terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Entrevista com The Renegades of punk



por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Fonte: Spleen & Charutos

Foto do cabeçalho: Rafael Passos

O programa de rock agradece imensamente a Rian "Calango doido" por sempre ceder seus excelentes textos e entrevistas para o nosso blog.

Nas próximas semanas, o underground sergipano recebe visitas tão ilustres quanto diversas. Além da essência garageira, no entanto, as bandas possuem um anfitrião comum. A Renegades of Punk fará as honras da casa com uma energia punk que a simpatia da vocalista Daniela dificilmente deixa entrrever.

Jornal do Dia - Não é de hoje que eu saco o trabalho de vocês. Na época do saudoso Muquifo, no estacionamento do Riomar, já me impressionava o vigor com que uma guria encarava aquele bando de roqueiro podre, e fazia todo mundo bater cabeça com alguns poucos acordes. Mesmo com tanta “experiência”, no entanto, parece que o som de vocês continua relegado ao gueto. Como você encara isso? É assim mesmo? Existe uma carência no mercado local ou o som da Renegades não sobrevive fora do underground?

Daniela – É mais ou menos por aí mesmo. Desde que eu toco em banda eu toco rock n roll é asism. Sempre algo underground. A gente sempre habitou esse mundinho dos inferninhos e pequenas casas de show. Acho que existe uma carência no mercado local, porque o som que a gente faz – punk rock – e outros que são próximos dele têm muita dificuldade em conseguir fazer eventos e manter uma vida de banda, sabe? Tocar, mostrar seu som, vender seu material. Não sei se só sobreviveríamos no underground, mas é certo que nosso som não é comercial – no sentido de ser mais fácil de ser assimilado e vendido – e nem é feito com este intuito. Mas, por outro lado, não estamos de costas viradas para outros âmbitos ou para outras experiências, não. É só que parece que estilos diferentes têm um problema em se comunicar, ao menos aqui em Aracaju.

JD - Vocês tocaram recentemente em São Paulo. Como foi a experiência? Dá pra comparar as duas cenas?

Daniela – A experiência foi muito legal. Já tínhamos (eu e Ivo) tocado por lá com a Triste Fim de Rosielene, uma banda que tínhamos, e sabíamos mais ou menos do que se trata tocar lá. São contextos incomparáveis, ao menos quando se trata de uma cena Faça Você Mesmo. Lá, o underground, o punk, ou como você queira chamar, é algo estabelecido, tem público, têm lojas especializadas nisso. Existem muitos lugares para shows, muitos shows acontecendo e as bandas existem de fato. É muito diferente, chega a rolar um choque cultural mesmo.

JD - Não sei se a angústia é justificada, mas eu acho absurdo que uma capital com tanta banda legal como Aracaju não abrigue um festival de peso, a exemplo dos saudosos Punka e Rock-SE. Dá pra ensaiar a construção de uma cena num cenário como o nosso?

Daniela – Você tem razão. Festivais são muito importantes para a consolidação de uma cena local, para que as pessoas entendam o que é isso ou se não entendam, ao menos aceitem o rock n roll como uma forma de expressão musical. Fora que um festival colocaria Sergipe de volta ao circuito, faria com que o estado tivesse mais relevância no cenário nacional e se transformasse num ponto onde bandas tivessem mais interesse de vir tocar. Foi por ir nesses antigos festivais que você citou, por exemplo, que eu entendi o que era underground, que eu conheci bandas muito boas. É como se festivais assim tivessem um papel, social, político, didático, além do musical, óbvio.

JD - Embora estejamos longe demais das capitais, muita gente tem driblado a geografia e a ingerância do poder público com as ferramentas oferecidas pela tecnologia. Como é a relação da banda com essas ferramentas? A empolgação de algumas bandas é tamanha que nem parece que a internet serve mesmo é pra disseminar pornografia.

Daniela – A gente acaba se utilizando muito dessas ferramentas. Elas fazem a informação circular com muito mais rapidez, não é? Daí, principalmente para divulgação de eventos, a gente se utiliza de blogs, fotologs, várias modalidades de sites de redes sociais… Acho que essas ferramentas são muito importantes e têm resultados efetivos mesmo. Imagine como era difícil para uma banda independente marcar uma turnê a 20 anos atrás? Tudo via carta e telefone? Agora com email, msn e etc, você agiliza tudo muito mais rápido, e fora isso, pode ouvir e fazer contato com pessoas e bandas de várias partes do mundo – coisa que demoraria anos para ser feita se não houvesse internet, como a conhecemos hoje. É claro que não somos otimistas cegos dessas coisas, a gente tenta ser crítico e ver os aspectos negativos também. A internet nos abre algumas portas e fecha outras, mas é a dinâmica natural das novas possibilidades.

JD- E os planos da Renegades para 2010?

Daniela – Bom, a gente tem idéia de fazer um videoclip e de começar a preparar um álbum para o segundo semestre. Além disso, tem uns lançamentos pra sair: um 5-way – com Os Estudantes [RJ], Homem Elefante [RJ], Ornitorrincos [RS] e Velho de Câncer [RS] – e um re-lançamento do nosso primeiro ep em um vinil de 7’’ pelo selo alemão Thrashbastard.

The Renegades of punk tem shows marcadas para as seguintes datas:

Local (dos 2 eventos): Rua Francisco Rabelo Leite Neto, 566, Atalaia (2 ruas atrás do Bar Cariri)

27/02:

VELHO DE CÂNCER (RS)
Thee Swamp Beat Brothers
The Renegades of Punk
The Baggios

06/03:

EXPOSIÇÃO DE DESENHOS DE THIAGO NEUMANN

+

WARCRY (EUA)
THE RENEGADES OF PUNK
LUMPEN (BA)
DEMONKRÄTZIE
KARNE KRUA

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

# 136 - 19/02/2010



O programa de rock em sua edição de número 136 começou com uma dobradinha do Autoramas, a simpática banda de “rock para dançar” (como eles se auto-definem) do também simpático Gabriel Thomaz. Gabriel é “gente que faz” no mundo do rock desde o final dos anos 80. Na primeira metade dos anos 90 sua banda “little quail and the mad birds”, formada em Brasília, teve uma certa projeção no cenário independente. Em 1997 ele mudou-se para o Rio de Janeiro e montou os Autoramas, também calcado no rockabilly, como o Little Quail, mas com grandes influências da surf music dos anos 60 e da jovem guarda. As duas faixas que abriram o programa foram extraídas de seu novo disco, “Desplugado”, onde a banda faz versões acústicas de alguns de seus (relativamente) grandes sucessos. O disco está disponível para download gratuito de alta qualidade no site da TRAMA VIRTUAL. Clicando AQUI, você lê uma entrevista exclusiva com eles conduzida por Marcio Sno e publicada no Portal Rock Press. – No segundo bloco exploramos o lado mais experimental do metal. Abrindo o bloco, a faixa que abre o disco “spheres”, de 1993, do pestilence. Neste álbum a banda, que em sua formação, na Holanda, em 1986, fazia um som totalmente voltado ao death metal, começou a experimentar com elementos de jazz e fusion. Foi lançado em vinil no Brasil pela gravadora Roadrunner. Na sequencia temos os canadenses do Voi Vod com uma faixa do álbum Nothingface, de 1989, e o Kreator, um dos ícones do thrash metal alemão, com a faixa-título de seu disco de 1992, onde eles flertam com um som mais minimalista e inspirado no rock industrial. Fechando o bloco, mais uma banda holandesa, o The Gathering, que no princípio rezava pela cartilha do Doom Metal e, especialmente a partir de seu álbum “Mandylion”, de 1995, o primeiro com a vocalista Anneke Van Giersbergen, começa a flertar com o rock progressivo e o indie rock, fazendo uma musica mais etérea e atmosférica. Anneke deixou a banda em 2007. “The West Pole” é a faixa titulo do primeiro disco deles com a nova vocalista, Silje Wergerland. – O Drop Loaded é uma inserção semanal do PROGRAMA LOADED que traz sempre novidades ou algum resgate do que melhor existe no cenário independente nacional. – O quarto bloco abre com duas bandas de casais: The Kills, formada pela norte-americana Alison "VV" Mosshart (vocais e guitarra) e pelo britânico Jamie "Hotel" Hince (vocais, guitarra e bateria), e The Raveonnetes, duo dinamarquês de rock and roll formado por Sune Rose Wagner (guitarra, vocais) e Sharin Foo (baixo e vocais). Atualmente Alison Mosshart, do The Kills, participa também do supergrupo The Dead Weather, ao lado de Jack White, do White Stripes, Dean Fertita, do Queens of the Stone Age) e Jack Lawrence, do The Raconteurs e The Greenhornes. Prosseguimos com uma faixa clássica do primeiro disco dos irlandeses do My Bloody Valentine, “Isn´t anything”, de 1988, seguida de outra também do primeiro disco dos norte-americanos do Mercury Rev., “Yerself is stean”, de 1991. Fechando o bloco, uma música de um dos discos mais barulhentos (e ao mesmo tempo melódico, triste e climático) de todos os tempos, “psychocandy”, dos escoceses do The Jesus and Mary Chain. Foi lançado em 1985 e é uma espécie de pedra fundamental para praticamente todo o universo do rock alternativo nos 10 anos que se seguiram. – O quarto bloco foi de Hardcore. Curto, grosso e eficiente. – Fechando o programa, uma entrevista e um “pocket show” (duas musicas tocadas ao vivo com voz e violão) com Luiz Eduardo e Fabinho “snoozer”, do Crove Horrorshow, banda pioneira da chamada “new wave” em Aracaju. Formada em 1985, a banda teve uma trajetória um tanto quanto errática, e estava já há bastante tempo fora de atividade. Foi reformulada no ano passado e se apresentou no sábado no Cinemark, na Sessão Notívagos. Podem ser ouvidos e contactados através do site www.myspace.com/crovehorrorshow - Uma curiosidade: “Crove Horrorshow” é uma gíria usada pelos personagens do livro “A Laranja Mecânica”, de Anthony Burgess, adaptado para o cinema por Stanley Kubrick.

por Adelvan



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Autoramas (Desplugado) – Rei da implicância
Autoramas (Desplugado) – Hotel Cervantes

Pestilence – Mind Reflections
Voi Vod – The Unknown knows
Kreator – Renewal
The Gathering – The West pole

Drop Loaded (Edição dupla):

Fusíveis ltda. – Seu último carnaval
Red Tomatoes – rock no carnaval
Jair Naves – De branquidão hospitalar
Pão de Hamburger – princesinha do tio

The Kills – Black Rooster
The Raveonettes – Hallucinations
My Bloody Valentine – Feed me with your Kiss
Mercury Rev. – Coney Island cyclone
The Jesus & Mary Chain – Taste the floor

Dead Milkmen – punk rock girl
Agnostic Front – Gotta go
Youth of today – Can´t close my eyes
Poison Idea – Desecrate

Entrevista e “Pocket show”:

Crove Horrorshow

sábado, 13 de fevereiro de 2010

20/02/2010 - Sessão Notívagos

CINEMA E MÚSICA DA MELHOR QUALIDADE PARA INICIAR 2010

Fonte: Divulgação

No Brasil há um ditado que fala que o ano só começa depois do carnaval, pensando nisso a Cine Vídeo e Educação preparou para o próximo dia 20/02 mais uma edição da Sessão Notívagos, reunindo o que há de melhor em termos de cinema e música.

A sessão que começará a meia noite exibirá o filme: A TETA ASSUSTADA, filme peruano que ganhou o Festival de Berlim de 2009 e que estará concorrendo ao Oscar de melhor filme Estrangeiro esse ano.

O filme dirigido por Claudia Llosa, tem 95 minutos e narra a história de Fausta que tem "a Teta Assustada", uma suposta doença que é transmitida pelo leite materno das mulheres que foram violadas ou maltratadas durante a guerra do terrorismo no Peru. A guerra acabou, mas Fausta vive para recordá-la porque "a doença do medo" lhe roubou a alma. Agora, a súbita morte de sua mãe a obrigará a enfrentar seus medos e o segredo que oculta em seu interior.

Após o filme Duas Bandas se apresentam ao público, a Crove Horrorshow que nasceu no segundo semestre de 1985, em Aracaju, após a dissolução do Perigo de Vida, um dos primeiros grupos de rock formados em Aracaju. Após muitas formações reúne hoje Luiz Eduardo, na guitarra e vocal, Marcos Odara na Bateria e Fabinho Snoozer no Baixo.

O nome da banda é uma explícita referência ao idioma fictício criado por Anthony Burgess em seu romance A laranja mecânica, transformado em filme por Stanley Kubrick

A outra Banda é Aneis de Vento, surgida em meados de 2006, formada por Lucas, vocal e baixo, Raul e Rodrigo, guitarras e Gabriel Perninha na bateria.

O grupo tem como base o blues,mas também sofrendo influências do rock psicodélico e progressivo dos anos 60 e 70 e um pouco do grunge dos anos 90.E é com a mistura de todas essas influências que a banda tem a proposta de fazer um som que se mostre diferente aos ouvidos.

Ai está uma mistura eclética, mas com ingredientes da melhor qualidade que promete novamente lotar a sessão notívagos.

Os Ingressos Custam R$ 15,00 a meia e R$ 30,00 a inteira, sendo que quem pagar meia recebe 4 tickte de bebida e quem pagar inteira recebe 6.

Estes tickets poderão ser trocados por cerveja, refrigerante ou agua.

A TETA ASSUSTADA

SINOPSE

Fausta tem "a Teta Assustada", uma doença que é transmitida pelo leite materno das mulheres que foram violadas ou maltratadas durante a guerra do terrorismo no Peru. A guerra acabou, mas Fausta vive para recordá-la porque "a doença do medo" lhe roubou a alma. Agora, a súbita morte de sua mãe a obrigará a enfrentar seus medos e o segredo que oculta em seu interior: ela introduziu uma batata na vagina, como escudo, como um protetor, e acredita que assim ninguém se atreverá a tocá-la.

CLAUDIA LLOSA

Diretora e podutora de apenas dois longas-metragens, Claudia Llosa, peruana de 32 anos, ganhou por ambas produçõs - Madeinusa (2006) e La Teta Asustada (2009) - o prêmio de melhor filme pela Federação Internacional de Crítica Cinematográfica. Através de "Madeinusa" foi nomeada pelo Sundance Festival; ganhou o prêmio Roberto Tato Miller no Festival de Cinema Mar del Plata, melhor filme do Festval Latino Americano de Lima e de Cartagena; além de, por fim, o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2009 por sua última produção, La Teta Asustada.

COMENTÁRIOS DA DIRETORA

Como podemos nos comunicar com outra pessoa, em um país dividido? Como podemos nos fortalecer como uma nação, se vivemos individualmente e somos culturalmente tão diferentes? Como uma nação se recompõe após uma violenta ruptura e uma experiência traumática.
A TETA ASSUSTADA é uma metáfora da separação. Um país reprimido que só consegue se comunicar através do inconsciente, através de seus mitos, medos e traumas. O corpo de uma mulher sangrando representa um vazio que precisa ser preenchido, uma angústia que precisa ser confortada de um terror que pode levar à perda do controle.
Nós vivemos em um indeciso e reprimido país onde a principal fonte de informação é o próprio corpo. Mas a memória não é a única munição para a batalha.
Como viver no processo constante de lembrança de um doloroso passado. Quanto mais busca pela memória, maior chance de perdão e reconciliação? Um esforço de perdão é pedido, assim como a preservação da história e da cultura oral que foi reprimida por uma história oficialmente imposta.
Aristótoles uma vez disse que “a simples voz não é unicamente uma indicação de prazer ou dor”. Por isso, cantar, por exemplo, funciona como uma importante forma de nos expressarmos, para recriar nossa memória ou o que nós esquecemos.
Mas a insuficiência da memória escrita não destrói a prosperidade das histórias do povo. Nem elimina a amargura, nem contribui com seu desaparecimento. Mas ela aumenta a necessidade de expressão. O mundo dos Andes está buscando uma renovação por meio de festivais, rituais e músicas: um retorno constante de uma memória reprimida de forma alegórica.
Essa é a ingenuidade de uma moderna, emergente e criativa cultura que vem dos Andes, despedaçada pelo terrorismo, mostrando uma enorme capacidade de entrar em um mundo que não reconhece sua diversidade e o respeito ao outro.
A TETA ASSUSTADA é sobre memórias de um passado não resolvido, violento e pessoal. Imposto pelo ônus da repressão latente. Uma batata enterrada dentro de uma garota, em busca de uma forma de florescer. Uma cura.
Claudia Llosa

PREMIAÇÕES E FESTIVAIS

- Vencedor do Urso de Ouro no Festival Internacional de Berlim 2009;
- Vencedor dos prêmios de melhor atriz e melhor filme no Festival de Cinema de Guadalajara 2009;
- Vencedor do Kikito de melhor filme estrangeiro, melhor atriz e melhor diretora no Festival de Cinema de Gramado 2009;
- Filme de abertura do Festival de Cinema Latino-Americano 2009,

FICHA TÉCNICA

Duração_do_Filme: 95 MIN
Ano_de_Produção: 2009
País: Peru, Espanha
Cidade: Lima
Categoria: Drama / Ficção
Formato: 35MM
Produtora: Oberón Cinematográfica S.A.
Diretor: Claudia Llosa
Roteirista: Claudia Llosa
Produtor Executivo: Delia García
Elenco :
Magaly Solier
Susi Sánchez
Efraín Solís
Marino Ballón
Diretor de Fotografia: Natasha Braier
Diretor de Arte: Patricia Bueno e Susana Torres
Música: Selma Mutal
Montagem: Frank Gutiérrez
Trilha Sonora: Selma Mutal
Idioma original: Espanhol, Quechua

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

# 135 - 12/02/2010



O Lado Negro da força
por Alexis Peixoto
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Existem poucas ideias mais estúpidas do que querer gravar uma versão de The Dark Side of the Moon. Da Jamaica ao Pará, todo pé-rapado munido de guitarra, tambor de lata e aditivos químicos já fez a sua, transformando o clássico do Pink Floyd em dub, funk, guitarrada, bluegrass e o que mais mandar a falta de noção. E como falta de noção é justamente um dos combustíveis de Wayne Coyne e seu Flaming Lips, advinha como foi que o cidadão decidiu encerrar 2009? É, regravando Dark Side of the Moon. E para completar a suruba, ainda convenceu Henry Rollins, Peaches e os obscuros Stardeath and White Dwarfes (cuja maior credencial é empregar Danny Coyne, sobrinho do homem) a participar da brincadeira.
Confluência indigesta de protagonistas a parte, o projeto tinha tudo para dar errado. Além de ser uma idéia batida, o álbum do Pink Floyd está para o panteão do rock empoeirado assim como, digamos, os episódios antigos de Chaves estão para qualquer um que tenha tido contato com uma televisão nos últimos vinte anos. Assim como Chapolim, Kiko e Seu Madruga, Dark Side é uma entidade onipresente no cotidiano da cultura pop. Tendo vendido mais de 30 milhões de cópias no mundo desde a época de seu lançamento, é praticamente impossível que um minuto se passe sem que o álbum original toque em algum lugar do planeta.
Se a responsabilidade não afastou os predecessores menos gabaritados, que dirá os Flaming Lips, filhotes diretos de Syd Barret, sempre ávidos por uma tortice. Enquanto outros se preocuparam em adaptar os arranjos originais para suas respectivas searas musicais (acelerando, diminuindo, adicionado percussão, violões, etc), Coyne e seus asseclas preferiram primar pelo desrespeito total. Não fosse o auto-explicativo título oficial do álbum (The Flaming Lips and Stardeath and White Dwarfs with Henry Rollins e Peaches Doing the Dark Side of the Moon), um cidadão desavisado levaria alguns minutos para reconhecer aquela linha de baixo gorda embrulhada em microfonia e feedback que salta da faixa de abertura como sendo algo originalmente escrito pelo Pink Floyd. Leva quase três minutos para entrar a voz, suave e com ecio: “Breathe, breathe in the air…”
O desrespeito e o clima de jam session continuam no decorrer das faixas, que no geral demoram mais do que o convencional para de fato “começar”. Mas quando o fazem o resultado é sempre surpreendente. A tomar nota no caderninho de momentos memoráveis: Peaches se esgoelando e injetando groove e sujeira em “The Great Gig in the Sky”, os samples de relógios que abrem “Time” substituídos por uma tosse suspeita, vocoders infestando a letra de “Money”, “On the Run” despida da categoria de música abstrata e transformada numa faixa de verdade, de fazer o Rapture ter um ataque apoplético.
Infelizmente, só para comprometer o resultado, há uma freada brusca na reta final do álbum. “Us and Them”, a faixa que mais desesperadamente precisava de uma repaginada, perde o sax de motel, mas não faz muito progresso fora isso. No geral, conseguiu ficar ainda mais chata, só com teclados e a voz de taquara trincada de tio Coyne. O mesmo vale para “Brain Damage”, que afora um conjuntinho de ruídos e pedais estridentes, pouco difere do arranjo original – e se mudou alguma coisa, foi pra pior. Sorte que entre as duas há a instrumental “Any Colour That You Like”, aqui tocada com um peso nunca sonhado pelo finado Rick Wright (e com uma linha de baixo lembrando o interlúdio da não menos clássica “Echoes”), fechando com a apoteose de “Eclipse”, encharcada de wah-wah.
No fim das contas, a versão do Flaming Lips não deve ser levada tão sério. Afinal, é sempre difícil saber quando esses caras estão brincando ou não. O fato é que, independente das intenções reais por trás disso tudo, a versão dos Flaming Lips para Dark Side é a única a de fato respeitar o espírito original de ambição e grandiloqüência do álbum original. A diferença é que em vez de mudar o mundo por meio de uma discussão tediosa a respeito dos males que afligem a existência do homem, a ousadia do Flamings Lips se concentra em subverter e despir de seriedade um totem que todo mundo lambe os pés.
A conclusão a emergir desse quiproquó todo é mais simples do que a linha de baixo de “Money”: por trás da sombra clássica, restam as boas canções. E, como diz frase que encerra ambas as versões, não existe um lado negro da lua. Na verdade, é tudo escuro.

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Pink Floyd - The Dark Side of the Moon (1973)
Fonte: Revista Bizz - Sessão Discoteca Básica
Edição 21, Abril de 1987

Polêmico, este disco. Gravita entre a absoluta adoração de sues fiéis e a crítica não menos feroz dos seus detratores. É bom sinal. Será mesmo a Grande Obra de Roger Waters (baixo, vocal), Rick Wright (teclados), David Gilmour (guitarra, vocal) e Nick Mason (bateria)? Alguns poderão preferir "The Piper at the Gates of Dawn", de 1967, o primeiro LP da banda, quando seu líder era um louco iluminado e genial chamado Syd Barrett, ou ainda Ummagumma, de 1970, a soma definitiva do rock psicodélico. Quem sabe os mais de 20 milhões de cópias de "Dark Side..." vendidas no mundo inteiro e sua permanência por 630 semanas consecutivas nas listas dos mais vendidos da Bilboard - recorde absoluto - possam ratificar essa escolha. Mesmo que as más-línguas digam que muitos o adquiriram apenas para testar a estéreo-quadrifonia de seu equipamento de som - o que não deixa de ser um elogio, de certa forma.
Foram oito meses de gestação nos famosos estúdios Abbey Road de Londres, em clima geral de renovação. A palavra de ordem: a música deveria ser mais amarrada, mais próxima à urgência do rock. Ao final de 1972, o material está pronto. Para fazer a mixagem, Roger Waters chama Chris Thomas, que já havia participado da mixagem do duplo álbum "branco" dos Beatles e produzido os LPs "Grand Hotel", do Procol Harum, e "For Your Pleasure", do Roxy Music. "Cada um tinha uma idéia diferente do que devia ser feito. Precisavam fazer a síntese de tudo isso." Todos concordavam com pelo menos uma coisa - a ordem dos títulos deveria transmitir uma idéia de progressão e variação em torno de um mesmo tema: "São todas as pressões da vida moderna que podem nos levar à loucura. Essas pressões têm por nome dinheiro, viagens, planejamento, que nós músicos sentimos muito mais que o homem da rua. Quando tudo vacila, chega-se ao estado patológico do lunático" (David Gilmour). Pela primeira vez o Pink Floyd aderia ao concept album.
Todas as faixas foram concebidas como filmes sonoros, feitos de bandas magnéticas preparadas por Nick Mason. Batidas de coração, respiração, passos, relógios, risos histéricos, gritos, moedas caindo e caixas registradoras não somente servem de ilustração como se integram à própria estrutura rítmica da cada composição, em particular na seqüência "Speak With Me"/ "Breathe"/ "On The Run" e em "Money", hit entre os hits. Se a força da evocação desses sons é extraordinária, eles não interferem com os momentos mais líricos do álbum, como em "The Great Gig in the Sky", onde, sobre fundo de piano e órgão Hammond, Clare Torry edifica uma interpretação vocal que ficará entre as mais pungentes e líricas da década. Em "Brain Damage", Roger Waters tece uma vibrante homenagem a Syd Barrett, numa reconstituição poética atormentada do universo poético da alienação.
Se "Dark Side..." parece trazer uma certa pasteurização do som da banda, se os caleidoscópios de cores que dominavam as longas viagens lisérgicas dos LPs precedentes se transformaram num prisma de onde as cores surgem ordenadas e limpas (uma metáfora certeira para descrever a nova importância do estúdio, agora transformado em espaço central de criação, o que torna a música mais artificial e deixa seus autores mais distantes), em compensação, os avanços técnicos primorosos exibidos por este álbum - em particular a tomada de som, a cargo de um certo Alan Parsons... - ajudaram a banda a alcançar uma força de expressão cósmica capaz de unir o passado à modernidade, que só encontra paralelo num disco lançado por coincidência no mesmo ano, a trilha sonora de "Laranja Mecânica".
Levantando as barreiras que opunham até então as gerações musicais, Pink Floyd joga as bases para a criação de uma música ao mesmo tempo moderna e universal.

Jean-Yves de Neufville

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Da Wikipédia: (The) Dark Side of the Moon (ou pela abreviatura DSotM; O "The" inicial é incluído em algumas versões do título) é um álbum conceptual de 1973 do Pink Floyd que fala sobre as pressões da vida, como tempo, dinheiro, guerra, loucura e morte. É considerado por muitos críticos e fãs a obra prima da banda. Foi um marco do rock progressivo com músicas que eram ao mesmo tempo elaboradas e bem aceitas pelas rádios comerciais, tais como "Money", "Time" e "Us and them". O álbum é uma ponte entre o blues rock clássico e a nova (na época) música electrónica. No entanto, são os tons mais suaves e as nuances líricas e musicais que fazem com que este álbum seja uma obra à parte. The Dark Side of the Moon é o nono álbum mais vendido de todos os tempos no mundo inteiro.[carece de fontes?]Atingiu o primeiro lugar no Billboard 200 e também no Billboard Pop Catalog Chart, tendo o híbrido SACD editado em 2003 atingido o mesmo feito. Estima-se que 1 em cada 14 pessoas com menos de 50 anos, nos EUA tenha uma cópia deste álbum.
O tema de Dark Side of the Moon terá sido em parte precipitado pela saída de Syd Barrett, um dos membros fundadores dos Pink Floyd.
O álbum contém alguns dos mais complicados usos dos instrumentos e efeitos sonoros existentes à época, incluindo o som de alguém correndo à volta de um microfone e a gravação de múltiplos relógios a tocar ao mesmo tempo. Uma versão quadrifónica foi também editada com novas misturas. Durante as gravações o Pink Floyd desenvolveu novos efeitos tais como gravações em duas pistas das vozes e guitarras (permitindo a David Gilmour harmonizar consigo próprio impecavelmente), vozes dobradas e efeitos estranhos com ecos e separação dos sons entre os canais. Até hoje, Dark Side of the Moon é uma referência para os audiófilos que o usam para testar a fidelidade de seus equipamentos.
Outra característica do álbum são os trechos de diálogos entre as faixas. Eles entrevistaram várias pessoas, perguntando-lhes coisas relacionadas com os temas centrais do álbum, como a violência e a morte. O roadie "Roger The Hat" aparece em mais que uma ("giv'em a quick, short, sharp, shock...", "live for today, gone tomorrow, that's me..."). A frase no fim do álbum "there is no dark side of the moon really... matter of fact it is all dark" é do porteiro do estúdio Abbey Road, o irlandês Jerry Driscoll. Paul McCartney foi também entrevistado mas as suas respostas foram consideradas demasiadamente cautelosas para serem incluídas
Dark Side of the Moon é o o álbum que ficou por mais tempo na Billboard 200, tendo permanecido 741 semanas consecutivas, pouco mais de 14 anos.[1] O álbum chegou a Nº 1 nos EUA, Bélgica e França. Até 2002, 30 anos após o seu lançamento, foram vendidas nos EUA mais de 400.000 cópias, fazendo do álbum o 200º mais vendido desse ano. Em 2003 mais de 800.000 cópias do híbrido SACD de Dark Side of the Moon foram vendidas apenas nos EUA. “Time", "Money", e "Us and them" foram bastante tocadas nas rádios (sendo o single "Money" um grande sucesso de vendas ).
Dark Side of the Moon foi editado em "Super Audio Compact Disc" (SACD), com uma mistura de som surround 5.1 DSD a partir das fitas de estúdio de 16 faixas, por ocasião do 30º aniversário do seu lançamento. Tornou-se algo surpreendente o facto de James Guthrie ter sido chamado para fazer a mixagem do SACD em vez de Alan Parsons, engenheiro do LP original. Esta edição do 30º aniversário ganhou 4 prémios do "Surround Music Awards" de 2003.
Quando o álbum é tocado simultaneamente com o filme de 1939 The Wizard of Oz (O Mágico de Oz, no Brasil, O Feiticeiro de Oz, em Portugal) ocorrem algumas correspondências entre o filme e o álbum. Alguns momentos que indicam isso são:
• Quando Dorothy está na fazenda e ela olha para o alto, no audio surge barulho de avião.
• O som da caixa registradora no princípio de “Money” (dinheiro) aparece exatamente quando Dorothy pisa pela primeira vez a estrada dos tijolos amarelos; que é também o momento em que o filme passa de preto e branco para cores. Outra referência é a aparição da fada dourada;
• No momento em que a bruxa do Oeste aparece, é tocada a palavra "black" (preto);
• A cena em que Dorothy encontra o espantalho (personagem que alegava não ter cérebro) é acompanhada pela música "Brain Damage" (dano cerebral), e quando a letra da música começa a tocar: "the lunatic is in my head..." (o lunático está na minha cabeça), o espantalho inicia a dançar freneticamente como um lunático;
• O bater de coração no fim do álbum ocorre quando Dorothy tenta ouvir o coração do homem de lata;
• No momento em que a bruxa do oeste lança uma bola de fogo contra Dorothy e seus companheiros, a música grita "run!" (corra);
• No momento que Dorothy encontra Oz, entra a música "Us and Them", soando Us como Oz bem quando aparece a 1a imagem de Oz;
• Várias frases das letras contidas nas músicas coincidem com os mesmos atos sendo executados pelos atores no mesmo momento;
• A duração da maioria das músicas coincide precisamente com a duração das cenas no filme.
A banda insiste que isso são puras coincidências. Quando este facto começou a vir a público em 1997, despertou um enorme interesse no fenômeno. Uma pequena comunidade espalhou-se à volta de vários 'sites' para explorar melhor a idéia. Quer as correspondências sejam verdadeiras ou imaginadas, alguns fãs do álbum gostam de ver "Dark side of the rainbow", como é chamada muitas vezes esta combinação. A sincronização é conseguida fazendo pausa (de preferência a versão em CD) mesmo no principio e parando a pausa quando o leão da MGM ruge pela terceira vez.
Os membros dos Pink Floyd desmentem qualquer relação entre o álbum e o filme num MTV especial sobre o grupo em 2002. Eles afirmam que não poderia haver esta relação planejada por não poderem reproduzir o filme no estúdio, tendo em visto que na altura não existirem ainda os videogravadores.
LP original de 1973
Lado A
1. "Speak to Me/Breathe" (Nick Mason, David Gilmour, Roger Waters, Rick Wright) - 3:59
2. "On the Run" (Gilmour, Waters) - 3:35
3. "Time/Breathe (Reprise)" (Gilmour, Waters, Wright, Mason) - 7:04
4. "The Great Gig in the Sky" (Wright, Torry) - 4:48 (originalmente somente por Wright. Cedida parte da autoria a Claire Torry depois da mesma ter exigido parte dos direitos de autor por ter improvisado por cima do famoso instrumental)
Lado B
1. "Money" (Waters) - 6:24
2. "Us and Them" (Wright, Waters) - 7:49
3. "Any Colour You Like" (Gilmour, Wright, Mason) - 3:26
4. "Brain Damage" (Waters) - 3:50
5. "Eclipse" (Waters) - 2:04
Banda
• Roger Waters - baixo, guitarra, teclas, vocal, sintetizador VCS 3, efeitos gravados
• Nick Mason - percussão, bateria, efeitos gravados
• Richard Wright - teclas, vocal, sintetizador VCS 3
• David Gilmour - guitarra, teclas, vocal, sintetizador VCS 3
Participações
• Dick Parry - saxofone
• Lesley Duncan - vocal de apoio
• Doris Troy - vocal de apoio
• Barry St. John - vocal de apoio
• Liza Strike - vocal de apoio
• Clare Torry - vocal em "The Great Gig in the Sky"
Técnicos de Produção
• Pink Floyd - produtor
• Peter James - assistente de engenheiro de som
• Chris Thomas - mixagem
• Alan Parsons - engenheiro de som
Equipe de Produção Artística
• Hipgnosis - design, fotografia
• Storm Thorgerson - design das edições de 20º e 30º aniversário
• George Hardie - ilustrações, sleeve art
• Jill Furmanosky - fotografia
• David Sinclair - texto no relançamento do CD

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Nantes – à espera do sol
Smashing Pumpkins – Widow wake my mind
Smashing Pumpkins – A song for a son

The Flaming Lips (fet. Henry Rollins) – Speak to me/Breathe
The Flaming Lips (fet. Henry Rollins) – On the run
The Flaming Lips – Time/Breathe (reprise)
The Flaming Lips (fet. Peaches) – The Great Gig in the Sky

Drop Loaded:

Continental Combo – Retiro
Continental Combo – Na estrada cinza

7 Seconds – straight on
Murphy´s Law – shut up
Kraut – gateway
D. I. – Johnny´s got a problem

Johnny Suxx – Addicted
Superguidis – Não fosse o bom humor

Bloco produzido por Ronaldo de Souza Lima:

Asian Dub Foundation – Flyover
Skin Dred – Nobody
Def Com Dos – El Dia de La Bestia

Finitude – Way of wisdom
Aliquid – Pay the price
Warlord – God kill the king
The End – The Nightmare

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

VELHO DE CÂNCER (RS) EM ARACAJU

Fonte: Release - Sobre o Velho de Câncer: A gênese do grupo se dá com a convergência de diversas demandas e posições filosóficas de seus componentes. Nos idos de março, os então desconexos músicos, antes pretendentes de alguma forma de renuncia ou protesto artistico se decepcionam com tudo, cedem: certos aspectos de "sua arte" como sua impotência revolucionária na política, ou a falta de expressibilidade da cultura individual de um brasileiro na forma do rock, cultura anglo-norteamericana, coloca-os no que pode-se dizer origem dessa gravação: um buteco. Transtornados e rancorosos, bebem e chingam. Mas, confiantes de sua posição de revoltados, sofrem um embate da figura que é central dessa produção musical: Mestre Saddam da Figueira, um mendigo malandro, que lhes conta sua vida, sua ascenção de catador de lixo à burguês, e a constatação que a opulência fede a ócio consumista, e o status ridículo que o dinheiro traz, e como ter dinheiro só quer dizer que você é um filho-da-puta ... Encantados com o discurso rancoroso daquela figura, que também era mal músico, logo surge a idéia de fazerem um projeto músical, que se desenvolve ao longo de um mês no mesmo buteco, noitadas a dentro ... Mas apesar de não haver pretenção alguma além de diversão, dado um mês, Mestre Saddam descobre que tem um câncer em suas vísceras, e na semana seguinte morre. O projeto é uma homenagem a este personagem, que aí se encontra nessa gravação que não teve pretenção de fazer bonito ou de corrigir a precariedades cognitivas de seu fundador. - Há a outra versão da história que são simplesmente alguns desocupados fazendo um som ...

http://www.myspace.com/velhodecancer

Serviço:

Na "Casa de Doug" - Rua Francisco Rabelo Leite Neto, 566, Atalaia
(2 ruas atrás do Bar Amanda)
Dia 27/02
22 hrs
R$ 8,

VELHO DE CÂNCER [RS]
The Baggios
The Renegades of Punk
Thee Swamp Beat Brothers

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ESCLARECIMENTO

Semana passada o programa de rock não foi ao ar porque a Aperipê FM transmitiu a Cerimônia de premiação do Prêmio de Música da ARPUB (Associação Brasileira de Rádios Públicas). Hoje o programa não irá ao ar devido à transmissão do Projeto Verão, direto da Orla de Atalaia. ACHO que semana que vem não tem nada para atrapalhar, então até próxima sexta feira, se Ele (o pai do rock) quiser. Estarei a postos para ocupar a trincheira ...

Adelvan

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Aperipê FM faz transmissão ao vivo do Projeto Verão 2010

Fonte: http://www.aperipe.se.gov.br

Após a cobertura do Verão Sergipe e do primeiro Festival de Música da Associação das Rádios Públicas de Sergipe (Arpub), a equipe da Aperipê FM 104,9 invade a praia de Atalaia para transmitir ao vivo o Projeto Verão 2010. A festa tem início nesta quinta, 4, e segue até o próximo domingo, 7, com apresentações musicais de artistas nacionais e sergipanos nos palcos principal e alternativo. A Aperipê FM transmitirá diariamente toda a animação a partir das 20h.

De acordo com o diretor da Aperipê FM, Léo Levi, os ouvintes poderão conferir entrevistas e reportagens com as atrações de renome nacional e local. “A transmissão será feita diretamente do palco alternativo, mas nos faremos presentes também no palco principal. Além dos artistas, personalidades que estiverem curtindo a festa também serão entrevistadas, assim como o próprio público que for participar do evento. A cobertura terá início às 20h e seguirá até à meia-noite”, destaca Léo Levi.

Para o diretor da Aperipê FM, a cobertura do Projeto Verão será uma boa oportunidade da população ficar ligada nas atrações que estão se apresentando e se empolgar para ir ao local da festa. “Para aqueles que ficarão em casa, a animação será grande também, pois estaremos transmitindo cada detalhe da festa. Além disso, vale destacar que os ouvintes poderão conhecer um pouco mais as bandas sergipanas através de entrevistas com os músicos e a transmissão do show”, ressalta Léo Levi.

Aliás, justamente dando uma prévia das atrações sergipanas que se apresentarão no palco alternativo, os programas Mural, Sonora e Acervo Aperipê trazem desde o início desta semana flashes com a participação dos artistas locais. “Neles são dadas informações sobre a formação da banda e também mostramos suas canções. Isso possibilita que as pessoas possam conhecer o que está sendo produzindo em Sergipe”, afirma o diretor da Aperipê FM.

05/02/2010 - Atrações do palco alternativo do Projeto Verão:

(a partir das 21h)

Daysleepers
Snooze
Mamutes
DJ Pango


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Under a Bad Sign

Vou começar esta resenha sendo bastante sincero: não sou a pessoa mais indicada para fazê-la. Não sou Headbanger, nem um especialista em Metal. Tive uma fase “chifrinhos em riste” bem no início da adolescência, quando comecei a ouvir rock, mas logo meu leque de influências se ampliou e meu interesse pelo metal ficou restrito apenas a algumas das principais bandas do estilo, como Slayer e Judas Priest, dos quais sou fã (quase que) incondicional. Mas curto metal, sim, especialmente em suas variações mais (ou menos) extremas (Black metal, em geral, acho bem chato).

Do Master, eu mal lembrava. Lembro que lá pela primeira metade dos anos 90 o vinil deles que saiu no Brasil, o primeiro disco, auto-intitulado e com apenas o logo na capa, vendia bastante na loja de Silvio na época, a Lokaos, e os mais aficcionados pelo Death Metal curtiam e sempre os citavam como influência, mas eu mesmo não me recordo de ter ouvido com atenção, ou se ouvi, não devo ter tido nenhum interesse especial. Não fazia a mínima idéia de que a banda ainda existia e estava na ativa, por isso fiquei surpreso ao saber que a primeira turnê deles pelo Brasil (e olha que a banda existe desde 1983!) passaria por Aracaju. Fui pesquisar (na internet, claro) e vi que eles têm uma carreira sólida, com vários álbuns lançados, e se tornaram uma espécie de lenda-viva do metal extremo. Baixei duas musicas disponíveis em mp3 no site oficial, gostei bastante, toquei no programa de rock e fiquei na expectativa pelo show ...

Um dia antes da grande noite, a bomba: Dois dos integrantes de uma das bandas de abertura, a inglesa After Death (da qual eu nunca tinha ouvido falar), morreram afogados na praia de Atalaia, aqui mesmo, na terra do Cacique Serigy (que, segundo uma lenda local, teria amaldiçoado os descendentes dos colonizadores que o derrotaram, ou seja, todos nós, sergipanos). Baixo astral total, repercussão impressionante, primeira página de todos os jornais locais, matérias em praticamente todos os telejornais de cadeia nacional do país, mais notícias na BBC de Londres, Daily Mail e o caralho a quatro. Dúvidas quanto ao show, que foi afinal confirmado, assim como foi confirmada a sequencia da turnê.

O evento foi numa sexta-feira de pré-caju (prévia carnavalesca local, aquela papagaiada baiana de sempre, Ivete, chiclete, Claudinha Leite, blocos fardados com aquela coisa ridícula com nome ridículo), e por isso mesmo aconteceu estrategicamente no centro da cidade, bem longe da festa, já que os engarrafamentos pelos lados de lá estavam quilométricos. Para tanto, foi alugado um estacionamento na Rua de Santo Amaro, próximo ao Calçadão da Laranjeiras. Grande, porém com um telhado de zinco que deixava o ambiente quente como o inferno e a acústica pra lá de sofrível.

Cheguei por volta da meia-noite. Pouca gente na porta porém uma quantidade razoável de seres tradicionalmente fardados de preto lá dentro. Sign Of Hate no palco. É uma banda muito boa no que se propõe, aquele Death Metal brutal na linha do Krisiun, Cannibal Corpse e afins. Mandam bem porém tenho com eles o mesmo problema que tenho com o Krisiun, acho o som “retão” demais, começa aquele cacete infernal e assim vai do inicio ao fim e acaba ficando chato – mas, como avisei no início, não sou exatamente o maior dos entusiastas do estilo, então talvez não seja a pessoa mais indicada para julgar. A esta altura do campeonato você deve estar se perguntando: porque esse cara tá fazendo essa resenha, afinal ? Simples: Porque, pelo menos que eu saiba, ninguém fez, e como eu considero esse show um marco importante na cena rock de Aracaju, acho importante que tenha algum registro.

Na sequencia Predator, do RS. Mesma linha do Sign of Hate, barulho infernal, som embolado, não entendi nada, só sei que foi violento e a galera curtiu e se esmurrou na frente do palco, especialmente quando eles executaram uma musica lá que eu não identifiquei qual era mas imagino que seja algum clássico de alguma banda clássica do estilo, pela histeria dos presentes na “linha de frente”. Na verdade já tinha visto o Predator aqui mesmo anteriormente, num show que eles fizeram numa segunda-feira na Rua da Cultura, com um som bem melhor. Lembro que achei legal, porém meio feijão com arroz. Aquele Death Metal de sempre.

Por fim, O Master. Em minhas pesquisas acabei simpatizando bastante com o líder e, que eu saiba, único membro original da banda, Paul Speckmann, um verdadeiro batalhador do underground. Afinal não é pra qualquer um, do alto de seus bem-vividos 46 anos, continuar na estrada mesmo num esquema tão tosco quanto este de fazer uma turnê tão extensa por um país de terceiro mundo com dimensões continentais . E ele estava lá, firme, com sua enorme barba grisalha, tomando conta da banquinha de merchandising e super solícito para dar autógrafos e tirar fotos com os fãs (algo que, por sinal, eles já tinham feito à tarde na Freedom, a loja de Silvio da Karne Krua, única especializada em rock na cidade, que fica na Rua Santa Luzia, 151, no centro, próximo à catedral). Simpatizei também com suas idéias, ao saber que ele hoje em dia mora na Republica Tcheca e é extremamente crítico quanto ao posicionamento político de seu país, os Estados Unidos, especialmente na malfadada “era Bush” (não sei o que ele acha de Obama). Chegou inclusive a lançar um disco chamado “Four more years of terror” em 2005, numa clara alusão à reeleição da Besta-Fera do apocalipse.

E o show foi muito bom, com cerca de uma hora de duração. Notaram que a acústica não ajudaria por isso baixaram o volume. É meio estranho ouvir um show de Death Metal num volume baixo, mas é melhor do que ficar com os ouvidos sendo inutilmente agredidos por uma massaroca sonora sem sentido. Seguem uma linha “old school” (não por acaso, já que são pioneiros do estilo, contemporâneos de bandas como Possessed e Morbid Angel), sem muitas firulas técnicas, na verdade se aproximando um pouco do crust, um som cru e pesado, muito pesado. Entre uma pancada sonora e outra Speckmann murmurava coisas incompreensíveis e mandava mais uma porrada no pé do ouvido. E o público respondeu à altura, agitando ao ponto de quase derrubar a torre de iluminação.

Haveria ainda a In The Shadows, banda de Doom Metal que foi formada em Anápolis, Goiás, pelo organizador do evento, conhecido como Júnior, um cara muito gente boa que vim a conhecer melhor uma semana depois, na Rua da Cultura, apresentado por Fellipe CDC, outro guerreiro do underground, no caso, de Brasilia, que estava de férias aqui na terra dos cajueiros dos papagaios. Já era avançado da madrugada e o show demorou a começar, então resolvi me retirar ao recesso de meu lar, mas fiquei feliz ao saber que, apesar do público abaixo do esperado (cerca de 250 pagantes, quando o ideal seriam 350), os produtores não tiveram prejuízo graças, principalmente, à venda de cerveja, que foi disputada a tapas e chegou inclusive a faltar. Na verdade o Junior me confidenciou, naquele já célebre encontro na Rua da Cultura, que teve um lucro de, tchan tchan tchan tchan, adivinhem !!! 60 Reais! E ele, acredite, não demonstrava nenhuma insatisfação com isso, muito pelo contrario, demonstrava orgulho pelo feito que conseguiu, apesar do estresse extremo c ausado, principalmente, pela tragédia com os garotos do After Death. Deixou sua marca na cena local mesmo morando aqui há apenas 10 meses. Isto, meus caros, é atitude de verdade, não aquela palavra vazia que costuma estampar roupas de grife compradas em shoppings. Isto é o combustível que move essa coisa misteriosa e teimosa que é o rock underground.

Texto: Adelvan Kenobi
Fotos: Reinaldo

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

"Bela cena, Aracaju"



É o que diz Adilson Pereira, ex-editor da revista Outracoisa (aquela, do Lobão, que vinha sempre com um Cd encartado) e fanzineiro das antigas. Ele esteve pela primeira vez na terra do Cacique Serigy para cobrir o Verão Sergipe e aproveitou para dar uma geral na cena alternativa local, além de rever e/ou conhecer pela primeira vez pessoalmente velhos amigos de correspondencia. Abaixo, um bate-bola que ele fez para o seu site, o Samba punk, comigo e mais 2 ilustres batalhadores do cenário independente sergipano, Rafael Jr. e Henrique Teles.

A.

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Por Adilson Pereira
Fonte: Samba punk

Há algo de “romântico”, na cena de Aracaju. As pessoas [do mundo da música (independente)] parecem conhecer-se “intimamente”. Não exatamente como numa cidade interiorana-padrão-de-novela, porque neguinho não parece estar na janela a fazer fofoca. As pessoas declaram estar tocando, tentando amadurecer (junto com) o trabalho que surge disso e - o que é melhor - elas estão pensando e discutindo, buscando alternativas. Com o jogo assim, algumas cabeças de Aracaju foram convidadas a falar sobre a cena que vivem: Rafael Jr, baterista de três bandas de Aracaju (Snooze, Ferraro Trio e Maria Scombona). Na Scombona, é colega de outro participante desse pingue-pongue, o Henrique Teles, vocal da banda. Completa o time Adelvan Kenobi, apresentador do “Programa de Rock”, da FM Aperipê (SE).

Como essa cena pode crescer ainda mais?

Rafael Jr: Bandas na garagem e fazendo som sempre existiram em todo canto do mundo (não é diferente por aqui), mas eu sempre acreditei que “cena” abrange não só jovens fazendo música, mas um conjunto de atividades que inclui selos, produtores, mídia especializada, casas de show e festivais… Aqui, sempre faltaram elos nessa corrente: nunca tivemos um selo atuante (nem na época do CD e nem agora, virtualmente), os bons festivais não tiveram continuidade, os produtores profissionais não atuam no mercado independente/autoral, os espaços para shows são escassos, entre outros problemas nessa cadeia. Pra mim, o que falta pra crescer é esta cadeia estar completa! Todas as conquistas partiram de atitudes das próprias bandas, muitas vezes correndo atrás tateando, no feeling, sem muito conhecimento de como as coisas funcionam no meio independente.

Adelvan Kenobi: Tornando-se mais visível, nacionalmente. Com relação à cena independente, especialmente do rock, acho que o caminho é se integrar a esse circuito de festivais que tá rolando por todo o Brasil. E isso, a meu ver, depende quase que exclusivamente da atitude das bandas, de meter as caras e sair fora, porque se se contentar em ficar tocando só por aqui mesmo, todo sábado no Capitão Cook, o desânimo vai bater, inevitavelmente. Algumas bandas estão se mobilizando neste sentido e pelo menos duas, a Plástico Lunar e a The Baggios, têm colhido frutos, sendo escaladas para eventos importantes, como o Festival DoSol, em Natal, as Feiras de Musica de Fortaleza e do Recife, o Festival Psicodália, em SC, e por aí vai. Um passo importante nesse sentido foi uma miniturnê chamada “Invasão Sergipana”, na qual três bandas - Baggios, Daysleepers e Elisa - fizeram pelo Nordeste, ano passado. Outras já têm mais sorte e são apadrinhadas pelo poder público, chegando ao requinte de fazer turnê na Europa, regularmente, mas as que não têm essa “sorte” precisam meter as caras mesmo, não se acomodar. “Pedras que rolam não criam limo.”

Henrique Teles: Pra mim, duas coisas: primeiro, uma melhor utilização da cadeia produtiva local, incluindo aí as mídias para repercussão do que é produzido. Segundo, uma participação mais útil e sutil do Estado no fomento à produção. Assim como a agricultura hoje pensa nos pequenos e médios produtores como grandes parceiros, o Estado não pode imaginar que vai salvar a fome de arte/cultura/entretenimento somente com grandes hortas sazonais. E no varejo? E o resto do ano? No dia-a-dia? Quanta ideia boa de pequenos festivais, pequenos projetos de livre iniciativa estão aí precisando apenas de um empurrãozinho para acontecer!? Música instrumental, forró, chorinho, hardcore e hip-hop se faz todo dia por todos os cantos, não é?

Como o poder público pode ajudar? Com festivais como o Verão Sergipe, por exemplo?

Rafael: Acho que apoiando festivais independentes. O problema é que não chegam projetos decentes dessa natureza aos gabinetes das secretarias. O papel do Estado não é financiar empreitadas individuais, e sim dar suporte macro no desenvolvimento da cadeia produtiva que falei antes. Pensar na coletividade da cena e suas particularidades, o que já é algo bem complexo e exige gente com conhecimento específico. O Verão Sergipe é para as massas, e com bandas consagradas, mas tem o palco menor onde artistas independentes locais, selecionados através de edital público, têm oportunidade de mostrar o trabalho para um público maior. Muito legal.

Adelvan: Festivais como o Verão Sergipe ajudariam muito mais se se preocupassem com uma maior variedade nas atrações locais. De uns tempos pra cá, o que vem acontecendo é que são sempre as mesmas três ou quatro bandas em todos os eventos do Governo, o que dá margem para as velhas acusações de “panelinha”, que nem sempre são infundadas. O Verão Sergipe é a versão estadual de um projeto da prefeitura de Aracaju, o Projeto Verão, que acontece agora em fevereiro e este ano se redimiu e fez uma escalação bem mais diversificada de atrações locais no palco principal. Acho isso muito bom, dá visibilidade às bandas, dá a elas a oportunidade de tocar para um público bem maior que, de outra forma, não as conheceria, já que nem todo mundo tem essa atitude de procurar saber o que anda rolando no circuito alternativo da cidade.

Henrique: Grandes eventos são grandes vitrines. Feliz de quem tem o reconhecimento - ou coiteiro - e é convidado. Este ano tivemos concurso prévio para ver quem faria shows nos palcos menores. Que ideia legal, não é? Um edital, uma comissão julgadora e os critérios criados. Já vejo diferente isto, pois se o Estado se aproximar mais das produções de livre iniciativa (aquelas do varejo!), já poderá definir daí quem vai para a vitrine dos grandes eventos. Outra coisa boa, que há um bom tempo eu já falo: aproveitar a passagem de bons técnicos aqui, e promover oficinas, capacitação técnica, troca de experiências… isto tudo faz parte da atuação do Estado, que é quem usa nosso dinheiro pra pagar cachês tão bons ao artistas e técnicos que vêm aos grandes eventos. Indiretamente, pagamos muito caro por isto.
Outra coisa: o Estado quando incentiva a livre inciativa de produção está ajudando a educar as pessoas a pagarem - diretamente - para assistir a um espetáculo; mesmo que seja baratinho, é bom que seja pago. É bom que as pessoas saibam que direta ou indiretamente estão pagando para ter aquilo, e que vale a pena pagar. Consciência.

De que tamanho é a cena musical independente, em Aracaju? Como é ela em relação ao restante do Nordeste? E em relação ao Brasil?

Rafael: É pequena e ainda tímida, mas nos últimos anos tem tomado corpo. A qualidade dos discos tem melhorado, as bandas têm tocado mais em festivais fora do estado e se preocupado com auto-produção independente. A galera tá preocupada em aprender como é que se faz a parada direitinho, sabe? Mas acho que ainda não fomos, por assim dizer, “descobertos”… Mas jornalistas mais antenados, que não esperam que os outros colegas todos falem primeiro, já nos enxergam, hehehe… O Nordeste nos conhece mais que o restante do país, pela própria proximidade das cidades e por conta de coletivos como a lista de discussão Nordeste Independente.

Adelvan: Cara, o tamanho varia. É como disse numa resposta anterior, o público é muito volúvel. Na primeira metade dos anos 2000, tivemos um crescimento impressionante, muita gente ia aos shows e festivais importantes surgiram e cresceram. Começou com o Rock-SE, em 1998, que deu prejuízo e só teve mais uma edição, no ano seguinte. Nos anos 2000, surgiu o Punka, um festival que começou como uma festa particular e cresceu de forma espantosa, tendo várias edições com atrações de peso nacional, como Autoramas, Jason, Torture Squad, Retrofoguetes, Brincando de Deus, Nitrominds e Los Hermanos. Mas parece que há um muro invisível, um pico, e daí não passa; as coisas crescem, mas não se consolidam, como um Abril Pro Rock ou um Goiânia Noise da vida. Com o metal, acontece a mesma coisa: picos de público seguidos de uma longa ressaca. No momento, estamos numa dessas ressacas, muito embora, mesmo de forma capenga e desestruturada, coisas surpreedentes ainda aconteçam, como o show do Master, banda de death metal histórica norte-americana. E especialmente a Sessão Notívagos, que vem acontecendo regularmente no Cinemark do Shopping Jardins e consiste na exibição de um filme seguida da apresentação de uma banda no saguão do cinema. Já aconteceram noites memoráveis nesta sessão, como as dobradinhas “Lóki”(documentário sobre Arnaldo Baptista) com apresentação da Plástico Lunar e “Guidable” (documentário sobre o Ratos de Porão) com um show da Karne Krua - que é, por sinal, a banda punk/hardcore mais antiga em atividade em todo o nordeste. O rock é teimoso.

Henrique: Descobri nesses anos todos que toda cena é dependente. Depende de dinheiro, depende de paixão, idealismo, know-how… A cena aqui em Aracaju vai surpreender muita gente do eixão quando resolverem contabilizar o que temos realizado. Tem muita gente boa, rapaz; muita gente boa. Precisamos somente formar público para estes talentos, sermos nossos principais consumidores. Não somos melhores que ninguém, nem maiores. Apenas somos mais sergipanos que qualquer outro, né?! The Baggios, Karne Krua, Snooze, Ivan Reis, Patrícia Polayne, Maria Scombona, Naurêa, Plástico Lunar, Thiago Ribeiro, estamos aí pra dar conteúdo a qualquer iniciativa de produção.

É possível um cidadão sobreviver em Aracaju como músico independente? Você atua em várias bandas. Como é possível conciliar tudo isso?

Rafael: Eu vivo só de música, mas acho que sou uma exceção à regra geral (há outras exceções, claro). Dedicar-se a apenas uma banda independente aqui não dá, definitivamente! Acompanho vários artistas, gravo em estúdio, dou aula, alugo bateria, me viro. A vantagem é que sou da Banda do Corpo de Bombeiros, há 7 anos (antes tinha sido da Orquestra Sinfônica, durante 8 anos), então isso dá tranquilidade pra trabalhar com o que gosto e fazendo o tipo de música que me dá prazer.

Adelvan: Sobreviver EXCLUSIVAMENTE com música independente acho impossível. Cronicamente inviável, pra citar um filme sensacional. Não conheço nenhum caso… sei de gente que vive de música, mas se desdobrando em mil, como o incansável Rafael, baterista da Snooze, mas ele não vive de música independente exclusivamente, não, toca até na banda do Corpo de Bombeiros.

Henrique: É possível, sim, mas como em qualquer profissão há um mercado e uma disputa por espaço. Sou o único na Maria Scombona que não vive exclusivamente de música.

No que diz respeito à atividade de músico (ou à sua relação com a música), o que ela significa para você? É trabalho? É hobby? É paixão?

Rafael: É tudo isso junto, vivo música intensamente, 24 horas por dia, há pelo menos 15 anos. A Snooze não me dá retorno financeiro, a banda apenas se paga (não desembolsamos mais pra gravar os discos), mas não abro mão de desenvolver esse trampo. É como uma válvula de escape. Trabalhar com Fabinho é ótimo, ele é tranquilo e um ótimo músico. Na Snooze, temos afinidade e sintonia, já pra outros trabalhos não sei se daria tão certo.

Adelvan: É hobby e é paixão, única e exclusivamente. Só resvalou no trabalho quando assumi a loja que foi fundada ainda nos anos 80 por Silvio da Karne Krua, a Lókaos, que ficou sob minha administração de junho de 1995 a fevereiro de 1997 (a primeira falência a gente nunca esquece). Foi uma experiência bonita e intensa, mas infelizmente não deu certo. Também ajudei a produzir muito show, mas invariavelmente tomava prejuízo. Fazia por amor mesmo, mas ninguém aguenta ficar perdendo dinheiro a vida inteira, né!? Hoje, estou bem relax, faço o que posso sem me preocupar em ser o “salvador da pátria”. “O Programa de Rock” mesmo faço sem nenhum estresse, de forma voluntária, não ganho nada mas também não gasto (praticamente) nada. É divertido de fazer. Se não fosse, não faria, nem a pau. Diversão levada a sério. Descobri que, como disse, o rock é teimoso, e por mais que você ache que se você não fizer nada ninguém mais vai fazer (houve um tempo que eu achava isso, sério), sempre tem algum maluco disposto a meter as caras. Pra ficar bem chique, vou citar uma frase de Nietsche: “Sem música, a vida seria um erro.”

Henrique: A minha atividade de músico é essencial. Sou compositor. Leio minha realidade, e disso faço música. Sem ela, teria que encontrar um outro grande motivo para existir.

Como, na sua opinião, Aracaju dialoga - musicalmente - com o restante do país? Música, para vocês, é produto de exportação? Ou de importação?

Rafael: Música não tem fronteira ou língua, e pra uma banda se expandir, evoluir e criar mercado, tem que sair da sua área. Mas também não acredito muito numa banda que não tem público e respeito localmente e quer conquistar o resto do país… Nêgo fica reclamando de Aracaju ao invés de fazer sua parte para as coisas melhorarem por aqui, sabe, acho isso bobagem porque é difícil desenvolver uma carreira em qualquer lugar. Eu me amarro nessa cidade, amo mesmo, mas também não fecho os olhos para os problemas locais. Só que tento fazer algo pra melhorar a cena em que eu mesmo atuo. É algo meio lógico, né? Só quero condições melhores de trabalho, pô!

Adelvan: Música aqui ainda não é produto de exportação não, mas pode vir a ser. Algumas bandas têm muito potencial para isso, como a Plástico Lunar e a The Baggios, e outras em nichos bem específicos do punk/hardcore e do metal. A Karne Krua mesmo, por sua historia, é bastante conhecida, nacionalmente. Mas acho que Aracaju, lamentavelmente, dialoga pouco com o restante do país. Estamos fora até do circuito Fora do Eixo, veja só. Mas esta situação tende a mudar. Quem viver verá.

Henrique: Importamos muito, mas somos muito diferentes, até mesmo dos outros nordestinos. Portanto, temos perfil para exportação, sim. O desafio diante de tanta importação é manter uma identidade coerente com a história do nosso povo, com uma influência linda, por exemplo, da língua falada no norte de Portugal e na Galícia (Espanha), que deixa nossa fala com tantos traços marcantes, como o otcho, mutcho, primero, cantero, bassoura. Isso é bonito, rapaz! E o produto? (risos) Estamos o tempo inteiro recebendo, e se produzimos algo com isto da nossa maneira, melhor ainda. Eu falo num produto reprocessado, antropociclado (?) mesmo. Vem de fora, cai no nosso moedor e sai de outro jeito. Assim se dá…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

16/01/2010 - no Capitão cook




O Verão Sergipe, projeto do governo do estado, estava a todo vapor na praia de Atalaia Nova, Barra dos Coqueiros, e sua megaestrutura podia ser vista da Coroa do Meio, onde acontecia mais uma noite de rock no bom e velho refugio dos amantes da musica independente, o Capitão Cook. Lado A/Lado B. Entrei com a Renegades of punk executando “coração de pedra”, faixa que eu havia tocado na noite anterior no programa de rock e que faz parte do split que eles lançaram com o Mahatma Gangue, de Mossoró (RN). Bom show, mas com um publico ainda pequeno e meio frio, circulando pela área externa ou amontoado no bar. De frente para a banda, mesmo, apenas as garotas do Biggs. Para minha surpresa, Adilson Pereira, ex-editor da OUTRACOISA, aquela revista do Lobão que sempre vinha com um Cd encartado e fanzineiro carioca “das antigas”, estava de passagem por Aracaju como convidado do governo do estado para cobrir o Verão Sergipe para seu site Samba Punk. Começamos a trocar correspondência há mais de 15 anos, quando ele ainda publicava o “Porco Espinho”, e foi um prazer poder finalmente conhecê-lo pessoalmente.

A segunda banda a se apresentar foi a Snooze, com uma novidade: a adição de teclados, que dividiu opiniões – alguns detestaram, alegando que suavizou demais o som da banda, outros, como eu, acharam uma experiência interessante, pois deixou os arranjos mais climáticos e elaborados, com novas texturas. Nos trechos mais “viajantes” e improvisados, deu um toque de psicodelia, uma nova cara ao som deles. Creio que foi uma renovação bem-vinda. Não sei se seria o caso de se incorporar o teclado definitivamente ao som da banda, talvez sim, com alguns ajustes para que ele não soe tão onipresente, mas como experiência achei bastante válida e positiva. De qualquer forma foi um grande show, excelente perfomance da banda, que estava inspirada, e contou com a participação do ex-integrante Clínio Jr., atualmente morando no Rio e tocando no Pelvs.

Por fim, o Biggs, trio de punk rock sorocabano capitaneado por Flavia e Mayra, ex-integrantes da Dominatrix, no baixo, guitarra e vocal, e Brown, que já colaborou com grupos seminais como o Pin ups e Wry, na bateria. Fazem um rock and roll visceral e furioso, berrado e tocado com um entusiasmo impressionante. Baquetas foram quebradas, microfones caíram ao chão e o publico foi ao delírio numa apresentação de cerca de uma hora mais do que suficiente para saciar a ânsia dos roqueiros presentes. Missão cumprida.

No mais, é voltar pra casa saciado de corpo e espírito (cortesia da velha passada numa lanchonete para matar a fome), não sem antes assistir ao belo nascer do sol na praia de Atalaia, “mirando as ondas do mar”.

por Adelvan Kenobi

sábado, 23 de janeiro de 2010

# 134 - 22/10/2010




Master – Betrayal
Master – In Control

Free – All right now
Thin Lizzy – Bad Reputation
Blue Cheer – Summertime Blues

Os Mutantes – Desculpe baby
Mopho – O amor é feito de plástico
Plástico Lunar – Fungos

Anéis de vento – Do início ao fim
Entrevista com a banda Anéis de vento

Libertines – Don´t be shy
Pixies – Bone Machine
Sonic Youth – Little trouble girl
The Jesus & Mary Chain – Taste of Cindy (acoustic)
The Smashing Pumpkins – tonight tonight

Lançamento do LP (em vinil) “SOMA”
Sons das bandas:
O Vento Azul do som
Psychedelic Down
Olho por olho
Entrevista com:
Alessandro “Cabelo”
Cícero “Mago”
Marcelo Prata
Marcio Prata

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Morte no mar

A esta altura já é do conhecimento de todos a morte de dois integrantes da banda inglesa After Death no mar da praia de Atalaia, aqui em Aracaju. A noticia se espalhou rapidamente e atingiu inclusive grandes veículos de comunicação, como a primeira página da globo.com e da BBC de Londres, além do Daily Mail e de todos os telejornais da Rede Globo. O Programa de Rock se solidariza com os promotores do evento, amigos e familiares das vítimas e deseja sorte na empreitada de continuar a turnê mesmo depois de um acontecimento tão triste.

Abaixo, o comunicado da produção da tour sobre o ocorrido:

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Apesar do falecimento dos membros Leon Villalba e Timothy Kennelly (corpo ainda não encontrado) do grupo londrino AFTER DEATH em um afogamento em Aracaju, a "Master of Hate Tour 2010" terá continuidade em respeito, principalmente, ao público. Em conversa com os membros do AFTER DEATH eles afirmaram "Estamos todos enlutados e ainda chocados com tudo o que aconteceu, mas temos certezas que eles gostariam que os shows fossem realizados. Façam isso em homenagem a eles!".

Foi criado um blog de divulgação onde, além de notícias oficiais da turnê, os fãs poderão ver fotos e vídeos dos shows. Acessem: http://mastersofhatetour.blogspot.com

O show em Aracaju aconteceu com sucesso na noite de 22 de janeiro e a turnê prossegue neste final de semana com datas em Maceió e Recife, pssando ainda por Natal, Campina Grande, Fortaleza, Picos, Teresina, Imperatriz do Maranhão, Belém do Pará, Palmas, Goiânia, Brasilia, Catanduva, Campinas, São Paulo e Otacilio Costa, em Santa Catarina.




Uma manada "fora de controle"

Rian Santos

riansantos@jornaldodiase.com.br

Fonte: Spleen e Charutos

Parece absurdo, mas ainda há quem acredite no espírito viciado do Rock’n Roll. Aqui mesmo em Aracaju, meia dúzia de malucos, românticos degenerados e extemporâneos, cultivam acordes envenenados como se entregassem suas vidas a uma nova religião. Sob o pretexto de cobrar um trabalho prometido em nossa última entrevista, eu conversei mais uma vez com os caras da Mamutes. Foi a maneira que encontrei de me aproximar da energia mencionada. Por algum motivo obscuro, ela já não pode ser encontrada com facilidade nas ranhuras cada vez mais rasas dos discos.

Jornal do Dia – Ano passado, no distante 2009, vocês prometeram que colocariam um novo trabalho no mercado. Como é que anda esse projeto? Além da ausência de uma guitarra (que, dada a competência de Rick Maia, não é nem tão sentida quanto deveria), quais as principais diferenças desse trabalho em relação à estréia da banda?

Karl de Lyon – Então, meu chapa, nós teremos que adiar o lançamento um pouquinho. Já estamos trabalhando na pré-produção de algumas músicas e ficvamos satisfeitos com os primeiros resultados. Com a pré-produção conseguimos nos entender melhor musicalmente. Nem só da efervescência do palco vive uma banda de rock’n roll. O que queremos é justamente surpreender também dentro do estúdio, e sabemos que chegaremos lá.

Quanto à ausência de guitarra, não é a primeira vez que passamos por isso. Outros guitarristas resolveram partir em novas direções no momento exato da decolada. Como você já deve saber, o Julio Dodge, que gravou as guita em nosso primeiro EP, saiu da banda logo depois da gravação e botou para frente um projeto extraordinário na The Baggios, além da fazer as guita na Plástico Lunar (os caras são menos peludos que a gente). Logo depois veio o Marcio Navas, Ex-Pupilas de Quartzo, que foi o auge para as guitarras da banda. O Navas e o Maia se completavam cosmicamente, mas chegou a hora de seguir a sua nova caminhada e tínhamos que respeitar o ciclo natural das coisas. A gente espera que a nave espacial que levou Navas possa trazer ele de volta, qualquer dia destes, mas sempre direi que a participação deles em nossa trajetória foi grandiosa. Só nos resta a felicidade de ter revelado os melhores guitarrista da city, e saber que temos um guitarrista que vale por mil. Então, partindo deste princípio, estamos no crédito, totalmente seguros do que fazemos.

O instinto é o mesmo desde a nossa estréia. O som que fazemos tende a ficar cada vez melhor. O rock que fazemos é literalmente valvulado: À proporção que vai esquentando, vai ficando mais encorpado, e é aí que o pau quebra.

JD – Às vezes, dadas as condições adversas do mercado local – a ausência de uma indústria e de uma política cultural maltrata os que mais se preocupam com o amadurecimento do meio – parece que montar uma banda é uma empresa para loucos. Apesar disso, a Mamutes vem crescendo a olhos vistos, e pelo que já conversamos, alimenta pretensões bem ousadas. Como foi que vocês se meteram nessa labuta ingrata? Já bateu alguma espécie de descontentamento?

Rick Maia – Hoje em dia, infelizmente, não dá pra ter uma banda e se preocupar somente com a música em si. O profissional atual tem que ser músico, produtor e empreendedor porque existem inúmeras bandas e muitas delas são realmente boas, contudo, organização demais no rock às vezes acaba fazendo com que as bandas percam a “magia” da coisa toda. Atualmente as gravadoras só trabalham com bandas já prontas para o mercado com disco lançado, DVD e alguns anos de estrada. Acredito que quem irá se destacar será aquele que tiver um bom disco, uma boa apresentação ao vivo, conhecer melhor o seu nicho e o que melhor trabalhar bem nos bastidores, enfim, quem conseguir achar um meio termo entre a organização de uma empresa e a anarquia do rock’n roll.

Nós entramos nessa com o simples intuito de se divertir e tocar, porém, desde a primeira apresentação percebemos que poderíamos fazer a diferença porque é muito fácil tocar junto quando as peças realmente se encaixam.

Com relação ao descontentamento, é normal bater sim. Uma banda é como um casamento ou uma família, às vezes está tudo lindo, às vezes ficamos desapontados uns com os outros ou com fatores externos e com as dificuldades de ser um rocker em Sergipe, mas no final sempre seguimos em frente porque ao contrário de alguns roqueiros brasileiros que vão ficando mais “mansos” com os anos, nós da Mamutes vamos ficando mais selvagens. Quanto mais difícil fica, mais aumenta o nosso tesão em mostrar pra todo o mundo a nossa paudurecência.

JD – Outro dia, conversando com um amigo músico, ele fez uma observação interessante. Para ele, ao contrário das influências declaradas da banda, o timbre da Mamutes remete diretamente aos 80’s. A observação faz sentido? Até que ponto isso é importante para a identidade da banda?

Karl de Lyon – Não, a Mamutes não tem nada a ver com os anos 80. Temos total noção da influência que determinadas bandas dos anos 80 possui sobre a gente, mas o som da Mamutes sempre foi elaborado olhando para os anos 70. A identidade da banda está toda no hard rock 70. O resto a gente vai deixar para a turma da Armação Ilimitada, do Evandro Mesquita, e para as bandas que se afinam com este som.

JD – Eu não sei como vocês acompanham a discussão, mas algumas vacas sagradas da música sergipana vêm se mobilizando num levante reacionário, exigindo na cara dura o retorno a um estado de coisas que, aparentemente, não foi capaz de criar uma cadeia produtiva para a música sergipana. Na opinião de vocês, o Estado tem que atuar como um mecenas, como querem alguns, ou é preciso construir uma indústria, capaz de proporcionar ao artista que ele caminhe com as próprias pernas?

Rick Maia – Estou participando do Fórum de Música e fui a quase todas as reuniões até agora. Pelo que posso sentir, existe uma maior organização e respeito entre os músicos hoje em dia e isso, antes de tudo, é fator fundamental para que se possa construir uma cadeia produtiva. No entanto, acho que o poder público deve ter um papel fundamental na construção dessa cadeia, atuando como articulador entre os profissionais da música e os meios de comunicação locais, entidades que ofereçam cursos de capacitação ou linhas de crédito e criando canais de divulgação de fácil acesso para o público local que é o principal combustível para o funcionamento sustentável dessa cadeia.

JD – Pra encerrar, já que o pretexto é o disco novo. Ele tem data de lançamento? Qual o nome da criança? O que agente pode esperar desse novo trabalho e o que a Mamutes espera conquistar em 2010?

Rick Maia – O bebê está programado para ser lançado agora em meados do primeiro semestre e vai se chamar Fora de Controle. O disco vai contar com duas ou três músicas do EP Demo e as demais são faixas ainda não gravadas, totalizando onze músicas.
Ao contrário de 2009, quando a estratégia foi se tornar bem conhecido localmente, este ano investiremos no mercado nacional. Para isso, já estamos agendando as datas para a turnê que terá o mesmo nome do disco. O que podemos adiantar é que provavelmente iremos aproveitar a época dos festejos juninos e em junho e julho faremos apresentações no Sul e Sudeste.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

# 133 - 15/01/2010



BAIXE AQUI

Master – In Control

The Biggs – Bullet proof jacket
The Renegades of punk – Coração de pedra
Flauer – Antes do mistério
Snooze – Words for you

Drop Loaded:

Dinartes – Capital do rock
Dinartes – Minha amiga

Dorsal Atlântica – Império de Satã
Mustang – Amor

Bloco produzido por Carlos Lopes (Mustang):

The Jam – The Modern world
Ottis Redding – Try a little tenderness
The Bellrays – Screwdriver
The Beatles – Pepperland
Baby Woodrose – Dark twin

Pastel de Miolos – Nova utopia

Entrevista com Wilson da Pastel de Miolos

Bloco produzido por Michael Menezes:

Repúdio – pra que entender
Karne Krua – Dois gumes
Nucleador – Municipal Wasted
Plástico Lunar – (...)

Entrevista com Carlos Lopes

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

# 132 - 08/01/2010

U2 - New Year's Day [USA Remix]

L7 – Everglade
Babes In Toyland - Right Now
7 Year Bitch - Crying Shame
Veruca Salt - Volcano Girls
Hole - Celebrity Skin
Nymphs - Imitating Angels

Drop Loaded:
Popstars Acid - killers_dirty_smile
Popstars Acid - killers_keep_shouting

Bugs - Cães de 78
Suite Super Luxo - favas
Gigante Animal - Ah_ta_bom

Biggs -Blood in my hands
Máster – Betrayal

Front 242 – Headhunter
Prodigy – Serial Thrilla
Primal Scream – Swastika eyes

X – Los Angeles
TSOL – Dance with me
The Avengers – We are the one
Agent Orange – Bloodstains
Black Flagg – Wasted

Brujeria – Molestando Niños Muertos
Asesino – padre pedófilo
Meat Shits – Incubator of death
Napalm Death – The kill/prison without walls/Dead PT.1
An Albatross – Get Faster, cry for happy
ABC Diabolo – last intoxication of senses
Anal Cunt – You´ve got no friends
Assuck – Spiritual manipulation

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

MASTER (USA) EM ARACAJU

Fonte: Whiplash

Em breve entrevista ao site Rockonnection, Paul Speckmann, líder do Master, falou sobre a turnê "Masters of Hate Tour 2010", e deu a seguinte declaração:

"Estamos todos ansiosos para tocar no Brasil, troco cartas com os fãs brasileiros desde a época das trocas de fitas k7 e todos sempre pediram por shows no Brasil. Estamos com grandes expectativas, por tudo que ouvimos dos fãs brasileiros. Estamos preparando um set list com músicas dos dois primeiros álbuns e algumas surpresas de todos os outros, algo em torno de 16 músicas, mas não tocaremos nada do próximo álbum".

E Sobre o novo álbum, o músico declara: "O novo álbum 'The Human Machine' está sendo mixado e masterizado. Ele será, sem dúvida, um dos melhores álbuns do MASTER! O álbum será lançado na Europa em março, em nossa Euro Tour desse ano".

Lembrando que a "Masters of Hate Tour 2010" contará com as bandas MASTER, AFTER Death e PREDATOR e terá vários shows pelo Brasil, confiram as datas:

14/01 - São José dos Campos-SP – Hocus Pocus
15/01 - Ipatinga/MG – Garajao Pub Underground
16/01 - Vila Velha-ES – Bojangles Music Bar
17/01 - Salvador-BA - Boomerang
22/01 - Aracaju-SE – Estacionamento Rua Santo Amaro
23/01 - Maceió-AL - Oraculo
24/01 - Recife-PE – Armazem 14
29/01 - Natal-RN – Centro Cultural Do Sol
30/01 - Campina Grande-PB – Clube Ypiranga
31/01 - Fortaleza-CE – Reggae Club
04/02 - Picos-PI -
05/02 - Teresina-PI – Bueiro do Rock
06/02 - Imperatriz-MA – Freitas Park
07/02 - Belém-PA - Lux
12/02 - Palmas-TO – Tendencies Rock Bar
13/02 - Goiania-GO – DCE UFG
14/02 - Brasília-DF – Circulo Operario Cruzeiro Velho
15/02 - Belo Horizonte/MG
16/02 - Catanduva/SP
17/02 - Ribeirão Preto-SP
18/02 - Jaboticabal/SP
19/02 - Campinas-SP – Hammer Rock Bar
20/02 - São Paulo-SP – Clube Guaraci
21/02 - Otacílio Costa-SC – Otacilio Rock Fest





segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Novidades no Loaded E-Zine



Programa Loaded gravado na Saraiva Mega Store + Coletânea Virtual

Fonte: Divulgação

O Loaded e-Zine que comemorou no mês de novembro quatro anos de lealdade ao rock independente, está cheio de novidades para 2010.

A primeira interessa muito aos ouvintes do Programa Loaded, que é transmitido em três emissoras de rádio pelo país e também em cinco portais de internet. Terá início em janeiro a “Sala Especial Loaded”. Uma vez por mês o Programa Loaded será gravado dentro do espaço para eventos da Saraiva Mega Store do Shopping Morumbi em São Paulo, com direito a uma banda convidada tocando para o público com entrada gratuita.

A segunda novidade é o lançando coletânea virtual “Um Dia Tudo Isso Vai Fazer Sentido Vol. 3”. Nevilton(PR), Lê Almeida(RJ), Lestics(SP), Cassim e Barbaria(SC), The Name(SP), The Futchers(BA), Caldo de Piaba(AC), The Baggios(SE), Loomer(RS), Mugo(GO) e Boddah Diciro(TO) representam alguns estados brasileiros no constante mapeamento da música independente. Para baixar: www.loaded-e-zine.net .
Fiquem atentos ao Loaded e-Zine porque muitas outras novidades virão.