terça-feira, 10 de novembro de 2009

The Second Coming

Fonte: Terehell

Ex-Maquinaria

por Fernando Castelo Branco

Foto: Marcos Hermes

E em SP, acreditem, faz, às vezes, um calor digno de nem sentir saudade de casa. Nessas horas a conhecida deselegância discreta das paulistanas tira do armário até saída de banho pra tentar aliviar o calorão. Mais sobre o tempo adiante...

Vou pedir a vocês um "boooo" virtual pros organizadores do Terra e do Maquinaria, que não chegaram a uma decisão inteligente sobre datas e trombaram os dois festivais. Mau pros dois. Nenhum conseguiu repetir os 30 mil presentes do Radiohead em março passado. Um racha, evidentemente. Creio que muitos que foram ao Terra acharam que o festival seria mais "adulto", enquanto o Maquinaria agradaria a pivetada "nóinha", na gíria paulistana.

Puro engano. A platéia do Maquinaria era basicamente dos trintões que curtiram Faith No More e Jane's Addiction nos anos 90, e continuaram vislumbrando a influência dessas no trabalho dos Deftones, lá pela segunda metade da mesma década. Perdi Nação Zumbi e Sepultura. Uma série de fatores: clima, distância e saco pra ficar em pé com uma das pernas toda detonada. Mas Chino Moreno e companhia já valeram de cara isso tudo. Com aparência bem mais saudável, Chino puxou novos e velhos sucessos de todos os discos e inaugurou a interação com a platéia, pra desespero dos seguranças. Só senti falta de "Back to School", de resto o baixista-estepe segura a ausência de Chi Cheng, ainda hospitalizado devido a um acidente de carro há quase um ano.

Entre um show e outro, respectivamente, Sayowa e A Maldita. Coincidência ou não, bandas que já trabalharam na gringa com os produtores do Maquinaria...A primeira investe num som com percussão, meio batido. A segunda vai de hard-power-pornô, nada novo embaixo do sol desde Screaming Jay Hawkins, Alice Cooper ou, mais recentemente, Marylin Manson. Mais sobre entre-shows adiante, junto com o tempo.

Jane's Addiction fez um show correto. O show que se espera de uma banda como eles. Tudo é muito profissional. Um belo pano de fundo usava uma gravura de uma caveira mexicana, estilo "dia dos mortos", o telão passou um trecho de um filme onde a banda é citada. Bailarinas, uma delas esposa do vocalista Perry Farrell, interagiram em "Three Days", "Summertime Rolls" e na jam final, com passistas de uma escola de samba (talvez o ponto baixo: clichê e brega). Dave Navarro deu pití com um fotógrafo, mas sem grandes consequências. Perry Farrell é o último dos andrógenos, uma coisa entre Bowie e Ney Matogrosso. Eric Avery fica lá no canto dele, sua permanência na banda parece algo burocrático e ele dá sinais claros disso, embora em momento nenhum o JA deixe de passar em grande estilo pelas músicas dos discos da formação clássica. Tudo profissional, direto e na medida.

Aí voltam o tempo e as entre-bandas. O céu fecha, já noite, e começa a chover. O vendedor de capinha de chuva (tão comum por lá quanto cambista) logo inflaciona o preço e o hino nacional começa a rolar no PA do palco Myspace. A Vanussa, será? Pior: Supla e seu irmão João Suplicy causaram 40 minutos de suplício (sic) com sua "bossa furiosa" nomeada "Brothers of Brazil". "Japa Girl" e chuva na moleira, o preço de esperar pelo Faith No More.

Ao som de "Reunited" (de Peaches & Herb, uma espécie de Jane & Herondi afro-estadunidenses), empunhando um guarda-chuva, óculos escuros, paletó vermelho-pomba-gira e uma bengala, Mike Patton dá o sinal pro começo dos cem minutos de fim do mundo com "From Out of Nowhere", daí desfila, de enfiada, clássicos de todos os álbuns da banda, com ênfase em "King for a Day - Fool for a Lifetime". Sempre conversando com a platéia num português canastrão, o FNM vai do namoro com o death metal em "Surprise You're Dead" à balada-xarope "Easy" (dos Commodores de Lionel Ritchie) sem cerimônia. "Evidence" tem a letra vertida para o português e "Caralho Voador" não fica fora do set. Algumas músicas foram bastante espichadas pelas loucuras e bizarrices de Patton, como fingir um ataque de tosse e vômito em "Midlife Crisis", ou fazer quem pagou 450 reais na àrea VIP gritar "pôrra,caralho" como se fosse uma criança boca-suja de seis anos. Podia ter aproveitado pra tocar coisas como "Falling to Pieces" ou "Zombie Eaters", mas dou um desconto por terem privilegiado bastante material de "Angeldust", um de seus discos mais "difíceis" e sub-estimados.

Escaldado de chuva e da espera por um táxi no meio da madrugada, escapuli antes do segundo bis, mais um momento Antena 1, depois de uma versão matadora de "We Care a Lot". São Paulo amanheceu fria e meio com cara de chuva, mas daí só me restou entulhar a mala e me escafeder.

P.S: Graças a um amigo com vivência e bons contatos na paulicéia pude ver na noite anterior ao Maquinaria a ressureição-relâmpago de 2/4 da primeira formação do Pin Ups num galpão desfarçado de lounge-chic na Barra Funda. Gracias, Erick!

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No Rio ...

Fonte: Portal Revoluta

por Deise Santos

04Em noite de premiação do Grammy, quem ganhou o maior e melhor prêmio da música foi o público do Rio de Janeiro, que presenciou um show épico da banda norte-americana Faith No More.
Desde o anúncio da “Second Coming Tour” a ansiedade cresceu entre os amantes de Mike Patton e sua turma. A possibilidade de ver o quinteto em ação fez o público carioca vencer o calor infernal que assolava o Rio de Janeiro, numa quinta-feira de primavera, e se dirigir à casa de shows na Barra.
A noite começou com o show da banda carioca Moptop, que fez um show pra uma casa já com um bom público e preparou o ambiente para que o Faith No More entrasse em cena.
O visual do show foi o mesmo de toda a “Second Coming Tour”. Cortinas vermelhas decoravam o fundo do palco, Mike Bordin estava todo de preto, Roddy, Billy e Jon de roupas sociais e Mike Patton todo de vermelho. Parece que os “meninos” apostaram nessa imagem clean, muito diferente dos anos 90, quando Patton tocava com roupas variadas, até com uniformes de fast-food e Roddy também ousava nos visuais. Sinais dos tempos e da maturidade da banda, que assim como o vinho, fica melhor a cada ano.
O show não poderia começar melhor, aos primeiros acordes de “Cowshit (Midnight Cowboy)” o público já sentiu que aquela seria uma noite memorável. Parecendo não querer perder tempo, a banda explodiu a sonoridade de “From Out of Nowhere” - uma viagem no tempo aos idos anos 90 – que fez o público vibrar. Na sequência, o vocalista provoca ao dizer que a música que irão tocar é uma homenagem ao seu primeiro amor, Iris Lettieri – locutora carioca, que trabalhava no Aeroporto do Galeão. Patton, em sua primeira passagem pelo Rio, ouviu a voz de Iris no aeroporto e ficou encantado – fato que tornou público no antigo programa “A Entrevista” na MTV (na época no canal aberto), quando disse ter ficado extasiado com aquela voz. Feita a provocação – já que Iris processou a banda por usar sua voz indevidamente no álbum Angel Dust -, eles dispararam uma versão de Evidence, com pitadas de brasilidade. E o show continuou com músicas de todos os álbuns.
Mas se a banda pensou que só iria surpreender, se enganou, porque o público também presentou a banda. Na hora da execução de “Midlife Crisis” veio a surpresa, Mike Patton admirado com o coro de mais de 4 mil pessoas que acompanhavam a banda, pediu que os músicos parassem de tocar e o público cantou à capela para o quinteto. Patton extasiado, virou-se de costas para a platéia e perguntou em português muito bem pronunciado: “E aí banda? O que dizer?”. Ovacionada pela platéia e depois de recuperar o fôlego, a banda retoma a música e segue com o show.
Sentindo-se em casa e orquestrando a platéia durante todo o concerto, Mike Patton comandou uma coreografia de braços em “Just a Man”, arriscou mais palavras em português como o elogio ao público: “Super Legal!” e até brincou de cavalinho com um dos seguranças, chegando mais perto da platéia, aumentando assim a interação com os fãs e o clima de festa entre amigos.
“We care a lot” ficou para o primeiro bis, mas foi o segundo bis, depois da banda sair e retornar ao palco com direito a um tropeço de Jon em um fio e cumprimentos de Roddy à la maestro de orquestra, que causou o maior burburinho e emoção entre banda e público. Ao ouvir os fãs pedirem Falling to Pieces! Falling to Pieces! Falling to Pieces! Mr. Patton se rendeu ao charme dos cariocas e falou em portunhol: “Solo porque estamos em Rio” – a música estava fora do set há algum tempo - e dispararam o hit que consagrou a banda por aqui. A surpresa foi ver que Patton não lembrava a letra toda, errou uma estrofe e recorreu a Bordin, que cantou um pedaço da música, para alegria dos fãs presentes. Nada que não possa ser perdoado, afinal a banda não toca pelos lados de cá há mais de uma década.
Resultado: quem foi não se arrependeu, que não foi ao menos deve procurar no youtube as dezenas de vídeo que foram feitos por algumas câmeras espalhadas entre os mais de 4 mil mortais que lotaram a casa de shows para poder comprovar, o quão memorável foi esse encontro entre o quinteto e o seu público.

The Exploited em Natal



Fonte: Rock Em Geral

"O punk não está morto"

No dia destinado à música pesada, o Festival DoSol recebeu um público jovem em Natal, disposto a ter lições com o Exploited, criador do movimento “punk’s not dead”, e a se divertir em rodas de pogo sem perder a consciência com Devotos e Confronto.

Foto do Exploited: Rebeca Correia
texto por Marcos Bragatto

Com uma paisagem decorada por muitas camisetas pretas, o domingão do Festival DoSol, em Natal, foi marcado por uma programação voltada para bandas de heavy metal – em seus segmentos mais variados – e punk rock/hardcore. O destaque maior foi a apresentação do grupo britânico Exploited, ícone do renascimento do punk no início dos anos 80, que apresentou uma indelével vitalidade. Devotos (ex- do Ódio) e Confronto não ficaram atrás e mobilizaram o público com shows contagiantes.

Não é qualquer dia que se vê um símbolo vivo do rock, carregando no peito sua própria imagem. Pois quem se acostumou a reconhecer a caveira moicano do Exploited no imaginário coletivo do rock, pôde ver, ontem à noite, em carne e osso, a cabeça que lhe deu origem. Quando Wattie subiu no palco para encerrar um dia em que treze bandas se apresentaram, trouxe com ele toda a história do punk mundial, que certamente não seria a mesma sem a interferência do Exploited. Por isso o início com “Let’s Start a War (Said Maggie One Day)” tratou de colocar os pingos nos is. Além da origem do hardcore em si, através do movimento “punk’s not dead”, Wattie trouxe para Natal as cusparadas refutadas por John Lydon em todos esses anos.

E também um repertório consagrado por clássicos que transformam o Exploited, hoje, numa banda de classic punk – se é que cabe o maneirismo. Entre mais de 20 músicas, sempre anunciadas sob um sotaque terrível do vocalista, “War”, logo no início, “Alternative” e “Sex And Violence” foram as que resultaram em grande interação com o público, que girava em rodas de pogo sem parar. A última com participação de fãs que subiram no placo após o chamado do batera Wullie Buchan, no bis. Nada que superasse o carisma de Wattie, que anda sem parar de um lado a outro e mantém a tradição de bater com o microfone na cabeça e jogá-lo no chão quando acaba o show. Possesso, o público enlouquecia a cada nova música.

Seguramente o Devotos não existiria não fosse o Exploited, e o grupo de Recife tem em comum com o britânico um punhado de bons hits – mais até, por estas plagas – capazes de criar rodas de pogo sem parar. A colante “Eu Tenho Pressa” e “Futuro Inseguro”, de conteúdo simples e direto que o digam. Canibal está muito bem, comunicativo e fazendo o grupo dialogar com a platéia, em que pese a timidez do guitarrista Neilton, que se esconde atrás de um boné e fica quase o tempo todo de costas para a platéia. Houve tempo para um bis, depois da obrigatória “Punk, Rock Hardcore, Alto Zé do Pinho”.

Sem o Exploited também não teríamos o Confronto, do Rio, outro que proporcionou cenas de diversão explícita. Cada vez mais o crossover hardcore/metal cabeçudo do grupo, com letras de conteúdo social, aponta para a música extrema, cortesia do guitarrista Maximiliano, vidrado em referências como o Slayer do auge do thrash metal. O Confronto tem um público fiel em Natal, e o vocalista Felipe Chehuan sabe muito bem comandar a massa. Em “Abolição”, por exemplo, ele garante a diversão ao transformar a turma do gargarejo em front de combate. Um showzaço que só reforça a vocação do grupo para conquistar novos adeptos, nesta que foi apenas a segunda vinda a Natal.

O heavy metal não foi citado só pelo Confronto, mas suas mil e uma ramificações vieram ao DoSol na tarde de ontem, arrastando um diverso público cuja soma deve ter superado os três mil pagantes. Desde o hard rock de coreografias ensaiadas e trejeitos repetitivos do Comando Etílico, passando pelo retorno do metal tradicional do Deadly Fate e pela modernidade pesada do goianiense Mugo, até chegar no metal extremo do paulistano “Nervochaos”, que toca sem a presença de Deus, havia de tudo um pouco no domingo de sol. Buscando algo de diferente, Natal tem as parentes Calistoga e Distro, ambas descendentes de um ancestral emocore, mas que não querem carregar a herança maldita.

A primeira apresenta a performance à Incubus, acrescida de roupas cheias de pulgas que fazem todos pular de modo desconexo, sem parar. O grupo precisa urgentemente rever seus conceitos – e se ver no espelho – de modo a aprender a hora de dar um passo atrás para acertar dois adiante. Já o Distro, rico pela presença de dois guitarristas/vocalistas, achou seu caminho. As passagens de guitarra e as composições do grupo são boas, e só tendem a melhorar com o tempo. Para o show ficar bom, só falta parar com esse negócio de ficar afinando guitarra entre todas as músicas.

Na série banda nova que tende a crescer, as locais I.T.E.P. (hardcore com metal), Fliperama (bubblegum) e Dr. Carnage (“estilo brucutu”) encaram o desafio de tocar para quase ninguém como abertura num festival de renome nacional. Até o norueguês Pulverhund, que tem na bateria um brasileiro torcedor do Corinthians, fez bem a sua parte depois de cair de pára quedas na Ribeira. A banda pode não ser essa coca-cola toda, mas ao menos o baixista/vocalista é a cara do líder do Queens Of The Stone Age, Josh Homme.

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Na noite anterior ...

Começou ontem, em Natal, no Rio Grande do Norte, a sexta edição do Festival DoSol. Realizado pela terceira vez utilizando simultaneamente o Centro Cutural DoSol e o Armazém Hall, tendo como área comum parte do Largo da Rua Chile, o evento reuniu cerca de 3 mil pessoas, entre 15h30 e 4h da madrugada de domingo. Ao todo, se apresentaram 17 bandas, nos dois palcos. Embora o canadense Danko Jones tenha causado grande expectativa, coube o Retrofoguetes, de Salvador, fazer o melhor espetáculo da noite, que levantou o público do palco Armazém Hall, destinado às bandas principais - o grupo já havia se apresentado no DoSol em 2005.

Havia sido uma tarde problemática nos dois palcos. Mais cedo, um dos bateristas do Vendo 147 teve dificuldades para segurar parte de sua bateria, que se deslocava de acordo com a vibração do palco. O grupo faz um instrumental pesado com dois bateristas tocando num kit siamês, um de frente para o outro. Foi, até então, a melhor apresentação do festival, que citou o tema do personagem “Vingador”, do seriado “A Caverna do Dragão”, e encerrou com um pout pourri excepcional, que incluiu trechos turbinados de clássicos do Black Sabbath, AC/DC, Led Zeppelin, Jimi Hendrix e Metallica.

O som também castigou o público no show do local Rejects, cujo volume, altíssimo, não encontrou equalização adequada e atrapalhou a performance pesada do grupo. O trio traça um crossover moderno de metal lento, pesado e arrastado, com o grunge de Seattle. Embora seja revelação da cena local, não cativou a quantidade de público que se esperava. No outro palco, a psicodelia do ótimo Plástico Lunar também foi prejudicada pela ausência dos teclados, ocultos no som que chegava a público, e com o projeto solitário O Melda, Claudão Pilha não conseguiu se fazer ouvir como havia planejado, usando o capacete crivado de anéis metálicos.

Foi nesse cenário que o Retrofoguetes, dessa vez trajando macacões brancos, mudou a história da primeira noite do festival. Acompanhado por um ténico de som experiente, o combo instrumental já entrou no palco com pompa e circunstância. De início, o som quase cristalino da guitarra de Morotó Slim causou espanto, mas aos poucos a platéia, inicialmente comtemplativa, passou a aplaudir o grupo compulsivamente, sobretudo depois da adesão a outros ritmos que não a surf music de raiz, incluindo até uma versão impagável para o antigo tema da entrada de jurados do programa de calouros de Silvio Santos. É de se estranhar, inclusive, que o nome de Morotó não apareça entre os maiores guitarristas brasileiros em todos os tempos.

Dentre os nacionais, o grupo baiano foi o que reuniu um maior público, entre o translado de um palco a outro, incluindo a área aberta onde funcionava uma feirinha com vários lançamentos de selos independentes à disposição do público. Por pouco o trio não roubou a cena do canadense Danko Jones, que soube muito bem se afirmar como atração principal, aproveitando a boa qualidade do som, o tempo para apresentação, maior que os demais participantes, e a disposição do público em receber um artista pouco conhecido no Brasil, quiçá em Natal. Falando muito entre uma música e outra, o guitarrista (que dá nome à banda) disse estar orgulho de estar pela primeira vez no Brasil, e de o País ser o primeiro da América do Sul que ele visita.

Fazendo um hard rock moderno, nervoso e cheio de riffs, não tardou para o grupo arrancar aplausos do público, que acompanhava cada pedido de palmas do baixista. Em cerca de uma hora de show, o guitarrista instigou os natalenses a pensar sobre política, sexo e se eles realmente gostam de rock. Ao final, numa homenagem ao conterrâneo Rush, um trecho de “YYZ”, a instrumental mais cantarolada do mundo, foi levada num volume altíssimo, e ainda rolou tempo para um bis solitário.

Outro show que entra facilmente no rol dos melhores do festival é o do paranaense Sick Sick Sinners, que levou vantagem por tocar no palco DoSol. Com o local abarrotado, o psychobilly do grupo converteu os fãs de hardcore ao gênero, que se divertiram a valer em sucessivos moshes, rodas de pogo e stage dives. Tanto que nem perceberam os constantes problemas com o som que culminaram no corte de um dos vocais. A combinação da guitarra semi-acústica com o baixo acústico, tocado em alta velocidade, acrescenta muito ao som do grupo.

Duas bandas de Natal, já conhecidas de outras festivais, foram bem. O Bugs, como quarteto, ficou bem mais pesado que antes, e as músicas do novo EP prometem. O Bonnies também tocou para um bom público no palco DoSol, mostrando uma empatia trazida por mais experiência de palco. O Cassim & Barbária, de Floripa, reúne integrantes de outras bandas da cidade, e precisa definir melhor qe tipo de som quer fazer, já que o show apresenta tantas variações que é claro, positivamente, a falta de um rumo. Mais que isso, o The Baggios, grupo do guitarrista do Plástico Lunar, deve complementar a formação antes de agendar o próximo show.

BARULHINHO RUIM

Nessa edição a produção do festival apostou num público mais, digamos “adulto”, e para isso escalou uma espécie de prorrogação com artistas de gosto questionável. Assim, os palcos praticamente se transformaram em pistas de dança de salão e o chamado “Barulhinho Bom”, se eventualmente atraiu mais público, acabou saindo pela culatra, ao distoar (em princípio) dos objetivos de um festival como o DoSol. Exceção honrosa se faça ao Eddie, de Olinda, cuja credibilidade supera com facilidade tais circunstâncias.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

# 126 - 06/11/2009



Messias – Broadcast your scape
Then Crooked Vultures – New Fang
Slayer – World Painted Blood

Siouxsie and The Banshees - Candyman
Bauhaus – The Passion of lovers
The Cure - Disintegration

Drop Loaded:

Vitrolas polifônicas – é o que me excita
Calistoga – wait to fight
Vendo 147 – Kill Bill

The Gathering – Strange machines
Tiamat – gaia
Type O Negative – Christian woman

Elefant – sunlight makes me feel paranoid
Interpol – take you on a Cruise
White Lies – Death
She Wants Revenge – Red Flags and long nights

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Karne Krua no Portal Rock Press



Mais um bom serviço prestado ao rock sergipano por

Michael Meneses

Karne Krua - O Vinho da História* dos Subversores da Ordem*

Pense numa banda com mais de 20 anos e fazendo sua história em Sergipe, o menor estado do Brasil! Pensou na Karne Krua? Acertou! Na ativa desde meados dos anos 80 e linear ao florescer do movimento punk no Brasil, a Karne “Ainda é Krua” e finaliza seu novo álbum intitulado “Inanição”, com previsão de lançamento para o fim do ano. Seu vocalista e um dos fundadores da banda, Sylvio Campos, concedeu esse entrevistão ao Portal ROCK PRESS em sua loja, a Freedom Discos na capital de Sergipe, Aracaju, outrora conhecida no meio underground por “Buracaju”, nome de um fanzine de sua autoria.

O século XXI segue e imagens de punks ainda chocam, às vezes com o mesmo impacto com que as primeiras aparições punks em São Paulo e no Rio de Janeiro chocavam quando exibidas na TV nos anos 80. Porém, a cena punk não era exclusiva do eixo Rio-São Paulo e assustava com vigor longe das metrópoles. A cena se mobilizava na base da sua máxima, o “faça você mesmo”, e foi se solidificando pelo Brasil. Bandas surgiram e fizeram história, algumas sugiram e fazem história, e não apenas uma história regional, mas nacional, e isso não foi diferente na capital sergipana, que na década de 80 (e até hoje) foi apelidada de “Buracaju” em referência ao zine editado por Sylvio Campos, vocal da banda mais importante do rock em Sergipe, a Karne Krua.

Apresentar a banda narrando os shows pelo nordeste, mudanças na formação, citações na mídia, dos K7’s, Lp, Cd, coletâneas, vídeos e Cd homenagem... Soa até natural. Porém, para a Karne Krua isso tem diferencial, afinal são mais de 20 anos de garra fazendo parte da construção da cena rock (e não apenas punk) sergipana, e não é fácil erguer-se num estado cujo rock. por mais “Ilustre” que seja, é infelizmente visto como um “Desconhecido”, ofuscado pela falta de visibilidade, levando muitos à acreditar que cultura em Sergipe limita-se aos sons e rebolados do Pré-Caju e do Calcinha Preta.

Morei em Aracaju nos anos 80, conheci a banda em 1987, quando ela já conquistava respeito na cena nacional, tinha 12 anos e queria distância da fase “Underground” da hoje rotulada Axé-Music e que saturava Sergipe. É Glorioso lembrar o dia que vi uma banda de rock pela primeira vez, ao acompanhar um amigo indo ao encontro dos músicos da Karne, que ouviam rock num toca-fitas na calçada da residência do artista plástico AC (Augusto César) e que, quinze anos depois, participou do lançamento do CD “Em Carne Viva”, pintando uma tela no palco. Imagens na minha mente, ou melhor, na mente de um fotógrafo , são sentimentos, e lembrar de punks escutando rock numa calçada do histórico bairro de Sto. Antonio em Aracaju é algo nostálgico, cultural, histórico e de grande importância na minha vida.

Ao retornar ao Rio em 1990, dias antes do Rock in Rio 2, o melhor cartão de visita para interagir com o Rock carioca foi responder varias vezes: “Sim conheço a Karne Krua, o Sylvio e sua outra banda o Logorreia...”. Eventualmente vou a Sergipe, e no final de 2008 assisti novamente um show da banda - antes havia assistido a um único show em 1990. Hoje shows de rock em Sergipe ocorrem com relativa frequencia, mas naqueles tempos tudo era difícil ou perto do impossível. E foi numa dessas idas que realizei a entrevista publicada no PORTAL ROCK PRESS - Clique AQUI para ler.

Karne Krua - O Vinho da História*, dos Subversores da Ordem* - Entrevista com Sylvio Campos
Por Michael Meneses!
Fotos – Alex Spirro e arquivo pessoal de Adelvan Kenobi e Michael Meneses!
Depoimentos colhidos por: Deise Santos e Michael Meneses!

*O título e sub-titulos desta matéria e da entrevista publicada na Rock Press foram inspirados em sons da Karne Krua.

Michael Meneses! – É fotojornalista, carioca do subúrbio, filho de paraibano com sergipana, torce pelo Campo GrandeA.C. no Rio de Janeiro, Itabaiana/SE no Brasil e Flamengo no Universo. Graças ao bom e velho heavy metal, conheceu as variadas vertentes do eterno rock and roll, sem esquecer suas raízes com o rock pesado. michaelmeneses@portalrockpress.com.br

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

"Caia na estrada e perigas ver" ...




"Cara feia pra mim é fome" - Mais uma " Pirataria Autorizada " por ...

Rian Santos ( spleen & Charutos )

riansantos@jornaldodiase.com.br

Não tenho nada contra conversa de bar. Muito ao contrário. Devo ao ambiente inspirador, e à leitura do saudoso Pasquim, a redação de minhas melhores entrevistas. Talvez o hábito incomode alguns poucos, leitores engessados por uma concepção burocrática de notícia, mas o fato é que seria impossível comparar, com a seriedade adequada, dois trabalhos fundamentais na compreensão do atual momento da música sergipana fazendo concessões ao nervosismo de uma redação.

Tendo isso em mente, na noite da última quarta-feira me juntei aos músicos Plástico Jr (Plástico Lunar) e Julico Andrade (The Baggios) para entornar algumas brejas e conversar sobre as expectativas de mais uma apresentação além de nossas fronteiras. Convidados para se apresentar no renomado Festival Do Sol, os caras corriam o risco de perder o bonde, mas arregaçaram as mangas e organizaram a festa Help!, que a Casa do Rock abriga hoje à noite, se recusando ao hábito preguiçoso de bater na porta dos outros fazendo cara de fome.

Jornal do Dia – A The Baggios já comeu a poeira de muita estrada.

Julico – Rapaz, conte aí. Só esse ano, a gente visitou Recife (PE), João Pessoa (PB), Natal (RN), Poções (BA), Salvador (BA), Feira de Santana (BA) e Vitória da Conquista (BA).

Jornal do Dia – É muita estrada pra uma banda nova.

Julico – A banda vai completar seis anos, agora em março. Mas as coisas começaram a funcionar de verdade a partir de 2007, quando a gente lançou o primeiro EP. Foi quando começamos a fazer shows e participar mais ativamente do cenário local.

Jornal do Dia – Já a Plástico tem quantos anos? Me lembro de assistir a Plástico, ainda moleque, na ATPN.

Plástico Jr – Esses caras precisam tomar vergonha!

Jornal do Dia – Tenha calma que nós vamos chegar aí.

Plástico Jr – A Plástico Lunar, com a atual formação, nasceu em 2001, quando Odara (bateria) entrou na banda. A gente começou tocando no Punka, num palco pequeno, com a Lili Junkie e outros nomes que batalhavam no underground da época.

Jornal do Dia – Mas na verdade o núcleo da banda é bem mais antigo.

Plástico Jr – Como Plástico Solar, a banda existe desde dezembro de 1998. No ano seguinte, a Plástico tocou pra caralho, mas ainda não existia um circuito independente ou alternativo na cidade. A gente só conseguia se apresentar por que Tiaguinho, nosso baterista, fazia parte do meio pop rock.
Nos apresentamos muito no Tequila, em uns lugares nada a ver. Tocamos com a Mosaico, a Sibbéria, uns nomes nada a ver.

Jornal do Dia – Quando foi que isso mudou?

Plástico Jr – Quando Odara entrou na banda. Antes, o nosso trabalho era muito ingênuo. A transformação em Plástico Lunar foi uma tentativa de encarar o trabalho de maneira diferente, a gente precisava ficar mais malicioso.

Jornal do Dia – Em que sentido? Às vezes eu tenho a impressão de que o trabalho da Plástico podia ganhar uma dimensão muito maior.

Plástico Jr – Nós ficamos muito tempo na garagem. A gente só tocava o que queria. Com o tempo, mesmo defendendo uma personalidade musical, acrescentamos muito à nossa visão inicial do que significa fazer música. A gente percebeu que uma banda não é só composição. Ter uma banda é mais do que fazer músicas boas, com arranjos legais e gravações cuidadosas. Depois de apanhar um bocado, finalmente aprendemos o significado da palavra produção. Hoje nós temos ciência de que fazer a produção da banda é tão importante quanto compor uma música.

Jornal do Dia – Apesar disso, a Plástico tem apenas um CD lançado, depois de mais de dez anos de carreira.

Plástico Jr – Um jornalista de Brasília já cobrou isso da gente. Ele nos conheceu através de uma coletânea do selo Baratos & Afins lançada em 2001, e esperava que o disco não tivesse demorado tanto pra sair. Ele nos perguntou se tinha valido a pena esperar tanto tempo pra lançar o disco. Eu já me martirizei muito tentando responder a esse pergunta, mas talvez tenha sido melhor assim. Se o Coleção de Viagens Espaciais tivesse saído antes, a gente provavelmente não ia saber o que fazer com as respostas que conquistamos. A gente não tinha nada na cabeça, só queria saber de tocar bêbado, de encher a cara até de manhã cedo. Hoje, a gente pode lidar com isso um pouco melhor.

Jornal do Dia – Vocês estão se preparando pra pegar a estrada mais uma vez. Em que medida isso é importante para o amadurecimento das bandas?

Julico – Viajar mudou minha cabeça pra caralho. Eu era um cara que reclamava muito. Hoje eu percebo que é preciso botar a cara, batalhar pro trabalho ganhar corpo, pra depois cobrar alguma coisa do governo ou de quem quer que seja.
A viagem que faremos agora, por exemplo, será praticamente custeada por nossa conta. A gente podia ficar se lamentando, e desperdiçar a oportunidade de se apresentar em um dos maiores festivais do nordeste, mas preferimos organizar um show pra arrecadar a grana que falta.
É preciso ter uma visão profissional da banda. Todo artista independente quer ocupar o palco desses festivais, mas isso não cai do céu. A gente só conseguiu cavar esses espaços por causa de um investimento pessoal, motivados pela fé que a gente leva no trabalho das duas bandas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Entrevista com Leo Levi, Diretor da Aperipê FM

por Rian Santos, do Blog Spleen & Charutos

riansantos@jornaldodiase.com.br

O diretor da Rádio Aperipê já conhece os nomes que deverão defender a bandeira de Sergipe no festival de música realizado pela Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub), mas não os revela nem sob tortura. A divulgação só ocorrerá na próxima sexta-feira, Dia da Sergipanidade, quando a programação da emissora será totalmente dedicada aos artistas locais. Isso não significa, contudo, que Léo Levi alimente algum receio em relação à exposição de suas idéias.
Em uma conversa rápida, entre um gole de coca-cola e outro, o rapaz e4xpôs suas impressões a respeito da cena local com uma franqueza corajosa, sobretudo quando levamos em conta a importância de sua posição. A conversa deveria girar em torno do Festival da Arpub. Malicioso como poucos, no entanto, torci o rumo da prosa até encontrar o porto que pretendia.

Jornal do Dia – Quando você assumiu a direção da Rádio Aperipê, o processo de aproximação com o artista sergipano já estava em andamento.

Léo Levi – Isso. Eu entrei lá por volta de 2007, na gestão de Patrick Tor4, quando fiquei responsável pela programação. Embora Patrick tenha sido responsável por essa aproximação inicial, o perfil da Rádio acabou sendo definido por mim e por Ricardo Gama, já que Patrick se dedicou mais ao exercício político inerente a suas funções. Isso facilitou muito o meu trabalho quando assumi a direção. Quando fui convidado para o cargo, agora em março, eu já sabia como as coisas caminhavam ali dentro, quem eram nossos funcionários, como cada funcionário funcionava… E esse conhecimento, num órgão público cheio de vícios, pode ser fundamental.

Jornal do Dia – Nesse período, a Aperipê acabou se transformando numa referência muito importante na cadeia produtiva da cultural local.

Léo Levi – Cara, a grande sacada foi dar espaço aos nossos músicos. Antes, a Aperipê conseguia veicular, estourando, cinco músicas por mês. Agora, veiculamos mais de quatrocentas músicas de artistas sergipanos mensalmente. Por isso a aproximação. Os artistas perceberam que teriam espaço em nossa programação. Eles começaram a enxergar a Aperipê como uma casa onde eles podiam ficar à vontade para divulgar shows, levar música, debater idéias e lançar propostas. Isso foi muito bom pra gente e, acredito, para todos os agentes da cultura sergipana.

Jornal do Dia – A partir de sua experiência profissional – tanto como diretor da rádio, quanto como produtor cultural – é possível falar em uma nova fase na música sergipana?

Léo Levi – Eu lembro de quando era garotão, no início da década de 90. Pra sair um disco era um grito. Lembro que o lançamento do primeiro disco da Snooze foi uma coisa de outro mundo. O mesmo pode ser dito do lançamento de Joésia Ramos. Hoje, com tanta tecnologia, com essa coisa toda de internet, ficou tudo mais fácil. Isso refletiu naturalmente na produção local.
Agora, um pouco mais recentemente, lá pros anos 2000, aconteceu uma movimentação bem interessante aqui na cidade, a cena estava borbulhando. Eu lembro das pessoas empolgadas. “Agora vai! Agora vai!”.

Jornal do Dia – Parece que não foi…

Léo Levi – Parecia que ia acontecer, mas deu uma brecada, infelizmente…

Jornal do Dia – Os meios de comunicação sempre foram muito negligentes, e não se assumiam como um elo dessa cadeia, né?

Léo Levi – A divulgação era muito informal, baseada em zines e listas de discussões virtuais. Mesmo a Aperipê, uma rádio pública, permanecia indiferente, era uma rádio morta. Faltava uma válvula de escape pra coisa de fato acontecer.

Jornal do Dia – Por outra lado, no entanto, parece que o artista sergipano também reclama muito e se nega a encarar a música como uma profissão. Tem muita gente que identifica o artista local como uma cara chorão.

Léo Levi – Rapaz… Eu acho que não vou responder isso, não (sorrindo).

Jornal do Dia – Pode falar, eu prometo que não conto a ninguém…

Léo Levi – Eu acho o artista sergipano muito chorão. Tem uma gurizada que encara a atividade com muita seriedade, que está dando um gás, mas a gente ainda percebe em certa parcela da classe artística um certo comodismo. Eles acham que o governo, ou a Funcaju, ou sei lá o quê, tem obrigação de bancar o trabalho preguiçoso que fazem. Eu acho que isso atrapalha o desenvolvimento da cena, na medida em que algumas bandas que trabalham de verdade acabam sofrendo, sendo apontadas como pupilo do governo, coisa e tal.

Jornal do Dia – Você está se referindo ao “caso NaurÊa”?

Léo Levi – Pois é. Tem gente que prefere ficar se lamentando ao invés de ocupar os espaços existentes. Eles criticam a Naurêa, ficam falando essas besteiras, mas podiam trabalhar para conquistar o mesmo respaldo. Mas parece que é mais fácil fazer acusações.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

# 125 - 23/10/2009



VARICOSO, COMATOSO, SENIL

Abaixo, a resenha que André Forastieri fez para a Revista Bizz na ocasião do lançamento do álbum “Angel Dust”, do Faith No More:

A gravadora London disse que esse álbum é suicídio comercial para o Faith No More. E é mesmo. Não tem nada a ver com The Real Thing, Epic, Edge Of The World, todo mundo cantando junto e balançando as mãos e tascando sorvete na testa. Não, isso é um esporro-purulento-paranóico-escroto-sanguinolento, cérebros explodindo multidirecionalmente, picas frustradas se ralando no cimento e sangrando em cima de crianças miseráveis morrendo de fome. Demônios à solta. Adeus fãzinhas púberas, adeus MTV, adeus tudo. Não tem uma porra de um sucesso neste disco. O Faith No More foi longe demais.
Midlife Crisis, o primeiro single, dá uma pista do disco mas não entrega o jogo. O próximo (A Small Victory) é a coisa mais “fácil” de Angel Dust, mas suas possibilidades de sucesso foram abortadas com sete meses – os caras botaram um trecho completamente anticomercial e esquisito no meio.
Por que esse desejo de se matar? Não vem ao caso, mas é quase grande arte. Angel Dust é Frankenstein: pedaços de gêneros estabelecidos que não estão mortos mas já fedem - metal, hip-hop, country, thrash – fundidos numa criatura única, simultaneamente podre e rebimbando de vitalidade. O NME chamou de schizo-core, hardcore esquizofrênico. É um bom rótulo, mas não é suficiente.
Seguinte: não tem uma letra simples no álbum. Daria para dizer que são quase poemas se não fosse soar tão pretensioso, poemas no sentido William Burroughs da coisa. Exemplo 1: “os balanços do parquinho não me acomodam mais/folclore: ninguém deveria acreditar que no próximo ano tem aula/escreva cem vezes”(em “Kindergarten”). Exemplo 2: “Chegou a hora de falar com meus filhos/vou dizer a eles exatamente o que meu pai me disse/ VOCÊ NUNCA VAI DAR EM NADA” (em “RV”).
O detalhe é que não tem uma letra que dê para cantar junto. A estrutura das músicas não permite, e a voz de Mike Patton varia radicalmente e vai do velho falsete (pouco usado) a puro terror thrash a baladeiro canastrão. É tão absurdo que no primeiro lado, logo depois de Midlife Crisis, tem uma música que parece Frank Zappa (”RV”) seguida de um funk metal sujão (Everything´s Ruined) e de outra que lembra Godflesh/Sepultura, distorção no talo e vocais monstro (Malpractice). Minha favorita, Be Agressive, lembra um pouco We Care A Lot - sugere sadomasoquismo, começa com órgão de igreja, tem coro infantil no refrão e guitarra wah-wah.
Patton está furioso: “O que outro deixaria para trás, cuspiria fora, desperdiçaria eu assumo como meu”. Mas as coisas vão mesmo para o inferno em Jizzlober. É grito-choro-dor primal, me arrancaram do útero, um pesadelo de distorção e desespero.
O que significa isso tudo? Não sei e não me importo. Vou deixar para alguém mais esperto que eu o trampo de decodificar Angel Dust.

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The Smiths (Live 1986) – There´s a light that never goes out

Wolfmother – Cosmic Egg
Julian Casablancas – River of Brakelights
Air – Heaven´s light

Drop Loaded:

Dom Capaz – tanta coisa
Os Seminovos – Juíza em Goiás

Bloco produzido por Deborah Fernandes:

Guns ´n ´roses – Welcome to the jungle
Red Hot Chili Peppers – give it away
U2 – Bad

Crove Horrorshow – Nada passou

The Exploited – Anti-UK
The Exploited – Let´s start a war
Bomf ! – Safe Below
Dehumanized – Don´t forget the chaos
BillyClub – UK82

Faith No More – a Small victory
Faith No More – caffeine
Faith No More – Kindergarten
Faith No More – Midlife Crisis

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

HELP !

Bandas sergipanas realizam show com intuito de arrecadar verba para uma turnê pelo Nordeste

Fonte: Divulgação

As bandas The Baggios, Plástico Lunar, Elvis Boamorte e os Boasvidas e Sinesttesia se apresentam dia 30, às 22 horas, na Casa do Rock. É a festa “Help!”, evento que tem como meta angaria fundos para a mini turnê da Plástico Lunar e The Baggios pelas cidades de Campina Grande (PB), Recife (PE), João Pessoa (PB) e Natal no mês de novembro. Um desses shows acontece no Festival do Sol (Natal, RN), um dos principais eventos do cenário independente nacional, onde as duas bandas foram convidadas a se apresentar. Essa escalação rendeu convites para mais duas outras apresentações. Com pouca verba, as bandas realizarão este show para arcar com a viagem, já que os eventos não cobrem os custos.

A mini turnê, programada para o início de novembro, almeja expor o som dessas novas bandas sergipanas a novos públicos e é um reflexo da excelente repercussão que ambas estão tento frente à cena independente nacional, fazendo vários shows fora de Sergipe. A divulgação do material destas bandas sergipanas demonstra as novas possibilidades da cena local, puxando os olhos para o Estado e sua produção cultural.

A Plástico Lunar é um psicodélico grupo sergipano que vem se destacando nacionalmente por revelar uma forte identidade autoral e criatividade com bom e velho rock´n roll. Inicialmente, o som parece ter saído de uma vitrola empoeirada e reflete a velha atmosfera garageira dos anos 60. Porém em poucos minutos se nota a concepção de passado se distorcer e o presente apontar para o futuro. A Plástico Lunar é uma banda diferenciada, com um pé nas raízes da música negra norte-americana e o outro na prog-psicodelia brasileira.

Já a The Baggios é razoavelmente nova. Formada em 2004, na cidade histórica de São Cristóvão, é formada por apenas dois integrantes: Júlio Andrade (guitarra e voz) e Gabriel (bateria). O nome surgiu para homenagear um personagem folclórico da cidade, um músico que vivia de forma hiponga, com estórias surreais a contar em cada esquina. O som da banda tem como intuito misturar ritmos como o Blues e o Rock. Como influências pode-se citar: Jimi hendrix, Muddy Waters, Robert Johnson, The Black Keys, The White Stripes e The Jon Spencer Blues Explosion.

SERVIÇO:

EVENTO: Help!

ATRAÇÕES: The Baggios, Plástico Lunar, Elvis Boamorte e os Boasvidas e Sinesttesia

LOCAL: Casa do Rock (Aruana, em frente ao Oca Bar)

HORA: 22h

VALOR: R$ 10



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Pra gringo ver (e ouvir, e gostar)



Fonte: Portal Rock Press

OS MUTANTES: Turnê pela América do Norte com CD de inéditas após 35 anos

A turnê do CD de inéditas que teve início em agosto é sucesso absoluto de critica e público, casa cheia em todas as apresentações, primeiro lugar em rádios como a CMJ de NY, matéria no New York Times, quatro estrelas no The Independent...

Após 35 anos, Os Mutantes lançam o CD de inéditas ‘Haih Or Amortecedor’ nos Estados Unidos, pela gravadora Anti- Records. O lançamento mundial se deu em 8 de setembro, com distribuição na América do Norte, Europa e Ásia.

A turnê é fechada com um total de 30 shows e 27 mil quilômetros em toda a América do Norte, com apresentações em Los Angeles, Chicago, Detroit, New York, Boston, Washington, Pittsburgh, Philadelphia, Atlanta, Austin, Toronto, Montreal, Vancouver, entre outras.

Logo na primeira fase das apresentações, o alcançou o primeiro lugar nas paradas da CMJ de NY, uma das principais emissoras dos EUA, durante 2 semanas consecutivas e ainda foi primeiro lugar nas rádios universitárias daquele país.

Com Sérgio Dias, o único da primeira formação, e o baterista Dinho Leme, integrante desde 1968, a banda é formada atualmente também por Henrique Peters, teclados, Vitor Trida, guitarra, violão, flauta e clarinete, Vinicius Junqueira, baixo, Fabio Recco , teclado e vocal e Bia Mendes, vocal.

“Temos o mesmo espírito. Arnaldo Baptista e Rita Lee vivem dentro de mim. Apesar de estarmos separados, estamos perto espiritualmente e nós somos irmãos”, explica Dias.

A tour, que está na reta final, com previsão de término para o final de outubro, tem lotado todas as casas de show por onde passa e recebido criticas unânimes quanto à qualidade, originalidade e vivacidade das apresentações.

* Crédito da Foto: Ryan Muir tiradas no Webster Hall em New York, dia 8 de outubro

ALGUMAS CRÍTICAS DA MÍDIA INTERNACIONAL:

“Um triunfo rejubilante” – Mojo Magazine

“Notável por seu espírito rebelde e heterodoxia pop (…) o musical das delícias aqui são universais (…) o vocalista Sérgio Dias concebeu um universo multicolorido onde tudo parece possível – Billboard
http://www.billboard.com/album/os-mutantes/tudo-foi-feito-pelo-sol/410543#/new-releases/os-mutantes-haih-or-amortecedor-1004008198.story

“É bom ouvir uma nova gravação dos Mutantes, que leva adiante os ideais e o espírito exploratório que nos fez amar a banda em primeiro lugar. – Pitchfork
http://pitchfork.com/reviews/albums/13391-haih-or-amortecedor/

Você estaria correto se chamasse "haih” de disperso e exaustivo. Mas o grupo tem como objetivo soar como tudo e o que vem é fantástico. – Los Angeles Times
http://latimesblogs.latimes.com/music_blog/2009/09/album-review-os-mutantes-haih-or-amortecedor.html

“Para todos os enigmas verbais e arranjos camaleônicos, o revivido Os Mutantes raramente soa calculado ou artificial. Sua resposta às realidades desoladoras é inventividade maníaca e desejado otimismo. Quando eles entram no refrão (em inglês) de ‘Neurociência do Amor’ – ‘Let us sing to the rainbow of love all togethe r/ Yes, singing the music of life we are all one’, soa como se eles quisessem dizer que e que de alguma maneira os anos 1960 não acabaram”– New York Times
http://www.nytimes.com/2009/09/07/arts/music/07choice.html?_r=1&scp=1&sq=os%20mutantes&st=cse

“É um retorno bem-vindo à forma” – USA Today
http://www.usatoday.com/life/music/reviews/2009-09-07-listen-up-os-mutantes_N.htm

“Garagem, fuzz-rock riffs twist com a magia do samba; viagem das valsas da Disney em polcas enlouquecidas. Infeccioso, alvejado de sol e psicodélico - o retorno bem-vindo de uma instituição da América do Sul – Q Magazine

“Haih é muito melhor do que deveria ser” – Rolling Stone USA
http://www.rollingstone.com/reviews/album/29875034/review/30030032/haih_or_amortecedor

“O inexplicável e imprevisível é o que esta banda brasileira fez de melhor e agora faz isso de novo, quase quatro décadas mais tarde”. The Village Voice – Best of NYC
http://www.villagevoice.com/2009-09-08/music/os-mutantes-still-mutating/

“Os Mutantes continuam os principais expoentes de uma das excitantes marcas registradas internacionais do arte-rock nunca feito”. Tribuna de Chicago
http://leisureblogs.chicagotribune.com/turn_it_up/2009/09/albu-review-os-mutantes-haih-or-amortecedor.html

“O grupo audacioso, de olhos arregalados de gênero energético e sensibilidade sarcástica permanecem intactos.“ – Hartford Courant
http://www.courant.com/entertainment/music/reviews/albums/hc-tc-music-phish-0904-0908.artsep08,0,882619.story

“(...)’Haih’ é um vibrante e atemporal retorno de uma das bandas mais importantes da música mundial”. - I Like Music
http://www.ilikemusic.com/features/Os_Mutantes_Haih-7747/1

“É uma das coisas genuinamente mais excitantes que você jamais vai ouvir”. – The Independent
http://www.independent.co.uk/arts-entertainment/music/reviews/album-os-mutantes-haih-or-amortecedor-anti-1781350.html

“O primeiro álbum da banda em 35 anos faz um bom trabalho ao preservar o espírito anárquico - se não o pessoal - da formação original (...) mas, há um frescor e propósito aqui que deixa mais veteranos da época na vergonha” – BBC EUA
http://www.bbc.co.uk/music/reviews/9hzf

“É bom saber que nem toda banda de rock psicodélico dos anos 70 está preso no passado.” - Seattle Weekly - Bumbershoot Review
http://blogs.seattleweekly.com/reverb/2009/09/bumbershoot_review_os_mutantes.php

LINKS PARA ÁUDIOS:

O link abaixo dá acesso ao download de 05 músicas do novo CD gravadas ao vivo no show ocorrido no Canadá no Montreal Pop Festival, dia 03 de outubro.
http://www.megaupload.com/?d=P1PXUK51

Link para áudio de show completo ocorrido em Pittsburgh PA Mr. Smalls Th, com transmissão pela rádio WXPN 88,5, na Pensylvania, dia 09 de outubro.
http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=113670505

+ Agenda da turnê pela América do Norte:

aug-28 Los Angeles CA Echoplex
aug-29 San Francisco CA Outside Lands festival
aug-30 San Francisco CA The Independent (Outside Lands Fest Afterparty)

sept-01 Humbolt CA Mateel Community Center
sept-02 Portland OR Alladin Theatre
sept-03 Vancouver BC Commodore Ballroom
sept-04 Bellingham WA Nightlite
sept-05 Seattle WA Bumbershoot festival
sept-08 Los Angeles CA Amoeba Record Store (In-Store promo appearance)
sept-19 Yosemite CA Symbiosis Festival
sept-24 Denver CO Cervantes
sept-25 Omaha NE Waiting Room
sept-26 Minneapolis MN Cedar Cultural Ctr
sept-27 Chicago IL SubTerranean
sept-29 Detroit MI Magic Stick
sept-30 Cleveland OH Beachland Ballroom

oct-02 Toronto ONT Opera House
oct-03 Montreal PQ Metropolis (Montreal Pop Festival)
oct-04 Boston MA Sommerville Th.
oct-05 Philadelphia PA World Café
oct-07 Washington DC Birchmere / State Th.
oct-08 New York NY Webster Th.
oct-09 Pittsburgh PA Mr. Smalls Th.
oct-10 Columbus OH Capital Th. (offer has $1000 for hotel rooms)
oct-11 Lexington KY WRFL Radio Festival
oct-13 Tampa FL Skipper's Smokehouse (WMNF radio is Promoter)
oct-14 Ft. Lauderdale FL Culture Room
oct-15 Orlando FL Club at Firestone
oct-16 Atlanta GA Variety Playhouse
oct-17 New Orleans LA Tipitina's
oct-18 Austin TX La Zona Rosa

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

The Baggios em Vitória da Conquista



Na Foto, já de volta e já tocando ...

Do Fotolog da banda

por eles mesmos

Saimos de Aracaju na quarta-feita, às 16hs, pegamos um onibus pra Salvador pra de lá, às 22hs, pegarmos outro ônibus para Conquista. Chegamos umas 20:30h, tempo de sobra para saborear uma pequena dose de chá de cadeira.

A ida pra conquista foi a mais tranquila possivel, onibus leito e tal, sono a tona, chegamos descansadões. PAssamos no hotel, tomamos um cafe da manhã e fomos passar o som no complexo cultural da cidade - muito bacana por sinal. Nesse primeiro dia a apresentação seria na mostra de cinema. À noite fomos ao local do evento garantir o Domeq pra combater um pouco o frio e armar nossa banquinha de camisas e cds. Algumas camisas e cds vendidos, fomos assistir o documentário "Palavra (en)cantada", sobre a musica popular brasileira. Interessante. Dai chegou a hora do show. O som tava no ponto, graves, medios e agudos definidos e um publico que ia de Punks, Alternativos, Cults a Cineastas. Foi do caralho, tocamos por 1h e preparamos a turma para nosso segundo show no dia seguinte no Viela Sebo & CAfe.

Ressaquinha controlada no dia seguinte, fomos almoçar. Como rolou um desencontro com o pessoal da van, tivemos que ir a pe do restaurante ao lugar da Mostra de cinema. Uns 25 min de caminha - bom para digestão. Demoramos pouco, assistimos parte de um filme. Perninha perdeu o celular e fomos descansar mais um pouco no hotel.
Descansados, descemos e fomos pra van. Pra nossa surpresa nos deparamos com uma menina aparentemente de 25 anos e uma senhora de uns 80. Conversa vai, conversa vem, descobrimos que estávamos lidando com a filha e a mãe do grande cineasta brasileiro GLAUBER ROCHA (NOTA: Glauber nasceu em Vitória da Conquista). Surreal. Eu ouvindo comentarios da mãe dele: "ah galuber era louco, colocou cada nome estranho nas filhas" , mas tambem " Ava Patria Yndia Yracema Gaitan Rocha" é realmente um nome comprido para se dar a uma filha, mas mesmo assim nao tiro a razao dele....

Fomos para o Viela SEbo e Cafe, lugar astral, bem bacana, uma fusão de bar e sebo. Na passagem de som tinha pouca gente, depois de 3 cervejas começamos o barulho e não alterou a quantidade de publico. Transcorridas 1h e meia de show começou a chegar a galera, ai sim deu gente! A agente já estava preste a acabar, mas resolvemos tocar mais - intervalozinho de 10 min e mais 2h de show...tava sem guentar, e ainda fui inventar de tocar RAUL - PRA QUE?! Me fudi! Mas o povo liberou agente. Ficamos ate 5h na rua pra pegar o onibus de virote que saia 6h...

Sono estampado na cara, atraso de 40min do onibus, e vamos embora. A nossa surpresa começou ao ver o onibus, que era daqueles pé seco mesmo, mas nao seria problema pra quem tava de virote e com muito sono. 2h passadas de viajem, me deparei numa feira esquisita, numa cidade esquisita e um monte de gente esquisita entrando no onibus. De volta ao cochilo e meia hora depois a cena se repete, gente subindo e descendo do onibus, isso se repeteria por mais 15 vezes. Alem do para-para, o que nos preocupava era o ônibus que tínhamos que pegar em Feira de Santana às 15:30h. Fui perguntar ao motorista se daria tempo de chegar, ele balançou a cabeça sinalizando negativamente. Ai sim começou a inquietaçao, sono foi embora, apetite foi embora, e mesmo assim tinhamos esperança de chegar a tempo, enquanto isso ligavamos pra o pai de perninha pra consultar os horarios que a gente teria pra pegar tanto em a Salvador ou Feira, mas so tinha um 22h em salvador e 1h da madrugada em Feira. Na nossa cabeça nao daria pra chegar a tempo nem a pau pro show no cook, mas quando chegamos numa cidade vizinha a Feira, às 14:30, para nossa surpresa faltavam exatamente 1h pra chegar ate a rodoviaria, e fomos torcendo pra chegar a tempo, o que aconteceu. Desci do onibus como doido , pedindo para o onibus feira-aracaju parar e segurar enquanto íamos retirar o bilhete, alívio instantaneo. Me encarreguei de despachar a bagagem enquanto perninha iria retirar os bilhetes. 5min passado e a decepçao, os bilhetes deram problema e nao conseguimos retirar. Conlusão: "vamos mofar em salvador". Pegamos o ônibus para salvador e garantimos o de 22h. Ficamos mais de 5h de relogio numa rodoviária lotadíssima, em salvador. Ate então só tinha comido 2 maças, estava fraco que só, mas sem apetite.

Pegamos e tão esperado "Onibus das 10" e viemos pra casa, chegamos na rodoviaria às 2:40 e fomos zumbizoide tocar no cook. Agradecemos ao pessoal da Distro pela força de ter segurado a onda, tocando além do que podiam!!!! E agradecemos a Miguel pela força tambem!

Agradecimento tambem pra Gilmar que nos conseguiu essas duas excelentes datas em Vitoria da Conquista!

E que venha outro!!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

# 124 - 16/10/2009



Blue Cheer – Babaji
Blue Cheer – Doctor please

Gangrena Gasosa – Eu não entendi Matrix
Rogério Skylab – Parafuso na cabeça
Z1bi do Mato – O Alien que veio do espaço
Miami Bros. – O Exorcista (pré-mix)
Miami Bros. – Melô dos 3 pregos (pré-mix)

Drop Loaded:

Charme Chulo – Fala comigo Barnabé
Charme Chulo – Brasil Sacanagem

Bloco produzido por “Deathrow”:

Arckanum – Be Alder Aerksande bei
Beneath the Massacre – profitable killcount
Exsequiale – Sinfonias de Leviathan

Rótulo - por terra
Zander – pegue a senha e aguarde

Echo & The Bunnymen – Think I need it too
The Raveonettes – Bang !
The Jesus & Mary Chain – Happy when it rains

Agua de Annique – Beautiful one
Cocteau Twins – Seekers Who are lovers
Portishead – threads
Massive Attack – Teardrop

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Pra cantar junto:

“EU NÃO ENTENDI MATRIX”
GANGRENA GASOSA

Introdução instrumental

1ª estrofe:
UMA GOSTOSA QUE ANDAVA NA PAREDE
E DESPIROCA PELO TELHADO
ELA SUMIU NO TELEFONE
ISSO ME DEIXOU BOLADO

2ª estrofe:
UM PLEIBÓI VAI PRESO NA PARADA
NA FEDERAL A DURA É UMA PICA
OS CANA ARRANCAM A BOCA DO CARA
INDA LIBOTAM UM BISÔRO NA BARRIGA

1ª emboladinha:
ELE TOMA UMA PÍRULA
VIRA ESPELHO E SAI CARECA
COM UM MONTE DE FIO NAS COSTAS
EM UMA BACIA DE MELECA

2ª emboladinha:
ELE LUTA CARATÊ
E VAI NA TIA DO BISCOITO
ONDE TEM UM DE MENOR
QUE EMPENA GARFO SÓ COM O OLHO

Refrão (4x):
EU NÃO ENTEMDI, EU NÃO ENTEMDI
EU NÃO ENTEMDI MATRIX !

Transição com cortadão de caixa e guitarrinha noise doideira
que finaliza com pancadão de surdo

3ª estrofe dupla, que se canta tipo a emboladinha:
O PLEIBÓI SENTE A ESCAMA NO REPEAT DO MIAU
INVADE A DP DE SINISTRO E LARGA O PREGO NI GERAL
O X-9 RANGA UM BIFE E VAI PRA TERRA DOS PÉ JUNTO
O NEGÃO LEVA UM SACODE E QUASE QUE VIROU DIFUNTO

Refrão (2x):
EU NÃO ENTEMDI, EU NÃO ENTEMDI
EU NÃO ENTEMDI MATRIX !

Depois desse refrão vem o finalzinho crazy people com crescente de caixa que descamba na estrofe final.
Aí vem o riff imitando o RAGE AGAINST THE MACHINE pra cantar:
ESSE MALUCO É TÃO SINISTRO QUE NEM BALA PEGA NELE
ELE FECHA COM UMA MINA QUE ANDA PELA PAREDE
O RELOAD É MENTIROSO E REVOLUTIONS É RUIM
E NÃO TEM MAIS A MÚSICA DO RAGE AGAINST THE MACHINE

A música acaba num fade outzinho safado mas que funciona muito bem, como sua família merece!
AINDA BEM QUE TRILOGIA NO TERCEIRO ELA É O FIM...
AINDA BEM QUE TRILOGIA NO TERCEIRO ELA É O FIM...
AINDA BEM QUE TRILOGIA NO TERCEIRO ELA É O FIM...
AINDA BEM QUE TRILOGIA NO TERCEIRO ELA É O FIM...

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“Parafuso na cabeça”
Rogerio Skylab

Põe um aparelho no seu dente,
Coloca a argola na orelha,
Depois põe esse piercing na tua língua,
Injeta silicone no teu peito,
Faz uma porção de tatuagem,
Encosta na tua pele ferro quente,
Imprime no teu corpo uma palavra,
E põe um parafuso na cabeça.
Faz uma trepanação no cérebro,
Puxa, corta, rasga e aperta.
O teu sexo, o teu sexo.
Faz um pieling, põe um marca-passo,
Se mutila todo e fica vesgo,
Introduz um córneo na tua testa
E põe um parafuso na cabeça.

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“O Alien Que Veio Pro Espaço”
Zumbi do Mato

Pamonha, quem tinha pamonha cremosa?
Vem chupar minha maionese porque ela é a mais gostosa.
Marcianinha veio à Terra, não sabia o que comprar, segurou no meu rojão pensando que era raio "lêisiu".
Raio "lêisiu" é o caraio!! Vou mostrar o meu rojão, meu canhão de raio "lêisiu"!

Vai chupar cocô pra ver disco voador, hecatombe intestinal, boi zebu é maioral!

Pedra vira galinha, canta feliz & vive contente.

Morra no boot-kim, mas não cus passando em mim!
Schwarzenegger é puxa-saco de elefante!
Flor kay, flor soby, você só tá por cima porque merda não afunda.

Vai chupar cocô pra ver disco voador, hecatombe intestinal, boi zebu é maioral!

Tchá, tchá, tchá, banho gelado na preguiça
"Ale(gre) como uma cadelinha" (Funk Fuckers)

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“O EXORCISTA”
Miami Bros.
(Djason)

Tá amarrado, irmão?
Uh! Demorou!
Sai desse corpo demônio

Ele invadiu o seu corpo
Sem pedir licença
O ziza tá na área
No seu corpo faz presença

Eu vou me armar
De crucifixo e água benta
E vou ler a Bíblia
Só pra ver se ele agüenta

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“MELÔ DOS TRÊS PREGOS”
Miami Bros.
(DJason)

De braços abertos tu recebe os irmãos
Nos seus olhos refletem o brilho do cifrão
O templo mais lotado, o seu bolso estufado
Arrecadar com doação não pode ser um pecado

Pastorzinho babaca, o seu ídolo é Jesus
Vou te deixar que nem ele e te pendurar na cruz
Tenho três pregos, dois vão pra palma da sua mão
E só sobra um pra concluir minha missão

Você pensa que eu sou bobo
Você pensa que eu sou cego
Cala a boca e cruza as pernas
que eu só tenho mais um prego

Você diz que fazer o bem ao próximo é bom
E se o próximo for você, a conversa muda de tom
Tira dinheiro dos fiéis que não tem o que comer
acham que doam pra igreja, e não para você

Minha vingança à sua fé, pode crer ela faz jus
vai ficar que nem espantalho pendurado numa cruz
Tenho três pregos, dois vão pra palma da sua mão
E só sobra um pra concluir minha missão

Você pensa que eu sou bobo
Você pensa que eu sou cego
Cala a boca e cruza as pernas
que eu só tenho mais um prego

Se Deus é dez, a gangrena gasosa é meia meia meia

por Adolfo Sá

SE DEUS É 10 A SUPERVIA É 666

Senhores passageiros c/ destino a Deodoro, Bangu, Campo Grande, Santa Cruz, Nova Iguaçu, Queimados, Japeri, Paracambi, Belford Roxo, Gramacho, Saracuruna e Vila Inhomirim: vocês estão fodidos!

Durante 2 dias desta semana, uma pequena guerra civil foi travada nos trilhos que partem da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Começou na manhã do dia 07/10, c/ um trem enquiçado nas imediações da estação de Nilópolis. O maquinista abandonou a composição e deixou os usuários presos nos vagões lotados – a maioria ali a caminho do trabalho. Após 20 minutos sem notícias, geral começou a forçar as portas e saltar pelas janelas. Alguns pés quebrados e tornozelos torcidos. Muita revolta.

A população voltou aos guichês da estação p/ exigir seu din-din de volta. A empresa responsável recusou-se a devolver o real, e um protesto instantâneo irrompeu: o povo indignado destruiu a bilheteria, arrancou uma das catracas, invadiu a linha férrea e ateou fogo num trem.

Na tarde de quinta, 08/10, um novo protesto causado por atraso nos embarques fechou a Central por mais de 1 hora. O Batalhão de Choque da PM foi chamado e conteve o tumulto c/ bombas de gás e tiros de escopeta. Mais de 20 feridos contabilizados nesses 2 dias. Na manhã de ontem, os trens no ramal de Deodoro a Santa Cruz circularam c/ atraso novamente. Desta vez não houve revolta popular. Aparentemente, as pessoas cansaram de apanhar.

PAGUE P/ ENTRAR, REZE P/ SAIR

“Trens não se compram como sapatos ou bolsas nas lojas, é preciso encomendar e esperar”, diz o Secretário de Transportes do Rio, Júlio Lopes.

A SuperVia Concessionária de Transporte Ferroviário S/A, administradora da malha [sub]urbana carioca, alega que a pane da manhã de quarta e os atrasos dos últimos dias ocorreram “devido a problemas em uma subestação de energia”. Em entrevista concedida ontem ao programa RJTV, da Globo, o secretário Lopes ‘garantiu’ que vai cobrar da empresa um plano de emergência. Ele admitiu a precariedade do sistema de transportes da capital fluminense, mas condenou as manifestações: “Pessoas mal intencionadas se incluem no meio dos usuários e praticam vandalismo, o que aumenta ainda mais o sofrimento dos passageiros que precisam utilizar os trens p/ trabalhar”.

O Estado é ausente, a polícia é repressora, a iniciativa privada é mal intencionada e o povo é quem paga o pato. “Em 2007 um acidente provocado pela empresa, o pior em 10 anos, deixou 8 mortos e 111 feridos, o que também gerou a revolta da população”, informa o site do Partido da Causa Operária. Além de incompetente, a SuperVia é reincidente em maltratar seus clientes.

Quem não lembra das cenas gravadas em abril de funcionários da concessionária chicoteando os passageiros pendurados em portas e janelas, p/ que entrassem nos vagões? "Em relação às imagens na estação de Madureira, a SuperVia informa que os agentes de controle são orientados a coibir tentativas de depredação ao patrimônio público, atos de vandalismo e condutas que coloquem em risco os demais passageiros e a operação regular dos trens", informou em nota.

RAP DO TREM

“Pegar o trem é arriscado/ trabalhador não tem escolha/ então enfrenta aquele trem lotado”, já rimava o rapper Sandrão há 10 anos. Ele e todos os integrantes do grupo RZO são de Heliópolis, periferia de São Paulo. No Rio, outra banda de suburbanos também fez música p/ o sistema ferroviário de sua cidade: “A SuperVia Deseja a Todos Uma Boa Viagem” é uma homenagem de Ronaldo ‘Chorão’ aos serviços prestados pela famigerada companhia.

Morador de Campo Grande e trabalhando das 8:00 às 18:00 de segunda à sexta, o vocalista da Gangrena Gasosa sente na pele as agruras de 2 viagens diárias em trens sob condições subumanas: "Senhores passageiros a SuperVia informa/ Hoje todos os ramais operam com atraso/ Senhores passageiros a supervia informa/ A composição vazia só vai fazer manobra", canta o refrão.

Mais conhecidos pelo satanismo afrodescendente, Chorão e a Gangrena provam que basta morar longe da zona sul carioca p/ se sentir um frango de despacho numa encruzilhada: “As letras são um crossover do dia-a-dia do brasileiro tosco c/ temática de macumba. Você não precisa estudar p/ falar disso, basta viver no Rio de Janeiro e ter o dom de rir das desgraças."


Fonte: Viva La Brasa

SARAVÁ !

Clostridium perfringens é o nome da bactéria causadora da gangrena gasosa, uma infecção que produz gás entre os tecidos do corpo. Geralmente ocorre em áreas traumatizadas e feridas cirúrgicas, evolui rápido e é caso grave. Se não for tratada a tempo, o enfermo entra em estado de hipotensão, insuficiência renal, choque, coma e, por fim, óbito.

Ronaldo de Souza Lima é o nome do ‘Chorão 3’, um dos vocalistas da Gangrena Gasosa, banda que comemora 20 anos c/ o 4º disco: SE DEUS É 10, SATANÁS É 666, prestes a ser lançado pela gravadora Freemind. O grupo surgiu nos anos ’90 em meio a uma onda do rock nacional em que novas bandas eram associadas a um determinado ritmo ou movimento: Chico Science liderava o manguebeat, os Raimundos vinham c/ o forró-core, e o Planet Hemp cantava a maconha. A Gangrena falava de macumba, e sua música foi batizada como 'SARAVÁ METAL'. Lançaram seu 1º disco em 1994, Welcome to Terreiro, ainda na época do vinil, pelo selo Rock It!, do ex-Legião Dado Villa-Lobos. Participaram de 2 coletâneas emblemáticas, No Major Babes, do jornalista Marcel Plasse, e Traidô!! - Tributo ao Ratos de Porão, produzido pelo Phú, da banda de HC de Brasília DFC [Distrito Federal Caos].

Em 2000 saiu Smells Like a Tenda Spirita, pelo selo Tamborete do amigo Leonardo Panço, e em 06 de junho de 2006 foi a vez do EP independente 6/6/6. Nascida sob o signo de Satã [ou do Exú, como preferirem], a Gangrena Gasosa passou por várias fases e formações, c/ algumas baixas resultantes da energia pesada c/ que a banda trabalha – o vocalista Paulão, ex-Seletores de Freqüência e atualmente em carreira solo, deixou o grupo depois de sofrer um atentado nas mãos de devotos fundamentalistas do Candomblé: “Isso é p/ aprender a não brincar c/ coisa séria”, teria dito um deles após aplicar-lhe algumas facadas [REZA A LENDA, pois Chorão não gosta de comentar o episódio].

“Metaleiro, gótico que anda de preto em cemitério, nego dá conselho: ‘Larga disso meu filho, fica direitinho’... Mas ninguém vê um adolescente entrar no mundo da macumba achando que isso é uma fase que vai passar quando crescer. Macumba é coisa mais séria, e ninguém gosta de mexer c/ essas coisas, não. Neguinho se borra mesmo”, diz Chorão. Conheci o ‘Omulú’ em ‘96, durante um Hollywood Rock no Rio. O White Zombie tinha acabado de tocar e rolava a apresentação do Smashing Pumpkins, e Ronaldo bradava: “Porra, esse The Cure é chato pra caralho!” Haha!.. Chorão [o ‘3’ ele acrescentou depois, por haver outros 2 Chorões mais famosos que ele] é tosco, suburbano, sinistrão. Mas também é culto, inteligente, engraçado – e acima de tudo verborrágico.

Isso pode ser comprovado na entrevista reproduzida a seguir, postada pelo paulista Márcio SNO no portal Rock Press. As palavras saem como uma hemorragia. O negão abre o verbo sobre a trajetória da Gangrena, a fama de malditos, a responsa de ser pai e a paixão por Adelvan Kenobi. C/ vocês, as simpatias, mandingas & quizumbas de Chorão 3, puro suco da maldade. Chuta que é macumba!

Quem ouve o som deve achar que vocês se vestem de demônio, moram em cemitério e tomam água de vala. Quem são vocês afinal?

Eu não bebo água de vala, não, mas não sei se alguém da banda bebe. Veja um caso verídico que aconteceu c/ a gente. A Lana Romero, nossa manager, fez contato c/ a produção de um evento que rolou em Cabo Frio, chamado Rock Humanitário. Daí o cara que organiza falou assim pra ela: “Eles mexem c/ coisas muito sérias e não quero nada negativo no meu evento”. E adivinha quem toca... Quem? Quem? Quem? O KRISIUN!!! É mole? Tem troço mais DEATH que o Krisiun? É fácil não ter medo de Satã, Beelzebuth, Astarot, Demon, que são diabos gringos. Mas ninguém quer mexer com Exu, Tranca Rua, Pomba Gira e Zé Pilintra.

Os nossos santos de casa são mais poderosos que os importados?

Eles são mais nervosos, metem mais medo, eles estão aqui, né, meu? Nas esquinas e encruzilhadas da(s) (nossas) vida(s). Se quiser ver Belzebu e Lúcifer que estão láááááááááááá na Noruega, ou Voldermort (esse é do Harry Potter, nem meu filho tem medo mais...) você compra um CD, aluga um filme, entra na internet, você tem essa opção... Agora c/ a macumba, não, Tranca Rua e Exu Caveira, tá amarrado, né, mano? Você pode trombar c/ um despacho em qualquer esquina. Cara, tem gente que se muda de casa por causa de tambor de terreiro de macumba. Falam que é porque o som incomoda, mas acho que é medo mesmo. Eu tinha uma bobeira quando era pequeno, que sempre achava que meu pirú ia cair se eu pisasse em despacho de macumba, ou que a minha perna ia secar. Porra, quando aquele livro do Bispo Macedo [‘Guias, Caboclos e Orixás - Deuses ou Demônios’] foi parar lá em casa, eu parei até de comer doce de São Cosme e São Damião c/ medo, porque o livro falava que esses doces são oferecidos ao diabo antes de dar pras crianças. Isso é sério! A minha mãe compra doce pro meu filho em dia de Cosme e Damião, mas ela não deixa ele comer do saquinho de jeito nenhum. E eu respeito essa atitude dela, sei lá, né, meu, vai saber...

C/ essas mensagens que abordam em suas letras, como vocês lidam c/ os seus lados espirituais? Vocês também pedem licença quando cruzam por um despacho?

Eu tenho medo de praga de madrinha, de olho grande, de inveja, de mau olhado, de espírito obsessor, tenho medo de macumba, tenho medo de ver O Grito e O Chamado sozinho, tenho medo de Poltergeist até hoje (“foram eles, mamãe...”), tenho medo até do Gasparzinho querendo ser meu amigo... Tenho medo de tudo que eu não posso agredir e nem meter a porrada. Acho que cada um da banda tem sua maneira de se benzer dessas zicas que a Gangrena mexe. Mas não peço licença pra passar no despacho, não... Eu passo pelo outro lado da rua!

E esse ‘trabalho’ de lançar 3 discos de 6 em 6 anos? Foi um pacto mesmo ou ironia do destino?

Ahahahahahaha, todo mundo sempre pergunta se a gente tem pacto c/ o ‘capira’, mas isso não rola. Tem horas até que eu penso: “antes tivesse...”

Mas então esse lance de 6 em 6 anos foi estratégia p/ promover o EP 6|6|6?

Em relação ao nome do EP, c/ certeza. Mas a data foi um ‘dead end’, um prazo pra gente botar o disco na rua. Trabalhar sem prazo é uma merda... Tira a meta e fica muito largado, faz quando pode, quando dá... Quando você estabelece uma meta, você põe o trabalho à prova, se é viável ou não é. Também você avalia o grau de interesse (até o meu próprio) de quem tá junto no projeto. Vai chegando a hora de lançar e os assuntos cabeludos vão voltando junto: grana, show, grana, divulgação, grana, ensaio, grana etc. Mas também acontecem verdadeiras ‘declarações de amor’ pela banda. Eu e o Ângelo conversamos coisas e trocamos impressões que eram de chorar, literalmente. Acabei ouvindo também coisas do Vladimir e do Moreno que eu não esperava, que me surpreenderam muito, de saber o PESO que a banda tem na vida de cada um. Isso foi na época do EP, ainda não tinha o Renzo nem o Dread na banda. Quando vimos as músicas prontas, pensamos: “porra, se isso ficasse bem gravado ia dar um show do caralho...”

As letras demonstram bons conhecimentos de entidades de umbanda e candomblé. Foi feito algum tipo de pesquisa?

As letras são um crossover do dia-a-dia do brasileiro tosco com temática de macumba. Você não precisa estudar pra falar disso, basta viver no Rio de Janeiro e ter o dom de rir das desgraças. Hoje em dia, quem diria! Zé Pelintra é adesivo de carro!!! Tem o adesivo da frase clássica ‘amigo do Zé’ e aquele outro c/ ele encostado no poste, e isso vende na banca de jornal. Um adesivo de recorte eletrônico em 4 cores vende que nem água, por 2 cruzeiros o pequeno de uma cor só, e por 3,50 o grande colorido. A gente podia usar como merchandising da Gangrena na cara de pau! Até São Jorge é pop, tem uma porrada de gente c/ tatuagem de São Jorge matando o dragão, quem nunca viu isso? Tem adesivo pra carro também, que nem o Zé Pelintra. O nome do disco novo – Se Deus É 10, Satanás É 666 – vem de um adesivo dos crentes: “Deus é dez”. Vamos fazer vários adesivos desses pra vender como merchandising da banda, uma versão ‘defona’ dos adesivos crentes: “Tudo boto naquele que me fortalece”, “Foi Satanás que me deu”, “Dirigido por mim, guiado por Lúcifer”, “Deus é 10, Satanás é 666”, “Azazel Inside”, mas quero ver quem vai colar isso no carro.

Quando foi formado o Gangrena ninguém tocava nada e hoje a banda já conta com uma formação bacana (que tem até o Renzo do DFC), sem falar no monte de gente bacana que passou pela banda. Diante dessa referência, vocês poderiam imaginar que o som tosqueira da primeira demo iria ter esse formato de hoje?

Não, a gente não podia imaginar, mas a entrada do Vladimir na banda foi um divisor de águas pra essa mudança. Metaleiro do inferno, cabelão comprido e tudo... No primeiro ensaio foi logo tocando o riff de ‘Holly Wars’ do Megadeth, imagina! Meu cabeção pirou! Eu falei assim: “caralho, a palhetada desse cara é uma grosseria! Agora vai ser metal mêismo, mêu!”

Quando lançaram o disco Welcome to Terreiro, muita gente apostava que a Gangrena ia ‘acontecer’. No entanto, o que ocorreu foi o primeiro sumiço da banda. O que aconteceu por não ter rolado o sucesso em tempos de Mamonas Assassinas e Raimundos?

O que aconteceu é que a gente não era o Raimundos nem o Mamonas Assassinas. Neste último caso, graças a Deus, né, não? Aliás, graças a Deus nos dois casos, o Rodolfo virou crente... A Gangrena era underground mesmo. A gente mexe com macumba, a gente emporcalha de farofa todo lugar que a gente toca. Imagina se isso acontece no Gugu (eu ia adorar)! Velho, a gente é toscão à vera, não é firulinha, não. Não dá pra Gangrena tocar no Criança Esperança nunca, eu ia querer mandar o Didi calar a boca porque acho ele sem graça pra caralho. Como a Gangrena ia “acontecer” com uma letra tipo ‘Timbalada de Caveira’? Será que a gente ia ser chamado no programa da Hebe (gracinha) ou da Ana Maria Braga? Eu ia querer roubar o Louro José e dar pra minha mãe botar na estante da sala. Mas o beijinho da Hebe Camargo eu dispenso. Acho que ia me sentir como se estivesse beijando o Imotep da Múmia. Apesar de que essa mulher é coroa mas ela tem umas coxonas grossas, né, cara? Quem será o Escorpião Rei que sacode a Hebe Camargo?

Ah, bicho, se pegar as letras do Raimundos o que não falta é palavrão... Mas diante dessa declaração, então, não podemos esperar um lançamento de vocês nem num Pânico na TV?

Pode ser, no Pânico, pode ser, sim. Também tem o Hermes & Renato, os programas do Gordo, do Zé do Caixão... Tem espaço pra gente também. Já fomos no Gastão (Musikaos) e no Zeca Camargo quando era da TV Cultura. Mas o esquemão tipo Jô Soares de novo, Faustão, não sei, não... Isso sim tem mais espaço pro Raimundos (que eu gosto), pra Pitty (que eu gosto), pros Detonautas (que eu gosto), pro NX Zero (que eu odeio), essas paradas são rock também mas são menos nervosas. E têm um formato que dá pra rolar bem em playback se for preciso. Já fizemos playback no Caderno Teen da TVE e odiei isso, é muito fake, é muito escroto. Não nego que a TV é uma puta divulgação pra banda, em qualquer canal, fazendo qualquer programa, mas no nosso caso, acaba sendo um tiro no pé. Porque os fãs da banda não curtem playback, e quem não conhece não entende a proposta. Pra isso funcionar, tinha que rolar a gente tocando c/ a legenda das letras, que nem no clipe de ‘A SuperVia Deseja a Todos Uma Boa Viagem’, assim vale a pena até fazer playback mesmo. Assim eu iria amarradão, porque faria toda diferença entre ser ridículo e pagar um puta lelê, e ter a oportunidade de mais gente conhecer nosso trabalho.

Quais são as principais diferenças de ter uma banda na adolescência e depois dos 30 anos, com filho, família, essas coisas?

Você não ter mais disposição pra dar murro em ponta de faca... Não ficar mais aturando certas babaquices de gente que pensa que está te fazendo um favor não te cobrando venda de ingressos pra tocar... Não sei se é assim em São Paulo ou em outros estados porque estou muito por fora da cena, mas no Rio de Janeiro tá assim hoje... Mas acho que deve ser aqui mesmo, porque o que eu vi na produção do ETHS [banda de new metal da França] feito pela Sob Controle, de São Paulo, fiquei impressionado c/ a puta estrutura que a banda teve no evento. Não só estrutura, mas acho que a palavra certa mesmo é suporte, logística, achei foda. O ETHS sobe no palco c/ um puta equipamento, roadie pra caralho, uma bateria zerada, o cara conta 1,2,3,4... BRAMMMMMMM!!! Tá ligado? Já manda um MI bordão na guitarra que parece um VRÚ (se existisse essa nota musical), som limpinho, tudo alto pra caralho... Me dá motivação de voltar c/ a banda e batalhar p/ alcançar esse nível de estrutura num evento. Os caras da Sob Controle são foda mesmo, não sei se estou fazendo propaganda gratuita, só respondi no contexto da pergunta, mas pra mim, o efeito foi que nem pegar um iPhone pela primeira vez na mão: me impressionou. Principalmente num meio em que todo mundo choooooooooooora pra caralho que tá ruim, tá ruim, tá ruim... Será que o público também não está cansado de sair de casa, pegar três ônibus pra ver 500 bandas sem previsão de horário pra começar o evento? Será que não estão de saco cheio de ver o nome de várias bandas no cartaz e ouvir o som igual ao do Atari Teenage Riot p/ todas as bandas saindo dos amps? Não sei, é uma pergunta...

Em Barra Mansa/RJ tem a banda Miami Brothers, que bebe da água da Gangrena e faz um som que coloca Edir Macedo no alvo. O que vocês acham dessa disseminação? Há outras bandas que seguem o estilo de vocês?

Rapaz, eu acho que o Miami Brothers tem as letras mais toscas do mundo. A ‘Dança do Crucificado’ e a ‘Melô dos Três Pregos’ têm os refrões mais ‘defonildos’ que eu já vi. Aquele zine que o Xan faz, INFERNO PUB, é muito foda! E eles têm umas sacadas ótimas também: ‘Templo É Dinheiro’, ‘Umbanda Larga’ e ‘Paga que Eu Te Escuto’. Acho muito bom mesmo. As outras bandas, como disse na pergunta lá em cima, não têm como fazer um trabalho falando de macumba que não lembre a Gangrena. Tem tipo o Ocultan, mas o som é muito diferente do nosso, e a temática parece mais séria. O importante é que o pau ronca! E isso é muito legal, tem uma música deles que eu ouvi, ‘Poderoso Exu Sete Crâ-ni-ôssssss’... Defão mesmo! Também vi no MySpace uma banda de death chamada Gangrena Febrosa que tem um logotipo parecido c/ o nosso, se não acredita, vai lá ver: www.myspace.com/gangrenafebrosa. Essa banda tem temática de splatter, doenças e desgraças afins. Fora isso, meu sonho é ver uma banda tocando uma cover da Gangrena. Acho que eu ia me sentir ‘a pica que matou Cazuza’ se uma banda tocasse uma cover da Gangrena! Coisa de artista, maior bronca de famoso, né, não? Eu teria coragem até de juntar dinheiro e bancar um tributo pra Gangrena Gasosa – tipo o Phú fez c/ a coletânea TRAIDÔ!!, no qual a Gangrena participou c/ a versão de ‘Beber até Morrer’ e ‘Vida Ruim’, transformado em ‘Benzer até Morrer/ Kurimba Ruim’ – , só pra ouvir esse CD e ficar me masturbando...

Chorão, em outras entrevistas você fala de possíveis relações mais profundas c/ rapazes do rock como Phú (DFC) e Adelvan (Programa de Rock de Aracaju), por exemplo. Como você explica a música ‘Emboiolada’?

Não, sai fora, brincar disso c/ o Phú é furada! O Phú come travesti mesmo! E isso sairia do campo da aventura p/ o campo do amor, e eu não quero casar c/ o Phú nunca... O único amigo que comeria por amor seria o Adelvan de Aracaju, faço qualquer coisa por aquele nariz! Largo até minha mulher pra casar c/ o Adelvan se ele me quiser.

Uma vez seu pai queimou uma pilha de cartas suas na ‘Fogueira Santa de Israel’ e colocou o seu nome na corrente de oração da Igreja Universal. Me fala, o que mudou na sua vida nesse período?

Fiquei careca, casei, engordei 20 quilos (minha mulher cozinha bem pra caralho) e estou mandando melhor no sexo apesar da minha pança extreme noise terror. E o meu pai saiu da Universal e foi pra Quadrangular. Mas tem o seguinte, agora que sou pai, percebo que os pais erram querendo o melhor pros seus filhos, e c/ o meu não foi diferente.

Então, talvez seja o caso de você dar o seu testemunho... Ou seu testemunho você não dá?

Tipo o que Rodolfo dos Raimundos fez? Não, isso, não... Não dou meu testemunho porque acho que ele não seria sincero... Acho que quando você descobre que as coisas não são só átomos (também não estou dizendo que são Jesus, nem Satã, nem Buda, nem Maomé, nem Alan Kardec, não é isso...) bate uma chapação, tipo um ‘PLÁ!!!’ na sua mente, e tem pessoas que querem falar isso no microfone pra todo mundo ouvir. Acho que é uma mudança de conceito muito grande e as pessoas querem, sei lá, compartilhar isso, penso que seja isso... Mas eu não tenho essa piração, pra isso eu tenho a Gangrena, que eu posso subir no palco, grito pra caralho, mas as pessoas que estão ouvindo vão lá QUERENDO ouvir isso. Acho um saco essas pregações que os crentes querem te empurrar goela abaixo porque estão arrependidos de cheirar, de fumar maconha, de fazer macumba pra separar marido, pra aleijar os outros, de dar o cu, de ser piranha, de roubar... Acho isso caído. E vêm c/ essa postura de que estão te fazendo um puta favor de mostrar o caminho do céu, e você que é um ingrato, não quer escutar o que eles têm a dizer... Já vi testemunhos sinceros, já aceitei orações sinceras também, porque acho que boas intenções não têm religião. Dos meus avós, dos meus pais, dos fãs e amigos da banda, aceito de coração quem quiser desejar boas coisas pra mim. Não sou ‘defão’ de mandar crente tomar no cu, essas paradas. Mas sei que tem muita picaretagem no meio também (minha vó falava que era “crente do cu quente”) e meto o pé quando vêm na minha direção pra entregar papelzinho e dizer que Jesus Cristo tem uma grande obra pra fazer na minha vida, mas falta eu comprar o material...

Já rolou algum processo por parte de espíritas, crentes ou mesmo pelo Lulu Santos?

Não, somos café pequeno pra eles, crentes e espíritas. E o Lulu Santos gosta da gente, eu também acho muita coisa do Lulu Santos bem legal.

O Lulu curte a Gangrena mesmo depois da ‘homenagem’ que fizeram pra ele no encarte do Smells Like a Tenda Spirita?

O Lulu Santos é ‘diabo de mídia’ e ele sabe disso. Como disse, eu tenho vários discos do Lulu Santos, pediria autógrafo se o conhecesse pessoalmente – e se os CDs fossem originais... Sem nóia!

Existe uma especulação de que o disco Roots, do Sepultura, foi inspirado em vocês. Definitivamente: isso é fato ou lenda?

Definitivamente o Roots é um crossover de Korn no som c/ Gangrena Gasosa no conceito. O clip de ‘Roots Bloody Roots’ é Gangrena até o caroço. Mas também, todo mundo que fala de macumba no Brasil vai remeter a alguma lembrança da gente, não tem jeito. Mas nós não somos donos de toda macumba do mundo e, além disso, o Roots é um disco foda (não, não é o melhor deles, prefiro Chaos A.D. e o Beneath the Remains). Ninguém tem a patente das boas idéias, e em contrapartida, esse brá lá lá que rolou c/ o Sepultura nos ajudou na época, na tour da Alemanha a gente sempre era relacionado c/ o Sepultura e o Ratos de Porão, era a melhor referência que eles tinham pra situar o nosso som. No problem! Sepultura é uma puta banda. Mas isso de fazer macumba não deu muito certo pra eles, porque a banda perdeu muito espaço depois disso e o Max virou mendigo... Meu Deus, que cabelo é aquele, né, velho? Tem uma foto dele na revista Rolling Stone que ele tá sem um dente... Cruz credo... Que onda errada... Ele acha que isso é bonito? Já pensou como ele vai falar pro Zyon escovar os dentes se ele não dá exemplo pro garoto?

E você, na Gangrena, depois que teve filho passou a rever algumas posturas suas para não dar esse anti-exemplo igual ao do Max?

Claro que sim, eu não fico dando mole, não, porque sei que sou referência e não vou colaborar ensinando mais merda do que as que ele já vai encontrar fora da escola e de casa. Eu não fico mostrando Playboy pra ele porque ele é homem, meu filho não tem nem 12 anos. A Playboy vai servir pra que? Pra ele sentir tesão? Ele não faz sexo c/ essa idade, pra que vou incentivar isso? Pra dizer pros amigos e vizinhos que ele não é viado? Acho isso babaquice... Você tira por uns pequenos lances que você observa (pra ser pai TEM QUE OBSERVAR SEMPRE), meu filho já veio me pedir cerveja em churrasco, tipo pra mostrar pros outros moleques que já era adulto que nem o pai. Não dei uma bifa nele mas dei um sabãozinho de leve no canto e ele bebeu foi Coca-Cola mesmo. Eu, hein, mano, não fode! Sinceramente, quando eu vejo essa molecada fumando maconha e bebendo até cair na sarjeta, sei lá... Me dá muito medo. Hoje em dia vejo filmes como Alpha Dog, Kids, Requiem for a Dream, Trainspotting, e isso agora é filme de terror pra mim. Fico na merda vários dias dormindo mal, cheio de paranóias... É foda... Além disso, tem as outras coisas que meu filho vai ter contato dentro de casa mesmo, pela internet, não me iludo quanto a isso, ele sempre vai dar um jeito, como eu dei o meu jeito quando tinha a idade dele... Tem muita putaria e maluquices rolando na internet... Não dou lição de moral pra ninguém, porque sei que ninguém quer ouvir lição de moral do Chorão 3, que agora só porque é pai de família virou moralista. Mas, respondendo a sua pergunta, ser pai mudou isso na MINHA cabeça e esses são meus medos hoje em dia, quem não entende vá ser pai e veja qual é a bronca... Isso vai passar quando meu filho tiver 20 anos, mas quando ele tiver 30 vou ser avô, e aí vai começar tudo de novo...

Tem alguma música da Gangrena que você se recusa a cantar? Por quê?

Não, me recusar a tocar, não, todas são músicas da banda, mas tem umas que acho chatiiiiinhas pra cacete, tipo ‘Pomba Gyra’ e ‘Pegue o Santo or Die!’... Tem outras também, mas o fato é que curto as músicas mais porradas e c/ mais percussão.

Em 2001 vocês se aventuraram na Alemanha e Áustria fazendo alguns shows. Como foi essa experiência e como eles receberam a proposta da Gangrena? Ou não entenderam nada e tudo bem?

Eu gosto de contar uma passagem em particular que me deu muito orgulho dessa tour. Um dia fomos tocar num squat de três andares e lá em cima tinha um punk dormindo que acordou com o som e desceu pra ver a gente. Ele disse pro dono do bar o seguinte sobre nosso show: “Eles são tão agressivos quanto o Slayer, tão pesados quanto o Venom e tão loucos quanto o Prodigy”. Pra mim que sou a minha pessoa pessoalmente isso valeu qualquer custo que tive pra viajar naquela tour. Considerando que o cara não falava português e não entendia nada das nossas letras, tenho muito orgulho de ser da Gangrena Gasosa por isso. Se eu não fosse da Gangrena, seria fã pra caralho da banda.

Notei em diversos momentos nessa entrevista que você cita Deus. Quem é Deus para você?

Deus p/ mim, atualmente, é um crossover de Stephen Hawking, doutor em Cosmologia, c/ todas as tradições místicas e ciências ainda não desenvolvidas e estudadas da face da Terra. Um conceito tipo o do físico Amit Goswami. Eu ainda estou sob efeito do filme Quem Somos Nós? e essa pergunta é complexa demais, porque eu mesmo já me fiz essa pergunta e juro por Deus que não sei a resposta... Acho que Deus é um conceito muito pessoal, e eu ainda estou correndo atrás dessa compreensão. Saí do materialismo mental que venho pregando (vociferando) grosseiramente (sem conhecimento de causa, quero dizer) desde a minha adolescência, e estou deslumbrado demais c/ os novos conceitos c/ os quais tenho tido contato. O bom desse momento que estou vivendo é que (ainda) não fiquei chato o bastante p/ ficar pregando meu ponto de vista pra ninguém. E espero permanecer assim por muito tempo, acreditando em Deus, mesmo que eu não saiba explicar quem ou o quê Ele é.

O que podemos esperar da Gangrena nessa nova fase?

Sinceramente, eu também gostaria de saber. Eu me faço essa mesma pergunta todo santo dia...