar o Pixies, finalmente conseguiu botar pra fora a confusão reprimida que insistia em gargalhar além de seu subconsciente.
Há quem prefira Surfer Rosa, primeiro álbum do grupo, que ajudou a criar o mito do produtor Steve Albini. Mas o segundo, Doolittle, de 1989, tem apelo irresistível. Contrariando o esnobismo underground do selo inglês 4AD, com quem tinham contrato, os Pixies trabalharam com som limpo, estruturas simples, senso melódico apurado (Elton John elogiou) e refrões fortes.
Popular e doentio, quando saiu, Doolittle foi interpretado pelo Melody Maker como um disco que tematizava a inutilidade da linguagem e a repulsa ao corpo. Parece pretensioso, mas faz sentido. E, igualmente importante, é divertidíssimo. O título referiria-se ao Dr. Doolittle, que, quem teve infância sabe, tinha o dom de falar com os animais. Era para ser Whore (Prostituta), mas Francis achou "católico demais, ou bobamente anticatólico". Preferiu o homem que falava com as bestas, conceito que traduz seu estilo adoravelmente demente de cantar, um diálogo com monstros interiores.
Já na primeira faixa, "Debaser", Francis incorpora um freak adolescente urrando de excitação depois de ter assistido ao filme Un Chien Andalou, de Luis Buñuel, e tentando transmiti-la para uma colega. "Garotinha, é tão legal... ha ha ha ho! Fatiando os globos oculares... ha ha ha ho! Não sei de você, mas eu sou ‘un... chien andalousia’! Quero crescer para ser um pervertor." A voz de Kim Deal ecoa Francis ironicamente sexy: "Pervertor!" Em "Hey", os grunhidos e gemidos dos dois fazem sexo animal - a música é mais nirvanesca do que o próprio Nirvana, encaixaria perfeita em In Utero, com as vozes de Kurt e Courtney.
"Tame" começa falando em "lábios de Cinderela", mas em poucos segundos explode num grito psicopata: "Você é tão mansa!" Kim geme, Francis arfa, as guitarras uivam, e todos (inclusive o ouvinte) chegam juntos a um orgasmo sonoro.
Em várias faixas, guitarras surf de Joey e Black prenunciam o revival promovido pelo locadora boy Quentin Tarantino. David Lovering canta um delicioso deboche sixties, "La La Love You". "Monkey Gone To Heaven" tem celos, cordas, backing vocais celestiais de Kim Deal e uma desconcertante equação na letra: primata em desacerto com a natureza + numerologia bíblica = apocalipse.
A poesia de Francis é tão brilhante quanto os desenhos melódicos de sua guitarra: "Beijei sereias, cavalguei o El Niño, andei pela areia com crustáceos, numa onda de mutilação". O produtor Gil Norton chegou a ficar assustado com alguns versos, mas Francis o tranqüilizou: "É tudo bobagem, eles não querem dizer nada, são só sons que eu junto". Pois sim. Confiram a travadíssima "I Bleed": "Alto feito o inferno, um sino toca atrás do meu sorriso, sacode meus dentes e, esse tempo todo, enquanto os vampiros se alimentam, eu sangro".

Pedro Só

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Superguidis lança terceiro disco por Senhor F & Monstro Discos

A banda Superguidis realiza o lançamento nacional de seu terceiro disco neste próximo dia 20 de março, com show em Santa Maria (RS), no Macondo Circus, responsável pelo festival independente mais importante do estado. O álbum traz 11 canções assinadas por Andrio Maquenzi e Lucas Pocamacha (veja abaixo) – Superguidis é Andrio (vocal e guitarra), Lucas (guitarra e vocal), Diogo Macueidi (baixo) e Marco Pecker (bateria). O disco vem assinado pelos selos Senhor F (casa da banda desde a estréia, em 2006) e por Monstro Discos, o maior dos independentes nacionais. A produção é de Philippe Seabra, com mixagem do americano Kyle Kelso e masterização de Gustavo Dreher. A arte é de André Ramos.

O novo disco aponta para a consolidação da banda no cenário independente nacional como uma das mais criativas e produtivas entre as revelações dessa segunda metade da década que passou. Fiel e, de certa forma, parceira na construção da platafaforma independente, a banda gaúcha também tratou a internet como grande aliada. Com isso, tornou-se conhecida nacionalmente, o que abriu as portas do festivais e casas de shows, do que é exemplo a largada da turnê pelo Norte do país, com shows em Manaus, Porto Velho, Ji-Paraná e Vilhena, além de Cuiabá, Goiânia e Brasília.

Além de ter seu disco de estréia figurando em listas de melhores da década, e de ter seu show considerado um dos destaques do rock atual, a banda desenvolveu uma sólida carreira discográfica. Segundo eles, além da circulação, e do constante aprimoramento dos shows, discografia e repertório autoral são fundamentais para afirmar a banda no cenário independente nacional. O disco-bônus contendo show acústico (veja abaixo) realizado em Porto Alegre, em maio passado, é demonstração da quantidade de hits acumulados pelo quarteto. Apenas duas canções, do conterrâneos Prozak, não são de autoria da banda.

Sempre destacada por produzir "indie em português", neste terceiro disco o grupo afirma definitivamente sua linguagem particular, por meio de flashes poéticos e desencanados, identificada com uma visão de mundo do jovem suburbano desses novos tempos. Natural de Guaíba, cidade operária e dormitório de Porto Alegre, a banda traduz de forma universal o cotidiano do jovem que anda de ônibus/metrô, tem a "simplicidade de um tênis furado", faz uma faculdade pelo ProUni, mas que, mesmo com internet discada, corre atrás de informação.

O novo disco também premia as escolhas e estratégias de carreira da banda, que afirma-se no cenário nacional apostando na plataforma independente, sem afastar-se de sua realidade vivencial. A parceria dos selos Senhor F e Monstro Discos, assim como a presença de Fabrício Nobre (Macaco Bong, Black Drawing Chalks & Lucy and The Popsonics) como seu novo agente nacional, fortalecem o potencial de crescimento da banda, que conta com público em todas as regiões do país.

Informações gerais

Contatos

Senhor F Discos/Fernando Rosa – senhorf@senhorf.com.br (51) 97251475.
Monstro Discos/Léo Bigode – leobigode@monstrodiscos.com.br (62) 84064241.
Superguidis/Produção (Ernando Daitx) - ernandodaitx@hotmail.com (51) 92460676 / 97698449
Andrio Maquenzi – andrio@superguidis.com.br
Lucas Pocamacha – lucas@superguidis.com.br
Marco Pecker – marco@superguidis.com.br
Diogo Macueidi – gunies@gmail.com

Shows

Agente & booking: Fabrício Nobre – fabricio_nobre@uol.com.br
Superguidis/Produção & shows para o RS (Ernando Daitx) - ernandodaitx@hotmail.com (51) 92460676 / 97698449



Ficha técnica

Produzido por Philippe Seabra.
Gravado no Estúdio Daybreak, em Brasília.
Mixado por Kyle Kelso, nos Estados Unidos.
Masterizado por Gustavo Dreher.
Arte por André Ramos.
Produção Executiva de Fernando Rosa.

Superguidis (2010)

1 Roger Waters (Lucas Pocamacha)
2 Não fosse o Bom humor (Andrio Maquenzi)
3 Visão Alem do alcance (Andrio Maquenzi)
4 As camisetas (Lucas Pocamacha)
5 Quando se é vidraça (Andrio Maquenzi)
6 Fã-clube adolescente (Andrio Maquenzi)
7 De mudança (Andrio Maquenzi)
8 Casablanca (Lucas Pocamacha)
9 O usual (Lucas Pocamacha)
10 Nova_completa (Lucas Pocamacha)
11 Aos meus amigos (Andrio Maquenzi)

Superguidis – Acústico (bônus)

Acústico no Cultura Rock Club - Maio/2009

1 Piercintagem (Andrio Maquenzi)
2 Fã-clube adolescente (Andrio Maquenzi)
3 Por entre as mãos (Lucas Pocamacha)
4 O véio maximo (Lucas Pocamacha)
5 Mais do que isso (Andrio Maquenzi)
6 Nova_completa (Lucas Pocamacha)
7 Ainda sem nome (Andrio Maquenzi)
8 Discos arranhados (Andrio Maquenzi)
9 O banana (Lucas Pocamacha)
10 O manual de instruções (Lucas Pocamacha)
11 Aos meus amigos (Andrio Maquenzi)
12 As camisetas (Lucas Pocamacha)
13 Romantismo a base da modernidade (Bruno Daitx)
14 Retardado (Bruno Daitx)
15 Mais um dia de cão (Andrio Maquenzi)
16 Nunca vou saber (Lucas Pocamacha)
17 Visão alem do alcance (Andrio Maquenzi)
18 Malevolosidade (Andrio Maquenzi)
19 O coraçãozinho (Lucas Pocamacha)
20 Spiral arco-iris (Andrio Maquenzi)

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Abaixo, a íntegra da primeira matéria e um apanhado de entrevistas com o Sepultura na extinta Revista Bizz - durante muito tempo, a mais importante publicação sobre música do Brasil.

Fonte: CD-Rom Bizz 20 Anos

BRASILIAN * SPEED METAL FOR EXPORT

* NOTA: O título da matéria saiu assim mesmo, com a grafia errada, na revista.

por Sonia Maia

Fonte: Revista Bizz – Ed. 026 – setembro de 1987

Para os leigos - e até para boa parte dos que ouvem heavy metal, mais especificamente fãs de posers - o estilo se resume a um bando de cabeludos barulhentos que adoram o diabo. Já alguns críticos de música dizem que o HM estaria, atualmente, apontando o caminho da salvação para o rock.
O primeiro caso demonstra uma atitude preconceituosa e desinformada que se expressa, por exemplo, na pouca atenção dada às atuais releituras do metal. No caso da crítica, são os eternos sedentos por alguma novidade que resolveram eleger o speed-metal como a grande coisa do momento. Grupos como Metallica, Anthrax e Slayer receberam até a deferência de ocupar a capa do semanário londrino New Musical Express há uns quatro meses. Enquanto a paradoxal comédia entre leigos e exacerbados corre solta, a legião de headbangers atentos prossegue. Pelo menos aqui, o reflexo mais evidente disso é o ativo mercado independente, que sobrevive glorioso, sem perdas ou danos, a não ser o fato de continuar isolado.
"O HM chegou errado e distorcido no Brasil", tenta explicar Max, vocal e guitarra base do Sepultura - uns mineiros prestes a invadir o mercado europeu e americano. "A mensagem que se trabalha lá fora é diferente", continua. "Aqui o pessoal acha que o som é um incentivo à porrada, quando lá fora é um meio de diversão".
Foi neste contexto que os irmãos Max e Igor resolveram pegar na guitarra e bateria em 84. Com os ouvidos ligados em Iron Maiden e Venom e, mais tarde, Kreator, Motorhead, Judas Priest e os agrupamentos punk/metal de bandas como English Dogs, mais uma atenção especial ao hardcore, eles montaram o Sepultura com Paulo, que assumiu o baixo, e Jairo na guitarra solo. Depois de algumas divergências de estilo, Jairo deixa o grupo e o paulista Andreas fixa residência em Belo Horizonte para substituí-lo. Hoje bandas como Kreator, Death e Sacrifice estão ligados no Sepultura.
Mas como esses caras ficaram sabendo da existência destes mineiros? "Não sei quem mandou um disco (Morbid Visions, segundo LP do grupo) para WBCR (rádio nova-iorquina especializada em metal). Logo em seguida estávamos em quinto lugar na parada", diz Max. Daí para a frente foi mero desenrolar natural: cartas e mais cartas de pedidos de camisetas e buttons (todos desenhados por Igor), um primeiro lugar na rádio Overkill do Canadá e o interesse de várias gravadoras em lançar o grupo no exterior. E quem venceu a última concorrência foi o selo alemão Argh!, que lançou, no mês passado, dez mil cópias de Morbid Visions. Em caso de venda total, o Sepultura terá direito a uma turnê européia bancada pela gravadora. Caso isso não ocorra, eles vão por conta própria, "para ganhar experiência de palco e produção", como afirma Max.
A história do grupo se resume a três anos de trabalho constante. Eles ensaiam diariamente, todas as tardes, poupando apenas os domingos. Na administração, um esperto selo independente mineiro: a Cogumelo Discos que, além de ser a ponte de todos estes contatos internacionais, mantém o programa Metal Massacre na única rádio de rock no Brasil que merece o nome: a Liberdade FM de Belo Horizonte.
Fora isso, os garotos - cuja idade oscila entre 16 e 18 anos - se preparam para lançar, ainda este mês, seu terceiro LP, Esquizofrenia. A quem possa interessar, com uma turnê pelas principais capitais brasileiras e interior de São Paulo.
O disco carrega a temática da esquizofrenia, da depressão e do cotidiano de cada um, ligada à rejeição que eles sofrem em seu próprio país. Por isso mesmo todas as letras são em inglês. E, além disso, para que servem os cabelos longos, senão para cobrir a própria face, preservando o espaço vital?

ENTREVISTAS

SEPULTURA - CAOS DESENCANADO

Fonte: Revista Bizz – Ed. 098 – setembro de 1993

O primeiro superlançamento mundial do sepultura, Chaos A.D., tem o peso Tradicional do metal, um que de industrial e Hardcore, uma faixa quase acústica, atitude punk e até um gosto de baião! Entre as Fraldas de Zyon Cavalera e um exército de jornalistas, Ana maria G. de lemos passou um fim de semana comendo churrasco com a banda e conta essa história direto

Sábado, sete da noite num vilarejo no meio do campo inglês. Numa virada típica do verão da ilha, só agora é que o sol saiu, depois de um dia cinzento. Mas ninguém está reclamando: a geladeira está abarrotada de cerveja e o churrasco está quase pronto. É hora de relaxar.
Já se foi o tempo em que dava para entrar no Marquee, ver o Sepultura passar o som e pedir uma entrevista. Hoje o grupo faz parte daquele clube exclusivo de bandasinternacionalmente famosas, e a proteção aumentou. Merecidamente. Mas o trabalho de ser interrogado pela mídia - que Max, Igor, Paulo e Andréas passaram a tarde fazendo - continua o mesmo. "What does ‘legal’ mean?", indaga um francês; outro, alemão, confessa à empresária Glória seu alívio ao ouvir algumas faixas do disco novo - "Pensei que eles fossem viras para o rock industrial!". Depois foi a vez do programa Raw Power e sua câmera: a banda é forçada a "dar um passeio pelo campo", no melhor estilo Led Zeppelin.
Agora os jornalistas desapareceram; o churrasco ficou pronto graças ao talento de de Sílvio (Bibica para os íntimos), amigo e roadie da banda. Aparece gente da Roadrunner e Glória, de cabelos que desafiam a paisagem verde, traz Zyon, seu filho com Max. Aos sete meses, ele é a criança mais Cool deste mundo. Curte o som alto, ri, vai no colo de quem o quiser. A piada que rola por aqui é que, quando crescer e perguntar o que seu pai faz, Zyon vai responder, morrendo de vergonha: "Ele é metaleiro".

Depois de seis semanas em Rockfield, no país de Gales, o sepultura se mudou de mala, cuia e master tapes para o Wool Hall Studio, no vilarejo de Beckington. Ainda faltam alguns vocais e solos, mais a pressão agora é para mixar o obra-prima que será Caos A.D.. "Entre uma turnê e outra", lembra Igor, "a gente dava uma paradinha e trabalhava no disco novo. Passamos seis meses só nisso. Quando chegamos ao Rockfield, só faltava dar uma limada." O estúdio no país de Gales foi sugerido pelo produtor Andy Wallace. A única exigência da banda era um certo isolamento. "No Brasil não dava", explica o baterista. "Ensaio virava festa, com quatrocentas pessoas assistindo. Em Los Angeles, agente estaria no estúdio pensando ‘Porra, aquela banda que eu gosto está tocando hoje à noite e só eu que não estou lá’ (risos). No Rockfield não tinha nada além da gente e o mato. Quem não estava gravando, ficava lá, olhando para as paredes."
E o Rockfield tem história: já passaram por lá o Black Sabbath, o Queen (para gravar o A Night At The Opera) e outros como Robert Plant. Mas o Woll Hall também tem suas vantagens: a paisagem lindíssima, a proximidade da cidade de Bath, uma mesa gigantesca de sinuca e uma foto do Miranda (sim , o nosso Carlos Eduardo Miranda, da BIZZ) vetido de Jesus Cristo!!!
A fama é um assunto fascinante. Quem é que não quer saber o efeito que ela teve sobre quatro garotos brasileiros? A questão é: o sepultura mudou?
Todos compraram casa em Phoenix, Arizona, menos Igor, que vive uma vida de nômade e sai em busca do mar sempre que pode. Max virou pai e em 94 lança um projeto paralelo com seu "genro" Alex Newport, do Fudge Tunnel, chamado Nailbomb (Alex é casado com a filha de Glória). Paulo começou a fazer aiqui-dô e Andreas ficou amigo do baixista Jason Newsted do Metallica (fundaram o Sepultallica!). O comentário de Jack Endino na BlZZ ("Já tem Sepulturas demais por aí") provoca sorrisos. "Tem mais Nirvanas do que Sepulturas", replica Max. "É legal saber que tem molecada tocando um som baseado na gente. Foi assim que a gente começou. Jack Endino estava lá no Rockfield, produzindo outra banda. Pegamos ele xeretando nas nossas guitarras duas vezes." (risos)
Eles conheceram o Ozzy, são amigos de bandas famosas (vide alista de agradecimentos do disco novo). Sobrou algum ídolo? "O Paulo tem o Bruce Lee", revela Max. O Sepultura mudou? Continuam sendo a banda mais despretensiosa do planeta.

Beneath The Remains atraiu os olhos internacionais, mas foi seu sucessor Arise que vendeu bem. Segundo Igor, foram duzentas mil cópias nos EUA, trezentas mil na Europa e cem mil no Brasil. Segundo a Roadrunner, um milhão ao todo. Para a gravadora, o Sepultura é prioridade em 93. O sentimento geral é de que Caos A.D. é o disco que vai levar o Sepultura a alturas nunca d´antes imaginadas. Igor diz que é legal gravar um disco tendo mais dinheiro, um bom estúdio etc. Mas e a pressão? "Isso sempre tem. O ´próximo álbum´ é sempre importante. Tentamos bloquear esse lance. Se a gente chegou até aqui com o nosso som, não é agora que vamos mudar, por causa de gravadora ou de público." Enquanto isso, a Roadrunner vai trazendo jornalistas do mundo todo e montando uma campanha publicitária forte, incluindo a festa de lançamento que promete ter desde capoeira até cachaça. É óbvio que, sem a música, nada disso adianta. Mas nesse ponto eles não precisam se preocupar...

Caos AD. é uma direita explosiva no queixo. Uma mistura do velho Sepultura com novos elementos que estavam querendo entrar nesta festa há tempos. Tem "We Who Are Not As Others", por exemplo, ou "Slave New World", composta com Evan Seinfeld do Biobazard; há também "Propaganda", "Clenched Fist"... mas falemos de uma música em especial, "Refuse And Resist!":
Max - "Essa rolou num dia que estava todo mundo desesperado, pois não saía nada há três dias! Aí apareceu o riff, um dos mais destacados do disco. Isso foi em Phoenix... a letra eu fiz ontem." (risos)
Andreas - "Não é muito diferente do que a gente já fez antes, mas é a primeira vez que abrimos um disco com uma música devagar."
Max - "Ela tem mais groove que rapidez. A letra é sobre o confronto entre polícia e juventude. O pessoal jogando pedra, botando fogo em carro. As primeiras frases deram o nome ao disco. O vocal é bem berrado, como no disco todo. Aliás, no encarte do disco nem escrevi ´vocal´; eScrevi ´Max: guitarra e garganta´."
Andreas - "´Territory´ é o single, com "Polícia" no lado B. Não é um som novo. A letra é sobre guerra, sobre a luta pelo território. O vídeo vai ser feito em Israel, com clima de guerra mesmo,"
Max - "Estamos com umas idéias bem loucas, de ir para o Mar Morto e cobrir a cara de lama e fazer uma parte do vídeo assim,".

Para produzir o disco novo, o Sepultura chegou até a pensar em AI Jourgensen, do Ministry.
Igor - "Depois da turnê com eles, vimos que não era bem isso, ele tem outra cabeça. Eu queria que o Jobn Zorn produzisse, mas ia precisar de mais tempo. Quem sabe no futuro..."
A escolha, muito bem feita, foi Andy Wallace, que havia mixado Arise. Ele também mixou Nevermind, produziu o Slayer, o Sonic Youth, o White Zombie, a Rollins Band... É um senhor alto, magro, de cabelos brancos que coleciona carros antigos. Este americano de uns cinqüenta anos deu ao Sepultura um som que Scott Bums, por melhor que fosse, não foi capaz. Mesmo com as músicas ainda não mixadas, dá para sentir a diferença: com um som mais cheio, o Sepultura ficou ainda mais poderoso.

Max - "A música ´Amen´ é baseada naquela história em Waco, do David Koresh. Li muito sobre isso, fiz anotações. Vivendo nos EUA, você vê isso de uma maneira diferente. De trinta canais de TV, quinze são religiosos, com aqueles tele-evangelistas loucos. Isso me impressionou e fiz uma letra irônica, no estilo dos Dead Kennedys. Como se eu estivesse me confessando, com a voz rouca. ´Me perdoe, sei que pequei matei esse tanto de gente. Mas sei que você vai me perdoar.´ A quebradinha é assim meio reggae, meio Fugazi. E tem um canto medieval que a gente tirou de uma fita que a Glória comprou no castelo (de Chepstow, no País de Gales)."

Para quem está de fora, a impressão que se tem é de que o Sepultura de repente percebeu que havia chegado a hora de fazer algo diferente, com mais expansão do que mudança propriamente dita.
Igor - "O processo foi gradual. Aos poucos, a gente vinha tentando colocar coisas novas na nossa música. Desta vez, o esforço foi maior. E depois, foram dois anos de turnê. Deu para ver o que funcionava ou não. Deu para pegar a energia do Sepultura ao vivo."
Quando o assunto é a direção do metal em geral, ele diz achar o momento atual confuso. Depois de um período prolífico de abertura para novos elementos, alguém pisou no breque.
Igor - "Foi legal o metal se abrir para essas influências, mas talvez tenha chegado a um ponto em que estava virando outra coisa."
Como disse um glam rocker do Sunset Strip de L.A., ´Seattle acabou com a gente!’ É impossível ignorar modas e tendências, mesmo se você estiver disposto a segui-las.
Igor - "Concordo, mas dentro de uma banda também acontecem muito naturalmente. Nunca paramos para decidir nossa direção musical. Somos meio pessimistas, quase nunca vemos o lado positivo das coisas. Então tudo o que acontece com a banda é surpresa.

"Kaiowas" é a grande surpresa do disco. Para começar é acústica. Mas tem peso, com muita percussão e até um gostinho de bailão.
Max - "É o nome de uma tribo que se suicidou. Eu estava precisando de umas idéias para o nome da música, algo brasileiro. O Joio Gordo (Ratos De Porão) e a Fabiana (fotógrafa amiga da banda) me mandaram uma lista de trios.
Quando li suicídio em protesto contra o governo, vi que era esse mesmo.
Andreas - "A gente gravou ao vivo, no castelo de Chepstow, no País de Gales. Um dos castelos mais antigos da Europa, é só ruína. Foi numa sala sem teto, cheia de reverberações, onde gravamos vários teckes como Andy. Ele pegou os melhores e montou".
Max - "É Led Zeppelin com Olodum e Sonic Youth. (risos) O começo é bem no estilo do Led Zeppelin III (Nota: que também foi gravado no País de Gales!). Dá até para ouvir as gaivotas. Temos tudo registrado em vídeo."
Andreas - "Tinha uma equipe gravando tudo, fazendo uma reportagem geral do disco. Pode ser que seja lançada futuramente."
Max - "Tem uns lances legais, como por exemplo ontem, quando o teto caiu na cabeça do Andreas durante a gravação de ´Polícia´." (risos)

Ainda há um resto de luz no céu quando acaba o churrasco. O jeito é ir para um pub. Afinal, temos aqui um sério caso do que em inglês se chama "cabin fever", aquele desespero que dá depois de ficar trancafiado muito tempo no mesmo lugar. Se alguém no bar da vila acha estranho ver um bando de cabeludos tatuados, não demonstram. Scott, da Roadrunner americana, vai comprando as cervejas. Paulo já conhece o barman.
Max - "A música ‘Manifest’ é sobre o que aconteceu no Carandiru."
Andreas - "Algo como se o Max fosse um repórter brasileiro falando em inglês."
Max - "Nem tirei o sotaque, falei palavras erradas. O Andy mudou um pouco a minha voz, ficou mais grave. Tipo rádio AM, só que transmitindo para o resto do mundo. Minha guitarra é só barulho. A gente tinha acabado de sair do Brasil quando aconteceu o massacre, consegui um monte de informações e tirei a letra disso. Coisas como o fato de que 80% do pessoal lá dentro ainda estava esperando julgamento. O Andy ficou horrorizado, achou que eu tinha inventado! (risos)"
Andreas - "No disco, cada letra tem uma foto. Para essa tem uma foto do Notícias Populares, de uma cela meio aberta, tem braço ainda segurando nas barras. Em cima está escrito, Departamento de Justiça, Polícia de São Paulo..."
Max - "Essas coisas tem que ser ditas. A última frase é ´pavilhão 9´ (em português mesmo). A primeira vez que misturamos português com inglês."
Igor - "O pessoal pira com o português. O Max grita ´Um, dois, três, quatro´ antes de uma música, aí vem gente do Japão perguntar disso. (risos)"
Max - "Estamos fazendo tudo que estamos a fim, pela primeira vez. Ontem, antes de gravarmos ´Polícia´, ficamos os quatro sentados, discutindo se ia ter palavrão ou não. Um dizia ´não, as rádios não vão tocar´, o outro dizia ´pau no cu das rádios´. Pronto! (risos) Ficamos meia hora gritando ´filho da puta´."
Se no começo o sucesso da banda criou certo ressentimento no Brasil, isso hoje virou respeito.
Igor - "É estranho, não é? Quando estávamos lá, ninguém ligava para nós, fora os fãs. No Brasil só se respeita o que já vem aprovado de fora. Na época do Made In Brazil, ninguém dizia que era uma ótima banda. Preferiam dizer que gostavam do Led Zeppelin ou do Black Sabbath. Precisou que uma revista inglesa dissesse que o nosso som era legal. Agora é tudo assim: ´O Sepultura é demais!´ É bom gostarem da gente, mas isso fica meio falso." Não é que a banda não goste de sua terra natal. Pelo contrário... as referências ao Brasil são constantes e a saudade é palpável. Mas o Sepultura sente que, profissionalmente, é preciso estar fora e acompanhar cara a cara o que acontece no mundo da música.

Andreas - "Sempre quisemos tocar uma música do New Model Army, mas ficava só no papo."
Max - "A gente nunca achava a música certa, aí o Igor deu a idéia de gravar ´The Hunt´. Tentei não gritar muito, porque a letra é tão legal. É sobre um cara querendo se vingar do traficante que fez do irmão dele um junkie. O Andy disse ´Pensa bem, você está puto, o cara fodeu com o teu irmão´. Aí eu entrei no clima, fiquei bravo."
Paulo - "Para falar a verdade, a gente quis dar uma força para o cara comprar um dente novo. Todo o dinheiro do disco vai para isso." (risos)

A Sony queria o Sepultura para si. Ficou difícil para a banda sair do contrato que havia assinado com o selo independente Roadrunner. Conclusão: por enquanto, a Sony vai apenas cuidar da distribuição dos discos do grupo na América do Norte.
Igor - "Se agente tivesse assinado com eles, teríamos ido de número um na Roadrunner para número mil na Sony, de Michael Jackson e todos os outros. Nós sabemos que gravadora grande é um perigo, se você não vende o quanto eles esperam, é adeus. Estamos indo aos poucos: quando acabar o nosso contrato com a Roadrunner, se tudo estiver indo bem, vamos para a Sony".

Andreas - "´Nomad´ é bem pesada, bem lenta."
Max - "É uma espécie de resposta do Andreas ao ´Sad But True´." (risos)
Andreas - "É sobre as tribos do Brasil e dos EUA... do que foi feito com a cultura, com a língua, com os costumes dessa gente."
Max - "Gravei um documentário sobre uma tribo da Amazônia. Eles usam um toco enfiado na boca, falam uma língua do além e tem gente tentando catequizá-los! Os caras acreditam na lua! Sampleamos eles batendo uns paus no chão."
Andreas - "O som veio de um soundcheck que fizemos na Indonésia."
Max - "Temos um monte de material gravado em vídeo. A hora em que der um branco e bater o desespero, vamos apelar para isso!" (risos)

Quando pergunto a Igor se eles jamais pensam em chegar - em termos de fama e vendagem - onde bandas como o Metallica chegaram, ele me responde calmamente que acha legal o que aconteceu com esta banda em particular, mas não existe pressão dentro do Sepultura para acharem que têm que fazer algo semelhante.
Igor - "O nosso objetivo nunca foi querer ser o Metallica ou os Guns N´Roses."
Pode ser, sugiro, que uma banda perca muita coisa ao chegar a tais alturas - como o Guns N´Roses por exemplo, que parece ter perdido a saúde mental!
Igor - "É, mas eles vieram do nada e em cinco minutos chegaram lá em cima. Não é como o Metallica, que foi aos poucos."
Queiram ou não, a possibilidade deles chegarem a tal eminência é uma realidade. Mas é fácil concordar com Igor, dizendo que a banda é coisa de irmão. É família mesmo, casamento. Você aprende a conviver, vai indo e lidando. Fazendo esse disco, saía pau todo dia. Se tem algo que eles não gostam, tem que dizer para os outros no ato.

Andreas - "´Biotech Is Godzilla´ é a única música rápida do disco. Foi o Jello Biafra quem escreveu a letra. O que foi uma grande honra."
Max - "O dia em que telefonei para ele ficamos meia hora conversando. O cara ia ficando cada vez mais empolgado. Disse que faria a letra, que já tinha mil assuntos... eu nem conseguia falar! (risos). Disse que seria uma honra para ele fazer a letra. Ele recebe mil convites desse tipo e não aceita quase nenhum. Poderia ter juntado os Dead Kennedys de novo, ganhando uma grana, mas é íntegro demais."
Andreas - "Ele mandou a fita com uma música nossa com a voz dele por cima, para termos uma idéia do vocal. Ele canta tudo, até o solo. (risos) O Max deu uma ajeitada, ficou legal."
Max - "Começa com ´Rio Summit 92/Street people kidnapped/Hid from view´. Na verdade, o Jello esteve Já, misturou tudo aquilo que viu com uma informação - não sei de onde ele tirou essa coisa! - sobre um plano de George Bush para testar germes, bacilos etc. na América Latina. Um plano de usar gente de cobaia. A partir disso, a letra diz que foi a biotecnologia que criou a Aids. O que ele diz é que a tecnologia por si não é uma coisa má, mas está nas mãos erradas."

Para o lado B, o Sepultura escolheu a dedo suas covers: "Polícia", dos Titãs, que no Brasil fará parte do álbum, "Crucificados Pelo Sistema" dos Ratos De Porão e "Inhuman Nature", do Final Conflict.
Max - "As escolhas não foram nada óbvias. Qual a graça de fazer ´War Pigs´ ou ´Anarchy In The U.K.´? Deveriam se proibir covers dessas músicas." "Sympton Of The Universe" foi gravada especialmente para um disco de homenagem ao Black Sabbath, que sairá pela Concrete nos EUA. Além dos "boys from Brazil", contribuíram o Bodycouot, o White Zombie e o Pantera, entre outros. Das demais covers que talvez nunca vejam a luz do dia, a mais intrigante parece ter sido "Looking Down The Barrel Of A Gun", dos Beastie Boys (do injustamente ignorado Paul´s Boutique).

Domingo de manhã: o estúdio se enche novamente de jornalistas, desta vez todos alemães. Andreas se enfurna no estúdio com Andy Wallace enquanto os outros três começam mais uma rodada de entrevistas. "Sorte que eles sempre querem o Max e o Igor" diz Paulo, conseguindo escapar do interrogatório. Na hora de gravar algumas chamadas para rádios inglesas, ele capricha no sotaque britânico e diz "Lovely!" como um membro da família real.
A notícia ruim é que os shows que a banda faria junto ao Black Sabbath (com Ozzy novamente no comando) foram cancelados. A boa é de que talvez o Sepultura esteja no Brasil em janeiro, tocando no Hollywood Rock. Numa pesquisa feita durante o festival deste ano, o Sepultura foi eleito o grupo que as pessoas mais gostariam de ver. Enquanto isso, o fim-de-semana chega ao fim, e a pressão recomeça. Quem vai dar a palavra final?
Igor - "Acho que este é um disco que tem mil influências, tem tudo aquilo que a gente costuma escutar, das viagens de dois anos de turnê. Estamos felizes com ele. É um disco que vai dar o que falar. Falem bem ou mal, mas vão falar."

MAX CAVALERA

Fonte: Revista Bizz – Ed. 123 – outubro de 1995

Você apareceu na festa da MTV se balançando feito um doido, desfigurado. Era alguma espécie de transe?
É macumba, véio! (risos) Tem sido assim há dez anos. Forças espirituais, vem de família, saca? A minha mãe é muito ligada ao candomblé. Macumba é assim mesmo. Um minuto antes a pessoa tá normal. Baixa o espírito, é aquela doideira.

Esse espírito já chegou a sair de controle?
Já. Quando eu bebia, era foda. Eu tomava pra caralho antes do show e rolava energia negativa na parada. Essa possessão tem que rolar naturalmente, se não dá tudo errado.

E quando vocês quebraram tudo no festival de Donington, na Inglaterra, o que aconteceu?
O show foi tão bom que deu vontade de quebrar tudo! Depois explicamos pra imprensa que o Sepultura não é Nirvana e que não temos essa atitude todo dia.

Você não se sente culpado por demolir equipamentos caros no palco?
De vez em quando dá aquela dor... Porra, eu sou o maior FDP que existe! Eu não tinha grana para comprar guitarra, tinha que usar instrumento emprestado e agora quebro tudo. Mas quando rola o instinto, não dá pra segurar.

Porque o Sepultura faz mais sucesso na Europa do que nos EUA?
Preconceito. Nos EUA, tudo que vem do México pra baixo é visto com o olho torto. Se tiver que rolar Pantera ou Sepultura, rola Pantera.

Esse comportamento do americano chateia?
Chateia. A tesourada é puramente racial. Mas minha batalha só vai terminar quando eles me respeitarem.

O disco novo, Roots, vem carregado de world music?
Tá todo mundo pensando que vem mais brazuca. Errado. Vamos pegar digeridoo, da Austrália, guitarras indianas, uns lances do Brasil e misturar com a nossa veia. Queremos chegar num degrau que bandas de metal não alcançaram. Ampliar os horizontes, sair do mundinho metaleiro. O disco sai dia 3 de fevereiro.

Você mudou muito depois que vieram os filhos?
Já entrei numa onda de achar que eu não emplacava mais um ano, uma viagem meio esquisita. Mas o Zyon veio me mostrar o meu valor. Me deu inspiração e força de vontade numa época em que acho que ia acabar num esquema Kurt Cobain.

O que te levou a pensar nessa detonação?
Tem muito a ver com a morte do meu pai, em 79, que até hoje eu não superei. Quando você entra num esquema de bebedeira e drogas, é difícil segurar. Ainda mais para mim, que sou um cara fraco, não consigo resistir à tentação.

Você está mesmo curtindo uma de família, né?
Tô. Não tem como não estar. Pó, o Zyon tá com dois anos e meio e acabou virando um chegado meu. Mexe nos meus CDs, pede para repetir música, conhece o nome dos caras da banda. É impressionante! Mas já tem muita gente achando que eu só quero saber de fazer filho. Não é nada disso, o Igor veio rápido porque quero que ele e o Zyon sejam unidos e amigos como eu e meu irmão.

Quando o Sepultura volta a tocar no Brasil?
Queremos tocar no Hollywood Rock. Ouvi dizer que o Metallica está confirmado e tem tudo a ver. De qualquer modo, detonamos a nova turnê no Brasil.

IGOR CAVALERA

Fonte: Revista Bizz – Ed. 145 – agosto de 1997

Como vai o Sepultura?
Temos dez músicas prontas, entre elas "Floaters In Mud", "Old Earth", "Rumors", "Common Bonds", "Choke" e "Reza", esta em português. Fizemos uma demo e os gringos da gravadora caíram de costas, cara! Então, resolvemos entrar em estúdio em novembro, para que o disco saia uns três meses depois. Estamos querendo chamar os Dust Brothers para produzi-lo.

As novas músicas seguem um estilo novo ou vão na trilha do Roots?
Agora, só com uma guitarra, as músicas estão mais simples. Mas o negócio tá pesado pra caramba. Tá Sepultura!

Vocês já acertaram com um novo empresário?
Fechamos com John Reese, o mesmo empresário do Guns. Ele ligou querendo me levar para tocar com o Axl e nós é que o trouxemos para o Sepultura...

O que você acha do Axl Rose?
Odeio a voz do Axl, mas não posso falar mal do cara, não o conheço... Achei legal pra cacete que, entre todos os bateristas do mundo, ele tenha lembrado do meu nome!

Você e o Andreas estão compondo a trilha sonora do filme No Coração Dos Deuses. As músicas já estão prontas?
Não. Quando o filme estiver pronto, vamos vê-lo e só aí colocar cada música. Mas o Andreas viajou até Tocantins (lugar onde a fita está sendo rodada) para entrar no clima. Ele disse que conversou pra caramba com o Antonio Fagundes e... Adorou!

Você fez um golaço no Rock E Gol, da MTV. Ninguém sabia que você é bom de bola...
Desde moleque eu e o meu irmão somos maníacos por futebol. A gente dormia e acordava abraçado com a bola. Quando tô jogando, quero dar o melhor possível. Comigo é assim: jogador tem de dar o sangue!

Falando da sua grife Cavalera, o que você entende de moda?
Gosto de desenhar, mas tenho uma equipe que saca melhor do assunto. Não entendo de moda! Também, se eu falar que entendo, é capaz de alguém querer me matar, como fizeram com o Versace... (risos)

Agora que você virou empresário, já conseguiu ficar rico?
Não! Com a grife, não deu pra ficar rico... O Sepultura é que deu dinheiro... É, não vou dar uma de Kurt Cobain e falar que o sucesso é uma merda. Cara, vivo bem pra caralho...

Você tem falado com o Max?
O Max mandou um cartão para a minha filha no Dia dos Pais (nos Estados Unidos a data é comemorada dia 5 de julho) e, acredite, eu tive de agradecer por fax... Pô, a Gloria bloqueou o telefone deles de uma forma que ligação feita da minha casa não completa. Não consigo entender esse tipo de atitude, ela é mãe, pô! Acho que não gostaria que acontecesse o mesmo com os filhos dela...

O Max fez uma música chamada "Judas", dizendo que ele teria sido traído. O que você acha da atitude dele?
Foi a válvula de escape que ele arrumou pra sair da situação que ele mesmo criou. Acho que seria mais fácil simplesmente admitir que não funcionou com a mulher dele empresariando o Sepultura e pronto.

Particularmente, você não gostaria que o Max voltasse?
Pessoalmente, quero restabelecer a relação com o meu irmão. Mas, profissionamente, não vejo uma reconciliação. A nossa realidade é que o Sepultura nunca mais vai ser o mesmo. No entanto, o grupo não se resumia ao Max. Continuamos furiosos!

MAX CAVALERA

Fonte: Revista Bizz – Ed. 149 – dezembro de 1997

É coincidência gravar seu primeiro álbum-solo na mesma época e no mesmo estúdio onde foi feito Roots?
Eu estou trabalhando neste disco desde janeiro. Grande parte do novo material foi composto nesta época, e assim que ficou pronto resolvi entrar no estúdio. Nada foi planejado.

Todas as canções são novas ou também há sobras que você não usou no Sepultura?
Desde a época da turnê do Chaos A.D. eu tenho um gravadorzinho portátil de quatro canais que eu levo para trabalhar na estrada. Eu usei um pouco dessas coisas mais antigas. Mas não muito. A maioria veio da necessidade de compor e colocar a vida no lugar.

É muito diferente trabalhar sem contar com o apoio de uma banda?
É diferente, mais difícil... Mas, ao mesmo tempo, tenho mais liberdade, também. Há coisas que estou fazendo aqui que talvez não fizesse se estivesse com o Sepultura.

Algum exemplo?
Eu estou curtindo muito o trabalho com a Nação Zumbi e se estivesse no Sepultura o Lúcio (Maia, guitarrista) só tocaria em uma música e não no disco inteiro, como está acontecendo. Admiro muito o trabalho dele e acho que ele é um dos melhores guitarristas da atualidade. Também não gravaria coisas como "Umbabarauma", do Jorge Ben, uma coisa tão fora do comum para mim... Estou tendo a chance de expandir o meu trabalho.

Você parece muito empolgado. Quais são as suas expectativas em relação a este disco?
Acho que este CD vai abrir muitas portas para mim. No futuro, vou poder levar minha música para muito além do Sepultura.

Onde exatamente você quer chegar?
Quero atingir um público que não ouve o Sepultura por achar que é só heavy metal. Esse trabalho vai ser a chance de um cara que ouve Beastie Boys e Bob Marley gostar também. É mais eclético...

Com tantas mudanças, você não acha que pode assustar os velhos fãs do Sepultura?
Tenho certeza que não. Há elementos novos, mas ao mesmo tempo as músicas mantêm o mesmo peso, aquele fogo anterior... Não quero e não vou dar as costas aos fãs que me botaram onde eu estou agora.

Este disco é muito diferente do que teria sido o sucessor de Roots, o último que você fez com o Sepultura?
Acho que é uma progressão natural. Se eu ainda estivesse no Sepultura, o faria do mesmo jeito, tentando fazer a banda ir mais para a frente, expandir o som para ficar sempre original e atual.

Você também foi ousado em Roots... Há diferenças na confecção dos dois trabalhos?
Esse foi mais fácil de sair porque os músicos que estão aqui têm menos medo e estão mais a fim de experimentar.

Como você escolheu os músicos da nova banda?
O baixista Marcelo Dias é amigo meu há doze anos. Ele fazia luz para o Sepultura e a gente sempre trocou figurinha. Em turnê, ele sempre vinha pro meu quarto para a gente tirar um som. Ao invés de pegar alguém famoso, fiquei em casa mesmo, é mais fácil trabalhar falando português. Quanto ao Roy Mayorga (baterista), fiquei bastante impressionado quando ele remixou "Refuse and Resist" para o Chaos A.D., que saiu na trilha do filme Mortal Kombat, e botou bastante percussão. Ele é baterista de hardcore das antigas, mas é apaixonado por viagens brasileiras: ele ouve Olodum e Chico Science pra caralho! Acho que ele é mais brasileiro do que muito brasileiro que eu conheço.

Quantas canções terão percussão do Nação Zumbi?
Pô, eles tocam na metade do disco. Tirando as músicas mais agressivas, este álbum está mais para o lado das raízes africanas, o lance dos escravos do qual já falei na SHOWBIZZ. Tem até letras falando de Zumbi, Quilombo... Nesses casos, os tambores deles encaixam perfeitamente.

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quinta-feira, 11 de março de 2010

ABRIL PRO ROCK 2010 - Contagem regressiva



A 18ª edição do Abril pro rock vai para a Fábrica Tacaruna e o Recife Antigo
por Carolina Santos - para o Diário de Pernambuco
carolinasantos.pe@dabr.com.br

O Abril pro Rock chegou à maioridade com vontade de provocar. Mas não musicalmente - até agora, o festival independente mais longevo do Brasil não divulgou nenhuma banda de impacto(NOTA: Isso na opinião da repórter. Já na minha, Varukers e Agent Orange têm impacto sim - nada que se compare a um Motorhead, claro, mas são grandes nomes do punk rock mundial. O cast nacional ter alguns nomes bastante interessantes também). No formato, porém, a 18ª edição do Abril pro Rock vem cheia de novidades.

A mais importante é a criação do APR Club, um espaço no Recife Antigo que vai abrigar shows de várias bandas e DJs. E aí vem a primeira provocação. "Vimos que no Recife não tinha um espaço adequado para as atrações que geralmente tocam no festival. Temos, por exemplo, o UK Pub que abre para bandas locais na terça-feira, mas mesmo assim é muito pequeno. O Abril pro Rock quer instigar o empresariado local para abrir as portas para este tipo de música", destaca Bruno Nogueira, um dos curadores do evento. O hardcore da banda capixaba Dead Fish - que já tocou no festival - está confirmado na programação da casa.

O APR Club vai funcionar durante três fins de semana do mês de abril - com exceção do primeiro, que é Semana Santa. Das 50 bandas previstas para o festival, metade vai tocar na Fábrica Tacaruna, onde o Abril vai montar um toldo na área externa - no modelo do Porto Musical do ano passado -, com dois palcos, um de frente para o outro. Dez bandas irão se apresentar na sexta-feira (16) e quinze no sábado (17). A banda de João Gordo, Ratos de Porão, e Pato Fu - ambas veteranas no festival - estão quase fechadas na programação, que inclui ainda Blaze Bailey (ex-vocalista do Iron Maiden) e a interessante banda gótica cearense Plastique Noir.

Outra discussão que o festival quer levantar neste ano é a respeito da programação das rádios recifenses - que quase nunca dão espaço para as bandas de rock locais. "Quem está certo, as rádios daqui, que insistem em ignorar a nossa música, ou as rádios de fora, que estão interessadas em divulgá-la?", questiona Paulo André, produtor do evento. Tão interessadas que duas noites do APR Club estão fechadas com rádios públicas europeias - uma delas, a BBC de Londres e aoutra a Antena 3, de Portugal. Além de meramente transmitirem os shows, as rádios estão financiando as noites e participando da escolha da programação. Siba, por exemplo, é um dos cotados para entrar na programação da BBC. Na noite da rádio portuguesa, um duo de música eletrônica e discotecagem do produtor Henrique Amaro estão sendo sondados.

De fora - A banda Placebo, que vai estar em turnê pelo Brasil na época do APR, não vem mesmo para o festival. "A primeira vez que eles tocaram aqui foi por conta da parceria com a Claro. Não temos orçamento para trazê-los", diz Paulo André. Outras bandas internacionais envolvidas em rumores também estão de fora: Wilco e Megadeth, que fará turnê sul-americana em abril. E Slayer permanece ainda apenas como um antigo e eterno sonho de Paulo André: "Enquanto eu viver e respirar, vou tentar trazê-los".

Saiba mais

Ao atingir a maioridade, o Abril pro Rock reúne neste ano cerca de 50 bandas.

Algumas delas já estão confirmadíssimas e outras quase certas - como Ratos de Porão e Pato Fu. Confira a lista:

Ratos de Porão | São Paulo - hardcore

Blaze Bayley | EUA - heavy metal

The Varukers | Inglaterra - punk

Agente Orange | USA - punk

Instituto Mexicano del Sonido | México - música tradicional com eletrônica

Camarones Orquestra Guitarrística | Rio Grande do Norte - rock instrumental

Nevilton | Paraná - pop rock

Mini Box Lunar | Amapá - rock tropicalista

Eminence | Minas Gerais - heavy metal

Vendo 147 | Bahia - instrumental

Dead Fish | Espírito Santo - hardcore

Alkymenia | Caruaru (PE) - metal

Plastique Noir | Ceará - eletro-rock gótico

Bugs | Rio Grande do Norte - rock

Siba | Pernambuco - regional

The Baggios "pegando uma punga"



por Rian Santos
Fonte: Spleen & Charutos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Alguém arrisca onde esses meninos vão parar?

Na próxima terça-feira, os meninos da banda The Baggios chegam à terra da garoa para realizar uma série de shows e gravar o primeiro disco oficial. Na passagem por São Paulo, o duo formado por Julio Andrade (guitarra e vocal) e Gabriel Carvalho (o batera Perninha) ainda aproveitará a oportunidade para gravar o videoclipe da música “Em outras”, com a participação de Rafael Costello, ex-Plástico Lunar e Rockassetes. Era o pretexto que a gente precisava para reconstruir a trajetória que inicia em um violão detonado, no sonho improvável de Pegar um Punga e cair fora da pacata São Cristóvão, sem estação prevista para encontrar.

Jornal do Dia – É difícil imaginar um moleque que aprendeu a tocar paletando um Kashima de cordas enferrujadas numa cidade pacata como São Cristóvão conquistando o respeito da cena independente nacional. Como você encara essa transformação? O guri interiorano possui alguma semelhança com o Rei do Blues?

Julico – Acho que carrego algumas coisas dessa época, inclusive esse kashima de cordas enferrujadas, mas nós seres humanos vivemos em constante transição. Acho que estou um pouco mais maduro. Afinal, estou nesse lance de tocar Rock há 8 anos, seis deles dedicado a The baggios, e nunca curti ver as coisas se repetirem. Desde que comprei minha primeira guitarra procuro coisa nova pra ouvir, conseqüentemente me desenvolvo, amadureço, me torno exigente e tento fazer algo que pelo menos soe diferente.

JD - De que maneira a gravação dos primeiros EPs deverá influenciar na confecção desse primeiro disco oficial? Ele já tem nome? A gente pode esperar a energia densa e suja que impregnou suas primeiras composições, fazendo justiça aos aos acordes envenenados do blues, ou os tapinhas nas costas e o sorriso solícito das menininhas ajudaram a acalmar os demônios escondidos em seu coração?

Julico – Por onde a gente tem passado, sempre tem alguém comparando nossas apresentações com as gravações, e o comentário é sempre o mesmo: “Nem se compara o show com os EPs”. Depois de ter ouvido isso de várias pessoas, concordei e coloquei na cabeça que devemos capturar nosso som de uma forma mais crua e pesada, como nos shows. Acredito que o disco vai soar mais pesado e mais rock, não deixando de lado a essência Blues. Tem um nome pro disco que guardo na cabeça faz anos: “O azar me consome”, nome de uma das músicas do disco, que espera pra ser gravada há quatro anos.

JD - Qual a participação de Perninha (batera) no disco? Ele é só um instrumentista ou interfere de alguma maneira na concepção das canções e nos arranjos? Quando ele entrou na banda, muita gente ficou impressionada com o vigor que as canções da Baggios ganharam.

Julico – Ele, sem dúvidas, era a peça que faltava na Baggios. Um figura dedicada ao instrumento e cheio de boas influências para oferecer. Ele é um dos culpados do amadurecimento da banda.

JD - Como a turnê paulista foi viabilizada? Parece que tem algo a ver com o Circuito Fora do Eixo, não é mesmo? É uma pena que ele não tenha dado as caras por aqui…

Julico – Venho visando uma viagem pra São Paulo desde 2008, e vi que não é tão difícil marcar um show por lá, contanto que seja com muita antecedência e que você tenha como chegar lá. Eu e Gabriel estávamos discutindo como gravar o disco, onde gravar, daí resolvemos unir a necessidade de gravar e a vontade de tocar em Sampa. Comecei a mandar emails pra casas noturnas, amigos, conhecidos de conhecidos e assim foram aparecendo uma data aqui, outra ali. Uma das figuras importantes nessa tour foi Quique Brown, membro da banda Leptospirose, de Bragança Paulista. Ele conseguiu 80% das datas, algumas delas, graças à integração dele ao Fora do Eixo, que conseguiu encaixar a gente na etapa final da Tour do Porcas Borboletas, de Uberlândia (MG). Nós vamos pegar um Punga, literalmente, nessa van com os caras. O Fora do Eixo tem crescido m. Em novembro de 2009, o Pablo Capilé (O cabeça) passou por Aracaju e integrou a Rede Musica Sergipe (rede que conta com os coletivos Ouça, Beco dos cocos e o Pela Cena) ao Fora do Eixo. A rede está se desenvolvendo aos poucos, e pretende movimentar mais a onda independente por aqui.

JD – Pra terminar com um clichê, você podia relatar os planos da Baggios em 2010.

Julico – Esse ano quero muito que a gente consiga circular mais que o ano passado, tocar nos Festivais Independetes por aí, fazer outras Turnês, lançar o disco no final do primeiro semestre, manter esse ritmo de banda, cheio de gás, e torcer pra que o disco venha do jeito que esperamos e que a gente consiga agradar a esses roqueiros exigentes!

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Banda sergipana faz turnê e grava clipe em São Paulo

Fonte: CINFORM ON LINE - Notícias / Local / Cultura e Variedades



Buscando projeção nacional, a banda sergipana The Baggios vai a São Paulo para gravar seu primeiro disco oficial na próxima terça, dia 16. O grupo irá realizar a turnê intitulada The Baggios Sampa Tour, passando pela capital paulista e mais cinco cidades do estado. Na passagem por São Paulo, a banda formada por apenas dois integrantes, Julio Andrade – guitarra e vocal – e Gabriel Carvalho – bateria -, ainda aproveitará a oportunidade para gravar o videoclipe da música Em outras, contando com participação de Rafael Costello, ex-Plástico Lunar e Rockassetes. Esta é a primeira vez que a banda faz uma turnê pelo Sudeste do país. Antes, o grupo The Baggios tocou em festivais pelo Nordeste no ano passado, a exemplo de Festival do Sol, em Natal, Festival Mundo, em João Pessoa, Festival Big Band, em Salvador, entre outros.

“As expectativas para esta turnê são as melhores possíveis, já que o público de lá é mais amplo para o tipo de som que nós tocamos. Acreditamos na possibilidade de surgirem convites para festivais e também para um selo musical”, afirma Julio Andrade, guitarrista e vocalista da banda. O CD oficial de The Baggios contará com 15 canções, dentre as quais 11 são inéditas e quatro são regravações de músicas lançadas na demo e no EP da banda.

O disco oficial apresentará músicas novas como Pare e repare e O azar me consome, esta última, segundo o vocalista e guitarrista Julio Andrade, poderá ser o título do álbum. Já a seleção entre as músicas da demo lançada em 2007 – sem nome – e o EP Hard Time, de 2009, foi feita por cerca de 250 fãs da banda que votaram em enquete na comunidade da banda, no site de relacionamentos Orkut. As músicas escolhidas pelo público foram Pegando punga, Aqui vou eu, Ó, cigana e Candango’s bar.

Três dos shows a serem realizados pela banda The Baggios foram marcados graças à ação da rede Fora do Eixo, formada desde 2005 por produtores culturais das regiões Centro-Oeste, Norte e Sul com o objetivo de estimular a circulação de bandas pelo chamado Circuito Fora do Eixo, que abarca as cidades de Cuiabá, Rio Branco, Uberlândia e Londrina. A rede Fora do Eixo encaixou o grupo The Baggios para tocar junto com a Turnê das Porcas Borboletas, banda de Uberlândia.

A banda irá passar pelas cidades de São Paulo, Vinhedo, São Carlos, Campinas, Bauru e Araraquara.

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Blues errante
por Adolfo Sá

Fonte: Viva La Brasa

“Para muitos ele era apenas um louco”, afirma o jornalista Diego Oliveira, co-diretor do documentário Baggio Sedado, que conta a vida de José Sinval dos Santos, o ‘Baggio’, um músico andarilho que perambulava nas ruas de São Cristóvão, cidade do interior de Sergipe, a 4ª mais antiga do país. Baggio andava rasgado, c/ amarrações nas pernas, brincos e pulseiras, contando histórias pelas esquinas c/ seu violão. “Para outros era a representação viva da manutenção de um espírito revolucionário na pacata cidade, um ‘punk’ interiorano, que apenas com sua resistência a ser comum contribuiu mais do que muitos artistas locais, um símbolo vivo para os garotos iniciantes no estranho mundo da cultura alternativa.”

Entre esses garotos estavam o baterista Elvis Boamorte e o guitarrista Júlio Andrade, o Júlio ‘Dodge’ ou simplesmente ‘Julico’. No esquema 1-é-pouco-2-é-bom-3-é-demais, eles se juntaram em 2004 e formaram o duo The Baggios. “A banda é uma continuação de um sonho não alcançado por um cara simples e com idéias bem próprias e livres de quaisquer padrões”, diz Julico. Com uma pegada blues/punk, começaram a fazer shows e compor músicas, e antes mesmo de completarem 20 anos gravaram o 1º EP, em 2007. Em 2008 Júlio dirigiu em parceria c/ Diego o curta sobre José Sinval, e ano passado, lançou o 2º EP da banda, Hard Times.

Venceu 3 categorias do Prêmio Prata da Casa e caiu na estrada em 2009: participou dos festivais Rock Sertão, no interior de Sergipe, BigBands na Bahia, Mundo na Paraíba, DoSol no Rio Grande do Norte, e Perro Loco, evento de cinema universitário em Goiás. Tocou 2X no Psicodália em Santa Catarina c/ a Plástico Lunar, onde também canta e toca guitarra, e participou de 2 coletâneas: Sergipe’s Finest, do selo Disco de Barro, e Um Dia Tudo Isso Vai Fazer Sentido, pelo Loaded E-zine.

Começou 2010 tocando no Projeto Verão [foto] na mesma noite de Seu Jorge e Marcelo D2, e desde o dia 15 de março está em São Paulo gravando o 1º CD da Baggios, ao lado do novo batera Rafael Carvalho, um moleque de 17 anos que quebra tudo na bateria. O álbum, cujo título provisório é O Azar Me Consome, terá 15 faixas, 11 delas inéditas e 4 regravações das canções Pegando Um Punga, Aqui Vou Eu, Oh Cigana e Candango’s Bar, escolhidas por 250 fãs e amigos da banda numa eleição no Orkut.

As gravações aconteceram semana passada, e agora Julico e seu parceiro estão em plena Sampa Tour: 6 shows na capital e nas cidades de Bauru, Campinas, Araraquara, Vinhedo e São Carlos. O guitarrista Rafael Costello, que Júlio substituiu na Plástico, aproveitará a passagem deles p/ dirigir um clip. “As expectativas p/ esta turnê são as melhores possíveis, já que o público de lá é mais amplo pro tipo de som que nós tocamos”, disse o jovem ‘Baggio’ antes de pegar a estrada: “Acreditamos na possibilidade de surgirem convites p/ festivais e também p/ um selo musical.”

José Sinval, o ‘Baggio’ original, ainda está vivo em São Cristóvão. “A loucura é tratada violentamente por nossa sociedade, reservando preconceito e isolamento p/ aqueles que não foram normatizados segundo as regras sociais estabelecidas”, comenta Diego Oliveira. Julico & Rafael, os novos ‘Baggios’, ainda têm muito chão pela frente, mas já colecionam algumas boas histórias pra contar, como o encontro c/ uma certa senhora de 80 anos e uma garota de 25 em Vitória da Conquista [BA]:

“Conversa vai, conversa vem, descobrimos que estávamos lidando c/ a filha e a mãe do grande cineasta GLAUBER ROCHA. Surreal. Eu ouvindo comentários da mãe dele, ‘ah Glauber era louco, colocou cada nome estranho nas filhas’... Mas também, Ava Patria Yndia Yracema Gaitan Rocha é realmente um nome comprido pra se dar a uma filha, mesmo assim não tiro a razão dele...”

Cada doido com sua mania.

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DOWNLOADS:
Ep Hard Times (2009)
http://www.easy-share.com/1908571764/the
Demo (2007)
http://www.easy-share.com/1908571736/the

Julio Andrade: Guitarra e voz
Gabriel Perninha: Bateria

Contatos:
juliododges@hotmail.com
(79) 8809-0974

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Youtube - www.youtube.com/thebaggios
Fotolog - www.fotolog.com/the_baggios
MySpace - www.myspace.com/baggios
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Agenda:

13/03 - Itabaiana (AAI - Projeto Cebolada)
17 a 19 - gravão do disco
20/03 - Clube Berlin (SP)
21.03 - vinhedo
22.03 - São Carlos ( Gravação de Programa de Rádio)
23.03 - são carlos
24.03 - campinas
25.03 - bauru
26.03 - araraquqara
27.03 - São Paulo