terça-feira, 16 de junho de 2009

préliminaires - "Another James Osterberg production"



Eu fui um dos muitos a ficar (relativamente) com o pé atrás com as declarações que precederam o lançamento do ultimo disco de Iggy Pop – de que ele estaria farto de barulheira e de musicos que não sabem tocar e coisa do tipo. Relativamente porque, no final das contas, é perfeitamente compreensível – chega uma hora que a gente enche o saco de tudo mesmo, até mesmo do rock and roll – vide o Ira! com a sua “farto do rock and roll”. Tranqüilo, Mr. Pop, evidentemente, não deve nada a ninguém e pode falar o que quiser na hora em que quiser e da maneira que bem entender. Lançado o petardo, eis que me deparo com uma agradabilíssima surpresa: é sensacional ! E já abre mostrando a que veio, com uma típica “chanson” francesa. A verdade é que muito por conta de seus arroubos de demência e insanidade no palco, as pessoas esquecem que o velho Iggy é, antes de tudo, um excelente cantor e intérprete, e esse disco parece que veio para provar isso de uma vez por todas. Minha principal pulga atrás da orelha inicialmente foi o receio de que viesse nele algo de caricato, ou de pastiche, afinal a senilidade uma hora ou outra chega para todas e não é o pai dos punks que vai fugir dessa sina. Fico muito feliz em constatar que não é, definitivamente, o caso. Os arranjos são de muito bom gosto e mesmo escolhas que, a principio, pareciam um tanto quanto arriscadas demais, como “insensatez”, de Tom Jobim (“How insensitive”, no disco), ficaram excelentes na voz do louco – voz essa, por sinal, de dar inveja a velhos navegantes destas searas, como Leonard Cohen e Nick Cave. Tudo muito valorizado pela excelência dos arranjos, e no final das contas a guinada nem foi assim tão radical quanto o prometido, já que as guitarras aparecem em alto e bom som em pelo menos uma faixa, “Nice to be dead”. Há ainda flertes com a musica eletrônica, notadamente em “party time”. Não deixe de ouvir este disco – e ouça-o por inteiro, como um álbum, uma coleção de canções. Como nos velhos tempos, enfim. E de forma alguma caia na tentação de julgá-lo apenas a partir do primeiro single, “king of the dogs”, que a meu ver foi mal escolhido, já que está longe de ser a melhor composição, muito embora compreenda a escolha no sentido de “dizer a que veio” já que seus arranjos jazzísticos, realmente, diferem em muito de tudo o que o iguana fez ou experimentou até hoje – e ele já experimentou, em outras ocasiões, vide “Avenue B” e “Blah Blah Blah”, notadamente este ultimo, que mais parece um álbum da fase mais “pop” radiofônica de David Bowie – que o produziu, não por acaso.

Resumindo: Iggy pop continua foda – “alive and kicking”

por Adelvan



o que andam falando por aí sobre "préliminaires":

http://musica.ig.com.br/lancamentos/2009/06/09/iggy+pop+++preliminaires+6635948.html

Por Augusto Gomes

O senso comum diz que Iggy Pop é igual a punk rock. Por um bom motivo: o cantor praticamente inventou o gênero, na época em que liderou os Stooges. E, no palco, o homem é a mais pura tradução do punk: violento, irreverente, intenso. Por tudo isso, um disco como Preliminaires tem tudo para surpreender muita gente. Nele, James Osterberg (nome verdadeiro de Iggy) aparece mais calmo e introspectivo. Há espaço até para versões de "Les Feuilles Mortes", clássico da música francesa, e "How Insenstive" - ela mesma, a "Insensatez" de Tom Jobim. Nas duas, a voz grave de Iggy se sai muito bem. O resto do disco também é bem interessante - parece uma versão melhorada de Avenue B, outro disco mais tranquilo que Iggy gravou no final dos anos 1990.

01. Les Feuilles Mortes
02. I Want to Go to the Beach
03. King of the Dogs
04. Je Sais que Tu Sais
05. Spanish Coast
06. Nice to Be Dead
07. How Insensitive
08. Party Time
09. He's Dead / She's Alive
10. A Machine for Loving
11. She's a Business
12. Les Feuilles Mortes (Marc's Theme)




Iggy Pop: “Préliminaires” - publicado em 12/06/2009 em http://territorio.terra.com.br/canais/rockonline/lancamentos/materia.asp?materiaID=2858

Por Lizandra Pronin

Iggy Pop fazendo baladas jazz em francês e com efeitos eletrônicos? Sim, é estranho. Mas imperdível. Com mais de 60 anos, Iggy Pop não pára de surpreender. Quando todos achavam que o veterano estava acomodado ao punk rock que o projetou na cena musical, eis que ele anuncia um álbum com sonoridade jazz.

Estranho num primeiro momento, o anúncio foi fazendo sentido aos poucos. Os fãs foram assimilando a idéia. E quando o álbum chegou - antes disso algumas canções já podiam ser ouvidas na internet - parecia que Iggy Pop já fazia aquilo há muito tempo.

“Préliminaires” ficou assim: o músico parece tão à vontade cantando canções como “I Want To Go To The Beach” e “How Insensitive”, que é fácil imaginá-lo fazendo isso novamente. “How Insensitive”, aliás, é uma versão para “Insensatez”, de Antônio Carlos Jobim, que ficou bem mais lúgubre que a original, acompanhando o clima do álbum.

É claro que há momentos agressivos e com ‘riffs’ sujos. “Nice To Be Dead” é um rock que remete às raízes de Iggy Pop. Outra canção que tem jeitão punk é o ‘single’ “King Of The Dogs”. Mesmo não sendo um rock, tem uma aura totalmente sarcástica e sua letra inclui versos como “I have a piece of meat in between my teeth” - mais punk, impossível.

Mas “Préliminaires” não surgiu do nada. O álbum foi inspirado no livro “A Possibilidade de uma Ilha”, do escritor francês Michel Houellebecq. O estilo provocador e ofensivo do escritor combinou perfeitamente com a loucura agressiva de Iggy Pop. A morte é o tema central do álbum.

O teor melancólico do repertório toma como base a concretude da morte, como revela a letra falada de “A Machine For Loving”, que narra a morte de um cão. Não é aquela beleza gótica da morte, sensível e sensual. É a morte mais crua, direta, que marca um vazio, a finitude. A poesia, se podemos chamar assim as letras de “Préliminaires”, segue essa linha conceitual.

Como se pudesse segurar toda a intensidade das faixas, “Les Feuilles Mortes”, canção francesa com poemas de Jacques Prévert, abre e fecha o álbum com o vozeirão grave do norte-americano cantando a morte que separa os amantes. Iggy Pop conseguiu com “Préliminaires” aquilo que muitos artistas tentam sem muito sucesso: se aventurou por terras desconhecidas sem perder a personalidade.



http://g1.globo.com/Noticias/Musica/0,,MUL1168443-7085,00-IGGY+POP+MOSTRA+VERSATILIDADE+EM+PRELIMINAIRES+VEJA+MAIS+LANCAMENTOS.html

"Preliminaires", novo disco de Iggy Pop, é o que menos se espera do líder da lendária banda protopunk The Stooges. Inspirado no romance "A possibilidade de uma ilha", de Michel Houellebecq, o roqueiro decidiu fazer um disco "francês". Assim, o cantor que gritava "I wanna be your dog" agora canta "Les feuilles mortes" com um vozeirão que não deixa nada a dever a Leonard Cohen. A exemplo da faixa de abertura, o álbum não decepciona. Ao mergulhar fundo em composições mais climáticas, como "I want to go to the beach" ou "Spanish coast", a Iguana mostra toda a sua versatilidade vocal. O repertório do disco inclui até Tom Jobim e, mais uma vez, Pop não faz feio em sua versão de "How insensitive". (LÍGIA NOGUEIRA)

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http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n04062009_06.cfm

Rock e quadrinhos: Marjane Satrapi em novo CD de Iggy Pop

Por Marcus Ramone (04/06/09)

Iggy Pop A iraniana Marjane Satrapi, premiada autora da série autobiográfica em quadrinhos Persépolis, ilustrou a capa e o encarte de Préliminaires, novo CD do veterano Iggy Pop, o "avô" do punk rock.

O kit opcional de luxo também inclui um jurássico compacto de vinil e um livreto temático, todos ilustrados por Satrapi.

Com músicas conceituais inspiradas no livro A possibilidade de uma ilha, do francês Michel Houellebecq, Préliminaires marca a segunda parceria entre o cantor e a quadrinhista. A primeira foi na animação de Persépolis, cuja versão em inglês teve a participação de Iggy Pop na dublagem de um dos personagens.

Segundo a agência AFP, a terceira parceria poderá ser vista em um filme com atores de carne e osso, com lançamento previsto para o próximo mês de julho.

Uma curiosidade: Préliminaires traz a canção How Insensitive, versão em inglês de Insensatez, do cantor, compositor e maestro brasileiro Tom Jobim.

O disco já está à venda no Brasil.




http://sparkuberalles.blogspot.com/2009/06/iggy-pop-preliminaires.html

Iggy Pop é um dos maiores influentes do rock e do punk e onde osseus discos retratam bem a sua energia. De “Préliminaires” não se pode dizer o mesmo, já que foge descaradamente ao que fez anteriormente. Ao ouvir Iggy Pop dizer que tinha ficado um pouco farto do rock que se fazia actualmente, e que ia seguir caminhos mais para o jazz, foi algo que me deixou completamente surpreso. Não via Iggy Pop a fazer um disco com influências jazz, que até se podia achar algo estranho, ou talvez não.

Aquilo que pensei que iria ser o maior fiasco da carreira de Iggy, tornou-se numa agradável surpresa. Acho que construiu um bom disco, de momentos e de texturas muito calmas.

Iggy Pop começa o disco com o clássico “Les Feuilles Mortes” de Edith Piaf, que traz uma versão interessante pela sua voz mais melancólica.
“How Insensitive” foi outra versão interessante e de grande qualidade que Iggy fez de “Insensatez” de Tom Jobim.
O primeiro single “King of the Dogs” refere “como é bom ser um cão, de que forma é melhor que a vida humana” e traz traços de jazz ao estilo Nova Orleães.
Outros momentos como “Je Sais Que Tu Sais”, Spanish Coast” e “He's Dead/She's Alive” fazem de “Préliminaires” um disco muito agradável.

Não esquecer também a capa do disco, que foi desenhada pela iraniana Marjane Satrapi, a autora da animação “Persepolis”.

Renasce um disco com alma

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IGGY POP - O PRIMEIRO DOS MOICANOS

Publicado na Revista Bizz, Ed. 036, julho de 1988

É muito raro a gente ter por aqui um talento raro e tão influenciador como lggy Pop. Raro, ainda, é conseguir uma entrevista com este roqueiro seminal que vai aportar por aqui no final de julho. Mas nosso homem em L.A., José Emilio Rondeau, batalhou e conseguiu. Iggy deita falação sobre anos 60, os Stooges, David Bowie, influências, perigos do sucesso e desanca solenemente o que considera o lixo do rock atual. Com vocês, a fera que fez meia história do rock

Iggy Pop voltou às raízes. Depois de ter feito, em 1986, o disco mais comercial de sua carreira - Blah, Blah, Blah, produzido pelo fiel aliado David Bowie e cujas vendas superaram as de toda a discografia anterior de Mr. Iguana, com e sem os Stooges, a banda protopunk que liderara nos anos 60 e 70-, Iggy retoma à carga com Instinct, um álbum cru, básico, recheado de batalhões de guitarras (cortesia de outro amigo de longa data, o ex-Sex Pistols Steve Jones) e canções com o mesmo apelo provocativo do passado: "Easy Rider", "Power and Freedom", "Strong Girl" e "Cold Metal" caberiam perfeitamente em discos semanais dos Stooges, como Funhouse, de 1970. A produção de Bill Laswell foi uma sugestão de Bowie, e a presença de Steve Jones - que ajudou a compor metade do disco - era quase inevitável. "Ele é o melhor guitarrista-ritmo que eu conheço", diz Iggy, antes de emendar: "A não ser que o novo disco de Keith Richards seja realmente muito bom". Instinct chega num momento em que a carreira de Iggy - há 20 anos na estrada - está numa encruzilhada. O sucesso comercial de Blah, Blah, Blah fora correspondente à decepção de quem esperava menos concessão aos ditames do padrão FM e mais culhão. Iggy tinha duas escolhas: navegar a maré do sucesso - e arriscar perder a credibilidade - ou tomar as rédeas de seu destino criativo. Preferiu correr o risco. De novo.

O Iggy Pop de 1988 é basicamente o mesmo de 1967. "O objetivo é o mesmo: escrever rock and roll music poderosa e cristalina. A diferença é que agora eu tenho uma sabedoria articulada a respeito do mundo ao meu redor, mais do que tinha, nos anos 60 e 70. E agora tenho os poderes da disciplina e do autocontrole. E uma força de vontade que hoje em dia é bem mais forte do que já foi antes." As semelhanças (e as diferenças) entre o ex-líder kamikaze dos Stooges - um personagem que parecia flertar eternamente com o perigo, fosse sob a forma de mergulhos cegos no meio da platéia, fosse sob a forma de um romance quase fatal com Madame Heroína - e a atual encarnação de Jim Osterberg - sadio física (ele não fuma nem bebe, preferindo fazer jogging) e afetivamente (desde 1983 ele vive com a mesma mulher, a japonesa Suchi) - são refletidas no visual dele: esguio, os olhos azuis acesos, atentos, o cabelo castanho-avermelhado recém-lavado, camiseta sem manga (preta), blue jeans pintado a mão com pinceladas aleatórias de vermelho, verde, amarelo e abóbora, tênis branco, anéis gigantescos, em forma de aves de rapina esculpidas no metal, adornando os dedos médio e indicador de ambas as mãos e, apesar do calorão que se abate sobre L.A., uma jaqueta de couro. Preta.

Iggy fala alto, animadamente, interpretando com gestos (levantando-se da cadeira, se necessário) passagens de histórias que gostaria de enfatizar. Não foge a pergunta alguma e muitas vezes sua eletricidade apaga momentaneamente as rugas que se abrigaram no rosto de 41 anos. A um brasileiro ele lembraria muito Ezequiel Neves, o eterno menino-mem rock.

Durante 45 minutos Iggy disparou máximas de seu pensamento, trazendo à tona o material inédito gravado pelos Stooges e traçando seus planos futuros. Entre eles está uma turnê brasileira, sendo estruturada pelo veterano promoter multinacional Felipe Rodriguez. "Sempre quis conhecer o Brasil. E soube que existe muita gente lá que conhece e entende meu trabalho. Tomara que dê certo." Tomara.

Os anos 60: As primeiras influências
Sei de pessoas de todos os tipos, de diferentes bandas, que vem e dizem "aí, eu ouvia muito suas coisas antigas". Barney Albrecht, do New Order, foi a um de meus shows no Palace, no ano passado, e disse "jamais poderíamos ter formado o New Order se você não tivesse existido". E eu pra ele: "Interessante.., eu não ouvi isso no seu som, mas entendo, porque esse tipo de coisa também acontece comigo".
Muitas das pessoas que me influenciaram nem eram músicos. Eram pessoas corno políticos, escritores, pintores, estilistas, ditadores, que influenciaram minha música tremendamente, sacou? Eu pego uma idéia e depois que eu termino de mexer com ela você é incapaz de descobrir como tudo começou. Uma das minhas maiores influências foi John Lee Hooker, mas eu não marco o ritmo com o pé batendo numa tábua de madeira, nem toco folk blues, porque eu tentei fazer isso durante um ano que passei em Chicago, no meio da velha geração do blues, mas descobri que não tenho 50 anos, não sou preto, não sou alcoólatra e não sou iletrado. Sou um moleque de subúrbio, com formação de segundo grau, que abandonou a universidade pelo meio musical, então tenho que criar o meu próprio barato, entende? Então, depois que John Lee Hooker foi filtrado através de lggy Pop, ele fica irreconhecível, mas que está lá, está.
A idéia original dos Stooges, quando eu formei a banda, era tocar blues suburbano. "No Fun", "1969", até "I Wanna Be Your Dog" são todas blues songs. "I Wanna Be Your Dog" era uma entortada que eu havia dado numa frase de uma música de Big Joe Williams, onde ele cantava "I Won´t be your dog, baby please don´t go" ("Baby Please Don´t Go", regravada nos anos 60 por Van Morrison). Aí eu pensei: "E se ele dissesse: ´Eu quero ser seu cachorro´? Ia ser do cacete!" Entendeu? Então eu vou e escrevo uma música, e quando a termino ela se parece mais com um avião do que com um blues, mesmo assim é de lá que ela veio.
O formato das coisas que os Stooges faziam jamais poderia ter acontecido se não houvesse meu envolvimento com blues e com jazz. Nunca toquei jazz, mas sempre apreciei. E havia uma terceira coisa - que você talvez nunca fosse adivinhar: política. Eu odiava as pessoas que estavam metidas com a exploração do revolucionarismo, ou extremismo, nos anos 60, mas, por causa daquele clima, pela primeira vez as pessoas estavam se questionando: "Para que serve a música?", "o que espero que ela me proporcione?", "quais e que bandeiras uma banda deve levantar?", "os shows deveriam ser gratuitos?", entendeu? Todas essas coisas foram trazidas para discussão, e isso, filosoficamente, teve grande influência sobre mim. Se não tivesse havido o Black Panthers eu não teria entrado numa de fazer todo o tipo de coisas que fiz.
Eu procurava outros campos de conhecimento, além do rock and roll. Muito das minhas letras vinha de Jagger/Richards, de Morrison/Manzarek, de blues, mas também tinham muita coisa de Dylan Thomas, Shakespeare, T.S. Elliot e coisas assim, sacou?
Nos tempos do flower power, eu me sentia pessoalmente atacado toda vez que "California Dreamin´ " tocava no rádio! Sentia aquilo como um ataque pessoal a meus ouvidos e a minha vida. E esse é um tipo de coisa que rolou a minha vida inteira e nunca mudou. Odeio ouvir Kenny Rogers. Ninguém deveria ser obrigado a escutar aquilo! Odeio ouvir (cantarolando, com cara de desdém) "Ventura Highway"... e quando eu costumava viver aqui (em Los Angeles) era impossível se livrar deste tipo de música. Eu tinha acabado de gravar Kill City (78), que era um grande disco, e ninguém me dava bola! Eu sabia que era ótimo, e sabia que o que estava rolando era literalmente merda! (Gesticula como se estivesse pegando a propriamente dita.) Tipo cocô, mesmo, pedaços de merda. E eu ficava muito chateado.

No tempo dos Stooges
Sabe por que fui fazer música? Porque eu queria ficar de bobeira no meio de músicos. Algumas pessoas dizem que foram fazer música pra poderem trepar... faz parte da coisa, mas se eu tivesse que escolher entre ficar perto de meu guitarrista favorito ou passar duas horas na cama com alguma garota, eu iria ficar com o guitarrista, sacou? (Gargalhando). A garota pode esperar, sacou? (Gargalhando). Ela espera. (Ficando sério repentinamente). Pelo menos é assim que me sinto.
Na época em que os Stooges faziam aquele tipo de som e tinham aquela atitude... aquilo era um statement, porque ninguém mais estava fazendo aquele tipo de coisa. E era perigoso, verdadeiramente perigoso fazer parte dos Stooges! Dois baixistas dos Stooges morreram (embora não haja registro da morte deles em enciclopédias de rock, os Stooges tiveram dois baixistas diferentes: o primeiro foi Dave Alexander, substituído em 1972 por Scott Thurston). Hoje em dia, você vê um bocado de bandas pegando muitos elementos do que costumávamos fazer... Pode até ser que essas bandas tenham algum valor, mas não é a mesma coisa, porque agora as pessoas são quase encorajadas a fazerem o que nós fazíamos antigamente. E mais uma maneira de ganhar dinheiro, ah, ah, ah!
Nosso barato é que éramos tão "o contrário", uns caras teimosos. Não éramos uns almofadinhas da cidade grande que sabiam transitar pelos escritórios das gravadoras, ou que sabiam que garfo usar no jantar. Não sabíamos que era preciso ter aliados na mídia para chegar lá no alto, e blá, blá, blá... O que é que a gente sabia? Que realmente amávamos os Stones, Hendrix, John Coltrane, Archie Shep. Só sabíamos de música. E, se não fosse por minha causa, nem disco teríamos feito. Eu era o Stooges articulado, porque meu pai era professor de inglês e minha mãe era executiva de médio escalão, então eu conseguia falar num linguajar que o mundo exterior conseguia compreender, sacou?
Tenho um imenso orgulho de ter sido um Stooge, man. Tenho orgulho até das piores coisas que fizemos. Tenho orgulho de ter passado com um caminhão de quatro metros de altura debaixo de uma ponte de três metros, ah, ah, ah, e cortado a parte de cima do caminhão (arregalando os olhos) como se fosse uma lata de atum! Foi lindo! E tenho orgulho das vezes em que desmaiei na frente de pessoas importantes, tenho muito orgulho disso.
Na época tinha também um bocado de dor, no meio da história toda. Mas hoje não lembro tanto da dor. Lembro mais de como era divertido (com olhar perdido, meio nostálgico, talvez). Era uma boa banda. Na época eu sentia também uma afinidade com grupos como The Doors e o Velvet Underground, embora eles fossem uns tipos mais sofisticados, e músicos mais sofisticados. Os Stooges... nós éramos outra história, éramos garotos de subúrbio, uns branquelas que não sabiam distinguir merda de graxa de sapato. Nossa vantagem é que tínhamos instinto para fazer as coisas acontecerem. E, de alguma forma, por alguma razão, nós tínhamos a coragem de ser diferentes. Sem ficarmos blasé por causa disso, como o Doors ou o Velvet. Ao vivo eles pareciam se achar sempre o máximo (fingindo que está tocando, Iggy fecha os olhos e começa a afetar um sussurro cool). "Tô c* pra vocês, seus babacas, se vocês não estiverem gostando do meu som cool - e além do mais eu vou pra casa hoje à noite com uma socialite -, então foda-se", sacou? Enquanto isso os Stooges iam atrás da platéia, durante o show. Eu ia atrás da platéia. Eu dizia: "Se você não gostar disso (que eu estou tocando) eu vou pular no meio da platéia, vou puxar seu cabelo, vou cuspir em você e, se bobear, acabof* você". E até f*, às vezes! Literalmente! Uma vez agarrei uma dona na platéia e comi a dona. Quando os Stooges subiam no palco, você sabia que alguma coisa ia acontecer. E aquilo era muito importante para mim, naquela época. Não que eu desejasse ser daquele jeito, mas era a única maneira possível de ser. Você faz o que pode, entende? Se você é um cara rude, você acaba usando meios rudes.
Daquela época ainda existe muito material inédito dos Stooges (além do que foi incluído em Metallic K.O., álbum duplo com a íntegra do último show do grupo, lançado há pouco na Europa). Tem os mixes antigos de Raw Power, que eu fiz antes de David Bowie ter sido chamado para refazê-las. Aliás, é um bom disco, esse. Mas, pessoalmente, não tenho em minhas mãos coisas antigas dos Stooges. James Williamson (ex-guitarrista do Stooges) tem um bocado delas. Ron Asheton (outro ex-guitarrista da banda) também deve ter algo. Mas eu sou muito neutro em relação a isso tudo. Ouço as coisas, quando elas são lançadas, de algumas eu gosto, de outras gosto menos, porque são feitas de ensaio. "Jesus Loves the Stooges" era eu tentando cantar gospel às quatro da manhã! Mas se esse material for de interesse para alguém... Algumas são ótimas: "Scene of the Crime", "Tight Panters", "Gimme Some Skin", "I´m Sicka You", todas são faixas ótimas que você não acha num disco normal.

O novo álbum: Sai Bowie, entra Bill Laswell
Bom, em primeiro lugar foi David Bowie quem me deu a idéia de telefonar para Bill. Ele achava que nós dois conseguiríamos trabalhar bem juntos. Mesmo assim, eu não estava pensando em trabalhar de novo com Bowie, estava querendo alguém como Michael Wagner, ou Mike Clink (este último produziu o novo álbum do Metallica), ou um desses produtores de rock da Costa Oeste (dos Estados Unidos), mas tinha minhas reservas em relação a eles porque os discos deles, por um lado, têm algum punch, mas, por outro, têm uma grande falta de textura e de emoção. Falta imaginação na maioria do rock feito hoje em dia na Costa Oeste. E metade da razão pela qual me meti com música foi para usar minha imaginação. Não quero ser um cantor de rock do tipo genérico, sacou? Do tipo (cantarolando com pose de malandro) "tá aqui meu couro, tá aqui meu p*", sacou? (Bem entendiado) "Um, dois, três, quatro." Nada disso me interessa.
O resultado de minha relação com Bowie, quando ele me produz, tende a ser uma mistura de metade do que ele quer fazer e metade do que eu quero fazer. As intenções dele são, geralmente, bem distantes das minhas, e isso não me aborrece, porque embora os gostos dele sejam vastamente diferentes dos meus, acho que ele é um artista incrível. Enquanto que Bill e eu entramos no estúdio com uma só coisa em mente: eu precisava de alguém que fosse um bom instrumento, capaz de alcançar exatamente a porra da coisa que a porra do Iggy Porra Pop quer na porra do álbum, que é simplesmente botar pra quebrar e f* com todo mundo.
Eu não queria cantar com aquela voz falsamente rock´n´roll, esganiçada, e não queria cantar coisas do tipo "whoaa, baby, eu sou tão do cacete, sou o maior garanhão, entre aí no meu carro, whoaa, vamos ver um strip-tease", porque acho tudo isso um saco, entendeu? Isso não é rock. Rock é quando você corre um risco. É quando você arrisca falar o que passa pela sua cabeça. Então, meus vocais em algumas faixas são cantarolados, quase como em "Power and Freedom". ´Tem a maior pauleira lá, mas eu estou cantando assim (cantarola a melodia da música): "Laralarala..." e só no fim eu solto tudo.
Descobri um grande amigo em Bill. Mesmo antes de começarmos a gravar, antes mesmo até de eu pensar no que ia gravar, a gente costumava sair - nós dois moramos no downtown de Nova York. E aí, depois, eu ia mostrando a ele minhas demos e a gente fazia umas loucuras com elas. Fiz uma faixa para o disco de Ryuichi Sakamoto a pedido de Bill - "Risky" -, que não tem coisa alguma de rock´n´roll, é uma balada de amor. E foi muito divertido. Bill é muito criativo, e é extremamente sério. E por causa disso as pessoas meio que se grilam de trabalhar com ele, porque todo mundo, no geral, só quer saber de farra. Como eu já tenho 200% de farra em mim mesmo, de qualquer maneira (gargalhando)... acabamos nos misturando bem. E ele não assumia pose alguma de produtor, daqueles tipos (fazendo uma voz empostada) "bem, agora vamos escolher as canções do disco. Vamos ouvir o material. Vamos decidir se esta ou aquela faixa é para as rádios e darei a você minha estimativa do potencial de marketing" e blablablá... Bill não tem nada disso. Ele é um carinha, e só. E ele é músico. E esse era o mesmo barato de Bowie: ele não é como aqueles caras produtores. Se alguém for me produzir, tem que ser músico.
Perigoso hoje seria tentar ser diferente, de alguma forma. E, especialmente, criticar a ordem estabelecida. (Pausa) Em primeiro lugar, estou aí há 20 anos e não posso ficar apontando o que seria considerado hip ou rebelde. Seria a maior babaquice minha. Mas, quando eu ouço bandas dizendo "fuck" nos discos só para impressionarem todo mundo, para mostrarem como eles são "rebeldes", acho que são a mesma coisa que os flower children falsos dos anos 60! E a mesma merda de volta, sacou? Um babaquara sem tutano, que nem tem cérebro próprio, faz uma porrada de tatuagens no corpo inteiro, compõe uma canção de rock formulaica e coloca a palavra "fuck" quatro vezes e é chamado de rebelde. Dá um tempo.

Os perigos do sucesso
Perigoso, hoje, seria se opor a esse tipo de coisa. Mas... sei lá, perigosa é uma coisa que acontece com você, de repente. E basicamente perigo experimentar coisas novas, porque você pode acabar se machucando, sua cara pode cair no chão. Estou sempre enfiando meu nariz em alguma coisa que não conheço - ou que não sei fazer - e muitas vezes me ferro por causa disso. Estou mais velho agora, não tenho o mínimo desejo de tentar fazer as mesmas coisas que fazia no passado. Você faz uma vez, e é o bastante.
Em 1983 comecei a viver com uma garota (Suchi, que ele conhecera numa turnê japonesa). Ainda estamos juntos. Termos formado um relacionamento foi perigoso, porque se tivéssemos rompido nos machucaríamos. É perigoso ter relacionamentos no mundo de hoje, porque tudo é tão rápido e facilitado. Todo mundo está vendendo os peitos, as bandas, os músculos, os p*". É ridículo e está fugindo de controle rapidamente. Ficar solo é perigoso, para mim. Porque de uma certa forma eu preferia estar numa banda, porque aí seria mais caloroso. E frio, aqui onde estou.
Senti perigo em relação a esse novo álbum porque poderia ter saído uma merda. A única coisa que sabia era que, seja lá qual fosse o resultado final, eu iria compor sozinho as músicas, ia criar sozinho as partes de guitarra, ia fazer tudo do meu jeito. E, fosse bom ou ruim, ia lançar do mesmo jeito. Isso era um perigo para mim, porque tinha feito um álbum antes (Blah, Blah, BIah, lançado em 86), e, por causa dele, pela primeira vez na vida tinha vendido discos e tocado no rádio. Eu não podia destruir isso tudo. E muita gente temia que eu fizesse isso.
E queria que as pessoas soubessem da minha existência. Eu queria ser um artista vigente, não queria me tornar um Fats Domino, ou algo assim, entende? E era muito importante fazer alguma coisa diferente. Se eu tivesse feito (naquela época) um troço do tipo Stooges-revisitados, teria sido a coisa errada. Desde que fosse diferente... Desta vez não estou preocupado com o sucesso... mas sei que vou ter sucesso (gargalha).
Para compor este novo disco, fui para o Havaí, porque fica muito difícil alguém pegar um avião para ir lá, só para pentelhar você. Trabalhando sozinho eu fiquei com medo. Tocando todo dia, meus dedos começaram a sangrar, mas fui melhorando, e melhorando, até conseguir compor fluentemente. Parei de fumar no dia seguinte ao fim de minha última turnê e minha voz ficou mais forte, mais poderosa. Não parei de fumar para poder cantar mais bonitinho. Parei de fumar para poder cantar mais forte.
E daí por diante. E aquilo era um tipo de perigo, porque ninguém quer ficar velho e sem dinheiro. Porque hoje em dia ninguém toma conta de você (gargalhadas). Acho que essa é uma forma de perigo: tentar ser apenas você, o que acho bastante difícil.

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http://revistatrip.uol.com.br/141/iggypop/home.htm

trecho de entrevista concedida a Jonathan Shaw e publicada na Revista Trip # 141
Como é voltar ao Brasil depois de tanto tempo?
Eu fiquei bem puto por anos porque os brasileiros nunca me convidaram para o Rock in Rio... Eu ficava pensando: “Seus filhos-da-puta artificiais e superficiais, vão se foder!”. Fiquei bem ressentido com isso... Eu já havia tocado aqui antes, showzinho esquisito, com pouquíssimas pessoas na platéia.
Quando foi isso?
1989, em São Paulo, num ginásio de universidade, algo assim, com umas mil pessoas assistindo, na sua maioria estudantes [nota do editor: foi na antiga casa de shows Projeto SP, e em 88]. E depois aqui no Rio, onde foi bom para caralho — um clubinho sujo, não sei o nome, Copa alguma coisa... Lembro que tinha um gato e um rato nos camarins e adorei.
Como foi tocar aqui desta vez?
Senti um astral muito bom, acho que as pessoas realmente gostaram. Não tinha a menor idéia se elas nos conheciam ou não, ou se só gostavam de rock’n’roll tipo Billy Idol, que é só vestir jaqueta de couro, ser bonitinho e ter uma megaprodução. Sabia que vinha o Sonic Youth, que tem um som mais cabeça, e sei que aqui existe o “intelectual latino-americano superprotegido” [risos] — em todo país tem sempre um grupinho de gente com grau universitário que nunca é ameaçado... Pensei: “Bem, se eles gostam de Sonic Youth, o que vai ser de nós?”. Subitamente o público foi tão receptivo, as pessoas estavam com uma mente aberta. Não sei e não me interessa qual era a expectativa que elas tinham, mas era visível, enquanto tocávamos, que elas estavam com os olhos e ouvidos abertos e, aí, o público começa a entrar no ritmo. Essas coisas são bem básicas, mas são as mais importantes, sabe?
Quando o vejo no palco, me pergunto se em algum momento você se sente como se uma entidade o possuísse.
[Rindo] Uau, já me fizeram essa mesma pergunta... É isso o que você vê?
É como se eu o conhecesse como Jim, e o Jim é um carinha bacana... Aí ele sobe ao palco e se transforma no absurdo Iggy...
Bem, não sei bem o que acontece. Geralmente não me expresso muito. Mas quando estou no palco, fazendo um disco ou qualquer coisa que tenha a ver com música, aí digo “o.k., é aqui que eu preciso”. Sei lá, complete com o clichê de sua preferência: “expressar meu lado humano”; “fazer a diferença”; “passar para outra dimensão”, blablablá, qualquer merda, ser um palhaço, virar um chimpanzé, o que der na telha...
Sente como se estivesse servindo a um poder superior?
Isso eu já não sei... Poderia ser um poder inferior.
O que você costumava fazer nos anos 60?
Eu fazia coisas... Exemplo, depois que consegui montar uma casa para tentar fazer nossa música, eu tomava ácido, ligava um órgão elétrico que eu tinha no porão, colocava o amplificador no 10 e ficava com os pés no teclado por umas oito horas direto. Os pés em cima da porra das teclas, sem mexê-los, nem precisava, porque estava tudo se mexendo, saca? Então passei por toda essa merda idiota… Lembro de outra vez que tínhamos todos fumado DMT e eu vi um Buda enorme, rico em detalhes, no teto dessa casa. Me dei conta de que ele não estava lá de verdade, mas percebi que era detalhado demais, muito mais do que minha mente teria a capacidade de imaginar. Pensei que aquela devia ser minha mente superior, ou inferior, e disse: “Tenho que tirar as roupas”. Estava morando com três caras jovens, minha banda, e eles não ligavam: “Ele tem que tirar a roupa”. Então eu fiquei pelado por um ano [risos]…
E as pessoas da pequena Muskegon, onde você nasceu, que achavam disso?
Sentiam pena de mim. Toquei pelado em uma festa no Halloween de 1967 e todo mundo ficou constrangido. Mas não desistimos. Depois, um jornal universitário publicou um artigo a nosso respeito e só sabiam que meu nome era Pop graças a uma banda chamada Iguanas em que eu tinha sido baterista anos antes. Odiei aquilo. Quem é que quer ser chamado de Pop? Tente paquerar alguém, em 1968, dizendo: “Oi, meu nome é Pop”. As pessoas fazem careta, querem te bater, entende? Hoje funciona, algumas coisas mudaram.
Sabe que às vezes penso em “Search and Destroy” como a trilha sonora do apocalipse... Assim que voltamos a tocar juntos, eu e o The Stooges, alguém me disse: “Isso é maravilhoso, porque houve o Vietnã, agora a guerra no Iraque e vocês voltaram. É o momento perfeito para o The Stooges!”. Então tá, talvez tenha algo a ver: banda de guerra, de repente.

Acredita em Deus?
Gosto de um monte de deuses, o deus da xícara de café, o deus da mulher gostosa, deus de todas as coisas. Tem uma palavra para isso... politeísta, é isso, sou politeísta.
E como é que você voltou a trabalhar com os seus antigos comparsas?
É um astral totalmente diferente, porque o tipo de profissional que você consegue quando contrata nunca é tão bom quanto aqueles com quem você está em pé de igualdade.
Então é um lance de lealdade?
Yeeaahh... Mas detesto admitir isso [risos]. Quando aparecem esses sentimentos, penso [voz mecânica]: “Perigo! Este é um sentimento babaca e destrutivo. Pare por aqui. Se liga...”.
Qual é sua impressão a respeito do Brasil depois desses anos todos?
[Sorrindo como uma criança] Grande. Aberto. Descontraído. Legal. Aqui as pessoas não esqueceram como sorrir, elas sorriem até nos encontros normais do dia-a-dia. Sei que existe uma realidade por trás disso, um monte de outras coisas, mas as pessoas são calorosas. Quando cheguei na imigração, no aeroporto, já dava para perceber um mundo totalmente diferente. Eu meio que invejo você, morando aqui. Na verdade não gosto de morar nos Estados Unidos, continuo lá só porque não desisto, esse é o único motivo. Eles não vão se livrar de mim tão facilmente, hã hã. As ruas têm um astral bem bacana e as pessoas em geral são mais magras que as norte-americanas. Dá a sensação também de que elas têm mais tempo, e me identifico com isso porque sou do Meio Oeste americano, onde temos muito tempo livre porque não há porra nenhuma para fazer.
Você vê potencial pra ter esse mesmo nível de popularidade aqui?
Não diria que não. Estava falando à minha namorada, Nina: “Ei, talvez a gente conseguisse trabalhar de verdade aqui, tipo vir de novo e tocar um pouco mais...”. Mas não sei qual é a força da MTV aqui, porque eles tendem a distorcer tudo e a TV é uma potência.
Fico me perguntando, são as pessoas que assistem à TV ou a TV que assiste a elas?
É bem sinistro. Tem um bairro aqui que é inteirinho uma TV, passamos por ele indo para o show [Projac, da Rede Globo]... E tem a Barra, 30 quilômetros de lixo pré-fabricado e aquela horrível merda moderna, um lugar chamado New York City Center e um Hard Rock Cafe totalmente horroroso.
Bem-vindo ao McGlobo, posso tirar seu pedido para uma nova ordem mundial?
[Risos] Com queijo… Mas, cara, eles têm uns 150 quilômetros de praia lá, e eu queria ter aquela praia.
Por falar em Brasil, ouvi uns sons “secretos” que você fez há alguns anos e nunca mostrou pra ninguém, antigas canções da bossa nova que você tocou de brincadeira com sua outra banda, lembra disso?
Cara, merda... Sim, aquela história de bossa nova que eu estava fazendo, uau, você ouviu aquilo?
Vocês estavam tocando João Gilberto, Tom Jobim, alguma coisa da Elis Regina...
Agora me lembro. Realmente gosto dessas canções. Na época eu estava vendo se sabia alguma coisa de música tradicional que pudesse usar para gravar um álbum. Gosto de toda bossa nova, e também da tradição da música popular brasileira. Não sou tão versado nela quanto gostaria, não sei a história do tropicalismo e tudo mais, mas já ouvi muita música brasileira. Conheço o Caetano Veloso, já fui a shows dele, e fui com você ao show da Astrud Gilberto em Nova York, lembra? Sempre penso em fazer alguma palhaçada dessas. Quem sabe um disco de Natal? Mas tenho que esperar o Rod Stewart parar de fazer os seus [risos].
O que te diverte mais no rock’n’roll?
Dos 18 até uns 40 anos de idade, meu ideal de diversão era basicamente fumar um grande baseado durante um dia lindo, fazer sexo e... só, entende? Os únicos outros momentos em que me sentia bem eram quando eu criava algo novo musicalmente, como a primeira vez em que ouvi o playback de “Search and Destroy” no estúdio e me dei conta: “Caramba, isso aqui tem mesmo qualidade, tem um pouco de imortalidade aqui”. Houve um momento específico que foi um daqueles momentos clássicos, que definem a sua vida. Era primavera, aula de álgebra, primeiro colegial. A professora era uma velha, falando sem parar, o dia lá fora estava lindo e eu me senti mal. Fiquei com dor de estômago, a pele ficou mal, engordurada. Fiquei com falta de ar, não conseguia mais ouvir a voz dela e só queria pular aquela janela. Pensei: “Se fosse um músico, não estaria aqui agora mas fazendo qualquer bosta que me desse na telha”. Para mim, sempre foi sobre liberdade.

sábado, 13 de junho de 2009

# 111 - 12/06/2009



Força, energia, intensidade. Desde o início, em 2001, a banda Shadowside pode ser definida pela sua atitude e paixão ao Rock e ao Metal, unindo as melodias marcantes de Hard Rock a um som atual, com guitarras pesadas, musicalidade sólida e um dos mais poderosos, porém melódicos, vocais femininos já ouvidos até hoje. Combinado a isso, estão as histórias distintas dos quatro membros da banda. Vindos de passados musicais de Punk Rock, Thrash e Glam Metal, e tendo personalidades únicas, eles descobriram dois pontos em comum quando se juntaram pela primeira vez: o amor por fazer música e coragem de assumir riscos e buscar objetivos e realizar seus sonhos.

Saiba mais em http://www.shadowside.ws

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(Da Wikipedia) Mark Lanegan é um cantor e compositor estadunidense. Conhecido por seu vocal único (rouco e soturno), começou uma carreira de sucesso ao lado da banda Screaming Trees, que fez parte da cena grunge de Seattle. Nessa mesma época, chegou a participar do mega projeto Mad Season (que continha membros do Alice in Chains, Pearl Jam e The Walkabouts). Além de dedicar-se a sua produtiva carreira solo, participou de diversos álbuns do Queens of the Stone Age, liderado por Josh Homme. Também já participou de vários discos de bandas como Mondo Generator e Masters of Reality além de artistas como PJ Harvey e Melissa Auf der Maur, entre outros. Em 2005 juntou-se a Isobel Campbell, ex-vocalista da banda Belle & Sebastian, para um projeto, e em 2006 lançam juntos o álbum Ballad of the Broken Seas, elogiadíssimo pela imprensa especializada. Também em 2005 junta-se a Greg Dulli (The Afghan Whigs) e forma o Gutter Twins.



Metalmorphose – maldição
Shadowside – Dare to dream
Shadowside – Nation Hollow mind

Sweet Fanny Adams – The last sunny Day of the year
Marcelo Birck – em amplitude modulada
Radiotape – pra sempre em mim
Móveis Coloniais de Acaju – tempo

Mark Lanegan & Isobel Campbell – Who built the Road
Mark Lanegan – Hit the city
Screaming trees – Black Sun morning
The Gutter twins – all misey flowers
qotsa – this lullaby

Drop Loaded :

Juanna Barbêra – Fake Folk
Lestics – plano de fuga

Bloco produzido por chorão 3, do Rio de Janeiro:

Anal Cunt – american woman
Lenny Kravitz – are you gonna go my way
Placebo – Special K
Bjork – Isobel (the Carcass remix)

J. Mascis and the fog – Freedom
The Subways – rock and roll Queen
Guided by voices – Bulldog skin
The Dandy Warhols – Bohemian like you
Fountains of Wayne – sink to the botton
Weezer – Holiday

segunda-feira, 8 de junho de 2009

patrick Tor4

Deu no Diário de Pernambuco:

Tor4 critica modelo da Universitária FM, da UFPE, e diz que sonha com a Frei Caneca no ar.

Foto: Edezio Aragao/Divulgacao

A discussão sobre rádio pública e seu papel na potencialização e democratização da cultura musical já esteve mais acirrada no Recife. Quando a cidade experimentou o boom de bandas musicais, a partir dos anos 90, o tema foi exaustivamente tratado em discussão que envolvia músicos, produtores, gestores públicos e mídia. Nada aconteceu. A cena musical do Recife sobrevive sem as rádios até hoje. A questão, no entanto, permanece sendo o grande gargalo da cadeia produtiva deste segmento. Por esse motivo, deve ser de grande audiência o debate que acontecerá no Recife durante a programação da conferência internacional sobre negócios da música, o Porto Musical. Patrick Torquato, também conhecido como DJ Patrick Tor4, é um dos principais nomes na gestão de rádios públicas no Brasil. Atualmente é coordenador artístico da rádio Cultura FM, do Pará. Sua palestra é sobre O papel da rádio pública na promoção das cenas culturais locais.

O convite para atuar no Pará surgiu depois que Tor4 deixou sua marca como diretor da Aperipê FM, em Sergipe. O exemplo da atuação da rádio dentro do estado é considerado como o novo panorama do radialismo público no Brasil. Aquele que comunga com a diversidade estética, com os talentos locais, com os sucessos do passado, do presente, bem como o anônimo que merece espaço, de hoje e também da antiga geração. Com a preferência pelo artista que não encontra espaço nas emissoras comerciais, apesar de produzir um trabalho de qualidade, independente do segmento. O radialista, que também faz as vezes de DJ, chegou a criar a "teoria do bloco musical", para orientar os programadores para na construção de uma grade musical plural mas ao mesmo tempo esteticamente coesa.

Patrick é graduado em Rádio e TV, mas não foi na universidade, e sim a partir de um vasto conhecimento musical, aplicado depois nos estúdios, que passou a revolucionar o conceito de rádio pública. Trabalhou com produção de eventos em Aracaju, morou em Salvador no auge da axé music, passou pelo Recife e outras capitais. Formou seu caldeirão sonoro nas andanças pelo país e no gosto desde moleque pela música que, ironicamente, não tocava nas rádios. Uma vez empregado, os artistas do chamado mercado "independente" passaram a ser seu principal arsenal. No programa da Aperipê FM, que o consagrou como radialista diferenciado, ele tocava de Gorillaz a Cordel do Fogo Encantado. As notas elogiosas na crítica especializada deram uma projeção bacana ao trabalho de Tor4.

"Quando eu assumi a programação tentei estruturar essa lógica. A concessão de uma emissora pública tem que ter trabalho amplo, cultural, uma programação que reflita a sociedade, o que está acontecendo. Não é a coisa chata da MPB dos anos 80, instrumental, música clássica. Isso remonta a outro momento da rádio pública", critica Patrick, citando inclusive a Universitária FM, da UFPE, como uma emissora que ainda não acompanha o novo modelo. "A única coisa que é certa na programação dessa rádio é tocar só frevo no carnaval", coloca. A FM pública pernambucana também não faz parte da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), da qual Tor4 é o presidente.

"No final do ano passado começamos a nos organizar para cobrir o Fórum Social Mundial, que ocorreu em Belém. Eles (direção da Universitária FM) responderam nossos e-mails dizendo que tinham interesse em participar do nosso pool de emissoras. Foi o primeiro esboço de tentar se envolver com alguma coisa, mas eles têm problemas técnicos", diz o radialista e DJ, que confessa tocar em sua programação todos os lançamentos da música pernambucana. Patrick toca ainda em outro "calo" deste tema, em Pernambuco. "Eu tenho sonho muito grande que entre no ar a Frei Caneca. Estão perdendo a população e a comunidade artística", reflete.

Além da palestra, no dia 19 de junho, Tor4 faz discotecagem no praça Arsenal da Marinha (local dos showcases do Porto Musical), na noite do dia 18. Junto com o pool de emissoras da Arpub, ele também produzirá conteúdo coletivo para transmissão do Porto Musicalpara todas as emissoras associadas, através do mesmo satélite que transmite a Voz do Brasil.

sábado, 6 de junho de 2009

# 110 - 05/06/2009 - 50 Anos de Morrissey

Maior inglês vivo comemora 50 anos com reverência e uma grande festa em Manchester

Veterano e único remanescente da banda “fixa” de apoio adotada desde o álbum Your Arsenal (1992), Boz Boorer puxa a melodia mais famosa do mundo antes da música “Girlfriend In A Comma”. Os 3,5 mil espectadores, em estado de graça, acompanham, enquanto um fã do gargarejo tem sorte maior do que a mega-sena: é puxado para o palco pelo próprio ídolo para abraçá-lo. Logo depois, com toda a ironia que lhe é peculiar, ele se vira para o músico e solta: “você ensaiou tudo isso, não foi?”. Na primeira fileira, bem no centro do teatro, familiares como a mãe, a irmã e o sobrinho. Assim foi ápice do histórico show de 22 de maio último no Apollo, teatro da cidade de Manchester. A data poderia ser apenas mais uma na extensa passagem de Morrissey pelo Reino Unido, que ocupou boa parte das noites do mês e abre a perna européia da nova turnê (a América do Norte ficou com as datas de fevereiro a abril, marcadas para coincidir com o lançamento imediato do novo disco). Contudo, significou muito mais do que uma volta triunfal à cidade onde o artista nasceu e exportou-o ao mundo através dos Smiths. Repetindo o que fizera cinco anos atrás para o concerto que deu origem ao DVD Who Put The M In Manchester, Moz comemorou mais um aniversário em cima do palco, fazendo o que mais gosta e sabe fazer de melhor. Só que desta vez foi “o” aniversário.

por Abonico R. Smith

Clique aqui para ler mais

O programa de rock da última sexta foi dedicado aos 50 Anos de Morrissey. Abriu, no entanto, com uma faixa inédita do mais novo disco da banda Placebo, “Battle for the Sun”. Contou ainda com os quadros fixos, Drop Loaded e “Bloco do ouvinte”, além de um bloco com musicas de Morrissey, um bloco com artistas e bandas (dentre eles David Bowie) coverizando musicas de Morrissey e dos Smiths, e dois blocos com faixas escolhidas pelo bardo de Manchester para a coletânea “under the influence”. Abaixo, um breve histórico das mais obscuras por aqui:

Ludus - Foi uma banda pós-punk britânica formada em 1978 em Manchester pelo violonista Arthur Kadmon, baterista Felipe Toby Tolman, baixista Willie Trotter, e vocalista Linder Sterling (Linda Mulvey). Kadmon sair da banda em 1979 após uma curta turnê britânica de suporte aos Buzzcocks. Ian Devine o substituiu, porém a banda se dissolveu em 1983. MORRISSEY permanece um de seus maiores fãs.

Diana Dors (23 de Outubro de 1931 - 4 de maio de 1984) foi um atriz e símbolo sexual, considerada a “Marilyn Monroe inglesa”. Teve também uma breve carreira como cantora. Em 1964, ela gravou um single pela Fontana com as faixas It's Too Late / so little time.

The Cats - Banda de rock de Volendam, cidade pesqueira dos Países Baixos. Juntamente com BZN, eram figuras-chave do que veio a ser chamado de “Palingsound” (enguia-som), um guarda-chuva para os artistas residentes em Volendam.

Sparks é uma banda norte-americana de rock e pop formada em Los Angeles em 1970 pelos irmãos Ron Mael (tecladista) e Russell Mael (vocalista). Sua historia se estende por cinco décadas, do final dos anos anos 60 à experimentação eletrônica no final da década de 70, atingindo o topo das paradas no começo dos anos 80 nos E.U.A e retornando nos anos 90. Os irmãos Ron e Russell Mael cresceram em Pacific Palisades, Los Angeles, e escreveram alguns hits, cujo maior destaque é "This Town Ain't Big Enough for Both of Us" que foi regravado pelas bandas British Whale e Siouxsie and the Banshees.


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Placebo – Battle for the Sun

Morrissey – I´m trowing my arms around Paris
Morrissey – First of the gang to die
Morrissey – the more you ignore me, the closer I get
Morrissey – Everyday is like Sunday

Drop Loaded:

Jumbo eletro – she has a penis
Cérebro Eletrônico – Os Astronautas

Diana Dors – so little time
Ludus – Breaking the rules
Nico – All that is my own
Patty Smith – Hey Joe

Bloco produzido por Dillner Gustavo Silva:

O peso – Boca louca
Montrose – Rock the nation
Foghat – Slow ride (Ao Vivo)

David Bowie – I know it´s gonna happen someday
Reel Big Fish – We hate it when our friends become sucessfull
Stars – this charrming man
Colin Meloy – Jack the ripper
Everything But The Girl – Back to the old house ( Ao Vivo )

The Ramones – Judy is a punk
The Cats – Swam Lake
Sparks – Arts and craftes spectacular
T-Rex – Great Horse

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Alto-Falante



Terence Machado, jornalista, apresentador e criador do Programa Alto Falante, produzido pela Rede Minas, contou ao PROGRAMA LOADED, em entrevista por email, como foi o processo de saída da grade da TV Cultura após uma década de parceria, e aponta como a propagação de bandas independentes e música de qualidade irá continuar a ultrapassar os limites territoriais pela Web.

por Suzanna F.

pequena introdução geral...
Até o final dos anos 70, a produção de música no Brasil dependia muito das majores fonográficas, apesar de sua efervescência de criatividade na época. Os mais queridos (ou rentáveis) da grande indústria tinham o destaque da vez, mas ainda assim, eram produzidos alguns tímidos festivais que revelavam vez ou outra rara oportunidade para que grupos ou músicos desconhecidos chegassem a circuito público. Entretanto, eram poucos que tinham interesse ou conhecimento para mudar de fato aquele mercado, e assim que vislumbravam um contrato, assinavam sem (ou pouco) pestanejar. Com a crise da década de 80, ocorreu uma necessidade de aumento nas criações autônomas, e de baixo custo. Aos poucos se estabelecia uma cultura independente, e os primeiros selos da cena underground, por exemplo, foram surgindo e tecendo um conglomerado de bandas e artistas que já sabiam muito bem como funcionava esse ninho de interesses para jamais se infiltrarem por ali.

Com essa alternativa mais consolidada, a década de 90 revelou várias dessas iniciativas, e com isso a imprensa começou a, ao menos, entender e buscar um pouco mais tais transformações. Foi nesse contexto que um dos programas que buscavam mapear bandas e garimpar tendências surgiu, em Belo Horizonte, no ano de 1997. Depois de uma década em parceria com a TV Cultura, hoje eles voltam para uma propagação e veiculação independentes, mas nem de longe esse retorno dá ares de situação retrógrada.



A TV é coisa do passado...
...e a internet vai enterrar

O presente é tão próximo que às vezes nos impede de enxergar a distância que percorreu, e que já está ficando para trás...

Para quem acompanha ou é envolvido de alguma forma no circuito nacional (ou mundial) independente, está cansado de ouvir ou falar que a internet abriga os principais canais de comunicação dessa via. Afora comunidades de apoio automáticas para auxiliar diretamente essa rede como twitter e pontos.com ou www alguma coisa, essa nova realidade firmou parcerias sólidas, já independentes de sistemas ou recursos tecnológicos que no caminho foram agregando mais facilidades.

Se no inicio eram vislumbradas como apenas parcerias sonhadoras, românticas, ou meramente de camaradagem ou amizade, agora já é fato para o mundo inteiro que a cena independente de fato cresceu em proporções inenarráveis. O profissionalismo e organização atingidos deixaram muitas “grandes” empresas do mercado da música boquiabertos, e claro, sedentas por mais um contratinho ali, e um lucro aqui.
Como não estamos falando de uma década de espaços limítrofes, parcerias justas para ambas as partes são bem vindas, assim como serão desfeitas sem culpa. Um desses casos é o programa Alto Falante, que deixou nos últimos meses a parceria que tinha com a TV Cultura.

Loaded – Como vocês enxergam as grandes redes de TV pública e seus gestores?
Terence Machado-O que menos interessa na cabeça dos gestores de TVs públicas e educativas espalhadas pelo Brasil é o telespectador. Até hoje eles não aprenderam nem o beabá com as grandes emissoras. Nas grades das emissoras públicas o telespectador é que se vire pra saber o que aconteceu com aquele programa que saiu da grade ou se mudou de horário pela enésima vez, sem que se informe sobre essas mudanças.

Loaded – Quais os principais motivos que atribui a esse fim de parceria de 1 década, de exibição do Programa Alto Falante em rede nacional?
Terence-Foi um boicote bairrista da atual gestão da emissora. Não são os gestores atuais que decidirão qual a abrangência de cobertura do Alto-falante. Talvez, estejam mais interessados agora na briga “TV do Serra” (a própria TV Cultura) versos “TV do Aécio” (Rede Minas) e, enquanto isso, a cultura propriamente dita que espere a indicação do PSDB para o próximo candidato à Presidência pra voltar a vigorar na grade da emissora, em São Paulo. Enquanto isso, equipes de vários programas da Rede Minas estão fazendo coberturas em outros estados, pensando em gerar conteúdo televisivo de qualidade. A nossa direção não está olhando para o próprio umbigo e sem falsa modéstia, com a produção que tem hoje a Rede Minas tem que se impor mais. Sem essa de “pedir benção” à TV Cultura ou qualquer outra emissora.

Loaded-O que mais incomodou e interferiu no processo do trabalho da Equipe Alto Falante, na ocasião de tais “boicotes”?
Terence-O programa não possuía chamada específica, com os destaques da semana, reforçando o horário de exibição. Durante um período também andaram empurrando o programa madrugada adentro. Um dia atrasava a exibição em quase uma hora, encerrava a grade, entrava a reprise da reprise de outro programa, antes da edição inédita.

Loaded- Quais foram os últimos feitos da produção do Alto Falante, em contrapartida a forma de tratamento da rede?
Terence- Sempre lutamos por um quadro onde bandas tocassem, ao vivo, e agora temos a Sessão Alto-falante, produzida num estúdio com qualidade de áudio e vídeos excelentes,com artistas independentes como a grande atração. Muitos que participaram da sessão mal tinham clipes e ganharam 3 registros em vídeo de qualidade. Sempre perseguimos a idéia de cobrir os principais festivais europeus e conseguimos isso, no ano passado, e mais uma vez a Cultura não deu à série o destaque merecido. Trouxemos entrevistas inéditas como a do Digitalism, antecipando a vinda do duo alemão ao Brasil. Mostramos um pouco do show do Radiohead, no Roskilde. O mesmo que acabou sendo apresentado aqui este ano. Agora colocamos no ar uma entrevista com o editor da Uncut, Alan Jones, uma lenda do jornalismo musical. Mapeamos a cena independente e o rock argentino, além de apresentarmos novas e velhas bandas de lá que nunca foram conhecidas pra valer, no Brasil.

Loaded- Quais foram as principais idéias após o fim dessa parceria ser consolidada, em relação a atingir os públicos de todas as regiões?
Terence- Unimos a longevidade, aceitação e respeitos conquistados a pulverização do nosso trabalho em comunidades no MySpace, Orkut, entre outras. Tudo isso passou a ser um filtro de nosso trabalho. Para se ter idéia, quando o horário de exibição atrasou em meia hora, só tivemos conhecimento por causa dos posts na nossa comunidade.

Loaded- E o que o público pode notar de diferença, ou pode esperar, tanto na net quanto no programa exibido pela Rede Minas ?
Terence- O programa nem bem saiu da rede e já foi à Virada Cultural, em São Paulo. Alguns pontos de nosso planejamento à médio prazo é substituir certos clipes fartamente divulgados em outros meios como o You Tube, por boas matérias de arquivo ou versões mais completas das matérias que exibimos na TV.

Loaded- A TV Cultura lançou o programa Ao Ponto, que entre outros quadros específicos para o mundo adolescente, trouxe apresentações de Armandinho, NX Zero... O segmento é totalmente diferente, mas é indubitável afirmar que a mídia brasileira atual dá muito espaço para jovens descerebrados. Quais motivos você atribui a essa intensidade de espaço para coisas do tipo?
Terence- Burrice e desconhecimento de causa. Esses gestores quase sempre não entendem nada de TV, mas gostariam de estar na direção. Eles brincam de diretores e programadores de TV, com uma diferença preocupante: fazem isso com o dinheiro público. E quando vêem a presença de bandas como NX Zero, no Caldeirão do Huck, podem pensar que isso será algo glamuroso também na TV educativa. Se a educação no Brasil é a eterna propaganda política não cumprida, o que esperar da TV, dita educativa, que é comandada por gente que só está ali por indicação política? Se o papel de um conselho curador, que as TVs públicas/educativas adoram criar e propagandear como pseudo controladores de conteúdo e termômetro para suas respectivas programações, fosse verdadeiro, o Alto-falante não sairia da grade da TV Cultura tão cedo. Que conselho derrubaria um programa que criou um público fiel e não custava nada à emissora, que ganhou prêmios seguidos e puxou toda uma leva de novos programas do gênero e ainda tem uma audiência significativa? Só fica difícil marcar algum ponto em pesquisas de audiência quando tratam o programa, na grade, como se ele não existisse, mesmo sendo exibido no final da tarde de sexta-feira. O problema de horário de exibição ser bom ou ruim fica menor perto de todos outros que já citei.

Loaded- Acredita que essa relação entre maior espaço para programações vazias é contraditoriamente proporcional ao espaço que os veículos independentes e/ou de grande qualidade cultural conquistaram nos últimos tempos?
Terence- Se você balançar uma árvore, em qualquer cidade, vai despencar um bocado de bandas novas.Só que mesmo em lugares onde foi criada a tal da cena, com festivais, produção e lançamentos de discos dos artistas locais e um pequeno mercado independente funcionando, como é o caso de Goiânia, por exemplo, a renovação quantitativa nem sempre acompanha a qualitativa. Não surge um MQN ou Mechanics todo ano. Um Vanguart ou um Los Porongas. Talento é talento. Pode ser descoberto e aparecer mais rapidamente, numa cena em ebulição ou distante de tudo isso. O Kurt Cobain poderia ter surgido em Nashville, com todos os problemas que teve, influenciado praticamente pelas mesmas bandas, já que muitas delas nem eram de Seattle. Resumindo, durante certo período a MTV deixou a musica de lado, as pessoas que se preocupavam em mostrar a boa musica produzida de forma independente, no Brasil, estiveram fora do ar por diferentes motivos. E, coincidentemente, várias bandas incríveis surgiram. Agora temos a ABRAFIN, o movimento Fora do Eixo, com vários novos espaços, programas, sites, blogs dedicados a esse segmento, mas às vezes faltam artistas que realmente mereçam ocupar esses espaços.

Loaded- O programa Radiola, com João Marcelo Boscoli surgiu em 2008, quando a exibição do Alto Falante completava quase 10 anos na TV Cultura. Acredita que essa implementação foi uma forma estratégica da emissora, já para possuir uma produção de um segmento próximo ao de vocês na grade do canal?
Terence- Não foi totalmente de caso pensado mas, certamente, quando o Trama Virtual se transformou em Radiola pra fazer basicamente o mesmo que o Alto-falante, na TV Cultura, a atual gestão deve ter soltado foguete! Daí pra frente foi só gelar o Alto-falante, anunciar um novo horário e, em seguida, atrasa-lo em meia hora para desnortear o público e esperar mais uma mudança na grade como desculpa. Ficou fácil, afinal, quer algo mais perfeito pra “TV Serra”, no momento em que vivemos, do que ter uma espécie de “Alto-falante made in SP”. O Trama Virtual ganhou sua versão na TV pública e nós a versão virtual, parece ironia! Digo isso, mas temos bom relacionamento com as pessoas que fazem o Radiola. A má fé, no caso, não foi deles. Toda a sorte do pra eles e outros que surgirem com essa missão que é a de apresentar na TV boa musica. O que é desnecessário e ruim para o mercado independente é criar um canal de divulgação, anulando outro de forma tão arbitrária e desrespeitosa como fez a Cultura.

Loaded- Saldo final: há coisas na política ou na mentalidade geral limitada que não mudam facilmente...
Terence- Temos bandas de ótima qualidade no cenário independente, e associações idem, como a Abrafin, mas se mesmo assim, outra fatia ainda maior de público insiste em só absorver o que passa (e é “ruminado”) no Faustão e toca nas rádios, fazer o que? Essa mudança de mentalidade não acontece de uma hora pra outra também. Sempre teremos público para troços como NX (abaixo de)Zero e similares.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

+ rock em Itabaiana

Sexta-feira chuvosa e mais uma noite de rock em Itabaiana – porque, felizmente, o Projeto Sexta Cultural não foi descontinuado e segue a todo vapor na AAI. Se o público normalmente já é pequeno, era de se esperar que fosse ainda menor devido ao clima (meteorologicamente falando) desfavorável, mas até que não foi tão mal – a única ressalva é de que havia praticamente mais gente de Aracaju que da cidade mesmo graças, possivelmente, à mobilização do pessoal da Mamutes, sempre entusiasmados e dispostos a agregar e celebrar.

Os trabalhos começam, já perto da meia-noite, com os anfitriões da casa, representados pelo Thee Swamp Beat Brothers. Boa banda – na verdade é um projeto montado pelos 2/3 restantes da Dr. Garage para se divertir enquanto esperam pela recuperação de um acidente de seu baixista. Givanildo não é um baterista especialmente técnico, mas compensa suas deficiências com garra ao espancar as peles da bateria. Já Maicon é um exímio criador de riffs, mas não se sai tão bem com os vocais, o que, no entanto, não chega a comprometer de forma decisiva a apresentação. Fizeram praticamente o mesmo show que já havia visto anteriormente com o Mahatma Gangue, com a adição de um vocalista extra de ultima hora, o ilustre Cachorrão, que a todo instante invadia o palco para intervir entre um e outro clássico do rock garageiro misturado a composições próprias (ou da Dr. Garage), até se instalar de vez no posto. A principio tudo bem, é rock, é celebração, é brother, é um cara bacana, mas ele limitava-se a emitir berros desconexos atravessados, o que ameaçou prejudicar a perfomance da banda, que simplesmente não conseguia mais executar seu set a contento. Apesar dos revezes, foi divertido, porque nessas horas o que deve imperar é o espírito da coisa, e esse espírito tanto Cachorrão quanto os Beat Brothers do pântano têm de sobra.

Depois vieram os Mamutes. E vieram “com gosto de gás”, com a presença, inclusive, de um pessoal de seu Fã-clube, veja só: uma banda sergipana com um fã-clube organizado, representado naquela noite por quatro figuras bem jovens, dois rapazes e duas garotas, o que torna ainda mais inusitado o fato deles serem fãs declarados de uma banda sergipana, autoral e independente, que faz um som calcado nos anos 70. Particularmente me amarro nesses paradoxos, porque acho que as pessoas não precisam se encaixar em estereótipos nem em regras de comportamento. As pessoas são (ou deveriam ser) livres para ser o que elas quiserem ser, e isso é lindo (fui meio hippie agora, mas ok). Dito isto, o show: Foi sensacional. Bem melhor que o ultimo deles que eu havia visto, em Gloria, no Rock Sertão (ver alguns posts abaixo). Estavam totalmente entrosados e seguros de si, executando com a garra e a competência de sempre seu já clássico repertorio. Marcos Odara é um mestre na bateria. Rick Maia é praticamente um “guitar hero”, super competente e seguro, dono de uma perfomance invejável, tanto tecnicamente como em se tratando de presença de palco, totalmente compenetrado e tomado pelo som que está executando, mas ainda assim atento ao que se passa ao seu redor e sempre interagindo de forma positiva e entusiasmada com o publico. Morcego também tem se revelado um grande baixista, e nesse show estava especialmente inspirado, tocando no meio do publico e criando arranjos e levadas em timbragens inusitadas. Já Kal Di Lion, a principio, não tem um vocal especialmente indicado ao tipo de som que a Mamutes faz, tem pouco alcance na voz e canta “para dentro”, para ficar numa terminologia popular, mas sua voz já está totalmente incorporada ao som da banda. Pode-se dizer que é, inclusive, um fator diferenciador que enriquece o som da Mamutes – e o rock and roll está cheio de exemplos de vocalistas que conseguiram driblar suas limitações e impor seu estilo de forma brilhante ou, no mínimo, satisfatória. Enfim, grande show, e mais uma vez com a participação um tanto quanto caótica de Cachorrão, que subiu novamente no palco e de lá não saiu, mesmo quando seu microfone parou de funcionar – saiu foi palco afora atrás de outro que funcionasse, e achou no que servia aos backing-vocais de Odara, quase derrubando pratos e o que estivesse à sua frente.

A terceira e ultima foi O Murro. É uma banda nova, e ainda estão, ao que parece, à procura de uma identidade. A intenção inicial, tudo indica, é fazer algo voltado ao rock “setentista”, como o Mamutes, mas o resultado ainda está verde, soando estranho, sem personalidade. Nota-se que há um esforço no sentido de buscar esta personalidade, mesmo nos (vários) covers que tiram, nos quais procuram se afastar ao máximo de uma mera repetição dos arranjos originais, mas o resultado final não é dos mais animadores – muito por conta, talvez, dos vocais, muito fracos. Fabio, o guitarrista, é um veterano dos palcos sergipanos, já tocou em várias bandas desde os anos 80 e tem uma boa pegada, porém não está conseguindo encontrar um som adequado à proposta d’O Murro, talvez por conta de seu background oriundo, em grande parte, das bandas com uma sonoridade mais voltada ao punk/hardcore como Forcas Armadas, Manikomio, Karne Krua e, mais recentemente, Sublevação. As composições também não ajudam, estão pouco inspiradas. Enfim, a meu ver é uma banda que precisa sair das boas intenções (e fazer rock autoral num estado com pouca tradição “roqueira”como Sergipe é sempre uma boa intenção) e repensar os rumos que pretende trilhar, identificar suas deficiências e trabalhar em cima delas. Caso contrario, corre o sério risco de ser mais um projeto bem intencionado porém abortado. O show ? Foi de razoável para ruim. Desisti quando tocaram (mesmo que com aquele saudável esforço supra-citado de inovação nos arranjos) a ultra-hiper-mega-manjada “smoke on the water”do Deep Purple. Deveria ser proibido coverizar esta musica – e também “stairway to heaven”do Led Zeppelin. Como destaque, fica na memória a interessante versão “hard” para “beijo exagerado” dos Mutantes.

por Adelvan kenobi


Dia 29/05/2009
Associação Atlética de Itabaiana


Thee Swamp Beat Brothes
Mamutes
o Murro










sábado, 30 de maio de 2009

# 109 - 29/05/2009 - Especial "sergipanidade"

Scarlet Peace – the Picture
Sign Of Hate – Awakening
Inrisorio – o zumbi caseiro
Berzerkers – predatory
Impact – States murderer

+ "pocket shows" acústicos e entrevista com

Máquina Blues
Daysleepers
Elisa

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www.aperipe.se.gov.br

Sergipanidade é celebrar nossa Cultura !!

Com o relevante crescimento da produção artística e cultural em Sergipe, a Aperipê hoje, se apresenta como um dos principais veículos de comunicação para o escoamento da produção local, pois entende que promover a cultura sergipana é fortalecer o espírito de pertencimento de nosso povo.
Condizente com o pensamento democrático e imbuída de seu papel, a Aperipê apresenta o Sergipanidade, uma ação de fortalecimento e difusão da cultura sergipana. Uma oportunidade para a promoção de um intenso contato com a nossa produção artística e cultural, onde a cada mês a Aperipê e parceiros irão promover uma série de ações como entrevistas, pocketshows, cobertura ao vivo de eventos e debates dentre outras.
Além de difundir as ações artísticas e culturais, o Sergipanidade busca tecer uma rede de ações e agentes culturais a fim de capitalizar os canais de acesso e fomento de nossa cultura.

No Ar a Sergipanidade


Imagine um dia inteiro celebrando a cultura sergipana. Agora, imagine isso uma vez por mês.

A partir de maio a Fundação Aperipê, através da Aperipê FM, irá promover uma série de ações de divulgação da arte sergipana através do Projeto Sergipanidade. Entrevistas, pocketshows, cobertura ao vivo de eventos e debates são algumas delas.
Com isso a Aperipê pretende apresentar todas as vertentes da nossa arte partindo da música e visitando outros campos, como o teatro e as artes visuais.

O projeto tem previsão de se estender na Aperipê FM até o dia 24 de outubro, Dia da Sergipanidade, quando será agregado também às programações da Aperipê AM e da Aperipê TV.

A Aperipê espera que outros veículos de comunicação também se integrem ao projeto e que a população adote o sentimento que a data representa.

O Sergipanidade surge para promover o encontro entre todos os agentes da cadeia produtiva artística local. Produtores, realizadores e artistas estão convidados a desenvolver parcerias para o desenvolvimento do mercado cultural.

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Sobre Máquina Blues: A MÁQUINA VAI FUNCIONAR !!!!!!!!!!!!! Doze milhões de escravos foram arrancados de sua terra mãe, a África, e levados para os Estados Unidos, no vergonhoso período da escravidão. Cerca de 1,5 milhão perderam suas vidas sem chegar a seu destino. A perversidade deste comércio, destas pessoas, não tinha limites. Muitos deles eram considerados como máquinas. Apesar de todo esse triste episódio, a herança musical que estes escravos nos deixaram, foi sem dúvida a principal base para toda a música moderna do século XX e que ainda está sendo no século XXI. E seguindo a cartilha desta herança, temos aqui em Aracaju uma máquina diferente, abastecida com swing e lamentos daqueles que foram vítimas deste cruel episódio da nossa história, os negros. A máquina a que me refiro é a Máquina Blues, banda que desenvolve um trabalho sincero, sem modismos imediatistas. Sentimento e emoção sempre foram características do Blues. O ritmo envolvente, a música cheia de sensibilidade embebida em emoção, é nesta linha de conceito que nasce a Máquina Blues em Aracaju - Se. A Máquina Blues presta homenagem ao Blues, ao velho Blues do Mississipi de Muddy Waters, de Jonh Lee Hooker, de Robert Johnson, só que sem os pés sujos de lama do rio, mas fincados na realidade nordestina do solo rachado do Sertão. A Máquina Blues é composta por Silvio (voz, guitarra), Melciades (Guitarra, slide, dobro, violões e voz), Paulo (baixo) e Adriano (bateria). O principal objetivo da banda atualmente é a divulgação da 1ª demo auto-intitulada "Máquina Blues", com onze faixas gravadas ao vivo em estúdio de autoria própria onde mostra seu trabalho e suas várias influências, sem esquecer de suas próprias raízes.

http://www.myspace.com/maquinablues

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por Maira Ezequiel em 26/10/2008 ( http://muitoma.blogspot.com )

Daysleepers é uma nova e reveladora promessa da cena indie rock aracajuana.

Passei algum tempo desse sábado acompanhando essa turma. À tarde, durante uma gravação para um programa-piloto, pude conferir a performance dos rapazes em estúdio e um bate-bola bacaníssimo dos meninos com Fabinho Snoozer, também registrado para o piloto (que, se tudo der certo, vai poder ser visto por todo mundo aí muito em breve. Cruzem os dedos!).

Ao que parece a banda tem uma espécie de “mentor intelectual” que é o Arthur (vocal e violão). As composições são todas dele. Menino novo, talento vocal notável, letras (em português) e músicas inteligentes, criativas... ele é desses que passa as madrugadas compondo - daí o nome da banda. Referências a Beatles e Beach Boys mais que explícitas sem que isso pareça um problema.

Tanto na gravação no estúdio, à tarde, quanto no show, à noite, me impressionei com a precisão com que a banda já executa suas novíssimas composições. Ficamos sabendo que eles ensaiam duas vezes por semana. O sonho de todo roqueiro securento.

No show, a segurança dos ensaios se revelou numa performance de palco (palco? Tá, não tem isso no Capitão Cook) segura e envolvente. Tocaram tarde e o publico esperou pra ver, interagir e vibrar.

Aliás, pausa para uma reflexão sobre esse evento de ontem: o Capitão Cook, se não me mudei pra marte, é único lugar que está abrigando, hoje em dia, aqui em Aju, shows de rock de pequeno porte. E tirando por ontem, o publico vem crescendo bastante, caras novas aparecendo... devia ter umas 300 pessoas ali ontem, somando quem ficou dentro e fora do bar. Ainda assim, pra variar, a cerveja tava quente, e a estrutura geral de um dos bares mais antigos desta cidade simplesmente continua absolutamente igualzinha. Isto é: ruim. Não dá pra reclamar de quem fica lá fora tomando cerveja gelada e mais barata mesmo. E simplesmente não existe outro lugar rock nessa cidade!!! Como pode isso???

Voltando...

Agora, a boa mesmo sobre o Daysleepers é o EP que eles acabam de lançar.

Da capinha às músicas, incluindo a qualidade técnica da gravação, há nesse debut um ar de capricho, sofisticação.

De cara, eles já conseguiram começar bem pelo que é mais difícil: encontrar a sonoridade certa numa gravação. De forma caseira e barata, os rapazes alcançaram um resultado final coeso, competente e, acima de tudo, muito inspirado.

São seis canções grudentinhas, melodias fáceis e bonitinhas. Destaque para a preocupação com os arranjos de voz, denunciando as principais influências sessentistas dos garotos.

As cópias prensadas parece que já acabaram. Mas isso não deve mais ser um problema graças à netlabel MusicLand Records – do camarada Jesuíno André, de João Pessoa – que está lançando o EP virtual no portal Lado Norte. (A partir de terça feira) CORRIGINDO: No começo de novembro, tem tudinho pra baixar lá. Já está no ar uma entrevista com o Arthur para o site. Vale a pena conferir. E enquanto não sai o EP por lá, você pode ouvi-los no myspace.

O mundo que acorde cedo pros Daysleepers.

Eu bem que digo que dormir de dia faz bem.

Baixe AQUI o EP da Daysleepers

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Fechem o almanaque. Receitas prontas não servem para qualificar a banda Elisa – composta por Pedro Yuri, vocal, violão e banjo; Saulo Nascimento, teclados, programações e vocais; Matheus Nascimento, baixo e vocais; e Fabinho Espinhaço, bateria. A sonoridade dos rapazes, no seu ep O Quarto dos Fantasmas, tem caminho muito próprio e bastante diferente do que se vê no cenário aracajuano (da distante Sergipe) ou mesmo na cena nacional hoje.
A guitarra foi aposentada. Um violão médio-grave assumiu seu lugar e procura riffs mais pops, mais próximos de uma digitação new rave. Mais dançante. O curioso nisso é o contraste disso com alguns elementos psicodélicos como se vê na faixa “Os sete pilares (dos sete mares)”. Ou mesmo na faixa “Quando ela foi embora”.
A brincadeira continua com os pianos elétricos que compõem a sonoridade da banda e que evocariam um som mais blasé ou mais cult/indie. Nada disso. Um uso até certa medida mais agressivo dá à sonoridade do piano algo novo. É o exemplo de “Floriza” ou de “Helicópteros”. Em outros momentos, o teclado assume distorções e efeitos espaciais que fazem cama para o canto e para o violão.
Mas talvez sonoramente o mais curioso seja a bateria. Um caso à parte no que se vem fazendo no rock “brazileiro”. As batidas têm células fortes, vibrantes, dançantes até. Mas são longas, não marcam ritmo, se expandem junto com o baixo criando uma languidez, uma ausência de pressa. Isso desnorteia e comove. Que se ouça a pungente “Retour” ou a delicada “Sobre uma canção de ninar”.
As letras dessa musicalidade pós-new rave falam de pessoas e inquietações. De amores que se vão, de fantasmas presos à vida, atados a uma relação mal resolvida. Falam também de perdas, de descrença, da maldade que há na bondade – da bondade que há na maldade. As letras falam sobre aquilo que nos aflige e que às vezes nos alegra.
Bem-vinda a feminina Elisa e o seu Quarto dos Fantasmas. Uma viagem pelo pop bem-feito (para não ficar sem uma comparação sonora: LCD Sound System). Uma visita às sonoridades da new rave sem compromisso de se filiar a nada especificamente.
Contato:
(079) 8819-3233/3231-3652
banda.elisa@hotmail.com
http://www.myspace.com/bandaelisabr
http://www.tramavirtual.com.br/elisa
http://www.orkut.com.br/MainCommunity.aspx?cmm=78345473
http://www.youtube.com/watch?v=q9j2vFmE7UI

quarta-feira, 27 de maio de 2009

6AN6RENA 6ASOSA




Hoje em dia o guarda-roupa do Inimigo está com mofo e teia de aranha. Todas as suas capas pretas e vermelhas estão sem passar. Os seus chifres-de-festa estão opacos e embassados. O rabo de seta está sem barbear e coberto de pelos. Os cascos do Mancador estão na sapateira da área sem dar um brilho já faz um tempão. O Capira não liga mais seu três-em-um da CCE desde que o Anjo Gabriel roubou seu original autografado do Smells Like a Tenda Spírita.
Não que ele não tenha tentado se modernizar ouvindo novidades mas o Diabo é sujeito e não curte nada de new metal, Linkin Park, Limp Bizkit, System of a Down e esse monte de bichice. Ele ainda sente saudade do despacho no palco, da cachaça e da farofa com cebola. Quando abre o seu baú de lembranças, lá estão os charutos que ele ganhou de presente no show do Garage e o disco de vinil do Welcome to Terreiro. Seus olhos ficam embaçados mas ele não chora, por que é foda, o Diabo é tosco e não vai pagar esse lelê pra ninguém ver, mas lá no fundo de seu negro e fumegante coração, bate uma saudade...
Acontece que um dia ele ficou boladão porque em cima da sua suíte infernal no Rio de Janeiro construíram uma igreja Adventista, e isso foi o fim! Aí não mano! Ele estava na disciplina respeitando a área do Alemão*, mas acordar com terra de reboco caindo na cara por que os crentes ficavam pulando e gritando em cima do seu teto, às 07:00 Hs da manhã de Domingo, foi foda!
Ele acordou pegando fogo e pediu seu demofone pro Capeta, que rapidamente discou o número da linha de emergência do inferno: 6 – 6 – 6, o Disk Disgraça. Após alguns instantes, uma gravação atendeu e deu as opções: - Digite 1 para Mistyfier, digite 2 para Mutilator, digite 3 para Sarcófago, digite 4 para Sepultura antigo, digite 5 para Matanza ou digite 6 para ser atendido por uma de nossas assistentes... “ 6 “ ...

– Bom dia, com que estou falando?

– Com Satanáis minha filha!

– Senhor, para sua segurança, antes de atendê-lo, estarei solicitando algumas informações para confirmação de seu cadastro em nossa base de dados: data de nascimento?

– 6 de junho de 6 bilhões de anos atrás.

– Nome do Pai? –

Infelizmente meu pai é Deus (cusp!)

– Nome da mãe?

– A puta que te pariu!

– Nome completo?

– Diabo, Satanáis, Capiroto, Catiço, Cramulhão, pode escolher aí o que você quiser...

– Senhor, infelizmente não consta nenhum desses nomes em nosso cadastro...

– Tenta Lúcifer minha filha, tenta Lúcifer!!!

– Ah sim, pois não senhor Lúcifer, em que posso ser útil?

– Cadê a opção 6 para 6AN6RENA 6ASOSA???

– Senhor, esse artista não está mais em nosso catálogo, poderia estar sugerindo alguma outra opção dentro desta linha de produtos para que possamos atendê-lo em suas necessidades infernais?

– Não minha senhora, eu pago este serviço em dia há anos, e agora que eu preciso quero ser atendido pelo artista que contratei na apólice.

– Um instante por gentileza, vou estar verificando qual a disponibilidade deste artista nos próximos meses, aguarde na linha por favor... “(toca música de fundo, Carmina Burana executada de trás pra frente)” ...

– Senhor, tenho informações de que voltarão a se apresentar no dia 21 de junho de 2009 em Campo Grande no Rio de Janeiro. Gostaria de estar reservando suas entradas?

– As duas primeiras filas!

– Assento especial?

– Não se preocupe, levarei o meu trono.

– Gostaria de lembrar que o evento é especial e exige traje adequado para ocasião...

– Sem problema, vou engomar o meu traje de gala!

– Posso ser útil em mais alguma coisa?

– Não, obrigado!

– A Disk Disgraça agradece a sua ligação, e tenha um péssimo dia!

– Você também arrombada!

– Vai se fuder filho da puta!

– Vai você sua piranha!

– Vai tomar no seu cú desgraçado! Eu estou aqui no Domingo é trabalhando!

– Quem mandou não estudar em vez ficar fumando maconha na escola? Eu te manjo há muito tempo sua vadia!

– Vai tomar no cú seu Diabo!

– Olha o respeito, hein.

www.myspace.com/gangrenagasosa

segunda-feira, 25 de maio de 2009

# 108 - 22/05/2009

Drop Loaded:

Stellar – connect
Stellar – The Top (the Cure cover)

Agrotóxico – Inimigo real
Olho Seco – Botas, fuzis e capacetes
Ratos de Porão – Tattoo Maniax
Mukeka di rato – O peso do seu sangue
Negative Control – Experimentação animal
Psychic Possessor – Cubatão
DFC – patamo
Gee-O-Die – tocar
Logorréia – IRDS

Bate-papo e “canja” AO VIVO com o projeto Triple Trouble

Bloco produzido por Dillner Gustavo Silva:

Blackfoot – Feelin´ good
Ramatan – Whiskey place
Geordie – Don´t do that

Vendo 147 – Hell
Pata de Elefante – isso é o que eu tenho pra dizer
Macaco Bong – vamos dar mais uma

Repúdio – Sergipano do olho amarelo

[Maua] – relief
Kratera – semideusa
Messias – God, if you can hear me
Música das cinzas – piano interlúdio
Satanique Samba Trio – Canção para atrair má sorte (Ato I)

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Sobre Messias: Após 8 anos de quase absoluto silêncio, Messias (líder do grupo "brincando de deus") anuncia a finalização do seu primeiro trabalho solo. O álbum — se é que ainda podemos chamá-lo assim — vai sair em MP3, CD e vinil. A emblemática faixa "Resilience" está disponível para download em www.messias.art.br desde o dia 08.12.08, enquanto o disco é aguardado para as próximas semanas. A música "The machines are my family" (lançada em 08.08.08) também está disponível. Produtor e autor de todas as músicas, Messias reuniu músicos locais, colaboradores, parceiros da brincando de deus, além de contar também com a produção de André T. Seu trabalho solo não se contrapõe ao que ele realizou com a brincando de deus, mas introduz novos elementos. As composições (em português e inglês) são formadas a partir de paisagens sonoras e textos pessoais, inaugurando um processo absolutamente particular de método de trabalho: o disco foi gravado no Estúdio T (em Salvador), mas é recheado de sessões realizadas em casa, no carro, em bares da cidade ou via celular. Diverso sem ser eclético (rock, dub, electro-jazz, sampling), Messias compreende bem o alcance da música contemporânea, situando-se entre as aquisições afetivas de um artista independente de meia-idade e a imersão disruptiva na efemeridade da música pop. Sua tentativa pessoal é conferir sofisticação a um coração lo-fi. Assim, guitarras, programação, efeitos e cordas delineiam seu trabalho atual. O álbum triplo (para os formatos CD e vinil) recebe o título de "escrever-me, envelhecer-me, esquecer-me", com 32 músicas no total. As composições atestam sua capacidade de resiliência, como sugere a faixa para download. Visite www.messias.art.br e conheça a música que abre o novo trabalho de Messias.

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Kratera (corruptela do latim “kraterius toneladum”)

www.kratera.com.br

Quarteto formado em meados de 2004 numa tarde pré-tempestade na ilha de Florianópolis.
Formação clássica Krateriana:

Roberta Kiefer – vocal
Galináceo – guitarras
Beto Fonseca – bateria
Mogs – baixo

Amigos de longa data, Mogs e Galináceo montam o Kratera por puro repúdio ao bom mocismo no poprock nacional. Pedem a benção para Sabbath e cia e vão à luta. As músicas começam a transbordar e a dupla convoca Chris Lata Véia para descer a mão na bateria. Gravam o primeiro cd e caem na estrada. Passam por clubes bacanas, buracos, sarjetas e festivais pelo Brasil. Depois de um tempo a curitibana Roberta Kiefer substitui Thanira Rates no vocal. Roberta foi revelada via internet e traz na bagagem meia década dedicada ao underground paulista. A festa começa agora.

Depois do poderoso cd 'Boca de Lobo' gravado em 2007, o Kratera não perde tempo e já está no estúdio gravando seu 3º cd intitulado 'Vista pro Caos', com Beto Fonseca substituindo Chris Lata Véia na bateras, que teve que se ausentar por problemas de saúde.

Numa época embalada por funks , emos e afins, o Kratera chuta a porta e serve de bandeja um rockão invocado, de cara feia. Me vem à cabeça jaquetas de couro, motos e tattoos. Ponto pra eles!

G.A.M

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Após sete anos de atividade, a [maua] inicia uma nova fase. A banda, cuja formação mantem Cabral (guitarra), Thomas (bateria) e Érico (vocal), agora traz também Mahavir (guitarra) e Jessika (baixo), numa nova etapa de sua existência, pautada pela qualidade e inovação de sempre, mas mais agressiva que nunca. Atualmente selecionando e adaptando músicas do repertório já existente, são as novas composições que vão mostrar que a [maua] continua tentando inovar no mundo do metal, mostrando isso com peso e brutalidade acentuando mais ainda a agressividade que já era característica da banda. Em breve, essas músicas serão disponibilizadas para que se possa conhecer o novo som da [maua], mas os shows que vem por aí prometem não deixar pedra sobre pedra.

www.mauaband.blogspot.com

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Referente ao curta-metragem A ETERNA MALDIÇÃO DO CACIQUE SERIGY, de cuja trilha sonora foram retiradas as duas últimas musicas executadas no programa.

Do blog http://crticasdeumcinemanu.blogspot.com/


Criticar o curta-metragem “A Eterna Maldição do Cacique Serigy” (2009, de Alessandro Santana, Bruno Monteiro & Mauro Luciano) será uma trabalho fácil ou difícil? Conheço e gosto pessoalmente dos três realizadores envolvidos e, se por um lado, foi-me difícil confessar de imediato que desgostei da obra, por outro, já fora advertido por um deles que eu não gostaria mesmo. Não somente conheço pessoalmente os tais realizadores, como também conheço algumas de suas idiossincrasias e discordo de algumas delas. Ou seja, o filme não me surpreendeu em nenhum momento. Sabia o que ia encontrar... e encontrei!

Antes, uma pequena sinopse: numa terra ainda inexplorada pelos comerciantes brancos europeus (supostamente, no século XVI), vemos personagens representando indígenas. Estes respeitam a natureza, ingerem fumos oriundos de plantas nativas e interagem ponderadamente entre si. Até que, um dia, surge um estrangeiro, montado num cavalo. Este prova do doce pecado da gula na terra que agora considera “um novo Éden” e estupra (ou inaugura a prostituição especular?) uma nativa ao som do hino sergipano, que logo se converte numa marchinha de carnaval. Ao saber do acontecido, o iracundo personagem-título consulta o pajé de sua tribo, a fim de saber como agir, como vingar a desonra de seu povo. Depois de uma luta vã com o invasor estrangeiro, o cacique revoltado lança uma terrível maldição sobre a terra em que vivera até então, dizendo que, a partir de então, nada mais prestará naquele lugar, que se tornará opaco, infértil, provinciano. Na trilha sonora, “O Cordão dos Puxa-Saco”. Na tela, uma indagação conclusiva: “é o fim!”

Aspectos a serem investigados a partir desta sinopse: conhecendo os realizadores como eu conheço, lamento reconhecer mais uma vez nesta obra um aspecto que pode ser prenhe de sentido, mas com o qual eu não concordo: esta tendência insistente em difamar a precariedade e a auto-desvalorização (cultural e socioeconômica) de Sergipe, num ímpeto que parece crítico, mas que, ao ser repetido ‘ad extremis’, torna-se vicioso e inocuamente rabujento. Não sei se minha sujeição pós-pós-moderna faz com que eu submeta-me ao pauperismo típico da “terra atrasada” em que vivo, mas não creio que as intenções dos autores ao despejarem suas reclamações em forma estética pós-cinemanovista funcionem a contento. Motivo 1 (detectado na pré-estréia de ontem): o público-alvo do filme está muito mais interessado em reconhecer seus amigos e conhecidos na tela do que entender que ali se tratam de personagens (quiçá alegóricos em relação à História de nosso Estado). Motivo 2: as citações a filmes clássicos de Joaquim Pedro de Andrade e Glauber Rocha não surtem efeito em audientes cujos arcabouços referenciais repousem num “presente contínuo” infelizmente consentido. Motivo 3: se pensarmos direito, nada do que foi visto na mal-projetada tela da Sociedade Semear é novo: misturar Mozart, Carmen Miranda, colorido tropicalista e História sumária é talvez uma fórmula em desgaste, que instaura efeitos cômicos involuntariamente disfuncionais, conforme detectados nas reclamações de pessoas na platéia acerca da má sincronização sonora, de uma montagem academicista e pretensiosa e de outros “defeitos” técnicos-formais que, conhecendo as aventuras ‘udigrudi’ dos realizadores, podem e devem muito bem serem intencionais.

Supondo que eu encontre novamente com Alessandro Santana e este me pergunte agora o que eu achei do curta-metragem, direi o seguinte: valorizo a sua produção, no sentido wellesiano de que “toda obra é boa, na medida em que exprime o caráter do homem que a concebeu”, mas arriscar-me-ia a sugerir, no âmago de minhas mais sinceras boas intenções, que ele seria muito mais fecundo se levasse à frente o que pretendeu no título de uma obra prévia e realmente desconfortasse a platéia. Afinal de contas, nos dias acríticos de hoje, não há mais espaço para crítica sem perturbação verdadeira – e, com certeza, usar óculos escuros na escuridão de noites chuvosas não é um recurso sinceramente aliado á constatação!

Wesley PC> (prototipicamente)

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Heaven and Hell, show no Rio de Janeiro

Michael Meneses, para o Portal Rock Press

HEAVEN AND HELL
CitiBank Hall, Rio de Janeiro
17/5/2009


Michael Meneses, texto


A princípio tive a sensação de mais um fiasco de público em shows de rock no Rio, a exemplo do que foram os show do Def Leppard e Status Quo, ao ver o Citibank-Hall um tanto vazio aproximadamente uma hora antes do show começar por conta de um grande número de pessoas ainda do lado de fora -talvez por isso mesmo tenha começado com atraso. Contudo, à medida que o povo ia chegando e ocupando seus lugares na pista, uma sensação de que a força do rock pesado estava recomeçando: a atmosfera, o Megadeth sendo discotecado (antes e depois dos shows) e mais uma vez, a exemplo dos shows do Maiden e do Kiss em solo carioca, o clima família com casais acompanhados de seus filhos reinava, diferentes gerações trajavam suas camisetas de bandas. Suscitou nostalgia, como se naquele momento todos fossem um bando de adolescentes num show no Caverna II, Garage ou no Circo Voador em seus melhores momentos.


Hoje o nome é Heaven and Hell. Porém, costumes da época quando assinavam como Black Sabbath continuam. Um deles é iniciar um set com “E5150”, e emendar com “The Mob Rules”. Nem bem o show começa e a massa já estava dominada pelos riffs de Tony Iommi, a pegada forte de Geezer Butler, a bateria precisa de Vinni Appice, e como se já não bastasse a presença do carismático Ronnie James Dio, que é como um daqueles jogadores que mesmo quando não é preciso, faz questão de chamar o jogo pra si, conquistando com isso a liderança do campeonato. Falando em jogo, alguém no palco deu ao Dio uma camisa do Fluminense. O vocalista exibiu o presente ao público que reagiu com poucas manifestações, nem vaias e nem aplausos. Ele guardou a camisa ao lado da bateria e logo recebeu uma outra camisa, desta vez uma do Black Sabbath. E ao estender a camisa olhou com sorrisos para Geezer Butler.


A partir daí foi um festival de faixas e cartazes com frases, músicas e até desenhos oferecidos e recolhidos por Dio, fato que, aliás, acontece desde 1992 quando o então Black Sabbath veio ao Rio (e ao Brasil) pela primeira vez e um grupo de fãs levou faixas com nome de músicas do Sabbath, e Dio usou algumas dessas para apresentar em alguns momentos daquele show. Desde então em todas as vezes que Dio esteve no Rio sempre teve alguém com faixas nos shows.


Com o público nas mãos, a banda seguia sua aula de rock pesado e os clássicos da fase Dio eram executados, e Iommi e Butler mostravam porque são vistos pela grande maioria, (pra não dizer todos os fãs de heavy metal) como os inventores do estilo. As novas “Bible Black”, “Fear” e em “Follow the Tears” Dio faz seu comentário sobre o novo album ‘The Devil You Know’. “É uma grande música deste álbum e eu estou muito orgulhoso”. Essas três músicas novas que foram apresentadas deixam claro que nessas horas que os downloads fazem à diferença e mostram sua força, pois para um disco que ainda não foi lançado já tinha muita gente cantando.


Porém, não ocorreram outras músicas do novo disco, e nem dos outros discos com Dio, o set, aliás, foi bem curto, tendo em vista a quantidade de hinos que a banda compôs no decorrer de sua historia. E mesmo que estivesse claro que o set seria apenas com sons do “Dio Years”, canções dessa fase ficaram de fora, como “Wishing Well”, "Voodoo", "The Sing Of The Southern Cross" “Computer God”, "TV Crimes", e poderiam está presentes. Por outro lado ao contrário do que até se esperava não se ouviu gritos por “Paranoid’, “Iron Man”, "Children of the Grave" ou qualquer clássico do “Ozzy Years”, sinal de que o público entendeu que agora é uma nova história.


No finalzinho, Dio bate o martelo para apresentar mais uma clássica: “Esta [música] tem o nome da banda, é o título de nosso primeiro álbum. Espero que vocês aproveitem. Esta se chama Heaven and Hell!”. Uma rápida saída de palco e o pedido de bis é inevitável com a banda retornando com “Country Girl”, que serviu de aperitivo para a arrasa quarteirão “Neon Knights”, finalizando com estilo e provando que a trupe do Heaven and Hell tem tudo para renascer e continuar fazendo história mais uma vez, e nem precisa ficar preso ao passado.


Set List Rio de Janeiro

E5150
The Mob Rules
Children of the Sea
I
Bible Black
Time Machine
Solo de Vinni Appice
Fear
Falling off the Edge of the World
Follow the Tears
Solo de Toni Iommi
Die Young
Heaven and Hell
Country Girl/Neon Knights

terça-feira, 19 de maio de 2009

guidable

Guidable - Documentário sobre o Ratos De Porão

Entrevista com os diretores FERNANDO RICK E MARCELO APPEZZATO

Por Márcio Sno para Portal Rock Press


Resgatar da forma mais transparente a história de quase trinta anos de uma das mais importantes bandas de hardcore do mundo. Essa foi a missão confiada pela banda Ratos de Porão, em 2006, aos diretores documentário Guidable, Fernando Rick e Marcelo Appezzato (na primeira foto, Marcelo à esquerda).


E essa missão não incluía apenas colher depoimentos dos integrantes, mas também de diversos personagens que participaram paralelamente da trajetória do RDP. E para isso, foi necessário resgatar figuras que contribuíram para o nascimento do movimento punk no Brasil além, é claro, de ex-integrantes da banda. Precisaram também resgatar documentos dos mais diversos formatos e condições.


O filme teve uma sessão aberta para a imprensa e convidados em 4 de maio na Galeria Olido, que fica ao lado de um dos pontos de encontro mais conhecidos para quem gosta de barulho: a Galeria do Rock. Na verdade, a maioria dos presentes era formada por figuras clássicas do punk dos anos 80 que se manifestaram cada vez que apareciam em cena no documentário “Guidable”.


A produção contou a história do RDP desde o seu começo e foi conduzida pelos discos lançados pela banda, com opiniões dos membros atuais e dos que faziam parte na época de cada lançamento. E nenhum detalhe foi esquecido ou camuflado: foram explicitados os problemas que os integrantes passavam com drogas, as brigas internas e até como que foram articuladas as saídas de membros da banda.


Essa é a história definitiva do RDP, agora ficará difícil fazer uma entrevista com banda, pois quase tudo que se precisa saber está nesse documentário. Se virem jornalistas!


Os diretores foram muito felizes e produziram o registro definitivo do que é a banda. E também acertaram na mensagem antidrogas que passam no decorrer com os depoimentos dos próprios membros e mais explicitamente no final do documentário, com uma frase que deixa faz o expectador ir para casa pensando.


Porém, apesar de a intenção os diretores fazerem um documentário para quem já conhece e para aqueles que nunca ouviram falar da banda, esse é um material para fãs do RDP. O interesse é direcionado para quem acompanhou a carreira (no bom sentido!) deles. Quem não conhece a banda, pode ficar sem entender alguns momentos.


O filme será exibido em cinemas alternativos, centros culturais e teatros (veja os locais e datas em: http://www.blackvomit.com.br/guidable) e em breve sairá a versão em DVD duplo com todos os bônus possíveis e cabíveis em duas mídias.


Portal Rock Press conversou com os diretores do documentário que falaram um pouco dessa viagem em que se meteram.



Como foi o convite para rodar o documentário com o RDP? Quais foram os critérios?

Fernando Rick - Eu havia feito um clipe para uma música do último disco do Ratos, o Homem Inimigo do Homem, que foi censurado pelo dono da gravadora Deck Disc, que achou o conteúdo muito violento. Meio absurdo, pois não tem metade da violência contida em metade da programação da MTV, mas tudo bem. À partir disso surgiu este link entre mim e o Gordo e rolou a idéia de fazer o documentário sobre a história da banda. O lance é que outros diretores já haviam tentado fazer este documentário, mas ninguém concluiu. Aí surgiu a idéia. Isto foi em 2006.


Como é ter um clipe censurado em pleno século XXI? A Deck não exagerou? Pra mim, o clipe tem cara de filme B...

Rick - Exagero total! O clipe tem uma violência exagerada, que passa longe da realidade. A letra é antiviolência, e metade da programação da MTV é mais pesada, basta ver o clipe do Sepultura que saiu na mesma época, aquele em que o Iggor toca com pé de bode [Convicted in Life, dirigido por Ricardo Laganaro]. Eles nem ao menos se deram ao trabalho de me informar, apenas não exibiram em nenhum lugar.


Vocês estrearam na direção de um longa-metragem justamente contando a história de uma das mais importantes bandas de hardcore do mundo. Isso teve muito peso de responsabilidade?

Rick - Claro que teve! Mas além de produtores audiovisuais, nós somos fãs da banda, e sabemos o que um fã gostaria de ver. Então, não ficamos com medo de errar a mão e, além do mais, a ideia era fazer um filme que pudesse agradar tanto os fãs mais hardcore quanto as pessoas que nunca ouviram falar da banda. Ele tinha que ter vida própria e se sustentar enquanto filme, além de ser um registro histórico de uma das mais importantes bandas de punk/hardcore do mundo. Acho que o resultado está aí, pras pessoas tirarem suas próprias conclusões.

Marcelo Appezzato: Talvez se fosse um documentário sobre o Agnaldo Rayol, as coisas teriam sido mais difíceis.


Antes de contarem a história do RDP, vocês optaram em contextualizar o movimento punk da época. Têm idéia de quantas fontes de pesquisa que utilizaram para chegar ao resultado final?

Rick - A pesquisa foi feita com base no nosso conhecimento sobre o movimento, internet e amigos. Sendo que toda a história é contada pelas pessoas que viveram e construíram este movimento aqui no Brasil, entre eles Rédson [Cólera], Clemente [Inocentes], Fabião [Olho Seco] etc. Utilizamos fotos de arquivo pessoal e imagens do festival Começo do Fim do Mundo. Acho que deu pra dar uma esclarecida legal.

Marcelo - Sem contar a infinidade de VHS bolorento, com muito material antigo que a gente conseguiu.


Vocês tiveram autonomia total para filmar?

Rick - Sim, tivemos autonomia total. É um documentário independente, sobre uma banda e um movimento que sempre andou com as próprias pernas. Não tem o que esconder, histórias de brigas e drogas são de praxe.

Algo assustou vocês no decorrer da produção do documentário (imagens, depoimentos)? Houve algum momento de tensão?

Rick - Não, a maior tensão foi passar um ano decupando [processo que consiste em assistir todo o material gravado para selecionar cenas que possivelmente entrarão na edição] fitas madrugadas adentro. Ou a gente terminava ou teria uma overdose ou um coma alcoólico.

Marcelo - A gente acabou entrando no clima “droguístico” da banda, mas foi só durante a finalização. Hoje somos uns santos. Eu juro.


Houve algum fato curioso das gravações que não entrou no documentário?

Rick - Várias histórias legais não entraram. Uma delas é a briga do Ratos com o Sarcófago, ouvir essa história da boca dos caras, é lindo. Talvez entre nos extras do DVD.

Marcelo - Se todas as histórias legais entrassem, o documentário iria ter umas 8 horas. A ironia do destino é que apesar da treta com o Sarcófago, o documentário do Ratos foi feito por uma produtora chamada Black Vomit, em homenagem a um dos clássicos da banda mineira.


A produção contou com algum incentivo (Lei do Audiovisual, por exemplo)?

Rick - Não, foi tudo grana do próprio bolso e, principalmente, ajuda de amigos. Desde a pré-produção até a pós, tratamento de cor, edição de som etc. Tudo com ajuda de amigos.


Qual foi o custo dessa produção?

Rick - Merreca, não deve ter chegado a 5 mil reais. Mas não sei com precisão.


Vocês se inscreveram em festivais com o “Guidable”. Já começaram a ter retorno?

Rick - Inscrevemos em alguns, ninguém aceitou. Ontem (05/04) saíram matérias na Ilustrada da Folha [de S. Paulo], no Caderno 2 do Estadão [jornal O Estado de S. Paulo], e no Variedades do Jornal da Tarde. Hoje, no Correio Brasiliense. Pronto, agora começaram a chegar convites de festivais no meu e-mail. Incrível, né?


Já têm algum projeto futuro?

Rick - Temos um roteiro de curta que foi enviado pra dois editais, estamos esperando resposta. Mais um roteiro que vamos produzir este ano, de curta também. Um piloto de web TV e algumas coisas menores. O nosso problema maior é tempo, toda equipe da Black Vomit tem trampo paralelo, a maioria em TV, o que é foda, pois o horário é móvel e cruel, o que atrapalha nos projetos pessoais.

Marcelo - A gente acabou de colocar no Youtube também, um documentário em curta-metragem chamado Decepção. É só procurar por “decepção black”, que ele aparece lá. [http://www.youtube.com/watch?v=v1seGlBu4-U]


Sempre depois que acaba uma produção se fica pensando: faltou isso, aquilo. O que faltou nesse documentário?

Rick - Faltou a uma hora que cortamos. O primeiro corte tinha três horas. Mas tudo isso vai virar extra no DVD. Também faltou dinheiro, mas o resultado está aí, pra quem quiser ver.

Marcelo - O DVD vai ficar lindo. Estamos preparando umas surpresinhas aí. Aguardem.

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