sábado, 10 de abril de 2010

# 143 - 09/04/2010

Korzus – Slavery
Mike Patton – Il Cielo in una stanza

Messias – Resilence
brincando de deus – The Best on you
The Dead Billies – Invasion of the Body Snatchers
The Honkers – something´s wrong with my girl
Vendo 147 – Satangoz (Versão demo)
Retrofoguetes – Fuzzmanchu

Lacertae (Caneco DAgua) – corpo fechado
Aldemir Tacer – O Calango

Entrevista com Deon, do Lacertae

-> Fora do ar <-

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O programa de rock foi interrompido de forma brusca em sua última edição porque a radio saiu do ar, provavelmente devido às fortes chuvas que caiam sobre a cidade.

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(Infonet) O Centro de Meteorologia de Sergipe, vinculado a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, chama a atenção para volume de chuvas que poderá ocorrer a partir da tarde desta sexta-feira, 9, em parte do Estado. A leitura das imagens do satélite do Centro de Meteorologia indica que a frente fria que saiu nesta última quarta-feira, dia 7, do Rio de Janeiro, passando pela Bahia, estacionou em Sergipe fazendo com que já tenha chovido 127 mm (milímetros).

A perspectiva de alerta do centro é de que as chuvas sejam intensas e torrenciais, podendo trazer perigo de inundações e desmoronamentos. Para o território Grande Aracaju, o prognóstico climático apontou possibilidade de chuvas iniciadas no período da tarde de hoje e com precipitação variável, podendo ocorrer a cada três horas.

De acordo com o meteorologista da Semarh, Overland Amaral, as chuvas estão ocorrendo fora do período esperado e chegarão a durar, no máximo, até mais três dias. "É um fato surpresa. O que esperávamos era que as chuvas somente ocorressem no início da estação chuvosa, compreendendo o período de maio a junho, conforme a sazonalidade. Houve, devido à frente fria, um adiantamento sazonal da época” explica.

Somente no sertão, na cidade de Poço Redondo, já choveu desde a madrugada cerca de 64 milímetros(mm). “Um índice elevado, mais que a média do mês. A frente fria trouxe para algumas regiões do Estado a condição de muita chuva em poucas horas de precipitação”, completou o meteorologista.

Fonte: Semarh

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Korzus: 25 anos de Metal e uma nova etapa na carreira

O TDM acompanhou a gravação do novo videoclipe da banda e conversou com os músicos sobre o atual momento do Korzus. Confira.

Eduardo Guimarães
Redação TDM

Fonte: Rock On Line

Quantas bandas surgiram no cenário nacional nos anos 80 e desapareceram no decorrer dos anos? Quantas se mantiveram na ativa passando por altos e baixos na carreira? Os motivos, tanto dos que fazem parte do primeiro grupo quanto do segundo, são variados. Mas talvez exista algo que represente os que continuam na estrada atravessando os momentos de calmaria e de turbulência: fé no trabalho.

Essa fé é o que parece emanar do Korzus neste ano em que a banda comemora 25 anos do primeiro registro oficial, a participação na coletânea “SP Metal”. Mas fé só dá resultado através de muito trabalho e é isso o que anda mantendo o grupo ocupado atualmente.

No início de março o Território da Música foi convidado a acompanhar uma parte desse trabalho: a gravação de um novo videoclipe. Nessa matéria você confere um pouco sobre como foram as gravações e outras curiosidades sobre essa nova etapa da carreira da banda.

Truth - A gravação

A locação escolhida para a gravação foi a casa de shows Espaço Lux, em São Bernardo do Campo. Cheguei ao local às 19h00 e a equipe técnica já trabalhava desde o início da tarde na montagem dos equipamentos.

À primeira vista o cenário parecia simples. Cinco telões montados em armações metálicas localizados no centro da pista da casa de shows formando um semicírculo. Duas tochas de luzes colocadas no chão à direita e à esquerda de cada telão, convergindo suas luzes para o centro da tela.

Uma equipe com cerca de 15 pessoas ajusta luzes, projetores e câmeras sob o comando de Ricardo ‘Micka’ Michaelis, o diretor do videoclipe. Micka é o responsável pelo documentário “Brasil Heavy Metal”, que está em fase de finalização. Em breve você confere uma matéria com o diretor aqui no Território da Música.

O que parecia simples se transforma quando as projeções começam a surgir nos telões e “Truth” - a música escolhida para ser o primeiro videoclipe - ecoa nas caixas de som. Em cada telão aparecem os rostos dos integrantes da banda: Heros Trech (guitarra), Antonio Araújo (guitarra), Dick Sieberg (baixo), Rodrigo Oliveira (bateria) e Marcello Pompeu (voz).

Por volta das 22h00 os músicos tomam seus lugares em frente aos telões para darem início a gravação propriamente dita. Os trabalhos só terminaram na manhã do dia seguinte.

Quem pensa que fazer um videoclipe de qualidade é algo fácil - mesmo sem grandes efeitos digitais ou pirotécnicos - saiba que não é. São infinitos ajustes e correções para levar ao fã o melhor trabalho possível. E é isso que os fãs do Korzus terão quando o videoclipe for lançado.

Truth - A concepção

A idéia do vídeo surgiu de conversas entre os músicos e o diretor e faz parte do conceito dessa nova etapa na carreira da banda. A intenção é realmente mostrar os rostos dos integrantes, fazer com que o Korzus não seja apenas um nome, mas que seja reconhecido pela imagem daqueles que formam a banda.

Partindo desse princípio o diretor Micka teve a idéia das multi-projeções. “São eles sobre eles mesmos. Como a música é ‘Truth’, fala da verdade, vamos colocar um de frente para o outro”. É como se cada integrante encarasse sua própria verdade.

Cada membro do grupo foi gravado separadamente no estúdio e essas imagens são exibidas nos telões enquanto a banda executa a música. “Sempre que a gente enquadrar um plano, teremos a imagem do Pompeu e no fundo está o Heros, temos o Antonio e no fundo o Dick, então eles estão sempre presentes”, explica o diretor.

O baterista Rodrigo Oliveira contou porque a banda escolheu “Truth” para ser o primeiro videoclipe. “Ela foi a última música composta pela banda, foi a primeira a ser gravada e acabou mudando o nosso conceito do disco. Toda a força e a energia do álbum estão representadas na ‘Truth’. Se você escutar o CD inteiro vai perceber isso. O peso está nela”.

Discipline of Hate - O novo álbum

O novo álbum do Korzus é chamado “Discipline of Hate” e trará 14 faixas. A banda está em negociação para lançar o álbum na Europa e na América do Norte. Além das 14 faixas oficiais, a banda gravou outras músicas que serão lançadas como bônus nas edições internacionais do álbum.

Existe ainda a possibilidade do videoclipe de “Truth” ser inserido como faixa multimídia no disco ou ser lançado em uma edição especial. Tudo isso ainda está sendo negociado com a Laser Company, gravadora que vai lançar o CD. “Na verdade é tudo um jogo de tempo”, comenta Pompeu.

Músicas bônus, capa ‘digipack’, videoclipe. Esse é o caminho para incentivar o fã a comprar o álbum ou há outro modo? O vocalista Pompeu é enfático: “boas músicas. O que você pode fazer para as pessoas comprarem seu disco são boas músicas e boa divulgação. E não adianta divulgar e as músicas serem uma bosta que ninguém compra”.

Rodrigo também acredita que o principal ainda é a qualidade das composições. “Vejo um monte de bandas com atrativos legais, capas legais, só que não adianta a parte gráfica excelente e o som horrível. Tem um monte de CDs que vejo por aí e penso ‘essa banda deve ser animal’ mas quando coloco a primeira música já dá vontade de quebrar o CD. Mas, claro, nossa capa é legal, toda parte gráfica foi muito bem trabalhada nos mínimos detalhes”.

“Discipline of Hate” marca a estréia da nova formação do Korzus. Na verdade não tão nova assim, mas é a estréia em disco da atual formação contando com o guitarrista Antonio Araújo, ex-Chaosfear, que participou do processo de composição de quase todas as músicas novas.

“Colaborei na maioria delas, algumas já estavam prontas”, conta Antonio, até ser interrompido por Heros. “Teve duas [músicas] que a gente deu pra ele por um ‘riffizinho’... (risos). É brincadeira, o Antonio teve participação quase em 100% das composições”.

Por ser o ‘cara novo da banda’, Antonio é a vítima preferida das brincadeiras de Heros Trech. “Ele está aprendendo. Tá certo que o cara não é nada perto de mim, mas dá pro gasto”, afirma Heros entre gargalhadas gerais, inclusive do próprio Antonio.

Este clima de descontração acaba contagiando e ajuda a suportar a demora de todo o processo de gravação do videoclipe.

25 anos e o futuro

Depois de seis anos sem lançar um disco, 2010 será importante para a banda por ser o início dessa nova etapa na carreira. Além do novo álbum, o Korzus passou por algumas reformulações administrativas e pretendem se dedicar fortemente na missão de levar a música do grupo para além das fronteiras brasileiras. Sem esquecer, obviamente, dos fãs que os apóiam há mais de duas décadas.

A banda não adiantou os planos da nova turnê, mas assim que “Discipline of Hate” estiver nas lojas o Korzus deve voltar para a estrada e outras novidades surgirão.

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MESSIAS NO TOP 10 DA ROLLING STONE: A música "Resilience", que abre o disco de estreia de Messias, aparece na quarta posição do TOP 10 da revista Rolling Stone Brasil. Antes mesmo do lançamento do disco, a faixa já circula pela audiosfera.

O que foi dito: 4º - "Resilience" – Messias - O músico baiano, líder da banda indie brincando de deus, lançou o ousado CD triplo Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me, no qual mistura indie rock, dub e electro-jazz. A maioria das faixas é cantada em inglês, como “Resilience”

SHOWS DE LANÇAMENTO: O lançamento do disco em Salvador está previsto para 15 de maio de 2010, na Igreja da Barroquinha. São Paulo (Studio SP, 19.05) e Belo Horizonte (A Obra, 20.05) serão as próximas cidades no roteiro de shows.
O ÁLBUM: O álbum está saindo em MP3 e CD. Em breve, ganhará versões em vinil e cassete, numa provocação aberta aos formatos. Precedido pelos singles "Resilience", "The machines are my family" e "God, if you can hear me", a estreia solo de Messias chega a uma versão final com Escrever-me, Envelhecer-me, Esquecer-me, um álbum triplo (para os formatos CD, vinil e cassete, e inteiro para download), num total de 32 faixas. Para adquirir o disco ou fazer o download das faixas, visite a comunidade de Messias em www.messias.art.br . O download é gratuito, mas você pode fazer uma doação pelas músicas através da comunidade.
A COMUNIDADE: o novo site de Messias - Para reunir os interessados em sua música, Messias criou uma comunidade, uma espécie de rede social própria. Textos, fotos, blogs e músicas já estão disponíveis. Além disso, os membros podem criar suas próprias páginas na comunidade.

http://messias.ning.com

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Entrevista com os Retrofoguetes

Fonte : Overmusica

Lançado em 2009 pelo próprio selo da banda, no Festival Abril pro Rock, "Chachachá", o segundo disco dos Retrofoguetes, mostra, principalmente, que a veia criativa da banda deu um salto de 2003 para cá, transcendendo o status "rock" e conferindo uma identidade própria ao som do trio.

O baixista CH Straatman gentilmente respondeu por e-mail às perguntas do Blog Over Música, confere aí.

"Chachachá" foi lançado pelo próprio selo, "Indústrias Karzov", como foi isso?

CH: Sim, resolvemos que seria mais interessante neste momento da carreira termos uma mobilidade maior sobre a nossa obra e cuidarmos de todas as etapas dos nossos lançamentos. Daí tivemos a idéia de fundar o nosso próprio selo, o Indústrias Karzov, decisão que tem nos trazido resultados muito positivos.

Vi também que ele está disponível no Portal Fora do Eixo. Qual o esquema de lançamento e distribuição que a banda optou, já que o disco anterior havia saído pela Monstro Discos?

Estamos trabalhando por etapas. Primeiro planejamos um lançamento nacional, na mesma época surgiu o convite para o Abril Pro Rock. Percebemos que estrategicamente seria uma boa ocasião para realizar esse lançamento, pois teríamos num mesmo lugar a presença de toda a mídia especializada, selos, artistas, jornalistas; e além do show que apresentaríamos, que é nosso melhor cartão de visitas, teríamos ainda oportunidade de bons negócios. Depois veio o lançamento local no Teatro Castro Alves em Salvador, que é um dos maiores teatros da América Latina, tem uma estrutura espetacular. Nesse show reproduzimos o disco fielmente à gravação, com participação de orquestra de sopros, marimbas, vibrafone, percussão, ukelele, etc. Essa produção foi super trabalhada, com cenário, iluminação, figurino e foi um sucesso, lotação máxima do teatro, algo em torno de 1500 lugares. Com relação a distribuição estamos promovendo algumas parcerias com selos, lojas de departamento, lojas de disco e livrarias, mas a maior parte da vendagem tem vindo dos shows. Os lotes tem se esgotado muito rápido, estamos pensando em expandir um pouco mais isso, devemos inensificar a promoção do disco nos próximos meses.

Falando ainda dos dois discos do Retrofoguetes, houve um intervalo considerável do primeiro para o segundo. Geralmente hoje quando as bandas têm seis ou sete músicas prontas acabam lançando via EP. Como foi o trabalho da banda em cima desse álbum, dos produtores até o lançamento em 2009?

Houve um hiato de cinco anos, mas nesse período trabalhamos em projetos especiais de gravação, como foi o caso do Maravilhoso Natal dos Retrofoguetes, onde fizemos releituras de clássicos natalinos em versões Surf Music/Rockabilly e que foi lançado em CD e em compacto vinil. No âmbito autoral foi bom porque tivemos mais tempo para amadurecer as composições, percebemos que estávamos compondo para outros instrumentos também e conseguimos trabalhar melhor nossos timbres. O disco teve a produçãode andré T e Nancy Viegas.

E se você fosse comparar sonoramente os dois discos da banda, o que destacaria?

Levando-se em conta toda a bagagem que adquiriram tocando por aí... Sem dúvida, Maldito Mambo! foi um grande passo dentro da nossa música. Contamos com a ajuda do maestro Letieres Leite na condução dos arranjos de sopro e foi bastante desafiador compor pra uma orquestra. Inclusive recebemos com essa música o prêmio de melhor arranjo no Festival de Música da Rádio Educadora, que é um prêmio muito respeitado entre os músicos e artistas locais. No geral é um disco de múltiplas facetas e passamos a investir na sonoridade Retrofoguetes, o que significou que poderíamos fazer qualquer coisa mantendo nossas características, algo que creio ser buscado por 9 entre 10 bandas, mas nem todas o fazem com êxito.

Atualmente existe uma cena forte nacional de bandas instrumentais, evidenciada até por um prêmio à categoria criada pelo VMB. Na época em que o Retrofoguetes começou a tocar, como era? Que bandas instrumentais do País vocês estão ouvindo?

Não tínhamos referências nacionais para a música que fazíamos, naquele momento outras também começavam sua trajetória. Claro que sempre houve a música instrumental brasileira, com caras sensacionais como Hermeto Pascoal, Dominguinhos, Sivuca, Armandinho, Lanny Gordin e muitos outros, mas falando num segmento de música independente não víamos muita coisa no rock instrumental, era coisa rara. Cito o Pata de Elefante e os Dead Rocks, tanto como bandas que começaram ali, no mesmo período que a gente, como também sendo bandas que tenho escutado. A criação de uma categoria instrumental no VMB indica que estamos no caminho certo, todos crescendo e desenvolvendo essa nova cena.

Dos festivais nacionais que a banda tocou, qual você acredita ter feito realmente diferença para alavancar a carreira do grupo?

Abril Pro Rock, Festival DoSol e Goiania Noise foram bastante significativos, mas existem muitos outros que agregaram valor a nossa carreira... O importante dos festivais é que eles abrem inúmeras possibilidades na carreira de um artista, desde o intercambio cultural à expansão dos negócios dentro da música.

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Fonte: Overmusica

Há vários indícios de que uma das principais tendências atuais da década, inclusive no Brasil, parece ser o rock instrumental. Dessa vez, a pedrada surgiu da capital baiana, Salvador. Na verdade, não é apenas uma pedrada, são duas: além de duas guitarras e do baixo, Vendo 147 têm dois bateristas (!), que dividem o mesmo bumbo. Claro, os ouvidos aplaudem.

O EP de estréia, lançado a menos de três meses (julho/09) está disponível no MySpace, também para download, são apenas quatro faixas que confirmam a principal proposta da banda: tocar rock ´n roll, honesto, puro. O download pode ser feito também no acervo da Reverb Brasil; uma de suas músicas, "Hell", é tema de um vídeo de surf, sem falar dos convites para tocar em palcos renomados, como A Obra (MG) e no Festival Do Sol (RN).

"Você vai ouvir falar muito dessa banda" - as palavras não são minhas, mas de Dimmy, um dos bateristas do Vendo 147, que gentilmente respondeu, por e-mail, a entrevista a seguir.

OverMúsica: Eu li no release da banda no myspace que se trata de uma "importação" fazer rock com 2 baterias. Quando e onde foi que vocês tiveram a idéia de montar uma banda com essa proposta?

Dimmy: Na verdade eu toquei com uma banda da Suíça chamada The Monsters, em uma turnê que eu fiz com o Honkers em 2003. Foram 3 shows, o suficiente pra poder analisar como a coisa funcionava, eu achei aquilo a coisa mais sensacional do mundo e pensei comigo mesmo: "um dia vou montar uma banda com um clone", até que eu ouvi e vi a Vendo 147 e propus pros caras pra usarmos o clone drum; no início eles acharam que não ia rolar, mas depois do primeiro ensaio ficaram super animados. Mas era só um projeto e não levamos a sério; esse ano que resolvemos levar isso a sério e eu me senti meio que na obrigação de divulgar o clone drum pro Brasil.

Não é de hoje que os integrantes trabalham e fazem rock na Bahia. No caso do Vendo 147, a banda carrega algum elemento "baiano" nas composições?

Total, só o fato de termos dois bateristas na banda ja é mais que uma prova da baianidade da coisa, a bateria é um dos elementos da percussão, ou seja, temos dois percussionistas na banda! Uma outra novidade é que vamos começar a utilizar uma guitarra baiana, que foi desenvolvida pelo Elifas (luthier de Aracaju que fabrica guitarrras bainas), Pedro, um dos guitarristas virou endorse dele e vai usar uma guitarra baiana modelo Les Paul (é sério) com captação direcionada pro rock. Quer mais baianidade do que isso?

Como foi que surgiu essa idéia de usar a guitar baiana e esse contato com o luthier? Fiquei curioso pra saber como seria a "cara" dessa guitarra.

Na verdade Pedro sempre teve a intenção de usar uma guitarra baiana na banda, quando fomos tocar em Aracaju, veio a idéia de visitar a fábrica do Elifas (o luthier) e nessa visita os caras levaram um material da banda e na conversa foi acordado um endorse, o Luthier gostou da idéia e resolveu abraçar a coisa. Como Duardo desenha e cria a nossa arte, ele desenhou uma guitarra que ficou num formato de Les paul e mandou pro Luthier desenvolvê-la, guitarra essa que em breve o mundo irá ver. Hehe

Mesmo ouvindo o EP completo dá vontade de ouvir outras músicas da banda. Vocês estão produzindo mais?

Nós gravamos esse ep, lançamos virtualmente e em formato físico pelo selo Big Bross records, acabamos de disponibilizar o clipe de uma de nossas musicas (Hell) no youtube e estamos cumprindo alguns shows que estavam agendados há algum tempo e depois da nossa tour pelo nordeste em novembro, vamos começar a pré produção do nosso primeiro disco cheio.

E quais os planos (ou diretrizes) da banda? Já existe contato ou interesse de algum outro selo?

Nossa pretenção é compor trilhas pra cinema, teatro, comercial... essa sempre foi a nossa maior pretenção, enquanto banda, o que queremos mesmo é circular por aí, mostrar o nosso trabalho pro maior numero de pessoas e cidades possiveis e tocar nos festivais que existem pelo país, que aliás, cada dia tem aumentado. Sobre o disco, existe contato, existe interesse, mas temos que primeiramente compor as músicas, depois entrar no processo de produção, gravar, mixar, masterizar e aí sim ver como isso pode ser distribuido e divulgado pra que todo mundo possa consumir esse produto (a música).

O que você faz além da banda?

Vou citar todos os integrantes, até porque eu geralmente respondo as entrevistas por ter um tempo mais tranquilo do que os outros membros da banda: Eu (Dimmy) sou portuário, trabalho no porto de Salvador. Glauco Neves é técnico de audio, trabalha no laboratório de audio da Unifacs e é técnico de som de um estúdio, além de ter uma produtora de audio e vídeo. Duardo Costa é diretor de arte e trabalha na SLA. Pedro Itan é engenheiro eletricista e trabalha na área. Caio Parish é estudante de fisioterapia da Ucsal.

E de onde vem o nome do grupo e essa idéia de usar máscaras e avental?

Bem, sobre o nome da banda: Glauco gravou umas músicas em 2006 e criou uma página no Trama Virtual e pediu pro amigo de trabalho Eduardo Penna (ex-vocalista da Los Canos) pra ele dar um nome pra ele colocar no projeto, porém Penna tava vendendo um carro e estava lendo o anuncio que iria colocar no jornal, lendo em voz alta: "Vendo 147, ano tal, cor tal.." e Glauco disse, "perfeito"!, gostei desse nome aí, Vendo 147, Penna que estava desligado perguntou o que estava acontecendo, que não tinha falado nome nenhum e tals, e acabou ficando esse nome aí. Sobre Avental, isso foi usado na época que era só um projeto, quando tocávamos quase nada, tipo uma vez por ano. Esse ano quando resolvemos levar a coisa a sério, virar banda de verdade, resolvemos não usar os aventais e usar sim as máscaras, mas todos usarem máscaras que seriam desenvolvidas com exclusividade pra banda.

Falando em exclusividade, aquele logo que tem nas camisetas da banda, foi algum integrante que fez?

Toda a arte da banda é feita por Duardo Costa.

Abril pro rock - Programação completa



www.abrilprorock.com.br

O festival Abril Pro Rock chega à maioridade com novo formato, instigando discussões que rondam o mundo da música e abrindo oportunidades para qualificação de quem vive ou pretende viver do negócio. Para as duas noites tradicionais do festival, mais de 20 bandas nacionais e internacionais estarão nos dois palcos montados no Pavilhão do Centro de Convenções, dias 16 e 17 de abril. Entre os nomes escalados, estão o DJ /MC Afrika Bambaataa (EUA), Pato Fu, 3 naMassa e Instituto Mexicano Del Sonido (México). Para a chamada noite “de peso”, desembarcam no Recife Blaze Bayley (ex-vocalista das bandas Iron Maiden e Wolfsbane), The Varukers (banda ícone do punk hardcore inglês), Agent Orange (da Califórnia, uma das primeiras bandas a misturar punk rock com surf music), Ratos de Porão e outros.

Nesta edição, o festival também realiza o APR Club – o club do Abril Pro Rock, que funcionará por sete noites (15,20, 22, 23, 24, 30 de abril e 01 de maio) no casarão 143 da Rua do Apolo, Bairro do Recife. Três shows e sets de DJs rechearão as noites, duas delas apresentadas pela BBC Rádio 3 (rádio pública eleita a melhor do ano no Reino Unido) e uma noite pela rádio Antena 3 de Portugal. Artistas de qualidade, ingressos acessíveis e um lugar que provoca a vontade da cidade por um espaço adequado para bandas independentes tocarem para um público médio de 500 pessoas.

APR no Rio de Janeiro – Nos dias 9 e 10 de abril, o Abril Pro Rock aporta na Lapa, no Teatro Odisséia, Rio de Janeiro. Festival que mapeou a cena musical emergente brasileira faz edição no Rio de Janeiro. Em sua segunda edição em terras cariocas, o festival apresenta Mundo Livre S/A e Sambê, na sexta, dia 9. No sábado, da 10, será a vez do Instituto Mexicano Del Sonido, DJ Dolores e da banda Tono. O DJ Bruno Pedrosa bota o povo pra dançar antes e depois dos shows nos dois dias de festival.

Qualificação – Oficinas gratuitas, realizadas em parceria com o Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Especial da Juventude e Emprego, complementam a programação do Abril Pro Rock 2010. As aulas, de 12 a 24 de abril, ocorrem no Centro Cultural dos Correios, Bairro do Recife. Ciclo de palestras e seminários também entram na grade de possibilidades de qualificação e informação do festival.

A renovação do Abril Pro Rock, no ano em que completa a maioridade, vem adequada às atuais demandas e inquietações do mercado. Sem medo de arriscar, o Abril mantém de pé sua essência: traz ao público pernambucano novas sonoridades e artistas independentes que circulam pelo o Brasil e pelo Mundo e dá visibilidade à cena musical do estado – certamente uma das mais elogiadas e festejadas nos circuitos da música mundial. Este ano, cresce o número de bandas nos dois dias (que serão na Fábrica Tacaruna), passando de 15 (2009) para 24 (2010), fora os outros 28 grupos e DJs que estarão na grade do APR Club. Os valores dos ingressos também são outra atração para o público, reduzidos em 20%.

Programação

APR CLUB | 15.04 – Festa do APR | A partir das 22h

Instituto Mexicano del Sonido | Méx
DJ Dolores e Banda| PE
Diversitrônica | PE
DJ Rodrigo Lariu | RJ
DJ Seba | ARG

Pavilhão do Centro de Convenções | 16.04 | Abertura dos portões: 20h

Inner Demons Rise | PE
Alkymenia | PE
The Mullet Monster Mafia |SP
Agent Orange | EUA
Claustrofobia | SP
Eminence | MG
The Varukers | Inglaterra
Ratos de Porão | SP
Terra Prima | PE
Blaze Bayley | Inglaterra

Pavilhão do Centro de Convenções | 17.04 | Abertura dos portões: 17h

Anjo Gabriel |PE
Mini Box Lunar | AP
Plástico Lunar |SE
Bugs | RN
Vendo 147 | BA
The River Raid | PE
Zeca Viana |PE
Instituto Mexicano del Sonido | México
Nevilton | PR
Afrika Bambaataa | EUA
Plastique Noir | CE
3naMassa | PE/SP
Wado | AL
Pato Fu | MG

APR CLUB | 20.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Orquestra Contemporânea de Olinda | PE
Bongar | PE
Combo Percussivo de Olinda | PE

APR CLUB | 22.04 – Noite Radio Antena 3 | A partir das 22h

The Legendary Tigerman | Portugal
Dead Combo | Portugal
Chambaril | PE

APR CLUB | 23.04 – Noite BBC Radio 3 | A partir das 22h

Siba | PE
Alessandra Leão | PE

Ylana | PE

APR CLUB | 24.04 | A partir das 22h

Mundo Livre S/A | PE

Burro Morto | PB

Camarones Orquestra Guitarristica | RN

APR Club | 30.04 | A partir das 22h

Dead Fish | ES
Love Toys | PE

APR Club | 01.05 | A partir das 18h

Dead Fish | ES
Rotten Flies | PB

sexta-feira, 9 de abril de 2010

(Sirva-se) De Belas imagens

A Sirva-se é obra de um coletivo que acredita na possibilidade de transformação através da arte e da cultura. O projeto nasceu a partir da idéia de criar um produto e unir nossos esforços para criação de um produto gratuito, auto-gerível e de qualidade. Cultura alagoana para o mundo e cultura do mundo para Alagoas.

O Coletivo publicou em seu site uma entrevista com os fotografos da Snapic, daqui de Aracaju, e Rafael Passos, da Paraiba. Clique aqui para ler a entrevista completa.

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É bem certo que o cenário alternativo do nordeste vem passando por um momento de efervescência e conquista de novos espaços. A partir disso, podemos notar uma preocupação clara com a qualidade na viabilização das propostas artísticas, fazendo com que as mesmas assumam um posicionamento mais profissional na hora de se expor e transmitir mensagens.

Levando em consideração o uso de novas tecnologias na produção e distribuição de conteúdo, o serviço mostrado na região, em muitas ocasiões, sobrepõe a velha máxima de que o que presta é o trabalho realizado por profissionais que se encontram nos grandes centros urbanos, geralmente do Sudeste do país.

Alimentando essa contramão e explorando um universo cada vez mais amplo, a fotografia vem se destacando como um elemento fundamental nessa nova cara da cena independente.

Dessa forma há uma forte ligação entre a expansão e consolidação de trabalhos, associados a uso da imagem, muitas vezes explorado pelo ato fotográfico.

Nessa compreensão percebemos que é de fundamental importância o papel desse suporte na difusão de informações e em caráter de registro, com isso o fotógrafo passa a constituir-se como peça essencial nessa propagação de novas ideias.

Levando em conta diferentes posturas e pontos de vista, a SIRVA-SE resolveu entrevistar alguns fotógrafos inseridos no cenário alternativo de diferentes localidades na região, para saber um pouco de cada um, como eles enxergam o ato de fotografar.

Um dos caras vem parte de cima do mapa, mais precisamente da Paraíba. Rafael Passos é o fotógrafo oficial do Coletivo Mundo, que desenvolve ações culturais na cidade de João Pessoa. O cara inaugurou recentemente uma exposição com os seus trabalhos no “QG” do coletivo, em comemoração a um ano do coletivo e do Espaço Mundo.

Expondo outras respostas às mesmas perguntas, aparecem os sergipanos Victor Balde e Arthur Soares, da Snapic. Dois caras que cresceram junto com a cena de sua cidade e hoje desenvolvem um belo trabalho de arte e registro, utilizando a fotografia como linguagem.

Diferentes visões, de pessoas da mesma região e que trabalham com o mesmo meio na transmissão de suas mensagens, mas que expõem um diferencial para mostrar que fotografar todo mundo é capaz, mas transmitir emoção através de imagens requer um pouco mais de dedicação e atenção com o trabalho.














quinta-feira, 8 de abril de 2010

Recordar é viver ...

Depoimento do produtor mineiro Jefferson Santos para o projeto Memória Rock BR90.

Fonte: Meus Sons

O produtor Jefferson “Kaspar” Santos fala com propriedade sobre o que foi o BHRIF - BH Rock Independente Fest -, um dos pioneiros e mais importantes festivais de música independente do país. Cuja edição aconteceu na capital mineira em agosto de 1994, reunindo a nata do indie rock brasuca da época e a presença histórica da lenda norte-americana Fugazi. Leia o que Jefferson disse:

“Quando eu fui trabalhar no BHRIF os alicerces do festival já estavam plantados. Na época eu fazia o fanzine Kaspar e tinha lançado uma edição especial só com novas bandas brasileiras. Saiu uma matéria sobre o zine no Hoje em Dia, um jornal daqui, e o Marcos Boffa, que era o responsável pelo evento, me chamou pra fazer parte da equipe. Porque havia um sentimento generalizado na grande imprensa que não existia uma cena de nova música brasileira, que o que tinha era só banda cover. E a gente, que tava envolvido com fanzine, via a história completamente diferente: a cena era gigante, pungente.

O festival fazia parte dos preparativos para a comemoração dos 100 anos de Belo Horizonte. A prefeitura criou uma comissão para cuidar desses eventos, que eram o BHRIF, uma temporada de poesia e um festival de teatro. Desses, só o FIT continuou e ainda existe, ainda veiculado à prefeitura mas gerenciado por iniciativa privada.

Então não sei como o festival surgiu mesmo, como foi a idéia inicial, o estalo de “Ah, vamos fazer um festival de rock independente”. Isso é coisa do Boffa - a idéia do festival foi dele, o responsável foi ele. O meu papel foi mais modesto: eu fazia parte da comissão que escolhia as bandas (ao lado do Marcelo Dolabela, do Arthur G. Couto Duarte e do Alex Antunes, todos uma geração acima da minha, meus ídolos da imprensa musical na época) e cuidava diretamente das mostras paralelas: exposições, palestras, debates. Meu papel mais importante, eu acredito, foi ter sugerido e ficado responsável pelo Off-BHRIF, um evento paralelo ao principal. A prefeitura bancou som e estrutura para esse Off, eu convidei as bandas e ninguém nesse palco ganhou nada, nem passagem, nem hospedagem, nada. E foi, pra muita gente, a melhor parte do BHRIF…

O cenário na cidade era dominado pela Cogumelo, que fez escola e história. Havia um outro selo/loja, chamado Câmbio Negro, que lançou o Último Número. Havia essa santissima trindade alternativa/independente: Ultimo Número, Sexo Explícito, Divergência Socialista. E a turma do metal. E começavam a pipocar umas bandas hardcore, como o VE, Dreadfull, de uma moçada skatista na cidade. Do interior não tinha muita notícia. Particularmente conhecia as cenas de Divinópolis, onde nasci (que tinha Catchup Boys e Lupe) e Juiz de Fora, onde havia morado (que tinha os projetos eletrônicos do Paulo Beto/Anvil FX/Silverblood e mais um monte de coisa e umas bandas de rock). O projeto do BHRIF possibilitou, por exemplo, um festival semelhante em Divinópolis. E nessa época começavam a pipocar outros festivais país a fora, como Juntatribo e o Abril pro Rock (sem dúvida o mais bem administrado desses três).

Esses três festivais são, sem dúvida, responsáveis por muito do que foi feito na música brasileira nos últimos anos. Possibilitou o surgimento de bandas, o intercâmbio, o desenvolvimento de cenas. Foi importante mostrar que era (e hoje, mais que nunca, ainda é) possível criar essas coisas as margens da indústria fonográfica. Do BHRIF, pro exemplo, veio a Motor Music e por causa da Motor o Nobre começou a fazer shows em Goiânia e a cidade é hoje exemplo dessa possibilidade. A cena goiana, a Abrafin, isso tudo é culpa desses tres festivais aí. Se a gente não tivesse inventado de fazer uma coisa dessas talvez, aí sim, teríamos uma cena brasileira ainda dominada pelas bandas cover…”

Clique AQUI para ler uma resenha do BHRIF por Adelvan Kenobi

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Independência S.A.

por Rodrigo Lariú

Idealismo, paixão e teimosia movimentam as engrenagens da prolífica indústria dos festivais independentes brasileiros

Fonte: Rolling Stone

Ao criarem os festivais Juntatribo (em 1993, em Campinas), Abril Pro Rock (Recife), BHRIF (Belo Horizonte) e o Humaitá Pra Peixe (Rio de Janeiro), os três em 1994, seus produtores tinham um objetivo principal bem definido: ajudar as bandas de que gostavam. Hoje, já chegam às dezenas os festivais independentes acontecendo durante todo o ano, do Pará ao Rio Grande do Sul. A explosão recente desta espécie de evento motivou a fundação da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e o contínuo nascimento de novos projetos. Só em 2006, três novos festivais aconteceram, alguns com verba inicial de R$ 70 mil já na primeira edição.

Um conceito é básico para entender toda a movimentação em torno dos festivais independentes: sem eles, grande parte dos artistas de hoje (independentes ou não) como Nação Zumbi, Los Hermanos, Autoramas e Detonautas, teriam sua carreira profissional dificultada ou atrasada. No começo dos anos 90, várias bandas utilizavam caminhos alternativos para divulgar seus trabalhos e chegar a uma gravadora. Esse caminho havia sido criado por bandas underground do fim da década de 80, como Pin Ups, Killing Chainsaw e Second Come. Elas cantavam em inglês, não eram unanimidade na imprensa e dependiam de seus próprios meios para existir. Faziam shows em locais pequenos, vendiam suas próprias fitas demo e usavam os fanzines como principal meio de divulgação. Este era considerado um "desvio" do esquema do rock brasileiro de então, quando estúdios caros, empresários e muita grana eram o único caminho para se criar uma carreira. Nomes como Raimundos, Pato Fu, Little Quail & The Mad Birds, Chico Science & Nação Zumbi, Concreteness, Planet Hemp, brincando de deus e dezenas de outros pegaram esse "desvio".

Em 1994, com a estabilização econômica do Plano Real, bandas, gravadoras independentes e fanzines aperfeiçoaram o modelo underground de fins dos anos 80, unindo a ideologia do it yourself e contatos país afora. Mais eficiente do que fazer tudo sozinho era unir várias bandas, vários fanzines, várias gravadoras independentes em um único evento: nascia o festival independente.

Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos não se falava de outra coisa que não fosse o Lolapalooza, festival itinerante criado por Perry Farrell (Porno for Pyros e Jane's Addiction), que reunia a nata do mercado independente norte-americano e era o sonho de consumo de amantes de música mundo afora. A impressão que se tinha daqui, pleno período pré-internet, era de que tudo de relevante acontecia durante o Lolapalooza.

No Brasil, o histórico de eventos desse tipo era praticamente nulo. Os festivais da época passavam longe de ser independentes: Rock in Rio e Hollywood Rock eram eventos de marca, atrelados ao mainstream e muito distantes da realidade do nascente mundo independente. É histórica a campanha dos fãs para incluir o Sepultura, no auge do sucesso do disco Arise, no Hollywood Rock de 1993. E isso porque a banda já nem fazia mais parte do cenário independente na época.

Pensando em eventos que reunissem as bandas emergentes, as primeiras edições do Abril Pro Rock, Juntatribo, Humaitá Pra Peixe e BHRIF apresentaram nomes que poucos na época tinham ouvido falar: Tube Screamers, Raimundos, Muzzarellas, Paulinho Moska, Corações e Mentes, Coma, Funk Fuckers, Low Dream, mundo livre s/a., Inhumanoids, Waterball, Mickey Junkies, Skijktl, Serpent Rise; e internacionais, como Fugazi e Swamp Terrorists. A intenção era clara: em vez de reunir dezenas de milhares de assinaturas e implorar para que uma banda entrasse num festival de grande porte, produzia-se um show para as novas bandas tocarem.

A estabilização da economia ajudou o nascimento da cena, mas também impulsionou o mercado musical brasileiro dos "grandes". As gravadoras majors criaram fenômenos de venda como Mamonas Assassinas, a axé music, o pagode e o sertanejo. Turbinada por discos que vendiam centenas de milhares de cópias, por um mercado fonográfico que era o sétimo maior do mundo e por muito dinheiro, instaurou-se uma espécie de "monocultura musical" no país. A saída, mais uma vez, eram os festivais independentes.

Fugindo do período do primeiro trimestre, "quando nada acontecia na cidade, a não ser o axé", o produtor Paulo André montou o Abril Pro Rock no quarto mês de 1993, e assim vem sendo há 14 edições. "Todos achavam loucura, mas percebi que algo de novo acontecia na cidade e que faltava um lugar para as bandas se apresentarem", relembra. Paulo era dono de uma loja de discos em Recife e viu no evento uma saída para divulgar seu negócio e a música de seus amigos e clientes, além de reunir a emergente cena musical local. Há quilômetros de distância, Bruno Levinson, produtor do festival carioca Humaitá Pra Peixe, teve visão semelhante: "Sempre enxerguei no Humaitá uma vitrine para que os artistas se desenvolvessem, para que pudessem criar carreiras a médio e longo prazo", explica. "Era muita gente boa sem espaço para tocar."

Com a devida atenção da imprensa, as grandes gravadoras perceberam a novidade e passaram a enviar "olheiros" aos festivais. Consagrado no primeiro Juntatribo, que teve cobertura ampla da MTV, a banda brasiliense Raimundos foi contratada pelo selo Banguela, uma parceria dos Titãs com o produtor Carlos Eduardo Miranda, distribuída pela Warner Music. A Sony Music já tinha o selo Chaos, onde lançara Skank, Gabriel O Pensador e lançaria Chico Science e Planet Hemp, esta última revelada pela segunda edição do Juntatribo. Ainda na primeira metade da década de 90, quase todas as gravadoras multinacionais tinham selos independentes. A BMG reativou o selo Plug (que nos anos 80 lançara Picassos Falsos, Engenheiros do Hawaii, Replicantes, Violeta de Outono, Obina Shock, entre outros), contratando o Pato Fu. A EMI ativou o selo Rock It!, capitaneado por Dado Villa-Lobos (Legião Urbana) e André Muller (Plebe Rude), que lançou discos de bandas mais alternativas como Second Come, Pelvs, Gangrena Gasosa, Low Dream e Dungeon. Não por coincidência, todas essas bandas participaram, em algum momento, de festivais independentes.

Atentos a essa movimentação, mais festivais surgiam. No Rio de Janeiro, sede das grandes gravadoras, nasceu o SuperDemo. De Curitiba veio o BiG, uma insanidade com quase 100 bandas. Em Salvador, o Boombahia. Em São Paulo, o Screamadelica. Em Goiânia, surgia o Goiânia Noise Festival, hoje considerado o principal festival independente do país e cuja primeira edição aconteceu em 1995.

Mesmo sendo cria da primeira leva de festivais independentes, o Goiânia Noise só se estabeleceu e tornou-se referência quando optou pelo formato que hoje é usado por quase todos os outros eventos semelhantes: seus shows acontecem em locais de médio porte, sempre com dois palcos, 75% das atrações são independentes, muitas delas originadas na própria região onde o festival se realiza e usando leis de incentivo para alcançar subsídios (mas o evento não deixa de acontecer caso a verba não saia).

"Eu acho que o fato de Goiânia estar longe dos grandes centros, de não ter uma história roqueira e mesmo assim organizar um festival com 20, 30 bandas de rock pesou muito", analisa Fabrício Nobre, um dos produtores. "Eu sempre pirei nos festivais europeus, com mais de um palco, onde você mistura atrações aparentemente díspares como Ratos de Porão e Violins", diz. "O público sempre foi muito receptivo em Goiânia. O simples fato de você tocar guitarra já é contestador e o público do festival assiste a tudo. Isso impressiona as bandas que vêm de fora e a imprensa."

Se durante a segunda metade dos anos 90 os festivais independentes eram vistos apenas como provedores de novos talentos para o mainstream, a cena começou a mudar no começo da década atual. Antes, a principal propaganda dos festivais era ter revelado uma banda para o mercado fonográfico. A história diz que o Abril Pro Rock revelou a cena mangue, a banda baiana Penélope e o Los Hermanos; o festival MADA de Natal lançou o Detonautas; o Humaitá Pra Peixe empurrou a carreira do Planet Hemp e de Marcelo D2.

Atualmente, em um cenário onde a tão falada "crise do mercado fonográfico" e a nova orientação política iniciada com o primeiro mandato do governo Lula dão as cartas, a ordem é seguir uma orientação auto-suficiente voltada para o fomento do mercado independente como fim, e não mais como meio. O discurso mudou: o que mais se lê em jornais são as bandas questionando se vale a pena assinar com uma grande gravadora. Por sua vez, as grandes gravadoras não mandam mais olheiros aos festivais, onde cresce a quantidade de estandes de gravadoras independentes, que vendem seus discos e camisetas diretamente ao seu público. No Goiânia Noise de 2003, o estande da Monstro vendeu, em três dias, R$ 8 mil e quase 100 discos.

A maior função dos festivais continuava sendo gerar o intercâmbio entre bandas, fanzines, selos, produtores e jornalistas, mas agora está ligada principalmente ao próprio mercado independente. Aí mora a grande diferença do modelo atual em relação aos festivais da década passada: o evento passa a ser visto como um amplificador da produção musical e cultural daquela região. Em um país de dimensões continentais, cidades distantes do eixo Rio-São Paulo se espelham neste modelo de evento para entrar no mapa brasileiro. Enquanto fenômenos de massa como É o Tchan ou Banda Calypso se desligam das raízes e tornam-se acontecimentos nacionais, são os festivais independentes que garantem a projeção de cidades, estados ou regiões.

No final de 2005, 14 produtores dos principais festivais nacionais se reuniram em Goiânia para criar a Abrafin (Associação Brasileira de Festivais Independentes). Segundo a associação, para ser independente, um festival deve escalar pelo menos 75% de artistas não ligados às gravadoras multinacionais, não pode ser gerido pelo governo, não pode ser bancado por grandes veículos de comunicação ou por grandes empresas. Pelo estatuto, Tim Festival, Claro que é Rock, Nokia Trends e Skol Beats não são considerados festivais independentes, pois são financiados por grandes marcas. Da mesma forma, eventos como Ceará Music, Planeta Atlântida e Festival de Verão de Salvador não poderiam se associar.

Isso não significa que os independentes não queiram o apoio de marcas. "Não vejo problema em me associar a essas empresas, desde que a parceria seja saudável," diz Bruno Levinson, do Humaitá Pra Peixe, o qual já teve patrocínio da TIM, Pepsi, Sprite, Clearchannel e conta com o apoio da operadora Oi em sua edição 2007. Mesmo com o patrocínio, seu festival foi convidado a se associar à Abrafin. "O fato de eu ter feito a edição de 2005 com patrocínio e a de 2006 sem, para mim só confirma que o meu evento é independente o suficiente para se associar a uma marca ou acontecer sem ela."

Atualmente, parte da verba de um festival independente vem de apoio governamental. A edição 2006 do Abril Pro Rock custou R$ 720 mil, sendo que um quarto do valor veio do apoio que o Governo de Pernambuco fornece desde 1995. Outra parcela saiu da Petrobras. A edição mais recente do Goiânia Noise custou quase R$ 300 mil, dos quais um terço saiu da Lei Goiás de incentivo cultural. "Se não fosse o público, que nesta edição foi de 6 mil pessoas, teríamos perdido dinheiro", lamenta o produtor Fabrício Nobre.

Além dos altos custos, a montagem das programações dos festivais surge como problema, uma vez que contratar nomes de peso como Los Hermanos ou Pato Fu implica em cachês e passagens que às vezes custam mais que o custo total de um festival com bandas menos conhecidas. "Ao não escalar bandas assinadas com grandes gravadoras, o festival abre espaço para a gravadora da sua cidade, que está lançando um disco de uma banda local", explica Pablo Capilé, produtor do Calango e do Grito Rock, ambos de Cuiabá. Outro obstáculo, os altos custos de produção, interessa diretamente ao Governo Federal. Dione Manetti, diretor do Departamento de Fomento à Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, vê nos festivais "uma manifestação de organização coletiva em busca de soluções próprias para questões como emprego". Curiosamente, o Ministério do Trabalho e Emprego se interessou pelos festivais antes que o Ministério da Cultura. "A política do governo atual é conversar com todos, com os 'grandes' e com 'os pequenos' e detectamos nos festivais uma forma organizada de autogestão que interessa ao programa de economia solidária", explica Manetti.

O "viés político" já está no modus operandi de alguns desses festivais, como o Calango, em Cuiabá, "nascido" em 2001 com uma verba de R$ 35 mil da lei de incentivo estadual. Já em sua quarta edição, o festival custou R$ 200 mil, 30% dos quais saíram desta mesma lei. O restante ficou por conta dos rendimentos com bilheteria, bar e do fundo de cultura municipal. "Toda ação é política", define Capilé. "Nossa intenção com o festival é fortalecer o mercado de cultura e toda a cadeia produtiva que gera emprego e educação para o nosso estado. O governo não se intromete no formato e na programação do festival, é uma relação de parceria." Mesmo com um melhor relacionamento com empresas privadas e com o governo, os festivais ainda sofrem para aparecer para o grande público. Dados da Abrafin indicam que a maioria dos 300 mil espectadores dos festivais realizados em 2006 são jovens (16 a 34 anos), das classes A, B e C, com instrução de nível médio a superior.

Contando com bandas novas ou consagradas, com ou sem dinheiro, com verba do governo ou ajuda privada, com milhares de pessoas na platéia ou com apenas uma centena delas, a existência do festival independente é diretamente relacionada à perseverança de seus organizadores. A primeira edição do festival Se Rasgum No Rock, em Belém (PA), contou com Wander Wildner, Cachorro Grande e mundo livre s/a, teve uma média de 2 mil pessoas por noite e, mesmo assim, amargou um prejuízo total de R$ 11 mil. "Mas encaramos isso como lucro, pois para a primeira edição, o retorno que o festival deu em visibilidade nacional para a cena local e para o patrocinador já quase que nos garante para o ano que vem", explica o produtor Marcelo Damaso. A dificuldade de transpor barreiras e atingir um público mais amplo representa um dos grandes obstáculos dos festivais independentes - obstáculo este que os organizadores adoram tentar transpor. "Nós pensamos na possibilidade de trazer a Pitty em 2007", divaga Damaso. "Mas, a princípio, eu prefiro ficar mesmo com os grupos independentes."

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Cidade do rock

Fazendo o dever de casa, Goiânia se transforma num dos principais pólos do rock independente nacional. Matéria de capa da edição número 22 da revista Outracoisa, de agosto de 2007.

por Marcos Bragatto

Fonte: Rock em Geral

Se existe um lugar em que o rock independente está dando certo nesse País, esse lugar se chama Goiânia. Em pouco mais de treze anos a cidade se inseriu fortemente dentro do cenário da música independente e criou aquilo que todo mundo gosta de chamar de cena. Goiânia tem uma das maiores gravadoras independentes do Brasil, muitas bandas, três festivais de projeção nacional, programas de rádio e publicações independentes, e – o melhor – tem formado um público segmentado e fiel à nova música brasileira, numa época em o que o “ser eclético” é que dá o tom. Mais: ajudou a impulsionar a experiência de uma nova lógica de mercado em outras capitais também distantes dos pólos culturais do sul maravilha, que hoje se conhece como Movimento Fora do Eixo, e ainda participou da criação da Abrafin – Associação Brasileira de Festivais Independentes, já que o presidente é um goiano roqueiro.

Uma das premissas da tal lógica de mercado é o trabalho a médio e longo prazo que visa muito mais a consolidação de uma carreira do que estopins cada vez mais esporádicos no mercado fonográfico. Um trabalho de formiguinha que só começa a aparecer depois de contabilizados dez, 13 anos de atividade. Tanto que só agora é possível enxergar como a coisa se deu em Goiânia, que, a bem da verdade, ainda precisa ser mais bem sucedida no quesito rentabilidade. “A situação hoje não é tão profissional, financeiramente os caras continuam tendo que viver de outras coisas, mas é profissional no campo da produção, no realizar. Os discos e as coisas da Monstro são muito bem feitas”, conta Fabrício Nobre, se referindo à Monstro Discos, a principal gravadora/produtora de Goiânia. Há dez anos, Nobre, que hoje é presidente da Abrafin, era apenas um freqüentador do Goiânia Noise Festival, o evento considerado divisor de águas na cidade e que chega agora à décima terceira edição. Insatisfeito por não ver sua banda (MQN) no elenco do festival, ele decidiu arregaçar as mangas e fazer o seu próprio. Assim surgia o Bananada, em 1999, o outro festival que faz a fama da cidade, e acontece no primeiro semestre. O nome é uma referência ao selo de Fabrício, o Me And My Monkey Records, e à forma de dar uma banana para uma certa feira Agropecuária com ênfase na música sertaneja que acontece na mesma época. Pouco tempo depois Fabrício se juntou à Monstro, que hoje é gerida por pelo quarteto de ferro completado por Leo Razuk, que já trabalhava com ele, Leo Bigode e Márcio Jr.

Formando um público rock

Fabrício e o Bananada podem ser chamados de segunda geração do rock de Goiânia. Pioneiros mesmo foram Leo Bigode e Márcio Jr., que, empolgados com a efervescência do rock nacional mostrada na TV via cobertura do histórico Festival Junta Tribo, realizado em Campinas em 93 e 94, decidiram fazer algo parecido em Goiânia. Juntos eles mantinham a loja Sonic, que também era um selo de fitas cassete. Márcio se lembra muito bem: “Eu tinha acabado de montar o Mechanics e havia uma nova leva de bandas que eram muito legais e inspiradoras, tipo um novo rock brasileiro”. O mundo ainda vivia o rescaldo do sucesso das bandas de Seattle. Se um grupelho de uma gravadora de uma cidade do interior como o Nirvana podia dominar o mundo da música pop, por que não fazer isso acontecer aqui? Não por acaso hoje volta e meia Goiânia é chamada de “Seattle brasileira”. E pensar que no início as pretensões eram mínimas. “A gente só queria trazer bandas de fora pra tocar aqui e que as nossas bandas tocassem fora”, lembra Leo Bigode. Queríamos que mais bandas aparecessem, que o cara que tava ali vendo o show no ano seguinte tocasse com a banda dele. Cumpria a função do festival”.

Uma outra função do festival, bem mais interessante, foi a de formar público. Quem costuma ir ao Goiânia Noise vê sempre uma boa quantidade de gente cantando junto com quase todas as bandas na frente do palco. O publicitário Eudenes Romão é um desses. Não só viu a gênese do festival como foi a todas as edições. “É a melhor oportunidade de sacar o que existe no universo independente. O perfil do festival e público permite uma liberdade na escalação que em outra cidade pareceria esquizofrênica, mas aqui rende shows imprevisíveis”, avalia ele, que batiza o movimento local de Grock. Já a estudante Bárbara Junqueira, que tinha 5 anos quando tudo começou, viu o rock nascer para ela através do GNF. “A primeira vez que fui a um festival de rock foi no Noise, fiquei encantada. A evolução foi tão grande quanto meu gosto musical. O primeiro que fui foi o oitavo, e desde então o festival só tem melhorado”, vibra. E vai além: “A cena underground de Goiânia é dividida entre antes e depois da Monstro. Foi quando a cena indie ficou muito forte na cidade e nunca mais foi embora”. Bárbara é o típico exemplo do público formado em Goiânia, que senão é de grandes proporções, mostra uma fidelidade ao jeito independente de ser. “A gente conseguiu formar um público de três, quatro mil pessoas que realmente gosta de música independente. Eles vão pra pirar no show, isso é que é impressiona as bandas que vêm tocar e emociona quem é da cidade”, aponta Fabrício.

Jimmy, o vocalista grandalhão do Matanza, é um que, olhando de cima do palco, sabe do Fabrício está falando. “Graças aos monstros aquilo é uma cidade muito doida. Aqueles caras botaram todo mundo pra ouvir rock, e hoje tem uma juventude que sai de noite de preto pra ouvir rock. Em Goiânia o show do Matanza é muito doido, é foda”, diz ele. Em 12 edições o festival já aconteceu em tudo o que é lugar: ginásio de escola, cinema pornô… E hoje se estabeleceu no Centro Cultural Oscar Niemayer, inaugurado no ano passado. A primeira edição foi cooperativada, cada banda pagou R$ 50 para tocar. Já a desse ano está orçada em R$ 700 mil, tem como patrocinadores/apoiadores a Petrobras, Lojas Novo Mundo, cerveja Sol, Sebrae e Secretaria Estadual de Cultura, entre outros. A expectativa de público é de 15 mil pessoas, nos três dias. Já tocaram no GNF nomes como Psycho Drops, Tequila Baby, Dance Of Days, Relespúbica, Wander Wildner, Ratos de Porão, Los Hermanos, Violeta de Outono, Cachorro Grande e Cólera, entre tantos outros. Em meio a muitos eventos paralelos, nesse ano acontece no GNF a reunião anual da Abrafin. Não por acaso , um edital da Petrobras classificou seis festivais filiados à entidade, isso sem falar no pioneiro Abril Pro Rock , de Recife, e no Porão do Rock, de Brasília, que já tinham o patrocínio da maior empresa da América Latina.

Articulação e ocupação de espaços

Festival implantado, chegava a hora de a dupla criar um selo. A idéia era deixar de lado aquela coisa de fitinha demo e partir para lançar disco. Em plena era do CD, o primeiro lançamento da Monstro foi um vinil azul do Mechanics, única banda que participou de todas as edições do Goiânia Noise. “A Monstro começou como selo, fazemos porque gostamos mesmo, a gente sabe que vender música no Brasil não dá dinheiro”, conta Leo Bigode, mandando a real. “Na época ninguém fazia vinil, tinha um só, do Pin Ups, e o resto eram os punks, mas era preto com negócio xerocado. Eu falava: Vamos gastar 300 paus a mais e fazer uma capa colorida, um vinil lilás, vamos inventar, vamos tirar onda. Já que não vamos ganhar dinheiro, vamos fazer as coisas mais loucas”. As coisas mais loucas foram ficando cada vez mais sérias e freqüentes, e hoje, nove anos depois, a Monstro já contabiliza quase cem lançamentos, sendo 30 de Goiânia, num total de 20 artistas. Entre as 70 de fora da cidade, nomes de destaque como Autoramas, mundo livre s/a e Ratos de Porão, entre outros. E o número cem promete mais loucura. “O ‘Monstro 100’ vai ser vai ser um box com seis CDs compilando uma música de cada lançamento, acompanhado de um libreto com a história da Monstro, dos discos e das bandas. Vai ser um box bonitão, igual aquele da Alternative Tentacles, que junto com a Estrus é referência forte pra gente“, entrega Márcio, citando duas das mais representativas gravadoras independentes americanas.

Hoje a Monstro é uma produtora que realiza os dois festivais, tem um programa numa rádio local e é uma das gravadoras mais requisitadas no meio. “A cada segundo ligam 400 pessoas pra gente querendo lançar um disco pela Monstro, de banda de black metal até música sertaneja”, exagera Márcio, que atribui a procura à estrutura que a equipe desenvolveu. A saída para atender a essa demanda sem alterar o padrão de qualidade definido desde a criação do selo foi a estruturação de um sub selo, o Alvo Discos. “Está cada vez mais difícil vender CD, então a gente trabalha com uma visão articulada de tudo, somos uma gravadora, uma produtora, etc. Existe um tipo de logística que a gente vende pra quem não se enquadra no perfil estético da Monstro, que é o Alvo, que tem mais de 20 discos lançados”, justifica Márcio. Toda essa articulação, no entanto, não seria possível se não houvesse uma atuação no campo político, que tem rendido frutos num âmbito regional (junto à Prefeitura de Goiânia), mas ampliado com o apoio da Abrafin. “A gente atua num campo de política pública para a cultura, porque a nossa produção cultural é tão legítima quanto as coisas regionais daqui. Reduzir Goiânia a um só tipo de manifestação cultural é de uma pobreza que a gente não pode aceitar. Então a gente começou a se articular politicamente para poder ocupar os espaços”, define Márcio, candidato declarado a vereador.

A terceira geração e o desafio de não morrer na praia

Os frutos desses 13 anos de atividades não são colhidos só nos eventos promovidos pela Monstro. Além da formação de um público fiel, as atividades boladas pela produtora agitaram a cena de tal forma que já se pode notar uma terceira geração do rock goiano, mais claramente no festival Vaca Amarela, que acontece desde 2001, e é produzido pela Fósforo, um outro selo independente da cidade. Articulado com o circuito fora do eixo, o festival teve sua grande edição nesse ano, reunindo 32 bandas em dois dias. “Fora isso tivemos 35 eventos realizados (média de um evento a cada 10 dias), quatro EPs e três CDs lançados, além de 22 bandas trazidas de outros estados e uma do exterior”, contabiliza Pablo Kossa, produtor executivo. Ele reconhece a importância do pioneirismo da Monstro na hora de montar sua empreitada. “A Fósforo é fruto do trabalho da Monstro, todos nós nos formamos dentro dos eventos deles. O Vaca Amarela nasceu de uma reação aos festivais deles. Eu tinha uma banda que não tocava nos eventos deles e resolvi fazer meu festival pra tocar na hora em que eu quiser”. Lembram da história de Fabrício e o Bananada? Então… Só que nesse caso, apesar do clima amistoso, não deverá haver uma fusão da Monstro com o Vaca. “Isso tem um papel fundamental para aumentar a cena, eles acabam desafogando a gente, fazendo as coisas que a gente não dá conta de fazer”, acredita Leo Bigode. “Não rola competição alguma, muito pelo contrário. Concorrência é coisa para o mercado de refrigerantes, não para a música independente”, crava Pablo. Se antes a Monstro incentivava a montagem de novas bandas, hoje inspira a formação de produtores e outros profissionais ligados à cadeia produtiva de eventos do rock independente.

A preocupação de Leo Bigode em dar ou não conta de toda a produção ligada o rock em Goiânia traz a questão de para onde aponta o crescimento da cena independente, não só lá no Cerrado, como em todo o Brasil. Afinal, aonde isso tudo vai dar? Pra Fabrício Nobre, “músico é um trabalhador de classe média como qualquer outro. Eu torço para que tenha um monte de mercado médio, cada vez menos popstar. O jeito que a Monstro trabalha pode ajudar algumas bandas a construir carreiras, e o modelo de festival da gente já serve de exemplo para o Brasil inteiro”. O tal mercado médio a que ele se refere é aquele em que um artista não vende milhões, mas o suficiente pra pagar as contas e tocar a vida às custas do rock. “Hoje você não fica refém de uma estrutura que não atendia a mais ninguém, e isso é muito bom porque a coisa vai se descentralizando”, concorda Márcio Jr. “Mesmo que a gente venda menos discos, é melhor, porque é um momento de desestruturação de um formato equivocado. Há 15 anos existia um mercado consolidado da indústria fonográfica e a gente brincando de fazer rock. Agora não é mais brincadeira, é um negócio. E a gente tem uma vantagem que não estamos enclausurados num escritório, mas no dia a dia da produção musical”, acredita. Já Leo Bigode enxerga um grande desafio pela frente. “A música tá vinculada à mídia. Eu tenho certeza que se alguma banda nossa tocasse na grande mídia venderia. Eu queria que o público do Charlie Brown comprasse o disco do MQN ou do Carbona, mas a massa nem sabe que a gente existe. Há cinco anos o grande desafio era a distribuição, hoje o disco chega nas lojas. A questão agora é o cara saber que existe, senão vai todo mundo morrer na praia”, prevê.

Raio X

O que faz de Goiânia a Meca do rock independente nacional

1.093.000 habitantes

35 shows de bandas de fora da cidade em 2007

Principais bandas
Hang the Superstars
Mechanics
MQN
Barfly
Violins
Valentina
The Rockefellers

Selos
Monstro
Alvo Discos
Fósforo
One Voice
Two Beers or Not Two Beers
Anti Records
Allegro Discos

Festivais
Goiânia Noise Festival (15 mil pessoas)
Bananada (5 mil pessoas)
Vaca Amarela (2 mil pessoas)
Rock In Sopa (mil pessoas)
Marmelada (mil pessoas)
Miscelânea (mil pessoas)

Mídia
Revista Decibélica
Zine Dr. Gore
Rádio Venenosa FM
97 Noise (Rádio 97 FM)
Rádio Universitária
Rádio on line: www.radiomidia.com

Locais de show
Centro Cultural Martin Cererê
Capim Pub
Horda Sex Rock
Vai Tomar no Kuka Bar
Woodstock
Estúdio República
Ambiente Skate Shop
Bolshoi Pub

Principais shows internacionais
Man or Astroman?
Superchunk
Marillion
Mudhoney
Nebula
Deep Purple
Lemonheads
Guitar Wolf
Cake
The Tormentos
Nashville Pussy
Aha

RIP - Malcom McLaren



Malcolm McLaren, inventor dos Sex Pistols, morre aos 64 anos

por Camilo Rocha

Fonte: Vírgula

Malcolm McLaren, "inventor" dos Sex Pistols e um dos articuladores mais criativos da história do pop, morreu nesta quinta (8), aos 64 anos, em Nova York. Ele sofria de câncer há bastante tempo.

Em 1971, McLaren abriu em Londres uma loja de roupas com a estilista Vivienne Westwood chamada Let It Rock (depois rebatizada de Sex). Pouco depois, ele iria para Nova York para empresariar o grupo de glam andrógino New York Dolls.

O NYD não vingou, apesar do público cult, mas serviu para McLaren aprender algumas coisas sobre táticas de marketing pop baseadas em choque e controvérsia.

Táticas que seriam usadas em sua próxima e mais famosa empreitada, os Sex Pistols. Para formar a banda, McLaren arregimentou quatro garotos desocupados que viviam matando tempo na Sex.

A banda detonou o movimento punk na Inglaterra, atingindo sucesso e polêmica na mesma medida. Seu álbum, Never Mind the Bollocks, é considerado um dos melhores discos de rock de todos os tempos.

Nos anos 80, McLaren foi um dos primeiros artistas brancos a apostar no hip hop, com seu álbum-solo Duck Rock e o hit Buffalo Gals. Foi dos primeiros video-clipes pop a mostrar elementos do hip hop, como dança break e scratch.

Em 1989, ele lançou o álbum Waltz Darling, inspirado pelo vogue, estilo de dança dos clubes gays de Nova York. Pouco depois, Madonna beberia na mesma fonte para o seu hit Vogue. Waltz Darling tinha participações ilustres como Bootsy Collins e Jeff Beck.

Colaboradores conhecidos também marcaram presença no disco Paris, de 1992. Com participações de Catherine Deneuve e Françoise Hardy, Malcolm desta vez foi de pop afrancesado.

O diretor Quentin Tarantino usou sua faixa About Her, na trilha de Kill Bill Vol. 2.

Segundo um porta-voz de McLaren declarou ao Independent: "Sua saúde deteriorou rapidamente e ele morreu esta manhã em Nova York. Seu corpo deverá ser enterrado no cemitério de Highgate, em Londres."

Por uma bizarra coincidência, Vivienne Westwood completa hoje 69 anos

Entrevista com plastique noir



Luz no fim do túnel?

Plastique Noir mostra que nem só de sol vive o Ceará

Por Marcos Araújo

Fonte: Portal Rock Press


Em francês, “plastique noir” é o nome do saco que embala cadáveres. E também é o nome desta banda que envolve corpos e mentes em uma dança hipnótica. À primeira audição a memória é transportada para o gothic rock dos 80´s. Os vocais soturnos lembram uma nova versão do Bauhaus ou Sisters of Mercy. A surpresa maior é descobrir que eles vem de Fortaleza, famosa por suas belas praias e pelo sol que brilha o ano inteiro. Mas aqui, o clima é outro: as letras falam de madrugadas desertas, ruínas, prostitutas, decadência urbana, necrotérios, loucura e desolação; uma face escura que se confunde entre luz e sombras.


Formado em 2005 por Airton S. (vocais), Danyel (baixo) e Marcio Mazela (guitarra), o Plastique Noir, assim como os Cocteau Twins fizeram em “Garlands” (1980) possui um quarto integrante: a Sister Hurricane, uma antiga drum machine, programada por Airton e que faz uma grande diferença no som do grupo. Ao vivo, eles ainda são mais interessantes, quando aliam elementos teatrais e performáticos em suas apresentações.


Você pode até achar que se trata de mais uma banda saudosista que remete a Nick Cave, The Mission, Cure, Siouxsie and the Banshees, Joy Division e Echo and the Bunnymen, além dos já citados Bauhaus, Cocteau e Sisters. Sim... a influência é inegável, mas basta ouvir “Creep Show” para mudar de ideia. A atmosfera gótica hipnotiza com as referências musicais, literárias e cinematográficas, como se juntassem na mesma receita todas essas bandas eighties, Edgard Allan Poe, Deleuze, filmes como O Gabinete do Dr. Caligari, Freaks e Laranja Mecânica mais pitadas de electropunk (por falar nesse estilo, vale lembrar que o Montage, ex-banda do performático Daniel Peixoto, também saiu de Fortaleza).


Depois de apresentações locais bombásticas em vários festivais do nordeste, o Plastique Noir (que já recebeu inúmeros elogios internacionais e suas canções são tocadas por DJ´s na Alemanha, Itália Bélgica, França, Portugal e Estados Unidos) também já se apresentou em Brasília, Minas Gerais, Cuiabá e São Paulo, mas ainda falta dar as caras aqui no Rio (alô, produtores!!!). O Plastique Noir também já participou de uma coletânea-tributo muito legal chamado The Sky is Gray, em homenagem ao Harry, com uma versão para a fantástica “Genebra”.


Os meninos lançaram, em 2008, o primeiro CD, pela Pisces Records, chamado Dead pop, que é uma pérola com suas influências darkwave, synthpop, industrial, indie e pop. Destaque para “Imaginary walls”, “Creep show”, “Kildergarten”, “Shadowrun”, “Those Who walk by the night” e “IML”, esta última, um punkão que termina com notas desconstruídas no piano a la Mr. Pink Eyes, de um obscuro lado B do The Cure.


Este ano, a banda promete estourar: o pontapé inicial será na 18ª edição do Abril Pro Rock no sábado, dia 17, dividindo o palco com os excelentes Wado (AL), River Raid (PE), Bugs (RN), Mini Box Lunar (AP), Pato Fu e ninguém menos do que Afrika Bambaata. E em maio, já tem marcado show em São Paulo, na Virada Cultural, dia 22.


Larry Antha, ex-vocalista da lendária banda carioca Sex Noise, já disse que o Plastique Noir é a luz no fim do túnel. Isso comprova que não somente de sombras e escuridão vive o pop nacional. Basta abrir os olhos (e ouvidos) para melhor enxergá-los.


Abaixo, uma pequena entrevista com o vocalista Airton S., que fala do futuro da banda, influências atuais e um pouco do novo disco que está por vir.


Como rolou o convite para a participação do Plastique Noir na edição 2010 do Abril Pro Rock e qual a importância desta escalação para o futuro da banda?


Airton S: Creio que o ponto de partida pra chegar até o Abril Pro Rock foi nossa segunda passagem por Recife ano passado, quando tocamos numa espécie de mostra paralela do Porto Musical. Naquela ocasião, o pessoal da Abrafin e do Fora do Eixo organizou uma noite com algo em torno de 5 bandas de diferentes regiões do país pra dar uma animada na programação e nossa apresentação deu uma boa impressionada nos organizadores de festivais que estavam lá, entre eles o pessoal do Abril. Havia um grande público que foi especialmente para ver nosso show e isso ajudou também. Acho que carimbamos ali a nossa ida pro Calango 2009 em Cuiabá, onde uma outra parte da curadoria do APR pôde nos ver também. Esse show foi foda e aí pintou o convite. Acho que esse vai ser o maior festival de que já participamos dentro do circuito. Vai ser uma vitrine muito legal, estou otimista de que alguma coisa muito boa vai pintar na sequência em função de nossa apresentação.


Quais são os planos do Plastique Noir para 2010?


O foco de 2010 é o disco, sem dúvida. Temos mais algumas viagens a fazer (Recife, São Paulo e Brasília) antes de pararmos mais uma vez com os shows pra então podermos voltar ao estúdio, onde desde o ano passado estamos compondo, arranjando, rearranjado músicas novas. Posso adiantar que o track list já está quase todo pronto. O álbum sucessor do Dead Pop deve contar com umas 11 faixas e estamos só arrematando alguns detalhes. Uma parte desse material já está sendo tocado ao vivo esporadicamente, como "Sin Hunter", "Houdini" e "Rose of Flesh and Blood". O tempo está correndo e para não termos que fazer as coisas apressadamente e de forma malfeita, enxugamos bastante a agenda. Optamos por dar preferências a shows fora de Fortaleza e/ou que paguem uma graninha, por menor que seja, para nos ajudar nos gastos funcionais da banda, que não são poucos.


O que os fãs podem esperar do sucessor de Dead Pop?


O disco está sendo feito de forma bastante cuidadosa. Está sendo meio estranho criar a coisa toda, porque, ao contrário do primeiro álbum, que era um apanhado produzidinho de quase tudo o que criamos desde o início da banda, este disco é todo planejado. Acho que eu nunca fiz algo assim antes. Temos pensado em um bocadão de coisas durante o processo: "ah, essa música vai agradar os fãs antigos? Será que vai atrair um novo público? E essa? Será que não é esquisitona demais?" Mas a principal preocupação é sempre se estamos, nós mesmos, gostando ou não. E asseguramos que a carga negra e opressora ainda está lá, em cada verso, cada nota. Refletindo as nossas impressões particulares acerca do mundo e de nós mesmos, e que normalmente tendem para uma perspectiva indigesta, talvez até cruel ou mesmo sádica, para a maioria das pessoas.


É notória a influência gótica das bandas dos anos 80 nas músicas do Plastique Noir. Atualmente, o que vocês estão ouvindo e que podem influenciar nas novas composições?


Temos escutado coisas meio díspares e acho até que nada que realmente já não escutássemos, embora sempre tentemos achar espaço para lançamentos relevantes, sejam do estilo que forem. Após um tempo pesquisando música brasileira, passei a escutar trilhas de filmes como Vestígios do Dia, As Horas e Sweeney Todd, eventualmente os dois álbuns de Antony and The Johnsons e recentemente tomei gosto novamente pelo "early industrial" de Einsturzende Neubauten e Cabaret Voltaire. Nosso baixista Danyel, com quem inclusive divido apê, recentemente assumiu as guitarras da banda grindcore Facada, muito renomada no gênero, e talvez por isso anda escutando muito som extremo pelo que percebo, o que aliás ele sempre curtiu e que sempre acaba resvalando em termos de "atmosfera carregada". O Mazela não mora mais em Fortaleza, só o vejo aos fins de semana, então receio não fazer muita idéia do que ele anda ouvindo.


Como é ser uma banda alternativa fora do eixo Rio-SP? Como é a cena underground cearense?


Acho que hoje em dia essa coisa de estar baseado no eixo faz cada vez menos diferença. Deslocar-se já não é mais tão caro e burocrático quanto já foi um dia, desde que se tenha construído um leque sólido de contatos e parceiros que favoreça a circulação da banda. E curiosamente, alguns de nossos parceiros mais valiosos nesse sentido estão aqui mesmo, em Fortaleza, o que já responde a segunda questão. O coletivo Rede Ceará de Música é uma importante ferramenta para as bandas locais darem um up no seu profissionalismo e penso que o caminho seja circular o que pra mim é a vocação natural de Fortaleza: exportar talentos sem jamais estabelecer "cena" no sentido completo do termo, com selos, mídia especializada, casas cheias e tudo o mais. A barra aqui pesa mesmo é na hora de tocarmos em nossa própria cidade. Os shows aqui são hiper-vazios, existe a Secretaria do Meio Ambiente enchendo o saco com fiscalização de decibéis, uma comarca da OMB mafiosíssima etc.


E quanto a tocar no RJ? Algum plano? Vocês sabiam que tem muitos fãs por aqui?


O Rio é uma das quatro cidades em que ainda não tocamos e somos loucos pra tocar - as outras três seriam Curitiba, Belo Horizonte e Goiânia. Sabemos da galera super massa e carinhosa que acompanha nosso trabalho aí no Rio, muitos deles mantêm contato conosco há tempos e sempre clamam por esse show que, infelizmente, nunca acontece (risos). A gente sempre tenta ajudar no que for humanamente possível quando estamos tocando em alguma cidade próxima, mas é sempre difícil encaixar no roteiro, seja devido ao fator tempo e algumas vezes por causa dos custos, que vejam só: não são nem um pouco altos (pô, produtores!) (risos). Mas boto fé que ainda conseguiremos realizar esse velho desejo. Este espaço já é uma ajuda. Valeu!


Quer conhecer um pouco mais sobre o Plastique Noir?


www.plastiquenoir.net
www.myspace.com/plastiquenoir
www.tramavirtual.com.br/plastique_noir
www.fotolog.com/plastiquenoir
www.youtube.com/plastiquenoirtv

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Epica, a entrevista



Fazendo os sonhos acontecerem

Lançando o álbum “Design Your Universe”, grupo holandês Epica inicia terceira turnê pelo Brasil hoje, em Porto Alegre, e depois passa por Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Vocalista Simone Simon concedeu entrevista exclusiva ao Rock em Geral.

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por Marcos Bragatto

Fonte: Rock Em Geral

Em dezembro de 2005, enquanto o Pearl Jam fazia a alegria de quase 40 mil pessoas na Praça da Apoteose, no Rio, o Circo Voador, também lotado, recebia o Epica como banda de abertura para o Kamelot. Era a primeira turnê da banda pelo Brasil e outra, em 2008, deixou a cidade de fora. Já bastante familiar por aqui, agora o grupo holandês está de volta, iniciando hoje a perna brasileira da turnê do álbum “Design Your Universe” por Porto Alegre. Depois é a vez de Curitiba, São Paulo e Rio, no domingo, na Fundição Progresso.

“Design Your Universe” é o quinto e mais pesado álbum do grupo, talvez até pelo ingresso de um novo guitarrista, Isaac Delahaye, que, assim como o baterista Ariën Van Weesenbeek, há três anos, veio da banda de death metal God Dethroned. O que não quer dizer que o Epica abandonou o estilo metal/sinfônico/progressivo – sem ser chato - que o projetou no mercado, sobretudo pela bela voz e abordagem da front woman Simone Simon. Completam a formação Coen Janssen (teclados), Yves Huts (baixo) e o chefão Mark Jansen (guitarras e vocais), que fundou a banda, em 2002, após deixar o (também holandês) After Forever.

O show de São Paulo vai ser gravado para o lançamento de um DVD do grupo, numa prova da identificação do Epica com os fãs brasileiros. O grupo chegou mais ao País mais cedo, e, anteontem, de São Paulo, por telefone, Simone (leia-se Simona) conversou com o Rock em Geral. Além de falar sobre a atual fase do Epica, revelou detalhes sobre o álbum “Design Your Universe”, seu estilo de cantar e a idéia de emplacar – quem sabe - uma carreira solo. De quebra, entregou algumas músicas que serão tocadas nos shows pelo Brasil. Confira:

Rock em Geral: Vocês vão gravar o show de São Paulo para um futuro DVD?

Simone Simon: Sim, vamos gravar o show, mas também filmamos um vídeo no Metal Female Voices Fest (festival belga só com bandas com vocalistas femininas) no ano passado e estamos juntando tudo isso para um DVD ao vivo. Vamos selecionar os melhores momentos e fazer essa combinação dos dois shows para o DVD.

REG: Vai ter um show acústico em São Paulo também?

Simone: Não que eu saiba, mas pode ser que estejam agendando isso e ainda não me passaram.

REG: Essa é a terceira vez de vocês no Brasil, já se sentem familiarizados com o público brasileiro?

Simone: Estivemos duas vezes antes, como banda de abertura para o Kamelot e como banda principal. Eu sempre me lembro do público muito entusiasmado, cantando alto as letras, gritando e chorando. Vocês são muito emotivos! Espero a mesma coisa dessa vez.

REG: A última vez em que vocês estiveram no Rio o show foi no mesmo dia em que o Pearl Jam tocou…

Simone: Eu nem soube disso, mas lembro que era um dia muito quente, estava bem cheio e depois do show tivemos uma espécie de “Kamelot/Epica party”. Todos ficaram realmente bêbados e temos muitas lembranças engraçadas. Me lembro que os fãs podiam nos ver no backstage, tiravam fotos, foi muito divertido. E também passamos o dia na praia.

REG: Você pode adiantar alguma coisa sobre o repertório que vocês vão tocar no Brasil?

Simone: É claro que vamos tocar músicas novas, afinal estamos promovendo nosso disco mais recente, o “Design Your Universe”, mas também vamos tocar músicas do primeiro álbum, como “Cry For The Moon”, que é uma que nós quase sempre tocamos. Vamos tocar músicas de todos os álbuns, acho que tocaremos “Consign to Oblivion”, “Resign to Surrender”, “Unleashed”… Vai ser uma boa mistura de todos os nossos discos.

REG: O Epica gosta de lançar álbuns conceituais. Há um conceito por trás do “Design Your Universe”? Em princípio soa como algo egoísta, ter seu próprio mundo…

Simone: Na verdade este disco não é conceitual. Nós temos novas partes da sequência “A New Age Dawns”, que continua nesse disco depois de ter começado no “Consign to Oblivion”, mas “Design Your Universe”, a música, tem uma mensagem. Você deve estar apto para realmente viver o que sonha e explorar o seu talento. Não apenas sonhar, por exemplo, em se transformar num músico, mas fazer alguma coisa para que isso aconteça e que seja um músico realmente bom. É sobre aproveitar suas oportunidades e criar seu próprio destino. Não é só sobre ter sua própria vida dentro do universo, mas ter que viver sua própria vida e colocar algo nisso, para fazer seus sonhos virarem realidade, não ter medo de apenas tentar.
A beleza exuberante de Simone Simon

REG: “Martyr of The Free Word” soa muito “chiclete” para qualquer pessoa, não só para os fãs de heavy metal. Este seria um caminho para o Epica seguir de modo a se tornar um grupo mais conhecido fora desse segmento?

Simone: Eu também gosto muito dessa música, acho que é bem “groovy”, mas não é uma forma de atrair públicos maiores. Nós agora temos o Isaac Delahaye na banda, ele fez um ótimo trabalho de guitarra nessa música que eu acho que é fácil de perceber. Então é uma música envolvente, e isso vale para todo o álbum, que é o mais pesado de todos do Epica. Definitivamente não há aqui nenhuma intenção comercial.

REG: Você acha que por vezes o Epica se assemelha muito a bandas de prog metal, especialmente em músicas como “Kingdom Of Heaven” ou mesmo na faixa título?

Simone: Em “Kingdom of Heaven” há um monte de estilos diferentes de metal. Tem death metal, prog metal, symphonic metal… essa música é uma bela mistura de muitos estilos que achamos na cena metálica, como faz bandas como o Opeth. Tem os grunhidos do nosso baterista também, ele tem outras qualidades além de tocar bateria, então resolvemos explorar o jeito de ele falar em algumas partes.

REG: De outro lado a música “Tides of Time” parece ter sido feita para você mostrar seu talento como vocalista solo, na maior parte da música. Como essa música nasceu? Partiu de você?

Simone: A letra e a música firam feitas pelo Coen (Janssen), nosso tecladista. Na verdade foi uma das últimas músicas a entrar no disco. Quando já estávamos numa fase de produção final do álbum, Coen terminou a música e passou para mim e para o Marc (Jansen, guitarrista) e pediu que ouvíssemos. Quando começamos a trabalhar na música, uma pessoa bem próxima da “família Epica” morreu, e ficamos todos muito tristes. Aí veio a idéia da letra e toda a emoção passou para a música. É uma música muito triste.

REG: Você falou do Isaac, que é novo na banda. O que ele trouxe para a banda, já que veio do God Dethroned, um grupo de metal extremo?

Simone: É, o God Dethroned não tem nada a ver com o Epica, e ele ainda é o segundo cara que a gente pega deles. Ele não participou muito do processo de composição dessas músicas porque entrou para a banda quando o disco já estava quase pronto. Mas ele e Marc trabalharam nas melodias de guitarra e Isaac mudou algumas coisas, acho que ele tornou as guitarras mais versáteis, talvez um pouquinho mais pesadas.

REG: Hoje há muitas bandas no meio do heavy metal com mulheres nos vocais. O que faz a diferença no Epica, ao fazermos uma comparação com outras bandas com vocais femininos?

Simone: Acho que o Epica ainda é um meio termo bem equilibrado entre as correntes do metal e tem um bom arranjo com as partes de orquestra.

REG: Seu modo de cantar parece bem influenciado por Tarja Turunen…

Simone: Bem, na verdade há sete anos, quando eu comecei, ouvia muito Nightwish, After Forever, Tristania, Lacuna Coil… todas essas bandas eu realmente gosto, essa combinação de vocal clássico com metal. Eu pessoalmente ouvia muito rock quando era mais jovem, até que arranjei uma namorado heavy metal e ele começou a me mostrar as bandas de metal e eu entrei de cabeça, isso quando tinha 16 anos (hoje tem 25). Eu hoje gosto muito de metal.

REG: Você acha que canta de um jeito parecido com o dela ou pouco tem a ver?

Simone: Eu diria que eu tenho um vocal mais clássico e ela tem uma voz forte de ópera, sempre tem essa pegada na voz dela. Eu canto muito com direcionamento de pop rock, às vezes, e ela sempre tem um toque erudito, mesmo quando está falando normalmente. Ela tem uma educação musical operística que eu não tive.

REG: Você também costuma ouvir música que nada tem a ver com o metal. Como isso te ajuda como cantora?

Simone: Ouvia muito esse tipo de coisa há muito tempo, não ouço mais. Hoje ouço muito heavy metal, bandas como Opeth, Kamelot… Devo dizer que eu realmente gosto de música, de vários estilos diferentes, à exceção de hip hop e r&b. Mas todo o resto, música clássica, pop rock, jazz, gosto de tudo isso. Ouvir diferentes estilos de música te dá um conhecimento mais amplo e você pode puxar isso para dentro do seu trabalho, mesmo que seja numa banda de metal. Se a música é boa, não me importo se é de Britney Spears ou da Lady Gaga. Música é música, se a produção é boa e eu gosto da melodia, não importa de é da Britney ou do Dimmu Borgir.

REG: Você se vê cantando numa banda de pop rock ou numa carreira solo?

Simone: Sim, quem sabe? Tenho idéia de fazer um disco solo, mas nada a ser lançado nos dois próximos anos. Seja lá quando for lançado, eu provavelmente farei um disco de música diferente, algo voltado para o jazz, também gostaria de gravar peças de música clássica e coisas com uma pegada de prog metal. Algo menos Epica e mais Kamelot.

REG: Você adora o Kamelot…

Simone: Ah, eu estou com o tecladista já há cinco anos…

REG: Então é por isso…

Simone: Mas eu já cantei em duas músicas no ultimo disco do Kamelot e fizemos turnês juntos. Acho que eles fazem um grande trabalho, realmente gosto da banda e a voz do Roy (Khan), é especial, tem uma cor diferente.

REG: As roupas que você usa no palco são desenhadas para você ou você as compra em lojas como qualquer um?

Simone: A roupa é obviamente parte do show, o jeito que você aparece, o jeito que você se veste, é a parte visual. Claro que o som é o principal, mas o visual representa muito também. Eu sou uma mulher, gosto de maquiagem, cabelo bem cuidado e de roupas, e perco tempo com isso, sim. Em geral compro eu mesma, mas tenho agentes que às vezes arranjam pessoas para fazerem aquilo que eu imagino e desenho para eles.