quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tributo a Bob Dylan

Bob Dylan é um lendário cantor folk norte americano que já lançou mais de 45 discos e conquista ainda hoje um público fiel e renovado. A admiração pela música de Dylan e pelo Rock em geral fez com que Fabinho (da banda Snooze), Melciades Filho ( Máquina Blues), Julio Andrade e Gabriel Perninha (ambos da The baggios) se reunissem para pagar esse tributo a um dos gênios da Música Folk. "The Jack Frost Project" e fará uma apresentação dividida entre as músicas elétricas e acústicas, não deixando de dar uma roupagem nova para as composições do cantor. O nome do projeto veio de um pseudônimo usado por Dylan para assinar a produção dos seus últimos discos.

A abertura fica por conta da banda "A Máquina" que fará um show tocando músicas da igualmente lendária Velvelt Underground.

Portanto é isso, para curiosos e adoradores da música caipira, folk, rock, blues afins, está feito o convite.

Dio: Os últimos dias



Geezer Buttler era muito mais do que amigo de DIO e sua família, eles eram como irmãos, tiveram uma história maravilhosa juntos ao longo de tantos anos, o eterno baixista do BLACK SABBATH acompanhou de perto toda luta e sofrimento que DIO e sua esposa Wendy enfrentaram na esperança de vencerem o avanço da doença que acabou vitimando o cantor, e desabafou ao mundo como foram os últimos dias de seu grande amigo até a despedida final.

Quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Eu e minha esposa Glória fomos convidados por Wendy para um almoço em Santa Barbara junto a alguns amigos mais próximos, Ronnie não tinha nenhum apetite, a doença e a quimioterapia estavam tendo um impacto imenso.

Como de costume falamos de esportes e demos algumas risadas juntos, no que seria a última vez.

Naquela noite recebi um e-mail lindo dele, um tesouro que guardarei para sempre".

Sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Wendy nos ligou para dizer que Dio estava a caminho do hospital, a dor havia se tornado insuportável, chegamos ao local duas horas depois e os médicos já o haviam sedado.

Nesse momento mais e mais amigos chegavam e nos dividíamos em turnos para segurar a mão de Ronnie e sussurrar nossos pensamentos.

Wendy não o largou um segundo sequer, abraçada a ele em seu leito durante toda noite.

Decidi enviar um mail para Tony e prepará-lo para uma péssima notícia."

Sábado, 15 de maio de 2010

"O quarto de Ronnie estava tranquilo, fora dele haviam entre 25 e 30 amigos, sabíamos que o fim era iminente e queríamos todos nos despedir, foi um dia cheio de lágrimas e reflexões.

À noite o capelão foi chamado e todos nos reunimos em torno da cama de Ronnie e oramos, Ronnie não partiria facilmente.

Pouco antes da meia noite a maioria de nós saiu decidindo deixar Wendy em privacidade para dar seu ultimo adeus, a devastação era visível".

Domingo, 16 de maio de 2010

"07:46, nos preparávamos para sair do hospital e fazer um lanche quando chamamos Wendy para ver se ela aceitaria um café e nesse momento recebemos a triste notícia, Ronnie tinha acabado de falecer.

Wendy foi uma santa, esteve com Ronnie em cada passo do caminho, sua coragem espantou a todos nós, cuidou para que Ronnie tivesse a melhor despedida possivel, Deus te abençoe Wendy.

É claro que a sua música viverá para sempre, assim como a sua influência. Eu nunca vi algo parecido com isso, muitas homenagens de tantos músicos e fãs, tantos bons desejos, sem cinismo, o amor puro, simplesmente a apreciação de um grande homem.

É impossível expressar em simples palavras a relação que Ronnie, eu, Wendy e minha esposa Gloria tínhamos. Ele era muito mais que um amigo, um colega músico e companheiro de banda. Se eu tenho uma alma, então ele é parte dela. Eu realmente acredito que Deus, a fé e o destino nos uniu novamente em 2006, depois de 14 anos sem nos vermos, para fazermos uma última turnê, que resultou em um álbum.

Estávamos nos divertindo juntos, curtindo a companhia um do outro mais do que nunca tinhamos feito antes, falando sobre fazer mais um álbum, quando o destino interveio novamente.

Deus te abençoe, Ronald - muito obrigado pelas lembranças maravilhosas".

Traduzido por Nino Lee

Metalhammer

terça-feira, 18 de maio de 2010

Musica Diablo



05/04/2009 - A super banda da música extrema formada por integrantes do Sepultura, Nitrominds, Ação Direta e Dead Fish.

Três amigos tocavam juntos em São Paulo, produzindo um metal extremo e ultrapesado, só para “relaxar” fora de seus compromissos oficiais, aqueles que pagam as contas no fim do mês. Depois de muito tocar e gravar várias músicas, perceberam a necessidade de ter um vocalista para dar o tom do metal esporrento que saía dos amplificadores. Decidiram, então, chamar o vocalista do… Sepultura!

A bem da verdade o trio não pode se encaixar exatamente no termo “desconhecido”. Trata-se do guitarrista André NM, no Nitrominds, do baterista Marcão, que toca no Dead Fish e no Ação Direta, e do baixista Ricardo Brigas, o penúltimo a entrar no Musica Diablo. O último, vocês já devem ter percebido, é Derrick Green, o negão rastafári de quase dois metros de altura que desde 1998 substitui Max Cavalera à frente do Sepultura. Juntos à cerca de um ano, já têm duas músicas postadas no MySpace.com: “Demo” e “The Flame Of Anger”.

Quando o guitarrista André escutou o álbum “Dante XXI”, do Sepultura, não teve dúvidas em chamar Derrick para completar a mais nova super banda do metal/hardcore mundial. Isso porque, se o vocalista é americano e roda o mundo com o Sepultura, o Nitrominds não fica atrás como um dos grupos brasileiros que mais excursionam pelo underground europeu. A prova de que o fenômeno se dá globalmente está no empresariamento de uma firma da Dinamarca, e de mais de dez logotipos de patrocinadores/apoiadores exibidos na página do grupo.

A base da música do quarteto é o thrash metal dos anos 80, além de “todo o metal que conseguirmos absorver”, como diz a descrição dentro do padrão do MySpace. “Crescemos nos anos 80 ouvindo metal desde os dez anos de idade e tocando metal desde a primeira vez que pegamos um instrumento nas mãos. Só poderia ser metal”, diz a apresentação, já em inglês. O resultado é o metal com certidão de nascimento registrada nos anos 80, mas crescido o bastante por ter incorporado elementos da música extrema contemporânea.

O texto diz ainda que o Musica Diablo começou sem a pretensão ter uma careira comercial, nem vender tanto quanto às respectivas bandas principais de cada um dos integrantes. Mas que logo a formação de projeto se mostrou forte e consolidada como banda. Em dezembro, o grupo apareceu numa mini-entrevista na MTV, e desde o mês passado, com a volta de Derrick de uma turnê européia com o Sepultura, está em estúdio finalizando 15 músicas para um possível álbum de estréia. Podem esperar que aí vem paulada na moleira.

Confira: www.myspace.com/musicadiablo

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12/02/2010 - Musica Diablo atualiza thrash metal - Banda formada por veteranos e que tem como vocalista Derrick Green, do Sepultura, lança disco de estreia e parte para turnê na Europa.

A história é mais ou menos conhecida: veteranos que tocam em bandas de hardcore decidiram se juntar para relembrar os velhos tempos da juventude, quando, coincidência ou não, curtiam o thrash metal dos anos 80. André NM (Nitrominds, guitarra), Ricardo Brigas (Siegrid Ingrid, baixo) e Marcão (Ação Direta, bateria) começaram a tocar como quem não queriam nada até surgir a idéia de chamar ninguém menos que Derrick Green, do Sepultura, para os vocais. E não é que ele topou? Aí a coisa ficou séria e logo apareceu gente interessada em colocar o Musica Diablo no mercado.

Tão séria que Marcão teve que sair – depois de ser chamado para o atuante Dead Fish –, deu lugar a Edu Nicolini (também do Nitrominds) e foi preciso agregar a experiência do guitarrista André Curci, do Threat, com passagem também pelo Korzus. Nenhum bobo, né? Com essa formação o grupo gravou o disco de estréia, “Música Diablo”, um apanhado de faixas matadoras que modernizam o thrash metal sem abandonar suas raízes. O disco, com produção de Rafael Ramos, sai este mês, aqui e na Europa, para onde o grupo se manda para a primeira turnê, com datas agendadas na Alemanha, República Tcheca, Áustria e Polônia, entre outros países.

O Rock em Geral acompanhou parte das gravações e viu de perto a construção de riffs e solos em várias músicas, em meio ao verão senegalês do Rio de Janeiro. Agora, depois de ter acesso ao disco finalizado, conversamos com André NM, por e-mail, sobre a construção e manutenção de uma banda dependente de outras para existir, ao menos por enquanto. Ele fala das músicas, da expectativa das turnês e de como é trabalhar com o vocalista de uma das maiores bandas do heavy metal mundial. Veja:

Rock em Geral: Fale como a banda foi montada e como o Derrick entrou:

André NM: Eu e o Marcão, do Ação Direta (hoje no Dead Fish) queríamos montar alguma coisa juntos. Ele tinha um bar, eu sempre estava por lá e numa dessas conversas decidimos começar a ensaiar no meio de semana. O Brigas estava no bar também, acabou entrando por “osmose”. Ficamos ensaiando um tempo até sentir a necessidade de colocar alguém para cantar. Precisávamos de um vocalista e eu basicamente liguei para o Derrick e disse: aqui é o André, do Nitrominds, estou com um projeto tocando metal e precisamos de um vocalista. Estava escutando o “Dante XXI”, do Sepultura, e acho que sua voz se encaixaria perfeitamente no som que fazemos. Ele me disse: “manda uma demo para eu escutar” e entrou na banda.

REG: Vocês assinaram com uma produtora na Europa, como isso aconteceu?

André NM: Depois da primeira demo e do primeiro MySpace, Tommy Morriello, da CBBM, um alemão que já havia morado no Brasil (hoje vive na Dinamarca), quando trabalhava no departamento artístico da EMI, me escreveu e começamos a conversar. Ele estava começando a produtora dele e queria trabalhar com a gente. Vi que tínhamos muitas coisas em comum e que ele tinha uma visão que poderia levar a banda a algum outro lugar. Fechamos com ele desde então. Ele tem no cast o Onslaught, Gama Bomb, Girl School e o Chain First.

REG: Como está o lançamento no Brasil?

André NM: Aqui está nas mãos do Silvio Golfetti (ex-Korzus), da Voice Music, Die Hard e Rock Brigade, e tem previsão de lançamento para dia 22 de maio, um pouco antes do que na Europa, que sairá pela Saol/CMM dia 28 de maio.

REG: Por que a opção de gravar o disco no Brasil?

André NM: Poderíamos ter feito o disco fora, mas tudo estava muito em cima da hora, gravadora necessitando do CD logo e resolvemos fazer por aqui mesmo. E ainda seria muito dispendioso se fizéssemos fora do Brasil.

REG: Por que a escolha de Rafael Ramos para a produção, já que ele não tem bandas de metal no currículo?

André NM: Eu conheço o Rafa desde que ele produziu o disco “Start Your Own Revolution”, do Nitrominds. Gosto do sistema de ele de trabalhar, de pegar no meu pé sem parar, uma coisa meio masoquista da minha parte. Eu sabia que ele não tem o background no metal, porém ele é um ótimo produtor e tem um estúdio a altura do que precisávamos. Ele tem bom gosto e é um “metaleiro” de carteirinha.

REG: O Musica Diablo ainda não fez nenhum show e já gravou um disco. Acredita que a banda vai funcionar em turnês?

André NM: Pois é, ainda não tocamos e já vamos sair em turnê pela Europa. Começamos como um projeto e agora somos uma banda de verdade. Sempre estivemos em função da agenda de todo mundo, agora não mais. Esse tempo todo foi ótimo, porque estruturamos a banda e tudo que ela precisa, como turnê, booking, management, merchandise, identidade visual e o disco propriamente dito. Somos músicos experientes, tocamos há muitos anos em outras bandas e as coisas foram saindo naturalmente.

REG: Tem sido difícil trabalhar com o Derrick, por conta dos compromissos dele com o Sepultura? E com os outros integrantes, que também tocam em outras bandas?

André NM: Isso tem sido um entrave, porém tudo é esquematizado muito antes de acontecer. O Sepultura tem uma grande turnê pra fazer, principalmente desde o ano passado, por causa do lançamento do CD (“A-Lex”, lançado no ano passado). Derrick tem ficado muito ocupado, estamos saindo em turnê agora porque o Sepultura tem um intervalo, para o Andreas (Kisser, guitarrista) sair em turnê com o Hail (outra banda do guitarrista, com músicos tarimbados do metal mundial). Mas eu sempre digo que “não faz é porque não quer”, sempre há um jeito quando se tem vontade. Ajeitamos as agendas de todos e vamos colocar essa banda na estrada.

REG: Embora tenha onze músicas, o disco não é muito longo. Isso mostra a urgência que vocês queriam dar às músicas?

André NM: O disco tem o tamanho que deveria ter. Onze músicas, ele acaba e você o coloca de novo para escutar. Gravamos 14 músicas, algumas dessas sairão em outras edições, como em vinil em um futuro próximo. Para ser um disco de estreia tem que ser assim, como um tapa na cara!

REG: O disco é todo bem acelerado, as músicas disponibilizadas no MySpace ficaram mais velozes no CD . Era uma premissa da banda? Vocês tocaram mais rápido no estúdio, na hora de gravar?

André NM: Musica Diablo é um mix de hardcore com metal, mais para thrash metal do que hardcore. Gostamos de tocar músicas rápidas, sem muitas frescuras, tocamos sempre assim, nos ensaios as músicas ficam até mais rápidas. O Edu senta a mão na batera!

REG: No Musica Diablo o Derrick usa vocais “mais limpos” em relação ao trabalho dele no Sepultura. Isso foi acertado entre vocês?

André NM: Na nossa banda Derrick é livre para fazer o que ele quiser, acho que nosso tipo de música pede naturalmente que ele brinque mais com a voz, e é isso que ele tem feito. Nada acertado, tudo acontece naturalmente na banda, sempre uma surpresa nova quando ele encaixa as letras nas músicas.

REG: O disco tem grande inspiração no thrash metal dos anos 80. Como vocês fizeram para atualizar esse tipo de som para 2010?

André NM: Boa pergunta! Não sei, acho que isso está no nosso sangue.

REG: Num paralelo com os anos 80, o Musica Diablo está mais para Slayer do que para Metallica? Quais bandas dessa época foram referência para a banda?

André NM: Basicamente Nuclear Assault, Slayer, Exodus, Metallica, Kreator, Dark Angel, Forbidden… Tudo que crescemos ouvindo e bastante hardcore, crossover como GBH, Discharge, DRI e tudo que é de bom dos anos 80. Cresci ouvindo essas bandas e tocando covers deles. O disco “Kill ‘Em All”, do Metallica, sempre foi minha inspiração na hora de fazer riffs.

REG: “Lifeless”, de outro lado, é a cara do Exodus. Fale sobre essa música:

André NM: Eu acho que ela tem um “que” de pura desgraça, com Dark Angel, Death, porque é a mais rápida do disco e tem um meio poderoso que lembra ás vezes o Forbidden.

REG: “In The Name Of Greed” é uma das melhores do disco, apesar de ser mais cadenciada e nem ter solo. Como surgiu esse riff poderoso?

André NM: Essa estava limada do disco, talvez por que não seja rápida. Mas o Derrick encaixou um puta vocal com uma ótima letra. Essa foi a nossa segunda música a ser feita, há dois anos. Confesso que estávamos meio de saco cheio dela, mas ficou ótima e concordo que ela é uma das melhores do disco.

REG: “Sweet Revenge”, escolhida para abrir o CD, pode ser considerada a música que melhor representa o som da banda?

André NM: Acho que sim, ela tem uns riffs super rápidos à Nuclear Assault, depois uma parte hardcore inglês no refrão com um meio cadenciado. É bem isso mesmo que é a banda.

REG: O clima tenso de “Underlord” tem semelhança com o metal contemporâneo europeu. Fale como essa música foi criada:

André NM: Essa nasceu em uma época que eu estava pensando em brincar mais com as notas, fazer dobras em 3# ou em 5#. Eu gravo tudo no meu computador e mando um mp3 tosco pra galera ouvir. No ensaio vamos encaixando as partes pertinentes da música. Estava ouvindo bastante uma banda chamada Light This City nessa época.

REG: Como tem sido a resposta ao lançamento do disco lá fora, em nível de mídia e convite pra shows? Há turnês agendadas?

André NM: Tem sido muito boa. Muita gente fica com o pé atrás por causa do Derrick ser do Sepultura, sempre tem aquele fã do Sepultura que mete a boca em qualquer coisa que seja diferente deles, mas tem muita gente gostando mais do Derrick no Musica Diablo. São duas bandas completamente diferentes, dois sons distintos, nada haver um com o outro. Tem um apelo muito bom, estamos indo agora para uma turnê promocional curta e já estamos com propostas de voltar em novembro em algo mais extenso. Aqui no Brasil vamos fazer a estreia da banda em setembro, no Porão do Rock, em Brasília.

REG: Você e o Edu tocam hardcore no Nitrominds há muitos anos. Por que agora partiram para o metal?

André NM: Eu e o Edu tínhamos bandas de metal aqui no ABC nos anos 80, nunca paramos de escutar metal. Ele tocava no Menace e eu no Guillotine, uma vez ele até tocou guitarra no Guillotine. A gente se conhece há mais de 20 anos, sempre tocamos em uma banda ou outra. Nitrominds é hardcore, mas também tem um pé no metal, coisa que não dá pra esconder. Não partimos para o metal, somos do metal desde criança. Punk/harcdore também é lindo, eu sou hardcore pra caralho. Punk é um filosofia de vida, eu cresci nessa atmosfera, nos anos 80, escutando Slayer e GBH ao mesmo tempo. Somos músicos podemos querer tocar qualquer estilo de música.

REG: Acredita que o Musica Diablo possa se tornar a banda principal do Derrick Green, no caso de uma reaproximação de Max Cavalera e Sepultura? Esse assunto é tratado na banda?

André NM: Eu gostaria muito que isso acontecesse. Hoje o Sepultura é o que paga as contas dele, e o Nitrominds paga as minhas. Essa história de reunião é um boato, acho que todo mundo queria ver o Max de volta, e eu também, seria do caralho ver um show desses, mas isso infelizmente nunca irá acontecer. Eu não falo isso por causa de uma visão de ter o Derrick focado apenas no Musica Diablo, mas porque acho o Sepultura umas das melhores bandas do mundo, que colocou o Brasil no mapa. A gente nem fala nisso na banda. O Derrick, pra gente, é o nosso vocalista e não o cara do Sepultura. Nosso amigo de dois metros de altura. Ele é talentoso e gente fina pra caralho, veste a camisa da banda. É isso que está em pauta pra gente, se ele fosse um mané ou só um famosinho qualquer, estaria fora.

por Marcos Bragatto

Rock Em Geral

Ska em Aracaju

O programa de rock sempre valorizou a diversidade, por isso saúda o surgimento daquela que é, provavelmente, a primeira banda do estado a se dedicar ao ska*, ritmo jamaicano eminentemente festivo que deu origem ao reggae e que há tempos flerta com o rock e, especialmente, o punk rock. A Friendship na verdade não é uma banda nova, existe desde 2001, porém só recentemente começaram a encarar a brincadeira de forma mais, digamos, profissional (“séria” não seria uma palavra adequada, porque os caras são muito escrachados). Na última sexta-feira eles lançaram seu mais novo EP, “get out of my wave”, no Espaço cultiva, com as presenças dos sergipanos da Rótulo e do The Renegades of punk e um convidado especial, a dad fucked and the mad skunks, outra banda de ska, só que de Maceió.

Cheguei tarde “pero no mucho”, perdi apenas o Renegades, que verei em outra ocasião em breve, assim espero, e por um bom tempo. Vi pela primeira vez um show da Rótulo, banda de Hardcore local que segue a linha do Dead Fish, Garage Fuzz e demais “medalhões” do gênero. Boa banda, com um bom trabalho de guitarras, belas melodias e uma pegada firme na cozinha. O vocalista é bem “empolgado”, parece acreditar mesmo no que fala em suas letras, o que é bem importante para o tipo de som que fazem. Fala bastante entre uma musica e outra, muitas vezes com um discurso um tanto quanto ingênuo, mas é sempre bom saber que ainda existe quem acredite em utopias – no final das contas, são essas pessoas que impulsionam o mundo para frente. Como dizia Chaplin, “sejamos realistas, exijamos o impossível”. Ou “não sabia que era impossível, foi lá e fez”, assim falou Jean Cocteau (não sei se foi ele mesmo, pesquisei agora mesmo na net, mas que é uma puta frase, é). A Rótulo parece seguir esses sábios conselhos, a julgar pela extensa turnê que acabam de fazer pelo nordeste.

A banda de Maceió veio a seguir. Fazem um som com influência do HC californiano, mas com uma ênfase maior no ska. Gosto disso. Gosto MUITO de ska, pra mim é o tipo de música ideal para festa, e o show deles não deixou de ser isso mesmo, uma festa. Os poucos “rude boys” presentes (uns 2 ou 3 trajados a rigor) pareciam se divertir bastante, especialmente em covers de clássicos como “A Message for you Rudy” do Specials e “Take on me” do A-ha, que ficou perfeita em ritmo de ska. Ainda estão meio verdes, carecem de um melhor entrosamento no palco, mas foi um show ok.

Entrosamento, atualmente, é o que não falta para a Friendship. Os caras evoluíram muito (na verdade nem lembro mais quando foi a última vez que vi um show deles, muito provavelmente justamente porque não me chamou muito a atenção) e estão mandando muito bem num skacore na medida certa entre peso, distorção e suingue. E são uns “fuleiros”, no bom sentido da palavra (é, existe bom sentido pra isso, sim), me agradecendo toda hora no microfone por ter tocado o som deles no rádio – porra velho, faz isso não, eu sou tímido, hehehe. Não têm nada o que agradecer. Todas as faixas do EP deles têm potencial para ser hit e, pelo menos no programa de rock, elas serão. Não fiquei até o final porque estava cansado, era sexta-feira e eu tinha saído do trabalho pro programa (que não é trabalho) e de lá quase que diretamente para o show, então precisava dormir. Mas gostei muito do que vi, e espero que a Friendship seja mais lembrada pelos que produzem shows por aqui, para que tenhamos mais oportunidades de participar dessa verdadeira farra ao vivo.

Foi uma noite bacana, e diferente. A cena sergipana tem crescido em tamanho e qualidade, mas ainda é um tanto quanto restrita a alguns gêneros, precisaria ganhar também em diversidade. Nunca houve, por exemplo, uma banda rockabilly (ou psychobilly) por aqui, o que é uma pena. Nem é tanto um problema específico de Aracaju, mas da cena nordestina em geral. Fico na torcida para que isso mude, e dando minha modesta contribuição para a mudança, tocando de tudo (ou quase) no programa de rock.

A.

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(Wikipedia): *Ska é um gênero musical que teve sua origem na Jamaica no final da década de 50, combinando elementos caribenhos como o mento e o calipso e estadunidenses como o jazz, jump blues e rhythm and blues. Foi o precursor do rocksteady e do reggae. Suas letras trazem sinais de insatisfação, abordando temas como marginalidade, discriminação, vida dura da classe trabalhadora e, acima de tudo, diversão em harmonia.

As origens do ska remontam o final dos anos 50 quando, após a Segunda Guerra Mundial, os jamaicanos compraram começaram a ouvir amis e mais rádio. Os produtores mais importantes da Jamaica, Duke Reid e Clement "Coxsone" Dodd, viajavam assiduamente aos Estados Unidos em busca de novos discos gravados por lá. Entre os dois existia uma feroz concorrência, já que ambos eram donos de sound systems, que eram caminhões equipados com microfones e alto-falantes, usados para fazer festas na rua. A rivalidade chegou ao ponto de um mandar sabotadores (dancehall crashers) à festa que o outro organizava.

Esse sistema de som criado por Duke Reid, Clement Dodd e Prince Buster foi feito para atender à demanda da música americana. Artistas de R&B bastante ouvidos nos anos de 1950 eram Fats Domino (rock'n'roll) e Louis Jordan (jump blues, rock'n'roll), entre outros. Foi o jump blues a primeira explosão comercial do R&B nos anos de 1940 através de Louis Jordan, antes ainda do rótulo rhythm and blues (R&B) ser criado por Jerry Wexler em 1948. O jump blues é conhecido como o antigo rock'n'roll, e os elementos de jazz presentes no ska se devem também à ele, já que o estilo era uma fusão de blues, boogie woogie e big band do swing (uma forte variante do jazz).

Quando o R&B e jump blues sairam de moda nos Estados Unidos, houve uma importação massiva de discos para a Jamaica, obrigando os produtores locais a buscar uma solução, já que as bolachas que eles traziam deixaram de ser "raridade". A solução do problema foi produzir suas próprias gravações com músicos locais, ou seja, versões próprias do R&B.

Essas versões podem ser consideradas as primeiras formas do ska. A peculiaridade do estilo se deve também à fusão entre os estilos americanos e os estilos caribenhos, como o mento da Jamaica e o calipso de Trinidad & Tobago. As primeiras gravações de ska podem ser encontradas em "Boogie in My Bones" (1958), "Drinkin' Whiskey" (1959), "Boogie Rock" (1960), "Aitken's Boogie" (1960) de Laurel Aitken, e em "Oh Carolina" (1960) de Folkes Brothers, um grupo de mento. A canção "Oh Carolina" foi produzida por Prince Buster. Outra gravação pioneira foi "Please Don't Let Me Go" (1959) de Owen Gray. Nesse período Derrick Morgan e Duke Reid gravaram canções como "Lover Boy" e "Oh My". Prince Buster em 1962 lançou a "They Got To Come".

Há várias versões de como inventou-se o ska. A mais conhecida é a que tem Cecil Campbell (Prince Buster) como protagonista e conta que ele pediu ao seu amigo Jah Jerry (que mais tarde tocaria nos The Skatalites) que compassasse o ritmo do R&B, fato que deu como resultado o famoso som de guitarra que todos conhecemos. O autor da palavra ska foi o baixista Cluet Jonhson, que saudava todos os seus amigos dizendo "Hey Skavoovee". Além disso, a pronúncia da palavra assemelha-se ao ritmo da guitarra.

Outra que é uma das primeiras canções de ska gravada foi "Easy Snappin", do pianista Theophilus Beckford, em 1959, ano correspondente à primeira tiragem produzida por Coxsone no Federal Studios. A banda que acompanhou o pianista era formada, entre outros, pelo já mencionado Cluet Jonhson e Roland Alphonso, que depois faria parte dos Skatalites. O maior sucesso de toda a história do ska foi "My Boy Lollipop", de Millie Small, adaptada ao estilo por Ernest Ranglin. A versão era cantada por Barbye Gaye e vendeu 7 milhões de cópias ao redor do mundo, possibilitando ao ska espalhar-se por vários países.

O Skatalites foi uma das primeiras bandas do gênero. Foi formada oficialmente em 1964, fazendo sua primeira apresentação em um festival no Hit-Hat Club. Após o festival, a banda gravou seu primeiro álbum, “Ska Authentic”, e começou a viajar pelo país fazendo shows acompanhando diferentes cantores, dentre os quais Jackie Opel, Lord Tanamo e Laurel Aitken.

Depois do sucesso da cantora Millie Small com "My Boy Lollipop", realizou-se um festival para a televisão estadounidense intitulado This is Ska, onde tocaram ao vivo os Maytals, Jimmy Cliff, Monty Morris, entre outros. A banda acompanhante era Byron Lee & The Dragonaires, não porque tocava melhor que os Skatalites, mas porque estes últimos eram rastafaris e sua aparência não era desejada para o público americano. Em 1964, os Skatalities conseguem por no top ten britânico a música "Man in the Street".

Além dos Skatalites, dentro e fora da Jamaica, também destacavam-se:

Owen Gray, pioneiro a gravar um álbum de ska, "Owen Gray Sings (1961)". Seu primeiro compacto simples, “Please Don't Let Me Go” (1959), foi uma das primeiras canções gravadas do gênero. Também foi o primeiro a gravar um disco de ska na Inglaterra, “Darling Patrícia”, acompanhado por Carlos Malcom and his Afro-Jamaican Rhytms.

Derrick Morgan, conhecido em sua época por suas loucuras, escreveu uma canção, "Foward March", na qual descrevia o otimismo geral da Jamaica ao haver obtido a independência em 1962. No ápice de sua carreira manteve uma guerra midiática com Prince Buster, já que este gravou uma música insultando-o. Derrick respondeu-lhe e assim seguiram com uma sequência de canções um contra o outro. Na verdade, os dois eram muito amigos e tudo havia sido uma estupenda campanha publicitária, que terminou com um festival onde cantaram os dois diante de uma multidão descontrolada.

Laurel Aitken, nascido em Cuba, emigrou com sua família para a Jamaica quando ainda não havia completado doze anos. Sua carreira começou no fim dos anos 50 e seu repertório ia desde o boogie até o calipso, passando pelo R&B. No início dos anos 60 foi apelidado de The Godfather of Ska (o padrinho do ska) já que o single "Litle Sheila"/"Boogie in my Bones" foi o primeiro sucesso do gênero a se manter no primeiro lugar das paradas por onze semanas. Mudou-se para a Inglaterra, onde fundou a comunidade jamaicana em Brixton. São destacáveis seus trabalhos na época do rocksteady e posteriormente do skinhead reggae, depois deste desaparecer por um tempo. Laurel faleceu em 2005, de enfarto.

Prince Buster trabalhava na soundsystem de Coxsone e abandonou-a para montar a sua própria, que se chamou The Voice of the People. Tinha os melhores sons, mas nunca conseguiu superar a concorrência de Duke Reid. Mais tarde passou a trabalhar numa estação de rádio chamada RJR e lançou-se como produtor e posteriormente como cantor. As letras de suas músicas refletem o modo de ver a vida pelos olhos de um “rude boy”.

The Wailling Wailers, formado por Peter Tosh, Bunny Wailer e Bob Marley, gravaram seu primeiro single em 1962, com o título "Judge Not". Isto graças a Jimmy Cliff, amigo de Bob Marley, que o apresentou a Leslie Kong, um dos produtores mais importantes da Jamaica. A música com a qual eles chegaram à fama foi "Simmer Down", onde a banda acompanhante era The Skatalites.

Ska no Brasil: Os primeiros passos do ska no Brasil remontam à época da Jovem Guarda, com a releitura de sucessos jamaicanos por nomes como Renato e seus Blue Caps e Wanderléia. Contudo, poucos se davam conta do que aquilo se tratava.

Nos anos 80, o ritmo começa a ter uma maior divulgação - principalmente graças aos Paralamas do Sucesso, que sempre apostaram muito no ritmo, em especial nos álbuns Selvagem? e O Passo do Lui. Entre as bandas de rock nacional que faziam sucesso na época surgiu o Kongo, que realmente podia se proclamar uma banda de ska. O grupo teve CD produzido por Bi Ribeiro, baixista do Paralamas, e "Biquíni Defunto" chegou a ter boa execução na rádio, mas a banda não conseguiu construir uma carreira realmente de sucesso, perdeu visibilidade e passou por longos períodos de recesso, apesar de ainda continuar na ativa.

Apenas no fim dos anos 90 surgiu uma leva de bandas nacionais que conseguiu algum espaço. A Paradoxx lançou a coletânea Ska Brasil, com nomes como Skamoondongos e Mr. Rude. O Skuba teve dois CDs lançados e chegou a conseguir boa execução de suas músicas nas rádios e na MTV. Também os cariocas Los Djangos lançaram CD pela WEA e, assim como o Kongo, foram produzidos por um integrante dos Paralamas, o baterista João Barone.

Porém, esta nova onda do ska não conseguiu seguir adiante. O Skuba acabou, o Djangos passaram um tempo parado antes de retornar fazendo um som com outras influências e nenhuma outra banda conseguiu ir em frente com sucesso. Atualmente, novas bandas de ska continuam procurando espaço no underground em todo o Brasil, em sua maioria influenciadas por bandas do ritmo mais tradicional e suas variantes mais próximas, como o King´s Tone (Curitiba), e da terceira onda do ska internacional. Entre elas, podem-se citar Móveis Coloniais de Acaju, E a Vaca foi pro Brejo, Bois de Gerião, Coquetel Acapulco, La Bamba, Maleducados, Firebug, Sapo Banjo, Skambo, Lucky Ska Walker, El Cabong, Walligator, Caravana2k, Zé Oito e Radio Ska, Aniska, Satélites na Babilônia, entre outras.

Apesar do ska não ter se consolidado como um ritmo conhecido no país - a bem da verdade, a maioria das pessoas simplesmente não sabe do que se trata - boa parte das bandas de pop rock nacional de sucesso têm algum ska entre seus hits. Paralamas do Sucesso, Skank, Ultraje a Rigor, Titãs, Kid Abelha, Los Hermanos, Capital Inicial, Charlie Brown Jr. - todas já passearam pelo estilo em algum momento. Até mesmo o Legião Urbana gravou um ska ("Depois do Começo", do álbum Que país é Esse?). O primeiro álbum dos Engenheiros do Hawaii, Longe Demais das Capitais de 1986, também lembra muito o ska. No punk rock, bandas como o Inocentes, foram das primeiras a tocar ska no brasil ("Não Acordem a Cidade" de 1981, que foi gravada no álbum Pânico em SP de 1986).

O chamado “Ska punk”, aliás, é um gênero musical de fusão que combine o ska com o punk rock, e faz parte da terceira onda do ska. Suas características podem variar devido ao contraste entre os dois estilos. Bandas mais voltadas ao punk geralmente apresentam tempo mais rápido, distorção de guitarra, interlúdios do punk, vocal anasalado e/ou gritado. Por outro lado, estilos mais voltados ao ska geralmente apresentam uma instrumentação mais técnica e um vocal mais limpo. A instrumentação básica inclui guitarra, baixo, bateria, saxofone, trombone, trompete e órgão.

O ska e o punk rock foram combinados pela primeira vez durante o movimento Two tone no final da década de 1970 com bandas como The Specials, The Selecter e The Beat. A fusão dos gêneros cresceu na década seguinte durante a terceira onda ska e atingiu o auge de sua popularidade no final da década de 1990, nos Estados Unidos, tendo com uma das principais bandas o Sublime, que por sua vez foi bastante influenciado pelo Voodoo Glow Skulls. Na Europa os espanhóis do Ska-P, apesar de cantar somente em sua língua natal, atingiu grandes audiências na França, Alemanha e Itália.

Várias bandas de ska punk atingiram sucesso comercial. The Mighty Mighty Bosstones apareceram no filme Clueless, e seu álbum Let's Face It (1997) alcançou o disco de platina. Save Ferris apareceu no filme 10 Things I Hate About You. O sucesso avançou pela primeira década dos anos 2000 para bandas como No Doubt (ganhadora de Grammy) e Less Than Jake.

30 Anos Hoje

Ian Curtis ganha homenagem aos 30 anos de sua morte em sua cidade natal

18/05/2010 - 08h28
da Folha Online

Morto há exatos 30 anos, o líder do Joy Division, Ian Curtis, ganhou homenagens de seus fãs hoje em sua cidade natal, Macclesfield, na Inglaterra.

Guias turísticos estão levando os fãs para conhecer a cidade de Cheshire, à casa onde o vocalista nasceu, os bares e clubes que ele frequentava e nos quais se apresentou com a banda.

Também haverá uma exposição em Macclesfield a partir do dia 10 de julho, intitulada "Unknown Pleasures", que remete ao nome do primeiro álbum do Joy Division, que terá fotos, documentos, objetos e raridades do cantor.

Peter Hook, antigo companheiro de banda de Curtis, também vai apresentar o álbum "Unknown Pleasures" na Factory Records nesta noite. O músico vem fazendo turnê com este álbum desde o último mês.

Ian Curtis se suicidou na cozinha de sua casa em Macclesfield no dia 18 de maio de 1980, aos 23 anos.





Plástico Lunar em Salvador

Direto da vizinha Aracaju, a banda Plástico Lunar volta a Salvador para mais uma apresentação, oferecendo outra chance para conhecer um dos grupos mais interessantes da cena rock nordestina da atualidade. Dessa vez, o show acontece na quinta-feira, na Boomerangue, ao lado da banda Vendo 147.

Com influências que passam por Beatles, Mutantes, Kinks, blues, progressivo e psicodelia, flertando diretamente com os sons dos anos 1960 e 1970, a Plástico Lunar mostra como é possível olhar para o passado sem soar antiquada. Com uma sequência de seis shows que inclui participação nos festivais Bananada, em Goiânia, e Maionese, em Maceió, a Plástico Lunar vem à capital baiana divulgar o disco Coleção de Viagens Espaciais, lançado no ano passado. Apesar de estar há quase dez anos na estrada, este é o primeiro álbum do grupo, que começou a ser gravado em 2005 e só quatro anos mais tarde foi lançado pelo veterano selo paulista Baratos Afins, especializado em rock com naftalina.

Teclados e psicodelia - Desde o primeiro EP, The Plastic Rock Explosion, de 2003, a Plástico Lunar já chamava atenção pela competência em reproduzir e atualizar uma sonoridade do bom e velho rock´n´roll. Trilhando este caminho – um período que muitos consideram o auge do gênero –, a banda sergipana segue apostando e buscando crescer no restrito mercado de rock do Brasil.

Formada pelos músicos Daniel Torres (guitarra e voz), Plástico Jr. (baixo e voz), Julio Dodges (guitarra e voz), Leo Airplane (teclados e voz) e Marcos Odara (bateria e voz), a Plástico Lunar faz um som lisérgico, com forte presença de teclados vintages, riffs e solos inspirados, altas doses de psicodelia, algumas de hard rock e blues rock.

A banda sergipana fez uma escolha que, se não é popular no País, tornou-se quase uma tradição no rock brasileiro. Vem desde grupos como Casa das Máquinas e O Som Nosso de Cada Dia, referências assumidas da Plástico Lunar, que produziam um interessante rock progressivo, captando o que era feito lá fora e, em seguida, dando um sotaque brasileiro.

Lisergia - As influências da banda sergipana, no entanto, vão além do progressivo, seguindo muito mais a sonoridade do rock lisérgico e psicodélico, também produzido naquele período por nomes como Pink Floyd, Beatles pós-Sgt. Pepper´s e os brasileiros Os Mutantes. Caminho parecido com o que bandas como a gaúcha Júpiter Maçã e a alagoana Mopho vêm fazendo há um bom tempo.

Completam as influências absorvidas pela banda a música negra norte-americana, em especial o blues e sua mistura com o rock de grupos como Allman Brothers e o inglês Cream. Todo um caldo de ótimas referências que dá pistas claras do que é produzido pela Plástico Lunar, que consegue atualizar isso tudo para os dias de hoje, como se o tempo nem tivesse passado.

por Luciano Matos

el cabomg











segunda-feira, 17 de maio de 2010

There´s a raimbow in the dark ...



( Whiplash ) : Wendy Dio, esposa e manager de Ronnie James Dio (DIO, HEAVEN & HELL, Black Sabbath, RAINBOW), enviou o seguinte comunicado ao BLABBERMOUTH. NET.

Hoje meu coração se despedaçou, Ronnie faleceu às 7:45 da manhã de hoje, domingo, 16 de maio de 2010. Muitos, muitos amigos e familiares puderam estar presente para se despedir antes que ele partisse. Ronnie sabia o quanto todos o amavam. Agradecemos o amor e apoio que vocês nos deram.

Por favor, nos dêem alguns dias de privacidade para lidarmos com esta terrível perda.

Por favor, saibam que ele amava a todos e sua música viverá para sempre.

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( Wikipedia ) : Ronnie James Dio, nome artístico de Ronald James Padavona (Portsmouth, 10 de julho de 1942 — Houston, 16 de maio de 2010) foi um vocalista de heavy metal. Ficou famoso por cantar em bandas como Rainbow e Black Sabbath.

Ronald adotou o sobrenome "Dio" em homenagem a um mafioso italiano, Johhny Dio. Ainda na escola, formou com colegas a banda Vegas Kings que, após mudar de nome várias vezes (sendo chamada de Ronnie and the Rumbles, Ronnie and the Redcaps, Ronnie Dio and the Prophets, The Eletric Elves e The Elves), finalmente tornou-se conhecida como ELF.

Em meados dos anos 70 foi chamado para cantar no Rainbow de Ritchie Blackmore (ex-Deep Purple), onde gravou quatro álbuns. Após deixar o Rainbow, foi convidado pelo guitarrista Tony Iommi para ocupar o posto de vocalista no Black Sabbath, permanecendo com a banda até 1983.

No mesmo ano, lança um álbum solo, Holy Diver. Nele estão Vinny Appice, que também tinha saído do Sabbath e acompanhou Dio, seu antigo companheiro de Rainbow Jimmy Bain e o guitarrista Vivian Campbell (atual Def Leppard). Holy Diver foi muito bem aceito e deixou clássicos como a faixa-título, "Stand Up and Shout", "Don’t Talk to Strangers" e a mais famosa "Rainbow in the Dark".

Embalado com o sucesso, Dio solta mais um álbum em 1984 chamado The Last in Line. Também muito bem aceito pelo público e pela crítica, trazia a mesma fórmula de Holy Diver. Foi este álbum que levou a banda a uma enorme turnê mundial seguida do seu primeiro vídeo oficial. Os músicos são os mesmos do trabalho anterior, com adição do tecladista Claude Schenell.

Em 1985 lança Sacred Heart, cuja turnê rendeu um vídeo ao vivo, Sacred Heart Live.

Em 1986 sai um EP ao vivo chamado Intermission com seis músicas. Destacam-se "King of Rock and Roll", "We Rock" e "Rainbow in the Dark", além de uma faixa inédita de estúdio, "Time To Burn", apresentando o novo guitarrista Craig Goldie, que substituiu Vivian Campbell durante a turnê de Sacred Heart.

Em 1987 é lançado Dream Evil, e Dio só volta a aparecer em 1990 com Lock up the Wolves. A formação da banda é totalmente diferente das passadas. Os músicos são Rowan Robertson (guitarra), Simon Wright (bateria), Teddy Cook (baixo) e Jens Johansson (teclados).

Em 1992 Dio volta ao Black Sabbath e grava mais um álbum chamado Dehumanizer. Neste mesmo ano sai uma coletânea intitulada Diamonds The Best Of com vários clássicos da banda Dio.

No ano seguinte, lança Strange Highways, seguindo a mesma linha de Dehumanizer. Em 1996 sai Angry Machines, com uma banda composta por Tracy G (guitarra), Jeff Pilson (baixo) e Vinny Appice (bateria).

Vieram ao Brasil para tocar junto com Bruce Dickinson, Jason Bonham Band e Scorpions no final de 1997. Neste mesmo ano saiu uma coletânea chamada Anthology. Em 1998 sai um CD duplo ao vivo chamado Dio’s Inferno - The Last in Live, que traz clássicos como, "Holy Diver", "Don’t Talk to Strangers", "The Last in Line", e "The Mob Rules" (homônima do disco do Black Sabbath), "Mistreated" (do Deep Purple) e "Catch the Rainbow" (do Rainbow) entre outras. Algo relativo à volta do Rainbow havia sido mencionado mas com a morte do baterista Cozy Powell, a notícia permaneceu apenas como boato.

Em 2000 lança Magica, um álbum conceitual que traz de volta o estilo clássico de Dio de compor, com letras sobre magia, dragões e bruxas. Sua banda contou com a volta do magnífico Craig Goldie (guitarra), o seu fiel escudeiro Jimmy Bain (baixo), Simon Wright (bateria) e Scott Waren (teclados). No final de 2001 Goldy decide deixar a banda alegando problemas familiares e para seu lugar é recrutado o guitarrista Doug Aldrich. Com novo line up, Dio entra em estúdio e em 2002 sai Killing the Dragon, que procurou repetir a mesma formula do anterior porém com um pouco mais de rapidez e peso.

Em 2003 é lançado seu primeiro DVD oficial, Evil Or Divine e, em 2004, o último trabalho de estúdio, Master Of The Moon, que contou com o seguinte line-up: Ronnie James Dio no vocal, Craig Goldy na guitarra, Jeff Pilson no baixo, Simon Wright na bateria e Scott Warren nos teclados - no entanto, quem ocupou o posto de baixista na turnê foi Rudy Sarzo.

Em 15 de julho de 2006 Dio voltou ao Brasil, desta vez trazendo a tour Holy Diver Live em comemoração aos 23 anos de lançamento de seu clássico primeiro álbum solo.

Em 2007 reuniu-se com os antigos companheiros de Black Sabbath, Tony Iommi, Geezer Butler e Vinny Appice, para excursionarem na promoção do álbum Black Sabbath - The Dio Years. Neste álbum estão grandes clássicos como "Neon Knights", "Die Young", "Falling Off The Edge Of The World", "The Mob Rules" e três músicas novas compostas especialmente para este disco: "The Devil Cried", "Ear in the Wall" e "Shadow of the Wind". Para promover a coletânea, os quatro se reuniram sob o nome Heaven and Hell para uma turnê mundial de um ano. Um dos shows em Nova Iorque é gravado e lançado sob o nome de Live From Radio City Music Hall, dando uma "geral" em toda a discografia de Dio com o Black Sabbath. Em 2008, é lançado um box set com toda a discografia do vocalista à frente do Black Sabbath, chamado The Rules Of Hell, e os músicos anunciam que entrariam em estúdio para gravar um novo álbum. Batizado "The Devil You Know", foi lançado em abril de 2009.

Em 25 de novembro de 2009, Wendy, sua esposa e empresária, anunciou que ele havia sido diagnosticado com câncer de estômago:

"Ronnie foi diagnosticado num estágio inicial de câncer de estômago. Estamos iniciando o tratamento imediatamente na Mayo Clinic. Após Ronnie matar este dragão, ele estará de volta aos palcos, aos quais ele pertence, fazendo o que ele mais ama, cantando para os seus fãs. Vida longa ao rock and roll, vida longa a Ronnie James Dio. Obrigada a todos os amigos e fãs de todas as partes do mundo que enviaram mensagens de boas melhoras. Isto realmente tem nos ajudado a manter nosso espírito forte."
—Wendy

Em março de 2010, Wendy publicou uma atualização online sobre sua condição:

"Ronnie fez sua sétima sessão de quimioterapia, outra tomografia computadorizada e outra endoscopia, e os resultados são bons — o tumor principal tem encolhido consideravelmente, e nossas visitas à clínica em Houston são agora a cada 3 semanas, e não mais a cada 2 semanas."
—Wendy

Em 4 de maio de 2010, o Heaven and Hell anunciou que eles estavam cancelando todas as apresentações que ocorreriam no verão por causa da condição de saúde de Dio.

Dio morreu às 7:45 da manhã (horário local) de 16 de maio de 2010, de acordo com as fontes oficiais.

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Ronnie James Dio, O Deus ridículo do rock

O americano Ronald James Padavona, mama mia, gravou seu primeiro compacto em 1958. Durante dezessete anos todas suas bandas foram um fracasso. Ele não desistiu. Nem se achou.

Em 1975 finalmente a sorte piscou: Ronnie, já Ronnie James Dio, caiu nas graças de um guitarrista talentoso e sorumbático, Ritchie Blackmore, que estava cheio de sua banda, o Deep Purple. Blackmore começou outra banda, Rainbow, e chamou Dio para ser o cantor.

Mas foi só quatro anos depois, aos 38 anos, que Ronnie encontraria sua verdadeira vocação: bardo do sobrenatural. Não era vocação. Foi uma oportunidade de mercado. Que apareceu quando ele entrou para o Black Sabbath, clássica formação do metal britânico que levou do satanismo para o rock e, bem, criou o principal veio do Heavy Metal.

Dentro ou fora do Sabbath, Dio passou a protagonizar operetas tronitruantes, o que ele fez até ontem, quando morreu aos 67 anos.

É esquisitíssimo escrever isso. Tem sentido um roqueiro de 67 anos? Agora tem. Muitos morreram jovens - há quem diga que os melhores; só digo que eles não tiveram tempo de pisar na bola. Mas muitos estão por aí, em estados variados de saúde ou putrefação.

Agora, tem sentido um roqueiro de 67 anos que canta sobre o eterno combate entre o bem e o mal, em canções repletas de dragões assustadores, cavernas assombradas, magos impolutos etc.? Hm, bem, não.

Esse mundo de fantasia pseudocelta estilo Senhor dos Anéis/RPG/Harry Potter é coisa de pré-adolescente. Que muita gente carrega no coração pelo resto da vida, com carinho. Por que não? Quem sou eu para falar dos outros, se leio gibi de super-herói até hoje?

Mas Batman terá para sempre trinta e poucos anos, e seus intérpretes no cinema, idem. Em algumas décadas teremos uma nova versão holográfica, perfumada e introjetada diretamente nos nossos cerebelos de O Senhor dos Anéis, com novos - e jovens! - atores interpretando Frodo e cia (ou, quem sabe, nem existirão mais atores e teremos intérpretes 100% virtuais; depois de Avatar, não é de duvidar).

Ronnie, ao contrário, sempre parece com o Gollum. Mas envelheceu mal - foi ficando careca, encarquilhado e sempre cantando sobre satanás e seus asseclas. É muito fácil ver o quão ridículo Dio era.

Mas, valente, ele nunca temeu o ridículo. Excursionando novamente com os parceiros do Black Sabbath sob o novo nome de Heaven and Hell, parecia compreender que é possível ser um ogro patético para uns e ícone da integridade para outros.

Vi o Sabbath com Dio muitos anos atrás. Foi horrível. Minha banda era outra, anterior, o Sabbath de Changes e Paranoid, com Ozzy Osbourne antes dele ser “Ozzy Osbourne”, clichê de roqueiro velho, rico e bêbado.

Dio estrela minha coleção de discos em outra fase, quando sua cor ainda não era o negro, mas os blues. Ronnie James Dio, décadas de fracasso, feio como a necessidade, exato exemplo do que é mas ridículo no rock, sabia o que era ser mal-tratado.

por André Forastieri
do Blog

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O Heavy Metal está de luto. O vocalista Ronnie James Dio (Ronald James Padavona) morreu na manhã deste domingo (16 de maio), aos 67 anos, após perder a luta contra um câncer estomacal.

A morte de Dio, que ficou mundialmente famoso por cantar em bandas como ELF, Rainbow, Black Sabbath e Heaven & Hell, foi confirmada por sua esposa e empresária, Wendy Dio. "Hoje meu coração está partido, Ronnie morreu às 7h45. Muitos amigos e familiares puderam dizer adeus antes dele morrer pacificamente", postou Wendy no site oficial de Dio (ronniejamesdio.com).

No mesmo comunicado, a esposa de Dio diz que ele sabia o tanto que todos o amavam e agradece o apoio desde que o vocalista soube da doença, em novembro de 2009. "Por favor nos deem alguns dias de privacidade para lidarmos com essa terrível perda. Por favor saibam que ele os amava e sua música vai viver para sempre", finalizou Wendy Dio.

MINHA CONEXÃO COM DIO - Quando peguei aquela nova edição do fanzine do fã-clube de Heavy Metal Rock Brigade, em meados de 1984, pensei: "Que legal, o Dio ficou entre os primeiros na votação dos melhores do ano. Acho que vou escrever para ele pedindo uma foto autografada." A ingenuidade do ato de um fã, que começou a ouvir Heavy Metal justamente por causa do Black Sabbath, falou mais alto.

Estudava inglês e redigi a carta em uma folha de caderno mesmo. Depois daquela tentativa de contato com a revista francesa Enfer, sem sucesso, no fundo tinha esperança de obter resposta de Dio, mas sabia que seria quase impossível. Afinal, nem a banda Dio ou o Black Sabbath haviam tocado no Brasil. Apenas Ozzy Osbourne estava confirmado para tocar por aqui pela primeira vez, no "Rock In Rio", realizado em janeiro de 1985. Fui ao correio do centro de São Paulo e mandei a carta endereçada a Wendy Dio, esposa e empresária do vocalista.

Quase na mesma época, a extinta revista SOMTRÊS veio com uma promoção, sorteando cópias do álbum de estreia do Dio, "Holy Diver". Mais uma vez, fui em frente. Recortei o selinho no canto do anúncio da promoção e mandei a carta. A esperança era a mesma de receber a resposta do Dio. Havia, mas era pequena...

O tempo passou e quando quase nem lembrava que havia enviado tal carta, minha mãe deu um grito: "Ricardo, o carteiro deixou um evelopão aqui em seu nome!". Desci correndo e quando abri era o "Holy Diver". Foi a primeira vez que escrevi para uma promoção. E ganhei!... E era do Dio!...

Passado algum tempo, mais uma vez ouvi o berro: "Ricardoooooo!". Bem, se houvesse uma competição de quem grita meu nome mais alto, minha mãe certamente ganharia até do Dio, Rob Halford, Bruce Dickinson, Geoff Tate, Glenn Hughes, Ian Gillan...

Era do correio. Carta do exterior. Não lembrava mais da carta ao Dio, mas quando vi o remetente Niji Productions Inc., aquele rosto carrancudo deu lugar a um enorme sorriso, com a boca ficando maior que a do Coringa, do Batman... Abri-a em menos de 5 segundos e lá estava a foto autografada com os dizeres: "Magic, from Ronnie James Dio". Só pensei comigo: "Consegui!".

A remetente, Sheila, que era responsável pelo Dio Fan Club, ainda escreveu que ficara contente por saber que Dio tinha se saído bem nos charts brasileiros. À época que recebi a carta, escrita em 25 de junho de 1984, a banda Dio estava perto de lançar seu segundo álbum, "The Last in Line", que saiu oficialmente em 13 de julho e se tornou meu preferido, ao lado de "Holy Diver".

E qual não foi a minha surpresa quando o programa "Fantástico" (TV Globo) exibiu com exclusividade o clipe da faixa título, "The Last in Line". O marketing para o primeiro "Rock In Rio" estava forte em relação ao Heavy Metal. Lembro que estávamos na casa de meus avós paternos, o Professor Sóter e a Dona Carmen, como costumávamos fazer aos domingos. Saíamos de lá quase sempre um pouco depois dos "Gols do Fantástico", que eu, meu irmão, o "Seu" Batalha, meu Tio Bosco e o Professor Sóter, não perdíamos. Imagine o espanto quando o apresentador Cid Moreira, com seu conhecido vozeirão, anunciou: "Agora, o musical do ex-cantor do grupo inglês Black Sabbath: Dio". Meu irmão Frederico e eu ficamos paralisados, hipnotizados, enquanto o Professor Sóter, quase "pescando" em sua grande poltrona reclinável favorita, não entendeu nada.

Anos depois, já trabalhando pela revista Roadie Crew, tive o privilégio de entrevistar Ronnie James Dio em algumas ocasiões, além de Tony Iommi, Ozzy e Vinny Appice. Consegui, inclusive, não perder totalmente o lado romântico de fã e com ele fiz questão de pedir mais autógrafos e fotos, como a mais recente, na nova passagem do Black Sabbath pelo Brasil. Tudo bem, do Heaven & Hell ...

por Ricardo Batalha*


ARQUIVO: ENTREVISTA

Se alguém disser que admira o vocalista Ronald James Padavona, talvez você não se dê conta de que a pessoa estará se referindo a um dos maiores astros do Rock e do Heavy Metal de todos os tempos: Ronnie James Dio. O norte-americano, que passou pelas bandas The Vegas Kings, Ronnie and the Rumblers, Ronnie and the Redcaps, Ronnie & The Prophets, The Electric Elves, The Elves, ELF, Rainbow, Black Sabbath, Dio e Heaven & Hell, fala nesta coletânea de entrevistas que fiz para a revista Roadie Crew sobre alguns pontos de sua carreira e algumas curiosidades.

Quando e por que Ronald James Padavona adotou o nome artístico de Ronnie James Dio?
Dio: Quando estava no Rainbow, gravando o primeiro álbum da banda, Ritchie me perguntou se eu tinha um nome no meio, ao invés de Ronnie Dio. Disse que sim e passei a adotar Ronnie James Dio. Mas quando tinha uns dez anos de idade e já estava com uma banda, claro que não era profissional, achava que meu sobrenome era muito longo e resolvi pegar Dio, que também é uma palavra em italiano, assim como é meu sobrenome. Só que eu não fazia a menor ideia de que aquilo significava Deus em italiano, pois havia copiado de um membro da máfia, que também se chamava Ronnie Dio. Aí, tempos depois, vieram me falar que eu estava me intitulando Deus. Só que não sou e nunca serei, não tenho nada a ver com isso, é apenas o nome (risos).

Você nunca teve aulas de canto, mas mesmo assim se tornou um dos mestres com seu talento para cantar e possui uma carreira respeitável. Como é viver apenas da música?
Dio: Tenho sorte por ter conseguido viver somente da música e sempre busquei isso minha vida toda. Nunca pensei que pudesse sobreviver financeiramente vivendo da música, mas não foi o dinheiro que me levou a optar por esta carreira e sim a paixão em estar com uma banda tocando para pessoas que gostam do que você faz. Quando comecei, sabia que esta seria minha profissão, mas não fiquei sentado pensando que um dia ia fazer isto. Simplesmente comecei e fui em frente. Sou um afortunado por conseguir fazer o que mais queria na vida, pois muita gente trabalha duro a vida toda em um emprego que odeia. Fui abençoado com o talento e também por ter uma grande quantidade de fãs que querem me ver.

Quando está em turnê, você gosta e tem o costume de examinar o local e fazer o 'soundcheck antes de entrar no palco para fazer o show?
Dio: Claro. Na maioria das vezes, fazemos um detalhado soundcheck. Isto também depende da qualidade do equipamento que você tem disponível em cada casa de shows. Às vezes, não é o apropriado e por isso a equipe leva mais tempo para deixá-lo ajustado.

Como é para você ter a "Ronnie Dio Way" na cidade em que cresceu, Cortland (EUA)?
Dio: É muito legal e mais ainda para os meus pais. Achei extraordinário que colocaram o meu nome naquela rua na cidade que nasci e cresci. Acho até estranho ver meu nome lá, mesmo depois de tantos prêmios que recebi durante minha carreira. Cada um que ganhei tem um sabor especial, mas este da rua é ainda maior.

Um de seus trabalhos favoritos é o Heaven And Hell, do Black Sabbath, mas sempre achei que você preferisse o Rainbow musicalmente, já que sempre faz questão de tocar muitas músicas nos shows com o Dio e cita a palavra "rainbow" nas suas músicas...
Dio: Não, o Heaven And Hell ainda é o meu preferido! E por diversas razões: primeiro, musicalmente, e depois pelos problemas que o Black Sabbath tinha passado e estava precisando voltar com tudo, pois fazia três ou quatro anos que a banda não fazia sucesso. Eu me senti gratificado por poder recolocar a banda no patamar que merecia estar com o Heaven And Hell. O Rainbow é completamente diferente, pois é um tipo de música que vem da cabeça de Ritchie Blackmore. No Sabbath nós todos trabalhamos juntos e a banda tinha uma sonoridade mais simples e que até me facilitava as coisas, na realidade. Criar melodias naquele padrão mais simples era até melhor para mim como vocalista, entende? E sempre gostei de compor e criar com o Sabbath, porque é mais pesado que o Rainbow e era mesmo isso que queria fazer!

Falando agora sobre o começo do Dio, quando você e o baterista Vinny Appice deixaram o Black Sabbath, em outubro de 1982, como chegaram aos outros músicos para a criação do grupo? Quando você sentiu que deveria seguir em carreira solo com o Dio?
Dio: Quando a minha saída do Black Sabbath foi confirmada, e o mesmo já tinha acontecido quando deixei o Rainbow - ambos grupos que sentia que ainda poderia contribuir muito mais, só que não tive escolha e não saí por opção minha -, decidi que seria hora de fazer algo próprio. Não queria mais que outros controlassem a minha vida. Musicalmente, sabia que estava maduro o suficiente para compor boas músicas. Claro que foi importante tocar com Ritchie (Blackmore) e Tony (Iommi), mas queria poder controlar as minhas ações. Vinny e eu saímos ao mesmo tempo do Sabbath e ele concordou comigo que deveríamos criar algo novo. Eu o conhecia bem e, além do mais, havia o fato de ele ser um ótimo músico. Então nós saímos em busca de um baixista e um guitarrista. Fomos para a Inglaterra e acabamos encontrando com Jimmy Bain e foi por intermédio dele que chegamos ao Vivian Campbell. Nos reunimos em um estúdio em Londres e tudo saiu muito bem, pois nos entrosamos logo de início. Vinny curtia tocar com Jimmy e, apesar de jovem, Vivian já era um brilhante guitarrista.

Quais foram as primeiras composições criadas para o Dio?
Dio: Holy Diver e Don't Talk To Strangers. Já tinha feito estas composições e mostrei-as para Vinny, Jimmy e Vivian assim que formamos o Dio. A partir dali as coisas foram saindo da melhor forma possível. Enfim, um momento mágico.

Você se lembra dos trabalhos e das gravações para o Holy Diver?
Dio: Nós trabalhamos arduamente para lançar um bom álbum. A experiência foi bem autoral, pois fizemos tudo do jeito que queríamos e que achávamos que iria funcionar. Aprendemos bastante coisa naquela produção, inclusive com nossos erros, alguns os quais até ríamos depois. Mas os acertos foram maiores. Veja, por exemplo, o som da bateria... Nós construímos uma sala gigante e ela parece que foi gravada ao vivo! Usamos também para o The Last In Line e isso funcionou bem para o kit da bateria de Vinny Appice. As outras coisas foram aqueles negócios de banda mesmo, com todos dando o máximo nos ensaios e na criação em si. Holy Diver não foi um álbum feito em meio a festas ou eventos paralelos. Foram coisas de trabalho, com toda aquela interação momentânea e espontânea que ocorre entre músicos que estão gravando.

Existe alguma música feita nas sessões de Holy Diver que foi deixada de lado?
Dio: Sim, há uma música, mas ela sequer foi finalizada. Apenas a deixamos de lado e eu a odiava tanto que certo dia cheguei ao ponto de destruir aquela fita. Mas nós nunca fomos de gravar algo a mais, somente quando éramos obrigados, como para o Japão, que sempre pede algum bônus. As músicas que gravamos em todos os álbuns foram aquelas que trabalhamos em cima.

E como foi para você - que carregava o peso de ser um ex-Rainbow e um ex-Black Sabbath - sentir uma resposta tão positiva e rápida para músicas como Stand Up And Shout, Holy Diver, Don't Talk To Strangers e Rainbow In The Dark?
Dio: Acho que as músicas falam por si. Elas têm qualidade e o álbum todo é bom. Mas claro que fiquei surpreso com aquela receptividade instantânea dos fãs. Eu realmente não esperava por uma resposta tão rápida e forte. Fiquei muito contente e confiante.

Como surgiu a ideia de tocar o álbum Holy Diver na íntegra e lançá-lo em CD e DVD (Holy Diver Live)?
Dio: A sugestão partiu de nosso agente na Inglaterra, que tinha pensado que poderia ser uma coisa bem interessante tocar o álbum inteiro ao vivo. O Deep Purple tinha feito isto com o Machine Head, o Queensrÿche com o Operation: Mindcrime e outras bandas também realizaram shows destacando um disco inteiro. Desta forma, senti que o projeto deveria ser levado adiante, ainda mais porque o Holy Diver é muito popular e por isso que, ao invés de tocá-lo somente na Inglaterra, acabamos por fazer uma turnê inteira com este apelo em cima do Holy Diver. A ideia sempre me pareceu legal e acredito que os fãs também aprovaram, especialmente porque muitas daquelas músicas não eram tocadas havia bastante tempo.

As apresentações da turnê "Holy Diver Live" trouxeram boas lembranças de seu passado, do início da carreira com a banda Dio?
Dio: Sim! Tudo foi especial, ainda mais porque o Holy Diver foi o primeiro álbum e o que obteve grande reconhecimento para a banda Dio. E não são apenas algumas poucas músicas boas, o disco inteiro é falado e por isso a receptividade dos fãs nos shows foi altamente empolgante para todos. Muitas pessoas nunca tinham nos visto tocando algumas daquelas composições, enquanto outros não as viam ao vivo fazia muito tempo, há mais de vinte anos... A reação foi muito boa, acredito que não somente pelo Holy Diver, mas também porque o set tinha duração de cerca de duas horas e meia, com outras coisas do Dio, do Rainbow e do Black Sabbath.

A arte da capa de Holy Diver apresenta um personagem que acabou virando mascote para o Dio. A ideia inicial era mesmo esta?
Dio: No começo seria apenas mais uma figura que faria parte de um todo na arte da capa. Queríamos mesmo ter uma pessoa e um outro personagem, além de um logotipo bem chamativo e que pudesse cativar de alguma forma os fãs de Metal. Com o tempo as pessoas passaram a se interessar mais e aquele personagem acabou se tornando a mascote, com "vida própria", um nome e sendo parte do Dio.

Por que deram o nome de Murray para a mascote?
Dio: 'Murray, the monster'... Achei que soaria mais monstruoso e, além disso, seria engraçado chamar de Murray aquela figura malvada...

Ainda sobre isto, o dragão que fazia parte do cenário na turnê do álbum Sacred Heart e era um dos pontos altos do show foi chamado de Denzil...
Dio: Na verdade, todo mundo o chama assim, mas seu nome é 'Dean, the dragon'. Por alguma razão, outra pessoa começou a falar que ele era o Denzil e aí pegou, mas o correto é Dean.

Já que estamos falando sobre curiosidades, muitos também dizem que o logotipo do Dio quer dizer Devil. Qual a sua opinião a respeito disso?
Dio: Não tem nada a ver e não foi intencional. Se você olhar de cabeça para baixo até pode parecer que é, mas não estudamos uma fórmula para que nosso logo fosse visto assim, com duplo sentido. Alguém, um dia, resolveu virar de ponta cabeça, ficou analisando e achou que Dio poderia querer dizer “Devil”, mas não tivemos nenhuma intenção de fazer isto.

E sobre o sinal com os dedos - fechando a mão parcialmente e mostrando o dedo indicador e o mindinho -, que tanto caracteriza o Heavy Metal, você se lembra quando começou a fazê-lo?
Dio: É sempre bom ter alguma coisa que você pode repetir várias vezes e as pessoas aceitam. No meu caso, foi porque a minha avó era italiana e usava o 'Maloik', que a protegia contra o olho do mal ('evil eye'). Quando eu era criança, a via usá-lo com freqüência e, assim, desde a fase do Rainbow, comecei a fazer o sinal. Não foram tantas vezes, mas usei-o. Só que no Sabbath, quando eu queria fazer uma figuração de algo mais malvado, fazia o símbolo do 'evil eye' com as mãos. As coisas foram indo e em certo ponto as pessoas já até esperavam que eu fizesse aquele sinal para que eles repetissem e isso acabou se tornando algo mundial.

Este sinal tem conexão com o Egito antigo, onde o chamavam de 'evil eye sign' (o sinal do olho do mal), mas existe alguma ligação com a música Evil Eyes, do álbum The Last In Line, mesmo porque naquele álbum ainda consta a faixa Egypt (The Chains Are On)?
Dio: Entendo sua explanação, mas, com relação àquela música, apenas achei que o título Evil Eye seria interessante. Não fui tão a fundo e ela não tem esta ligação. Não foi nada além de um bom nome. Ela foi escrita a partir de algum filme, não me lembro direito. E a compus até certo ponto bem rápido, já que precisávamos apresentar uma nova música que tivesse certa conexão entre o Holy Diver e o The Last In Line e esta ficou perfeita.

A banda Dio iniciou a "Dream Evil World Tour” tocando em Irvine/CA (EUA), em um evento chamado "Children Of The Night", mas o que pode falar a respeito do projeto de mesmo nome, também chamado de "Hear’n’Aid 2"?
Dio: Será o mesmo projeto beneficente com um álbum nos mesmos moldes do Hear'n'Aid, que fizemos em 1985, para a instituição "Rock Relief For Africa". Teremos uma música completa, de longa duração, com muitos músicos convidados e envolvidos, com diversos vocalistas, como Bruce Dickinson, e também guitarristas. O resto do álbum terá material inédito de outras bandas, como Doro, por exemplo, que já confirmou sua participação. No começo do ano que vem com certeza ele começará a ser produzido.

Você acredita que terá tempo para trabalhar na segunda parte do "Hear 'N' Aid"?
Dio: Para mim é uma certeza que farei, mas ainda não tive tempo suficiente para efetivamente começar os trabalhos. Todo mundo está com a agenda abarrotada e, além disso, não vou compor algo de baixa qualidade, um lixo desprezível só para dizer que a segunda parte foi lançada.

Considerando que você já tocou ao lado de muitos músicos de renome, quem você gostaria de ressuscitar para integrar um novo projeto "Hear 'N' Aid"?
Dio: Sempre declarei em minhas entrevistas que o único músico que gostaria de dividir o palco e tocar junto seria o Jimi Hendrix.


RAIO-X - RONNIE JAMES DIO:
Nome: Ronald James Padavona
Data de nascimento: 10 de julho de 1942
Data de morte: 16 de maio de 2010
Local de nascimento: Portsmouth, New Hampshire (EUA)
Cidade onde cresceu: Cortland
Ascendência: Italiana
Primeiros instrumentos: Trompete e contrabaixo
Esporte praticado na infância: Baseball
Heavy Metal ou Rock And Roll?: "Heavy Metal para mim, mas é tudo parte do Rock And Roll..."
The Vegas Kings (1957): "O começo"
Ronnie And The Rumblers (1957-1958): "Começando a ficar malvado"
Ronnie And The Redcaps (1958): "Cabeças-de-vento"
Ronnie Dio & The Prophets (1961-1967): "Cabeças-de-vento em dobro"
The Electric Elves (1967-1972): "Excelente material"
ELF (1972-1975): "O real começo do que acabei me tornando"
Butterfly Ball And The Grasshopper’s Feast: "Divertido de fazer, ainda mais por ter Roger Glover"
Rainbow ou Black Sabbath?: "Difícil. Não dá para comparar opostos"
Niji Productions: "Minha vida, cuida dos meus problemas e dirige minha carreira"
Dehumanizer ou Mob Rules?: "Dehumanizer"
Ronald Padavona: "Apenas um cara normal, que vive como todo mundo"

* Ricardo Batalha é Editor-chefe da revista Roadie Crew. Atua também na Brasil Music Press, Rádio Shock Box, Programa Stay Heavy e Sleevers Rock Channel.

sábado, 15 de maio de 2010

# 147 - 14/05/2010


Mini-Especial Rock Sertão
Entrevista com Danilo Santana e Jefeson Melo, produtores do Rock Sertão
Divulgação das bandas escolhidas na votação do site.

jucifer
Drop Loaded:

The Dead Lovers Twisted Heart:
• Backwards
• Mrs. McGill]
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Jucifer – Throned in blood
Interpol – Lights

The Dead rocks – Crash, crash and crash again
Retrofoguetes – A fantástica fuga de Magnólia Pussycat
Man or Astroman ? – Nitrous burn out
The Hunters – Teen scene
The Tornadoes – Bustin surfboards

Republique – que passa
Friendship – Zombies
Labirinto – Temporis

Joy division (peel session) – Love Will tear us apart
Nine Inch Nails – Dead Souls
Moby – New Dawn Fades
Tortoise – As you Said

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LABIRINTO - MÚSICAS PARA IMAGENS

Labirinto, por Carol Ribeiro
O Labirinto é um grupo paulistano. Foi formado em meados de 2003 por amigos que buscavam materializar suas diversas influências musicais e pessoais através da composição instrumental. Inspiradas por músicas climáticas, bandas experimentais, pós-rock e referências que vão além do som, como as artes plásticas, a fotografia e o cinema, as produções do Labirinto procuram criar texturas e climas imagéticos. Como em uma trilha-sonora de um filme cujas cenas ficam por conta da imaginação do ouvinte.

Junto com a Dissenso*, a banda também mantém relações próximas a diversas linguagens artísticas. Cria seus próprios cartazes para shows, faz projeções em suas apresentações ao vivo, e utiliza obras de artes gráficas em todo o seu material físico e virtual, sempre em parceria com artistas visuais e VJs. O grupo produz todo o seu material. O novo EP Etéreo é um exemplo disso. Com duas músicas que fazem parte da coletânea DIS1 "Arcabuz" e "Temporis", e mais a "Silêncio Póstumo" (remixada para este trabalho), todas gravadas pelos próprios integrantes, o disco vem em uma embalagem charmosa feita artesanalmente no ateliê da Dissenso.

Etéreo traz sonoridades e timbres que se mesclam, evitando a predominância de uma fonte sonora única. As construções harmônicas, compostas por guitarras, baixo e bateria, somadas às sonoridades experimentais de sintetizadores analógicos e digitais, violoncelo e violino, priorizam as diversas exaltações emotivas que a música percorre ao longo do labirinto estético, ideal e interpretativo.

Pluralidade instrumental, paisagens sonoras e unidade conceitual: seja bem-vindo ao Labirinto.

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Lost - 07/12/2009 - Labirinto lança EP e completa dois anos gravando Anátema, seu disco “cheio e orquestrado" que deve sair em 2010

Fonte: trama virtual

O estilo Lost das fotos de divulgação revela não só o equilíbrio sonoro de uma floresta - que ecoa mistérios, assim como faz o pós-rock -, mas também a própria recente trajetória da banda em questão. A “ilha” aqui, no caso, refere-se ao Labirinto, conjunto paulistano, que, no transporte da ilha da série para o ambiente da música, quanto mais caminhos apresenta, menos soluções oferece.

Exemplo deste excesso de opções de caminhos a serem escolhidos – seja na busca de timbres, harmonias ou modos de construção – é a longa produção do primeiro álbum cheio do Labirinto, Anátema, que completou dois anos desde o início das gravações e entrará em 2010 ainda no forno. Uma jornada, uma aventura quase “impossível”, ao estilo da série. O novo disco será marcado pela introdução de novos instrumentos, devendo levar a sonoridade da banda para um estágio mais avançado de orquestração, lembrando assim os canadenses do Godspeed You! Black Emperor.

Parte do time A do pós-rock nacional, o Labirinto lançou neste ano o EP Etéreo - baixe aqui -, que reforça a vocação imagética da banda, em canções que superam os dez minutos de duração e criam ambientações que se encaixariam perfeitamente em filmes imaginários ou, mais uma vez, na própria série que deve reentrar na programação da TV quando Anátema “estrear”. O EP é uma boa iniciação para Anátema: como um bom episódio piloto.

Conversamos com o guitarrista Erick Cruxen.

Em que pé está a produção do Anátema? Quando será lançado?
Estamos na metade das gravações; temos um longo caminho, ainda. O Labirinto prepara esse álbum há dois anos, dedicando muito zelo às composições, arranjos, efeitos e à qualidade das gravações, e mixagem. É um processo lento, já que experimentamos ao máximo as sonoridades das músicas, timbres e dinâmicas, e são muitos os instrumentos gravados para o Anátema. Além do violoncelo e sintetizadores analógicos, que são instrumentos já utilizados na banda, agregamos o violino, piano, banjo, sopros e cítara em músicas do disco, assim como participações especiais de músicos convidados. A previsão é que Anátema seja lançado até meados de 2010.

Como será o disco? Deve seguir a mesma linha do EP Etéreo?
Anátema será completamente conceitual, com músicas longas e imagéticas. O disco será a narrativa de uma história que criamos; cujas composições farão parte desse contexto. A similaridade com as músicas do EP Etéreo acontece, devido à construção e ao desenvolvimento das harmonias, dinâmicas, arranjos e efeitos, que se tornaram mais complexos em relação aos primeiros EPs da banda.

É o disco da excomunhão do Labirinto?
(risos) Depois de Anátema, nosso primeiro álbum, todos do Labirinto serão excomungados. Certamente, é um dos significados do disco. Existem outros, mas só ouvindo, e vendo o álbum poder-se-á percebê-los.

Como foi a participação da banda na coletânea de Dissenso e como a banda trabalha a construção de imagens a partir do pós-rock?
Foi muito bacana participar da Dis1, houve ótima repercussão e elogios em relação à coletânea, que juntou quatro bandas experimentais, de diferentes regiões do Brasil (Constantina, Fóssil, Labirinto e Ruído/mm), e diversos trabalhos gráficos de artistas visuais. Estamos ansiosos pelo segundo volume da coletânea. Como as músicas são instrumentais, construímos melodias e arranjos, como uma paisagem sonora. Uma pluralidade de timbres, efeitos e texturas se mesclam para desenvolver uma idéia, uma cena ou um sentimento que pretendemos materializar. Tentamos fazer músicas para imagens, buscando influências além da música. Nossas referencias vêm de diversas formas de manifestações artísticas, como o cinema, a literatura, fotografia, enfim, diversos meios com os quais convivemos no dia-a-dia.

Acredito que o pós-rock está hoje um pouco saturado, se pegarmos a produção atual de bandas clássicas como Mogwai, Explosions in The Sky e Pelican. Mas ainda assim tivemos bons discos nacionais como os das bandas Fóssil e ruído/mm. Há como ser criativo no pós-rock? Como?
Creio que essa “saturação” seja algo pontual. Talvez, seja um grande paradoxo, pois o que é o pós rock? Certamente, é uma das classificações mais abrangentes e subjetivas; já que em sua própria “definição” aponte para inúmeros estilos e influências musicais, que se reinventam a cada instante. E discos piores ou melhores são comuns em quase todas as bandas, de todos os estilos. Existem muitos projetos bons surgindo, chamados de pós rock, experimental, pós metal. O importante é não ficar preso aos paradigmas e clichês, buscando conhecer novas bandas e referências, em diferentes pontos do planeta; já que temos a internet como ferramenta. No Labirinto, buscamos diversas referências musicais, que nos facilitam experimentar e explorar texturas e climas imagéticos. Essa tentativa pode ser chamada de pós rock, progressivo, rock experimental, música instrumental. Deixamos livre paras as pessoas definirem.

Quais os planos para 2010?
Inicialmente, lançar o disco, e realizar alguns shows de lançamento e divulgação. Para o início do segundo semestre estamos fechando uma turnê pela Europa. Além disso, esperamos organizar alguns eventos e projetos pela Dissenso; promovendo e divulgando o material de excelentes artistas/bandas alternativas.

"Virote", HOJE, no Espaço Cultiva



Decididamente, a cena musical sergipana está dando uma guinada. De uns cinco anos para cá, bandas interessantes surgiram, alguns novos espaços abriram suas portas para deixar o rock entrar de vez, eventos ligados ao universo musical (cover ou não) se estabeleceram no calendário e um grupo de artistas, técnicos e interessados no processo do fazer musical local uniram-se para formar o Fórum Música Sergipe, que ontem, pela manhã, lançou a Campanha "Pra Tocar", em prol da música sergipana.

O caldeirão das ideias culturais está fervendo e o próximo "caldo" a ser servido para a comunidade poderá ser provado hoje, às 22h, no Cultiva (antiga Casa do Rock). Lá, será lançado o Virote Coletivo, um grupo que surgiu da vontade de pessoas (músicos e produtores) em movimentar por conta própria a cena musical da qual fazem parte e criar ações planejadas para fomentar um mercado autoral, independente e auto-sustentável.

Mas o Virote Coletivo não é um ‘exército de um homem só’. Ele é um só em Sergipe, mas no Brasil (e até na America Latina) eles fazem parte de um grupo de mais de 50 coletivos espalhados por todos os países e organizados e conectados de forma que todos se auto-ajudem na cadeia produtiva.

Divulgação, circulação, comunicação e distribuição formam a base para este trabalho que é o mais novo formato de desenvolvimento produtivo da música independente do país. Com o lema “artista igual a pedreiro”, a rede Fora do Eixo já é uma cadeia solidificada e eficaz quando o assunto é produção cultural.

Inclusive, o Virote Coletivo faz parte do Circuito Fora do Eixo. Existente desde dezembro do ano passado, com o nome de Rede Música Sergipe, o coletivo deu uma pausa e retoma agora suas atividades como força total e de nome novo.

O lançamento oficial acontece logo mais, na Cultiva (Rodovia José Sarney, em frente ao Oca Bar), com a apresentação das bandas Plástico Lunar, Mamutes, Anéis de Vento, The Baggios e a Nautilus. Ingressos ao preço de R$ 10.

Texto: Suyene Correia*

Legenda da Foto: Banda Nautilus que será uma das atrações do lançamento do Virote Coletivo

Foto: divulgação

* Médica e jornalista graduada pela Universidade Federal de Sergipe, é pós-graduada em Jornalismo Cultural na UNIT. Atualmente, é pós-graduanda em Artes Visuais: Cultura e Criação (Especialização à Distância pela Rede SENAC). Cinéfila e pesquisadora na área de cinema, já foi por três vezes (2003,2004 e 2009), assessora de comunicação do Festival Iberoamericano de Cinema Sergipe (Curta-SE). Cobriu festivais de cinema pelo país, como o Festival do Rio, o I e II Festival Paulínia de Cinema, a 32a e 33a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. Há sete anos, é responsável pelo Caderno de Variedades do Jornal da Cidade. Colabora para a Revista ÍCONE e, atualmente, tem contribuído com o portal da infonet na seção DVD (dicas). E-mail de contato: bangalocult@gmail.com

Fonte: Bangalô Cult

sexta-feira, 14 de maio de 2010

ROCK SERTÃO: Votação encerrada, resultado divulgado.

Hibernia e Genuários são bandas vencedoras da votação do Rock Sertão

Na noite dessa sexta-feira (14) os produtores do Rock Sertão Danilo Santana e Jefeson Melo divulgaram as bandas vencedoras da votação online que levará duas bandas ao festival.

O anúncio foi feito durante o Programa de Rock, comandado por Adelvan Kenobi na Aperipê FM 104,9.

Dos mais de 5 mil votos as bandas Genuários e Hibernia fora as mais votadas pelo público. Com 319 e 288 votos respectivamente as duas bandas fecharão as noites da sexta e do sábado. A lista das bandas mais votadas será divulgada em breve no site do festival. http://www.rocksertao.com.br

Fonte: www.aperipe.se.gov.br

Cidade Instigada

O release do fime que seria exibido na Sessão Notívagos, “Os Famosos e os duendes da morte”, já não prometia muito, com um papo meio cabeçoide do tipo “o menino sem nome conhece a garota sem pernas, que lhe mostra um mundo no qual ele embarca como alguém que nunca mais deseja voltar à realidade. Para o menino, a vida virtual é a única verdade.” Fui mais pelo Cidadão Instigado, mas sinceramente não esperava que o filme fosse tão ruim. Uma das coisas mais chatas que eu já vi em toda a minha vida. Bem filmado, bem editado, com uma bela fotografia (embora repleta de clichês como imagens bucólicas e desfocadas), mas muito, muito chato. A vida do protagonista não é nada interessante, e se era essa a “mensagem” que o diretor queria passar, até que conseguiu, só que às custas do martírio de quem conseguiu ver essa merda até o fim. É a história de um guri entediado, chato pra cacete, que mora num povoado no meio do nada e só vive na net, escrevendo uns poemas bestas num blog cujo nome homenageia Bob Dylan. Tem vontade de ir ver o show de Dylan no Brasil, mas não vai. Aí fica se lamuriando o tempo inteiro para o único amigo que parece que o suporta, um cara bem mais divertido e desencanado do que ele, que só quer ir pra festa junina comer a filha de uma vizinha – para seu azar, a mãe da garota se suicida justamente no dia, o que corta o clima, evidentemente. A tal festa, por sinal, é uma atração a parte, uma pitada de humor (muito provavelmente involuntário) numa película que exala tédio e frustração em cada frame. O grupo que executa músicas folclóricas alemãs é uma pequena pérola caricata – ou é isso ou somos nós (porque não fui apenas eu quem saiu cantarolando a musiquinha ridícula ao final da exibição) que não estamos acostumados com aquela cultura “exótica”. E é isso: Um “miguxo” viciado em internet metido a poeta atormentado se lamuriando, um personagem estranho que aparece a toda hora sem nenhum motivo aparente, e situações nonsense se sucedendo em imagens clicherosas pretensamente “poéticas”. Não é por acaso que o suicídio parece ser uma atividade corriqueira naquela cidadezinha. E chega a ser incrível saber que o diretor é o mesmo que fez o divertidíssimo “hit” do youtube “Tapa na pantera”.

Já o show do Cidadão Instigado foi bom, mas poderia ter sido bem melhor, e a culpa foi, provavelmente, da aparelhagem de som. Muito ruim. Logo quando começou estava terrível, e isso se refletia visivelmente no humor dos músicos, que pareciam bastante desconfortáveis no palco, procurando a todo custo orientar com sinais o técnico de som deles que tentava fazer milagre na mesa. O incrível é que é uma banda que conta, em sua formação, com alguns dos melhores músicos do cenário independente brasileiro, o que torna ainda mais lamentável vê-los tentar tirar, sem muito sucesso, leite de pedra. Mas lá pelo meio da apresentação a equalização melhorou sensivelmente, e a banda começou a ficar mais a vontade, com alguns sorrisos esboçados inclusive pelo sisudo Fernando Catatau, o líder da trupe, que se comunicou pouco com a platéia mas, pelo menos na segunda parte do show, parecia estar se divertindo. O set list foi quase que completamente baseado no disco mais recente, “Uhuu”, o que é ótimo, já que é, provavelmente, o melhor da carreira deles. Destaques para a bela execução, mesmo com as dificuldades técnicas, de faixas com arranjos sofisticados, como “Deus é uma viagem”. Uma boa parte do que está no disco foi sampleado e muito bem utilizado. Foi um desfile de belas canções de apelo pop/romântico com influencia de rock progressivo/psicodélico e letras “non nonse”. Algumas, inclusive, muito boas pra dançar, como “como as luzes”, que tem uma levada de guitarra bem “direstraitiana” - o que não é de se estranhar, já que é notória a influência da banda de Mark Knopfler no som consumido pelas camadas mais populares (comumente chamado de “brega”), uma das fontes na qual bebe, de forma “antropofágica” (no sentido de consumir e regurgitar repaginado), a banda de Catatau. Uma pena também que o som da bateria, comandada pelo legendário músico e produtor de bandas de garagem Clayton Martin, estivesse especialmente ruim.

Não vi Elvis Boamorte, mas o saldo final foi positivo. Não é toda hora que aporta por aqui uma das bandas mais aclamadas do atual circuito independente brasileiro – aliás, talvez por conta de algumas declarações não muito elogiosas á Abrafin na imprensa especializada, é difícil ver o Cidadão, inclusive, nos festivais que andam rolando Brasil afora, o que torna ainda mais valiosa a iniciativa da produtora Cine Vídeo e Educação em bancar esta apresentação.

Que venham outras – com mesmo nível de qualidade artística, mas com melhores condições técnicas.

por Adelvan Kenobi